Shenzhen | A associação de inovação que une as cidades da Grande Baía 

Foi em Shenzhen que nasceu a “Greater Bay Area Innovation Union”, uma associação que visa estabelecer pontes e partilhar experiências com as restantes cidades que fazem parte deste projecto nacional. Jorge Valente é um dos representantes, na RAEM, do projecto, que foi apresentado no território em Maio do ano passado

 

Chama-se “Greater Bay Area Innovation Union” [União para a Inovação na Grande Baía] e é uma associação que visa juntar ainda mais aquilo que o projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau tem vindo a unir. Segundo o portal EqualOcean, esta ideia surgiu junto das autoridades de Shenzhen, contando com parceiros como a empresa Tencent, a Associação para a Ciência e Tecnologia de Shenzhen, a Universidade Chinesa de Hong Kong, o Conselho para a Tecnologia e Informação de Hong Kong e a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST). A este rol de entidades junta-se ainda o Instituto de Marketing de Macau e o think tank FinTech Industries.

Esta associação fica estabelecida na zona de Qianhai e visa criar uma comunidade de empresas e outras entidades em prol da cooperação nas áreas da inovação e tecnologia. Lin Xiang, vice-presidente da Associação para a Ciência e Tecnologia de Shenzhen, declarou que esta associação pretende ajudar a criar “vários centros de inovação industrial e estabelecer fundos de desenvolvimento”. Até ao momento foram criados quatro centros dedicados às industrias farmacêutica, manufacturas inteligentes, neutralidade carbónica e desportos electrónicos na região da Ásia-Pacífico.

É também objectivo desta associação criar um fundo financeiro em prol de um maior desenvolvimento destes sectores.

No caso de Hong Kong, pretende-se fomentar os laços em matéria de ciência e inovação com a China, disse Simon Chan, vice-presidente do Conselho para a Tecnologia e Informação de Hong Kong, também citado pelo portal EqualOcean.

O exemplo de Macau

Um dos representantes do Greater Bay Area Innovation Union em Macau é o empresário Jorge Valente, também presidente da Associação para a Promoção do Intercâmbio da Cultura e Indústria Sino-Lusófona. Ao HM, este contou que os responsáveis por este projecto vieram de Shenzhen, em Maio do ano passado, para fazer uma apresentação pública da associação na MUST.

“Esta ideia surgiu do lado de Shenzhen há cerca de dois anos. Esta cidade é um pólo que atrai muitas startups de tecnologia que depois seguem para a bolsa de valores e que ficam no mercado. Como há esse pólo de empresas houve a iniciativa de criar esta união, tendo em conta a existência do projecto da Grande Baía.”

Esta iniciativa visa “várias áreas de actuação”, sendo que em Macau já existe um grupo de trabalho a actuar. “Shenzhen está virada a área das startups, para a atracção de talentos, financiamento e investimento. Nós, em Macau, não temos todas essas valências e não seremos competitivos em todas essas áreas, pois Shenzhen, Hong Kong e Xangai são as cidades mais aptas para fazer isso. Não temos um mercado muito grande para atrair talentos nem a lei laboral é favorável a isso”, descreveu Valente.

O responsável acredita que a medicina tradicional chinesa e a organização de eventos na área dos jogos electrónicos são duas valências nas quais Macau pode apostar. “Recentemente reunimos e falei da medicina tradicional chinesa, pois temos apostado bastante nesta área. Shenzhen aposta muito na biotecnologia e seria possível integrar essa área com a medicina chinesa. Eles também acham que essa é uma vantagem do território. Também falei da área dos jogos electrónicos, pois Macau pode ter exposições e competições a nível internacional, por ser um centro de turismo e lazer”, concluiu.

20 Mai 2022

Shenzhen | Sistemas padrão para aeroportos inteligentes postos em prática este mês

Os sistemas padrão WO para a construção de aeroportos inteligentes, compilados pelo Aeroporto Internacional Shenzhen Bao’an, foram aprovados pela Associação dos Aeroportos Civis da China e serão postos em prática ainda este mês, informou o Shenzhen Economic Daily.

Os sistemas padrão, que fornecem orientação para a atribuição de estacionamento inteligente e sistemas de recolha de informações sobre pontualidade de voo baseados em análise vídeo, são dois exemplos típicos de aplicações de IA e Big Data em operações de voo.

A utilização de IA e de Big Data revolucionou os métodos tradicionais e permitiu ao aeroporto de Shenzhen atribuir lugares de estacionamento para 1.000 voos no espaço de um minuto. Melhorou grandemente a utilização de baías de estacionamento e pontes de embarque e quase 1 milhão de passageiros por ano não precisarão de utilizar autocarros de ferry para embarcar em aviões estacionados mais longe no alcatrão.

O sistema de recolha de informações sobre pontualidade de voo pode identificar e recolher automaticamente dados-chave de voos de chegada e partida através de tecnologias AI. O sistema pode ajudar as companhias aéreas e o aeroporto a melhorar a gestão. A pontualidade dos voos que partem do aeroporto de Shenzhen foi superior a 92% nos últimos dois anos.

20 Mai 2022

Shenzhen | Pandemia reforçou ligação com a cidade do Porto

Cidades irmãs desde 2014, Shenzhen e o Porto mantém ligações fortes que só foram reforçadas com a pandemia, garante-nos a Câmara Municipal do Porto. O envio de ventiladores para a cidade portuense em pleno pico da covid-19 foi um sinal claro de uma cooperação que está para continuar

 

Longe da vista, longe do coração. Este célebre ditado português não se aplica à relação de vários anos que a cidade do Porto mantém com Shenzhen desde que, em Outubro de 2014, Rui Moreira, então presidente da Câmara Municipal do Porto, ainda em funções, visitou a cidade.

“A pandemia veio, curiosamente, fortalecer a ligação entre o Porto e Shenzhen”, garante-nos o gabinete de comunicação da Câmara Municipal do Porto. E para essa relação a pandemia revelou-se um factor determinante.

“A 13 de Março de 2020, naquela que foi uma das primeiras declarações à população sobre a covid-19, Rui Moreira anunciava a chegada de necessários ventiladores ao Hospital de São João – o maior da região – vindos da cidade chinesa de Shenzhen. Numa outra fase da pandemia, em Abril, a Câmara Municipal de Shenzhen contribuiu em larga escala para o Hospital de Campanha Porto, instalado no Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota. A pandemia, desafio colectivo com que nos deparámos tanto no Porto como na China, uniu ainda mais – e irreversivelmente, porque o Porto, e os portuenses, têm boa memória – estas duas cidades irmãs.”

No entanto, no ano pré-pandemia, em Julho de 2019, uma comitiva de Shenzhen, liderada por Chen Qianwen, presidente da Comissão Municipal de Shenzhen da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, esteve na cidade situada a norte de Portugal.

“Esta delegação visitou a cidade para avaliar oportunidades de cooperação e de desenvolvimento nas áreas do comércio externo, aprofundando as relações comerciais entre as duas cidades”, garante-nos a mesma resposta do gabinete de comunicação. Em Novembro do mesmo ano, foi a vez do Porto se deslocar à cidade do sul da China.

A delegação, liderada por Rui Moreira, foi recebida por Chen Rugui, seu homólogo. Nessa viagem a agenda ficou marcada por temas como a educação, turismo, transportes, comércio justo e a cultura, todos eles “relacionados com inovação e com a qualidade de vida dos cidadãos”.

“Da cidade chinesa, Rui Moreira quis trazer tecnologias inovadoras e investimento: é em Shenzhen que estão sediadas algumas das mais importantes empresas tecnológicas chinesas, e os dois autarcas trocaram ideias em como complementar o trabalho conhecido internacionalmente tanto pela Universidade do Porto como pela Universidade de Shenzhen em matéria de inovação tecnológica”, é referido.

Aposta nos autocarros

Na mesma visita a delegação liderada por Rui Moreira não perdeu a oportunidade de visitar a sede da empresa Shenzhen Bus Group, que opera uma frota totalmente eléctrica de autocarros e táxis. “Na altura, a visita de Rui Moreira deu-se a menos de dois meses de a STCP passar em definitivo para a gestão municipal, e quando a empresa portuguesa já se encontrava também em transição para energias mais limpas.”

Ainda antes da pandemia obrigar o mundo a reduzir as viagens, Shenzhen fez-se novamente representar no Porto, numa visita de apenas dois dias, cujo objectivo foi “conhecer as tecnologias inovadoras, desenvolvidas localmente, sobretudo no campo da mobilidade e transportes”.

A comitiva, chefiada por Dai Beifang, presidente do comité municipal de Shenzhen para a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, visitou várias empresas da cidade e da região, nomeadamente o CEIIA – Centro de Excelência para a Inovação da Indústria Automóvel, o Porto de Leixões, a unidade de I&D – Investigação e Desenvolvimento da BIAL. O grupo conheceu ainda novas soluções tecnológicas desenvolvidas pela Academia, uma vez que também passou pela UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto.

23 Abr 2022

Covid-19 | China confina 17 milhões de habitantes da cidade de Shenzhen

Os 17 milhões de habitantes da cidade chinesa de Shenzhen foram colocados em confinamento após a notificação de 66 novos casos de covid-19, anunciaram ontem as autoridades locais.

Aos habitantes desta cidade, que abriga as gigantes tecnológicas Huawei e Tencent, as autoridades ordenaram que permaneçam em casa para controlar um surto da variante Ómicron que, nos últimos dias, já levou ao encerramento de lojas não essenciais e restaurantes.

Embora seja baixo o número de casos de covid-19 comparado com o de outros países, a China enfrenta o pior surto da doença em dois anos, no nordeste do país, que hoje aumentou as infeções para o triplo, levando as autoridades chinesas a suspender o transporte de autocarro para Xangai.

A China, onde os primeiros casos de coronavírus foram detetados no final de 2019 na cidade central de Wuhan, registou um total de 4.636 mortes desde o início da pandemia, de 115.466 infeções confirmados.

14 Mar 2022

Macau suspende ferries com a cidade de Shenzhen

Macau suspendeu no domingo o transporte marítimo de passageiros com Shenzhen, cidade chinesa onde foram detetados quatro casos de covid-19, todos por contágio local.

A decisão foi tomada pela “necessidade de prevenção e controlo da pandemia” e estará em vigor “até nova ordem”, de acordo com um comunicado da Direção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA).

A suspensão afeta todos os ‘ferries’ que até agora ligavam o Terminal Marítimo do Porto Exterior, em Macau, e o Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa ao porto de Shekou, em Shenzhen, adjacente a Hong Kong. A imprensa em língua chinesa noticiou que foram também suspensos os ‘ferries’ entre Shekou e Hengqin [ilha da Montanha], no município de Zhuhai, adjacente a Macau.

A China anunciou ter detetado 157 casos de covid-19, nas últimas 24 horas, 97 dos quais por contágio local, de acordo com a Comissão de Saúde do país.

10 Jan 2022

Arranha-céus em Shenzhen evacuado e isolado após oscilação levar à fuga de pessoas

A oscilação de um arranha-céu na cidade de Shenzhen, sudeste da China, levou esta terça-feira à fuga de centenas de pessoas, revelam vídeos difundidos nas redes sociais chinesas e que estão a ser analisados pelas autoridades.

O Gabinete de Gestão de Emergências de Shenzhen está a avaliar as filmagens, que mostram centenas de pessoas a fugir, assustadas, face à oscilação do SEG Plaza, um edifício com 355 metros de altura. A mesma fonte excluiu a ocorrência de um terramoto em Shenzhen ou nas áreas vizinhas.

O incidente ocorreu ao início da tarde na China. O vídeo esteve entre os mais vistos no Weibo, uma rede social chinesa semelhante ao Twitter. O edifício foi evacuado e encerrado temporariamente. Os bombeiros e a polícia estão a examinar o caso.

O SEG Plaza é o 104.º edifício mais alto da China e o 212.º mais alto do mundo. A densa malha de arranha-céus de Shenzhen, uma das mais prósperas cidades da Ásia, é símbolo do “milagre económico” que transformou a China nos últimos 40 anos.

19 Mai 2021

Hong Kong | Detidos em Shenzhen regressam a casa incluindo jovem luso-chinês

Oito activistas de Hong Kong detidos há sete meses em Shenzhen, no Interior da China, foram ontem entregues às autoridades da antiga colónia britânica. O grupo deverá incluir também o jovem luso-chinês Tsz Lun Kok.

A deportação dos activistas, detidos por travessia ilegal das águas da China continental no dia 23 de Agosto de 2020, foi confirmada pela Polícia de Hong Kong, em comunicado a que a Lusa teve acesso.

“Hoje [ontem] a polícia de Hong Kong recebeu oito suspeitos das autoridades da China continental no porto da baía de Shenzhen [na fronteira com aquela região administrativa especial], em grupos separados”, pode ler-se na nota, que não identifica os detidos deportados pelas autoridades chinesas.

Contudo, o South China Morning Post (SCMP) divulgou os nomes dos activistas entregues às autoridades de Hong Kong, citando fonte policial, uma lista que inclui Tsz Lun Kok, com dupla nacionalidade portuguesa e chinesa, de 19 anos.

Os oito membros de um grupo inicial de 12 activistas detidos em Shenzhen foram deportados, após terem cumprido os sete meses de prisão a que foram condenados, a 30 de Dezembro de 2020, por “travessia ilegal” das águas da China continental.

Os activistas, a maioria ligados aos protestos anti-governamentais de 2019, em Hong Kong, foram detidos quando a lancha em que seguiam com destino a Taiwan, onde se pensa que procuravam asilo, foi interceptada pela guarda costeira chinesa.

Dois deles, Quinn Moon e Tang Kai-yin, deverão continuar detidos em Shenzhen, até cumprirem as penas a que foram condenados, de dois e três anos de prisão, após terem sido considerados culpados de organizar a passagem ilegal da fronteira. Os restantes dois jovens do grupo inicial de 12 já tinham sido devolvidos a Hong Kong, no final do ano passado, por serem menores de idade.

Futuro incerto

Andy Li foi o primeiro do grupo a regressar a Hong Kong, após ter cumprido os sete meses de prisão a que foi condenado, segundo o SCMP. Li foi entregue às autoridades de Hong Kong e chegou à estação de polícia de Tin Shui Wai por volta 10h30 de ontem, devendo permanecer detido.

Os membros do grupo antigovernamental deverão ainda enfrentar acusações em Hong Kong pela participação nos protestos de 2019, não sendo certo se vão continuar detidos, enquanto aguardam julgamento.

O jovem com dupla nacionalidade portuguesa e chinesa, natural de Hong Kong, já tinha sido detido no território a 18 de Novembro de 2019, e mais tarde libertado, durante o cerco da polícia à Universidade Politécnica.

Kok, que estudava engenharia noutra universidade, é acusado de motim, por ter alegadamente participado numa manobra para desviar as atenções das forças de segurança, com o objectivo de permitir a fuga de estudantes refugiados no interior, segundo o seu advogado em Hong Kong.

23 Mar 2021

Grande Baía | Xi coloca Shenzhen no centro do projecto de integração

O papel de Shenzhen no projecto da Grande Baía vai ser reforçado. Este foi um dos destaques do discurso do Presidente chinês na cerimónia do 40.º aniversário do estabelecimento da zona económica especial, onde Xi Jinping apelou à criação de incentivos para cativar jovens de Macau e Hong Kong a optarem por Shenzhen para estudar e trabalhar

 

“Estamos à beira de mudanças sem precedentes neste século e devemos seguir o caminho da autossuficiência, isso significa que devemos tornar-nos independentes na busca pela inovação”, referiu Xi Jinping, citado pela CCTV. O Presidente chinês discursou ontem em Shenzhen, na cerimónia que marcou o 40.º aniversário da zona económica especial, um modelo que o líder referiu como forma de aprofundar a abertura da economia chinesa.

A cidade que serve de hub tecnológico está no centro do projecto da Grande Baía, algo que foi destacado no discurso do Presidente chinês como um factor de união com Macau e Hong Kong. “Devemos continuar a encorajar e a guiar os nossos compatriotas de Hong Kong, Macau e Taiwan, assim como os chineses emigrados, para o importante papel do seu investimento e empreendedorismo como contributos para a abertura, nos dois sentidos, das zonas económicas especiais”, indicou o líder chinês.

Xi Jinping referiu que o Partido Comunista Chinês vai emitir mais de 60 mudanças de política ou novas directrizes para a Shenzhen. Apesar de não dar pormenores, revelou que o objectivo é dar “mais autonomia em áreas importantes”.

Com tal, prometeu relaxar regulamentos para impulsionar novas indústrias e apelou aos empresários e trabalhadores de Shenzhen para que contribuam para o “grande rejuvenescimento da nação chinesa” e a “optimização e actualização da produção”, numa referência às ambições do país em tornar-se um competidor global em sectores de alto valor agregado, incluindo nas telecomunicações, biotecnologia, carros eléctricos ou energia renovável.

Amor profundo

A busca do “aprofundamento da integração” entre os jovens de Macau, Hong Kong e da província de Guangdong é uma prioridade social, entre os meus planos económicos, “para aumentar o sentido de pertença à pátria-mãe”.

Assim sendo, a China deve “utilizar completamente a importante plataforma Guangdong-Hong Kong-Macau para cooperar e atrair mais jovens de Hong Kong e Macau para estudar, trabalhar e viver na pátria-mãe”, indicou Xi Jinping.

Além de destacar o autêntico milagre que transformou Shenzhen, uma vila de pescadores, num hub tecnológico, o Presidente chinês comprometeu-se com a necessidade de estabelecer um sistema de governação que recompense o talento, despromova os medíocres e expulse os incapazes. “Precisamos estabelecer um ecossistema político com determinação para lutar contra a corrupção e derrubar o formalismo e a burocracia institucional. A corrupção será combatida infalivelmente e a burocracia rejeitada. Vamos estabelecer um ecossistema político saudável e correcto”, perspectivou o líder.

“Estou aqui em Guangdong para mostrar à China e ao mundo que o Parido Comunista da China vai continuar firmemente a liderar o povo chinês pelo caminho da reforma e da abertura”, apontou.

14 Out 2020

Shenzhen | Xi Jinping promete apoio ao desenvolvimento de hub tecnológica na China

O Presidente chinês, Xi Jinping, prometeu hoje apoiar o desenvolvimento do maior ‘hub’ de tecnologia da China, numa altura em que os Estados Unidos tentam conter as ambições de Pequim nas indústrias de alto valor agregado.

Xi realizou um discurso por altura do 40º aniversário desde que Shenzhen se abriu à economia de mercado, parte da política de reforma e abertura impulsionada pelo antigo líder chinês Deng Xiaoping.

O chefe de Estado da China prometeu relaxar os regulamentos para impulsionar novas indústrias e apelou aos empresários e trabalhadores de Shenzhen para que contribuam para o “grande rejuvenescimento da nação chinesa” e a “otimização e atualização da produção”, numa referência às ambições do país em tornar-se um competidor global em setores de alto valor agregado, incluindo nas telecomunicações, biotecnologia, carros elétricos ou energia renovável.

“Estamos perante mudanças sem precedentes no espaço de um século e devemos seguir rumo à autossuficiência. Isto significa que devemos tornar-nos independentes no nosso impulso de inovação”, apontou Xi Jinping, citado pela emissora estatal CCTV.

Situada na fronteira com Hong Kong, Shenzhen tornou-se um centro global para o fabrico de componentes eletrónicos e sede das principais firmas tecnológicas do país, incluindo o grupo de telecomunicações Huawei, a fabricante automóvel BYD ou o gigante da Internet Tencent.

Estas empresas enfrentam, no entanto, crescente pressão por parte dos Estados Unidos, que temem perder o domínio industrial em alta tecnologia.

Segundo Xi Jinping, o Partido Comunista Chinês vai emitir mais de 60 mudanças de política ou novas diretrizes. Sem avançar mais detalhes, o líder chinês afirmou que Shenzhen teria “mais autonomia em áreas importantes”.

As duas maiores economias do mundo enfrentam já uma prolongada guerra comercial, que inclui a imposição de taxas alfandegárias sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de ambos.

Mas a pressão do Governo norte-americano para que as empresas boicotem entidades chinesas específicas converteu-se num esforço concertado para forçar fornecedores e países terceiros a aderirem a um bloqueio à tecnologia chinesa.

Washington bloqueou o acesso da Huawei a componentes e tecnologia norte-americanos, o que ameaça paralisar as vendas de telemóveis e equipamentos da empresa.

Nos últimos dois anos, a administração de Donald Trump colocou outras 70 empresas chinesas na Lista de Entidades do Departamento de Comércio, limitando o seu acesso a tecnologia norte-americana.

Trump emitiu ainda uma ordem, em agosto passado, que declarou o WeChat, uma aplicação de mensagens instantâneas operada pela Tencent, como ameaça à segurança nacional.

Estas medidas aceleraram a urgência da China em desenvolver tecnologia autónoma, incluindo na produção de ‘chips’ para processadores e outros componentes, no qual Shenzhen desempenha um papel fundamental.

Shenzhen é também uma cidade central no projeto de integração regional apadrinhado por Xi Jinping, a Área da Grande Baía – uma metrópole mundial, que inclui também Macau e Hong Kong e mais oito cidades de Guangdong, através da criação de um mercado único e da crescente conectividade entre as vias rodoviárias, ferroviárias e marítimas.

14 Out 2020

Shenzhen | MNE português mantém contacto com advogado de Kok Tsz Lun 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros em Portugal está a acompanhar o caso da detenção no Interior da China de um residente de Hong Kong com passaporte português, mantendo contactos com o advogado de Kok Tsz Lun. Rita Santos e José Pereira Coutinho, conselheiros das Comunidades Portuguesas, não comentam o caso

 

A detenção de Kok Tsz Lun, residente de Hong Kong com passaporte português, está a ser acompanhada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em Portugal. Numa resposta escrita enviada ao HM, o Governo português assegurou que “está a acompanhar o caso do Senhor Kok Tsz Lun, mantendo contactos com o seu advogado”.

O MNE sublinha ainda a posição jurídica do detido, referindo que “é residente permanente em Hong Kong e detentor de dupla nacionalidade chinesa e portuguesa”, acrescentando que o “o regime jurídico da China não reconhece a dupla nacionalidade a cidadãos chineses”. Desta forma, “a situação continuará a ser seguida nos termos dos Acordos Bilaterais e do Direito Internacional vigente”.

Esta terça-feira, numa nota enviada à Lusa, o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves, confirmou a detenção, noticiada pelo jornal The Washington Post.

“O Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong foi informado que o Sr. Tsz Lun Kok, natural e residente na RAEHK [Região Administrativa Especial de Hong Kong], detentor de passaporte português, se encontrará detido em Shenzhen por travessia ilegal da fronteira ao sair de Hong Kong, por via marítima, com destino a Taiwan”, de acordo com uma nota enviada à Lusa.

O consulado português lembrou que a China reconhece “o passaporte português apenas enquanto documento de viagem não atributivo da nacionalidade”, o que limita a intervenção das autoridades portuguesas “ao domínio humanitário, procurando assegurar que o detido se encontra bem, que lhe seja dispensado um tratamento digno e que possa ser defendido por um advogado”.

Conselheiros não comentam

O jovem de 19 anos, estudante na Universidade de Hong Kong, terá alegadamente feito parte de um grupo que comprou uma lancha rápida para fugir para Taiwan. Horas depois de partirem do território vizinho, no dia 23 de Agosto, viram a viagem interrompida pela guarda costeira de Guangdong, que interceptou o barco a cerca de 50 milhas a sudeste do ponto de partida.

Nessa operação, as autoridades detiveram 11 homens e uma mulher, com idades compreendidas entre os 16 e 33 anos, que foram acusados de entrada ilegal na China.

Questionados pelo HM sobre o caso, tanto Rita Santos como José Pereira Coutinho, conselheiros das Comunidades Portuguesas (CCP), não quiseram fazer comentários. “Não sei. Não estou dentro desse assunto. Não é por não querer responder”, disse Rita Santos. Já José Pereira Coutinho frisou que nada mais tem a adiantar, além das explicações dadas pelo cônsul Paulo Cunha Alves.

Em declarações ao HM, o Embaixador de Portugal em Pequim, José Augusto Duarte, revelou que o caso é “um assunto de apoio e protecção consular e está por isso mesmo a ser acompanhado pelo Consulado Geral de Portugal em Macau e pelo Consulado Geral de Portugal em Cantão”.

Renovação difícil

Rita Santos e José Pereira Coutinho, conselheiros das Comunidades Portuguesas (CCP), têm recebido vários pedidos de informação de portugueses a residir em Hong Kong que não conseguem deslocar-se a Macau para renovar o cartão de cidadão ou o passaporte. Pereira Coutinho contou ter recebido cerca de uma dezena de pedidos de ajuda. “Estamos a aconselhar as pessoas para que aguardem até que surja uma altura mais favorável para viajar”, disse o conselheiro. “Vamos falar com o cônsul [Paulo Cunha Alves] porque, enquanto conselheiros, tens acompanhado de perto este processo. Felizmente, o cônsul tem tido um bom diálogo connosco. O consulado tem estado a responder caso a caso”, adiantou Rita Santos. O HM tentou obter mais esclarecimentos junto do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, mas até ao fecho desta edição não foi obtida resposta.

3 Set 2020

Covid-19 | Shenzhen proíbe permanentemente a criação e consumo de animais selvagens

Uma das mais prósperas cidades chinesas, Shenzhen, emitiu hoje a proibição mais abrangente até à data de criação e consumo de animais selvagens, num esforço para evitar um surto futuro do coronavírus.

A covid-19 foi detectada pela primeira vez na cidade de Wuhan, centro da China, em dezembro passado, entre pacientes relacionados com um mercado da cidade que vendia animais selvagens, incluindo pangolim e civeta, além de carnes mais convencionais, como frango e peixe. O consumo de animais selvagens é sobretudo popular no sul da China, onde Shenzhen está situado.

Situada na fronteira com Hong Kong, Shenzhen tornou-se num centro global para fabrico de componentes eletrónicos e sede das principais firmas tecnológicas do país. Em 2002, o surto da pneumonia atípica, ou SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), foi inicialmente disseminado por pessoas que consumiam ou criavam e vendiam animais selvagens em áreas próximas de Shenzhen.

Os regulamentos estipulados pelas autoridades da cidade proíbem permanentemente o comércio e o consumo de animais selvagens, o que vai além da proibição temporária emitida pelo Governo central, em fevereiro passado, após o início do surto.

Para além de cobras, lagartos e outros animais selvagens, a diretriz, que cita razões humanitárias, proíbe ainda o consumo de carne de cão e gato, que são há muito tempo especialidades locais.

A proibição prevê multas a partir dos 150 mil yuans, valor que aumentou consideravelmente, dependendo da quantidade de animais apreendidos.

A medida não restringe a criação de animais selvagens para fins medicinais, que tem sido criticada como cruel e perigosa para a saúde pública, embora o consumo desses animais para alimentação passe a ser proibido.

2 Abr 2020

Celebrações dos 20 anos da RAEM travam circuito citadino em Shenzhen

A cidade de Shenzhen preparava-se para organizar pela primeira vez uma prova de automobilismo e motociclismo de velocidade no mês de Dezembro, mas o evento, à imagem do Grande Prémio de Macau, foi cancelado devido às comemorações dos vinte anos da RAEM.

 

O “Grande Prémio da Cidade Internacional da Baía de Shenzhen”, assim se traduz em português o nome do evento, estava agendado para os dias 20, 21 e 22 de Dezembro, e tinha o aval do governo local. O traçado, localizado no distrito de Nanshan, era constituído por seis curvas e seis rectas. O menu de provas inclua seis corridas: duas para motos, uma para concorrentes locais e outra internacional, uma para carros de GT, uma para Fórmula Renault e duas para diferentes classes de carros de Turismo.

Várias equipas do sul da China foram convidadas a participar no evento do circuito citadino de Nanshan Shenzhen, apesar de nenhuma corrida contar para qualquer campeonato nacional ou regional. Mesmo sendo os custos de transporte das viaturas e equipamento apresentados relativamente mais elevados para os valores habituais, a prova, que está a ser trabalhada nos bastidores desde o passado mês de Agosto, estava a gerar algum interesse junto da comunidade automobilística, principalmente devido à proximidade a Hong Kong a que se alia o factor novidade.

Contudo, visto que a cidade de Shenzhen faz parte da Grande Baía e a vizinha RAEM estará em festa nesse fim-de-semana, os organizadores anunciaram, em comunicado no início de Novembro, o adiamento da prova. Na comunicação escrita do comité organizador do evento, onde se destaca o “forte apoio da indústria automóvel e difusão”, é permitido ler ainda “que uma nova data será confirmada num futuro próximo e comunicada a todas as partes o mais cedo possível”.

Esta não foi a primeira alteração da data deste evento desportivo da primeira zona económica especial criada pela República Popular da China, visto que o “Grande Prémio da Cidade Internacional da Baía de Shenzhen” chegou a estar previsto para o mês de Novembro, num outro ponto da cidade, para no mês de Setembro, devido a obras em curso na localização inicial, ser reagendado para o mês de Dezembro.

A ideia não está morta

Apesar da “falsa partida”, os organizadores do “Grande Prémio da Cidade Internacional da Baía de Shenzhen”, esperam levar avante o evento no próximo ano. Estes terão mesmo encetado contactos para convidar os concorrentes do Campeonato do Mundo FIM de Sidecar, uma competição que está sob a égide da Federação Internacional de Motociclismo (FIM) e que recentemente visitou Portugal, para uma corrida de exibição. Por outro lado, existe a vontade que a corrida de motociclismo faça parte do campeonato asiático de estrada – FIM Asia Road Racing Championship, na designação inglesa -, uma competição com mais de vinte anos de história, mas para que tal aconteça os exigentes padrões internacionais de segurança terão que ser respeitados na integra. Para além das corridas, o programa de festividades inclui exibições de drift, acrobacias de motos e concentrações automóveis de clubes.

29 Nov 2019

Acidente | Autoridade de Aviação investiga aterragem em Shenzhen

AAutoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) vai cooperar com a Administração da Aviação Civil da China para investigar o incidente que levou a uma paragem abrupta em Shenzhen de um voo da Capital Airlines, quando este se dirigia a Macau. Depois do contacto com o solo, parte do trem de aterragem ficou destruído e atingiu o motor esquerdo. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, o director da Direcção de Licenciamento e Operações da AACM, Pun Wa Kin, referiu que arrancou o processo de recolha de provas, mas que, devido à falta de informações, a AACM não consegue, para já, prever quando estará concluída. Espera-se, contudo, que o relatório preliminar esteja pronto dentro de um mês. De acordo com informação da publicação Airlive, cinco passageiros ficaram ligeiramente feridos na sequência da aterragem de emergência e a pista do Aeroporto de Shenzhen onde a aeronave aterrou foi encerrada.

30 Ago 2018

Shenzhen | Mais de 50 detidos por apoio a protesto por direitos sindicais

Mais de 50 estudantes foram detidos por apoiarem trabalhadores que se manifestam pelo direito de formar um sindicato na cidade de Shenzhen, disse à agencia noticiosa espanhola EFE uma organização não-governamental. A China Labour Bulletin (CLB), com sede em Hong Kong e que defende os direitos dos trabalhadores na China, assegurou que a maioria dos detidos são estudantes universitários que apoiam o movimento dos trabalhadores da empresa Jasic Technology.
Desde Maio que os trabalhadores da Jasic Technology, com fábricas em Shenzhen e Chengdu com um total de 1.200 empregados, reivindicam os seus direitos, depois da empresa ter despedido os mais críticos.
Três funcionários da empresa também foram detidos por algumas horas. “O ataque policial contra os activistas estudantis mostra que as autoridades estão muito preocupadas com o crescente apoio que os trabalhadores da Jasic estão a receber em toda a China e que estão a tentar silenciar essas vozes através da censura na Internet e da acção policial”, disse à EFE o director de comunicação da CLB, Geoffrey Crothall. “A menos que as autoridades abordem realmente o problema real, que é a falta de um sindicato legítimo que possa representar os interesses dos trabalhadores, este tipo de protestos voltará a acontecer”, alertou.
Os empregados da Jasic Technology também protestam contra os baixos salários e as más condições de trabalho.

27 Ago 2018

Academia do Sporting realiza torneio de futebol para sub-13

O Campo do D. Bosco recebe no sábado um torneio organizado pela Academia do Sporting, que conta com a participação de equipas vindas de Zhuhai, Shenzhen e Hong Kong

 

Um torneio para aferir a qualidade do trabalho desenvolvido e comparar o nível interno com as regiões vizinhas. É desta forma que os responsáveis Academia do Sporting definem os objectivos da primeira edição do torneio internacional de juvenis, que se realiza este sábado, no campo D. Bosco.

“É uma oportunidade para aferir em que nível está o trabalho que temos vindo a realizar dentro da academia do Sporting. Queremos ver como nos encontramos perante as outras regiões, uma vez que vamos ter pela frente equipas de Hong Kong, Shenzhen e Zhuhai”, disse Nuno Capela, Director Técnico da academia.

O torneio vai contar com seis equipas participantes no total. O território vai estar representado pela equipa da Academia do Sporting, Escola Portuguesa de Macau e Escola de Futebol de Macau, uma formação sob a tutela do Instituto do Desporto. A cidade de Hong Kong vai ser representada por AET ARKsports, Zhuhai pela FYFC e Shenzhen pela Escola Primária Meiyuan.

Nuno Capela reconheceu também que o torneio está a criar expectativas junto da comunidade e dos pais. “A informação só se tornou pública esta semana e a reacção que temos recebido tem sido muito boa. Mesmo entre os pais há expectativas enormes porque sentem que é um dia que pode ficar facilmente na memória dos miúdos”, revelou.

Está previsto que os jogos comecem pelas 9h da manhã e terminem por volta das 17h30, marcando o final do evento. Segundo o modelo da competição, as equipas vão ser divididas em dois grupos de três. Os primeiros classificados dos grupos disputam a final e os segundos classificados vão jogar pela atribuição do terceiro lugar.

 

Para repetir

Por parte da organização, que tem estado principalmente a cargo de Nuno Capela e Pedro Lopes, Director Administrativo da Academia, existe a esperança que a competição se possa repetir no futuro.

“Esperamos poder a vir repetir o torneio porque a nossa ideia é criar um torneio de juvenis do Sporting que se realize de forma anual. Este mês ainda não sei se será possível repetir no próximo ano, mas é este o nosso desejo”, explicou Nuno Capela, que é também o treinador do Sporting de Macau.

Apesar de tudo, o torneio esteve em risco de não se realizar, depois da MGM não ter concretizado um patrocínio que tinha ficado apalavrado. A operadora tem sido um dos parceiros da Academia do Sporting, com a criação de bolsas para alguns jogadores poderem participar nas actividades da escola de futebol.

“Infelizmente não vamos poder fazer o torneio nos moldes em que inicialmente tínhamos pensado, porque não foi possível concretizar o acordo verbal anunciado”, reconheceu o director técnico do Sporting, José Reis.

“Mas assim que esse cenário se confirmou, o Pedro Lopes e o Nuno Capela entraram imediatamente em campo para reunir outros apoios financeiros de logísticos e realizar o evento, mesmo que com um orçamento substancialmente reduzido”, frisou.

5 Jun 2018