Governo diz que crise com preço da carne de porco está resolvida

O Executivo considera que o problema do abastecimento da carne de porco e da escalada de preços está praticamente resolvido e que os custos estão a baixar. A posição foi tomada por José Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), em resposta à interpelação do deputado Leong Sun Iok, membro dos Operários.
Apesar de reconhecer que a peste suína africana no Interior e a covid-19 contribuíram para o aumento dos preços da carne de porco em Macau no passado recente, Tavares diz agora que o Executivo tomou várias medidas para atenuar os efeitos, como a abertura de novas rotas de abastecimento que levaram o mercado para níveis pré-pandémicos.
“O ponto de trânsito de Doumen, que foi construído em articulação com o Interior da China, entrou em funcionamento em Maio do ano passado, e as fontes de porcos vivos, para além de contemplarem a Província de Guangdong, poderão ser alargadas a fornecedores da Província de Hunan e da região de Guangxi, o que contribuirá para o aumento da estabilidade no fornecimento”, informou o presidente do IAM.
José Tavares reconheceu também que os preços permaneceram estáveis devido à “cooperação entre os vendedores a grosso e a retalho”.

Todos juntos
Sobre a situação actual, o presidente do IAM reconheceu que “com o aumento gradual da oferta de porcos vivos do Interior da China” nos últimos meses houve margem de manobra para diminuir os preços.
Por isso, o Governo, representantes das sociedades Nam Kuong, Nam Yue, monopolistas do abastecimento, os principais supermercados, vendilhões de carnes e a Associação dos Comerciantes de Carne Verde Iong Hap Tong de Macau estiveram reunidos.
Como consequência do encontro, o Executivo diz que os preços finais baixaram: “Desde 25 de Junho do corrente ano, o preço de venda por grosso de porcos vivos desceu de 2.780 patacas por picul para 2.450 patacas por picul, representando uma descida de de 12 por cento”, pode ler-se na interpelação. O picul é uma unidade de medida que equivale aproximadamente a 60 quilogramas.
Em relação à venda por retalho nos supermercados, mercados a redução foi menos acentuada, mas terá atingido níveis de 8 a 8,7 por cento.

19 Jul 2021

Carne de porco | Prevista manutenção de preços até Ano Novo Chinês 

Au Kam Lon, representante da Nam Kwong, disse que o preço da venda de porcos vivos não deverá aumentar até ao Ano Novo Chinês, noticiou ontem o canal chinês da Rádio Macau. Também não está prevista uma descida dos preços uma vez que as duas grandes empresas importadoras de produtos alimentares, a Nam Kwong e Nam Yuen, já adquiriram um número suficiente de animais vivos, a fim de assegurar a estabilidade do fornecimento da carne de porco. Au Kam Lon disse que actualmente chegam ao território, diariamente, entre 230 a 250 animais, e que caso haja necessidade, no período das festividades, podem chegar até 300 porcos vivos por dia.

O representante da Nam Yuen, Wong Kai Chok, adiantou que 80 por cento dos porcos vivos chega da província de Guangdong, esperando que possa haver mais um ou dois locais adicionais de fornecimento, a fim de aliviar a pressão das fontes habituais de importação.

14 Jan 2021

Governo insatisfeito com preços elevados da carne de porco

André Cheong, secretário para a Administração e Justiça, disse ontem aos deputados que ainda não está satisfeito com os actuais preços da carne de porco que se praticam no mercado.

“Também não é um preço razoável para nós. Os preços ainda são elevados e não conseguimos resolver o problema. Usámos todas as competências previstas na lei.”

O secretário assegurou que existe uma estabilidade nos preços actualmente praticados. “De Janeiro até agora não houve um aumento. Podemos ter mais ofertas [no contexto] da Grande Baía e teremos mais opções. O aumento da carne de porco aconteceu no início do ano, mas a subida dos preços não tem uma relação directa com o lançamento do cartão de consumo. A carne de porco é um bem essencial e os seus preços têm de ser monitorizados”, frisou o secretário.

A 1 de Junho, André Cheong adiantou que houve uma queda gradual nos preços na ordem dos 30 por cento. Vários deputados questionaram que o aumento dos preços se deve às fases intermédias no comércio e abate destes animais, mas o secretário rejeitou esta hipótese. Relativamente aos preços praticados nos supermercados e aos aumentos verificados no contexto da pandemia da covid-19, o director dos Serviços de Economia assegurou que a fiscalização tem sido feita, tendo sido registado um ligeiro aumento dos preços em 0,89 por cento em Maio. “Nas recentes vistorias que fizemos verificámos que a situação está mais normalizada”, adiantou Tai Kin Ip. “A lei não confere poderes ao Governo para afixar os preços, não podemos fazer isso”, disse o secretário.

12 Jun 2020

Consumo | Desde o Ano Novo Chinês preço da carne de porco caiu 30%

O Executivo vai pedir às monopolistas Nam Kwong e Nam Yuen que baixem os preços da venda por grosso da carne de porco, apesar de reconhecer problemas no abastecimento

 

O Governo vai pedir às empresas que têm o monopólio da importação da carne de porco para Macau, as estatais Nam Kwong e Nam Yuen, que baixem o preço do produto. A revelação foi feita pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, na sexta-feira, e faz parte do esforço concertado para reduzir o custo do bem que é considerado “de primeira necessidade”.

“Sabemos que o preço da venda a retalho está relacionado com o fornecimento e o mercado de venda por grosso. Por isso, o Instituto para os Assuntos Municipais está em comunicação com a Nam Kwong e a Nam Yuen para ver se podem baixar o preço da venda de carne de porco”, afirmou André Cheong.

Por outro lado, a carta enviada pelo IAM para que algumas bancas de venda recém-estabelecidas do muito procurado tipo de carne baixassem o preço para um nível inferior a 100 patacas produziu resultados. O secretário admitiu que a redução não foi significativa, mas que em relação aos preços praticados no Ano Novo Chinês, que a deflação foi de 30 por cento, em alguns casos.

“Hoje [na sexta-feira] recebi informações que indicam que os novos vendedores já baixaram o preço da carne de porco. A partir de hoje [sexta-feira] nenhum pode vender a um preço superior a 100 patacas. Mas baixaram pouco, agora o preço varia entre as 96 e as 98 patacas, foi uma redução de poucas patacas”, reconheceu. “Mas, se fizermos uma comparação com a situação do Ano Novo Chinês havia costeletas que custavam mais de 140 patacas, agora são 98 patacas. A redução foi de 30 por cento”, indicou.

Bancas da sorte

Sobre a venda de carne de porco, o secretário admitiu ainda a hipótese de as bancas atribuídas por sorteios públicos passarem a ter mais exigência na definição dos preços. Por outro lado, André Cheong apontou que os consumidores podem sempre consultar as informações online com os custos praticados e escolher estabelecimentos mais baratos.

Finalmente, quanto há hipótese de concertação dos preços, o responsável pela tutela indicou que o IAM tem ferramentas para investigar situações de cartelização e que, em caso de ilegalidades, o organismo dirigido por José Tavares tem competências para aplicar pena de cancelamento da licença de venda.

1 Jun 2020

Porco | IAM faz ultimato a nove estabelecimentos de venda

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) fez ontem um ultimato a nove estabelecimentos de venda de carne porco que não baixaram preços. Segundo revelou ontem José Tavares, o IAM enviou cartas aos vendedores exigindo que os preços sejam reduzidos “para um nível razoável”, já a partir de hoje.

“Depois de enviarmos a primeira carta, os titulares das bancas já baixaram o preço. Mas nos últimos dias, até esta manhã [ontem], nove bancas ainda não tinham reduzido o preço e, por isso, fizemos um ultimato para que a situação seja regularizada e o preço possa baixar para um preço mais razoável”, explicou José Tavares, à margem da sessão ordinária do conselho consultivo do IAM realizada ontem.

Das nove bancas, sete estão no Mercado Vermelho, uma no Mercado do Patane e outra no Mercado Tamagnini Barbosa.

Acreditando que “os preços possam baixar para um nível ainda mais razoável”, José Tavares apontou também a importância de uniformizar a unidade de medida apresentada em todos os pontos de venda, garantindo que as bancas “adoptaram a unidade de cate, quer seja no supermercado, quer seja no mercado.”

Recorde-se que na passada terça-feira, secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, reconheceu que há casos de cartelização de preços de venda da carne de porco e destacou que o Governo se prepara para entregar à Assembleia Legislativa, já no próximo mês, uma proposta de lei para regular os mercados municipais e os vendilhões.

29 Mai 2020

Uma questão de carne

Não raras vezes o tema da carne (normalmente a de porco) tem vindo a lume nas mais inusitadas situações. Assim de repente, como se não houvesse mais nada para trincar, lembro-me por exemplo de ouvir o Chefe do Executivo a dissertar pormenorizadamente, por ocasião da apresentação das LAG, acerca do flagelo que é constatar a forma como o actual tamanho dos suínos (cada vez mais diminuto) tem contribuído para agravar o preço de venda da sua carne em Macau.

No dia seguinte, o tema voltou a ser abordado em debate no plenário, uma vez mais para argumentar sobre os incontornáveis efeitos do preço da carne suína. No entanto, aparentemente, a carne pode ter poderes que a própria carne desconhece, tendo sido inclusivamente usada como arma de arremesso na guerra de palavras que tem resultado da procura de responsabilizar a China pela origem do surto da covid-19.

Isto porque na terça-feira, conta o South China Morning Post, em resposta ao apoio demonstrado pela Austrália para com uma investigação internacional acerca das origens da pandemia, a China decidiu banir a importação de carne bovina de quatro das principais fábricas transformadoras de carne do país, situadas em Queensland e Nova Gales do Sul.

Segundo analistas citados pelo Post, na base da decisão pode estar a necessidade de “abrir espaço” para o aumentar as importações de carne oriunda dos EUA, de forma a cumprir a primeira fase do acordo comercial entre os dois países. Pelos vistos, parece que a carne tem um inesperado papel a cumprir nos dias que correm. A sorte é que para este problema há sempre alternativa.

14 Mai 2020

Economia | Carne de porco mantém inflação no nível mais alto em sete anos

A subida do preço da carne de porco, em Dezembro, manteve a inflação na China ao nível mais alto em sete anos, apesar dos esforços para reduzir a escassez causada por um surto de peste suína.
O preço da carne de porco, a principal fonte de proteína animal na cozinha chinesa, quase duplicou, e puxou a inflação em todo o sector alimentar, agravando os efeitos da desaceleração da economia chinesa e de uma prolongada guerra comercial com os Estados Unidos. O preço da carne de porco subiu 97 por cento, em relação ao mesmo mês do ano passado, apesar do aumento das importações e da colocação no mercado pelas autoridades de dezenas de milhares de toneladas de carne suína que mantêm em reserva.
Os preços dos alimentos subiram, no conjunto, 17,4 por cento, fixando a inflação em 4,5 por cento, acima da meta oficial definida pelo Partido Comunista Chinês, de 3 por cento, no maior aumento desde 2012.
A China produz e consome dois terços da carne suína do mundo, mas o país teve que abater milhões de porcos, após um surto de peste suína que se espalhou por todo o continente chinês, gerando também efeitos inflacionários no resto do mundo, à medida que os importadores chineses compram mais na Europa, Estados Unidos ou Brasil.
Em Outubro passado, o Departamento de Agricultura dos EUA previu que a produção de carne suína da China em 2020 cairá 25 por cento, em relação ao ano anterior. A diferença, de 12 milhões de toneladas, seria equivalente a quase toda a produção anual nos EUA.

10 Jan 2020

Economia | Carne de porco mantém inflação no nível mais alto em sete anos

A subida do preço da carne de porco, em Dezembro, manteve a inflação na China ao nível mais alto em sete anos, apesar dos esforços para reduzir a escassez causada por um surto de peste suína.

O preço da carne de porco, a principal fonte de proteína animal na cozinha chinesa, quase duplicou, e puxou a inflação em todo o sector alimentar, agravando os efeitos da desaceleração da economia chinesa e de uma prolongada guerra comercial com os Estados Unidos. O preço da carne de porco subiu 97 por cento, em relação ao mesmo mês do ano passado, apesar do aumento das importações e da colocação no mercado pelas autoridades de dezenas de milhares de toneladas de carne suína que mantêm em reserva.

Os preços dos alimentos subiram, no conjunto, 17,4 por cento, fixando a inflação em 4,5 por cento, acima da meta oficial definida pelo Partido Comunista Chinês, de 3 por cento, no maior aumento desde 2012.

A China produz e consome dois terços da carne suína do mundo, mas o país teve que abater milhões de porcos, após um surto de peste suína que se espalhou por todo o continente chinês, gerando também efeitos inflacionários no resto do mundo, à medida que os importadores chineses compram mais na Europa, Estados Unidos ou Brasil.

Em Outubro passado, o Departamento de Agricultura dos EUA previu que a produção de carne suína da China em 2020 cairá 25 por cento, em relação ao ano anterior. A diferença, de 12 milhões de toneladas, seria equivalente a quase toda a produção anual nos EUA.

10 Jan 2020

Carne de porco | Preços não vão baixar até ao Ano Novo Chinês

O presidente do Instituto para os Assuntos Municipais, José Tavares, revela que o preço da carne de porco vendida em Macau subiu mais de 7 por cento desde 10 de Outubro e que o mercado não deve acalmar antes do Ano Novo Chinês. A Nam Yue adianta que a procura diminuiu à medida que o preço aumentou

 
In Nam Ng
 
Depois de vários aumentos, a carne de porco começa a sair das listas de compras dos consumidores de Macau. Pelo menos, de acordo com a Agência Comercial de Géneros Alimentícios Nam Yuen. Citado pelo jornal do Cidadão, uma fonte da empresa releva que antes da inflação conduzida pela peste suína, a procura levava à importação de cerca de 400 porcos por dia. Porém, hoje em dia é muito complicado importar animais nesta ordem de grandeza, mesmo com os preços praticados, panorama ao qual o mercado de Macau se adaptou. Assim sendo, o consumo adaptou-se à subida dos preços.
Desde 10 de Outubro, o preço por 60 quilos de carne de porco subiu de 3240 para 3470 patacas, um aumento de 230 patacas, ou seja, mais 7,1 por cento em menos de um mês.
Em declarações ao jornal Cidadão, José Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) revelou que o número actual de porcos vivos importados diariamente se situa entre os 70 e 200. José Tavares projectou ainda que a instabilidade no mercado da carne de porco se deve manter, pelo menos, até ao Ano Novo Chinês.
O presidente do IAM mostrou-se ainda esperançado que a entrada em funcionamento do ponto de trânsito de porcos vivos de Doumen melhore a situação.

Voz do mercado

Em declarações à Rádio Macau, um talhante do Mercado Vermelho deu conta da forma como o negócio foi afectado pela inflação da carne de porco. Kuan refere que o número de clientes caiu para metade. Outro dono de talho, de apelido U, revelou à mesma fonte que num determinado dia só houve carne de porco para sete talhantes no Mercado Vermelho.
Na semana passada, foi noticiado que o matadouro português Maporal fechou a venda de 100 contentores de carne de porco para Zhuhai. A importação vai custar cerca de 7,5 milhões de euros à Zhuhai Import Frozen Foodstuffs Association.
O importador chinês prevê comprar um total de “entre 400 a 500 contentores”, até ao final de 2020, detalhou Marco Henriques, director comercial da Maporal. “Estamos a tentar fazer uma parceria para abranger uma área maior no Sul [da China] e ter mais relação com Macau”, explicou.

5 Nov 2019

Carne de porco | Preços não vão baixar até ao Ano Novo Chinês

O presidente do Instituto para os Assuntos Municipais, José Tavares, revela que o preço da carne de porco vendida em Macau subiu mais de 7 por cento desde 10 de Outubro e que o mercado não deve acalmar antes do Ano Novo Chinês. A Nam Yue adianta que a procura diminuiu à medida que o preço aumentou

 

In Nam Ng

 

Depois de vários aumentos, a carne de porco começa a sair das listas de compras dos consumidores de Macau. Pelo menos, de acordo com a Agência Comercial de Géneros Alimentícios Nam Yuen. Citado pelo jornal do Cidadão, uma fonte da empresa releva que antes da inflação conduzida pela peste suína, a procura levava à importação de cerca de 400 porcos por dia. Porém, hoje em dia é muito complicado importar animais nesta ordem de grandeza, mesmo com os preços praticados, panorama ao qual o mercado de Macau se adaptou. Assim sendo, o consumo adaptou-se à subida dos preços.

Desde 10 de Outubro, o preço por 60 quilos de carne de porco subiu de 3240 para 3470 patacas, um aumento de 230 patacas, ou seja, mais 7,1 por cento em menos de um mês.

Em declarações ao jornal Cidadão, José Tavares, presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) revelou que o número actual de porcos vivos importados diariamente se situa entre os 70 e 200. José Tavares projectou ainda que a instabilidade no mercado da carne de porco se deve manter, pelo menos, até ao Ano Novo Chinês.

O presidente do IAM mostrou-se ainda esperançado que a entrada em funcionamento do ponto de trânsito de porcos vivos de Doumen melhore a situação.

Voz do mercado

Em declarações à Rádio Macau, um talhante do Mercado Vermelho deu conta da forma como o negócio foi afectado pela inflação da carne de porco. Kuan refere que o número de clientes caiu para metade. Outro dono de talho, de apelido U, revelou à mesma fonte que num determinado dia só houve carne de porco para sete talhantes no Mercado Vermelho.

Na semana passada, foi noticiado que o matadouro português Maporal fechou a venda de 100 contentores de carne de porco para Zhuhai. A importação vai custar cerca de 7,5 milhões de euros à Zhuhai Import Frozen Foodstuffs Association.

O importador chinês prevê comprar um total de “entre 400 a 500 contentores”, até ao final de 2020, detalhou Marco Henriques, director comercial da Maporal. “Estamos a tentar fazer uma parceria para abranger uma área maior no Sul [da China] e ter mais relação com Macau”, explicou.

5 Nov 2019

Carne de porco | Maporal fecha venda de 100 contentores

O matadouro português Maporal fechou ontem a venda de 100 contentores de carne de porco para a China, à medida que o país asiático enfrenta severos surtos de peste suína, que dizimaram milhões de animais.
A importação dos cem contentores vai custar cerca de 7,5 milhões de euros à Zhuhai Import Frozen Foodstuffs Association, empresa com sede em Zhuhai, cidade que faz fronteira com Macau, revelou Marco Henriques, director comercial da Maporal.
O importador chinês prevê comprar um total de “entre 400 a 500 contentores”, até ao final de 2020, detalhou a mesma fonte à agência Lusa. “Estamos a tentar fazer uma parceria para abranger uma área maior no Sul [da China] e ter mais relação com Macau”, explicou.
A carne de porco é parte essencial da cozinha chinesa, compondo 60por cento do total do consumo de proteína animal no país. Segundo dados oficiais, os consumidores chineses comem 55 milhões de toneladas de carne de porco por ano.
Mas analistas prevêem que o país produza menos 130 milhões de porcos, este ano, cerca de um terço da sua produção em 2018, devido a surtos de peste suína em todo o continente chinês.
A escassez e interrupções nas cadeias de fornecimento na China causaram um aumento do preço da carne de porco de quase 159 por cento, em Outubro, em termos homólogos, e estão a implicar uma reorganização dos mercados de proteínas e aumento dos preços a nível mundial.
“É uma loucura total: eu arrisco-me a dizer que, para 2020, já tenho os porcos todos vendidos”, afirmou Marco Henriques. A Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores prevê que as exportações de carne suína nacional para a China atinjam os cem milhões de euros, este ano, e 200 milhões, em 2020.
Para responder à crescente procura, a Maporal vai investir 15 milhões de euros para renovar a sua unidade, aumentando a capacidade de abate para 20 mil porcos por semana, revelou Marco Henriques.

30 Out 2019

Carne de porco | Maporal fecha venda de 100 contentores

O matadouro português Maporal fechou ontem a venda de 100 contentores de carne de porco para a China, à medida que o país asiático enfrenta severos surtos de peste suína, que dizimaram milhões de animais.

A importação dos cem contentores vai custar cerca de 7,5 milhões de euros à Zhuhai Import Frozen Foodstuffs Association, empresa com sede em Zhuhai, cidade que faz fronteira com Macau, revelou Marco Henriques, director comercial da Maporal.

O importador chinês prevê comprar um total de “entre 400 a 500 contentores”, até ao final de 2020, detalhou a mesma fonte à agência Lusa. “Estamos a tentar fazer uma parceria para abranger uma área maior no Sul [da China] e ter mais relação com Macau”, explicou.

A carne de porco é parte essencial da cozinha chinesa, compondo 60por cento do total do consumo de proteína animal no país. Segundo dados oficiais, os consumidores chineses comem 55 milhões de toneladas de carne de porco por ano.

Mas analistas prevêem que o país produza menos 130 milhões de porcos, este ano, cerca de um terço da sua produção em 2018, devido a surtos de peste suína em todo o continente chinês.

A escassez e interrupções nas cadeias de fornecimento na China causaram um aumento do preço da carne de porco de quase 159 por cento, em Outubro, em termos homólogos, e estão a implicar uma reorganização dos mercados de proteínas e aumento dos preços a nível mundial.

“É uma loucura total: eu arrisco-me a dizer que, para 2020, já tenho os porcos todos vendidos”, afirmou Marco Henriques. A Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores prevê que as exportações de carne suína nacional para a China atinjam os cem milhões de euros, este ano, e 200 milhões, em 2020.

Para responder à crescente procura, a Maporal vai investir 15 milhões de euros para renovar a sua unidade, aumentando a capacidade de abate para 20 mil porcos por semana, revelou Marco Henriques.

30 Out 2019

Carne de porco | Ho Ion Sang preocupado com preços

O deputado da União Geral das Associações dos Moradores de Macau, Ho Ion Sang, defende que o Governo precisa de tomar medidas face ao aumento do preço da carne de porco, que ameaça a população e os vendedores.
Numa intervenção na Assembleia Legislativa, Ho recordou que desde Maio o preço por cerca de 60 quilogramas de carne, ou seja um picul, aumentou para mais do dobro. “Nos últimos dias, o preço aumentou 280 patacas por “picul”, ou seja, o preço máximo da venda por grosso é de 3240 patacas por “picul”, o que, em comparação com o preço de Maio de 1520 patacas, corresponde a um aumento de mais do dobro, atingindo um novo recorde”, apontou.
Por isso, o deputado pediu medidas ao Governo de Chui Sai On para que a população não tenha de aguentar preços tão elevados.

17 Out 2019

Carne de porco | Ho Ion Sang preocupado com preços

O deputado da União Geral das Associações dos Moradores de Macau, Ho Ion Sang, defende que o Governo precisa de tomar medidas face ao aumento do preço da carne de porco, que ameaça a população e os vendedores.

Numa intervenção na Assembleia Legislativa, Ho recordou que desde Maio o preço por cerca de 60 quilogramas de carne, ou seja um picul, aumentou para mais do dobro. “Nos últimos dias, o preço aumentou 280 patacas por “picul”, ou seja, o preço máximo da venda por grosso é de 3240 patacas por “picul”, o que, em comparação com o preço de Maio de 1520 patacas, corresponde a um aumento de mais do dobro, atingindo um novo recorde”, apontou.

Por isso, o deputado pediu medidas ao Governo de Chui Sai On para que a população não tenha de aguentar preços tão elevados.

17 Out 2019

Pereira Coutinho questiona Governo sobre medidas para a carne de suínos

José Pereira Coutinho quer saber que medidas estão a ser tomadas pelo Governo para garantir a segurança no que diz respeito às importações de carne de porco, vindas do Interior. É este o conteúdo da última interpelação escrita pelo deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), que surge na sequência do surto de peste suína que afecta o outro lado da fronteira.

“Nos últimos tempos os cidadãos têm estado quase sempre bastante preocupados com a qualidade sanitária das carnes de porco consumidas em Macau. A questão da peste suína clássica tem afectado muito o consumo de carnes de porco no interior do continente, tendo como consequência o aumento brutal dos preços e obrigado ao escoamento adicional das reservas estatais destas carnes face à sua escassez”, começa por contextualizar.

Porém, segundo o deputado, a questão é mais preocupante porque há outros surtos que podem ameaçar a saúde da população. Por isso, Coutinho pergunta: “Que medidas concretas e efectivas estão a ser adoptadas pelas autoridades veterinárias locais no sentido de detectar preventivamente […] os suínos que não estão contaminados com peste suína clássica, peste suína africana, febre afitosa, doença vesiculosa dos suínos, encefalite de vírus Nipah e outras doenças graves?”.

Mas além da qualidade da carne importada, o legislador considera que é preciso ir mais longe e começar a prevenção com a monitorização de quintas afectadas: “Que medidas concretas e efectivas foram implementadas para detectar preventivamente que as importações são originárias de explorações do interior do continente identificadas com sinais clínicos de carbúnculo hemático, turberculose, para-tuberculose, doença de Aujeszky, brucelose, doença de Teschen, gastroenterite transmissível, síndrome reprodutiva e respiratória porcina?”, pergunta.

Mecanismo de informação

Por outro lado, o deputado quer saber se existe em vigor um mecanismo que permita que as autoridades sanitárias da RAEM sejam notificadas regularmente sobre a proveniência de carne, principalmente quando é proveniente de locais sujeitos a quarentenas ou restrições de movimentação.

Foi em Agosto de 2018 que o surto de peste suína africana foi pela primeira vez identificado na China. Desde então alastrou-se a regiões como Mongólia, Vietname, Camboja, Hong Kong, Coreias, Laos ou Myanmar.

Contudo, no Interior o impacto tem sido mais profundo e fez disparar o preço da carne de porco. Este é um aumento que também se fez sentir em Macau, uma vez que as únicas empresas que têm autorização para importar porcos vivos, a Nam Kwong e Nam Yue, trazem os animais do Interior.

16 Out 2019

Carne de porco | Preço ameaça negócios locais

Os aumentos do preço da carne de porco fresco praticados pela Nam Kwong e Nam Yue, empresas com o monopólio do transporte de porcos vivos para o matadouro de Macau, estão a ameaçar vários negócios locais. A situação foi relatada pelo jornal Ou Mun.
“Com este preço tão elevado, agora a maioria dos moradores deixou de querer comprar carne fresca de porco”, explicou o proprietário de uma banca de venda de carne de porco, com o apelido Hoi.
Devido à peste suína africana, no Interior da China, a escassez tem feito os preços disparar, naquele que é um problema natural.
“Devido à peste, tivemos que aumentar um bocado os preços para haver um ponto de equilíbrio e não perdermos dinheiro. No entanto, o negócio teve uma quebra acentuada no mês passado. Mas o pior é que os preços continuam a subir. Para evitar as perdas, acho que vamos fechar uns dias até que a situação estabilize”, acrescentou Hoi.
Outro proprietário de um espaço semelhante, considerou que também está a ponderar fechar o negócio, porque “comprar marisco é agora mais económico do que pagar pela carne fresca”. Na quarta-feira as empresas Nam Kwong e Nam Yue anunciaram mais um aumento de 10 por cento nos preços praticados.

11 Out 2019

Carne de porco | Preço ameaça negócios locais

Os aumentos do preço da carne de porco fresco praticados pela Nam Kwong e Nam Yue, empresas com o monopólio do transporte de porcos vivos para o matadouro de Macau, estão a ameaçar vários negócios locais. A situação foi relatada pelo jornal Ou Mun.
“Com este preço tão elevado, agora a maioria dos moradores deixou de querer comprar carne fresca de porco”, explicou o proprietário de uma banca de venda de carne de porco, com o apelido Hoi.

Devido à peste suína africana, no Interior da China, a escassez tem feito os preços disparar, naquele que é um problema natural.

“Devido à peste, tivemos que aumentar um bocado os preços para haver um ponto de equilíbrio e não perdermos dinheiro. No entanto, o negócio teve uma quebra acentuada no mês passado. Mas o pior é que os preços continuam a subir. Para evitar as perdas, acho que vamos fechar uns dias até que a situação estabilize”, acrescentou Hoi.

Outro proprietário de um espaço semelhante, considerou que também está a ponderar fechar o negócio, porque “comprar marisco é agora mais económico do que pagar pela carne fresca”. Na quarta-feira as empresas Nam Kwong e Nam Yue anunciaram mais um aumento de 10 por cento nos preços praticados.

11 Out 2019

Carne de porco | Preço aumenta dez por cento a partir de hoje 

As duas principais empresas importadoras de produtos alimentares, a Nam Yue e a Nam Kwong, anunciaram em comunicado que o preço da venda de carne de porco vivo aumenta cerca de dez por cento a partir de hoje.
De acordo com a Rádio Macau, o preço por cada 60 quilogramas de carne passa a ser de 3.240 patacas. O aumento deve-se à gripe suína que alastra na China e que tem levado a uma escassez no fornecimento deste tipo de carne. Desde o ano passado que os preços de carne de porco na China aumentaram cerca de 50 por cento.

10 Out 2019

Carne de porco | Preço aumenta dez por cento a partir de hoje 

As duas principais empresas importadoras de produtos alimentares, a Nam Yue e a Nam Kwong, anunciaram em comunicado que o preço da venda de carne de porco vivo aumenta cerca de dez por cento a partir de hoje.

De acordo com a Rádio Macau, o preço por cada 60 quilogramas de carne passa a ser de 3.240 patacas. O aumento deve-se à gripe suína que alastra na China e que tem levado a uma escassez no fornecimento deste tipo de carne. Desde o ano passado que os preços de carne de porco na China aumentaram cerca de 50 por cento.

10 Out 2019

China | Mais reservas de carne suína libertadas para travar inflação

O Governo chinês voltou a pôr no mercado carne de porco que mantém em reserva, visando travar a inflação causada por surtos de peste suína, em vésperas do 70.º aniversário da fundação do regime comunista.

As autoridades confirmaram ontem que vão leiloar 10.000 toneladas de carne de porco, parte essencial da cozinha chinesa. A República Popular da China celebra, no dia 1 de Outubro, 70 anos desde a sua fundação, com uma parada militar em Pequim e várias actividades por todo o país.

O preço da carne de porco subiu quase 50 por cento em Agosto passado, em termos homólogos, devido a um surto devastador da peste suína africana, que resultou no abate de mais de um milhão de porcos, segundo dados oficiais.

O aumento dos preços tem um significado político amargo para o Partido Comunista, que aponta a melhoria dos padrões de vida nas últimas décadas como fonte de legitimidade do seu poder indisputado.

A China produz e consome dois terços da carne de porco no mundo. O Governo mantém reservas de porcos vivos e congelados para garantir o fornecimento, mas os detalhes sobre esta reserva são segredo de Estado.

Analistas consideram, no entanto, que a reserva é provavelmente muito pequena para compensar os efeitos da peste suína. Em Janeiro passado, o Governo libertou 9.600 toneladas para o mercado. Especialistas prevêem que a China importará mais de dois milhões de toneladas de carne de porco este ano.

Sorte lusitana

A peste suína africana não é transmissível aos seres humanos, mas é fatal para porcos e javalis. A actual onda de surtos começou na Geórgia, em 2007, e espalhou-se pela Europa do leste e Rússia, antes de chegar à China, em Agosto passado.

Inicialmente, Pequim insistiu que estava tudo sob controlo, mas os surtos acabaram por se alastrar a todas as províncias do país. As autoridades chinesas autorizaram, desde o final do ano passado, os matadouros portugueses Maporal, ICM Pork e Montalva a exportar para o país.

As estimativas iniciais apontavam que as exportações portuguesas para China se fixassem em 15.000 porcos por semana, movimentando, no total, 100 milhões de euros.
Os responsáveis do sector estimam que o valor das vendas duplique, para 200 milhões de euros, no próximo ano.

O acontecimento, visto pelos produtores portugueses como o “mais importante” acontecimento para a suinicultura nacional “nos últimos 40 anos”, irá, no entanto, ter efeitos inflaccionários também em Portugal.

27 Set 2019

China | Mais reservas de carne suína libertadas para travar inflação

O Governo chinês voltou a pôr no mercado carne de porco que mantém em reserva, visando travar a inflação causada por surtos de peste suína, em vésperas do 70.º aniversário da fundação do regime comunista.
As autoridades confirmaram ontem que vão leiloar 10.000 toneladas de carne de porco, parte essencial da cozinha chinesa. A República Popular da China celebra, no dia 1 de Outubro, 70 anos desde a sua fundação, com uma parada militar em Pequim e várias actividades por todo o país.
O preço da carne de porco subiu quase 50 por cento em Agosto passado, em termos homólogos, devido a um surto devastador da peste suína africana, que resultou no abate de mais de um milhão de porcos, segundo dados oficiais.
O aumento dos preços tem um significado político amargo para o Partido Comunista, que aponta a melhoria dos padrões de vida nas últimas décadas como fonte de legitimidade do seu poder indisputado.
A China produz e consome dois terços da carne de porco no mundo. O Governo mantém reservas de porcos vivos e congelados para garantir o fornecimento, mas os detalhes sobre esta reserva são segredo de Estado.
Analistas consideram, no entanto, que a reserva é provavelmente muito pequena para compensar os efeitos da peste suína. Em Janeiro passado, o Governo libertou 9.600 toneladas para o mercado. Especialistas prevêem que a China importará mais de dois milhões de toneladas de carne de porco este ano.

Sorte lusitana

A peste suína africana não é transmissível aos seres humanos, mas é fatal para porcos e javalis. A actual onda de surtos começou na Geórgia, em 2007, e espalhou-se pela Europa do leste e Rússia, antes de chegar à China, em Agosto passado.
Inicialmente, Pequim insistiu que estava tudo sob controlo, mas os surtos acabaram por se alastrar a todas as províncias do país. As autoridades chinesas autorizaram, desde o final do ano passado, os matadouros portugueses Maporal, ICM Pork e Montalva a exportar para o país.
As estimativas iniciais apontavam que as exportações portuguesas para China se fixassem em 15.000 porcos por semana, movimentando, no total, 100 milhões de euros.
Os responsáveis do sector estimam que o valor das vendas duplique, para 200 milhões de euros, no próximo ano.
O acontecimento, visto pelos produtores portugueses como o “mais importante” acontecimento para a suinicultura nacional “nos últimos 40 anos”, irá, no entanto, ter efeitos inflaccionários também em Portugal.

27 Set 2019

Dia Nacional | Reservas de carne suína postas no mercado para travar preços

Após a subida, no mês passado, do custo da carne de porco em cerca de 50 por cento, o Governo tenta travar a escalada de preços em vésperas da celebração do dia nacional, a 1 de Outubro, e vai colocar 10.000 toneladas de carne suína no mercado. As reservas existentes continuam a ser segredo de estado

 
O Governo chinês está a colocar no mercado carne de porco que mantém em reserva visando travar a subida dos preços causada pela peste suína, nas vésperas da comemoração do 70º aniversário da fundação da China comunista.
O preço da carne de porco, parte essencial da cozinha chinesa, subiu quase 50 por cento em Agosto passado, em termos homólogos, devido a um surto devastador da peste suína africana, que resultou no abate de mais de um milhão de porcos, segundo dados oficiais.
A agência do Governo que administra as reservas nacionais de carne de porco congelada anunciou que vai colocar 10.000 toneladas no mercado.
Aquela quantidade equivale a menos de 0,2 por cento do consumo mensal no país, o que sugere que o anúncio visa mostrar a determinação de Pequim em combater o aumento do preço, ao invés de aumentar realmente a oferta no mercado.
A China produz e consome dois terços da carne de porco no mundo. O Governo mantém reservas de porcos vivos e congelados para garantir o fornecimento, mas os detalhes sobre esta reserva são segredo de Estado.
Analistas consideram, no entanto, que a reserva é provavelmente muito pequena para compensar os efeitos da peste suína. Em Janeiro passado, o Governo libertou 9.600 toneladas para o mercado.
A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão máximo de planificação económica, prometeu ontem também tomar “medidas de controlo em tempo útil”, para manter o preço dos alimentos estável, nas vésperas das comemorações do dia 1 de Outubro.
O aumento dos preços tem um significado político amargo para o Partido Comunista, que aponta a melhoria dos padrões de vida nas últimas três décadas como fonte de legitimidade do seu poder indisputado.
Especialistas prevêem que a China importará mais de dois milhões de toneladas de carne de porco este ano.

Janela aberta

A peste suína africana não é transmissível aos seres humanos, mas é fatal para porcos e javalis. A actual onda de surtos começou na Geórgia, em 2007, e espalhou-se pela Europa do leste e Rússia, antes de chegar à China, em Agosto passado.
Inicialmente, Pequim insistiu que estava tudo sob controlo, mas os surtos acabaram por se alastrar a todas as províncias do país. As autoridades chinesas autorizaram, desde o final do ano passado, os matadouros portugueses Maporal, ICM Pork e Montalva a exportar para o país.
As estimativas iniciais apontavam que as exportações portuguesas para China se fixassem em 15.000 porcos por semana, movimentando, no total, 100 milhões de euros.
O acontecimento é visto pelos produtores portugueses como o “mais importante” acontecimento para a suinicultura nacional “nos últimos 40 anos”.

19 Set 2019

Dia Nacional | Reservas de carne suína postas no mercado para travar preços

Após a subida, no mês passado, do custo da carne de porco em cerca de 50 por cento, o Governo tenta travar a escalada de preços em vésperas da celebração do dia nacional, a 1 de Outubro, e vai colocar 10.000 toneladas de carne suína no mercado. As reservas existentes continuam a ser segredo de estado

 

O Governo chinês está a colocar no mercado carne de porco que mantém em reserva visando travar a subida dos preços causada pela peste suína, nas vésperas da comemoração do 70º aniversário da fundação da China comunista.

O preço da carne de porco, parte essencial da cozinha chinesa, subiu quase 50 por cento em Agosto passado, em termos homólogos, devido a um surto devastador da peste suína africana, que resultou no abate de mais de um milhão de porcos, segundo dados oficiais.

A agência do Governo que administra as reservas nacionais de carne de porco congelada anunciou que vai colocar 10.000 toneladas no mercado.

Aquela quantidade equivale a menos de 0,2 por cento do consumo mensal no país, o que sugere que o anúncio visa mostrar a determinação de Pequim em combater o aumento do preço, ao invés de aumentar realmente a oferta no mercado.

A China produz e consome dois terços da carne de porco no mundo. O Governo mantém reservas de porcos vivos e congelados para garantir o fornecimento, mas os detalhes sobre esta reserva são segredo de Estado.

Analistas consideram, no entanto, que a reserva é provavelmente muito pequena para compensar os efeitos da peste suína. Em Janeiro passado, o Governo libertou 9.600 toneladas para o mercado.

A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão máximo de planificação económica, prometeu ontem também tomar “medidas de controlo em tempo útil”, para manter o preço dos alimentos estável, nas vésperas das comemorações do dia 1 de Outubro.

O aumento dos preços tem um significado político amargo para o Partido Comunista, que aponta a melhoria dos padrões de vida nas últimas três décadas como fonte de legitimidade do seu poder indisputado.

Especialistas prevêem que a China importará mais de dois milhões de toneladas de carne de porco este ano.

Janela aberta

A peste suína africana não é transmissível aos seres humanos, mas é fatal para porcos e javalis. A actual onda de surtos começou na Geórgia, em 2007, e espalhou-se pela Europa do leste e Rússia, antes de chegar à China, em Agosto passado.

Inicialmente, Pequim insistiu que estava tudo sob controlo, mas os surtos acabaram por se alastrar a todas as províncias do país. As autoridades chinesas autorizaram, desde o final do ano passado, os matadouros portugueses Maporal, ICM Pork e Montalva a exportar para o país.

As estimativas iniciais apontavam que as exportações portuguesas para China se fixassem em 15.000 porcos por semana, movimentando, no total, 100 milhões de euros.

O acontecimento é visto pelos produtores portugueses como o “mais importante” acontecimento para a suinicultura nacional “nos últimos 40 anos”.

19 Set 2019

Economia | Preço da carne de porco ganha contornos de crise nacional

Entre os incentivos à produção e as recomendações de saúde para reduzir o consumo, o Governo Central tenta contornar a quebra de stock de carne de porco, em véspera de feriados. Sem sinais de controlo da epidemia de peste suína africana, Pequim vê-se a braços com a fraca modernização de uma indústria largamente nas mãos de pequenas suiniculturas onde a higiene e o controlo de qualidade não são prioridades

 
As contas de mercearia dos chineses já requeriam alguma ginástica devido aos efeitos da guerra comercial e ao abrandamento económico, mas agora junta-se outro factor à equação: os preços da carne de porco que empurraram a inflação para uma subida de 2,8 por cento no mês passado, de acordo com o índice de preços ao consumidor.
A escassez levou à subida vertiginosa do preço da carne de porco nos últimos meses, fixando-se hoje em dia em quase mais 50 por cento do que há um ano atrás, de acordo com dados oficiais publicados na terça-feira.
À medida que aumentam as frustrações dos consumidores, as autoridades expressam sinais ténues de alarme enquanto tentam conter a doença que está a devastar a população suína chinesa e a causar escassez de carne.
O primeiro-ministro Li Keqiang expressou a necessidade de assumir uma “atitude de emergência” para lidar com o assunto. Outros líderes chineses categorizaram o problema como “uma prioridade nacional” e, do que foi tornado público, pelo menos três governos locais recorreram a reservas estratégicas de carne de porco para assegurar as necessidades dos consumidores.
Apesar destas medidas, os consumidores estão a ser fortemente afectados, numa altura em que os preços ameaçam a estabilidade dos orçamentos familiares.
Citado pelo The New York Times, Gui Fuyi, um reformado de 69 anos, dispara: “Muito caro, muito caro mesmo! Não consigo pagar este preço”, enquanto passa os olhos pela secção da carne num mercado de Pequim. Nos dias que correm, o reformado confessa que só pode comprar carne picada para fazer dumplings.
Os dados oficiais divulgados na passada terça-feira revelam o fardo que os consumidores chineses estão a pagar, com os preços dos produtos alimentares a subirem 10 por cento, em relação ao ano anterior. Os números relevam que as tensões comerciais com os Estados Unidos vieram avolumar o problema, à medida que se sentem os efeitos das tarifas nos produtos agrícolas e nas rações para animais anteriormente importadas dos Estados Unidos.
“O Governo chinês tem repetido várias vezes que a China consegue aguentar as dificuldades e as repercussões do conflito comercial”, refere Victor Shih, professor da Universidade da Califórnia e especialista em economia chinesa, que acrescenta que, porém, “o que não dizem é que são as pessoas que suportam as consequências”.

Futuro sombrio

Em várias ocasiões, as autoridades chinesas disseram publicamente que a guerra comercial não iria afectar a oferta de carne de porco. Porém, face às mais recentes tarifas, que entraram em vigor no passado dia 1 de Setembro, Pequim impôs taxas adicionais a produtos norte-americanos como soja, porco, marisco e crude.
Perante as estimativas que apontam para que o preço da carne de porco no final de 2019 seja o dobro do preço registado no ano passado, Pequim prepara-se para a tempestade que se forma no horizonte.
Há mais de um ano a esta parte que a China tem lutado para conter a epidemia de peste suína, uma doença altamente contagiosa, inofensiva para humanos, mas que mata quase todos os porcos infectados. Em Outubro de 2018, o Governo de Xi Jinping declarou o primeiro foco de epidemia e, desde então, os casos têm-se espalhado por todo o país.

Estancar a ferida

De forma a conter o problema, as autoridades chinesas ordenaram aos criadores de porcos que não alimentassem os animais com restos de comida, um meio frequente de contágio uma vez que o vírus consegue sobreviver durante dias nas fezes e na carne não cozinhada espalhando-se a animais saudáveis.
Foram também impostas restrições ao nível do transporte de animais, necessidade de quarentena nos locais onde a doença foi detectada e foram inclusive detidas pessoas por comercializarem porcos infectados com peste suína.
Apesar dos esforços das autoridades, padrões de higiene e segurança têm sido difíceis de impor aos milhões de pequenas pecuárias que se espalham por todo o país e de onde provém a maioria da carne de porco produzida na China. De acordo com números fornecidos pelo Governo Central, mais de 1,2 milhões de porcos foram abatidos na esperança de conter a epidemia, uma pequena fracção dos 700 milhões de porcos consumidos no ano passado. Uma situação que leva analistas a concluírem que os números oficiais não beliscam sequer a seriedade da epidemia.
Agricultores e investidores do sector da suinicultura referem que a maioria dos casos de peste suína africana não são reportados às autoridades, o que resulta na chegada ao mercado de muitos porcos infectados. O The New York Times refere que em muitos casos, tanto agricultores como autoridades, são lentos na resposta ou mostram relutância em assumir o número de infecções nos seus animais. Importa referir que a doença já passou fronteiras para o Vietname, Mongólia e Coreia do Norte, enquanto outros países asiáticos se encontram em estado de alerta de forma a conter um possível contágio.

Feriados à porta

Numa época em que as famílias chinesas se preparam para a celebração dos feriados do bolo lunar, o preço da carne de porco aumenta ainda mais ajustando-se à expectável procura.
Para responder à ansiedade da população, as autoridades locais lutam para encontrar soluções imaginativas. Na cidade de Wenzhou, no leste da China, o Governo local anunciou ter uma reserva de carne de porco congelada em quantidade suficiente para dar a cada cidadão 50 gramas diariamente ao longo de quatro dias. No sul, em Nanning, foi anunciado aos residentes que podem comprar até um quilo de carne de porco com desconto. Aqui mais perto, na província de Guangdong, os meios de comunicação locais divulgaram o compromisso das autoridades em disponibilizar mais de 3.100 toneladas de carne de porco congelada.
Num espectro mais abrangente, o Governo Central anunciou medidas de encorajamento a agricultores e suinicultores com o intuito de aumentar a produção, ou expandir negócios já existentes. Alguns subsídios chegam quase aos 5 milhões de yuan.
No entanto, à medida que ainda se vão descobrindo focos de peste, o aumento da produção de animais pode, simplesmente, possibilitar o crescimento da epidemia.
Pan Chenjun, analista agrícola da representação de Hong Kong do banco holandês Rabobank, aponta a posição complicada em que Pequim se encontra. “O Governo Central tem em mãos um problema de difícil resolução. Não pode dizer que para controlar a epidemia tem de eliminar a produção.” Independentemente dos incentivos públicos, caberá aos privados a decisão de voltar a apostar na suinicultura, situação complicada uma vez que existe o conhecimento generalizado de que o vírus ainda se encontra activo.
Porém, ao mesmo tempo que tenta repor o stock de porco, o Governo Central divulga mensagens a enfatizar as virtudes de cortar na carne de porco. Prova disso é o artigo de primeira página da revista Life Times do Partido Comunista Chinês intitulado “Comer menos carne de porco faz bem”. A culinária baseada no porco faz parte de uma antiga e enraizada tradição chinesa, porém, as autoridades de saúde têm-se multiplicado em alertas para os riscos de colesterol da ingestão em excesso. “Independentemente do preço da carne de porco, a população deve ter cautela com a dieta, comer um pouco menos de porco e mais de carne branca”, alertou Xu Shufang, oficial das autoridades de saúde citado pelo The New York Times.
Enquanto os efeitos da guerra comercial se fazem sentir e a produção interna está comprometida, Pequim vira-se para o Brasil e Dinamarca. Na passada segunda-feira, a China adicionou à lista de exportadores aprovados 25 empresas de carne brasileira, elevando para um total de 89 companhias, de acordo com informação veiculada pelo Ministério da Agricultura brasileiro. Por outro lado, emissários do Governo dinamarquês estão de visita a Pequim para negociar o aumento das exportações de carne de porco.

12 Set 2019