Cooperação | Espanha e China reforçam comércio agroalimentar Hoje Macau - 13 Nov 2025 Espanha e China assinaram ontem três novos protocolos para reforçar o comércio bilateral nos sectores da pesca, aquicultura e carne de porco, incluindo um mecanismo que permite restringir eventuais surtos de peste suína africana a regiões específicas. Os acordos foram celebrados no âmbito da visita de Estado dos reis de Espanha à China, indicou o Ministério espanhol da Agricultura, Pesca e Alimentação (MAPA), em comunicado. Para o ministro Luis Planas, os protocolos “consolidam a confiança sanitária mútua e ampliam as oportunidades de exportação para o sector agroalimentar espanhol”, lê-se na nota. O destaque vai para o novo protocolo de regionalização da peste suína africana, que entrou ontem em vigor, e que estabelece a aceitação por parte da China do princípio de “compartimentação”, já aplicado por Espanha. Na prática, caso se registem surtos da doença, as restrições à exportação serão limitadas à zona afectada, permitindo que o restante território espanhol continue a exportar carne de porco para o mercado chinês. Planas classificou o acordo como “chave” para proteger o sector suinícola, um pilar estratégico das exportações espanholas, reforçando a “confiança internacional na produção espanhola”. Segundo dados oficiais, as exportações espanholas de carne de porco para a China totalizaram 540 mil toneladas em 2024, num valor superior a 1.097 milhões de euros, confirmando a relevância do sector no comércio externo. Os dois países assinaram ainda dois protocolos adicionais relativos a produtos da pesca e aquicultura. O primeiro estabelece os requisitos sanitários e de quarentena para óleo, farinha de peixe e outras proteínas e gorduras de origem aquática destinadas à alimentação animal, facilitando o comércio destes subprodutos espanhóis. O terceiro protocolo regula os requisitos de inspeção, quarentena e segurança alimentar para produtos da aquicultura destinados à exportação, exigindo que os estabelecimentos espanhóis cumpram os padrões sanitários exigidos por ambos os países. Segundo o MAPA, o objectivo é reforçar a confiança nas exportações de aquicultura espanhola, reconhecida pela “alta qualidade e controlo sanitário”. A Organização Interprofissional Agroalimentar do Porco Branco (Interporc) saudou o protocolo de regionalização, considerando-o um “avanço estratégico de máxima relevância” para o sector e sublinhando que o acordo garante a “estabilidade dos fluxos comerciais” com a China. Num comunicado, a organização agradeceu o “intenso trabalho” do MAPA, dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Economia, bem como da embaixada de Espanha em Pequim e do rei Felipe VI, cujo papel foi descrito como “fundamental para o êxito” das negociações.
Cinema | Diáspora de Macau debatida em festival na Polónia Hoje Macau - 13 Nov 202513 Nov 2025 O Festival de Cinema Asiático “Cinco Sabores”, que começou ontem em Varsóvia e se estende até à próxima quarta-feira, terá no sábado um painel de debate que irá focar os temas da migração. A dupla formada pelo artista e antropólogo de Macau Cheong Kin Man e a artista polaca Marta Stanisława Sala, irá participar na conversa com o objectivo de oferecer ao público uma perspectiva da diáspora de Macau. O debate terá lugar no Museu de Arte Moderna da capital polaca. A participação no festival de cinema asiático é parte integrante de um projecto conjunto de investigação e criação artístico-etnográficas em Berlim e na Universidade Nova de Lisboa, onde Cheong Kin Man é doutorando em antropologia. Em relação ao futuro, o artista de Macau radicado na Europa revelou ao HM que tem planos para prosseguir a série de exposições de autoetnografias experimentais “As Espantosas e Curiosas Viagens”, uma delas com passagem por Macau (em Julho de 2026) na Fundação Rui Cunha. A mostra em Macau terá a curadoria de Sara Neves. A dupla pretende também fazer exposições pop-up em Berlim, “Galerie Met”, no “Mayer Pavilion”, no “mp43 – Project Space for the Peripheral” e no “WerkStadt”. Ainda com alguns detalhes por acertar, a dupla artística pretende levar “As Espantosas e Curiosas Viagens” também a Portugal, mas desta feita fora de Lisboa.
Studio City | MIRROR e companhia animam fim de ano João Luz - 13 Nov 202513 Nov 2025 Os MIRROR estão de volta a Macau para dois espectáculos na noite de 31 de Dezembro e 1 de Janeiro no Centro de Eventos do Studio City. O local de espectáculos da Melco Resorts & Entertainment será um dos pontos fulcrais das festividades de passagem de ano, com um evento especial na noite de fim de ano. No meio de champanhe e antecipação pelas doze baladas que irão relegar 2025 para o passado, os MIRROR serão o grande destaque do espectáculo que irá levar sete bandas ao palco do Studio City, todas saídas do mesmo programa de talentos que revelou a mais famosa boys band de Hong Kong. A festa da contagem decrescente, como é referida na região, será abrilhantada com as performances de COLLAR, ERROR, LYMAN, P1X3L, ROVER e 5G, com o início dos concertos está marcado para as 22h. No dia seguinte, às 19h, será a vez dos fãs dos MIRROR se regalarem com um concerto da banda de Keung To, Anson Lo e Edan Lui. Os bilhetes para os espectáculos serão colocados à venda hoje, a partir do meio-dia. Os ingressos para os concertos da noite de fim de ano custam entre 988 patacas e 1.888 patacas. Para o concerto a solo dos MIRROR, os bilhetes custam entre 1.088 patacas e 2.388 patacas. Família em palco Com sete anos de carreira na bagagem, os MIRROR e os ERROR foram apresentados ao mundo cantonês através da primeira série do programa de talentos da ViuTV “King Maker”. As restantes bandas que vão subir ao palco do Studio City na noite de passagem de ano fizeram o mesmo percurso televisivo. A organização salienta que esta será a primeira vez que toda a “família” King Maker irá actuar em Macau. Além de MIRROR e ERROR, a noite de réveillon será abrilhantada pela performance da girls band COLLAR, mais um membro da família, saídas da série de 2021 do mesmo programa de talentos. Ainda sem um álbum na bagagem, as sete artistas que formam a banda contam com 11 singles na discografia. Porém, a noite de passagem de ano irá muito além de performances individuais de cada banda, com a organização a prometer vários momentos de partilha de palco e combinações de vários membros das sete bandas. Para já, e tendo em conta a oportunidade rara de “reunião familiar”, as colaborações em palco estão guardadas no segredo dos deuses. Os doze apóstolos Já há algum tempo que os MIRROR não se juntam todos em palco, circunstância que a organização sublinha nos materiais promocionais. “Os doze membros proporcionarão uma experiência de palco totalmente nova, interpretando com energia uma série dos seus sucessos clássicos mais apreciados, criando um Dia de Ano Novo único e inesquecível para os seus fãs”, indica a organização. Sete anos depois do lançamento do primeiro single “In a second”, os MIRROR tornaram-se num fenómeno de popularidade sem precedentes. Os membros da boys band multiplicaram-se em participações em programas de televisão, filmes e série de ficção, assim como pontuais momentos musicais a solo. O membro mais popular da banda é Keung To. Todos os anos, no dia do seu aniversário, milhares fãs enchem a zona de Causeway Bay, que passa a ser Keung To Bay, e os eléctricos que circulam na ilha de Hong Kong são grátis (pagos pelo clube de fãs) e enfeitados com fotos do jovem ídolo. Aliás, por toda a cidade, e também em Macau, apesar da escala menor, os fãs pagam a empresas de transportes públicos publicidade para homenagear Keung To no seu aniversário, assim como em painéis publicitários.
BNU | Lucros de 315,3 milhões de patacas até Setembro Hoje Macau - 13 Nov 2025 Nos primeiros nove meses do ano, o Banco Nacional Ultramarino registou um resultado líquido não auditado de 315,3 milhões de patacas, o que representou uma redução de 128,9 milhões de patacas (29 por cento) em comparação com os primeiros nove meses de 2024. De acordo com um comunicado da instituição, o rendimento líquido de juros entre Janeiro e Setembro deste ano caiu para 631,3 milhões de patacas, menos 121,9 milhões de patacas (queda de 16,2 por cento) em termos homólogos. Esta diferença foi explicada pela instituição como estando “principalmente” relacionada com a “evolução das taxas de juro”. Todavia, a queda do rendimento líquida foi “parcialmente compensada por um aumento das comissões líquidas para 68,9 milhões” um aumento de 2,5 milhões de patacas face ao mesmo período do ano anterior. Na perspectiva do banco, o aumento das comissões reflecte a “a resiliência da actividade económica e um maior envolvimento dos clientes”. As imparidades de crédito e de investimentos financeiros totalizaram 32,7 milhões de patacas, um crescimento de 27,8 por cento face ao mesmo período de 2024, quando o valor era de 25,6 milhões de patacas. Os custos operacionais totalizaram 323,9 milhões de patacas, um aumento de 3,4 por cento em termos homólogos. O crédito concedido atingiu 26,21 mil milhões de patacas em Setembro, um crescimento homólogo de 900 milhões de patacas, enquanto os depósitos dos clientes aumentaram 9,9 por cento para 36,42 mil milhões de patacas.
Educação | Escola Luís Gonzaga Gomes geminada com Escola de Cacilhas-Tejo João Santos Filipe - 13 Nov 2025 Com vista a reforçar a formação de quadros qualificados bilingues, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) anunciou um acordo de geminação entre a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, a Escola Secundária n.º 6 de Guangzhou e a Escola Secundária de Cacilhas-Tejo, em Portugal. A informação foi divulgada ontem através de um comunicado da entidade que regula o ensino. “Esta iniciativa dá um novo impulso ao ensino da língua portuguesa e à formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português ao nível do ensino não superior”, considerou a DESDJ. “A iniciativa integra um ensino da língua portuguesa com imersão cultural e aplicação na vida quotidiana, a fim de aumentar o interesse dos alunos pela aprendizagem e as suas competências práticas”, foi acrescentado. O acordo foi igualmente explicado com o facto de a DSEDJ pretender “articular-se activamente com a construção da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota do País e reforçar ainda mais o papel de Macau na ligação entre o interior e o exterior”. Mais intercâmbios De acordo com as autoridades locais, o acordo vai “alargar ainda mais os canais de intercâmbio da língua portuguesa ao nível do ensino não superior”, com intercâmbios entre docentes e alunos “na aplicação da língua portuguesa e na compreensão cultural” para “melhorar a proficiência na língua portuguesa entre os alunos do ensino primário e secundário de Macau”. Os intercâmbios vão concretizar-se através de sessões de “estudo online e in loco da língua portuguesa” e ainda de “sessões de partilha de experiências pedagógicas para docentes, bem como actividades temáticas culturais sino-portuguesas”. Ao mesmo tempo, espera-se que as novas parecerias levem a uma “integração mútua de recursos didácticos da língua portuguesa entre Macau, o Interior da China e os Países de Língua Portuguesa no âmbito do ensino não superior”, com vista a elevar a qualidade dos qualificados bilingues em chinês e português em Macau. Este poderá não ser o único acordo, dado que a DSEDJ promete continuar a aproveitar o papel de Macau. “A DSEDJ continua a aproveitar as vantagens de Macau na sua conectividade com o exterior, promovendo activamente a geminação de escolas de Macau com as do Interior da China e do exterior, para ampliar os intercâmbios externos”, foi prometido.
Salário Mínimo | Deputados criticam apresentação tardia Hoje Macau - 13 Nov 2025 Os deputados da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa criticaram o Governo por apresentar de forma apressada a proposta para aumentar o salário mínimo. A opinião foi partilhada por alguns deputados durante a reunião de ontem para discutir a proposta, segundo Wong Kit Cheng, deputada e presidente da comissão. De acordo com a versão citada pelo jornal Ou Mun, os deputados têm dificuldades em compreender os motivos que levaram a que a proposta apenas chegasse ao hemiciclo no mês passado, a pouco mais de dois meses da entrada em vigor. Segundo alguns deputados, o facto é incompreensível, uma vez que a lei do salário mínimo prevê que se equacione a actualização do valor a cada dois anos. Por este motivo, os legisladores acreditam que a proposta devia ter entrado mais cedo na Assembleia Legislativa. Em relação ao aumento de uma pataca por hora, ou de 2,9 por cento, Wong Kit Cheng revelou que houve legisladores preocupados com o impacto deste aumento nas empresas que gerem condomínios e que vai contribuir para criar dificuldades acrescidas ao sector (ver abertura). Dado que os deputados consideram que o processo de proposta de aumento não foi claro, os legisladores vão pedir ao Executivo para se deslocar ao hemiciclo para explicar o processo de discussão no Conselho Permanente de Concertação Social (CPCP) que levou à proposta actual.
Salário mínimo | Empresas de condomínio pedem divulgação ao Governo Nunu Wu e João Luz - 13 Nov 2025 O salário mínimo será actualizado a partir de 1 de Janeiro em uma pataca por hora, passando de 34 para 35 patacas por uma hora de trabalho, ou 7.072 para 7.280 patacas mensais. Depois das reacções de patronato e empresários, que resistiram à actualização no Conselho Permanente de Concertação Social, o sector da administração de condomínios pediu ao Governo que esclareça a população sobre os aumentos dos salários de trabalhadores de limpezas e segurança em edifícios de habitação. A posição foi tomada pela presidente da Associação de Administração de Propriedades de Macau, Sit Un Na, que entende que o Executivo tem mais credibilidade para explicar aos proprietários as consequências do ajuste ao salário mínimo nas despesas de condomínio. Em declarações ao jornal do Cidadão, a responsável admitiu que actualização do salário mínimo irá resultar em aumentos dos custos de condomínio, que não devem ultrapassar 2,9 por cento dos orçamentos actuais. Recorde-se que a subida do salário mínimo irá abranger cerca de 18.000 pessoas, o que representa 4,4 por cento da força de trabalho total de Macau. A dirigente associativa estima que a alteração incida sobre mais de 10.000 trabalhadores do sector da administração de propriedades, 90 por cento dos quais são trabalhadores não-residentes. Em relação ao valor mensal dos rendimentos, Sit Un Na prevê que cada trabalhador leve para casa mais 200 patacas por mês. As duas vias Contudo, a representante associativa realça que nem todas as empresas de gestão de condomínios podem ser afectadas da mesma forma, porque algumas fixaram com os proprietários contratos com preços fixos, o que lhes confere a flexibilidade para cortar noutros custos para compensar o aumento das despesas com salários. Um dos casos “bicudos” em termos contratuais diz respeito à administração nos edifícios de habitação pública, onde as despesas de condomínio não podem aumentar. Além da divulgação dos efeitos do aumento salarial, para ajudar os proprietários a compreender a subida das despesas de condomínio, Sit Un Na sugeriu que o Governo reveja a lei da actividade comercial de administração de condomínios e o regime jurídico da administração das partes comuns do condomínio, que entraram em vigor em 2018. A responsável lembra que os diplomas deveriam ter sido revistos a cada três anos, mas desde que entraram em vigor nunca foram actualizados. Em termos de medidas de apoio, Sit Un Na defende que o Governo deve subsidiar as empresas de administração que gerem edifícios de habitação pública, ou que sejam canceladas as restrições que impedem alterações ao orçamento da administração do condomínio para suportar o aumento do salário do mínimo. Outra possibilidade, seria incluir o sector de administração no âmbito dos serviços de apoio à digitalização, para que as empresas tenham apoios e fundo.
Cooperação | Pedido calendário para circulação no Interior João Santos Filipe - 13 Nov 2025 Leong Sun Iok pretende que o Governo anuncie o calendário para implementar a medida a permitir que os veículos de Macau autorizados a circular na Ilha da Montanha possam igualmente ser conduzidos em toda a província de Cantão. O assunto faz parte de uma interpelação escrita divulgada ontem pelo gabinete do deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). O legislador recorda que o assunto não é novo e que no passado as autoridades locais prometeram que os veículos de Macau autorizados a circular na Zona de Cooperação de Hengqin iriam poder, num futuro próximo, entrar em toda a província de Guangdong. No entanto, a medida depende das autoridades do Interior e nunca mais se registou qualquer informação sobre este aspecto. “Com o fim do ano a aproximar-se, recomenda-se que seja estabelecido um calendário claro e com medidas específicas de implementação para que os veículos de Hengqin possam circular para Guangdong”, defende Leong. O legislador avisa também que com a circulação em toda a província de Cantão, os carros que já estão autorizados a circular em Hengqin vão precisar de actualizar o seguro, para garantir a cobertura a toda à província. Em relação a este aspecto, Leong sugere a adopção de uma política do “reconhecimento de equivalência” para que os seguros passem automaticamente a abranger não só Hengqin, mas toda a província. Muito trânsito Em relação à situação do trânsito entre Macau e a Ilha da Montanha, Leong Sun Iok pediu mais atenção ao Governo sobre as horas de ponta em que “ainda ocorrem congestionamentos”. Estes congestionamentos, explica o deputado, devem-se ao facto de o software das autoridades do Interior ser classificado como lento, mas também pelo facto de serem poucas as vias de circulação abertas, face à procura pelos veículos locais. Leong pede assim que o Governo de Macau pressione o Interior para alterar esta situação. “Embora tenham sido adicionadas faixas adicionais no Porto de Entrada de Hengqin, ainda ocorrem congestionamentos durante as horas de pico devido ao aumento do volume de veículos que circulam entre Hengqin e Macau. Além disso, o actual sistema de inspecção de passagem da fronteira continua a ser relativamente lento, afectando a eficiência”, apontou. “Dada esta situação, o Governo pode negociar com as autoridades do continente para adicionar mais faixas e actualizar o sistema?”, questiona. Sobre as mudanças, Leong indica que são necessárias por haver cada vez mais residentes interessados em viver e trabalhar na Zona de Cooperação. “De acordo com os dados mais recentes, em Setembro deste ano, o número de residentes de Macau empregados, residentes e a viver na Zona de Cooperação atingiu 29.714, o que representa um aumento de 18,4 por cento em relação ao ano anterior”, aponta. Além disso, houve 1,6321 milhões de travessias da fronteira nos primeiros nove meses do ano de veículos de Macau autorizados a circular em Hengqin, um aumento de 45,2 por cento em relação ao ano anterior.
IPS | Finalizada discussão sobre nova lei Hoje Macau - 13 Nov 2025 O Conselho Executivo terminou a discussão da lei da actividade das instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde, que deverá dar entrada no hemiciclo nos próximos dias. De acordo com a informação disponibilizada, o novo diploma visa regulamentar “o funcionamento das instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde (IPS) e os respectivos regimes de licenciamento e registo”. A futura lei só foi apresentada de forma parcial e além de prever os tipos de IPS, introduz uma nova licença para o “hospital de dia”. Esta nova licença vai permitir que “certos serviços médicos especializados”, que anteriormente apenas podiam ser oferecidos nos hospitais locais, passem a ser disponibilizados nas instituições classificadas como hospitais de dia. A futura lei vai ainda definir “os requisitos e a regulamentação para o desenvolvimento da telemedicina”, assim como “serviços médicos de proximidade” e das “terapias avançadas”. Ao mesmo tempo, o diploma vai actualizar sanções e levantar algumas das restrições relativas ao conteúdo da publicidade de prestação de cuidados de saúde. O objectivo é permitir o desenvolvimento de um sector privado mais dinâmico, que contribua para o desenvolvimento dos cuidados de saúde compreensivos de Macau.
Função Pública | Governo nega intenção de alargar horários João Santos Filipe - 13 Nov 2025 O Governo negou ontem o que afirmou serem “falsos rumores” divulgados nas redes sociais sobre a possibilidade de alargar o horário de trabalho da Função Pública e de alterar as regras de aposentação. A mensagem foi deixada através de um comunicado divulgado na manhã de ontem. “Actualmente, o Governo da RAEM não tenciona alterar o horário normal de trabalho da Administração Pública, nem pretende introduzir alterações ao regime de aposentação e sobrevivência e ao regime de previdência dos trabalhadores dos serviços públicos, sendo também infundados os demais rumores”, foi garantido. Além disso, a nota de imprensa da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (DSAFP) assegura que nenhuma alteração do género vai ser promovida sem que haja uma “auscultação dos diversos sectores da sociedade”. “O Governo da RAEM salienta que, como a prática seguida, qualquer alteração ao regime jurídico que rege os trabalhadores dos serviços públicos é precedida da devida auscultação dos diversos sectores da sociedade, incluindo as opiniões dos trabalhadores dos serviços públicos”, foi comunicado. A nota de imprensa apela “ao público” e aos trabalhadores da função pública que “não acreditem em rumores nem transmitam notícias ainda não confirmadas”. Sem investigação criminal Horas depois do desmentido, Wong Sio Chak, secretário para a Administração e Justiça e porta-voz do Conselho Executivo, também abordou a polémica. Quando questionado sobre o assunto, o governante considerou que o assunto tinha sido clarificado pela nota de imprensa e afirmou que o Governo não tem qualquer intenção de investigar criminalmente a origem dos rumores. Wong Sio Chak, segundo o jornal Ou Mun, deixou também a garantia de que caso haja no futuro planos para alterar os horários da função pública ou outros assuntos relacionados com as pensões dos trabalhadores públicos, será levada a cabo uma auscultação “abrangente” da população e em especial dos funcionários públicos. Tempo de mudanças Os rumores nasceram a poucos dias da apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG), com Sam Hou Fai a deslocar-se à Assembleia Legislativa na próxima terça-feira, para apresentar as políticas para o próximo ano. Nos últimos anos, os diferentes Governos têm insistido na necessidade de reformar a Administração Pública, para aumentar a eficiência e modernizar os serviços. No âmbito destes objectivos, uma das primeiras medidas de Sam como Chefe do Executivo foi a criação do chamado Grupo de Liderança da Reforma da Administração Pública, o que foi igualmente justificado com a necessidade de implementar “os espíritos consagrados no importante discurso do Presidente Xi Jinping proferido na celebração do 25.º aniversário do retorno de Macau”. Também a 30 de Setembro, o Conselho Consultivo para a Reforma da Administração Pública realizou uma reunião que visou a revisão do Decreto-Lei com as Bases gerais da estrutura orgânica da Administração Pública. No entanto, estes grupos nunca tinham adiantado a possibilidade de os horários serem alterados a curto prazo, assim como não foi abordada a possibilidade do regime de aposentação ser alterado.
DE FILINTO ELÍSIO Amélia Vieira - 12 Nov 2025 O que nos poderá trazer à memória remota este autor é digno de ser entendido à luz dos acontecimentos recentes onde o filicídio e o parricídio se levantam desde obscuros tempos no país da longa Inquisição e de expostos à Roda, portanto, uma memória sombria que um povo pequeno ao longo de séculos foi capaz de perpetrar nas agruras de um fatalismo doentio e inegável brutalidade emocional. Assistimos incautos mas não esquecidos (alguns) às manifestas capacidades malignas que se levantam do seu atavismo e tentamos compreender não só o próprio momento mas todos aqueles que o antecederam, e nele nos ocorre Filinto Elísio, uma figura notável do século XVIII com um percurso monumental, um dos grandes conhecedores da cultura clássica da sua época, lembrando que foi a sua própria mãe que o denunciou à Inquisição, não esquecendo ainda que o país foi fundado por um rei que bateu na sua mãe. Eis que quase subitamente e por um fio rasgado da sorte, existiu para reparar todas estas tragédias o culto mariânico que numa primeira instância se achou suspeitoso mas que fora metodicamente afivelado para transpor, quem sabe, o nível pré-consciente de uma nação que forjou o crime no seio da mais pequena instituição redimindo-a assim do descaso brutal de que deu provas ao longo de séculos. E o mito vingou! Só que deixou a descoberto a existência transsexual das personagens que fixaram os afixos. -Há que descobrir o leitor o que entende por tal definição- Passando de imediato para o autor, a ordem de prisão fora ordenada, só que ele fugira indo parar à casa de um negociante francês, e pouco mais tarde a bordo de um navio sueco; Filinto tinha-se escapulido com todo o seu saber e cultura inscritos para jamais regressar. No meio de tudo isto o drama do obscurantismo foi ainda, e talvez, o melhor que lhe acontecera. Fez um percurso que a nós nos faria falta pela excelência e legou-o a outros, foi amigo de Lamartine que lhe escreveu um poema «Stances à un Poète Portugais Exilé» D. Maria I tinha manifestado simpatia pelo regresso do poeta e em devolver-lhe todos os seus bens alienados, mas os seus muitos adversários impediram o seu retorno. A Revolução Francesa já estava em marcha, só que o espigão do negrume inquisitorial não deixou, levantando-se hoje com força bravia, incalculável. Não há nenhuma perturbação psíquica. Há sim um atavismo reflector de um longo legado de sordidez que se levantou e reclama a sua esfera, que não existe medicação para níveis de malvadez desta dimensão. A ciência trata os casos e corrigi-os de forma a manter a qualidade da existência, não se ocupando das sombras e seus reflexos sanguíneos na corrente colectiva, que ela se tornou de tal ordem avassaladora que entenderemos melhor este Filinto Elísio no seu descaminho e fuga do que uma qualquer análise nos queira transmitir. Um poeta, por o ser, tem um amplo plano de evasão, sustentado quanto vezes por acasos felizes de outra ordem, só que mesmo assim, a sua dor foi real e manteve-se ao longo de uma vida onde temos todos muita honra por ter sido nosso concidadão. Afinal, qual a intenção esmagadora de denunciar um filho às chamas da Inquisição? Porquê ter sido permitido fazer Rodas de enjeitados? Por que não se poder nascer com segurança num local onde a obstetrícia é o parente pobre da saúde pública? (talvez por isso) o mesmo terror antigo que nos inibe e controla como um fardo, que há um país no mundo às portas de um total desconhecimento de seu drama íntimo. À memória esquecida de um grande português são dedicadas estas linhas e todas as interrogações. Aos filhos que matam pais, aos pais que matam filhos, aos homens que matam mulheres, às mulheres que matam maridos, ofereçamos Filinto Elísio.
Galeria Tap Seac | Mostra de arte contemporânea chega ao fim no domingo João Luz - 12 Nov 2025 A exposição “A Reinvenção do Real”, patente no Galeria do Tap Seac até domingo, é mote para exibições de tauromaquia e de caricaturas ao vivo. As actividades são integradas na participação do Pavilhão da Cidade de Vila Franca de Xira no cartaz da Bienal Internacional de Arte de Macau Está a chegar ao fim a exibição da mostra “A Reinvenção do Real – Arte Contemporânea Portuguesa na Colecção do Museu do Neo-Realismo, integrada no Pavilhão da Cidade de Vila Franca de Xira”, que vai estar exibição na Galeria Tap Seac até domingo. Para fechar a exposição, o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e o Instituto Português do Oriente (IPOR) organizaram um programa de actividades paralelas, para promover a exposição e as características culturais da cidade de Vila Franca de Xira nas quais se inclui a arte tauromáquica. Como tal, o jardim do Consulado-Geral de Portugal será palco de curtas exibições de tauromaquia da Associação de Escola de Toureio José Falcão, de Vila Franca de Xira, amanhã e na sexta-feira. As exibições têm a duração de 15 minutos e começam às 15h e às 15h45 dos dois dias. Em simultâneo, entre as 15h e as 17h de quarta e quinta-feira, também no jardim do consulado, vão decorrer sessões de caricaturas desenhadas ao vivo pelo cartoonista Vasco Gargalo. Recorde-se que a exposição “A Reinvenção do Real – Arte Contemporânea Portuguesa na Colecção do Museu do Neo-Realismo, integrada no Pavilhão da Cidade de Vila Franca de Xira” foi aberta ao público a 12 de Setembro. Com a curadoria de David Santos, director do Museu do Neo-Realismo, e o artista visual José Maçãs de Carvalho, a mostra é composta por 20 obras da autoria de 14 artistas portugueses (Alice Geirinhas, André Cepeda, Carla Filipe, Pedro Cabral Santo, Fernando José Pereira, Luciana Fina, Luísa Ferreira, Manuel Santos Maia, Miguel Palma, Paulo Mendes, Rita Barros, Válter Vinagre, José Maçãs de Carvalho). Touros e outras faenas Em relação aos convidados da cidade ribatejana, a organização indica que “a Associação Escola de Toureio José Falcão de Vila Franca de Xira, fundada em 11 de Agosto de 1984, nasceu da vontade de preservar a tradição taurina vilafranquense e de formar novas gerações de toureiros, inspiradas na figura e no exemplo do inesquecível matador José Falcão”. É referido ainda que a instituição oferece aulas tauromáquicas e organiza novilhadas de promoção e provas públicas, e que, ao longo de quatro décadas, “tem formado gerações de jovens que hoje representam Portugal nas arenas de todo o mundo”. Quanto a Vasco Gargalo, o IPOR apresenta-o como “um dos mais reconhecidos cartoonistas e ilustradores portugueses”, com trabalho publicado em vários meios de comunicação nacionais e internacionais. O vila-franquense tem colaborado com o jornal I, Diário de Notícias, Courrier Internacional, revista Groene Amsterdammer, revista Spotsatire, e é colaborador permanente do Correio da Manhã e da revista Sábado.
Festival de Gastronomia | Seguro paga estragos por queda de estrutura Nunu Wu e João Santos Filipe - 12 Nov 2025 Chan Chak Mo, presidente da Comissão de Organização do Festival, assegura também que estão reunidas todas as condições para o arranque do evento na sexta-feira Apesar da queda de uma estrutura de aço ligada ao Festival da Gastronomia, o presidente da Comissão de Organização, Chan Chak Mo, garante que o evento vai decorrer dentro da normalidade e arrancar na sexta-feira, como inicialmente previsto. A posição foi tomada em declarações ao jornal Ou Mun, depois da queda da infra-estrutura com os carateres em chinês do festival que causou danos em nove veículos. Nas declarações prestadas, Chan Chak Mo realçou que o caso não resultou em feridos e que segundo as conclusões da polícia a estrutura cedeu devido ao forte vento que se fez sentir naquela zona. Além disso, os organizadores consideram que o acidente se deveu ao facto de o empreiteiro responsável pela montagem no evento não ter criado os apoios suficientes que garantissem a segurança da estrutura. Face a estas falhas, os organizadores pediram ao empreiteiro para corrigir a situação. Quanto aos estragos, Chan explicou que a União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, responsável pelo evento, accionou o seguro e que espera que os donos dos veículos sejam compensados. O ex-deputado Chan Chak Mo assegurou também que todas as condições de segurança do evento estão reunidas, pelo que não espera um impacto a nível da participação dos residentes e turistas. O evento decorre entre sexta-feira e 30 de Novembro. Em resposta ao canal chinês da Rádio Macau, a Direcção dos Serviços de Turismo apontou que depois de ser informada do caso, enviou imediatamente funcionários ao local para conhecer a situação e comunicar com os representantes da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau e com o empreiteiro. A organizadora ficou obrigada a entregar um relatório do acidente e um relatório de acompanhamento face aos pedidos de compensação. Danos variados O polémico acidente aconteceu na manhã de segunda-feira, por volta das 11h, junto à Praça do Lago Sai Van, quando a estrutura de aço com uma área de cerca de 30 metros de comprimento por 7 metros de altura tombou e caiu em cima de oito motos e um carro. Apesar de não existir o registo de qualquer ferido, a queda causou danos em motas e num carro que estavam estacionados naquele lugar. A parte dianteira do carro ficou amassada e oito motos foram atingidas. Ao canal chinês da Rádio Macau, um proprietário de uma das motos destruídas lamentou o acidente que definiu como “um desastre indesejado”. O residente com o apelidou Chou relatou ainda que deixou a moto estacionada no local por volta das 10h30. Depois de saber do acidente, o residente afirmou sentir-se “desamparado” e angustiado, porque ainda não tinha conhecimento da dimensão dos danos do seu veículo, uma vez que na altura em que prestou as declarações a mota ainda estava debaixo da infra-estrutura. Chou apontou também que muitas pessoas utilizam aquela zona para correr e que foi uma sorte ninguém ter sido ferido.
Imobiliário | Compra e venda de habitação cresce 43% João Santos Filipe - 12 Nov 202512 Nov 2025 Apesar da maior actividade do mercado em termos anuais, os preços continuam em queda em termos mensais, com os números a revelarem tambémuma diminuição das transacções Na primeira metade de Outubro, o volume de compra e venda de habitação aumentou 43 por cento em termos anuais, de acordo com os dados mais recentes da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). Na primeira quinzena de Outubro, foram registadas 114 transacções, quando há um ano o número tinha sido de 80. O mercado mais activo foi o da Península de Macau, com 82 transacções, o que representou mais 20 compras e vendas em termos anuais. Como tradicionalmente acontece, seguiu-se o mercado da Taipa, que registou 21 negócios concluídos, um acréscimo anual de sete transacções, e Coloane, com 11 transacções, uma expansão de sete compras e vendas. No entanto, os números mais recentes revelam que o preço do metro quadrado está em quebra, com uma redução de 16,0 por cento. No início de Outubro, o preço do metro quadrado foi negociado a uma média de 73.632 patacas, enquanto há um ano era negociado a 87.668 patacas. Segundo os últimos dados, na Península de Macau o preço médio do metro de quadrado foi de 76.726, uma redução de 7 por cento por cento face ao período homólogo. Na Taipa, o preço foi de 61.116 patacas por metro quadrado, uma redução de 25,9 por cento, e em Coloane caiu para 76.632 patacas, uma diminuição de 28,5 por cento. Momento de contrastes Em termos mensais, a situação é diferente, porque foram registadas quebras a nível do número de transacções e do preço. No início de Setembro, tinham sido registadas 127 transacções, o que significa que mensalmente houve uma redução de 13 transacções, ou 10,3 por cento. No princípio de Setembro, foram registadas 102 compras e vendas na Península, 21 na Taipa e quatro em Coloane. Em termos do preço médio por metro quadrado, no espaço de um mês verificou-se uma redução de 6 por cento, de 78.418 patacas para 73.632 patacas. No entanto, a queda não foi comum a todos os mercados locais. A excepção foi a área de Coloane, onde se registaram mais transacções e com um preço médio mais caro. Nesta zona, houve um aumento de 13,8 por cento, de 75.292 patacas por metro quadrado para 85.643 patacas por metro quadrado. Na Taipa, o preço caiu de 92.638 patacas por metro quadrado para 61.116 patacas, uma redução de 34,0 por cento, apesar de o número de transacções se manter estável. Finalmente, no principal mercado local, a Península assistiu a uma quebra do preço de 2,8 por cento.
Comerciantes afectados não vão receber subsídio directo João Luz - 12 Nov 2025 À semelhança da resposta aos prejuízos causados pelo tufão Hato, Nick Lei perguntou ao Governo se iria também atribuir subsídios directos aos comerciantes afectados pelas cheias do tufão Ragasa. A resposta do Executivo foi negativa, restando aos empresários recorrerem ao seguro contra grandes desastres Em Macau, existe um período antes do tufão Hato e outro depois do tufão Hato. Esta realidade ficou bem patente na resposta do Governo a uma interpelação de Nick Lei, em que o deputado perguntava se seriam atribuídos a comerciantes afectados pelas cheias do tufão Ragasa subsídios de montante, à semelhança do que aconteceu depois do tufão Hato. Na resposta, o director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Chan Un Tong, indicou que os comerciantes e as pequenas e médias empresas (PME) podem recorrer ao seguro contra grandes desastres. O responsável lembrou a Nick Lei que em 2019 a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico lançou o “Plano de Apoio Financeiro à Subscrição de Seguro de Bens Patrimoniais contra Grandes Desastres para as Pequenas e Médias Empresas”. O plano, implementado em cooperação com a Autoridade Monetária de Macau tem como objectivo encorajar as PME que enfrentam necessidades a subscrever seguros contra desastres e aliviar o encargo económico na subscrição de seguros. Outra lacuna que a medida tem em vista colmatar, é oferecer uma solução para o problema de falta de cobertura de seguros para danos em bens comerciais durante condições meteorológicas extremas. O deputado ligado à comunidade de Fujian reconhece que o plano de apoio à subscrição de seguros aliviou parte da pressão económica dos empresários afectados, “mas o valor do seguro contra grandes desastres é elevado, ou seja, 100 mil, 200 mil, 300 mil e 500 mil patacas, logo, os prémios também são elevados”. Importa referir que o apoio do Executivo oferece 50 por cento do prémio standard global ou um montante máximo de 30 mil patacas (consoante o valor mais baixo). Retoques e melhorias Em relação às críticas feitas à medida de apoio, o Governo sublinhou que “o esquema do seguro contra grandes desastres tem sido continuamente aprimorado, incluindo a eliminação do limite de indemnização para mercadorias e da franquia, a introdução de descontos na renovação sem sinistros, bem como a ampliação da cobertura para incluir perdas de bens comerciais ocorridas durante o sinal de chuva intensa preta.” Além disso, em 2023, o plano foi optimizado com a redução das taxas de prémio em 40 por cento, para 15 por cento, foi adicionada uma opção de cobertura com um valor segurado de meio milhão de patacas e concedidos descontos na renovação do seguro para comerciantes que tenham apresentado pedidos de indemnização anteriormente. Também o número de seguradoras locais participantes no esquema foi ampliado este ano para seis. Recorde-se que o tufão Ragasa passou por Macau a 24 de Setembro, batendo uma série de recordes. Pela primeira vez, desde 1968, as autoridades emitiram duas vezes o sinal número 10 de tufão no mesmo ano. A tempestade, que provocou inundações consideráveis, oito feridos e momentos virais de pessoas a apanhar peixes à mão em plena via pública, representou também o sinal 10 de tufão mais longo (10 horas e 30 minutos).
Apoios sociais com corte de 1% até ao final de Outubro João Santos Filipe - 12 Nov 202512 Nov 2025 Até ao fim de Outubro, o montante gasto pelo Governo com transferências, apoios e abonos apresenta uma redução de 1,1 por cento que equivale a cerca de 500 milhões de patacas. De acordo com os números divulgados ontem pela Direcção de Serviços para as Finanças (DSF), até ao final de Outubro, o Governo gastou 43,6 mil milhões de patacas com apoios sociais, quando até Outubro de 2024 tinha gasto 44,1 mil milhões de patacas. O montante gasto nos primeiros 10 meses representa uma execução de 70,8 por cento do orçamento para apoios sociais para todo o ano, estimado em 58,7 mil milhões de patacas. A distribuição de apoio sociais é a única despesa corrente da Administração com cortes, dado que os outros campos, como as despesas com o pessoal, despesas de funcionamento, despesas com a prestação de serviços de utilidade pública e com o regime de aposentação e sobrevivência apresentam gastos superiores aos de 2024. Para o corte, terá contribuído o facto de o programa de comparticipação pecuniária ter deixado de ser entregue a todos os residentes. As despesas correntes foram de 61,6 mil milhões de patacas nos primeiros 10 meses do ano. Em contraciclo Os cortes com os apoios sociais acontecem numa altura em que o montante dos impostos está a subir. A dois meses do final do ano, as receitas correntes atingiram 92,6 mil milhões de patacas, um aumento face aos 89,6 mil milhões de patacas em receitas até Outubro de 2024. A maioria das receitas correntes teve como origem os impostos sobre o jogo que atingiram 77,5 mil milhões de patacas, um aumento face aos 73,0 mil milhões de patacas no período homólogo. Considerando todas as receitas e despesas da Administração, correntes e de capital, o orçamento da RAEM apresente um superavit de 17,3 mil milhões de patacas. No final de Outubro de 2024, o superavit era de 14,3 mil milhões de patacas e o ano encerrou com um saldo positivo de 15,6 mil milhões de patacas.
Táxis | Governo pressionado a resolver “deficiências significativas” João Santos Filipe - 12 Nov 202512 Nov 2025 O deputado ligado à comunidade de Jiangmen alerta para a falta de táxis, principalmente de veículos com condições de acessibilidade para pessoas com dificuldades motoras. E com o envelhecimento populacional, Lee Koi Ian avisa que a situação ainda vai piorar O deputado Lee Koi Ian defendeu a necessidade de o Executivo resolver as “deficiências significativas” na disponibilização do serviço de táxis na cidade. O pedido consta de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa (AL). Na perspectiva do deputado ligado à comunidade de Jiangmen, o actual sistema de operação de táxis tem por base a atribuição de licenças pelo Governo, mas continua a apresentar “deficiências significativas”. Lee aponta que estas são verificadas em várias áreas como o “volume de oferta, cobertura de serviço, eficiência de chamada de táxis e disponibilidade real”. Por isso, o legislador considera que o serviço disponibilizado em Macau não “responde plenamente às necessidades práticas da sociedade”. O deputado relata também que o cenário não é melhor para as pessoas com necessidades especiais de mobilidade: “Os utilizadores de cadeiras de rodas e as pessoas com mobilidade reduzida enfrentam frequentemente dificuldades em garantir veículos adequados durante as horas de ponta ou em percursos específicos”, relata Lee. “Há também problemas persistentes que incluem os tempos de espera imprevisíveis e padrões de serviço inconsistentes”, acrescentou. Os relatos são feitos com base em queixas recentemente recebidas pelo legislador. Pode piorar O deputado explica também que o cenário é preocupante, porque se espera um aumento da procura pelos carros com serviço de mobilidade especial devido à “tendência de envelhecimento demográfico”, “às crescentes necessidades de reabilitação médica” as “deslocações entre bairros” e “as viagens turísticas que continuam a aumentar” O membro da Assembleia Legislativa define assim a acessibilidade aos táxis como “uma das questões críticas que afecta a qualidade dos serviços públicos de Macau”, e indica que actualmente entre os táxis em circulação apenas 12 são acessíveis a pessoas com dificuldades motoras, o que representa menos de um por cento dos veículos em circulação. Nestas condições, Lee Koi Ian questiona se as autoridades realizaram algum estudo para se aperceberem da “real taxa de funcionamento” dos táxis acessíveis. O legislador pergunta também se o Executivo utilizou “métodos científicos para determinar a proporção de casos de reservas não atendidas de táxis acessíveis entre grupos-chave, como idosos e pessoas com deficiência”. Ainda no documento, o deputado pergunta ao Executivo se vai apresentar políticas para resolver os problemas.
Infra-estrutura do Festival de Gastronomia cede e causa danos em nove viaturas João Santos Filipe - 11 Nov 2025 Uma infra-estrutura com o nome do Festival da Gastronomia cedeu ontem, junto à praça do Lago Sai Van, e causou vários danos em motos e carros estacionados no local. O acidente ocorreu na manhã de ontem, e não houve registo de feridos. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a infra-estrutura cedeu por volta das 11h da manhã, altura em que o Corpo de Bombeiros (CB) foi chamado ao local do acidente. Apesar de não existir o registo de qualquer ferido, a cedência da infra-estrutura causou danos em motas e num carro que estavam estacionados naquele lugar. A parte dianteira do carro ficou amassada pela estrutura de aço e oito motos foram esmagadas, o que fez com que algumas delas ficassem deformadas, com fragmentos espalhados pelo chão. A infra-estrutura que cedeu apresentava o nome do Festival da Gastronomia em carateres chineses e tinha uma área de cerca de 30 metros de comprimento por 7 metros de altura. A existência de “fortes ventos” foi apontada como estando na origem do acidente de ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). Queixas e lamentos Ao canal chinês da Rádio Macau, um dos proprietários de uma das motos destruídas lamentou o acidente que definiu como “um desastre indesejado”. O residente com o apelidou Chou relatou ainda que deixou a moto estacionada no local por volta das 10h30. Nessa altura nada fazia antever o desfecho. No entanto, depois de saber do acidente, o residente afirmou sentir-se “desamparado” e angustiado, porque ainda não tinha conhecimento da dimensão dos danos do seu veículo, uma vez que na altura em que prestou as declarações a mota ainda estava debaixo da infra-estrutura. Chou apontou também que muitas pessoas utilizam aquela zona para correr e que foi uma sorte ninguém ter sido ferido. Todavia, o residente lamentou que aquela infra-estrutura com o nome do Festival de Gastronomia fosse instalada sem a segurança necessária. O incidente foi comunicado ao Instituto para os Assuntos Municipais e também à Direcção dos Serviços de Turismo. O Festival de Gastronomia é organizado pela União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau e vai decorrer entre 14 e 30 de Novembro.
Pacote de compensação a Musk aprovado David Chan - 11 Nov 202512 Nov 2025 No passado dia 6, o pacote de compensação de 1 bilião de dólares a Elon Musk foi aprovado numa reunião de accionistas da Tesla. Isto não só é um indicador claro da direcção que a Tesla vai tomar no futuro como também pode vir a ter um profundo impacto na indústria tecnológica global. Acredita-se que em Macau pode ter potencialmente consequências indirectas. O pacote de compensação tem dois pontos principais. Primeiro, estipula que Musk deve conseguir que a Tesla atinja uma série de metas extremamente ambiciosas nos próximos dez anos, como o aumento da capitalização de mercado da empresa para 8,5 biliões de dólares. Requer ainda que venha a fabricar um total acumulado de 20 milhões de veículos, a operar 1 milhão de Robotaxis, a vender 1 milhão de robots humanoides e a gerar 400 mil milhões de lucro. Segundo, por cada meta atingida, Musk receberá aproximadamente 1% das acções da empresa. Quando todos os objectivos forem cumpridos, as acções de Musk aumentarão de aproximadamente 13 para 25 por cento. As metas definidas no pacote de compensação são extremamente ambiciosas e difíceis de conseguir. Este plano estabelece uma ligação profunda entre os ganhos de Musk e o desenvolvimento a longo prazo da Tesla, incentivando-o a focar-se e a liderar a transformação da empresa. Se Musk for bem-sucedido, a sua fortuna pessoal aumentará significativamente e o seu controlo sobre a Tesla também será maior, dando-lhe mais poder de decisão administrativa. Os accionistas que apoiaram o pacote de compensação terão ficado encantados com a sua aprovação, na medida em que vai definir as metas futuras da empresa e a direcção que tomará. O sucesso trará dividendos substanciais e um aumento significativo do valor das acções, tornando-as um investimento de alto retorno. Claro que os accionistas que não o apoiaram não terão ficado satisfeitos com a aprovação. Acima de tudo, o plano de compensação mudará fundamentalmente as operações comerciais da Tesla, passando de fabricante de carros para uma empresa tecnológica que integra IA e robótica. Uma mudança bem-sucedida e um aumento dos lucros serão certamente gratificantes. Mas se falhar? Os investimentos podem não ter retorno e inclusivamente os accionistas podem mesmo vir a sofrer perdas. Além disso, mesmo que corra bem, a influência dos accionistas minoritários vai inevitavelmente diminuir à medida que as acções de Musk aumentam. É crucial que os accionistas minoritários considerem utilizar a votação para proteger os seus interesses. O desentendimento entre os accionistas reflecte o difícil equilíbrio entre os riscos e as recompensas da transformação, uma transformação que será uma dura batalha para a própria Tesla. O plano de compensação sublinha o papel insubstituível de Musk como líder da Tesla.; a sua aprovação afasta a incerteza da permanência de Musk na empresa, permitindo que a Tesla cumpra gradualmente o seu objectivo de transformação de fabricante de carros eléctricos para um gigante da IA e da robótica. A curto prazo, o preço das acções da Tesla deverá subir devido ao desaparecimento desta incerteza. No entanto, para que continue a subir a longo prazo, a Tesla tem de ter uma transformação de sucesso. A concretização deste objectivo será repleta de desafios tecnológicos e regulamentares. A incapacidade de ultrapassar estas dificuldades colocará riscos significativos à empresa, danos na confiança do mercado e impacto no preço das acções. Embora o plano de compensação não afecte directamente Macau, o seu valor substancial torna-o notícia em todo o mundo e merece atenção. Além disso, se os carros autónomos da Tesla (os Robotaxi) e os robots humanoides (os Optimus) conquistarem o mercado global no futuro, o modelo dos serviços de turismo pode mudar, com autocarros sem motoristas e serviços hoteleiros assegurados por robots. Nessa altura, Macau poderá ter necessidade de fazer as alterações apropriadas para desenvolver a sua indústria de turismo e reafirmar-se como cidade de lazer. Por conseguinte, Macau deve prestar atenção a estas mudanças tecnológicas e considerar a forma de as aplicar para aperfeiçoar a experiência turística e diversificar a sua indústria, mas também tem de enfrentar a remodelação da indústria provocada pela mudança tecnológica. O pacote de compensação indica a concordância da Tesla em oferecer a Musk uma enorme soma, mas ainda precisa da aprovação do tribunal. O plano de compensação a Musk oferecido pela Tesla em 2018 foi rejeitado pelo tribunal e ainda está em fase de recurso. Portanto, é questionável que este plano com condições mais generosas seja aprovado pelo tribunal. Se for rejeitado, o futuro de Musk voltará a estar sob escrutínio, uma questão que preocupa o próprio Musk. Além disso, esta questão é também um assunto de administração empresarial. É apropriado fazer depender o futuro da empresa de uma única pessoa? Em resumo, o pacote de compensação é a “derradeira aposta” da Tesla no caminho do seu desenvolvimento para a próxima década. Também significa que Musk se vai dedicar totalmente a conduzir a transformação da Tesla de simples fabricante de veículos eléctricos para uma empresa que vai “tomar de assalto” em toda a linha o sector da inteligência artificial e da robótica. Actualmente, para Macau esta questão não tem impacto directo, mas a onda tecnológica que representa merece atenção a longo prazo. Aprender a conhecer estas tecnologias de ponta, e considerar a sua potencial integração nas indústrias locais pode ser vantajoso e será a melhor maneira de lidar com mudanças futuras.
Comércio | Exigidas licenças para exportação de químicos para os EUA, México e Canadá Hoje Macau - 11 Nov 202511 Nov 2025 Pequim intensifica o controlo sobre a exportação de componentes químicos que podem levar ao fabrico de drogas como o fentanil A China anunciou ontem o endurecimento dos controlos de exportação de produtos químicos que podem ser utilizados no fabrico de drogas sintéticas, particularmente o fentanil, nomeadamente para os Estados Unidos, o México e o Canadá. Segundo uma declaração conjunta do Ministério do Comércio e de outras agências chinesas, a medida entra em vigor imediatamente e incorpora também uma lista específica de 13 produtos químicos sujeitos a controlos especiais para estes três países. As exportações para outros destinos não vão necessitar de autorização. O Ministério chinês justificou o ajustamento como parte dos esforços para “melhorar a gestão da exportação de produtos químicos susceptíveis de desvio” para usos proibidos. O Ministério do Comércio já aplicava controlos semelhantes ao Myanmar, Laos e Afeganistão, países que já constavam anteriormente da lista de destinos considerados de alto risco para o desvio de produtos químicos. Com o ajuste ontem anunciado, os Estados Unidos, o México e o Canadá juntam-se a este grupo, embora com uma lista diferente de 13 compostos focados nos derivados da piperidina, base de inúmeros opioides sintéticos, como o fentanil. Aliviar tensões O anúncio surge depois da assinatura dos acordos este mês entre os Presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o encontro na cidade sul-coreana de Busan, que incluiu compromissos de cooperação no combate às drogas e o alívio das restrições e taxações comerciais após meses de tensões. Nesse encontro, Pequim e Washington concordaram em intensificar a colaboração para combater o tráfico de fentanil, um opioide sintético responsável por dezenas de milhares de mortes anualmente nos Estados Unidos, que segundo Washington é fabricado pelos cartéis mexicanos a partir de produtos originários da China. Trump anunciou, então, que iria reduzir as tarifas sobre as importações chinesas de 20 por cento para 10 por cento, como parte de uma trégua comercial de um ano, que inclui também reduções tarifárias e a suspensão de vários controlos de exportação por parte da China sobre materiais estratégicos, como as terras raras, que são muito cobiçadas pelos norte-americanos.
Cinema | A balada de Colin Farrell por Macau é uma obra “muito autobiográfica” Hoje Macau - 11 Nov 202511 Nov 2025 Em “Ballad of a small player”, Lord Doyle (Colin Farrell), jogador compulsivo, é a voz do próprio criador, assume à Lusa Lawrence Osborne, autor do livro que inspirou o filme da Netflix. Tudo começou num remoto mosteiro chinês na província de Sichuan Logo numa das primeiras cenas de “Ballad of a small player”, Lord Doyle – é assim que se dá a conhecer Brendan Reilly, um vigarista que fugiu do Reino Unido com fortuna roubada – desce as longas escadas rolantes do casino (ficcionado) Rainbow, para nova sessão de bacará. E é nesta descida ao inferno que o jogador inveterado, com contas milionárias por acertar, se cruza pela primeira vez com Dao Ming (Fala Chan), do Interior da China, a trabalhar como agiota em Macau e uma possível avenida para a redenção (e para o crédito). Dao Ming é, aliás, o ponto de partida desta balada nocturna, ainda antes do realizador Edward Berger (“Conclave”, 2024) imaginar transferi-la para o grande ecrã, conta em entrevista à Lusa Lawrence Osborne, autor do livro “The ballad of a small player” (2014). É preciso recuar a 2007 quando, enviado pela revista Vogue, o jornalista britânico passa uma noite num mosteiro remoto, a oeste da província chinesa de Sichuan. “Os monges contaram-nos que todas as raparigas daquela localidade tinham ido para Hong Kong e Macau e a maioria nunca mais voltou, ninguém sabia o que tinha acontecido”, lembra Osborne, a viver em Banguecoque. Ideia “estranha e inquietante”, que ressurgiu quando viajou a Macau e se hospedou, como era habitual, no hotel-casino Lisboa, obra dos anos 1970 e parte do império do magnata do jogo Stanley Ho (1921-2020) – “nunca tinha estado num sítio assim”. “Quantas dessas raparigas serão de Sichuan?”, lembra-se de pensar ao ver circularem prostitutas pelo átrio do Lisboa. “Descia à noite e tinham na cave uma espécie de área onde se apostava nas corridas de galgos, e uns tipos ficavam ali sentados de óculos escuros à noite – era bastante divertido. Eu sentava-me no café e observava essas raparigas a andarem no sentido dos ponteiros do relógio, circulavam assim o dia todo”, lembra. Da mesa para as páginas Dao Ming desenhava-se naqueles corredores – no livro de Osborne é prostituta – mas a resistência de se pôr na pele de uma migrante chinesa, acabou por relegá-la para segundo plano nesta história. A escolha do protagonista resolveu-se quando, uma noite, o jornalista se cruzou com um “britânico solitário, todo suado, com uma espécie de casaco aveludado meio fajuto”, a jogar. “Parecia completamente perdido, o único ‘gwai lou’ naquele lugar”, diz, ao usar uma expressão cantonesa local, em referência a estrangeiros caucasianos, mas que significa literalmente “diabo” ou “fantasma”. Osborne descobriu assim Doyle, um pretenso aristocrata (‘Lord’) – com o título nobiliárquico inspirado, contou numa entrevista à Monocle, por Lord Stow, como foi baptizado por locais Andrew Stow (1955-2006), o farmacêutico britânico que fundou o império dos pastéis de nata em Macau. Ou melhor, em Doyle descobriu quem lhe projectasse a voz. Macau caleidoscópica Narrado na primeira pessoa, “The ballad of a small player” é uma obra “muito autobiográfica”. “Não no sentido de ser um viciado louco ou um impostor – bem, algumas pessoas discordariam – mas a voz sou eu”, acrescenta. A relação com Macau já tinha anos e evoluiu quando começou a viajar mais até ao território por precisar de sair da Tailândia para renovar o visto de entrada. Os dias orbitavam muito em torno do Lisboa. À noite descia até ao casino e pasmava-se com “aquela incrível espécie de ópera”. Depois começou a jogar. “Foi bastante divertido, perdi dinheiro, e isso foi ainda mais divertido. E toda aquela atmosfera sobrenatural que os chineses têm em relação ao jogo era algo que eu nunca tinha visto”, diz. Sobre Macau, nota que é hoje uma cidade diferente daquela que passou para livro em 2014. Também a retratada por Berger distancia-se, de certa forma, da de Osborne – não aparecem muitas das referências do livro à gastronomia ou locais portugueses ou mesmo aos velhos casinos do território. O Greek Mythology, na área da Taipa, onde Osborne arranca o livro, já nem existe. Macau descobre-se num “filme operático, que é muito colorido, muito intenso, muito barulhento”, avalia. E para quem vê o filme, é possível que fique exausto ao fazer por acompanhar Farrell, que vai avançando, suado, à beira do colapso, por salões e quartos opulentos, a fugir à lei e à lei das probabilidades, e sem saber o que o espera na próxima mão – “a sensação pela qual todos os jogadores vivem”, como escreve Osborne na obra, que lhe valeu comparações a Dostoievsky e Graham Greene. O livro “é mais tranquilo, mais interior e mais calmo, é um tipo diferente de voz”, considera o autor, admitindo, porém, estar surpreendido “de forma positiva” com este “filme sensual”, que veio ainda adicionar novos elementos ao universo de Doyle, como a investigadora enviada a Macau para o encontrar, Cynthia Blithe (Tilda Swinton). “A história é muito ‘dark’, não é um folheto turístico, mas a cidade parece incrível no filme. (…) Acho que fizemos algo bom para Macau. E não é uma coisa pequena, é grande”, refere. Lawrence Osborne diz ter visto o filme apenas quando estreou em Londres, a 9 de Outubro no Royal Festival Hall, e admite ter “ficado muito emocionado”: “parecia que estava a olhar para a minha vida há 20 anos.” “E eu sentado naquele cinema e ninguém sabia quem eu era, completamente anónimo (…) Na sessão de perguntas e respostas, era apenas Collin Farrell e Tilda Swinton, mas ainda assim é o meu mundo e é uma sensação estranha. Fui até lá completamente sozinho, tinha uma pequena limusina da Netflix à minha espera, bebi um uísque sozinho e fui para casa. Foi estranhamente satisfatório”, conta. “Ballad of a small player” estreou na Netflix a 29 de Outubro.
Caso Kong Chi | Jornalista proibida de acompanhar julgamento João Santos Filipe - 11 Nov 202511 Nov 2025 Apesar do Código Processo Penal prever o acesso dos órgãos de comunicação social e do público em geral às audiências dos julgamentos realizados em Macau, o Tribunal de Segunda Instância impediu uma jornalista de entrar na sala Uma repórter foi impedida de entrar no Tribunal de Segunda Instância (TSI) para fazer a cobertura do segundo dia do julgamento de Kong Chi. A informação foi divulgada ontem pelos canais portugueses da TDM, com a jornalista do jornal All About Macau a ser impedida de aceder à sala de audiência logo na parte da manhã. A decisão dos funcionários dos tribunais da RAEM segue outras decisões do tipo anteriormente adoptadas pelo Executivo e pela Assembleia Legislativa, sem qualquer tipo de base legal. À TDM, os funcionários do TSI justificaram a proibição de entrada da jornalista com o facto de esta ter escrito sobre o julgamento para o jornal All About Macau. No entanto, os mesmos funcionários reconheceram à emissora que qualquer cidadão pode ir à audiência e escrever posteriormente sobre o conteúdo, mesmo que seja na simples condição de cidadão. À repórter também lhe foi negada a entrada como simples cidadã. De acordo com as leis em vigor, a frequência de espaços como as audiências de julgamento ou os Plenários da Assembleia Legislativa são obrigatoriamente abertos à população. E no caso dos tribunais da RAEM, a abertura das audiências à população faz parte do princípio da publicidade do processo penal. De acordo com o artigo 76.º do Código Processo Penal, a publicidade implica os direitos de “assistência, pelo público em geral, à realização dos actos processuais” assim como de “narração dos actos processuais, ou reprodução dos seus termos, pelos meios de comunicação social”. O jornal All About Macau anunciou a decisão de ser completamente desactivado até ao final deste mês, pelo facto de sofrer cada vez mais “pressões”. A última edição escrita foi publicada no início deste mês. Mensagens apagadas Na sessão de ontem do julgamento, Kong Chi continuou a manter a sua inocência sobre os factos que lhe são imputados pelo Ministério Público (MP). Durante a audiência ficou igualmente a saber-se que os magistrados do MP estão a utilizar como prova mensagens de Wechat trocadas entre Kong Chi e Ho Kam Meng e que posteriormente foram apagadas. Os investigadores terão conseguido recuperar o conteúdo das mensagens. Na sessão de ontem, a manhã foi dedicada a ouvir o depoimento de Kong Chi sobre a acusação. O ex-Procurador-Adjunto da RAEM é acusado de 79 crimes, entre os quais 56 crimes de prevaricação, todos em co-autoria com Ho Kam Meng, e outros 23 crimes de corrupção passiva para acto ilícito. Ho Kam Meng é o segundo arguido do processo e o único acusado de criar/fazer parte de uma associação secreta. Esta associação envolve Kong Chi e Choi Sai Ieng, que foram condenados por este crime no primeiro julgamento. O advogado está ainda acusado de outros 68 crimes, entre os quais 12 crimes de corrupção passiva para acto ilícito e 56 crimes de prevaricação em co-autoria com Kong Chi.
SMG | Previsões deixam Macau fora da trajectória do Fung-wong João Luz - 11 Nov 2025 O tufão Fung-wong levou ontem à emissão do sinal 1 de tempestade tropical, mas com a possibilidade “relativamente baixa a moderada” de elevar o sinal de alerta. A tempestade deverá passar a cerca de 500 quilómetros de Macau entre a próxima madrugada e a manhã de quarta-feira Tudo indica que Macau ficará de fora do percurso do tufão Fung-wong, segundo as previsões avançadas pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) que emitiram ontem às 14h o sinal 1 de tempestade tropical. A decisão de emitir o sinal de alerta significa que uma tempestade está localizada a menos de 800 quilómetros de Macau. No entanto, os SMG indicaram ontem que a possibilidade de elevar o alerta para o sinal 3, durante a manhã de hoje, era “relativamente baixa a moderada”. “O tufão Fung-wong vai tomar um rumo para o quadrante norte, hoje e amanhã, atravessando a parte norte do Mar do Sul da China. Prevê-se que, “Fung-wong” passe o ponto mais próximo do território na terça-feira à noite (11), a cerca de 500 km a sudeste de Macau”, avançaram ontem os SMG. Apesar da distância do território, as autoridades estimaram a possibilidade de intensificação dos ventos, “podendo atingir níveis de 5 a 6, com rajadas significativas”. As autoridades ressalvaram que, “a menos que o Fung-wong adopte uma trajectória mais para oeste e se aproxime das regiões costeiras de Guangdong, o Sinal de Ventos Fortes de Monção (bola preta) será emitido em substituição do Sinal de Tempestade Tropical, de acordo com as condições de vento em Macau”. Em relação ao estado do tempo, os SMG apontaram ontem para a probabilidade “relativamente baixa nos próximos dias” de chuva, e para uma ligeira descida da temperatura mínima, para cerca de 18 graus, na quinta-feira. Como é normal nestas circunstâncias, várias entidades públicas emitiram alertas e aconselharam medidas de segurança. A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais apelou a “cidadãos e empreiteiros” para adoptarem “medidas de prevenção, principalmente em relação aos andaimes, aparelhos elevatórios (por exemplo, gruas), janelas de construções e materiais pendurados nas fachadas”. Também o Instituto Cultural aconselhou os responsáveis de edifícios patrimoniais, “especialmente dos sítios sitos nas zonas baixas, para desencadearem as medidas de protecção necessárias e oportunas em relação ao património e tomarem as medidas de prevenção de vento e inundações”. Aqui ao lado Na região vizinha, o Observatório de Hong Kong também emitiu o sinal 1 de tempestade e manteve algumas reservas quanto à possibilidade de elevar o sinal de alerta. “Dependendo da mudança de intensidade do Fung-wong, da sua distância de Hong Kong, do impacto da monção nordeste no Fung-wong e das condições locais do vento, o Observatório avaliará a necessidade de emitir o Sinal de Vento Forte, n.º 3, ou o Sinal de Monção Forte”, indicou ontem à tarde a entidade meteorológica da região vizinha. As autoridades de Hong Kong indicam ainda que a interacção entre o Fung-wong, à medida que avança em direcção a Taiwan, e a monção nordeste, irá enfraquecer gradualmente o tufão. Porém, o Observatório de Hong Kong previu a subida de meio metro do nível das águas no pico da maré alta da noite de ontem, com a possibilidade de inundações das zonas baixas e agitação marítima.
Consumo | Incentivo gerou mais de mil milhões de patacas Nunu Wu e João Luz - 11 Nov 2025 Entre o início de Setembro e o passado dia 2 de Novembro, o Grande Prémio do Consumo gerou negócios no 1,06 mil milhões de patacas no comércio de restauração nos bairros comunitários, a partir de 260 milhões de patacas em cupões de desconto. A iniciativa termina no final deste mês Em cerca de dois meses, a edição corrente do Grande Prémio do Consumo gerou cerca de 1,06 mil milhões de patacas em negócios no comércio e restauração nos bairros residenciais de Macau. As contas foram apresentadas ontem pelo director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Yau Yun Wah, aos microfones do programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau. O responsável acrescentou que entre 1 de Setembro (quando começou a iniciativa) e 2 de Novembro, o programa desenhado para impulsionar o comércio local e o consumo no território distribuiu um total de 260 milhões do montante de benefícios electrónicos. Em resposta a ouvintes do programa matinal, que se queixaram do valor baixo dos descontos, Yau Yun Wah revelou que a taxa de utilização dos cupões é elevada para os descontos mais avultados, mas que mesmo os descontos de 10 e 20 patacas têm uma taxa de utilização superior a 80 por cento. Música, maestro Para responder às dificuldades que os comerciantes da zona norte da península enfrentam, o Governo lançou outro programa, entre 20 de Março e 13 de Outubro, para atrair turistas para os bairros residenciais. Segundo o director da DSEDT, a iniciativa que espalhou bonecos da marca Sanrio pela zona norte atraiu “mais de 400 mil visitantes para tirar fotografias,” afirmou. Yau Yun Wah acrescentou ainda que os comerciantes da zona ficaram “satisfeitos” com a actividade. O responsável mencionou também o papel dos concertos na atracção de turistas para Macau. “Muitos turistas visitam Macau para assistir a concertos, motivo pelo qual estabelecemos um acordo de cooperação com uma plataforma de venda de bilhetes do Interior da China. Desde o fim de Outubro, lançámos uma iniciativa promocional que oferece descontos no comércio local e bilhetes para o Museu do Grande Prémio. Até agora, contamos com a participação de 30 comerciantes nesta iniciativa”, revelou Yau Yun Wah. O director mostrou-se confiante quanto ao aumento de negócios aderentes à medida, podendo ultrapassar uma centena até ao final deste mês, mas realçou que é preciso estudar a eficácia dos descontos, em coordenação com os comerciantes. Quanto à segunda fase dos serviços de apoio à digitalização de pequenas e médios empresas, Yau Yun Wah apontou que nas duas fases foram disponibilizadas 2.000 vagas. Na primeira fase, as autoridades receberam 1.691 candidaturas.