Cáritas Macau pede mais atenção à saúde mental da população que não fala chinês

A Cáritas Macau pediu maior atenção para o bem-estar mental da população que não fala chinês, após um aumento de 86% nos pedidos de ajuda ‘online’ em 2025, disse um conselheiro à Lusa.

Os Serviços de Prevenção do Suicídio da Cáritas opera uma linha de apoio em cantonês, mandarim, português e inglês. No ano passado, o serviço recebeu 138 pedidos de ajuda ‘online’ através do serviço em inglês, mais 86%. Os pedidos de assistência telefónica também cresceram, atingindo 98, um aumento de 17%.

“A maioria dos não falantes de chinês sente-se sozinha em Macau. Devemos preocupar-nos mais com eles”, disse Benedict Lok, conselheiro do serviço. Os pedidos de ajuda vieram de pessoas com origens diversas, incluindo Países Baixos, Filipinas, Canadá, Estados Unidos, Índia e da comunidade macaense.

Lok indicou que 30% dos pedidos estavam relacionados com o acesso a recursos comunitários, 14% envolviam temas ligados ao suicídio, e 2% eram de indivíduos “que simplesmente se sentiam sozinhos e procuravam alguém com quem conversar”.

“Normalmente, à noite, as pessoas sentem-se mais emocionais. Mais de metade dos pedidos acontecem entre as 16:00 e a meia-noite”, notou Lok.

“Alguns deles só querem falar em inglês, sentindo que se podem expressar melhor,” explicou. Dados oficiais indicam que existem 57.688 habitantes cuja nacionalidade não é nem chinesa nem portuguesa, representando 8,5% da população.

Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. O diretor da Caritas Macau, Paul Pun, explicou que a população que nasceu fora da China geralmente prefere consultas presenciais.

“Até agora, os nossos voluntários que sabem línguas estrangeiras também sabem chinês, o que é suficiente para ajudar a maioria deles. Mas, claro, quanto mais [voluntários], melhor”, disse à Lusa.

Os Serviços de Prevenção do Suicídio da instituição são apoiados por mais de 90 voluntários e dez funcionários a tempo inteiro. Dentro deste grupo, 20 voluntários e três trabalhadores a tempo inteiro são proficientes em línguas estrangeiras. Pun expressou o desejo de expandir a equipa.

Na primeira metade de 2025 houve pelo menos 101 tentativas de suicídio, incluindo 14 crianças dos 5 aos 14 anos, o dobro do registado no mesmo período de 2024, avançou em outubro a emissora pública do território.

Ainda de acordo com o canal de língua portuguesa da TDM – Teledifusão de Macau, desde que saíram, no final de maio, os dados sobre suicídios entre janeiro e março, os Serviços de Saúde não voltaram a divulgar esta estatística, habitualmente publicada de forma trimestral. No mais recente balanço, Macau registou 18 mortes por suicídio, menos quatro do que nos primeiros três meses de 2024.

Inquérito | Empresas prevêem subida de 2,23% nos salários

As empresas de Macau prevêem um aumento médio de 2,23 por cento nos salários em 2026, menos 0,49 pontos percentuais do que no ano passado e abaixo da subida de 2,9 por cento no salário mínimo, segundo um inquérito. Mais de 23 por cento das 99 empresas inquiridas pela empresa de recursos humanos MSS Recruitment disseram não ter planos para uma revisão salarial, mais 7,1 por cento do que em 2025.

A directora executiva da MSS Recruitment disse que os resultados reflectem “um ambiente económico cauteloso e mais estável em Macau”, depois da recuperação da crise causada pela pandemia de covid-19. As empresas estão a concentrar-se no “controlo de custos e na sustentabilidade a longo prazo, em vez da expansão”, acrescentou Jiji Tu, citada pelo portal de notícias Macau News Agency.

Em 01 de Janeiro, entrou em vigor um aumento de 2,9 por cento do salário mínimo, que subiu 211,4 patacas, para 7.280 patacas mensais. Esta é a primeira revisão do valor do salário mínimo, dois anos depois de a lei ser implementada, e foi aprovada no parlamento do território em 18 de Dezembro, por unanimidade, apesar das queixas do sector patronal.

Apesar de terem votado a favor, três deputados que representam os sectores industrial, comercial e financeiro alertaram para o possível impacto negativo do aumento do salário mínimo. A recuperação depois da crise económica causada pela pandemia “ainda é desequilibrada”, lamentaram, numa declaração de voto, José Chui Sai Peng, Ip Sio Kai e Si Ka Lon.

Os deputados destacaram sobretudo as pequenas e médias empresas, que “enfrentam muitas dificuldades e podem não conseguir responder a novos encargos”, incluindo um aumento nas despesas com salários. O Governo estimou que o aumento do salário mínimo irá abranger cerca de 18 mil pessoas, ou 4,4 por cento da força de trabalho total.

Fim da pirâmide

Na sexta-feira, o presidente da Associação dos Empregados do Sector de Serviços, Kuong Chi Fong, disse à TDM – Teledifusão de Macau que cerca de 2.200 pessoas com estatuto de residente recebem o salário mínimo nas áreas da limpeza e segurança de edifícios.

Também segundo a emissora pública, o secretário-geral da Associação de Administração de Propriedades, Ieong Kuong, estimou que os trabalhadores migrantes representam um terço daqueles que recebem o salário mínimo.

A revisão voltou a excluir os empregados domésticos, devido à “‘natureza única’ do trabalho doméstico e à necessidade de o trabalhador se ‘integrar’ na vida familiar do empregador”, disse em Novembro o director dos Serviços para os Assuntos do Trabalho (DSAL).

Chan Un Tong referiu que o salário mediano para estas contratações ronda 3.800 patacas. De acordo com dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública, divulgados pela DSAL, o número de empregados domésticos em Macau ultrapassou 28.500 no final de Novembro, o valor mais elevado desde Março de 2021.

Como lidar com 5,8 milhões (II)

A semana passada, falámos sobre uma jovem canadiana de 20 anos que ganhou o jackpot da lotaria e foi confrontada com duas opções: o levantamento imediato da totalidade do prémio, no valor de um milhão de dólares canadianos, ou a possibilidade de receber semanalmente 1.000 dólares até ao fim da vida. A escolha que fez desencadeou acesos debates online. Se um dos meus leitores de Macau estivesse na mesma situação, qual seria a sua escolha?

Recolhemos e comparámos dados do Canadá e de Macau online. Percebemos que se escolher receber o milhão de uma vez, a rapariga pode comprar um apartamento de 65 metros quadrados, resolvendo assim o problema da habitação. Um milhão de dólares representa as poupanças de uma família canadiana e o seu objectivo de um fundo para a reforma. O rendimento da aplicação deste montante proporciona uma reforma segura no Canadá.

Se esta situação ocorresse em Macau, 5,8 milhões de patacas (assumindo que um dólar canadiano vale 5,8 patacas) seria o suficiente para comprar um típico apartamento de 65 metros quadrados. Se a poupança média por pessoa em Macau é de 1,4 milhões, uma família de quatro terá 5,6 milhões e com mais 5,8 milhões teria uma vida ainda mais estável. A estabilidade que os 5,8 milhões podem proporcionar varia consoante cada pessoa; no entanto, com um rendimento de 4 por cento, este montante gera 19.000 patacas mensais. Do ponto de vista do residente comum, é simplesmente um rendimento extra. Adicionado ao valor de 6.500 patacas mensais que os reformados recebem do Governo totaliza o montante de 26.000 patacas, proporcionando uma segurança considerável durante a reforma.

Se a jovem escolher receber 1000 dólares por semana, terá um rendimento de 52.000 dólares anuais. Embora este valor fique um pouco abaixo do salário médio no Canadá, representa apenas um valor adicional. Em Macau existe também a possibilidade de os vencedores da lotaria receberem o prémio em prestações mensais.

Os dados apresentados centram-se apenas em números. Quando se recebe um prémio com uma soma considerável, também devem ser considerados factores não quantitativos. Em primeiro lugar, quando temos bastante dinheiro, devemos investir. Só com investimentos correctos podemos obter retornos substanciais. Se não formos especialistas financeiros, devemos consultar profissionais, o que implica o pagamento de honorários. Em segundo lugar, um prémio elevado pode despertar o desejo de gastar sem controlo. A quantia que se pode desperdiçar depende de cada pessoa, e não pode ser generalizada, mas o risco é inegável. Em terceiro lugar, quando a notícia se espalha, o vencedor vê-se rodeado de amigos e familiares a pedirem-lhe empréstimos. É natural que vá gastar imenso tempo e dinheiro a lidar com esse problema; estes custos são incalculáveis. Em quarto lugar, quando investe o prémio, se surgir uma despesa elevada, vai ter de dividir o dinheiro em mais do que uma conta. Separando o valor do prémio, o retorno semanal diminui. Em quinto lugar, não se sabe se ao receber 1.000 dólares por semana a jovem terá acesso à totalidade do valor do prémio. Por exemplo, se morrer inesperadamente aos 30 anos, o montante que não lhe foi pago pode ser reclamado pelos seus herdeiros? A transferência do dinheiro para os familiares influencia os bens da próxima geração; a jovem deverá consultar a empresa que gere a lotaria antes de decidir se quer receber o dinheiro todo de uma vez, ou se opta pelos 1.000 dólares semanais.

Os leitores devem prestar atenção a um factor indispensável: a protagonista desta história tem apenas 20 anos. É natural que não tenha muita experiência de vida nem muita experiência financeira. Recebendo 1.000 dólares semanais garante uma protecção vitalícia. A taxa de retorno é:

(1.000 x 52 semanas / 1.000,000) x 100%

= 5.2%

mais alta que os 4%, o que vale a pena considerar.

Claro que o maior senão desta escolha é a inflação. O poder de compra de 1.000 dólares no Canadá será o mesmo do de hoje daqui a 10 ou 20 anos? A resposta é definitivamente não. Além disso, com base na esperança de vida das mulheres canadianas, se a jovem viver até aos 85 anos, receberá 1.000 dólares por semana durante 65 anos, portanto, até 2091. Qual será o poder de compra de 1.000 dólares nessa altura?

Chegados a este ponto, os leitores quererão saber qual foi a escolha da rapariga? Não vou revelar a resposta; vou deixar-vos pesquisar online. Antes de revelar o mistério pergunto-vos, a vossa escolha é a mesma da jovem? Consideraram os vários factores financeiros que foram mencionados?

Um prémio de um milhão de dólares canadianos é um ganho inesperado, ajudando o vencedor a concretizar os seus sonhos e a desfrutar do tempo em família. Embora o dinheiro traga muita satisfação, a maior felicidade é partilhá-lo com os outros. Não deveria a jovem considerar doar uma parte do prémio para instituições de solidariedade social, beneficiando mais pessoas?

Não seria melhor usar este lucro inesperado para fins sociais, permitindo que mais pessoas entrem felizes em 2026? Partilhar a felicidade é melhor do que gozá-la sozinho.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnicade Macau
Email: cbchan@mpu.edu.mo

FRC | “No Trilho de Matteo Ricci” apresenta-se hoje ao público

A exposição de arte colectiva “No Trilho de Matteo Ricci”, que inaugura hoje na Fundação Rui Cunha, apresenta um conjunto de 33 trabalhos de diversos artistas e alunos de doutoramento da Universidade de Macau. Trata-se de um conjunto de imagens, feitas a tinta-da-china e cor, que recuperam os locais por onde passou Matteo Ricci, padre jesuíta italiano que deixou a sua marca em Macau

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, a exposição de arte colectiva “Trail of Matteo Ricci” [No Trilho de Matteo Ricci], cujos protagonistas são os estudantes de doutoramento do Departamento de Arte e Design da Universidade de Macau (UM), com supervisão do professor Zhang Yan. A curadoria do projecto é da responsabilidade dos artistas Li Ranqing e Lei Meihang, com organização do Centro de História e Cultura Chinesa da UM.

Em exposição vão estar 33 obras, a tinta-da-china e cor, que resultam de uma viagem de estudo organizada no ano passado, com partida de Macau para o Interior da China e até Itália, recuperando o itinerário do padre jesuíta italiano Matteo Ricci, figura fundadora das missões católicas na China, há mais de quatro séculos. O tema há muito suscitava a curiosidade de Zhang Yan, oriundo da cidade de Zhaoqing, por onde passou o missionário no final do século XVI, trazendo ecos do ocidente.

Um dos curadores, Li Ranqing, esclarece que a viagem começou em Macau, indo até Guangzhou, Zhaoqing e Shaoguan [província de Guangdong], e daí seguiram para Roma, Macerata, Génova, Veneza, Milão e Florença.

“Utilizámos o pincel e a tinta da pintura tradicional chinesa como a nossa caneta histórica, para completar esta busca transtemporal até às raízes. Como curador, imagino este projecto como um trabalho prático de campo contemporâneo de pintura chinesa, tecido em torno da rota de intercâmbio cultural de 400 anos. Como um dos artistas participantes, também sei bem que cada obra incorpora a hesitação, a transformação e a repercussão da experiência, vividas durante a criação in loco”, disse, citado por uma nota da FRC.

As 33 obras expostas “retêm grande parte da ‘temperatura in loco’: as fendas espalhadas pelo vento no papel Xuan de arroz e o pó da rua nas margens das pinturas a pastel não são imperfeições, mas extensões naturais da filosofia da pintura chinesa de ‘observar as coisas através da visão interior’. Escolhemos apresentar a exposição em Macau porque não é, apenas, o ponto de partida da viagem de Ricci, mas também a âncora espiritual da nossa criação”, acrescentou o co-curador.

Referências intemporais

Para Li Ranqing, “quando se vê o pôr do sol sobre a Roma antiga na aguarela e a esquina de um beco de Lingnan nos pastéis, está-se perante não só paisagens, mas um toque suave entre duas civilizações realizado através da arte”.

“Tal como Matteo Ricci introduziu o conhecimento ocidental na China, através da tradução chinesa há séculos, utilizámos a linguagem da pintura chinesa para tentar transformar esta trajectória através de montanhas e mares, num diálogo contínuo entre civilizações”, remata o artista e curador.

A exposição conta com a co-organização do Comité de Arte da Pintura Tradicional Chinesa da Associação de Artistas da China; da Aliança de Artistas da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau; e do Comité de Arte da Pintura de Paisagem da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. O projecto artístico beneficiou ainda do apoio dado pelo Centro Provincial de Intercâmbio Cultural Internacional de Guangdong e pela Associação de Artistas de Guangdong. As obras vão estar expostas até ao próximo dia 24 de Janeiro.

Timor-Leste | MNE em Lisboa para discutir presidência da CPLP e Guiné-Bissau

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste viajou ontem para Lisboa, numa visita de trabalho para discutir a presidência timorense da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a situação na Guiné-Bissau.

A visita de Bendito Freitas “enquadra-se no contexto da presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa a assumir por Timor-Leste no período entre 2026 e 2027, na sequência da decisão tomada na Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, realizada em Dezembro de 2025”, pode ler-se numa informação divulgada à imprensa.

A visita a Portugal vai decorrer entre quarta-feira e dia 21 de Janeiro. Em Lisboa, o chefe da diplomacia timorense vai participar em reuniões de coordenação sobre a presidência da CPLP, entregar os estatutos revistos ratificados pelo parlamento à secretária executiva da organização, Maria de Fátima Jardim, e participar na reunião extraordinária do comité permanente.

Bendito Freitas vai também reunir-se com o homólogo português, Paulo Rangel, num encontro em que “serão abordados temas relacionados com o reforço da cooperação bilateral, incluindo a situação política na Guiné-Bissau e a presidência da CPLP de Timor-Leste”, indica o Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense.

O programa da visita inclui igualmente encontros com o prémio Nobel da Paz, bispo Ximenes Belo, e com estudantes e a comunidade timorense em Coimbra.

Timor-Leste assumiu em Dezembro a presidência da CPLP, que foi retirada à Guiné-Bissau, na sequência de uma cimeira de chefes de Estado e de Governo, após o golpe de Estado no país que depôs Umaro Sissoco Embaló e interrompeu o processo eleitoral, impedindo a divulgação dos resultados das eleições gerais de Novembro.

Integram a CPLP, que assinala este ano o 30.º aniversário, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Japão | Missão em águas profundas para extrair terras raras

A viagem do navio de perfuração científica, Chikyu, em direcção à remota ilha Minami Torishima no arquipélago japonês, onde se estima existir mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, visa diminuir a dependência do país nipónico do fornecimento chinês

Um navio de investigação japonês iniciou ontem uma missão inédita com o objectivo de extrair terras raras das suas águas profundas, visando reduzir a dependência económica do país face à China.

O Chikyu, um navio de perfuração científica em águas profundas, partiu do porto de Shimizu, na cidade de Shizuoka (centro-leste), por volta das 09:00 de ontem, com destino à isolada ilha japonesa de Minami Torishima, no Pacífico, onde as águas circundantes podem ser ricas em minerais preciosos.

Esta viagem de teste ocorre num momento em que a China, de longe o maior fornecedor mundial de terras raras, aumenta a pressão sobre o país vizinho. A viagem do Chikyu, adiada um dia devido ao mau tempo, pode levar à produção nacional de terras raras, afirma Shoichi Ishii, director de programas do Gabinete do primeiro-ministro.

“Estamos a considerar diversificar as nossas fontes de abastecimento e evitar uma dependência excessiva de determinados países”, afirmou aos jornalistas reunidos no porto, enquanto o navio se preparava para partir. Estima-se que a zona em torno de Minami Torishima, ilha situada nas águas económicas do Japão, contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria, segundo o jornal económico Nikkei, a terceira maior jazida do mundo.

As “terras raras”, 17 elementos metálicos não particularmente raros, mas difíceis e caros de extrair, são essenciais para sectores inteiros da economia – automóvel, energias renováveis, digital, defesa –, servindo para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes eletrónicos.

Tensões regionais

A China representa quase dois terços da produção mineira mundial de terras raras e 92 por cento da produção refinada, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). O país há muito tempo usa o seu domínio nessa área como alavanca geopolítica, inclusive na sua guerra comercial com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No entanto, o Japão depende da China para 70 por cento das suas importações de terras raras. E isso apesar de ter-se esforçado para diversificar as suas fontes de abastecimento desde um conflito anterior em 2010, durante o qual Pequim suspendeu as suas exportações por vários meses.

Tóquio e Pequim estão envolvidos há dois meses numa crise diplomática, desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre uma possível intervenção militar em caso de um ataque chinês a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim.

Sinal do agravamento das tensões bilaterais, Pequim anunciou na semana passada que iria reforçar os controlos sobre a exportação para o Japão de bens chineses de dupla utilização civil e militar, o que poderia incluir os metais raros. A missão do Chikyu deverá durar até 14 de Fevereiro.

Gronelândia | EUA avisados para não usar outros países como pretexto

Pequim reafirma o seu compromisso com o direito internacional e adverte as autoridades norte-americanas para não inventarem narrativas com vista a satisfazer os seus interesses próprios

A China avisou ontem os Estados Unidos para não usarem outros países como pretexto para prosseguir os seus interesses na Gronelândia e garantiu que as suas actividades no Ártico estão em conformidade com o direito internacional. “Os direitos e liberdades de todos os países para conduzir actividades no Ártico de acordo com a lei devem ser plenamente respeitados”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, em conferência de imprensa.

“As actividades da China no Ártico visam promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável na região e estão de acordo com o direito internacional”, sublinhou. Segundo a porta-voz, “os EUA não devem prosseguir os seus próprios interesses usando outros países como pretexto”, até porque “o Ártico diz respeito aos interesses gerais da comunidade internacional”.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterou na sexta-feira, na Casa Branca, que não vai permitir que a Rússia ou a China “ocupem a Gronelândia” e que decidiu “fazer alguma coisa” em relação ao território autónomo dinamarquês, do qual pretende adquirir controlo “a bem ou a mal”.

Trump adiantou que gostaria de fazer um acordo para adquirir a Gronelândia, uma região semiautónoma da Dinamarca, membro da NATO, para impedir que a Rússia ou a China a assumam.

As tensões entre Washington, a Dinamarca e a Gronelândia aumentaram este mês, à medida que Trump e a sua administração pressionam sobre o assunto e a Casa Branca pondera uma série de opções, incluindo o uso da força militar, para adquirir a vasta ilha ártica. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma tomada de poder norte-americana na Gronelândia marcaria o fim da NATO.

O povo é quem mais ordena

Na sexta-feira, o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, e os líderes dos outros quatro partidos no parlamento do território emitiram uma declaração conjunta reiterando que o futuro da Gronelândia deve ser decidido pelo seu povo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, tinha ontem um encontro marcado com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, em Washington para discutir uma estratégia conjunta de segurança da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para o Ártico.

Antes de viajar, o diplomata alemão afirmou que desejava discutir com Rubio como “assumir conjuntamente esta responsabilidade dentro da NATO, dadas as antigas e novas rivalidades na região entre a Rússia e a China”.

Segundo dados oficiais, a presença e os interesses da China na Gronelândia são mais limitados do que os EUA alegam e estão focados principalmente no sector comercial, com vários empreendimentos mineiros e industriais frustrados nos últimos anos.

No entanto, em 2018, a China declarou-se um “Estado quase-ártico” num esforço para ganhar mais influência na região e anunciou planos para construir uma “Rota da Seda Polar” como parte da sua iniciativa global “Uma Faixa, Uma Rota”, um megaprojecto de infraestruturas e investimento global, proposto pela China em 2013 para reavivar a antiga Rota da Seda, que visa ligar Ásia, Europa, África.

Hong Kong | Tribunal analisa pedido de pena mais leve no caso de Jimmy Lai

Um tribunal de Hong Kong iniciou ontem uma audiência para discutir a sentença de Jimmy Lai, ex-magnata dos media, cuja condenação ao abrigo da lei de segurança nacional pode acarretar a prisão perpétua.

Lai, de 78 anos, é fundador do extinto jornal Apple Daily e conhecido crítico do Partido Comunista Chinês. Foi detido em 2020 ao abrigo da lei de segurança nacional, imposta por Pequim na região semiautónoma após os protestos em massa contra o Governo local em 2019. Em Dezembro, foi considerado culpado de conspiração para conluio com forças estrangeiras e conspiração para publicar artigos sediciosos.

Lai deverá comparecer no tribunal ao lado de outros réus durante as chamadas audiências de atenuação, que se prolongam por quatro dias e onde os arguidos podem pedir penas mais leves. A pena máxima é prisão perpétua, com a sentença final a ser proferida mais tarde.

Lai foi condenado por duas acusações de conspiração para conluio com forças estrangeiras com o objectivo de pôr em risco a segurança nacional e por uma acusação de conspiração para distribuir publicações sediciosas. Declarou-se inocente de todas as acusações.

O crime de conluio ao abrigo da lei de segurança nacional pode ser punido com penas de três anos até prisão perpétua. A acusação de sedição, com base numa lei da era colonial, prevê um máximo de dois anos de prisão.

Por onde dançou o pincel de Zou Zhilin

Huang Gongwang (1269-1354), o mestre da dinastia Yuan que viveu como um andarilho daoísta, um «convidado dos lagos e das montanhas», foi viver durante três anos entre 1347 e 1350, para junto do rio Fuchun (actual Qiantang) a Oeste de Hangzhou onde, com total desprendimento, sem contar com elogios, comentários ou críticas, foi criando um dos rolos horizontais mais prezados pela posteridade. Tinha setenta e oito anos quando começou a pintura conhecida como Retiro nas montanhas Fuchun, da «Primavera abundante», que respondia à urgência do seu método de capturar o espanto, apreço e admiração que sentia perante a natureza visível:

“O pintor deve levar sempre consigo alguns pincéis numa sacola para que quando se lhe deparem árvores surpreendentes num belo cenário, ela possa de imediato fazer esboços delas para preservar as suas características naturais. Deve subir a altos edifícios, contemplar o qiyun, «o movimento do espírito», e diante das vistas abertas olhar as nuvens. Essas vistas chamam-se paisagens de cumes de montanhas. Tanto Guo Xi como Li Cheng praticaram este método e Guo Xi pintou mesmo pedras como nuvens.”

Mas após Huang Gongwang terminar a sua pintura, ela própria se tornaria um objecto de intensa estima e assombro por aqueles que a possuíram. Um letrado no fim da dinastia Ming que teve o privilégio de a contemplar escreveu no rolo um comentário: «O seu proprietário vive com o rolo há dezenas de anos, coloca-o na mesa-de-cabeceira quando vai dormir, junto da sua cadeira quando vai comer, dia e noite, onde quer que vá a pintura vai com ele.» E justificou «A pintura de Huang é como as caligafias do grande Wang Xizhi – uma verdadeira obra-prima. Nesta pintura o pincel dança com vida, tal como a caligrafia do Prefácio do Pavilhão das orquídeas – divino e sublime.» Quem era esse conhecedor a quem foi concedida a honra de pousar o seu pincel sobre o inestimável rolo?

Zou Zhilin (c.1585-c.1654) era amigo da família de Wu Zhiju que possuiu a pintura, depois de ela pertencer a egrégios pintores como Shen Zhou ou Dong Qichang, e era isso que lhe permitia a intimidade com o rolo. E a pintura era para ele também um modo de expressão. Passado o exame jinshi em 1606 por pouco tempo serviu a administração imperial, retirando-se para aquela peculiar forma de habitar solitário entre a gente, designado por vezes como yinshi, que era a via de tantos literatos insubmissos. Fazia parte dessa forma de relacionamento com os outros a troca de pinturas como uma, à venda na Sotheby’s, com caligrafias e pinturas contendo um leque montado num álbum de onze folhas a tinta e cor sobre papel dourado, onde numa das folhas escreve: «Para onde escapar? Suspeito que para lado nenhum senão para montanhas profundas ou florestas densas. E onde encontrar essas montanhas e florestas densas senão sob o meu pincel?»

Metro | Recolha de opiniões sobre plano de linhas em breve

O período para auscultar opiniões sobre o planeamento das linhas do Metro Ligeiro, assim como para dar a conhecer os planos do Governo, arranca no próximo dia 23 de Janeiro. A extensão da cobertura do transporte além das linhas já conhecidas, será um dos pontos em discussão

O Governo vai começar a recolher opiniões sobre o estudo estratégico para o desenvolvimento do Metro Ligeiro a partir do dia 23 de Janeiro. O período de auscultação estende-se até 28 de Fevereiro, “durante o qual serão realizadas várias sessões de recolha de opiniões junto do público e dos sectores profissionais”, revelou ontem a Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP).

O Governo afirma que, além de recolher opiniões da população, vai “dar a conhecer à sociedade o planeamento do futuro desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau e os seus trabalhos de construção”.

No comunicado divulgado ontem pela DSOP, é indicado que o “desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau é um importante projecto do Governo da RAEM”. Além das linhas da Taipa (e a sua extensão até à Barra), Seac Pai Van, Hengqin e a Linha Leste (que está em construção), o Governo garante estar empenhado “na exploração da extensão do serviço do Metro Ligeiro para as zonas ainda não cobertas”, como o oeste e centro da Península de Macau, norte da Taipa e algumas zonas de Coloane.

A ter em conta

Com o futuro desenvolvimento da rede do Metro Ligeiro em discussão a partir de sexta-feira da próxima semana, o Governo pretende apresentar estratégias para o desenvolvimento da cobertura do transporte. Assim sendo, foi elaborado um plano geral das linhas em termos da eficácia geral, viabilidade técnica de construção e da forma como podem responder às necessidades de deslocação de residentes e turistas.

Após mais de uma década de planeamento, o Metro Ligeiro foi inaugurado em Dezembro de 2019 com apenas a linha da Taipa em funcionamento, com 11 estações, incluindo o aeroporto de Macau, o Terminal Marítimo da Taipa e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau.

Na altura, a factura apresentada para o traçado inicial da linha da Taipa indicava custos superiores a 10 mil milhões de patacas.

Sands China | Anunciados bónus e aumentos de salários

A concessionária do jogo Sands China anunciou o pagamento de um bónus equivalente a um mês de salário e o aumento dos vencimentos para quase 28 mil trabalhadores. O anúncio foi feito ontem através de um comunicado, com a Sands não só a seguir o exemplo das outras concessionárias com o pagamento de um bónus, mas a subir a parada, com o aumento dos ordenados.

“Em reconhecimento aos seus esforços ao longo do último ano, temos o prazer de anunciar um bónus discricionário e um aumento salarial. Em nome do nosso Conselho de Administração, agradeço sinceramente a cada membro da equipa por suas contribuições”, afirmou Grant Chum, director executivo e director executivo da Sands China. “Olhando para o futuro, espero que a equipa continue a empenhar-se e que possamos alcançar, todos juntos, novos patamares ainda mais elevados”, acrescentou.

Em relação ao bónus equivalente a um salário mensal, vai abranger os trabalhadores que não desempenham funções de gestão e que trabalhem na empresa há pelo menos um ano. Quanto aos trabalhadores do sector de gestão, poderá haver um igualmente um bónus, mas depende dos objectivos definidos internamente e do desempenho da empresa.

Sobre o aumento salarial, a empresa explicou que vai entrar em vigor a partir de Março, e que os trabalhadores com salários inferiores a 16 mil patacas vão receber um aumento de 500 patacas, ou seja, aumentos de 3,1 por cento a 4 por cento. Os aumentos para os trabalhadores que recebem mais de 16 mil patacas vão ser de 2 por cento.

Fujian | DST apela a que se aproveite comboio de alta velocidade

No dia 26 de Janeiro, é inaugurada a ligação ferroviária de alta velocidade entre Zhuhai e a província de Fujian. O Governo promete reforçar a cooperação com operadores de Fujian e apela a agências locais para criarem pacotes multi-destinos que combinem os trunfos turísticos das duas regiões

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) encara a abertura da linha ferroviária de alta velocidade entre Zhuhai e Xiamen e Fuzhou, na província de Fujian, como uma oportunidade para estreitar a cooperação turística entre as duas regiões. Apesar de ser descrita como uma ligação directa de alta velocidade, a linha ferroviária terá outras paragens, ligando Zhuhai a Fujian sem transferência de comboios pela primeira vez a partir de 26 de Janeiro.

A DST afirmou que irá continuar a apostar em campanhas promocionais ao longo de outras linhas ferroviárias de alta velocidade, com anúncios nas estações e em plataformas online a publicitar Macau enquanto destino turístico.

Além disso, a DST garantiu que irá incentivar a indústria do turismo de Macau a cooperar com as principais agências de viagens de Fujian no sentido de lançar rotas turísticas que juntem destinos na província chinesa e Macau. A ideia é combinar a história e cultura de Fujian e as características de Macau para criar itinerários com vários destinos, com o intuito de atrair turistas internacionais.

O Governo recordou também que, entre Janeiro e Novembro de 2025, Macau foi visitado por quase 600 mil turistas de Fujian, o que representou quase 2,5 por cento dos visitantes do Interior de China.

Toque a reunir

O apelo do Executivo foi ouvido tanto no plano político como sectorial. O representante da RAEM à Assembleia Popular Nacional Lao Ngai Leong salientou as relações próximas que já existem entre Macau e Fujian. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, o responsável sublinhou a conveniência da ligação directa de alta velocidade para visitas a familiares, turismo e negócios, permitindo a redução do tempo de viagem, sem a necessidade de mudar de comboio em Shenzhen ou Guangzhou.

O sector das exposições e convenções também pode beneficiar da nova linha ferroviária, assim como a ligação entre a Grande Baía e a província de Fujian, potenciando o desenvolvimento regional.

Também aos microfones da emissora pública, o presidente da Associação da Indústria Turística de Macau Andy Wu referiu que a Fujian e a região de Chaoshan (leste de Guangdong) já são destinos populares para residentes de Macau, em especial para turistas que viajam em excursões. No sentido inverso, Fujian é descrita por Andy Wu também como uma significativa fonte de visitantes de Macau.

A nova ligação directa, que irá cortar uma hora de viagem, poderá levar o sector a criar novas rotas para Chaoshan e Fujian, potenciando o turismo nos dois sentidos, aponta Andy Wu.

Moradores alertam para perda de interesse em feiras e mercados de rua

Lei Chong In, membro da Associação dos Moradores, alertou a sociedade para o facto de vários mercados e feiras organizadas no território estarem a perder a capacidade para atrair pessoas e terem efeitos limitados. A questão foi abordada em declarações ao jornal Cheng Pou. Segundo Lei, após a pandemia, as feiras ou mercados de rua “proliferaram como cogumelos após a chuva”, promovidos pelo Governo e associações.

O objectivo das iniciativas é elogiado, uma vez que visa promover a economia nos bairros residenciais e o surgimento de mais pequenas e médias empresas. Contudo, as feiras estão agora numa encruzilhada, devido ao excesso de oferta e à perda de interesse da população num modelo cada vez mais repetido.

Lei Chong In aponta que este tipo de iniciativas sofre de dois problemas: por um lado, os mercados e feiras são todos muito idênticos, sem terem “características distintivas”; por outro, são eventos temporários sem continuidade, o que leva a que não contribuam para uma promoção da economia de forma sustentada.

Como parte do desenvolvimento não sustentado, o representante associativo explica ainda que o montante investido para montar barracas e tendas gera ganhos de curto prazo, mas que não se reflectem num período temporal mais longo.

Mais concorrência

Ao mesmo tempo, o vice-presidente da Associação de Mútuo Auxílio dos Moradores da Marginal alerta também que o sucesso destes mercados passa por desviar os clientes de outros espaços comerciais nas mesmas zonas, o que não expande a economia, antes aumenta a concorrência.

Para evitar um cenário de canibalização do mercado, Lei Chong In indica que é necessário escolher muito bem os objectivos de cada feira, e apurar se a meta é promover as pequenas e médias empresas existentes ou criar novos negócios para jovens empreendedores. Com base nesses objectivos, Lei defende a necessidade de os mercados adoptarem características específicas, para se distinguirem, sem prejudicar os outros negócios.

Jogo | Coutinho pede detalhes sobre atracção de jogadores estrangeiros

Pereira Coutinho pretende que o Governo divulgue dados sobre os incentivos fiscais concedidos às concessionárias de jogo para captarem jogadores estrangeiros. A medida faz parte do esforço de diversificação da principal indústria do território

O deputado José Pereira Coutinho pediu ao Governo para explicar como estão a ser aplicadas as reduções fiscais a concessionárias do jogo que consigam atrair mais jogadores estrangeiros. O pedido faz parte de uma interpelação escrita, que foi divulgada no portal da Assembleia Legislativa (AL).

No documento, Coutinho começa por recordar que a legislação permite ao Chefe do Executivo aprovar “reduções ou isenções às concessionárias para a exploração de jogos de fortuna ou azar em casino, no pagamento das contribuições provenientes das receitas brutas do jogo”.

A opção legislativa teve como objectivo encorajar as concessionárias do jogo a explorarem o mercado além dos jogadores do Interior da China. “Este benefício financeiro, que pode ascender a um valor correspondente a 5 por cento das receitas brutas, tem como uma das principais justificações de interesse público a expansão dos mercados de clientes de países estrangeiro, sendo uma questão estruturante e importante ao desenvolvimento de uma actividade pilar da economia da RAEM”, recorda o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM).

Todos no escuro

Todavia, cerca de três anos depois da entrada em vigor das concessões, o Executivo tem optado por não divulgar os dados sobre a “execução concreta” do regime de isenções fiscais. Por isso, a população desconhece se houve pedidos de isenção fiscal por parte das concessionárias, se, no caso de ter havido, foram aprovados e a proporção dos mesmos. “Tal facto gera sérias dúvidas sobre a efectividade da fiscalização, a integridade do processo e o real benefício público do incentivo financeiro concedido”, aponta Coutinho.

O deputado pretende assim que o Governo revele quantos pedidos foram apresentados em 2023 e 2024 e que indique os montantes envolvidos. O legislador pede igualmente que seja revelada a forma como a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) fiscaliza o “cumprimento dos planos de atracção de jogadores internacionais”, principalmente no que diz respeito à forma como é feita a prova que a vinda destes jogadores resultou do esforço das concessionárias e não de “factores genéricos e fortuitos”.

Finalmente, no caso de terem sido aprovadas isenções fiscais que podem chegar a cinco por cento, o deputado pretende que o Executivo explique os critérios aplicados para decidir a magnitude da isenção aprovada.

Automóveis | Vendedores admitem crise no sector

O presidente da Associação dos Importadores de Veículos Automóveis de Macau, Daniel Cheng Wing Yiu, afirmou que a “Década Dourada”, entre 2004 e 2014, chegou ao fim e que o mercado de venda de automóveis não vai regressar aos melhores tempos.

As declarações foram prestadas ao jornal Ou Mun por Daniel Cheng, quando confrontado com o facto de, entre Janeiro e Novembro, o número de novas viaturas matriculadas ter apresentado uma redução de 15,2 por cento, para 10.060 veículos. “No passado, a economia era boa, as pessoas mudavam de carro a cada três ou quatro anos.

Agora, as pessoas estão muito mais cautelosas e até a intenção de mudar de carro a cada dez anos está a desaparecer”, afirmou o dirigente associativo. Daniel Cheng Wing Yiu explicou que factores como os elevados custos de manutenção de um automóvel e as dificuldades de estacionamento fazem com que mais pessoas abdiquem de ter veículo próprio. Também as famílias que antes tinham dois veículos optam por manter apenas um.

Veículos eléctricos | Carregamentos mais baratos a partir de Fevereiro

O Executivo anunciou uma redução de 10 por cento no preço do carregamento dos veículos eléctricos. A medida entra em vigor a partir do próximo mês e é a segunda redução no espaço de dois anos

A partir do próximo mês, o carregamento das viaturas eléctricas vai ficar mais barato em cerca de 10 por cento, de acordo com a informação divulgada ontem pelo Governo. A redução dos preços foi aprovada através de um despacho do Chefe do Executivo, publicado no Boletim Oficial.

A medida foi justificada com a política nacional da “Dupla Meta de Carbono”, em que a China se compromete a aumentar o nível das emissões de carbono até 2030, altura em que se atinge o pico, e depois começa a evoluir no sentido da neutralidade de carbono, que deverá ser atingida em 2060. Contudo, um comunicado do Executivo indica que a redução dos preços também se integra nas políticas internas da RAEM, através do “aperfeiçoamento contínuo de um sistema que garanta a mobilidade verde”, promoção da utilização de veículos eléctricos, vontade de “ir de encontro às opiniões da sociedade” e no Plano de Promoção de Veículos Eléctricos em Macau.

À luz das mudanças anunciadas ontem, o carregamento com uma potência superior a 3,4 kW e até 7,4 kW vai passar a custar 1,94 patacas/kW se for feito no horário entre as 9h e as 20h. É uma redução de 9,8 por cento, face ao preço actual de 2,15 patacas/kW. Se o carregamento for efectuado no horário entre 20h e as 9h, o preço baixa para 1,28 patacas/kW, quando agora é de 1,42 patacas/kW, uma diferença de 9,9 por cento.

No caso de a potência ser superior a 7,4 kW e até 25 kW o preço vai ser reduzido em 10,1 por cento, para 2,68 patacas por kW, face às 2,98 patacas por kW de agora. Finalmente, nos carregamentos com uma potência de superior a 25 kW, mas inferior a 120 kW, o preço vai baixar 9,9 por cento, para 3,10 patacas por kW. Actualmente o preço para este tipo de carregamentos está fixado nas 3,44 patacas por kW.

Mais postos

Além da redução do preço, a segunda depois de o mesmo caminho ter sido adoptado em 2022, o Governo promete ir continuar a trabalhar para expandir a dimensão da rede de carregamentos.

“O Governo da RAEM irá continuar a aperfeiçoar as instalações de carregamento em conformidade com o Plano de Promoção de Veículos Eléctricos em Macau e aumentar, em tempo oportuno, o número de instalações de carregamento a velocidades e padrões diferentes e de instalações de troca de baterias nos parques de estacionamento públicos ou bairros que reúnam as condições adequadas para tal”, foi prometido. “Irá exortar a concessionária de energia eléctrica a optimizar a plataforma de gestão de carregamento de electricidade, garantindo a prestação de serviços de carregamento de elevada qualidade”, foi acrescentado.

Ensino superior | Académico destaca crescimento do sector em Macau

Em “Macau, redes, diálogos e afectos – A consolidação da comunidade lusófona de estudos da China”, o académico Pedro Steenhagen defende que Macau está a dar passos largos para ser uma ponte de ligação a nível académico com os países de língua portuguesa, apesar de “ter ainda um longo caminho para atingir as metas”

Acaba de ser editado na Revista Sinóptica, projecto editorial do portal Observa China, o artigo “Macau, redes, diálogos e afectos – A consolidação da comunidade lusófona de estudos da China”, da autoria do académico e doutorando Pedro Steenhagen. No artigo, destaca-se o papel que a RAEM pode ter na conexão do seu sistema de ensino superior com os países de língua portuguesa, e da importância crescente que tem tido nessa área.

“Os referidos esforços no campo da educação não ficam apenas na retórica”, descreveu no artigo, referindo que “em relativamente poucas décadas, a nação asiática tornou-se numa verdadeira potência na área”. Pedro Steenhagen baseia-se em dois rankings mundiais para avaliar a qualidade do ensino superior no mundo, nomeadamente o World University Rankings 2026 da Times Higher Education (de 2025), que mostra como “Macau, pequena região administrativa especial da China, possui três universidades ranqueadas: Universidade de Macau (145), Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (251-300) e Universidade da Cidade de Macau (601-800)”, sendo estes dados relativos às posições ocupadas no ranking.

“De maneira muito interessante, as universidades da RAEM têm experimentado um crescimento estrondoso; por exemplo, a Universidade de Macau teve um salto de mais de 250 posições no ranking nos últimos 10 anos”, destaca o autor do artigo. Na sua visão, estes dados traduzem-se no facto de a RAEM “assumir um papel de liderança cada vez mais relevante na área da educação e da pesquisa”.

Além disso, tem “a melhor universidade do mundo lusófono em seu território, experimenta uma intensa expansão do sector de educação e pesquisa e serve como eixo fundamental para o intercâmbio de pessoas e a promoção de conhecimento”.

Tendo em conta os rankings, o artigo de Pedro Steenhagen recorda que a China “possui cinco [universidades] no top 50 do mundo: Universidade Tsinghua (12), Universidade de Beijing (13), Universidade Fudan (36), Universidade de Zhejiang (39) e Universidade Shanghai Jiaotong (40)”, sendo que o ranking da Times Higher Education “mostra um total de 97 resultados para a China continental”.

O Brasil, na qualidade de “maior país de língua portuguesa do globo, possui um total de 59 resultados, e suas cinco melhores universidades são: Universidade de São Paulo (201-250), Universidade Estadual de Campinas (351-400), Universidade Federal do Rio de Janeiro (601-800), Universidade Estadual Paulista (601-800) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (601-800)”.

No caso de Portugal, há 16 resultados, com os cinco melhores estabelecimentos de ensino superior a serem a Universidade de Coimbra, Universidade de Lisboa, Universidade do Porto, Universidade Nova de Lisboa e ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa.

Olhando para os restantes países de língua portuguesa, Pedro Steenhagen destaca como “Moçambique possui apenas uma presença no ranking”, com a Universidade Eduardo Mondlane, enquanto que “nenhum outro país de língua portuguesa possui universidades ranqueadas”.

Um longo caminho

Apesar dos bons resultados, Pedro Steenhagen aponta que “a RAEM ainda tem um longo caminho para atingir todas as suas metas”. No entanto, “o seu enorme potencial como protagonista regional e global em áreas como tecnologia e inovação, turismo sustentável, indústria criativa, finanças e, particularmente, ensino, pesquisa e intercâmbio de pessoas já é bastante claro”.

No artigo académico é referida a “componente da Lusofonia e da conexão única com os PLPs [países de língua portuguesa] que acrescenta ainda mais dinamismo às suas ambições e a uma trajectória que já pode ser considerada incrivelmente bem-sucedida desde a sua retrocessão”, ou seja, a transição da administração portuguesa de Macau para a China, em 1999.

No caso da Universidade de Macau (UM), a primeira a surgir em Macau, e que está agora a comemorar 45 anos de existência, “possui o maior departamento de português da Ásia”, é destacado no artigo, além de ter “dois centros de pesquisa: o Centro de Investigação para Estudos Luso-Asiáticos e o Centro de Ensino e Formação Bilíngue Chinês-Português”, sendo “notável o seu crescente movimento de internacionalização”.

Pedro Steenhagen contabiliza os “programas de intercâmbio de estudantes com mais de 10 universidades brasileiras”, além do fortalecimento da “colaboração em ensino e pesquisa via alianças internacionais, como a Associação das Universidades de Língua Portuguesa, e estabelecido o Centro de Estudos Judiciários e Jurídicos da China e dos Países de Língua Oficial Portuguesa”.

É referido o exemplo da Universidade Cidade de Macau (UCM), onde está estabelecido o Instituto para Pesquisa sobre Países de Língua Portuguesa, com “programas únicos” de mestrado e doutoramento em Estudos de Países de Língua Portuguesa.

Ao estabelecer parcerias com o ISCTE-IUL, a UCM fica numa “posição na vanguarda de programas e de iniciativas académicas que vão além de questões puramente linguísticas e culturais” na conexão com os países de língua portuguesa.

Há ainda o exemplo de uma instituição de ensino superior privada, a Universidade de São José, que “firmou [acordos] por exemplo, com a Universidade Federal do Ceará e a Universidade Católica Portuguesa, não só para aproximação no âmbito bilateral, mas também para promover projectos conjuntos”.

O lugar do Governo

Pedro Steenhagen refere ainda a intervenção do Governo da RAEM na ligação ao mundo lusófono, nomeadamente da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico e do Centro de Incubação de Negócios para os Jovens de Macau, que realizaram o Concurso de Inovação e Empreendedorismo de Macau para as Empresas de Tecnologia do Brasil e de Portugal desde 2021.

Destaca-se o Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) em Lisboa e as Casas de Macau espalhadas pelo mundo que, “juntamente com iniciativas internacionais como o Encontro de Comunidades Macaenses, contribuem não só para a vitalidade dos intercâmbios intelectuais, mas também para o cultivo da memória e dos laços afetivos entre Macau, a diáspora, os descendentes e as comunidades lusófonas”.

“Associações como a Associação de Estudos Brasileiros em Macau e a Associação Industrial e Comercial de Macau oferecem substância, de maneira complementar às universidades e aos institutos de pesquisa, para o estreitamento de relações, o desenvolvimento de redes e a geração de diálogos cada vez mais frutíferos entre as partes envolvidas”, lê-se ainda.

Pedro Steenhagen é doutorando na área de Política Internacional na Escola de Relações Internacionais e Assuntos Públicos da Universidade Fudan, e presidente do Conselho de Cidadãos Brasileiros em Xangai. Na plataforma Observa China, é director de desenvolvimento e coordenador do Núcleo de Relações China-Brasil e Lusofonia. A plataforma é um think-tank criado em 2020 por “um grupo de jovens profissionais e estudantes com a missão de criar uma rede para qualificar o debate sobre a China em português”, lê-se no website.

Venezuela | Pequim manterá apoio independentemente da situação política

O Governo chinês reafirmou sexta-feira que, independentemente do que acontecer na Venezuela, o país asiático continuará a apoiar Caracas na defesa da sua soberania e segurança nacional. “A China continuará a apoiar firmemente a Venezuela na salvaguarda da sua soberania, dignidade e segurança nacional, independentemente de como evolua a situação política”, afirmou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning.

A porta-voz destacou que Pequim manteve uma comunicação e cooperação “sólidas” com o Governo venezuelano e que o país “está profundamente empenhado em aprofundar a cooperação prática e promover o desenvolvimento comum”. O país asiático, que tem mantido relações estreitas com Caracas nos últimos anos, condenou duramente a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e exigiu a libertação do expresidente Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, levados para Nova Iorque.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reuniuse na quinta-feira com o embaixador da China, Lan Hu, realçando a “posição firme e consequente da China ao condenar energicamente a grave violação do direito internacional e da soberania venezuelana”, segundo informações oficiais venezuelanas.

Fontes norteamericanas citadas pela cadeia televisiva ABC indicaram que a Administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou a Rodríguez que a Venezuela terá de pôr fim às suas relações com a China, Rússia, Irão e Cuba como condição para poder extrair e comercializar o seu petróleo.

Irão ameaça retaliar contra EUA e Israel em caso de ataque

O presidente do parlamento do Irão avisou ontem que os militares norte-americanos e Israel serão “alvos legítimos” em caso de ataque por parte de Washington, tal como ameaçou o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

Os comentários de Mohammad Bagher Qalibaf representam a primeira vez que Israel é incluído na lista de possíveis alvos de um ataque iraniano. Qalibaf, um elemento da ‘linha-dura’ iraniana que já concorreu à presidência no passado, fez a ameaça enquanto os deputados invadiam a tribuna do parlamento, gritando: “Morte à América!”

Durante a sessão do parlamento, transmitida em directo pela televisão estatal iraniana, Mohammad Qalibaf fez um discurso aplaudindo a polícia e a Guarda Revolucionária paramilitar do Irão, particularmente os seus voluntários Basij, por terem “permanecido firmes” durante os protestos realizados no país contra a teocracia iraniana. “O povo do Irão deve saber que lidaremos com eles da forma mais severa e puniremos aqueles que forem detidos”, disse.

Qalibaf prosseguiu ameaçando directamente Israel, referindo-se-lhe como “o território ocupado”, e também as forças armadas dos EUA: “No caso de um ataque ao Irão, tanto o território ocupado como todos os centros militares, bases e navios americanos na região serão nossos alvos legítimos”, afirmou, acrescentando: “Não nos consideramos limitados a reagir após a acção e agiremos com base em quaisquer sinais objectivos de ameaça”.

A seriedade das intenções do Irão em relação ao lançamento de um potencial ataque ainda não é clara, especialmente após o país ter ficado com as defesas aéreas destruídas durante a guerra de 12 dias em Junho com Israel. Qualquer decisão de entrar em guerra caberia ao líder supremo do Irão, o ‘Ayatollah’ Ali Khamenei, de 86 anos.

Morte na rua

As forças armadas dos EUA afirmaram no Médio Oriente que estão “posicionadas com forças que abrangem toda a gama de capacidade de combate para se defenderem, os parceiros e aliados e os interesses dos EUA”.

Entretanto, os protestos que desde há duas semanas decorrem no Irão que contestam o regime e que, segundo a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA, na sigla em inglês), já provocaram pelo menos 192mortos, levaram ontem manifestantes a inundar as ruas da capital e da segunda maior cidade do país.

O New York Times e o Wall Street Journal, citando funcionários anónimos dos EUA, disseram no sábado à noite que Trump recebeu opções militares para um ataque ao Irão, mas não tomou uma decisão final.

Presidenciais a quanto obrigas

Há mais de 50 anos o 25 de Abril concedeu-nos a felicidade de termos liberdade e eleições livres. Mais uma vez, estamos perante a vontade do povo em escolher um novo Presidente da República. As eleições presidenciais, a realizar no próximo dia 18, terão mais candidatos quase que as mães. São 11 candidatos, mas incompetente e absurdamente os boletins de voto irão patentear mais três candidatos que foram rejeitados pelo Tribunal Constitucional (Joana Beatriz Amaral Dias, Luís Ricardo Sousa e José António Cardoso). O eleitor terá de ter muita atenção ao não votar num candidato que não está em eleição. Os candidatos são, por ordem do boletim: André Pestana, Jorge Pinto, Manuel João Vieira, Catarina Martins, João Cotrim de Figueiredo, Humberto Correia, António José Seguro, Luís Marques Mendes, André Ventura, António Filipe e Henrique Gouveia e Melo.

Este conjunto de candidatos participaram nos mais díspares e desinteressantes debates televisivos. Alguns dos debates mais pareceram discussões para eleições legislativas, quando os poderes de um Presidente da República são absolutamente diferentes e ínfimos relativamente aos temas que os candidatos debateram. Assistiu-se a debates de lavagem de roupa suja e de insultos. No último debate até o povinho ficou atónito ao ver e ouvir a discussão entre Gouveia e Melo e Marques Mendes, dois candidatos suspeitos de intermediação de interesses (Marques Mendes) e de ajustes directos (Gouveia e Melo. Foi, na verdade, um espectáculo triste que em nada beneficiou os próprios candidatos e a dignidade que deve ser obrigada ao comportamento de um futuro chefe de Estado. Ai, presidenciais a quanto obrigas. Agora, os candidatos andam a gastar os últimos cartuxos pelo país fora. E vale tudo. Beijinhos, abraços, mercados, ofertas de brindes e visitas a feiras na caça ao voto mesmo que seja em zonas que lhes são hostis. Como tem sido o caso do candidato André Ventura, que por onde passa e existam comunidades ciganas, apenas ouve insulto, alguns bem merecidos porque este candidato tem levado a efeito uma política de agressividade a todos os ciganos, os quais vivem em Portugal há muito mais tempo do que a idade de Ventura.

A campanha de rua não tem tido grande sucesso. Umas dezenas de pessoas a aderir às marchas propagandistas pelas urbes. Alguns candidatos, como Marques Mendes, têm realizado comícios à porta fechada arrebanhando os militantes do partido a que pertencem. No caso concreto de Marques Mendes tivemos algo que caiu muito mal no seio do próprio PSD. O facto de Luís Montenegro ter ido a um desses comícios apelar ao voto em Marques Mendes. Ficou-lhe muito mal, porque esqueceu-se que a sua posição de primeiro-ministro devia levá-lo a uma contenção partidária em tempo de campanha eleitoral generalizada. Enfim, em campanha eleitoral vale mesmo tudo e os candidatos não perdem oportunidades para denegrirem os seus adversários sempre com linguagem imprópria para consumo. A grande surpresa da campanha eleitoral tem recaído nos candidatos Cotrim de Figueiredo, António José Seguro e Catarina Martins. Estes, têm apresentado uma linguagem de estadistas, de seriedade e de confiança no futuro em benefício da vida dos portugueses, manifestando sempre que se forem eleitos que a cooperação com o Executivo será uma realidade, mas de criticismo e de apresentação de propostas para uma melhor governação. Não foi por acaso que se assistiu à subida nas sondagens destes três candidatos.

Muitos democratas de esquerda indicam nas redes sociais que se António Filipe, Jorge Pinto e Catarina Martins desistissem a favor de Seguro, que a vitória do socialista seria garantida. No entanto, é preciso lembrar que se um cidadão resolveu candidatar-se ao cargo de chefe da Nação, foi porque entendeu que, assim, a sua consciência o decidira e não tem nada que desistir, mas sim, continuar até ao dia 17 deste mês a manifestar as suas convicções e propostas.

Estas eleições presidenciais apresentam um quadro previsível de empate técnico entre Seguro, Ventura, Melo, Figueiredo e Mendes. Tudo indica que haverá uma segunda volta de eleições em Fevereiro com o resultado dos dois primeiros a recair entre os cinco candidatos mencionados. No entanto, em cerca de 100 telefonemas e mensagens que enviámos a pessoas do nosso conhecimento, o resultado deu-nos em primeiro lugar Gouveia e Melo e António José Seguro em segundo. Assim, seriam estes dois candidatos que iriam disputar a segunda volta.

O importante é que Portugal continua em regime democrático e que estamos perante mais um acto eleitoral em liberdade, quando se têm ouvido vozes que promovem um regresso ao neofascismo. Daqui a uma semana já saberemos quem foi o vencedor das eleições e quem, em princípio, irá disputar a segunda volta. Votem bem!

Fortaleza do Monte | Exposição celebra restauro das Grutas de Mogao

A partir da próxima sexta-feira, dia 16, será possível conhecer melhor as Grutas de Mogao, em Dunhuang, China, classificadas pela UNESCO e que, nos últimos cem anos têm sido alvo de sucessivas acções de restauro, tendo em conta a importância do seu património arquitectural, cultural e histórico. A “Exposição do Centenário do Restauro das Grutas de Dunhuang” estará disponível na galeria da Fortaleza do Monte

A galeria da Fortaleza do Monte acolhe, a partir de sexta-feira, dia 16, uma exposição sobre um dos grandes monumentos da China, classificado pela UNESCO. Trata-se da “Exposição do Centenário do Restauro das Grutas de Dunhuang”, mais concretamente as Grutas de Mogao. A mostra conta com apoio do Instituto Cultural (IC) e a organização da Associação dos Estudos do Património de Macau e Associação de Amigos da Cultura de Dunhuang de Macau. A inauguração acontece a partir das 18h30.

Segundo uma nota divulgada nas redes sociais pela Associação dos Estudos do Património de Macau, esta mostra pretende apresentar ao público “o trabalho de protecção das grutas de Dunhuang ao longo dos últimos cem anos, um dos únicos dois sítios, a nível mundial, que cumpre todos os seis critérios do Património Cultural Mundial [por parte da UNESCO], sendo também o maior e mais bem preservado santuário de arte budista em grutas existente no mundo”.

Segundo a mesma nota, “desde a sua descoberta que as Grutas de Mogao têm recebido grande atenção do público, sendo que, ao longo de mais de um século, têm sido feitos diversos esforços para a protecção deste precioso património”. Actualmente, segundo a associação, “a conservação das Grutas de Mogao tornou-se um modelo exemplar de protecção de património cultural, servindo de referência para a aprendizagem e salvaguarda conjunta do nosso património cultural”.

Grande tesouro

Segundo o portal da UNESCO, as Grutas de Mogao situam-se “num ponto estratégico ao longo da Rota da Seda, no cruzamento de influências comerciais, religiosas, culturais e intelectuais”, contendo 492 celas e santuários, bem como esculturas e pinturas murais, “que abrangem mil anos de arte budista”.

“Esculpidas nas falésias acima do rio Dachuan, a sudeste do oásis de Dunhuang, na província de Gansu, as Grutas de Mogao constituem o maior, mais ricamente dotado e mais longamente utilizado tesouro de arte budista do mundo. A sua construção teve início em 366 d.c., representando uma realização extraordinária da arte budista entre os séculos IV e XIV. Actualmente, estão preservadas 492 grutas, que albergam cerca de 45.000 metros quadrados de murais e mais de 2.000 esculturas pintadas”, descreve ainda a UNESCO.

Trata-se de um conjunto de património que testemunha “a evolução da arte budista no noroeste da China”, possuindo “um valor histórico incomparável”. Para a UNESCO, as Grutas de Mogao “fornecem abundante material visual sobre diversos aspectos da política, economia, cultura, artes, religião, relações étnicas e vestuário quotidiano da China medieval ocidental”.

As Grutas de Mogao foram descobertas em 1900, e incluem uma zona de biblioteca e “dezenas de milhares de manuscritos e relíquias”, sendo descritas como “a maior descoberta mundial da cultura oriental antiga”.

Um dos seis critérios referidos pela Associação dos Estudos do Património de Macau prende-se com o facto de “o conjunto de Grutas de Mogao representar uma realização artística única, tanto pela organização do espaço em 492 grutas distribuídas por cinco níveis, como pela criação de mais de 2.000 esculturas pintadas e cerca de 45.000 metros quadrados de murais, entre os quais se encontram numerosas obras-primas da arte chinesa”, aponta a UNESCO.

Outro critério, diz respeito a uma questão histórica, nomeadamente o facto de “durante mil anos, desde o período da dinastia Wei do Norte (386–534) até à dinastia Yuan de domínio mongol (1276–1386), as Grutas de Mogao terem desempenhado um papel decisivo nas trocas artísticas entre a China, a Ásia Central e a Índia”.

Além disso, existe um terceiro critério, relacionado com as pinturas das grutas, que “constituem um testemunho excepcional das civilizações da China antiga durante as dinastias Sui, Tang e Song”. Já um quarto critério, está ligado às “Grutas dos Mil Budas”, que constituem “um exemplo notável de santuário de arte rupestre budista”.

O quinto critério diz respeito à ocupação das grutas por parte de monges budistas “desde o final do século XIX até 1930”, sendo que o “conjunto de arte rupestre de Mogao, administrado pelo Instituto de Investigação de Relíquias Culturais de Dunhuang, preserva o exemplo de um assentamento monástico tradicional”.

O sexto e último critério da UNESCO para esta classificação, passa pela questão de as grutas estarem “fortemente associadas à história das relações transcontinentais e à disseminação do budismo por toda a Ásia”.

“Durante séculos, o oásis de Dunhuang, próximo da bifurcação dos dois ramos da Rota da Seda, beneficiou do estatuto de estação de passagem onde se trocavam não apenas mercadorias, mas também ideias, como demonstram os manuscritos chineses, tibetanos, sogdianos, de Khotan, uigures e até hebraicos encontrados nas grutas”, é descrito.

Líder do Japão pondera dissolver parlamento e convocar eleições, revela imprensa

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, está a considerar dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas, já em Janeiro, avançou a imprensa japonesa.

De acordo com a agência de notícias nipónica Kyodo, que cita fontes próximas das discussões, a dissolução poderá ocorrer no início da sessão ordinária da Dieta (o parlamento japonês), que começa a 23 de Janeiro. Caso o parlamento seja dissolvido, a campanha para as eleições gerais poderá começar já a 27 de Janeiro ou 03 de Fevereiro, ficando a votação marcada para 08 ou 15 de Fevereiro, dependendo de quando a campanha começar.

De acordo com o jornal japonês Yomiuri Shimbun, que cita as mesmas datas, Takaichi pondera dissolver a Dieta devido às elevadas taxas de aprovação de que o Governo tem gozado desde que assumiu o poder, em Outubro, após a demissão do seu antecessor, Shigeru Ishiba, como chefe do Governo e líder do partido no poder no Japão.

Devido a uma série de resultados eleitorais desfavoráveis, o Partido Liberal Democrático de Takaichi e os parceiros de coligação detêm uma pequena maioria de um lugar na Câmara dos Representantes (a mais importante das duas câmaras da Dieta) e estão em minoria na Câmara dos Conselheiros. Até à data, Takaichi tem rejeitado consistentemente a possibilidade de convocar eleições antecipadas, sublinhando, em vez disso, a importância de aprovar medidas para lidar com o impacto para as famílias da inflação persistente e dos salários estagnados.

Tensão regional

O Governo da primeira-ministra tem elevadas taxas de aprovação apesar do agravamento das tensões entre Tóquio e Pequim. Na quarta-feira, a China anunciou um veto à exportação de produtos de uso dual para o Japão, medida que pode incluir certos elementos de terras raras, essenciais para a fabricação de componentes para alta tecnologia.

Isto após, em Novembro, a primeira-ministra ter admitido, no parlamento japonês, uma eventual resposta militar do Japão a um ataque chinês contra Taiwan. Sanae Takaichi afirmou que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”.

Taiwan | Etiópia e reafirma apoio ao princípio de ‘Uma Só China’

O Governo da Etiópia rejeitou sexta-feira “toda a forma de independência de Taiwan” e reafirmou o seu apoio ao princípio de “uma só China”, considerando a ilha uma província do território chinês.

A posição foi expressa num comunicado conjunto após um encontro em Adis Abeba entre o ministro dos Negócios Estrangeiros da Etiópia, Gedion Timothewos, e o homólogo chinês, Wang Yi, que se encontra de visita ao continente africano.

“A Etiópia reafirma o seu firme compromisso com o princípio de ‘uma só China’ e declara que só existe uma China no mundo, que Taiwan é parte inalienável do território chinês e que o Governo da República Popular da China é o único Governo legal que representa toda a China”, lê-se na nota oficial.

Ambas as partes sublinharam ainda que “todos os países devem respeitar os princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas e no direito internacional, respeitar a soberania e a integridade territorial dos Estados e opor-se à utilização ou ameaça do uso da força nas relações internacionais”.

BRICS+ | Navios da China, Rússia, Irão e África do Sul em exercício militar

Desde sexta-feira, que a frota naval com navios de países dos BRICS participa na operação “Vontade de Paz 2026” em território sul-africano

Navios da China, Rússia e Irão juntaram-se à anfitriã África do Sul onde iniciaram sexta-feira um exercício militar, em que participam ainda outros países do grupo BRICS+, elevando as tensões geopolíticas com os Estados Unidos.

Segundo o exército sul-africano, esta operação, baptizada de “Vontade de Paz 2026” e conduzida pela China, visa “garantir a segurança do transporte marítimo” e “aprofundar a cooperação” entre os membros do bloco, estando previsto que os exercícios decorram até 16 de Janeiro.

A frota naval, que conta com navios chineses, russos e iranianos, inclui o contratorpedeiro chinês Tangshan, de 161 metros de comprimento, e com a previsão de envio de navios pelos Emirados Árabes Unidos (EAU), enquanto países como o Brasil, Indonésia e Etiópia participam na qualidade de observadores.

Um porta-voz das forças armadas sul-africanas afirmou que não era possível confirmar todos os países participantes, como a Índia, Egipto e Arábia Saudita, nos exercícios.

O Ministério da Defesa da África do Sul salientou que este exercício naval “não tem nada a ver com a Venezuela”, descartando qualquer ligação com as apreensões de navios ao largo do país da América Latina, que Washington começou em Dezembro, antes de destituir o chefe de Estado venezuelano, Nicolas Maduro.

“Este exercício estava em preparação desde 2025 e foi adiado devido à cimeira do G20 que se realizou no mesmo período” em Joanesburgo, África do Sul, acrescentou. Uma tentativa de apaziguamento sem efeito sobre os Estados Unidos, que boicotaram esta primeira cimeira do grupo dos 20 países mais desenvolvidos realizada em África.

Donald não gosta

O bloco de países emergentes que são os Brics+ foi acusado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, de conduzir políticas “antiamericanas”.

Em Fevereiro, Trump, afirmou, num decreto, que a África do Sul apoia “maus actores no cenário mundial” e destacou as suas relações com o Irão como uma das razões para os EUA cortarem o financiamento ao país.

De acordo com o investigador do Instituto de Estudos de Segurança de Pretória Priyal Singh, “Washington tem Pretória na mira desde o início da actual administração Trump” e “a imagem veiculada pelos próximos exercícios navais provavelmente será usada pelos decisores políticos em Washington como um exemplo perfeito para mostrar por que as relações bilaterais com a África do Sul devem ser revistas”.

A África do Sul há muito afirma seguir uma política externa não alinhada e permanecer neutra, mas a presença russa no extremo sul do continente africano já prejudicou as suas relações com os EUA anteriormente. Estes exercícios navais devem acrescentar ainda mais tensão as relações entre os EUA e a África do Sul, que é a economia mais avançada da África e uma voz de liderança no continente.

A complexidade do evento é ainda reforçada pela participação da marinha iraniana num período de crescente instabilidade interna e protestos contra a liderança da República Islâmica no país. Os membros do grupo BRICS são o Brasil, China, Rússia, Índia e a África do Sul, membros de longa data, enquanto o Irão, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos aderiram ao grupo em 2024.