Ásia-Pacífico | Alemanha reafirma críticas às ambições da China

A Alemanha reafirmou ontem a acusação à China de ameaçar a segurança internacional e os interesses europeus com as ambições no Mar da China Meridional e as tensões no Estreito de Taiwan. “As crescentes ambições militares da China no Mar da China Meridional não só ameaçam a segurança da Ásia como também minam a ordem internacional”, afirmou o chefe da diplomacia alemã, Johann Wadephul, em Jacarta.

Wadephul disse que o que está a acontecer na região Ásia-Pacífico “tem um impacto directo na segurança europeia e vice-versa”. “Qualquer escalada teria graves consequências para a segurança e a prosperidade mundiais”, afirmou, após uma reunião com o homólogo indonésio, Sugiono, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

O ministro alemão acrescentou que o mesmo também se aplica às tensões no Estreito de Taiwan, onde a China mobiliza regularmente caças e navios de guerra. Johann Wadephul já tinha acusado a China na segunda-feira, durante uma visita ao Japão, de “alterar unilateralmente” as fronteiras na região Ásia-Pacífico, considerando Pequim “cada vez mais agressiva”.

“A China ameaça regularmente, mais ou menos abertamente, alterar unilateralmente o ‘status quo’ e deslocar as fronteiras a seu favor”, afirmou então.

Uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, reagiu na altura às declarações do ministro alemão e disse que a situação no Mar da China Oriental e no Mar da China Meridional “permanece globalmente estável”.

O Papa Americano (III)

(Continuação da edição de 14 de Agosto)

O europeísmo brota de forma tangível do catolicismo euro-ocidental e começa a declinar quando, graças também ao impulso do papa polaco, os «dois pulmões» do continente atravessado pela cortina de ferro, unindo-se com a mão esquerda num casamento morganático, descobrem ser demasiado diferentes. Nacionalismos absolutos e particularismos mesquinhos afligem tanto o continente geopolítico quanto a Igreja na Europa, em balcanização pela ênfase em si mesmas das conferências episcopais individuais. Em busca do cada vez menor e, portanto, mais puro. Antítese do lema agostiniano escolhido por Leão XIV «In Illo uno unum (Naquele que é Um, nós somos um)». Não é uma constatação. É um acto de fé. Os mártires pré-constantinianos diagnosticariam hoje a Lua/Igreja em fase avançada de declínio, mas confiantes no próximo ciclo gerador, finalmente iluminador. Muito diferente do clima sombrio de hoje. Actualmente, os católicos de pouca fé ou excessiva racionalidade descobrem a Igreja morta na Europa. Justamente enquanto em várias regiões do «Sul Global», especialmente na África graças ao impulso demográfico e nas Américas, os católicos crescem também em termos de influência político-cultural.

Mas é lei física a que observa na dilatação espacial a diluição da coerência em qualquer colectividade ou instituição, no caso católico (Santa Igreja Romana) e laico (União Europeia). A difusão de liturgias inerentes ao genius loci específico expressa a heterogeneidade cultural que às vezes torna difícil para um católico reconhecer-se noutro católico. Se a Igreja europeia esgota a sua força propulsora, para o Ocidente é o golpe de misericórdia. Esta é, pelo menos, a tese do cardeal Christoph Schönborn, colosso da aristocracia clerical da Europa Central e teólogo dominicano, aberto à tradição durante os seus trinta anos como arcebispo de Viena, que terminaram em Janeiro passado por (prorrogação) do limite de idade. Na conferência de 3 de Fevereiro de 2010 na Catholic University of America, este íntimo de Ratzinger e depois cauteloso apoiante de Bergoglio revela as suas cartas já no título «Cristianismo, presença alienígena ou fundamento do Ocidente?». Resposta: «Ambas as coisas». De facto, «o cristianismo é uma das raízes da Europa». Mas «para muitos, é um elemento estranho num mundo determinado pela razão, pelo iluminismo e pelos princípios democráticos». Conclusão: «Esta Europa, e todo o mundo ocidental, não sobreviverá sem essa estranheza trazida pelo cristianismo».

No sentido explorado por Diogneto, antecipado pelo mandamento paulino na Carta aos Romanos «Não vos conformeis com este mundo» (Rm 12,2). Este príncipe inclassificável da Igreja inscreve-se na corrente do catolicismo dos Habsburgos, já bastião da reacção às «novidades francesas» denunciadas por Novalis no clássico “A Cristandade ou a Europa” ou seja, a Europa (1802), mas único império europeu a não se manchar com o pecado colonial a menos que se considere colónias o conjunto balcânico e centro-europeu pertencente a Viena. Neste contexto, emergem no século XX personalidades de elevada cultura quase morbidamente apegadas à ideia da Europa, como podiam ser logo após a Guerra Fria os «salvos» do segundo pulmão, forçados durante meio século na gaiola soviética e, por isso, rebaixados a «Oriente». Rede informal geopolítico-espiritual verticalizada com Karol Wojtyła de Wadowice, perto de Cracóvia, papa imediatamente santificado. O nome foi-lhe imposto pelo pai, que serviu no exército imperial-real, em memória de Carlos I, último Kaiser Habsburgo, beatificado em 2004 por João Paulo II.

Outro expoente notável dessa linhagem é o cardeal Péter Erdö, arcebispo de Budapeste e primaz da Hungria, em quem a ala conservadora minoritária, liderada pelo cardeal americano Timothy Dolan, arcebispo católico, da Arquidiocese de Nova Iorque e outros cardeais não apenas americanos, apostou como candidato de bandeira no conclave que convergirá para Prevost. Vice-papa virtual, à frente do cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, na votação final dos cardeais. Para ele, «sem a Europa, a Igreja perde o seu coração». Não sabemos se J.D. Vance, o extrovertido vice de Trump, ansioso por sucedê-lo, já visitou a basílica de São Francisco de Assis em Arezzo. Se não o fez, é de ousar sugerir-lhe que o faça. Aqui poderá espelhar-se no Sonho de Constantino, o maravilhoso afresco de Piero della Francesca. Quase amanhecendo nocturno no campo romano, no final de Outubro de 312. O imperador jaz sonhador sob a tenda do seu acampamento perto de Ponte Mílvia, onde está prestes a derrotar o rival Maxêncio. Envolto na luz mística cara a Piero, limiar entre a sombra moribunda e os raios nascentes de Cristo, um anjo estende a cruz cujo sinal Constantino vencerá. Origem da virada iniciada pelo imperador-bispo no Concílio de Niceia, do qual se comemora o décimo sétimo centenário.

Selado em 28 de Fevereiro de 380 por édito do imperador Teodósio I, que decreta a fé em Cristo como religião do Estado. Romanização do cristianismo e cristianização do império. Um anjo deve ter aparecido também a Vance, que, em analogia com Constantino, sonha com a americanização do catolicismo e a conversão da América à religião do papa Americano. O evangelho segundo J.D. é instrumentum regni. Suplemento de alma para a América pós-liberal, nostálgica dos “Roaring Forties and Furious Fifties”, idade augusta do império das estrelas e listras. À espera da parusia de Elvis. Na hipotética exegese vansiana do “Mysterium Lunae”, a América seria assimilada à Igreja «lunar», iluminada pelo Sol divino. Sobre a função estratégica desta visão converge a tribo católica em expansão entre os líderes MAGA. Exuberante ramificação do trumpismo que postula a fecundação recíproca entre o Estado e a Igreja para maior glória do primeiro.

Entre esses apóstolos, muitos convertidos, quorum Vance. Inspirados na encíclica “Longinqua Oceani” (1895) de Leão XIII, segundo a qual a Igreja Católica americana «daria frutos ainda mais abundantes se, além da liberdade, gozasse também do favor das leis e da protecção do público». O sonho de Vance é que Leão, o americano, possa celebrar as núpcias entre os Estados Unidos e a Igreja. Talvez por acordo. Rede a ser estendida a países consentâneos. Para uma Internacional dos nacionalistas, aberta ao Ocidente estratégico, do qual os Estados Unidos são o fulcro. E sensível à cor da pele, preferencialmente branca. Super MAGA que unirá as nações que quiserem aderir, seguidores da Lua com estrelas e listras. O neoconstantinismo com esteróides visa o equilíbrio de poder entre Estados em competição mutuamente legitimados a proteger os seus próprios interesses. Partidas a regular no mercado em que cada actor joga e troca cartas próprias com as dos outros.

É claro que são viciadas. É tudo um acordo. Trump tentou em vão explicá-lo a Zelensky no confronto na Casa Branca, em 28 de Fevereiro passado: «Não tem as cartas!». Entre os sócios fundadores da coligação vansiana destacam-se personalidades de ascendência neoconservadora, como o secretário de Estado Marco Rubio, o mais influente depois de Vance entre os nove expoentes da patrulha católica que anima o governo federal.

Japão regista novo défice comercial em Julho pelo terceiro mês consecutivo

O Japão registou em julho um défice comercial de 17,5 mil milhões de ienes (683 milhões de euros), pelo terceiro mês consecutivo, motivada pela desaceleração do comércio com os Estados Unidos, após as tarifas impostas pela administração Trump.

O Japão registou em Julho um excedente comercial com os Estados Unidos de 585,110 biliões de ienes, 23,9 por cento abaixo do registo no mês homólogo anterior, enquanto as exportações nipónicas para a primeira economia mundial ficaram em 1,7 triliões de ienes (no mês em análise, 10,1 por cento menos do que no ano anterior.

Durante o mês de Julho, o Japão esteve sujeito à tarifa base de 10 por cento imposta pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, em Abril, enquanto os exportadores de automóveis japoneses enfrentaram uma tarifa separada de 25 por cento.

Acordo na mesa

No passado dia 23 de Julho, o Japão e os Estados Unidos chegaram a um acordo comercial, resultado de meses de negociações, pelo qual o país asiático deverá pagar tarifas de 15 por cento e investir 550 mil milhões de dólares na primeira economia mundial.

As chamadas denominadas pela Casa Branca “tarifas recíprocas”, com as quais Trump vinha a ameaçar diferentes nações, foram fixadas para o Japão em 15 por cento, abaixo dos 25 por cento anunciados anteriormente, tendo igualmente sido a taxa mais baixa imposta a países que têm um superávit comercial com os Estados Unidos.

As tarifas impostas por Washington ao sector automóvel também ficaram em 15 por cento, 10 pontos abaixo do que havia sido estabelecido meses antes e sem limite no número de veículos importados. A nível global, as exportações japonesas diminuíram em julho 2,6 por cento em relação a Julho de 2024, para 9,35 biliões de ienes, enquanto as importações diminuíram 7,5 por cento, para 9,47 biliões de ienes.

Por partes

Por países, o Japão registou em Julho com a China, o seu maior parceiro comercial, um défice de 609.156 milhões de ienes, o que representa uma redução de 4,8 por cento em relação ao mês homólogo anterior. Com a União Europeia, terceiro parceiro comercial, o Japão registou um saldo negativo no valor de 277,959 milhões de ienes, 57,1 por cento a mais do que no mesmo mês de 2024.

Com o Brasil, o país asiático reduziu o défice em 28,3 por cento em relação ao ano anterior, para 48.092 milhões de ienes, enquanto, no caso do saldo negativo com o Chile, diminuiu 8,8 por cento, para 85.350 milhões de ienes. O Japão, por outro lado, alcançou um superávit comercial com o México no valor de 40.739 milhões de ienes, embora o valor seja 58,2 por cento inferior ao de Julho do ano anterior.

Economia | Banco Popular mantém taxa de referência dos juros nos 3%

O Banco Popular da China (BPC, banco central) anunciou ontem que manterá a taxa de juro de referência em 3 por cento, pelo quarto mês consecutivo, atendendo assim às expectativas dos analistas, que não esperavam alterações.

Na actualização mensal divulgada no portal oficial na internet, a instituição indicou que a taxa de referência para créditos (LPR, em inglês) a um ano se manterá no nível mencionado por, pelo menos, mais um mês.

O indicador, estabelecido como referência para as taxas de juro em 2019, serve para fixar o preço dos novos créditos – geralmente para empresas – e dos créditos com juros variáveis, pendentes de reembolso.

O cálculo é feito a partir das contribuições para os preços de uma série de bancos – que inclui pequenos credores que tendem a ter custos de financiamento mais elevados e maior exposição ao mal-parado – e tem como objectivo reduzir os custos do endividamento e apoiar a “economia real”. O banco central também indicou ontem que a LPR a 5 anos ou mais – referência para empréstimos hipotecários – continuará em 3,5 por cento, também em linha com as previsões dos especialistas.

A última redução das taxas na China data de maio último, quando a instituição realizou um corte de 10 pontos base: para a LPR a um ano, de 3,1 por cento para 3 por cento, e para a de 5 anos ou mais, de 3,6 por cento para 3,5 por cento.

A decisão era esperada pelos analistas, em face à conjuntura para a segunda economia do mundo, que pode decidir cortes adicionais ao longo do resto do ano.

Além da incerteza causada pelas disputas comerciais com os Estados Unidos, a baixa procura nacional e internacional, aliada aos riscos de deflação, estímulos insuficientes, uma crise imobiliária prolongada ou falta de confiança dos consumidores e sector privado são algumas das causas apontadas pelos analistas para explicar uma recuperação menos brilhante do que o esperado da economia chinesa, após os anos de “covid zero”.

Índia / China | Restabelecidos voos directos e comércio fronteiriço

A Índia e a China chegaram a acordo para reabrir o comércio através da fronteira nos Himalaias e retomar os voos directos, suspensos desde 2020, foi terça-feira divulgado.

Esta aproximação, que procura reconstruir pontes derrubadas após os confrontos fatais na fronteira em 2020, ocorre numa altura de tensões comerciais elevadas entre a Índia e a administração de Donald Trump, após a imposição de uma tarifa de 50 por cento sobre os produtos indianos.

Os acordos foram anunciados terça-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano, num comunicado detalhado no final da visita de dois dias do chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, que culminou num encontro com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Ambos os países concordaram em “reabrir o comércio fronteiriço através dos três pontos comerciais designados” e “retomar a conectividade aérea directa (…) o mais rapidamente possível”, segundo a nota. Índia e China concordaram ainda em facilitar a emissão de vistos a turistas, empresários e jornalistas.

No contexto da tensa disputa fronteiriça, ambos os lados concordaram em criar um “grupo de peritos” para explorar o progresso acelerado na delimitação das fronteiras, bem como um “grupo de trabalho” para a gestão eficaz das fronteiras e a prevenção de futuros confrontos.

Pequim também apoiou a Índia para acolher a cimeira dos BRICS (economias emergentes) em 2026, enquanto Nova Deli apoiará a China para a edição de 2027, de acordo com o comunicado.

A visita de Wang serviu também para confirmar a visita de Modi à China no final do mês para participar na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX). “O lado chinês saudou a presença do primeiro-ministro indiano Narendra Modi na Cimeira da OCX, a realizar em Tianjin”, concluiu o comunicado.

Efeméride | China prepara-se para revelar série de novas armas

A celebração do fim da Segunda Guerra Mundial e da vitória sobre o Japão deverá apresentar ao mundo o mais recente arsenal de guerra chinês num desfile que contará com Xi Jinping a passar revista às tropas

 

A China vai revelar dentro de duas semanas uma série de novos armamentos que destacam o seu poder militar durante um grande desfile em Pequim, anunciou ontem um responsável militar.

O evento de 03 de Setembro, que está a ser preparado há largas semanas, irá comemorar os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial e a vitória sobre o Japão, que durante a guerra conduziu uma ocupação brutal e sangrenta do território chinês.

O Presidente Xi Jinping passará revista às tropas na Praça Tiananmen, no centro de Pequim e o seu homólogo russo, Vladimir Putin, entre outros líderes estrangeiros são esperados. Milhões de chineses morreram durante a longa guerra contra o Japão nas décadas de 1930 e 1940.

O exército chinês apresentará, no dia 03 de Setembro, algumas das suas armas mais recentes, que “reflectem a evolução das formas de guerra moderna”, declarou à imprensa o general de divisão Wu Zeke, um oficial superior do Departamento do Estado-Maior Conjunto da Comissão Militar Central.

“Todas as armas e equipamentos que participam no desfile foram seleccionados entre os principais sistemas de combate actualmente no serviço activo e produzidos no país, com uma grande proporção de novos equipamentos que serão revelados pela primeira vez”, acrescentou. Serão apresentados, nomeadamente, armamentos estratégicos, bombardeiros, caças, sistemas hipersónicos, bem como equipamentos de combate a drones, acrescentou o militar, sem dar mais detalhes.

Poder de fogo

O desfile, que terá uma duração prevista de cerca de 70 minutos, “mostrará plenamente a poderosa capacidade do nosso exército para vencer uma guerra moderna” e “salvaguardar a paz mundial”, salientou. O evento mobilizará também tropas terrestres, que evoluirão em formação, colunas blindadas, esquadrões aéreos e equipamento de ponta.

A China anunciou em Março um aumento de 7,2 por cento no seu orçamento de defesa para 2025, num contexto de rápida modernização das forças armadas e crescente rivalidade com os Estados Unidos. O montante atribuído à defesa tem vindo a aumentar há várias décadas, em sintonia com o desenvolvimento económico.

A China tem o segundo maior orçamento militar do mundo. No entanto, ainda está muito atrás dos Estados Unidos, que fizeram do gigante asiático o seu rival estratégico.

“Oxfam TowerRun” acontece na Torre de Macau em Outubro

A 12.ª edição da “Oxfam TowerRun”, um evento solidário de corrida acontece a 19 de Outubro na Torre de Macau, desta vez com o tema “Cada Mente Conta – Cada Passo Transforma Vidas”. As inscrições para a corrida já começaram e terminam a 26 de Setembro.

Este evento visa apoiar a organização não governamental (ONG) Oxfam no combate à pobreza em todo o mundo. “Quer seja participante, patrocinador ou apoiante, está a ajudar a construir um movimento onde cada passo transforma vidas e cada mente realmente conta. O sucesso deste evento só é possível graças ao esforço conjunto de todos. Os fundos angariados neste ano apoiarão projectos de combate à pobreza e de desenvolvimento da Oxfam, incluindo o apoio ao desenvolvimento educativo e ao bem-estar das crianças deixadas para trás na China continental, trazendo mudanças reais às suas vidas”, afirmou Henry Tang, director-geral interino da Oxfam em Hong Kong.

Na conferência de imprensa que anunciou a data da 12.ª edição, a Oxfam anunciou ainda que o vencedor da corrida de 2024, Soh Wai Ching, e corredora de trilhos, também de Macau, Vivi Cheung, vão ser embaixadores do evento deste ano.

Apoio aos Jogos

Os participantes podem inscrever-se nas diversas categorias, nomeadamente o “desafio individual”, que inclui a prova completa com 61 andares, ou as “categorias elite ou aberta” para homens e mulheres. O programa contempla ainda o “desafio individual” no formato meia prova, com 31 andares, ou “desafio em equipa”, com estafeta para equipas que correm entre 4 a 61 andares. Outra categoria é a “corrida dos líderes”, com apenas 7 andares. Os participantes com 16 anos ou mais podem inscrever-se na corrida individual, pagando o valor mínimo de 525 patacas. Os estudantes pagam 350 patacas. Estes valores são cobrados para o desafio da torre completa e de meia torre.

A taxa de inscrição para a estafeta de quatro pessoas é também de 525 patacas, sendo que o “donativo sugerido por equipa” é de cinco mil patacas. Os três primeiros classificados da Prova Completa (Elite) individual (Masculino e Feminino) receberão um prémio em dinheiro no valor total de 1.200 euros (cerca de 11 mil patacas).

Além de organizar a corrida por uma causa, a Oxfam alinha-se também com os Jogos Nacionais, que este ano são organizados, pela primeira vez, na província d Guangdong, Hong Kong e Macau. “O objectivo é aproveitar esta oportunidade para atrair mais corredores da China continental e do estrangeiro, dando a conhecer e promovendo este evento desportivo com significado, bem como fomentar a cultura desportiva local”. O “Oxfam TowerRun” tem cerificação internacional, nomeadamente da Towerrunning World Association e Asia-Pacific Vertical Marathon Association.

Fado | Grupo de Medicina do Porto faz périplo pelo Oriente

O Grupo de Fados de Medicina do Porto, criado por alunos da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em 1992, vai dar um espectáculo em Macau, na Fundação Rui Cunha, na próxima segunda-feira, 25. Porém, o chamado “Fado de Coimbra” e outras canções vão fazer-se ouvir a Oriente, nomeadamente em Hong Kong e Banguecoque

 

A Fundação Rui Cunha (FRC) recebe, na próxima segunda-feira, o espectáculo do Grupo de Fados de Medicina do Porto a partir das 20h, naquele que promete ser uma noite cheia de sonoridades bem portuguesas, onde o chamado “Fado de Coimbra” e a guitarra portuguesa estarão em destaque.

Porém, o espectáculo que o grupo irá protagonizar em Macau será apenas um de três na Ásia. Isto porque os estudantes de Medicina levam as guitarras e os trajes negros para Hong Kong e Banguecoque, sem esquecer também uma passagem por Helsínquia. O primeiro destes concertos aconteceu dia 18, terminando este périplo musical no dia 29 deste mês.

Segundo a página do grupo na rede social Facebook, esta série de espectáculos será “uma ponte entre continentes, entre culturas e memórias”, tendo o grupo “um enorme entusiasmo” por poder tocar em lugares tão distantes e distintos da cidade do Porto, onde estudam.

“Com o Espírito Académico a ressoar em cada canção tocada, atravessaremos continentes a fim de partilhar o Fado-Canção Coimbrã com as Comunidades Portuguesas que nos vão acolher e que, mesmo a milhares de quilómetros de distância, continuam a comungar connosco do gosto pela Cultura e Tradição do seu país”, lê-se na mesma publicação.

O grupo promete fazer-se guiar “pelo desejo de levar um pouco de casa a quem está longe e de aproveitar tudo o que estas paragens têm para nos oferecer”. Todos os concertos prometem ser “uma aventura, onde as histórias prometem ficar gravadas na memória”.

Canções entre estudos

O Grupo de Fados de Medicina do Porto foi criado em 1992 por estudantes desse curso da Universidade do Porto, tendo a formação mantido o chamado espírito académico e espalhado este tipo de música em vários locais.

A ideia original por detrás da formação do grupo foi “enriquecer a experiência académica e perpetuar essa tradição através da performance da mais bonita música portuguesa, o Fado Académico”.

Ao formar este grupo de fados, marcado por “melodias cantadas e acordes tocados”, acabaram por se reunir “os valores da vida académica”, bem como “celebrar não apenas o Fado de Coimbra e a música portuguesa em geral, mas também o espírito que une todos aqueles que encontram nela uma expressão da sua identidade”.

Num país onde os estudantes universitários habitualmente andam com um traje negro e formam grupos musicais em contexto académico, em cidades como Coimbra, Lisboa, Porto ou Braga, o Grupo de Fados de Medicina do Porto é hoje “um dos grupos de Fados com a mais longa história na Academia do Porto”.

“Ao longo dos anos e através das gerações, o grupo tem orgulhosamente mantido vivo o legado da Canção de Estudante, expresso pela sua participação em Serenatas Monumentais, Noites de Fado, Galas de Aniversário e muitos outros eventos que reflectem a nossa paixão e dedicação à arte musical. Para além disso, temos visitado comunidades portuguesas no estrangeiro, com o objetivo de interagir em momentos de partilha mútua”, é referido numa nota oficial sobre a digressão do grupo, que já passou por locais como os EUA, a Suíça, Luxemburgo, Alemanha ou França, entre outros destinos.

Esplanadas | Sector exige horário mais prolongado

O sector da restauração exige que as esplanadas funcionem por mais tempo além do período das 9h-22h estabelecido pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). Estes pedidos foram feitos ontem no programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, que debateu o regresso da atribuição das licenças de esplanadas pelo IAM 16 anos depois da suspensão.

Pang Teng Kit, vice-presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, referiu opiniões de donos de restaurantes e bares que dizem que o tempo de funcionamento das esplanadas deveria ser prolongado até depois das 22h.

Pang Teng Kit afirmou ainda que as reacções do sector ao regresso das licenças têm sido positivas, tendo a associação recebido muitos pedidos de informação. O dirigente associativo acredita que as esplanadas podem atrair mais visitantes e trazer estabilidade aos negócios, sendo que os comerciantes até têm demonstrado vontade de contratar mais empregados.

PJ | Detido nacional da Serra Leoa com quase 1Kg de cocaína

Um homem da Serra Leoa foi detido por suspeitas de tráfico de droga, quando chegou a Macau num voo vindo da Tailândia no passado domingo. O suspeito trazia no estômago 56 pequenas embalagens de cocaína com um peso total de 941 gramas.

Segundo a Polícia Judiciária (PJ), a droga apreendida teria um valor de mercado de cerca de 1,8 milhões de patacas. Depois de ter sido sujeito a exame de raio-x, o indivíduo foi hospitalizado para observação e, entre domingo e terça-feira, expeliu as 56 embalagens de cocaína. As autoridades apuraram que o suspeito foi recrutado por um grupo de tráfico de droga no seu país natal e recebeu uma recompensa de 1.000 dólares americanos para ingerir a droga e viajar para Macau.

O plano seria expelir as pequenas embalagens num quarto de hotel providenciado pelo grupo criminoso e, em troca, receber mais 3.000 dólares. Durante a investigação, a PJ apreendeu 840 dólares. O caso foi transferido para o Ministério Público para investigação.

Inundações | Pedida maior supervisão de redes de drenagem

O deputado Nick Lei interpelou o Governo sobre a necessidade de fiscalizar melhor as canalizações e sistemas de drenagem subterrâneos tendo em conta as inundações que ocorreram nos últimos dias em algumas zonas baixas do território. Nick Lei afirma também que devem ser criadas directrizes laborais por causa das chuvas

 

As chuvas intensas registadas em Macau na última semana, aquando da passagem da tempestade “Podul”, causaram muitas inundações nas zonas baixas do território, revelando novamente o problema dos sistemas de drenagem. Para o deputado Nick Lei, cabe ao Governo aumentar a fiscalização das canalizações subterrâneas e demais infra-estruturas de drenagem por constituírem “pontos negros” causadores de inundações.

O deputado ligado à comunidade de Fujian recordou as inundações registadas em várias zonas baixas, como no Caminho das Hortas, Avenida Wai Long, zona de Chun Su Mei, Rua da Ponte Negra na Taipa, Rotunda da Seac Pai Van e a vila de Coloane.

“O problema das inundações nas zonas antigas da Taipa sempre incomodou os residentes e ainda não foi resolvido. As inundações provocadas pelas chuvas intensas mostram que há falhas nas medidas de drenagem e que as mesmas devem ser resolvidas de forma urgente e com respostas”, defendeu numa interpelação escrita entregue ao Governo.

Por esta razão, Nick Lei quer saber quais as medidas de que o Governo dispõe para lidar com esta questão, numa altura em que a Estação Elevatória de Águas Pluviais na Taipa ainda está a ser alvo de planeamento. “Será que o Governo pode analisar e melhorar o sistema de drenagem e canalizações subterrâneas, incluindo nas zonas antigas da Taipa, para que se possa melhorar a capacidade de resposta do sistema?”, questionou.

O deputado lembrou as informações fornecidas pelas autoridades quanto à falta de instalações de drenagem em algumas zonas, o que constituiu a causa principal para as inundações, bem como o excesso de água acumulada em terrenos vazios ou estaleiros de obras, o que fez com que muita dessa água das chuvas tenha ido parar às estradas. Daí o deputado pedir uma inspecção geral ao sistema de drenagem em terrenos não desenvolvidos e dos estaleiros de obras de construção.

Chuvas e queixas

Nick Lei referiu ainda na sua interpelação que recebeu queixas de residentes sobre o facto de terem recebido avisos quanto a eventuais cortes salariais ou mesmo nas férias anuais caso não chegassem a horas ao emprego, ou não conseguissem deslocar-se para o trabalho, nos dias de chuva intensa.

Para o deputado, tal deve-se ao facto de a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais ainda não ter elaborado as instruções sobre o horário de trabalho em dias ou períodos de chuvas intensas. A actual lei laboral prevê ausências de trabalho por justa causa, ou atrasos pontuais, em situações em que haja dificuldades dos trabalhadores ou em que haja suspensão de transportes públicos durante os fenómenos meteorológicos severos, mas Nick Lei argumenta que falta incluir o caso específico das chuvas.

“Será que o Governo pode ter como base a prática das regiões vizinhas e estudar a possibilidade de criar instruções de trabalho para a época das chuvas intensas?”, inquiriu.

Salários | Macau ocupa 33.ª posição no ranking mundial

Com uma média salarial mensal de 17,873 patacas (mais de dois mil dólares americanos), Macau ocupa a 33.ª posição na lista dos salários mais elevados do mundo, composta por 197 países e regiões. Segundo o ranking da revista CEOWORLD, trata-se de uma subida de dois lugares

 

Dados mais recentes divulgados pela revista CEOWORLD, e relativos aos países e regiões com salários mais elevados, mostram que Macau subiu duas posições nos ordenados mais bem pagos, passando do 35.º lugar, em 2024, para o 33.º lugar este ano, com uma média salarial mensal de 17,873 patacas, o equivalente a 2,221 dólares americanos.

Os dados, que também são citados pelo portal Macao News, revelam que os habitantes de Macau ganham, porém, menos do que os de Hong Kong, que este ano aparece na 22.ª posição deste mesmo ranking, com um ordenado médio mensal de 3,177 dólares americanos. Mais abaixo,está a China, na 60.ª posição, e com um salário médio mensal de 1,229 dólares americanos. Por sua vez, a região de Taiwan situa-se na 41.ª posição, com um salário médio de 1,870 dólares americanos por mês.

No ranking intitulado “Países com os maiores e menores salários médios em 2025”, foram comparados os salários médios brutos mensais obtidos após o pagamento de impostos, destacando-se a Suíça com um ordenado de 8,218 dólares americanos. Segue-se o Luxemburgo, com 6,740 dólares americanos, os EUA, com 6,562 dólares, Islândia com 6,548. Da Ásia, surge Singapura em décimo lugar, com um ordenado médio mensal de 4,457 dólares americanos.

Quem te avisa

A análise da CEOWORLD dá conta de que, nesta contagem, sobressai o facto de “os empregos mais bem pagos se encontrarem nos sectores das finanças, seguros, electricidade, minérios, tecnologias da informação, retalho e educação”, sendo que áreas como “serviços administrativos, hotelaria e construção civil estão entre os sectores com piores remunerações”.

Os analistas chamam ainda a atenção para o factor inflação, já que “nos últimos anos muitas nações enfrentaram taxas de inflação elevadas que podem afectar significativamente o poder de compra”. Trata-se de uma inflação nascida “em grande parte da pandemia” e que trouxe “perturbações nas cadeias de abastecimento”.

A CEOWORLD destaca ainda os “riscos geopolíticos”, nomeadamente “o conflito Rússia-Ucrânia, as tarifas de Trump, a competição estratégica EUA-China, as tensões contínuas no Médio Oriente, os desafios geopolíticos entre Índia e China e a desaceleração económica da China”, que contribuem para “agravar estas questões, exacerbando crises energéticas e causando atrasos no fornecimento”. Não é esquecido o conflito na Faixa de Gaza, “que pode agravar ainda mais a situação”.

Espera-se ainda, nos próximos meses, “uma fase económica difícil, com várias previsões a indicar uma possível recessão”.

Citados aqui os melhores salários, importa destacar os países e regiões onde se ganha menos: a Palestina, região ainda não reconhecida como Estado, e que está no centro do conflito na Faixa de Gaza entre Israel e o Hamas, está no fim da lista. Ali, ganha-se 104 dólares, em média, por mês.

Turismo | Helena de Senna Fernandes e Fanny Vong renovam mandatos

Helena de Senna Fernandes vai continuar à frente da Direcção dos Serviços do Turismo por mais dois anos, até Dezembro de 2027. A renovação no cargo foi ontem oficializada pelo secretário para a Economia e Finanças. Também Fanny Vong vai continuar a dirigir a Universidade de Turismo de Macau por mais seis meses

 

Dois dos cargos mais importantes na definição do rumo do sector do turismo de Macau vão continuar nas mãos de duas mulheres cujas carreiras públicas se misturam com o rumo das políticas turísticas do território das últimas duas décadas. Maria Helena de Senna Fernandes vai continuar a dirigir os Serviços de Turismo, enquanto Fanny Vong prossegue como reitora da Universidade de Turismo de Macau.

A comissão de serviço de Helena de Senna Fernandes foi renovada por dois anos, a partir de 20 de Dezembro deste ano, através de um despacho do secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, publicado ontem no Boletim Oficial.

O documento que renova o mandato de Helena de Senna Fernandes à frente da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indica que a directora “tem capacidade de gestão e experiência profissional adequadas para o exercício das suas funções”.

Se cumprir a mais recente comissão de serviço, Helena de Senna Fernandes será directora da DST por, pelo menos, 15 anos, cargo que ocupa desde Dezembro de 2012.

A responsável é licenciada em Gestão Empresarial e entrou na Função Pública em 1988, tendo desempenhado entre 1994 e 1998 o cargo de chefe do Departamento de Promoção da DST. A partir de 1998, e até ser promovida a directora, foi subdirectora da DST. Também desempenhou funções como parte da Comissão de Designação de Medalhas e Títulos Honoríficos.

À meia dúzia

Por sua vez, a comissão de serviço de Fanny Vong como reitora da Universidade de Turismo de Macau foi renovada por seis meses, dando continuidade à responsável que presidiu à transição do Instituto de Formação Turística para a actual Universidade de Turismo de Macau.

A continuição do mandato de Fanny Vong foi oficializada por um despacho assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, publicado ontem no Boletim Oficial. A justificação para a renovação do mandato por seis meses foi exactamente a mesma dada para a renovação de Helena de Senna Fernandes.

Fanny Vong foi professora na Universidade de Macau e ingressou no Instituto de Estudos Turísticos de Macau em 1999, tornando-se presidente do instituto em 2001. Durante o seu mandato, criou o programa de pós-doutorado da instituição que deu lugar à Universidade de Turismo de Macau, incluindo programas de mestrado, doutorado e pós-graduação.

A reitora ocupou vários cargos relacionados com a indústria do turismo de Macau, incluindo na Comissão de Apoio ao Desenvolvimento Turístico.

SAFP / Chefias | Terceira parte vai dar parecer sobre nomeações

Os mecanismos de progressão de carreira na Função Pública vão sofrer alterações, com a introdução de uma terceira parte que poderá ser solicitada para dar um parecer sobre nomeações do pessoal de direcção ou chefia. A novidade foi ontem apresentada pela directora dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), Leong Weng In, numa conferência de imprensa do Conselho Executivo.

As novidades foram acrescentadas pela alteração ao regulamento administrativo que regula as disposições complementares do estatuto do pessoal de direcção e chefia.

Sobre a natureza desta terceira parte, se é privada ou pública e sobre o conhecimento que terá da orgânica de departamentos que não conhece, Leong Weng In nada disse, além de que o processo será acompanhado pelos SAFP.

Em relação a renovações de comissões de servoços de pessoal de direcção e chefia, a responsável afirmou que o processo irá implicar uma nova revisão para apurar se os funcionários continuam a “preencher os requisitos para o exercício das funções, designadamente a idoneidade cívica e a competência profissional necessárias”. Como tal, serão verificadas se o trabalhador tem no seu registo advertências ou processos disciplinares.

Reserva financeira | Activos cresceram 7,4% em Junho

Os activos da reserva financeira de Macau alcançaram no final de Junho 647,3 mil milhões de patacas, valor correspondente a um crescimento homólogo de 7,4 por cento, segundo dados oficiais divulgados ontem.

A reserva financeira em Maio estava nos 640,6 mil milhões de patacas, pelo que o valor apresentado ontem representa uma subida em cadeia de 1,04 por cento, de acordo com os dados da Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

A reserva tem estado sempre em alta ao longo do semestre, com o valor dos activos a subir 31,1 mil milhões de patacas entre Janeiro e Junho – em Dezembro de 2024, o valor cifrou-se em 616,2 mil milhões de patacas. Apesar disso, os 647,3 mil milhões de patacas permanecem abaixo do recorde histórico de 663,6 mil milhões de patacas, atingido no final de Fevereiro de 2021, em plena pandemia de covid-19.

O valor da reserva extraordinária no final de Junho deste ano era de 459,7 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 164,2 mil milhões de patacas, ainda de acordo com a AMCM.

A reserva financeira de Macau é maioritariamente composta por 271,6 mil milhões de patacas em investimentos subcontratados, depósitos e contas correntes no valor de 255,9 mil milhões de patacas e títulos de crédito no montante de 116,4 mil milhões de patacas.

Maternidade | Pedidos 113 subsídios complementares até Julho

Até ao final do mês passado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) registou 113 pedidos para o plano do subsídio complementar atribuído aos empregadores pela remuneração paga na licença de maternidade, indicou ontem o director Chan Un Tong numa conferência de imprensa do Conselho Executivo. Destes 113 pedidos, 86 foram aprovados (envolvendo 79 empresas) num valor de quase 810 mil patacas.

Recorde-se que este subsídio começou a ser distribuído depois da revisão legal que alargou a licença de maternidade de 56 para 70 dias, que entrou em vigor a 26 de Maio de 2020, e teria como limite máximo 14 dias de renumeração base. O subsídio foi apresentado como uma medida para aplicar durante um período transitório, permitindo aos empregadores adaptar-se, de forma gradual, às despesas económicas causadas pelo aumento do número de dias de licença de maternidade. O período de transição terminou em Maio de 2023, mas foi ontem prolongado por mais um ano, através da alteração ao regulamento administrativo que rege o plano de apoio.

O Conselho Executivo explica o prolongamento da medida com as políticas de incentivo à natalidade, e a promoção de relações laborais harmoniosas.

Como tal, os empregadores que preencham os requisitos e tenham pago “remunerações na licença de maternidade às trabalhadoras residentes que tiveram parto ou situações afins até 31 de Dezembro de 2026”, podem requerer o subsídio complementar.

Tecnologia | Sam Hou Fai quer Nanjing como referência

O Chefe do Executivo considera que a integração entre os sectores académicos, industriais e de investigação tecnológica de Nanjing “são uma referência valiosa para Macau no desenvolvimento da indústria de tecnologia de ponta e na construção do parque industrial de investigação e desenvolvimento das ciências e tecnologias”. A declaração de Sam Hou Fai, citada pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS), foi proferida na terça-feira em Nanjing, a paragem após Xangai no novo périplo por cidades chinesas do líder do Governo da RAEM.

Na capital da província de Jiangsu, Sam Hou Fai e a comitiva da RAEM visitaram o Centro Regional de Transferência de Tecnologia Universitária-Industrial na área da biomedicina (Nanjing), o Laboratório da Montanha Púrpura e o Centro Regional de Transferência de Tecnologia Universitária-Industrial.

Segundo o GCS, o Chefe do Executivo espera que os dois Centros de Transferência de Tecnologia e o Laboratório da Montanha Púrpura reforcem, no futuro, o intercâmbio e a cooperação com as instituições do ensino superior de Macau, formando “quadros qualificados que se destaquem internacionalmente e trabalhem em comunhão de esforços no caminho da inovação científica e tecnológica e da investigação”.

Nanjing | Governo presta homenagem a vítimas de massacre

O Chefe do Executivo visitou ontem o Salão Memorial das Vítimas do Massacre de Nanjing e prometeu realizar em Macau actividades para homenagear os mártires e “exaltar o grande espírito patriótico”. Além disso, a RAEM e a província de Jiangsu assinaram um acordo de cooperação na área da educação

 

Sam Hou Fai visitou ontem o Salão Memorial das Vítimas do Massacre de Nanjing pelos Invasores Japoneses, em Nanjing, onde depositou uma coroa de flores em honra das vítimas. Num gesto de homenagem, o governante e a delegação da RAEM respeitaram um minuto de silêncio e ajustaram fitas fúnebres. De seguida, a comitiva que incluiu a secretária para os Assuntos Sociais e Cultural, O Lam, e o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, Kong Chi Meng, visitaram “a sala de exposição histórica no Salão Memorial e o local da vala comum dos compatriotas mortos, e do capítulo heróico da sangrenta resistência do povo chinês”.

O Chefe do Executivo salientou que este ano se assinala o 80.º aniversário da vitória na guerra de resistência do povo chinês contra a agressão japonesa e na guerra mundial antifascista, e que para marcar o “momento tão significativo”, a RAEM vai organizar uma série de actividades comemorativas. Estas actividades terão como conceitos principais “’recordar a história, prestar homenagem aos mártires, valorizar a paz e criar um grande futuro’, para promover o importante significado da vitória na guerra de resistência e exaltar o grande espírito patriótico”, indicou o Governo da RAEM.

Agarrar oportunidades

Além da homenagem às vítimas do massacre de Nanjing, Sam Hou Fai teve ontem na agenda uma reunião com o secretário do Comité Provincial de Jiangsu do Partido Comunista Chinês e presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Provincial, Xin Changxing. Em cima da mesa esteve o reforço do intercâmbio e cooperação entre Macau e Jiangsu, em especial na área da edução.

Nesse âmbito, foi assinado um acordo de cooperação “promover o intercâmbio e a cooperação entre Macau e Jiangsu na área da educação, e aprofundar o desenvolvimento integrado de educação-ciência-tecnologia-quadros qualificados”. O acordo visa “potenciar a complementaridade de vantagens das duas regiões nos domínios de recursos educacionais, de transformação de resultados de investigação e de plataforma de serviços”.

Sam Hou Fai considerou que Macau e Jiangsu podem reforçar a cooperação em áreas como inovação científica e tecnológica, medicina tradicional chinesa, cultura, turismo, convenções e exposições, e formação de profissionais qualificados.

China / Índia | Pequim saúda “dinâmica positiva” das relações

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, em visita a Nova Deli, felicitou o seu homólogo indiano pela actual “dinâmica positiva” das relações bilaterais, apesar de um conflito fronteiriço, informou ontem Pequim.

Os dois países mais populosos do mundo, que juntos representam mais de 2,8 mil milhões de habitantes, travam uma luta por influência no sul da Ásia, para além de uma disputa na fronteira comum nos Himalaias, que em 2020, evoluiu para combates mortais.

As tensões têm sido gradualmente amenizadas através de um diálogo entre militares e diplomatas, e a imposição de direitos aduaneiros pelo presidente norte-americano, Donald Trump, ao comércio dos Estados Unidos com os dois países está a ajudar a reaproximação de Pequim e Nova Deli.

“As relações sino-indianas apresentam uma dinâmica positiva no sentido de um regresso à via da cooperação”, declarou na segunda-feira Wang Yi, em visita à Índia, ao seu homólogo indiano Subrahmanyam Jaishankar, de acordo com um comunicado do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros publicado ontem.

Os dois países “retomaram gradualmente as trocas e o diálogo a todos os níveis, mantendo a paz e a tranquilidade nas zonas fronteiriças”, acrescenta o texto.

A retoma das relações comerciais na fronteira dos Himalaias está no topo da agenda da visita de Wang Yi. Esse passo acrescentar-se-ia, enquanto símbolo decisivo, aos anúncios sobre o reinício dos voos directos e a emissão de vistos turísticos entre os dois países.

As duas partes devem “aprender com as experiências” do passado e “considerar-se mutuamente como parceiros perante as oportunidades, em vez de adversários ou ameaças”, defendeu Wang Yi. O chefe da diplomacia chinesa deve reunir-se com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, durante a estadia na Índia.

Japão | Moçambique e Cabo Verde em conferência sobre África

O Presidente de Moçambique e o primeiro-ministro de Cabo Verde são alguns dos dirigentes africanos que participam na 9.ª Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD 9), que decorre esta semana em Yokohama.

Com o tema ‘Fortalecimento das parcerias para o desenvolvimento sustentável do continente africano’, a conferência reúne dezenas de personalidades políticas, académicas e financeiras, incluindo o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para debater o apoio do Japão ao desenvolvimento africano, e é organizada pelo Governo nipónico e pelo Banco Mundial.

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, lidera a delegação que é composta, entre outros, pelos ministros dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, do Transporte e Logística, dos Recursos Minerais e Energia, e da Saúde.

“À margem da cimeira, o Presidente da República irá manter encontros com o primeiro-ministro do Japão, entidades de instituições governamentais, parlamentares e responsáveis de empresas japonesas com interesses em Moçambique, bem assim com a comunidade moçambicana residente no Japão”, lê-se na nota enviada à imprensa pela presidência moçambicana.

Também Cabo Verde estará representado a alto nível, com a presença do primeiro-ministro, José Ulisses Correia e Silva, que vai intervir no evento temático sobre ‘Construir um Sistema Alimentar Resiliente e uma Economia Local em África, ancorada na Economia Azul e na Agricultura’, organizado pela Sasakawa Peace Foundation, e que contará também com a participação do primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba.

“Este evento visa reforçar a cooperação internacional em sectores estratégicos como a economia azul sustentável, a gestão de recursos marinhos e a agricultura, áreas nas quais Cabo Verde e Japão podem assumir liderança a nível regional e internacional”, lê-se no comunicado do governo de Cabo Verde, no qual se aponta que o chefe de governo manterá também vários “encontros bilaterais, incluindo uma reunião com o seu homólogo japonês”.

Acordos na mesa

De acordo com a imprensa japonesa, o governo e empresas locais deverão assinar mais de 300 memorandos de entendimento com os responsáveis políticos e líderes empresariais africanos que se deslocaram a Yokohama, nos arredores de Tóquio, para participar na conferência.

De acordo com a agência de notícias Nikkei, estes memorandos têm como objectivo ajudar os governos das nações africanas a importar produtos japoneses em várias áreas, incluindo a saúde e a agricultura, através da redução ou até isenção de tarifas.

Num artigo de opinião publicado na revista African Business, o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, defendeu que a TICAD é mais do que um fórum, “é uma plataforma vibrante e viva para forjar parcerias mais profundas, gerar soluções inovadoras e construir uma visão comum para um futuro próspero e sustentável para a África e o mundo”.

No artigo, o chefe do Executivo nipónico aponta três objectivos para o encontro: impulsionar o crescimento económico sustentável através da liderança do setor privado, capacitar jovens e mulheres, e fortalecer a integração regional e a conectividade.

A TICAD decorre de quarta-feira a sexta-feira, com dezenas de encontros e debates sobre o desenvolvimento de África.

Filipinas | Carlos Barreto leva a experiência de Macau

Carlos Barreto, ex-director de corrida do Grande Prémio de Macau de Motos, continua activo no desporto motorizado do continente asiático, mais precisamente nas Filipinas, onde tem vindo a colocar em prática a experiência de mais de três décadas ao serviço do automobilismo e motociclismo de Macau

 

“Fui convidado em 2024 para ajudar a desenvolver os campeonatos nacionais de motociclismo em pista – Underbone, Scooters e Superbikes – organizados pelo MoRaC e pela FETAP”, explicou ao HM o ex-membro da direcção do Automóvel Clube de Macau (ACM) e dirigente da Associação Geral do Automóvel de Macau-China (AAMC). “A experiência adquirida ao longo de mais de três dezenas de anos ajuda. Fiz diversos campeonatos de motos e de karts nos circuitos temporários, na Taipa e no NAPE, depois no kartódromo de Coloane, provas com pilotos locais (motos e karts) e internacionais (karts). Esse acumular de experiência é importante para perceber as dificuldades que os organizadores das Filipinas têm em mãos e, em conjunto, elevar o nível dos diversos campeonatos de motos.”

Com uma forte ligação ao Grande Prémio de Macau, Carlos Barreto foi director de prova nos Campeonatos de Karting e Motociclismo entre 1991 e 1996, e mais tarde, entre 2004 e 2008. Foi ainda presidente do Colégio de Comissários Desportivos desses campeonatos entre 2009 e 2010. Esta vasta experiência permite-lhe hoje encarar esta nova realidade num país diferente, mas que sempre demonstrou grande paixão pelos desportos motorizados, detectando com facilidade “alguns aspectos que mereciam mais atenção ao nível das provas”. Entre eles, destaca “os regulamentos desportivos, a aplicação das regras, a divulgação de documentação oficial, alguns equipamentos das infra-estruturas, bem como a estrutura e organização funcional da equipa que gere esses campeonatos, desde o secretariado aos comissários de pista e direcção de prova”.

Esta colaboração começou em Novembro do ano passado e, em 2024, já se estendeu a três rondas dos campeonatos. O contributo do português, natural de Moçambique, tem sido significativo: “As várias sugestões que apresentei para cada um dos dois circuitos que conheço, o Clark International Speedway e o Batangas Racing Circuit, foram bem recebidas. Algumas já foram implementadas e as restantes ficarão resolvidas até ao final do ano. Tem havido boa receptividade por parte da organização e da gestão dos circuitos.”

A própria competição também está em crescimento: “A pandemia, de certa forma, atrasou o desenvolvimento desses campeonatos, mas o número de pilotos tem vindo a aumentar, há equipas com capacidade financeira e com bom equipamento. As provas em Clark chegam, por vezes, a reunir perto de 80 pilotos, enquanto as de Batangas contam com cerca de 60. As perspectivas são animadoras.”

Contributo para o karting

As Filipinas é um país com uma longa tradição no karting, que remonta à década de 1960 e ao entusiasmo gerado por Arsenio “Dodjie” Laurel, piloto que perdeu a vida no Circuito da Guia em 1967. A presença de equipas e pilotos filipinos em provas no continente asiático é comum e, internamente, a disciplina acompanhou sempre o que tem vindo a ser feito a nível mundial.

“A nível do karting, as provas nacionais têm uma estrutura local e funcional – durante anos foi o AKOC”, recorda Carlos Barreto, acrescentando: “a minha colaboração tem sido como Comissário Desportivo em dois eventos internacionais nas Filipinas. Fiz um em 2024 e outro recentemente, a quinta ronda da ROK Cup Asia Philippines, organizada pela Kilton Motors Corporation (KMC), ambos com corridas noturnas e realizados em Clark.”

Também aí, o ex-diretor de prova do Grande Prémio Internacional de Kart de Macau (2004-2016), do 46.º Campeonato do Mundo de SKF da CIK-FIA (2009) e do 49.º Campeonato Mundial de KF1 da CIK-FIA (2012), teve a tarefa de “auscultar as pessoas e responder às questões que me colocaram, ajudando a ultrapassar alguns problemas, para além de ter apresentado sugestões de melhoria”.

Quanto ao futuro, Carlos Barreto acredita que “a semente está lançada, e resta agora esperar que cresça e que os resultados se tornem visíveis a médio prazo.”

Macau um passo à frente

Para o autor do livro “História do Karting em Macau”, escrito em coautoria com Pedro Dá Mesquita, a RAEM continua um passo à frente no que toca à organização desportiva de eventos desta natureza. “Macau tem uma clara vantagem, mas é preciso ter em conta que os eventos em Macau contam com o precioso apoio das entidades governamentais, enquanto nas Filipinas se trata de uma organização sem esses apoios”, refere Carlos Barreto.

Ainda assim, as provas nas Filipinas, um país com um vasto historial no desporto motorizado do Sudeste Asiático, não ficam nada a dever ao que se faz no território em termos de competitividade. “Ao nível dos eventos, as corridas de scooters costumam ser muito animadas e competitivas, com seis a oito pilotos a lutar a cada volta pelo primeiro lugar, inúmeras ultrapassagens e suspense até ao cortar da meta. Nas provas de Superbikes, competem Ducatis e Aprilias e há sempre espetáculo. Já na classe Underbone, a luta é intensa, pelo que diria que o nível competitivo é até superior ao de Macau.”

China | Li Qiang quer reforço de estímulos ao consumo e investimento

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, instou o Executivo do país a tomar mais medidas para “impulsionar o consumo e o investimento”, num momento em que a economia do país procura cumprir a meta de crescimento anual de 5 por cento.

“Devemos reconhecer as conquistas alcançadas com esforço e a sólida resiliência e dinamismo da nossa economia, o que reforça a confiança, mas, ao mesmo tempo, devemos reconhecer os riscos e desafios que enfrentamos num ambiente externo complexo”, afirmou Li na segunda-feira, numa reunião do Executivo, citado pela agência estatal Xinhua.

São necessárias mais medidas para impulsionar o consumo e o investimento, afirma Li, mencionando especificamente “a necessidade de estabilizar ainda mais o mercado imobiliário”.

Além disso, o chefe do Governo de Pequim pediu medidas para “consolidar a tendência estabilizadora actual” e “estimular a procura de imóveis através de projectos de renovação urbana, incluindo a renovação de habitações deterioradas”.

O primeiro-ministro também exortou a esforços redobrados para impulsionar o consumo, eliminando as restrições aos gastos e acelerando o desenvolvimento de novos motores de crescimento, como o sector de serviços e outras novas formas de consumo.

No final de julho, o Partido Comunista Chinês (PCC) comprometeu-se a “continuar a reforçar” a política macroeconómica no restante de 2025, pedindo o reforço das medidas “quando necessário”.

Nessa reunião, em que participou o Presidente chinês e secretário-geral do PCC, Xi Jinping, o partido acrescentou que “os fundamentos do comércio externo e do investimento serão estabilizados” e que “será dado apoio às empresas gravemente afectadas pelas recentes crises da economia mundial”.

Riscos globais

O PCC instou ainda a que fosse libertado “eficazmente o potencial da procura interna, uma das prioridades de Pequim, através de “medidas específicas para impulsionar o consumo, melhorar as condições de vida da população e dinamizar o investimento privado”.

Da mesma forma, o Banco Popular da China (BPC, banco central) pediu em Maio passado uma maior coordenação entre as políticas monetárias, fiscais e sociais com o objetivo de impulsionar os preços e fortalecer o consumo, no contexto de uma prolongada pressão em baixa sobre os principais indicadores de inflação.

Embora, segundo os dados oficiais, o PIB da China tenha crescido 5,2 por cento no segundo trimestre em termos homólogos, a recuperação ainda enfrenta riscos.

A guerra comercial com os Estados Unidos, a baixa procura nacional e internacional, juntamente com os riscos de deflação, estímulos insuficientes, e crise imobiliária que ainda não atingiu o fundo, ou ainda uma falta de confiança por parte dos consumidores são algumas das causas apontadas pelos analistas para explicar uma recuperação menos brilhante do que o esperado após os anos do “zero covid”.

Ucrânia | China reitera apoio a todos os esforços de paz

A China reafirmou ontem o apoio a todos os esforços a favor da paz, após as conversações em Washington sobre a Ucrânia e o anúncio de uma possível cimeira entre os presidentes ucraniano e russo.

“A China esteve sempre convencida de que o diálogo e a negociação eram a única via viável para resolver a crise ucraniana”, declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning. “Apoiamos todos os esforços em prol da paz”, reiterou Mao durante uma conferência de imprensa em Pequim, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A porta-voz da diplomacia chinesa comentava as conversações de segunda-feira em Washington entre os presidentes norte-americano, Donald Trump, e ucraniano, Volodymyr Zelensky, com a participação de líderes europeus e da NATO. As conversações focam-se sobretudo na questão das garantias de segurança para a Ucrânia.

Trump anunciou no final que estava a preparar uma cimeira entre Zelensky e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, com quem falou ao telefone durante as conversações. A reunião na Casa Branca (presidência) seguiu-se à cimeira do Alasca, na sexta-feira, entre Trump e Putin.

No encontro regular com a imprensa, Mao Ning reafirmou que a China não é parte directa na guerra na Ucrânia, uma ideia que Pequim tem repetido desde o início do conflito, em Fevereiro de 2022, apesar da proximidade com Moscovo.

“A China não é a criadora da crise na Ucrânia, nem uma parte directamente envolvida”, afirmou Mao, também citada pela agência de notícias espanhola EFE.

Clareza e coerência

A porta-voz da diplomacia chinesa disse que, desde o primeiro dia, a China manteve “uma posição coerente e clara a favor do diálogo e das conversações de paz”. Acrescentou que o Presidente Xi Jinping definiu os “quatro deveres” que norteiam a postura internacional da China, incluindo em relação ao conflito na Ucrânia.

Trata-se do respeito pela soberania e integridade territorial de todos os países, do cumprimento dos princípios da Carta das Nações Unidas, da consideração das preocupações legítimas de segurança de cada parte e do apoio a todos os esforços que favoreçam a resolução pacífica.

Tais princípios têm hoje “um significado ainda mais prático”, afirmou. Mao evitou comentar a hipótese levantada após as conversações de Washington de a próxima reunião sobre a Ucrânia se realizar na China e as eventuais garantias de segurança num futuro acordo de paz. As comunicações entre os presidentes Xi e Putin são “fluidas e abertas”, respondeu apenas.

Cinema | Filme de Tracy Choi seleccionado para Festival de Busan

Tracy Choi, aclamada realizadora local desde a sua estreia com “Sisterhood”, conseguiu agora, pela primeira vez, colocar um filme seu num festival de cinema asiático de maior dimensão, nomeadamente na secção de competição “Vision Section” do Festival Internacional de Cinema de Busan. “Girlfriends”, um regresso ao elenco de “Sisterhood”, foi o filme escolhido

 

A carreira da realizadora local Tracy Choi soma e segue. Desta vez, acaba de ser anunciado que o seu mais recente filme, “Girlfriends”, foi pela primeira vez seleccionado para a prestigiada competição “Vision Section” na 30.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Busan, na Coreia do Sul, que decorre em Setembro. Além da selecção para competição, a exibição do filme em Busan constitui a sua estreia mundial, sendo que “Girlfriends” estreia em Macau, Hong Kong e Taiwan apenas no próximo ano.

“Girlfriends” é uma co-produção entre estas três regiões e retrata “a jornada de uma mulher desde a adolescência até à fase adulta através de três histórias de amor que se entrelaçam”, contando com actrizes como Jennifer Yu, Fish Liew, Natalie Hsu, Eliz Lau, Han Ning e Elizabeth Tang, todas elas nomeadas e premiadas pela indústria do cinema.

Citada por um comunicado oficial, Tracy Choi mostrou-se honrada pelo facto de o seu trabalho ter sido escolhido para integrar esta competição. “Girlfriends é um filme repleto de amor, e tanto o elenco como a equipa técnica dedicaram-se com total sinceridade a este projecto. Esperamos que esta história sobre três mulheres urbanas chegue a públicos de diferentes culturas”, disse.

Já Jennifer Yu disse estar muito contente por ter voltado a trabalhar com Fish Liew e com Tracy Choi oito anos depois. A actriz afirmou que a escolha de “Girlfriends” para o Festival de Cinema de Busan é “profundamente significativa”.

“Esta colaboração permite-nos transmitir mensagens importantes através do cinema, e esperamos que o público se conecte com o nosso trabalho”, revelou. Por sua vez, Fish Liew disse que este filme “representa mais do que um simples reencontro da equipa de ‘Sisterhood’, sendo um testemunho da nossa evolução como artistas”.

“O filme reflecte três etapas transformadoras da vida, e cada mulher envolvida, tanto em frente como atrás das câmaras, trouxe a sua própria jornada pessoal para este projecto”, destacou.

Nomes do cartaz

Segundo informação oficial do Festival de Cinema de Busan, Tracy Choi é descrita como sendo uma realizadora “activa tanto no documentário como no cinema narrativo”, estreando-se ao lado de nomes como Natalia Uvarova, nova realizadora oriunda do Cazaquistão que estreia “Malika”, e Tribeny Rai, vencedora do “NFDC Film Bazaar Work-In-Progress Lab”, que apresenta o filme “Shape of Momo”.

“Girlfriends” vai ser exibido ainda ao lado de “If On a Winter’s Night”, de Sanju Surendran, “aclamado [realizador] entre o documentário e a ficção”, e ainda Takashi Koyama, que deixou as produções mais comerciais para “depositar todo o seu espírito” num segundo projecto pessoal, intitulado “ALL GREENS”.

“Girlfriends” foi financiado na quarta edição do Programa de Apoio à Produção de Longas-Metragens coordenado pelo Instituto Cultural, tendo sido seleccionado para outros programas de financiamento de cinema asiáticos, como o “Taipei Golden Horse Film Project Promotion”, em 2023, e o “Hong Kong-Asia Film Financing Forum WIP Program”, no ano passado.

O Festival Internacional de Cinema de Busan foi criado em 1996 e desde então que se tem firmado como um dos mais importantes a nível mundial. No que diz respeito à secção “Vision Section” pretende reconhecer obras originais, constituindo uma “plataforma vital para o cinema independente coreano”. O evento decorre entre os dias 17 e 26 de Setembro.