‘Chips’ | Fabricantes chineses de ‘chips’ actualizam equipamento da ASML Hoje Macau - 20 Dez 2025 Fabricantes chineses de semicondutores estão a actualizar equipamentos avançados de litografia da holandesa ASML para contornar os controlos de exportação impostos por EUA e Países Baixos, avançou ontem o jornal britânico Financial Times. A operação visa acelerar a produção de ‘chips’ usados em sistemas de inteligência artificial (IA), que integra a disputa em curso entre China e EUA pelo domínio das tecnologias do futuro. Segundo fontes citadas pela publicação, fábricas chinesas que produzem ‘chips’ para telemóveis e aplicações de IA estão a melhorar o desempenho de máquinas de litografia ultravioleta profunda (DUV) – nomeadamente o modelo Twinscan NXT:1980i – através da aquisição de componentes no mercado secundário, incluindo plataformas mecânicas (“stages”), lentes e sensores de maior precisão. Essas actualizações têm permitido às fábricas aumentar a produção de ‘chips’ de sete nanómetros, apesar das restrições que impedem a ASML de fornecer à China as suas máquinas DUV mais recentes ou qualquer equipamento de litografia ultravioleta extrema (EUV), essencial para processos mais avançados. As melhorias, realizadas com assistência de empresas terceiras fora do controlo directo da ASML, permitem às fabricantes mitigar os custos adicionais e as perdas de rendimento associadas ao processo de “multi-patterning” – exposição múltipla do ‘wafer’ para compensar a falta de tecnologia EUV –, comum nas linhas de produção chinesas mais avançadas. A ASML confirmou que “cumpre rigorosamente todas as leis e regulamentos aplicáveis” e negou fornecer actualizações que aumentem o desempenho dos sistemas para além do permitido. Actualmente, a empresa está impedida de melhorar a precisão (“overlay”) ou a velocidade (“throughput”) das máquinas DUV em mais de 1 por cento.
Guangxi | Ataque com arma branca faz pelo menos três mortos e um ferido Hoje Macau - 20 Dez 2025 Pelo menos três pessoas morreram e uma ficou ferida ontem, num ataque com arma branca ocorrido na vila de Xincheng, na região semiautónoma de Guangxi, sul da China, informou a polícia local. O incidente teve lugar por volta das 07:00, numa zona do município de Chengguan, segundo um comunicado do Departamento de Segurança Pública de Xincheng. As circunstâncias concretas do ataque não foram até ao momento divulgadas. O presumível autor, um homem de 35 anos identificado pelo apelido Guo, foi detido e encontra-se sob custódia policial. A pessoa ferida foi transportada para um hospital, enquanto as restantes vítimas não resistiram aos ferimentos causados pelo ataque. As autoridades indicaram que o caso continua em investigação e não forneceram informações sobre o possível motivo do ataque, desconhecendo-se se o suspeito conhecia as vítimas ou se se tratou de um acto indiscriminado. Também não foi especificado se o ataque ocorreu num local público ou numa zona residencial. Nos últimos anos, vários ataques com arma branca foram registados em diferentes regiões da China, alguns com vítimas mortais. Embora as motivações variem, muitos desses episódios têm sido descritos pela imprensa local e autoridades como casos de “vingança contra a sociedade”, protagonizados por indivíduos com frustrações pessoais que descarregam a sua raiva contra desconhecidos. Face à repetição destes incidentes, a Procuradoria Popular Suprema da China prometeu este ano “castigos severos, rigorosos e céleres” para os autores de tais crimes, enquanto o Ministério da Segurança Pública apelou ao reforço da prevenção para “manter a estabilidade social”.
Economia | Carteira de dívida dos EUA atinge mínimos desde 2008 Hoje Macau - 20 Dez 2025 O emagrecimento da carteira da dívida norte-americana começou no primeiro mandato de Trump à frente da Casa Branca e reflecte a falta de confiança chinesa na sustentabilidade dos activos aliada às dúvidas sobre a independência da Reserva Federal Pequim reduziu em Outubro a sua carteira de dívida pública norte-americana para o nível mais baixo desde 2008, reflectindo preocupações sobre a sustentabilidade da dívida norte-americana e a independência da Reserva Federal, noticiou ontem o South China Morning Post. Segundo dados do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos citados pelo jornal de Hong Kong, o valor caiu de 700,5 mil milhões de dólares em setembro para 688,7 mil milhões de dólares em Outubro, o registo mais baixo desde Novembro de 2008. Este valor representa uma queda de 47 por cento face ao pico de Novembro de 2013, quando Pequim detinha cerca de 1,32 biliões de dólares em títulos do Tesouro norte-americano, segundo a empresa de dados financeiros chinesa Wind. A retirada progressiva de fundos começou no primeiro mandato de Donald Trump (2017–2021), e, em Março deste ano, a China caiu para a terceira posição entre os maiores detentores estrangeiros de dívida dos EUA, atrás do Japão e do Reino Unido. Dois meses depois, a carteira caiu para mínimos desde 2009. Esta semana, Yu Yongding, ex-assessor do Banco Popular da China, advertiu num artigo para os riscos crescentes associados aos activos denominados em dólares, apelando à redução da dependência de mercados externos, “especialmente dos EUA”, e à minimização do que descreveu como “a armadilha do dólar”. Segundo o economista, a China poderá ser “a força decisiva” a pôr fim aos dois pilares da balança de pagamentos dos EUA: o domínio global do dólar – sustentado pelo poder militar – e mercados financeiros dinâmicos impulsionados pela inovação tecnológica. Refúgio dourado A par da venda de dívida, Pequim tem reforçado a diversificação das suas reservas externas: em Novembro, comprou ouro pelo décimo terceiro mês consecutivo, acumulando um total de 310.600 milhões de dólares em reservas do metal precioso, considerado um activo de refúgio em períodos de instabilidade. Apesar da trégua comercial de um ano assinada em Outubro entre Washington e Pequim, as duas potências acumularam meses de tensões desde o regresso de Trump à Casa Branca, alimentando especulações sobre uma eventual venda maciça de dívida norte-americana por parte da China.
A Suave Descida Dos Gansos De Lin Xue Paulo Maia e Carmo - 20 Dez 2025 Li Liufang (1575-1629), o pintor e poeta que viveu por um tempo retirado no seu Jardim da madeira de sândalo, perto do Lago do Oeste, valorizava o afecto entre amigos alongando-se aos que viviam distantes e até mesmo àqueles que já não viviam mas deixaram impressivos traços da sua relação afectuosa com o mundo. De entre os viventes, alguns eram eminentes funcionários e eruditos apreciadores das artes como Dong Qichang (1555-1636) mas também considerava seus pares mulheres que claramente exprimiam com o pincel as mais subtis emoções. Entre elas estava uma antiga cortesã com quem se correspondia, nascida em Min (Fujian) mas que se mudara para Hangzhou junto ao Lago do Oeste, onde haveria de se casar e viver no seio de uma família tradicional. Chamava-se Lin Xue, também conhecida como Lin Tiansu, e nesse início do século XVII, o seu nome de talentosa poetisa e pintora seria notoriamente referido pelo respeitado Dong Qichang: «Ouvi falar de senhoras capazes na arte da pintura; a primeira foi Lin Tianxu e depois Wang Youyun.Tiansu mostrou uma beleza sem rival e Youyun, à vontade num estilo próprio.» Ao contrário do habitual em senhoras que se dedicavam à pintura, ela atreveu-se a realizar pinturas de montanhas e águas correntes (shanshui) como se observa no longo e cadenciado rolo horizontal que mostra um Cenário de Jiangnan (tinta e cor sobre papel, 33,7 x 447,5 cm, no Museu do Palácio Nacional, em Taipé) que se vai desenrolando como uma peregrinação. A sua vocação e engenho na arte da pintura também podem ser confirmados em obras como no rolo ousadamente vertical de 1621, Ameixeira e bambu (tinta e cor sobre papel, 86 x 18,6 cm no Instituto de Arte de Chicago). Nele está figurada a ideia da longanimidade; na base, o bambu que resiste às forças do vento, da chuva e da neve e, subindo irresistivelmente, a ameixeira cuja flor desponta ainda antes do fim do Inverno. Plantas gratas a poetas e pintores letrados, tal como um tema que se vê num rolo vertical que ecoa uma tradição com origem no século onze. Lin Xue mostra nessa pintura de Gansos descendo nas areias das margens (tinta e cor sobre seda, 185,1 x 99,5 cm, no Smithsonian), as aves aquáticas surgindo no espaço pintado a partir do limite superior da página num ondulante e seguro movimento vertical até pousarem na areia. O tema Pingsha luoyan, associado à mudança da estação «quando o yin aumenta», que é parte da memória de várias artes, é referido numa introdução a uma notação para uma música no guqin, que se diria um comentário adequado à pintura de Lin Xue: «Face ao claro céu do Outono o ar é nítido e fresco enquanto a brisa se demora calma nas areias tocadas pela água. Por entre as nuvens estendendo-se na distância, voando e cantando, bandos de gansos encarnam as altas aspirações dos que vivem isolados por um excesso de sensibilidade.»
Droga | Apreendidas metanfetaminas no valor de 990 mil patacas Hoje Macau - 20 Dez 2025 A Polícia Judiciária anunciou a detenção de quatro pessoas do Interior e de Hong Kong, que entraram em Macau com cerca de 990 mil patacas em metanfetaminas transportadas em preservativos. A informação foi divulgada ontem e citada pelo jornal Ou Mun, sendo que a investigação terá começado a partir de uma denúncia. Segundo o relato, dois dos detidos entraram em Macau através das Portas do Cerco e alojaram-se num hotel, na zona norte da cidade. Mais tarde, foram ao encontro destes dois indivíduos outras duas pessoas, que transportavam consigo 275 gramas de metanfetaminas. A primeira revista da polícia aos dois indivíduos que chegaram mais tarde ao hotel permitiram apreender preservativos e fita-cola. No interior do quarto, as autoridades encontraram igualmente preservativos com droga no interior. As drogas, avaliadas no mercado em 990 mil patacas, pesavam 275 gramas. Os quatro detidos confessaram que o objectivo era que dois deles engolissem os preservativos com a droga e os transportassem para fora de Macau. Os outros dois foram responsáveis por trazer os estupefacientes para a RAEM.
Turismo | Visitantes do Japão sobem quase 40% Andreia Sofia Silva - 20 Dez 2025 Dados estatísticos oficiais revelam que Macau recebeu, em termos anuais, mais turistas internacionais em Novembro, sendo que uma das maiores subidas, de 38,1 por cento, se refere a turistas oriundos do Japão. Novembro, representou o ultrapassar da fasquia dos três milhões de turistas, uma subida anual de 18,1 por cento O Japão foi o país de origem de turistas internacionais com uma das maiores expressões nos dados estatísticos relativos a Novembro, sendo apenas ultrapassado pela Tailândia. Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que, no mês de Novembro, Macau recebeu 16.187 pessoas do Japão, uma subida de 38,1 por cento face a igual mês do ano passado. No caso da Tailândia, de onde vieram 15.140 turistas, a subida foi de 49,4 por cento. De destacar os cancelamentos recentes de concertos de artistas japoneses no território, não obstante os números positivos do turismo oriundo do país. Um deles, foi da cantora pop japonesa Ayumi Hamasaki, agendado para o dia 10 de Janeiro, e que ocorreu depois do cancelamento da actuação da mesma artista em Xangai, marcada para o dia 29 de Novembro. Também cancelado, foi o espectáculo de Natal com a banda Say My Name, que integra as artistas japonesas Hitomi Honda, a líder do grupo, e Terada Mei. O Governo negou qualquer interferência nestes cancelamentos por questões políticas, tendo a presidente do Instituto Cultural (IC), Deland Leong Wai Man, referido que “diferentes partes têm os seus factores de ponderação”. “É normal ter ajustamento sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, acrescentou. No que diz respeito a outros países de origem de visitantes internacionais, no caso da Indonésia registou-se também uma subida de 23,1 por cento, enquanto que relativamente aos turistas vindos de Singapura foram de 12.920 em Novembro, uma quebra de 6,6 por cento. No caso dos turistas oriundos da Índia, a subida foi de 3,1 por cento, num total de 8.766 visitantes. Em termos gerais, e ainda relativamente a Novembro, o número de entradas de visitantes internacionais totalizou 273.950, mais 13,6 por cento, em termos anuais. Mais turistas de Zhuhai Olhando para os restantes números do turismo, os dados da DSEC mostram a vinda de 3.345.683 de turistas em Novembro, mais 18,1 por cento em termos anuais. Realça-se que o número de entradas de excursionistas (2.035.555) e de turistas (1.310.128) aumentaram 31,5 e 2,1 por cento, respectivamente, em termos anuais. Os turistas oriundos do Interior da China foram 2.397.043, mais 21,9 por cento, em termos anuais, destacando-se o número de entradas de visitantes com visto individual, 1.262.722, com uma subida de 36,1 por cento. Outro número positivo, prende-se com a subida de 33 por cento nas entradas de visitantes oriundos de nove cidades da região da Grande Baía, num total de 1.279.819, em relação a Novembro de 2024. Para este número, contribuiu o aumento de 71,2 por cento de entradas com origem em Zhuhai, descreve a DSEC. Nos 11 meses do ano, Macau recebeu 36.489.230, mais 14,4 por cento face a igual período de 2024.
CPSP | Combate a turistas que simulam estar em trânsito João Luz e Nunu Wu - 20 Dez 2025 A polícia de Macau reforçou o combate ao excesso de permanência no território com recurso ao abuso da política que permite o trânsito em Macau a indivíduos oriundos do Interior da China. Entre Janeiro e Novembro, foram descobertas mais de 7.800 pessoas que alegaram falsamente vir a Macau apanhar transporte para outro local Ao longo dos primeiros 11 meses deste ano, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) deu conta de mais de 7.800 pessoas vindas do Interior da China que, alegadamente, iriam usar Macau como ponto de partida para destinos no estrangeiro, mas que acabaram por ficar no território abusando da justificação para a entrada. Num comunicado partilhado nas redes sociais, o CPSP especifica que foram recusadas entradas a pessoas que não tinham bilhetes de transportes válidos para viagens que teriam como ponto de partida Macau, que não saíram para o exterior ou que segundo os registos das autoridades tinham repetidas entradas e saídas de Macau. “Um pequeno número de indivíduos ignora os regulamentos da China Continental e de Macau, abusando do sistema de trânsito ao viajar frequentemente entre a RAEM e a China, sob o pretexto de transitar por Macau para alcançar o objectivo de residência de longo prazo e, em alguns casos, permanecer além do prazo permitido. Isso não só perturba a ordem normal de entradas e saídas, como também afecta a eficiência das travessias fronteiriças”, indicou o CPSP. As autoridades acrescentam que os “departamentos competentes” dos dois lados da fronteira “têm mantido uma postura rigorosa e de alta pressão, reforçando o escrutínio de casos de entrada suspeitos”. A polícia garante que quem não cumpre as regras de entrada será recusado, e que essa postura coíbe “de forma resoluta vários comportamentos ilegais”. Aprender com outros O CPSP também admitiu que são partilhadas frequentemente informações nas redes sociais com instruções detalhadas sobre formas de entrar em Macau irregularmente. Face a esta situação, as autoridades apelaram aos turistas para se certificarem que não estão a cometer ilegalidades que podem ter consequências e, em caso de ter dúvida, consultarem directamente o CPSP. A polícia reconhece no mesmo comunicado que, além do visto turístico, a permissão de entrada no território de passagem para outro lugar pode ser uma medida de incentivo à economia da RAEM. Porém, os titulares do passaporte da República Popular da China para entrar em Macau antes de seguir para outras paragens, precisam mostrar visto válido para viajar para o estrangeiro, assim como bilhetes ou reservas de viagens de avião para viagens com partida do Aeroporto Internacional de Macau. As autoridades acrescentaram ainda que vão continuar a realizar operações de fiscalização no Posto Fronteiriço da Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau para interceptar indivíduos que abusem da política de permanência provisória.
Património | Criticada protecção deficiente por parte do Governo Hoje Macau - 20 Dez 2025 O ex-candidato à Assembleia Legislativa, Johnson Ian, considerou que as acções de protecção do património cultural e histórico do Governo ficam sempre aquém as expectativas da população. A opinião foi publicada através do jornal Son Pou. Segundo Ian, esta falta de consciência do Governo levou a que ao longo dos anos se desenvolvessem várias polémicas como a construção de um prédio na Calçada do Gaio, com uma altura que bloqueia a vista para o Farol da Guia, ou a construção do viaduto entre Zona A e Zona B. Para o ex-candidato a deputado, estas situações mostram que o Governo não tem entendido as necessidades sociais ao nível da protecção do património cultural e histórico. O artigo visou o recente caso em que várias lojas no Largo de São Domingos colocaram tabuletas publicitárias vermelhas com carateres amarelos, cores que destoam do ambiente histórico daquela zona protegida. Sobre a polémica mais recente, Ian criticou o Instituto Cultural por não ter assumido com eficácia o papel de supervisão e só ter reagido às tabuletas depois de terem surgido críticas em grupos online. Face a esta falha, Johnson Ian alertou que o Governo tem que se manter activo e dar prioridade à preservação do património.
Apartamentos para Idosos | Moradores dizem estar satisfeitos Hoje Macau - 20 Dez 2025 Um inquérito da associação dos Moradores concluiu que quase 70 por cento dos residentes locais estão satisfeitos com os apartamentos para idosos, um tipo de habitação pública para arrendamento. As conclusões tiveram em conta 755 questionários, feitos a 210 moradores do apartamentos e 545 residentes que não vivem neste tipo de habitação. Os resultados foram apresentados pelo membro da associação e deputado Leong Hong Sai, com os inquéritos a serem feitos online e também através de entrevistas presenciais, no Bairro do Iao Hon e na zona da Areia Preta. As respostas apontam para a satisfação com este tipo de habitação perto de 70 por cento. No pólo oposto, cerca de 5 por cento dos inquiridos afirmaram não estar satisfeitos de todo com o projecto. Segundo o jornal Ou Mun, apesar de a associação apontar que os resultados revelam “um nível de satisfação elevado”, há vários aspectos que não satisfazem os residentes, entre os quais está o valor das rendas, a falta de espaço, o design dos quartos e as relações com a vizinhança. Quase 85 por cento dos inquiridos indicou que considera a renda demasiado elevada e que devia haver subsídios ou redução do valor. Este aspecto é visto como o maior problema dos apartamentos para idosos. Por sua vez, em relação aos residentes que não moram na habitação para idosos, 40 por cento indicaram que ponderam arrendar um apartamento no futuro, enquanto 40 por cento dizem estar a “observar” o desenvolvimento do projecto. Houve ainda 20 por cento que afastaram de todo a possibilidade de viver num apartamento para idosos, devido às rendas elevadas.
Restaurantes | Governo dá descontos para celebrar transferência João Santos Filipe - 20 Dez 2025 Cerca de 500 restaurantes de Macau vão aceitar descontos que podem atingir 30 por cento do valor da refeição, num limite máximo de 60 patacas por pagamento. Os restaurantes nos casinos ficam de fora da iniciativa, que visa apoiar pequenas e médias empresas Para celebrar o 26.º aniversário da transferência da soberania a partir de hoje o Governo disponibiliza cupões de desconto especiais para comer em restaurantes. Entre hoje e 22 de Dezembro, os residentes podem gozar de um desconto até 30 por cento por refeição, num total de 60 patacas, desde que efectuem o pagamento com as aplicações electrónicas aderentes. Segundo um comunicado da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), a iniciativa visa “celebrar o 26.º aniversário do Regresso de Macau à Pátria e revitalizar o consumo nos bairros comunitários”. De acordo com os moldes apresentados, após levantarem os cupões de desconto, os residentes que paguem através dos meios de pagamentos móveis podem usufruir de um desconto de 30 por cento em cerca de 500 restaurantes. No entanto, a iniciativa deixa de fora os restaurantes nos grandes empreendimentos turísticos, o que foi explicado com a vontade de “prestar um apoio preciso às pequenas e médias empresas”. Os residentes podem levantar um total de três cupões por dia, com um desconto máximo de 60 patacas por cada cupão. Por cada pagamento só pode ser utilizado um cupão. Os cupões podem ser utilizados através das aplicações de telemóvel de pagamento Banco da China Macau Mobile Banking, ICBC e-Payment, MPay e Fung Pay. Celebrar todos juntos A informação detalhada sobre o novo esquema de incentivo ao consumo foi revelada ontem, depois do anúncio oficial em Novembro, mas as autoridades prometem fazer uma campanha intensa de promoção nos próximos dias. “Para aumentar a eficácia da actividade e a participação dos residentes, a DSEDT e as associações comerciais realizarão também uma série de acções promocionais, no sentido de disseminar amplamente a informação sobre os benefícios, incentivando os residentes a consumirem em Macau e celebrarem juntos o feriado”, foi prometido. Além da DSEDT, estão envolvidas na iniciativa a União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau e a Associação Industrial e Comercial de Macau. Nos últimos meses, o Governo tem lançado vários planos de incentivo ao consumo, com a oferta de cupões de desconto através das aplicações de móveis mais utilizadas no território. O objectivo passa por promover a economia dos bairros comunitários, que tem sido mais afectada pelo facto de os residentes preferirem consumir no Interior da China, onde os preços são mais competitivos.
Primeiro ano de Sam Hou Fai foi proactivo a diversificar economia Hoje Macau - 20 Dez 2025 Analistas disseram à Lusa que o primeiro ano de mandato do Chefe do Executivo ficou marcado pela vontade de liderar a diversificação da economia da RAEM, altamente dependente dos casinos. Sam Hou Fai, que tomou posse exactamente há um ano, “adoptou uma abordagem proactiva para liderar o processo de diversificação económica”, defendeu Henry Lei Chun Kwok. O professor da Universidade de Macau deu como exemplo a criação de dois fundos, um para apoiar as indústrias e outro para a investigação científica e tecnológica, e a criação de um parque de ciência e tecnologia. Algo que “difere da abordagem anterior, orientada pelo mercado, e que é crucial tendo em conta as incertezas e a fraca confiança dos investidores que enfrentamos actualmente”, sublinhou o especialista em economia empresarial. O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa sublinhou que Sam Hou Fai “não partiu do zero” e que a diversificação económica era já uma política de Macau “a médio e longo prazo”. “Há, digamos, um comboio em movimento e esse comboio continua. Pode-se aumentar ligeiramente a velocidade, ou reduzir a velocidade, mas o caminho estava mais ou menos traçado”, disse Carlos Cid Álvares. A diferença, explicou o deputado Leong Hong Sai, é que “no passado, discutiu-se durante muitos anos a importância de alcançar uma diversificação económica e industrial”. “Agora, isto está a ser implementado de facto, com o planeamento geral e a selecção de locais a ocorrerem de forma ordenada”, sublinhou o vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau. Ainda assim, Henry Lei avisou que “poderá demorar algum tempo até que os esforços produzam progressos mensuráveis, como o aumento do valor acrescentado ou a quota do sector tecnológico no PIB [Produto Interno Bruto]”. Cid Álvares também vê projectos “interessantes e que podem fazer mexer a economia”: uma zona cultural, em consulta pública até 26 de Dezembro, e a cidade universitária em Hengqin. Périplo ibérico Cid Álvares, também director executivo do Banco Nacional Ultramarino – parte do grupo da Caixa Geral de Depósitos – acredita que a visita que Sam Hou Fai prevê fazer a Portugal e Espanha pode ajudar a atrair empresas e investimento. “Acredito que isso possa fazer com que mais olhos se virem para aqui, porque, para mim, Macau não são 600 mil habitantes, são 80 milhões da Grande Baía, com 12 por cento do PIB da China”, defendeu Cid Álvares. O presidente da CCILC diz que já “está a haver uma maior atenção a Hengqin” e previu que, “a prazo, as fronteiras vão ser bastante simplificadas e, portanto, Macau e Hengqin vão estar mais integrados”. Tem havido “esforços significativos” para uma maior integração de Macau, nomeadamente “a convergência de regras jurídicas”, mas Leong Hong Sai defendeu que “o progresso deve ser acelerado”. Já Henry Lei, apontou como prioridade “ultrapassar a ineficiência na mobilidade de recursos, como os fluxos de capitais e de informação, para reforçar a integração entre Macau e Hengqin [e] atrair mais investimento transfronteiriço”.
Acção Social | Analisas destacam apoios a grupos vulneráveis Hoje Macau - 20 Dez 2025 Analistas indicam que, no primeiro ano de mandato, o novo líder do Governo, Sam Hou Fai, fez esforços “bastantes substanciais” para apoiar “os grupos vulneráveis” de Macau. Mais investimento público e apoios direccionados foram destacados como pontos positivos No capítulo da acção social, o primeiro ano de Sam Hou Fai à frente do Governo da RAEM é indicado por analistas como um bom começo no que diz respeito ao apoio aos grupos mais vulneráveis da população. Para estes grupos, que incluem idosos, crianças, adolescentes e famílias com poucos rendimentos, “o nível e escala” do apoio do Executivo “está a progredir a um ritmo constante”, disse à LUSA o secretário-geral da Cáritas Macau. Paul Pun Chi Meng deu como exemplo o lançamento de uma linha telefónica, disponível 24 horas por dia, para “garantir que o bem-estar emocional dos estudantes recebe a devida atenção”. Recorde-se que, pelo menos, 14 crianças até aos 14 anos tentaram pôr fim à vida na primeira metade deste ano, o dobro do registado no mesmo período de 2024, avançou em Outubro a emissora pública TDM – Teledifusão de Macau. Paul Pun diz que também melhorou o acesso dos residentes com poucos recursos à habitação social: “Antes demorava mais tempo; agora é mais rápido. O processo foi agilizado”. Os gastos públicos em apoios e subsídios sociais cresceram 4,1 por cento até Novembro, em comparação com os primeiros 11 meses de 2024, para 49,7 mil milhões de patacas. O vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau defendeu que “os esforços em prol do bem-estar e da subsistência da população têm sido bastante expressivos” e irão melhorar em 2026. Leong Hong Sai, também deputado, recordou que o orçamento para o próximo ano, aprovado na quinta-feira na Assembleia Legislativa, aumenta de 2.175 para 2.400 patacas por mês o subsídio para cuidadores. Por outro lado, o subsídio de desemprego irá subir de 157 para 210 patacas por dia, mas Leong admitiu preocupação com os jovens, que “podem enfrentar certas pressões no mercado de trabalho”. Nós e os outros O dirigente associativo apelou à proibição de contratação de trabalhadores migrantes para “certas posições”, de forma a “criar mais oportunidades de emprego de qualidade” para os locais. Paul Pun tem uma visão diferente e disse desejar que, em 2026 e no futuro, “seja também dada alguma atenção àqueles que não são residentes em Macau”. “Estas pessoas existem e seria melhor ter um pouco mais de atenção para com os não-residentes”, defendeu o secretário-geral da Cáritas Macau. No final de Outubro, Macau empregava mais de 184.300 trabalhadores migrantes, o número mais elevado dos últimos cinco anos. No mesmo mês, a taxa de desemprego caiu para 1,7 por cento, o valor mais baixo desde Janeiro. Por outro lado, Leong Hong Sai apontou como “a conquista mais importante” de Sam Hou Fai a realização “de forma excepcional” das eleições legislativas, em 14 de Setembro. Quase 53,4 por cento dos eleitores participaram nas eleições, mais 11 pontos percentuais do que há cinco anos, mas aquém do recorde de 59,9 por cento, fixado em 2009, quando concorreram três listas pró-democracia. O número de votos nulos ou em branco mais que duplicou em comparação com as últimas eleições, em 2021, ultrapassando 13 mil. Mas Leong Hong Sai defendeu que as eleições “foram conduzidas com sucesso”, uma vez que aplicaram, “na prática, o princípio ‘Macau governado por patriotas’”.
Alfredo Gomes Dias, historiador, sobre Rocha Vieira: “Uma figura histórica, quer quisesse ou não” Andreia Sofia Silva - 20 Dez 2025 Lançado na quinta-feira no Porto, com a chancela da Guerra e Paz, “Macau: A Última Transição – Vasco Rocha Vieira (1991–1999)” é o resultado de um trabalho de 20 anos do historiador Alfredo Gomes Dias. A obra contém testemunhos pessoais de Rocha Vieira e detalhes documentados da última Administração portuguesa de Macau Acaba de lançar mais um livro sobre Rocha Vieira e a última Administração portuguesa de Macau. Fale-me do início deste projecto. Este projecto tem mais ou menos 20 anos, e começou quando conheci Rocha Vieira, em 2005, para fazer um texto para o livro “Governadores de Macau” [editado pela Livros do Oriente em 2013]. No meio disso, descobri que havia um fundo documental pessoal do general Rocha Vieira, enquanto governador. Como historiador, fiquei entusiasmado com a ideia. Ofereci-me para fazer, juntamente com ele, um projecto, a que chamámos “relatório”. Todos os documentos estavam em casa dele, em Lagoa, de onde era natural. Depois foram depositados num espaço cedido pela Câmara Municipal de Mafra e entre 2007 e 2013 trabalhei nessa documentação. Foi um trabalho solitário e prolongado, porque tive de organizar 1.700 caixas de documentação e conciliar com o meu trabalho de docente. Rocha Vieira foi adiando o projecto, dizendo que não, mas em 2016 disse-me para avançarmos com o “relatório”, o livro. Terminei a primeira versão em 2021. É um livro comprometido, no sentido em que pretende dar a visão do general Rocha Vieira do que foi o seu Governo. Não se trata de um trabalho académico. Teve acesso completo ao arquivo pessoal. Deu-me luz verde para consultar a documentação toda, não tive qualquer restrição. Rocha Vieira foi-me contando uma ou outra história com pormenor, deu-me linhas de orientação e revelou-me as preocupações dele durante a governação. Disse-me algumas posições que teve e depois os caminhos diferentes que se tomaram, e todo o livro é construído em torno das muitas conversas que tive com o general, em que recorro também à documentação. Temos a visão de tudo o que aconteceu entre 1991 e 1999 e as acções do governador nas diferentes dimensões da Administração, a nível económico, social e político, nas relações com a China e Lisboa, com Hong Kong, e depois tudo o que foi o trabalho relacionado com a transformação do território, como o nascimento do Cotai e as grandes obras que se foram fazendo. Fala-se também da fase da transição e os grandes temas, como a entrada das tropas chinesas em Macau, a cerimónia e como esta se organizou. Hoje vivemos num mundo imediato, e à velocidade de hoje é sempre estranho dizer que este livro demorou 20 anos a fazer-se. Podemos dizer que é a primeira vez que temos um testemunho tão completo da visão de Rocha Vieira sobre o seu Governo? A biografia editada [Vasco Rocha Vieira – Todos os Portos a que Cheguei] já dá muitas ideias das suas preocupações. O que acabei por fazer foi não me focar tanto na vida toda do general, mas apenas nos anos do Governo e desenvolver ao máximo muitos dos assuntos que Pedro Vieira colocou nessa biografia. Que assuntos estão então mais desenvolvidos nesta nova obra? Descrevo muito bem todos os processos ligados à transição de Macau, como a questão das leis e da localização, a necessidade de as traduzir para chinês. Esse foi um trabalho gigantesco. Depois abordo a construção de grandes obras, o nascimento do Cotai. Tudo isso com base nas plantas e planos originais pensados para o Cotai, onde se conhece o início da ideia para essa zona. Qualquer historiador que, no futuro, queira estudar o processo de transição, tem, necessariamente de passar por este livro. Não quero dizer que o que lá está é definitivo, porque nunca é. Mas é importante ter esta base e testemunho, que é enriquecido e fundamentado na documentação. Imagino que as polémicas do Governo de Rocha Vieira também estejam no livro. A quezília com Jorge Sampaio, a criação da Fundação Oriente em Portugal. Qual o testemunho de Rocha Vieira sobre estes dois momentos? Ele sempre manteve o mesmo discurso face ao que já tinha dito publicamente. Há um capítulo específico sobre a Fundação Oriente, onde se tenta, com o apoio da documentação, explicar o processo e porque é que Rocha Vieira, quando chega a Macau, tem a necessidade de resolver um problema que se arrastava e que era importante ultrapassar. Descreve-se a forma como ele o conseguiu resolver, pois era uma questão que estava a dificultar o diálogo com as autoridades chinesas. Está explicada a forma como Rocha Vieira se foi relacionando com os diferentes Governos da República [Portuguesa] e os diferentes Presidentes, as posições que foi tomando a fim de garantir o que era da sua responsabilidade. Enquanto esteve à frente do Governo, Rocha Vieira tentou sempre fazer vingar as suas visões, e uma das coisas interessantes é que tive acesso a cópias de actas de reuniões do Conselho de Estado, nas quais Rocha Vieira apresentava a sua visão sobre a situação de Macau. É um contributo interessante. Mas ele explica que a forma como dialogava com o Presidente Mário Soares era completamente diferente da forma como dialogava com Jorge Sampaio. A relação institucional alterou-se, a forma de estar numa reunião também era diferente. Isso é explicado, mas sem entrar pelo lado pessoal da quezília. Rocha Vieira saiu de Macau com a sensação de dever cumprido? Acho que ele saiu de Macau muito convicto, e toda a cerimónia da transferência acaba por nos dar um pouco essa imagem de que Portugal saiu da melhor maneira possível. Temos também de pensar que falamos de dois países completamente diferentes, e que um deles é gigante. E que, apesar dessa diferença, foi possível manter um diálogo quase de igual para igual entre dois Estados para resolver, da melhor maneira, uma questão específica que era Macau. O que mais me surpreendeu na visão de Rocha Vieira foi ele ter alterado a centralidade da visão para Macau. Em que sentido? De uma maneira geral os portugueses e as autoridades falavam de Macau pensando em garantir o processo de transição sem pôr em causa os interesses de Portugal. E o general Rocha Vieira inverte os termos da questão, ou seja, para se garantir os interesses de Macau, com a ideia de que garantir os interesses de Macau seria o mesmo de garantir os interesses de Portugal. Parece a mesma coisa, mas não é. Essa visão, para mim, é que foi surpreendente. Porquê? Porque ia contra o que era o discurso mais comum entre as autoridades e as pessoas responsáveis pela administração portuguesa [de Macau]. Esta ideia central acaba por mudar a forma como ele organiza o seu Governo, como age e o tipo de acções que desencadeia. Todas tinham a ver com esta convicção profunda, de que, nos anos que restavam, fosse garantido um grande desenvolvimento de Macau, a afirmação da cultura portuguesa, apoiando instituições, ou até com a Escola Portuguesa de Macau (EPM), cuja solução acabou por não ser a que ele propunha. Acabou por ser uma opção minimalista. Qual era, concretamente, a posição de Rocha Vieira? Era garantir que o antigo Liceu de Macau era a EPM, o que daria uma dimensão completamente diferente à escola face [à localização actual]. Não tem nada a ver. Ele não queria só uma escola portuguesa, mas também um espaço onde fosse possível desenvolver actividades culturais, criar um pólo cultural em Macau ligado a Portugal, e com uma opção muito mais digna do que aquela que foi, depois, a opção do Ministério da Educação, na figura de Marçal Grilo, que optou [pela localização] da antiga Escola Comercial. Portanto, o foco sempre foi garantir e desenvolver os interesses de Macau, a sua autonomia, e a questão do aeroporto era fundamental para garantir a autonomia de Macau. Pretendia-se também que Macau aderisse aos acordos internacionais relativamente ao respeito pelos direitos humanos. A ideia era que, conseguindo garantir os interesses de Macau, pensando o território como fazendo parte do segundo sistema da China, e que se investíssemos muito em Macau, estávamos, naturalmente, a defender os interesses portugueses e a deixar um grande legado. Qual foi o dossier mais complexo para Rocha Vieira? Acho que ele tinha uma grande mágoa relativamente à opção do Ministério da Educação para a escola portuguesa. Das conversas que fui tendo com ele [foi o que me pareceu]. Havia depois as questões de segurança, com as seitas, que acabaram por se resolver. Nos anos de 1997 e 1998 foram momentos muito críticos em Macau, mas como ele sempre foi tendo boas relações com as autoridades chinesas, isso levou a que a China tenha percebido a situação, passando a colaborar mais com as autoridades portuguesas em Macau, no sentido de controlar o problema. Sobre o Cotai, como surge a ideia? Surge no contexto das obras para o aeroporto, quando se percebe que seria relativamente fácil mobilizar as terras que estavam associadas às obras do aeroporto, aproveitando-se esse momento para fazer uma ligação e criar, no fundo, uma segunda centralidade urbana em Macau. Os planos iniciais do Cotai tinham a ver com o espaço urbano, espaços verdes, industriais. Todo o plano estava concebido para agregar diversas áreas, espaços sociais, como escolas ou a saúde, como se o Cotai fosse uma mini-cidade, digamos assim, no território. Mas quem teve, concretamente, a ideia? Foi uma ideia do Executivo de Rocha Vieira desenvolvida com secretários. A ideia partiu dele, quando se viu perante a questão das obras, e depois foi sendo desenvolvida com a equipa. Ele tinha sempre a preocupação de desenvolver as coisas com a equipa, garantindo também uma continuidade com o que se tinha feito antes. Quando conversava comigo, tinha o cuidado de dizer: “isto não começou comigo”, ou que para determinado trabalho tinha sido fundamental este ou aquele secretário. Nunca quis ficar com os louros que não eram dele, e isso também é um grande reconhecimento dos governadores anteriores. Portanto, o Cotai não era para ter tanta área destinada ao jogo. Pelo que analisei nos documentos, não havia a ideia de ceder um espaço tão grande para o entretenimento, com casinos. Penso que a visão inicial para o Cotai era um pouco mais equilibrada, com habitação, escolas, centros de saúde, espaços verdes. Era para ser um novo espaço urbano que ia nascer com todos os serviços necessários para funcionar, não era para ser só jogo. Ficaram para a história os momentos em que Rocha Vieira agarra a bandeira ao peito, comovido. Ele recordou consigo esses momentos? Sim, mas apesar da dimensão histórica do papel dele, Rocha Vieira não tinha propriamente noção do papel histórico que estava a desempenhar. Ele estava ali com uma missão e objectivos claros, sem pensar propriamente no protagonismo que podia ter no futuro. Uma vez, quando estávamos a almoçar, disse-lhe que podíamos relativizar o nosso trabalho, mas que ele ia tornar-se numa figura histórica para a história de Portugal, quer quisesse ou não. E o engraçado é que ele ficou a olhar para mim com uma cara de quem nunca tinha pensado nisso, com um ar muito surpreendido. De facto, é impensável tirar-lhe esse estatuto de último governador português em Macau em centenas de anos de história. Ainda por cima, ele esteve um período longo [9 anos], quando a maioria dos governadores esteve lá três ou quatro anos.
Taiwan | China diz que EUA enviam “sinal errado” com plano de vender armas Hoje Macau - 19 Dez 2025 Pequim afirmou ontem que Washington enviou um “sinal gravemente errado” às “forças independentistas” taiwanesas, ao autorizar vendas de armamento a Taiwan no valor de 11,1 mil milhões de dólares. Os EUA “anunciaram publicamente um plano de venda de armas avançadas a Taiwan num montante enorme”, o que “prejudica gravemente a soberania, a segurança e a integridade territorial da China”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, em conferência de imprensa. Estas operações “prejudicam gravemente a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan”, afirmou. “As forças separatistas tentam buscar a secessão através das armas e rejeitar a reunificação pela via militar, desperdiçando o dinheiro ganho com o suor do povo e tentando transformar Taiwan num ‘barril de pólvora’”, acrescentou Guo, para quem isso “não pode mudar o destino inevitável do fracasso da independência” e apenas “acelerará o avanço para uma situação perigosa” no estreito de Taiwan. O porta-voz acusou também Washington de “ajudar a independência através das armas” e de tentar “usar Taiwan para conter a China”, uma estratégia que fracassará. Na sua intervenção, Guo sublinhou que a questão de Taiwan é “o núcleo dos interesses fundamentais da China” e “a primeira linha vermelha que não pode ser ultrapassada” nas relações entre Pequim e Washington. Guo concluiu salientando que a China “adoptará medidas firmes e contundentes” para defender a sua soberania, segurança e integridade territorial.
Japão | MP pede prisão perpétua para assassino de ex-PM Shinzo Abe Hoje Macau - 19 Dez 2025 O Ministério Público japonês pediu ontem a prisão perpétua para Tetsuya Yamagami, acusado de assassinar o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe em 2022 com uma arma caseira, na última sessão do julgamento, que começou no final de Outubro. Yamagami, de 45 anos, já se declarou culpado das principais acusações no início do processo, pelo que toda a atenção está agora voltada para a sentença, que deverá ser proferida em meados de Janeiro. Antes de se conhecer o pedido dos procuradores, a viúva do ex-primeiro-ministro, Akie Abe, pediu ao acusado que “enfrentasse o que fez e pagasse pelos seus crimes”, num comunicado lido na sala por um advogado. “A sensação de perda pela morte repentina do meu marido nunca desaparecerá. Peço ao acusado que enfrente o que fez e pague pelos seus crimes”, disse Akie Abe, em declarações recolhidas pela emissora pública japonesa NHK. Akie Abe esteve presente há duas semanas numa das audiências do julgamento, embora não tenha exercido o direito de interrogar Yamagami, que o sistema judicial japonês permite às vítimas ou familiares de acusados em casos graves. Yamagami afirmou que disparou contra Abe devido às suas supostas ligações com o grupo religioso conhecido como Igreja da Unificação, ou ‘seita Moon’, que acusou de recrutar a sua mãe e levar a família à falência. As investigações relacionadas com o assassinato de Shinzo Abe destaparam a ligação entre várias figuras políticas japonesas pertencentes ao Partido Liberal Democrata (PLD), há décadas no poder, e a seita fundada pelo sul-coreano Sun Myung Moon, gerando um escândalo nacional sobre as práticas da ‘Moon’ e sua influência política.
APEC | Deputado Kevin Ho defende adesão de Macau Hoje Macau - 19 Dez 2025 O deputado Kevin Ho King Lun apelou ontem à adesão de Macau ao fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês), para reforçar o perfil internacional do território e apoiar o desenvolvimento da China. O legislador declarou que o Governo deve aproveitar o facto de Macau acolher uma reunião de alto nível da APEC no próximo ano e solicitar formalmente o apoio da China para a adesão. Numa intervenção na assembleia legislativa, Kevin Ho recordou que tanto a vizinha região administrativa chinesa de Hong Kong como Taiwan – sob a designação ‘Taipé, China’ – aderiram ao fórum, ambos em 1991. O deputado sublinhou que aderir à APEC iria “criar um maior palco internacional para [Macau] e servir o desenvolvimento nacional”. A cidade irá receber, pela segunda vez desde 2014, a Reunião Ministerial do Turismo da APEC, em Junho de 2026, “com o apoio do Governo Central”, disse Ho, “o que demonstra o reconhecimento e o apoio do país a Macau”. “O Governo deve agarrar esta oportunidade para aprofundar a cooperação com as economias-membro [da APEC] em áreas como o comércio, o turismo”, afirmou o empresário. O evento vai trazer a Macau dirigentes governamentais e jornalistas estrangeiros, “permitindo que (…) testemunhem em primeira mão a implementação bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’”, acrescentou Ho. Este princípio, que permite a coexistência de sociedades capitalistas, em Macau e na vizinha Hong Kong, com o regime socialista da China continental, deverá vigorar pelo menos até 2049, fim do período de transição acordado com Portugal. Confiança no futuro Ho expressou confiança em que, sob a orientação do Governo Central chinês, as autoridades de Macau irão unir e liderar todos os sectores da sociedade “para avançar de forma constante nos trabalhos preparatórios” do evento. “Isto permitirá a Macau contribuir para o sucesso da série de reuniões da APEC, promovendo Macau para se integrar e servir melhor na conjuntura do desenvolvimento nacional,” concluiu. A APEC é um fórum económico regional estabelecido em 1989 para aproveitar a crescente interdependência da região Ásia-Pacífico. Os 21 membros visam “criar maior prosperidade para os povos da região, promovendo um crescimento equilibrado, inclusivo, sustentável, inovador e seguro, e acelerando a integração económica regional”.
A narrativa erótica em áudio está a substituir o vídeo? Tânia dos Santos - 19 Dez 2025 O erotismo está a ganhar uma nova voz — literalmente. Enquanto o vídeo dominou durante décadas o imaginário sexual mainstream, hoje a fantasia sexual narrativa em áudio está a viver um momento de grande popularidade: podcasts eróticos, apps que contam histórias sensuais e audiobooks capazes de provocar tesão. É uma forma de erotismo que apela à imaginação, à intimidade e à experiência pessoal de uma forma que a pornografia visual raramente consegue. O formato áudio funciona de maneira radicalmente diferente do vídeo. Quando vemos vídeos, recebemos uma imagem pronta, um guião visual que dita aquilo que deveria excitar-nos. São corpos com características específicas, muitos deles com alterações cirúrgicas que seguem modas do que é suposto ser sensual ou excitante. O áudio, por outro lado, funciona como sugestão: somos nós que construímos o cenário, as personagens e a química. A narrativa entra em jogo como uma espécie de gatilho — um gatilho que permite à imaginação fazer aquilo que sabe melhor: criar a nossa própria fantasia erótica. Quando ouvimos uma história erótica em áudio, os nossos cérebros não estão apenas a processar estímulos externos; estão a colaborar activamente com a narrativa, a preencher espaços, a gerar imagens e sensações únicas. Essa participação pode intensificar a resposta erótica de uma forma diferente da experiência mais passiva de observar um ecrã. Estas histórias em áudio conseguem centrar a experiência no ouvinte, muitas vezes colocando-o no papel principal da fantasia e criando uma sensação de conexão e intimidade difícil de replicar em vídeo. A crescente popularidade do áudio erótico parece responder a necessidades emocionais e sexuais que muitas pessoas sentem não estar contempladas pelas formas tradicionais de pornografia. Com a narrativa, o ouvinte deixa de ser apenas consumidor e passa a estar envolvido num processo de co-criação do erótico. Apps como a Quinn ou a Dipsea produzem histórias narradas, muitas vezes focadas na perspectiva do ouvinte — com vozes, som ambiente e uma narrativa envolvente — em vez de imagens explícitas. Não é apenas a natureza do erotismo que explica esta popularidade crescente, mas também o público para quem estas histórias são criadas. Muitas destas aplicações e podcasts são pensados por mulheres e para mulheres, ou para pessoas queer. A pornografia, historicamente associada ao olhar e ao desejo masculino (com algumas excepções), tende a deixar de fora outros imaginários igualmente relevantes. As narrativas eróticas em áudio têm explorado precisamente esses territórios tradicionalmente considerados mais “femininos”: o consentimento, a emoção, a vulnerabilidade e o prazer feminino. Aqui, o foco na história e na antecipação constrói uma forma de erotismo que privilegia a conexão — sem nunca abdicar da excitação. O sucesso destas apps, podcasts e contos áudio sugere que muitas pessoas procuram histórias que as incluam e respeitem os seus ritmos e desejos, especialmente aquelas que nunca se reconheceram na erótica mainstream. O foco na conexão emocional, o simples facto de alguém sussurrar palavras sensuais directamente pelos headphones adentro, cria uma experiência íntima e quase confidencial. Esta raridade emocional — sentir-se ouvido, desejado e imaginado no universo erótico — torna o áudio simultaneamente excitante, libertador e seguro. O regresso à voz pode, por isso, ser mais do que uma moda passageira. Pode ser um reflexo de como queremos experienciar o erotismo hoje: não como espectadores distantes, mas como participantes activos na nossa própria co-criação erótica.
CCM | Banda local Ghostly Park apresenta novo álbum Andreia Sofia Silva - 19 Dez 2025 “Mirror Sea” é o nome do terceiro e novo álbum da banda Ghostly Park, com membros de Macau e Hong Kong. O duo de música electrónica sobe ao palco da “Black Box” do Centro Cultural de Macau amanhã, num concerto com entrada gratuita, para apresentar as oito faixas deste trabalho, onde colabora MC Yan, uma lenda do hip-hop de Hong Kong O palco da “Black Box” do Centro Cultural de Macau (CCM) acolhe amanhã o concerto de apresentação do novo álbum de uma banda local, os Ghostly Park. “Mirror Sea” é o terceiro trabalho discográfico do duo de música electrónica, composto por DJ Saiyan e Alok Leung, naturais de Macau e de Hong Kong. O concerto está agendado para as 19h45 até às 21h. Segundo uma nota oficial, o nome deste novo trabalho, que traduzido para português é “Espelho de Mar”, “inspira-se no antigo nome de Macau, já esquecido”, nomeadamente Hou Keng, que significa “Ostra Espelho”, ou até Keng Hoi, “Mar de Espelho”. Em “Mirror Sea” disponibilizam-se oito faixas de música electrónica “pura”, tratando-se de um trabalho com a colaboração “da lenda do hip-hop de Hong Kong”, MC Yan. Em relação ao concerto de amanhã, haverá um trabalho visual em palco da autoria de Essahqi. Para recordar Os Ghostly Park descrevem “Mirror Sea” como fazendo referência ao tal “nome esquecido de Macau”, sendo um projecto que nasceu “de inúmeras caminhadas solitárias pela cidade velha, contemplando o mar”. “Ondas escuras batem contra a costa; uma única ondulação torna-se o oceano, surgindo e cessando na impermanência. Os Ghostly Park trouxeram essa contemplação sombria para o estúdio, usando o som para pintar as muitas formas da água reflectidas no ‘Mirror Sea’, transformando o silêncio esquecido em ritmos electrónicos pulsantes”, refere a banda. Além disso, “esquecemos que o mar já foi o único espelho”, acrescenta a banda, lembrando que “quando nenhum pensamento surge, a água não deixa vestígios”. Em estreia No concerto de amanhã, as oito faixas de “Mirror Sea” “serão tocadas pela primeira vez, sendo acompanhadas pelas imagens musicais criadas especialmente para ‘Mirror Sea’ pelo designer visual Essahqi”, descreve-se ainda na mesma nota. O álbum arranca com a faixa “Moving Minds”, seguindo-se “Mirror Sea”, “Black Sand”, “Muddy Water”, “Against The Current”, “Whirlpool”, “A Wave In The Ocean” e “Like Water”. Os Ghostly Park formaram-se em 2017 procurando misturar sonoridades como a música techno, jungle, Dub e Breaks, sem esquecer a música electrónica. Em 2019, saiu o álbum de estreia, “Identify”, que já contava com trabalho gráfico e visual de MC Yan. Neste primeiro trabalho, o duo explorou “as contradições de identidade e cultura entre Hong Kong e Macau”, tendo actuado no festival Clockenflap, um dos maiores de Hong Kong e da região, sem esquecer o Sónar, evento especialmente dedicado à música electrónica. No ano seguinte seria lançado “The Remix Project”, no qual os Ghostly Park colaboram com músicos de várias regiões para “reflectir a experiência colectiva do reconhecimento facial e do isolamento durante a pandemia”. Mas o segundo álbum propriamente dito seria editado depois, em 2024, intitulando-se “Leaf”, tendo recebido uma nomeação para o prémio do júri dos “Golden Melody Awards”, de Taiwan.
China denuncia como “discriminatória” investigação europeia à CRRC em Portugal Hoje Macau - 19 Dez 2025 Pequim considerou ontem “discriminatória” a investigação da Comissão Europeia à chinesa CRRC, acusada de beneficiar de subsídios públicos num concurso para a nova Linha Violeta do Metro de Lisboa, o que terá distorcido a concorrência. Em causa, está uma investigação iniciada em Novembro pela Comissão Europeia ao abrigo do Regulamento de Subvenções Estrangeiras para apurar se apoios públicos deram à empresa chinesa CRRC uma vantagem indevida, face aos concorrentes europeus, no concurso do Metropolitano de Lisboa para a construção da nova Linha Violeta, podendo resultar em medidas correctivas, proibição da adjudicação ou decisão de não objecção. A Comissão Europeia abriu em 05 de Novembro uma investigação aprofundada para determinar se a fabricante estatal chinesa de material circulante CRRC, integrante do consórcio da Mota-Engil, teve “uma vantagem indevida” no concurso da Linha Violeta do Metro de Lisboa. “A Comissão abriu hoje uma investigação aprofundada ao abrigo do regulamento relativo às subvenções estrangeiras sobre possíveis distorções do mercado causadas por subvenções estrangeiras. A investigação irá examinar se essas subvenções conferiram à empresa estatal chinesa fabricante de material circulante CRRC uma vantagem indevida na participação num concurso público para a aquisição de veículos ferroviários ligeiros em Portugal”, anunciou a instituição em comunicado. Bruxelas adianta que a investigação surge na sequência de uma notificação de um consórcio liderado pela Mota-Engil, que inclui subcontratantes como a Portugal CRRC Tangshan Rolling Stock Unipessoal e participou num concurso do Metro de Lisboa lançado em Abril de 2025 para a concepção, construção e manutenção da nova linha violeta. Mau ambiente A observação do Ministério do Comércio chinês fez parte de um protesto alargado contra a “enxurrada de investigações” aberta pela União Europeia (UE) a empresas como a Nuctech, CRRC e a plataforma Temu, considerando as medidas “atrozes” e “discriminatórias”. O porta-voz do ministério, He Yadong, manifestou “firme oposição” às acções de Bruxelas e apelou à UE para que “abandone imediatamente a repressão irracional a empresas de capital estrangeiro, incluindo chinesas” e aplique as suas regulações contra subsídios estrangeiros de forma “prudente”, para garantir um ambiente de negócios “justo e previsível”. He afirmou ainda que Pequim está a “acompanhar de perto” estas ações e que “tomará as medidas necessárias para proteger com determinação os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”. As declarações surgem após a Comissão Europeia ter anunciado uma investigação aprofundada à Nuctech, fabricante estatal de equipamentos de segurança, por suspeitas de ter beneficiado de apoios públicos que distorcem a concorrência no mercado europeu, incluindo garantias estatais, tratamento fiscal preferencial e financiamento em condições vantajosas. Segundo Bruxelas, esses subsídios podem ter dado à Nuctech uma vantagem em concursos públicos, afectando a concorrência no espaço comunitário. Na semana passada, a Comissão realizou também uma inspecção surpresa à sede europeia da plataforma chinesa de comércio electrónico Temu, em Dublin, num momento em que os países da UE se preparavam para aplicar uma taxa de três euros, a partir de Julho de 2026, sobre encomendas inferiores a 150 euros provenientes da China.
Diocese | Novo Centro Católico inaugurado em 2026 Andreia Sofia Silva - 19 Dez 2025 A Diocese de Macau anunciou ontem, em comunicado, que o novo Centro Católico deverá ser inaugurado no próximo ano. No âmbito do anúncio das actividades de celebração dos 450 anos da fundação da Diocese de Macau, foi explicado que “o novo Centro Católico (com 17 pisos) deverá ser inaugurado ao longo do ano, em data a anunciar oportunamente”. O novo projecto inspira-se no conceito “O Encontro entre Deus e a Humanidade”, integrando espaços de exposição e funcionando como “ponto central de recolha e difusão da informação religiosa a nível local”. Serão também disponibilizados “serviços de acolhimento para visitantes e peregrinos” e organizadas duas exposições para a inauguração do Centro, intituladas “Honrar o Passado Criar o Futuro” e “Testemunha do Património Missão no Mundo”. A Diocese foi oficialmente fundada em 1576, sendo esta data celebrada com um novo logotipo, uma missa a 23 de Janeiro e um concerto em Fevereiro, entre outros eventos.
UPM | Assinado acordo com Universidade de Coimbra Hoje Macau - 19 Dez 2025 A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade de Coimbra (UC) assinaram um memorando de cooperação no contexto do projecto da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin. O objectivo desta parceria é, segundo um comunicado da UPM, “aprofundar a cooperação estratégia e construir, em conjunto, um campus global” na Zona de Cooperação em Hengqin. Pretende-se que este seja “um local de agregação de quadros qualificados internacionais de destaque, contribuindo para uma abertura de nível mais elevado do sector do ensino superior do País ao exterior”. O documento foi assinado pelos reitores das duas instituições, Marcus Im, da UPM, e Amílcar Falcão, da UC. De frisar, que este memorando foi assinado no âmbito da visita de uma delegação da UC ao território e à Zona de Cooperação.
Hengqin | Polícia investiga ataque à faca no Legend Ponto João Luz - 19 Dez 2025 As autoridades policiais de Hengqin estão a investigar um ataque à face num centro comercial na zona aprofundada, perto da fronteira com Macau. Vídeos que circularam online mostram sangue no chão. Um jornal do Interior da China indica que o incidente poderá ter resultado de uma discussão As autoridades policiais de Hengqin confirmaram ontem estar a investigar um alegado ataque à faca ocorrido na quarta-feira à tarde, no centro comercial Legend Ponto, nas imediações do posto fronteiriço. Nas redes sociais, foram partilhados vídeos de um homem vestido de preto, com uma máscara e boné preto, a andar no centro comercial, deixando para trás manchas de sangue. Podem ver-se trabalhadores e clientes a afastar-se do indivíduo à medida que este vai avançando tranquilamente, sem que alguém intervenha. O internauta que filmou o homem indica “olha ali as manchas de sangue, a cena do crime”, virando a câmara para o chão onde se podem ver algumas manchas de sangue. Ontem, à hora do fecho desta edição, não havia detalhes sobre a ocorrência por parte das autoridades. Porém, um jornal da província de Shaanxi deu a notícia do ataque na quarta-feira e as autoridades confirmaram a investigação ao caso que já corria nas redes sociais. Uma publicação na internet descrevia “um homem vestido de preto que esfaqueou uma pessoa em público e, depois, abandonou o local tranquilamente, de forma arrogante”. A pessoa salienta que a polícia não o tinha apanhado e que o suspeito estaria a usar uma máscara que lhe cobria o rosto. Mais um caso As razões para o incidente divergem entre uma disputa entre dois transeuntes e um desentendimento entre o suspeito e uma pessoa que trabalha no centro comercial Legend Ponto. O portal noticioso HK01 avançou que uma pessoa terá sido assistida num hospital nas imediações, mas que a alegada vítima terá saído do hospital após receber tratamento pouco tempo depois. Há cerca de um mês, verificou-se uma situação semelhante em Zhuhai, que resultou numa “denúncia de que um homem havia agredido pessoas com uma pequena faca” na área de Xiangzhou. Os agentes dirigiram-se ao local, onde detiveram o suspeito, um homem de 48 anos, de apelido Lin, de acordo um comunicado autoridades da cidade vizinha, onde se lê que “duas pessoas sofreram ferimentos ligeiros” e “foram prontamente transportadas para o hospital para tratamento”. “As investigações revelaram que Lin tinha um histórico de várias consultas psiquiátricas”, nota-se ainda no comunicado da polícia de Zhuhai.
CPSP | Mais de 250 acidentes em nove meses na Av. Rodrigo Rodrigues João Luz - 19 Dez 2025 A polícia divulgou ontem um mapa de sinistros rodoviários relativos aos primeiros nove meses do ano. A Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues foi um dos pontos negros, com 258 acidentes, seguido da Ponte da Amizade. No total, entre Janeiro e Setembro ocorreram mais de 11 mil acidentes nas estradas de Macau, menos 28,5 por cento em termos anuais Nos primeiros noves meses de 2025, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) registou 11.086 acidentes de viação nas ruas e estradas de Macau, menos 4.424 sinistros do que no mesmo período do ano passado, ou menos 28,5 por cento. Os dados estatísticos publicados ontem mostram que a Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues foi um dos pontos negros nos três primeiros trimestres deste ano, somando 258 acidentes, ocupando o primeiro lugar no pódio dos sinistros rodoviários, seguindo-se a Ponte da Amizade, com 216 acidentes, a Estrada do Istmo (191), Avenida da Amizade (190) e a Avenida Wai Long (175). Apesar da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues ter passado a ser o local com mais acidentes no território, no período em análise registou menos 131 sinistros rodoviários em termos anuais. Nos primeiros nove meses do ano, só um acidente resultou em vítimas mortais. O acidente aconteceu no início de Agosto na Avenida da Amizade, perto do Edifício do Grande Prémio, quando uma viatura se despistou provocando quatro mortos e três feridos graves. O acidente aconteceu por volta das 06h, quando dentro da viatura com cinco lugares seguiam sete pessoas, todos residentes, com idades entre os 19 e 21 anos. Bate chapa Os acidentes registados na Avenida Rodrigo Rodrigues resultaram em 146 feridos, sem que as autoridades especifiquem entre feridos graves ou ligeiros. A Avenida do Nordeste foi outro ponto negro em termos de acidentes de viação na península de Macau, com quase duas centenas de sinistros rodoviários que resultaram em 82 dois feridos. Mais uma vez, as rotundas voltaram a ser pontos mais propícios a acidentes de viação. Nesse capítulo, destaque para a rotunda entre a Estrada da Baía de Nossa Senhora da Esperança e a Avenida Wai Long, na esquina entre o Venetian e o City of Dreams, onde se registaram 198 acidentes. Na rotunda que liga a Avenida do Estádio à Estrada Governador Albano de Oliveira, foram registados nos primeiros nove meses deste ano 111 acidentes. Em relação às causas para os sinistros rodoviários, os dados da CPSP não mostram as estatísticas deste ano. Porém, tendo em conta os números de 2024, as causas principais foram a “não manutenção de distância adequada” entre veículos, “falha no controlo da velocidade”, “descuido na mudança de direcção”, “não cedência de prioridade” e, por último, “descuido no recuo”.
Urbanismo | Sugeridas medidas para evitar turismo em excesso Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 19 Dez 2025 Chan Chio I, urbanista, defende que se deve evitar que as seis zonas históricas, alvo de requalificação, fiquem todas iguais, alertando também para o impacto negativo que o turismo de massas pode trazer a locais antigos, podendo contribuir para a sua descaracterização No contexto da revitalização de seis zonas históricas do território, numa parceria entre Executivo e as operadoras de jogo, a urbanista Chan Chio I defendeu, segundo o jornal Ou Mun, que se deve evitar uma homogeneização, ou seja, deve manter-se as características tradicionais de cada zona, sem esquecer a procura de mercado e a respectiva estratégia urbanística. A responsável chamou também a atenção para os perigos do excesso de turismo, alertando que pode “ofuscar” as características de cada zona, devendo executar-se um planeamento a ser partilhado por residentes e turistas. Assim sendo, Chan Chio I pensa que as zonas históricas não devem ser usadas apenas para a organização de festivais, devendo também servir para acolher infra-estruturas comunitárias, como centros de convívio, espaços artísticos e educativos ou ainda zonas verdes. Tudo para a utilização diária de residentes e turistas. No essencial, a urbanista considerou que o projecto da revitalização das seis zonas não se trata de uma simples remodelação de espaço, devendo ser dada atenção à questão urbana, à melhoria das condições de vida e da economia comunitária. O seu a seu dono À mesma publicação, a urbanista defendeu que devem ser preservadas as características em locais com património. Assim, no caso dos Estaleiros Navais de Lai Chi Vun ou na Antiga Fábrica de Panchões Iec Long, sítios que reflectem a história e a existência destas indústrias, deve dar-se prioridade à preservação da estrutura dos estaleiros e da fábrica, aproveitando-se o interior para outras finalidades. Quanto à Rua da Felicidade ou à Rua Cinco de Outubro, deve manter-se o mesmo ambiente, nomeadamente com a preservação das tabuletas e fachadas de lojas antigas, e com mudanças mínimas ao nível das placas comerciais, a fim de evitar decorações excessivas. Chan Chio I, que também pertence ao Conselho Consultivo do Trânsito, declarou que a revitalização das seis zonas não deve ignorar as questões do tráfego, sendo necessário um planeamento eficaz para resolver problemas como a falta de desvios e congestionamentos em algumas zonas. Como tal, fica a sugestão de mais e melhores ligações entre espaços próximos, como é o caso da zona da Barra junto à Doca D. Carlos I, que está ligada à cultura religiosa e marítima do Templo de A-Má, podendo haver conexão com o Centro Modal de Transportes da Barra para desviar os visitantes através de meios de transporte públicos. Chan Chio I referiu ainda a necessidade de melhorar os passeios, na zona de Lai Chi Vun, a partir do parque de estacionamento provisório no local original do Centro de Formação das Águias Voadoras, para fazer ligação ao Cais de Coloane.