O umbral da desordem mundial (I) Jorge Rodrigues Simão - 18 Jun 2026 “When a political community loses the courage to name reality, it also forfeits the capacity to shape it.” Adrian Leclerc, European Letters on Power Avançamos para Gibraltar como o último estreito ainda livre que nos liga ao grande oceano e que, pela sua centralidade geoestratégica, deveria converter à fé até o mais céptico. Observado a partir do centro do poder europeu, o assalto israeloamericano ao Irão assume a forma de um cerco progressivo, no qual a Europa corre o risco de se ver confinada a um mar interior crescentemente condicionado. A antiga noção de “ponte oceânica” entre territórios e rotas globais dissolve-se à medida que, de leste a oeste, se fecha uma válvula após outra. Hormuz arde, Bāb alMandab encontrase sob fogo e o Suez é atingido pelas guerras de reacção desencadeadas após o 7 de Outubro. Sobre os estreitos turcos, fronteira entre o Mar Negro como palco da disputa russo-ucraniana e um Mediterrâneo oriental em convulsão com o epicentro em Chipre, reina igualmente um silêncio inquietante. Nem o Estreito da Sicília oferece tranquilidade, dada a presença assertiva da Turquia na margem sul, a influência russa na Cirenaica e a pressão dos conflitos permanentes entre o Sahel e o Corno de África. Mais a oeste, a situação melhora apenas marginalmente, condicionada pelas reivindicações argelinas sobre zonas marítimas adjacentes, às quais se responde com prudência devido à dependência energética europeia. É previsível, nos próximos meses, um movimento migratório de grande escala proveniente do sudeste em direcção ao continente europeu, evocando em alguns espíritos a travessia bíblica do Mar Vermelho. O caos aproxima-se. O colapso do império marítimo americano repercute-se directamente sobre nós. A ofensiva desencadeada a 28 de Fevereiro por Trump, actuando como aliado subordinado de Israel contra o Irão, marca o crepúsculo da talassocracia americana. Um império em declínio perde a capacidade de controlar os pontos de estrangulamento estratégicos que constituíam o sistema nervoso da sua hegemonia, agora em dissolução. A situação representa uma humilhação particular para a Marinha dos Estados Unidos, herdeira da antiga supremacia britânica. O motim a bordo do seu maior porta-aviões, o Gerald Ford, temporariamente imobilizado após danos provocados por marinheiros exaustos depois de quase um ano de missões contínuas, revela o estado de degradação da “Armada” na qual Trump confiava para esmagar a República Islâmica. O caos alastra pelas instituições, estruturas administrativas, órgãos de decisão, burocracias e centros de influência de Washington e pelo próprio governo federal, onde o presidente, num estilo errático, acumula vantagens pessoais enquanto fomenta conflitos internos. Chega mesmo a ameaçar com a saída da NATO, que descreve como “tigre de papel”. A comparação com Nero torna-se inevitável. Entre as frases apócrifas atribuídas a Mark Twain, uma parece ajustar-se ao auto-afundamento do líder americano ao afirmar que “Deus criou a guerra para que os americanos aprendessem geografia.” E, acrescentar-se-ia, história. Missão falhada. Apenas uma minoria dos cidadãos dos Estados Unidos consegue localizar o Irão num mapa; muitos pensam tratar-se de um país árabe e confundem-no com o Iraque; poucos o identificam como a antiga Pérsia. (Continua)
FRC | Conteúdo de Museu de Macau em Lisboa em palestra Hoje Macau - 18 Jun 2026 A Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe hoje, a partir das 18h30, a sessão “O Museu de Macau em Lisboa e o seu Catálogo”, que terá como oradora a presidente do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), Carmen Amado Mendes. O objectivo desta sessão é falar do património expositivo do CCCM e também do “Catálogo da Colecção do Museu de Macau em Lisboa”, uma obra publicada em dois volumes que, segundo os organizadores, “reúne e contextualiza de forma sistemática um acervo de excepcional riqueza e diversidade, oferecendo novas perspectivas sobre as colecções do Museu do CCCM e sobre a relevância para o estudo das relações entre a Ásia e a Europa”. O Museu do CCCM está vocacionado para o estudo e divulgação das relações luso-chinesas, possuindo mais de 3.500 peças divididas por diversas tipologias, entre as quais estatuária, trajes e peças de carácter utilitário e decorativo, e por diversos materiais, entre os quais terracota, têxteis e porcelana. O Museu é constituído por dois núcleos distintos e complementares: o núcleo sobre A Condição Histórico-cultural de Macau nos Séculos XVI e XVII, e o núcleo sobre a Colecção de Arte Chinesa. O CCCM é um instituto público integrado na administração indirecta do Estado, e sob tutela do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, dotado de autonomia administrativa e património próprio. Além disso, promove e patrocina projectos de investigação, bolsas de Doutoramento, publicação de teses, serviços de apoio à formação académica, educativa e cultural.
IIM | Inaugurada exposição “Padrões de Macau 2.0”, de Eva Bucho Andreia Sofia Silva - 18 Jun 2026 O Instituto Internacional de Macau (IIM) acolhe, a partir de hoje, mais uma exposição integrada no cartaz das celebrações de “Junho – Mês de Portugal 2026”. Trata-se de “Padrões de Macau 2.0”, da autoria de Eva Bucho, uma extensão de trabalhos já expostos em 2024 e que, desta vez, inclui os padrões e ornamentos encontrados na Taipa e em Coloane Eva Bucho regressou ao seu projecto “Padrões de Macau”, realizado e apresentado ao público em 2024, estendendo a sua pesquisa às ilhas de Taipa e Coloane. “Padrões de Macau 2.0” é o resultado desse trabalho, com a exposição a ser inaugurada hoje no Instituto Internacional de Macau (IIM) a partir das 18h. A autora do projecto quis explorar todos os padrões culturais presentes em portas, janelas, pavimentos e demais ornamentos, revelando traços patrimoniais e arquitectónicos muito particulares de uma mistura de vivências e culturas. Estes padrões revelam-se em fotografias, tratando-se de um novo trabalho editorial mais completo sobre o que se pode encontrar no território, contou Eva Bucho ao HM. “Mantivemos a maior parte dos padrões e acrescentámos alguns novos às freguesias existentes, dando oportunidade a quem não adquiriu a primeira edição de ficar a conhecer este projecto. Mas a grande novidade é que expandimos o conceito e agora temos uma edição completa com padrões de Macau, Taipa e Coloane. Lanço também uma colecção de merchandise — assim, os padrões saem do livro e ganham nova vida”, disse. O objectivo foi manter “a identidade central” do projecto, mas melhorando “a experiência e alcance”. Para Eva Bucho, estes padrões contam “a história de um território híbrido e único”, e de como Macau sempre foi “um espaço de grande interesse visual, onde o diferente se encontra sem se anular”. “O mais bonito é que, mesmo sendo património, estes padrões continuam vivos — nas ruas, nos mercados, nos azulejos das lojas antigas. O meu projecto tenta tornar esse olhar mais consciente e duradouro, ajudando-nos a olhar melhor à nossa volta e a dar mais valor ao que existe e vemos todos os dias”, acrescentou. Longo processo Eva Bucho recolhe estes padrões há muitos anos, e fá-lo porque “são testemunhas silenciosas da identidade única de Macau”. “Muitas vezes, passamos por eles todos os dias sem os ver realmente — nas portas, nos azulejos, nas fachadas dos edifícios antigos. O meu objectivo é tirá-los do esquecimento quotidiano e dar-lhes um novo lugar de destaque, num formato editorial que os preserve e celebre”, disse a responsável pelo projecto. Em relação ao processo de selecção, foram escolhidos “os que tinham mais força visual, história cultural e também os que estão a desaparecer”, verificando-se, em “Padrões de Macau 2.0”, “um olhar pessoal e duradouro sobre o que nos rodeia”. Eva Bucho voltou a padrões fotografados há dez anos, aos quais quis voltar, por exemplo, e que já desapareceram. Assim, esta recolha é também como uma preservação de algo tão único e, muitas vezes, esquecido. “Há também outros, em portas, cujas portas mudaram de cor desde a primeira edição. Cada padrão que se perde ou se altera é um pequeno silêncio na memória visual do território — e é por isso que este projecto continua a fazer sentido.” Eva Bucho gostava de fazer uma terceira edição de “Padrões de Macau”, sendo que o “olhar” que deu origem às duas primeiras edições “não se esgotou”. A autora nota ainda um sentimento de perda face a padrões que têm desaparecido à conta das constantes renovações e mudanças no território. “Há sempre novos padrões para descobrir, novos detalhes em fachadas esquecidas, novas cores em portas antigas. Além disso, desde 2016 que venho a perder padrões que gostaria de ter registado — e essa urgência mantém-se. Por isso, sim, há sempre espaço para novas edições, se houver novo material significativo a acrescentar — novos padrões, novas histórias, ou um novo olhar sobre o que já foi registado.” Acima de tudo, “o caderno de campo continua aberto, e Macau continua a surpreender”, resume. A mostra de fotografia fica patente até ao dia 31 de Julho. Hoje, no IIM, é também apresentado o quinto volume de “Figuras de Jade – Os Portugueses no Extremo Oriente”, de António Aresta, bem como os últimos cinco volumes das crónicas de Jorge Rangel, presidente do IIM. Estes volumes dizem respeito à obra “Falar de Nós – Acontecimentos, Personalidades, Instituições, Diáspora, Legado e Futuro”.
MNE | China apela a maior respeito pela ONU e maior representação do Sul Global Hoje Macau - 18 Jun 2026 O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu ontem um maior respeito pela autoridade da ONU e uma reforma que aumente a representação dos países em desenvolvimento, alertando para o regresso da “lei da selva” nas relações internacionais. Segundo declarações citadas pela imprensa estatal chinesa, Wang afirmou que a comunidade internacional criou a ONU há mais de 80 anos, após constatar a “catástrofe humana” provocada pelo predomínio da lei do mais forte durante as duas guerras mundiais. “Hoje, se o multilateralismo parece falhar, não é porque as Nações Unidas tenham deixado de ser importantes, mas precisamente porque a sua autoridade e o seu papel não foram respeitados nem exercidos”, declarou o chefe da diplomacia chinesa, por ocasião da publicação do livro branco “Construir um sistema de governação global mais justo e razoável: as ideias, iniciativas e ações da China”. Wang acrescentou que o regresso da “lei da selva” não se deve ao facto de a Carta da ONU estar “ultrapassada”, mas sim por não ter sido “cumprida nem defendida de forma eficaz”. Perante os desafios globais, o ministro considerou “urgente” cumprir as obrigações previstas na Carta das Nações Unidas, praticar a igualdade soberana entre Estados, respeitar o direito internacional e opor-se à “intimidação dos mais fortes”. O responsável apelou ainda ao apoio à ONU para que desempenhe um papel central na construção de consensos, na coordenação da acção internacional e na resposta aos desafios globais. Posição clara Wang defendeu também uma aceleração da reforma da organização para “responder às exigências dos países em desenvolvimento” e reforçar a representação e a voz dos países do chamado Sul Global. A posição insere-se numa linha recorrente da diplomacia chinesa, através da qual Pequim se apresenta como defensora do multilateralismo e de uma ordem internacional “centrada na ONU”, em contraposição ao que descreve como “unilateralismo”, “hegemonismo”, “mentalidade de Guerra Fria” e “regresso à lei da selva”. Esta narrativa tem sido frequentemente utilizada pela China em relação a conflitos como os da Ucrânia, Gaza e Irão, bem como em resposta a críticas ocidentais sobre direitos humanos e sanções.
Qinghai | Dois novos sismos abalam província após terramoto que causou um morto Hoje Macau - 18 Jun 2026 Dois sismos, de magnitude 3,3 e 4,1, abalaram, entre a noite de terça-feira e a manhã de ontem, a prefeitura de Haixi, oeste da China, na sequência do sismo que no dia anterior causou um morto e oito feridos. O Centro de Redes Sismológicas da China informou que o primeiro dos novos tremores ocorreu às 22:19 de terça-feira, com magnitude de 3,3, a 10 quilómetros de profundidade. O segundo ocorreu às 10:06 de ontem, com magnitude de 4,1 e também a 10 quilómetros de profundidade, segundo as medições oficiais. Ambos os tremores foram registados em áreas próximas do epicentro do sismo principal, ocorrido na terça-feira às 17:06, na prefeitura autónoma de Haixi, na província de Qinghai. As autoridades de Qinghai elevaram para oito o número de feridos pelo sismo de terça-feira, face aos quatro inicialmente comunicados, e precisaram que todos receberam alta do hospital após receberem cuidados médicos. O Governo provincial informou ainda que cerca de 3.000 pessoas foram alojadas em cinco pontos de acolhimento habilitados para os afectados, entre as quais 1.286 são estudantes e professores. Na zona foram mobilizados cerca de mil socorristas e 178 veículos, e as autoridades centrais chinesas enviaram 10.000 artigos de ajuda, aos quais se somaram outros 2.500 enviados pelos governos locais. O oeste da China (onde se situam as regiões autónomas do Tibete e de Xinjiang, e províncias como Gansu ou Qinghai) é frequentemente afectado por estes movimentos sísmicos, devido à sua proximidade do local onde as placas tectónicas da Eurásia e da Índia se chocam, nos Himalaias. No entanto, devido à baixa densidade populacional, estes fenómenos não costumam causar danos significativos.
IA | DeepSeek supera 43 mil milhões de euros em valor de mercado, diz imprensa Hoje Macau - 18 Jun 2026 A empresa chinesa de inteligência artificial (IA) DeepSeek ultrapassou uma valorização de 50 mil milhões de dólares após a sua primeira ronda de financiamento, segundo a imprensa norte-americana. A empresa, que lançou em Abril o seu mais recente modelo de IA, denominado V4, surpreendeu o seCtor tecnológico no início de 2025 com um modelo de linguagem de baixo custo capaz de rivalizar com concorrentes norte-americanos. Segundo o Wall Street Journal e o The Information, que citam fontes próximas do processo, a DeepSeek arrecadou recentemente mais de 50 mil milhões de yuan, numa operação que avalia a empresa em mais de 50 mil milhões de dólares. A título de comparação, a empresa norte-americana Anthropic está avaliada em cerca de 96,5 mil milhões de dólares após uma ronda de financiamento de 6,5 mil milhões de dólares, enquanto a OpenAI atingiu uma valorização de cerca de 85,2 mil milhões de dólares. As duas empresas norte-americanas iniciaram nas últimas semanas diligências para uma eventual entrada em bolsa, o que poderá indicar que o ciclo de financiamento privado em valores recorde está a aproximar-se dos seus limites. O Wall Street Journal e o The Information indicam ainda que o fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng, realizou o maior investimento da ronda, no valor aproximado de 20 mil milhões de yuan. Os dois órgãos referem também que o Fundo Nacional de Investimento na Indústria da Inteligência Artificial, apoiado pelo Governo chinês, investiu cerca de mil milhões de yuan directamente na DeepSeek. Entre os restantes investidores, figuram alegadamente a tecnológica Tencent, a plataforma de comércio electrónico JD.com, o fabricante de baterias CATL e a editora de videojogos NetEase. Os sistemas da DeepSeek são de código aberto (‘open source’), o que significa que o seu funcionamento interno é público e pode ser adaptado por programadores às suas necessidades.
‘Instagram chinês’ Xiaohongshu prepara entrada em bolsa em Hong Kong Hoje Macau - 18 Jun 2026 A Xiaohongshu, equivalente do Instagram na China, está a preparar-se para apresentar ainda este mês um pedido de entrada na Bolsa de Valores de Hong Kong, avançou ontem a imprensa local. Segundo fontes citadas pelo portal noticioso chinês 163.com, a Xiaohongshu ainda não definiu aspectos como o calendário da oferta pública inicial (IPO), o montante que pretende angariar ou a valorização a que aspira. O mesmo portal recorda, contudo, que a possibilidade de uma entrada em bolsa tem sido alvo de especulação recorrente nos últimos anos. Em 2018, a cofundadora da empresa, Miranda Qu, chegou a indicar 2021 como prazo máximo para concretizar a operação, algo que acabou por não se materializar. Posteriormente, surgiram rumores sobre uma eventual cotação nos Estados Unidos, mas as informações mais recentes apontam para Hong Kong como destino da operação, em linha com a tendência seguida por várias tecnológicas chinesas face às tensões com Washington e às reservas de Pequim relativamente à cotação das suas empresas em mercados estrangeiros, como o de Nova Iorque. Fundada em 2013 como uma plataforma de recomendações de compras e sediada em Xangai, a Xiaohongshu completou até agora sete rondas de financiamento, contando com o apoio de gigantes tecnológicos como Alibaba e Tencent, bem como de fundos de investimento como Sequoia e GGV Capital. De acordo com a informação divulgada, estima-se que a empresa tenha registado lucros de cerca de 3.000 milhões de dólares em 2025, ano no final do qual a sua avaliação de mercado terá atingido aproximadamente 50.000 milhões de dólares. Bom momento A Xiaohongshu é uma das principais concorrentes da rede social chinesa Douyin, a versão local do TikTok, no sector das redes sociais. A sua aplicação internacional, RedNote, registou um forte crescimento em mercados como os Estados Unidos durante o breve período em que o TikTok, desenvolvido pela ByteDance, enfrentou uma proibição temporária naquele país. Segundo a agência Bloomberg, o momento poderá ser favorável para uma entrada em bolsa em Hong Kong, mercado que vive uma forte recuperação das ofertas públicas iniciais. As estimativas apontam para um volume superior a 43.000 milhões de dólares em novas entradas este ano, o valor mais elevado dos últimos seis anos, impulsionado pelo interesse dos investidores em empresas tecnológicas chinesas. No entanto, o rápido desenvolvimento da inteligência artificial (IA), apontado como um dos principais motores do actual entusiasmo dos investidores, poderá também representar uma ameaça para o tráfego e os modelos de negócio de plataformas como a Xiaohongshu, acrescenta a Bloomberg.
Poesia de Lu Xun traduzida – 他 Tā Sara F. Costa - 18 Jun 2026 他 Tā 「知了」不要叫了, zhī liǎo bú yào jiào le 他在房中睡著; tā zài fáng zhōng shuì zháo 「知了」叫了,刻刻心頭記著。 zhī liǎo jiào le, kè kè xīn tóu jì zhe 太陽去了,「知了」住了,還沒有見他, tài yáng qù le, zhī liǎo zhù le, hái méi yǒu jiàn tā 待打門叫他,一銹鐵鏈子繫著。 dài dǎ mén jiào tā, yí xiù tiě liàn zi jì zhe 秋風起了, qiū fēng qǐ le 快吹開那家窗幕。 kuài chuī kāi nà jiā chuāng mù 開了窗幕,會望見他的雙靨。 kāi le chuāng mù, huì wàng jiàn tā de shuāng yè 窗幕開了,一望全是粉牆, chuāng mù kāi le, yí wàng quán shì fěn qiáng 白吹下許多枯葉。 bái chuī xià xǔ duō kū yè 大雪下了,掃出路尋他; dà xuě xià le, sǎo chū lù xún tā 這路連到山上,山上都是松柏, zhè lù lián dào shān shàng, shān shàng dōu shì sōng bǎi 他是花一般,這裏如何住得! tā shì huā yì bān, zhè lǐ rú hé zhù de 不如回去尋他,一呵!回來還是我的家。 bù rú huí qù xún tā, yì hē, huí lái hái shì wǒ de jiā Ele «Cigarra», não cantes mais. Ele dorme dentro de casa. «Cigarra», cantas sem cessar, e o meu coração lembra-se dele. O sol desapareceu. A cigarra calou-se. E eu ainda não o vi. Quero bater-lhe à porta, chamá-lo, mas uma corrente enferrujada prende-a. Ergue-se o vento de outono. Abre aquela cortina. Abre-a depressa. Se a cortina se abrir, talvez eu veja as suas covinhas. A cortina abre-se. Olho. Há apenas um muro rosado. Em vão o vento derruba folhas secas. Cai a neve. Abro caminho para o procurar. Esta estrada sobe à montanha. Na montanha há apenas pinheiros e ciprestes. Ele é como uma flor. Como poderia viver aqui? Talvez seja melhor voltar a procurá-lo. Ah… Quando regresso, continua a ser a minha casa. Comentário da tradutora Publicado a 15 de abril de 1919 na revista Nova Juventude (Xin Qingnian 新青年), vol. 6, n.º 4, sob o pseudónimo Tang Si (唐俟), este poema debruça-se sobre o motivo da procura de uma figura idealizada, designada apenas por “ele” (他). A indeterminação do pronome abre o texto a uma leitura amplamente simbólica. “Ele” pode ser uma pessoa amada, uma forma de beleza, um ideal espiritual ou uma promessa de renovação que permanece sempre próxima e inacessível. A construção do poema aproxima-se de uma pequena cena dramática. A voz dirige-se primeiro à cigarra (知了), pedindo-lhe silêncio, como se o canto insistente impedisse o repouso ou amplificasse um sentimento de vazio causado por uma ausência. A cigarra, associada ao verão, adquire a função de uma voz exterior que ativa a memória interior. O seu canto fixa “ele” no coração do sujeito, instaurando uma tensão entre som, desejo e impossibilidade de encontro. A procura organiza-se em três momentos sazonais. O verão aparece no canto da cigarra e no desaparecimento do sol. O outono surge através do vento, da cortina e das folhas secas. O inverno manifesta-se na neve, no caminho aberto à força e na montanha coberta de pinheiros e ciprestes. A primavera permanece ausente, precisamente a estação da flor, do encontro e da renovação. Esta ausência dá ao poema uma estrutura de frustração contínua. A casa (房, 家) constitui o primeiro espaço da procura e também o ponto de retorno enquanto a corrente enferrujada (銹鐵鏈子) parece assumir a função do objeto que impede o acesso ao interior, convertendo, assim, a proximidade em clausura. É como se a figura procurada estivesse dentro mas a porta bloqueada transformasse essa possibilidade numa forma de distância. Ou seja, a busca começa perante uma suposta presença e termina numa amargura associada ao mesmo espaço doméstico. A cortina (窗幕) parece introduzir uma promessa de revelação. A voz espera ver as covinhas de “ele” (雙靨), detalhe corporal delicado que confere à figura uma presença quase amorosa. Quando a cortina se abre, surge apenas o muro rosado (粉牆). O gesto de desvelamento revela uma superfície vazia. A cor preserva uma delicadeza aparente, mas a presença esperada dissolve-se numa parede. A última deslocação conduz à montanha, espaço de frio, de distância e de permanência. Os pinheiros e ciprestes (松柏), associados à resistência e também ao imaginário fúnebre, contrastam com a natureza floral de “ele”. A afirmação “ele é como uma flor” (他是花一般) torna explícita a incompatibilidade entre a figura procurada e o lugar encontrado. A flor exige outro clima, outro tempo, outra possibilidade de vida. O verso final fecha o poema em círculo. O regresso não produz reencontro nem uma descoberta. A casa permanece a mesma e o sujeito retorna ao ponto de partida, trazendo apenas a consciência da ausência. A procura revela-se, assim, simultaneamente movimento e clausura, desejo de saída e impossibilidade de abandonar verdadeiramente o próprio lugar. A tradução procurou acentuar a dimensão vocal e dramática do texto original, preservando os chamamentos, as interrupções e as frases breves. A divisão versal procurou tornar audível a respiração ansiosa da busca e consequente sucessão de expectativas frustradas. A linguagem mantém a simplicidade do chinês vernáculo, enquanto as imagens sazonais, a flor, a cortina, a corrente e a casa sustentam uma atmosfera de sugestão próxima de uma sensibilidade simbolista. Nota ¹ Recolhido em Ji wai ji shiyi bian (集外集拾遺補編, Suplemento aos Escritos Recolhidos Fora das Coletâneas), incluído em Lu Xun quanji (魯迅全集, Obras Completas de Lu Xun), vol. 8, pp. 109–110.
PJ | Menores envolvidos em roubo, agressão e gravações ilícitas João Santos Filipe - 18 Jun 2026 A vítima do ataque é uma menor. Antes do episódio de segunda-feira, tinha havido um desentendimento online num grupo de conversação de Wechat com mais de 100 pessoas A Polícia Judiciária (PJ) revelou o caso de uma menor que foi agredida, roubada e gravada ilegalmente por outros seis menores. A investigação do caso foi espoletada por vídeos que circularam online, alegadamente gravados pelos menores responsáveis pelas agressões. Na conferência de imprensa, a PJ revelou que os menores responsáveis pelo bullying são seis, três rapazes e três raparigas, com idades entre os 11 e os 15 anos. A vítima, do sexo feminino, também é menor. A situação que levou à intervenção da PJ aconteceu na segunda-feira por volta das 18h, quando a vítima e uma amiga passavam por um estabelecimento de comidas e se cruzaram com os seis suspeitos. Nessa altura, segundo a versão das autoridades, o grupo de menores ordenou à vítima e à amiga que entrassem no restaurante. A vítima entrou, mas a amiga abandonou o local, mencionando um motivo pessoal. Depois, uma das seis crianças exigiu à vítima que pagasse 200 patacas, como custo de portagem por atravessar a rua. Após a recusa, um dos menores pediu a outros três que levassem a vítima para umas escadas ao lado do restaurante, onde aconteceram as primeiras agressões, com murros e pontapés. Sem conseguirem o pagamento, o grupo levou a vítima para um terraço de um outro edifício, onde se seguiram mais agressões. Durante o segundo ataque, os membros que não estavam envolvidos nas agressões incentivaram os outros e gravaram as cenas. Após a segunda vaga de ataques, a agredida aceitou fazer a transferência de 200 patacas, através de uma plataforma de pagamentos. Apesar disso, a agressões não ficaram por aí. A PJ indica que mesmo após o pagamento, só depois de mais alguns murros e pontapés é que a vítima conseguiu abandonar o local. Imagens online Nos vídeos divulgados online, que se tornaram virais, é possível ver uma menor a agredir a vítima com murros, que se tenta defender, como se estivesse num combate de boxe. Em outro vídeo, pode ver-se o grupo dos menores a aproximarem-se da vítima e a troçarem dela. Esta aparenta estar a ser filmada contra a sua vontade. A PJ indicou que, após a realização de um exame médico a vítima apresentava múltiplas contusões no corpo. O telemóvel que serviu para gravar o vídeo foi também apreendido. Face às imagens, a polícia pediu à Direcção de Serviços de Educação de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) que contactasse os pais da vítima, para se deslocarem à esquadra para responder a perguntas e decidirem se queriam apresentar queixa. A PJ também identificou os alegados agressores, que foram contactados através das escolas que frequentam. Segundo a investigação, todos os envolvidos no caso conheceram-se online, através de um grupo da aplicação WeChat com mais de uma centena de jovens. Foi nesse grupo de conversa que terá havido um desentendimento anterior, por motivos fúteis, que depois terá levado à situação de segunda-feira. Os seis membros do grupo são suspeitos da prática de roubo e de ofensa simples à integridade física. Um deles é também suspeito da prática do crime de gravações e fotografias ilícitas. O caso foi remetido para o Ministério Público. DSEDJ avisa crianças Após o caso ter sido tornado público, a DSEDJ emitiu um comunicado a indicar que “está a acompanhar com elevada preocupação” o caso. “Assim que tomou conhecimento do incidente, a DSEDJ coordenou-se imediatamente com a escola e as instituições de aconselhamento para prestar um acompanhamento directo aos alunos e encarregados de educação envolvidos, tendo também providenciado a deslocação de conselheiros escolares às autoridades policiais para prestar o devido apoio”, foi comunicado. “A DSEDJ apela aos jovens para que cumpram rigorosamente a lei, ponderem as consequências antes de qualquer acto e nunca desafiem a lei por impulso. Ao mesmo tempo, apela aos pais para que estejam atentos e se preocupem com a vida quotidiana e as amizades dos seus filhos”, foi acrescentado. Também o deputado José Pereira Coutinho recebeu a família da vítima e defendeu que está na altura de criminalizar o bullying. O legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) considerou que há “muitos casos semelhantes” que ficam por ser acompanhados porque as vítimas têm medo e não fazem queixa.
Habitação | Preço médio do metro quadrado acima de 70 mil patacas João Santos Filipe - 18 Jun 2026 Depois de em Abril o preço do imobiliário ter caído para o valor mais baixo desde 2013, Maio trouxe uma ligeira recuperação com o preço médio do metro quadrado a subir para 70.806 patacas Em Maio, o preço médio do metro quadrado da habitação foi negociado por 70.806 patacas, o que representou um aumento mensal de 17,4 por cento, de acordo com os dados da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). Em Abril o preço médio do metro quadrado tinha sido de 68.000 patacas, o valor mais baixo desde Agosto de 2013. Em termos dos diferentes mercados do território, o preço médio mais elevado foi registado em Coloane, com um valor de 76.910 metros quadrados. Ainda assim, e ao contrário da tendência global, este mercado apresentou uma redução de 5,4 por cento, dado que em Abril o metro quadrado tinha sido comprado e vendido a uma média de 81.261 patacas. Nos mercados da Península de Macau e da Taipa, os preços mostraram um aumento mensal. Em Macau, a subida mensal foi de aproximadamente 4,7 por cento de 66.304 patacas para 69.420 patacas. Na Taipa, as casas ficaram mais caras 6,6 por cento, passando de 67.970 patacas para 72.488 patacas. Quando a comparação dos preços é feita com Maio do ano passado, o crescimento é menos acentuado, na ordem 1,5 por cento. Em Maio de 2025, o preço médio do metro quadrado tinha sido de 69.735 patacas, com preços médios na Península de Macau de 67.386 patacas, na Taipa de 70.934 patacas e em Coloane de 92.184 patacas. Menos transacções Os números revelados na terça-feira à tarde pela DSF mostram também que com preços mais caros o mercado registou menos transacções. Em Maio, o número de vendas de habitação registou uma redução mensal anual de 10,4 por cento. As compras e vendas totalizaram assim 303 transacções no último mês, quando em Abril tinham sido 338. No mês mais recente, o mercado mais activo foi o da Península, com um total de 209 transacções, menos 18 do que no período homólogo, quando houve 227 compras e vendas neste mercado. Também em Coloane o número de transacções registou uma redução de 35 compras e vendas, em Abril, para 16 em Maio. No entanto, na Taipa a tendência foi oposta, com o número de transacções a crescer mensalmente de 76 em Abril para 78 em Maio. Em termos anuais, o número de transacções teve um aumento de 54,6 por cento, de 196 transacções em Maio de 2025 para as 303 transacções de Maio deste ano. No período homólogo tinham sido registadas 209 transacções na Península de Macau, 78 na Taipa e 16 em Coloane.
Caso “Tou Fa Kon” | Filhos de empresário herdam acções Hoje Macau - 18 Jun 2026 Os filhos do empresário Teng Man Lai, envolvido no processo dos vendilhões situados no terreno conhecido como “Tou Fa Kon”, na Rua do Padre João Clímaco, dizem ter herdado as acções e empresas subordinadas à Companhia de Construção e Fomento Predial Mei Mei, dado o falecimento do pai a 2 de Janeiro deste ano. A informação consta num anúncio publicado no jornal Ou Mun, assinado por um dos filhos, Teng Si Chi. Este apontou que a empresa tem capitais suficientes e que não tem necessidade de pedir financiamentos ou empréstimos, adoptando a postura empresarial de “fazer o que se consegue”. Recorde-se que o caso dos vendilhões no terreno “Tou Fa Kon”, situado perto do Mercado Vermelho, opôs o empresário Teng Man Lai a John Lo. Em 2012, Teng Man Lai declarou perante a justiça, com base num acórdão judicial de 2004, ser proprietário do terreno com a respectiva venda concretizada a John Lo. Porém, os comerciantes afirmam não ter sido informados sobre a mudança de propriedade do terreno, argumentando que fazem ali negócios desde o século passado. Em 2017, o Tribunal de Última Instância considerou Teng Man Lai como legítimo proprietário do terreno.
CCAC | Queixas e denúncias em 2025 cresceram 26,4% João Luz - 18 Jun 2026 No ano passado, o Comissariado Contra a Corrupção recebeu 971 queixas e denúncias, mais 26,4 por cento face a 2024, em grande parte devido às eleições legislativas. Quase 95 por cento das queixas e denúncias foram apresentadas por cidadãos No ano passado, o Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) recebeu 971 queixas, denúncias e fontes de notícias, de acordo com o relatório do organismo liderado por Ao Ieong Seong relativo ao ano de 2025. Face ao ano anterior, 2025 foi sinónimo de um incremento de queixas superior a 26,4 por cento. O aumento deve-se, em parte, às 153 queixas e denúncias relativas às eleições legislativas realizadas a 14 de Setembro do ano passado. Sem os “incidentes” eleitorais, as queixas e denúncias de 2025 teriam aumentado apenas 6,5 por cento face a 2024. Ainda em relação ao sufrágio para a Assembleia Legislativa, as mais de uma centena e meia de queixas resultaram em 30 investigações do CCAC, que motivaram cinco casos encaminhados para o Ministério Público devido a alegados fortes indícios de criminalidade. Destaque ainda para o facto de as últimas eleições legislativas terem gerado um aumento de 11 por cento de queixas, em relação ao sufrágio de 2021. Na mensagem assinada pela comissária para a Corrupção, Ao Ieong Seong, refere-se que “o CCAC envidou todos os esforços no combate à corrupção eleitoral e à repressão de todos os tipos de irregularidades, promovendo uma cultura eleitoral saudável na sociedade”. Ainda em relação ao sufrágio, o CCAC refere que se registou um caso de contravenção sancionado com multa administrativas, ou seja, fora da acção penal. Ao Ieong Seong indica que “no novo ano, o CCAC, além de se empenhar no combate e na prevenção da corrupção”, na fiscalização, “irá continuar a pôr em prática, de forma reforçada, a visão governativa do Chefe do Executivo”. Quem é quem A vasta maioria das queixas e denúncias recebidas pelo CCAC no ano passado foram apresentadas por cidadãos (94,6 por cento), enquanto 2 por cento foram remetidas por entidades públicas, num total de 20 incidentes. Já os casos que resultaram da iniciativa do CCAC, totalizaram 23 no ano passado. Entre as 919 queixas apresentadas por cidadãos, quase 42 por cento foram feitas sob anonimato. Quanto à forma de apresentar queixas e denúncias, o CCAC afirma esperar que “os cidadãos optem mais por apresentação de denúncias com identificação na plataforma online” (…), facilitando o desenvolvimento de processos, a sua investigação e os trabalhos da recolha de provas. Quanto aos casos instruídos, no ano passado totalizaram 191 processos (sem incluir os relacionados com as eleições), 109 dos quais respeitantes ao sector público e 82 respeitantes ao sector privado. Além disso, foi concluída a investigação de 114 processos, 73 dos quais no sector público e 41 no privado. Dos 114 processos, a larguíssima maioria resultou em arquivamento (105), com apenas nove a serem encaminhados para o Ministério Público. Quanto aos processos respeitantes ao sector público, os relacionados com a área da segurança e a área dos assuntos sociais e cultura ocuparam a maior percentagem. O número de processos destas duas áreas representou mais de 60 por cento do número total de processos instruídos relacionados com o sector público. A larga maioria destes processos resultou de abusos relativos a faltas por doenças e falsas declarações no registo de assiduidade. Neste domínio, o CCAC sublinha que “é imperativo reforçar a sensibilização para a integridade do pessoal das referidas áreas para que se mantenha sempre em alerta”. No sector privado, o relatório de 2025 vinca uma tendência que vem de trás, com a prevalência de processos principalmente “relacionados com a solicitação de subornos por parte dos chefes das empresas integradas de turismo e lazer”, e “litígios relativos à reparação e administração de edifícios”. Tomar o pulso Como é hábito, o relatório anual do CCAC realça alguns casos numa lista que categoriza como “olhar em retrospectiva”. Um dos processos que salta à vista é relativo a um agente do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) que terá “obtido de forma fraudulenta baixa médica”, que aproveitou para passear e tomar refeições no Interior da China, em vez de ter “permanecido em casa para descanso”. A investigação apurou que o agente declarou no ano passado ter sofrido uma lesão no pulso resultante de um acidente enquanto estava em serviço. O CCAC indica que esta justificação foi usada para faltas contínuas ao serviço durante quase quatro anos, entre 2015 e 2019. Durante período, o agente continuou a receber o salário, num total de quase 900 mil patacas. No entanto, apesar de continuar a alegar lesões no pulso, e a conseguir atestados médicos, o agente conduzia frequentemente um motociclo “e participou duas vezes no exame prático de condução de veículos pesados de mercadorias”. Além disso, entre 2016 e 2019, participou em torneios de bowling, tendo sido premiado várias vezes. Aliás, a partir de 2017, o agente passou a integrar a selecção de bowling de Macau e participou nos respectivos estágios de treinos. O CCAC indica ainda que o agente saiu frequentemente de Macau “durante o período de faltas por doença, por mais de 300 vezes, incluindo em deslocações que envolveram viagens de avião para o exterior com a família”. Foi também investigado no ano passado um caso de um médico da Direcção dos Serviços Correcionais (DSC) que também abusou do regime de faltas por motivo de doença, encontrando-se no exterior durante os períodos de baixa médica. Entre 2018 e 2024, o suspeito contactou vários médicos amigos (de instituições médicas públicas e privadas de Macau) que lhe passassem vários atestados médicos ou comprovativos de faltas por acompanhamento familiar. Em simultâneo, a investigação apurou que “o médico em causa exercia outras funções remuneradas a tempo parcial sem conhecimento e consentimento do Serviço onde exercia funções”.
CPSP | Confirmado afastamento de Leong Heng Hong Hoje Macau - 18 Jun 2026 O gabinete do secretário para a Segurança publicou um aviso no Boletim Oficial a declarar que a comissão de serviço de Leong Heng Hong como segundo-comandante do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) cessou “automaticamente”. O responsável está envolvido num caso de exploração de prostituição e o afastamento resulta do facto de o juiz de instrução criminal lhe ter aplicado a medida de prisão preventiva. Leong encontra-se a aguardar julgamento no Estabelecimento Prisional de Coloane num processo em que é suspeito da prática dos crimes de associação ou sociedade secreta, corrupção passiva para acto ilícito, e de favorecimento pessoal praticado por funcionário. O ex-segundo-comandante do CPSP é um dos três agentes desta força policial envolvido neste caso.
UTM | Cursos em Hengqin ajudam a aumentar novas matrículas Hoje Macau - 18 Jun 2026 A vice-reitora da Universidade de Turismo de Macau (UTM), Loi Kim Leng, revelou que, até terça-feira, o número de novas admissões para o próximo ano lectivo aumentou cerca de 25 por cento face ao ano passado, prevendo que as aulas sejam retomadas com mais de 1.200 novos estudantes. Em declarações citadas pelo canal chinês da Rádio Macau, a responsável afirmou que um dos factores que explica o aumento de alunos prende-se com o início de cursos de pós-graduação da UTM na Cidade Universitária de Educação Internacional de Macau e Hengqin no próximo ano lectivo. À margem da Cimeira de Estudantes de Educação Turística, Loi Kim Leng indicou que a UTM assinou acordos com instituições educativas estrangeiras, para estabelecer um centro de desenvolvimento de quadros qualificados na área de inovação e tecnologia no campus em Hengqin. O objectivo é aumentar o número de profissionais qualificados internacionais para Macau, Hengqin e a Grande Baía. Por seu turno, a reitora-adjunta da Faculdade de Gestão da Universidade Zhongshan, Wu Chenguang, sugeriu aos congéneres de Macau a utilização de Inteligência Artificial para fortalecer a indústria turística, promovendo o desenvolvimento da big health e o turismo cultural. A responsável acrescentou que Macau deve aproveitar a zona de cooperação em Hengqin para criar um ecossistema turístico, permitindo aos visitantes chineses uma passagem por Macau antes de embarcarem para destinos internacionais.
Quadros qualificados | Kong Chi Meng continua à frente de comissão João Santos Filipe - 18 Jun 2026 Além de manter a confiança no director da DSEDJ como líder da comissão responsável pelo desenvolvimento de talentos, Sam Hou Fai também renovou a nomeação Che Weng Keong como presidente do IPIM O director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng, vai continuar a ser o secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ), a tempo parcial. A informação foi divulgada ontem no Boletim Oficial, através de um despacho assinado pelo Chefe do Executivo, e a nomeação vai vigorar por um ano. Esta é a segunda vez que o mandato de Kong como secretário-geral da comissão é renovado, depois de ter sido escolhido para o cargo em Agosto de 2023, por Ho Iat Seng. Durante o próximo ano, Kong vai ter uma remuneração mensal de 28.200 patacas pelo desempenho destas funções, que acumula com o cargo de director da DSEDJ. Além da renovação do mandato de Kong Chi Meng, Sam Hou Fai também optou por manter Wong Kin Mou como secretário-geral adjunto na CDQQ. As funções são desempenhadas a tempo inteiro. O novo mandato tem a duração de um ano, e segundo a informação publicada no Boletim Oficial, Wong vai receber 79.900 patacas por mês, para o desempenho das funções. A CDQQ foi criada em 2014, ainda durante o período de Fernando Chui Sai On como Chefe do Executivo, e tem como funções definir a estratégia de desenvolvimento de quadros qualificados do território, tanto ao nível da formação como de retenção de profissionais. IPIM sem alterações Através da edição de ontem do Boletim Oficial foi também revelado que Sam Hou Fai renovou o mandato de Che Weng Keong como presidente do Conselho Administrativo do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM). Che Weng Kong é nomeado no regime de “comissão eventual de serviço”, uma vez que se encontra ligado ao gabinete da secretária para a Economia e Finanças, na condição de assessor. Che foi nomeado para as funções actuais no Verão do ano passado e segundo a renovação do mandato vai manter-se na posição, em condições normais, até 6 de Fevereiro do próximo ano. O IPIM tem como funções atrair investimento para Macau e apoiar as empresas locais na exploração de novos mercados, assim como promover a indústria de convenções e exposição. Parte destes esforços são virados para o intercâmbio económico com os Países de Língua Portuguesa.
Sónia Sénica, académica: “Uma nova ordem multipolar” Andreia Sofia Silva - 18 Jun 2026 Sónia Sénica, docente de Relações Internacionais, considera que a diplomacia mundial se define com três poderes, liderados pelo crescimento da China, a Rússia e o declínio da América. O HM conversou com a autora de “Ordem Tripolar – O Mundo dos Três Grandes Poderes” na última edição da Feira do Livro de Lisboa Defende que o mundo tem hoje uma ordem tripartida dominada pelos Estados Unidos da América (EUA), China e Rússia. Como serão os relacionamentos com Pequim daqui a diante? Percebemos que, sob liderança de Xi Jinping, há uma grande influência de Pequim para o que é uma nova ordem multipolar, que é algo que advoga, como sabemos. Mas, como refiro no livro, essa dimensão de multipolaridade cria uma espécie de eixo antagónico, sobretudo ao Ocidente, pela liderança norte-americana, independentemente da tentativa de normalização de agendas, ou de concertação de alguns posicionamentos com encontros oficiais, cimeiras ou ataques diplomáticos. Recentemente ficou muito claro que houve verdadeiramente uma corrida a Pequim. Até mesmo da parte do actual Presidente norte-americano, Donald Trump, houve a necessidade de articular as dinâmicas de cooperação e conflitualidade que estavam em curso, sobretudo a mais preocupante nesta altura para ele, que seria a do Médio Oriente e, em certa medida, contar com uma espécie de condescendência, de posicionamento favorável no que era a pacificação da região. Tendo em conta o discurso político e a agenda de Pequim, o conceito de “comunidade com futuro compartilhado para a humanidade”, parece que existe uma espécie de ordem mundial paralela. A China tem, por exemplo, o Fórum Boao, considerado o Davos da Ásia. Sim. Em bom rigor, o que pretende Xi Jinping? Há duas dimensões: por um lado, a reunificação de Taiwan e a sua afirmação em termos regionais no Indo-Pacífico, e depois uma espécie de propagação da influência pela via da dimensão económica, com a “Belt and Road Initiative”; mas menos no quadro daquilo que é a dimensão de responsabilização enquanto grande poder. Ou seja, [a China] não quer e não está, do meu ponto de vista, claramente favorável a uma intervenção permanente militarizada ou de pacificação de mediação em várias dimensões. Exactamente como aquela percepção de excepcionalismo por parte dos EUA, uma linha estruturante, sobretudo desde o fim da Guerra Fria, em que [o país] emerge no quadro da unipolaridade e assume o papel de única potência internacional. Na época até se falava de ser o polícia do mundo. Mas há outra coisa importante, que Xi Jinping reiteradamente parece advogar, e que, em certa medida, parece curioso. O quê? Se, por um lado, [a China] cria esse multilateralismo alternativo ao Ocidente, sob influência sino-russa, como sabemos, e em concertação com os povos, por outro lado continua a defender o sistema onusiano [da Organização das Nações Unidas]. E porquê? [Por causa] da questão importante do direito de veto no Conselho de Segurança, onde a Rússia e China consideram que conseguem, de alguma forma, criar uma espécie de constrangimento ao Ocidente, [seja] aos EUA ou países europeus. Isto no que concerne a tomadas de posição condenatórias ou mais assertivas relativamente às suas posições e acções externas. Há um paradigma, também interessante, que mudou recentemente desde a invasão na Ucrânia, segundo analistas militares: de que os grandes poderes já não precisam apenas da força convencional para impor os seus interesses. Quais as alternativas? Têm de recorrer à guerra híbrida, diversificar alianças, contar com outros actores, por exemplo, dentro do Sul Global, nas dimensões económicas, diplomáticas. Isso acaba por criar uma espécie de sinergia global e uma mudança substantiva de como se faz política externa. Porque o Sul Global é tão importante para a China? Temos a questão da língua portuguesa, de África, e também da língua espanhola, cuja importância é crescente. Talvez por três ordens de razões. A primeira, que é notória, que é expandir a sua influência pela via económica. Há aqui uma dependência muito clara dos países que beneficiam com o investimento chinês, com a concertação de parcerias [com a China] enquanto parceiro comercial; de infra-estruturas que obviamente são criadas por via chinesa nesses países. África é muito substantiva nessa dimensão. Mas parece-me que é mais do que isso: é criar, de facto, uma espécie de política internacional mais inclusiva. A forma de cooperar da China, e na abordagem ao Sul Global, é uma espécie de percepção da igualdade. Não importa como a liderança chegou, se por via legítima ou não, ou por guerrilhas muitas vezes, ou convulsões sociais. Importa quem lá está naquele momento e de que forma podemos gerar benefícios comuns. Muito se tem falado se a China é, ou não, uma verdadeira potência. Defende, no livro, que “a sua liderança política não parece ter assumido ainda a vontade de ocupar em pleno esse papel”. Em que sentido? No sentido em que eu referi há pouco. Xi Jinping tem objectivos concretos, que é estender a influência chinesa na dimensão económica, porque é útil também para a economia chinesa. Estas dinâmicas de conflitualidade estão a pôr em risco e em causa cadeias de abastecimento, interesses, a economia interna. Sabemos que [a economia interna] tem sido uma forma de apaziguar também possíveis convulsões e criar uma espécie de diáspora que consiga também investir fora, com empresários e tudo isso. Acaba-se por criar uma espécie de quase expansão da China numa outra forma. Não agressiva, não invasiva territorialmente. Através da cultura, por exemplo. Exactamente, da propagação da cultura, da defesa daquilo que é a língua chinesa fora do território nacional, de criar sempre essa ligação entre a diáspora e o seu território. Tentando manter uma concertação, cooperação ou integração pacífica, e apelando à paz. É curioso, tendo em conta que o objectivo será, mais cedo ou mais tarde, a reunificação de Taiwan, idealmente de forma pacífica, mas, não sendo possível, recorrendo a outros mecanismos. No seu entender será até 2049, quando chega ao fim do período de 50 anos no contexto da transição de poderes de Macau. Creio que Xi Jinping tem isso decidido na sua cabeça há muito tempo. Não o esconde. Aliás, foi a primeira coisa [que afirmou], foi uma restrição unilateral que assumiu mal recebeu o presidente Trump. Está tudo certo, excepto esta parte. Na última visita do Presidente norte-americano, ou na anterior? Nesta. É um assunto tabu, e isso ficou claro. O posicionamento norte-americano [sobre a questão de Taiwan] nem era necessário ser ouvido naquele momento, porque se trata de um assunto interpretado por Xi Jinping como sendo uma questão doméstica, com outros contornos. Portanto, do meu ponto de vista, há um cronograma. Há quem advogue a questão de 2049 e, para ser simbólico, é o marco de uma liderança que conseguiu a reunificação de Taiwan com a China continental. Mas talvez estas questões actuais, como a monitorização das posições norte-americanas, dos seus parceiros, quer na Ucrânia ou no Médio Oriente, podem levar ao acelerar desta tomada de decisão, ou desta acção política, diplomática ou de estratégica militar que Xi Jinping vai ter de tomar. Como será a relação com os Estados Unidos se o “Trumpismo” continuar com outras figuras? Sob a liderança de Donald Trump, há claramente um propósito de articulação de agendas ou de relação com as grandes lideranças e homens fortes, e são todos os que refiro no livro “Ordem Tripolar”. O próprio Trump tenta, em certa medida, imputar algumas dimensões de lideranças de homens fortes, em que ele decide e toma, até, as rédeas do processo com uma só tomada de decisão, mas também de comunicação política. Muitas vezes sabemos o que vai ser decidido pelo próprio [Trump] mesmo antes da rede diplomática ou das próprias forças armadas. Isso tem traços de alguma dimensão de liderança centralizada e personalizada, que é uma característica de Xi e de Putin. Parece-me que, num primeiro ponto, haverá tentativas de concertação onde for possível, mas também de divergência. Certamente que existem posicionamentos que verdadeiramente não são todos iguais. E vai haver muito pragmatismo consoante o ciclo, o evento ou a tomada de posição. Uma tentativa de ajustar consoante as necessidades de parte a parte. Os três grandes Nesta obra recentemente editada pela Planeta, Sónia Sénica fala da “ascensão da China, o regresso da Rússia a uma lógica de confronto directo com o Ocidente e a percepção global de declínio norte-americano”, o que abre “caminho a uma nova ordem mundial”, que é “tripolar, incerta e desafiante”, lê-se na sinopse. A docente e analista de política traça “um retrato inquietante do mundo em transformação”, sendo esta uma “uma obra indispensável para entender o que está em jogo nesta transição geopolítica, em que a democracia liberal é posta à prova e na qual a Europa procura, ainda, o seu lugar”, é acrescentado.
Tecnologia | ‘Startup’ do Brasil vence edição alargada de concurso Hoje Macau - 17 Jun 2026 A ‘startup’ brasileira Phycolabs, que transforma algas em produtos têxteis, venceu ontem o sexto concurso de tecnologia e inovação em Macau, a primeira edição alargada aos países de língua espanhola, anunciou o júri. Em Março, o Governo de Macau anunciou que iria abrir portas a ‘startups’ de países de mercados hispânicos num concurso que até agora estava reservado para tecnológicas de Portugal e Brasil. Em resultado, a competição, organizada pela Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico de Macau, recebeu a candidatura de mais de 70 projectos por parte de cerca de 30 incubadoras e instituições de ensino superior, dos quais 17 entraram na fase final, vindos de Brasil, Portugal, Espanha, Peru. A Phycolabs irá receber um prémio de 200 mil patacas e a fundadora da tecnológica, Thamires Pontes, mostrou-se emocionada pela vitória e pela oportunidade de “voltar a Macau”. O projecto brasileiro já tinha, em Dezembro, ficado em segundo lugar na quinta edição da competição sino-lusófona para ‘start-ups’ e universidades 929 Challenge, também em Macau. Em segundo lugar, com um prémio de 150 mil patacas, ficou a espanhola Airway Shield, que fabrica um equipamento médico para facilitar intubações. Já a terceira posição, com um prémio de 120 mil patacas, foi para a portuguesa Complear, que ajuda empresas de saúde digital a cumprir as exigências dos reguladores. A Complear tinha vencido em Dezembro a 929 Challenge em Macau. O concurso distinguiu ainda com 40 mil patacas a espanhola Phasica Bioscience, como tendo o “maior potencial para transferência de valor tecnológico”, e a brasileira Onkos Diagnósticos Moleculares, por ter o “maior potencial de desenvolvimento na Grande Baía”.
GP Macau | FIA não mexe na Taça do Mundo de GT Sérgio Fonseca - 17 Jun 2026 Na pretérita semana, quando os construtores se encontravam focados na preparação das 24 Horas de Le Mans, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) e o SRO Motorsport Group abriram as inscrições para a Taça do Mundo de GT da FIA, aproveitando igualmente para publicar o regulamento da edição de 2026. A principal prova de sprint para carros de Grande Turismo no continente asiático apresenta poucas novidades, num claro sinal de aposta na continuidade. O formato da Taça do Mundo mantém-se praticamente inalterado, com duas sessões de treinos livres de 30 minutos cada, seguidas da sessão de qualificação Q1 com a duração de 30 minutos. Os oito pilotos mais rápidos transitam para a Q2, disputada em regime de “super pole”, introduzido no ano transacto, onde se define a luta pela pole position. Todavia, de acordo com uma nota enviada às equipas, na sequência “das conclusões da edição de 2025 e das consultas realizadas com equipas e pilotos, o formato da Q2 foi ajustado. Os pilotos serão agora lançados em pista em intervalos mais curtos, mantendo a sensação de ‘super pole’ de estarem sozinhos em pista. Esta alteração visa melhorar a eficiência e reduzir a duração da sessão”. O programa competitivo no Circuito da Guia prossegue com a Corrida de Qualificação, com 12 voltas ou uma duração máxima de 60 minutos, consoante o que ocorrer primeiro, muito provavelmente no sábado. No domingo realiza-se a Corrida Principal, composta por 16 voltas ou uma duração máxima de 70 minutos, a qual determina o resultado final do evento. A primeira fase de inscrições decorre até 17 de Julho e está aberta a todos os pilotos. Um segundo período de inscrições prolonga-se até 24 de Agosto. O valor de inscrição foi aumentado e passará a custar 16 mil euros, cerca de 150 mil patacas, face aos 14.500 euros do ano transacto. Em contrapartida, cada carro inscrito terá direito a 14 passes, em vez dos 12 anteriores, sendo esta limitação uma das reivindicações das equipas. Segundo a mesma nota enviada aos participantes, os pilotos interessados “devem ter participado, pelo menos, numa corrida de GT inscrita no Calendário Desportivo Internacional da FIA nas duas últimas temporadas, ou possuir experiência significativa em corridas GT”. Acrescenta ainda que, caso “um piloto seja considerado sem experiência suficiente, o Comité de Seleção reserva-se o direito de recusar a sua inscrição”. Prémios monetários inalterados De acordo com o Regulamento Desportivo da Taça do Mundo, os prémios monetários manter-se-ão ao nível de 2025, totalizando um máximo de 80.750 dólares norte-americanos, equivalentes a pouco mais de 650 mil patacas à taxa de câmbio actual. Para reconhecer o número crescente de pilotos Silver, a Taça do Mundo da FIA passará também a atribuir um troféu ao vencedor desta categoria, desde que existam pelo menos três inscritos. Este prémio será acompanhado de uma recompensa monetária de 22.000 dólares norte-americanos, valor idêntico ao do ano passado. O prémio total da Corrida Principal ascende a 82.750 dólares norte-americanos na classificação geral, distribuído da seguinte forma: o primeiro classificado recebe 15.000 dólares, o segundo 12.000, o terceiro 10.000, o quarto 7.500, o quinto 5.000 e o sexto 3.000 dólares. Na categoria para os pilotos categorizados como Bronze, o vencedor, caso exista, recebe 4.250 dólares. Estão ainda previstos prémios adicionais de 1.000 dólares pela pole position da Corrida de Qualificação e 500 dólares pela volta mais rápida em cada corrida. Curiosamente, e de acordo com o regulamento, todos os prémios serão entregues na cerimónia oficial do Grande Prémio de Macau, sendo que a ausência de um piloto poderá implicar a perda do direito ao montante atribuído. Grelha igualmente forte O regulamento desportivo da FIA determina que a lista de inscritos da Taça do Mundo de GT deve ser conhecida até 22 de Outubro. Prevê-se uma grelha com um nível elevado muito semelhante à das edições anteriores, talvez com mais carros, e com a presença da Audi, BMW, Ferrari e Porsche, bem como o regresso da Mercedes-AMG, ausente na última edição. Devido à continuidade da obrigatoriedade dos dispendiosos sensores de binário, a Lamborghini só regressará se for com novo modelo Temerario GT3, embora a decisão sobre este assunto ainda não esteja fechada. Por outro lado, as marcas norte-americanas Chevrolet e Ford não são esperadas na RAEM, enquanto a Aston Martin e a McLaren permanecem como incógnitas, dependendo sobretudo da vontade de equipas clientes. A 73.ª edição do Grande Prémio de Macau decorre de 19 a 22 de Novembro.
Quanto valem os teus pés? Tânia dos Santos - 17 Jun 2026 Aconteceu algo na internet com o fetiche de pés: os pés são agora vistos como uma potencial fonte de rendimento na indústria do sexo online. Nos últimos anos o fetiche por pés ganhou mais visibilidade e por isso também cresceu uma visão mais mercantilista. Se antes se julgava que era preciso revelar zonas do corpo mais íntimas para explorar a indústria sexual, hoje algo tão inócuo como uma fotografia de uns pés bem cuidados tem valor na indústria do sexo e do fetiche. Há quem venda fotografias de pés e há quem os esconda (e.g., colocando emojis ou desfocando fotografias), porque os pés não são grátis. O resultado: a internet está agora cheia de vídeos informativos e de manuais explicativos de como te tornares numa modelo de pés, e como rentabilizar com isso. Tentei perceber se era assim simples: se vender fotos de pés é dinheiro fácil e garantido. E apesar do espaço digital insinuar que é um caminho para complementar as finanças, uma pesquisa mais aprofundada mostra outra realidade. A maioria dos sites que se dizem dedicados à venda de conteúdo de pés parecem sites fantasma com muitas criadoras e poucos clientes. Curiosamente, estes sites exigem uma mensalidade para as criadoras de conteúdo de pés poderem publicar, com promessas de muita rentabilidade – e a maioria delas vê o seu investimento por um canudo. Os sites do costume de venda de material erótico são as plataformas onde a experiência de venda poderá ser melhor. Mas isso implica a criação de uma persona, e a contínua produção de conteúdos exclusivos, e até vídeos personalizados. Da mesma forma que um influencer ganha seguidores, é preciso envolver os pés numa narrativa. O contexto em que os pés são apresentados conta tanto quanto os próprios pés. Uma das pessoas que deu que falar recentemente, foi Lily Allen, cantora pop que garante que faz mais dinheiro a vender fotografias dos seus pés do que com a sua música nas plataformas musicais. Sendo uma celebridade, existe já um investimento afectivo e fantasístico por parte do público que aumenta o valor desse conteúdo. Já existem há muitos anos sites que tentam apanhar fotografias de pés de celebridades, contando com um repositório bem recheado de actrizes e cantoras a andar de sandálias. O envolvimento proactivo de uma celebridade nesta mercantilização coloca o fenómeno noutra escala. Para se proteger da crítica feroz – porque tudo o que implica a indústria sexual tem esse senão – “não odeiem a jogadora, odeiem o jogo”, diz ela em entrevista para o People. Mas as especialistas de venda de conteúdo sobre pés dizem que o mercado pode já estar saturado – já existem pés para todos os gostos. E talvez isso reflita a facilidade com que as pessoas se meteram no negócio. E apesar de elas não sentirem como tal – porque para elas os pés podem só ser partes inocentes do corpo – a venda de conteúdo com propósito sexual encaixa na categoria de trabalho sexual. O que quero dizer com isto: precisam de se precaver legalmente nesse sentido. Confirmar que as criadoras são maiores de 18 anos e os seus consumidores também. Porque o que torna os pés rentáveis é a fantasia sexual que se constrói à sua volta. E a fantasia é co-construída, apesar de mediada pelo espaço digital. Cada vídeo personalizado implica um encontro com a fantasia sexual do cliente, num acto de intimidade. Então, quanto valem os teus pés? Provavelmente menos do que a internet te promete. Mas a pergunta continua a ser reveladora. Porque mostra como uma parte banal do corpo se torna, simultaneamente, objecto de desejo, oportunidade de negócio e tema de discussão cultural. Num mundo onde tudo parece poder ser transformado em conteúdo, talvez os pés sejam apenas mais uma prova de que a imaginação humana — e os mercados — raramente conhecem limites.
Encontro | Xi Jinping recebe líder de Myanmar Hoje Macau - 17 Jun 2026 O líder de Myanmar cumpre uma visita de cinco dias à China numa altura de alguma tensão interna e externa O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem em Pequim estar “disposto a continuar a reforçar a coordenação” com o líder de Myanmar (antiga Birmânia), Min Aung Hlaing, que cumpre o segundo dia de uma visita oficial à China. Xi descreveu Min Aung Hlaing como um “velho amigo da China”, numa altura em que o líder birmanês procura melhorar a imagem internacional do regime militar, que lidera, e promover uma transição política, contestada interna e externamente. O chefe de Estado chinês acrescentou que os dois países, que partilham mais de 2.000 quilómetros de fronteira terrestre, devem “dar continuidade à amizade” e aprofundar a cooperação estratégica, segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. A China é um parceiro fundamental de Myanmar, que enfrenta o isolamento diplomático desde o golpe militar de 2021, quando Min Aung Hlaing, então chefe das Forças Armadas, depôs o Governo eleito liderado por Aung San Suu Kyi. A China apoiou as últimas eleições no final de Janeiro de 2025, contestadas, que garantiram uma vitória ao campo pró-militar e levaram Min Aung Hlaing à presidência, tendo excluído do processo eleitoral vários partidos da oposição, incluindo o partido de Aung San Suu Kyi, ao mesmo tempo que reprimiram a oposição. Min Aung Hlaing foi recebido por Xi Jinping numa cerimónia realizada no Grande Palácio do Povo, em Pequim, segundo a televisão estatal chinesa CCTV. Amigos de sempre O dirigente birmanês chegou à China na segunda-feira para uma visita de cinco dias e visitou nesse dia a Cidade Aeroespacial de Pequim, um centro ligado ao programa espacial chinês. Durante a deslocação, deverá também reunir-se com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang. A visita ocorre num momento em que as relações bilaterais sofreram tensões devido à proliferação de centros de fraude informática ao longo da fronteira comum, que recrutam e visam cidadãos chineses, segundo analistas. Na sexta-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou que Pequim espera aproveitar a visita para “dar continuidade à amizade tradicional” entre os dois países e “aprofundar a cooperação estratégica abrangente”. Apesar de a guerra civil ter agravado a crise económica em Myanmar, o país tornou-se um dos principais fornecedores mundiais de terras raras, matérias-primas essenciais para a produção chinesa de tecnologias ligadas às energias renováveis. Em Abril, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, prometeu apoio firme a Myanmar na defesa da sua soberania e segurança nacional durante um encontro com Min Aung Hlaing.
FAM apresenta “O Lago dos Cisnes” com o Ballet de Xangai Hoje Macau - 17 Jun 2026 O programa do Festival de Artes de Macau (FAM) prossegue com a apresentação, esta sexta-feira e sábado, de mais um clássico. Trata-se de “O Lago dos Cisnes”, protagonizado pelo Ballet de Xangai, e com coreografia do britânico Derek Deane. Segundo o Instituto Cultural (IC), o público pode esperar “uma interpretação deslumbrante” e uma “produção que oferece ao público uma experiência de actuação com maior profundidade e dimensão”. O Ballet de Xangai apresenta-se ao público de Macau com um “estilo eclético, elegante e refinado, aliado à cenografia e requintados figurinos”, pelo que o que se apresenta no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) este fim-de-semana é uma “produção de grande impacto visual e poder estético”. O “Lago dos Cisnes” é uma composição clássica de Tchaikovsky que ganha agora uma nova perspectiva, sendo que, segundo o IC, Derek Deane conseguiu trazer ao palco “uma interpretação fresca e deslumbrante”. Neste espectáculo conta-se a história de Odette, “uma princesa transformada em cisne pela maldição de um feiticeiro”, sendo que, “à medida que deriva entre o amor, traição e redenção, Odette enfrenta os desafios de Odile, o Cisne Negro”. “A rivalidade simboliza o contraste entre inocência e sedução, reflectindo as complexidades da identidade e do desejo. Um conflito emocional entre duas personagens que acaba por ter consequências trágicas”, descreve a sinopse do espectáculo. Produções locais O FAM apresenta também, nos próximos dias, duas produções locais, nomeadamente “A Velha Casa das Orquídeas”, da Associação de Arte Teatral Dirks, e ainda “A Noite de Zheng Guanying – Dança Teatro Ambiental”, cuja sessão deste sábado já está esgotada. “A Velha Casa das Orquídeas” acontece no Estúdio II do Centro Cultural de Macau e combina “narrativa, teatro e música ao vivo”, contando a vida da protagonista que está ligada ao antigo tráfico de cules. Cules é o nome dado a trabalhadores chineses contratados e transportados em navios para locais como a América Latina, em condições laborais e de vida a roçar a escravatura. Muito desse comércio passou por Macau. Este espectáculo acontece sábado e domingo. Além disso, “A Noite de Zheng Guanying – Dança Teatro Ambiental” é um espectáculo produzido pela Associação de Dança Hou Kong e leva o público a descobrir a Casa do Mandarim, monumento classificado como Património Mundial da UNESCO. A Casa do Mandarim foi também a residência de Zheng Guanying, figura histórica que se refugiu em Macau, onde escreveu a obra “Advertências em Tempos de Prosperidade. O ponto de encontro para este espectáculo é no Largo do Lilau. O IC lançou ainda, no âmbito do FAM, o concurso “Captivating Moments — Step into the Magic of ‘Swan Lake'”, podendo o público ganhar prémios oferecidos pela Air Macau e sucursal de Macau do Banco da China. O passatempo, cujas regras constam na página do Festival de Artes de Macau no Facebook, termina às 23h58 desta quinta-feira, 18.
Festival LGBTQ+ com filmes nos cinemas Emperor este fim-de-semana Andreia Sofia Silva - 17 Jun 2026 Há cinema para ver este fim-de-semana ligado ao universo LGBTQ+ no âmbito do Festival Internacional de Cinema Queer de Macau (MIQFF, na sigla inglesa), que decorre até ao dia 27 deste mês, com as sessões a terem lugar nos cinemas Emperor. Esta quinta-feira, às 20h, pode ser visto pela segunda vez o filme de estreia, “Cyclone”, do realizador Philip Yung, que conta a história de uma mulher trans da China continental que viaja até Hong Kong para fazer uma cirurgia de redesignação sexual. “Rosebush Pruning”, de Karim Ainouz, é a escolha para sábado, às 23h40. Classificado em Macau como pornografia e, portanto, recomendado para maiores de 18 anos, este filme revela os traços peculiares de uma família americana rica que vive na Catalunha, numa espécie de isolamento, procurando o amor e validação uns nos outros. Porém, segundo a sinopse oficial do filme, a chegada de alguém de fora a esse núcleo faz com que surjam tensões familiares e o rompimento de laços de sangue que existiam até então. Segundo a Lusa, o filme surge no website da Berlinale como uma “sátira negra”; no Festival de Cinema de Sydney como “comédia e filme LGBTQIA+” e no ‘site’ especializado de cinema IMDB como “comédia negra, thriller e drama”. Jay Sun, director do festival, não quis comentar a decisão das autoridades de classificar este filme como pornografia, dizendo “ser inapropriado comentar”, uma vez que “a classificação é da competência do Instituto Cultural” (IC). Além disso, o festival não esteve “envolvido no processo”, adiantou. Romances no ar Também este sábado, mas na sessão das 17h15, pode ser visto “Iván & Hadoum”, do realizador Ian de la Rosa. Eis uma história passada em Espanha entre Iván, um trabalhador transgénero, e Hadoum, um trabalhador marroquino que acaba de chegar ao país. Este filme = retrata não apenas diferenças culturais nos relacionamentos como a vida dos trabalhadores migrantes e os meandros do amor e do desejo. Por sua vez, “Trial of Hein” é exibido no domingo, às 20h, um trabalho do realizador Kai Stanicke. Também no domingo, às 17h15, é exibido “Saccharine”, de Natalie Erika James, um filme que explora um universo negro, de terror e, ao mesmo tempo, de desejos inerentes ao universo “Queer”. Já no sábado, apresenta-se a película “Away”, de Gerard Oms. Esta sexta-feira, o festival exibe ainda “To Dance is to Resist”, uma história em torno dos bailarinos ucranianos Jay e Vol’demar, ligados ao universo escondido da cena “Queer” da cidade de Kyiv. Desde 2022, e sobretudo desde o conflito entre a Rússia e Ucrânia, que o realizador Julian Lautenbacher tem acompanhado este par, revelando as possibilidades de manter a arte e a vivência “Queer” num mundo virado do avesso.
Grande Baía | CURB lança nova edição de concurso de fotografia Hoje Macau - 17 Jun 2026 O CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo aceita, até ao dia 16 de Agosto, candidaturas de fotografias sobre a zona da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. “Tesouros da Grande Baía” pretende revelar ao grande público locais e perspectivas diferentes da região onde Macau se integra, com foco nas “aldeias urbanas” Decorre até ao dia 16 de Agosto o prazo de submissões de fotografias sobre cidades e lugares da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, no âmbito da segunda edição do concurso de fotografia “Tesouros da Grande Baía”. A iniciativa é do CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, que declara, numa nota, pretender que os participantes “se aventurem nos recantos mais recônditos das cidades a usar as câmaras para descobrir e documentar a vida quotidiana tranquila, comum, mas vibrante, das aldeias urbanas” da Grande Baía. O concurso tem três categorias – Grupo Aberto de Macau, Grupo de Estudantes de Macau e Grupo Aberto da Grande Baía, este último aberto a Hong Kong e às cidades da Grande Baía na China. A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é composta pelas Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau, e ainda por nove cidades que pertencem à província de Guangdong, nomeadamente Guangzhou, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing. A Grande Baía tem uma vasta área de 56 mil quilómetros quadrados, e pretende ser uma região que aposta no desenvolvimento económico com foco na cooperação regional promovida por Pequim. Sucesso desde o início Relativamente à primeira edição do concurso, realizada em 2024, registou-se o “sucesso da estreia regional”, com 157 participantes e um total de 377 imagens submetidas. Agora, o CURB assume querer “alcançar um público mais vasto e envolver o público na exploração da arquitectura da região da Grande Baía através da sua própria perspectiva”. É também objectivo “fomentar o sentimento de pertença e de ligação entre as cidades da região da Grande Baía”. O CURB realiza ainda outro concurso de fotografia, mas com maior foco em Macau, contando no seu percurso com cinco edições do “Concurso de Fotografia de Arquitectura de Macau”. Desde 2022, que a entidade organizadora recebeu propostas de 831 participantes e 1.917 trabalhos. Segundo a mesma nota, “este evento foi único no seu género em Macau e incentivou as pessoas a explorar e registar a cidade através da lente da câmara, a reflectir sobre o ambiente construído e a cultivar o sentimento de pertença dos cidadãos ao local onde vivem”. O mesmo espera agora o CURB com o concurso alargado à Grande Baía.
Espaços públicos | Pedidas punições mais duras para infracções João Santos Filipe e Nunu Wu - 17 Jun 202617 Jun 2026 O legislador dos Moradores, Leong Hong Sai, está preocupado com o arremesso de objectos de edifícios altos para a rua e pede que se pondere a criminalização da conduta, mesmo que não haja feridos ou mortos a registar O deputado Leong Hong Sai, ligado aos Moradores, defendeu a necessidade de o regulamento geral dos espaços públicos prever punições mais pesadas. A posição foi tomada durante uma palestra na União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), realizada na segunda-feira, que visou a discussão do regulamento. Na perspectiva de Leong Hong Sai, as punições previstas no regulamento para certos comportamentos têm de ser revistas pelo Governo. O deputado explicou que actualmente uma pessoa que atire objectos para a via pública não recebe qualquer punição, a não ser que cause danos ou ferimentos. Também quem atira lixo para a rede de escoamento de águas, que depois pode causar inundações, é multado em 600 patacas, quantia tida como insuficiente. “Anteriormente, o Governo abordou este assunto e considerou que o valor da multa em 600 patacas não acompanhou o desenvolvimento social nem responde às expectativas da população”, argumentou Leong. “Achamos que a multa deve ser elevada de forma apropriada para conseguir um melhor efeito dissuasor, para evitar que seja mais barato para os comerciantes deitar o lixo na rede de esgotos, em vez de fazerem o tratamento correcto”, acrescentou. Leong Hong Sai também considerou que a direcção da alteração do regulamento deve ter em conta o grau de perigo criado para o público pelos comportamentos que espera ver penalizados, assim como a reincidência. Lançamento de objectos O legislador vincou também que Macau precisa de acompanhar Hong Kong e o Interior da China, onde a conduta de atirar objectos dos edifícios para a rua é considerada um crime e é penalizada com pena de prisão. Leong Hong Sai afirmou que a intenção de criminalizar o comportamento é criar um maior efeito dissuasor, e que a prisão das pessoas deve acontecer, mesmo quando os actos não causem feridos nem mortos. Sobre este tipo de comportamentos, Leong Hong Sai afirmou ter recebido queixas de vários residentes, principalmente porque é muito difícil identificar os responsáveis pelo arremesso dos objectos para a rua. O legislador defendeu assim um mecanismo de investigação que não privilegie tanto a privacidade, de forma a garantir a segurança pública. “O Governo deve aumentar os mecanismos de videovigilância nos locais onde são registados mais casos de arremesso de objectos para a via pública e onde há maiores riscos para a segurança”, defendeu. O deputado apontou ainda que os residentes também se queixam que o facto de muitos objectos serem deixados nos espaços comuns dos edifícios, como forma de armazenamento temporária, cria riscos acrescidos e bloqueia caminhos de emergência.