Gu Yue e 12 alunos da MUST a partir de hoje na Fundação Rui Cunha Hoje Macau - 24 Mar 2026 A Fundação Rui Cunha (FRC) recebe a partir de hoje, às 18h30, uma nova mostra de arte colectiva intitulada “Intimate Immensity” [Intimidade Imensa] com trabalhos de Gu Yue e 12 alunos de doutoramento da Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), co-organizadora do evento. Segundo uma nota da FRC, apresentam-se conjuntos de 17 obras “que representam diferentes formas e estilos”, criadas pelos alunos que receberam orientação de Gu Yue. Estes alunos são Wang Diyi, Meng Zihao, Li Ranqing, Jiang Hang, Zhong Xinzi, He Yiyan, Xu Chen, Wang Chao, Li Jielin, Zhou Zixuan, Wang Jianan e Qi Jiajun. As obras vão estar patentes até ao próximo dia 2 de Abril. Na galeria da FRC poderão ver-se trabalhos de pintura a acrílico, óleo, aguarela, tinta-da-china, materiais compósitos, impressão e porcelana, sendo resultado de uma “exploração colectiva e a modelação visual de um grupo de jovens artistas que vieram estudar para Macau, vindos da China continental”. Trata-se de exercícios artísticos que nasceram “das suas experiências mais íntimas”, podendo os observadores “mergulhar numa variedade de temas, incluindo a tensão emocional nas memórias familiares, a ansiedade interna numa sociedade competitiva e os sentimentos privados de dor física”, é revelado. Espaço intercultural O facto de estes alunos de doutoramento terem uma componente de “nómada”, por terem vindo estudar para Macau e estarem inseridos “na intersecção cultural única” do território, trazem para as obras de arte “perspectivas que contêm inerentemente a tensão e a riqueza de ‘entre-lugares'”. O que se vê na exposição são, portanto, imagens que se tornam em “campos experimentais onde múltiplas memórias e as imaginações culturais colidem e se sobrepõem”. O nome “Imensidão Íntima”, escolhido para titular esta exposição, “deriva da condição humana descrita pelo filósofo francês Gaston Bachelard, na sua publicação de 1958, ‘A Poética do Espaço'”, em referência a um “pequeno espaço físico privado que, através da imaginação poética, se pode vivenciar uma experiência interior infinita e vasta”, é dito na mesma nota. Desta forma, os artistas que colaboram neste projecto “convidam os espectadores a mergulharem profundamente nestas imagens aparentemente ‘íntimas’, para perceberem as reverberações da ‘imensidão’ desencadeadas pelos tremores das vidas individuais, levando a uma melhor compreensão de si mesmos e dos tempos”, conclui-se.
AMAGAO | Nova exposição chega esta semana ao Artyzen Grand Lapa Andreia Sofia Silva - 24 Mar 2026 “ANO 4” é o nome que espelha a celebração: quatro anos de exposições na galeria AMAGAO, situada no Artyzen Grand Lapa, a apresentar arte em língua portuguesa e feita localmente. A partir das 18h30 desta quinta-feira, dia 26, o público pode ver uma exposição composta por trabalhos de Nuno Calçada Bastos e Ung Vai Meng, artistas locais, e também obras de Fátima Pena ou Álvaro Macieira Há quatro anos nasceu em Macau uma nova galeria pensada para mostrar alguma da arte contemporânea que se produz no território e também no universo da língua portuguesa. A AMAGAO, localizada no Artyzen Grand Lapa, é hoje gerida por Lina Ramadas e pelo designer e artista macaense Víctor Hugo Marreiros, e celebra esta semana mais um aniversário com a “ANO 4”, que a partir desta quinta-feira, 26, revela ao público 37 trabalhos de 26 artistas naturais não apenas de Macau, mas também de Angola, Brasil, Moçambique, Portugal, Singapura e Timor-Leste. Os amantes de arte e demais interessados poderão reconhecer alguns deles: Ung Vai Meng, que presidiu ao Instituto Cultural (IC) e que é um dos nomes mais relevantes da arte local, tendo exposto o seu trabalho além-fronteiras; ou Nuno Calçada Bastos, artista português e residente de Macau. Na lista dos artistas constam ainda nomes como Abel Júpiter, Alexandre Frade Correia, Álvaro Macieira, Ben Ieong, David Allen, Raquel Gralheiro ou Susy Bila. Segundo uma nota enviada às redacções, a AMAGAO descreve este momento como sendo de celebração e partilha. “Desde a sua inauguração que a galeria se tem dedicado a promover artistas locais e internacionais, criando um ambiente vibrante para o intercâmbio cultural e a inspiração.” Em jeito de balanço, é dito que, neste percurso de quatro anos, “vivemos exposições que desafiaram o pensamento, estimularam a criatividade e fomentaram diálogos significativos sobre arte e sociedade”. Desta forma, a AMAGAO descreve-se não apenas “como um espaço de exposições”, mas como uma galeria que proporcionou “um ponto de encontro para artistas, coleccionadores e amantes de arte em busca de novas perspectivas e experiências enriquecedoras”. Os agradecimentos Na mesma nota são referidos os colaboradores que, neste período, ajudaram a construir a AMAGAO, nomeadamente Rutger Verschuren, vice-presidente para Macau do Artyzen Hospitality Group e “equipa de colaboradores”, sem esquecer “a comunidade que apoia, integralmente, a missão” a que a galeria se propôs. “Estamos entusiasmados com o que o futuro nos reserva e ansiosos por continuar a promover a arte como uma plataforma vital para a expressão e a conexão”, acrescenta a organização. Susy Bila, uma das artistas que traz agora a sua arte a esta “ANO 4”, não é um nome novo em Macau, tendo realizado uma exposição em nome próprio na AMAGAO em 2023, “Paisagens Interiores”. Na altura, em entrevista ao HM, a artista moçambicana declarou que a “pintura não tem territórios”. Nessa mostra trouxe na bagagem 40 trabalhos feitos com acrílico sobre tela e tinta-da-china onde se revelavam “poemas em diálogo”, como um “reflexo” da relação da artista com a vida, “e da arte como um campo que se abraça a esta vida”. Do mundo lusófono, chega ainda o trabalho de Álvaro Macieira, artista angolano que é também tantas outras coisas: jornalista, escritor e consultor cultural, nascido a 13 de Maio de 1958. Macieira foi ainda consultor e chefe do Departamento de Imprensa do Ministério da Cultura, sendo hoje membro da UEA – União dos Escritores Angolanos e da UNAP – União Nacional dos Artistas Plásticos. Com mais de 40 exposições individuais e mais de 40 colectivas, apresentou obras em Paris, Washington, Moscovo, Berlim, Bremen, Dubai, Macau e Luanda. Entre as exposições mais marcantes que fez encontram-se “África Mitológica” (2000), “Catanas da Paz” (2002), “Luanda, Kianda – Cores da Terra” (2009), “África Yetu Kwuia” (2010), “Sínteses” (2020) e “Inspiração e Sagrada Esperança” (2024). Relativamente a Macau, destaca-se ainda a presença de Alice Costa (Lili), que nasceu e estudou em Macau, tendo-se formado em Direito, e exercido na qualidade de juíza. Contudo, Alice Costa iniciou, desde cedo, uma relação profícua com a pintura, tendo participado num curso de pintura ministrado por Joaquim Franco na Casa de Portugal em Macau. Recentemente fez uma exposição em nome próprio na Creative Macau.
Associação Automóvel de Macau e Circuito de Zhuhai celebram parceria estratégia Sérgio Fonseca - 24 Mar 2026 A Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e o Circuito Internacional de Zhuhai, o primeiro traçado permanente construído na República Popular da China, assinaram no passado sábado um Acordo-Quadro de Cooperação Estratégica, reactivando a ligação entre duas instituições históricas e pilares fundamentais do desporto automóvel no Delta do Rio das Pérolas. Numa breve nota divulgada por ambas as entidades, foi revelado que o Presidente da Assembleia Geral da AAMC, Chong Cok Veng, e Lü Pinde, o Director-Geral da empresa responsável pela gestão do circuito, a Zhuhai International Circuit Co., formalizaram o entendimento numa pequena cerimónia realizada no Kartódromo de Coloane. Segundo o comunicado oficial, “as duas partes chegaram a um entendimento para cooperar no desenvolvimento conjunto de actividades de automobilismo entre os circuitos de Macau e Zhuhai”. Embora não tenham sido avançados objetivos concretos nem prazos definidos, as entidades manifestaram a intenção de reforçar a colaboração na organização de competições, bem como no intercâmbio e formação de oficiais e equipas de apoio às provas. Inaugurado em 1996, com o objectivo de receber o primeiro Grande Prémio da China de Fórmula 1, algo que nunca chegou a concretizar-se, o Circuito Internacional de Zhuhai possui actualmente homologação Grau 2 da Federação Internacional do Automóvel (FIA) e Grau A da Federação Internacional de Motociclismo (FIM). Apesar de ter praticamente desaparecido do calendário internacional durante vários anos, o traçado voltou a acolher eventos nacionais e regionais com maior regularidade nos últimos dois anos. Dada a sua localização privilegiada e um modelo de negócio assente na utilização frequente da infraestrutura, o Circuito Internacional de Zhuhai foi, ao longo dos últimos trinta anos, um dos principais impulsionadores do desporto motorizado no sul da China. Diversas estruturas e equipas passaram a utilizar o recinto como base operacional, contribuindo para a criação de postos de trabalho e para o desenvolvimento de um ecossistema singular e difícil de replicar no continente asiático. Contudo, a expansão urbana em torno do circuito e as crescentes restrições de ruído têm vindo a representar uma ameaça ao seu futuro. Novo capítulo em Zhuhai A assinatura deste acordo surge na sequência da decisão da AAMC de escolher a infraestrutura da cidade vizinha para acolher as suas competições de automobilismo em 2026. À semelhança de temporadas anteriores, o mini-campeonato promovido pela associação do território, que integra as categorias Macau Roadsport Challenge e GT4, será disputado em duas jornadas duplas. Depois de vários anos em Zhuzhou e Zhaoqing, as provas organizadas pela AAMC regressam ao circuito de Zhuhai pela primeira vez desde 2018. Ambas as rondas terão lugar durante o mês de Maio. A primeira está marcada para o fim-de-semana de 8 a 10 de Maio, enquanto a segunda decorrerá entre 28 e 31 de Maio. A título provisório, as corridas do Macau Roadsport Challenge servirão para definir os pilotos apurados para a prova homónima integrada no 73º Grande Prémio de Macau, enquanto as corridas reservadas às viaturas GT4 determinarão os participantes da Taça GT – Corrida da Grande Baía.
HK | Segurança nacional justifica acesso a dispositivos electrónicos Hoje Macau - 24 Mar 2026 As alterações à lei de segurança nacional visam permitir às autoridades acesso a qualquer dispositivo considerado suspeito de conter dados que coloquem em causa a segurança do estado O Governo de Hong Kong anunciou ontem que quem se recusar a fornecer as palavras-passe de dispositivos electrónicos em investigações ligadas à segurança nacional da China poderá ser punido com até um ano de prisão. As autoridades publicaram ontem alterações – que entram imediatamente em vigor – à lei de segurança nacional, quase seis anos depois do Governo Central chinês ter imposto a legislação à da região semiautónoma. A revisão autoriza os agentes das forças policiais, com mandados judiciais, a exigir que uma pessoa sob investigação forneça uma palavra-passe ou método de desencriptação para dispositivos. Qualquer pessoa que conheça a palavra-passe ou o método de desencriptação, que esteja autorizada a aceder ao dispositivo ou que o detenha, controle ou utilize, fica obrigada a cumprir a exigência policial. Caso alguém se recuse a desbloquear os dispositivos, pode enfrentar uma multa máxima de 100 mil dólares de Hong Kong ou uma pena de prisão de até um ano. O documento estipula que esta obrigação se impõe mesmo nos casos onde exista “obrigação de sigilo ou qualquer outra restrição à divulgação de informações”, incluindo jornalistas, médicos e advogados. A lei sublinha ainda que qualquer pessoa deve disponibilizar “toda e qualquer informação ou assistência razoável e necessária” a casos criminais ligados à segurança nacional da China. A polícia fica ainda autorizada, com a luz verde do secretário para a Segurança, a tomar medidas contra mensagens electrónicas “que possam constituir um delito ou levar à ocorrência de delitos” contra a segurança nacional. As forças de segurança de Hong Kong podem assim exigir que operadoras de telecomunicações ou de redes sociais e plataformas ‘online’ “removam mensagens ou tomem medidas contra elas antes de um prazo determinado”. Contra todos os riscos Num comunicado, um porta-voz do Governo defendeu que as alterações irão reforçar o poder de fiscalização, melhorar a prevenção e a investigação destes casos e mitigar mais rapidamente os riscos para a segurança nacional. “Dada a actual situação geopolítica complexa e instável, os riscos para a segurança nacional enfrentados por Hong Kong podem surgir de forma repentina e inesperada”, disse o porta-voz. “Portanto, o Governo de Hong Kong deve manter sempre um elevado grau de vigilância (…) e continuar a melhorar o sistema jurídico e os mecanismos de aplicação da lei para salvaguardar a segurança nacional”, acrescentou o comunicado. As autoridades de Hong Kong afirmam que a lei de segurança nacional restaurou a ordem, após os protestos contra a lei de extradição para a China continental, em 2019, com milhões de participantes e reivindicações por sufrágio universal.
Pequim | Mais de 300 robôs em meia maratona Hoje Macau - 24 Mar 2026 A China vai reunir mais de 300 robôs humanoides na segunda edição de uma meia maratona em Pequim, onde máquinas e humanos vão partilhar o percurso numa prova concebida como ensaio técnico em condições reais. A corrida realiza-se a 19 de Abril, no distrito tecnológico de Yizhuang, informou ontem a cadeia televisiva estatal CCTV, e contará com a participação de mais de uma centena de equipas provenientes de 13 províncias, incluindo mais de 80 empresas e cerca de duas dezenas de universidades e centros de investigação. No total, 26 marcas de robôs participarão na prova, na qual os dispositivos terão de completar um percurso de 21 quilómetros com exigências semelhantes às de uma meia maratona convencional, como curvas, subidas e mudanças de piso, embora em faixas separadas dos corredores humanos. Os organizadores indicaram que esta edição aumenta significativamente a escala do evento face ao ano passado e destacaram avanços técnicos, como o crescimento do número de robôs com capacidades de navegação autónoma, que representam cerca de 38 por cento dos participantes. A prova reunirá também equipas que participaram em exibições recentes, como a gala televisiva do Ano Novo Lunar, onde robôs humanoides realizaram coreografias e demonstrações de artes marciais, e servirá para testar progressos técnicos ao nível da resistência, estabilidade e tomada de decisões em ambientes reais. Na primeira edição, realizada no ano passado no mesmo distrito, cerca de duas dezenas de robôs humanoides participaram numa prova concebida como experiência técnica em contexto urbano. O robô Tiangong foi o primeiro a completar o percurso, com um tempo de duas horas, 40 minutos e 42 segundos, embora tenha necessitado de várias trocas de bateria e sofrido uma queda durante a corrida.
IA | Tencent integra OpenClaw no WeChat Hoje Macau - 24 Mar 2026 O gigante tecnológico chinês Tencent anunciou a integração de agentes de inteligência artificial (IA) baseados em OpenClaw na aplicação de mensagens WeChat, num novo passo na expansão destes sistemas na China. A empresa informou, em comunicado divulgado no domingo, o lançamento do complemento ‘ClawBot’, que permite aos utilizadores ligar o OpenClaw ao WeChat e operar o agente através de conversas, de forma semelhante a uma interacção convencional. O OpenClaw é um programa de código aberto que liga modelos de linguagem a um computador para executar acções no sistema, como gerir ficheiros, enviar correio electrónico ou interagir com aplicações a partir de instruções em linguagem natural. Nas últimas semanas, a ferramenta ganhou popularidade entre programadores chineses, onde é conhecida como “lagosta” devido ao seu ícone, originando um rápido desenvolvimento de ferramentas e adaptações locais. Segundo a imprensa local, o complemento no WeChat permite, entre outras funções, resumir conversas, processar documentos extensos, gerar relatórios ou automatizar tarefas em computadores pessoais através de comandos enviados a partir do telemóvel. O WeChat conta com mais de 1.300 milhões de utilizadores a nível mundial, a maioria dos quais na China. O anúncio surge num contexto de crescente concorrência entre grandes tecnológicas chinesas como Baidu e Alibaba, que também apresentaram recentemente plataformas próprias de agentes de IA, numa corrida por liderança num segmento emergente. O rápido desenvolvimento destes sistemas tem sido acompanhado por alertas oficiais de entidades como o ministério da Segurança do Estado chinês, que advertiu para os riscos associados a permissões elevadas que podem facilitar o acesso a dados sensíveis ou o controlo remoto de dispositivos. Esta evolução insere-se no crescimento acelerado da IA na China, com modelos desenvolvidos por empresas como Baidu, Alibaba, DeepSeek ou a própria Tencent, que apresentam capacidades comparáveis às de sistemas norte-americanos, frequentemente a custos mais baixos.
Zhou Qi Olhou e Compreendeu a Figura vista no Espelho Paulo Maia e Carmo - 24 Mar 2026 Yuan Mei (1716-1797), o insubmisso poeta e ensaísta autor de Zibuyu, «O que o Mestre (Confúcio) não discutiria» (1788), um título que responde ao que se escreve nos Analectos: «Tópicos sobre os quais o Mestre não falou foram: prodígios, forças, desordem e deuses», uma obra no descomedido género literário biji, «notas do pincel», que consiste em anotações das mais diversas ordens que o autor considera interessante reter, também foi dono de um jardim. E foi para esse jardim em Nanquim, onde propunha que a imaginação brotasse natural como as flores, que se retirou ainda novo, em 1748. A esse jardim Suiyuan, a partir da palavra sui, que se pode traduzir como «deixar-se ir», com o qual tanto se identificava que passou a incorporá-lo em nomes de pincel como Suiyuan zhuren, «O dono do jardim Sui», ou Suiyuan laoren, «O ancião do jardim Sui», acediam diversos criadores entre os quais e, de modo inédito para o tempo, mulheres literatas e poetas. Entre elas, uma senhora casada mas provavelmente, de acordo com o sistema em vigor, não a primeira esposa, talvez uma concubina do escritor Wang Xilian, um estudioso e comentador do Honglou meng, o relato do «Sonho do quarto vermelho». Como ela mesma notou, nas divagações do seu espírito inquieto, foi-se deixando levar ao acaso descobrindo súbitas afinidades. Chamava-se Zhou Qi (1814-61) e desses inesperados encontros faria memoráveis meditações. Como quando um dia, conforme ela escreveu, achou sobre a mesa de trabalho do marido o livro do «Sonho do quarto vermelho» que leu como se fora seu porque «pega em sentimentos humanos e relações sociais e coloca-os no mundo dos traços de pó de arroz e rouge, o mundo das mulheres.» Além de um comentário, fez dez poemas sobre dez personagens do livro que o marido publicou em 1832. Outra dessas invenções pelos meandros da percepção do trânsito lento do tempo foi um rolo vertical de pintura feito mais de cem anos antes e ao qual não teve receio de acrescentar um cólofon. Wang Qiao, um pintor profissional activo na área de Jiangnan entre 1657-1680, fizera já a sua pintura como se existisse uma via a contemplar entre o visível e o invisível, como um poema. Conhecida como Senhora no seu toucador (tinta e cor sobre seda, 99,4 x 57,8 cm no Instituto de Artes de Minneapolis), nela se pode ver ao centro uma cadeira onde se senta uma senhora diante de um elaborado espelho, atrás dela outra ajuda-a no penteado. À direita, uma terceira senhora ajeita os cobertos de uma cama de dossel sobre o qual estão rolos de pinturas, caligrafias e mais à direita um cesto com roupa. Olhando, Zhou Qi interrogou o reflexo da figura no espelho: «Quantas vidas foram precisas para que te tornasses na pessoa desta pintura?» E intui a sua circunstância: «Deve ter sido por amar as flores que ela acordou cedo nesta Primavera».
Cotai | Procurados no Reino Unido filmam-se em Macau Hoje Macau - 24 Mar 2026 O influenciador Andrew Tate, e o irmão Tristan, que são acusados, no Reino Unido, de terem cometido 21 crimes, entre os quais violação, agressões físicas e tráfico humano, filmaram-se em Macau, a sair de um casino na zona do Cotai. Os influenciadores vieram de Hong Kong, onde a sua entrada no território provocou polémica, e gerou pedidos de extradição, por parte de deputados no Reino Unido. No entanto, os dois irmãos estiverem em Macau, pelo menos no sábado, numa das principais discotecas do Cotai, além do hotel The Londoner. Num dos vídeos partilhados online, os dois irmãos discutem as perdas nas mesas de um dos casinos. Noutro vídeo, Tristan goza com o facto de o Cotai ser o mais próximo que vai estar do Big Ben nos próximos tempos, dado que se entrar no Reino Unido é detido e levado a julgamento.
Hengqin | Homicídio perto de Novo Bairro de Macau João Luz e Nunu Wu - 24 Mar 2026 Uma estudante da MUST morreu na sexta-feira na sequência de um assalto a um apartamento que dista 3 quilómetros do Novo Bairro de Macau e menos de 1 quilómetro do posto fronteiriço. O suspeito está detido e a universidade local garantiu estar a acompanhar o caso Na passada sexta-feira, um assalto a um apartamento acabou tragicamente com a morte de uma das vítimas, uma jovem estudante da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST) que dividia casa com mais três jovens, todas do sexo feminino. O Departamento de Segurança Pública de Hengqin emitiu um comunicado a confirmar a detenção de um homem de 26 anos de idade, suspeito de ter atacado as duas mulheres e morto uma delas. “Na noite de 20 de Março, o suspeito entrou numa área residencial em Hengqin e roubou duas vítimas, uma delas morreu. O caso continua em investigação”, indicaram as autoridades num comunicado emitido no domingo, sem acrescentar mais detalhes. Até ontem, não foram divulgadas mais informações sobre o caso, tanto das autoridades chinesas como das congéneres de Macau, incluindo se a vítima era residente da RAEM. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, a MUST confirmou no domingo que a vítima mortal era uma estudante da universidade. “A universidade está a levar o assunto muito a sério e criou um grupo de trabalho para acompanhar o caso. Uma vez que a polícia do Interior da China está actualmente a investigar, não há mais informações disponíveis neste momento”, indicou a MUST. Preencher lacunas Com a limitada informação divulgada pelas autoridades de Hengqin, começaram a circular online dados não confirmados sobre o caso. O jornal Cheng Pou cita internautas que referiram que o apartamento onde ocorreu o crime era habitado por quatro jovens, e que duas estariam fora de casa na altura em que o suspeito entrou na residência. Segundo o que o HM conseguiu apurar, o crime ocorreu no complexo habitacional de luxo Acesite Mansion, que fica a cerca de 3 quilómetros de distância do Novo Bairro de Macau em Hengqin e a cerca de meio quilómetro do posto fronteiriço entre a Ilha da Montanha e Macau. O homicídio da jovem estudante ocorreu três meses depois de um ataque com faca no centro comercial Ponto Legend, também perto da fronteira com a RAEM. Cerca de um mês antes do ataque, em meados de Novembro, verificou-se uma situação semelhante em Zhuhai com um homem que terá agredido com uma faca transeuntes na área de Xiangzhou.
UNESCO | Gastronomia pode ser “plataforma para diálogo internacional” Hoje Macau - 24 Mar 2026 A secretária da Rede das Cidades Criativas da UNESCO, Denise Bax, disse ontem à Lusa que a gastronomia pode servir como espaço de diálogo entre culturas para criar um futuro melhor. Bax falava à margem do Fórum Internacional de Gastronomia, que decorreu ontem em Macau, no âmbito da Festa Internacional das Cidades de Gastronomia, que arrancou na sexta-feira e termina no domingo. O evento conta com quase 40 Cidades Criativas da Gastronomia, incluindo Santa Maria da Feira e Matosinhos (Portugal), e Belém, Belo Horizonte, Florianópolis e Paraty (Brasil). A gastronomia “é muito mais do que o acto de comer, porque também se refere às nossas tradições culinárias, às nossas famílias, à nossa identidade cultural”, defendeu Bax. A dirigente da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, sigla em inglês) sublinhou que promover a gastronomia também significa “apoiar os agricultores, os produtores e as indústrias criativas”. “Esta é também a essência desta rede [das Cidades Criativas da UNESCO]: partilhar experiências, partilhar ideias e moldar um desenvolvimento urbano sustentável para a gastronomia”, explicou Bax. A responsável defendeu que, perante as tensões geopolíticas, “a gastronomia também é uma plataforma para o diálogo internacional, para celebrar a criatividade e, acima de tudo, aprender uns com os outros”. As Cidades Criativas da Gastronomia podem “actuar como pontes e ser uma plataforma valiosa para o diálogo entre várias culturas”, defendeu a dirigente da UNESCO. Macau tornou-se uma Cidade Criativa da UNESCO na área da Gastronomia em 31 de Outubro de 2017.
Calçada portuguesa | IAM garante “padrão e design original” Hoje Macau - 24 Mar 2026 As autoridades municipais de Macau indicaram à Lusa que a calçada portuguesa poderá ser substituída em certas zonas por materiais antiderrapantes, mas mantendo “o padrão e design original”. A calçada, um dos elementos de cultura portuguesa mais distintivos do território, foi considerada no passado pelas autoridades municipais da cidade chinesa semiautónoma perigosa para pedestres em tempos de chuva, por se tornar escorregadia e irregular. Numa resposta à Lusa, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) apontou que a decisão de substituir a calçada em certos locais terá lugar apenas depois de avaliar a “utilização das rodovias e os factores ambientais em diferentes locais”, além da “paisagem e a cultura urbana” de Macau. A calçada portuguesa foi substituída, recentemente, em algumas zonas da cidade, nomeadamente na praça de Ferreira do Amaral, uma das áreas mais movimentadas da cidade. Relativamente aos materiais usados nos passeios, o IAM descreveu que os irá seleccionar de “acordo com diferentes situações”. No que diz respeito aos pavimentos de calçada à portuguesa existentes nas “zonas de protecção cultural ou outras zonas de protecção”, o IAM indicou que irá “estudar a viabilidade de adução de modelos semelhantes e de revestimentos mais antiderrapantes”, no sentido de equilibrar a paisagem histórica e cultural da cidade e a segurança pública.
Português | Utilização “limitada” entre famílias de residentes João Santos Filipe - 24 Mar 2026 Um estudo sobre a utilização de diferentes línguas pelas famílias residentes de Macau, mostra que o cantonês surge associado à identidade local, enquanto o inglês e o mandarim são vistos como oportunidades de mobilidade social. A língua de Camões é oficial, mas no contexto familiar tem uma utilização limitada Entre os residentes de Macau, a utilização da língua portuguesa em contexto familiar é limitada, apesar de se tratar de um idioma oficial no território. Esta é uma das conclusões do estudo “Política Linguística Familiar Sustentável em Comunidades Multiculturais: um Estudo Empírico Sobre as Famílias de Residentes Permanentes de Macau”, elaborado pelas académicas Zhang Yuhan e Wei Huiping, da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, em inglês). O estudo foi publicado na revista científica Languages, distribuída online pelo portal MDPI, e teve por base 170 questionários feitos a residentes com família, dois por cada agregado familiar, assim como a observação da utilização das diferentes línguas pelas famílias locais. A primeira conclusão do estudo aponta que a utilização das línguas pelas famílias locais tem por base “um calculismo pragmático”, com adaptações estruturais, quando necessário, mais do que “estados emocionais”. Como parte deste pragmatismo, as autoras referem o caso de uma família macaense que antes da transição proibiu a filha de falar português em casa e a mudou de uma escola portuguesa para uma em que se aprendia em cantonês. O objectivo passou por assegurar que a descendente tinha as ferramentas linguísticas necessárias para continuar a viver em Macau depois da transição. “O português é utilizado apenas em determinadas famílias (as famílias macaenses), o que realça o ambiente sociolinguístico único de Macau; apesar do seu estatuto oficial, a sua função no uso linguístico na vida quotidiana e nos contextos linguísticos familiares é bastante limitada”, foi analisado. Identidade e oportunidades No âmbito da abordagem pragmática, o mandarim e o inglês surgem como línguas do futuro, associadas a mais oportunidades de emprego, enquanto o cantonês surge como marca da identidade local. “O cantonês funciona principalmente como capital simbólico, reforçando o sentimento de pertença local e a lealdade cultural, enquanto o mandarim e o inglês são considerados formas de capital de troca que proporcionam acesso a qualificações académicas, emprego e mobilidade social”, pode ler-se nas conclusões. “Em particular, os pais apresentam o inglês como um recurso valioso, invocando preocupações relacionadas com a escolaridade e a mobilidade futura. Estas justificações podem reflectir a orientação pragmática dos próprios pais; reflectem também os requisitos escolares institucionais e os discursos dominantes no mercado de trabalho de Macau”, foi considerado. Os resultados mostram também que as famílias com menor grau de educação tendem a valorizar mais o cantonês, enquanto as mais formadas insistem na necessidade de dominar bem o inglês e o mandarim. Ao mesmo tempo, quanto mais tempo as famílias vivem em Macau, maior é a importância atribuída à aprendizagem do inglês.
Aviação | Tigerair Taiwan sai do mercado de Macau Hoje Macau - 24 Mar 2026 A companhia aérea Tigerair Taiwan informou no seu portal que a rota aérea entre Macau e Kaohsiung, em Taiwan, funciona apenas até ao dia 28 de Março, enquanto a ligação entre Macau e Taichung acabar no dia 30 de Março, o que se traduz na saída da companhia aéra do mercado de Macau. Até à data, a empresa não divulgou novos horários de voos. Além disso, no passado dia 4 de Fevereiro, a Tigerair Taiwan anunciou que ia melhorar a rede de rotas para aproveitar os recursos e rotas existentes, a partir de 30 de Março, nomeadamente na operação das rotas entre Taichung e Okinawa, no Japão. Desta forma, o último dia de voos será sexta-feira, com o voo entre Taichung e Macau e voo entre Macau e Kaohsiung. Em 2020 a Tigerair Taiwan também tomou a decisão de sair do mercado de Macau devido à pandemia.
Trabalho ilegal | 383 empregadores punidos no ano passado João Santos Filipe - 24 Mar 2026 Além das entidades patronais, foram também punidos 285 trabalhadores não-residentes e abertos 79 inquéritos criminais. As multas renderam mais de 6 milhões aos cofres da RAEM No ano passado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais aplicou sanções a 383 empregadores, devido ao envolvimento em casos de trabalho ilegal. Os dados foram divulgados pelo director da DSAL, Chan Un Tong, em resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei, ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Os empregadores multados resultaram de um total de 683 inspecções que a DSAL realizou por si, ou em conjunto com outros órgãos do Governo, que levaram à aplicação de sanções a 668 pessoas e entidades. Destas, “383 eram entidades empregadoras e 285 eram não-residentes”, que acabaram por ser multados em mais de 6 milhões de patacas. Na origem das sanções estiveram práticas como exercício de funções em local ou para um empregador diferentes do autorizado, exercício de funções alheias às autorizadas, contratação de trabalhador ilegal ou trabalho por conta própria. Além das sanções administrativas, a polícia encaminhou 79 empregadores, por suspeita da prática do crime emprego irregular, ao Ministério Público para efeitos de investigação. A resposta de Chan Un Tong não indica o desfecho dos inquéritos relacionados com o trabalho ilegal, nem as consequências para estes empregadores. Segundo a legislação em vigor o crime de emprego irregular é punido com uma pena de prisão que pode chegar aos dois anos. Nos casos de reincidência a punição sobe para um mínimo de dois anos e um máximo de oito anos, se não houver outras questões agravantes. Controlar as redes sociais Na resposta, o director da DSAL garantiu também à deputada que tanto o órgão que lidera como a polícia fazem um controlo regular das redes sociais e de outros meios de recrutamento, para evitar a contratação de trabalhadores ilegais. “A DSAL recolhe informações sobre o trabalho ilegal em vários aspectos, tomando a iniciativa de fiscalizar as informações relacionadas com o trabalho ilegal nas plataformas de redes online, efectuando, em tempo oportuno, a análise e o estudo das violações da lei e reforçando a gestão a partir da fonte”, foi indicado. “A DSAL dispõe ainda de um mecanismo de denúncia por vários canais (incluindo telefone, e-mail e via postal), a fim de facilitar a denúncia do trabalho ilegal por parte dos cidadãos”, foi acrescentado. Chan garantiu ainda que no que diz respeito à polícia, no caso em que encontram casos suspeitos de trabalho ilegal há”, por iniciativa própria, uma investigação. Na interpelação a deputada mostrou-se preocupada com o trabalho ilegal e exigia mais medidas para controlar o fenómeno e a imigração.
Lucros da Sociedade de Parques Industriais afundam mais de 25 por cento João Santos Filipe - 24 Mar 2026 No ano passado, os lucros da Sociedade para o Desenvolvimento dos Parques Industriais de Macau caíram para 7,43 milhões de patacas, uma redução anual de 25,7 por cento, face ao lucro de 10,01 milhões de patacas, em 2024. Os dados foram divulgados ontem pela empresa com capitais da RAEM, através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). As principais receitas da Sociedade para o Desenvolvimento dos Parques Industriais de Macau ficaram a dever-se ao arrendamento dos espaços no Parque da Concórdia, em Coloane, e do Parque Industrial Transfronteiriço Zhuhai-Macau, construído na Ilha Verde. Estas receitas geraram 18,16 milhões de patacas para a empresa, quando em 2025 tinham gerado 18,18 milhões de patacas. Apesar da redução dos lucros, os custos com os membros da administração e recursos humanos voltaram a subir. Em 2024, os gastos com o pessoal tinham atingido 6,05 milhões de patacas, porém, em 2025 voltaram a subir 20,2 por cento, para 7,27 milhões de patacas. É o segundo aumento desde 2023, quando os custos com o pessoal tinham sido de 5,80 milhões de patacas. Em mais de dois anos estas despesas subiram 25,3 por cento. Total de 10 trabalhadores A sociedade é liderada por Chan Hon Sang que tem um vencimento anual de 1,33 milhões de patacas, 18,3 por cento do total destes gastos. Apesar do aumento dos gastos com o pessoal, a empresa manteve o número de trabalhadores de 2024, um total de 10, incluído o presidente e dois directores. Os dois directores levam para casa um salário anual de 90 mil patacas, o que resulta do facto de acumularem o cargo com outras funções. A redução do lucro justifica-se também com a diminuição do valor dos juros face ao dinheiro guardado nos bancos locais. Em 2024 os juros tinham rendido 7,07 milhões de patacas, mas no ano passado o montante foi apenas de 5,63 milhões de patacas.
Economia | Tai Kin Ip reconhece menos gastos dos turistas Hoje Macau - 24 Mar 2026 O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, reconheceu ontem que o gasto per capita dos turistas está em contracção, e que os hábitos de compras foram substituídos pela procura de novas experiências. As declarações foram prestadas durante um simpósio da Associação Comercial de Macau, e citadas pelo jornal Ou Mun. O governante admitiu que estas alterações fazem com que o ambiente de negócios seja mais exigente para as empresas de Macau, e aconselhou os comerciantes a “responderem de forma científica às mudanças”, “a procurarem de forma activa mudarem os seus negócios para melhor” e “adaptarem-se às novas situações”. Tai Kin Ip alertou ainda os empresários que só desta forma é que vai ser possível “alcançar um desenvolvimento sustentável”. Apesar destes alertas, o secretário afirmou que as Pequenas e Médias Empresas são a base da economia local e contribuem para a maioria do emprego da população e da revitalização da economia. Para combater as dificuldades, o secretário afirmou que o Governo está “lado-a-lado” com os empresários e prepara vários eventos, como os espectáculos de fogo-de-artifício e de drones, para encorajar as pessoas a passarem mais tempo no território e assim consumirem mais. Quanto ao facto de a população consumir cada vez mais no outro lado da fronteira, onde os preços são mais atractivos, o responsável afirmou que o Executivo ouve as opiniões de “todos os sectores da sociedade” sobre as formas como deve promover um maior consumo.
MNE | Gabinete de Hong Kong e Macau volta a ter chefia feminina Hoje Macau - 24 Mar 2026 O Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China onde faltava nomear um novo vice-director há quase seis meses vai ter uma subdirectora, Zhang Dongmei. A informação foi divulgada pelo jornal Mingpao, de Hong Kong. O anterior vice-director Wang Linggui foi promovido como presidente da Federação Nacional de Chineses Ultramarinos Retornados em Outubro do ano passado. A nova vice-directora vai ser a vice-presidente da Federação Nacional das Mulheres da China, Zhang Dongmei. Desde 2013 que o Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado não tinha uma subdirectora, a última tinha sido Hua Jian, que assumiu a posição entre 2008 e 2013. Em 2023, o gabinete foi renovado ao abrigo da reforma das instituições do Partido Comunista da China (PCC) e do Estado, integrando as instituições directamente subordinadas ao Comité Central do PPC. O jornal Mingpao apontou também que o actual vice-director do gabinete, Huang Liuquan, de 61 anos, vai deixar o cargo devido à idade, estando previsto ser substituído pelo vice-presidente da Agência de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento da China, Yang Weiqun.
Concertos | Song Pek Kei pede detalhes sobre descontos João Luz e Nunu Wu - 24 Mar 2026 Depois de o Governo ter anunciado um plano para incentivar, através de descontos, espectadores de concertos a gastar dinheiro nos bairros residenciais, Song Pek Kei pergunta quando arranca o programa. Os transportes para os bairros também merecem a atenção da deputada A atracção de turistas para as zonas afastadas dos pontos turísticos mais populares de Macau continua a ser uma questão para a qual tem sido difícil encontrar soluções. Na apresentação das Linhas de Acção Governativa para este ano, o Executivo introduziu o “Programa de Concertos + Benefícios de Consumo nos Bairros Comunitários”. A ideia pode resumir-se à distribuição de cupões de descontos, que só podem ser usados no comércio e restauração dos bairros residenciais, a turistas e residentes que comprem bilhetes para espectáculos em Macau através de determinadas plataformas online. Uma vez que não foram divulgadas mais informações desde a menção nas LAG, Song Pek Kei escreveu uma interpelação a pedir detalhes sobre este programa. A deputada, ligada à comunidade de Fujian, sublinhou a intenção do Governo de fazer de Macau uma cidade de concertos, apesar da vaga de eventos cancelados nos últimos meses. Corrida de barreiras A legisladora salienta que a “economia de concertos” tem sido um importante factor para a diversificação da economia da região. Porém, as alterações nos padrões de consumo, a forma como as autoridades referem o baixo consumo e quebra de poder de compra dos turistas, e a instabilidade internacional acrescentam barreiras adicionais à economia dos bairros afastados dos pontos quentes de turismo. Estas mudanças tornaram a vida mais cara e retiraram confiança aos consumidores. Song Pek Kei destaca também a importância de optimizar infra-estruturas comunitárias, que acabem com o “isolamento” dos bairros em relação às rotas turísticas. “Actualmente, os transportes em Macau envolvem principalmente deslocações entre a península e o Cotai, ou viagens directas para locais de concertos, com percursos de ponto a ponto”, argumenta. Para que os bairros residenciais sejam mais visitados por turistas, a deputada recordou que Sam Hou Fai prometeu optimizar os transportes públicos para permitir que quem visita Macau para ver um espectáculo passe pelas zonas “esquecidas”, impulsionando a economia comunitária. Como tal, a legisladora pergunta quais os planos do Governo para atingir essa meta.
Música | Escritos de Camilo Pessanha conjugados com ritmos em patuá Andreia Sofia Silva - 24 Mar 202624 Mar 2026 Ian Watts celebrou a poesia de Camilo Pessanha de uma forma singular, recorrendo à música e ao patuá, o crioulo macaense que está praticamente extinto. “Sunk Ships Sing Clepsydra” é o nome do álbum, disponível em formato digital, com 30 faixas produzidas pelo escritor e tradutor. Watts recorreu “ao conceito de uma banda macaense de Xangai nos anos 30” No mês em que se celebra o centenário da morte de Camilo Pessanha, vulto maior do chamado Simbolismo na poesia portuguesa e autor de “Clepsydra”, o autor e tradutor Ian Watts, com raízes portuguesas no Havai e na Califórnia, resolveu dedicar-lhe um projecto único: fez um álbum com 30 faixas, baseado na poesia de Pessanha, com ligações ao patuá e a sonoridades de jazz e música chinesa. O resultado é “Sunk Ships Sing Clepsydra”, álbum que pode ser ouvido gratuitamente, em formato digital, e que tem “letras novas em português” com ligação ao patuá. Em termos musicais, o que Ian Watts fez foi recorrer ao “conceito de produção de uma banda macaense de Xangai dos anos 30, com a gravação ao estilo Shidaiqu: harmonia de jazz ocidental, a sensibilidade melódica chinesa”, sem esquecer a presença de uma “cantora macaense cujo português desliza, naturalmente, para a sua língua materna”. Este foi o princípio de um projecto que musicou Clepsydra de uma forma que, segundo Ian Watts, nunca tinha sido tentada antes. Numa nota enviada às redacções, o autor explica que o álbum “foi realizado com ferramentas de inteligência artificial, o que permitiu que uma única pessoa tenha concretizado algo que, de outro modo, teria exigido um ‘ensemble’ de época, um estúdio e meios consideráveis”, adiantou. Ian Watts tem uma relação longa com Macau e conheceu o universo de Camilo Pessanha “quando fazia investigação sobre o comércio do ópio em Macau na Biblioteca Nacional de Lisboa, no final dos anos noventa”. Aí surgiu o acesso ao espólio de Camilo Pessanha, doado pela família de Ana Castro Osório, que mais contribuiu para a divulgação da escrita do poeta português. “O meu objectivo principal era procurar qualquer escrito seu sobre o uso de ópio, o que não encontrei de forma óbvia. Mas encontrei outra coisa: a qualidade sonora e profunda da sua poesia. Era estranha e bela. O que também me cativou foi a sua tradução das ‘Elegias Chinesas’ – era um homem verdadeiramente mergulhado em Macau, não um poeta europeu de passagem”, adiantou Ian Watts ao HM. A ideia de produção de “Sunk Ships Sing Clepsydra” surgiu depois da publicação da tradução de “Lin Tchi Fá: Flor de Lótus”, da autoria do próprio Ian Watts, sobretudo no momento em que ouviu a canção “Viola Chinesa”, do duo macaense “A Outra Banda”, onde é adaptado um poema de Pessanha com o mesmo nome. “Naquele momento decidi que pôr a sua poesia em música seria um projecto bonito em sua honra. Comecei de forma simples, e procurei inspiração em Satie e Debussy, que pareciam capturar o mesmo lirismo. Aquele som não me parecia quente, e voltei a pensar no mesmo lugar em que Pessanha viveu, nas pessoas à volta”, tendo ocorrido a Ian Watts as ideias de Macau, da mulher macaense e até do cante. Nesse momento, “todas as peças se encaixaram.” Para produzir o disco, Ian Watts recorreu “ao máximo de fontes em patuá” que conseguiu, nomeadamente os discos da Tuna Macaense e do poeta Adé. “Comecei aí o longo processo de decidir onde entrar o patuá numa canção, e onde a cantora poderia, conscientemente, manter o português. Numa canção queria usar o Nhum, em ‘O Tambor’, mas a melodia e a canção exigiam outra coisa. Tudo foi feito com intenção”, assegura. A escolha dos poemas para o disco não foi difícil, já que “em certo sentido já estavam escolhidos, por Ana de Castro Osório há mais de cem anos”. “Digo isto com algum humor”, salienta Ian Watts. A escolha da IA Usar inteligência artificial (IA) neste projecto tem tanto de inovador como de arriscado, e Ian Watts assume que “esteve reticente em contar ao mundo não-IA sobre este projecto”, já que, no seu entender, “a maioria das pessoas olha de forma negativa para a música e imagens produzidas por IA”. “Contactei os meios de comunicação em Macau não por [desejar] fama ou fortuna, mas para dar às pessoas a possibilidade de ouvir Pessanha no centenário da sua morte”, destaca. “Ao contar às pessoas de Macau sobre este projecto, espero que possa também inspirar alguns a compor canções e a cantar as suas histórias — em patuá, em cantonês, em português. A IA oferece a possibilidade de pessoas que, de outra forma, não teriam recursos para o fazer, na colaboração e a cantar.” Macau entrou na vida de Ian Watts “como uma ideia”, através do seu professor de português na universidade. “Estávamos em pleno debate pós-modernista e pós-colonial e Macau fascinava-me intelectualmente”, na qualidade de “entreposto português na costa sul da China, com uma identidade construída em cima de múltiplas pertenças e múltiplas ausências”. Ian Watts foi depois a Macau, onde “teve a oportunidade de falar com muitas pessoas sobre o que significava ser macaense”, e aí o território “deixou de ser um conceito” para se transformar “num lar para muitos, levando um pedaço no meu coração”. O autor traduziu escritos de Camilo Pessanha e de Maria Anna Acciaioli Tamagnini, “por prazer”, tendo inclusivamente saído, no ano passado, a tradução de “Lin Tchi Fá – Flor de Lótus”, publicada originalmente em 1925, em português, chinês e inglês. Sobre este projecto, Ian Watts afirma que “Maria Anna Acciaioli Tamagnini escreveu na tradição orientalista e simbolista”, sendo que, em “Lin Tchi Fá”, “nunca escreve explicitamente sobre os macaenses”. Faz, isso sim, “referências veladas e, por vezes, explícitas à condição feminina e subtilmente insurge-se contra as estruturas patriarcais”, o que resulta”dos seus contactos locais”. “Convém recordar que ‘Lin Tchi Fá’ foi publicado quando ela estava em Lisboa, depois de o marido ter sido chamado de volta a Portugal após a sua primeira governação; os seus ensaios posteriores a 1926, durante a segunda governação, debruçam-se quase inteiramente sobre a comunidade chinesa em Macau e no sul da China.” Esta autora, destaca Ian Watts, escreveu um poema mais focado em Macau, intitulado “Santa Infância”, onde descreve a realidade das crianças órfãs, “na sua maioria raparigas que eram deixadas na roda dos expostos”, criadas dentro da comunidade cristã, por freiras. “Não incluí este nem outro poema existente na minha tradução, por não constarem do seu volume original de poemas”, explica. O lugar da língua Ian Watts sabe o que é viver entre idiomas. No que diz respeito ao patuá, já não encontrou Adé vivo para, com ele, aprender mais sobre o crioulo macaense, mas ainda trocou palavras com o Padre Manuel Teixeira, que lhe falou dos escritos de Adé e Maria Anna Acciaioli Tamagnini. “Mas a língua ganhou vida de outra forma. Uma tarde estava na Leitaria I Son, no Largo do Senado, com um grupo de macaenses jovens, na casa dos vinte anos. E eles iam deslizando entre o inglês, o cantonês, o português e o patuá — tudo dentro da mesma conversa, sem marcação, sem cerimónia. Nunca tinha ouvido a língua falada antes. O que me ficou foi a sua musicalidade. Nunca me esqueci”, recorda. Ian Watts diz não ser “linguista nem especialista em revitalização linguística”, e que as suas áreas de estudo são Etnografia, Literatura e Estudos Portugueses. Porém, diz ter a “perspectiva pessoal sobre o que acontece às línguas sob pressão”. “A minha família, de origem açoriana e madeirense, perdeu activamente o português no Havai sob a pressão da assimilação. Escolheram o inglês como língua de prestígio, e o português foi murchando até restar apenas em palavrões”, recorda, falando do progressivo desaparecimento do patuá. “Em Macau, entendo que o patuá não foi tão suprimido e considerado uma língua que não valia a pena conhecer”, com um sentimento de “vergonha de si próprio”. “A minha própria família olhava com desconforto para o seu inglês ‘partido’ e empurrava a língua correcta, o inglês da Metrópole. E assim o patuá foi-se esvanecendo. Felizmente, foi documentado, no [jornal] ‘Ta-ssi-yang-kuo’ na viragem do século, por Graciete Batalha a meio do século passado, e, mais recentemente, no léxico de Miguel de Senna Fernandes — que, em conjunto com o Dóci Papiaçam di Macau, tem feito um esforço genuíno para manter a língua viva.” Ian Watts refere também o trabalho de edição de textos antigos por parte do Instituto Cultural e Instituto Internacional de Macau. “Falo como alguém de fora, e reconheço que não conheço a realidade linguística actual de Macau. Mas a minha intuição é que as línguas mudam — e que o mesmo contacto intercultural que criou o patuá pode continuar a levá-lo para a frente. A língua, como os ‘Filhos da Terra’ que a falam, não é uma peça de museu. Aquele grupo de jovens macaenses que eu via deslizar entre o português padrão e o cantonês de rua — é assim que os crioulos se formam. Foi maravilhoso ouvir isso com os meus próprios ouvidos”, salienta.
Lei Básica | 33 anos celebrados esta semana Andreia Sofia Silva - 23 Mar 2026 Decorrem esta semana diversas actividades que visam comemorar os 33 anos de existência da Lei Básica da RAEM, promovidas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ) e demais associações locais. Uma dessas actividades acontece esta quinta-feira, dia 26, no Salão de Convenções do Centro de Ciência de Macau. Trata-se do seminário intitulado “15.º Plano Quinquenal do País e o Desenvolvimento Sustentável da RAEM”, com a presença de “peritos e académicos de Macau e do Interior da China para discutirem, em conjunto, a situação do desenvolvimento do princípio ‘um país, dois sistemas’ na nova era”. A nota da DSAJ dá ainda conta da realização, no sábado, dia 28, do Festival de Divulgação Jurídica “Cumprir a Lei”, na Praça do Tap Seac, realizando-se jogos de perguntas e respostas em tendas espalhadas no local. Há ainda actuações e diversas actividades lúdicas que visam dar a conhecer ao público “de forma descontraída e divertida”, a Lei Básica de Macau, diz a DSAJ. Nas celebrações, Incluem-se eventos como o “Curso de Formação sobre a Lei Básica” ou o “Jogo de Aventura entre Pais e Filhos para Famílias Jovens – ‘Crescer com a Lei'”, ou ainda o “Concurso de Eloquência – ‘Eu, a Constituição e a Lei Básica de Macau'”. Em formato online decorre também o “Jogo Online de Perguntas e Respostas – ‘ Eu e a Lei Básica'”, bem como o “Concurso sobre o Plano de Divulgação nas Escolas – ‘A Constituição e a Lei Básica de Macau'”. A DSAJ colabora nestas acções com a Associação de Divulgação da Lei Básica de Macau, o Instituto para os Assuntos Municipais e a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude. O tema das comemorações deste ano é “Conhecer e Cumprir a Lei”, pretendendo-se “aprofundar os conhecimentos dos cidadãos sobre a Lei Básica de Macau, a fim de herdar e promover a boa tradição do amor pela Pátria e por Macau, em prol da construção conjunta do Estado de Direito” no território.
Médio Oriente | China apela a cooperação com França Hoje Macau - 23 Mar 2026 O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, propôs sexta-feira a França “trabalhar em conjunto” com Pequim na procura de uma solução pacífica para a guerra no Médio Oriente, que classificou como “injusta”. O apelo da diplomacia chinesa foi feito durante uma conversa telefónica com Emmanuel Bonne, conselheiro diplomático do Presidente francês, Emmanuel Macron, segundo informou um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. Wang Yi defendeu que, apesar das dificuldades, “o caminho certo para sair da crise continua a ser o diálogo e a negociação”, sublinhando a necessidade de coordenação entre os dois países. Enquanto membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, China e França devem, segundo o chefe da diplomacia chinesa, reforçar a comunicação estratégica, defender a Carta das Nações Unidas e o direito internacional. O chefe da diplomacia chinesa alertou ainda para o risco de regressar a uma “lei da selva” nas relações internacionais caso não haja cooperação multilateral. De acordo com Wang Yi, o conflito no Médio Oriente, que dura há cerca de três semanas e que foi desencadeado por uma ofensiva militar de grande escala dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, continua a intensificar-se, afectando a estabilidade do fornecimento global de energia e agravando uma crise humanitária de grande escala. “O uso da força não resolverá nada, e uma guerra injusta não pode continuar”, afirmou Wang Yi. Pequim criticou também os ataques do Irão contra países do Golfo Pérsico que acolhem bases militares norte-americanas, apesar de manter relações comerciais e diplomáticas estreitas com Teerão.
Médio Oriente | Europa e NATO recusam ser arrastadas para o conflito, diz analista Hoje Macau - 23 Mar 2026 O presidente-executivo do Observatório do Mundo Islâmico (OMI) defendeu sábado que Europa e NATO se recusam a ser arrastadas para o conflito que opõe Estados Unidos e Israel ao Irão, posição que considerou sensata. Numa entrevista à agência Lusa, João Henriques sublinhou que a Europa sabe que o conflito “vai ter efeitos devastadores”, desde logo pela perda de vidas, mas também que, com o decorrer do tempo, vai haver uma retaliação de grupos “que se sentem estimulados pela retórica islamista” e estão já em territórios ocidentais, não só na Europa Ocidental, como nos Estados Unidos. “Poderia dizer que há um consenso. Há membros da União Europeia e também da NATO, que nem sempre estão de acordo para que haja alguma parceria com os EUA para resolver a questão do estrangulamento que existe no estreito de Ormuz. É, claro, uma decisão sensata. De resto, a Europa também nunca fez nada de bem nos últimos tempos para que os conflitos não aconteçam, não sejam alimentados”, argumentou. Para o analista português, foi Israel quem arrastou os Estados Unidos para o conflito – “perdoe-se-me o plebeísmo, mas quem está a usar os cordelinhos é Telavive” –, pois cerca de metade da população islâmica vive nos Estados Unidos, que são, ao mesmo tempo, “os grandes tubarões da comunicação social nos Estados Unidos”. “Daí já sabemos quais são as influências que podem trazer até para a falta de esclarecimento, para a desinformação no mundo em geral, não é só no mundo ocidental, no mundo em geral, e aquilo que os Estados Unidos estão a fazer, como fizeram em Junho, também, no ataque às plataformas de enriquecimento de urânio, foi por encomenda, naturalmente, de [o primeiro-ministro israelita, Benjamin] Netanyahu. “Não vamos escamotear esta verdade. Neste binómio EUA-Israel, a situação de destruição dos territórios que se têm mostrado bastante hostis a ambos interessa aos grandes promotores imobiliários a desestabilização na região do Médio Oriente”, sustentou. Para João Henriques, o primeiro objectivo ainda não foi alcançado, porque o território ainda não foi completamente devastado, como aconteceu e vai continuar a acontecer, agora com menor intensidade, na Faixa de Gaza. Arte da propaganda Questionado pela Lusa sobre se esses “tubarões israelitas nos Estados Unidos” têm dominado a comunicação social internacional, permitindo ao Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar que os Estados Unidos já destruíram a quase totalidade da capacidade militar iraniana, João Henriques falou de “propaganda”. “É propaganda, naturalmente. Isso faz parte das regras, já Sun Tzu [general e filósofo chinês mais conhecido pelo tratado militar, ‘A Arte da Guerra’] defendia isso, 500 anos antes de Jesus Cristo. Não vai haver, por parte de Israel, nenhuma cedência, enquanto aquele território não for completamente apagado do mapa”, argumentou. “E enquanto os Estados Unidos vão dizendo recorrentemente, sendo secundados por Israel, que destruíram uma quantidade imensa de protecções, de ‘bunkers’ que contêm armas, essas sim, de grande alcance, armas que estão armazenadas já há muito tempo, […] o poder bélico da República Islâmica do Irão está em subterrâneos a grande profundidade”, sublinhou o presidente-executivo do OMI.
A Lei da Comissão de Defesa da Segurança do Estado não compromete a protecção dos direitos humanos Hoje Macau - 23 Mar 2026 Ho Chon Hou – Advogado em actividade A proposta de lei intitulada “Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau” (adiante Lei da CDSE) foi apreciada na especialidade e aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa em 19 de Março de 2026. O objectivo desta iniciativa legislativa é regular por lei e de forma mais abrangente o regime fundamental de atribuições, composição e funcionamento da CDSE, o que permite aperfeiçoar o sistema jurídico de defesa da segurança nacional e reforçar a estrutura de topo neste âmbito, de modo a reforçar a salvaguarda da soberania, da segurança e dos interesses de desenvolvimento do país, e a consolidar a barreira em prol da segurança nacional, salvaguardando a estabilidade da conjuntura social. Um dos destaques da Lei da CDSE reside na alteração à Lei n.º 9/1999 (Lei de Bases da Organização Judiciária), introduzindo a regra excepcional da exclusão da publicidade de certos actos processuais (e.g. audiências) em processos judiciais relevantes, bem como estabelecendo um mecanismo que exige a obtenção prévia de autorização especial concedida pelo juiz competente ao mandatário judicial para intervenção no processo judicial em que se crê existir a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado. Tais alterações são adequadas, necessárias e proporcionais, estando plenamente em conformidade com a salvaguarda dos direitos humanos. O artigo 9.º da Lei de Bases da Organização Judiciária, por alteração introduzida pelo artigo 19.o da Lei da CDSE, acrescenta um n.º 2 com a seguinte redacção: “Em processo judicial de qualquer natureza, o juiz competente deve determinar a exclusão da publicidade de certos actos processuais, tendo em conta os prejuízos que a publicidade pode causar aos interesses da segurança do Estado e quando tal for confirmado pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau”. O artigo 20.º acrescenta à Lei de Bases da Organização Judiciária o artigo 67.º-A (Autorização especial concedida ao mandatário judicial para intervenção em acto processual), que estipula no seu n.o 1 o seguinte: “Em qualquer processo judicial, se a autoridade judiciária competente tiver fundadas razões para crer que existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado, o mandatário judicial deve obter a autorização especial do juiz competente antes de intervir ou continuar a intervir no processo”. É evidente que o objectivo legislativo dos artigos 19.º e 20.º da Lei da CDSE é o de proteger os interesses da segurança nacional. Por exemplo, nos casos em que estejam envolvidos segredos do Estado, é essencial assegurar que tais segredos não corram o risco de serem divulgados ou revelados indevidamente, evitando assim prejuízos aos interesses da segurança nacional. O regime de autorização especial (adiante regime de autorização), que exige a obtenção da autorização prévia do juiz competente por parte do mandatário judicial, constitui precisamente a expressão inevitável da protecção do bem jurídico acima mencionado. O regime de autorização não representa meramente uma restrição à liberdade das partes na escolha do seu defensor; ao contrário, traduz um ponto de equilíbrio que permite alcançar simultaneamente dois objectivos: uma melhor prestação da actividade de defesa e a salvaguarda dos interesses da segurança nacional. Para tal, podemos proceder a uma análise com base nos três princípios da adequação, da necessidade e da proporcionalidade. O princípio da adequação refere-se à correspondência da situação real ao objectivo que um meio jurídico pretende alcançar. Ora, o regime previsto nos artigos 19.º e 20.º da Lei relativa à defesa da segurança do Estado constitui o limite mínimo para a defesa eficaz da segurança nacional, visando prevenir prejuízos aos interesses de segurança do Estado, pelo que está em conformidade com o princípio da adequação. O princípio da necessidade significa que, uma vez verificado o princípio da adequação, entre as várias formas possíveis de alcançar o objectivo legislativo, deve ser escolhida a que tenha o menor impacto sobre os direitos dos cidadãos. Por sua vez, a alínea 1) do n.º 8 e o n.º 9 do artigo 67.º-A da Lei de Bases da Organização Judiciária, aditados pelo artigo 20.º da Lei da CDSE, prevêem, respetivamente, que, em processos judiciais com carácter urgente, o juiz competente pode, oficiosamente, autorizar previamente o mandatário judicial para participar em determinados actos processuais, sem que tal impeça a aplicação, após as necessárias adaptações, das disposições relativas à nomeação oficiosa de defensor. Por conseguinte, cumpre o princípio da necessidade. O princípio da proporcionalidade significa que, embora um meio jurídico seja necessário para atingir o objectivo legislativo, não pode impor um encargo excessivo aos cidadãos. O regime de autorização estabelecido pela Lei da CDSE não priva as partes do direito à defesa, nem revoga a habilitação profissional de advogados ou mandatários judiciais; o seu objectivo reside apenas na implementação de uma verificação de qualificações necessária aos mandatários que participam em processos judiciais relacionados com a segurança nacional, a fim de garantir que os interesses de segurança nacional não sejam ameaçados por riscos potenciais no âmbito de cada caso, pelo que está em conformidade com o princípio da proporcionalidade. O 15.º Plano Quinquenal Nacional salienta a consolidação da barreira de segurança nacional, e a Lei relativa à defesa da segurança do Estado estabelece expressamente que a defesa da segurança nacional é uma responsabilidade constitucional da RAEM. A implementação da Lei da CDSE permite não só aperfeiçoar o sistema jurídico de defesa da segurança nacional, como também zelar plenamente pela garantia dos direitos humanos, o que é altamente louvável.
CELAC | Xi diz que China “será sempre boa amiga” dos países da América Latina e Caraíbas Hoje Macau - 23 Mar 2026 O Presidente chinês, Xi Jinping, garantiu que a China “será sempre boa amiga e parceira” dos países da América Latina e das Caraíbas, numa mensagem de felicitações enviada sábado à 10.ª cimeira da CELAC na Colômbia. No seu comunicado, Xi destacou o papel da Comunidade de Estados Latino-Americanos e das Caraíbas (CELAC), inaugurada sábado, na “promoção da estabilidade, do desenvolvimento” e da “cooperação do ‘sul global'”, e reiterou o apoio de Pequim aos países latino-americanos e caribenhos na “defesa da soberania, segurança e interesses de desenvolvimento”, segundo o ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. O líder chinês sublinhou que a relação entre a China e a CELAC avançou no último ano, na sequência da IV Reunião Ministerial do Fórum China-CELAC, realizada em Pequim em Maio de 2025, na qual as partes concordaram em impulsionar uma agenda de cooperação centrada em cinco áreas: unidade, desenvolvimento, civilização, paz e intercâmbios entre os povos. Esse encontro, que contou com a presença de vários líderes latino-americanos, aprovou um plano de acção para o período 2025-2027 com uma centena de projectos e uma linha de crédito de 60 mil milhões de yuans, num contexto de crescentes laços económicos e políticos entre as regiões. Nesse evento, a China e os países da América Latina e das Caraíbas traçaram um plano de cooperação, num fórum em que presidentes e ministros dos Negócios Estrangeiros defenderam o direito de decidir com quem comercializar, apenas algumas semanas após o início da guerra de tarifas globais desencadeada pelos Estados Unidos. No sábado, em Bogotá, foi marcado pelo Fórum de Alto Nível CELAC-África, no qual se uniram países de ambas as regiões para rejeitar todas as formas de dominação, desde a escravatura e o colonialismo do passado aos bloqueios e guerras do presente, e durante o qual a Colômbia passou ao Uruguai a presidência ‘pro tempore’ do organismo regional.