929 Challenge | Três ‘startups’ lusas nos primeiros lugares

As ‘startups’ portuguesas Glooma, Bedev e Fykia Biotech arrecadaram no sábado o primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente, na competição “929 Challenge”

 

As ‘startups’ portuguesas Glooma, Bedev e Fykia Biotech arrecadaram no sábado o primeiro, segundo e terceiro lugares, respectivamente, na competição “929 Challenge”, em Macau.

A Glooma apresentou uma luva que detecta o cancro da mama precocemente, a Bedev mostrou o desenvolvimento de dispositivos médicos com recurso à impressão 3D, enquanto a Fykia Biotech deu a conhecer a investigação de microalgas com aplicações na saúde, cuidados da pele e agricultura, destacando-se entre os oito projectos de empresas finalistas avaliados pelo júri e potenciais investidores.

“É fantástica, nesta edição, a qualidade dos projectos apresentados em áreas que são muito importantes em termos de sustentabilidade, como a saúde, a biotecnologia e agricultura, incluindo alimentação”, disse à Lusa um dos co-fundadores e coordenadores do “929 Challenge”, José Alves.

“Portanto, isto é extremamente motivante para o concurso e para os patrocinadores e os organizadores. A competição, de facto, está a consolidar-se e está a demonstrar que existe espaço em Macau para se fazer mais nesta área de empreendedorismo entre a China e os países de língua portuguesa”, salientou o também director da Faculdade de Gestão da Universidade Cidade de Macau (CityU).

Para Marco Rizzolio, co-fundador e coordenador da competição 929 e também da CityU, nesta edição deu-se “um grande salto”, já que “pela primeira vez, estiveram no painel de juízes ‘venture capitals’ a assistir aos projectos”. “Isso é um grande salto porque no final de contas, mais do que uma competição, queremos que estes projectos recebam dinheiro para poder evoluir para outros níveis”, frisou o responsável.

Vitória de Cantão

Divididas em duas categorias, 16 equipas finalistas, oito ‘startups’ e oito de universidades chinesas e lusófonas, disputaram a final da terceira edição desta competição sino-lusófona.

Entre as universidades, o primeiro lugar coube à chinesa Guangdong University of Science and Technology (Universidade de Ciência e Tecnologia de Guangdong) com um projecto de óleos de alimentação para aquacultura, seguida pela Universidade de Macau com obrigações verdes para investir em projectos sustentáveis e compensar emissões de carbono. Em terceiro lugar ficou a Guangdong Polytechnic University (Universidade Politécnica de Guangdong) com um plano para proteger trabalhos digitais de piratas informáticos.

Ao todo, a edição deste ano registou mais de 1.500 participantes em mais de 280 equipas de nove países lusófonos e da China. O montante total dos prémios foi de 180 mil patacas e 40 mil patacas em serviços e ferramentas da Alibaba.

O concurso tem a organização conjunta do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau) e de várias universidades e instituições da região administrativa especial chinesa.

Carne de porco | Preços mais baixos desde sexta-feira

O preço por grosso dos suínos vivos importados para Macau baixou de 1.960 patacas para 1.600 dólares por cada 60,48 quilogramas desde sexta-feira, o que representa uma descida de 18 por cento.

Segundo um comunicado do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), foi já realizada uma reunião com representantes de supermercados e comerciantes a fim de ajustar os novos preços na venda a retalho da carne.

O IAM adiantou também que vai anunciar publicamente os preços médios de venda a retalho de dez tipos de carne de porco fresca em sete mercados públicos e também nos principais supermercados a partir de hoje e nos próximos sete dias.

Saúde | Recrutamento de oito médicos portugueses em curso

O director dos Serviços de Saúde indicou que estão a ser ultimados os processos de recrutamento de oito médicos portugueses para trabalhar em Macau. Foi inaugurado o Edifício de Especialidade de Saúde Pública, que acrescenta 160 camas de isolamento e 80 enfermarias

 

O sistema de saúde de Macau será reforçado com oito médicos portugueses, indicou na sexta-feira o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo. “Quando visitámos Portugal reunimos com a Associação dos Médicos de Portugal e procurámos saber se havia médicos qualificados aptos a prestarem serviços em Macau. Durante o processo recebemos 12 candidaturas e oito cumpriram os requisitos. Estamos na fase de completar os processos de documentação de identidade”, revelou o responsável, citado pelo Canal Macau da TDM.

As declarações foram prestadas à margem da cerimónia de inauguração do Edifício de Especialidade de Saúde Pública dos Serviços de Saúde, infra-estrutura adjacente ao Centro Hospitalar Conde de São Januário e que tem como objectivo reforçar o sistema de resposta a doenças transmissíveis.

O Edifício de Especialidade de Saúde Pública está localizado no lote de terreno entre a Estrada Nova e a Estrada do Visconde de S. Januário, e tem uma área bruta de construção de cerca de 30.900 metros quadrados.

O edifício de oito andares “dispõe de 80 enfermarias de isolamento de alta qualidade, 160 camas de isolamento, das quais 10 são camas para cuidados intensivos, onde os utentes podem receber tratamentos de oxigenação por membrana extracorpórea (artificial pulmonar), ventilador e hemodiálise”.

A nova estrutura está equipada com uma “sala de reanimação, bloco operatório de pressão negativa, sala de exame imagiológico com tomografia axial computorizada (TAC) e laboratório clínico capaz de tratar amostras infecciosas”.

Ligação umbilical

Segundo um comunicado dos Serviços de Saúde, o edifício “foi concebido de acordo com as normas de prevenção e controlo de doenças transmissíveis da Organização Mundial de Saúde”. Para tal, está apetrechado com “sistema de filtragem de ar de alta eficiência, sistema de desinfecção por raios ultravioletas, controlo de pressão negativa e de fluxo de ar nas enfermarias, instalação de dois canais nas três zonas, bem como sistema inteligente de vigilância central e de rastreamento de doentes”.

Além disso, a nova unidade é composta por duas passagens superiores que ligam ao átrio do Centro Hospitalar Conde de São Januário e ao Alojamento dos Trabalhadores de Emergência de Saúde Pública, “proporcionando aos doentes um melhor apoio médico e uma boa gestão do pessoal em circuito fechado durante a epidemia”.

Alvis Lo ainda salientou que “apesar do fim da epidemia, a ameaça de doenças transmissíveis a nível mundial continua a existir”, razão pela qual é necessária “máxima vigilância e elevar constantemente a capacidade de resposta a diversas doenças transmissíveis”. A cerimónia de inauguração foi conduzida por Ho Iat Seng e pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U.

DSEC | Transportes, comunicações e armazéns com menos vagas

No ano passado, o sector dos transportes, armazenagem e comunicações perderam quase 1.500 empregos, de acordo com os dados publicados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

“Em 2022 existiam em actividade 3.293 estabelecimentos do sector dos transportes, armazenagem e comunicações, menos 27, face a 2021 e o pessoal ao serviço totalizou 18.992 pessoas, menos 1.451”, foi revelado com os dados oficiais.

Em comparação com 2021, as receitas do sector também tiveram uma quebra de 11,7 por cento, para 16,83 mil milhões de patacas. A queda das receitas aconteceu a um ritmo mais rápido que a diminuição das despesas, que ficaram nos 15,16 mil milhões de patacas, uma redução de 10,3 por cento. Com base nestes cálculos, o sector apresentou um excedente bruto de 1,67 mil milhões de patacas, uma queda homóloga de 22,9 por cento.

Em relação ao investimento no sector houve um aumento de 1,54 mil milhões de patacas, um crescimento face a 2021 de 137,2 por cento, “devido ao facto de alguns estabelecimentos terem adquirido veículos e equipamentos”. Em 2022 havia 3.258 estabelecimentos do sector dos transportes e armazenagem, menos 29, relativamente a 2021 e o pessoal ao serviço era composto por 16.628 pessoas, menos 1.428.

No que diz respeito ao sector das comunicações, havia 35 estabelecimentos, mais dois, face a 2021. O pessoal ao serviço era composto por 2.364 pessoas, menos 23, em termos anuais. As receitas do sector corresponderam a 7,25 mil milhões de patacas e as despesas a 5,03 mil milhões de patacas, baixando 10,8 por cento e 13,2 por cento, respectivamente, em termos anuais.

Governo afasta aumento de apoios sociais no orçamento de 2024

A possibilidade de reforçar apoios sociais para famílias carenciadas no próximo ano está afastada, e os gastos vão continuar congelados, como no passado. A explicação foi avançada pelo director dos Serviços de Finanças (DSF), na Assembleia Legislativa, Iong Kong Leong, em resposta às perguntas dos deputados.

Apesar de admitir que o nível de vida da população está a ser afectado pelos juros e a inflação, o Governo acredita que está a fazer o suficiente.

“O Governo da RAEM entende e está preocupado com a questão do aumento dos juros e também a inflação, que afecta as famílias carenciadas. Quando formos elaborar o orçamento, independentemente das nossas receitas, todas as nossas despesas de apoio à sociedade mantêm-se”, afirmou Iong Kong Leong. “Temos sido afectados pela pandemia e os nossos saldos foram afectados, no entanto, continuamos a apoiar todas as famílias carenciadas e damos todo esse apoio”, destacou.

Em contramão

O Executivo de Ho Iat Seng está preparado para assumir uma direcção contrária à que tem sido pedida por vários deputados, que defendem o aumento do programa de comparticipação pecuniária, vales de consumo electrónico ou injecção de capital nas contas individuais do regime de previdência.

Iong Kong Leong explicou o congelamento dos aumentos com a perspectiva de crescimento económico no próximo ano. “Tendo em conta a actual recuperação económica, as nossas previsões apontam para que a nossa situação económica vá melhorar no próximo ano. Vai-nos dar mais espaço de manobra para ajudar as famílias vulneráveis”, argumentou.

Apesar do optimismo, o director da DSF, prometeu mais explicações no próximo mês, quando o Governo for ao hemiciclo apresentar a proposta de lei do orçamento. “Vamos discutir esta questão quando apresentarmos a proposta de orçamento à Assembleia Legislativa”, prometeu.

Trabalho | Taxa de desemprego desceu 0,1% entre Julho e Setembro

A taxa de desemprego entre Julho e Setembro fixou-se em 2,4 por cento. A maioria dos desempregados durante o período em análise era dos sectores do jogo, construção civil e restauração, de acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos

 

A taxa de desemprego fixou-se em 2,4 por centro entre Julho e Setembro de 2023, nível que representou uma redução de 0,1 pontos percentuais face ao período anterior entre Junho e Agosto. Os dados foram revelados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

No período em análise, a taxa de desemprego dos residentes foi de 3,1 por cento, valor que a DSEC indicou ser “idêntica à do período transacto”. No que diz respeito à taxa de subemprego, ou seja, as pessoas que trabalham menos horas pagas do que pretendiam, houve uma diminuição de 0,2 pontos percentuais, para 1,6 por cento.

Entre Julho e Setembro, a população activa em Macau totalizou 378.300 pessoas, com a taxa de actividade a situar-se em 68,2 por cento. A população empregada totalizou 369.300 pessoas e o número de residentes empregados correspondeu a 286.800 pessoas, mais 3.300 e 1.700, respectivamente. A população desempregada era composta por 9.100 indivíduos, menos 200 em comparação com o período entre Junho e Agosto.

Os dados indicam também que o desemprego está principalmente relacionado com os sectores da construção e do jogo. “Entre os desempregados à procura de novo emprego, a maioria trabalhou anteriormente no ramo de actividade económica da construção, no ramo das lotarias, outros jogos de aposta e actividade de promoção de jogos e no ramo dos hotéis, restaurantes e similares”, revelou a DSEC.

O número de desempregados à procura do primeiro emprego representou 12,3 por cento do total da população desempregada, baixando 0,4 pontos percentuais.

Querer trabalhar mais

Por sua vez, a população subempregada fixou-se em 5.900 pessoas, menos 800, em relação ao período anterior. A maior parte da população subempregada pertencia ao ramo de actividade económica da construção, o que significa que estes trabalhadores encontram menos trabalho do que procuram.

Quando é feita uma análise do desemprego por sector, houve um aumento do número de empregados no sector das lotarias, outros jogos e actividade de promoção de jogos (71.000), assim como na hotelaria (26.100) e no comércio a retalho (36.000). Por ramo de actividade, a criação de empregos foi de 2.500, 1.800 e 1.500, respectivamente.

No entanto, no sector da educação houve menos 2 mil empregos, sendo o número total de cerca de 18.800 empregos. A mediana do rendimento mensal da população empregada fixou-se em 18.000 patacas no terceiro trimestre do corrente ano, mais 1.000, em termos trimestrais.

Jovens alertam para fraca aposta do Governo na formação de quadros

Um inquérito realizado pela Associação da Nova Juventude Chinesa de Macau conclui que a maioria dos jovens entende que o Governo deve dar mais apoios financeiros para que os quadros qualificados frequentem acções de formação, entendendo que são necessários mais recursos para este fim.

Os inquiridos que consideram que há ainda espaço de melhoria dos recursos do Governo canalizados para a formação de quadros representam 4,88 pontos de 0 a 11 pontos, ligeiramente abaixo da média de cinco pontos. Aqueles que concordam com as medidas lançadas pelo Executivo para a formação de quadros qualificados representam 4,78 pontos, sendo que apenas 5,7 por cento dos entrevistados considera as medidas muito eficientes. Apenas 14,4 por cento dos jovens inquiridos disseram entender bem as medidas destinadas à formação de quadros qualificados, enquanto 30 por cento confessou não conhecer bem o que tem vindo a ser feito a este nível.

“Falta de literacia digital”

O inquérito revela ainda que 39,9 por cento dos entrevistados considera que as pessoas de Macau têm falta de capacidades no contexto de uma maior abertura ou internacionalização do território, enquanto 35,8 por cento aponta para a falta de criatividade e 32,8 falam da falta de experiências e domínio de técnicas profissionais.

Cerca de 46 por cento dos entrevistados diz que os jovens têm falta de literacia digital quando comparados com os cidadãos de outros países ou regiões, enquanto mais de 60 por cento diz querer participar em mais acções de formação como forma de auto-crescimento.

A equipa que realizou o estudo defende que o Governo pode incentivar as empresas privadas a desenvolverem mais acções de formação durante o horário de trabalho, além de criar mais incentivos, melhorar o programa de desenvolvimento e aperfeiçoamento contínuo e ainda subsidiar os jovens locais sempre que estes frequentem cursos que correspondam aos objectivos da diversificação da economia.

Chan Chi Weng, vice-presidente da associação, exemplificou que o Governo pode subsidiar metade dos custos dos exames profissionais que estejam de fora do programa de desenvolvimento e aperfeiçoamento contínuo. O inquérito foi realizado em Maio, tendo sido recebidas 662 respostas válidas de pessoas dos 18 aos 44 anos entrevistadas na rua, e 39 entrevistas em Agosto.

Óbito | Ho Iat Seng expressa condolências à família de Li Keqiang

O Chefe do Executivo da RAEM expressou condolências pela morte do ex-primeiro-ministro Li Keqiang e destacou o papel significativo que desempenhou para o desenvolvimento nacional e a atenção que sempre prestou ao bem-estar da população de Macau. Em 2016, Li visitou o território e presidiu à conferência ministerial do Fórum Macau

 

O antigo primeiro-ministro Li Keqiang morreu na sexta-feira em Xangai vítima de um ataque cardíaco súbito. No sábado, o Chefe do Executivo da RAEM expressou “profundas condolências à família” do ex-governante chinês. Em declarações à comunicação social, Ho Iat Seng realçou a capacidade de liderança de Li Keqiang, assim como o “extraordinário contributo para o partido, para o desenvolvimento económico e a melhoria do bem-estar do povo”.

O Chefe do Executivo não esqueceu a atenção que o ex-primeiro-ministro dedicou a Macau durante os seus mandatos, e a forma como procurou sempre compreender e ajudar o desenvolvimento de Macau e o bem-estar da sua população. “Li Keqiang apoiou fortemente o Executivo da RAEM na governação de acordo com a lei, na aplicação bem-sucedida do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ com características de Macau, no desenvolvimento económico e na melhoria do bem-estar da população”, acrescentou o governante local.

Ho Iat Seng vincou ainda que o falecimento de Li Keqiang “é uma enorme perda para o partido e o país”, e que será para sempre recordado pelo contributo que deu para o desenvolvimento nacional e para o bem-estar do povo chinês.

Impulso à plataforma

Em Outubro de 2016, Li Keqiang visitou Macau enquanto primeiro-ministro da República Popular da China. Durante a estadia no território, presidiu à 5.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP) e traçou o rumo da RAEM e do Fórum Macau num discurso que haveria de reforçar o propósito da instituição.

O governante descreveu Macau como “uma ponte intangível” entre a China e os países de língua portuguesa. “Esta (ligação invisível entre China, Macau e PLP) é uma ponte transoceânica ainda maior, porque liga línguas e culturas e por isso tem um carácter único. (…) O Governo Central apoia totalmente a cooperação entre a China e os PLP através desta grande plataforma que é a RAEM”, afirmou Li Keqiang.

Além de apontar os futuros desígnios da RAEM, o primeiro-ministro indicou que o Governo Central iria implementar um conjunto de 18 medidas destinadas a estreitar laços institucionais, económicos e culturais entre a China e os PLP, com Macau no centro.

Numa visita com uma agenda carregada de simbolismo e importância, Li assistiu a uma apresentação sobre o projecto de construção da ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau, inaugurou o edifício do complexo do Fórum Macau e ainda teve tempo para visitar as Ruínas de São Paulo.

Morte de Li Keqiang enluta nação chinesa | “A prioridade deve ser as pessoas”

Talvez por ter proferido frases como estas, Li Keqiang está a ser celebrado pelo povo chinês que reconhece as qualidades que exibiu enquanto governante, nomeadamente a sua capacidade de trabalho, defesa das reformas económicas e extraordinária aposta no desenvolvimento científico, que terá valido à China o seu primeiro Nobel da Medicina

 

O ex-primeiro-ministro chinês Li Keqiang morreu na sexta-feira passada, aos 68 anos, de ataque cardíaco. Li, que ocupou o cargo de primeiro-ministro entre 2012 e Março deste ano, sofreu um ataque cardíaco na quinta-feira e, “apesar de todos os esforços para o salvar, morreu às 00:10 de 27 de outubro “, informou a emissora CCTV.

O Governo chinês expressou as suas “profundas condolências”. “Expressamos as nossas profundas condolências pela morte do camarada Li Keqiang na sequência de um ataque cardíaco súbito”, declarou Mao Ning, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em conferência de imprensa regular.

Nas redes sociais chinesas, as palavras-chave relacionadas com a morte de Li só na Weibo tiveram mais de mil milhões de visualizações em apenas algumas horas. Nas partilhas sobre Li, o ícone para “gosto” foi transformado numa margarida, uma flor comum nos funerais chineses, e muitos internautas escreveram “descansa em paz”. Outros consideraram a sua morte uma perda, afirmando que Li trabalhou arduamente e contribuiu muito para o país.

Likonomics em acção

Nenhum primeiro-ministro chinês antes dele apresentara no currículo uma licenciatura em Direito e um doutoramento em Economia, ambos pela Universidade de Pequim. Li começou por assumir a missão de corrigir o desequilíbrio económico causado pela implementação de um pacote de estímulo de 4 biliões de yuans (572 mil milhões de dólares) em 2008, utilizado pelo seu antecessor numa tentativa de gerir a crise financeira mundial.

Também por isso, Li Keqiang tem sido recordado positivamente pelas suas tácticas económicas, conhecidas como “Likonomics”, que incluíam esforços de desalavancagem, reformas estruturais e estímulos moderados. Enquanto primeiro-ministro, de 2013 a 2013, Li enfrentou muito mais desafios do que os seus antecessores, incluindo um ambiente externo hostil, a resistência de grupos de interesses e condições político-sociais complexas.

Abordável e pragmático, Li conduziu a segunda maior economia do mundo através de um período difícil durante a sua década como primeiro-ministro, fazendo um esforço incansável para reformas orientadas para o mercado, procedimentos governamentais simplificados e um melhor ambiente de negócios para empresas privadas e estrangeiras.

No ano em que Li tomou posse como primeiro-ministro, Pequim aprovou o histórico documento de reforma, que prometia deixar o mercado desempenhar um papel decisivo na afectação de recursos e que descrevia em pormenor o roteiro da reforma.

A economia continuou a expandir-se, apesar de um ritmo mais lento de uma média de 5 a 6 por cento na última década, aproximando-se do limiar de um país de elevado rendimento. No seu discurso no Congresso Nacional do Povo, em Março de 2022, prometeu que “a política de abertura da China não mudaria, tal como o curso dos rios Yangtze e Amarelo não será invertido”.

Segundo a Xinhua, “Li tomou medidas para manter o crescimento económico estável, realizar reformas, promover o ajustamento estrutural, melhorar os meios de subsistência das pessoas, prevenir riscos e manter a estabilidade. Esforçou-se activamente para expandir a procura interna efectiva, manter os principais indicadores económicos dentro de um intervalo adequado e basear-se na inovação para optimizar e melhorar as estruturas industriais”.

Além disso, ainda segundo a Xinhua, “avançou sistematicamente com reformas para desenvolver a economia socialista de mercado, estabelecendo um equilíbrio adequado entre o governo e o mercado. Isto permitiu que o mercado desempenhasse um papel decisivo na afectação dos recursos e que o governo desempenhasse melhor o seu papel, promovendo assim um mercado eficiente e um governo funcional”.

Tempos difíceis

No entanto, algumas das suas políticas foram abandonadas à medida que a segunda maior economia do mundo tem vindo a inclinar-se mais para a segurança desde o início do segundo mandato de Xi em 2018, uma vez que o presidente deu prioridade à luta contra a corrupção, à protecção do ambiente, à segurança nacional e ao controlo do coronavírus, por vezes em detrimento do desenvolvimento económico.

Pequim também teve de lidar com a guerra comercial lançada pela administração Trump, que levou a China a adoptar a chamada estratégia de dupla circulação, confiando mais no mercado interno e na tecnologia para o crescimento, sob restrições dos EUA.

“Os acontecimentos fizeram descarrilar parte da agenda [de Li] nos últimos 10 anos, mas o seu pensamento ainda é muito relevante hoje”, disse Bert Hofman, director do Instituto da Ásia Oriental da Universidade Nacional de Singapura. “Li sempre me pareceu muito empenhado no desenvolvimento da China, intelectualmente curioso, com um conhecimento muito sofisticado da economia chinesa e da forma como a China poderia aprender com as boas práticas internacionais em matéria de gestão económica”.

Victor Gao, vice-presidente do Centro para a China e Globalização em Pequim, disse que Li também pressionou “muito” pela inovação tecnológica e “enfatizou” o crescimento da fintech, permitindo que as empresas utilizassem toda a extensão da lei. “A sua ênfase no Estado de Direito foi muito importante”, afirmou. “Penso que continuaremos a avançar na direcção que ele definiu para toda a nação”.

A importância de ser sincero

Li também se dedicou a delegar mais poderes de Pequim, reduzindo as aprovações governamentais e reforçando o ambiente empresarial. O fundador da Mei KTV, Wu Hai, escreveu uma carta aberta em 2015 criticando o ambiente empresarial da China, acabando por receber uma resposta directa de Li. “A carta que escrevi foi impressa e estudada dentro do governo e amplamente discutida nos meios de comunicação estatais, o que desencadeou um clímax de melhoria do ambiente empresarial na altura”, disse Wu, que descreveu Li como um “líder muito admirável” com um “grande coração”.

Antes de se tornar primeiro-ministro, Li era conhecido pelo seu chamado índice Li Keqiang, que adoptava uma combinação de indicadores – incluindo o volume de carga dos caminhos-de-ferro, o consumo de eletricidade e os empréstimos bancários – para medir o pulso à economia chinesa.

Durante a pandemia do coronavírus, Li fez várias avaliações honestas da situação económica que ressoaram junto do público em geral, ao mesmo tempo que se comprometeu a estabilizar a economia. Em Maio de 2020, afirmou que a China tinha 600 milhões de pessoas com um rendimento mensal de 1000 yuan (137 dólares), uma afirmação surpreendente que divergia dos dados oficiais publicados anteriormente. “É apenas o suficiente para cobrir a renda mensal numa cidade chinesa de média dimensão. Agora estamos a enfrentar uma pandemia. Depois da pandemia, a prioridade deve ser a subsistência das pessoas”, disse Li em Pequim, na altura.

Segundo a Xinhua, “para melhorar o bem-estar da população, Li dedicou esforços para resolver questões importantes no domínio do emprego, da educação, da habitação, dos cuidados de saúde e dos cuidados aos idosos”.

A ciência como factor de desenvolvimento

Li Keqiang ficou também conhecido pelo seu apoio à investigação científica, para apoiar o crescimento nacional. No final de Fevereiro, semanas antes de se reformar, Li discutia a importância da investigação com o matemático chinês de renome mundial Yau Shing-Tung, que se reformou de Harvard no ano passado para ensinar a tempo inteiro na Universidade de Tsinghua, com “o objectivo de ajudar a China a tornar-se uma potência matemática dentro de uma década”. “Li acreditava que a inovação e o desenvolvimento da ciência e da tecnologia requerem o apoio fundamental da ciência básica, cuja base é a matemática, a que chamou a coroa da ciência natural”, segundo a Xinhua.

O apoio de Li à comunidade científica remonta ao seu tempo de vice-primeiro-ministro, de 2008 a 2013. Liu Dunyi, director fundador do Centro de Micro Sondas de Iões Sensíveis de Alta Resolução (SHRIMP) de Pequim, especializado na datação de rochas, incluindo o solo lunar, recordou a visita de Li ao laboratório em Agosto de 2009. “Li foi o único líder nacional que o nosso laboratório tinha recebido.

Fui incumbido de lhe apresentar o nosso laboratório. Ele ouviu-me e fez muitas perguntas aos outros colegas”, disse Liu, acrescentando que Li também falou com cientistas de topo sobre as alterações climáticas. “Antes de se ir embora, encorajou-nos a trabalhar arduamente para fazer avançar a ciência e a tecnologia no nosso país e reconheceu os nossos esforços”. “Foi o antigo primeiro-ministro que impulsionou o aumento do financiamento, do espaço no campus e do recrutamento para a Academia Chinesa de Ciências Geológicas”, disse ainda Liu.

Mais dinheiro para o saber

Durante o mandato de uma década de Li como primeiro-ministro, a partir de 2013, as despesas de investigação e desenvolvimento da China aumentaram de 1 bilião de yuan, ou seja, menos de 2 por cento do seu produto interno bruto (PIB) de 2012, para mais de 3,08 biliões de yuan ou 2,54 por cento do PIB em 2022. A China também gastou um recorde de 202 mil milhões de yuans em investigação fundamental no ano passado, ocupando o segundo lugar a nível mundial, a seguir aos Estados Unidos.

Um ano depois de assumir o cargo de primeiro-ministro e principal responsável económico da China, Li convidou Marcia McNutt, na altura editora-chefe da revista Science, para uma reunião em Pequim. “O facto do primeiro-ministro chinês querer reunir-se comigo enviou fortes sinais de como a China está a encarar a ciência como fundamental para o seu bem-estar futuro”, escreveu McNutt, geofísica, num editorial para a Science intitulado “Li and Me”, contando o encontro que tiveram em 2014.

O encontro de meia-hora acabou por durar 70 minutos e abordou questões que vão desde o programa espacial chinês, as alterações climáticas e a protecção ambiental, até à educação e à cooperação científica internacional, disse McNutt, que é actualmente presidente da Academia Nacional das Ciências dos EUA. “A investigação científica atingiu o estatuto de estrela de rock na China”, escreveu. “Se o resultado a longo prazo for que os jovens mais talentosos da China se tornem investigadores para encontrar soluções ambientais, todos ganharemos”.

Numa nota de acompanhamento, também publicada na mesma edição da Science, Li afirmou que “o desenvolvimento das energias renováveis e a conservação da energia e dos recursos podem contribuir para o crescimento do PIB, preservando o ambiente”. McNutt disse que ficou “muito impressionada com o seu domínio do inglês, ao ponto de corrigir o tradutor, e com o seu fascínio pela ciência”, disse. “Admirava a relação estreita que o Primeiro-Ministro Li mantinha com Bai Chunli, o presidente da Academia Chinesa das Ciências (CAS). Foi essa relação que fez com que a ciência chinesa se tornasse o sistema de classe mundial que é hoje”.

Li afirmou em 2015 que “a profundidade da investigação científica fundamental determina a vitalidade da inovação de um país”. Durante uma visita ao Instituto de Física do CAS nesse ano, Li encorajou os cientistas a prosseguirem uma investigação mais original, apelando a que transformassem “Made in China” em “Created in China”.

Em 2016, disse numa conferência nacional que, apesar das pressões financeiras, o investimento público em investigação científica não podia ser reduzido, apelando a que fosse aumentado.

No Fórum Económico Mundial de 2014, em Tianjin, Li promoveu pela primeira vez a sua campanha de empreendedorismo e inovação em massa. Os governos locais a todos os níveis aderiram – subsidiando incubadoras e parques de inovação, e criando fundos de capital de risco para permitir que as “microempresas” prosperassem na sua jurisdição. “Li desempenhou um papel fundamental na promoção da transferência de tecnologia e no fomento do empreendedorismo. Políticas como a de permitir que os cientistas lancem uma start-up abriram caminho para o rápido desenvolvimento da China nos últimos anos”, disse o cientista.

Nobel no topo do bolo

Li sublinhou repetidamente a importância de dar mais autonomia aos investigadores e de reduzir a burocracia administrativa, especialmente no que diz respeito ao financiamento. “Li concentrou-se mais na forma como a ciência e a tecnologia poderiam servir o desenvolvimento económico e social”, disse outro cientista do CAS.

Enquanto primeiro-ministro chinês, Li partilhou a emoção da comunidade científica quando Tu Youyou ganhou o primeiro Prémio Nobel da Medicina da China, em 2015, pelo seu trabalho sobre o medicamento anti-malária artemisinina, baseado na antiga medicina herbal chinesa. “O prémio de Tu é um reflexo do progresso da China em ciência e tecnologia e da enorme contribuição da medicina tradicional chinesa para a saúde humana, mostrando o crescente poder nacional e a influência internacional da China”, escreveu Li numa carta de felicitações à Academia de Ciências Médicas Chinesas, onde trabalha Tu Youyou.

O partido e a glória

Segundo a Xinhua, uma nota fúnebre, emitida conjuntamente pelo Comité Central do PCC, pela Comissão Permanente do Congresso Nacional do Povo (CNP), pelo Conselho de Estado e pela Comissão Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, refere que “Li foi um excelente membro do Partido Comunista Chinês, um soldado comunista leal e de longa data e um revolucionário proletário excepcional, estadista e líder do Partido e do Estado”.

Depois de se reformar do cargo de liderança, “Li continuou a defender firmemente a liderança do Comité Central do PCC, o papel central do camarada Xi Jinping, a preocupar-se com o avanço da causa do Partido e do país, e a defender firmemente os esforços do Partido para melhorar a conduta, construir a integridade e combater a corrupção. A vida de Li foi uma vida revolucionária, laboriosa e gloriosa, dedicada a servir de todo o coração o povo e a causa comunista”, refere a nota obituária, acrescentando que a sua morte é uma grande perda para o Partido e o Estado. “Glória eterna ao camarada Li Keqiang!”, conclui a nota obituária.

 

Uma vida…

Julho de 1955 Li Keqiang nasce em Dingyuan, província de Anhui, no leste da China.

Março de 1974 Entra parta a Brigada de Dongling, comuna de Damiao, condado de Fengyang, em Anhui, como jovem instrutor.

Maio de 1976 Torna-se membro do PCC.

1976-1978 Chefe do Partido na Brigada Damiao.

Março de 1978 e Fevereiro de 1982 Li estuda no Departamento de Direito da Universidade de Pequim entre, onde foi director da União dos Estudantes.

Após Fevereiro de 1982 Li foi sucessivamente secretário do Comité da Universidade de Pequim da Liga da Juventude Comunista da China (CYLC), membro do Comité Permanente do Comité Central da CYLC, director do Departamento Escolar do Comité Central da CYLC e secretário-geral da Federação dos Estudantes de Toda a China, membro suplente do Secretariado do Comité Central da CYLC, membro do Secretariado do Comité Central da CYLC e vice-presidente da Federação da Juventude de Toda a China, e chefe do Comité de Trabalho Nacional dos Jovens Pioneiros Chineses.

Março de 1993 Desempenha as funções de primeiro membro do Secretariado do Comité Central do CYLC, presidente da Universidade Juvenil de Estudos Políticos da China e membro do Comité Permanente do 8º CNP.

Após Junho de 1998 Li foi sucessivamente secretário-adjunto do Comité Provincial de Henan do PCC, governador interino de Henan e, mais tarde, governador de Henan; secretário do Comité Provincial de Henan do PCC e governador de Henan; e secretário do Comité Provincial de Henan do PCC e presidente do comité permanente do Congresso Popular Provincial de Henan.

Dezembro de 2004 Secretário do Comité Provincial de Liaoning do PCC e, mais tarde, simultaneamente, presidente do comité permanente do Congresso Popular Provincial de Liaoning.

Outubro de 2007  Eleito membro do Bureau Político do Comité Central do PCC e da sua comissão permanente.

Março de 2008 Nomeado Vice-Primeiro-Ministro do Conselho de Estado e desempenhou as funções de Secretário-Adjunto do seu Grupo de Líderes do Partido. Foi responsável pelo trabalho quotidiano do Conselho de Estado. Ajudou a responder à crise financeira internacional, a acelerar a reestruturação económica, a aprofundar a aplicação da estratégia de desenvolvimento regional coordenado, a promover a conservação de energia, a redução das emissões e a protecção do ambiente, e a promover a reforma dos sistemas médico e de saúde.

Novembro de 2012 Reeleito membro do Bureau Político do Comité Central do PCC e da sua comissão permanente.

Março de 2013 Nomeado Primeiro-Ministro do Conselho de Estado.

Outubro de 2017 Reeleito membro do Bureau Político do Comité Central do PCC e da sua comissão permanente.

Março de 2018 Reconduzido no cargo de primeiro-ministro do Conselho de Estado.

Março de 2023  Li deixa de ser o primeiro-ministro.

27 de Outubro Li Keqiang morre devido a um súbito ataque cardíaco.

Gaza | ONU alerta que “nenhum lugar é seguro

A coordenadora dos assuntos humanitários da ONU para os territórios palestinianos alertou ontem que “nenhum lugar é seguro em Gaza” devido aos bombardeamentos israelitas no território desde o início da guerra com o Hamas.

Lynn Hastings afirmou em comunicado que os “avisos prévios” emitidos pelo exército israelita para que as pessoas se retirem das zonas que pretende atingir “não fazem qualquer diferença”. “Nenhum sítio é seguro em Gaza”, afirmou Hastings, citada pela agência francesa AFP.

A guerra foi desencadeada por um ataque do Hamas em Israel em 07 de Outubro, que as autoridades israelitas dizem ter causado mais de 1.400 mortos. Israel prometeu aniquilar o grupo islamita palestiniano e, desde então, tem bombardeado a Faixa de Gaza, com um saldo de mais de 6.500 mortos, segundo o Hamas.

Hasting disse que o exército israelita “continua a avisar os habitantes da cidade de Gaza de que aqueles que permanecem em casa estão a colocar-se em perigo”. Referiu que, em alguns casos, a notificação do exército israelita] “encoraja as pessoas a irem para uma zona humanitária em Al-Mawasi”, situada a oeste da cidade de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza.

“Para as pessoas que não podem fugir, porque não têm para onde ir ou não podem deslocar-se, os avisos precoces não fazem qualquer diferença”, disse a coordenadora da ONU. Hastings lamentou que as pessoas tenham de enfrentar escolhas impossíveis “quando as rotas de evacuação são bombardeadas, (…) quando faltam os bens essenciais à sobrevivência e quando não há garantias de regresso”.

Empreendorismo | Finalistas do “929 Challenge” conhecidos amanhã

É já amanhã que serão conhecidos os finalistas do concurso “929 Challenge”, ligado à área das startups e do empreendedorismo, decorrendo a cerimónia no complexo do Fórum Macau. Alexandre Leitão, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, e Kevin Ho, director-geral da KNJ Investments, serão algumas das personalidades presentes. Segundo um comunicado, a edição deste ano contou com mais de 280 equipas de nove países de língua portuguesa e da China e um total de 1.520 participantes.

Durante três semanas decorreram mais de 160 sessões de mentoria a quem deseja fundar a sua primeira startup ou desenvolver um projecto empresarial jovem. A ideia do “929 Challenge” é “dinamizar oportunidades de negócios entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, tendo decorrido com duas categorias, “startups” e “universidades”. Na categoria “startups”, encontram-se os projectos “Bayqi”, de Angola, “Easy Pay”, de Cabo Verde, “Sichuan Mingyi Technology Co. Ltd”, da China, “Maktub”, de Moçambique, “Bedev”, “Fykia”, “Glooma” e “Sea4Us”, de Portugal.

Na categoria “universidades”, destaca-se o projecto “Ilha Verde”, da Universidade de Macau ou “Gastrobiotics” da Universidade de Shenzhen, num total de oito finalistas. Estão incluídos prémios no valor global de 180 mil patacas para os vencedores, incluindo 40 mil patacas para serviços e ferramentas proporcionados pelo grupo Alibaba, parceiro do evento.

Tráfico humano | Governo expressa indignação após ser alvo de sanções dos EUA

O Governo de Macau expressou ontem “forte indignação e firme oposição” após os Estados Unidos terem decretado sanções por falhas na luta contra o tráfico humano.

“A respectiva determinação por parte dos EUA foi emitida sem o conhecimento total das informações, à luz de dados irreais e com base em informações incorretas sobre Macau do dito Relatório sobre o Tráfico de Pessoas, (…) numa tentativa de desencadear confusão na sociedade internacional, postergar os esforços envidados e os contributos desde sempre dados no âmbito da prevenção e do combate ao tráfico de pessoas”, defendeu em comunicado divulgado pelo gabinete do secretário para a Segurança.

Na mesma nota salienta-se que “o trabalho de prevenção e combate ao crime de tráfico de pessoas em Macau tem sido eficazmente realizado com o apoio das autoridades centrais, (…) nunca tendo havido lugar à dependência e ajuda, nem sido recebido financiamento relevante ou qualquer forma de apoio por parte dos EUA”.

O Governo de Macau sustentou ainda que “o crime do tráfico de pessoas tem mantido sempre uma baixa percentagem ou uma percentagem quase nula na sociedade”, que tem adoptado estratégias internacionais e realizado com sucesso “trabalhos relacionados com a prevenção e combate ao tráfico de pessoas e com a prestação de apoio às vítimas, (…) empenhando todos os esforços na eliminação deste perigo público mundial”.

Anúncio americano

Os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira sanções a vários territórios, entre os quais Macau, com as sanções por incumprimento com os padrões da Lei de Proteção às Vítimas do Tráfico Humano a entrarem em vigor no próximo ano, de acordo com um decreto assinado pelo Presidente norte-americano, Joe Biden, datado de 29 de Setembro.

As sanções dos Estados Unidos a Macau aplicam-se à “ajuda não humanitária e não relacionada com o comércio”, mas também não permitem financiamento para a participação em programas de intercâmbio educativo e cultural, a não ser que promova a luta contra o tráfico de pessoas ou seja do interesse nacional norte-americano.

Determina-se, contudo, que as sanções vão vigorar até que esses governos “cumpram as normas mínimas (…) ou envidem esforços significativos”, pode ler-se no decreto.

No caso de Macau, Joe Biden deu ainda instruções aos responsáveis norte-americanos nos bancos de desenvolvimento e no Fundo Monetário Internacional (FMI) a “votar contra e a envidar todos os esforços para recusar qualquer empréstimo ou outra utilização dos fundos da respectiva instituição”. A determinação, contudo, elenca excepções.

Por um lado, quando estiver em causa ajuda humanitária ou relacionada com o comércio, bem como à assistência ao desenvolvimento que responda diretamente às necessidades humanas básicas, desde que não seja administrada ou beneficie o governo de Macau. Por outro, quando essa ajuda possuir, também aqui, potencial para promover a luta contra o tráfico humano ou for do interesse nacional dos Estados Unidos.

Macau encontra-se na ‘lista negra’ dos EUA de territórios com medidas insuficientes para travar o tráfico de pessoas, situando-se no nível três, numa avaliação em que o nível quatro é o mais baixo.

Os EUA calculam que cerca de 27 milhões de pessoas no mundo são vítimas de tráfico humano e trabalhos forçados, um fenómeno que atinge sobretudo mulheres, pessoas da comunidade LGBT (sigla para lésbicas, ‘gays’, bissexuais e transgénero) e minorias étnicas e religiosas.

Escolhas irracionais

Sun Tzu, um estratega militar da antiga China, declarou explicitamente no primeiro capítulo da sua grande obra “A Arte da Guerra”, intitulado “Planos de Avaliação”, que a guerra é uma questão de vida ou de morte. A decisão de entrar em confronto directo deve ser cuidadosamente ponderada, bem como devem ser avaliados os factores que podem determinar a vitória ou a derrota, a estratégia, a capacidade de combate do exército e a qualidade e quantidade do material bélico.

A Faixa de Gaza é uma zona densamente povoada que depende de Israel para o abastecimento de água, electricidade e combustíveis. A capacidade militar do Hamas é muito inferior à de Israel. Por isso, quando ocorre um conflito de larga escala entre ambos, os palestinianos que vivem em Gaza vão sofrer inevitavelmente. A 7 de Outubro, quando os militantes do Hamas atacaram Israel, deveriam ter tido uma consciência muito clara dos prós e contras desse acto. Eles também sabiam que Israel iria retaliar sem piedade, exigindo “Olho por olho, dente por dente”. Mas independentemente das razões que motivam o actual conflito israelo- palestiniano, se os líderes se preocuparem com o bem-estar dos seus povos, têm de tomar decisões mais racionais!

Quando o romancista japonês Haruki Murakami recebeu o Prémio Jerusalém para a Liberdade do Indivíduo na Sociedade de Israel em 2009, fez um discurso sobre o tema “Sempre do lado do ovo”, que transmitia a seguinte mensagem, “Somos todos seres humanos, indivíduos que transcendem a nacionalidade, a raça e a religião, e somos todos frágeis ovos confrontados com uma parede sólida chamada ‘O Sistema’.” Murakami acreditava que para abrir fendas no “Sistema”, “temos de usar a nossa crença na absoluta singularidade das nossas almas e procurar o conforto de nos advém da união com o próximo”.

Antes de o exército israelita entrar em Gaza para aniquilar o Hamas, muitos países esforçaram-se para mediar o conflito. O Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, apelou a um cessar-fogo imediato e ao fim da guerra e o Presidente americano Joe Biden propôs que o Hamas libertasse todos os reféns e que negociasse o cessar-fogo. Enquanto os conflitos estão numa fase inicial, é importante fazer escolhas racionais.

As escolhas irracionais trazem infortúnio e as escolhas racionais trazem felicidade aos povos. Enquanto alguém que nasceu e foi criado em Macau, testemunhei dois acontecimentos significativos a este respeito.

Durante o Motim 12-3, que ocorreu em Macau a 3 de Dezembro de 1966, o governo colonial declarou a lei marcial e a guarnição portuguesa foi enviada para patrulhar a cidade e reprimir os protestos. Felizmente, o Governador de Macau, que tinha acabado de assumir funções, e Ho Yin, na altura Presidente da Associação Comercial Chinesa de Macau, trabalharam em conjunto para resolver os conflitos e as contradições sociais, para que as vidas dos residentes de Macau, e o seu bem-estar, fossem salvaguardados. O caos pode ser eliminado através do uso da força, mas não resolve os problemas. Só as escolhas racionais podem levar as pessoas a encontrar o caminho para a felicidade.

Outro acontecimento impressionante ocorreu em 1974, depois da Revolução dos Cravos em Portugal. O novo Governo anunciou a descolonização de todos os territórios ultramarinos, e Macau, que à data era uma província portuguesas, não foi excepção. Do ponto de vista da China, era com grande alegria que via regressar de imediato a cidade à sua administração. Mas considerando que a questão de Hong Kong ainda não estava resolvida e a situação no seu todo, os líderes chineses da época decidiram adiar o regresso de Macau à soberania chinesa. Os factos provaram que depois da assinatura da Declaração Conjunta Sino-Britânica e da Declaração Conjunta Sino-Portuguesa, o regresso de Hong Kong e de Macau à China correu sem problemas. Querendo com isto dizer, que a resolução dos problemas políticos requer sabedoria política.

Afinal de contas, as escolhas irracionais apenas comprometem a segurança regional e nacional e ameaçam a paz mundial.

Halloween | Festas no Wynn e Albergue SCM este fim-de-semana

Macau prepara-se para celebrar o Halloween com diversos eventos espalhados pela cidade já a partir deste fim-de-semana. Um deles decorre no Albergue da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCM) amanhã e domingo, intitulando-se “The 9th Halloween Albergue SCM”, festa que decorre no pátio do Albergue do SCM entre as 17h30 e as 21h30.

No mesmo local, e nos mesmos dias, mas entre as 16h e as 19h, acontece o evento “Albergue SCM – Let’s Trick or Treat” (“Uma travessura ou um doce”) destinado aos mais pequenos e respectivas famílias. Ambas as iniciativas têm entrada gratuita e são organizadas pelo CAC – Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, tendo ainda o apoio da Fundação Macau.

Por sua vez, a operadora de jogo Wynn apresenta também uma festa de piscina para celebrar esta data festiva. Hoje e amanhã, entre as 19h e as 22h30, decorre a “Hallo Wynn Party” junto à piscina do Wynn Macau, com bilhetes que começam nas 488 patacas.

Segundo um comunicado, espera-se um buffet com iguarias típicas do Halloween, ou seja, com muitas abóboras e imagens assustadoras, podendo o público integrar-se num ambiente com uma “decoração assombrosa inspirada nos castelos europeus” e com “bruxas malvadas, abóboras carnudas, morcegos assustadores e rosas negras”.

Espera-se ainda uma festa com “espectáculos de dança com fogo e outros divertidos espectáculos teatrais, com personagens vestidas com fatos horripilantes que se vão misturar no meio da multidão”, descreve a Wynn, em comunicado.

FIMM | Fadista Gisela João actua amanhã

É já amanhã que actua no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) a fadista portuguesa Gisela João, apresentando o concerto “AuRora”, onde se explorará “a essência do Fado, permitindo ao público desfrutar de uma experiência vocal repleta dos mais diversos sabores da vida”, descreve o Instituto Cultural (IC). O espectáculo integra o cartaz do XXXV Festival Internacional de Música de Macau (FIMM), que está prestes a chegar ao fim.

Hoje, com repetição amanhã, acontece o espectáculo com Teodor Currentzis e a sua orquestra “musicAeterna” no grande auditório do CCM. Serão tocadas as composições clássicas de Rimsky-Korsakov, Rachmaninoff e Prokofiev.

Amanhã e domingo acontece, na Casa do Mandarim, o espectáculo de fusão “Canção do Ch’in”, com o intérprete de guqin, Chen Leiji, que se une a um grupo de músicos da Câmara da Orquestra do CNAC da China, apresentando-se instrumentos de corda chineses e ocidentais.

O FIMM termina segunda-feira com “Ecos da Vida”, um espectáculo criado pela jovem pianista germano-nipónica Alice Sara Ott e pelo arquitecto internacionalmente premiado Hakan Demirel, que acontece no grande auditório do CCM. Apresenta-se um recital de Alice Sara Ott e instalações de vídeo concebidas por Hakan Demirel em torno dos 24 prelúdios de Chopin.

Concerto de guitarrista Kris Nandharaj amanhã na FRC

Acontece amanhã, a partir das 21h, na Fundação Rui Cunha (FRC), o concerto com o guitarrista tailandês Kris Nandharaj, que integra o ciclo “Meet the Masters” da iniciativa “Saturday Night Jazz”, que a FRC apresenta regularmente aos sábados. Segundo um comunicado da FRC, Kris Nandharaj é também compositor e professor de música no Departamento de Jazz da Universidade Silpakorn em Banguecoque, actuando em Macau ao lado da banda residente da Associação de Promoção do Jazz de Macau (MJPA).

O guitarrista é especializado em jazz moderno, tendo uma sólida formação em jazz tradicional. Kris Nandharaj começou a estudar guitarra aos 15 anos por influência do rock, formando-se em Jazz pela Universidade Silpakorn de Banguecoque em 2004. Depois da formação académica trabalhou como professor e começou a tocar em diversas bandas na Tailândia. Em 2006, o músico mudou-se para Nova Iorque, tendo estudado, a partir de 2008, Música e Artes Performativas na New York Steinhardt University. Aí “teve a oportunidade de praticar guitarra jazz com muitos artistas famosos de classe mundial”, revela um comunicado da FRC.

O guitarrista fez ainda um mestrado em Música e Performance de Jazz em 2010, ano em que se tornou instrutor de guitarra na Universidade de Nova Iorque (NYU) e passou a tocar em espectáculos e festivais de Nova Iorque, Boston e Washington D.C.

Percurso de sucesso

O artista regressou à Tailândia em 2012, onde tem feito um percurso profissional de sucesso, como professor e artista. Além de ter publicado um álbum instrumental de jazz em 2020, intitulado “Kris Nandharaj Quartet Plus One: West Side Story”, tocou e gravou com diversas bandas como os Mellow Motif, um grupo de jazz tailandês, os Bomi’s Homies, uma banda de jazz coreana, os The Begins Grand, a banda de apoio nos programas televisivos The Voice Tailândia e The Voice Kids, Big to the Future, uma banda holandesa de swing jazz. Kris Nandharaj teve ainda participações pontuais em bandas de jazz, pop-funk e ska-reggae tailandesas.

O ciclo de espectáculos “Meet the Masters” é promovida anualmente pela MJPA, apresentando músicos profissionais radicados ou de passagem pelo território. Realiza-se desde 2014 e é uma das actividades de longo prazo da MJPA, tendo já sido convidados inúmeros músicos profissionais a Macau para ensaiar com os membros e actuar em conjunto para o público local.

A MJPA, co-organizadora do Saturday Night Jazz com a FRC desde 2014, é uma associação artística local sem fins lucrativos, criada em 2010. O objectivo da MJPA é promover a música jazz junto do público de Macau e proporcionar oportunidades aos músicos locais, realçando assim a característica multicultural do território.

Lusofonia | Nova edição do Festival arranca hoje às 19h30

Carlão, antigo integrante do grupo português de hip-hop Da Weasel, é um dos grandes nomes do cartaz de mais uma edição do festival da Lusofonia, actuando amanhã nas Casas Museu da Taipa. Este é o regresso de uma das festas mais populares e representativa da multiculturalidade de Macau após o período da pandemia, contando com os habituais postos de venda das associações locais

 

Arranca hoje mais uma edição do Festival da Lusofonia, que habitualmente acontece na Taipa, nomeadamente nas Casas-Museu, Jardim Municipal, Largo do Carmo e Auditório do Carmo e que junta anualmente as mais diversas culturas que habitam Macau, com destaque para a matriz lusófona. O cartaz deste ano é marcado pela presença do músico português Carlão, ex-integrante do grupo Da Weasel, ligado ao hip-hop, que actua amanhã.

Com inúmeras actividades ligadas ao artesanato, cultura e gastronomia organizadas por dezenas de associações locais, os espectáculos começam hoje no Largo do Carmo às 19h30, prolongando-se até às 22h. Destaque para as actuações de artistas locais, nomeadamente Rita Portela, voz do jazz e do fado, Lulu Tavares, o saxofonista Paulo Pereira, Fabrizio Croce, Daniela da Silva, Jandira Silva, um grupo de música popular portuguesa, a banda Janmed e os Goa Groovie Band. Entre as 19h45 e as 22h, decorre ainda, no anfiteatro das Casas Museu da Taipa, actuações de Betchy Barros e o grupo Fogo Fogo, de Cabo Verde.

Amanhã, entre as 16h e as 23h, no anfiteatro das Casas Museu da Taipa, decorrem diversas actuações, nomeadamente de Carlão, do grupo folclórico infantil da Escola Portuguesa de Macau ou do Grupo Axê Capoeira do mestre Eddy Murphy. Destaque ainda para os concertos da banda Concrete/Lotus, formada por Kelsey Wilhem e Joana de Freitas, ou ainda do grupo João Gomes e Banda.

Das 19h30 às 22h, no Largo do Carmo, haverá mais música com diversos artistas como Fabrizio Croce, Giulliana Fellini e João Mascarenhas, Banda Janmed e Betchy Barros.

The Bridge e amigos

Domingo, último dia do festival, é tempo de fechar mais uma edição de um dos eventos mais populares do território com música. Os espectáculos no anfiteatro das Casas Museu da Taipa começam logo às 16h e 22h, sendo protagonizados por vários artistas, tal como o Elvis de Macau, banda Top Riff, Banda Inova, os The Bridge ou o grupo Fado Oriente.

Das 19h30 às 22h, desta vez no Largo do Carmo, acontecem os espectáculos de bandas ou músicos que actuaram nos dias anteriores, nomeadamente os Concrete/Lotus, Daniela da Silva, Giuliana Fellini e João Mascarenhas ou Benjamim Soares.

GPMacau | Poucos pilotos de matriz lusófona na 70.ª edição

Apesar do Grande Prémio de Macau ter um número superior de corridas e de participantes este ano, dado que as celebrações do 70.º aniversário se prolongam em dois fins de semana de corridas, o contingente de pilotos de matriz lusófona no Grande Prémio de Macau é o mais pequeno de sempre desde o início dos anos 1980

 

“São poucos mas bons”, mas são apenas cinco os pilotos de matriz lusófona da RAEM que irão alinhar nas onze corridas do Grande Prémio. A Taça de Carros de Turismo de Macau – China Touring Car Championship conta com a presença de André Couto e Filipe Souza, sendo que este último já afirmou publicamente que esta será a última vez que disputa o evento enquanto piloto, dado que já cumpriu o seu objectivo de vencer a Corrida da Guia.

Ainda nas corridas de Turismo, Jerónimo Badaraco vai alinhar na TCR Asia Challenge, e caso termine nos oito melhores classificados ainda poderá participar no segundo fim de semana na Corrida da Guia Macau – TCR World Tour, ao passo que Rui Valente tem presença confirmada no Desafio do 70.º Aniversário do Grande Prémio de Macau, uma corrida que acolhe os carros do novo troféu bimarca Toyota/Subaru.

Num ano de muitas ausências, e um pouco contra a corrente, o jovem Tiago Rodrigues, o actual líder do Campeonato da China de Fórmula 4, vai estrear-se no evento na Corrida de Fórmula 4 de Macau, a prova principal do primeiro fim de semana do evento.

Ausências várias

De fora ficarão muitas caras conhecidas do desporto motorizado local, principalmente pelas dificuldades em colocar projectos de pé. Junio Pereira, que se tinha estreado em 2021 nestas andanças, já tinha revelado ao HM no início do ano que dificilmente iria competir este ano. Depois de ter subido ao pódio na Corrida Macau Roadsport Challenge em 2022, Sabino Osório Lei confirmou que não conseguiu concretizar os seus planos de correr este ano, enquanto Delfim Medonça Choi também teve a mesma sorte, ele que estava apostado em correr na TCR Asia Challenge.

Por motivos pessoais, Célio Alves Dias estava fora de Macau quando foram disputadas as corridas de qualificação do AAMC, e assim, ficou impossibilitado de alinhar nas provas de qualificação da Corrida Macau Roadsport Challenge. Luciano Lameiras, outro piloto que também subiu ao pódio em Macau, e o veterano Eurico de Jesus, figuras habituais do Grande Prémio, não constam das listas de inscritos publicadas na passada quarta-feira.

Sem um programa desportivo definido para este ano, após a MG ter colocado em pausa o seu projecto no automobilismo, Rodolfo Ávila é outra das ausências notadas em pista na edição deste ano. Porém, o campeão do TCR China em 2021 terá um primeiro fim de semana bastante ocupado como chefe de equipa, visto que terá de liderar a formação de quatro carros da Asia Racing Team na Corrida de Fórmula 4 de Macau.

Nenhum de Portugal

A exemplo dos dois primeiros anos da pandemia, 2020 e 2021, não viajará nenhum piloto de Portugal para participar no evento, nem nos automóveis nem nas motas. Com oito presenças no Grande Prémio de Motos de Macau, incluindo um sétimo lugar na edição do ano passado, André Pires não foi convidado para a edição deste ano, para enorme desgosto do piloto de Vila Pouca de Aguiar. Sheridan Morais, terceiro na prova do ano, também não irá comparecer, o que colocará um ponto final a uma presença ininterrupta de pilotos portugueses na prova de motociclismo de Macau que durava desde 1986.

O HM sabe do interesse de pilotos de Portugal em participar no evento, em provas de automóveis, mas a obrigatoriedade de terem de participar em provas de qualificação no Interior da China e a tardia publicação dos regulamentos das várias corridas terão arrefecido esse interesse.

Pequim quer reforçar cooperação com a Califórnia na questão do clima

O ministro do Ambiente chinês, Huang Runqiu, afirmou ontem que a China pretende reforçar a cooperação com os Estados Unidos na luta contra as alterações climáticas, durante uma reunião com o governador da Califórnia, Gavin Newsom.

Newsom está a fazer uma visita de uma semana à China, visando promover a cooperação no âmbito da luta contra as alterações climáticas. A viagem de Newsom como governador, outrora considerada rotineira, ganhou maior relevo no âmbito das tensões crescentes entre EUA e China.

O clima é uma das poucas questões em que os dois países concordaram em trabalhar juntos. As relações entre Pequim e Washington deterioraram-se nos últimos anos, devido a uma guerra comercial e tecnológica, diferendos em questões de direitos humanos, o estatuto de Hong Kong e Taiwan ou a soberania do mar do Sul da China.

Huang disse que o seu ministério vai continuar a cumprir os acordos ao abrigo de um memorando de entendimento assinado no ano passado entre China e Califórnia, que inclui “investimentos no mercado do carbono, adaptação climática, implementação da lei ambiental e intercâmbio entre pessoas para reforçar a cooperação e ter um efeito positivo na cooperação ambiental China – EUA”.

A Califórnia é líder na regulação da poluição atmosférica e outras questões relacionadas com o clima, disse Newsom, durante o encontro.

“Mas reconhecemos os limites da liderança subnacional. Precisamos de mais parceiros. E estou aqui com esse espírito de parceria e também de humildade, reconhecendo que não temos todas as respostas”, disse o governador. Ambas as partes falaram sobre o aumento de fenómenos de clima extremo nos seus países.

Objectivo comum

Califórnia e China emitiram uma declaração na quarta-feira na qual se comprometem a trabalhar em conjunto para combater as alterações climáticas, incluindo promover o uso de energia eólica, tecnologias avançadas de armazenamento de energia e veículos com emissões zero.

Newsom foi recebido em Pequim com uma cordialidade e simpatia raramente vistas entre autoridades norte-americanas e chinesas. Na quarta-feira, reuniu-se com o líder chinês, Xi Jinping, e outros líderes de topo, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, e o vice-presidente, Han Zheng.

Newsom destacou o clima como um domínio em que ambas as partes precisam de cooperar, uma vez que está em causa a sobrevivência e o futuro da população humana. Reuniu-se ainda com o chefe da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, órgão máximo de planeamento económico do Governo chinês.

Tiangong | Pequim envia tripulação mais jovem de sempre para estação espacial

A política chinesa de desenvolvimento espacial conheceu ontem um novo capítulo com a colocação em órbita dos astronautas mais jovens de sempre. O objectivo é ter um astronauta chinês na lua até 2030

 

A China lançou ontem a tripulação mais jovem de sempre para a sua estação espacial Tiangong, em órbita, no âmbito da estratégia de enviar um astronauta chinês à Lua até 2030. A missão tripulada Shenzhou-17 partiu a bordo de um foguetão às 11:14 do centro de lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, no noroeste do país, segundo a agência espacial chinesa responsável pelos voos espaciais tripulados (CMSA).

De acordo com a televisão estatal chinesa CCTV, a idade média dos três membros da tripulação, 38 anos, é a mais baixa desde o lançamento da missão inicial de construção da estação espacial, que ficou concluída no final de 2022.

O trio de ‘taikonautas’ (o nome chinês para astronautas) Tang Hongbo (40 anos), Tang Shengjie (33 anos) e Jiang Xinlin (35 anos) deverá chegar à Tiangong dentro de seis ou sete horas, para substituir uma tripulação que está na estação há seis meses.

A agência anunciou também ontem planos para enviar um novo telescópio para sondar as profundezas do universo. A CCTV disse que o telescópio permitiria mapear o céu, mas nenhum prazo foi dado para a instalação.

A viagem de ontem insere-se na estratégia de enviar um astronauta chinês à Lua até 2030, um dos principais objectivos de um programa espacial no qual o país já investiu milhares de milhões de euros.

Por todo o espaço

A China tem actualmente projectos de cooperação com a Agência Espacial Europeia e o Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos Espaciais Exteriores, que podem vir a aumentar, tendo em conta que a Tiangong pode em 2024 tornar-se a única estação espacial operacional.

A Estação Espacial Internacional, iniciativa liderada pelos Estados Unidos e à qual a China está proibida de aceder devido aos laços militares do seu programa espacial, deverá ser abandonada em 2024.

Em 2019, a China pousou uma nave espacial no lado mais distante da Lua, tornando-se a primeira nação do mundo a fazê-lo, e em 2020, trouxe de volta amostras lunares e finalizou o Beidou, sistema de navegação por satélite.

Em 2021, a China fez aterrar um pequeno robô em Marte, e o próximo passo é garantir o lançamento de duas missões espaciais tripuladas por ano, segundo a CMSA.

O país quer ainda lançar em 2030 a missão espacial Tianwen-3, para recolher e trazer de volta para a Terra amostras do solo de Marte, disse à Lusa no início do mês o cientista português André Antunes, responsável pela unidade de astrobiologia do Laboratório de Referência do Estado para a Ciência Lunar e Planetária da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

Excursões | Guia pediu grupo para transportar perfumes

Os serviços de alfândega de Gongbei descobriram um caso de contrabando no qual está envolvido um grupo de excursionistas e o seu guia turístico.

Segundo um comunicado enviado às redacções, o caso ocorreu no passado dia 19, tendo o guia incitado o grupo de turistas a contrabandear um total de 485 perfumes e produtos de higiene pessoal, colocados nas suas malas e bagagens.

Todos estes produtos acabaram por ser detectados nas máquinas de raio-x dispostas no posto fronteiriço da ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau numa altura em que os turistas se dirigiam para o interior da China. Após uma investigação das autoridades, foi confirmado que os produtos pertenciam ao guia turístico, que pediu aos turistas para os colocarem nas suas malas e bagagens antes de passarem a fronteira.

WhatsApp | Desmentido boato sobre falso esquema

A Polícia Judiciária (PJ) emitiu ontem um comunicado a desmentir um boato que circulou nas redes sociais sobre a opção “bloquear” da aplicação WhatsApp.

Segundo a informação não-factual que foi partilhada, o falso esquema partiria de uma mensagem enviada por uma pessoa desconhecida e quando o receptor clicava em “bloquear” a sua conta na aplicação de conversação era “invadida imediatamente”. A PJ explicitou que “o referido botão de “bloquear” é o verdadeiro recurso de “ferramenta de segurança” do WhatsApp.

Quando o utilizador de WhatsApp receber uma mensagem de uma pessoa que não é dos seus contactos, aparece automaticamente esta alerta”. Além disso, o Centro de Coordenação de Combate às Burlas da PJ revelou “que até ao presente não foi recebida qualquer denúncia em relação à invasão da conta de WhatsApp e que tenha havido prejuízo por causa de clicar o botão ‘bloquear’”.

PJ | Desempregada presa por burla

Uma residente com 47 anos foi presa, por estar envolvida num esquema de burlas relacionada com a oferta de empregos.

Segundo a Polícia Judiciária (PJ), a suspeita encontrou-se com uma mulher num casino de Macau, e prometeu arranja-lhe emprego para a filha, assim como uma autorização de residência, a troco de um pagamento de 130 mil dólares de Hong Kong. O trabalho prometido era na empresa de construção do marido da mulher.

Com a promessa foi ainda informado que o todo o processo seria terminado dentro de 20 dias, o que nunca aconteceu. No entanto, como a residente ficou incontactável depois de receber o pagamento, a vítima apresentou queixa junto das autoridades. A mulher residente foi detida a 22 de Outubro, quando se preparava para deixar Macau e ir para o Interior.

Táxis | Líder associativo alerta para a falta de motoristas

O presidente da Associação de Mútuo Auxílio de Condutores de Táxi revelou ao HM que não existem motoristas suficientes em Macau para os 500 táxis que o Governo pretende colocar em circulação. Outro dirigente associativo considera a base de licitação elevada e uma barreira à participação de investidores particulares

Depois do anúncio do concurso público para emitir 10 licenças para transporte de passageiros em táxis, que podem resultar na atribuição de alvará a 500 novos táxis, o sector reagiu em bloco.

Em declarações ao HM, o presidente da Associação de Mútuo Auxílio de Condutores de Táxi, Tony Kuok, apontou que o volume de veículos que vão entrar ao serviço irá levar a uma “correria louca para contratar taxistas”.

“Em termos práticos, julgo que serão necessários 1.000 condutores para estes 500 táxis e Macau não tem esse volume adicional de profissionais. Isso irá resultar numa competição feroz entre empresas para atrair taxistas, por exemplo, oferecendo rendas de táxi mais baratas e melhores benefícios”, indicou.

Tony Kuok entende que, neste momento, existem em Macau motoristas suficientes para a frota de táxis em operação, depois da saída de circulação de centenas de veículos durante a pandemia.

Além do aumento da frota, o representante argumentou que quando os novos táxis estiverem prontos para operar muitos motoristas vão estar em idade de reforma. Além disso, afirmou que os profissionais mais jovens têm tendência para trabalhar pouco tempo no sector e procurar outras saídas com melhores rendimentos, como serviços de entrega take-away.

Classe de elite

O vice-presidente da Associação das Taxistas de Macau, Tai Kam Leong, também está preocupado com a escassez de mão-de-obra, mas apontou as “culpas” à atribuição de demasiadas licenças de uma só vez, considerando que a emissão progressiva seria mais eficaz para o sector.

A acérrima competitividade para contratar motoristas, assim como os elevados preços que se perspectivam para comprar uma licença e operação dificultam o processo.

O preço base de concurso para cada licença é de 2,5 milhões patacas, sem contar com o pagamento dos impostos do selo de licença e de alvarás. Além disso, as sociedades concorrentes têm de prestar ainda uma caução de 3,5 milhões de patacas para entrarem no concurso público.

Fontes citadas pelo jornal Ou Mun lamentaram os elevados custos e critérios corporativos para entrar no concurso (nomeadamente a exigência de 5 milhões de patacas como capital social), factores apontados como barreiras à participação de motoristas individuais e de micro-investidores.

As mesmas fontes traçaram um futuro em que o sector ficará cada vez mais concentrado em menos empresas, afectando a competição no mercado e a qualidade do serviço.