Venezuela | Pequim manterá apoio independentemente da situação política Hoje Macau - 12 Jan 2026 O Governo chinês reafirmou sexta-feira que, independentemente do que acontecer na Venezuela, o país asiático continuará a apoiar Caracas na defesa da sua soberania e segurança nacional. “A China continuará a apoiar firmemente a Venezuela na salvaguarda da sua soberania, dignidade e segurança nacional, independentemente de como evolua a situação política”, afirmou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning. A porta-voz destacou que Pequim manteve uma comunicação e cooperação “sólidas” com o Governo venezuelano e que o país “está profundamente empenhado em aprofundar a cooperação prática e promover o desenvolvimento comum”. O país asiático, que tem mantido relações estreitas com Caracas nos últimos anos, condenou duramente a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e exigiu a libertação do expresidente Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, levados para Nova Iorque. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reuniuse na quinta-feira com o embaixador da China, Lan Hu, realçando a “posição firme e consequente da China ao condenar energicamente a grave violação do direito internacional e da soberania venezuelana”, segundo informações oficiais venezuelanas. Fontes norteamericanas citadas pela cadeia televisiva ABC indicaram que a Administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou a Rodríguez que a Venezuela terá de pôr fim às suas relações com a China, Rússia, Irão e Cuba como condição para poder extrair e comercializar o seu petróleo.
Irão ameaça retaliar contra EUA e Israel em caso de ataque Hoje Macau - 12 Jan 2026 O presidente do parlamento do Irão avisou ontem que os militares norte-americanos e Israel serão “alvos legítimos” em caso de ataque por parte de Washington, tal como ameaçou o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Os comentários de Mohammad Bagher Qalibaf representam a primeira vez que Israel é incluído na lista de possíveis alvos de um ataque iraniano. Qalibaf, um elemento da ‘linha-dura’ iraniana que já concorreu à presidência no passado, fez a ameaça enquanto os deputados invadiam a tribuna do parlamento, gritando: “Morte à América!” Durante a sessão do parlamento, transmitida em directo pela televisão estatal iraniana, Mohammad Qalibaf fez um discurso aplaudindo a polícia e a Guarda Revolucionária paramilitar do Irão, particularmente os seus voluntários Basij, por terem “permanecido firmes” durante os protestos realizados no país contra a teocracia iraniana. “O povo do Irão deve saber que lidaremos com eles da forma mais severa e puniremos aqueles que forem detidos”, disse. Qalibaf prosseguiu ameaçando directamente Israel, referindo-se-lhe como “o território ocupado”, e também as forças armadas dos EUA: “No caso de um ataque ao Irão, tanto o território ocupado como todos os centros militares, bases e navios americanos na região serão nossos alvos legítimos”, afirmou, acrescentando: “Não nos consideramos limitados a reagir após a acção e agiremos com base em quaisquer sinais objectivos de ameaça”. A seriedade das intenções do Irão em relação ao lançamento de um potencial ataque ainda não é clara, especialmente após o país ter ficado com as defesas aéreas destruídas durante a guerra de 12 dias em Junho com Israel. Qualquer decisão de entrar em guerra caberia ao líder supremo do Irão, o ‘Ayatollah’ Ali Khamenei, de 86 anos. Morte na rua As forças armadas dos EUA afirmaram no Médio Oriente que estão “posicionadas com forças que abrangem toda a gama de capacidade de combate para se defenderem, os parceiros e aliados e os interesses dos EUA”. Entretanto, os protestos que desde há duas semanas decorrem no Irão que contestam o regime e que, segundo a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA, na sigla em inglês), já provocaram pelo menos 192mortos, levaram ontem manifestantes a inundar as ruas da capital e da segunda maior cidade do país. O New York Times e o Wall Street Journal, citando funcionários anónimos dos EUA, disseram no sábado à noite que Trump recebeu opções militares para um ataque ao Irão, mas não tomou uma decisão final.
Presidenciais a quanto obrigas André Namora - 12 Jan 2026 Há mais de 50 anos o 25 de Abril concedeu-nos a felicidade de termos liberdade e eleições livres. Mais uma vez, estamos perante a vontade do povo em escolher um novo Presidente da República. As eleições presidenciais, a realizar no próximo dia 18, terão mais candidatos quase que as mães. São 11 candidatos, mas incompetente e absurdamente os boletins de voto irão patentear mais três candidatos que foram rejeitados pelo Tribunal Constitucional (Joana Beatriz Amaral Dias, Luís Ricardo Sousa e José António Cardoso). O eleitor terá de ter muita atenção ao não votar num candidato que não está em eleição. Os candidatos são, por ordem do boletim: André Pestana, Jorge Pinto, Manuel João Vieira, Catarina Martins, João Cotrim de Figueiredo, Humberto Correia, António José Seguro, Luís Marques Mendes, André Ventura, António Filipe e Henrique Gouveia e Melo. Este conjunto de candidatos participaram nos mais díspares e desinteressantes debates televisivos. Alguns dos debates mais pareceram discussões para eleições legislativas, quando os poderes de um Presidente da República são absolutamente diferentes e ínfimos relativamente aos temas que os candidatos debateram. Assistiu-se a debates de lavagem de roupa suja e de insultos. No último debate até o povinho ficou atónito ao ver e ouvir a discussão entre Gouveia e Melo e Marques Mendes, dois candidatos suspeitos de intermediação de interesses (Marques Mendes) e de ajustes directos (Gouveia e Melo. Foi, na verdade, um espectáculo triste que em nada beneficiou os próprios candidatos e a dignidade que deve ser obrigada ao comportamento de um futuro chefe de Estado. Ai, presidenciais a quanto obrigas. Agora, os candidatos andam a gastar os últimos cartuxos pelo país fora. E vale tudo. Beijinhos, abraços, mercados, ofertas de brindes e visitas a feiras na caça ao voto mesmo que seja em zonas que lhes são hostis. Como tem sido o caso do candidato André Ventura, que por onde passa e existam comunidades ciganas, apenas ouve insulto, alguns bem merecidos porque este candidato tem levado a efeito uma política de agressividade a todos os ciganos, os quais vivem em Portugal há muito mais tempo do que a idade de Ventura. A campanha de rua não tem tido grande sucesso. Umas dezenas de pessoas a aderir às marchas propagandistas pelas urbes. Alguns candidatos, como Marques Mendes, têm realizado comícios à porta fechada arrebanhando os militantes do partido a que pertencem. No caso concreto de Marques Mendes tivemos algo que caiu muito mal no seio do próprio PSD. O facto de Luís Montenegro ter ido a um desses comícios apelar ao voto em Marques Mendes. Ficou-lhe muito mal, porque esqueceu-se que a sua posição de primeiro-ministro devia levá-lo a uma contenção partidária em tempo de campanha eleitoral generalizada. Enfim, em campanha eleitoral vale mesmo tudo e os candidatos não perdem oportunidades para denegrirem os seus adversários sempre com linguagem imprópria para consumo. A grande surpresa da campanha eleitoral tem recaído nos candidatos Cotrim de Figueiredo, António José Seguro e Catarina Martins. Estes, têm apresentado uma linguagem de estadistas, de seriedade e de confiança no futuro em benefício da vida dos portugueses, manifestando sempre que se forem eleitos que a cooperação com o Executivo será uma realidade, mas de criticismo e de apresentação de propostas para uma melhor governação. Não foi por acaso que se assistiu à subida nas sondagens destes três candidatos. Muitos democratas de esquerda indicam nas redes sociais que se António Filipe, Jorge Pinto e Catarina Martins desistissem a favor de Seguro, que a vitória do socialista seria garantida. No entanto, é preciso lembrar que se um cidadão resolveu candidatar-se ao cargo de chefe da Nação, foi porque entendeu que, assim, a sua consciência o decidira e não tem nada que desistir, mas sim, continuar até ao dia 17 deste mês a manifestar as suas convicções e propostas. Estas eleições presidenciais apresentam um quadro previsível de empate técnico entre Seguro, Ventura, Melo, Figueiredo e Mendes. Tudo indica que haverá uma segunda volta de eleições em Fevereiro com o resultado dos dois primeiros a recair entre os cinco candidatos mencionados. No entanto, em cerca de 100 telefonemas e mensagens que enviámos a pessoas do nosso conhecimento, o resultado deu-nos em primeiro lugar Gouveia e Melo e António José Seguro em segundo. Assim, seriam estes dois candidatos que iriam disputar a segunda volta. O importante é que Portugal continua em regime democrático e que estamos perante mais um acto eleitoral em liberdade, quando se têm ouvido vozes que promovem um regresso ao neofascismo. Daqui a uma semana já saberemos quem foi o vencedor das eleições e quem, em princípio, irá disputar a segunda volta. Votem bem!
Fortaleza do Monte | Exposição celebra restauro das Grutas de Mogao Andreia Sofia Silva - 12 Jan 2026 A partir da próxima sexta-feira, dia 16, será possível conhecer melhor as Grutas de Mogao, em Dunhuang, China, classificadas pela UNESCO e que, nos últimos cem anos têm sido alvo de sucessivas acções de restauro, tendo em conta a importância do seu património arquitectural, cultural e histórico. A “Exposição do Centenário do Restauro das Grutas de Dunhuang” estará disponível na galeria da Fortaleza do Monte A galeria da Fortaleza do Monte acolhe, a partir de sexta-feira, dia 16, uma exposição sobre um dos grandes monumentos da China, classificado pela UNESCO. Trata-se da “Exposição do Centenário do Restauro das Grutas de Dunhuang”, mais concretamente as Grutas de Mogao. A mostra conta com apoio do Instituto Cultural (IC) e a organização da Associação dos Estudos do Património de Macau e Associação de Amigos da Cultura de Dunhuang de Macau. A inauguração acontece a partir das 18h30. Segundo uma nota divulgada nas redes sociais pela Associação dos Estudos do Património de Macau, esta mostra pretende apresentar ao público “o trabalho de protecção das grutas de Dunhuang ao longo dos últimos cem anos, um dos únicos dois sítios, a nível mundial, que cumpre todos os seis critérios do Património Cultural Mundial [por parte da UNESCO], sendo também o maior e mais bem preservado santuário de arte budista em grutas existente no mundo”. Segundo a mesma nota, “desde a sua descoberta que as Grutas de Mogao têm recebido grande atenção do público, sendo que, ao longo de mais de um século, têm sido feitos diversos esforços para a protecção deste precioso património”. Actualmente, segundo a associação, “a conservação das Grutas de Mogao tornou-se um modelo exemplar de protecção de património cultural, servindo de referência para a aprendizagem e salvaguarda conjunta do nosso património cultural”. Grande tesouro Segundo o portal da UNESCO, as Grutas de Mogao situam-se “num ponto estratégico ao longo da Rota da Seda, no cruzamento de influências comerciais, religiosas, culturais e intelectuais”, contendo 492 celas e santuários, bem como esculturas e pinturas murais, “que abrangem mil anos de arte budista”. “Esculpidas nas falésias acima do rio Dachuan, a sudeste do oásis de Dunhuang, na província de Gansu, as Grutas de Mogao constituem o maior, mais ricamente dotado e mais longamente utilizado tesouro de arte budista do mundo. A sua construção teve início em 366 d.c., representando uma realização extraordinária da arte budista entre os séculos IV e XIV. Actualmente, estão preservadas 492 grutas, que albergam cerca de 45.000 metros quadrados de murais e mais de 2.000 esculturas pintadas”, descreve ainda a UNESCO. Trata-se de um conjunto de património que testemunha “a evolução da arte budista no noroeste da China”, possuindo “um valor histórico incomparável”. Para a UNESCO, as Grutas de Mogao “fornecem abundante material visual sobre diversos aspectos da política, economia, cultura, artes, religião, relações étnicas e vestuário quotidiano da China medieval ocidental”. As Grutas de Mogao foram descobertas em 1900, e incluem uma zona de biblioteca e “dezenas de milhares de manuscritos e relíquias”, sendo descritas como “a maior descoberta mundial da cultura oriental antiga”. Um dos seis critérios referidos pela Associação dos Estudos do Património de Macau prende-se com o facto de “o conjunto de Grutas de Mogao representar uma realização artística única, tanto pela organização do espaço em 492 grutas distribuídas por cinco níveis, como pela criação de mais de 2.000 esculturas pintadas e cerca de 45.000 metros quadrados de murais, entre os quais se encontram numerosas obras-primas da arte chinesa”, aponta a UNESCO. Outro critério, diz respeito a uma questão histórica, nomeadamente o facto de “durante mil anos, desde o período da dinastia Wei do Norte (386–534) até à dinastia Yuan de domínio mongol (1276–1386), as Grutas de Mogao terem desempenhado um papel decisivo nas trocas artísticas entre a China, a Ásia Central e a Índia”. Além disso, existe um terceiro critério, relacionado com as pinturas das grutas, que “constituem um testemunho excepcional das civilizações da China antiga durante as dinastias Sui, Tang e Song”. Já um quarto critério, está ligado às “Grutas dos Mil Budas”, que constituem “um exemplo notável de santuário de arte rupestre budista”. O quinto critério diz respeito à ocupação das grutas por parte de monges budistas “desde o final do século XIX até 1930”, sendo que o “conjunto de arte rupestre de Mogao, administrado pelo Instituto de Investigação de Relíquias Culturais de Dunhuang, preserva o exemplo de um assentamento monástico tradicional”. O sexto e último critério da UNESCO para esta classificação, passa pela questão de as grutas estarem “fortemente associadas à história das relações transcontinentais e à disseminação do budismo por toda a Ásia”. “Durante séculos, o oásis de Dunhuang, próximo da bifurcação dos dois ramos da Rota da Seda, beneficiou do estatuto de estação de passagem onde se trocavam não apenas mercadorias, mas também ideias, como demonstram os manuscritos chineses, tibetanos, sogdianos, de Khotan, uigures e até hebraicos encontrados nas grutas”, é descrito.
Líder do Japão pondera dissolver parlamento e convocar eleições, revela imprensa Hoje Macau - 12 Jan 2026 A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, está a considerar dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas, já em Janeiro, avançou a imprensa japonesa. De acordo com a agência de notícias nipónica Kyodo, que cita fontes próximas das discussões, a dissolução poderá ocorrer no início da sessão ordinária da Dieta (o parlamento japonês), que começa a 23 de Janeiro. Caso o parlamento seja dissolvido, a campanha para as eleições gerais poderá começar já a 27 de Janeiro ou 03 de Fevereiro, ficando a votação marcada para 08 ou 15 de Fevereiro, dependendo de quando a campanha começar. De acordo com o jornal japonês Yomiuri Shimbun, que cita as mesmas datas, Takaichi pondera dissolver a Dieta devido às elevadas taxas de aprovação de que o Governo tem gozado desde que assumiu o poder, em Outubro, após a demissão do seu antecessor, Shigeru Ishiba, como chefe do Governo e líder do partido no poder no Japão. Devido a uma série de resultados eleitorais desfavoráveis, o Partido Liberal Democrático de Takaichi e os parceiros de coligação detêm uma pequena maioria de um lugar na Câmara dos Representantes (a mais importante das duas câmaras da Dieta) e estão em minoria na Câmara dos Conselheiros. Até à data, Takaichi tem rejeitado consistentemente a possibilidade de convocar eleições antecipadas, sublinhando, em vez disso, a importância de aprovar medidas para lidar com o impacto para as famílias da inflação persistente e dos salários estagnados. Tensão regional O Governo da primeira-ministra tem elevadas taxas de aprovação apesar do agravamento das tensões entre Tóquio e Pequim. Na quarta-feira, a China anunciou um veto à exportação de produtos de uso dual para o Japão, medida que pode incluir certos elementos de terras raras, essenciais para a fabricação de componentes para alta tecnologia. Isto após, em Novembro, a primeira-ministra ter admitido, no parlamento japonês, uma eventual resposta militar do Japão a um ataque chinês contra Taiwan. Sanae Takaichi afirmou que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”.
Taiwan | Etiópia e reafirma apoio ao princípio de ‘Uma Só China’ Hoje Macau - 12 Jan 2026 O Governo da Etiópia rejeitou sexta-feira “toda a forma de independência de Taiwan” e reafirmou o seu apoio ao princípio de “uma só China”, considerando a ilha uma província do território chinês. A posição foi expressa num comunicado conjunto após um encontro em Adis Abeba entre o ministro dos Negócios Estrangeiros da Etiópia, Gedion Timothewos, e o homólogo chinês, Wang Yi, que se encontra de visita ao continente africano. “A Etiópia reafirma o seu firme compromisso com o princípio de ‘uma só China’ e declara que só existe uma China no mundo, que Taiwan é parte inalienável do território chinês e que o Governo da República Popular da China é o único Governo legal que representa toda a China”, lê-se na nota oficial. Ambas as partes sublinharam ainda que “todos os países devem respeitar os princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas e no direito internacional, respeitar a soberania e a integridade territorial dos Estados e opor-se à utilização ou ameaça do uso da força nas relações internacionais”.
BRICS+ | Navios da China, Rússia, Irão e África do Sul em exercício militar Hoje Macau - 12 Jan 2026 Desde sexta-feira, que a frota naval com navios de países dos BRICS participa na operação “Vontade de Paz 2026” em território sul-africano Navios da China, Rússia e Irão juntaram-se à anfitriã África do Sul onde iniciaram sexta-feira um exercício militar, em que participam ainda outros países do grupo BRICS+, elevando as tensões geopolíticas com os Estados Unidos. Segundo o exército sul-africano, esta operação, baptizada de “Vontade de Paz 2026” e conduzida pela China, visa “garantir a segurança do transporte marítimo” e “aprofundar a cooperação” entre os membros do bloco, estando previsto que os exercícios decorram até 16 de Janeiro. A frota naval, que conta com navios chineses, russos e iranianos, inclui o contratorpedeiro chinês Tangshan, de 161 metros de comprimento, e com a previsão de envio de navios pelos Emirados Árabes Unidos (EAU), enquanto países como o Brasil, Indonésia e Etiópia participam na qualidade de observadores. Um porta-voz das forças armadas sul-africanas afirmou que não era possível confirmar todos os países participantes, como a Índia, Egipto e Arábia Saudita, nos exercícios. O Ministério da Defesa da África do Sul salientou que este exercício naval “não tem nada a ver com a Venezuela”, descartando qualquer ligação com as apreensões de navios ao largo do país da América Latina, que Washington começou em Dezembro, antes de destituir o chefe de Estado venezuelano, Nicolas Maduro. “Este exercício estava em preparação desde 2025 e foi adiado devido à cimeira do G20 que se realizou no mesmo período” em Joanesburgo, África do Sul, acrescentou. Uma tentativa de apaziguamento sem efeito sobre os Estados Unidos, que boicotaram esta primeira cimeira do grupo dos 20 países mais desenvolvidos realizada em África. Donald não gosta O bloco de países emergentes que são os Brics+ foi acusado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, de conduzir políticas “antiamericanas”. Em Fevereiro, Trump, afirmou, num decreto, que a África do Sul apoia “maus actores no cenário mundial” e destacou as suas relações com o Irão como uma das razões para os EUA cortarem o financiamento ao país. De acordo com o investigador do Instituto de Estudos de Segurança de Pretória Priyal Singh, “Washington tem Pretória na mira desde o início da actual administração Trump” e “a imagem veiculada pelos próximos exercícios navais provavelmente será usada pelos decisores políticos em Washington como um exemplo perfeito para mostrar por que as relações bilaterais com a África do Sul devem ser revistas”. A África do Sul há muito afirma seguir uma política externa não alinhada e permanecer neutra, mas a presença russa no extremo sul do continente africano já prejudicou as suas relações com os EUA anteriormente. Estes exercícios navais devem acrescentar ainda mais tensão as relações entre os EUA e a África do Sul, que é a economia mais avançada da África e uma voz de liderança no continente. A complexidade do evento é ainda reforçada pela participação da marinha iraniana num período de crescente instabilidade interna e protestos contra a liderança da República Islâmica no país. Os membros do grupo BRICS são o Brasil, China, Rússia, Índia e a África do Sul, membros de longa data, enquanto o Irão, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos aderiram ao grupo em 2024.
Diplomacia | Adiada visita oficial à Somália Hoje Macau - 12 Jan 2026 O ministro dos Negócios Estrangeiros da China adiou a visita à Somália prevista para sexta-feira, no âmbito da sua digressão por África, anunciou a presidência somali. “Lamentamos que a visita prevista do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês tenha sido adiada à última hora. Pedimos desculpa”, declararam à agência espanhola EFE fontes da presidência somali, sem darem uma justificação para o adiamento, nem indicarem uma nova data para a visita oficial. A deslocação de Wang Yi seria a primeira de um chefe da diplomacia chinesa a este país do Corno de África desde a década de 1980. O cancelamento ocorreu numa altura em que a capital somali, Mogadíscio, se encontrava praticamente paralisada devido a um forte dispositivo de segurança em toda a cidade, montado para receber o responsável da diplomacia chinesa. O adiamento surge num momento em que o Governo somali procura apoio internacional, depois de Israel ter reconhecido, em Dezembro, a região secessionista somali da Somalilândia como Estado independente, tornando-se o primeiro país a dar esse passo. Essa decisão provocou uma ampla rejeição internacional, sobretudo em África, no mundo islâmico, na China e na União Europeia. A Somália vive numa situação de conflito e caos desde a queda de Mohamed Siad Barre, em 1991, o que deixou o país sem um Governo efectivo e nas mãos de milícias islamistas, como o Al-Shebab, e de senhores da guerra.
Filosofias religiosas comparadas Ana Cristina Alves - 12 Jan 2026 Ana Cristina Alves – Investigadora Auxiliar e Coordenadora do Serviço Educativo do Centro Científico e Cultural de Macau Simone Weil nasceu em Paris a 3 de fevereiro de 1909 e faleceu a 24 de agosto de 1943, viveu pouco e intensamente num tempo conturbado, atravessado por duas grandes guerras mundiais, a primeira entre 1914 e 1918, e a segunda, entre 1939 e 1945, particularmente marcante na sua vida. Foi uma destacada filósofa francesa, de origem judia, professora, política e ativista. Depois voltou-se para o pensamento místico tendo-nos deixado reflexões profundas sobre a sua relação com Deus. Morreu aos 34 anos de falha cardíaca a quase jejuar, restringindo a alimentação ao mínimo, diz-se, numa leitura possível, por uma França ocupada num gesto de solidariedade para com os compatriotas que viviam mal e sob a tutela dos Nazi, enquanto se encontrava a trabalhar para o governo francês no exílio da Grã-Bretanha. Aprendeu grego antigo para falar em código com o seu irmão mais velho, o matemático André Weil, para que os pais não os pudessem entender. Mais tarde iniciou-se no sânscrito, a fim de poder ler Bhagavad Gita no original e, na altura dos seus furores revolucionários, era também pacifista e sindicalista, concentrando a atividade em aulas de literatura às classes trabalhadoras, por considerar que a literatura francesa era o caminho certo para a educação do espírito dos trabalhadores e revolução de acordo com a tradição cultural eles. Mais tarde visitou o pensamento anárquico, mantendo a sua vocação pacifista até que foi confrontada com o regime Nazi e com a ocupação de França. Reagiu, juntando-se à Resistência Francesa, mas havia de sentir um forte chamamento espiritual, pelo que a par do ativismo político, desenvolveu um profundo misticismo, apesar de ter crescido num ambiente agnóstico. O chamamento relativo à fé cristã começou em 1935, em Portugal, tendo sido tocada pela beleza das nossas igrejas, enquanto esteve de férias na Póvoa do Varzim. Mais tarde, em 1937 havia de sentir um êxtase religioso em Assis na pequena capela românica de Santa Maria degli Angeli, onde São Francisco costumava rezar. Porém, é preciso ter em mente que ela se interessou por várias tradições religiosas que incluíam os mistérios gregos e egípcios, o Hinduísmo, o Budismo Mahayana, entre as experiências religiosas que culminaram na sua relação não com o Catolicismo, mas com a Cristandade, sem nunca advogar qualquer tipo de sincretismo religioso. Passe-se à apresentação do segundo pensador deste artigo, Byung-Chul Han, um dos pensadores sul-coreanos mais conhecidos do Ocidente, nascido em Seul em 1959. Estudou Metalurgia, radicou-se posteriormente na Alemanha, onde cursou Filosofia na Universidade de Friburgo e Literatura Alemã e Teologia na Universidade de Munique, ensinando atualmente Filosofia na Universidade de Artes de Berlim. O filósofo traz-nos Conversas sobre Deus – Um Diálogo com Simone Weil, numa publicação de 2025, muito bem traduzida por Ana Falcão Bastos em Relógio D´Água Editores. A sua conversa com a filósofa Simone Weil desenvolve-se em torno de uma reflexão sobre Deus, conjugando as suas leituras e interpretação do pensamento dela, com ele fortemente herdeiro da tradição imanentista oriental, pelo que no último capítulo, intitulado Inatividade afirma com fervor: “Simone Weil imagina uma espécie de pampsiquismo. Tudo é vivo e animado. Sem a espiritualidade do universo não é possível qualquer relação entre ele e o espírito humano” (Han, 2025, 81). De acordo com a sua perspetiva, que acredita sempre partilhar com Simone Weil, para poder conversar com Deus é necessária uma postura ética adequada, analisada nos sete capítulos em que divide a obra. É então necessário cultivar e aceitar a Atenção, a Descriação, o Vazio, o Silêncio, a Beleza, a Dor e a Inatividade. Eis os ingredientes interiores e exteriores certos para manter uma relação próxima de Deus, que não está morto, como apregoava Nietzsche, mas antes bem presente a uma humanidade que não parece ser capaz de o escutar ou contemplar. “Não é Deus que está morto, mas sim o homem a quem Deus se revelou” (Han, 2025, 11) , pelo que há que cultivar a atenção do espírito, voltá-lo para Deus e isso faz-se antes de mais com os ensinamentos de Simone Weil: ela que terá morrido de coração, num corpo exausto, tuberculoso e exangue, ou por solidariedade, ou por crença de que quanto menos comesse, mais e melhor alcançaria a união com Deus. Note-se a seguinte reflexão: “Duas aves, companheiras inseparáveis, poisam na mesma árvore. Uma come os frutos da árvore, a outra observa sem comer.” (Weil apud Han, 2025, 11). O mundo, de acordo com ambos os pensadores, abarrota de informações, programas, e atitudes erradas, por exemplo, o binge watching, que significa “devorar programas de televisão”, além de todo o tipo de distrações, entretenimentos e alimentos. Assim, advoga-se à maneira budista ou taoista, que é preciso ser frugal, em sentido literal e metafórico, jejuar para que a alma desencadeie um processo de “autofagia” conducente a Deus, porque “Só esta autofagia da alma salva e conduz até Deus.” (Han, 2025, 12). Deste modo, o organismo comerá a sua própria carne, transformando-a em energia. Esta filosofia prática levada às últimas consequências implica a morte, tal como terá sucedido a Simone Weil, quando já muito enfraquecida, vê o coração a dar de si. Há, no entanto, um meio-termo, que será necessário ter em conta para desenvolver a atenção do espírito, já que este mergulhado em carne se torna incapaz de se concentrar. Se o jejum absoluto é perigoso, como descobriu Buda Histórico sentado debaixo da Ficus Religiosa, o jejum relativo, ou melhor a simplicidade alimentar pode estimular “a atenção contemplativa” essencial para ver Deus. Esta visão requer uma atenção profunda, que tanto pode ser empregue na resolução de um problema científico ou artístico, como na visão Deus, porque “Deus é atenção sem distração” (Han, 2025, 14). A atenção será assim exercitada em concentração total, semelhante à que se emprega numa oração, em ligação ao sagrado, que é ao mesmo tempo o bem supremo, recordando as duas forças de amor e do ódio do filósofo pré-socrático Empédocles. Estas operam no cosmos, tornando-o organizado, ligado, atento e amoroso, ou desligado, distraído e odioso. “O bem une e reconcilia, enquanto o mal separa e divide. O mal é multifacetado. O bem, pelo contrário, baseia-se numa única verdade.” (Han, 2025, 17). É então natural que se promova no quadro de ambos os pensadores, uma “ética da atenção” ou uma ética da misericórdia/compaixão (Han, 2025,74), pois só por meio dela se consegue a ligação com o os outros e, sobretudo, com o Outro, numa conexão empática, espontânea e profunda. É muito interessante o modo como Byung-Chul Han define a virtude cristã: “A virtude cristã não é uma procura, não é uma ação, mas sim um esperar e observar (…) o papel da futura esposa é esperar” (Han, 2025, 18). Creio que, embora seja uma leitura autorizada desta virtude, a ênfase dada à atenção contemplativa e à espera encontra a sua razão de ser no interior de muitas das filosofias asiáticas, que privilegiam a não-ação e mesmo inatividade, como sucede no sétimo capítulo da obra, sendo descrita em termos do modo correto de contacto com o sagrado, numa postura obediente, humilde e silenciosa. Diz-nos o autor, excluindo a vontade, tanto quanto é possível: “É a inatividade que dá asas à alma” (Han, 2025, 19) Talvez por isso, a primeira definição etimológica de religião oferecida no texto remeta para a atenção e o termo religo para “relegere (reler)” (Han, 2025, 20). Há que, antes de mais, saber ler os sinais e orar ou, numa nomenclatura mais oriental, meditar. E continuando nesta linha que cruza oriente e ocidente, para cultivar devidamente a atenção é necessário “esvaziar” a alma para a preparar à ligação ao sagrado, que permitirá introduzir, já no último capítulo, a segunda definição etimológica mais comum no Ocidente, “A religião enquanto religare, significa ligar, prender ou unir” (Han, 2025,84) num “voltar a ligar” o que se desligou, o sagrado e o profano ao jeito das filosofias taoista e budista. Nesta lógica do pensamento do filósofo sul-coreano, que conversa com a filósofa francesa, o vazio é fundamental, não para dar ânimo à vida, como refere o capítulo quarto do Livro da Via e da Virtude (《道德经》), e recorde-se: “o Tao é um vaso vazio/usa-se e jamais fica cheio. /Fonte insondável das dez mil coisas” (道冲而用之或不盈/渊兮似万物之宗)(Abreu, 2013,34-5), mas, mais à maneira budista ou platónica, para favorecer a morte. Cultivar o vazio é aprender a ser nada, a descriar-se ou perder o eu, a renunciar: “O vazio significa, em última análise, aprender a morrer, entregar-se à morte: «Rezar é como uma morte»” (Han, 2025,51). A esta leitura muito devedora da tradição oriental, contrapõe-se a de uma virtude cristã ocidental ativa, que encontra Deus não na atenção contemplativa, ainda que também aí se possa estar presente, mas na vida ativa, na relação com os outros no exercício de uma compaixão ou amor permanente para que o reino de Deus desça o mais possível à terra. A definição de amor avançada por Han, através de Weil, é a de um “olhar da alma”, ou seja, “o amor baseia-se no olhar enquanto atenção da alma.” (Han, 2025, 22). O cultivo da contemplação, da espera, do silêncio e do vazio pode conduzir à presença de Deus, sendo uma leitura possível do Sermão da Montanha, no qual Jesus ensina que os lírios do campo e as aves do Céu não precisam de trabalhar nem fiar, Deus oferece a vida por dom e graça divina. Porém, se o ser nada, se a obediência, o silêncio e a renúncia podem conduzir a uma teodinâmica do amor, há que ter o cuidado e a atenção de que esta seja dirigida e concentrada na relação com Deus, porque na sociedade humana domina uma avassaladora termodinâmica do poder e de acordo com a tradição ocidental nós não podemos correr o risco de cair na armadilha do poder, porque, como o autor bem vê, embora não retire as últimas consequências do que escreve: “Quem tem poder tem a sensação de que cresce espacialmente. Expande-se ou estende-se. O aumento de poder manifesta-se com um aumento do eu” (Han, 2025, 42). O ser “re-ligado” terá de distinguir com todo o cuidado entre o sagrado e o profano, assegurando-se de que a sua conexão é verdadeira, ou caso contrário transforma-se num nada silencioso e renunciante perante o seu semelhante, o que é absolutamente intolerável para todos os filhos de um mesmo Pai, bem como para os herdeiros da tradição filosófica ocidental. Obviamente, não é advogar uma relação de poder termodinâmica, quer dizer repleta de energia e sempre em expansão, que o autor tem em mente. Pelo que do ponto de vista concreto e humano, aconselha relações de trabalho à margem da conexão senhor/escravo, tão denunciada por Nietzsche no seu ataque à religião cristã. Na esfera mundana, Han propõe que se escape quer das relações laborais criadas pelas sociedades capitalistas industriais, nas quais “o ser humano é treinado para se tornar gado de trabalho mecânico” (Han, 2025,78), quer pelas sociedades neoliberais de desempenho em que as pessoas acreditam ser autênticas e criativas, mas na realidade embarcam num frenesim produtivo em que se tornam “escravas de si mesmas” (Ibidem). Então qual parece ser a melhor solução para os seres humanos que estão num mundo em que o trabalho é fundamental? Confesso que a resposta do autor me surpreendeu e cativou. A solução é tornar o trabalho num processo teodinâmico amoroso, ou seja, não o realizar sem sentido, mas dedicar as suas ações a Deus, o que para um cristão significa, trabalhar por amor ao próximo, executando um ato simbólico, no sentido etimológico do termo, como união e mais um modo de penetrar na esfera sagrada. Poetize-se, pois, o labor, tornando-o criativo, à maneira de Simone Weil ou de Byung-Chul Han: “Trata-se, portanto, de conferir ao trabalho um caráter contemplativo e espiritual. Elevando-o «ao ponto mais alto, o da plenitude da atenção, que é a plenitude da oração.” (Han, 2025, 85) Referências Bibliográficas Abreu, António Graça de (trad.). 2013. Laozi. Tao Te Ching 道德经 O Livro da Via e da Virtude. Edição Bilingue. Lisboa: Vega. Biblia Sagrada. 1988. Difusora Bíblica. Lourenço, Frederico (trad.). 2016. Biblia. Vol. 1. Lisboa: Quetzal. Han, Byung-Chul. 2025. Conversas sobre Deus – Um Diálogo com Simone Weil. Tradução de Ana Falcão Bastos. Lisboa: Relógio D´Água. Este espaço conta com a colaboração do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, sendo as opiniões expressas no artigo da inteira responsabilidade dos autores.
Saúde | Recebidos 480 pedidos de apoio para procriação assistida Hoje Macau - 12 Jan 2026 Desde que o Governo lançou o Programa de Comparticipação no Tratamento de Procriação Medicamente Assistida, em Dezembro de 2024, até Novembro do ano passado, os Serviços de Saúde (SS) receberam 480 pedidos de residentes, indicou o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, em resposta a uma interpelação escrita assinada por Leong Sun Iok. No mesmo período temporal, Alvis Lo revelou que 352 casais foram encaminhados para a consulta externa de infertilidade do Centro Médico Macau Union, dos quais “cerca de 130 casos estão em condições de receber os serviços de técnica de fertilização in vitro ou técnica de injecção intracitoplasmática de espermatozoides”. Sobre o acesso a este tipo de cuidados de saúde, o director dos SS indicou que, a partir de Outubro de 2025, estes serviços encontram-se disponíveis, de forma gradual, com o objectivo de que todos os casos elegíveis possam ser atendidos dentro do primeiro semestre” de 2026. Alvis Lo acrescentou que “o Centro Médico de Macau Union alocou 16 trabalhadores, incluindo médicos, técnicos de análises laboratoriais e profissionais de enfermagem, entre outros, para apoiar os serviços de procriação assistida”. Actualmente, os subsídios abrangem despesas de recolha de ovócitos e de transferência de embriões em dois ciclos (cada ciclo inclui uma cirurgia de recolha de ovócitos e uma transferência embrionária). Porém, o director dos SS sublinhou que o programa “ainda se encontra numa fase inicial de implementação”, mas que no futuro poderá ser revisto após uma avaliação à sua eficácia.
UM | Primeira faculdade de medicina pública vai ter 4.000 estudantes Hoje Macau - 12 Jan 2026 A Faculdade de Medicina faz parte do novo campus da Universidade de Macau, em construção desde 12 de Dezembro, na Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau A Universidade de Macau (UM) anunciou que a primeira faculdade de medicina, criada em colaboração com a Universidade de Lisboa (ULisboa), vai ter 4.000 estudantes. Num comunicado, a UM disse que a futura Faculdade de Medicina vai ser criada através da expansão da actual Faculdade de Ciências da Saúde, com o objectivo de “tornar-se uma escola de medicina de classe mundial”. A nova faculdade vai incluir departamentos de Ciências Farmacêuticas e Nutrição, Medicina Dentária e Medicina Clínica, este com um programa conjunto desenvolvido com a ULisboa, disse a UM na sexta-feira. “Com base na experiência da Faculdade de Medicina em programas conjuntos internacionais, a UM irá expandir os programas de colaboração com universidades de renome mundial nas áreas da ciência da informação, engenharia e design”, acrescentou a nota. A universidade está empenhada em atrair estudantes internacionais, recrutar talentos de alto nível para o ensino e a investigação, construir plataformas internacionais para o intercâmbio científico e tecnológico, acolher grandes conferências internacionais e apoiar o desenvolvimento de revistas académicas. A Faculdade de Medicina faz parte do novo campus da UM, cuja construção arrancou em 12 de Dezembro, na Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau, na vizinha ilha da Montanha. Construção de três anos O novo campus ocupará 376 mil metros quadrados na zona económica especial e a construção deverá demorar três anos, com a inauguração parcial prevista para 2028 e a conclusão das obras em 2029. Quatro novas faculdades irão nascer em Hengqin, incluindo as de Ciências de Informação, Design e Engenharia, assim como a primeira faculdade de medicina pública de Macau. A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, uma instituição privada, tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, oficialmente rebaptizada como Faculdade de Medicina em 2019. Em Junho, o director da Faculdade de Medicina da ULisboa disse à Lusa que os médicos formados na futura Faculdade de Medicina da UM poderão também exercer em Portugal. A ULisboa está a colaborar com a UM para criar um currículo com uma estrutura “próxima daquela que é a estrutura” dos cursos na instituição portuguesa, disse Luís Graça. Em Dezembro, o vice-reitor da UM, Rui Martins, disse que o novo campus apostará em “‘dual degrees’ [cursos em co-tutela] com universidades estrangeiras. A medicina já está com Lisboa e agora estamos a definir para as outras faculdades”. O novo campus em Hengqin deverá permitir à UM passar dos actuais 15 mil alunos para um máximo de 25 mil alunos, sublinhou o vice-reitor para Assuntos Globais, numa entrevista ao canal em língua portuguesa da televisão pública local TDM.
Turismo | Preços subiram 1,7 por cento no ano passado Hoje Macau - 12 Jan 2026 Em 2025, o Índice de Preços Turísticos (IPT) médio subiu 1,71 por cento, face ao ano de 2024, devido principalmente ao aumento de preços da joalharia e do divertimento e lazer. Os dados divulgados pelos Serviços de Estatística e Censos mostram uma redução no preço dos quartos de hotéis. No ano passado, a análise dos “bens diversos”, como joalharia, relógios e artesanato, mostram um aumento dos preços de 13,46 por cento. Em relação a “divertimento e actividades culturais” o aumento anual foi de 8,2 por cento. Todavia, o índice de preços do alojamento apresentou uma redução de 2,88 por cento, assim como o índice de preços de medicamentos e bens de uso pessoal com uma diminuição de 1,93 por cento. No quarto trimestre de 2025, o IPT cresceu 4,95 por cento, em termos anuais, impulsionado pela subida de preços da joalharia (17,33 por cento), dos quartos de hotel (7,33 por cento) e dos bilhetes de avião (6,05 por cento).
Windsor Arch | Tribunal recusa confisco de 264 apartamentos João Santos Filipe - 12 Jan 2026 As fracções habitacionais foram construídas à margem do projecto e correspondem a quase 30 por cento da área construída. Em vez de aceitar o confisco, o TJB responsabilizou William Kuan Wai Lam, Ng Kei Nin e Ng Lap Seng pelo pagamento do valor dos apartamentos à RAEM O Tribunal Judicial de Base (TJB) recusou o confisco de 264 dos 265 apartamentos no complexo habitacional Windsor Arch que estavam em vias de ser declarados propriedade da RAEM. A informação foi adiantada pelo Canal Macau na sexta-feira. De acordo com a informação difundida, o TJB recusou o confisco das 264 fracções, entretanto vendidas, por entender que a opção mais justa passa pelo pagamento do valor dos apartamentos à RAEM por parte de alguns dos condenados no âmbito do caso das Obras Públicas. O tribunal identificou os condenados William Kuan Wai Lam, Ng Kei Nin e Ng Lap Seng como responsáveis pelos pagamentos, cujo valor só vai ser definido mais tarde, durante o processo de execução. Os apartamentos estão no centro da polémica por terem sido construídos “fora da área do projecto”, apesar de representarem praticamente 30 por cento de todo o projecto habitacional. No entanto, quando o jornal Ou Mun relatou em primeira mão a intenção de se avançar com o confisco dos apartamentos também indicou que os proprietários afectados, que afirmavam desconhecer as ilegalidades, tinham recorrido a aconselhamento jurídico para evitar a perda dos apartamentos. Actualmente Ng Lap Seng e Ng Kei Lin, filho do primeiro empresário, estão em liberdade, depois de terem cumprido, no âmbito do caso Obras Públicas, penas de prisão de quatro anos e meio e dois anos, respectivamente. Wiliam Kuan ainda está no estabelecimento Prisional de Coloane, a cumprir uma pena de cinco anos e seis meses, mas deverá ser libertado ao longo deste ano. Caso Obras Públicas O projecto Windsor Arch esteve sob escrutínio judicial no âmbito do caso que resultou na condenação a penas de prisão de Jaime Carion e Li Canfeng, ex-directores das Obras Públicas. De acordo com a acusação do Ministério Público, os governantes terão recebidos vantagens patrimoniais, através das famílias, para aprovar as licenças de construção de diferentes projectos, entre os quais o Windsor Arch, promovido por William Kuan e Ng Lap Seng. Jaime Carion terá facilitado a aprovação do projecto, cujas características, dimensões e altura diferiam do estipulado no contrato de concessão e nos planos urbanísticos para a área. Neste caso, o MP alegou que Carion agiu de forma concertada com o seu, à altura, número dois na DSSOPT, Li Canfeng, pressionando técnicos dos serviços que dirigiam para dar luz verde a várias propostas de alterações ao projecto original. Carion foi julgado à revelia e condenado a 16 anos de prisão efectiva, por seis crimes de branqueamento de capitais e cinco crimes de corrupção passiva para acto ilícito. Li Canfeng foi condenado a uma pena de 17 anos de prisão por cinco crimes de corrupção passiva para acto ilícito, quatro de branqueamento de capitais, um de falsificação de documentos, um de abuso de poder e quatro de inexactidão dos elementos.
FAOM | Elogia subsídios de casinos, mas pede mais medidas Hoje Macau - 12 Jan 2026 A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) elogiou a opção das concessionárias atribuírem bónus aos trabalhadores, mas pediu mais medidas, principalmente ao nível da redução das longas cargas de trabalho. A posição foi tomada por Choi Kam Fu, vice-presidente da FAOM. De acordo com declarações citadas pelo jornal Ou Mun, Choi Kam Fu considerou que os bónus das concessionárias do jogo reflectem uma política de “partilha dos frutos do desenvolvimento” da sociedade, que contribui para que os trabalhadores se sintam valorizados e felizes. No entanto, o dirigente associativo alertou que muitos dos trabalhadores das concessionárias enfrentam longos períodos de trabalho que estão a ter um impacto significativo a nível físico e mental dos trabalhadores. Face à pressão acrescida pela recuperação do jogo, Choi Kam Fu apelou às concessionárias para melhorarem os salários e outros benefícios dos trabalhadores, investirem mais tempo em formação e aumentarem o número de vagas de trabalho, para corresponderem às necessidades efectivas, em vez de forçarem os trabalhadores actuais a realizar turnos com durações excessivas.
Estudo | Empresas planeiam menos e menores aumentos Hoje Macau - 12 Jan 2026 Cerca de 76,76 por cento das empresas tem a intenção de aumentar os ordenados dos trabalhadores ao longo deste ano, de acordo com um estudo elaborado pela MSS Recruitment e Hello Jobs. O inquérito foi realizado junto de 99 empresas locais e mostra que em comparação com os resultados do ano passado há menos empresas disponíveis para aumentar os trabalhadores. Os resultados do inquérito de 2025 mostravam que 83,87 por cento das companhias inquiridas tinham planos para aumentar os funcionários. No espaço de um ano também há mais empresas que afastam de todo qualquer aumento salarial. Os resultados mais recentes mostram que 23,23 por cento das empresas inquiridas não têm intenção de aplicar aumentos. Em 2025, apenas 16,13 por cento das empresas não planeavam aumentos. Não só há menos empresas a planear subir ordenados, como também os aumentos vão encolher ao longo deste ano. Segundo as conclusões da MSS Recruitment e Hello Jobs, os aumentos ao longo de 2026 deverão acontecer a uma média de 2,23 por cento do ordenado. No ano passado, as empresas apontavam para aumentos médios de 2,72 por cento. O inquérito questionou também as empresas sobre o valor do bónus e concluiu que vai manter-se no valor equivalente a um salário mensal, o que não mostra alterações face ao ano anterior.
Metro | Estação na Taipa vai ter nova cobertura João Santos Filipe - 12 Jan 202613 Jan 2026 O Governo e a Sociedade do Metro Ligeiro de Macau justificaram a intervenção na Estação Lótus com a necessidade de substituir a cobertura que terá sido danificada devido à passagem de um tufão A Estação Lótus do Metro Ligeiro vai ser alvo de obras de renovação para substituir a cobertura, a partir de hoje. O anúncio foi feito na sexta-feira, através de um comunicado conjunto da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e Sociedade do Metro Ligeiro de Macau (MLM). Em actividade desde Dezembro de 2019, as obras foram justificadas com os danos sofridos pela cobertura: “A Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, S.A. (MLM) iniciará, a 12 de Janeiro, após as coordenações necessárias, os trabalhos de substituição do sistema de cobertura da Estação Lótus da Linha da Taipa, que foi danificado anteriormente devido à passagem de um tufão”, foi comunicado. “A obra incluirá a substituição integral do sistema de cobertura da estação e do tecto falso da plataforma, entre outros trabalhos, com um prazo de 120 dias úteis, no sentido de melhorar o ambiente de espera”, foi acrescentado. Durante as obras “partes da plataforma serão encerradas por fases, e o metro circulará na Linha da Taipa com composições de duas carruagens”. Contudo, a MLM promete que “durante os períodos de maior afluência, a frequência [da circulação] será reforçada para assegurar as necessidades de deslocação dos passageiros”. O custo da intervenção na estação que foi aberta há pouco mais de um ano não foi revelado. Circulação Rodoviária Os impactos da substituição da cobertura não se esgotam nos condicionamentos à circulação do Metro Ligeiro e vão igualmente afectar as estradas perto da estação. “No troço da Estrada Flor de Lótus, junto à Estação Lótus do Metro Ligeiro (em direcção à Ponte Flor de Lótus), o trânsito estará condicionado, e a passagem pedonal sob a estação será temporariamente encerrada até à conclusão dos trabalhos”, foi revelado. “A MLM instalará vedações, sinalização e acessos temporários no interior da estação, e destacará mais pessoal para prestar assistência e orientação aos passageiros”, foi explicado. “Adicionalmente, serão implementadas medidas de controlo do fluxo de pessoas, consoante a afluência”, foi indicado. O Governo e a MLM recomendam “aos passageiros que estejam atentos às informações disponíveis na estação” e “planeiem as deslocações com antecedência”. “A MLM agradece a compreensão dos cidadãos pelos inconvenientes causados durante a realização da obra”, foi acrescentado.
Imprensa | Cancelado registo do All About Macau Hoje Macau - 12 Jan 2026 O Governo anunciou o cancelamento do registo do jornal ‘online’ e publicação mensal impressa All About Macau, que em Outubro tinha anunciado o encerramento por “pressões crescentes”. O Gabinete de Comunicação Social (GCS) do Executivo disse que em 2025 revogou o registo de seis publicações, incluindo o All About Macau, “nos termos das disposições aplicáveis da Lei da Imprensa e do Regulamento do Registo de Imprensa”. Num comunicado divulgado na sexta-feira, o GCS não revelou as razões para o cancelamento dos registos das publicações. Uma carta enviada pelo GCS ao All About Macau em Outubro e citada pelo portal Macau News Agency aponta como razão para a revogação do registo a “ausência prolongada” do proprietário da empresa. A Lei de Imprensa, que data de 1990 diz que as publicações periódicas “têm obrigatoriamente, pelo menos, um responsável residente na Região Administrativa Especial de Macau, que exercerá as funções de director”. O All About Macau cessou as operações em Dezembro, devido às “pressões crescentes”, falta de recursos e por ter sido impedido de aceder a lugares abertos ao público.
Consumo | Novo Carnaval local arranca hoje João Luz - 12 Jan 2026 Começa hoje mais um Carnaval do Consumo, desta vez apenas centrado na zona norte da península. A iniciativa que se estende até 20 de Fevereiro tem moldes diferentes. Cada compra superior a 100 patacas dá direito a um sorteio semanal de cupões de desconto até 50 patacas. O único meio de pagamento electrónico aceite é a aplicação do Banco da China Arranca hoje mais um Carnaval do Consumo, numa edição dedicada à na zona norte da península e em moldes diferentes das últimas edições. Ao longo de seis semanas, até 20 de Fevereiro, quem fizer compras num valor superior a 100 patacas nas mais de 470 lojas aderentes ao programa habilita-se a um sorteio semanal para três cupões de desconto com valores de 10, 20, 30 e 50 patacas. Desta feita, a única plataforma electrónica de pagamento aceite é a aplicação do Banco da China, um dos parceiros na organização da iniciativa, a par da Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau. Outra das diferenças face a edições anteriores, é o alargamento do período em que os cupões podem ser usados, que passa a ser diário, em vez de apenas ao fim-de-semana. Os descontos podem ser usados num período de 14 dias após o sorteio, para compras num valor equivalente ao dobro do montante do cupão, ou seja, numa compra de 20 patacas pode ser usado um cupão 10 patacas. Na apresentação da medida, o presidente da Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau, Wong Kin Chong, estimou que os comerciantes aderentes possam ter um aumento do volume de negócios entre 20 e 30 por cento. “É a nossa expectativa, uma vez que o evento vai decorrer antes do Ano Novo Lunar. Para já, vamos atribuir cupões electrónicos no valor de um milhão de patacas. Isto vai gerar, pelo menos, dois milhões de patacas em transacções, mas esperamos que o montante possa atingir os 10 milhões de patacas”, acrescentou o responsável, segundo o Canal Macau da TDM. Tiros de sorte A iniciativa ainda está aberta à inscrição de mais estabelecimentos comerciais da zona norte da península. A organização vincou que mais uma vez a medida foi pensada para estimular o consumo na restauração e comércio a retalho em cerca metade das lojas e restaurantes da zona. Além dos cupões de desconto, Wong Kin Chong indicou que algumas lojas e restaurantes vão fazer as suas próprias promoções para encorajar a clientela. Como tem sido comum nas edições anteriores, os consumidores que participarem na iniciativa habilitam-se automaticamente a um sorteio que se realiza no final da campanha, que irá distribuir um automóvel, uma moto, telemóveis, electrodomésticos, entre outros prémios.
Livro | As mudanças na política colonial portuguesa nos finais do século XIX Andreia Sofia Silva - 12 Jan 202612 Jan 2026 Defendida em 2018, a tese de doutoramento de Célia Reis, docente e investigadora em História contemporânea, acaba de ser editada em livro pelo Centro Científico e Cultural de Macau com o apoio da Fundação Macau. “O Poder entre Lisboa e o Oriente – Persistências e Mudanças na Administração. Do Ultimato ao Ato Colonial” circula entre Macau, Índia e Timor e traz “um bom contributo para a história do poder colonial” Célia Reis, docente e investigadora na área da História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, acaba de editar em livro a sua tese de doutoramento centrada no poder colonial português a Oriente a partir do final do século XIX. “O Poder entre Lisboa e o Oriente – Persistências e Mudanças na Administração. Do Ultimato ao Acto Colonial” é uma edição do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), apoiada pela Fundação Macau (FM), e nasce da tese defendida em 2018. Ao HM, Célia Reis defendeu que este livro e respectiva investigação trazem “um bom contributo para a história do poder colonial”, focando-se “nas configurações administrativas nas colónias do Oriente, Índia, Macau e Timor, no período compreendido entre o Ultimato e o Acto Colonial”, publicado em 1930. Foram analisados “milhares de documentos”, nomeadamente “ofícios formais, cartas particulares, pareceres de repartições, rascunhos, pequenas notas” e que demonstram decisões e o funcionamento da Administração nos territórios da Índia portuguesa, Macau e Timor. Falamos, segundo a autora, de “uma época de muitas experimentações, em fases diferenciadas”, sendo que, para Célia Reis, se ultrapassou “uma lacuna que existia na historiografia portuguesa” no sentido de uma melhor compreensão do funcionamento do poder colonial português nestes anos, e especificamente nos territórios a Oriente. No caso de Macau, o livro e estudo contribuem “para uma história administrativa do período em causa”, nomeadamente “porque se decidiu, como se decidiu; que problemas foram colocados a nível administrativo; como se fez sentir o poder de Lisboa e como se resolveu, ou como se procurou influenciar o poder central; ou quem o representava”. O território é também colocado “a par de outros dois espaços, Índia e Timor, muito diferentes, possibilitando uma história comparativa, um realce do que era comum ou específico, o que, sem dúvida, é essencial para um conhecimento mais profundo”. Célia Reis diz estar “muito contente com a publicação”, por poder “partilhar o trabalho, as investigações e os seus resultados, com o público, contribuindo para que se conheça melhor a história e as realidades vividas”. Ajustes históricos Os anos a que se dedica esta investigação mostram muitas alterações a nível da política colonial, tendo em conta que “o movimento de colonização verificado a partir das últimas décadas do século XIX se reflectiu na forma de governar as colónias, suscitando discussões, estudos e adaptações às realidades”. Célia Reis explicou ainda que “o quadro existente, e que foi institucionalizado desde 1869, foi sendo alterado pela criação de novas repartições, pela introdução de novas formas de controlo financeiro ou pela mudança no estatuto e organização de algumas colónias, tornando a administração menos homogénea do que se fazia ver em muitos discursos”. Em causa, está, nomeadamente, um decreto datado de 1 de Dezembro de 1869, e que revelou ser a “verdadeira carta orgânica das Províncias Ultramarinas”, conforme se lê na conclusão da obra, sem esquecer o Código Administrativo de 1842, que “enformaram os organismos políticos ultramarinos durante décadas”. “Não obstante conduzirem a um modelo continuado, nos órgãos e nas suas funções, não impediram a progressiva organização de novas configurações ou a adaptação de estruturas diferenciadas”, lê-se ainda. A investigadora destaca a ocorrência de sucessivas tentativas de modernização em termos legislativos e administrativos, e até antes da implementação da I República. “Fizeram-se diversas propostas para modificações, com uma intenção mais modernizadora, e que tiveram maior ênfase a partir dos últimos anos da Monarquia, prosseguindo depois pela República para uma mudança mais estruturada, que acabou por ser realizada pelas leis publicadas em 1914 e 1920”. A partir de 5 de Outubro de 1910, quando cai a Monarquia e é instaurado regime republicano, houve “uma alteração ministerial, com a assunção da referência a colónias em substituição do Ultramar e a autonomização do seu ministério”. “Nos espaços ultramarinos entendeu-se a mudança de regime como uma oportunidade de renovação administrativa, como se compreende pela proposta da Índia, ou pela abertura manifestada pelas instâncias governamentais a alterações em Macau. Mas o novo regime republicano ficou, no campo da administração colonial, enredado nas circunstâncias do seu início, ao constitucionalizá-la. Com efeito, no largo conjunto de mudanças, as questões coloniais constituíram apenas uma parte e os parlamentares não se dedicaram suficientemente a elas, não obstante a existência de propostas”, lê-se na conclusão da obra. Nos anos do Republicanismo, deu-se “o processamento político que impôs um quadro de parlamentarismo, devido a alguma desconfiança relativamente ao Executivo”, sendo que ao nível das colónias “esta opção conduziu a uma maior interferência do Senado na nomeação dos governadores, afastando-se do que se consideravam modelos mais eficazes”. Além disso, “a ruptura também não teve lugar no campo da participação no Congresso, onde os territórios ultramarinos mantiveram o seu espaço no jogo político”. “A decisão republicana evidenciou igualmente um caráter conservador em relação aos órgãos municipais. Não sendo possível realizar aqui o seu estudo mais aprofundado, constatou-se que a visão política assente na importância do município, como espaço de participação, impediu as mudanças mais profundas que se propunham para a orgânica interna”, é referido na conclusão. Entraves e controlo Seguiream-se “entraves ocorridos, como o Sidonismo”, verificando-se as tentativas de mudança como sendo “insuficientes”. De frisar que o Sidonismo teve origem num golpe militar protagonizado por Sidónio Pais contra o regime republicano em vigor naqueles anos, desde 1910, e que funcionou entre 1917 e 1918. Tratou-se de um regime de cariz autoritário e militarista. Segundo Célia Reis, foi a partir da Ditadura Militar de 1926 que “se encaminhou para um maior controlo” em matéria de política colonial. Em termos gerais, “o regime iniciado a 5 de Outubro foi, em suma, modernizador em algum sentido, mas as suas concepções políticas e a inserção das questões coloniais no espaço mais lato das mudanças a realizar no país permitiram a persistência de muitos modos anteriores”. “Apesar destas limitações, as leis de 1914 constituíram, indubitavelmente, um passo modernizador, substituindo o quadro existente”, concluiu Célia Reis, referindo-se aos anos do Sidonismo como “uma ruptura no caminho que estava ser seguido, com o recuo das capacidades coloniais, particularmente dos órgãos colegiais e de participação local, assim como com uma diminuição da autonomia financeira”. Esta “tendência política” vivida na então metrópole acabou “transplantada para o ultramar”. Em matéria de documentação utilizada nesta investigação, temos o exemplo das Cartas Orgânicas, implementadas por Portugal para cada colónia, e que “surgiram na sequência das leis de 1914”, analisando “as diversas propostas existentes na Índia, Macau e Timor, o seu processo de realização, as características essenciais das que pertenciam àquelas colónias e o seu percurso posterior”. Segundo a investigação, “elas foram o produto do momento em que se realizaram, inseridas numa mudança mais vasta introduzida em Portugal pela República, o que condicionou a sua existência, primeiro pelos diferentes contributos que tiveram e, posteriormente, pela indefinição da sua situação”. Faz-se, neste estudo, a análise “da forma como se operacionalizavam as decisões centrais e coloniais”, tendo sido consideradas “estruturas governamentais e parlamentares”. No caso das colónias, foram estudados “os seus órgãos de poder”, onde “agia o governador, interlocutor entre metrópole e colónia, examinando-se as suas capacidades e possibilidade de acção, quando se encontrava sob a alçada de um ministério longínquo, mas a par de outros poderes de supervisão, particularmente financeiros, de Conselhos e, no geral, sob a pressão das várias forças da colónia”. No caso das “competências e composição dos diversos Conselhos e meios de controlo financeiro” conheceram, nestes anos, “uma mudança, muito mais pronunciada ao longo das diversas reformas; integrando maioritariamente o funcionalismo”. Além disso, “a junção de outros elementos da sociedade local mostrou-se diferenciada, conforme as colónias”. Ordens de Lisboa Célia Reis descreve que “as deliberações locais estavam dependentes da sanção superior e assim se mantiveram além das reformas”, sendo que “a prática contornava, muitas vezes, a norma, mantendo indefinições como forma de acção”. Outro ponto a destacar neste estudo, é como o facto de ser Lisboa a tomar as decisões mais importantes afectou a vida nas colónias. “Embora se mantivesse a obrigatoriedade da sanção, a legislação foi introduzindo alterações, sobretudo baseadas no estabelecimento de prazos. Não obstante, a capacidade de decisão metropolitana continuou essencial, afectando a vida das colónias. As formas usadas, persistindo o que existia ou alterando o quadro, constituíram essencialmente adaptações às circunstâncias ocorrentes, respondendo quer aos modelos estrangeiros, quer às necessidades impostas às realidades portuguesas. A política, na sua instabilidade e fases de mudança determinou também este caminho”, disse.
Japão | Membro do regulador nuclear perde telemóvel na China Hoje Macau - 9 Jan 2026 As autoridades japonesas estão a investigar a perda de um telemóvel profissional, alegadamente na China, que continha uma lista confidencial de contactos da Autoridade de Regulação Nuclear, segundo confirmou à France-Presse um responsável do organismo. O incidente, tornado agora público, terá ocorrido no aeroporto de Xangai, em 03 de Novembro, quando o funcionário atravessava o controlo de segurança. A ausência do dispositivo só foi notada três dias depois, e, de acordo com a imprensa japonesa, não foi possível bloqueá-lo ou apagar remotamente os seus dados por já se encontrar fora de alcance. Embora o telemóvel não contivesse acesso directo a dados nucleares, segundo o responsável citado – que não quis ser identificado – a lista incluía nomes e contactos de membros da divisão de segurança nuclear da entidade reguladora – informação que não é de acesso público devido à sensibilidade das funções. A revelação surge num contexto de crescente tensão entre Pequim e Tóquio, após a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter sugerido em Novembro que o país poderia intervir militarmente em caso de agressão chinesa contra Taiwan. Simultaneamente, a operadora Tokyo Electric Power (TEPCO) procura a aprovação final para reactivar a central nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, encerrada após o desastre de Fukushima, em 2011. O Japão tem vindo a retomar gradualmente a energia nuclear, com 14 reactores já reactivados, no quadro de metas de neutralidade carbónica até 2050 e aumento da procura de eletricidade devido à inteligência artificial. O telemóvel perdido foi reportado às autoridades japonesas de protecção de dados em novembro, de acordo com o regulador nuclear. O caso reacende preocupações sobre segurança da informação no sector da energia nuclear num momento delicado da política energética japonesa.
Torre de Macau | Espectáculo celebra cultura sino-portuguesa Hoje Macau - 9 Jan 2026 Um novo espectáculo teatral sobe ao palco amanhã para explorar como os 500 anos de contacto entre as culturas portuguesa e chinesa deram a Macau “uma identidade única”. Na terceira edição da série “Macasaphis”, o grupo de teatro experimental Frost Ice Snow Creative junta música, teatro, moda, histórias orais e comédia ‘stand-up’ no auditório da Torre de Macau. A directora, Sileas Ko Weng Si, disse ontem à Lusa que, após uma pausa de dois anos devido à falta de financiamento, o grupo decidiu regressar com o tema “a cultura sino-portuguesa”. “A cultura sino-portuguesa está por todo o lado, mas já nem nos apercebemos. As pessoas às tantas ficam confusas, sem compreender como isso influencia as nossas vidas”, explicou Sileas Ko. A primeira edição da “Macasahpis”, em 2022, já tinha sido dedicada a elementos particulares da região. “A presença das línguas chinesas e portuguesa, os monumentos históricos, o facto de termos o maior número de feriados do mundo, tanto os budistas como os católicos”, disse Ko. O português é uma das duas línguas oficiais de Macau, pelo menos durante os primeiros 50 anos da nova região semiautónoma chinesa, segundo o acordo bilateral que permitiu a transição de administração, em Dezembro de 1999. A edição de 2023 teve como convidados a Tuna Macaense, um grupo musical da comunidade euro-asiática, composta maioritariamente por lusodescendentes, que toca canções no dialecto crioulo, o patuá. Mas desta vez o grupo decidiu ir mais longe e celebrar como a influência portuguesa também se sente entre os chineses de Macau, disse à Lusa a produtora do espectáculo, Casta Lai Chit. “Talvez as pessoas ainda sintam alguma vergonha de definir a nossa cultura e identidade, porque somos chineses, mas não somos iguais aos outros”, explicou Casta Lai, que tem nacionalidade portuguesa. “As pessoas têm orgulho na cultura de Macau, mas têm algum pudor em demonstrá-lo”, lamentou Sileas Ko. “A cultura sino-portuguesa torna a nossa cidade ainda mais especial. Sem ela, só haveria casinos”, acrescentou. Poder cultural Com uma área de apenas 33 quilómetros quadrados e menos de 680 mil habitantes, Macau “é um peixe minúsculo” no contexto da China, com uma população de 1,4 mil milhões, sublinhou Casta Lai. “Se não fosse a cultura sino-portuguesa, Macau não teria importância nenhuma”, defendeu a produtora. O espectáculo inclui uma parte em que, de forma humorística, a população de Macau é tratada como “uma espécie em vias de extinção” e não apenas por a cidade ter a taxa de natalidade mais baixa do mundo, disse Sileas Ko. Casta Lai alertou que “talvez depois de 50 anos a cultura seja diferente. Se isso acontecer, se calhar as pessoas vão olhar em volta e sentir falta do que se perdeu”.
À espera da luz Paul Chan Wai Chi - 9 Jan 2026 Há quem diga que quando Deus fecha uma porta, abre sempre uma janela. E se as duas ficarem fechadas? O que acontece a quem está lá dentro? Bem, ou morrem sufocados ou aborrecem-se de morte. Nos últimos anos, as lojas em Macau estão a fechar umas atrás das outras. Quando todos esperavam que se abrisse uma janela para o negócio prosperar, o direito de abrir a janela foi entregue a certos empreiteiros. As empresas sociais não são entidades comerciais e o resultado de lhes conceder a exclusividade da gestão de actividades comerciais não é difícil de prever. Se o planeamento fosse viável, a operação do Canídromo Yat Yuen em Macau e do Jockey Club na Taipa já deveria ter sido entregue a organizações comunitárias há muito tempo. Recentemente, jantei num hotel que já teve um casino. Percebi que o parque de estacionamento do hotel estava ao abandono e vários andares deste edifício, que albergavam várias lojas, estão actualmente vazios. Depois de ter perguntado o que acontecera, fiquei a saber que, para além do encerramento do casino-satélite, também o restaurante chinês tinha fechado. Claro que este hotel não fica situado em nenhuma das seis zonas históricas definidas pelo Governo da RAE. Os empregados do casino-satélite receberam novas propostas de emprego, mas o que aconteceu ao pessoal do restaurante chinês, quem é que presta atenção ao seu futuro? Preocupa-me que enquanto a “diversificação das indústrias 1+4” ainda não está amadurecida, as transformações drásticas no cerne da economia de Macau venham a ter impacto na estrutura económica. Embora a taxa de desemprego seja aparentemente baixa, a realidade da situação do emprego merece atenção. O Chefe do Executivo Sam Hou Fai incentivou os jovens a abandonarem a sua zona de conforto e aventurarem-se a ir para a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, no entanto, a Grande Baía enfrenta os seus próprios desafios. Os jovens de Macau que estudam fora da cidade escolhem lá ficar e cada um terá os seus motivos. O Governo da RAE afirma que deseja atrair estrangeiros talentosos para Macau, enquanto incentiva os nossos jovens a deixar a cidade, o que parece contraditório. O antigo deputado Lam U Tao chegou a demonstrar preocupação com o número de professores não residentes em Macau, propondo a criação de um mecanismo que levasse os mais de 100.000 trabalhadores não residentes a deixar a cidade e “devolvesse as vagas de emprego aos trabalhadores locais”. Infelizmente, embora Lam tenha passado na avaliação governamental nas eleições de 2021 para a Assembleia Legislativa, foi desclassificado para as eleições de 2025. Quando é que a “janela para a democracia” será aberta para que os residentes possam respirar ar fresco? Olhar não mata a fome. Visitei recentemente o renovado Mercado da Taipa e verifiquei que as zonas de tráfego pedonal continuam a ser insuficientes. Os vendedores de vegetais, de carne e marisco estavam à espera de clientes, num contraste gritante com a agitação do Mercado Gongbei, em Zhuhai. As portas e as janelas do Mercado da Taipa estavam abertas, mas o ar (a clientela) era insuficiente. Os vendedores esforçaram-se bastante, mas os resultados continuam a ser decepcionantes. Porque é que isto acontece? É útil apagar as luzes à noite e acendê-las durante o dia? Acredito que os principais responsáveis do Governo da RAE é que deveriam sair das suas zonas de conforto. Ao fim da tarde, deviam apanhar o transporte público e sair na paragem em frente do Edifício da Administração Pública da Rua do Campo e experienciar a sensação calorosa de partilhar a viagem com os outros passageiros. Também deviam tentar atravessar a fronteira a pé no Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e no Posto Fronteiriço Qingmao, de manhã e ao fim da tarde, testemunhando o magnífico espectáculo da “integração na Grande Baía”. Com numerosos anúncios que dizem “excelente loja para alugar” em várias zonas de Macau, como é que as luzes podem estar acesas depois de terem sido apagadas? O desenvolvimento de uma zona urbana e a formação de uma área comercial não podem ser alcançados simplesmente acendendo as luzes, necessitam de sabedoria colectiva.
Coloane | Kartódromo recebe o Champions of the Future Academy Program Sérgio Fonseca - 9 Jan 2026 O Kartódromo de Coloane vai começar o ano em alta velocidade, recebendo de 16 a 18 de Janeiro a primeira edição no território da nova competição Champions of the Future Academy Program, organizada e promovida pela empresa suíça RGMMC Group O Champions of the Future Academy Program é uma competição internacional de karting Arrive and Drive, concebida para desenvolver a próxima geração de talentos do desporto automóvel. De acordo com o promotor, a prova está alinhada “com os padrões desportivos da FIA e combina competição de elite com uma formação abrangente para os pilotos, oferecendo aos jovens a experiência e a visibilidade internacional necessárias para iniciar carreiras profissionais, ao mesmo tempo que se mantêm os custos controlados”. Com três categorias competitivas — Mini, OK-N Júnior e OK-N Sénior — o conceito ambiciona reunir talentos emergentes de várias partes do mundo para competir em eventos de classe mundial. Segundo a organização, esta prova em Macau “tem como objectivo expandir o Champions of the Future Academy Program para séries nacionais”, reforçando a presença do conceito fora do seu calendário principal. Para além do evento na RAEM, a RGMMC, fundada em 2004, tem ainda planeada uma prova extra-campeonato nos Emirados Árabes Unidos, em Fevereiro. O campeonato regular é composto por seis etapas, decorrendo entre Fevereiro e Dezembro, com passagens por Espanha, Grécia, Itália, Omã e Emirados Árabes Unidos. A mesma entidade promove igualmente uma série nos mesmos moldes no Reino Unido. O Champions of the Future Academy Program Macau, que conta com o apoio da Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e do Instituto do Desporto da RAEM, decorrerá ao longo de três dias competitivos, com duas corridas finais que determinam classificação do vencedor do evento para cada categoria. O paddock abrirá às equipas na quinta-feira, seguindo-se um dia inteiro de treinos-livres na sexta-feira, enquanto os treinos cronometrados e as corridas terão lugar no sábado e no domingo. Igual para todos Cada categoria admite um máximo de 24 concorrentes, um limite que se mantém em todos os eventos. A categoria Mini Group 3, destinada a pilotos entre os 9 e os 12 anos, utilizará chassis Parolin e motores TM, com um custo de inscrição aproximado de 32.750 patacas. As categorias OK-N Júnior, para idades entre os 12 e os 14 anos, e OK-N Sénior, dos 14 aos 17 anos, competirão com chassis Kart Republic e motores IAME, sendo o valor de inscrição de cerca de 42.125 patacas por fim-de-semana. Tal como indica a designação Arrive & Drive, estes valores incluem o kart e o respectivo motor, espaço na tenda, ferramentas necessárias, pneus — fornecidos em todas as classes pela LeCont Pneumatici —, combustível, lubrificantes e toda a logística associada. Desta forma, os pilotos podem concentrar-se exclusivamente na condução e, graças à igualdade mecânica, antevêem-se corridas competitivas e animadas num dos melhores kartódromos do Sudeste Asiático. Em 2026, o Kartódromo de Coloane terá um calendário particularmente preenchido. Para além das competições de karting e motociclismo organizadas pela AAMC, o traçado desenhado pelo arquitecto Carlos Couto acolherá o Campeonato da China de Karting, nos dias 11 e 12 de Abril, a IAME Series Asia, no fim-de-semana de 23 e 24 de Maio, e o Grande Prémio de Karting Internacional de Macau, agendado para o período entre 11 e 14 de Dezembro.
Hong Kong | Zhipu AI lidera ronda de estreias em bolsa no valor de 1.030 ME Hoje Macau - 9 Jan 2026 O interesse dos investidores no mercado tecnológico continua a dar frutos e leva cada vez mais empresas chinesas ligadas à Inteligência Artificial a entrar na bolsa de Hong Kong A empresa chinesa de inteligência artificial Zhipu AI estreou-se ontem na bolsa de Hong Kong, num dia em que outras duas tecnológicas também entraram no mercado, angariando em conjunto 1.200 milhões de dólares. A Zhipu, oficialmente designada Knowledge Atlas Technology e que adopta o nome Z.ai nos mercados estrangeiros, registava uma tendência ascendente ao meio da sessão, com uma valorização de 11,19 por cento, após ter angariado cerca de 559 milhões de dólares. Trata-se da primeira empresa chinesa especializada exclusivamente em modelos de linguagem de grande escala a ser cotada na Bolsa de Valores de Hong Kong. Segundo o seu cfundador e director executivo, Zhang Peng, a escolha desta praça financeira está relacionada com as ambições de internacionalização da companhia. Zhang referiu que Hong Kong e o Sudeste Asiático serão os primeiros mercados a serem explorados, seguindo-se o Médio Oriente, a Europa e o chamado “Sul Global”. O responsável apontou os baixos custos como principal atractivo da Zhipu face a modelos concorrentes, no objectivo de conquistar novos utilizadores. A tecnológica junta-se assim a outras empresas chinesas do sector que têm aproveitado o interesse dos investidores no crescimento da IA no país. Uma das principais concorrentes da Zhipu, a MiniMax – também rival da OpenAI (criadora do ChatGPT) e da Anthropic (desenvolvedora do Claude) – tem estreia marcada para sexta-feira na mesma bolsa. Outras estreias Ontem, também se estrearam em Hong Kong a fabricante de chips gráficos Shanghai Iluvatar CoreX Semiconductor, que abriu com ganhos de 31,5 por cento após angariar 473 milhões de dólares, e a produtora de robôs cirúrgicos Edge Medical, que subiu 36,4 por cento, arrecadando cerca de 154 milhões de dólares. Na semana passada, a Biren Technology, especializada em chips de IA, valorizou-se quase 76 por cento no seu primeiro dia de negociação. Em Dezembro, outras duas empresas do sector, a Moore Threads e a MetaX, registaram subidas superiores a 100 por cento na bolsa de Xangai. Apesar de admitir que os modelos chineses estão a reduzir a distância face aos norte-americanos, Zhang Peng reconheceu que ainda persistem lacunas em áreas como investigação, recursos e inovação. A Zhipu foi colocada numa lista negra comercial pelos Estados Unidos em 2025, o que dificulta o seu acesso a tecnologia norte-americana.