Diplomacia | MNE defende que China e Europa “devem ser amigos”

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, defendeu que “China e Europa devem ser amigas, não rivais, e cooperar, não confrontar-se”, durante um périplo pela Europa, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

De acordo com o porta-voz da diplomacia chinesa Lin Jian, Wang expressou durante o périplo, que incluiu paragens na Áustria, Eslovénia e Polónia, o desejo de que estes países “contribuam para o desenvolvimento saudável e estável das relações entre a China e a União Europeia”, numa altura em que Pequim tenta reforçar os laços com o bloco europeu, face ao agravamento das tensões com os Estados Unidos.

Durante a viagem, que decorreu entre sexta-feira e ontem, Wang criticou “a hegemonia unilateral” num contexto internacional “turbulento e complexo”, numa alusão indirecta a Washington. Em resposta, os líderes dos três países visitados manifestaram apoio ao multilateralismo, à autoridade das Nações Unidas e ao reforço da paz e do desenvolvimento globais, afirmou o porta-voz.

A guerra na Ucrânia foi um dos temas centrais da agenda. Em Viena, a ministra austríaca Beate Meinl-Reisinger apelou a Pequim para exercer a sua influência sobre Moscovo no sentido de pôr fim à invasão, reiterando a disponibilidade da Áustria para acolher futuras negociações.

Em Liubliana, a ministra eslovena dos Negócios Estrangeiros, Tanja Fajon, apelou à China para ajudar a alcançar uma paz “justa e duradoura”, enquanto em Varsóvia, as autoridades polacas pediram medidas contra as “acções destrutivas da Rússia” e as provocações por parte da Bielorrússia.

Comércio | DiDi investirá 320 ME na sua filial de entregas no Brasil

O grupo chinês DiDi vai investir dois mil milhões de reais (320 milhões de euros) na expansão da plataforma de entregas 99Food no Brasil, anunciou ontem a Presidência brasileira. A aplicação, que visa competir com a brasileira iFood e a colombiana Rappi, já opera em São Paulo (sudeste) e Goiânia (centro-oeste).

Com o novo investimento, a empresa pretende estender os serviços a pelo menos 15 capitais regionais até ao final de 2025 e atingir 20 até Janeiro de 2026, informou o grupo, após uma reunião entre o presidente da DiDi, Will Cheng Wei, e o chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o comunicado, os fundos servirão também para apoiar a criação de infra-estruturas para estafetas, com pelo menos 50 milhões de reais (oito milhões de euros) destinados à construção de postos físicos em várias cidades, com casas de banho, locais de descanso, carregadores de telemóveis e fornecimento de água. Está igualmente previsto um programa de crédito para a compra ou aluguer de motas eléctricas das empresas Galgo, Riba e Vammo, que poderá beneficiar até 600 mil estafetas ao longo de cinco anos.

O montante total deste programa, de até seis mil milhões de reais (967 milhões de euros), não está incluído no investimento de dois mil milhões de reais anunciado.

A DiDi também assinará uma parceria com o fabricante chinês de motas eléctricas Yadea, que possui uma fábrica em Manaus (norte), para produzir veículos a serem oferecidos em condições preferenciais aos entregadores da 99Food. “Esse investimento reforça o papel central do Brasil na estratégia global da DiDi. Poucos mercados combinam escala, inovação e oportunidades como o brasileiro”, declarou Cheng, citado no comunicado.

O mercado de entregas por aplicação no Brasil é atualmente dominado pela iFood, com cerca de 50 milhões de utilizadores, enquanto a Rappi afirma contar com 20 milhões.

Soberania | China acusa Manila após incidente em recife disputado

A China acusou ontem as Filipinas de “violar gravemente” a sua soberania, após a Guarda Costeira chinesa afirmar ter tomado “medidas de controlo” contra embarcações filipinas que alegadamente realizavam actividades “ilegais” nas imediações do recife disputado de Scarborough

“As Filipinas enviaram vários navios governamentais para invadir as águas territoriais da ilha Huangyan [nome dado pela China ao recife], infringindo gravemente a soberania, os direitos e os interesses da China, além de minar a paz e a estabilidade marítimas”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, em conferência de imprensa. Segundo Lin, as acções adoptadas por Pequim para proteger a sua soberania territorial e os seus direitos marítimos “são legítimas e irrepreensíveis”.

“As provocações deliberadas de Manila são a principal causa da actual tensão”, disse, instando as Filipinas a cessarem de imediato as “violações” e a não subestimarem “a firme determinação da China em defender os seus interesses legítimos”.

A Guarda Costeira chinesa indicou que mais de dez navios filipinos entraram no recife “a partir de diferentes direcções”. Em resposta, foram emitidas advertências por rádio, realizados controlos de rota e utilizadas mangueiras de água.

Um dos navios filipinos, identificado como 3014, “ignorou repetidas advertências” e colidiu “de forma deliberada e perigosa” com uma embarcação chinesa em missão de patrulha, afirmou o porta-voz Gan Yu, culpando Manila pelo incidente.

Ir mais além

O recife de Scarborough – conhecido nas Filipinas como Bajo de Masinloc – está sob controlo chinês desde 2012 e é um dos principais focos de fricção entre os dois países. Manila protestou recentemente contra o plano de Pequim de declarar a área como reserva natural, alegando que se encontra na sua zona económica exclusiva. O recife fica a cerca de 220 quilómetros da costa ocidental de Luzon, nas Filipinas, e a cerca de 850 quilómetros de Hainan, a ilha chinesa mais próxima.

A China reivindica quase a totalidade do mar do Sul da China, uma via estratégica por onde circula cerca de 30 por cento do comércio marítimo global, rica em recursos pesqueiros e com potencial de exploração energética, apesar das reivindicações sobrepostas de outros países, como Filipinas, Vietname ou Malásia.

Musas, ninfas, beldades chinesas – O erotismo suave na poesia de Yuan Mei

Texto e Tradução António Graça de Abreu

Escrevendo sobre as ninfas e musas de Luís de Camões (ai, a Dinamene chinesa de Camões!), recordava recentemente o meu Amigo e editor Manuel S. Fonseca: “Quem são as Musas (de Os Lusíadas) : serão umas vinte Angelina Jolies ou Scarlett Johanssons a soprar doçuras ao ouvido de Camões?”

Duzentos anos pós Camões, musas, ninfas, beldades chinesas, esposas e concubinas, o erotismo suave na poesia de um excepcional poeta do século XVIII, Yuan Mei (1716–1797) por mim agora traduzido.

洞房花烛夜

洞房花烛夜

春色满罗裳

卸尽金钗影

酥胸映粉光

Velas e flores no Pavilhão Nupcial

No pavilhão das núpcias,

a luz das velas entre as flores.

Abre o roupão de seda, esvoaça a Primavera.

Caem-lhe os alfinetes dourados do cabelo,

reflexos de luz nos peitos macios,

a pele, alva e fresca como neve.

Logo em 1515, na sua Suma Oriental, o leiriense Tomé Pires falava assim das mulheres chinesas: “Lançam nos cabelos muitos pregos de ouro (…) São da nossa alvura e têm os olhos pequenos e outras grandes. E narizes como hão de ser.”

戏作

花下双双对月眠
香肌滑似水中莲
忽惊纤手遮灯去
只恐旁人见少年

Escrito a brincar

Sob as flores,

somos um par adormecendo ao luar,

sua pele perfumada,

lisa como pétalas de lótus.

De repente, assustada,

sua mão apaga a candeia, delicada,

receia que alguém

descubra o belo jovem a seu lado.

早起

晓色窗前未照衣,
云鬟松卸玉钗垂。
枕痕犹带香肌暖,
笑说梦中人是谁。

Amanhecer

A luz da aurora não chegou ainda às suas vestes,
dos cabelos desfeitos, como nuvens, cai um alfinete de jade.
A almofada guarda o calor da sua pele perfumada,
e ela questiona: “Quem era o homem do meu sonho?”

浴罢罗衣湿

浴罢罗衣湿

香肩点点凉
轻移莲步处

暗解玉环香

Humedecida, perfumada

Após o banho, húmida como seda,

perfumes ondulando nos seus ombros,

a frescura do corpo.

Ela vem com passinhos de lótus,

pouco a pouco,

desenlaçando o cinto de jade.

春衫慢解

笑解春衫慢

花裙堕地香
红云笼雪体

半醉倚东墙

As roupas caem como pétalas

Sorri, desata as roupas da Primavera,

a saia florida cai,

perfumes esvoaçam no ar.

Nuvens rubras

pairam num corpo de neve.

Ébria, encostada à muralha do leste.

O bom dominicano Frei Gaspar da Cruz, no seu Tratado das Cousas da China, cap. XV, publicado em 1569, escreveu: “As mulheres, tirando as do longo do mar e dos montes, são muito alvas e gentis.”

舟中

两桨摇来浪拍船
罗衣湿透笑相看
纤腰一捻犹轻去
怕破芙蓉出水难

Na barca

Duas fortes remadas,

as ondas batendo no casco da barca,

encharcado o seu vestido de seda,

um sorriso de encantar.

A cinturinha baloiça,

cuidado para não cair,

seria mais uma flor de lótus

brotando das águas.

春夜

春夜灯前欲语迟
罗衫半解不胜时
忽闻邻笛吹杨柳
羞掩香腮笑问谁

Noite de primavera

Noite de primavera,

à luz da candeia,

que posso eu dizer?

Entreaberto o roupão de seda,

tão leve, tão frágil.

Voando sobre os salgueiros,

chega o som de uma flauta,

tímida, ela esconde o rosto perfumado.

赠美人

自从君去后
床上两三人
花气薰残梦
灯光照笑痕

Para uma beldade

Partiste para incerto lugar,

desde então, duas ou três no meu leito.
O perfume das flores,

ébrios meus sonhos tardios.

O bruxulear do fogo na candeia

acompanha o meu sorriso.

Como diz o mexicano Octavio Paz (1914-1998), prémio Nobel da Literatura, numa sua raríssima recordação de um ménage à trois, “na cama, eram apenas três: ela, ele e a lua.”

夜归

夜色沉沉月半圆

归来犹带酒中欢
香肩扶上罗帏去

不记灯前笑语繁

De regresso, à noite

Avança o silêncio da noite,

a lua meio cheia,

regresso animado pelo vinho que bebi.

Apoio-me nos perfumes do seu ombro,

conduzo-a até às cobertas de seda,

eclipsam-se palavras, risos à luz da candeia.

午睡

午梦初回枕上春
香肩斜倚小罗裙
不知花外莺啼处
唤醒鸳鸯不许闻

Sesta da tarde

A sesta da tarde, o sonho,

o canto da Primavera na almofada, no leito.

Seus ombros perfumados,

ainda a sua saia de seda fina.

Entre as flores, o chilrear de um rouxinol,

em silêncio os patos mandarim.

池上

柳丝低拂小金船
水面红莲照晚天

谁道风流多惹事
鸳鸯并浴最缠绵

No lago

Folhas de salgueiro

acariciam o pequeno barco dourado,

no lago, lótus vermelhos espelham o céu.

O amor oscila ao sol do entardecer.

a ternura dos patos mandarins,

um banho na limpidez das águas.

花影

花影摇窗月半明
香房小坐话前情
低声怕惊帘外燕
偷将纤手入罗缨

A sombra de flores

A janela escondida na sombra das flores,

um leve luar ilumina a noite.

Deitados no quarto perfumado,

falamos de amores do passado,
em voz baixa, para não assustar as andorinhas.
Desvio a sua mão delicada para dentro do cordão de seda.

夜饮

灯下佳人笑语频
酒香微暖入罗巾
拥衾不觉鸡声起
窗外桃花又一春

Bebendo à noite

À luz da almotolia,

a beldade não pára de rir, de falar,
os odores do vinho humedecem o seu lenço bordado.
Abraçados sob as cobertas de seda,

nem ouvimos o cantar dos galos.

Pêssegos em flor anunciam mais uma Primavera.

O quarto vazio

Adoeci o ano passado durante as chuvas do Outono,

tomaste conta de mim durante dois meses,

exausta, dia e noite à luz da candeia.

Sopraram ventos do oeste, recuperei a saúde,

mas silenciosos os teus alfinetes de jade,

triste o quarto vazio, a janela para sempre fechada.

No ano de 1754, Yuan Mei adoeceu com malária. A concubina Tao, que o poeta muito estimava, cuidou dele com enorme dedicação. Faleceu no ano seguinte, subitamente, com 29 anos de idade. Yuan Mei escreveu então seis poemas breves em sua memória, um deles este último aqui traduzido.

Jorge Paiva reúne em livro 100 plantas mencionados na obra épica de Camões

Cerca de 100 plantas de vários continentes mencionadas por Camões na sua obra levaram o botânico Jorge Paiva a reconstituir em livro, disponível desde ontem, as viagens realizadas pelo poeta, no século XVI, entre Lisboa e o Extremo Oriente.

Luís de Camões estudou primeiro em Coimbra, de cuja Universidade Jorge Paiva é professor jubilado, antes de partir para Norte de África, Ilha de Moçambique, Goa e Macau, período que parcialmente coincide com a saga dos navegadores portugueses, algumas décadas depois de a armada de Vasco da Gama chegar à Índia, em 1498.

“Como ‘Os Lusíadas’ foram escritos, quase na sua totalidade, no Oriente e centrados nos Descobrimentos, grande parte das plantas referidas neste poema são asiáticas, particularmente especiarias e medicinais”, explica o cientista.

O livro “As plantas na obra poética de Camões”, resultado de uma investigação de vários anos, “vai ser disponibilizado em acesso aberto no ‘site’ da Imprensa da Universidade de Coimbra (IUC)”, disse à agência Lusa a directora da instituição, Carlota Simões.

No estudo, com 166 páginas, o biólogo afirma, por outro lado, que na lírica de Camões, “maioritariamente escrita em Portugal e centrada no amor e paixão, as plantas referidas são, quase na totalidade, europeias, mediterrânicas e, geralmente, utilizadas pelos poetas desde a Antiguidade Clássica”.

“Algumas expedições botânicas em que participei [um pouco por todo o mundo] coincidiram com algumas das regiões por onde Camões andou ou alude nos seus poemas”, esclarece.

Estando a decorrer as comemorações oficiais dos 500 anos do nascimento do criador de “Os Lusíadas”, que tem como comissário o camonista José Augusto Bernardes, da Universidade de Coimbra, a edição do trabalho de Jorge Paiva está prevista no programa desde o início.

“Na época em que Camões viveu, as plantas mais conhecidas e citadas na literatura eram mais as plantas medicinais do que as alimentares e, na poesia, as ornamentais ou com relevância mitológica”, escreve.

60 plantas na obra épica

Em “Os Lusíadas”, segundo o ambientalista, são referidas cerca de 60 plantas, “muitas asiáticas e aromáticas”, ao passo que na obra lírica surgem “muito menos espécies”, à volta de 40, sobretudo “europeias, campestres ou ornamentais”.

“Camões conhecia bem as plantas medicinais asiáticas utilizadas por Garcia de Orta, não só através da leitura dos ‘Colóquios [dos Simples e Drogas da Índia’], como também por as observar vivas na natureza. Além disso, (…) conhecia certamente o horto de Garcia de Orta, em Goa”, admite.

O investigador, nascido em Angola, em 1933, adianta que, “durante a sua estada na Ásia, particularmente em Goa, Camões, além dos conhecimentos botânicos e de fitoterapia conseguidos através do convívio com Garcia de Orta, seguramente teve oportunidade de convívios culturais com portugueses ilustres e cultos” que na altura residiam na colónia, anexada pela União Indiana, em 1961.

Em “As plantas na obra poética de Camões”, Jorge Paiva também interpreta referências a árvores, ervas e flores originárias de terras que o poeta-soldado nunca visitou, como o Brasil e Timor.
“Os portugueses quando viram o pau vermelho asiático, chamaram-lhe também pau-brasil, mas trata-se da madeira de uma árvore das florestas tropicais da Ásia Oriental”, exemplifica.

Cinema | Festival de curtas marca regresso de João Pedro Rodrigues e Rui Guerra da Mata

Os realizadores João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata marcam presença amanhã na segunda edição do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Macau, que vai exibir obras como “Mahjong” e “Iec Long”. Mas há espaço na programação para histórias fora do contexto asiático, como “Turdus Merula, Linnaeus, 1758” e “Manhã de Santo António”

 

A dupla de realizadores portugueses João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata está de regresso a Macau para mostrar, amanhã, um conjunto de curtas-metragens realizadas sobre o território ou a cultura chinesa. A iniciativa integra-se na programação do 2º Festival Internacional de Curtas-Metragens de Macau e traz ao público local filmes mais antigos como “Mahjong”, “Iec Long”, “Turdus Merula Linnaeus,1758” e “Manhã de Santo António”.

Além disso, a dupla de realizadores participa numa conferência com moderação de Sung Moon, programadora do Jeonju International Film Festival, subordinada ao tema “From Shorts to Features: The Artistic Journey”, onde se falará do percurso artístico dos dois.

Nas redes sociais, a dupla disse “estar muito honrada com o convite e feliz por voltar a Macau”, tendo feito parte, por exemplo, do rol de convidados do Festival Literário Rota das Letras. Além disso, o realizador João Rui Guerra da Mata já residiu em Macau.

“Mahjong” é uma curta-metragem com referências à cultura chinesa, neste caso o tradicional jogo que dá título à obra, mas que foi filmada em Varziela, Vila do Conde, na zona norte de Portugal, onde reside uma importante comunidade chinesa de comerciantes. Varziela é tida como a maior “Chinatown” de Portugal.

Neste filme, vemos um homem de chapéu e uma mulher desaparecida, bem como um sapato de salto alto, uma peruca loira e um vestido chinês. Dá-se “o confronto entre o Vento Leste e o Dragão Vermelho”, em que “os pontos cardeais são trocados como num derradeiro jogo de Mahjong”.

O filme, feito em 2013 e com 35 minutos, contou com 45 selecções em festivais, 59 exibições e um total de 4.440 espectadores.

“Iec Long”, de 2014, remete para a tradicional indústria de produção de panchões. Na sinopse do filme, lê-se que “foi em Macau que primeiro se ouviu a palavra panchão”, que vem do chinês “pan-tcheong” ou “pau-tcheong” e que está nos dicionários “como um regionalismo macaense também chamado ‘estalo da China’ ou ‘foguete chinês'”. O filme questiona “quem vive na antiga Fábrica de Panchões Iec Long”, isto numa altura em que o espaço não tinha sido alvo de renovação. Hoje, com o investimento do Instituto Cultural, a antiga Fábrica de Panchões Iec Long, na Taipa Velha, tornou-se num espaço cultural aberto ao público.

Amores e desamores

Outro filme escolhido para a exibição de amanhã, “Manhã de Santo António”, afasta-se deste cenário específico de Macau e da sua cultura, focando-se nos festejos do Santo António. Segundo a sinopse, “manda a tradição que no dia 13 de Junho, dia de Santo António, o padroeiro de Lisboa, os namorados ofereçam vasos de manjericos enfeitados com cravos de papel e bandeirolas com quadras populares como prova do seu amor”. É em torno dessas ideias e tradições que gira o filme.

Numa perspectiva completamente diferente apresenta-se “Turdus Merula Linnaeus, 1758”, outro filme com realização de João Pedro Rodrigues e de João Rui Guerra da Mata. Trata-se de um filme de 2020 feito a convite da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, no âmbito do projecto “Sala de Projecção”. O filme “literaliza o olhar do realizador após a longa-metragem imediatamente precedente, ‘O Ornitólogo'”, feita em 2016, e que “de forma muito objectiva, é um filme observador de pássaros”.

“Turdus Merula Linnaeus, 1758” é filmado em pleno confinamento, quando João Pedro Rodrigues se apercebeu “que na árvore diante do seu apartamento, um melro fizera um ninho e que lá nasceria uma ‘ninhada’ de pequenos melros”, sendo que “Turdus” remete para o “registo do choco, do eclodir, da alimentação e do primeiro voo destas aves”.  O nome completo do filme é o nome científico atribuído ao melro comum, descreve-se na sinopse.
A palestra com a dupla de realizadores decorre no Centro Internacional de Convenções da Galaxy, enquanto os filmes serão exibidos no Galaxy Cinema House 7.

Chikungunya | Registado 14º importado do ano

Macau registou o 14º importado de febre Chikungunya desde o início do ano, de acordo com um comunicado dos Serviços de Saúde (SS). O caso foi detectado numa mulher de 64 anos, residente na Travessa de Coelho do Amaral, que tinha estado entre 3 e 14 de Setembro em Jiangmen a visitar a família.

“No dia 10 de Setembro, apresentou dores nas articulações dos membros e erupções cutâneas, tendo procurado assistência médica local [no Interior da China], mas os sintomas não melhoraram”, foi revelado. “Após regressar a Macau no domingo, deslocou-se de imediato ao Hospital Conde de São Januário para receber tratamento, tendo o exame sanguíneo dado positivo para o vírus Chikungunya na segunda-feira”, foi acrescentado.

De acordo com os SS, a mulher está “actualmente internada, apresentando um estado clínico estável”. Como consequência deste caso, os SS anunciaram uma operação de exterminação química dos mosquitos na zona da residência da infectada.

Dengue | Macau identifica novo caso importado

Os Serviços de Saúde (SS) anunciaram ontem terem registado o 15º caso importado de febre de Dengue. Em comunicado foi explicado que o caso foi detectado numa mulher de 61 anos de idade, residente de Macau, no Istmo de Ferreira do Amaral, que foi infectada no Interior da China.

A mulher esteve na cidade de Yunfu, em Cantão, entre 3 e 7 de Setembro. Depois de regressar a Macau, ainda voltou para o Interior, para a província de Jiangxi no dia 10 de Setembro. No dia seguinte apresentou febre. Como os sintomas não desapareceram foi a um hospital local, onde ficou internada. A 14 de Setembro, regressou a Macau para ser internada no Centro Hospitalar Conde de São Januário para receber tratamento médico.

A infecção foi confirmada no dia seguinte. “Actualmente, o seu estado clínico é considerado estável. As pessoas com quem coabita e os companheiros de viagem não apresentaram quaisquer sintomas de indisposição”, foi comunicado. Os SS realizaram uma operação de extermínio químico de mosquitos perto do local de residência da paciente.

Zona A | Novas estradas e paragens de autocarro abrem ao público

As autoridades criaram novas disposições de trânsito e paragens de autocarro na Zona A dos Novos Aterros. Assim, desde as 10h de ontem que está em funcionamento a Via de Acesso A2, com circulação nos dois sentidos. Também “as principais artérias” da Zona A estão abertas ao trânsito, como a Avenida de Tai On, que já tem semáforos; uma parte da Avenida Doutor Ma Man Kei e a Avenida do Mar de Espelho. Os acessos à Avenida de Tai On fazem-se pela Avenida 1º de Maio, junto à Estação de Tratamento de Águas Residuais, Rua dos Pescadores e Avenida da Amizade.

Segundo uma nota da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), haverá ainda duas novas paragens de autocarro a partir de amanhã, 18, com os nomes “Av. Tai On” e “Edf. Tong Kai”, fazendo a ligação às carreiras 101X, 102X e 103, já existentes. A DSAT admite “uma procura relativamente limitada no início da ocupação das habitações públicas na Zona A”, pretendo “priorizar as necessidades básicas de mobilidade dos residentes” com as novas disposições de trânsito, tendo em conta que há ainda obras a decorrer na zona.

Espera-se ainda que a segunda fase de construção do viaduto da Rotunda da Amizade (Rampa B) fique concluída até ao final do ano, enquanto que uma parte do troço da Avenida Central da Zona Este, entre a Zona A dos Novos Aterros Urbanos e o Posto Fronteiriço de Macau na Ilha Artificial da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, fica fechado ao trânsito até Dezembro. Trata-se do troço desde a Ilha Artificial em direcção à Zona A, devendo os condutores contornar a Avenida de Bonança.

Habitação | Preços com quebras de 10 por cento em termos anuais

Os preços das casas em Macau continuam a cair: olhando para os meses de Maio a Julho deste ano, a queda foi de 10,4 por cento no Índice Global de Preços da Habitação face a igual período do ano passado. Em termos trimestrais, a queda foi de 1,1 por cento

 

Os preços das casas continuam em queda, de acordo com os dados da Direcção dos Serviços de Estatísticas (DSEC). Nos meses de Maio a Julho deste ano, o Índice Global de Preços da Habitação foi de 194,0, o que representa uma quebra de 10,4 por cento face aos meses de Maio a Julho do ano passado. Destaca-se ainda uma quebra anual de 10,6 por cento no Índice das casas em Coloane, enquanto que na Taipa a quebra foi de 10,3 por cento.

Olhando para o trimestre anterior, ou seja, os meses de Abril a Junho deste ano, a quebra dos preços foi de 1,1 por cento, registando-se a baixa de preços na ordem dos 2,1 por cento no Índice de preços das habitações construídas, que foi de 208,9 nos meses de Maio a Julho deste ano.

Os dados revelam, porém, o aumento de 8,3 por cento no Índice de habitações em fase de construção, que entre Maio e Julho foi de 232,8, pelo facto de “novas fracções em construção terem sido colocadas à venda no período de referência”, informa a DSEC.

Idades que pesam

Os dados da DSEC dizem-nos também que os preços das casas também baixaram consoante os anos de construção, com a maior quebra, em termos trimestrais, a verificar-se nas casas que têm entre 11 e 20 anos de construção, com 3,3 por cento. Enquanto isso, nas casas com mais de 20 anos os preços baixaram 2,5 por cento entre Maio e Julho. Nas casas mais recentes, com seis a dez anos de construção, os preços até cresceram, mas apenas 0,5 por cento.

Registou-se também uma quebra de 3,5 por cento, em termos trimestrais, nas casas que têm entre 75 e 99 metros quadrados, enquanto as casas com menos de 50 metros quadrados registaram uma quebra de 1,3 por cento face aos meses de Abril a Junho. Analisando por altura dos edifícios, o Índice de preços de habitações dos edifícios do escalão inferior ou igual a sete pisos aumentou 1,9 por cento, enquanto o índice dos edifícios com mais de sete pisos diminuiu 1,7 por cento.

Marcas | Nova classificação procura promover comércio

Para promover o consumo e relançar a economia, a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico lançou um novo sistema de classificação para pequenas e médias empresas. O novo programa de classificação e distinção das marcas foi apresentado ontem numa conferência de imprensa.

De acordo com a apresentação do novo sistema, relatada pelo canal chinês da Rádio Macau, o objectivo das novas classificação passa por valorizar mais as marcas e negócios locais, ao mesmo tempo que se tenta criar novas atracções turísticas que promovam o consumo e levem os turistas aos bairros comunitários.

As novas classificações dividem-se em três categorias “Marca Centenária”, “Marca Típica de Macau” e “Lojas com Características Especializadas e Delicadas”. Na primeira fase, apenas 100 pequenas e médias empresas podem ser classificados como “Lojas com Características Especializadas e Delicadas”.

Estas vão receber apoios financeiros que podem chegar às 150 mil patacas, para financiar 60 por cento dos gastos com campanhas de marketing online, processos criativos de decoração e o lançamento de produtos patenteados. Em relação às categorias “Marca Centenária” e “Marca Típica de Macau” as candidatura não estão limitadas e encontram-se abertas. A associação Macau Chain Stores and Franchise vai assistir no processo de candidatura.

Economia | Comerciantes desvalorizam efeito de cupões de desconto

Enquanto em Hong Kong se discute imitar a medida, em Macau, os comerciantes consideram que os descontos não são solução para os problemas estruturais relacionados com a quebra do consumo e o valor elevado das rendas

 

Vários comerciantes locais desvalorizaram o impacto no volume de negócios e receitas produzido pelos cupões de consumo com descontos, no âmbito de iniciativas como o Grande Prémio do Consumo.

Os depoimentos surgem no portal HK01, porque John Lee, Chefe do Executivo de Hong Kong, vai apresentar hoje as Linhas de Acção Governativa e a distribuição de cupões tem sido uma medida defendida por alguns deputados.
Sobre o impacto em Macau, o dono de um café ao lado do Teatro Dom Pedro V, de apelido Ng, afirmou que o apoio é “leve” e que, quanto muito, contribui para a subida de 5 por cento do volume de negócios.

O empresário explicou que actualmente o grande problema são as despesas de operação, como renda e salários, que continuam a ser elevadas. “Durante a pandemia, os senhorios eram mais flexíveis com as renda. Mas, hoje em dia, essa flexibilidade deixou de existir, ao mesmo tempo que os salários do funcionários também aumentaram”, explicou. “Se o Governo quiser mesmo alterar as tendências do mercado, espero que comunique directamente com as pequenas e médias empresas (PME), em vez de comunicar com as associações de PME. Esta comunicação não faz sentido,” destacou.

Ng revelou que o seu café abriu há cerca de cinco anos e que foi logo atingido pela pandemia, depois de alguns meses. Após a pandemia, o empresário reconheceu que houve uma ligeira recuperação, à qual se seguiu uma nova quebra, que afirmou ter sido “drástica”. “O consumo dos residentes no Interior da China foi uma das razões, e também os clientes locais foram consumir para outros lados”, justificou.

O proprietário do café considera que actualmente é mais arriscado apostar na restauração e serviços semelhantes do que jogar nos casinos: “No casino as hipóteses de perder são de 50 por cento, mas no sector de restauração as hipóteses de perder são de 70 por cento”, destacou.

Consumo no norte dificulta

Por seu turno, o dono de um restaurante na Rotunda de Carlos da Maia, de apelido Ho, também considerou que o apoio dos cupões não é assim tão significativo. O empresário do restaurante que está aberto há cerca de 40 anos explicou que o programa de descontos leva a um volume adicional de negócios na ordem dos 10 por cento.

Ho explicou que este apoio não compensa o grande declínio do consumo, que indicou ter sido acelerado com a facilitação da deslocação para o Interior da China, onde os residentes consomem cada vez mais. “O declínio dos negócios é óbvio, o volume de negócios é mau nos fins-de-semana, em comparação com o que acontecia no passado”, explicou. Não vi qualquer recuperação depois da pandemia, e se houver vários dias consecutivos com feriados a situação torna-se mesmo péssima”, justificou.

Também o empresário Un, que faz doces de barba de dragão na Rotunda de Carlos da Maia, afirmou não estar optimista face aos cupões de descontos.

O residente que se dedica à confecção dos doces classificados como património cultural considera que a única solução para inverter a situação passa pelo consumo dos turistas. No entanto, lamenta que o ambiente e a confiança estejam longe de ser ideais.

Combustíveis | Introdução de gasolina sem chumbo 95 sem decisão

O Governo continua a analisar a possibilidade de o mercado local de combustíveis vir a ter a gasolina 95 sem chumbo. É o que consta numa resposta do Conselho dos Consumidores (CC) a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei.

“Está a ser investigada a viabilidade da introdução de gasolina sem chumbo 95 no mercado de Macau”, bem como os “problemas enfrentados” com esse novo fornecimento, nomeadamente no que diz respeito às “embarcações de transporte, instalações de depósito de combustíveis, os equipamentos dos postos de abastecimento de gasolina e de veículos de transporte”, descreve Ao Weng Tong, presidente substituto do CC.

É explicado que existem factores de entrave à entrada de novos produtos petrolíferos no mercado, como “a regulamentação relativa à área e capacidade de armazenamento”.

Relativamente à Lei de protecção dos direitos e interesses do consumidor, desde a sua revisão, em 2022, até ao dia 30 de Junho deste ano, foram instaurados 358 casos, sendo que 269 têm “os procedimentos administrativos concluídos”, o que, para o CC, representa uma taxa de resolução de quase 75 por cento.

Eleições | CAEAL valida 24 votos anteriormente declarados nulos

A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa validou 24 votos que anteriormente tinham sido considerados nulos, todos ligados ao sufrágio directo. As listas de Coutinho e Song Pek Kei ficaram, assim, com mais votos

 

Estão fechados os resultados das eleições de domingo que levaram à escolha dos deputados para a Assembleia Legislativa (AL). A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) apresentou ontem os dados de apuramento dos votos, sendo que uma das alterações passa pela validação de 24 votos anteriormente considerados inválidos. Deste universo, oito tinham sido contestados pelas listas e 16 considerados nulos, antes da reversão.

Cheang Kok Chi, presidente da assembleia de apuramento geral da CAEAL, explicou que “os 24 votos inválidos que passaram a ser válidos são do sufrágio directo e [a mudança] não prejudicou a ordem ou os resultados”. “Em cada assembleia de voto, depois de terminar a votação, a Mesa tem uma decisão preliminar em relação aos votos, em que sobre alguns se pode decidir no imediato que são inválidos. Há membros das listas presentes para ver se podem ou não protestar quanto a essa decisão, pelo que há dois tipos de situações”, adiantou ainda.

Assim, a lista Nova Esperança, liderada por José Pereira Coutinho e que se sagrou a grande vencedora das eleições, colocando três deputados no hemiciclo, ganhou mais seis votos com esta alteração, pois no apuramento preliminar de domingo a lista ficou com 43.361 votos.

Também a lista Associação dos Cidadãos Unidos de Macau, liderada por Song Pek Kei, ganhou mais cinco votos, passando dos 29.459 votos registados na contagem de domingo para 29.464 votos divulgados ontem. Os votos em branco cifraram-se em 5.987, representando 3,42 por cento, enquanto que os votos nulos foram 7053, representando 4,02 por cento.

O responsável da CAEAL garantiu que a lei “prevê também expressamente que, durante o apuramento dos votos, as pessoas [membros das listas candidatas] possam estar presentes além dos membros da assembleia de apuramento dos votos e assistentes”.

Uma forma de trabalhar

Cheang Kok Chi não deu uma justificação clara para o facto de não serem mostrados os votos nulos, evocando o dever de sigilo, apesar da prática ser comum das eleições anteriores. “Quanto ao facto de os votos não estarem identificados, antes de realizarmos os trabalhos de apuramento nunca sabemos como são os boletins de voto. Tendo isto em consideração, escolhemos esta forma para realizar os nossos trabalhos de apuramento”, afirmou.

Governo garante que avalia impacto de obras no Património Mundial

O Governo garantiu apresentar periodicamente ao Centro do Património Mundial as informações sobre estudos e relatórios, antes de fazer obras no território que vão ter impacto no centro histórico. A posição foi tomada em resposta a uma interpelação escrita do deputado Ron Lam.

No documento inicial, Ron Lam pretendia perceber o que levou que o Comité do Património Mundial a exigir várias vezes à RAEM a apresentação de documentos como “Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau”, o “Plano Director” e o “Plano de Pormenor da Zona A dos Novos Aterros Urbanos”.

O legislador explica que actualmente o Comité do Património Mundial considera que a RAEM actua de forma contrário ao artigo 172.º da Convenção do Património Mundial, porque no caso de haver obras que afectam o “Valor Universal Excepcional do património” é necessária a apreciação do próprio Comité do Património Mundial.

No entanto, os documentos não foram entregues e a RAEM até publicou o Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau antes da conclusão da apreciação pelo Comité do Património Mundial.

Comunicação estreita

Por sua vez, o Executivo recusa as críticas, fala em “comunicação estreita” e considera que fornece a informação necessária. “Governo da RAEM tem vindo a apresentar periodicamente ao Centro do Património Mundial, através de diversos meios e canais, incluindo o mecanismo de comunicação constante, informações sobre estudos e relatórios, mantendo uma comunicação estreita com a Administração Estatal do Património Cultural e o Centro do Património Mundial”, foi apontado, numa resposta assinada pelo vice-presidente do Instituto Cultural, Cheang Kai Meng.

O Governo informou também que no caso da “Avaliação do impacto patrimonial e concepção urbana da zona ao redor da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues” submeteu “o conteúdo principal” ao Centro do Património Mundial.

O Executivo garante também que vai realizar estudos “nos termos das exigências constantes das decisões do Centro do Património Mundial”.

Função Pública | Coutinho diz que não recebeu queixas sobre votos forçados

O candidato mais votado das eleições e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau recusou ter recebido queixas sobre pressões para votar e até referiu que houve elogios de funcionários públicos à organização das eleições

 

José Pereira Coutinho, vencedor das eleições de domingo, afirmou não ter recebido queixas de funcionários públicos na sequência das várias pressões governamentais para que fossem votar. As declarações foram citadas pelo jornal Cheng Pou, e ocorreram na segunda-feira à tarde, durante um evento para agradecer aos votantes.

De acordo com as declarações citadas pela publicação, José Pereira Coutinho afirmou não só não ter recebido qualquer queixa, como destacou ter havido elogios de funcionários públicos à forma como o processo eleitoral decorreu, principalmente no que diz respeito à questão do trânsito.

José Pereira Coutinho elogiou também os trabalhos da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), ao afirmar que todas as mesas de voto funcionaram sem problemas, o que considerou uma “melhoria significativa” em comparação com as eleições de 2021.

A lista Nova Esperança conta com o apoio da estrutura da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), presidida pelo próprio Pereira Coutinho.

Antes das eleições foram reveladas várias pressões por parte dos serviços públicos da RAEM, a pedir aos trabalhadores públicos que fossem votar. Além disso, Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, escreveu cartas a informar os trabalhadores que considerava o voto um “dever” e uma prova “relevante” de lealdade à RAEM. A partir de Novembro os trabalhadores da administração pública que não foram considerados leais à RAEM podem ser despedidos.

Pedida confiança na CAEAL

No evento de agradecimento aos eleitores, Pereira Coutinho foi igualmente confrontado com as alterações promovidas pela CAEAL que passaram a impedir a população de ver os votos que são considerados nulos. Nas eleições de domingo, os votos nulos mais do que triplicaram, face a 2021, para mais de 7.000.

Anteriormente, a CAEAL costumava projectar os boletins de voto inválidos, que muitas vezes exprimiam opiniões políticas, outras mensagens e até insultos.

Sobre o facto destes votos deixarem de ser mostrados publicamente, José Pereira Coutinho indicou que as pessoas devem confiar no Governo da RAEM e nos funcionários públicos. O deputado defendeu também que se houver falhas os serviços públicos vão analisá-las e corrigi-las.

O deputado afirmou igualmente não ter recebido qualquer tipo de queixa dos representantes da lista Nova Esperança que acompanharam a contagem dos votos sobre a forma como foram contados os votos nulos.

Nas eleições de domingo, a lista liderada por José Pereira Coutinho conseguiu mais de 43 mil votos, o que fez com que fosse a mais votada e elegesse três deputados. Além de Coutinho, deputado desde 2005, a lista vai contar na Assembleia Legislativa com Che Sai Wang, deputado desde 2021, e Chan Hao Wang, que se vai estrear no hemiciclo.

IC | Bibliotecas da Ilha Verde e Parque Sun Yat Sen abertas até à meia-noite

O Instituto Cultural (IC) anunciou ontem que a Biblioteca do Bairro da Ilha Verde e a Biblioteca de Wong Ieng Kuan no Parque Dr. Sun Yat Sen vão ajustar o horário de funcionamento a partir de 1 de Outubro, “de modo a optimizar os serviços de leitura pública e satisfazer as necessidades diversificadas dos residentes.”

O IC acrescenta que, apesar de o ajuste prever a abertura das duas bibliotecas nos feriados obrigatórios e feriados públicos, vão encerrar “às 14h na véspera do Novo Ano Lunar e no 1.º, 2.º e 3.º dia do Novo Ano Lunar”.

O IC refere também que desde a entrada em funcionamento da Biblioteca do Bairro da Ilha Verde em 2024, “tem-se registado um aumento significativo do número de entradas, o que demonstra uma procura elevada da biblioteca por parte dos residentes”.

Em relação à Biblioteca de Wong Ieng Kuan no Parque Dr. Sun Yat Sen, o IC sublinha a proximidade com o Posto Fronteiriço das Portas do Cerco, indicando que “o prolongamento do horário de funcionamento poderá satisfazer as necessidades de leitura nocturna de residentes da Zona Norte e de estudantes do Interior da China”.

Multar a inconsciência (II)

Na semana passada, analisámos as medidas levadas a cabo em Shenzhen, na China continental, sob a forma de multas aplicadas ao abrigo dos “Regulamentos sobre o Estabelecimento em Shenzhen Dapeng, da Primeira Portaria de Prevenção de Desastres Naturais na China.” Esta medida punitiva foi aplicada pela primeira vez na China no quadro desta regulamentação. As multas foram passadas a dois turistas por terem “invadido uma área restrita” durante um alerta azul levantado pelos Serviços de Meteorologia. Hong Kong e Macau também têm legislação para proibir as entradas em áreas restritas.

Estas regulamentações partilham uma característica: destinam-se a impedir a entrada em áreas restritas sem autorização. No entanto, não existe legislação para regular a prática de actividades perigosas como a perseguição e tufões e o surf.

Em Setembro de 2013, o Tufão Usagi atingiu Hong Kong. Algumas pessoas arriscaram a vida para mergulharem na tempestade, serem empurrados pelo vento ao ponto de não conseguirem andar, ficarem completamente encharcados e mesmo assim ainda exclamaram, “Que fixe! Isto é tão emocionante!” Um rapaz chegou a declarar, “Jovens, se não viverem agora, vão viver quando?” Uma mulher tirou fotografias junto ao Usagi.

Enquanto os jovens desfrutavam da ventania, os pais levavam os filhos à praia para “observar as ondas.” No Cais Star Ferry em Tsim Sha Tsui, ondas gigantescas embatiam contra a costa a cada meia dúzia de segundos e os “observadores de ondas” estavam extremamente excitados e aplaudiam alto e bom som. Alguns casais chegaram a dançar no meio da borrasca, enquanto outros apenas tiravam fotografias de ondas com dois andares de altura.

Durante um desastre natural, se alguém descuidar a segurança, em prol do prazer pessoal, tiver um comportamento perigoso em áreas consideradas passíveis de desastre ou ficar preso e precisar de ser resgatado põe a sua vida em perigo e a dos outros. Sabe-se que quem trabalha em operações de resgate em circunstâncias muito duras tem uma alta probabilidade de correr graves riscos. Em 2017, o bombeiro de Hong Kong Yau Siu-ming morreu durante um salvamento em Ma On Shan. Uma das pessoas que estavam a ser resgatadas era um oficial da polícia fora de serviço. Embora mais tarde se tenha desculpado perante a família do falecido, declarando que tinha sobrevalorizado as suas capacidades e não tinha prestado atenção ao aviso “Não é Permitida a Entrada”, nada disto impediu a morte de Yau.

A sociedade pode aprovar várias leis para punir quem tem comportamentos perigosos como mergulhar no centro das tempestades, observar ondas, tirar fotografias durante a passagem de tufões e descuidar a segurança pessoal durante a ocorrência de desastres naturais, e exigir que paguem as custas das operações de resgate. Contudo, existem vários pontos que devem ser considerados quando se legisla.
Primeiro, como definir comportamento perigoso? A legislação que proíbe, durante a ocorrência de desastres naturais, as entradas em áreas de risco, a circulação em pontes, a entrada em parques naturais é fácil de aplicar. É simplesmente proibida a entrada em áreas restritas. Comportamentos perigosos como expor-se às intempéries, observar ondas, tirar fotos durante a passagem de tufões, embora fáceis de entender, são difíceis de definir do ponto de vista legal. Por exemplo, uma pessoa pode estar na praia durante um tufão a observar o horizonte, mas será que sente o vento? Está a observar as ondas, ou estará a fazer qualquer outra coisa? Quanto mais simples for o comportamento mais difícil é de definir do ponto de vista legal. Sem definição de actos específicos, é difícil regulamentá-los legalmente e ainda mais processar alguém por essas práticas.

Porque estes actos são tão simples, não é fácil listar todos os comportamentos perigosos quando se fazem propostas de lei e algumas omissões são inevitáveis. É previsível que as leis destinadas a regulamentar comportamentos perigosos, precisem de ser continuamente revistas depois da promulgação para abranger uma maior variedade de comportamentos perigosos. Tanto a China como Macau utilizam a lei estatutária, que exige alterações legais através de procedimentos regulamentais. Quanto mais as leis são revistas, maior é o número de procedimentos envolvidos e maiores são as custas.

Hong Kong implementa o sistema de direito consuetudinário através da Lei Básica. Os tribunais podem rever a definição dos diferentes comportamentos perigosos com base nos precedentes. Embora este quadro legal reduza o número de vezes que o Governo de Hong Kong tem de rever as leis, as custas permanecem mais ou menos iguais; simplesmente passa da alteração de portarias para a definição de comportamentos perigosos através da jurisprudência.

Quer se trate de resgatar pessoas que entraram em áreas de risco ou de salvar os que se envolvem em actividades perigosas durante a ocorrência de desastres naturais, as equipas de salvamento precisam de muita gente e de uma grande quantidade de equipamento especializado. Os custos das operações de resgate são elevados e estão para além do alcance das pessoas comuns. Ao passo que podemos promulgar leis que obriguem quem descuida a sua própria segurança a arcar com as despesas do salvamento, como é que se pode obrigar a pagar que não tem dinheiro? Em último caso, quando alguém não pode pagar, terá de ser o Governo a cobrir as custas. Os fundos governamentais são alimentados pelos contribuintes. Por conseguinte, em última análise, é a sociedade que suporta o fardo. Não está certo que a sociedade pague os danos provocados por aqueles que se envolvem em actividades perigosas.

Mesmo sem legislação, todos devem compreender que durante um desastre natural, descuidar a segurança pessoal e praticar caminhadas, surf ou ski aquático coloca o próprio em risco mas também quem o vai resgatar. Em vez de punir aqueles que arriscam comportamentos perigosos, é preferível educar as pessoas sobre os perigos envolvidos e também sobre os danos potenciais a terceiros. Por consideração para connosco próprios e para com os outros, devemos mantermo-nos a salvo durante a ocorrência de desastres naturais. Mantermo-nos a salvo sem precisar de resgate é um serviço que prestamos à sociedade.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Email: cbchan@mpu.edu.mo

UE | Assis diz que redução de delegação em Timor é problema sério

O eurodeputado Francisco Assis considerou ontem, em Díli, que a redução da presença da União Europeia em Timor-Leste é um problema sério, sobretudo numa altura em que há uma grande diminuição do apoio dos Estados Unidos ao desenvolvimento.

O socialista Francisco Assis lidera uma delegação do Parlamento Europeu que iniciou ontem uma visita a Díli, durante a qual estão previstos encontros com as autoridades timorenses, parceiros de cooperação, embaixadores da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), sociedade civil, estudantes e universidades timorenses e organizações económicas.

Questionado pela Lusa sobre a redução da presença da representação da União Europeia em Timor-Leste, Francisco Assis afirmou que é um “problema sério”. “É um problema sério ainda por cima porque alguns dos membros da delegação serão deslocados para Jacarta. Isto revela uma certa incompreensão por parte da Comissão Europeia da singularidade desta situação”, disse o eurodeputado.

Francisco Assis salientou também que apesar das boas relações entre Timor-Leste e a Indonésia, os timorenses foram vítimas de uma invasão e “há uma memória viva dessa invasão”. “Creio que isto é uma má decisão da Comissão Europeia”, afirmou, salientando que já pediu uma reunião com a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, para debater o assunto.

“Penso que tem de haver um esforço concertado no Parlamento Europeu e a nível dos governos. O próprio Governo português, julgo estará sensibilizado para a importância de não desqualificar, não desgraduar a nossa delegação aqui em Timor-Leste, porque isso seria uma má decisão e um mau sinal”, disse.

Coreia do Sul investiga violação de direitos de emigrantes nos EUA

A Coreia do Sul vai investigar a possível violação dos direitos de mais de 300 sul-coreanos detidos pela polícia de imigração norte-americana no estado da Geórgia, entretanto repatriados, anunciou ontem a presidência em Seul.

A operação ocorreu em 4 de Setembro numa fábrica de baterias para veículos eléctricos operada conjuntamente pela Hyundai e pela LG. Foram detidas cerca de 475 pessoas, incluindo mais de 300 sul-coreanos. Trata-se da maior operação realizada num único local no âmbito da campanha de expulsões ordenada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo as autoridades norte-americanas.

Os sul-coreanos foram libertados após delicadas negociações diplomáticas e repatriados na sexta-feira. “Planeamos examinar mais de perto se ocorreram violações dos direitos dos nossos cidadãos ou se eles tiveram de enfrentar inconvenientes injustificados”, disse a porta-voz da presidência sul-coreana, Kang Yu-jung, numa conferência de imprensa.

Os dois países “estão a verificar se houve falhas nas medidas tomadas, e as empresas também estão a investigar”, acrescentou, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A operação foi notícia nos meios de comunicação sul-coreanos, um país que prometeu investir 350 mil milhões de dólares nos Estados Unidos, após ameaças norte-americanas sobre direitos aduaneiros.
Aliado fundamental dos Estados Unidos para a segurança no Pacífico, a Coreia do Sul é também a quarta maior economia asiática, um grande fabricante de automóveis e de produtos electrónicos. Importa referir que várias fábricas sul-coreanas estão instaladas nos Estados Unidos.

Tratados como gado

Especialistas em trabalho admitiram que os trabalhadores detidos provavelmente não teriam um visto que os autorizasse a realizar trabalhos de construção.

Alguns deles descreveram à imprensa local condições terríveis durante a detenção e permanência no centro de detenção. Os trabalhadores afirmaram também ter sido detidos sem serem informados dos seus direitos.
O Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, considerou que a operação da imigração norte-americana foi desestabilizadora e “pode ter um efeito dissuasor sobre futuros investimentos”.

A operação da imigração vai causar um atraso de dois a três meses no arranque da fábrica de baterias, admitiu na semana passada o presidente da Hyundai, Jose Munoz, segundo a televisão norte-americana CNN. A fábrica em Ellabell, parte de um complexo industrial de 7,6 mil milhões de dólares para a produção de automóveis eléctricos, deveria entrar em operação ainda este ano.

Timor-Leste | Deputados recuam na compra de viaturas depois de protestos

Os deputados timorenses do Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste, do Partido Democrático e do Khunto recuaram na decisão de comprar novas viaturas para os parlamentares, após protestos de estudantes universitários e da sociedade civil

 

“Decidimos em conjunto, as três bancadas, e entendemos pedir ao Parlamento Nacional a anulação de todo o processo relativo à aquisição de viaturas para os deputados”, afirmou aos jornalistas o porta-voz das três bancadas, o deputado Patrocínio Fernandes do Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), partido liderado pelo primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

Estudantes de quatro universidades timorenses e elementos da sociedade civil realizaram ontem um protesto em frente ao Parlamento contra as regalias dos 65 deputados do país, que incluem a decisão recente de adquirir novas viaturas por um valor superior a três milhões de dólares.

A manifestação acabou por ser dispersa com gás lacrimogéneo e balas de borracha, depois dos estudantes terem lançado pedras e outros objectos contra o edifício do Parlamento. Apesar de terem sido dispersos, os manifestantes voltaram a reunir-se em protesto no mesmo local, mas sem registo de mais incidentes.

O deputado explicou que a decisão é de não adquirir carros para os deputados durante a presente legislatura. Patrocínio Fernandes sublinhou que a medida não resulta de pressão externa, mas sim da análise interna das preocupações manifestadas pelos próprios deputados, que, no entanto, reconhecem também a sensibilidade da opinião pública.

A conferência de imprensa contou também com a presença do presidente da bancada do Partido Democrático (PD) (partido da coligação no Governo), Armando dos Santos Lopes, e ainda do presidente da bancada da KHUNTO, na oposição, António Verdeal.

Patrocínio Fernandes recordou que a intenção de adquirir as viaturas tinha como fundamento o estatuto dos deputados, que prevê a disponibilização de condições adequadas para o exercício do mandato parlamentar, incluindo transporte. Segundo o deputado, as preocupações tinham surgido devido ao mau estado da frota actual, aos elevados custos de manutenção e às dificuldades do secretariado parlamentar em gerir de forma eficiente os veículos atribuídos aos deputados.

Água na fervura

Após uma análise mais aprofundada da situação, as bancadas do CNRT, PD e KHUNTO decidiram agora suspender a execução da verba de 3,5 milhões de euros para compra de viaturas, inscrita no Orçamento de Estado para este ano. “As bancadas do CNRT, PD e KHUNTO [que representam a maioria dos deputados] estão conscientes de que a decisão de comprar viaturas não corresponde às preocupações do público”, acrescentou Patrocínio Fernandes.

O hemiciclo do Parlamento timorense inclui também as bancadas da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) e o Partido da Libertação Popular (PLP).

O líder da oposição timorense, Mari Alkatiri, apelou na semana passada ao Governo para resolver com urgência os problemas sociais e políticos no país, de modo a evitar cenários semelhantes ao que estão a ocorrer em países vizinhos.

“Eu digo sempre que a situação no nosso país hoje pode parecer melhor, mas todos sabemos que os problemas se acumulam. Podemos dizer que estamos a entrar numa situação de ‘bomba-relógio'”, afirmou o secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) na passada quinta-feira, referindo-se expressamente aos estudantes universitários.

Os jovens universitários e a sociedade civil vinham a protestar há algum tempo contra a aquisição de novas viaturas para os deputados. “Se não fizermos uma boa gestão desta situação, poderemos enfrentar, em pouco tempo, muitos problemas sociais, políticos e mesmo conflituais”, avisou na altura o secretário-geral da Fretilin.

Aliás, o líder da bancada da Fretilin, Aniceto Guterres, agradeceu aos estudantes pelo protesto dirigido contra os deputados dos partidos do Governo, que levou ao cancelamento da compra de viaturas. “Hoje, ainda sem ter passado um dia inteiro ou uma noite, a bancada do Governo já começou a mudar a sua posição. Isso é positivo, era o que a Fretilin esperava desde o início”, afirmou aos jornalistas o deputado da Fretilin, líder da oposição timorense.

“A posição da Fretilin sempre foi clara. Queríamos eliminar essa verba porque existem outras prioridades: o país tem outras necessidades e o povo enfrenta muitas carências que precisam de ser atendidas”, disse Aniceto Guterres.

Xangai | Adolescentes multados por urinarem em panela de ‘hot pot’

Um tribunal de Xangai condenou dois adolescentes que urinaram num ‘hot pot’ a pagar uma multa de mais de 2 milhões de yuan. Segundo o portal de notícias local Shine, serão os pais desses jovens – ambos com 17 anos – que pagarão a multa, que ascende a 130.000 yuan pela limpeza e substituição de materiais e outros 2,07 milhões de yuan por perda de facturação, danos à reputação e despesas legais.

A empresa que opera o restaurante onde os factos ocorreram, a popular cadeia Haidilao, reclamava inicialmente até 23 milhões de yuan.

Depois de o vídeo se ter tornado viral nas redes sociais chinesas, a polícia de Xangai deteve os adolescentes, apelidados Tang e Wu. O tribunal considerou que ambos “cometeram actos deliberados que afectaram tanto a propriedade como a reputação” do restaurante afectado e que “permitiram conscientemente que o vídeo circulasse nas redes sociais, apesar do seu provável impacto social”.

Além disso, afirmou que os acusados eram “capazes de compreender a ilegalidade das suas acções e as consequências da denúncia”, acrescentando ainda que os pais “tinham iludido a sua obrigação de os supervisionar”.

Internet | Trump diz que futuro do TikTok nos EUA depende da China

O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, afirmou este domingo que o futuro do TikTok no país depende da China, quando se aproxima o prazo para que a aplicação de vídeos curtos deixe de operar em território norte-americano. “Talvez a deixemos morrer, ou talvez… Não sei, depende.

Depende da China”, declarou Trump à imprensa em Nova Jérsia, antes de regressar a Washington.
Amanhã expira o prazo legal para que a empresa chinesa ByteDance venda o TikTok ou a aplicação deixe de funcionar nos Estados Unidos. Trump, que no mês passado abriu uma conta oficial da Casa Branca no TikTok, adiou por três vezes a entrada em vigor do veto à operação da aplicação nos Estados Unidos.

O futuro da plataforma é um dos temas centrais nas conversações que começaram no domingo em Madrid entre o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, nas quais as partes procura avançar para um acordo tarifário.

Durante o primeiro mandato, Trump foi abertamente crítico do TikTok, considerando que os dados dos utilizadores norte-americanos poderiam ser acessíveis ao Governo chinês, mas agora defende o uso da plataforma como ferramenta para se conectar com o eleitorado mais jovem. “Fui muito bem no TikTok. Consegui o voto dos jovens e obtive números que ninguém no Partido Republicano jamais conseguiu”, afirmou.

Tailândia | Exercícios aéreos conjuntos marcados para este mês

As forças aéreas da China e da Tailândia vão realizar este mês, em território tailandês, a oitava edição do exercício militar conjunto ‘Falcon Strike’, anunciou ontem o Ministério da Defesa chinês.

De acordo com um comunicado divulgado na conta oficial do ministério na rede social WeChat, a China vai enviar “vários tipos de aeronaves” e unidades de defesa antiaérea terrestre para participar nas manobras, previstas para meados de Setembro. O objectivo é “elevar o nível técnico e tático das tropas envolvidas” e “aprofundar a confiança mútua e a cooperação pragmática” entre os dois exércitos, referiu o ministério.

Na edição anterior, realizada em Agosto de 2024, também na Tailândia, os exercícios prolongaram-se por 19 dias e envolveram caças J-10C da China e Gripen tailandeses, bem como treinos de combate aéreo dissimilar, apoio aéreo próximo, ataques de penetração e evacuações médicas em cenário de combate.

Os ‘Falcon Strike’ decorrem desde 2015 e fazem parte de uma série de manobras bilaterais que incluem também exercícios navais como os ‘Blue Strike’, cuja última edição ocorreu em Março passado, ao largo da província chinesa de Guangdong, com a participação de 11 navios e forças terrestres em treinos de ataque marítimo, defesa anti-míssil, resgate no mar e combate ao terrorismo.

A Tailândia tem procurado equilibrar as suas relações com os Estados Unidos e a China, mas tem vindo a aprofundar a cooperação militar com Pequim através deste tipo de exercícios conjuntos.

China | Estabelecidos prazos de até 4 horas para relatar incidentes cibernéticos

A Administração do Ciberespaço da China (CAC) anunciou ontem uma nova regulação que obriga os operadores de redes e serviços digitais a reportar incidentes de cibersegurança em prazos que variam de meia hora a quatro horas. A norma, intitulada “Medidas para a gestão de relatórios de incidentes de cibersegurança”, entrará em vigor a 1 de Novembro.

A CAC definiu como incidentes de cibersegurança aqueles causados por ataques, falhas técnicas ou erros humanos que provoquem danos a sistemas, dados ou serviços com impacto nacional, social ou económico.

O texto, com 14 artigos, estabelece que os operadores de infra-estruturas críticas devem notificar as autoridades de protecção e a polícia em menos de uma hora e que estas, em casos “graves ou especialmente graves”, devem elevar o alerta à CAC e ao Ministério da Segurança Pública num prazo máximo de 30 minutos.

Os órgãos centrais do Estado terão um prazo de duas horas e os demais operadores, de quatro.
Os relatórios deverão incluir informações básicas sobre o sistema afectado, o tipo de incidente, os danos causados, as medidas adoptadas e pistas para uma possível investigação, como vectores de ataque ou vulnerabilidades detectadas.

Em ataques de ‘ransomware’ – programa malicioso que emprega criptografia, evitando que a vítima tenha acesso aos dados –, será obrigatório detalhar o valor exigido como resgate.

A CAC habilitou seis canais para as notificações: um portal específico, um endereço de correio eletrónico, fax e contas oficiais no WeChat. Os operadores também serão obrigados a apresentar, no prazo de 30 dias após a resolução do incidente, um relatório final com as causas, os danos, as responsabilidades e as medidas correctivas.

O regulamento prevê sanções para aqueles que ocultem, atrasem ou falsifiquem dados, com agravantes se isso gerar “consequências graves”.nPor outro lado, se forem aplicadas medidas razoáveis e for feito um relatório atempado, as autoridades poderão reduzir ou mesmo isentar de responsabilidade.

Ir mais além

O anexo da norma estabelece quatro níveis de gravidade, que incluem desde vazamentos de milhões de dados pessoais até a manipulação de portais governamentais com divulgação “em grande escala de informações ilegais”.

As autoridades insistem que a medida se inspira em práticas internacionais, como as dos Estados Unidos ou da União Europeia, embora o seu alcance alimente o debate sobre se também constitui um reforço do controlo estatal sobre o ciberespaço num país onde o Google, o X ou o YouTube continuam bloqueados há anos.