Fórum Boao | Lei Wai Nong participou na cerimónia de abertura

O secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, marcou presença na cerimónia de abertura da Conferência Anual do Fórum Boao para a Ásia 2024, que decorreu entre 26 e 29 de Março em Boao, Hainão. Este ano o fórum teve como tema “A Ásia e o Mundo: Desafios Comuns, Responsabilidades Compartilhadas”.

O secretário aproveitou igualmente a deslocação à província insular para se encontrar com Ni Qiang, membro permanente do Comité do Partido Comunista Chinês da Província de Hainão. Durante a reunião foram abordados assuntos como o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e da Zona de Comércio Livre de Hainão.

Segundo o gabinete do secretário, a troca de opiniões resultou mesmo numa sintonia quase perfeita, entre os dois. “Os dois dirigentes consideraram uniformemente que os dois locais revelam semelhanças a nível das políticas inovadoras e de outros domínios, pelo que devem aprender com a experiência de sucesso de um e do outro e reforçar o intercâmbio e a cooperação”, foi relatado.

Durante a visita a Hainão, o secretário para a Economia e Finanças passou pela Cidade Internacional de Duty Free de Haikou, um dos lugares de comércio com maior vitalidade na província insular.

Saúde | Governo quer promover negócios

Um Executivo focado em promover o negócio da saúde. Foi desta forma que a secretária para os Assuntos Social e Cultura, Elsie Ao Ieong U, definiu a estratégia do Executivo para o sector, durante a mais recente reunião do Conselho dos Profissionais de Saúde, de acordo com a versão oficial.

“O ponto de vista do Governo da Região Administrativa Especial de Macau não se limita a resolver os problemas de cuidados de saúde de Macau, mas, ao mesmo tempo, precisa de promover vigorosamente o desenvolvimento sustentável da indústria de saúde”, afirmou Elsie, no encontra.

No mesmo sentido, a secretária também considerou que “a formação de profissionais de saúde de alta qualidade é muito importante” pelo que “exortou todos os membros do conselho possam, conjugando esforços e no estrito cumprimento das suas atribuições, a empenhar-se nos respectivos trabalhos, exercer uma fiscalização rigorosa e elevar constantemente o nível profissional dos profissionais de saúde”.

Por sua vez, Lei Chin Ion, presidente do conselho, considerou que há actualmente “vários trabalhos importantes a concluir, incluindo a optimização do regime de acreditação e estágio, a continuação da promoção do regime de desenvolvimento profissional contínuo e a organização da Revista dos Profissionais de Saúde de Macau.

A responsável prometeu também que vão ser “preparados os trabalhos relativos ao 3.º Exame de Acreditação e à 2.ª Avaliação Final de Estágio”.

Sindicatos | Lei pronta para ser votada no plenário brevemente

A nova lei sindical está pronta para ser aprovada na Assembleia Legislativa, apesar de não consagrar a negociação colectiva ou regulação da greve. A entrada em vigor está prevista para Março do próximo ano e deverá afectar mais de 450 associações

 

A 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa terminou a discussão na especialidade da Lei Sindical e o diploma deverá ser aprovado em Plenário nos próximos dias. O parecer com a opinião dos deputados sobre a proposta final foi assinado na quarta-feira.

Em conferência de imprensa, Chan Chak Mo, deputado que preside à comissão e empresário, afirmou que o diploma cria condições para que nenhum trabalhador seja prejudicado por integrar um sindicado. De acordo com o jornal Ou Mun, o presidente da comissão destacou também que os sindicatos têm a obrigação de evitar causar problemas para a ordem pública e a estabilidade da RAEM, e que se o fizerem poderão sofrer sanções.

Segundo conteúdo do diploma, vincou Chan, o funcionamento dos sindicatos jamais poderá entrar em conflito com os serviços públicos básicos e mecanismos de resposta em caso de emergência.

Fora da futura lei ficam a regulação da negociação colectiva, assim como o direito à greve. Estas são duas das questões mais sensíveis para os deputados que representam as associações patronais e que durante quase 23 anos fizeram com que chumbassem as propostas apresentadas por vários deputados. Sobre este assunto, Chan Chak Mo indicou que apesar de não estar previsto no diploma, que o direito à greve e à negociação colectiva decorrem da Lei Básica e estão garantidos. O deputado desvalorizou ainda este aspecto, e considerou que as divergências laborais podem ser resolvidas de forma individual pelos trabalhadores, desde que mostrem boa-fé nas conversações com os patrões.

Mais de 450 associações

De acordo com os dados apresentados pelo presidente da 2.ª Comissão Permanente, actualmente existem no território cerca de 459 associações que representam interesses de classes laborais e que podem ser inscritas como sindicatos. As inscrições dos sindicatos deverão começar em Janeiro do próximo ano.

Segundo a proposta de lei que vai ser aprovada na Assembleia Legislativa, os trabalhadores não-residentes não podem criar sindicados nem tão pouco ser membros dos órgãos dirigentes, uma norma que poderá estar em conflito com os artigos 27.º e 43.º da Lei Básica, que consagra o princípio da não discriminação e da liberdade de organização em sindicatos.

Sismo de magnitude 6 atinge costa do Japão ao largo de Fukushima

Um sismo de magnitude 6 na escala de Richter atingiu hoje o leste do Japão, com epicentro na costa de Fukushima, mas sem ativar o alerta de tsunami nem causar danos significativos.

O abalo ocorreu pouco depois do meio-dia (hora local), com epicentro a 40 quilómetros de profundidade ao largo da costa da província de Fukushima, no leste do país, avançou a Agência Meteorológica do Japão.

A empresa que opera a central desativada de Fukushima Daiichi, TEPCO, disse na rede social X (antigo Twitter) que “nenhuma anomalia” foi detetada no complexo da central, que sofreu um desastre nuclear devido a um sismo e tsunami em março de 2011.

De acordo com a empresa Tohoku Electric Power, não foi também detetada qualquer anomalia na central nuclear de Onagawa, na região vizinha de Miyagi, ou nos níveis de radiação nas áreas próximas.

Segundo a televisão pública japonesa NHK, o abalo levou a empresa ferroviária JR East a suspender as operações do comboio rápido de Tohoku, que liga a capital Tóquio à cidade de Sendai, no nordeste do Japão, devido à interrupção no fornecimento de energia.

O sismo de hoje no Japão ocorreu um dia depois de um abalo de magnitude 7,4 na escala de Richter ter atingido Taiwan, deixando pelo menos nove mortos e 1.050 feridos, levando ainda à ativação de alertas de tsunami nas ilhas do arquipélago de Okinawa, a sudoeste do Japão, em Taiwan e nas Filipinas.

O Japão fica no chamado Anel de Fogo, a zona sísmica mais ativa do mundo, e sofre sismo com relativa frequência, por isso a infraestrutura é especialmente desenhada para resistir a abalos.

A península de Noto, uma zona rural e remota no centro do arquipélago japonês, sofreu um terramoto de magnitude 7,5 em 01 de janeiro que deixou mais de 240 mortos, nomeadamente devido ao desabamento de casas antigas.

Country Garden | Construtora suspende cotação na Bolsa de Hong Kong

A construtora chinesa Country Garden suspendeu ontem a sua cotação na Bolsa de Valores de Hong Kong, algo que já tinha sido antecipado pela empresa na semana passada, quando anunciou que não conseguiria apresentar atempadamente os seus resultados de 2023.

O maior promotor da China entre 2017 e 2022 convocou uma reunião do Conselho de Administração na passada quinta-feira e esperava-se que apresentasse a sua declaração de rendimentos anual, com os analistas a preverem que apresentaria um prejuízo equivalente a cerca de 6,21 mil milhões de dólares. A empresa explicou que as contas atuais “ainda não foram acordadas” com o seu auditor PriceWaterhouseCoopers (PwC).

As regras da Bolsa de Valores de Hong Kong fixam o dia 31 de Março como data limite para a apresentação dos resultados anuais e dão ao operador o poder de pedir a suspensão da cotação das empresas que não os divulguem atempadamente, embora a Country Garden tenha dito que o congelamento da negociação das suas acções “não teria um impacto material nas suas operações”.

Desde 2008, quando a empresa foi cotada pela primeira vez na Bolsa de Valores de Hong Kong, o preço das ações da Country Garden atingiu um pico de 2,35 dólares por acção em Janeiro de 2018, enquanto o seu preço actual caiu para 0,06 dólares por acção.

No final de Fevereiro, um credor da Country Garden apresentou um pedido de liquidação à justiça de Hong Kong, dando início a um processo cuja primeira audiência está marcada para 17 de Maio, embora o promotor tenha garantido que o montante devido ao requerente (cerca de 204 milhões de dólares) é “uma proporção muito pequena” do seu passivo ‘offshore’ e não afectará as suas operações ou negociações de reestruturação.

Saúde mental é tema do quarto festival “Letras & Companhia” de Macau

A saúde mental vai ser, entre 15 de Abril e 7 de Maio, o tema da quarta edição do festival Letras & Companhia, uma iniciativa do Instituto Português do Oriente (IPOR) para pais e filhos, foi ontem anunciado. Música, artes performativas, oficinas para pais e filhos, sessões de leitura e lançamento de livros são as actividades em destaque nos dois programas que o Festival volta a incorporar, um para o público e outro para as escolas, para “promover a importância da saúde mental, não só nas crianças e jovens, mas também nos adultos”, indicou o IPOR, em comunicado.

A autora e ilustradora portuguesa Marina Palácio vai apresentar dois livros da sua autoria e promover um conjunto de oficinas nas escolas e uma aberta ao público, assim como uma formação para professores.

A apresentação de “Uma Menina Chamada Nuvem”, de Mário Lúcio, integra o programa geral. Editado pelo IPOR em português e chinês, com ilustrações do próprio autor, este é o segundo volume da colecção Contos do País do Arco-Íris, iniciada em 2015. Com base na história daquele conto, a companhia de dança Raiz di Polon, também de Cabo Verde, apresenta um espectáculo em estreia em Macau e vai realizar, no programa dirigido a escolas e universidades, um conjunto de oficinas de dança e expressão cultural.

Além de uma visita à Escola Portuguesa de Macau, Mário Lúcio vai realizar também um concerto com as suas composições mais conhecidas, a retratar o percurso de vida do artista.
O programa inclui ainda a apresentação de dois livros de autores locais: a versão em português do livro de Christopher Chu e Maggie Hoi intitulado “Macau’s Historical Witnesses” e a edição de autor infantojuvenil Mikel Ko “I Wantto be Happy” de Mikel Ko.

Bibliotecas em ponto pequeno

A edição deste ano do festival conta ainda com a participação do Hong Kong Children’s Choir, que actuará em Macau no âmbito da comemoração do 55.º aniversário. Os cerca de 200 elementos do grupo coral com idades compreendidas entre os 11 e os 16 anos, vão cantar músicas em chinês, inglês e, pela primeira vez, algumas músicas em português, especialmente preparadas para este concerto.

No encerramento do festival, organizado pela primeira vez em 2021, o IPOR vai entregar “minibibliotecas às escolas públicas e privadas de Macau onde se ensina língua portuguesa”.

O “Letras & Companhia” é organizado em parceria com o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e com o apoio do Galaxy Entertainment Group Foundation, contando ainda com a colaboração da Fundação Oriente, do Camões–Instituto da Cooperação e da Língua, da Livraria Portuguesa e da Escola Portuguesa de Macau, entre outros. As actividades são de entrada livre, devendo a participação em alguns programas ser feita através de inscrição.

Xiaomi | Acções sobem 16% após lançamento de carro eléctrico

As acções da empresa chinesa de tecnologia Xiaomi subiram até 16 por cento, na abertura da sessão na Bolsa de Valores de Hong Kong, impulsionadas pelo lançamento do seu primeiro veículo eléctrico, o SU7.

O SU7 recebeu quase 90.000 encomendas em apenas 24 horas. O preço do modelo standard é de 215.900 yuan, enquanto as versões Pro e Max custarão 245.900 yuan e 299.900 yuan, respectivamente. “É 30.000 yuan mais barato do que o Model 3”, disse o fundador da empresa, Lei Jun, na apresentação, na quinta-feira, referindo-se ao veículo da Tesla, com sede nos Estados Unidos, cujo preço de venda a retalho na China começa em 245.900 yuan.

A forte procura fez aumentar o tempo de espera para a entrega do veículo para entre quatro e sete meses.
O director executivo da empresa, que investiu 10 mil milhões de dólares no negócio automóvel, chamou ao projecto “a última grande aventura empresarial” da sua vida.

Chris Bangle, consultor do veículo e ‘designer’ dos futuros automóveis da marca, afirmou na apresentação que o SU7 é um “exemplo da indústria eléctrica chinesa”. A empresa espera vender entre 55.000 e 100.000 unidades do SU7 este ano.

O eventual sucesso no mercado dos veículos elétricos da Xiaomi, até agora conhecida sobretudo pelos seus telemóveis, poderá ter um impacto nos rivais nacionais, como a XPeng e a BYD, que poderão ser forçados a ajustar preços para se manterem competitivos.

O SU7 vai ser colocado à venda em 211 lojas de 39 cidades chinesas no prazo de um mês, desde a compra até a entrega do veículo, disse Lei. A Xiaomi, que ainda não anunciou planos para vender o veículo no exterior, planeia lançar mais modelos de veículos eléctricos no futuro, com o objectivo de se tornar um dos cinco maiores fabricantes de carros eléctricos do mundo dentro de 15 a 20 anos.

Economia | Fundador do maior fundo do mundo aconselha acções chinesas

Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, o maior fundo de investimento do mundo, disse ontem que esta é a altura certa para investir em acções chinesas, quando Pequim está a trabalhar para apoiar a economia.

“A altura de comprar é quando toda a gente odeia o mercado e este está barato, o que é agora no caso das acções chinesas”, especialmente porque há sinais de que os líderes económicos do país estão a preparar medidas de estímulo como a flexibilização quantitativa e a reestruturação da dívida para relançar a economia, escreveu Dalio, na sua página no LinkedIn.

“Os problemas da China (…) podem ser geridos pelos dirigentes chineses se estes fizerem bem o seu trabalho, sendo simultaneamente inteligentes e corajosos. Penso que aqueles que orientam a política na China acabarão por lidar bem com os problemas”, acrescentou.

As observações de Dalio surgem numa altura em que Pequim intensifica esforços para reanimar a economia, que tem sido afectada por uma crise no mercado imobiliário, problemas de dívida dos governos locais e riscos de deflação.

As acções chinesas estão a tentar recuperar de uma desvalorização conjunta de 10 biliões de dólares, nos últimos três anos, com as avaliações a pairar perto de um mínimo de uma década. O índice MSCI China, que acompanha mais de 700 empresas do país, recuperou 12 por cento em relação ao mínimo de Janeiro, o que o coloca entre os melhores desempenhos dos principais pares mundiais durante esse período, de acordo com dados da agência Bloomberg.

Os fundos ‘offshore’ compraram 22 mil milhões de yuans de acções denominadas em yuan, em Março, de acordo com os dados do Stock Connect.

Dalio reconheceu, no entanto, que os problemas da China podem continuar a ser motivo de preocupação, uma vez que os seus dirigentes precisam de reestruturar as dívidas crescentes ou arriscam-se a uma “década perdida” como aconteceu no Japão, nos anos 1990.

Gaza | China chocada com ataque que matou trabalhadores humanitários

A China afirmou-se ontem em choque com o alegado ataque israelita em Gaza que matou sete trabalhadores da organização não-governamental norte-americana World Central Kitchen. Além disso, Pequim condenou o ataque ao consulado iraniano na Síria

 

Pequim “opõe-se a qualquer acção que prejudique civis, destrua infraestruturas civis ou viole o Direito internacional”, declarou o porta-voz da diplomacia chinesa, Wang Wenbin. “Estamos chocados com o ataque e condenamo-lo”, vincou. Wang apelou a todas as partes envolvidas, “especialmente Israel”, para que cumpram as resoluções da ONU e os deveres estipulados na Carta das Nações Unidas. “Os civis não devem ser visados e a segurança dos trabalhadores humanitários internacionais não deve ser ameaçada”, afirmou.

O porta-voz reiterou o apelo da China a um cessar-fogo em Gaza “para evitar mais vítimas civis e garantir a protecção de instalações civis, como hospitais”, a fim de “evitar uma catástrofe humanitária ainda mais grave” no território.

A World Central Kitchen, fundada pelo cozinheiro espanhol radicado nos Estados Unidos José Andrés, anunciou a suspensão das suas operações em Gaza, depois de ter confirmado que, pelo menos, sete dos seus trabalhadores foram mortos “num ataque das Forças de Defesa de Israel”.

O ataque matou uma equipa humanitária composta por um britânico, um polaco, um australiano e um americano – canadiano com dupla nacionalidade, bem como três palestinianos, segundo a ONG.

A ONG norte-americana participou na chegada de 200 toneladas de alimentos e água a Gaza, em 15 de Março, inaugurando um corredor marítimo a bordo do navio Open Arms, apesar dos apelos da comunidade internacional e de outras organizações humanitárias no sentido de que só a chegada maciça de alimentos por via terrestre poderá aliviar a fome iminente em Gaza.

Entretanto, em Damasco

Com um dia fortemente marcado pela instabilidade no Médio Oriente, o Governo Central condenou também o ataque ao edifício do consulado iraniano na Síria, que matou pelo menos sete pessoas e pelo qual Teerão responsabilizou Israel, embora Pequim não tenha referido os israelitas na sua declaração. “A segurança das instituições diplomáticas é inviolável e a soberania, a independência e a integridade territorial da Síria devem ser respeitadas”, declarou ontem o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, em conferência de imprensa.

Wang acrescentou que a situação actual no Médio Oriente é turbulenta e que a China se opõe a qualquer acção que conduza a uma escalada da tensão. “Exortamos as partes envolvidas a usar de contenção e a trabalhar para resolver as suas diferenças através do diálogo e da consulta”, disse o porta-voz.

O ataque, que destruiu o edifício do consulado iraniano em Damasco, matou sete membros da Guarda Revolucionária, incluindo o chefe da Força Quds na Síria e no Líbano, o general de brigada Mohamed Reza Zahedi, e o seu adjunto, o general de brigada Mohamed Hadi Haj Rahimi.

Este é o ataque mais sangrento contra militares iranianos na Síria em 2024, onde até agora oito pessoas foram mortas por bombardeamentos israelitas, incluindo dois generais da Guarda Revolucionária. Após o ataque com mísseis, o embaixador do Irão na Síria, Hossein Akbari, afirmou na televisão estatal iraniana a partir de Damasco que “o regime sionista [Israel] está a agir contra as leis internacionais, pelo que receberá uma resposta dura da nossa parte”.

Este aviso foi mais tarde repetido pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Naser Kanani. Até ao momento, Israel não reivindicou a responsabilidade pelo ataque, como é habitual nas suas operações em território sírio.

Segunda fase do Rota das Letras propõe oficinas e espectáculo no CCM

Depois dos livros, autores e músicos, o festival literário Rota das Letras prossegue este mês com vários workshops de dança, teatro, literatura, som e instrumentos musicais que vão culminar na reinterpretação do espectáculo, “Um Quarto Próprio”, apresentado nos dias 28 e 29 de Junho no Centro Cultural de Macau (CCM).

A segunda fase do Rota das Letras traz a série de workshops “Um Quarto Só Seu”, a decorrer no Jardim das Artes, e uma oficina de literatura, coordenada pela académica Agnes Lam, centrar-se-á no universo literário da escritora inglesa Virginia Woolf e na forma como abordou a doença mental na sua obra. Recorde-se que Woolf sofreu, ela própria, de depressão.

Segundo a organização do festival, estes workshops “irão examinar o fenómeno da depressão na sociedade contemporânea através da literatura e das artes teatrais, cultivando a consciência e a empatia dos participantes para as questões mentais e explorando o poder da arte e da criatividade na melhoria da saúde mental”.
Desta forma, os participantes serão orientados pelos instrutores a “discutir e criar os seus próprios trabalhos sobre o tema”.

A oficina literária começa este sábado e domingo, das 10h às 13h e das 14h30 às 17h30, em língua chinesa, tendo o custo de 400 patacas por pessoa. Agnes Lam, autora, ex-deputada e estudiosa na área dos meios de comunicação social, foi jornalista, estando actualmente dedicada à academia.

Preparar os palcos

No fim-de-semana de 13 e 14 de Abril decorre, sob coordenação de Jojo Lam o workshop de teatro, entre as 14h30 e 17h30 e depois das 19h às 22h. Também com o chinês como língua veicular, o workshop acontece também no Jardim das Artes, tendo também um custo de 400 patacas.

Jojo Lam é uma psicoterapeuta e uma terapeuta de teatro registada nos EUA e Canadá. Formada em psicologia clínica pela Universidade de Macau e com um mestrado em Terapia Teatral na Universidade Concordia, no Canadá, Jojo Lam especializou-se, nos últimos anos, nas áreas da psicoterapia, educação artística, administração e artes performativas.

A 13ª edição do Rota das Letras arrancou no primeiro fim-de-semana de Março e celebrou a obra poética de Luís de Camões e de Li Bai. Além disso, foram evocados os 50 anos da revolução portuguesa do 25 de Abril de 1974, com a presença do escritor e jornalista João Céu e Silva, que apresentou a obra “O General que começou o 25 de Abril dois meses antes dos Capitães”. O Festival Literário de Macau – Rota das Letras, fundado pelo jornal Ponto Final, realiza-se desde 2011.

Creative Macau | Lugar de Macau pós-pandemia “inspira” exposição

“The Macau Dream is Alive and Well” reúne trabalhos de arte conceptual de Angela Hoi Ka Ian e Jovinia António. A mostra patente na Creative Macau tem como ideias centrais o “sonho de Macau” pós-pandemia, os desafios do isolamento, a crescente importância do mundo digital e a própria doença da covid-19

 

Está patente na Creative Macau uma exposição de Angela Hoi Ka Ian e Jovinia António. Intitulada “The Macau Dream is Alive and Well” [O Sonho de Macau está Bem Vivo], a mostra, em exibição até ao dia 27 de Abril, baseia-se “em acontecimentos recentes”. Para tal, as artistas convidadas foram desafiadas a “expressarem artisticamente os seus sentimentos sobre os tempos de confinamento e isolamento”, em referência à pandemia da covid-19, descreve um comunicado da Creative Macau.

Desta forma, a exposição “permite um vasto leque de possibilidades para as artistas expressarem as suas ideias”, evocando reflexões subjectivas” ou podendo ainda ter um “efeito neutro no espectador”. Apesar de Macau ter regressado à chamada “normalidade” após a pandemia em Janeiro do ano passado, a verdade é que os impactos que esta questão de saúde pública global teve nas pessoas continuam a motivar criações artísticas de diverso tipo.

“Os residentes de Macau tiveram de se adaptar a novos hábitos, aprendendo a viver em isolamento. Os três anos passados online e as ligações virtuais ajudaram a aliviar a tensão psicológica e o desespero crescentes. Apesar de tudo ter parado durante a pandemia, o número de utilizadores da Internet aumentou exponencialmente para trabalhar e criar”, aponta a Creative Macau.

Desta forma, Angela Hoi Ka Ian e Jovinia António foram convidadas a olhar para “o presente e o futuro” de Macau através da arte conceptual, tendo em conta que o território “caminha para a globalização”. “Ambas as artistas abordaram o tema de forma diferente, utilizando vários materiais para criar formas não tradicionais que reflectem a sua vida quotidiana”, é descrito.

Hábitos e desafios

No caso de Angela Hoi Ka Ian, apresenta-se a série de trabalhos com o mote “That Day I Rolled a Boulder Up a Mountain” [Naquele Dia, Rolei uma Pedra Montanha Acima], onde a artista explora “uma história de vida sem fim”, influenciada pelo mito grego de Sísifo, quando este foi castigado a empurrar um pedregulho para cima de uma colina íngreme. No entanto, sempre que se aproximava do topo da montanha, a pedra rolava para trás, obrigando-o a começar de novo. Esta tarefa sem fim, e inútil, acabou por tornar-se no seu castigo eterno.

Esta história serve de reflexão às ideias de criação, destruição e reparação, em que a artista “tem uma abordagem alegórica que serve de eixo principal” a toda a criação que se centra na pintura, vídeo e instalação. A ideia é “descobrir os retratos de Sísifo na vida” de todos nós, levando a uma reflexão sobre “o significado da vida do indivíduo no autoequilíbrio do universo”.

Natural de Macau, onde nasceu em 1996, Angela Hoi Ka Ian costuma explorar a “relação de vulnerabilidade entre indivíduos e comunidades”. Concluiu um mestrado em Belas-Artes em Londres, que acrescentou a uma licenciatura na mesma área pela Universidade Nacional de Artes de Taiwan.

Jovinia António, outra artista convidada, designer de profissão e apaixonada por padrões, apresenta na Creative Macau trabalhos que exploram as questões geradas pelo confronto com a adversidade: será que a pessoa “se iria fundar no seu espaço de conforto ou iria atravessar a paisagem com espinhos”?

A própria artista teve um processo de reconhecimento individual após terminar a licenciatura, optando por criar a sua própria marca, a “Stardust Journey”, fundada em 2016. Esta marca têxtil levou a artista a criar o seu próprio espaço e voz na indústria, e é sobre esse reencontro que as obras de Jovinia António falam.

MPay | Uso no Japão cresceu mais de 200% no primeiro trimestre

A utilização da plataforma digital de pagamentos MPay no Japão registou um aumento superior a 200 por cento no primeiro trimestre deste ano face ao último trimestre de 2023.

Os dados que constam num comunicado da Macau Pass, empresa responsável pela plataforma, esclarece que “este crescimento deve-se ao forte apoio do Governo chinês à economia digital e aos pagamentos transfronteiriços”.

O Japão foi um dos primeiros países onde o sistema MPay passou a ser usado, de uma lista de 50 países, além de ser “um dos destinos de viagem favoritos dos residentes de Macau”. A internacionalização do MPay deu-se progressivamente a partir de Agosto do ano passado.

Covid-19 | Estudo indica que Governo ignorou preocupações da população

Durante a pandemia, a campanha do Executivo sobre vacinação no Facebook focou riscos da infecção, eficácia da inoculação e facilidade de acesso. Contudo, os utilizadores de Macau estavam mais preocupados com a segurança da vacina e os riscos da distribuição

 

A campanha do Governo de promoção da vacinação contra a covid-19 no Facebook esteve desalinhada das principais preocupações dos utilizadores locais da rede social. A conclusão sobre a falta de eficácia das mensagens das autoridades consta de um estudo elaborado por académicos das universidades de Zhaoqing e Macau, com o título “Colaboração entre o Governo e as Organizações Não Governamentais (ONG) na promoção da vacina contra a COVID-19 em Macau: Estudo de caso nas redes sociais”.

Através da análise a 24.089 publicações na rede social Facebook, publicadas entre Janeiro de 2020 e Agosto de 2022, os académicos Xian Xuechang, Rostam Neuwirth e Angela Chang tentaram perceber quais os principais assuntos ligados às vacinas comentados pelos utilizadores, e se havia uma correspondência com a campanha de divulgação promovida pelo Governo.

Segundo as conclusões, na maior parte do tempo a mensagem do Executivo esteve desalinhada das preocupações e receios da população. “As prioridades da agenda diferiram entre o Governo e os utilizadores regulares. O governo concentrou-se principalmente nos riscos da COVID-19 e na eficácia das vacinas, enquanto os utilizadores regulares estavam mais preocupados com a segurança e a distribuição das vacinas”, foi indicado. “O Governo de Macau desempenhou um papel ao promover a importância das vacinas, a confiança nos peritos e a acessibilidade económica das vacinas, mas o seu impacto ao contribuir para os temas mais comentados pelos utilizadores regulares na rede social permaneceu insignificante”, foi acrescentado.

Mudar de atitude

Face a esta conclusão, os investigadores consideraram que é “crucial” que o Governo ultrapasse o fosso entre a sua mensagem e as preocupações da população, para responder a futuras crises de segurança pública, de forma mais eficaz. “Os decisores políticos devem esforçar-se por alinhar as mensagens do Governo com as preocupações do público, abordando questões que são proeminentes no discurso público”, foi indicado.

“A possibilidade de ouvir as redes sociais é uma ferramenta valiosa para compreender as preocupações de saúde pública. Ao monitorizar o discurso público através da observação dos meios de comunicação social, os decisores políticos podem desenvolver mensagens direccionadas e estratégias de comunicação que respondam eficazmente às preocupações do público e forneçam informações precisas para dissipar ideias erradas”, foi frisado.

Nas conclusões do trabalho académico é também recomendado ao Executivo que reforce parecerias com organizações civis e que inclusive recorra a influencers e outras ferramentas de comunicação alternativas.

“A colaboração com meios de comunicação influentes, incluindo os meios de comunicação profissionais e também alternativos, oferece um meio poderoso para facilitar a política de vacinação e melhorar a saúde pública”, foi indicado. “Os governos podem utilizar o vasto alcance e o poder de persuasão dos meios de comunicação social para envolver activamente e informar o público sobre questões específicas que devem receber atenção prioritária”, foi acrescentado.

Zona Norte | Comerciantes imploram por consumo local

Face ao aumento do consumo de residentes no Interior da China, devido ao programa que permite a circulação de viaturas de Macau em Guangdong, a Associação Industrial e Comercial da Zona Norte veio implorar ao residentes para consumirem no território. O apelo foi deixado por Lei Choi Hong, vice-presidente da associação, em declarações ao Jornal do Cidadão.

Lei Choi Hong pediu aos residentes para apoiarem as pequenas e médias empresas de Macau nesta fase que definiu como “muito difícil”, e apelou para que abdiquem de consumir no Interior, durante os fins-de-semana, e optem por permanecer no território, para ajudar o comércio local.

O pedido de Lei Choi Hong faz eco das declarações do secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, que confrontado com a grande perda de volume de negócio para o Interior, pediu, na Assembleia Legislativa, aos residentes para gastarem mais na RAEM.

A resposta do Governo à crise na zona tem sido praticamente inexistente, mas nas últimas semana foi lançado o “Grande Prémio de Consumo na Zona Norte”, um programa de sorteio de descontos. Os residentes que gastarem mais de 50 patacas numa das lojas seleccionadas habilitam-se a um sorteio imediato, em que podem receber vales de consumo de 10, 20, 50 ou 100 patacas. Por cada semana, realizam-se três sorteios.

Os vales de consumo só podem ser gastos em algumas lojas, mas a Associação Industrial e Comercial da Zona Norte, uma das co-organizadoras da iniciativa, espera que no futuro sejam aceites em mais lojas no programa que decorre até Agosto.

IFT | Primeira presidente felicita passagem a universidade

Virgínia Trigo, primeira presidente do Instituto de Formação Turística, diz que a passagem da instituição a universidade é “uma decisão esperada e que se justifica”, potenciando “o reconhecimento que tem dentro e fora de Macau”

 

“Uma decisão esperada e que se justifica”. É desta forma que Virgínia Trigo, primeira presidente do Instituto de Formação Turística (IFT) entre 1995 e 2001, classifica a passagem da instituição de ensino superior a universidade, medida consagrada esta segunda-feira com a entrada em vigor do Regime Jurídico da Universidade de Turismo de Macau (UTM).

“O IFT é uma instituição importante no ambiente do ensino superior em Macau. Possui uma cultura organizacional muito forte centrada no valor da qualidade, de que nunca abdicou, e sempre construiu a sua identidade em torno do ensino da hospitalidade e turismo, que são as principais indústrias de Macau. É por isso uma instituição que está especialmente ao serviço do território desenvolvendo conhecimento, preparando alunos para carreiras profissionais e para a aprendizagem ao longo da vida”, afirmou ao HM.

Na visão da académica, actualmente ligada ao Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), o IFT “tem grande reconhecimento dentro e fora de Macau e o estatuto de universidade vai contribuir para potenciar ainda mais esse reconhecimento”.

Esta segunda-feira, e segundo um comunicado de imprensa emitido pela instituição, a UTM anunciou a criação de novos cursos a pensar na nova fase: uma licenciatura em Ciências de Negócios Internacionais e Comunicação, bem como um curso revisto de Licenciatura em Marketing e Gestão de Marca. Estão ainda planeados dois programas de mestrado em Ciências de Gestão de Convenções, Exposições e Eventos Internacionais, bem como um programa de doutoramento em Gestão de Empresas.

Relativamente às instalações, a UTM prevê terminar as obras de construção do edifício Jubileu de Prata e o novo Edifício Residencial no Campus da Taipa. Esses projectos “visam criar um novo edifício académico e um local para formação prática em hotelaria”.

Presente e futuro

Ao longo da sua história, o IFT tem apostado na cooperação com instituições de ensino de outros países, nomeadamente Portugal. Exemplo disso foi a parceria, assinada em Julho de 2019, com a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, para a criação da Academia Internacional de Turismo no Estoril. O projecto teve um orçamento de 24 milhões de euros.

Para os próximos tempos, a recém-criada UTM pretende apostar na entrada na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, por ser um local “que está a desenvolver-se rapidamente, trazendo também novas oportunidades para o desenvolvimento do ensino superior” na RAEM.

Desta forma, a UTM “planeia criar [em Hengqin] um ambiente mais amplo de investigação, ensino e actividades para docentes e estudantes”, envidando “todos os esforços para formar quadros qualificados para a Grande Baía e até para o país”.

Elevadores | Nova lei em vigor desde segunda-feira

Entrou em vigor na segunda-feira o novo regime jurídico de segurança dos ascensores, bem como os demais diplomas complementares. A legislação, votada na Assembleia Legislativa em 2022, introduz a obrigatoriedade de inspecções anuais dos elevadores por parte de uma entidade devidamente credenciada para o efeito. Além disso, a declaração em como a segurança do elevador foi revista deve constar num “local visível dentro do ascensor”.

Segundo um comunicado emitido ontem pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU), entidade que rege esta matéria, cabe à administração de condomínio do respectivo prédio gerir todo o processo, assinar o contrato com a empresa de fiscalização e assegurar a reparação e manutenção técnica. Cabe depois à DSSCU “fiscalizar os ascensores através de inspecções por amostras, além de proceder a averiguações relativamente a acidentes que envolvam os mesmos, podendo ainda aplicar aos infractores multas e sanções acessórias de suspensão da inscrição por violação das disposições legais”.

Os funcionários da DSSCU podem ainda, segundo a nova lei, aceder a “determinados locais dos edifícios para verificar o funcionamento dos ascensores sem necessidade de mandado judicial ou de notificação prévia”, podendo ordenar a reparação e fiscalização dos elevadores cuja segurança esteja em risco.

Segurança nacional | Exposição comemorativa dia 15

Será inaugurada no próximo dia 15 de Abril a exposição que assinala a nona edição do “Dia da Educação da Segurança Nacional” da China. Desta forma, o Governo e o Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, voltam a organizar, pela sétima vez consecutiva, a “Exposição sobre a Educação da Segurança Nacional”, que se realiza entre o dia 15 deste mês e o dia 15 de Maio. A mostra poderá ser vista no edifício do Fórum de Macau, na Avenida Marciano Baptista, junto à Universidade Politécnica de Macau. As inscrições para a presença de grupos e visitas guiadas já se encontram abertas.

O tema da exposição deste ano é “Perspectiva Geral da Segurança Nacional, uma década guiada pela inovação”, tem cinco áreas e destaca temáticas como a apresentação da “Perspectiva Geral da Segurança Nacional”, feita pelo Presidente Xi Jinping, em 2014, no ano da sua chegada ao poder, ou o facto de as autoridades locais terem “melhorado o regime jurídico e mecanismo de execução [da lei] no âmbito da salvaguarda da segurança nacional”, além do “empenho” demonstrado na defesa do princípio “Macau governado por patriotas”.

A mostra pode ser visitada de segunda-feira a domingo, das 10h às 20h, estando a sua inauguração marcada para o dia 15 de Abril às 15h. Haverá visitas guiadas disponíveis em mandarim, cantonense, português e inglês. Grupos de dez ou mais pessoas podem inscrever-se a partir de hoje para marcação da visita guiada no site temático dedicado à exposição.

Ambiente | Coutinho pede estudos e alternativas a ilha ecológica

O deputado ligado à ATFPM quer saber se existem alternativas para a construção do aterro-lixeira que ameaça a sobrevivência dos golfinhos brancos chineses na zona costeira de Macau

 

Após ter sido tornado público que o aterro-lixeira a construir junto das praias do território coloca em risco a sobrevivência dos golfinhos brancos chineses em Macau, o deputado José Pereira Coutinho quer saber se o Governo equacionou outras alternativas. A questão é feita através de uma interpelação escrita do legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) que visa o aterro-lixeira “baptizado” pelo Governo como Ilha Ecológica.

“A construção de uma ilha ecológica pode ser uma estratégia importante para a gestão adequada dos resíduos de construção em Macau, desde que seja implementada de acordo com os princípios da sustentabilidade e com a devida consideração aos impactos ambientais”, começa por admitir Pereira Coutinho. “Irá o Governo de Macau procurar encontrar localizações alternativas para a colocação dos depósitos de construção civil, e outros resíduos, que tenham um impacto ambiental mínimo e não constituam um perigo à sobrevivência dos golfinhos brancos chineses?”, questiona.

O Executivo tem justificado o plano para aterrar uma lixeira perto das praias de Hac Sá e Cheoc Van, com o facto de o actual aterro de resíduos de construção, junto ao aeroporto, estar a funcionar acima da capacidade.

Contudo, a localização do projecto é tida como problemática, pelo facto de ficar numa zona que devia ser protegida, para salvaguardar os golfinhos, de acordo com um estudo realizado em 2016 pela Universidade Sun Yat-Sen. Os resultados do estudo não foram tornados públicos, mas foram divulgados na semana passada pelo Canal Macau da TDM. Por sua vez, apesar de o Executivo ter proposto e defendido o local, tem atirado a decisão final para o Governo Central.

E os estudos?

José Pereira Coutinho pede igualmente ao Executivo que divulgue os vários documentos que levaram à escolha da localização do futuro aterro de lixos de construção, principalmente as conclusões da Administração da Reserva de Golfinhos Brancos do Estuário do Rio das Pérolas. Em 2011, este organismo do Interior da China apelidou os golfinhos brancos chineses de “pandas gigantes do mar” e tem tentado garantir a sua protecção face à ameaça de extinção.

O deputado pretende também que o Executivo apresente as conclusões sobre o impacto do aterro a construir junto às praia a nível da “perda ou degradação do habitat natural dos golfinhos brancos chineses”, “perturbação acústica, resultante do ruído gerado por actividades de construção, tráfego de embarcações e outras actividades humanas que possam causar stress e interferência na capacidade de comunicação e de localização dos golfinhos” e “na poluição da água”. Em termos gerais, o legislador pergunta o que tem sido feito nas águas territoriais de Macau para proteger estes golfinhos.

Deputados defendem que Jockey Club deve ser usado para hipismo

Leong Hong Sai e Nick Lei defendem a utilização do terreno no Jockey Club para a prática de hipismo, de forma a copiar as tendências do Interior. A ideia dos membros da Assembleia Legislativa foi defendida em declarações ao Jornal do Cidadão.

Segundo Leong Hong Sai, o espaço deve ser aproveitado para o desenvolvimento do hipismo, a pensar na integração de Macau no desenvolvimento nacional e na Grande Baía. Sobre este aspecto, o deputado ligado à Associação dos Moradores indicou que o hipismo é cada vez mais uma aposta do outro lado da fronteira, e que Macau deve utilizar as instalações, porque estão dotadas dos equipamentos necessários para este tipo de actividades.

O legislador argumentou ainda que o hipódromo pode responder à procura existente por este deposto não só em Macau, mas também no Interior.

Leong Hong Sai recordou ainda que nos últimos anos, as corridas de cavalos ou apostas registaram um declínio. Contudo, considerou que caso a economia mostre sinais de melhoria, o Governo pode repensar o recomeço das apostas, num modelo em cooperação com o Jockey Club de Hong Kong. Porém, quando anunciou o encerramento do Jockey Club, o Executivo afastou por completo esta possibilidade.

As propostas para o Jockey Club de Leong Hong Sai não se ficaram pelo hipismo. O deputado sugere também que se instalem restaurantes e outros equipamentos comunitários no local, a pensar nos moradores daquela zona.
Além das sugestões, Leong Hong Sai alertou o Executivo para a necessidade de tomar conta do espaço, para evitar problemas de higiene pública.

Corridas da cooperação

Também o deputado Nick Lei, ligado à comunidade de Fujian, defendeu que estão reunidas as condições apostar no hipismo no antigo Macau Jockey Club. O legislador pediu ao Governo para estudar a possibilidade de remodelar o terreno para competições de hipismo, em cooperação com as autoridades do Interior, para tentar desenvolver os elementos não-jogo no turismo local.

Quanto aos ex-funcionários do Macau Jockey Club, argumentou que podem vir a encontrar dificuldades na procura de novos empregos, dado que tiveram longas carreiras apenas ligadas a um sector. Neste sentido, Nick Lei espera que o Governo garanta a este grupo oportunidades de novo emprego.

Criado grupo para coordenar grandes eventos em espaços públicos

Após a polémica de Janeiro com os dois concertos dos Seventeen no Estádio de Macau, que originaram inúmeras queixas de moradores, Ho Iat Seng criou um grupo para coordenar a organização de grandes eventos nos espaços públicos da RAEM

 

O Chefe do Executivo criou um Grupo de Coordenação para os Espectáculos de Grande Dimensão, que visa definir as regras e exigências para a utilização dos espaços públicos. O anúncio foi feito ontem, através da publicação de um despacho no Boletim Oficial.

De acordo com a informação tornada pública, o grupo “tem por objectivo coordenar os trabalhos relacionados com a realização de espectáculos de grande dimensão ao ar livre em recintos e instalações do Governo” e vai ser liderado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura.

No entanto, o principal papel, de coordenadora, vai ser assumido pela presidente do Instituto Cultural, cargo que actualmente é ocupado por Deland Leong Wai Man.

A coordenadora do novo grupo vai ter competências para definir os “requerimentos de realização de espectáculos ao ar livre de grande dimensão em recintos e instalações do Governo”, mas também coordenar as tarefas “no que respeita ao planeamento de actividades, à segurança pública, aos arranjos complementares, à manutenção do meio ambiente, ao licenciamento e a outros trabalhos de apoio”.

Com uma componente focada para a realização de eventos internacionais e a atracção de turistas, a estrutura de topo do grupo é ainda completada pela directora dos Serviços de Turismo (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, que vai desempenhar as funções de coordenadora-adjunta.

A directora da DST vai ser responsável por definir uma estratégia, dado que vai ter de “coordenar os serviços competentes e os diversos sectores sociais na elaboração de um plano de apoio para elevar os benefícios de realização de espectáculos de grande dimensão ao ar livre nos recintos e instalações do Governo”.

A comissão vai contar ainda com membros de vários outros serviços, como o Instituto do Desporto, o Gabinete de Comunicação Social, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, o Instituto para os Assuntos Municipais, entre outros.

Resposta à polémica

O anúncio da criação de um grupo para coordenar a organização de grandes eventos surge depois da polémica levantada por dois espectáculos da banda coreana Seventeen, no Estádio de Macau, em Janeiro. Apesar do enorme sucesso, os bilhetes a esgotarem ao longo dos dois dias, o evento causou vários congestionamentos de trânsito, insuficiência de transportes públicos e levou à destruição do relvado do estádio.

A questão do relvado tornou-se mesmo um dos pontos críticos, levando o Governo a anunciar que o organizador teria de assumir os custos da substituição do relvado. Para a polémica contribuíram também os rumores que os organizadores estavam ligados a familiares de titulares de altos cargos políticos, permitindo que uma organização privada utilizasse um espaço público com fins lucrativos.

Macau Legend retorna a “terreno positivo” com receitas de 2023

A Macau Legend Development anunciou lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) de 185,9 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) em 2023. O resultado apresentado à bolsa de valores de Hong Kong representa uma melhoria de cerca de 404,7 milhões de HKD face ao registo de 2022, quando o grupo registou perdas EBITDA de 218,8 milhões de HKD.

A Macau Legend opera actualmente o Macau Fisherman’s Wharf, o casino Legend Palace sob a licença da SJM. A empresa cessou as operações no Babylon 21 Casino e Landmark Casino em 2022, e vendeu o seu resort de casino Savan Legend no Laos no ano seguinte.
De acordo com a declaração enviada à bolsa de valores de Hong Kong, o grupo obteve receitas no valor de 901,6 milhões de HKD, o que representa um aumento de 26,7 por cento em relação aos 711,6 milhões de HKD registados em 2022.

As receitas geradas pelas operações de jogo diminuíram ligeiramente em cerca de 5 por cento em 2023, em comparação com o ano anterior. A cessação dos serviços no Babylon 21 Casino e no Landmark Casino resultou numa queda de 356,2 milhões de HKD nas receitas totais do jogo. Entretanto, a melhoria das mesas do mercado de massas no Legend Palace Casino e a operação global de jogo no Savan Legend Casino resultaram numa recuperação de 331,3 milhões de HKD nas receitas totais do casino.

Vida além do jogo

No que respeita ao segmento não-jogo, a Macau Legend registou um aumento anual de 112 por cento de receitas totais, atingindo 408,5 milhões de HKD.
A empresa atribuiu o crescimento principalmente ao aumento das receitas geradas pelos quartos de hotel, impulsionado pela crescente afluência de turistas depois do fim das restrições de viagem relacionadas com a covid-19.

Em relação ao futuro, a Macau Legend disse que iria intensificar os esforços para rentabilizar os espaços de gere na costa da península de Macau e oferecer “experiências exclusivas em restaurantes e eventos desportivos”.

O grupo garante também que vai apostar em desenvolver o conceito de “local de casamento de sonho” e potenciar as suas propriedades para acolher eventos de grande escala, como o desfile anual de carros alegóricos do Ano Novo Lunar, o festival gastronómico e concertos.

Adopção inovadora (II)

Na semana passada, analisei uma notícia que circula na China continental sobre um novo modelo de venda de animais de estimação.

O cliente não paga nada pelo animal, mas compromete-se, através de um contrato, a comprar nessa loja tudo o que o animal precisa até perfazer uma determinada soma. O modelo de negócio é atractivo porque se pode escolher o animal e não se paga nada por ele. Por outro lado, a loja assegura lucros futuros, garantindo a satisfação de ambas as partes.

No entanto, os problemas surgem se o animal morre dentro do prazo contratual. Se o dono não quiser voltar a adoptar, deixa de ter necessidade de comprar provisões para animais, e, portanto, vai querer rescindir o contrato. Mas neste caso os donos da loja ficam descontentes porque gastaram dinheiro para adquirir o animal antes de o colocarem para adopção. As compras que o dono faria cobririam essa despesa e garantiriam a sua margem de lucro e se o contrato for rescindido a loja é prejudicada.

Para resolver o litígio, o adoptante pode ser dispensado da obrigatoriedade de comprar provisões. Essas provisões podem permanecer na loja para serem vendidas a outros clientes e o dono do animal que faleceu pode ser reembolsado. No entanto, terá de compensar a loja garantindo-lhe o lucro que esperava ter no momento em que deu o animal para adopção.

Para além da nova forma de compensação acima referida, existem outros métodos que podem ser considerados. Quando a loja redige o contrato de adopção, deve explicar detalhadamente os seus conteúdos à pessoa que adopta o animal e lembrá-lo que o contrato não cessa se o animal morrer enquanto ainda está em vigor. Desde que o cliente conheça e concorde com os termos contratuais, evita-se litígios futuros.

Em segundo lugar, para além da loja e do cliente considerarem a inclusão de uma cláusula de compensação no contrato, quem adopta o animal pode também considerar a possibilidade de lhe fazer um seguro. Se o animal morrer, o dono pode receber uma indemnização. Além do mais, estes seguros oferecem ainda outro tipo de protecções. Por exemplo, indemnizações se o animal morder alguém, descontos nas despesas de saúde, etc. Embora o seguro seja pago, garante mais protecção. Acresce ainda, que em caso de acidente, o seguro também cobre parte das despesas. No entanto, deve ser dito que a cobertura oferecida varia conforme a companhia de seguros, e a pessoa que vai adoptar um animal deve fazer uma escolha cuidadosa em função das suas necessidades.

Em terceiro lugar, se a loja for à falência, que destino se dará aos depósitos feitos para compras futuras? As duas regiões administrativas especiais, Hong Kong e Macau, têm legislação para regular estas situações. Actualmente, a Lei das Empresas de Hong Kong tem disposições neste sentido. Se se puder provar que o responsável da loja tem intenções fraudulentas e, sabendo que a loja tem problemas financeiros continua a efectuar transacções comerciais e a pedir aos clientes que façam depósitos adiantados, o Governo de Hong Kong iniciará um processo penal contra a loja e o seu responsável. As vítimas também podem intentar acções cíveis para obter uma indemnização.

Resumindo, a compreensão do contrato por parte do cliente, a adição de cláusulas compensatórias, a aquisição de um seguro animal e ter controlo sobre a forma como o depósito é feito, são formas de reduzir as disputas entre a loja e o cliente em relação à necessidade do contrato de adopção se manter em vigor na eventualidade da morte do animal, e devem ser tidas em consideração por ambas as partes.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Escola de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk

Fukushima | Japão e China discutiram libertação de água tratada

Peritos do Japão e da China realizaram no sábado o primeiro diálogo público entre os dois países, na cidade chinesa de Dalian, para discutir o impacto da controversa libertação de água tratada da central nuclear japonesa de Fukushima. O desastre nuclear da central japonesa de Fukushima Daiichi, desencadeado pelo devastador terramoto e tsunami de Março de 2011, representa o mais grave acidente nuclear do século XXI até à data.

A decisão do Governo japonês de começar a libertar a água radioactiva armazenada no seu interior, uma decisão aprovada pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), gerou um debate científico e público, dado o seu potencial para causar danos ambientais durante décadas. O Governo japonês iniciou a quarta descarga de água tratada no mar no passado dia 18 e a próxima descarga está prevista para o próximo mês de Abril, segundo a Tokyo Electric Power Company (TEPCO), que gere a central.

Durante as conversações de Dalian, os peritos japoneses tentaram persuadir os seus homólogos chineses de que estas descargas são seguras, a fim de convencer as autoridades de Pequim a levantar a proibição de importação de todos os produtos do mar provenientes do Japão.

Segundo a agência noticiosa oficial japonesa Kiodo, a representação japonesa contou com a presença de funcionários dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Economia, do Comércio e da Indústria, bem como de delegados do operador da central, a TEPCO, e da Autoridade Reguladora Nuclear do Japão, que “trocaram pontos de vista” com peritos de agências de investigação chinesas.

Banco Mundial | Economias asiáticas em desenvolvimento devem crescer 4,6%

A recuperação do comércio vai permitir que os países em desenvolvimento da Ásia -Pacífico, excepto a China, cresçam 4,6 por cento este ano, afirmou ontem o Banco Mundial num relatório económico

 

O Banco Mundial divulgou ontem um relatório económico que aponta para um crescimento económico de 4,6 por cento em 2024 nos países em desenvolvimento na região da Ásia -Pacífico. A Ásia em desenvolvimento inclui China, Mongólia, Timor-Leste e os 10 membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático. Embora as exportações regionais de bens tenham começado a recuperar no segundo semestre de 2023, a região da Ásia em desenvolvimento pode estar exposta a políticas de distorção do comércio nos principais mercados de destino, como os Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul, alertou o relatório.

Estas políticas podem acabar por favorecer as empresas daqueles países, em detrimento das suas congéneres asiáticas. Quase 3.000 dessas políticas entraram em vigor em 2023, três vezes o número de 2019, de acordo com o banco. Face ao enfraquecimento do sector imobiliário e do consumo interno na China, as tentativas de reequilibrar o investimento de infraestrutura e imobiliário para o sector transformador avançado podem criar um desequilíbrio entre a capacidade de produção e a procura dentro e fora da China, alertou o banco.

Os sinais de excesso de oferta, sobretudo no sector dos veículos eléctricos, começaram a alastrar a países vizinhos como a Tailândia. “Poderemos assistir ao mesmo fenómeno da queda dos preços dos painéis solares”, afirmou Aaditya Mattoo, economista-chefe do Banco Mundial para a região Ásia -Pacífico. “Certamente que estas exportações subsidiadas vão enfrentar a competição. A capacidade do mundo para absorver um choque da China é menor do que no passado”, disse.

“Ironicamente, os subsídios industriais para a produção ecológica são a forma mais próxima de compensar outros países em desenvolvimento por emissões para as quais não contribuíram”, acrescentou Mattoo.

Doutrina do choque

Com menos turistas chineses do que o esperado, as chegadas de estrangeiros às economias asiáticas dependentes do turismo atingiram um patamar abaixo dos níveis anteriores à pandemia. O crescimento da produção industrial da Ásia em desenvolvimento deve diminuir meio ponto percentual se os EUA registarem um ressurgimento inesperado da inflação e taxas de juro mais elevadas. Os choques macroeconómicos na China podem provocar um declínio de 0,3 por cento.

O relatório advertiu que cada aumento de 10 pontos percentuais no rácio da dívida privada em relação ao PIB produziria um declínio de 1,1 por cento no investimento. A dívida das empresas na China e no Vietname aumentou para mais de 40 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) desde 2010. O investimento privado em percentagem do PIB continua a ser inferior ao nível anterior à pandemia, uma situação recentemente remediada pelo investimento público, que foi mais elevado nos últimos dois anos no Vietname e nas Filipinas, mas mais baixo na China, Malásia e Tailândia.

Com o enfraquecimento do investimento privado, o crescimento vai ter de ser impulsionado pela produtividade. Mas o banco concluiu que a concorrência e a inovação das empresas privadas são prejudicadas pela protecção e por competências inadequadas. A eliminação dos obstáculos à concorrência, a melhoria das infraestruturas e a reforma do ensino permitiriam colmatar o fosso crescente de produtividade entre as empresas privadas na Ásia e os concorrentes não regionais, recomendou o Banco Mundial.