Eleições / Função Pública | Descartada responsabilidade disciplinar Hoje Macau - 8 Set 20258 Set 2025 O presidente da comissão eleitoral recusou a responsabilização de funcionários públicos que não votem. Em declarações ao HM, os Serviços de Administração e Função Pública não responderam se haverá consequências disciplinares para a abstenção de trabalhadores de serviços públicos, ou restrições na marcação de férias que coincidam com o dia das eleições O presidente Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL, Seng Ioi Man, garantiu no sábado que não se colocará “a questão da responsabilidade disciplinar” aos funcionários públicos que eventualmente não votarem nas eleições legislativas de 14 de Setembro. “Nós consultámos a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (DSAFP), não se coloca aqui a questão da responsabilidade disciplinar”, disse à Lusa o responsável, confrontado com essa eventualidade na sequência do apelo do Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, que enviou esta semana a todos os funcionários públicos uma carta em que sublinhou que “o sufrágio constitui, não só um direito como também um dever cívico”. Antes do esclarecimento do juiz Seng Ioi Man, o HM recebeu da DSAFP uma declaração que não responde à questão se trabalhadores da Função Pública poderiam ser responsabilizados disciplinarmente, ou mesmo despedidos, se não votassem. Em vez disso, a DSAFP limitou-se a declarar vagamente que “votar constitui um direito e, simultaneamente, um dever dos trabalhadores dos serviços públicos enquanto eleitores”, e que na sequência do apelo da CAEAL, o Governo “incentiva os trabalhadores dos serviços públicos a deslocarem-se às assembleias de voto para votarem no dia 14 de Setembro.” A DSAFP solicitou também aos “serviços que concedam as facilidades necessárias de deslocação, para o acto eleitoral, aos trabalhadores que estejam em serviço”. Em relação a consequências disciplinares ou demissões em resultado de abstenção, ou condicionamento ou proibição de marcar férias que incluam o dia das eleições, a DSAFP nada adiantou. Confrontado pela imprensa local com a mesma questão colocada à DSAFP, Seng Ioi Man fez eco das declarações enviadas ao HM. Um bloco eleitoral Contudo, o presidente da CAEAL mostrou-se optimista em relação participação dos funcionários públicos na eleição. “Acreditamos que os trabalhadores da administração pública, enquanto servidores públicos, vão, na sua maioria, responder ao apelo do Chefe do Executivo, e votar na assembleia de voto a que pertencem no dia 14 de Setembro”, afirmou Seng Ioi Man. O universo da Função Pública – que, segundo os últimos dados disponíveis, em finais de 2023, tinha pouco menos de 34.300 trabalhadores, quando no início de 2020 eram mais de 38.000 – representará actualmente cerca de 10 por cento do número total de eleitores recenseados. O presidente da CAEAL sublinhou no sábado à Lusa que a comissão não fez o exercício do efeito que a carta de Sam Hou Fai possa vir a ter na participação eleitoral, sublinhando que o organismo não está “virado para um sector próprio”. “O universo de eleitores elegíveis é de cerca de 320 mil, por isso, os nossos destinatários são todos os eleitores elegíveis, não fizemos uma estatística, uma determinada profissão, a sua taxa, etc., mas apelamos a todos os eleitores para votarem no dia das eleições”, afirmou. Recorde-se que no apelo ao voto, feito através de cartas enviadas a todos os funcionários públicos, Sam Hou Fai especificou que o “voto é, precisamente, uma demonstração relevante da defesa da Lei Básica e da fidelidade à RAEM”. A questão da fidelidade à RAEM pode ter consequências laborais, uma vez que o estatuto que regula a Administração Pública estabelece que o trabalhador “que, por factos comprovados, não defenda a Lei Básica ou não seja fiel à RAEM da República Popular da China, é obrigatoriamente aplicada a pena de demissão”. Em 2021, Macau registou a maior abstenção desde que foi criada a RAEM (57,6 por cento) e mais de 5.200 pessoas votaram em branco ou nulo, num processo marcado pela exclusão pela comissão eleitoral de cinco listas e 21 candidatos. Este ano, concorrem à AL seis listas pelo sufrágio directo, o número mais baixo desde 1988, altura em que havia apenas cinco deputados escolhidos por votação directa. João Luz / Lusa Campanha | Residente queixa-se de chamadas repetidas Uma residente, de apelido Chan, ligou para o programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau na sexta-feira a queixar-se de ter recebido quatro chamadas seguidas de listas diferentes a solicitar o seu voto. A residente revelou o incómodo resultante do constante assédio das chamadas telefónicas e acrescentou que são desnecessárias porque os eleitores conhecem bem o desempenho dos deputados. Outro ouvinte do programa da emissora pública, de apelido Lo, afirmou que apesar da sua assembleia de voto ser na península, o facto de trabalhar no Cotai obriga-o a enfrentar o trânsito e a perder muito tempo. O residente acrescentou que seria muito mais conveniente poder votar nas proximidades do local de trabalho, em vez de perto da casa.
Finanças | Portugal retira Hong Kong da lista de paraísos fiscais Andreia Sofia Silva - 8 Set 2025 A partir de 1 de Janeiro de 2026, Hong Kong deixará de fazer parte da lista de paraísos fiscais de Portugal, tal como o Liechtenstein e o Uruguai. Há muito que as autoridades da região vizinha pediam a retirada, inclusivamente em visitas oficiais a Portugal. A Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Hong Kong salienta a decisão coerente com posição da União Europeia O Governo de Hong Kong viu finalmente cumprido o desejo, expressado diversas vezes, de sair da lista de paraísos fiscais em Portugal. A mudança será uma realidade a partir de 1 de Janeiro de 2026, tendo em conta a portaria publicada na sexta-feira pelo Ministério das Finanças no Diário da República. Segundo este documento, Hong Kong deixa de estar incluído na lista de “regimes fiscais claramente mais favoráveis”, nome oficial da lista vulgarmente conhecida como “lista de paraísos fiscais”. Lê-se na portaria, assinada pela Secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, que “os Governos da Região Administrativa Especial de Hong Kong, do Principado do Liechtenstein e da República Oriental do Uruguai dirigiram pedidos formais” para a “revisão do seu enquadramento na lista, os quais foram objecto de pareceres positivos elaborados pela Autoridade Tributária e Aduaneira”. A retirada destes três países e territórios oficializa-se a 1 de Janeiro do próximo ano. Assim, o Governo português considera que estão “verificadas as condições para, nos termos legalmente estabelecidos, excluir aquelas jurisdições da lista dos países, territórios ou regiões com regimes fiscais claramente mais favoráveis”. Destaca-se também que “a Região Administrativa Especial de Hong Kong, o Principado do Liechtenstein e a República Oriental do Uruguai não constam da lista da União Europeia de jurisdições não cooperantes para efeitos fiscais, adoptada pelo Conselho da União Europeia, cuja última actualização ocorreu em 18 de Fevereiro de 2025”. Recorde-se que uma das últimas vezes que Hong Kong fez um pedido formal para saída da lista de paraísos fiscais foi durante a visita a Lisboa do secretário para os Serviços Financeiros e Tesouro, Christopher Hui Ching-yu, em Junho do ano passado, no âmbito de um encontro com a Secretária de Estado Cláudia Reis Duarte. Aí, e segundo noticiou a Lusa, o governante da região vizinha “manifestou preocupação” por Hong Kong ser considerado um paraíso fiscal desde que a lista foi criada pelas autoridades portuguesas, em 2004. A inclusão na lista “sujeitaria as empresas de Hong Kong a um aumento de impostos e a medidas especiais” em Portugal, descreveu o governante, que recordou que as duas partes assinaram um acordo para evitar a dupla tributação, que entrou em vigor em 2012. Nesse mesmo encontro, Christopher Hui lembrou à Secretária de Estado portuguesa que a União Europeia (UE) retirou, em Fevereiro de 2024, a RAEHK da lista de jurisdições não cooperantes para efeitos fiscais, uma decisão que, no entender do secretário, “demonstrou o reconhecimento da UE dos esforços de Hong Kong” para introduzir medidas que combatam “a evasão [fiscal] transfronteiriça resultante da dupla não tributação”. Christopher Hui acrescentou que Hong Kong já cumpria todos os padrões europeus nesta matéria. De referir que, à data, o ministro português da Economia era Pedro Reis, que num evento a propósito da visita de Christopher Hui a Lisboa, declarou ser importante “manter o crescimento económico sustentável e aproveitar as oportunidades de investimento mútuo” entre Portugal e Hong Kong. Câmara de Comércio rejubila Entretanto, a Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Hong Kong (PHKCCI, na sigla inglesa) emitiu uma nota no Linkedin a destacar favoralmente a saída de Hong Kong desta lista. “Este marco representa a culminação de um processo de longa duração e transversal em Portugal, que envolveu um diálogo contínuo e coordenação entre sucessivos governos, partidos parlamentares e parceiros internacionais. Embora o consenso sobre o objectivo fosse sólido, o processo desenrolou-se de forma gradual ao longo de mais de uma década”, lê-se. Para a PHKCCI, a decisão do Estado português “restabelece a coerência com as normas da União Europeia e reflecte o compromisso de Portugal com uma abordagem justa e actual na sua governação fiscal”, salientando-se também a “importância de respeitar critérios objectivos, manter um diálogo permanente e assegurar rigor jurídico e diplomático na gestão da política fiscal”. “Enquanto Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Hong Kong, saudamos este desfecho como um passo em frente no alinhamento do nosso ambiente bilateral de comércio e investimento com previsibilidade, transparência e boa governação. Mantemo-nos empenhados em facilitar um envolvimento construtivo entre os nossos mercados, apoiando a clareza nos quadros fiscais e fomentando a confiança mútua”, é referido na mesma nota. Segundo o jornal online Eco, a inclusão de um país ou território na lista de paraísos fiscais acontece se não houver um imposto semelhante ao IRC [Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas], cobrado em Portugal, ou a existência de regimes de benefícios fiscais que sejam mais favoráveis do que no país europeu. Também serve de critério para a inclusão na lista práticas administrativas dos países ou regiões não permitem a troca efectiva de informações fiscais. Todas questões que Hong Kong considera ter ultrapassado e que asseguram que há pleno respeito pelo combate à evasão fiscal. Mais concretamente, e aquando da sua visita a Portugal no ano passado, o secretário Christopher Hui falou dos “esforços de Hong Kong na introdução de um regime de isenção de rendimento de fonte estrangeira (FSIE) para determinados rendimentos passivos, a fim de melhor combater a evasão transfronteiriça decorrente da dupla não tributação”. Na sua visão, “tais esforços alinharam plenamente o regime de FSIE de Hong Kong com as Orientações sobre Regimes de FSIE actualizadas pela UE em Dezembro de 2022”. Mexidas na FSIE Segundo uma nota explicativa da consultora PriceWaterHouseCoopers (PwC), Hong Kong foi adicionada à lista de observação da UE a nível fiscal em Outubro de 2021. Nessa data, a UE “estava preocupada de que, ao abrigo do então regime de isenção de rendimento de fonte estrangeira (FSIE), poderiam existir situações em que empresas sem actividade económica substancial em Hong Kong não estariam sujeitas a imposto relativamente a certos rendimentos passivos de fonte estrangeira (como juros e royalties), resultando assim em situações de ‘dupla não tributação'”, pode ler-se. No ano seguinte, a RAEHK “promulgou alterações legislativas”, nomeadamente em Dezembro de 2022, para “aperfeiçoar e reforçar o regime de FSIE contra a evasão fiscal transfronteiriça”. Com as alterações em vigor desde 1 de Janeiro de 2023, “os quatro tipos de rendimentos de fonte estrangeira”, como dividendos, juros, rendimentos de propriedade intelectual e ganhos de alienação provenientes da venda de participações societárias, passam a “ser considerados como tendo origem em Hong Kong e sujeitos ao imposto sobre lucros se recebidos em Hong Kong por uma entidade de um grupo multinacional que exerça comércio, profissão ou negócio no território”, explica a PwC, “salvo se essa entidade satisfizer os requisitos da excepção aplicável”. Depois da sugestão da UE, “o Governo da RAEHK aperfeiçoou ainda mais o regime de FSIE para alargar o âmbito dos rendimentos abrangidos, incluindo ganhos de alienação de outros tipos de activos (para além das participações societárias), a fim de se alinhar com a mais recente orientação da UE, com efeitos a partir de 1 de Janeiro de 2024”. Foi então que a 20 de Fevereiro do ano passado o Conselho da UE publicou as conclusões da revisão semestral da UE quanto às “jurisdições não cooperantes para fins fiscais”, a chamada “lista negra” dos paraísos fiscais, e também a “lista de observação” quanto ao “estado de cooperação com a UE relativamente aos compromissos assumidos por jurisdições cooperantes para implementar princípios de boa governação fiscal”. Nessa altura Hong Kong foi retirado da lista, considerando a UE que o território tinha “cumprido o compromisso ao alterar o regime de FSIE”, destacando a PwC, na mesma nota, que a RAEHK está agora “entre as jurisdições que cooperam com a UE e não possuem compromissos pendentes”. Ainda segundo a PwC, “o Governo da RAEHK saudou o reconhecimento da UE dos esforços para alinhar o seu regime de FSIE com os requisitos relevantes, como reflectido na sua remoção da lista de observação da UE”, tendo também afirmado que “continuará a cumprir as normas fiscais internacionais, ao mesmo tempo que manterá a competitividade fiscal de Hong Kong”.
Japão | Retiradas 660 mil pessoas devido à tempestade Peipah Hoje Macau - 5 Set 2025 Mais de 660 mil pessoas estão a ser retiradas de várias zonas de sudoeste, leste e centro do arquipélago japonês devido à aproximação da tempestade tropical Peipah, anunciaram as autoridades japonesas. As autoridades locais solicitaram a retirada de mais de 660.000 pessoas, incluindo milhares na província de Chiba, a leste de Tóquio, devido ao risco de inundações em zonas baixas e aluimentos de terra causados pelo solo encharcado pelas chuvas. Peipah, o 15.º ciclone tropical da temporada no Pacífico, estava às 17:40 de ontem, na costa da província de Miyazaki, na ilha de Kyushu (sudoeste), e deslocava-se para norte a 25 quilómetros por hora, de acordo com dados da Agência Meteorológica do Japão (JMA). A tempestade tropical, que se poder tornar um tufão à medida que se desloca, apresenta rajadas de vento máximas de cerca de 90 quilómetros por hora. A manter a trajectória atual, prevê-se que afecte a ilha de Shikoku (oeste) e várias zonas de Honshu – a principal ilha do arquipélago – até sábado, antes de continuar para o oceano Pacífico.
Hong Kong | Três condenados por conspiração para ataque à bomba Hoje Macau - 5 Set 2025 A justiça de Hong Kong considerou hoje três pessoas culpadas de conspiração para cometer ataques à bomba durante os protestos antigovernamentais que paralisaram a região semiautónoma chinesa em 2019. De acordo com a imprensa local, um tribunal de primeira instância declarou Lukas Ho Cheuk-wai, Lee Ka-pan e Cheung Ka-chun culpados de “conspiração para causar uma explosão de natureza que possa colocar vidas em risco ou causar danos graves à propriedade”. Após esta decisão, tomada por um júri composto por sete mulheres e dois homens, os três arguidos, com idades entre os 30 e os 41 anos, podem enfrentar uma pena de até 20 anos de prisão, de acordo com uma lei aprovada ainda no tempo colonial. Depois do final do julgamento, que durou quase meio ano, a sentença será conhecida mais tarde, numa data ainda por determinada. Todos os sete arguidos foram absolvidos do envolvimento em actividades terroristas, acusação que podia acarretar a pena de prisão perpétua. De acordo com a acusação, o grupo teria tentado fabricar explosivos para colocar bombas em toda a cidade entre Novembro de 2019 e Março de 2020. Em Julho de 2021, a polícia disse que os arguidos planeavam utilizar o material para bombardear tribunais, túneis, caminhos-de-ferro e fazer explodir caixotes do lixo na rua, “para maximizar os danos causados à sociedade”. A polícia disse que o grupo planeava deixar Hong Kong e sabotar a cidade antes da partida.
Pequim | Putin diz a Xi que transplantes podem permitir imortalidade Hoje Macau - 5 Set 2025 O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que discutiu com o homólogo chinês, Xi Jinping, o potencial da ciência para prolongar a vida humana, chegando a sugerir que transplantes de órgãos poderão permitir “viver para sempre”. “Os meios e métodos modernos de melhoria da saúde, incluindo diversas intervenções cirúrgicas com substituição de órgãos, permitem à humanidade esperar que a esperança média de vida aumente significativamente”, disse Putin, durante uma conferência de imprensa, na quarta-feira, em Pequim. As declarações surgem após uma conversa informal entre os dois líderes ter sido captada por engano por um microfone e transmitida pela televisão estatal chinesa CCTV, quando se dirigiam para o desfile militar comemorativo dos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico. Na gravação, ouve-se o intérprete de Xi afirmar: “No passado, as pessoas raramente chegavam aos 70 anos; hoje dizem que aos 70 ainda se é criança.” Um tradutor de Putin acrescentou que os avanços na biotecnologia poderão permitir a substituição contínua de órgãos, tornando as pessoas “mais jovens” e até “imortais”. Xi terá respondido que há previsões segundo as quais “neste século, os humanos poderão viver até aos 150 anos”. Putin, actualmente a cumprir o quinto mandato presidencial, poderá permanecer no poder até 2036, após alterações constitucionais aprovadas durante o seu Governo. A imprensa russa e internacional tem frequentemente relatado o alegado interesse do chefe de Estado em terapias de longevidade, incluindo medicina alternativa, e acesso a hospitais exclusivos e equipas médicas dedicadas. Uma das filhas de Putin, Maria Vorontsova, endocrinologista, está envolvida num programa estatal de genética, lançado há vários anos e supervisionado por Mikhail Kovalchuk, aliado de longa data do Presidente russo.
Afeganistão | Mais de 2.200 mortos causados por sismo Hoje Macau - 5 Set 2025 O número de mortos confirmados causados pelo grande sismo registado domingo no Afeganistão subiu para 2.200, o que torna este terramoto no mais mortífero da História do país, anunciaram ontem as autoridades talibãs. De acordo com o porta-voz adjunto do Governo afegão, Hamdullah Fitrat, o número de feridos também subiu, contando-se quase 4.000 pessoas, enquanto o número de casas destruídas ultrapassa as 7.000. Quase todas as vítimas mortais eram das aldeias montanhosas da província de Kunar, onde os aluimentos de terra e as quedas de rochas continuam a provocar vítimas e a dificultar o acesso das equipas de ajuda. O número de mortos pode aumentar ainda mais, uma vez que “centenas de corpos foram encontrados em casas destruídas” durante as “operações de busca e salvamento em curso”, alertou o mesmo porta-voz. O último balanço do sismo, feito na quarta-feira pelo Governo, dava conta de cerca de 1.460 mortos e 3.400 feridos. O terramoto teve uma magnitude 6,0 na escala de Richter, o que representa um sismo forte, e foi seguido por seis outros abalos, dos quais pelo menos dois tiveram magnitude de 5,2. Na terça-feira, um novo abalo de magnitude 5,2 atingiu o leste do país. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já avisou que as probabilidades de encontrar sobreviventes estão a “diminuir rapidamente”, referindo que “as chuvas agravaram ainda mais” a situação, enquanto as autoridades talibãs admitiram que não vão conseguir lidar com a situação sozinhas. Desgraças contínuas A OMS, que alertou para o risco de epidemias, lançou um novo apelo por quatro milhões de dólares para fazer face às “imensas necessidades” depois do terramoto, enquanto a ONU já libertou cinco milhões de dólares. No entanto, tanto a ONU como outras organizações de ajuda humanitária já alertaram para as dificuldades em dar mais ajuda já que, desde o início do ano, foram forçadas a reduzir a assistência aos afegãos devido aos cortes na ajuda internacional. A catástrofe atingiu o país numa altura em que o Afeganistão já lutava contra a devastação de quatro décadas de guerra, que colocou o sistema de saúde muito perto da ruptura, e com uma grave crise económica, agravada por sanções internacionais impostas na sequência da chegada ao poder dos talibãs, em 2021.
24 anos – Are you entertained? Carlos Morais José - 5 Set 20256 Set 2025 Hoje o nosso jornal atinge a temerária idade de 24 anos. Mas não se assustem os leitores que não os vou brindar com uma apurada reflexão sobre a passagem do tempo, os malefícios da sorte e do destino ou os deleites da experiência adquirida. Pelo contrário, o que realmente pretendo é fincar resolutamente os pés no chão, olhar o presente à volta e, timidamente, sobriamente, delicadamente, especular sobre o que o futuro nos reserva. E são pinças o que precisamos para levantar as camadas de pele infectada que hoje nos ofusca o que poderíamos considerar a realidade. Finalmente, chegámos com clareza (pois, afinal, já lá estávamos) ao ponto em que nenhuma palavra, nenhuma afirmação, nenhum discurso, carregam em si mais que o seu valor performativo. Quando se pensava viver num mundo sustentado pelo valor do discurso – pois não é ele parte sine qua non da democracia? –, torna-se evidente o moribundo valor do que é dito, que rapidamente se esvai de encontro ao que é efectivamente feito. Nunca a distância entre palavra e acto foi tão pornográfica. E por quê? Porque, para os valores predominantes, isso não tem importância. No Ocidente teme-se, timidamente, o regresso do fascismo. E, enquanto se teme, ele cresce. Há uma única razão para esta permissão para crescer, para infectar, propagar o mal e a iniquidade: os neo-fascistas não pensam, não lhes passa pela cabeça, mexer no modelo económico e, por isso, eles não são um perigo para o sistema. Veja-se em Itália o caso Meloni. O seu rearranjo é cosmético, de bufões circenses, destinado a limitar as possibilidades de transformação social que a tecnologia hoje permite, pela imposição das restrições político-morais, mas nunca uma alteração dos pressupostos económicos, nem na via através da qual a riqueza escorre para os bolsos de alguns. Do ponto de vista económico, os neofascistas são neoliberais, pois eles sabem que o mercado desregrado provocará a concentração nas mãos de uns poucos e eles lá estarão para regrar os outros. O neoliberalismo também é adepto da força e da implacabilidade para os mais fracos. No seu mundo ideal, sobrevivem os fortes e os fracos não merecem sequer um lugar à sombra, que não seja à sombra da corporação, enquanto a sua presença motivar algum lucro. Ouvimos Jeff Bezos dizer que gostava dos seus empregados com “medo”, todos os dias, a todas as horas. Isto exprime bem o que é o mundo ideal do neoliberalismo, em que nem todos têm direito à plena humanidade e só aos que potencialmente são capazes de produzir lucro é outorgado o estatuto de próximo de humano. E assim chegamos a um momento em que a tecnologia nos permite outro tipo de relações laborais e em que o trabalho físico encontra cada vez menos espaço para existir. Mas é com este vector mental – egoísta, bélico, assente na competição e na destruição do Outro – que vamos abordar este admirável mundo novo? Provavelmente. E enquanto andamos indignados a tentar salvar conquistas que julgávamos inalianáveis, o actual sistema económico neoliberal, que desgraçou o bem-estar da classe média europeia e americana, não é posto em questão. Pelo contrário, face à torpeza dos políticos no poder, tomam-se caminhos diversos: primeiro, vota-se na extrema-direita que surge como falsa oposição a décadas de desvario neoliberal e corrupção; segundo, retirada para a “montanha” de onde se observa com nojo o desenrolar dos acontecimentos sem pretender tomar qualquer parte neles; terceiro, submersão total nos universos das redes sociais, onde hoje reside o entretenimento. E, já agora, are you entertained? Deves estar porque se não estiveres, farás scroll até de novo dares com algo que fixará a tua atenção nos próximos 30 segundos. Depois passarás para outra e assim sucessivamente, plenamente entertained. Are you entertained?, berrava o gladiador do filme para a audiência, depois de aviar uns quantos colegas nas areias de um qualquer coliseu. Olhem para as pessoas, olhem para vós próprios, e como vos é difícil não procurar constantemente esse entretenimento. Como a vossa atenção está subjugada ao telemóvel e ao incessante fluxo de …. (cada um preencherá com uma ou mais palavras de seu alvitre) que por ali desfila. Este facto é mais saliente na geração que já nasceu de telemóvel na mão e sob os olhos, fazendo da sua percepção do mundo algo de rectangular. Pão e circo: foram sempre as duas faces da moeda da opressão, pois o poder sabe que não vivemos sem um, nem sem outro. E assim nos vão dando, à medida das necessidades do mercado, ou seja, das necessidades dos que o controlam. Mas não se aflijam os caros leitores que o entretenimento não há-de faltar. Entre milhões de outros, nós também cá estaremos para vos entreter com informação, cultura e outras coisas. Como de costume, na medida das nossas impossibilidades, cuja dimensão é um colosso, capaz de fazer corar de vergonha o seu irmão de Rodes, infelizmente há longo tempo desaparecido nos abismos azuis do Mediterrâneo. Tende cuidado com os animais.
Cabo Verde – Si Ka Ten Txuba, Morrê Di Sedi, Si Txuba Ben, Morrê Fogade Olavo Rasquinho - 5 Set 2025 Já não é notícia, mas permanece bem viva na memória dos cabo-verdianos a tragédia que assolou as ilhas de São Vicente e Santo Antão, há algumas semanas. E tudo o que aconteceu está relacionado não só com o nosso velho conhecido Anticiclone dos Açores, mas também com a topografia de África na latitude das ilhas cabo-verdianas e com a simultaneidade de certas circunstâncias meteorológicas e oceanográficas. Para que se inicie a formação de uma depressão tropical, que poderá evoluir, ou não, no sentido da sua intensificação, dando origem a tempestade tropical e, posteriormente, a furacão1, é necessário que a temperatura da superfície do oceano seja relativamente alta (estatisticamente igual ou superior a cerca de 27 ºC), que haja uma pequena perturbação no campo da pressão atmosférica (um vale designado por “onda de leste”) e que o vento na vertical dessa perturbação varie pouco com a altitude (cisalhamento, ou wind shear, fraco). A simultaneidade destas circunstâncias ocorreu na madrugada de 11 de agosto de 2025, o que provocou a morte de nove pessoas e transformou muitas casas e infraestruturas em destroços, na ilha de São Vicente. Além dos fatores naturais mencionados, também contribuíram para esta calamidade a fraca memória que caracteriza os seres humanos, no que se refere a fenómenos meteorológicos, e o facto de o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG – autoridade meteorológica de Cabo Verde) não possuir radares meteorológicos estrategicamente colocados de modo a procederem a uma vigilância mais eficiente da evolução dos sistemas meteorológicos. Se as autoridades se lembrassem que situações deste tipo já ocorreram, embora esporadicamente, provavelmente não permitiriam a construção de casas nos leitos e margens das ribeiras, quase permanentemente secas. Mas a natureza não perdoa e, sempre que chove intensamente, a água escorre para as zonas mais baixas, retomando caminhos já outrora percorridos, ou seja, os leitos dessas ribeiras. Durante a madrugada desse dia, depois de muitos dos habitantes de Mindelo se terem divertido nas festas características do mês de agosto, uma depressão tropical provocou chuva intensa, em especial nas ilhas de São Vicente e Santo Antão. A quantidade de água precipitada atingiu 192,3 mm em apenas 5 horas, superior à média da precipitação anual, o que corresponde a cerca de 38 garrafões de 5 litros de água a caírem na superfície de 1 m² durante esse período, praticamente em toda a ilha de São Vicente. Chove pouco em Cabo Verde, mas, quando chove, acontece por vezes com grande intensidade, geralmente por ação de perturbações meteorológicas designadas por ondas de leste ou depressões tropicais que delas derivam, e que podem evoluir para tempestades tropicais e furacões. Alguns destes sistemas meteorológicos que ocorrem no Atlântico Norte têm início nas vizinhanças de Cabo Verde, país constituído por um arquipélago localizado no Oceano Atlântico Norte, aproximadamente entre os paralelos 15º e 17º N e os meridianos 22º e 26º oeste, formado por dois subgrupos: Ilhas de Barlavento (Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia, São Nicolau, Sal e Boavista), localizado a norte do paralelo 16º N e Ilhas de Sotavento (Maio, Santiago, Fogo e Brava), a sul do mesmo paralelo. O Arquipélago sofre quase permanentemente, em especial as Ilhas de Barlavento, ventos de nordeste, os chamados ventos alísios, relativamente secos devido a parte do trajeto ocorrer sobre o Sahel. Estes ventos, que sopram no bordo sueste do anticiclone dos Açores, transportam por vezes areia e poeira do Sáara que chegam a Cabo Verde e mais além, atravessando grande extensão do Atlântico. Por sua vez, os ventos alísios de sueste que, devido à rotação da terra infletem para sudoeste após atravessarem o equador (efeito de Coriolis), associados ao anticiclone quase permanente de Santa Helena, situado no Atlântico Sul, são mais húmidos convergem com os alísios de nordeste, dando origem a uma zona designada por Zona Intertropical de Convergência (Intertropical Convergence Zone – ITCZ). Nesta zona, devido à convergência dos dois tipos de alísios, o ar é obrigado a subir dando origem a condensação do vapor de água e formação de nuvens frequentemente de desenvolvimento vertical, designadas por cumulonimbus, caracterizadas por forte precipitação e trovoadas. Esta zona de convergência desloca-se ao longo do ano, acompanhando o movimento aparente do sol, com algum atraso, atingindo a latitude mais a norte em agosto/setembro, regredindo para sul à medida que o ano avança, atingindo a latitude mais baixa em dezembro/janeiro. As condições meteorológicas em Cabo Verde são determinadas principalmente pela posição da ITCZ em relação ao arquipélago. Assim, a estação chuvosa (agosto, setembro e outubro) ocorre quando a ITCZ está mais a norte, e a estação seca abrange os meses de abril a junho, sendo julho o mês de transição. Pode-se também considerar os meses de novembro a março como uma estação intermédia. Durante a estação das chuvas formam-se, por vezes, ondas de leste nas regiões a sul da ITCZ, devido, em parte, à ação das montanhas existente em África, que introduzem perturbações no fluxo de ar, progredindo de leste para oeste entre as latitudes 5º e 20º N, abrangendo a região em que se localiza Cabo Verde. Uma destas ondas de leste formou-se em 9 de agosto e evoluiu para depressão tropical. Quando os ventos máximos sustentados atingiram os 34 nós (63 km/h) a depressão passou à categoria de tempestade tropical com o nome Erin2, em 11 de agosto, tendo evoluído para furacão no dia 15. Mais tarde, em 16 de agosto, atingiu a categoria 5, a mais forte da escala de furacões Saffir-Simpson3. Quando provocou os maiores estragos em Cabo Verde, o sistema meteorológico ainda não tinha nome atribuído, o que só aconteceu quando a depressão tropical evoluiu para tempestade tropical. O seu trajeto seguiu aproximadamente o caminho designado, nos meios meteorológicos, por “rota de Cabo Verde”, que consiste num percurso em torno do Anticiclone dos Açores, com início próximo de Cabo Verde, progredindo para oeste, noroeste, norte, recurvando para nordeste, podendo atingir a Europa já como depressão extratropical. O bem conhecido cantor Bana (pseudónimo de Adriano Gonçalves), o “Rei da Morna”, na canção “Sina de Cabo Verde”, expressava bem a dureza do clima do seu país: “si ka ten txuba, morrê di sedi, si txuba ben, morrê fogade” (se não há chuva morre-se de sede, se a chuva vem morre-se afogado). Também Manuel Lopes4, muito antes de Bana, retratou na sua novela “Os flagelados do vento leste”, a tragédia, embora de sinal contrário, do povo cabo-verdiano durante longos períodos de seca. Olavo Rasquinho (Meteorologista) Referências Os ciclones tropicais, antes de atingirem a classificação de furacão, passam por várias fases, em função da velocidade do vento: depressão tropical, tempestade tropical e furacão (tufão no Noroeste do Pacífico e Mar da China). Quando os ventos máximos sustentados são iguais ou superiores a 34 nós (63 km/h) a depressão tropical passa a Tempestade Tropical (Tropical Storm). Quando iguais ou superiores a 64 nós (119 km/h), toma a designação de Furacão, Tufão, ou Ciclone, conforme as regiões. No caso do Noroeste do Pacífico e Mar do Sul da China, há ainda a considerar uma categoria intermédia, entre a Tempestade Tropical e o Tufão, que é a Tempestade Tropical Severa, quando os ventos máximos sustentados atingem valores iguais ou superiores 48 nós (88 km/h) e inferiores a 64 nós. O sistema depressionário só começa a ser designado pelo um nome internacional quando atinge a categoria Tempestade Tropical. No caso de Noroeste do Pacífico e Mar do Sul da China, os nomes são atribuídos pelo ESCAP/WMO Typhoon Committee, cujo Secretariado está sediado em Macau desde 2007. No Atlântico, os nomes são atribuídos pelo Hurricane Committee, cujo Secretariado está sediado em Miami. Na escala de furacões Saffir-Simpson, estes sistemas meteorológicos são classificados com base na velocidade dos ventos máximos sustentados no intervalo de 1 minuto: Categoria 1 – 64 a 82 nós (119–153 km/h) Categoria 2 – 83 a 95 nós (154–177 km/h) Categoria 3 – 96 a 113 nós (178–208 km/h) Categoria 4 – 114 a 135 nós (209–251 km/h) Categoria 5 – > 135 nós (> 250 km/h) Manuel dos Santos Lopes (1907-2005) – escritor, poeta e ensaísta, nascido em Cabo Verde. Juntamente com Baltazar Lopes da Silva, Jorge Barbosa e outros intelectuais cabo-verdianos, fundou no Mindelo, em 1936, a revista “Claridade”, integrada num movimento de emancipação social, cultural e político do povo cabo-verdiano.
Rejeitadas declarações de Trump sobre “conspiração” com Pyongyang e Moscovo Hoje Macau - 5 Set 2025 A China rejeitou ontem as declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, que acusou o homólogo chinês, Xi Jinping, de “conspirar contra os Estados Unidos” juntamente com os líderes da Rússia e da Coreia do Norte. “A China desenvolve as suas relações diplomáticas com todos os países, sem nunca visar terceiros”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun, em conferência de imprensa, em Pequim. O responsável classificou ainda como irresponsáveis as declarações da chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, que considerou o encontro entre Xi Jinping e os líderes da Rússia e Coreia do Norte, Vladimir Putin e Kim Jong-un, respetivamente, um “desafio directo” à ordem internacional. A resposta de Pequim surgiu depois de Trump ter escrito, na rede Truth Social, uma mensagem dirigida a Xi: “Peço que transmita os meus mais calorosos cumprimentos a Vladimir Putin e Kim Jong-un, enquanto conspiram contra os Estados Unidos”, comentou o Presidente, referindo-se à presença dos três líderes no desfile que marcou o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico.
Pequim disposto a continuar a prestar assistência a Cuba Hoje Macau - 5 Set 2025 O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que a China irá continuar a dar “assistência e apoio a Cuba dentro das suas possibilidades”, durante um encontro em Pequim com o homólogo cubano, Miguel Díaz-Canel. Segundo um comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial chinesa Xinhua, Xi defendeu o reforço da “cooperação estratégica integral” entre os dois países e apelou à continuação da “coordenação e cooperação” bilateral. O chefe de Estado chinês destacou a “firme amizade” entre Pequim e Havana e assegurou que a China continuará a “apoiar firmemente Cuba na sua luta justa contra interferências e bloqueios”. “Aproveitemos o 65.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, celebrado este ano, para elevar os laços sino-cubanos a um novo patamar”, declarou Xi. Acordos na mesa Díaz-Canel garantiu que Havana está “disposta a oferecer um melhor ambiente de negócios para as empresas chinesas”, segundo a mesma fonte, agradecendo ainda “o apoio e a ajuda desinteressada” da China ao desenvolvimento económico e social de Cuba. Durante o encontro, foram assinados vários documentos de cooperação bilateral em áreas como agricultura local, cooperação prática e inteligência artificial. Na quarta-feira, o Presidente cubano assistiu, ao lado de líderes como Vladimir Putin (Rússia), Kim Jong-un (Coreia do Norte) e o próprio Xi Jinping, ao desfile militar comemorativo do 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, realizado na capital chinesa. Díaz-Canel chegou a Pequim vindo do Vietname, onde esteve nas celebrações do 80.º aniversário da proclamação da independência do país e da fundação da então República Democrática do Vietname, no âmbito de uma digressão asiática que inclui também uma paragem no Laos. A anterior visita oficial do líder cubano à China ocorreu em 2022, tendo também incluído um encontro com Xi Jinping. A China e Cuba estabeleceram relações diplomáticas em 1960 e mantêm laços políticos e económicos estreitos, com Pequim a figurar como um dos principais aliados da ilha das Caraíbas.
Presidente Xi pede equidade e justiça nas relações internacionais Hoje Macau - 5 Set 2025 O presidente chinês, Xi Jinping, pediu nesta quarta-feira “a firme defesa da equidade e da justiça internacionais”, permanecendo comprometido com o caminho do desenvolvimento pacífico e fazendo esforços incessantes para melhorar o bem-estar das pessoas em todos os momentos. Xi, também secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China e presidente da Comissão Militar Central, fez as observações ao discursar numa recepção realizada como parte das actividades comemorativas do 80º aniversário da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Antifascista Mundial. Por volta das 11h30, Xi e a sua esposa, Peng Liyuan, entraram no salão de banquetes juntamente com os líderes estrangeiros e os seus cônjuges presentes na recepção. Xi observou que a vitória marca uma viragem histórica para a nação chinesa, do abismo da crise em tempos modernos para o caminho da grande revitalização, e também um grande ponto de viragem no desenvolvimento mundial. “Esta grande vitória foi alcançada por meio da luta conjunta do povo chinês com os aliados e povos antifascistas em todo o mundo”, afirmou Xi. “O governo e o povo chineses jamais esquecerão os governos estrangeiros e os amigos internacionais que apoiaram e auxiliaram o povo chinês em sua resistência contra agressão. Como habitantes do mesmo planeta, a humanidade deve unir-se em tempos difíceis, viver em harmonia e jamais voltar à lei da selva, onde os fortes atacam os fracos”, continuou o presidente chinês. Sublinhando que a modernização chinesa é a modernização do desenvolvimento pacífico, Xi disse ainda que “a China sempre será uma força de paz, estabilidade e progresso no mundo”. “Esperamos sinceramente que todos os países aprendam com a história, valorizem a paz e trabalhem juntos para promover a modernização mundial e criar um futuro melhor para a humanidade, concluiu Xi. Na recepção, presidida por Li Qiang, Xi Jinping e a sua esposa Peng Liyuan assistiram a uma apresentação cultural com os convidados. Outros altos oficiais, como Zhao Leji, Wang Huning, Cai Qi, Ding Xuexiang, Li Xi e Han Zheng, também participaram do evento.
Música | NOYB apresenta “Improvised Live Sessions” na Taipa Andreia Sofia Silva - 5 Set 2025 É já amanhã, 6 de Setembro, que acontece o evento “None of Your Business (NOYB) Improvised Live Sessions”, que traz a Macau uma série de artistas e djs em que a música tocada de improviso e de forma experimental promete ser a palavra de ordem. A festa acontece entre as 17h e as 23h e traz à Fábrica Van Nam, na Avenida Olímpica, na Taipa, “um mundo vanguardista de actuações musicais improvisadas, instalações de vídeo e um inovador workshop de sintetizador modular”, descreve a NOYB nas redes sociais. Juntam-se assim, na Taipa, “artistas visionários de Macau, Portugal, Espanha, Japão e outros lugares, criando-se uma tapeçaria única de sons e arte visual”, sendo que não faltarão espaços de gastronomia e a “companhia de outros entusiastas da arte” de fazer música e desfrutar dela. O cartaz faz-se com LAGOSS, que actua no dia anterior em Beishan, Zhuhai; Dj Sniff, Larsq, Ezara Thustra e os Djs Tongrim e Fon. Manobras experimentais Relativamente ao percurso artístico dos participantes nesta festa de experimentações, Fon nasceu em Cantão, Guangzhou, mas foi criado em Macau. Porém, também viveu em Nova Iorque e Los Angels, onde trabalhou como músico e artista conceptual. “A sua formação diversificada inspira a exploração do som, das artes visuais, da performance e da improvisação”, destaca a NOYB. O gosto musical de Fon é ainda “fortemente influenciado pelos clubes vanguardistas de Nova Iorque, como o h0l0 e o Bossa Nova Civic Club, bem como pela cena ‘underground’ de festas em Macau e pela música trap cantonense”. Destaque ainda para o projecto sonoro “Larsq”, de Rui Rasquinho, designer e ilustrador de Lisboa que há muito faz de Macau a sua casa. Com “Larsq” o público pode desfrutar de “pedais de efeitos, sintetizadores de ruído e uma guitarra sob a influência da improvisação, situados algures entre o abstracto e o narrativo”. No caso do Dj Sniff, trata-se de um músico, curador e educador cujo trabalho “se faz com práticas distintas que combinam o ‘Djing, o design de instrumentos e a improvisação livre”. Dj Sniff já trabalhou em Amesterdão e foi professor assistente visitante na Universidade Cidade de Hong Kong entre 2012 e 2017. Já colaborou com nomes como Evan Parker, Otomo Yoshihide, Paul Hubweber, Tarek Atoui, Senyawa e Ken Ueno. De Espanha, mais concretamente Tenerife, surge o projecto LAGOSS, e a sua apresentação faz-se logo com um aviso: ouvir estes sons pode “causar vagueações involuntárias por ilhas que não existem”. LAGOSS é, portanto, um “projecto audiovisual cujo som ultrapassa o espectro daquilo a que os nossos ouvidos estão habituados”, inspirando-se em “mitologias exóticas e sonoridades espirituais”. Criam-se, desta forma, “paisagens sonoras imersivas que desafiam qualquer categorização simples”, com uma música que é “uma fusão singular de explorações cósmicas de sintetizador, ritmos instáveis de dub e gravações de campo de ilhas imaginadas, tudo sustentado por uma saudável dose de psicadelismo, improvisação e ‘live looping’ de instrumentos electrónicos e acústicos”. Desta forma, o público poderá ver, ouvir e sentir amanhã “um universo sonoro e orgânico particular, que a própria banda descreve como folclore insular do futuro ou ciber-tropicalismo”.
Orquestra Chinesa | Peng Xiuwen e Liu Tianyi homenageados em nova temporada Andreia Sofia Silva - 5 Set 2025 A Orquestra Chinesa de Macau traz ao público uma nova temporada de concertos que pretende destacar o território como uma “Cidade de Cultura do Leste Asiático”. Os espectáculos agendados para 2025/2026 homenageiam ainda figuras da música chinesa como Liu Tianyi e Peng Xiuwen, além de celebrar datas como a transição de Macau ou o aniversário da RPC Espera-se que Macau se transforme numa “Cidade da Cultura do Leste Asiático” e, por isso, a nova programação de concertos da Orquestra Chinesa de Macau (OCM) 2025/2026 está aí com muitos espectáculos de homenagem a mestres da música clássica chinesa e para celebrar datas especiais para Macau e a China. Depois do concerto de abertura da temporada que decorreu a 30 de Agosto, o dia 29 de Novembro acolhe o espectáculo de homenagem a Liu Tianyi, tido como um grande mestre de música tradicional chinesa, sobretudo cantonense, e com foco no instrumento tradicional Gaohu. “Em Comemoração ao 115.º Aniversário de Nascimento de Liu Tianyi – Cantonês Harmónico” é o nome do espectáculo que mostra “a brilhante carreira musical do maestro e a notável contribuição para este género musical”. Apresenta-se, assim, “um repertório cuidadosamente seleccionado”, lê-se no programa da OCM, num concerto que tem direcção artística de um discípulo de Liu Tianyi, Yu Qiwei. Em palco, estará ainda o grupo “Ensemble de Música Chinesa Windpipe”, um grupo de música de câmara de Hong Kong. Em Março do próximo ano, dia 21, é a vez se de homenagear, no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM), Peng Xiuwen e os 95 anos do aniversário do seu nascimento. “Homenagem ao 95.º Aniversário de Nascimento de Peng Xiuwen – O Titã” é o nome do concerto que destaca a mestria deste conhecido nome da música chinesa. “A dedicação dada ao longo da sua vida à inovação e desenvolvimento da música, além da adaptação e composição de mais de 400 obras clássicas, lançaram as bases para o estabelecimento da orquestra chinesa moderna”, além de abrirem “caminho à ‘sinfonia nacional'”, descreve a OCM. Peng Xiuwen é chamado de “Pai da Sinfonia Nacional Moderna da China”, e no CCM serão apresentadas “algumas das obras mais emblemáticas, como a adaptação da sinfonia ‘Quadros Numa Exposição’, de Mussorgsky, e a magnífica fantasia ‘Guerreiros de Terracota de Qin’”. Em palco estará o maestro Pang Ka Pang. Zhang Lie, director musical e maestro principal da OCM, destaca que a programação para a temporada 2025/2026 visa “cultivar a cultura local, contando a história de Macau através de obras musicais originais”. Fica ainda a promessa de um envolvimento “activo com a comunidade, promovendo a educação musical” e a adopção de “uma atitude aberta de ‘Introduzir de Fora e Sair para o Mundo'” no que às escolhas musicais diz respeito. O responsável assume que a OCM tem feito um “grandioso percurso de preservação dos tesouros artísticos da China e de desenvolvimento da música tradicional chinesa” Assim, Zhang Lie destaca que esta nova temporada constitui “uma oportunidade para a Orquestra Chinesa apoiar Macau na sua transformação em prol de uma ‘Cidade da Cultura do Leste Asiático'”. Sobre o concerto de Novembro, Zhang Lie destaca o foco que fará não apenas à carreira de Liu Tianyi mas também da música cantonesa como “joia da região de Lingnan”. Depois, com o concerto “O Titã”, dedicado a Peng Xiuwen, faz-se a ligação “entre o painel poético da adaptação de ‘Quadros numa Exposição’ com os ecos históricos da fantasia ‘Guerreiros de Terracota de Qin’, numa resplandecência artística eterna”. As celebrações prometidas De resto, a OCM estará presente em palco para celebrar datas importantes para a RAEM, como é o caso do concerto intitulado “Lírios da Estrela da Manhã para Sempre”, de celebração dos 26 anos de instituição da RAEM, a 20 de Dezembro de 1999, e da transferência da administração portuguesa de Macau para a China, a 19 de Dezembro do mesmo ano. Este espectáculo acontece com a colaboração da Orquestra Chinesa da Radiodifusão de Shaanxi e Orquestra Nacional de Shaanxi, incluindo outros grupos musicais. Ainda antes desta data especial, celebra-se mais um aniversário da implantação da República Popular da China e também o Festival da Lua, pelo que a 6 de Outubro é a vez das Ruínas de São Paulo acolherem “Uma Noite de Lua Cheia nas Ruínas de S. Paulo 2025”. Aqui fica a promessa, segundo Zhang Lie, de uma evocação de “melodias emocionantes em um cenário de reencontro”. A OCM apresenta ainda o espectáculo de teatro musical, pensado para toda a família, “Varinha Mágica Musical– Família de Sopro”. Para Zhang Lie, esta temporada “será, sem dúvida, um sucesso retumbante”, esperando-se um “festim musical vibrante a todos, transformando cada nota numa força calorosa e comovente”.
SMG | Baixa pressão pode passar a ciclone tropical Hoje Macau - 5 Set 2025 Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) indicaram que entre hoje e amanhã “uma área de baixa pressão se desenvolva na parte central do Mar do Sul da China, deslocando-se para a costa oeste de Guangdong entre o fim-de-semana e o início da próxima semana”. As projecções apontam para uma aproximação à costa de Guangdong “num ritmo relativamente rápido”, mas com uma intensificação “bastante lenta”. Como tal, os SMG referiam ontem que “ainda não é possível determinar se se transformará num ciclone tropical”. Independentemente se o sistema se transforma num ciclone tropical ou não, qualquer um dos modelos de previsão “preveem, de modo geral, que a chuva ao longo da costa de Guangdong irá aumentar a partir do fim-de-semana, e será acompanhada por vento cada vez mais forte”. Os SMG estimam que hoje de manhã o tempo em Macau seja muito quente, com a temperatura máxima a poder superar os 33 graus, “devido à influência contínua de um anticiclone em alta altitude”.
Agiotagem | Mulher sequestrada no Cotai Hoje Macau - 5 Set 2025 Dois homens do Interior foram detidos, depois de terem sequestrado uma mulher num quarto de hotel. O caso foi divulgado ontem pela Polícia Judiciária (PJ), sendo o sequestro resultado de um caso de agiotagem. A mulher pediu um empréstimo aos dois homens no valor de 200 mil dólares de Hong Kong para jogar no casino. No entanto, no espaço de horas perdeu todo o dinheiro. Os agiotas ainda lhe pediram um pagamento extra de 100 mil dólares em juros, pelo dinheiro emprestado. Sem meios para pagar, a mulher foi levada para um quarto de hotel e impedida de sair. Contudo, aproveitando uma distracção, conseguiu ligar ao marido a pedir-lhe que ligasse à polícia. Alertada, a PJ deslocou-se ao hotel, libertou a mulher e deteve os dois homens. Estes recusaram cooperar com a investigação. A PJ acredita que existe pelo menos um outro homem envolvido no caso, que ainda não foi detido, mas está a ser procurado.
Imobiliário | Centaline prevê subida contínua de rendas João Luz e Nunu Wu - 5 Set 2025 A agência imobiliária Centaline estima que o preço médio das rendas dos imóveis continue a aumentar até ao final do ano, uma tendência que começou há dois anos. Os especialistas explicam a subida do mercado de arrendamento com a quebra das vendas de imóveis e o retorno de não-residentes depois da pandemia Quem não compra, arrenda. É nesta polaridade que assenta a dinâmica do mercado imobiliário, de acordo com a agência imobiliária Centaline, que prevê que as rendas médias de imóveis para habitação continuem a subir nos terceiro e quarto trimestres, ultrapassando as 140 patacas por metro quadrado nas fracções autónomas habitacionais. O director da Agência Imobiliária Centaline de Macau e Hengqin, Roy Ho, prevê que as rendas médias por metro quadrado possam tentar passar as 145 patacas em meados do próximo ano. Recorde-se que, de acordo com os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, as rendas médias das fracções habitacionais caíram nos anos da pandemia. No primeiro trimestre de 2020, a renda média do metro quadrado custava 160 patacas, altura em que começou a descida, culminando nas 129,8 patacas por metro quadrado no segundo trimestre de 2023, reflectindo uma quebra de quase um quinto (19 por cento). No entanto, a situação inverteu-se a partir do terceiro trimestre de 2023, até chegar a 138,7 patacas por metro quadrado no segundo trimestre deste ano, mostrando uma subida de 6,86 por cento. Do porquê ao porque Em declarações ao jornal Ou Mun, Roy Ho começou por explicar o fenómeno com o fim das restrições fronteiriças em 2023, a retoma da economia que exigiu mais mão-de-obra e o aumento do número de trabalhadores não residentes (TNR). Além disso, com a quebra das vendas, os residentes que planeavam comprar habitação suspenderam os planos, devido a dificuldades económicas e à desvalorização dos imóveis, restando-lhes o mercado de arrendamento. Também o número de estudantes chineses que escolhem Macau para prosseguir os estudos no ensino superior tem aumentado nos últimos anos, acrescenta o responsável da Centaline. Roy Ho apontou ainda que os apartamentos de T0 a T2 são escassos para a procura por estudantes do Interior da China e TNR, cujas rendas variam entre 8.000 e 20.000 patacas por mês. Os apartamentos em prédios na Taipa e Coloane, mais próximos de universidades, registam grande procura por parte de estudantes. Aliás, os apartamentos mais pequenos na Taipa tinham no ano passado rendas a rondar 9.500 patacas, valor que aumentou cerca de 1.000 patacas ao longo de 2025. O director da agência imobiliário indicou ainda que também em Hengqin os preços das rendas aumentaram.
Saúde | Registados casos de Chikungunya e dengue Hoje Macau - 5 Set 2025 Os Serviços de Saúde anunciaram ontem a ocorrência de mais um caso importado de febre Chikungunya, o 12º desde o início do ano, ao qual se junta um caso local. Além disso, houve ainda o registo de um caso importado de febre do dengue. O 12º caso importado de febre Chikungunya foi detectado numa residente com 77 anos, que terá sido infectada em Jiangmen, onde esteve entre 24 e 31 de Agosto. “Após regressar a Macau, apresentou febre e dores nas articulações dos membros no dia 2 de Setembro, mas não procurou assistência médica. No dia 3, devido ao agravamento contínuo dos sintomas, deslocou-se ao Centro de Saúde do Porto Interior para receber assistência médica e o exame sanguíneo deu positivo para o vírus Chikungunya”, foi revelado. A mulher encontra-se fora de perigo e em situação estável. O caso importado de dengue foi o 13º do ano e foi identificado num homem com 73 anos que vive na Areia Preta. A infecção terá acontecido na cidade de Yunfu, na província de Guangdong, entre 7 de Julho e 28 de Agosto, com o homem a admitir ter sido “picado várias vezes por mosquitos”. O diagnóstico foi feito posteriormente a 3 de Setembro. Como consequência dos casos mais recentes, as autoridades realizaram operações de eliminação química dos mosquitos em duas zonas da Areia Preta, junto à residência dos diagnosticados.
Esgrima | Associação confirma proibição de usar bandeira Hoje Macau - 5 Set 2025 A Associação Geral de Esgrima de Macau confirmou impedir atletas locais de utilizarem a bandeira de Macau em competições, numa resposta enviada ao canal chinês da Rádio Macau. O caso foi denunciado no início da semana, depois de vários atletas locais terem competido na Taça da Ásia de Cadetes, na Malásia, tendo alcançado vitórias e várias medalhas. No entanto, ao contrário dos atletas de Hong Kong e Cazaquistão que subiram aos pódios com as bandeiras para tirarem fotografias, os atletas de Macau, apesar de vencerem, foram impedidos. De acordo com as explicações da Associação Geral de Esgrima de Macau, os atletas estão impedidos de mostrar a bandeira de Macau porque a deslocação não foi feita em representação da selecção de Macau. A associação não esclareceu se os atletas que pretendem mostrar orgulho de serem de Macau e da China ao mostrarem a bandeira da RAEM vão ser alvo de processos disciplinares ou impedidos de competir. Ainda assim, a associação defendeu-se ao dizer que ajudou os atletas a inscreverem-se no evento, apesar de os atletas pagarem as inscrições e as deslocações devido à participção a título individual. A associação está também a ser criticada devido à organização do torneio inter-escolas, uma vez que juntou numa única classe atletas que competem com armas de diferentes tamanhos, devido à diferença de idades. A associação justificou a decisão, criticada por criar desigualdade entre atletas, com a adopção de critérios seguidos em outras modalidades que não a esgrima.
Shun Tak | Dispensados 8% dos trabalhadores da Torre de Macau João Santos Filipe - 5 Set 2025 A empresa liderada por Pansy Ho tem em curso um plano para cortar custos que poderá ser estendido no futuro aos centros comerciais Nova Mall e New Yaohan. Em 2024, o grupo apresentou perdas de 824 milhões de dólares de Hong Kong A Torre de Macau está a ser alvo de um processo de reestruturação das despesas e, pelo menos, oito por cento dos trabalhadores foram dispensados. A informação foi adiantada na quinta-feira pelo Canal Macau da TDM. O espaço pertence à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) e está a ser gerido pela empresa Shun Tak Holdings, ligado a Pansy Ho, Daisy Ho e Maisy Ho, empresárias e filhas de Stanley Ho, fundador da STDM. Com o objectivo de cortar os custos operacionais do espaço, a empresa dispensou pelo menos oito por cento dos trabalhadores e encerrou duas lojas. Os espaços comerciais que deixaram de operar são o Café on Four, no quarto andar, e a loja ISA, de roupa e acessórios de luxo. Entre os trabalhadores dispensados estão incluídos funcionários dos espaços encerrados, mas também funcionários da Torre de Macau. Segundo a TDM, os planos para controlar custos nos espaços geridos pela Shun Tak Holdings pode não se ficar pela Torre de Macau e ser estendido a outros centro comercial. Além da Torre de Macau, a Shun Tak Holding explora os centros comerciais Nova Mall e New Yaohan. Plano em curso À TDM, Rutger Verschuren, vice-presidente regional do Artyzen Macau, controlado igualmente pela Shun Tak, confirmou não só a reestruturação, mas também estar a liderar o plano. No entanto, recusou tecer outros comentários sobre a situação. O ano de 2024 terminou para a empresa liderada pela empresária e política Pansy Ho com perdas de 824 milhões de dólares de Hong Kong. Em 2023, a empresa tinha apresentado perdas de 677 milhões de dólares de Hong Kong. Os dados constam do relatório anual de 2024 apresentado à Bolsa de Hong Kong, que indica também que o grupo empregava cerca de 1.700 pessoas, incluindo as operações fora de Macau, em locais como Hong Kong, Interior da China ou Singapura. Além disso, a empresa tem empréstimos bancárias no valor de 15,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, com mais de 90 por cento deste valor a ter de ser pago no prazo de cinco anos. A Shun Tak foi criada com uma empresa de navegação em 1961 por Stanley Ho para fazer as ligações marítimas entre Macau e Hong Kong, um serviço que ainda hoje disponibiliza, através do controlo do Porto Exterior. Com o avançar dos anos foi expandindo o escopo das actividades para áreas como a hotelaria, abrindo em 1984 o Hotel Mandarim Oriental em Macau, ou para o imobiliário, com construções e exploração de projectos em Hong Kong e Macau, mas também no Interior e em Singapura.
Visita | Montenegro em Macau a 10 de Setembro Hoje Macau - 5 Set 2025 O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, vai estar em Macau na próxima quarta-feira, 10 de Setembro, onde terá um encontro com o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, e uma passagem pela Escola Portuguesa de Macau. A informação foi revelada na quinta-feira pelo Jornal Tribuna de Macau, que cita como fonte o gabinete do governante. A passagem pela RAEM de Montenegro surge no contexto de uma deslocação à Ásia, com paragens no Interior da China, e em Macau, às quais se segue uma vista ao Japão. No programa do primeiro-ministro português durante a passagem por Macau está ainda prevista uma recepção à comunidade, embora a publicação não tenha divulgado pormenores sobre esta parte. No Interior, de acordo com a Macau News Agency, a visita de Montenegro inclui a passagem apenas por Pequim, ao contrário do que aconteceu na última vista de um primeiro-pinistro de Portugal à China, em 2016. Nesse ano, António Costa, actualmente presidente do Conselho Europeu, começou por visitar Pequim, seguiu para Xangai e só depois esteve em Macau. A visita de Montenegro a Macau tinha sido revelada por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente de Portugal, em Junho, numa ocasião em que este confirmou que não ia visitar mais a RAEM até ao final do mandato. A presença de Marcelo Rebelo de Sousa em Macau chegou a estar prevista por ocasião das celebrações do 10 de Junho. A vista de Luís Montenegro a Macau pode também ajudar a explicar o cancelamento recente da deslocação de Sam Hou Fai a Portugal e Espanha, que estava prevista para as datas de 16 a 20 de Setembro.
Elevador da Glória | Macau sem pedidos de apoio após acidente João Santos Filipe - 5 Set 2025 A DST confirmou ao HM não ter recebido pedidos de auxílio de residentes de Macau em Lisboa relacionados com o acidente que vitimou pelo menos 16 pessoas, muitas das quais turistas de várias nacionalidades A Direcção de Serviços de Turismo (DST) não recebeu qualquer pedido de auxílio nem de esclarecimento de dúvidas relacionados com o descarrilamento do funicular da Glória, que causou pelo menos 16 vítimas mortais em Lisboa. A informação foi revelada pela DST em esclarecimentos ao HM. “Relativamente ao acidente ocorrido em Lisboa, até ao momento, a DST não recebeu qualquer pedido de informação ou de assistência”, afirmou a DSAT em resposta ao HM. “Em caso de necessidade, os residentes de Macau podem ligar para a Linha Aberta do Turismo em funcionamento 24 horas (853) 2833 3000, ou para a Linha Directa Global de Emergência dos Serviços de Protecção e Assistência Consular do Ministério dos Negócios Estrangeiros da RPC +86 10 12308”, foi acrescentado. O acidente aconteceu numa altura em que se aproxima o início do ano lectivo do ensino superior em Portugal, pelo que além da representação de turistas de Macau em Lisboa existe a possibilidade de haver residentes de Macau a viver na cidade para frequentarem as instituições de ensino superior. O descarrilamento do funicular da Glória aconteceu na tarde de quarta-feira, por volta das 18h05 (hora de Portugal), quando a carruagem que subia para o miradouro de São Pedro de Alcântara perdeu o controlo e desceu desgovernada pela calçada até embater violentamente num prédio. Como consequência, há a registar pelo menos 16 vítimas mortais e 23 feridos, cinco dos quais em estado considerado grave. As autoridades revelaram que entre as vítimas mortais estão pessoas com nacionalidade estrangeira. Sabe-se que uma das vítimas é portuguesa e que outra é alemã. A nacionalidade das restantes vítimas estrangeiras não foi divulgada até à hora de fecho da edição do HM. Bandeira a meia-haste A tragédia de Lisboa levou a que fosse decretado um dia luto nacional pelo Governo do país, com o Consulado de Portugal em Macau e Hong Kong a içar as bandeiras a meia-haste durante o dia de ontem. Em Lisboa, a Câmara Municipal decretou três dias de luto. O acidente envolveu uma das imagens de marca de Lisboa, enquanto destino turístico. O funicular da Glória entrou em operação a 24 de Outubro de 1885. O motivo do descarrilamento ainda não é conhecido, mas de acordo com o jornal Observador, que cita fonte do Regimento dos Bombeiros Sapadores de Lisboa, estará relacionado com um cabo que se soltou provocando a perda de controlo do funicular, que teria no interior cerca de 40 pessoas. Uma das testemunhas no local indicou que pelo menos uma pessoa que seguia na rua teria sido atingida pelo funicular descontrolado. O acidente está a levantar dúvidas sobre a qualidade da manutenção do funicular que já tinha descarrilado em 2018, na altura sem qualquer ferido ou vítima mortal.
Sam Hou Fai pede apoio a Pequim para desenvolver novo parque Hoje Macau - 5 Set 2025 O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, encontrou-se com o Ministério da Indústria e Tecnologia de Informação, Li Lecheng, para discutir o desenvolvimento de “novas indústrias” em Macau. O encontro que ocorreu ontem em Pequim e foi divulgado através de um comunicado do Gabinete de Comunicação Social. Na ocasião, Sam Hou Fai deixou o desejo de “continuar” a contar com o apoio do ministério na “orientação da construção do parque industrial de investigação e desenvolvimento das ciências e tecnologias de Macau”. A localização do parque ainda não foi tornada pública, e existe a hipótese de haver uma consulta pública, antes de ser tomada uma decisão. Sam pediu também apoio das autoridades centrais ao nível do “posicionamento estratégico, percurso de desenvolvimento, planeamento industrial e disposição dos quadros qualificados de inovação tecnológica” para “promover a transformação dos resultados da investigação científica e aumentar a competitividade geral de Macau”. O Chefe do executivo prometeu ainda que Macau vai “intensificar as ligações internas e externas” para reforçar o que disse ser o papel de “interlocutor com precisão” para aumentar a plataforma sino-lusófona. Desta forma, o líder da RAEM considerou que Governo vai integrar-se melhor no país. Das exigências Por sua vez, Li Lecheng recordou que Xi Jinping “apresentou, no âmbito da sua visita a Macau no ano passado, maiores exigências e expectativas para Macau criar ininterruptamente novas conjunturas de desenvolvimento de alta qualidade do princípio um país, dois sistemas”. Li destacou ainda que o “Governo da RAEM está a avançar de forma ordenada com quatro grandes principais projectos, entre os quais o parque industrial de investigação e desenvolvimento das ciências e tecnologias de Macau, que visa optimizar o ambiente de inovação tecnológica e apoiar o desenvolvimento diversificado da economia”. O ministro prometeu ainda empenho da sua equipa no auxílio necessário para o projecto.
Vandalismo | Coutinho apresenta queixa à CAEAL e à polícia João Luz - 5 Set 2025 O líder da lista “Nova Esperança” apresentou queixa à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa e às autoridades policiais na sequência do cartaz vandalizado. Pereira Coutinho denuncia o “ataque mal-intencionado” e diz-se “extremamente preocupado com a sua segurança pessoal” O caso do cartaz de propaganda eleitoral da lista Nova Esperança que foi vandalizado resultou em queixas apresentadas à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) e à polícia. Segundo um comunicado, assinado pelo mandatário da lista Leong Veng Chai, “José Pereira Coutinho e a equipa da ‘Lista 2 – Nova Esperança’ apresentaram queixa formal à CAEAL e apresentaram igualmente queixa às autoridades policiais”. Conforme foi noticiado na quarta-feira, o caso diz respeito a um cartaz colocado no separador central da Avenida do General Castelo Branco em que a “imagem do olho esquerdo de José Pereira Coutinho foi danificada por queimadura com um cigarro”. Segundo o comunicado da lista Nova Esperança, “ao tomar conhecimento do incidente, José Pereira Coutinho expressou profunda inquietação, sentindo-se não apenas alvo de um ataque mal-intencionado em público, mas também extremamente preocupado com a sua segurança pessoal”. O mandatário da lista realça também a “grande importância” das eleições para a Assembleia Legislativa (AL) enquanto evento político e que, “com as recentes revisões legais destinadas a reforçar a segurança nacional e implementar o princípio de ‘Macau governado por patriotas’, é crucial coibir comportamentos ilegais e garantir que a presente eleição decorra de forma justa, equitativa e transparente”. Bate boca Sem avançar com suspeitas em relação a possíveis responsáveis pelo acto de vandalismo, o cabeça de lista da Nova Esperança queixou-se no Facebook que de uma alegada campanha difamatória depois do debate realizado no domingo, logo no segundo dia da campanha eleitoral. No debate em questão, transmitido no canal chinês da TDM, participaram candidatos das listas dos Moradores e da comunidade de Fujian, além de Pereira Coutinho. O debate ficou marcado pela troca de galhardetes entre Coutinho e Nick Lei, que acusou o português de apresentar uma das listas mais envelhecida das participantes no sufrágio directo. As críticas do candidato ligado às forças políticas de Fujian alargaram-se à alegação que a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau contrata trabalhadores não-residentes. Por seu lado, Pereira Coutinho acusou os deputados da lista de Fujian de contribuir para proteger os governantes e evitar que assumam as responsabilidades inerentes ao desempenho das funções públicas e de protelar o secretismo das reuniões das comissões permanentes da AL. Após o debate, os ataques prosseguiram nas redes sociais.
Eleições | Programas políticos com foco na economia e apoios sociais Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 5 Set 2025 São seis as listas de candidatos a deputados pela via directa, e outras seis pela via indirecta. Há caras novas, muitas de saída e ainda deputados que decidiram deambular entre sufrágios. Os principais focos dos programas políticos continuam a ser o emprego, o fomento da economia e o aumento dos apoios sociais No dia 14 de Setembro serão escolhidos os deputados da Assembleia Legislativa (AL), quer pelo voto do povo, na via directa, quer pela via indirecta através das associações que representam os diversos sectores profissionais. A campanha está nas ruas e as 12 listas disponibilizaram os programas eleitorais cujo conteúdo não difere muito das interpelações apresentadas ao Governo nos últimos anos, tendo em conta que a maioria dos cabeça de lista já está na AL há algum tempo. Assim, questões como a crise no emprego jovem, o incentivo ao consumo local, a necessidade de mais apoios sociais e ainda a integração regional de Macau em Hengqin e na Grande Baía dominam as medidas apresentadas. No caso da lista 1, a “Associação dos Cidadãos Unidos de Macau” tem raízes em Fujian e é liderada pela deputada Song Pek Kei, que começou bem jovem a acompanhar o empresário Chan Meng Kam nas lides parlamentares. Agora faz-se acompanhar pelo jovem deputado Nick Lei, seguindo-se em terceiro lugar, e numa lista de dez pessoas, Chan Lai Kei. Na área laboral, a lista defende a criação de uma quota para residentes em todas as áreas profissionais, o “apoio ao emprego e empresas locais”, e a garantia de que “85 por cento, ou mais, dos funcionários sejam residentes locais”. Defende-se ainda a liberação de “vagas nas áreas financeira e de gestão para residentes qualificados”, bem como a concessão de um subsídio de cinco mil patacas para “cada residente elegível no apoio ao emprego, a desempregados ou trabalhadores temporários”. A lista Nova Esperança, liderada por José Pereira Coutinho, quer “emprego para todos” e promete lutar pela “prioridade de emprego aos residentes permanentes de Macau nas concessionárias de jogos” e ainda o estabelecimento de um “sistema obrigatório (Fundo de Previdência), que proteja a 100 por cento a população”. O programa eleitoral dá ainda ênfase à área dos promotores de jogo, cujo número de licenças tem caído a pique nos últimos anos. A lista pede o “reforço da sua viabilidade através do aumento da comissão legal de 1,25 para 1,30 por cento” e a “facilitação de abertura de contas bancárias para titulares de licenças” junket atribuídas pelo Executivo. No caso da lista 3, a União Promotora Para o Progresso, que representa a União Geral das Associações dos Moradores de Macau, liderada pelo deputado Leong Hong Sai, pede a “melhoria do emprego dos residentes”, a revitalização do turismo ou o apoio a “pequenas e médias empresas”. Já a lista 5, a União Para o Desenvolvimento, é liderada por um rosto bem conhecido da AL. Ella Lei e o parceiro de bancada dos Operários Leong Sun Iok voltam a colocar o emprego como prioridade política. Pede-se a “garantia de oportunidades de emprego a locais”, bem como o “aperfeiçoamento do sistema de entradas e saídas de trabalhadores estrangeiros”. A lista dos Operários promete lutar pelo desenvolvimento de “formação remunerada a fim de aumentar as qualificações dos trabalhadores locais”, bem como o “aperfeiçoamento do sistema de apoio ao emprego, aumentando, de forma adequada, a alocação de serviços”. Também na área laboral este grupo de candidatos pede que seja “aprimorado o sistema de protecção dos trabalhadores para aumentar o seu nível de vida”, sugerindo-se o “fortalecimento da estrutura salarial” e do “sistema de previdência social para aumentar o nível de protecção dos trabalhadores”. Consumir é preciso Desde que Macau recuperou da crise causada pela pandemia da covid-19, com o encerramento de negócios, que outro problema se colocou: o facto de ser mais fácil viajar para a China fez com que os residentes consumam menos no território, afectando o comércio de zonas menos turísticas. Esse tem sido tema recorrente nas intervenções dos deputados na AL e também o é nos programas eleitorais. Voltando à lista ligada à comunidade de Fujian, pedem-se “incentivos ao consumo interno” para “reduzir a pressão na vida dos residentes” e “revitalizar a economia local”. Para isso devem ser seguidas “as experiências dos programas de apoio ao consumo entre 2020 e 2022, criando-se novos cartões de consumo para estimular o comércio”. No caso da lista de Pereira Coutinho, defende-se a instituição “de um cartão electrónico de apoio anual ao consumo de 10.000 patacas”, sendo que o candidato pede mesmo a criação de um Plano de Comparticipação Pecuniária Permanente com o valor a partir de 15.000. Também os Operários pedem “o estímulo ao consumo, a fim de ajudar os residentes a gastar e a impulsionar a economia”. No caso da lista 4, da União de Macau-Guangdong, em representação dos naturais de Jiangmen, e liderada pelo académico Joey Lao Chi Ngai, pede-se a “promoção do funcionamento de um ‘Grupo de Trabalho de Coordenação para a Promoção do Emprego, a fim de impulsionar a mobilidade social dos residentes”. É ainda sugerida a revisão dos “diversos regimes de segurança social, devendo aumentar-se o investimento em recursos para apoio de idosos, crianças, pessoas com deficiência e grupos vulneráveis”. Rómulo Santos Joey Lao Consumo não é esquecido No que diz respeito aos subsídios atribuídos pelo Executivo às chamadas camadas mais vulneráveis da população, crianças, jovens, idosos, doentes crónicos ou portadores de deficiência, todas as listas pedem mais. No caso do grupo liderado por Song Pek Kei é sugerida a realização de um estudo “sobre a criação de um sistema universal de seguros de saúde, a fim de garantir serviços médicos gratuitos básicos para todos os residentes”. Pede-se ainda um “melhor uso dos recursos para ampliar a cobertura dos serviços médicos e reduzir os encargos das famílias” nesta área. De frisar que o Executivo, além de comparticipar taxas moderadoras para residentes, atribui ainda vales de saúde no valor de seis mil patacas também para residentes. A lista de Song Pek Kei pega numa das últimas medidas do Executivo de Sam Hou Fai, a criação de um subsídio para a infância, para pedir a sua extensão de três para seis anos da criança beneficiária. Defende-se ainda a criação de “subsídios diferenciados para o segundo e terceiro filhos”, bem como uma licença de maternidade de 90 dias, para aumentar a taxa de natalidade. Olhando para a lista Nova Esperança, a novidade é o pedido de conversão “dos actuais benefícios [de saúde] em vales de consumo multifuncionais com o valor de 10.000 patacas”, bem como o alargamento da licença de maternidade para 90 dias. No caso do subsídio para a infância, a Nova Esperança defende a sua extensão até aos 12 anos da criança e um pagamento mensal de 2.000 patacas. Destaque ainda para a defesa do aumento do subsídio a cuidadores informais e famílias monoparentais de 5.000 para 8.000 patacas mensais. Tendo em conta que Coutinho está ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, trata-se de uma área a que é dada atenção neste programa político: aumento, entre 30 a 50 por cento, “da remuneração base, em substituição dos 100 pontos da tabela indiciária, aos agentes das Forças de Segurança”, defendendo-se também a “aposentação voluntária após 20 anos de serviço”. No caso da lista 6, Aliança do Bom Lar, liderada por Wong Kit Cheng, faz-se o apelo a mais e melhores medidas para os pais: “aumentar o número de licenças parentais e de acompanhamento a exames pré-natais”, lê-se, fazendo-se também a defesa de “horários de trabalho mais flexíveis e deduções fiscais pelo número de filhos a cargo”. Numa visão geral dos programas, importa referir que em seis listas do sufrágio directo, apenas a lista Nova Esperança usa as duas línguas oficiais, o português e chinês. No sufrágio indirecto há mais grupos a fazer esta aposta, como a União dos Interesses Empresariais de Macau e União dos Interesses de Profissionais de Macau. Não existem programas em inglês. Estas eleições pautam-se pela saída de deputados como Ron Lam U Tou, Chan Chak Mo, Chan Hong e Lei Chan U. O que os indirectos querem No sufrágio indirecto há uma novidade: a entrada do empresário Kevin Ho, sobrinho de Edmund Ho, para a lista liderada por José Chui Sai Peng, a “União dos Interesses Empresariais de Macau”, que representa os sectores industrial, comercial e financeiro. Destaque, neste grupo, para a entrada de Si Ka Lon, que sempre concorreu pela via directa. Este grupo defende “o apoio à transformação digital e de alta tecnologia para modernizar indústrias tradicionais e desenvolver sectores emergentes”, prometendo ainda “escutar atentamente as dificuldades e reivindicações das indústrias comercial e financeira, especialmente as pequenas e médias empresas”. Kevin Ho A União dos Interesses de Profissionais de Macau, liderada por Iau Teng Pio, subdirector da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, defende a luta pela “capacitação da diversificação da economia em conformidade com a força profissional” e “a articulação das normas de Macau e Hengqin”. Para tal, sugere a criação de uma “zona experimental da aplicação” dessas mesmas normas, explorando-se “um mecanismo de execução directa e transfronteiriça de arbitragem”. Segue-se o desejo de “fortalecer a competitividade internacional do Direito”, incentivando-se “talentos excepcionais a estudar no Interior da China”. Um rosto pela Educação Ho Ion Sang, um rosto que nos habituámos a ver no sufrágio directo, concorre novamente pelo sufrágio indirecto, sozinho, em representação do sector da educação, com a Associação de Promoção do Serviço Social e Educação. O candidato pede a “implementação de medidas de apoio à saúde mental” bem como a “melhoria da qualidade geral dos serviços médicos de Macau e eficácia no atendimento”. Ho Ion Sang promete lutar por medidas que olhem “o impacto da baixa natalidade no sistema educativo” e por mais “apoio à educação inclusiva e escolas do ensino especial”. A empresária Angela Leong junta-se pela primeira vez a Ma Chi Seng para juntos concorrerem pela União Cultural e Desportiva do Sol Nascente, em defesa da cultura e desporto. Uma das ideias passa por “solicitar que o Governo oriente a utilização dos elementos não relacionados com o jogo [das concessionárias] para apoiar actividades culturais e desportivas locais”. Na lista “Comissão Conjunta da Candidatura das Associações de Empregados”, liderada pelo deputado Lam Lon Wai, defende-se a melhoria de infra-estruturas, a “redução dos custos de negócios e a facilitação do comércio e investimento”. Pede-se a promoção da “partilha dos benefícios do desenvolvimento económico com os empregados”, estabilizando-se um “mecanismo de crescimento salarial”. Na União das Associações de Trabalhadores, liderada por Leong Pou U e Choi Kam Fu, é sugerida “a melhoria da protecção dos direitos laborais e dos trabalhadores”, bem como “a protecção dos direitos básicos das trabalhadoras, melhorando-se as infra-estruturas de apoio infantil”. Defende-se ainda o “ajustamento dinâmico do salário mínimo para garantir as necessidades básicas de vida”.