Pintura | Fernando Madruga Gomes estreia-se com exposição no Beco dos Artilheiros João Santos Filipe - 27 Mai 2026 Mais de 100 quadros do artista de Macau estão em exibição na “Arkorigin Exposição a Solo”, até 12 de Junho, na escadaria de acesso à Fortaleza do Monte. A figura feminina é o principal tema da mostra Até 12 de Junho, mais de uma centena de pinturas de Fernando Madruga Gomes estão em exposição no Beco dos Artilheiros, na escadaria de acesso à Fortaleza do Monte, no evento denominado “Arkorigin Exposição a Solo”. A exibição marca a estreia do artista nascido em Macau. Entre os quadros com traços impressionistas, destacam-se os vários retratos femininos, muitos imaginados pelo artista, mas também de pessoas como a Princesa Diana ou Anita Mui, a actriz e cantora de Hong Kong. “Eu gosto de pintar retratos porque são as pinturas mais difíceis, e quando pinto gosto desse desafio, de nunca saber se vou conseguir fazer a pintura como quero ou se vou deixar o retrato por fazer, porque já não vou conseguir obter o resultado pretendido”, explicou Fernando Madruga Gomes, ontem, em declarações ao HM. Sobre a predominância da figura feminina, Gomes explica que a escolha se prende com o sentido estético: “Eu não vejo muita beleza nos homens para se traduzir em pinturas. Mas, nas expressões femininas acho que há ali muita beleza, que eu gosto de imaginar e de pintar, e também nas várias roupas que podem ser pintadas nos retratos, e que também são difíceis de desenhar. É uma beleza que se alia ao desafio de pintar elementos mais difíceis”, reconheceu. Os “modelos” utilizados nos retratos são provenientes de diferentes culturas exibindo roupas diversas. Em alguns casos a inspiração provém mesmo da animação, como o caso de um dos retratos em que surge uma mulher vestida como Navegante da Lua, uma inspiração da série de desenhos animados japoneses altamente popular. “No início utilizava modelos para as pinturas, só que nem sempre conseguia que as pessoas que estavam comigo fizessem as expressões que eu procurava. Por isso, com o tempo comecei a recorrer mais a imagens online para me inspirar e pintar”, admite o pintor. Os retratos surgem para Fernando também como uma forma de canalizar as suas emoções: “Quando estou a pintar as caras dos retratos, transmito algumas das minhas emoções, estou a lidar também com aquilo que sinto ou senti e que quero levar para a tela”, revelou. Pintar como cura Além de retratos femininos a exposição apresenta outros dois temas: gatos e flores. E os motivos destas temáticas na obra de Fernando Madruga Gomes têm propósitos opostos. “Pintar flores é algo mais fácil, algo que me sai de forma muito natural, e que tecnicamente não é assim difícil. É uma pintura quase de recuperação”, afirmou. “Não leva muito tempo, mas depois de pensar em como quero pintar as flores é fácil conseguir os resultados que pretendo, é uma pintura mais de recuperação, para relaxar”, reconheceu. No entanto, as obras com os gatos são mais pessoais, têm uma carga emocional maior, ligada à infância e ao crescimento, dividido entre Macau e o Pico, nos Açores. Os retratos de gatos são assim alguns dos animais com quem o artista partilhou parte da vida e dos quais guarda memórias. Filho do proprietário do restaurante Fernando, o pintor de 43 anos afirmou ao HM que a pintura surgiu na sua vida por acaso, depois de um acidente doméstico, por altura da covid-19. Quando fazia exercícios numa barra fixa, durante os confinamentos, Fernando caiu e partiu uma perna, depois da barra ter cedido. Internado no hospital, a pintura tornou-se uma forma de passar o tempo. “Antes de começar a pintar, uns 10 anos antes, tive alguma experiência, muito breve, no desenho de tatuagens. Só que não gostava da forma como desenhava, pelo que acabei por parar. Depois no hospital, para passar o tempo, comecei a desenhar, e percebi que era capaz de pintar”, confessou. Entre experiências e ímpetos, Fernando Gomes admite que em quase três anos pintou mais de 200 retratos. E muitos deles por impulso como aconteceu com o quadro da Princesa Diana. “Foi um quadro que resultou de um dia em que acordei e senti que queria pintá-la, não foi nada planeado. E durante dois dias estive à volta do quadro, sem dormir”, indicou. A exposição apresenta três pinturas de Diana, embora Gomes considere que não tem grande admiração pela figura. “Foram obras feitas por impulso, embora confesse que não são pinturas que me façam feliz, até me senti algo mal, devido à história trágica que a envolve”, contou. No entanto, um dos quadros, com o nome a Última Rosa, valeu Fernando Gomes um “Prémio de Ouro” na categoria de pinturas com óleo nos FADA – Future Art & Design Awards de 2025. Olhos no futuro A exposição “Arkorigin Exposição a Solo” marca a estreia do artista em Macau, e Fernando Madruga Gomes mostrou-se satisfeito por ter oportunidade de mostrar o seu trabalho, tão perto de uma das zonas mais icónicas da cidade, a Fortaleza do Monte. “Surgiu a oportunidade de mostrar os meus trabalhos neste espaço e achei que devia aproveitar a oportunidade. Tenho quadros mais do que suficientes para exibir, por isso, depois tive de fazer a escolha com base no local e no facto de saber que passam muitas pessoas aqui”, explicou sobre os trabalhos em exibição. “Acho que as pinturas em exposição são as mais interessantes para as muitas pessoas que passam por aqui, e foi esse o meu critério”, vincou. Em relação ao futuro, o pintor espera ter oportunidade de ter mais exposições, em diferentes locais, embora o foco esteja em pintar e fazer retratos. A exposição está disponível até 12 de Junho, entre as 7h e as 19h, com entrada livre.
Ébola | Autogestão de 21 dias para 12 países africanos João Luz - 27 Mai 2026 Pessoas vindas de 12 países africanos, incluindo Angola, vão fazer 21 dias de autogestão de saúde após chegarem a Macau, com acompanhamento dos Serviços de Saúde. Foi também reforçado o controlo sanitário e avaliação de risco de quem vem dos 12 países de risco e de quem tem passaporte destas regiões A expressão “autogestão de saúde” voltou a entrar no léxico do Governo, desta vez devido à epidemia da doença por vírus Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda. O Executivo de Sam Hou Fai impôs, desde ontem, um período de 21 dias de autogestão de saúde para quem chega à RAEM vindo de 12 países africanos. A vigilância que começou por incindir sobre indivíduos vindos da República Democrática do Congo e no Uganda, onde persistem surtos de Ébola, foi alargada a mais 10 países, entre os quais Angola, considerados de “alto risco” de acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde. O reforço da vigilância será alargado ao Sudão do Sul, Ruanda, Quénia, Zâmbia, República Centro-Africana, Tanzânia, Etiópia, República do Congo (Brazzaville) e Burundi. Logo na fronteira, “será reforçado o controlo sanitário e a avaliação de risco para os indivíduos que tenham visitado as regiões relevantes nos últimos 21 dias ou titulares de passaporte das respectivas regiões”. A medida anunciada na noite de segunda-feira pelos Serviços de Saúde, tem como referência as “Recomendações para a Prevenção e Controlo da Doença por vírus Ébola” emitidas pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China. Três semanas de gestão Quem chegue a Macau com sintomas suspeitos da doença por vírus Ébola, e tenha estado nas regiões consideradas de alto-risco, será transferido de imediato para o Centro Hospitalar Conde de São Januário para avaliação e exames mais aprofundados. Já os “indivíduos assintomáticos” serão sujeitos ao acompanhamento e gestão da saúde, durante 21 dias a contar do dia de entrada na RAEM, o mesmo período de incubação do vírus do Ébola. As pessoas abrangidas pela medida terão de “proceder à observação do seu estado de saúde diariamente”, e os Serviços de Saúde vão “monitorizar e acompanhar a saúde” dos mesmos. Se surgirem sintomas, “como febre, fadiga, dores de cabeça, dores de garganta, vómitos, diarreia ou hemorragia de causa desconhecida, devem recorrer imediatamente ao médico”. Se tiverem de se deslocar a instituições médicas por conta própria, as autoridades ressalvam que devem evitar os transportes públicos e “tomar medidas de protecção individual, evitando contactos físicos com outras pessoas”. Além disso, devem “informar, por iniciativa própria, os profissionais de saúde sobre o seu historial de viagens e eventuais contactos de risco” “Os Serviços de Saúde salientam que, actualmente, a avaliação do risco de ameaça da doença por vírus Ébola para Macau continua a ser considerada de baixo risco, sendo o risco geral para a saúde pública controlável”.
PJ | Empresário sul-coreano bate, rapta e viola namorada Hoje Macau - 27 Mai 2026 A Polícia Judiciária (PJ) revelou o caso de um empresário sul-coreano que veio para Macau para tentar recuperar a ex-namorada e que acabou por agredi-la, raptá-la e violá-la. O caso foi divulgado ontem, através de uma conferência de imprensa da polícia. Segundo os contornos do caso, o suspeito tem cerca de 40 anos e viajou para a RAEM, depois de saber que a ex-namorada estava no território. Por sua vez, a vítima viajou sozinha para Macau e estava hospedada num hotel no Cotai, desde 22 de Maio. Quando chegou a Macau, o homem abordou a mulher e pediu-lhe permissão para irem para o quarto, para falarem, ultrapassarem o diferendo e esclarecem a situação entre ambos. A mulher não se opôs, e deixou o homem entrar. Durante a conversa, o homem partiu para as agressões batendo com a cabeça da mulher contra a parede. Além de impedi-la de sair do quarto, o agressor também a violou três vezes, até à manhã do dia seguinte. O caso foi descoberto, porque a família tentou ligar à vítima e estranhou o facto de a mulher não atender o telefone. Quando finalmente atendeu, a mulher foi forçada pelo agressor a dizer que estava tudo bem. No entanto, a família sentiu que algo estava mal, pelo que ligou para Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). Quando a PSP chegou ao local verificou que a mulher estava ferida, pelo que contactou a PJ. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.
Finanças | E Fund estabelece-se em Macau Hoje Macau - 27 Mai 2026 A empresa de gestão de fundos E Fund foi autorizada a constituir uma sociedade em Macau, de acordo com a informação divulgada ontem no Boletim Oficial. Segundo o documento assinado por Sam Hou Fai, a actividade da E Fund Sociedade Gestora de Fundos de Investimento (Macau) vai ser limitada à gestão de fundos. A E Fund é uma empresa do Interior, fundada em 2001, com sede na cidade de Cantão no edifício Torre do Banco de Guangzhou. Tem como accionistas empresas do Interior, como a GF Securities, a Guangdong Yuecai Trust, a Guangdong Rising Holdings Group e ainda o fundo público Guangzhou Guangyong State Owned Assets Management. As acções da empresa Yuecai Trust pertencem a He Jianfeng, o filho do fundador do grupo Midea, ligada à produção de electrodomésticos. Desde 2008 que a E Fund tem uma representação em Hong Kong.
SJM | Fitch Ratings corta na avaliação Hoje Macau - 27 Mai 2026 A Fitch Ratings baixou o rating da dívida a longo prazo da concessionária SJM Holdings de BB-, considerado especulativo, para B, altamente especulativo. A redução da avaliação foi justificada com base na redução do endividamento a um ritmo mais lento do que o esperado, assim como uma recuperação dos resultados da empresa mais moderada do que o previsto. A Fitch também baixou a nota de dívida sénior não garantida da SJM, assim como a nota das obrigações em circulação emitidas pela subsidiária SJM International BB- para B. “A descida reflecte a opinião da Fitch de que a trajectória de alavancagem da SJM Holdings já não é consistente com o seu nível de notação anterior”, pode ler-se no relatório mais recente da Fitch, citado pelo portal GGR Asia. A SJM Holdings registou um prejuízo líquido no primeiro trimestre do ano de 62 milhões de dólares de Hong Kong, que contrasta com o lucro líquido de 31 milhões de dólares de Hong Kong no período homólogo.
Cáritas Macau | Enviados 20 mil euros para ajudar Portugal e Espanha Hoje Macau - 27 Mai 2026 A revelação foi feita pelo secretário-geral Paul Pun Chi Meng, que considera que apesar do montante não ser elevado é uma forma de mostrar “preocupação e solidariedade” A Cáritas Macau doou 20 mil euros para ajudar as populações afectadas pelas tempestades que atingiram a Península Ibérica em Fevereiro, disse ontem à Lusa o secretário-geral da organização, Paul Pun Chi Meng. Em Fevereiro, a Cáritas Macau lançou uma campanha de angariação de fundos, que decorreu durante três meses, para ajudar as vítimas da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta. Paul Pun disse que a organização enviou 10 mil euros para a Cáritas Espanha e outros 10 mil euros para a Cáritas Portugal, com quem a Cáritas Macau tem há muito uma parceria, lembrou o secretário-geral. A organização católica foi fundada em 1951, ainda durante a administração portuguesa de Macau. “O dinheiro que recolhemos não é muito, mas mesmo assim tentamos demonstrar a nossa preocupação e solidariedade”, disse Pun. Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afectadas. Na sequência do mau tempo, o Governo de Portugal anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros. Viagem a Portugal Paul Pun visitou Portugal entre 14 e 17 de Abril, numa deslocação que já tinha sido marcada antes das tempestades, mas que permitiu ao secretário-geral da Cáritas Macau ver “enormes danos causados às infra-estruturas e às florestas”. A passagem por Portugal permitiu também à Cáritas Portugal e à Cáritas Macau assinar um acordo para renovar a parceria iniciada em 2019 em áreas como a ajuda humanitária e a resposta a emergências, revelou o dirigente. Mas o novo acordo acrescenta um outro ponto, a integração de pessoas em mobilidade, sublinhou Pun. “Caso um português tenha problemas em Macau, podemos colaborar com ele. No caso de os residentes de Macau enfrentarem problemas em Portugal, eles ajudam-nos”, explicou o secretário-geral. Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. A Cáritas Portugal e a Cáritas Macau discutiram também como “unir recursos financeiros” para ajudar os mais desfavorecidos em outros países lusófonos, referiu Pun, que deu como exemplo as inundações que afectaram Moçambique.
Combustíveis | Leong Sun Iok admite mais apoios Hoje Macau - 27 Mai 2026 O deputado Leong Sun Iok admite a possibilidade de serem distribuídos mais subsídios relacionados com os combustíveis, dependendo da evolução dos preços no futuro. Em declarações ao jornal Exmoo, o deputado afirmou esperar que o Governo controle a evolução dos preços, prolongue os subsídios actuais, se necessário, e lance novas políticas para aliviar o impacto do aumento dos preços de combustíveis. Além disso, o legislador ligado aos Operários de Macau argumentou que os preços de combustíveis estão altos há muito tempo e indicou ser expectável que a tendência se mantenha. Por isso, Leong Sun Iok espera que o Governo possa incentivar os fornecedores de gás e de combustível a lançarem mais descontos para em conjunto com a população ultrapassarem estes tempos difíceis. Leong Sun Iok defendeu ainda que a longo prazo Macau precisa acelerar a transição energética e o transporte sustentável, sugerindo que o Governo desenvolva a rede de carregamento de carros eléctricos e crie uma taxa de adopção de carros comerciais movidos com energias alternativas.
Consumo | Defendida extensão do Grande Prémio até ao fim de Agosto Nunu Wu e João Santos Filipe - 27 Mai 2026 O presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Lei Cheok Kuan, considera que o Governo deveria estender até ao fim de Agosto o Grande Prémio de Consumo. O responsável pede também a criação de promoções específicas para o Verão O presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Centro e Sul Distritos, Lei Cheok Kuan, defende que o Governo deveria prolongar a edição deste ano do Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias até final de Agosto. A iniciativa arrancou em Abril e inclui a distribuição de 400 milhões de patacas em descontos por um período de dez semanas, para aumentar o consumo nos bairros com menos turismo por parte de quem tem residência de Macau. Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável afirmou que é necessário dar continuidade ao programa e responder ao potencial de consumo de residentes durante o Verão, defendendo ainda a criação de campanhas promocionais específicas só para esta época do ano. A ideia seria criar campanhas sazonais em coordenação com comerciantes das zonas centro, Sul e Norte, a fim de impulsionar o consumo potenciado pelos subsídios atribuídos pelo Governo e pelas promoções criadas pelos comerciantes. Celebrar o património Em relação ao tipo de actividades a criar, Lei Cheok Kuan argumentou que podem ser implementados eventos culturais e artísticos relacionados com o património cultural e que aproveitem a zona costeira de Macau. Um dos exemplos apontados é a criação, em Junho, de actividades relacionadas com o património cultural, como exposições à noite, com guias, em locais como as Ruínas de São Paulo, Largo do Senado e Templo de A-Má, para que os turistas possam tirar fotografias. Também para Julho, o dirigente associativo sugeriu actividades relacionadas com a gastronomia local, ligadas à revitalização do Mercado Nocturno do Pagode do Bazar e de Rua 5 de Outubro, no Porto Interior. Já em Agosto poderiam ser organizadas actividades dedicadas a produtos culturais e criativos para pais e filhos, nomeadamente feiras de artesanato e pacotes de entretenimento pensados para famílias. Em termos de infra-estruturas de trânsito, Lei Cheok Kuan sugere que o Governo crie rotas específicas de autocarros para as zonas centro e sul, com ligação a zonas comerciais e diferentes atracções turísticas. Lei Cheok Kuan espera que estas rotas de autocarro possam ser mais frequentes, pedindo também a criação de guias de consumo para zonas comerciais junto de hotéis e postos fronteiriços. A ideia é incentivar os comerciantes a prolongar o horário de funcionamento dos estabelecimentos em conjugação com a realização de espectáculos de rua, construindo-se, assim, um ambiente de economia e consumo à noite.
Orçamento | Sam Hou Fai pede contenção de despesas João Luz - 27 Mai 2026 Nas orientações para as propostas orçamentais de 2027, o Chefe do Executivo voltou a pedir aos serviços públicos que não ultrapassem as despesas orçamentadas para este ano. Sam Hou Fai pediu prudência e razoabilidade na avaliação da necessidade de despesas As despesas dos serviços públicos para 2027 não devem ser superiores às orçamentadas para este ano. Esta é uma das principais orientações para a elaboração de propostas orçamentais para o ano económico de 2027, de acordo com um despacho assinado por Sam Hou Fai e publicado ontem no Boletim Oficial. O Chefe do Executivo lançou orientações semelhantes no ano passado, seguindo o caminho também já trilhado pelo Governo liderado por Ho Iat Seng. É indicado que os “serviços e organismos que adoptam o regime de contabilidade de caixa” não devem orçamentar despesas que excedam as despesas constantes no Orçamento do ano económico de 2026. Os serviços e organismos em regime de contabilidade de acréscimo devem seguir a mesma recomendação. Porém, não é aplicável o mesmo limite das despesas relativas a “provisões para riscos diversos”, depreciações e amortizações, ao regime de aposentação e sobrevivência, “bem como às dos custos de venda de bens e de prestação de serviços”. Com tranquilidade Em relação às estimativas de despesas com pessoal, à semelhança das orientações anteriores, Sam Hou Fai refere que terão por referência o índice salarial dos trabalhadores da Administração Pública em vigor. Além disso, os serviços que estejam “no âmbito de controlo sobre a quota de pessoal total”, não devem exceder a sua quota. Relativamente aos valores de funcionamento ou orçamentos privativos de serviços e organismos, caso se preveja aumentos orçamentais, as propostas devem referir a “base de cálculo do montante orçamentado das respectivas classificações económicas e aos fundamentos da variação do orçamento”. O despacho indica também que a Direcção dos Serviços de Finanças é a entidade que define os limites máximos relativos a despesas de representação, de forma a “cumprir os princípios de poupança rigorosa e de gestão prudente das finanças”. Neste capítulo, mais uma vez, “os serviços que pretendam aumentar o orçamento vão ter de justificar a subida, indicando a base de cálculo utilizada e as razões da variação”. As propostas de orçamento têm de chegar ao gabinete do Chefe do Executivo até 8 de Outubro. PIDDA | Taxa de execução de 20 % no primeiro trimestre No primeiro trimestre do ano, a taxa de execução do Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) foi de 20,6 por cento, tendo sido apresentadas, pelo Governo, despesas na ordem das 3,72 mil milhões de patacas. Os dados foram noticiados pelo canal chinês da Rádio Macau e divulgados pela deputada e também presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública, Song Pek Kei. A legisladora acrescentou que 70 dos 199 projectos não recorreram à verba prevista, num total de 10 mil milhões de patacas. Destes 70 projectos, 12 são do Instituto para os Assuntos Municipais, 11 da Universidade de Macau e nove da Direcção dos Serviços de Obras Públicas. O orçamento do PIDDA para este ano é de 18 mil milhões de patacas. AL | Sam Hou Fai responde a perguntas dia 16 de Junho O Chefe do Executivo vai deslocar-se à Assembleia Legislativa a 16 de Junho para responder às perguntas dos deputados, de acordo com a informação divulgada ontem. Segundo o comunicado do Gabinete de Comunicação Social, Sam vai ainda fazer “uma retrospectiva sobre a acção governativa” dos últimos seis meses, e apresentar “as prioridades de trabalho para o segundo semestre” deste ano. O comunicado indica também que as perguntas focam áreas como “a economia, a sociedade e os assuntos ligados ao bem-estar da população”. Como parte da tradição, as perguntas são enviadas ao Executivo antes de ser feitas na Assembleia Legislativa. O comunicado do Governo considera que este tipo de interacção de resposta às perguntas tem como “objectivo de reforçar a boa comunicação a nível executivo e legislativo” e fazer com que “haja uma melhor compreensão, por parte da população, sobre os trabalhos desenvolvidos pelo Governo”.
Glenn Mccartney, académico: “É importante avaliar continuamente o sentimento da comunidade” Andreia Sofia Silva - 27 Mai 202627 Mai 2026 O que leva a boicotes turísticos, seja de turistas que rejeitam destinos, ou populações com atitudes negativas face a visitantes? O docente da Universidade de Macau Glenn Mccartney analisou as causas destes boicotes e alerta: “É algo a que devemos estar cada vez mais conscientes em Macau, dado o grande volume de visitas” No artigo “Tourist Boycott Decision-Making—Why Do It (Or Not)? Understanding and Responding to Tourism Boycotts” cita o trabalho de outros estudiosos sobre o boicote turístico que ocorreu em Hong Kong durante os protestos em Central. Terá sido este um ponto de viragem para o sector do turismo, deixando uma marca na região? Os boicotes turísticos têm um efeito imediato e subsequente de longa duração. A questão reside em quanto tempo o sentimento negativo permanece, e também nas intervenções das autoridades de turismo para restaurar esse sentimento positivo – algo que vimos em boicotes anteriores, onde o número de visitantes foi restaurado. Embora o boicote deva ser evitado, naturalmente que a tarefa do destino e das autoridades turísticas é agir rapidamente, por exemplo, através de campanhas de comunicação, para evitar que qualquer sentimento negativo se enraíze. Estará Macau preparada, em termos de gestão da comunicação, imagem e apoio ao sector, para um boicote turístico? A questão do comportamento em torno do boicote turístico é a animosidade ou retaliação do potencial visitante. A acção tomada pode ser cancelar reservas (se for possível), mudar a viagem para outro local e partilhar opiniões nas redes sociais. Constatei que existem múltiplas razões pelas quais surgem boicotes e animosidade por parte dos turistas. O viajante pode perceber algo que aconteceu no destino como sendo antiético ou errado, e contrário à sua própria imagem, ou ser influenciado por outros, como, por exemplo, através de redes sociais. Os viajantes podem continuar a achar que ocorreram irregularidades, mas mesmo assim viajar, considerando o boicote desnecessário, pensando que são outros que estão a aderir ao boicote. [Podem ainda pensar] que o boicote poderá prejudicar comunidades que dependem do turismo, como as pequenas e médias empresas, ou que a acção terá, de qualquer forma, um impacto limitado, mas é importante ter em conta que pode continuar a existir um sentimento negativo. Avaliar a probabilidade de um boicote é válido, mas a comunicação, e especialmente o envolvimento nas redes sociais, é uma acção fundamental para mitigar consequências a longo prazo. Na verdade, a gestão da comunicação também faz parte de uma estratégia de resposta à gestão de crises no turismo. É necessário evitar comportamentos arraigados e trabalhar em intervenções como a comunicação eficaz junto desses visitantes, quer estejam, ou não, a boicotar [o destino], e também da comunidade, funcionários do turismo e hotelaria, e meios de comunicação, incluindo as redes sociais, ligadas também a questões como a imagem da cidade como destino. Dada a importância significativa do turismo para Macau, o comportamento de boicote ou qualquer tipo de animosidade em relação ao turismo de massa que gere maior atenção poderia ser tido em conta na preparação para a gestão de crises turísticas. Tendo em conta as conclusões do seu estudo, que factores poderiam levar a um boicote a Macau como destino turístico? Quando escrevi este estudo, analisei os boicotes turísticos a nível global, bem como as suas razões e consequências. No que diz respeito à sua questão, o foco poderia estar no sentimento dos residentes ou análise das publicações nas redes sociais partilhadas por visitantes, na sua maioria provenientes da China continental e de Hong Kong. [O potencial boicote] poderia dever-se, por exemplo, a um incidente de falha no serviço ou a uma experiência negativa que pudesse escalar em discussões nas redes sociais. Não se trata de uma acção de boicote turístico, como refiro no documento, mas sim de expressão de um sentimento negativo, que, no entanto, poderia prejudicar a imagem do destino. Esta perspectiva é particularmente importante devido à estratégia de Macau de se posicionar como Centro Mundial de Turismo e Lazer, pelo que monitorizar o sentimento dos visitantes estaria intimamente ligado à avaliação contínua e ao investimento nesta declaração de posicionamento da marca. Pode a guerra no Médio Oriente dar origem a cenários de boicote, especialmente em regiões onde existem investimentos no turismo e no jogo? Será que Macau poderá tirar partido desta situação, e como se deve posicionar tendo em conta esse panorama? A guerra no Médio Oriente poderá dar origem a cenários de boicote. Há quem seja afectado na região, bem como pessoas que formam opiniões ao ver televisão, programas de opinião e publicações nas redes sociais. Os boicotes podem significar que os turistas procurem ou lhes sejam apresentados destinos alternativos, e esta mudança pode ser a curto ou a longo prazo. Uma estratégia turística para Macau neste momento consiste em alargar os segmentos turísticos além da China continental e de Hong Kong. Por exemplo, houve recentemente uma delegação de alto nível a Portugal e Espanha, com o objectivo de reforçar laços turísticos. Por isso, o foco deve permanecer nestas acções de desenvolvimento turístico, como consolidar a imagem de marca da cidade de Macau nos potenciais mercados turísticos estrangeiros, desenvolver ligações de transporte, como companhias aéreas, infra-estruturas e desenvolvimento de produtos turísticos em Macau, e estratégias de marketing e promoção para viajantes de lazer e de negócios no estrangeiro, com uma perspectiva mais ampla do turismo internacional para Macau e Grande Baía. Poderá ocorrer em Macau um boicote turístico inverso, com os locais a “boicotar” turistas, evitando-os ou adoptando atitudes menos acolhedoras? Sim, é possível que os habitantes locais adoptem uma atitude menos acolhedora em relação ao turismo. Isso já está bem documentado em estudos sobre turismo e a atitude dos residentes. Há casos em que os residentes se sentem incomodados e irritados com o aumento do número de visitantes, especialmente quando se considera que os custos superam os benefícios. Temos assistido, nos últimos anos, a protestos em ruas e locais turísticos. Isto deve-se a grandes aumentos dos preços da habitação e rendas, à sobrelotação, que também se designa por “turismo excessivo”, e ainda à pressão sobre as infra-estruturas e o ambiente local. Penso que é algo de que devemos estar cada vez mais conscientes em Macau, dado o grande volume de visitas. Os resorts integrados no Cotai foram concebidos para grandes volumes de visitantes, pelo que o foco recairia sobre os bairros e comunidades locais. Tudo para que os benefícios económicos positivos, directos ou indirectos, sejam sentidos e superem as percepções negativas. Por isso, será importante avaliar continuamente o sentimento da comunidade, fazendo investigação sobre a economia, mas incluindo, também, as perspectivas sociais e ambientais. Isso iria proporcionar uma visão mais abrangente das atitudes dos residentes, não apenas no presente, mas também com vista a possíveis acções futuras para manter um sentimento positivo. Existem formas de as autoridades planearem, gerirem e definirem estratégias para o desenvolvimento do turismo de forma sustentável, o que implica, essencialmente, adoptar uma visão de planeamento a longo prazo e uma maior consulta à comunidade – mantendo-a informada. Ou seja, um bom canal de comunicação. Vimos isso, por exemplo, no programa de consulta pública sobre a revisão da lei do jogo de Macau em 2021. Outras acções comuns incluem, por exemplo, reuniões comunitárias abertas ao público. Glenn Mccartney destaca a importância da capacidade de resiliência Em “Tourist Boycott Decision-Making—Why Do It (Or Not)? Understanding and Responding to Tourism Boycotts”, Glenn Mccartney destaca a importância de perceber quando vem aí uma crise no turismo “tendo em conta a proximidade e incerteza sentidas na fase de recuperação pós-pandémica, a influência das redes sociais e maior sensibilização dos turistas, bem como a sua reacção emocional a questões globais”. Nas conclusões do estudo lê-se que “o sentimento inicial de boicote pode ser um prenúncio de piores tempos por vir (especialmente se o que motivou o boicote persistir)”, sendo que o estudo de causas e impactos pode ajudar as autoridades a elaborar “respostas e intervenções adequadas para dissuadir acções de boicote e mitigá-lo a longo prazo”. Torna-se, assim, fundamental analisar “quais os motivos de boicote que resultam em comportamentos de viagem mais ou menos arraigados e em que cenários”, ou ainda “acompanhar a evolução do sentimento de boicote”. Outro critério importante é “examinar a resiliência do destino durante e após o boicote”, criando-se uma “projecção de recuperação que inclua factores sociais e internos”. Essa recuperação deve ainda incluir “a cooperação entre sectores público e privado e uma resposta colectiva apoiada por dados”. Causa e efeito No estudo do docente da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau, destaca-se que “a animosidade e impactos variam consoante o evento que deu origem ao boicote e a resposta das autoridades”, sendo citado um estudo sobre o impacto dos protestos em Hong Kong, de 2020. “Ao investigar boicotes turísticos por parte de turistas chineses decorrentes de animosidade política (por exemplo, o protesto Occupy Central em 2014) ou não política (por exemplo, o sequestro de um autocarro em Manila em 2010), verificou-se que os boicotes por animosidade não política exerceram impactos imediatos a curto prazo, enquanto os boicotes por animosidade política se prolongaram.” Glenn Mccartney cita também o caso ocorrido durante o Ano Novo Chinês, no ano passado, quando a “Tailândia registou um declínio dramático no número de viajantes chineses devido a preocupações de segurança relacionadas com o rapto e posterior resgate de um actor chinês, Wang Xing”.
Chongqing | Chuvas intensas fazem 3 mortos e 17 desaparecidos Hoje Macau - 26 Mai 2026 Pelo menos três pessoas morreram e 17 continuam desaparecidas na sequência das chuvas torrenciais registadas este fim de semana no distrito de Yongchuan, no município da cidade de Chongqing, na China central, informou a agência estatal Xinhua. Segundo as autoridades de Yongchuan, o balanço referia-se à tarde de domingo, hora local, enquanto os trabalhos de busca e emergência continuam na zona afectada. Na sequência da cheia de alguns rios da localidade, os comandos de controlo de inundações de Chongqing e do distrito de Yongchuan activaram os seus protocolos e enviaram para o local mais de 400 efectivos das forças de segurança, gestão de emergências e bombeiros para participar nas tarefas de resgate. As autoridades transferiram preventivamente 168 pessoas em situação de risco e realojaram de emergência outras 82, de acordo com a Xinhua. A televisão estatal CCTV informou que as autoridades centrais chinesas enviaram para Chongqing 10.000 artigos de ajuda, entre os quais tendas, camas dobráveis e lanternas de emergência. Este episódio soma-se às chuvas torrenciais registadas nos últimos dias noutras zonas do centro da China, que causaram vítimas e danos em províncias como Hubei e Hunan. A China enfrenta todos os anos episódios de chuvas intensas, cheias repentinas e deslizamentos de terra durante a estação das chuvas, especialmente em zonas montanhosas e rurais.
Cimeira | Xi criticou duramente “remilitarização” do Japão Hoje Macau - 26 Mai 2026 O Presidente chinês, Xi Jinping, criticou duramente a primeira ministra japonesa, Sanae Takaichi, pela “remilitarização” do Japão durante a cimeira com o Presidente norte-americano, Donald Trump, em meados de Maio, reportou o jornal Financial Times (FT). Citando várias fontes não identificadas com conhecimento da cimeira, o jornal apontou que, durante o encontro, Xi se tornou particularmente vocal e agitado ao abordar o Japão, surpreendendo responsáveis norteamericanos, já que o tema não tinha surgido nas conversações anteriores com os homólogos chineses. Após Xi ter criticado Takaichi e o aumento das despesas de defesa japonesas, Trump respondeu que Tóquio precisava de assumir uma postura de segurança mais assertiva devido à crescente ameaça da Coreia do Norte. As relações entre Pequim e Tóquio deterioraramse desde Novembro, quando a China reagiu com indignação às declarações de Takaichi no Parlamento nipónico de que um ataque chinês a Taiwan poderia constituir uma “ameaça existencial” para o Japão, justificando o recurso às suas forças armadas. Desde então, Pequim tem mantido um tom constante de ataques ao Japão, combinando retórica com medidas concretas, como restrições às exportações de terras raras.
A vaga da IA e os novos desafios: da reforma antecipada a uma transformação para a competitividade sustentável (II) David Chan - 26 Mai 2026 A semana passada, analisámos o impacto da ascensão da IA generativa nos planos de reforma. Ao longo da última década, a tendência da “Independência Financeira, Reforma Antecipada” (FIRE sigla em inglês) alastrou-se por todo o mundo, com muitos trabalhadores do sector de serviços ambicionando reformar-se cedo e viverem da aposentadoria. No entanto, desde o aparecimento do ChatGPT em finais de 2022, a velocidade da tecnologia de IA superou largamente as expectativas do mercado, não só na remodelação das estruturas industriais, mas também ao abalar directamente a lógica fundamental do FIRE tradicional e do Coast FIRE. Confrontados com a transformação provocada pela IA, os trabalhadores administrativos podem proteger-se através de estratégias a três tempos: a curto prazo, a médio prazo e a longo prazo. A estratégia a curto prazo consiste em desenvolver competências de colaboração com a IA, usando-a como uma ferramenta que potencia a eficiência reforçando assim a sua posição no local de trabalho e a sua Imprescindibilidade. A estratégia a médio prazo consiste em optimizar a alocação de bens e usar ferramentas financeiras profissionais para reduzir a dependência exclusiva do salário. A estratégia a longo prazo passa por reformular competências interdisciplinares, abraçando áreas onde a IA tem menos probabilidades de ser usada, como ligações interpessoais, tomada de decisões complexas e serviços que dependem sobretudo do lado emocional. As áreas profissionais que neste momento são menos afectadas pela IA, como a medicina, o aconselhamento psicológico, o artesanato de alto nível, a advocacia, as políticas públicas governamentais e a consultoria privada especializada, dependem em grande escala do julgamento humano, da confiança interpessoal, da experiência e da adaptabilidade às situações. Embora seja pouco provável que a curto prazo estes sectores sejam completamente assumidos pela IA, enfrentam na mesma três grandes riscos no que diz respeito à reforma: inflação, envelhecimento da população e aumento dos custos da saúde. As estratégias de aposentação para grupos profissionais estáveis também podem ter abordagens a curto, médio e longo prazo. As estratégias a curto prazo passam pela maximização das ferramentas de protecção estatutária, como o Fundo de Previdência Social da China, o Fundo de Previdência Obrigatório de Hong Kong (MPF, sigla em inglês), seguro de saúde opcional no local de trabalho, e o Fundo de Aposentação Opcional de Macau, que proporcionam diferentes opções de reforma e de protecção de saúde. O MPF de Hong Kong permite aumentar as contribuições mensais de acordo com as necessidades individuais, oferecendo segurança no período da reforma. As estratégias a médio prazo incluem a alocação de activos de rendimento passivo estável, como a aquisição de acções que pagam dividendos trimestrais ou a subscrição de obrigações com retorno fixo. As estratégias a longo prazo consistem na criação de planos de previdência e fundos fiduciários para garantir a cobertura de despesas essenciais futuras, como a compra de um seguro de vida com cobertura de renda vitalícia. Além disso, os colaboradores podem tornar-se consultores do seu sector de actividade, para apoiarem as empresas após a reforma e manterem as suas fontes de rendimento. Este artigo destina-se apenas à análise de tendências e referência conceptual e não constitui qualquer aconselhamento profissional sobre investimento, gestão financeira ou planeamento de reforma. Por favor, procure um consultor profissional licenciado para todas as decisões financeiras. Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Automobilismo | André Couto fez dois pódios em Ningbo Sérgio Fonseca - 26 Mai 2026 Como diz o povo, “quem sabe, nunca esquece”, e o convidado de última hora, André Couto, voltou a subir ao pódio no Lamborghini Super Trofeo Asia durante o fim-de-semana passado, no circuito de Ningbo O piloto português de Macau, que em 2024 triunfou na classe Pro-Am do troféu monomarca da prestigiada marca de automóveis italiana, foi chamado para guiar um dos Huracán Super Trofeo EVO2 da equipa sul-coreana Lamborghini Busan by Racegraph, na pista de Ningbo. Curiosamente, esta foi a primeira vez que o construtor de Sant’Agata Bolognese escolheu este circuito, que pertence ao grupo automóvel chinês Zhejiang Geely Holding Group, para acolher uma das suas jornadas no Interior da China. Na qualificação, Couto mostrou desde logo para o que vinha e qualificou-se no segundo lugar da geral, apenas atrás do favorito venezuelano Jonathan Cecotto, filho de Johnny Cecotto, vencedor da Corrida da Guia do Grande Prémio de Macau em 1986, ao volante de um Volvo 240 Turbo. Na primeira corrida do fim-de-semana, Jonathan Cecotto fez um arranque canhão e afastou-se cedo rumo ao triunfo. Atrás dele, seguiu-se uma intensa luta entre André Couto Gustaw Wiśniewski e Peter Li Zhicong, com várias ultrapassagens nas primeiras voltas. Couto acabou por perder terreno no decorrer da corrida devido ao comportamento da sua máquina. Nas paragens obrigatórias, Couto passou o volante ao seu colega de equipa, Ryan Liu Zexuan, que assumiu a liderança da classe Pro-Am. Mais tarde, o piloto chinês perdeu uma posição para o carro da dupla Chris van der Drift e Todd Kingsford, mas cruzou a linha de chegada no quinto posto da geral e num merecido segundo lugar na categoria Pro-Am. Na segunda corrida, no domingo, Ryan Liu fez o arranque e coube a Couto, que pegou no carro no sexto lugar, subir uma posição, para o quinto posto, levando novamente o carro do concessionário sul-coreano dos arredores de Seul até ao segundo lugar da classe Pro-Am, mais uma vez apenas atrás dos vencedores da classe van der Drift e Kingsford. As duas corridas na sinuosa pista de Ningbo foram vencidas por William Tregurtha e Jonathan Cecotto. Calor não ajudou Para o companheiro de equipa de André Couto, a dupla luso-chinesa teve um “desempenho sólido numa participação de última hora, com uma abordagem positiva do início ao fim”. Com experiência em monolugares e carros de GT, Ryan Liu explicou que “registámos a volta mais rápida e mantivemo-nos sempre muito próximos dos pilotos Pro, mostrando bom ritmo em pista. Com mais um ou dois dias de testes e dois jogos de pneus novos para testar, o potencial competitivo seria claramente maior”. O piloto do Interior da China reconheceu que a sua maior dificuldade foram as elevadas temperaturas que se fizeram sentir durante o fim de semana na província de Zhejiang. “Num carro com cockpit fechado, sem colete de arrefecimento nem ventilação, as temperaturas chegaram facilmente aos 50°C, tornando este desafio ainda mais exigente”, afirmou o piloto chinês.
Pequim defende acordo no Irão que tenha em conta “preocupações de todas as partes” Hoje Macau - 26 Mai 2026 A China apelou ontem para que “a porta do diálogo” no Médio Oriente não volte a fechar-se e defendeu uma solução negociada que tenha em conta “as preocupações de todas as partes”. Em conferência de imprensa, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou que “a procura de uma solução através de negociações foi bem acolhida pelos países da região e pela comunidade internacional”. “Agora que a porta do diálogo se abriu, não deve voltar a fechar-se”, declarou Mao, acrescentando que é necessário consolidar a tendência de distensão, manter a orientação geral de uma solução política e alcançar, através de consultas e diálogo, uma solução que tenha em conta as “preocupações de todas as partes”. A porta-voz destacou também a necessidade urgente de reabrir rapidamente as rotas marítimas, para salvaguardar a estabilidade e fluidez das cadeias globais de abastecimento e produção. Mao afirmou ainda que Pequim vai continuar a trabalhar com a comunidade internacional para impulsionar as conversações de paz e desempenhar um “papel construtivo” na promoção de uma paz duradoura no Médio Oriente. Desde o início do conflito, a China tem defendido uma solução através do diálogo e da negociação e, embora tenha condenado os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, pediu também “respeito pela soberania” dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas e económicas. Avanços e recuos Órgãos de comunicação social norte-americanos como o Axios e o The New York Times noticiaram que Washington e Teerão podem estar próximos de alcançar um acordo que permitirá reabrir o estreito de Ormuz, levantar sanções contra o Irão, desbloquear fundos iranianos e prolongar a trégua por 60 dias para negociar um pacto nuclear. As autoridades iranianas negaram já estar iminente um acordo de paz com os Estados Unidos, mas reconheceram avanços nas negociações. Por seu lado, responsáveis norte-americanos continuaram a referir avanços nas negociações e um eventual anúncio iminente de entendimento.
Paquistão | China condena ataque contra comboio e oferece apoio Hoje Macau - 26 Mai 2026 A China lamentou ontem o ataque contra um comboio suburbano no oeste do Paquistão, no qual morreram pelo menos 29 pessoas, e manifestou disponibilidade para reforçar a cooperação bilateral antiterrorista. Em conferência de imprensa, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou que a China “condena firmemente” o ataque terrorista e expressou solidariedade com vítimas e familiares. “A China opõe-se firmemente a todas as formas de terrorismo e continuará a apoiar o Paquistão na luta contra o terrorismo, na manutenção da unidade e estabilidade social e na proteção da segurança da população”, declarou Mao. O ataque, já reivindicado pelo Exército de Libertação do Baluchistão (BLA, atingiu um comboio perto da passagem de nível de Chaman Phatak, em Quetta, capital da província do Baluchistão, situada a cerca de 125 quilómetros da fronteira com o Afeganistão. Pelo menos 29 pessoas morreram e 102 ficaram feridas, de acordo com fontes policiais. A agência de notícias France-Presse indicou que o comboio transportava soldados e familiares de Quetta para Peshawar. O Baluchistão, a maior província do Paquistão em extensão territorial, mas também uma das menos desenvolvidas, é palco há décadas de uma rebelião separatista armada contra o Governo central. A condenação chinesa coincide com a visita oficial de quatro dias que o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, iniciou, no sábado, à China.
Shenzhou23 | Lançada nave com um dos três astronautas que ficará um ano no espaço Hoje Macau - 26 Mai 2026 A missão, que leva agora três homens para o espaço, faz parte do projecto de enviar astronautas para a Lua até 2030 A China lançou domingo a nave Shenzhou 23 em direcção à estação espacial Tiangong, com três astronautas, incluindo um que permanecerá no espaço durante um ano, passo crucial na ambição de Pequim de enviar seres humanos à Lua até 2030. A nave espacial descolou domingo do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste da China, às 23:08 locais. Este lançamento surge num momento em que a China se prepara para a sua primeira viagem tripulada à Lua até 2030 e acontece num cenário em que a China intensifica o seu programa espacial. A missão marca também o primeiro voo espacial realizado por um astronauta originário de Hong Kong. Os astronautas da missão são o comandante Zhu Yangzhu, de 39 anos, engenheiro espacial, Zhang Zhiyuan, também de 39 anos, antigo piloto da Força Aérea, e Li Jiaying, de 43 anos, que trabalhava anteriormente para a polícia de Hong Kong. A tripulação deverá realizar dezenas de projectos científicos e de aplicação, informou a comunicação social estatal. Espera-se também que completem uma rotação em órbita com a tripulação da Shenzhou 21, que se encontra na estação espacial Tiangong há mais de 200 dias. Mas a principal particularidade da Shenzhou-23 reside na realização de uma estadia orbital de um ano inteiro por um dos três membros da tripulação. Esta experiência permitirá, nomeadamente, estudar os efeitos de uma longa estadia em microgravidade. Trata-se de uma capacidade indispensável para a preparação de futuras missões lunares, ou mesmo marcianas. O astronauta que será seleccionado para esta estadia de um ano será designado posteriormente, em função da evolução da missão Shenzhou-23, indicou no sábado um responsável da Agência Espacial de Missões Tripuladas da China (CMSA, na sigla em inglês). Até agora, as tripulações a bordo da Tiangong permaneceram, em geral, seis meses em órbita, antes de serem substituídas. Na corrida A missão Shenzhou-23 insere-se no objectivo chinês de colocar astronautas na Lua antes de 2030, uma corrida que os Estados Unidos também lideram com o seu programa Artemis. Os equipamentos necessários para esta ambição encontram-se actualmente em fase de testes. A China deverá assim realizar, em 2026, o voo de teste em órbita da sua nova nave Mengzhou (“Nave dos Sonhos”), que deverá transportar os astronautas até à Lua. Pequim espera construir, até 2035, a primeira fase de uma base científica habitada, denominada Estação Internacional de Investigação Lunar (ILRS, na sigla em inglês) e prevê, também, até ao final de 2026, receber a bordo da estação Tiangong o seu primeiro astronauta estrangeiro, que será paquistanês. O gigante asiático desenvolveu consideravelmente os seus programas espaciais nos últimos 30 anos, para tentar alcançar o nível dos EUA, da Rússia ou da Europa. Os seus progressos são particularmente visíveis desde há uma década. Em 2019, a China colocou uma sonda espacial (a Chang’e-4) na face oculta da Lua, uma estreia mundial, e, em 2021, fez chegar um pequeno robô a Marte. Os EUA são considerados o principal rival espacial da China, com a NASA a ter como objectivo levar astronautas à superfície lunar em 2028. A estação espacial chinesa Tiangong, que se traduz como “Palácio Celestial”, acolheu pela primeira vez a tripulação do país em 2021. No ano passado, uma missão de emergência no âmbito do programa Shenzhou, que significa “Nave Divina”, resgatou uma equipa de astronautas que ficou retida na estação espacial devido a uma nave danificada.
A-Má | Nova edição de concurso literário aceita submissões até Setembro Andreia Sofia Silva - 26 Mai 2026 Está aberto o período de submissão de textos literários sobre Macau para a quarta edição do Prémio A-Má, da Fundação Casa de Macau, que visa premiar os melhores escritos sobre o território, nas vertentes de cultura e literatura. O objectivo é também divulgar e valorizar a identidade macaense. Os prémios vão dos 200 aos 500 euros A Fundação Casa de Macau volta a organizar mais uma edição do Prémio A-Má, que visa “incentivar e premiar a criatividade no âmbito da divulgação e valorização da identidade macaense”, destaca um comunicado. Até ao dia 15 de Setembro deste ano, os que escrevem sobre Macau podem enviar os seus textos, sendo este “um prémio de escrita”, com o conto a ser a modalidade do concurso. Este texto “pode ser uma narrativa real ou ficcionada”, com o tema a dever ser relacionado com Macau e/ou a cultura macaense, “sob qualquer perspectiva ou interpretação do autor”, explica a fundação. Há prémios pecuniários para os vencedores, que começam nos 200 euros para o terceiro lugar, 300 euros para quem fica em segundo lugar e, finalmente, 500 euros para o primeiro lugar. O júri é composto por três elementos, sendo presidido pelo presidente do Conselho de Curadores da Fundação Casa de Macau e dois membros convidados pela fundação. Numa das sessões públicas de divulgação do prémio, em 2021, Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau, declarou que o Prémio A-Má visa chamar a atenção para a identidade muito própria da comunidade macaense, e não apenas para o território em si. “Temos de olhar para o amanhã, e crer que tudo o que está a ser feito, e da parte da Fundação também, é olhar para esse amanhã e para esse reforço da identidade.” O responsável disse ser fundamental esse trabalho de preservação tendo em conta “as enormes mudanças” que Macau tem tido. “A Grande Baía é agora o grande projecto do Governo da RAEM, sendo uma iniciativa do Governo Central. Com o crescimento de Hengqin, e todo este crescimento rápido [traz] enormes potencialidades, há muito que fazer. Este é apenas um pequeno trabalho”, acrescentou na altura. Letras orientais A última edição do concurso, a terceira, teve lugar em 2023, tendo sido atribuído o primeiro prémio a Ester Liñares, com o texto “Mui Wong”. Em segundo lugar ficou “A Jornada de Nina”, um trabalho literário de Rute Taveira. Em 2022, Evirges Aparecida Salgado arrecadou o primeiro prémio com “Enigma da Primeira Lua”, seguindo-se os segundos lugares ex-aequo ganhos pelo jornalista e ex-residente de Macau, João Botas, com o texto “Macau Sempre”; e Shee Va, que escreveu “Tomásia”. Na edição de 2021 Caroline Pires Ting, investigadora, ficou em primeiro lugar ex-aequo com o texto “Ressonances between Tao Yuan-Ming (365-427) and Camilo Pessanha (1867-1926): The Paradise as utopic escape”. Ana Cristina Alves, ex-professora da Universidade de Macau e coordenadora do centro educativo do Centro Cultural e Científico de Macau, foi também a primeira classificada com o trabalho “Delírios de A-Má”. Fátima Almeida, residente em Macau, ex-jornalista e actualmente professora universitária, ficou em segundo lugar ex-aequo com o conto “When I first Heard Kun Iam’s Voice”.
IIM | Imagens de Roberto Badaraco em exposição Hoje Macau - 26 Mai 202627 Mai 2026 O Instituto Internacional de Macau (IIM) apresenta, a partir do próximo dia 5 de Junho, uma nova mostra de fotografia. “Natureza de Macau: Aves e Flores” é exibida na H2H (Hold On to Hope), da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), situada na vila de Ká-Hó, em Coloane. Roberto Badaraco, macaense e conhecido por “Bobby” é um “entusiasta de fotografia que cedo, aos oito anos, tomou gosto por ela”, tendo continuado a fotografar depois de se ter aposentado da Polícia Judiciária. O IIM explica que nessa fase da sua vida “passou a dedicar-se quase inteiramente a extrair da sua Canon EOS-1D X e Fujifilm X-T3, fotografias temáticas sobre a natureza”, sendo que “flores e pequenos insectos constituem o seu especial interesse”, sem esquecer as aves. “Bobby” tem apresentado parte do seu trabalho fotográfico nas redes sociais, com imagens que são “fruto da sua paciência e objecto de grata memória”. Já expôs no Encontro dos Macaenses em 2016, através do Instituto Internacional de Macau (IIM). A sua mais recente mostra aconteceu em 2024, no Auditório do Carmo, na Taipa. Esta exposição nasce de uma parceria entre o IIM e ARTM, em colaboração com a Escola Secundária Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes, divulgando-se “a rica variedade de aves que existe em Macau, de um conjunto de mais de 400 espécimes, bem como as suas características distintas da natureza”. A exposição pode ser vista na galeria da ARTM até ao dia 28 de Junho.
Casa de Macau exibe documentário “Som Tam”, de Vanessa Pimentel Andreia Sofia Silva - 26 Mai 2026 É exibido esta quarta-feira, dia 27, o documentário “Som Tam: Um Tailandês em Macau”, da autoria da realizadora Vanessa Pimentel, um projecto apresentado em 2023. A exibição acontece na Casa de Macau em Lisboa a partir das 15h30, sendo este documentário um “retrato da multiculturalidade de Macau”. Vanessa Pimentel estará presente na sessão, seguindo-se um debate após a exibição, coordenada por Ruka Borges, também ele realizador e Gonçalo Magalhães. Ambos asseguram “o enquadramento temático do filme”. O documentário em questão fez parte da programação de uma das edições do Festival Macao Films and Video Panorama, tendo o “mérito de nos trazer uma abordagem da vasta multiculturalidade que prolifera em Macau, trazendo a prespectiva da comunidade tailandesa de Macau”, explica a sinopse da autoria da Casa de Macau. Neste festival, a realizadora venceu dois prémios, o “Grand Jury Prize” e ainda o “Audience Choice Awards”, atribuídos pela Associação Audiovisual CUT. História peculiar É certo que Macau “é tradicionalmente conhecida como uma cidade multicultural devido à sua influência e raízes europeias”, descreve ainda a sinopse do documentário, sendo que, nos últimos anos, se transformou “numa economia próspera e um lar para muitos estrangeiros de diferentes nacionalidades”. “Som Tam” aborda a história da comunidade tailandesa em Macau, seguindo JJ, Sakol, Kay e a sua família, Ian Ian e Chatsada, e as vivências de espaços tailandeses em Macau como um supermercado, um restaurante e um festival de rua que há várias décadas se realiza no território. Todos estes elementos “estão reunidos em Macau como cenário”, contando a história de uma comunidade. O documentário espelha também “inúmeras emoções e conflitos que existem num processo de emigração”, nomeadamente sentimentos de “curiosidade, novidade, enfrentamento de outras realidades culturais, incerteza; e que podem mesmo ser sentimentos contraditórios”. Há, depois, o “equilíbrio e a capacidade de nos adaptarmos mais ou menos à cultura do outro, e adoptar ou não hábitos como se fossem nossos, num processo de transformação, onde também partilhamos os nossos costumes com o outro, numa busca por um lar”, descreve a sinopse. Ligada à câmara Vanessa Pimentel nasceu em 1978 em Lisboa. Em 2000, enquanto frequentava o curso de Filosofia na Universidade de Lisboa, começou a trabalhar como assistente de edição no cinema. Abandonou o curso e, desde então, tem trabalhado como montadora de filmes, coordenadora de pós-produção e, mais tarde, como supervisora de continuidade. Trabalhou em várias produções de cinema e documentários, como “Goodnight Irene” (prémio de longa-metragem narrativa no New Orleans Film Festival), “April Showers” (International Rotterdam Film Festival, IndieLisboa International Film Festival e Hamburg Film Festival) e “Go with the Wind” (melhor documentário no Extrema Doc e competição nacional no IndieLisboa International Film Festival). Em 2008, começou a trabalhar em produções portuguesas no estrangeiro. Filmou em Espanha, China continental, Macau, Istambul e Moscovo. Em Abril de 2010, mudou-se para Macau, e continua a trabalhar como realizadora, sendo também um local onde tem vindo a aprimorar outras competências.
Ébola | Alerta para viagens à República Democrática do Congo Hoje Macau - 26 Mai 202626 Mai 2026 A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) lançou um alerta a aconselhar os residentes de Macau “para evitarem, sempre que não seja estritamente necessário, deslocar-se à República Democrática do Congo (também conhecida como Congo-Kinshasa)”. O alerta foi justificado pelo facto de a Organização Mundial da Saúde ter classificado o surto da doença por vírus Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda como uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, existindo a tendência de propagação do surto na República Democrática do Congo. A entidade liderada por Helena de Senna Fernandes acrescentou que “os residentes de Macau que se encontram naquele destino devem acompanhar de perto a evolução do surto, reforçar a sua consciência de prevenção e adoptar as devidas medidas de protecção individual. Mais de 900 casos suspeitos ou confirmados na RDCongo Os casos suspeitos ou confirmados de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) ascendem a mais de 900, incluindo 101 em que a presença do vírus foi identificada em laboratório, alertou ontem a Organização Mundial da Saúde (OMS). O director-geral da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou as dificuldades em lidar com o surto na província de Ituri, epicentro da crise, onde uma em cada quatro pessoas necessita de assistência humanitária e uma em cada cinco é deslocada interna. “A violência está a obrigar as pessoas a fugir, incluindo profissionais de saúde e humanitários, o que está a dificultar gravemente os esforços para alargar o rastreio de contactos do Ébola e identificar as infecções com antecedência suficiente para prestar apoio”, sublinhou. Até à data, foram registadas 204 “mortes prováveis” devido à epidemia declarada em 15 de Maio, informou no sábado o Governo congolês. Angola, que faz fronteira com a RDCongo, está entre os 10 países africanos que correm o risco de ser afectados pelo vírus Ébola, além RDCongo e do Uganda, alertou no sábado a agência de saúde Africa CDC. As crises de longa data no leste da RDCongo, que tornaram a região palco de um dos piores desastres humanitários do mundo, afectam a resposta ao Ébola por vários motivos. Por um lado, a região enfrenta uma ameaça constante de violência. O leste da RDCongo tem sido palco de violência por parte de dezenas de grupos rebeldes distintos há anos, alguns deles com ligações a países estrangeiros ou ao Estado Islâmico(EI). Por outro lado, os rebeldes do grupo armado Movimento 23 de Março (M23), alegadamente apoiados pelo Ruanda, controlam partes da região e, embora o Governo da RDCongo ainda controle em grande parte a província de Ituri, no nordeste, que é o epicentro do surto de Ébola, esse controlo é frágil. Surtos habituais A RDCongo é regularmente afectada por surtos e epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto directo com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas. A actual epidemia corresponde a uma nova estirpe do Ébola, para a qual não existe vacina e cuja taxa de mortalidade varia entre 30 por cento e 50 por cento, segundo a OMS. O Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo. Na ausência de vacina e de tratamento aprovado contra a estirpe Bundibugyo do vírus, responsável pela epidemia actual, as directrizes de contenção assentam essencialmente no cumprimento das medidas de prevenção sanitária e na detecção rápida dos casos.
Turismo | Mais de 14,6 milhões de visitantes em quatro meses Hoje Macau - 26 Mai 202626 Mai 2026 Mais de 14,6 milhões de pessoas visitaram Macau nos primeiros quatro meses de 2026, um registo recordista. O fluxo crescente de turistas alargou-se a Maio. Só no sábado e domingo, entraram em Macau mais de 300 mil visitantes Macau registou a entrada de mais de 14,65 milhões de visitantes nos primeiros quatro meses do ano, mais 13,1 por cento do que em igual período em 2025, no que consiste um recorde histórico para o período em análise. Nos quatro primeiros meses de 2026, o número de entradas de visitantes na RAEM totalizou 14.655.300, segundo os dados divulgados na sexta-feira pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC), que divide a cifra em entradas de excursionistas (9.103.273) e de turistas (5.552.027), cujo crescimento foi de 20,1 e 3,3 por cento, respectivamente. Nos quatro primeiros meses do ano, o número de entradas de visitantes internacionais foi de 1.009.892, mais 10,7 por cento, face ao período homólogo de 2025, sendo que o período médio de permanência dos visitantes (1,0 dias) diminuiu 0,1 dias, face aos quatro primeiros meses de 2025, e o dos turistas (2,2 dias) desceu 0,1 dias. Durante o mês de Abril, especificamente, o número de entradas de visitantes foi de 3.441.396, mais 11,3 por cento, em termos anuais, um registo que composto por entradas de excursionistas (2.095.953) e de turistas (1.345.443), que aumentaram 19,4 e 0,6 por cento, respectivamente. Já o período médio de permanência dos visitantes (1,0 dias), diminuiu 0,1 dias, face a Abril de 2025, e o dos turistas (2,3 dias) manteve-se, informou a DSEC. Quem é quem Em termos de origens de visitantes, no mês de referência, o número de entradas de visitantes do Interior da China fixou-se em 2.405.286, mais 13,1 por cento, em termos anuais. O número de visitantes provenientes de Hong Kong (680.521) e de Taiwan (101.453) aumentaram 3,1 e 32,2 por cento no mês em análise. As entradas de visitantes internacionais totalizaram 254.136, mais 10,5 por cento, em termos anuais, lideradas por turistas das Filipinas (51.544), Coreia do Sul (40.603) e Tailândia (29.008), com subidas de 19,6, 9,1 e 41,8 por cento, face a Abril de 2025. Em relação aos visitantes de longa distância, o número de entradas de visitantes dos Estados Unidos da América (15.299) aumentou 13,9 por cento, face a Abril do ano anterior, sublinham os serviços. Além dos números da DSEC para os primeiros quatro meses de 2026, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou ontem que o número de travessias registadas nos postos fronteiriços (nos dois sentidos), desde o início do ano, ultrapassou 100 milhões. A marca antecipou o registo do ano passado em 14 dias, segundo a contabilidade do CPSP. Somando os registos de sábado e domingo, as autoridades revelam que mais de 300 mil visitantes entraram em Macau nos dois dias, com destaque para sábado quando as entradas chegaram quase às 160 mil. Turismo | Associação espera mais visitantes fora de Guangdong Leng Sai Vai, presidente da Associação de Federação da Indústria e Comercial de Turismo de Macau, disse ao jornal Ou Mun que as autoridades devem procurar captar visitantes de alta qualidade, ou seja, de zonas mais afastadas de Guangdong, que possam permanecer e fazer compras em Macau, e não apenas buscar um maior número de turistas. Segundo o jornal Ou Mun, o responsável citou os dados dos turistas relativos a Abril e também dos primeiros quatro meses do ano, que revelam um aumento consecutivo, argumentando que estes resultam das políticas de facilitação de visitas dos cidadãos do interior da China para Macau aprovadas pelo Governo Central. Porém, Leng Sai Vai destacou que como a maioria dos turistas oriundos da região do delta do rio das pérolas não pretende pernoitar em Macau, fica difícil que o consumo local atinja valores mais elevados. Desta forma, o responsável acredita que o Governo deve reforçar as actividades de promoção turística em zonas mais afastadas da província de Guangdong e até noutras províncias chinesas, pois a face à distância maior, será também maior a probabilidade de os visitantes pernoitarem no território. O dirigente associativo recordou ainda que o parque de estacionamento do Posto Fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau tem cerca de três mil vagas para turistas de Hong Kong, mas a taxa de ocupação não é alta. Assim, o Governo poderia permitir que esses lugares fossem ocupados por carros com matrícula do Interior da China para um melhor aproveitamento dos recursos públicos. Ao mesmo tempo, tal poderia levar a um aumento do consumo nos negócios localizados perto do parque.
Habitação | Movimentos de 7,15 mil milhões até Março Hoje Macau - 26 Mai 2026 Nos primeiros três meses do ano, foram transaccionadas 1.613 fracções autónomas habitacionais, o que representou um aumento de 878 transacções, em termos trimestrais. As 1.613 fracções foram negociadas por 7,15 mil milhões de patacas, um crescimento trimestral de 113,9 por cento. Os dados foram divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). No mesmo período, foram também transaccionados 729 lugares de estacionamento, por um total de 1,16 milhões de patacas. O preço médio por metro quadrado, de área útil, das fracções autónomas habitacionais globais fixou-se nas 67.484 patacas, uma redução trimestral de 0,8 por cento. Todavia, o preço médio das fracções autónomas habitacionais de edifícios construídos situou-se em 66.693 patacas, uma subida de 1,5 por cento, em termos trimestrais. CPSP | Detectados 55 trabalhadores ilegais em Abril Durante o mês de Março, a Direcção de Serviços dos Assuntos Laborais e o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) realizaram 304 inspecções conjuntas, que resultaram na identificação de 55 trabalhadores ilegais. Os números foram avançados ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública. Em relação a Abril, registou-se uma redução do número de trabalhadores ilegais, uma vez que no terceiro mês do ano tinham sido identificados 79 casos. No entanto, nessa altura, foram fiscalizados mais locais, num total de 445. Os dados revelados ontem, permitem também concluir que nos primeiros três meses do ano foram verificadas situações de 263 trabalhadores ilegais, em 1.568 locais inspeccionados.
Portugueses | Número de imigrantes para Macau a cair João Santos Filipe - 26 Mai 2026 Em 2024, 14 portugueses imigraram para Macau, o número mais baixo desde o ano 2000. A informação consta do Relatório Emigração Portuguesa, elaborado pelo Observatório da Emigração Em 2024, o número de imigrantes portugueses a mudar-se para Macau baixou para 14 e atingiu o número mais baixo desde 2000, de acordo com os dados do Relatório Emigração Portuguesa 2025, elaborado pelo Observatório da Emigração. Em relação à parte de Macau, o documento tem por base os números da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Segundo o documento, o valor de 14 imigrantes de Portugal representa uma diminuição anual de 73,6 por cento em comparação com 2023, quando chegaram ao território 53 imigrantes do país europeu. De acordo com o relatório, primeiramente citado pelo portal Macau News Agency, para encontrar um registo pior que o do ano passado é necessário recuar a 2000, o primeiro ano depois da transferência. Nessa altura houve apenas quatro portugueses a imigrarem para Macau. No entanto, os dados divulgados não permitem perceber se aos novos imigrantes foram concedidos bilhetes de identidade de residentes (BIR) ou cartões de trabalhador não-residente, o cartão azul. Em termos da imigração total para Macau, o relatório indica que em 2024 houve 1.074 novos imigrantes, e os 14 portugueses representam 1,3 por cento deste universo. Neste capítulo, a percentagem de portugueses no total de imigrantes é a baixa desde que este tipo de estatística surge no relatório, em 2007. Para encontrar um valor semelhante é preciso recuar a 2009, quando houve um total de 9.489 imigrantes e em que 137 eram portugueses, o que se concretizou numa proporção de 1,4 por cento. Pior que na covid-19 Os dados mais recentes mostram também que o número de imigrantes vindos de Portugal está abaixo mesmo dos anos da covid-19, quando os não-residentes nem podiam entrar em Macau, devido à política de zero casos. A covid prolongou-se entre 2020 e 2023 e as restrições e entrada foram sendo flexibilizadas ou apertadas de acordo com o surgimento de casos em Macau e também a situação no Interior. Em 2020, houve 67 portugueses a imigrarem para Macau, o número baixou para 18 no ano seguinte, em 2021, e subiu para 20 em 2022. Em 2023, ano em que entraram em vigor as restrições para dificultar a obtenção de bilhete de identidade de residente pelos portugueses, houve 53 portugueses a imigrarem. Finalmente, em 2024, os dados mais recentes mostram o valor a baixar para 14.