Arte Macau 2023 | UM acolhe exposição de arte dos estudantes do ensino superior

A Universidade de Macau (UM) acolhe até 5 de Novembro a “Exposição de Arte de Instituições de Ensino Superior”, mostra integrada na “Arte Macau: Bienal Internacional de Arte de Macau 2023”, organizada pelo Instituto Cultural (IC) e pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

Participam nesta mostra os alunos de belas-artes de academias do Interior da China e quatro instituições de ensino superior de Macau, designadamente a Academia Central de Belas-Artes, a Academia de Artes da China, o Instituto de Belas-Artes de Sichuan, a Academia de Belas-Artes de Guangzhou, a UM, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, a Universidade Politécnica de Macau e a Universidade de São José.

Segundo um comunicado do IC, a mostra “visa fomentar um ambiente criativo para os jovens locais e estimular o intercâmbio artístico a nível universitário, injectando novos ímpetos criativos no desenvolvimento da Bienal Internacional de Arte de Macau”. Poderão ser vistas 24 peças ou conjuntos de trabalhos “inovadores e de qualidade”, que suscitam “a partir de perspectivas artísticas peculiares, reflexões sobre as tradições religiosas e a história da ciência e tecnologia, demonstrando o acentuado espírito explorador dos jovens artistas”.

Inaugurada na sexta-feira, a exposição pode ser visitada no Museu de Arte da UM e na Biblioteca Wu Yee Sun da UM.

A “Arte Macau 2023”, inclui 30 exposições de arte divididas em oito secções, apresentando, por toda a cidade, obras-primas modernas e contemporâneas, da autoria de mais de 200 artistas provenientes de mais de 20 países e regiões.

Festival da Lua | Operadoras de jogo festejam com arte e criatividade

Setembro é o mês da celebração do Festival da Lua, ou do Meio Outono, coincidente com o aniversário de implementação da República Popular da China no início de Outubro. A pensar na efeméride muito própria da comunidade chinesa, as operadoras de jogo promovem uma série de actividades que incluem exposições de lanternas criadas por artistas de renome, instalações e eventos em família

 

Este ano o feriado relativo ao dia seguinte ao Chong Chao (Bolo Lunar) marca-se no calendário a 30 de Setembro, celebrando-se o chamado Festival da Lua, em que é habitual criarem-se lanternas artesanais com os mais diversos formatos e comer bolos lunares. Segue-se, nos dias seguintes, a semana dourada que marca mais um aniversário da implementação da República Popular da China.

A pensar nestas datas festivas tão importantes para a comunidade chinesa, as operadoras de jogo organizam vários eventos comemorativos. A Sociedade de Jogos de Macau (SJM) promove “Esplendor da Lua – Festival das Lanternas da SJM”, um evento organizado em parceria com a Sociedade de Artistas de Macau que apresenta “criações vibrantes de lanternas que destacam as tradições culturais chinesas” do território, com a assinatura “dos artistas mais talentosos da Ásia”.

Assim, a exposição decorre entre os dias 21 de Setembro e 10 de Novembro no Grand Lisboa Palace, no Cotai, e também no hotel Grand Lisboa. Foram convidados artistas asiáticos de renome como Rukkit, conhecido artista de arte urbana tailandês; ANTZ, também artista de arte urbana oriundo de Singapura, RUOB, vindo da China, e ainda Rainbo Peng, natural de Hong Kong.

A SJM convidou ainda artistas locais, nomeadamente a ilustradora Yolanda Kog; a artista multimédia Hera Ieong; o escultor Carlo Lio, conhecido pelos seus trabalhos em pedra; o pintor Wing Pun e o artista de escultura Yanlas Sou.

Poderão ser vistas 11 lanternas que expressam o estilo individual de cada artista, além de que a SJM organiza também diversos workshops para pais e filhos com os artistas participantes no evento.

Uma “superlua”

Também a Galaxy se associa a estas celebrações promovendo, em parceria com a Associação de Design de Macau, o “Festival de Arte de Lanternas da Galaxy”, com diversos eventos organizados a partir desta sexta-feira, dia 8, e até 31 de Outubro.

O festival inclui um concurso de design de lanternas destinado a jovens universitários e designers das cidades da Grande Baía, sendo os trabalhos expostos no empreendimento Galaxy Macau entre sexta-feira, dia 8, e 31 de Outubro.

O festival integra ainda a mostra de uma colecção de lanternas digitais da autoria de quatro designers bem conhecidos da China, Macau e Singapura. Estes “expressam a sua criatividade através da fusão de desenhos de lanternas tradicionais chinesas com a tecnologia de projecção de luz”, com recurso a uma parede com luzes LED que inclui “uma série contínua de obras de arte digitais”.

Uma das atracções especiais desta quadra festiva apresenta-se entre os dias 24 de Setembro e 8 de Outubro. Trata-se da instalação de uma “Superlua” gigante com seis metros de altura no empreendimento da Galaxy no Cotai, na zona conhecida como “The Lawn”. Segundo um comunicado da operadora, a instalação proporciona a quem a vê uma “experiência imersiva”. Destaque ainda para a realização de piqueniques ar livre em família, espectáculos e desfiles no mesmo local entre as 18h e as 23h nos dias 29 e 30 de Setembro, respectivamente, na véspera e no dia feriado do Festival da Lua ou do Meio Outono.

Design a rodos

A operadora associa-se ainda à organização da Semana do Design de Macau 2023, que se realiza entre os dias 11 e 24 de Setembro na Praça Oriental do empreendimento no Cotai. O evento junta 50 entidades e associações de design de Macau, Singapura e Japão, com a exibição de cerca de 80 trabalhos.

O empreendimento Broadway, também no Cotai, acolhe ainda o Festival de Gastronomia e Artesanato, que decorre entre 28 de Setembro e 8 de Outubro das 14h às 22h, onde se promove um “paraíso gastronómico” com ofertas e eventos que levarão os visitantes de regresso aos anos 50. Na rua cheia de bares e restaurantes decorrerão ainda diversas actividades dignas de serem registadas nas redes sociais com as melhores imagens, além de que as pequenas e médias empresas locais terão a oportunidade de mostrar os seus produtos.

As atracções especiais incluem a primeira Superlua de seis metros em Macau e o Festival de Comida e Artesanato da Broadway, juntamente com uma série de ofertas de F&B e de retalho temáticas do meio do Outono, e novas aberturas proporcionarão aos habitantes locais e aos turistas de todo o mundo uma experiência festiva a não perder.

‘Uma Faixa, Uma Rota’ | MNE italiano em Pequim para gerir danos

O chefe da diplomacia italiana, Antonio Tajani, iniciou ontem uma visita à China para gerir danos e negociar melhores termos com Pequim, apontaram vários analistas, numa altura em que Itália se prepara para abandonar a Iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’.

Itália é o único país do G7, grupo que reúne algumas das maiores economias do mundo, que assinou um memorando de entendimento no âmbito do principal programa da política externa de Pequim. O acordo expira em Março de 2024, aguardando-se agora uma decisão formal da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, sobre a não renovação por mais cinco anos.

Antes de partir para a China, Tajani admitiu que a adesão de Roma à iniciativa chinesa não trouxe os resultados esperados. O ministro acrescentou que Itália gostaria de trabalhar com Pequim, mas que quer condições equitativas.

Citado pelo South China Morning Post, Wang Yiwei, especialista em assuntos europeus da Universidade Renmin, em Pequim, argumentou que Roma “não quer realmente desistir”, mas antes negociar termos mais benéficos com a China.

Itália pode tentar usar o actual momento geopolítico, numa altura em que a China tenta melhorar as relações com os governos europeus, face às tensões com Washington e os planos da União Europeia (UE) para reduzir riscos nas relações com o país, para “reforçar o seu poder negocial”, observou.

“Embora a China valorize a participação de Itália, não se vai deixar sequestrar por ameaças de desistência”, disse.

Para Noah Barkin, especialista nas relações Europa – China da consultora Rhodium Group, Tajani está numa “missão de gestão de danos”, para assegurar que Pequim não retaliará, caso Roma desista do acordo. “É pouco provável que Pequim inicie uma nova disputa com uma capital europeia.”

“O facto de não ter retaliado contra a Holanda, que restringiu o fornecimento de tecnologia para produção de ‘chips’ semicondutores, mostra que [a China] está preparada para ‘fingir que não viu’, em prol da estabilidade nos laços com a UE”, frisou.

Diplomacia | Xi não vai a cimeira do G20 na Índia

Pequim far-se-á representar em Nova Deli pelo primeiro-ministro Li Qiang que, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, irá promover o reforço da solidariedade e da cooperação internacional

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, não vai participar na cimeira do G20 na Índia, sendo substituído pelo primeiro-ministro, Li Qiang, anunciou ontem a diplomacia chinesa, num período de renovadas tensões entre Pequim e Nova Deli.

Um aviso colocado no portal do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês informa: “A convite do governo da República da Índia, o primeiro-ministro do Conselho de Estado, Li Qiang, participará da 18.ª Cimeira do G20, que se realiza em Nova Deli, na Índia, nos dias 09 e 10 de Setembro”.

As relações entre China e Índia deterioraram-se, nos últimos anos, devido à disputa fronteiriça que em 2020 resultou num violento confronto entre as tropas dos dois países. Os confrontos resultaram na morte de 20 soldados indianos e quatro chineses.

Os dois países também mantêm disputas comerciais. Pequim desconfia ainda dos crescentes laços estratégicos entre Índia e Estados Unidos.

A Índia ultrapassou recentemente a China como nação mais populosa do mundo e os dois países são rivais nos sectores da tecnologia, exploração espacial e comércio global.

Questionada sobre o motivo da ausência de Xi na cimeira, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, recusou responder.

“O G20 é um importante fórum para a cooperação económica internacional. A China sempre atribuiu grande importância e participou activamente nas actividades relevantes”, apontou Mao, em conferência de imprensa.

“O primeiro-ministro Li Qiang vai elaborar as opiniões e propostas da China sobre a cooperação no G20, promover o G20 para reforçar a solidariedade e a cooperação e trabalhar em conjunto para enfrentar os desafios económicos e de desenvolvimento globais”, disse.

Promessas de paz

Comandantes militares chineses e indianos comprometeram-se, no mês passado, a “manter a paz e a tranquilidade” ao longo da fronteira disputada.

Em causa está a Linha de Controlo Real, que separa os territórios controlados por chineses e indianos de Ladakh, no oeste, até ao estado de Arunachal Pradesh, no leste da Índia, que a China reivindica na totalidade. Índia e China travaram uma guerra nas suas fronteiras em 1962.

Como o próprio nome indica, a linha divide as áreas de controlo físico em vez de reivindicações territoriais.

Segundo a Índia, a fronteira de facto tem 3.488 quilómetros de extensão, mas a versão da China é um número consideravelmente menor. Ao todo, a China reivindica cerca de 90.000 quilómetros quadrados de território no nordeste da Índia, incluindo Arunachal Pradesh, cuja população é principalmente budista.

A Índia diz que a China ocupa 38.000 quilómetros quadrados do seu território no planalto de Aksai Chin, que a Índia considera parte de Ladakh, onde nos últimos anos confrontos ocorreram. A China, entretanto, começou a consolidar as relações com o principal rival da Índia, o Paquistão, e a apoiar Islamabade na questão da disputada Caxemira. Os confrontos de 2020 ocorreram com recurso a paus e pedras.

Desde então, Índia e China retiraram tropas de algumas áreas nas margens norte e sul de Pangong Tso, Gogra e Galwan Valley, mas continuam a manter tropas extra, como parte de uma implantação de vários níveis.

A ausência de Xi na cimeira também elimina a possibilidade de uma interacção com o Presidente dos EUA, Joe Biden.

Também o Presidente russo, Vladimir Putin, que enfrenta acusações de crimes de guerra pela invasão da Ucrânia pela Rússia, vai estar ausente da cimeira, embora planeie visitar a China, em Outubro.

Criado em 1999, o G20 reúne 19 países (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Turquia e Reino Unido) e a União Europeia.

Sobre Buda

Crónica de Sofia Yao

O que aconteceu ao viajante? As nossas pernas já não precisam de aguentar a caminhada que nos trouxe até aqui? Os meus olhos já não são obrigados a suportar o peso de qualquer visão, a bem do futuro, é preciso calcar o passado.

Oh, Boddhisatva desta querida Terra, com tal força e ainda precisas de um protector. Choras pelos fracos que abandonaram o teu corpo? Desta vez o viajante não tinha crenças: uma jornada de vitória, uma manifestação de Canibalismo. Dentro do silêncio, afirmaste a tua narrativa. Suspenso, tu ponderas. Dizem que o pensamento é a arma mais poderosa. Quem? Quem precisa dos nossos pensamentos e são eles alguma vez transportados pelos lamentos, ou nunca podem escapar ao destino da tinta e do papel?

Só através do pensamento eu me torno o teu soldado e, no entanto, comecei a pensar porque prometeste libertar-me.

Secretismo dentro de montanhas, dentro de cavernas. O solilóquio é uma actuação; quem disse que eu queria vir a ter uma resposta? Ter companhia sem conversação, ter medo, mas também demonstrar força. Com os vapores dos cozinhados, todos regressamos ao vinho, à Terra.

Digo que existem suficientes pessoas sensatas neste Planeta! Tantas teorias, mas nenhum conteúdo. Não se pode atingir a sabedoria sem encontrar a solução para uma obsessão não resolvida. Para contemplar cada camada da nossa fixação: fascínio, paixão, limitação, co-existência. Temos de sair do nosso palácio não só para nos apercebermos de que existem outros reinos, mas para ver as pessoas, o invasor, o monge.

Lamento Boddhisatva, mas não tenho a tua força. Tenho de destruir o pedestal que distingue o corpo da mente. Sob a violência carnavalesca, o nosso corpo é destruído, sem que eu tenha possibilidade de ver a tua mente. Tenho de permanecer fiel às minhas sensações. Para deixar que o meu corpo faça voar um papagaio chamado mente.

Os comentários satíricos sobre os nossos actos de violência não justificam o acto em si. Porque é que nos sentimos confortáveis connosco próprios quando entramos na pele do “observador”? A câmara torna-se os nossos olhos renovados, sempre nítida, sem interferências da realidade permutável. Um gosto de beleza distorcido, onde um Buda na sua plenitude se torna indigno de nossa visão, porque a sua plenitude nos é incompreensível. Talvez precisemos da sua destruição para alcançar um sentimento de auto-piedade.

AMCM | Depósitos cresceram 1,2% em Julho

Os depósitos dos residentes cresceram 1,2 por cento em Julho, em comparação com Junho, tendo atingido 705,1 mil milhões de patacas. Os dados foram revelados ontem no âmbito das Estatísticas Monetárias e Financeiras, da Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

Por sua vez, os depósitos dos não-residentes cresceram 1,0 por cento, tendo atingido 297,2 mil milhões de patacas, enquanto os depósitos do sector público cresceram para 221,6 mil milhões de patacas, representando um crescimento de 0,2 por cento.

Como resultado das alterações, o total dos depósitos da actividade bancária registou um crescimento de 1,0 por cento quando comparado com o mês anterior, tendo atingido 1.223,9 mil milhões de patacas. A proporção dos depósitos em patacas era de 20,5 por cento, em Hong Kong dólares de 45,3 por cento, 9,3 por cento em yuan, e 22,4 por cento em dólares americanos.

Em termos de empréstimos ao sector privado registou-se uma diminuição de 0,8 por cento, em relação em Junho, para 557,1 mil milhões de patacas em empréstimos. Também os empréstimos ao exterior tiveram uma redução, de 0,3 por cento para, 621,9 mil milhões de patacas.

Os empréstimos ao sector privado decresceram 0,6 por cento em relação ao mês anterior, tendo atingido 1.179,0 mil milhões de patacas. Entre estes, 18,8 por cento eram em patacas, 45,2 por cento em dólares de Hong Kong, 13,5 por cento em yuan e 20 por cento de dólares norte-americanos.

Jogo | Segmento de massas premium ultrapassou níveis pré-covid-19

A indústria do jogo de Macau recuperou em Agosto as receitas brutas do segmento de massas para cerca de 94 por cento dos níveis pré-pandemia. Porém, os resultados das mesas premium já ultrapassaram a barreira dos tempos infectados pela covid-19

 

O passado mês de Agosto voltou a bater o record mensal do novo paradigma comparativo entre os tempos antes e depois da pandemia, com as receitas dos casinos a ultrapassarem a fasquia dos 17,2 mil milhões de patacas, o melhor resultado desde Janeiro de 2020.

Após a divulgação dos resultados da indústria pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), os analistas da JP Morgan Securities (Asia Pacific) emitiram uma nota a destacar que o segmento de massas premium obteve resultados equivalentes a 110 por cento dos níveis pré-pandémicos.

No cômputo geral, a indústria apurou em Agosto receitas que ficaram a 71 por cento da facturação de 2019.

Os analistas concluem que os dados apresentados na sexta-feira pela DICJ implicam que no mês passado os casinos de Macau obtiveram receitas diárias de 555 milhões de patacas. A marca solidifica a tendência ascendente de receitas, depois de receitas diárias de 500 milhões de patacas no segundo trimestre do ano e de 537 milhões de patacas em Julho.

“Os números indicam que as receitas brutas do jogo de massas recuperaram para 93 a 94 por cento dos níveis pré-covid, superando os resultados de Julho”, destacam os analistas, citados pelo portal GGR Asia.

Água na fervura

Também no sector VIP foram registados progressos, apesar das fortes restrições impostas pela revisão da lei do jogo e pela campanha movida pelas autoridades chinesas ao jogo transfronteiriço. A JP Morgan denota que as receitas brutas do segmento VIP andaram entre 28 e 29 por cento dos níveis pré-pandemia, resultado que representa uma melhoria face aos níveis entre 23 e 24 por cento verificados no segundo trimestre deste ano.

Apesar dos resultados de Agosto, os analistas da JP Morgan puseram água na fervura em relação ao entusiasmo face aos sucessivos recordes batidos mensalmente, algo que não se deve manter este mês. “As receitas brutas do jogo em Setembro não vão deslumbrar ninguém, não só devido à sazonalidade, por ser um mês intermédio entre o Verão e a Semana Dourada de Outubro, mas também devido à passagem do super-tufão Saola no fim-de-semana”.

O período da Semana Dourada está marcado para os dias entre 29 de Setembro e 6 de Outubro, período em que é expectável que os hotéis de Macau esgotem a reserva de quartos. “A grande questão que se coloca agora é saber quanto vão jogar os hóspedes”, apontam os analistas.

SMG | Emitido sinal número 1 face à aproximação do tufão Haikui

Cerca de 28 horas após a passagem do Saola, o território volta a estar em alerta, desta vez para o tufão Haikui, que obrigou à retirada de mais de sete mil pessoas de zonas de alto risco em Taiwan

 

Macau emitiu ontem, pelas 04:00, o sinal de alerta 1 face à aproximação do tufão Haikui, 28 horas depois de ter baixado o último alerta devido ao super tufão Saola.

Às 05:00, o Haikui encontrava-se a cerca de 680 quilómetros a leste de Macau, movendo-se a uma velocidade média de 10 quilómetros por hora, indicaram os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) de Macau. “Espera-se que as condições permitam chegar à conclusão de que Macau virá a ser afectado, posteriormente”, disseram os SMG.

Durante o dia de hoje, havia a possibilidade de ser içado o sinal número três de tufão, embora a probabilidade fosse “relativamente baixa”. A escala de alerta de tempestades tropicais é formada pelos sinais 1, 3, 8, 9 e 10, cuja emissão depende da proximidade da tempestade e da intensidade do vento.

O tufão já atingiu a costa leste da ilha de Taiwan e, caso mantenha a trajectória, deverá entrar hoje no mar do Sul da China, seguindo depois em direcção às províncias de Fujian ou Guangdong, no leste da China.

O Haikui, o primeiro tufão a passar directamente sobre Taiwan em quatro anos, obrigou as autoridades a retirarem cerca de sete mil pessoas de zonas de alto risco, no leste da ilha, e a suspenderem as operações em pelo menos três linhas ferroviárias (ver pag15).

O Ministério do Interior informou que mais de 2.800 pessoas foram retiradas de sete cidades da Taiwan, principalmente da zona montanhosa de Hualien.

Partes do sul de Taiwan estavam sob aviso de chuvas “extremamente fortes ou torrenciais”, que poderão atingir 700 milímetros em algumas zonas montanhosas, segundo a agência espanhola EFE. Mais de 200 voos domésticos foram cancelados e escolas e escritórios encerrados no Sul e no Leste da ilha.

Nem arrefeceu

Macau voltou a emitir o sinal de alerta 1, apenas 28 horas depois de ter baixado o último alerta emitido devido à passagem do super tufão Saola.

Tal como aconteceu na China continental e na vizinha região administrativa especial chinesa de Hong Kong, Macau chegou a emitir o alerta máximo, de nível 10, o que levou ao acolhimento de 250 pessoas em centros de emergência e ao registo de cinco feridos.

O Governo de Macau decretou também o encerramento dos casinos, serviços públicos, escolas e parques de estacionamento, tendo sido cancelados mais de 200 voos no aeroporto internacional.

Em Setembro de 2018, o tufão Mangkhut provocou 40 feridos e inundações graves no território. Um ano antes, o Hato, considerado o pior tufão em mais de 50 anos a atingir o território, causou dez mortos e 240 feridos.

Coutinho pede reforço de meios para a saúde mental

José Pereira Coutinho questiona se os recursos disponíveis para tratar problemas mentais no território são suficientes. A questão é colocada através de uma interpelação escrita, divulgada ontem pelo gabinete do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, em que são abordados os problemas mentais em contexto laboral.

O legislador pede ainda que a eficácia da rede de apoio e tratamento ligada aos Serviços de Saúde seja avaliada. Pereira Coutinho destaca que é preciso conhecer a “suficiência ou insuficiência dos recursos humanos especializados”, a qualidade do serviço e dos equipamentos e se o atendimento é prestado em tempo útil a quem mais precisa.

No mesmo sentido, Coutinho pede que sejam divulgados dados sobre “a percentagem de serviços públicos dotados de pessoal habilitado e com capacidade” para “a implementação de procedimentos formais para lidar com problemas relacionados com a depressão, ansiedade e o stress”.

Ambiente | Importação de pratos e copos de plástico proibida

A partir do próximo ano a importação para o território de “pratos descartáveis, de plástico” e “copos descartáveis, de plástico” está proibida. A informação consta de um despacho assinado pelo Chefe do Executivo e publicado ontem no Boletim Oficial.

“O Governo da RAEM promove, progressivamente, medidas de restrição ao uso de plástico, para garantir a qualidade do ambiente em Macau”, apontou o Executivo, em comunicado. De acordo com a mesma mensagem, foi indicado que a proibição foi implementada depois de ter sido “feita uma análise extensiva à situação real em Macau” e de ter sido estudada a “situação das regiões” mais próximas.

Também a importação de “bandejas descartáveis de esferovite para produtos alimentares” passa a estar proibida, de acordo com o despacho de ontem.

Esta não é a primeira importação de produtos de plástico descartáveis a ser proibida. Desde 2022 que o Governo proíbe a importação de palhinhas descartáveis de plástico não-biodegradável e de misturadores de plástico, ou seja, os “pauzinhos” utilizado para mexer as bebidas.

No início deste ano, a proibição de importação passou a abranger talheres descartáveis. Nos dois casos, as proibições foram anunciadas no Verão anterior a entrarem em vigor.

Como parte do acompanhamento da medida, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) prometeu fazer uma sessão de apresentação das alterações, para explicar o impacto dos novos regulamentos às associações comerciais. Estas sessões, apontou o Governo, vão “garantir a implementação sem problemas das medidas de controlo” do plástico.

Cheias | Deputado dos Moradores pede rapidez nas obras

Após a passagem do tufão Saola, Leong Hong Sai defendeu a necessidade de completar o mais depressa possível os projectos de prevenção de cheias e pediu uma alternativa à barragem de marés no Porto Interior

 

Após a passagem do tufão Saola pelo território, Leong Hong Sai apelou ao Governo para acelerar os projectos e obras relacionados com a prevenção de cheias. O pedido foi deixado em declarações ao Jornal do Cidadão.

Segundo o deputado ligado aos Moradores, apesar de o Saola ter poupado o território a grandes impactos, “os tufões nunca devem ser subestimados”, razão pela qual defende que uma preparação “compreensiva” com vários planos de resposta a calamidades naturais.

No que diz respeito às cheias, Leong Hong Sai pediu ao Governo para “acelerar a implementação do plano de controlo e prevenção das cheias”, na Zona Oeste de Coloane, que indicou ser um dos pontos mais vulneráveis a inundações.

Nesse sentido, o membro da Assembleia Legislativa defende também que é necessário encontrar uma alternativa para a barragem de marés no Porto Interior. Este é um projecto antigo, que tinha recuperado um novo fôlego com a passagem do tufão Hato, que provocou 10 vítimas mortais. Contudo, desde Fevereiro que o Executivo anunciou a intenção de desistir da barragem, após um estudo de viabilidade, por considerar que os custos não justificam os benefícios e por entender que a altura das portas da barragem pode deixar de ser suficiente para evitar as cheias a médio prazo.

Leong Hong Sai não se mostra conta o cancelamento do projecto, mas apela para que a construção de várias estações elevadas e a instalação de bombas na zona sejam aceleradas.

Melhorias no trânsito

Em relação ao tufão recente, Leong Hong Sai destacou a necessidade de melhorar a situação do trânsito, principalmente quando apenas o tabuleiro inferior da Ponte Nam Van está aberto. “Quando só está aberto o tabuleiro inferior, após ser içado o sinal 8 ou superior, a ligação deixa de ser suficiente. O trajecto que em condições normais demoraria 10 minutos, passa a demorar quase uma hora”, afirmou o legislador.

Leong apelou assim para que se encontrem alternativas e que as autoridades arranjem forma de apoiar o trânsito com os meios necessários, nos dias de tufão e quando os cidadãos precisam de se deslocar.

A lição da ponte Nam Van deve ser também, segundo o deputado, aplicada nas futuras ligações às Zonas C e D dos Novos Aterros. As autoridades indicaram no passado terem planos para construir ligações que tivessem disponíveis em todas as situações. Leong veio ontem pedir que sejam divulgados mais pormenores sobre os planos, mesmo que a construção da Zona C esteja suspensa.

Em relação aos autocarros públicos, pediu ao Governo para que melhore a coordenação e que quando o sinal de tufão número 3 é içado que o número de autocarros em circulação aumente. Leong revelou ter recebido queixas sobre a sobrelotação dos autocarros e as dificuldades sentidas pelos cidadãos para chegarem a casa, ou a abrigos de acolhimento, antes de o sinal número 8 de tufão ser içado.

Metro vai ligar-se a comboio de alta velocidade em Hengqin

Foi lançado, na última quinta-feira, o concurso público para o estudo de concepção da ligação do comboio de alta velocidade Guangzhou-Zhuhai-Macau ao centro da ilha de Hengqin e ao sistema de metro ligeiro de Macau.

Segundo informações divulgadas na quinta-feira pela Direcção dos Serviços de Planeamento Urbanístico e Construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, o comboio, que já faz a ligação entre Zhuhai e Hengqin, até ao parque Chimelong, terá mais uma ligação com o centro de Hengqin. Será depois estudada a conexão com a estação do metro ligeiro de Macau junto à fronteira com o comboio rápido, numa distância que varia entre sete e nove quilómetros.

Prevê-se que o comboio de alta velocidade circule a 350 quilómetros por hora num percurso com sete paragens, começando na zona norte da cidade de Guangzhou com ligações ao aeroporto de Baiyun, Yuzhu, Nansha, Zhongshan, Hezhou, em Zhuhai e ilha de Hengqin.

Até Chimelong

Recorde-se que já está em funcionamento a linha de comboio de alta velocidade intermunicipal Guangzhou-Zhuhai, que passa pelas cidades de Foshan e Zhongshan até chegar a Zhuhai, bem perto do posto fronteiriço de Gongbei. Em 2020, a linha expandiu-se para a zona do Chimelong, em Hengqin, onde existe também um espaço reservado para uma futura conexão com o sistema de metro ligeiro de Macau.

O concurso público para o comboio de alta velocidade inclui ainda um estudo de integração urbanística entre a estação de comboios de Hengqin e os restantes meios de transporte e zona pedonal. Prevê-se que o planeamento e construção durem até 2035, sendo que o orçamento apenas para a concepção é de 5,6 milhões de renminbis.

As autoridades entendem que o comboio rápido e as ligações que irá proporcionar “é um importante projecto de apoio à promoção da prosperidade e estabilidade a longo prazo de Macau”, bem como a “aceleração da construção” da Zona de Cooperação Aprofundada.

Guangdong | Song Pek Kei defende mais quotas de circulação

A deputada de Fujian critica a “dualidade de critérios” no facto de o Governo aumentar as quotas para circular na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, mas não permitir mais viaturas a circular para Cantão

 

Após o anúncio do aumento de quotas de circulação para os veículos de Macau na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, Song Pek Kei veio defender também o aumento das quotas para que mais veículos possam aderir ao programa “Circulação de veículos de Macau na província de Guangdong”. O pedido foi feito através de uma interpelação escrita, citada pelo Jornal do Cidadão.

Há quase duas semanas, as autoridades anunciaram o aumento de 544 quotas para utilização da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Todavia, ao contrário do que tinha sido pedido por vários deputados, as quotas para a circulação em Cantão não sofreram qualquer alteração.

No início de Agosto, o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, tinha justificado na Assembleia Legislativa que não haveria aumento das quotas para circular em Guangdong, para não aumentar o trânsito na Zona Norte, onde se registam congestionamentos frequentes.

No entanto, para a deputada, ligada à comunidade de Fujian, a explicação é incompreensível face ao aumento das quotas para circular na megaponte, porque os acessos são os mesmos para ir a Cantão: “Esta dualidade de critério das autoridades leva inevitavelmente a que os residentes fiquem confusos com a situação”, apontou Song. “Também não é uma medida que promova a integração dos residentes no desenvolvimento da Grande Baía”, acrescentou.

Subir a parada

Face à situação, Song questiona se o Governo vai aumentar as quotas para circular no Interior e aponta que o programa “Circulação de veículos de Macau na província de Guangdong” é mais popular do que a circulação na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau.

A legisladora também considera, com base nos dados revelados anteriormente, que a fronteira para entrar em Cantão na Ponte HZM está a funcionar abaixo da sua capacidade. Por isso, questiona o Executivo se tem planos para implementar medidas de agilização da passagem de fronteira para viaturas particulares, de forma a que mais carros de Macau circulem em Guangdong.

Ainda para fazer face ao argumento de que a Zona Norte da cidade está a ser afectada pelo trânsito para o Interior, Song Pek Kei sugere que a população possa utilizar outras fronteiras, como o posto da Ilha da Montanha, para realizar a passagem.

No passado, o Governo afastou a possibilidade de a fronteira de Hengqin ser utilizada, devido à tecnologia de reconhecimento das matrículas ser diferente, mas Song Pek Kei indicou que este não deve ser um factor que impeça uma maior integração.

SAFP | Saída de Kou Peng Kuan pode ser reconhecimento, diz analista

Não se podem apontar grandes erros no percurso de Eddie Kou Peng Kuan à frente dos Serviços de Administração e Função Pública, na óptica do académico Bryan Ho, que encara a saída para o Centro de Formação Jurídica e Judiciária como possível reconhecimento. Já Pereira Coutinho não encontra um único ponto positivo na liderança de Kou Peng Kuan

Eddie Kou Peng Kuan esteve oito anos à frente dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) e, agora, é a vez de passar o testemunho a Ng Wai Han, e desempenhar funções como director do Centro de Formação Jurídica e Judiciária.

Tendo em conta que a área do funcionalismo público sempre foi alvo de inúmeras críticas, devido à burocracia e lentidão dos serviços, analistas ouvidos pelo HM não apontam grandes reparos a Eddie Kou Peng Kuan.

Bryan Ho, docente da Universidade de Macau (UM) e especialista em governança e administração pública, defende mesmo que a nomeação para o Centro de Formação Jurídica e Judiciária pode ter duas leituras.

“Em primeiro lugar, Kou Peng Kuan não cometeu erros graves durante o tempo em que esteve à frente dos SAFP, apesar de algumas dificuldades e desafios que ainda estão por resolver. Em segundo lugar, o seu desempenho relativamente bom e a sua contribuição para a Função Pública e para a sociedade de Macau foram reconhecidos.”

José Pereira Coutinho, deputado e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), destaca o facto de o ex-director dos SAFP ser “uma pessoa de bom trato”, mas incapaz de “sobressair devido às anteriores tutelas que nunca tiveram a preocupação de resolver os importantes problemas internos da Função Pública, causadores de inúmeras injustiças”.

Coutinho destaca entre as falhas de Kou Peng Kuan a “contagem do tempo eventual de serviço para efeitos de cálculo das pensões de aposentação, a implementação da retroactividade dos índices de forma igualitária, a pouca transparência da Comissão de Avaliação das Remunerações da função pública” ou ainda “a inutilidade da Comissão de Tratamento e Gestão de Queixas da função pública”.

O deputado e dirigente associativo não consegue realçar, pela positiva, uma única medida de Kou Peng Kuan, que fez parte “do grupo de responsáveis pela criação e extinção de vários gabinetes de apoio”. Em suma, o deputado descreve que “muito pouco foi feito ao nível da simplificação dos procedimentos administrativos” enquanto liderou os SAFP.

“Relativamente bom”

Para Bryan Ho, Kou Peng Kuan teve, nestes oito anos, “um desempenho relativamente bom” na liderança dos SAFP, “empenhando-se na construção de uma Função Pública eficiente para a sociedade”. O académico destaca a criação do serviço de “Conta Única de Macau”, introduzido em 2019 que permite o tratamento online de inúmeras burocracias.

Bryan Ho recorda momentos menos bons do mandato do ex-director, nomeadamente quando o Comissariado de Auditoria “revelou num relatório o aumento da despesa pública relacionado com o sistema de recrutamento gerido pelos SAFP”, e “o desperdício de dinheiros públicos devido à sua ineficiência”. Nessa altura, “os jornalistas perguntaram se Kou assumiria as responsabilidades, demitindo-se do cargo em prol da responsabilização política”. Este manteve-se à frente dos SAFP.

“No contexto de Macau, as questões relativas a um sistema ineficaz e confuso de recrutamento na Função Pública podem ser mais complicadas do que parecem. O sistema de recrutamento foi objecto de reformas e obteve alguns resultados, mas também gerou muitos outros problemas imprevistos”, rematou o académico da UM.

Um novo dia

O ex-director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), Kou Peng Kuan tomou posse como director do Centro de Formação Jurídica e Judiciária (CFJJ) na passada sexta-feira, prestando juramento numa cerimónia presidida pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, e testemunhada pelo chefe do gabinete do secretário para a Administração e Justiça, Lam Chi Long.

Durante a cerimónia, Kou Peng Kuan agradeceu a André Cheong “pela confiança depositada, afirmando que irá, em conjunto com a equipa, continuar a empenhar-se na prossecução das atribuições do CFJJ”. O novo director prometeu dedicação na “formação profissional nas áreas da justiça e do direito, com base nos trabalhos realizados e os bons resultados obtidos no passado”.

A chegada ao topo da hierarquia do CFJJ é mais um passo numa carreira que começou a ser construída com a licenciatura em Gestão Empresarial pela Universidade Ji Nan, mestrado em Direito Económico pela Universidade Sun Yat-Sen e doutoramento em Administração Pública pela Universidade Popular da China.

O ingresso na função pública aconteceu em 1991, mais precisamente como técnico superior do Centro de Formação para a Administração Pública. Ao longo dos anos, Kou Peng Kuan passou pelos cargos de adjunto da divisão de formação, chefe da divisão de formação e chefe do departamento de modernização administrativa dos Serviços de Administração e Função Pública. A escalada no organismo levaria Kou Peng Kuan a desempenhar o cargo de subdirector dos SAFP em 2011 e director a partir de 2015, cargo que ocuparia até à nomeação para o CFJJ.

História com barbas

Quando Kou Peng Kuan ingressou na função pública, os SAFP ainda não existiam. Na altura, a gestão e operacionalidade dos serviços administrativos estavam fragmentados em vários organismos dispersos, como os Serviços de Administração Civil, as Administrações de Concelho de Macau e das Ilhas e o Posto Administrativo de Coloane. Estes organismos haviam sido criados nos primórdios do Estado Novo pela implementação da Reforma Administrativa Ultramarina de Portugal, através de um decreto-lei aprovado pelo Ministério das Colónias em 15 de Novembro de 1933.

Cinquenta anos depois, ainda durante a administração portuguesa de Macau, era aprovado o decreto-lei que instituiu a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública, a 1 de Dezembro de 1983.

O novo organismo transferiu e centralizou as competências das entidades da administração ultramarina portuguesa sobre Macau. Além disso, o organismo ficou incumbido das missões de “estudar, promover, coordenar a optimização e inovação das políticas de administração e função pública e impulsionar o aumento contínuo de desempenho administrativo”, assim como “melhorar constantemente o sistema de função pública”. A página dos SAFP acrescenta à lista de missões a formação de uma equipa de trabalhadores altamente eficiente, que estabelece uma cultura de serviços de qualidade.

Ng Wai Han tomou posse como directora da SAFP

A tomada de posse de Ng Wai Han para o cargo de directora dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) realizou-se na sexta-feira, numa cerimónia presidida pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong. O governante destacou que os SAFP desenvolveram instrumentos e medidas para melhorar a governação electrónica e a optimização de procedimentos administrativos.

André Cheong exortou ainda Ng Wai Han e os colegas a empenharem-se no cumprimento das suas funções, tendo por base os “trabalhos promovidos no passado, como a reforma da administração pública, optimização do regime jurídico da função pública, promoção da governação electrónica, aperfeiçoamento das acções de formação dos trabalhadores da administração pública”.

Por sua vez, Ng Wai Han prometeu que irá enfrentar os desafios inerentes ao cargo com uma atitude baseada em “pragmatismo, inovação e empenho” e em conjugação com a orientação governativa do Governo.

Ng Wai Han é licenciada em Direito e mestre em Direito Criminal pela Universidade de Zhongshan, de Guangzhou. Em 1999, ingressou na função pública como técnica superior na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), de 2013 a 2016 desempenhou funções de Chefe da Divisão de Estudos do Departamento de Estudos e Informática, Chefe da Divisão das Relações Laborais do Departamento de Inspecção do Trabalho e posteriormente Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho.

Em Novembro de 2016 assumiu o cargo de subdirectora da DSAL substituta, tendo em Junho de 2017 iniciado funções como subdirectora da DSAL. Desde Junho de 2020 tem exercido o cargo de subdirectora do SAFP.

China tenta reorientar economia de crescimento “fictício” para “genuíno”

O período de intenso crescimento económico da China acabou, à medida que Pequim tenta desalavancar a economia e reorientar o investimento para activos produtivos e estratégicos, apesar dos riscos inerentes, apontaram analistas à Lusa.

A sequência de dados económicos negativos – deflação, crise imobiliária ou altas taxas de desemprego jovem – são consequência da determinação do Presidente chinês, Xi Jinping, de abandonar um modelo de crescimento assente no endividamento, que resultou numa espectacular transformação do país, mas também em muito “crescimento fictício”, observou Michael Pettis, professor de teoria financeira na Faculdade de Gestão Guanghua, da Universidade de Pequim.

“O excesso de investimento em todo o tipo de projectos de construção inflaciona o crescimento na China há vários anos”, descreveu à agência Lusa.

Na última década, a China construiu a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, cerca de cem aeroportos ou dezenas de cidades de raiz, alargando a classe média em centenas de milhões de pessoas.

Guizhou, uma das mais empobrecidas províncias chinesas, por exemplo, construiu, algumas das pontes mais altas do mundo, incluindo uma travessia sobre o rio Duge Beipan, com 565 metros de altura, ou a ponte Pingtang, com 332 metros de altura, que atravessa o desfiladeiro do rio Caodu.

A dívida local é agora também das mais altas do país: 1,2 biliões de yuan, ou 137% do PIB (produto interno bruto) da província.

“A maioria dos quadros [do Partido Comunista] conseguiu adaptar-se activamente aos novos requisitos de desenvolvimento, mas alguns não estão a conseguir acompanhar”, advertiu Xi, num discurso recente. “Há quem ache que desenvolvimento consiste em lançar projectos, realizar investimentos e expandir em escala”, observou.

Na visão do líder chinês mais forte das últimas décadas, a China deve alcançar um crescimento “genuíno” e converter-se numa potência industrial e tecnológica de nível mundial, com uma economia assente na produção de bens com valor acrescentado e alocação eficiente de recursos. Xi pediu que o país se concentre em objectivos de longo prazo, “em vez de visar apenas riqueza material a curto prazo”.

“Os países ocidentais enfrentam cada vez mais problemas”, observou. “Eles não conseguem conter a natureza gananciosa do capital”.

A primeira vítima de Xi foi o imobiliário: em 2021, os reguladores chineses restringiram o acesso do sector ao crédito bancário, suscitando uma crise de liquidez. Uma das maiores construturas do país, o Grupo Evergrande, colapsou. Dezenas de outros grupos estão a negociar a restruturação das suas dívidas. O mais recente é a Country Garden, que está entre as 500 maiores empresas do mundo.

Isto acarreta “grandes riscos” para a economia do país, já que o imobiliário concentra 70 por cento da riqueza das famílias chinesas e 40 por cento das garantias detidas pelos bancos, segundo estimativas do Citigroup Inc. O impacto sobre a riqueza das famílias reduziu também o apetite pelo consumo, num segundo golpe para o crescimento.

Bons indicadores

Alguns dos planos de Pequim estão a correr de feição: a China ultrapassou, este ano, o Japão como o maior exportador de automóveis do mundo e a transição energética a nível global depende dos painéis solares, turbinas eólicas e baterias produzidas no país.

“Poucos parecem perceber que a China está a liderar o mundo a nível de geração de energia renovável e produção de veículos eléctricos”, disse Elon Musk, que em 2019 inaugurou em Xangai a maior fábrica da Tesla fora dos Estados Unidos. “Independentemente do que se pense da China, isto é simplesmente um facto”.

Um estudo divulgado este mês pelo grupo de reflexão (‘think tank’) German Economic Institute (IW) indicou que os fabricantes chineses ocupam uma quota cada vez maior nas importações europeias de produtos industriais avançados, uma área na qual a Alemanha é tradicionalmente líder.

“Durante décadas, os produtos alemães dominaram o mercado europeu, mas os concorrentes chineses estão rapidamente a ganhar terreno”, advertiu.

Pequim estima que esta “nova economia” cresceu 6,5 por cento, no primeiro semestre do ano, em termos homólogos, compondo agora mais de 17 por cento do PIB. Em contraste, os gastos com construção imobiliária caíram quase 8 por cento no mesmo período.

“É uma mistura de coisas boas e más”, resumiu Steve Hoffman, presidente executivo da Founders Space, uma das principais incubadoras e aceleradoras de ‘startups’ do mundo, à agência Lusa, numa visita recente a Pequim.

“A bolha no imobiliário está a rebentar, como rebentou no Japão, nos anos 1990, e nos Estados Unidos, em 2008”, apontou. “São fenómenos cíclicos”, observou. “Mas eu vejo a China numa posição muito forte a longo prazo, simplesmente porque tem um mercado e economia enormes e está agora a produzir bens avançados e muito competitivos”.

Religião | Papa saúda povo da China a partir da Mongólia

O Papa Francisco celebrou missa para cerca de dois mil católicos na Mongólia. Do país vizinho, aproveitou para enviar mensagens de solidariedade e amizade ao povo chinês

 

O Papa aproveitou ontem a viagem à Mongólia, vizinha da China, para saudar o povo chinês. “Estes dois irmãos bispos, o bispo emérito de Hong Kong e o actual bispo, quero aproveitar a sua presença para enviar uma saudação calorosa ao nobre povo chinês”, disse Francisco, de surpresa, no final de uma missa em Ulan Bator.

O Papa desejou que o povo chinês “avance sempre e faça progressos”. “E aos católicos chineses, peço-vos que sejam bons cristãos e bons cidadãos. A todos”, acrescentou, citado pela agência espanhola EFE.

Francisco, 86 anos, celebrou ontem uma missa num estádio em Ulan Bator perante cerca de dois mil fiéis, incluindo católicos de outras nações asiáticas, como o Vietname, as Filipinas e a China.

Perante uma multidão entusiasta, Francisco deu a volta à arena num carrinho de golfe ao lado do cardeal italiano Giorgio Marengo, um missionário de longa data na Mongólia e, aos 49 anos, o cardeal mais jovem da Igreja Católica. Em seguida, foi conduzido ao palco, onde estava colocada uma cruz gigante, para presidir à missa.

No final da missa, gritou “bayarlalaa!”, obrigado em mongol, aos “irmãos e irmãs da Mongólia”, de acordo com o relato da agência francesa AFP.

A visita do Papa “prova a solidariedade da humanidade”, disse à AFP Natsagdorj Damdinsuren, director de um mosteiro budista na Mongólia.

“Sou apenas um humilde monge budista, mas para mim, a guerra e os conflitos são os acontecimentos mais trágicos do nosso tempo. Suponho que as outras religiões concordam comigo”, acrescentou. Nomin Batbayar, um estudante mongol de 18 anos presente na missa, congratulou-se com o apelo do Papa ao diálogo inter-religioso.

“Sinto que ele é uma pessoa verdadeiramente autêntica, e é por isso que há mil milhões de pessoas no mundo que acreditam nele e o apoiam”, afirmou. “A China não o apoia verdadeiramente, mas o seu povo está presente hoje”, observou.

Francisco chegou à Mongólia na sexta-feira para visitar a pequena comunidade católica local de cerca de 1.400 fiéis. O Papa argentino tornou-se o primeiro chefe da Igreja Católica a visitar a nação asiática com uma população maioritariamente budista.

Hong Kong presente

Por a Mongólia estar encravada entre a Rússia e a China, esperava-se uma representação de peregrinos dos dois países na missa. Nenhum bispo da China continental terá sido autorizado a viajar para a Mongólia durante a visita do Papa, segundo as agências internacionais.

Apenas o antigo cardeal chinês e bispo emérito de Hong Kong, John Tong Hon, e o actual bispo, Stephen Chow, que será nomeado cardeal pelo Papa no final de Setembro, assistiram à visita do Papa.

No estádio, um grupo de cerca de 40 católicos de Hong Kong exibiu as respectivas bandeiras e estandartes, segundo a EFE. Ao lado, cerca de 20 pessoas provenientes do norte da China ergueram a bandeira chinesa quando o Papa passou no local antes de celebrar a missa.

“Sempre esperámos por isso”, disse Yan Zhiyong, um empresário católico chinês na Mongólia, à agência norte-americana AP. “Esperamos realmente que, gradualmente, o nosso Governo e os nossos dirigentes o aceitem e o convidem a visitar o nosso país”, acrescentou.

A China não reconhece a autoridade do Papa em relação aos católicos no país, que estão subordinados à Associação Patriótica Católica Chinesa, um organismo estatal fundado em 1957. O Papa deixa hoje a Mongólia.

Índia | Lançado foguetão com o primeiro satélite para estudar o Sol

Após o lançamento com sucesso de uma sonda que pousou no polo sul da Lua, o país mais populoso do mundo deu mais um passo na exploração espacial com o lançamento, no sábado, de um foguetão com uma nova sonda para estudar a actividade solar

 

A Índia lançou sábado um foguetão que transporta uma sonda solar para uma viagem de quatro meses em direcção ao Sol, momento que foi transmitido em directo pela Organização Indiana de Investigação Espacial, que promove a missão.

Após o foguetão descolar à hora prevista da plataforma de lançamento na ilha de Sriharikota, no sul da Índia, os técnicos de controlo da missão aplaudiram.

O lançamento surge pouco mais de uma semana depois de a Índia ter pousado no polo sul da Lua uma sonda com um robô, um feito inédito na exploração espacial. O satélite Aditya-L1 será posicionado a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, no chamado ponto de Lagrange 1 (L1).

Aditya, que significa Sol em hindi, irá registar a actividade solar, em particular a dinâmica dos ventos solares (emissão contínua de partículas subatómicas provenientes da coroa solar) e os seus efeitos na meteorologia espacial.

O engenho está equipado com sete módulos para observar duas das camadas externas da atmosfera do Sol – cromosfera e coroa – e detectores de campos eletromagnéticos e de partículas, segundo a organização espacial indiana.

Feitos inéditos

A Europa e os Estados Unidos já têm sondas a observar o Sol, a Solar Orbiter e a Parker Solar, mas é a primeira vez que a Índia se lança no estudo da estrela. Em 23 de Agosto, a Índia tornou-se o primeiro país a pousar um engenho espacial no polo sul da Lua, região inexplorada e onde haverá grandes quantidades de água gelada.

É nesta região que os Estados Unidos querem colocar em Dezembro de 2025 a primeira astronauta mulher e o primeiro astronauta negro, ao abrigo do novo programa lunar Artemis. Apenas os Estados Unidos tiveram astronautas na superfície da Lua, entre 1969 e 1972, todos homens, no âmbito do programa Apollo.

Tecnologia | Macau quer atrair peritos, incluindo lusófonos

O Governo apresentou dois programas para atrair quadros qualificados das áreas da tecnologia de ponta que valorizam o conhecimento do português. O objectivo é captar profissionais formados nas 100 melhores universidades do mundo ou nas 20 melhores do Interior da China

 

Na sexta-feira entraram em vigor dois programas para captar “quadros altamente qualificados” e “profissionais de nível avançado” em tecnologia de ponta, cujos critérios valorizam o conhecimento da língua portuguesa.

De acordo com os despachos assinados pelo Chefe do Executivo, publicados no Boletim Oficial de Macau na quinta-feira, os programas têm como objectivo “impulsionar o desenvolvimento das indústrias chave”.

Nos despachos que enquadram os programas, Ho Iat Seng defendeu que a indústria de tecnologia de ponta é “necessária à diversificação adequada da economia” da RAEM, altamente dependente do turismo e dos casinos.

Os programas apontam para tecnologias como a inteligência artificial, novas energias, robótica, Internet das coisas, cibersegurança, mega dados, realidade virtual e aumentada, e circuitos integrados microelectrónicos, também conhecidos por ‘chips’.

Os candidatos aos programas têm de contar no currículo com, pelo menos, uma licenciatura, ter 21 anos ou mais e obter pelo menos 200 pontos numa lista de critérios que inclui experiência profissional e competências linguísticas. Quanto mais velhos forem os candidatos, menores serão os pontos atribuídos.

A nível das qualificações académicas, há pontos atribuídos para quem obter diplomas nas 100 melhores instituições do mundo ou nas 20 melhores do Interior, de acordo com os seguintes ranking: Times Higher Education World University Rankings, QS World University Rankings, U.S. News & World Report e Academic Ranking of World Universities.

Lista de critérios

Um candidato pode obter até 10 pontos se “possuir boa capacidade de expressão em duas línguas de entre o chinês, português ou inglês”, de acordo com os critérios dos dois programas.

Também os rendimentos anuais provados dos candidatos são alvo de avaliação, e se um candidato apresentar rendimentos superiores a 3 milhões de patacas, soma imediatamente 80 pontos, o valor mais alto. O nível mais baixo é de 30 pontos, para quadros com rendimentos de pelo menos 1,5 milhões de patacas por ano.

Estes dois programas são os primeiros a serem implementados no âmbito de uma lei, que entrou em vigor a 1 de Julho, e que procura captar para Macau quadros qualificados, entre eles vencedores de Prémio Nobel, nomeadamente com benefícios fiscais.

Os quadros qualificados poderão gozar de isenção do imposto do selo sobre a transmissão de bens ou sobre aquisição de bens imóveis destinado ao exercício de actividade própria, assim como isenção da contribuição predial urbana.

Além disso, terão isenção do pagamento do imposto complementar de rendimentos, assim como benefícios para efeitos do imposto profissional, caso sejam contratados por empresas locais.

O Governo definiu como aposta para os próximos anos o investimento em indústrias que podem absorver quadros qualificados, como é o caso do sector financeiro e das áreas de investigação, desenvolvimento científico e tecnológico, saúde com alta tecnologia e medicina tradicional chinesa.

A versão de Shen Yuan do rolo que evoca Bianjing

Meng Yuanlao (c.1090-1150), um funcionário governamental que viveu em Bianjing (actual Kaifeng, Henan) dos treze aos vinte e sete anos, sendo depois forçado a abandonar a cidade capital dos Song do Norte, partindo para o exílio em Hangzhou, escreveu uma nostálgica recordação desse lugar. Que se lê como uma ilustração da expressão «menghua», um sonho projectado no passado de um paraíso perdido, por vezes referido como a utopia do imperador Amarelo sobre Huaxu, a terra da harmonia e felicidade perfeitas.

Em Dongjing menghua lu, «Sonho do esplendor da capital oriental», editado pela primeira vez em 1187, a cidade é descrita como um lugar onde “A paz se prolongava dia após dia: viviam lá muitas pessoas e havia de tudo em abundância, jovens com longas tranças não se entretinham senão com danças e tambores, os mais velhos com os cabelos salpicados de branco não ligavam a escudos ou lanças. As estações e os festivais seguiam-se uns aos outros cada um com as respectivas situações para apreciar. Noites iluminadas por candeeiros e madrugadas ao luar, períodos de neve e tempos de floração, clamando habilidades e subindo alturas, formando reservatórios e jardins onde se pode passear. Erga-se o olhar e lá estão pérgolas verdes e quartos pintados, entradas bordadas e sombras preciosas. Carruagens decoradas competiam pelo estacionamento na Avenida Celestial e cavalos ajaezados lutavam para passar nas ruas imperiais. (…)”

Mas a mais comum evocação de Bianjiang é uma pintura intitulada Qingming shanghe tu, que se pode traduzir como «Sobre a margens do rio durante o festival Qingming» (rolo horizontal, tinta e cor sobre seda, 28,2 x 528,7 cm, no Museu do Palácio em Pequim) cuja autoria, no rolo, é atribuída a Zhang Zeduan (1085-1145) e mostra a buliçosa vida em torno do rio Bian. O seu singular fascínio originou inúmeras cópias e recriações das quais cerca de cem estão hoje em vários museus e colecções.

Shen Yuan (act. 1728-48) é autor de uma das mais intrigantes recriações (rolo horizontal, tinta sobre papel, 34,8 x 1185 cm, no Museu do Palácio, em Taipé) que se diz ter sido apenas um guia para outra versão colorida executada por cinco pintores da corte de Qianlong. No entanto ela exibe um domínio do desenho, da perspectiva e certos pormenores que a tornam ímpar. Nela está a única confirmação de que a cena decorre no festival Qingming, «o dia de varrer as sepulturas», através de três figuras que se vêem na primeira parte junto de um túmulo, num gesto evidente de quem chora, a eloquente expressão do pesar. Na parte central que representa a ponte dita «ponte arco-íris» onde no original um navio de grande porte se encontra em risco de bater ao passar criando um grande alvoroço, Shen Yuan resolve o perigo riscando linhas rectas que são os cabos que puxam o navio, guiando-o a partir das margens.

A loucura de um beijo

Quem prefere sintonizar os canais de televisão de notícias do país, do mundo e do desporto ficou na semana passada absolutamente atordoado com a decisão editorial nos referidos canais. O país vive momentos de grande dificuldade, os cidadãos que optaram por comprar casa estão desesperados com o aumento das taxas de juros e o consequente aumento da prestação mensal, em alguns casos, já subiu para o dobro.

As famílias que optaram pelo arrendamento andam desesperadas com o possível aumento de sete por cento nas rendas no próximo ano devido à subida da inflação, caso o Governo não venha a travar esse aumento. Nos hospitais prevalece o caos, os médicos entram em greve e as cirurgias e as consultas ficam para as calendas atingindo milhares de portugueses. No corredor de um hospital, um idoso com 96 anos esteve seis horas à espera de atendimento e veio a morrer. Uma jovem de 23 anos, grávida, teve alta do hospital depois de ter manifestado que não se sentia bem.

Assim que saiu da unidade hospitalar veio a falecer. Os agricultores continuam a não receber as ajudas que já foram prometidas há dois anos. O Presidente da República vai continuar a viajar para o estrangeiro. Passam-se no seio da administração pública os factos mais mirabolantes, como o do Joe Berardo, que só de uma vez levantou 350 milhões de euros, sem garantias, da Caixa Geral de Depósitos e depois foi comprar acções no Banco Millennium e anda à boa vida num luxo inacreditável e a anunciar que vai abrir mais museus quando os crimes cometidos foram tantos que há muito devia estar na prisão, como ficou provado nas páginas da revista Sábado.

E com tanta matéria para noticiar, as nossas televisões não tiveram mais nada para divulgar diária e consecutivamente, se não um beijo que o presidente da Federação de Futebol espanhola, Luis Rubiales, deu na boca de uma jogadora da selecção nacional feminina que tinha acabado de se sagrar campeã mundial. Mas, as sessões nos canais televisivos foram seguidas, repletas dos mais variados comentadores, com defensoras dos direitos das mulheres, com a suspensão de Rubiales pela FIFA. Um absurdo total. Uma total loucura.

Mesmo no desporto, a semana foi fértil em transferências de jogadores, o Benfica estava a comprar e a vender jogadores, o Sporting e o FC Porto a mesma coisa e as televisões apresentavam um minuto sobre esse assunto. Ora vejamos: primeiramente quero dizer-vos que um amigo que reside em Madrid, informou-me que há muito que se falava de uma relação íntima entre Rubiales e aquela jogadora.

Depois, se repararem bem, na imagem que publicamos, a jogadora abraçou apertadamente o presidente da Federação de Futebol espanhola e no momento do beijo na boca ainda está a abraçá-lo. Tudo o resto são tretas, oportunismos de associações pseudo defensoras dos direitos das mulheres. Se o presidente Rubiales tivesse entrado no balneário das jogadoras quando elas estiveram completamente nuas a tomar o duche, bem, isso era um crime grave, era um abuso sem perdão, era motivo de noticiários constantes.

Agora um beijo na boca de um homem a uma mulher que, pelos vistos, conheciam-se muito bem, é uma vergonha jornalística o que se passou nos canais televisivos. E ainda mais, como hoje em dia está na moda, se tivesse sido um beijo entre dois homens ou entre duas mulheres nada aconteceria. Se pretendem ser verdadeiramente fundamentalistas, então a FIFA que decida rapidamente que as equipas de futebol femininas terão de ser treinadas por uma mulher, terão de criar uma Federação de Futebol Feminino presidida por uma mulher, os massagistas terão de ser todas mulheres tal como já acontece com as árbitras. De resto, colocar um presidente de uma Federação de Futebol importante como é a espanhola, como um criminoso, como um escroque, um bandido que teve o desplante de beijar na boca uma jogadora, eivado daquela emoção natural de ser campeão mundial, é de bradar aos céus.

O jornalismo português está a passar por uma fase degradante. Não temos um jornal onde se possa ler algo de independente. Agora até veio a lume uma escandaleira que deixou todos os jornalistas sérios de cara à banda. O Governo quer decidir o pagamento acrescido de 40 por cento do salário dos jornalistas. Isto, é comprar os jornalistas, é acabar totalmente com a liberdade de um jornalista, é condicionar a crítica ou a investigação a actos governamentais. Oferecer mais 40 por cento do salário que tenha o jornalista em Portugal? É inacreditável e vergonhoso se isso vier a acontecer. Por que razão o Governo não decide apoiar as empresas proprietárias de órgãos de comunicação social e estas, sim, aumentarem os salários dos jornalistas? Seria mais decente e os jornalistas possivelmente deixariam de se preocupar com um beijo na boca de um homem a uma mulher…

Wong Shek Hung, directora da Oxfam para Macau, Hong Kong e Taiwan: “Covid afectou os mais pobres”

Em Macau desde 2012, a organização não-governamental internacional Oxfam tem lutado por aumentos do salário mínimo, mantendo um diálogo constante com o Governo. A directora da representação da Oxfam para Macau, Hong Kong e Taiwan, Wong Shek Hung, alerta que, mesmo com a recuperação da economia, muitas pessoas precisam ainda de apoio financeiro

 

Que balanço faz da actividade da Oxfam desde que se instalou no território em 2012?

Ao longo dos anos, a Oxfam tem-se concentrado em três áreas-chave: defesa de direitos [humanos], educação e angariação de fundos. Relativamente à defesa dos direitos, temos trabalhado em políticas laborais e salariais para garantir que os direitos e salários dos trabalhadores mais vulneráveis sejam protegidos. Temos vindo a fazê-lo através da elaboração proactiva de propostas ao Governo de Macau, respondendo a agendas políticas e afins. Também estamos a apoiar activamente e a trabalhar com organizações locais para desenvolver programas domésticos, incluindo a recolha de excedentes alimentares e a sua redistribuição a famílias que vivem na pobreza, oferta de aulas de reforço gratuitas a crianças de famílias mais pobres, apoio a pessoas que recolhem cartão [na rua] e outros programas de envolvimento público. No domínio da educação, temos organizado workshops e trabalhado com escolas para sensibilizar [os jovens] para as várias facetas da pobreza e para formar a nova geração, bem como o público em geral, como cidadãos globais. Através de uma série de actividades experimentais e interessantes, como o teatro interactivo, visitas à comunidade, jogos e outras, temos obtido o apoio crescente de um vasto leque de escolas e do público ao longo dos anos. Realizámos mais de 300 sessões por ano e, recentemente, trabalhámos também com a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), ministrando workshops de educação para a vida a alunos do ensino básico e secundário.

Um dos últimos eventos anunciados pela Oxfam foi a corrida na Torre de Macau, que tem como objectivo a recolha de fundos.

Sim. No que diz respeito à angariação de fundos, temos realizado alguns eventos de grande escala, que têm sido bastante populares entre as pessoas locais: o Oxfam Rice Event e o Oxfam TowerRun [ver texto secundário]. A edição deste ano foi mesmo reconhecida oficialmente pela Tower Running World Association como um evento de 120 pontos. Em termos de novas iniciativas, também introduzimos recentemente o Dress Green Day [Dia do Vestido Verde] e trabalhámos em conjunto com a DSEDJ para organizar novos workshops para estudantes, produzimos livros, entre outras coisas. O Dia do Vestido Verde é uma iniciativa em que todas as escolas e organizações participantes se vestem de verde durante um dia e doam à Oxfam o que gastariam num almoço. Podem também participar gratuitamente numa actividade educativa organizada pela Oxfam em Macau, para promover a sensibilização do público e aprender sobre a situação alimentar em vários locais espalhados pelo mundo.

Relativamente a matérias sociais, nomeadamente a questão do aumento do salário mínimo, como tem sido o diálogo com o Executivo?

Temos submetido, de forma pró-activa, diversas propostas ao Governo de Macau, respondendo às políticas estabelecidas e ao salário mínimo. Temos encorajado o Governo a aumentar o salário mínimo com base no Índice Mínimo de Subsistência, para que o processo de revisão [do montante] seja mais transparente. O actual salário mínimo não é revisto com a frequência suficiente (apenas de dois em dois anos) e os seus aumentos não acompanham a inflação. Tendo em conta o facto de um trabalhador ter, muito provavelmente, de cuidar de outra pessoa, necessitando de 7.990 patacas [mensais], com base no Índice Mínimo de Subsistência, os trabalhadores não deveriam ganhar menos de 38,4 patacas por hora. [Actualmente o aumento do salário mínimo está a ser discutido em sede de concertação social, com o Governo a propor um aumento que varia entre 34 e 36 patacas por hora]. Também reunimos com a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, a Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo e várias pessoas e departamentos governamentais no passado.

De uma forma geral, a Oxfam considera que Macau e Hong Kong têm problemas sociais semelhantes, ou são diferentes, tendo em conta a diferença das suas estruturas económicas?

Tal como em Hong Kong e no resto do mundo, a covid-19 afectou os mais pobres de Macau, as empresas e [influenciou] a taxa de desemprego. Nos últimos três anos, recebemos mais pedidos de apoio de pessoas que vivem em situação de pobreza em Macau. Através dos nossos apoios com alimentos, por exemplo, encontrámos mais famílias monoparentais e idosos em situação de necessidade. Apesar de a economia ter melhorado, muitas pessoas precisam ainda de apoio. É por isso que medidas como o aumento do salário mínimo seriam muito benéficas para os segmentos populacionais mais vulneráveis de Macau.

As alterações climáticas é outra das áreas de actuação da Oxfam. O que tem sido feito em Macau neste domínio?

Mais justiça climática é uma das áreas de preocupação da Oxfam. Para aumentar a sensibilização para a questão e combater as alterações climáticas, satisfazendo ao mesmo tempo as necessidades dos mais pobres, temos desenvolvido um programa de recolha de excedentes alimentares e redistribuição a famílias que vivem na pobreza. [Esta medida] incorpora elementos de redução da pobreza e, ao mesmo tempo, protecção ambiental. Promovemos este programa junto de lojas, a fim de obter o seu apoio na doação de excedentes alimentares, e convidamos [também] o público e os estudantes a recolher excedentes alimentares. Temos também um programa dirigido aos colectores de papelão, com o objectivo de aumentar a quantidade de papel recolhido para reciclagem, bem como apoiar os colectores de papelão a melhorarem os ritmos de trabalho e os seus rendimentos.

Exposição | Clara Brito é a mentora do projecto “She Left Her Body”

“She Left Her Body” é o nome da exposição que a designer Clara Brito traz à Casa Garden a partir do dia 23 de Setembro, que reúne trabalhos seus e também das artistas locais Elsa Lei Pui Mio, artista de luzes, Lora Lo Iok Iong, estilista, e Mandy Cheuk Yin Kin, maquilhadora. A possibilidade de dissociação das emoções do corpo de quem as sente é, assim, revelada em diversas expressões artísticas

 

E se abandonássemos o nosso próprio corpo quando vivemos um momento difícil para não sentirmos todas as emoções negativas que brotam a partir dele? Deixando o corpo, não sentimos, e sobrevivemos numa espécie de piloto automático. É esta a ideia por detrás de “She Left Her Body” [Ela Deixou o Seu Corpo], uma exposição com mentoria e curadoria da designer Clara Brito e organizada através da Associação Cultural +853. Nesta mostra, Clara Brito reuniu os seus trabalhos juntando-se a mais três artistas locais de outras áreas, como é o caso de Elsa Lei Pui Mio, artista de luzes, Lora Lo Iok Iong, estilista, e Mandy Cheuk Yin Kin, maquilhadora. O público poderá, assim,observar trabalhos com recurso à caligrafia, instalação, colagem e desenho, entre outras expressões. A mostra nasce depois de uma residência artística realizada este ano pela própria Clara Brito na Casa Garden, apoiada por diversas entidades.

Ao HM, a designer disse que criar esta exposição foi um processo quase novo, com elementos que a própria está a “reavivar”. “Uma das coisas que encaro como sendo nova é o facto de ser a primeira exposição em que, apesar de ser a artista principal, a mentora do projecto e a curadora da exposição, ter convidado três mulheres com perfis, competências e um trabalho criativo diferente do meu. Há uma colaboração entre quatro criativas com experiências diferentes que narram este conceito de deixar o corpo.”

Neste processo, Clara Brito acabou por ir buscar elementos performativos que usava nos projectos que desenvolveu em Portugal antes de se mudar para Macau, há mais de 20 anos. Observa-se, assim, “um lado de fusão entre as indústrias tradicionais, o artesanato, os tecidos e a moda, mas também um lado cenográfico que estava muito presente nas minhas instalações de moda. Para Macau pode ser algo novo, o lado performativo da moda”.

Citada por um comunicado, Clara Brito explica melhor a parte emocional tão intrínseca neste projecto, que começou a ser desenvolvido em 2021. “Fiz algumas leituras e escrevi sobre a fase da vida em que estava a viver, na qual me sentia muito infeliz. Quando visualizo esses momentos, é quase como se eu tivesse deixado o meu próprio corpo, para deixar esse momento [em específico] e apagar as emoções.” Na área da psicologia, o acto inconsciente de colocar emoções de lado e continuar como se nada tivesse acontecido é entendido como uma dissociação.

O projecto pretende ainda passar alguma literacia emocional a quem o vê ou visita, “permitindo que os outros tenham uma vida melhor”. Ao mesmo tempo, Clara Brito recorreu aos materiais tradicionais usados a Oriente, explorando “a oportunidade de fazer uma grande pesquisa desses mesmos materiais e usando-os como uma ferramenta de comunicação, a fim de fazer um trabalho artístico que explora esses conceitos”, referiu ainda, segundo o mesmo comunicado.

Património do amanhã

“She Left Her Body” é um desafio que Clara impôs a si mesma, “[de pensar] o que poderiam ser, em termos artísticos e até filosóficos, os patrimónios do amanhã relacionados com as indústrias”. A mostra é também resultado “de um processo auto-biográfico criativo e artístico, especificamente ligado à ideia de dissociação”. É feito um cruzamento do lado emocional com as ideias de património e de auto-conhecimento. “Sou uma coleccionadora por natureza, uma designer que olha para os materiais e que tem apreço pela indústria e pelas tradições, por esse saber fazer, e pareceu-me um cruzamento interessante.”

A exposição acontece abrangida pelo projecto “Tomorrow’s Heritage” [O Património do Amanhã], no qual Clara Brito participa e que tem vindo a ser desenvolvido “de uma maneira intuitiva e inconsciente já há bastante tempo”, onde se faz um levantamento de materiais e indústrias tradicionais de Macau, Hong Kong e do sul da China. Algo que a designer tem vindo a pôr em prática com colaborações com a marca portuguesa Burel, que fabrica roupas e produtos têxteis com o burel, um tecido feito com lã de ovinos da Serra da Estrela.

“Todos estes projectos de correlação entre o Ocidente e o Oriente, desenhando cá e produzindo lá, e vice-versa, foram trazendo ao de cima uma ideia e uma vontade de fazer um cruzamento [de ideias] e um levantamento das indústrias tradicionais deste lado do mundo na minha relação com Portugal e os países de língua portuguesa”, disse a designer, que, depois de fazer o mapeamento, quis “aproveitar e desenvolver criativamente um projecto que trabalhasse estas indústrias”.

Economia | Receitas do jogo atingiram valor mais alto desde a pandemia

As receitas da indústria do jogo foram quase oito vezes superiores ao valor registado em Agosto do ano passado. Desde o início do ano, os casinos tiveram receitas superiores a 114 mil milhões de patacas

 

As receitas do jogo atingiram 17,2 mil milhões de patacas em Agosto, o valor mais alto desde Janeiro de 2020, de acordo com dados oficiais revelados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), na sexta-feira.

O valor registado em Agosto é 3,3 por cento mais elevado do que em Julho, que já tinha fixado um recorde pós-pandemia de covid-19, com o montante de 16,7 mil milhões de patacas. Além disso, as receitas da indústria do jogo foram durante Agosto quase oito vezes superiores ao registado no mesmo mês do ano passado, que o valor total não tinha ido além das 2,19 mil milhões de patacas.

Apesar da recuperação em termos anuais, o valor que os casinos de Macau arrecadaram no mês passado ainda é inferior em cerca de 29,1 por cento inferior ao montante contabilizado em igual período de 2019, antes do início da pandemia.

Entre Janeiro e Agosto, as receitas do jogo quase quadruplicaram em comparação com igual período de 2022, atingindo 114 mil milhões de patacas. No entanto, de acordo com os dados do regulador do jogo, a receita acumulada nos primeiros oito meses do ano representa apenas 57,5 por cento do montante registado no mesmo período de 2019.

Desde Junho que as receitas do jogo estão a subir, com 15,2 mil milhões de patacas em Junho, 16,7 mil milhões de patacas e Julho e, finalmente, 17,2 mil milhões de patacas em Agosto.

Números mais positivos

Macau, que à semelhança da China continental seguia a política ‘zero covid’, anunciou em Dezembro o cancelamento da maioria das medidas de prevenção e contenção, depois de quase três anos das rigorosas restrições.

Com o alívio das medidas, Macau registou nos primeiros sete meses deste ano 14,4 milhões de visitantes, indicou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, quatro vezes mais do que em igual período do ano passado, mas ainda assim 60,5 por cento do registado em 2019.

A indústria do jogo, a principal fonte de receita via impostos do Governo do território, representava mais de metade do produto interno bruto (PIB) de Macau em 2019 e dava trabalho a quase 68 mil pessoas no final de 2022, ou seja, a quase 20 por cento da população empregada.

Na quarta-feira, o director do Instituto para os Estudos da Indústria do Jogo da Universidade de Macau, Davis Fong, disse que as receitas dos casinos podem atingir 180 mil milhões de patacas este ano e 200 mil milhões de patacas em 2024.

Acidente | Polémica instalada com comunicado da Polícia de Segurança Pública

Um homem foi detido devido a um acidente com uma viatura conduzida a alta velocidade junto do Hotel Lisboa, depois de ter passado um sinal vermelho. Contudo, o caso está a gerar celeuma, porque ao contrário da prática habitual, a informação do CPSP é escassa

 

Na quinta-feira, um carro da marca Mercedes bateu à frente do Hotel Lisboa, depois de ter passado dois sinais vermelhos a elevada velocidade, ter atingido um autocarro e uma viatura particular. As imagens tornaram-se virais, mas a ocorrência ficou marcada pela forma como o Corpo da Polícia de Segurança Pública (CPSP) divulgou a ocorrência.

Ao contrário de outras situações em que a divulgação do CPSP fornece vários pormenores, inclusive os apelidos dos envolvidos, o mesmo não aconteceu com esta situação. A primeira mensagem sobre a ocorrência, em chinês, tinha apenas 72 caracteres, dos quais sete eram sinais pontuação.

Após o contacto de vários órgãos de comunicação social, o CPSP lançou mais informação, desta feita com 300 caracteres, mas a dualidade de critérios levou a Associação dos Jornalistas de Macau a emitir um comunicado, em que indica haver desconfianças sobre a tentativa de encobrir a ocorrência.

“Ao olharmos para a mensagem do CPSP enviada aos média na última noite [31 de Agosto] podia ler-se: ‘Aconteceu um acidente de trânsito com dois carros privados e um autocarro perto do Hotel Lisboa. Não houve feridos nem ninguém foi transportado para o hospital. Ninguém ficou preso nas viaturas’”, começou por indicar a associação. “Não há nada de errado com a informação! Mas quem ler a mensagem pensa que tudo se tratou de um acidente pequeno, sem impacto, o que é totalmente diferente das imagens captadas”, foi indicado.

Muitas dúvidas

Face à forma como ocorreu a comunicação, a Associação dos Jornalistas de Macau recordou que tem feito pedidos junto das autoridades para “melhorarem” o mecanismo de divulgação dos crimes, com mais informação.

Apesar dos pedidos, a associação reconhece que na prática a informação disponibilizada “é cada vez mais simplificada”, o que torna difícil de perceber no meio das 50 a 60 mensagens diárias “os crimes com valor de notícia”. A associação apontou ainda que “há suspeitas de que neste caso houve tentativa de encobrimento”.

Por último, face a respostas anteriores das autoridades que “algumas emergências não são divulgadas, devido aos critérios internos da polícia”, a Associação dos Jornalistas de Macau ironizou com a precisão da divulgação da informação. “As autoridades estão a operar o mecanismo de informação de forma tão precisa, que os grandes incidentes são reduzidos a pequenas ocorrências e as pequenas ocorrências são eliminadas. Não admira por isso, que neste caso não tenha acontecido nada…”, foi apontado.

Condução perigosa

Quanto ao acidente, de acordo com a informação divulgada após os contactos dos órgãos de comunicação social e da divulgação de vários vídeos online, o CPSP informou que o condutor tem 30 anos.

Na altura do sinistro, apesar de ter atingido um carro particular e um autocarro público e ter passado a alta velocidade dois sinais vermelhos, não houve feridos aregistar. Também os testes para medir o consumo de álcool ou estupefacientes terão tido resultados negativos.

O homem foi enviado para o Ministério Público e está indiciado da prática dos crimes de “condução perigosa de veículo rodoviário”, que implica uma pena de prisão que pode chegar a três anos de prisão, e pelo crime de fuga à responsabilidade, cuja pena pode chegar a um ano de prisão.