FIMM | Fadista Gisela João actua amanhã

É já amanhã que actua no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) a fadista portuguesa Gisela João, apresentando o concerto “AuRora”, onde se explorará “a essência do Fado, permitindo ao público desfrutar de uma experiência vocal repleta dos mais diversos sabores da vida”, descreve o Instituto Cultural (IC). O espectáculo integra o cartaz do XXXV Festival Internacional de Música de Macau (FIMM), que está prestes a chegar ao fim.

Hoje, com repetição amanhã, acontece o espectáculo com Teodor Currentzis e a sua orquestra “musicAeterna” no grande auditório do CCM. Serão tocadas as composições clássicas de Rimsky-Korsakov, Rachmaninoff e Prokofiev.

Amanhã e domingo acontece, na Casa do Mandarim, o espectáculo de fusão “Canção do Ch’in”, com o intérprete de guqin, Chen Leiji, que se une a um grupo de músicos da Câmara da Orquestra do CNAC da China, apresentando-se instrumentos de corda chineses e ocidentais.

O FIMM termina segunda-feira com “Ecos da Vida”, um espectáculo criado pela jovem pianista germano-nipónica Alice Sara Ott e pelo arquitecto internacionalmente premiado Hakan Demirel, que acontece no grande auditório do CCM. Apresenta-se um recital de Alice Sara Ott e instalações de vídeo concebidas por Hakan Demirel em torno dos 24 prelúdios de Chopin.

Concerto de guitarrista Kris Nandharaj amanhã na FRC

Acontece amanhã, a partir das 21h, na Fundação Rui Cunha (FRC), o concerto com o guitarrista tailandês Kris Nandharaj, que integra o ciclo “Meet the Masters” da iniciativa “Saturday Night Jazz”, que a FRC apresenta regularmente aos sábados. Segundo um comunicado da FRC, Kris Nandharaj é também compositor e professor de música no Departamento de Jazz da Universidade Silpakorn em Banguecoque, actuando em Macau ao lado da banda residente da Associação de Promoção do Jazz de Macau (MJPA).

O guitarrista é especializado em jazz moderno, tendo uma sólida formação em jazz tradicional. Kris Nandharaj começou a estudar guitarra aos 15 anos por influência do rock, formando-se em Jazz pela Universidade Silpakorn de Banguecoque em 2004. Depois da formação académica trabalhou como professor e começou a tocar em diversas bandas na Tailândia. Em 2006, o músico mudou-se para Nova Iorque, tendo estudado, a partir de 2008, Música e Artes Performativas na New York Steinhardt University. Aí “teve a oportunidade de praticar guitarra jazz com muitos artistas famosos de classe mundial”, revela um comunicado da FRC.

O guitarrista fez ainda um mestrado em Música e Performance de Jazz em 2010, ano em que se tornou instrutor de guitarra na Universidade de Nova Iorque (NYU) e passou a tocar em espectáculos e festivais de Nova Iorque, Boston e Washington D.C.

Percurso de sucesso

O artista regressou à Tailândia em 2012, onde tem feito um percurso profissional de sucesso, como professor e artista. Além de ter publicado um álbum instrumental de jazz em 2020, intitulado “Kris Nandharaj Quartet Plus One: West Side Story”, tocou e gravou com diversas bandas como os Mellow Motif, um grupo de jazz tailandês, os Bomi’s Homies, uma banda de jazz coreana, os The Begins Grand, a banda de apoio nos programas televisivos The Voice Tailândia e The Voice Kids, Big to the Future, uma banda holandesa de swing jazz. Kris Nandharaj teve ainda participações pontuais em bandas de jazz, pop-funk e ska-reggae tailandesas.

O ciclo de espectáculos “Meet the Masters” é promovida anualmente pela MJPA, apresentando músicos profissionais radicados ou de passagem pelo território. Realiza-se desde 2014 e é uma das actividades de longo prazo da MJPA, tendo já sido convidados inúmeros músicos profissionais a Macau para ensaiar com os membros e actuar em conjunto para o público local.

A MJPA, co-organizadora do Saturday Night Jazz com a FRC desde 2014, é uma associação artística local sem fins lucrativos, criada em 2010. O objectivo da MJPA é promover a música jazz junto do público de Macau e proporcionar oportunidades aos músicos locais, realçando assim a característica multicultural do território.

Lusofonia | Nova edição do Festival arranca hoje às 19h30

Carlão, antigo integrante do grupo português de hip-hop Da Weasel, é um dos grandes nomes do cartaz de mais uma edição do festival da Lusofonia, actuando amanhã nas Casas Museu da Taipa. Este é o regresso de uma das festas mais populares e representativa da multiculturalidade de Macau após o período da pandemia, contando com os habituais postos de venda das associações locais

 

Arranca hoje mais uma edição do Festival da Lusofonia, que habitualmente acontece na Taipa, nomeadamente nas Casas-Museu, Jardim Municipal, Largo do Carmo e Auditório do Carmo e que junta anualmente as mais diversas culturas que habitam Macau, com destaque para a matriz lusófona. O cartaz deste ano é marcado pela presença do músico português Carlão, ex-integrante do grupo Da Weasel, ligado ao hip-hop, que actua amanhã.

Com inúmeras actividades ligadas ao artesanato, cultura e gastronomia organizadas por dezenas de associações locais, os espectáculos começam hoje no Largo do Carmo às 19h30, prolongando-se até às 22h. Destaque para as actuações de artistas locais, nomeadamente Rita Portela, voz do jazz e do fado, Lulu Tavares, o saxofonista Paulo Pereira, Fabrizio Croce, Daniela da Silva, Jandira Silva, um grupo de música popular portuguesa, a banda Janmed e os Goa Groovie Band. Entre as 19h45 e as 22h, decorre ainda, no anfiteatro das Casas Museu da Taipa, actuações de Betchy Barros e o grupo Fogo Fogo, de Cabo Verde.

Amanhã, entre as 16h e as 23h, no anfiteatro das Casas Museu da Taipa, decorrem diversas actuações, nomeadamente de Carlão, do grupo folclórico infantil da Escola Portuguesa de Macau ou do Grupo Axê Capoeira do mestre Eddy Murphy. Destaque ainda para os concertos da banda Concrete/Lotus, formada por Kelsey Wilhem e Joana de Freitas, ou ainda do grupo João Gomes e Banda.

Das 19h30 às 22h, no Largo do Carmo, haverá mais música com diversos artistas como Fabrizio Croce, Giulliana Fellini e João Mascarenhas, Banda Janmed e Betchy Barros.

The Bridge e amigos

Domingo, último dia do festival, é tempo de fechar mais uma edição de um dos eventos mais populares do território com música. Os espectáculos no anfiteatro das Casas Museu da Taipa começam logo às 16h e 22h, sendo protagonizados por vários artistas, tal como o Elvis de Macau, banda Top Riff, Banda Inova, os The Bridge ou o grupo Fado Oriente.

Das 19h30 às 22h, desta vez no Largo do Carmo, acontecem os espectáculos de bandas ou músicos que actuaram nos dias anteriores, nomeadamente os Concrete/Lotus, Daniela da Silva, Giuliana Fellini e João Mascarenhas ou Benjamim Soares.

GPMacau | Poucos pilotos de matriz lusófona na 70.ª edição

Apesar do Grande Prémio de Macau ter um número superior de corridas e de participantes este ano, dado que as celebrações do 70.º aniversário se prolongam em dois fins de semana de corridas, o contingente de pilotos de matriz lusófona no Grande Prémio de Macau é o mais pequeno de sempre desde o início dos anos 1980

 

“São poucos mas bons”, mas são apenas cinco os pilotos de matriz lusófona da RAEM que irão alinhar nas onze corridas do Grande Prémio. A Taça de Carros de Turismo de Macau – China Touring Car Championship conta com a presença de André Couto e Filipe Souza, sendo que este último já afirmou publicamente que esta será a última vez que disputa o evento enquanto piloto, dado que já cumpriu o seu objectivo de vencer a Corrida da Guia.

Ainda nas corridas de Turismo, Jerónimo Badaraco vai alinhar na TCR Asia Challenge, e caso termine nos oito melhores classificados ainda poderá participar no segundo fim de semana na Corrida da Guia Macau – TCR World Tour, ao passo que Rui Valente tem presença confirmada no Desafio do 70.º Aniversário do Grande Prémio de Macau, uma corrida que acolhe os carros do novo troféu bimarca Toyota/Subaru.

Num ano de muitas ausências, e um pouco contra a corrente, o jovem Tiago Rodrigues, o actual líder do Campeonato da China de Fórmula 4, vai estrear-se no evento na Corrida de Fórmula 4 de Macau, a prova principal do primeiro fim de semana do evento.

Ausências várias

De fora ficarão muitas caras conhecidas do desporto motorizado local, principalmente pelas dificuldades em colocar projectos de pé. Junio Pereira, que se tinha estreado em 2021 nestas andanças, já tinha revelado ao HM no início do ano que dificilmente iria competir este ano. Depois de ter subido ao pódio na Corrida Macau Roadsport Challenge em 2022, Sabino Osório Lei confirmou que não conseguiu concretizar os seus planos de correr este ano, enquanto Delfim Medonça Choi também teve a mesma sorte, ele que estava apostado em correr na TCR Asia Challenge.

Por motivos pessoais, Célio Alves Dias estava fora de Macau quando foram disputadas as corridas de qualificação do AAMC, e assim, ficou impossibilitado de alinhar nas provas de qualificação da Corrida Macau Roadsport Challenge. Luciano Lameiras, outro piloto que também subiu ao pódio em Macau, e o veterano Eurico de Jesus, figuras habituais do Grande Prémio, não constam das listas de inscritos publicadas na passada quarta-feira.

Sem um programa desportivo definido para este ano, após a MG ter colocado em pausa o seu projecto no automobilismo, Rodolfo Ávila é outra das ausências notadas em pista na edição deste ano. Porém, o campeão do TCR China em 2021 terá um primeiro fim de semana bastante ocupado como chefe de equipa, visto que terá de liderar a formação de quatro carros da Asia Racing Team na Corrida de Fórmula 4 de Macau.

Nenhum de Portugal

A exemplo dos dois primeiros anos da pandemia, 2020 e 2021, não viajará nenhum piloto de Portugal para participar no evento, nem nos automóveis nem nas motas. Com oito presenças no Grande Prémio de Motos de Macau, incluindo um sétimo lugar na edição do ano passado, André Pires não foi convidado para a edição deste ano, para enorme desgosto do piloto de Vila Pouca de Aguiar. Sheridan Morais, terceiro na prova do ano, também não irá comparecer, o que colocará um ponto final a uma presença ininterrupta de pilotos portugueses na prova de motociclismo de Macau que durava desde 1986.

O HM sabe do interesse de pilotos de Portugal em participar no evento, em provas de automóveis, mas a obrigatoriedade de terem de participar em provas de qualificação no Interior da China e a tardia publicação dos regulamentos das várias corridas terão arrefecido esse interesse.

Pequim quer reforçar cooperação com a Califórnia na questão do clima

O ministro do Ambiente chinês, Huang Runqiu, afirmou ontem que a China pretende reforçar a cooperação com os Estados Unidos na luta contra as alterações climáticas, durante uma reunião com o governador da Califórnia, Gavin Newsom.

Newsom está a fazer uma visita de uma semana à China, visando promover a cooperação no âmbito da luta contra as alterações climáticas. A viagem de Newsom como governador, outrora considerada rotineira, ganhou maior relevo no âmbito das tensões crescentes entre EUA e China.

O clima é uma das poucas questões em que os dois países concordaram em trabalhar juntos. As relações entre Pequim e Washington deterioraram-se nos últimos anos, devido a uma guerra comercial e tecnológica, diferendos em questões de direitos humanos, o estatuto de Hong Kong e Taiwan ou a soberania do mar do Sul da China.

Huang disse que o seu ministério vai continuar a cumprir os acordos ao abrigo de um memorando de entendimento assinado no ano passado entre China e Califórnia, que inclui “investimentos no mercado do carbono, adaptação climática, implementação da lei ambiental e intercâmbio entre pessoas para reforçar a cooperação e ter um efeito positivo na cooperação ambiental China – EUA”.

A Califórnia é líder na regulação da poluição atmosférica e outras questões relacionadas com o clima, disse Newsom, durante o encontro.

“Mas reconhecemos os limites da liderança subnacional. Precisamos de mais parceiros. E estou aqui com esse espírito de parceria e também de humildade, reconhecendo que não temos todas as respostas”, disse o governador. Ambas as partes falaram sobre o aumento de fenómenos de clima extremo nos seus países.

Objectivo comum

Califórnia e China emitiram uma declaração na quarta-feira na qual se comprometem a trabalhar em conjunto para combater as alterações climáticas, incluindo promover o uso de energia eólica, tecnologias avançadas de armazenamento de energia e veículos com emissões zero.

Newsom foi recebido em Pequim com uma cordialidade e simpatia raramente vistas entre autoridades norte-americanas e chinesas. Na quarta-feira, reuniu-se com o líder chinês, Xi Jinping, e outros líderes de topo, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, e o vice-presidente, Han Zheng.

Newsom destacou o clima como um domínio em que ambas as partes precisam de cooperar, uma vez que está em causa a sobrevivência e o futuro da população humana. Reuniu-se ainda com o chefe da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, órgão máximo de planeamento económico do Governo chinês.

Tiangong | Pequim envia tripulação mais jovem de sempre para estação espacial

A política chinesa de desenvolvimento espacial conheceu ontem um novo capítulo com a colocação em órbita dos astronautas mais jovens de sempre. O objectivo é ter um astronauta chinês na lua até 2030

 

A China lançou ontem a tripulação mais jovem de sempre para a sua estação espacial Tiangong, em órbita, no âmbito da estratégia de enviar um astronauta chinês à Lua até 2030. A missão tripulada Shenzhou-17 partiu a bordo de um foguetão às 11:14 do centro de lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, no noroeste do país, segundo a agência espacial chinesa responsável pelos voos espaciais tripulados (CMSA).

De acordo com a televisão estatal chinesa CCTV, a idade média dos três membros da tripulação, 38 anos, é a mais baixa desde o lançamento da missão inicial de construção da estação espacial, que ficou concluída no final de 2022.

O trio de ‘taikonautas’ (o nome chinês para astronautas) Tang Hongbo (40 anos), Tang Shengjie (33 anos) e Jiang Xinlin (35 anos) deverá chegar à Tiangong dentro de seis ou sete horas, para substituir uma tripulação que está na estação há seis meses.

A agência anunciou também ontem planos para enviar um novo telescópio para sondar as profundezas do universo. A CCTV disse que o telescópio permitiria mapear o céu, mas nenhum prazo foi dado para a instalação.

A viagem de ontem insere-se na estratégia de enviar um astronauta chinês à Lua até 2030, um dos principais objectivos de um programa espacial no qual o país já investiu milhares de milhões de euros.

Por todo o espaço

A China tem actualmente projectos de cooperação com a Agência Espacial Europeia e o Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos Espaciais Exteriores, que podem vir a aumentar, tendo em conta que a Tiangong pode em 2024 tornar-se a única estação espacial operacional.

A Estação Espacial Internacional, iniciativa liderada pelos Estados Unidos e à qual a China está proibida de aceder devido aos laços militares do seu programa espacial, deverá ser abandonada em 2024.

Em 2019, a China pousou uma nave espacial no lado mais distante da Lua, tornando-se a primeira nação do mundo a fazê-lo, e em 2020, trouxe de volta amostras lunares e finalizou o Beidou, sistema de navegação por satélite.

Em 2021, a China fez aterrar um pequeno robô em Marte, e o próximo passo é garantir o lançamento de duas missões espaciais tripuladas por ano, segundo a CMSA.

O país quer ainda lançar em 2030 a missão espacial Tianwen-3, para recolher e trazer de volta para a Terra amostras do solo de Marte, disse à Lusa no início do mês o cientista português André Antunes, responsável pela unidade de astrobiologia do Laboratório de Referência do Estado para a Ciência Lunar e Planetária da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

Excursões | Guia pediu grupo para transportar perfumes

Os serviços de alfândega de Gongbei descobriram um caso de contrabando no qual está envolvido um grupo de excursionistas e o seu guia turístico.

Segundo um comunicado enviado às redacções, o caso ocorreu no passado dia 19, tendo o guia incitado o grupo de turistas a contrabandear um total de 485 perfumes e produtos de higiene pessoal, colocados nas suas malas e bagagens.

Todos estes produtos acabaram por ser detectados nas máquinas de raio-x dispostas no posto fronteiriço da ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau numa altura em que os turistas se dirigiam para o interior da China. Após uma investigação das autoridades, foi confirmado que os produtos pertenciam ao guia turístico, que pediu aos turistas para os colocarem nas suas malas e bagagens antes de passarem a fronteira.

WhatsApp | Desmentido boato sobre falso esquema

A Polícia Judiciária (PJ) emitiu ontem um comunicado a desmentir um boato que circulou nas redes sociais sobre a opção “bloquear” da aplicação WhatsApp.

Segundo a informação não-factual que foi partilhada, o falso esquema partiria de uma mensagem enviada por uma pessoa desconhecida e quando o receptor clicava em “bloquear” a sua conta na aplicação de conversação era “invadida imediatamente”. A PJ explicitou que “o referido botão de “bloquear” é o verdadeiro recurso de “ferramenta de segurança” do WhatsApp.

Quando o utilizador de WhatsApp receber uma mensagem de uma pessoa que não é dos seus contactos, aparece automaticamente esta alerta”. Além disso, o Centro de Coordenação de Combate às Burlas da PJ revelou “que até ao presente não foi recebida qualquer denúncia em relação à invasão da conta de WhatsApp e que tenha havido prejuízo por causa de clicar o botão ‘bloquear’”.

PJ | Desempregada presa por burla

Uma residente com 47 anos foi presa, por estar envolvida num esquema de burlas relacionada com a oferta de empregos.

Segundo a Polícia Judiciária (PJ), a suspeita encontrou-se com uma mulher num casino de Macau, e prometeu arranja-lhe emprego para a filha, assim como uma autorização de residência, a troco de um pagamento de 130 mil dólares de Hong Kong. O trabalho prometido era na empresa de construção do marido da mulher.

Com a promessa foi ainda informado que o todo o processo seria terminado dentro de 20 dias, o que nunca aconteceu. No entanto, como a residente ficou incontactável depois de receber o pagamento, a vítima apresentou queixa junto das autoridades. A mulher residente foi detida a 22 de Outubro, quando se preparava para deixar Macau e ir para o Interior.

Táxis | Líder associativo alerta para a falta de motoristas

O presidente da Associação de Mútuo Auxílio de Condutores de Táxi revelou ao HM que não existem motoristas suficientes em Macau para os 500 táxis que o Governo pretende colocar em circulação. Outro dirigente associativo considera a base de licitação elevada e uma barreira à participação de investidores particulares

Depois do anúncio do concurso público para emitir 10 licenças para transporte de passageiros em táxis, que podem resultar na atribuição de alvará a 500 novos táxis, o sector reagiu em bloco.

Em declarações ao HM, o presidente da Associação de Mútuo Auxílio de Condutores de Táxi, Tony Kuok, apontou que o volume de veículos que vão entrar ao serviço irá levar a uma “correria louca para contratar taxistas”.

“Em termos práticos, julgo que serão necessários 1.000 condutores para estes 500 táxis e Macau não tem esse volume adicional de profissionais. Isso irá resultar numa competição feroz entre empresas para atrair taxistas, por exemplo, oferecendo rendas de táxi mais baratas e melhores benefícios”, indicou.

Tony Kuok entende que, neste momento, existem em Macau motoristas suficientes para a frota de táxis em operação, depois da saída de circulação de centenas de veículos durante a pandemia.

Além do aumento da frota, o representante argumentou que quando os novos táxis estiverem prontos para operar muitos motoristas vão estar em idade de reforma. Além disso, afirmou que os profissionais mais jovens têm tendência para trabalhar pouco tempo no sector e procurar outras saídas com melhores rendimentos, como serviços de entrega take-away.

Classe de elite

O vice-presidente da Associação das Taxistas de Macau, Tai Kam Leong, também está preocupado com a escassez de mão-de-obra, mas apontou as “culpas” à atribuição de demasiadas licenças de uma só vez, considerando que a emissão progressiva seria mais eficaz para o sector.

A acérrima competitividade para contratar motoristas, assim como os elevados preços que se perspectivam para comprar uma licença e operação dificultam o processo.

O preço base de concurso para cada licença é de 2,5 milhões patacas, sem contar com o pagamento dos impostos do selo de licença e de alvarás. Além disso, as sociedades concorrentes têm de prestar ainda uma caução de 3,5 milhões de patacas para entrarem no concurso público.

Fontes citadas pelo jornal Ou Mun lamentaram os elevados custos e critérios corporativos para entrar no concurso (nomeadamente a exigência de 5 milhões de patacas como capital social), factores apontados como barreiras à participação de motoristas individuais e de micro-investidores.

As mesmas fontes traçaram um futuro em que o sector ficará cada vez mais concentrado em menos empresas, afectando a competição no mercado e a qualidade do serviço.

Lei da Educação Patriótica elogiada em Macau

A Assembleia Popular Nacional aprovou na terça-feira a Lei de Educação Patriótica, que entrará em vigor a 1 de Janeiro do próximo ano. A legislação foi anunciada como um instrumento que irá reforçar a educação patriótica e promover o espírito do patriotismo.

Segundo o Ministério da Justiça da República Popular da China, “a lei destaca a educação patriótica para jovens e crianças e estabelece disposições relativas à educação patriótica para vários grupos de pessoas, tais como funcionários de departamentos governamentais, empresas e instituições públicas, residentes de zonas urbanas e rurais, bem como compatriotas de Hong Kong, Macau e Taiwan e chineses ultramarinos”.

Apesar de não estipular directamente obrigações práticas que mexam com o sistema de ensino de Macau, a lei nacional mereceu elogios vários dirigentes políticos.

O presidente da Associação Comercial de Macau, Frederico Ma Chi Ngai, foi um dos dirigentes que elogiou a Lei de Educação Patriótica. “A maioria dos residentes de Macau tem uma tradição patriótica e um forte sentimento de identidade nacional, de pertença e de orgulho nacional. A aplicação desta lei no futuro desempenhará um importante papel de orientação na educação patriótica de Macau na nova era”.

Frederico Ma Chi Ngai, que também é membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, indicou em declarações ao jornal Ou Mun que, enquanto “defensor e praticante dos valores fundamentais do patriotismo e amor a Macau”, organiza todos os anos uma visita à Exposição sobre a Educação da Segurança Nacional com membros da Associação Comercial de Macau.

O dirigente sublinhou ainda que as escolas afiliadas à associação comercial (Escola Secundária da Ilha Verde e Escola Seong Fan) “cooperam activamente com as políticas do Governo da RAEM de educação patriótica e esforçam-se para inculcar nos estudantes o espírito patriótico”.

A história correcta

O deputado e presidente da Associação dos Jovens do Povo Nick Lei considera que o Governo da RAEM deve “reforçar o trabalho de educação patriótica para a sociedade, especialmente para promover a compreensão profunda da história e da cultura da pátria”. O jovem deputado realça ainda que a “educação patriótica é uma parte vital da estabilidade e do desenvolvimento social”.

“Apelo aos residentes de Macau, especialmente aos jovens, para que tenham uma compreensão profunda do desenvolvimento nacional, da conotação da educação patriótica, que salvaguardem conscientemente a soberania nacional, a unidade e a integridade territorial, e se oponham resolutamente a quaisquer forças externas”, afirma Nick Lei.

Secretário deu “bronca” a Leong Hong Sai por pergunta sobre terrenos

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, recusa que exista “falta de transparência” na forma como são geridos os terrenos recuperados pelo Governo. Na sessão de perguntas e respostas dos deputados, Raimundo do Rosário protestou contra as questões colocadas por Leong Hong Sai, por considerar que a questão da gestão dos terrenos tinha ficado esclarecida em Abril deste ano.

“Parece que esta pergunta é feita para que amanhã venha escrito nos jornais que Leong Hong Sai questiona a falta de transparência na gestão dos terrenos”, criticou o secretário. “Não sei que tipo de informação está em falta para dizer que não há transparência. Está tudo nos sites da Direcção de Serviços de Solos e Construção Urbana, tem lá a informação toda”, acrescentou.

Raimundo do Rosário também defendeu que a reserva de terrenos é gerida de forma responsável. “Agora os terrenos recuperados não se chamam terrenos do Governo, são terrenos do Estado. Acha que podemos actuar de qualquer maneira com os terrenos do Estado?”, perguntou. “Quando estamos a lidar com terrenos do Estado, não acredito que haja um secretário que possa lidar com este assunto e actuar sem transparência”, ripostou.

Obrigações informativas

Rosário admitiu ainda estar a gastar tempo a comentar novamente a questão dos terrenos por não querer que “os jornais escrevam que não faz nada”.

Por esclarecer, ficou a questão das dívidas de terrenos da RAEM a várias empresas, aquela que tinha sido a principal questão do deputado dos Moradores, Leong Hong Sai. Raimundo assumiu não ir explicar a questão por ser “complexa” para abordar na Assembleia Legislativa.

“A questão dos terrenos em dívida é uma questão complexa, mas a lista está no portal da DSSCU. Se a questão dos terrenos em dívida fosse simples já estava resolvida”, afirmou. “Acho que não é adequado falar numa questão complexa aqui, por causa do limite de tempo. Também não temos um calendário. É muita complexa”, frisou.

Novo Bairro | Preço das casas fixado em contrato com Zhuhai

O contrato da compra do terreno do Novo Bairro de Macau pelo Governo da RAEM em Zhuhai impede que os apartamentos sejam vendidos aos residentes a menos de 30 mil renminbis por metro quadrado

 

O Governo de Macau está obrigado a cobrar um preço mínimo de 30 mil renminbis por metro quadrado nas fracções construídas no Novo Bairro de Macau. A revelação foi feita pelo presidente do Conselho de Administração da Macau Renovação Urbana, Peter Lam Kam Seng.

No início da sessão, Lam foi questionado pelo deputado Leong Sun Iok sobre o facto de o preço anunciado para a venda das fracções na Ilha da Montanha estar estabelecido nos 30 mil renminbis por metro quadrado. Leong indicou que o preço é caro, face aos outros montantes cobrados em Zhuhai, e que sem um ajustamento o projecto pode falhar o objectivo de atrair os residentes para habitar no Novo Bairro de Macau.

Na resposta, Peter Lam avançou que não há possibilidades de reduzir o preço, devido ao contrato assinado entre Macau e Zhuhai, para a venda do direito de exploração do terreno na Ilha da Montanha.

“Segundo o contrato assinado com a Direcção de Serviços de Recursos Naturais de Zhuhai não podemos ajustar o preço de venda das fracções no Novo Bairro de Macau, para acompanhar os preços dos imóveis das zonas vizinhas”, esclareceu o presidente da Macau Renovação Urbana. “Não podemos reduzir o preço para menos de 30 mil renminbis por metro quadrado, porque já ficou estabelecido no contrato assinado com Zhuhai e temos de respeitar o espírito do contrato”, acrescentou.

Peter Lam também informou que o terreno na Ilha da Montanha teve de ser adquirido por Macau a Zhuhai, não se tratando de uma oferta, ou de um arrendamento. Porém, não indicou o preço cobrado pelas autoridades da região vizinha, no âmbito do contrato assinado a 9 de Abril de 2020.

“Preço ideal”

Quando questionado sobre o facto de os preços serem mais caros do que os praticados em outras zonas de Zhuhai, mais populares, o presidente da empresa de capitais públicos defendeu que face aos materiais utilizados o “preço é ideal”.

“Quando as pessoas fizerem uma visita às fracções vão achar que o preço é ideal. Uma casa com dois quartos custa cerca de 2,6 milhões de renminbis, se tiver três quartos custa 3 milhões e tal”, vincou o presidente da empresa. Peter Lam destacou também o tipo dos materiais utilizados na construção, muitos deles com origem em Macau, assim como azulejos importados de Portugal.

Por outro lado, Lam Kam Seng indicou que as fracções vão ser complementadas com vários serviços, como escolas, restaurantes, bancos, serviços de correio entre outros. Por isso, o responsável insistiu estar muito confiante face à venda das quatro mil fracções. Contudo, Lam também desdramatizou o cenário das vendas ficarem abaixo do esperado: “Não faz mal porque este é um projecto para melhorar a vida da população”, vincou.

Licenças | Governo vai rever licenciamento de bares e restaurantes

O secretário para a Administração e Justiça André Cheong disse ontem que o processo de licenciamento dos estabelecimentos de comidas e bebidas, segundo o regime de agência única, “será revisto”, sendo “estabelecida uma plataforma electrónica para a apresentação dos pedidos”. Este sistema irá também servir para a “apreciação e aprovação conjunta” a fim de reduzir o tempo de espera para a obtenção das licenças por parte dos empresários da restauração.

Estas informações foram divulgadas em resposta a uma interpelação oral do deputado Lei Chan U, focada na necessidade de simplificação e coordenação dos serviços públicos.

André Cheong sublinhou ser “notório que, no âmbito dos trabalhos interdepartamentais que envolvem serviços públicos de diferentes competências e, até mesmo, de diferentes áreas governativas, podem surgir, efectivamente, dificuldades na coordenação, com procedimentos morosos, entre outros problemas”. Tal panorama pode “afectar a eficácia das acções governativas”, admitiu.

A fim de melhorar estas questões, o secretário prometeu “continuar a melhorar os trabalhos, identificando continuamente os problemas que forem surgindo, de forma a concretizar o objectivo da governação em prol da população, elevando o nível da governação pública”.

Idosos | IAS insiste que habitação é para pessoas independentes

Os apartamentos para idosos foram concebidos a pensar nas pessoas que têm mobilidade total e são independentes. O esclarecimento foi feito ontem por Hoi Va Pou, vice-presidente do Instituto de Acção Social (IAS), depois das críticas contra o projecto do Governo, face à inexistência de instalações com cuidados de saúde.

Hoi Va Pou explicou que há quartos com equipamentos de assistência de mobilidade, acessos facilitados, mas que não há um centro de cuidados, porque desde o início o projecto foi concebido para pessoas independentes.

Contudo, Hoi indicou que existe uma clubhouse no prédio, com salas para cantar, jogar cartas, assistir a ópera cantonense, biblioteca, e outros espaços com equipamentos que permitem aos moradores socializar, receber familiares e amigos.

Além disso, o IAS admite que vão ser organizados diferentes festivais e celebridade nos espaços comuns do prédio, em conjunto com a empresa que vai gerir o condomínio, para haver mais actividades para idosos.

Hoi Va Pou deixou também a esperança que naquela zona, na Areia Preta, abram vários restaurantes de grande dimensão, de forma a proporcionar mais oportunidades de convívio e corresponder à necessidade dos mais velhos.

As candidaturas para os apartamentos para idosos podem ser apresentadas a partir de 6 de Novembro, e até ontem tinham sido realizadas sete sessões de explicações, que contaram com a participação de mais de 300 pessoas.

Fujian | Ho Iat Seng insiste no caminho da diversificação económica

Em Fujian, o Chefe do Executivo deixou de fora a indústria do jogo do que considerou as “quatro indústrias principais” e prometeu “novas conquistas” ao implementar “as políticas e medidas dadas pelo Governo Central”

 

O Chefe do Executivo descreveu a política 1+4 como definidora das “quatro indústrias principais” do território, onde se incluem as áreas de “big health” (cuidados de saúde abrangentes, em português), finanças modernas, tecnologia de ponta e convenções, exposições e comércio, e cultura e desporto. As declarações foram prestadas em Fujian, no âmbito da 4.ª Reunião da Cooperação Fujian-Macau, e Ho Iat Seng deixou promessas de “novas conquistas”.

Segundo Chefe do Executivo, o Governo “vai implementar, de forma eficaz, as políticas e medidas dadas pelo Governo Central”, “aproveitar as vantagens do apoio da Pátria” e concretizar o “posicionamento de Um centro, Uma plataforma e Uma base, ao mesmo que se integra activamente na construção conjunta da Uma Faixa, Uma Rota,” e promove o desenvolvimento da Grande Baía e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau”. Com este caminho, Ho Iat Seng aponta que território caminha para “alcançar novas conquistas”.

Nesta marcha, o representante da RAEM destacou a cooperação com Fujian, no que diz respeito ao “papel de plataforma entre a China e os países de língua portuguesa” e disse haver espaço para “explorar, em conjunto com Fujian, o mercado dos países de língua portuguesa”.

Ho Iat Seng considerou ainda que Macau e Fujian, em conjunto, podem contribuir para “a modernização com características chinesas e a revitalização da nação chinesa”, através da expansão da “sólida base” de cooperação.

Navegação conjunta

Por sua vez, Zhou Zuyi, secretário do Comité Provincial de Fujian do Partido Comunista Chinês, desejou que o encontro de quarta-feira seja “novo ponto de partida”, considerou que “ambas as partes devem agarrar as oportunidades de negócio da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota” e “melhorar ainda mais o mecanismo de cooperação bilateral, e a integração no desenvolvimento nacional”.

Zhou destacou igualmente que “com a implementação aprofundada da construção da Grande Baía, a cooperação entre Fujian e Macau, enfrenta um conjunto de oportunidades sem precedentes”.

O secretário do Comité Provincial de Fujian sugeriu ainda que as duas regiões devem reforçar a cooperação para a “construção de uma nova plataforma de inovação tecnológica, e da cooperação nas áreas da medicina tradicional chinesa, de Big Health e da economia digital e entre outras”.

Zhou Zuyi terminou o discurso com um convite a Macau para “navegar em conjunto para o mar” e promover a cooperação no âmbito da Rota da Seda.

Estudo | Profissionais de saúde queixam-se de stress devido demasiado trabalho

Um estudo conclui que cerca de 30 por cento dos profissionais de saúde de Macau sentem stress por desempenharem um leque alargado de tarefas, incluindo “trabalhos desnecessários”. Cerca de 30 a 40 por cento destes profissionais diz ainda sentir stress por fazerem trabalhos que vão além das suas competências

 

Os profissionais de saúde de Macau sentem stress por terem de desempenhar tarefas além das que lhe são habitualmente atribuídas ou por terem de fazer trabalho desnecessário. Esta é uma das conclusões mais relevantes do estudo “Análise sobre os Tipos e as Causas do Stress do Papel dos Profissionais de Saúde de Macau: Numa Perspectiva das Relações nos Locais de Trabalho”, da autoria de Ao Io Weng, coordenador-adjunto da Comissão de Juventude da Federação das Associações dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. O estudo em causa foi publicado na edição de Setembro da revista Administração, publicação da responsabilidade da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP).

Lê-se no estudo que “cerca de 30 por cento dos profissionais reconhecem que sentem stress derivado do conflito de papéis, em virtude de, por exemplo, fazerem trabalhos desnecessários ou de satisfazerem exigências de outros que não são uniformes”.

Enquanto isso, “há também 30 a 40 por cento dos profissionais que reconhecem que sentem stress decorrente da sobrecarga de papéis, ou seja, a natureza ou a carga de trabalho excede as suas competências”. No entanto, acrescenta o autor, “a grande maioria dos profissionais de saúde conhece muito bem o posicionamento do seu papel”, sendo que menos de dez por cento diz sentir stress por não perceber muito bem quais as funções fundamentais que tem de desempenhar.

Uma vez que as origens do stress no local de trabalho podem advir do mau relacionamento entre colegas, por exemplo, o estudo revela que “uma pequena parte, 10 a 20 por cento, dos profissionais de saúde entrevistados reconhece a existência do problema da hostilidade no local de trabalho”.

Este trabalho foi feito com base em 308 questionários válidos, sendo que 78 por cento dos inquiridos são mulheres e 22 por cento homens. Em termos de profissão, predominam os enfermeiros, representando 51,6 por cento dos entrevistados, seguindo-se os médicos, com 26 por cento. Relativamente à idade, os profissionais dos 31 aos 40 anos constituem 33,1 por cento de todos os inquiridos, seguindo-se os trabalhadores de saúde dos 41 aos 50 anos com uma fatia de 29,9 por cento.

A maioria dos participantes no inquérito está habilitada com licenciatura, representando 49,4 por cento, enquanto os com mestrado ou superior representam 29,5 por cento.

Conflitos “não são vulgares”

O autor dá conta que, até à data, não tinham sido publicados muitos estudos sobre as condições de trabalho dos profissionais de saúde no território, apontando para o facto de que “com o desenvolvimento socioeconómico de Macau nos recentes anos, a procura de serviços de saúde por parte dos cidadãos aumentou”. Além do aumento do volume de trabalho devido ao maior acesso à saúde, “se acrescentarmos o impacto da pandemia, os profissionais de saúde têm enfrentado maiores desafios decorrentes do trabalho”.

Tendo em conta os dados apontados, o autor sugere que seja “intensificada a comunicação com o superior hierárquico e entre os colegas por ocasião da planificação das actividades” a fim de “definir objectivos de trabalho que equilibrem as expectativas de todas as partes”, reduzindo situações de stress provenientes de conflitos laborais ou do desempenho de múltiplas tarefas.

Ao Io Weng destaca que “os comportamentos hostis no sector de saúde não são vulgares”, mas há que tomar medidas, nomeadamente a identificação, por parte das autoridades, “das razões pelas quais parte dos profissionais de saúde têm comportamentos hostis”.

Sugere-se a criação de normas contra situações de discriminação no local de trabalho, “por forma a serem defendidos os direitos e os interesses físicos e mentais dos trabalhadores”. Para tal, “talvez possa tomar-se como referência a prática noutros territórios, seguindo o exemplo da Região Administrativa Especial de Hong Kong, no sentido de desenvolver normas contra a discriminação consagradas na Lei Básica”.

Devem ainda, segundo o autor do estudo, “tomar-se uma pluralidade de medidas que aliviem o stress do papel dos profissionais de saúde”. Pede-se ainda que “seja intensificado o apoio logístico aos profissionais de saúde por parte das instituições de saúde, no intuito de reduzir o tempo e a energia gastos no desempenho de tarefas fora da sua especialidade”.

Devem também ser “definidos critérios racionais” para as tarefas, além de se proceder a uma avaliação do trabalho distribuído a cada profissional. Tudo para “evitar desigualdades na carga de trabalho e na distribuição desadequada resultante das relações no local de trabalho”.

Salários importam mais

Ao Io Weng dá ainda conta que, nos últimos anos, “a comunidade tem prestado bastante atenção às pressões de trabalho e às pressões sobre o moral dos trabalhadores”. Assim sendo, o responsável considera que o Governo tem procurado dar resposta a muitas das questões, “investindo recursos para aperfeiçoar as condições de trabalho destes profissionais e para responder ao aumento contínuo da procura de serviços de saúde”.

São apresentados exemplos como “a construção de um novo hospital (Complexo dos Cuidados de Saúde das Ilhas, no Cotai) e a contratação de mais pessoal de saúde”.

O autor dá conta que “algumas associações do sector da saúde e deputados expressam as suas opiniões junto do Governo no sentido de actualizar as regalias e as remunerações do pessoal de saúde da Administração, com vista à elevação do moral daqueles profissionais”.

Ao Io Weng entende que, no que diz respeito ao bem-estar físico e psicológico dos profissionais de saúde, a sociedade dá mais atenção às infra-estruturas e remunerações, sendo que “condições relativas às relações e à cultura [existente] no local de trabalho) são aquelas a que a mesma pouco atende”.

“No contexto em que os recursos financeiros públicos são limitados, torna-se claro que a pretensão de aliviar as pressões sobre o pessoal de saúde mediante o incremento das despesas públicas não é uma alternativa de preferência”, conclui ainda o autor deste trabalho.

Raphael Alves vence concurso fotográfico da “Somos!”

Raphael Alves venceu a quarta edição do Somos Imagens da Lusofonia, que teve como tema a solidão vivida em tempos de covid-19, com uma fotografia captada num cemitério em Manaus, Brasil, anunciou hoje a organização.

A imagem “Insulae”, premiada com 10 mil patacas retrata desigualdades socioeconómicas, sendo que a “falta de políticas para a região mostraram a fragilidade do maior estado brasileiro, o Amazonas”, escreveu o participante do Brasil na memória descritiva, segundo um comunicado da Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP), de Macau, que organizou o concurso. “Durante a pandemia de covid-19, apenas três familiares de cada vítima podiam comparecer aos enterros nos cemitérios de Manaus. Uma morte isolada”, continuou Alves.

O painel de jurados, composto por um grupo de fotojornalistas de Macau, Brasil e Portugal, atribuiu o segundo prémio – cinco mil patacas – ao trabalho de Jorge Meira, “Safe Distance”, uma imagem tirada “em Vila Praia de Âncora, depois do plano de desconfinamento do Governo português que previa um distanciamento de 1,5 metros entre veraneantes”, referiu a mesma nota.
Dário Paraíso, que ficou em terceiro – 3.500 patacas -, concorreu com “Espera”, uma imagem captada no mercado de Bobo Forro, em São Tomé, e que, segundo a organização, “descreve a paragem no tempo há muito conhecida de São Tomé e Príncipe”.

“Um sentimento transversal”

Apesar da pandemia ter sido vivida de forma diferente em todo o mundo, os trabalhos recebidos revelam que “a solidão foi, entre outros, um sentimento transversal a todos os países concorrentes”, declarou à Lusa a presidente da Somos – ACLP, Marta Pereira.
“A pandemia da covid-19 marcou o nosso quotidiano nos últimos anos, agravando a solidão e o isolamento social, em todo o mundo, o que inevitavelmente distanciou povos, nomeadamente dos países de língua portuguesa [PLP]”, referiu.

O concurso, aberto a todos os cidadãos dos países de língua portuguesa e residentes de Macau, atribuiu ainda três menções honrosas aos portugueses Bruno Taveira, com a fotografia “Em busca do essencial”, e Rodrigo Cabrita, com “Solidão Coletiva”, e ao moçambicano Marcos Júnior, que apresentou “distância”.

Com mais de 200 trabalhos recebidos, Marta Pereira notou ainda que a participação na competição tem vindo a aumentar e que a iniciativa Somos Imagens da Lusofonia “reúne todas as condições para vir a figurar entre os grandes concursos mundiais dedicados à fotografia”.

A exposição Somos Imagens da Lusofonia 2022 – Na Solidão dos Dias irá ser inaugurada a 12 de Janeiro do próximo ano, na Casa Garden – Fundação Oriente.

IC | Feira de livros em chinês e português junta mais de 30 livrarias e editoras

A Exposição de Obras Ilustradas em Chinês e Português em Macau, com a participação de mais de 30 livrarias e editoras, integra este ano palestras, oficinas e sessões de leitura em família, anunciou ontem o Instituto Cultural (IC).

A feira, que se realiza entre sexta-feira e 05 de Novembro, no Auditório do Carmo, na zona da Taipa, quer contribuir para que “residentes e turistas tenham um conhecimento mais aprofundado sobre as publicações da China e dos países de língua portuguesa” (PLP) e para “a promoção do desenvolvimento de Macau como ‘cidade de leitura'”, escreveu o IC num comunicado.

Com o objectivo de “incentivar as crianças e jovens a desenvolver bons hábitos de leitura”, o evento, integrado no 5.º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os PLP, vai contar com a presença de mais de 30 livrarias e editoras, incluindo de Portugal, e incluir “mais de 500 livros ilustrados e livros infantis em várias línguas, principalmente em chinês e português”. Além disso, o IC vai organizar duas sessões diárias de leitura familiar.

Ainda segundo o comunicado, entre sexta-feira e 29 de Dezembro, a Casa da Literatura de Macau vai receber a exposição “Amor entre Páginas”, com a apresentação de 50 conjuntos de “ilustrações originais fantásticas e de estilos variados, de nove autores [grupos] de livros ilustrados do interior da China, de Portugal e de Macau”.

Vistos | Relaxada política para residentes estrangeiros de Macau

Desde ontem que é possível aos residentes de Macau não chineses obterem vistos de múltiplas entradas para a China. Segundo um comunicado enviado às redacções pelo Gabinete do Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China em Macau, os residentes permanentes podem ter acesso a um visto com a validade de cinco anos, enquanto os residentes não permanentes terão apenas direito a um visto com a validade máxima de dois anos.

O objectivo desta medida, segundo o Comissariado do MNE em Macau, é “facilitar o intercâmbio de pessoal entre a China e os países estrangeiros”, tendo sido implementados “formulários simplificados para o pedido de vistos”. Será “optimizada ainda mais a política de vistos, a fim de proporcionar uma maior comodidade aos estrangeiros elegíveis de Macau para requerer vistos para o interior da China para as finalidades de negócios, turismo ou visitas familiares”.

Os estrangeiros que vivam em Macau sem residência, considerados “trabalhadores profissionais estrangeiros”, podem requerer um visto de múltiplas entradas com validade máxima de um ano. Enquanto isso, aqueles que são considerados “trabalhadores estrangeiros não profissionais”, bem como as empregadas domésticas a trabalhar no território, podem requerer vistos de múltiplas entradas com uma validade de apenas seis meses.

Segundo o portal Macau News Agency, esta nova política visa as pessoas que participam em grupos turísticos organizados e que entram no país através das regiões administrativas especiais. Assim, o principal requisito é a participação em grupos turísticos organizados por agências de viagens que estejam registadas em Macau e Hong Kong. Será necessário o mínimo de dois participantes para formar um grupo turístico.

Recorde-se que, no início deste mês, foi anunciado que os cidadãos estrangeiros poderiam desfrutar de uma estadia sem visto na província de Guangdong por um período de seis dias.

Cartaz do Grande Prémio com “gigantes do desporto automóvel”

A organização do 70.º Grande Prémio de Macau, que arranca em 11 de Novembro, prometeu ontem a participação de “jovens estrelas do mundo” e de “gigantes do desporto automóvel”, num evento marcado pelo regresso das provas internacionais.

Numa conferência de imprensa em que o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Mohammed Bem Sulayem, salientou a importância do acordo para o regresso a Macau das Taças do Mundo de Fórmula 3 e GT da FIA nos próximos três ano, a organização sublinhou também que, após os constrangimentos devido à pandemia de covid-19, o território “volta uma vez mais a centrar a atenção do mundo, reforçando a sua imagem e reputação internacional”.

Nesta edição do Grande Prémio de Macau, que vai custar 260 milhões de patacas e realizar-se em seis dias, em vez dos habituais quatro, as primeiras corridas estão marcadas para 11 e 12 de Novembro, com as restantes agendadas de 16 a 19 de Novembro.

Verschoor de regresso

Para a corrida da Fórmula 3 há a registar “uma lista de inscritos com jovens estrelas do mundo das categorias juniores do automobilismo”. Richard Verschoor, dos Países Baixos, vencedor da corrida em 2019, regressa à categoria vindo do campeonato de F2, para defender o título.

Para além de ser realçado o regresso de Dan Ticktum, que se pode tornar no único triplo vencedor na história desta corrida, há outros que regressam à F3 oriundos da F2, e que importa destacar, segundo a organização: “o promissor piloto checo Roman Stanek” e os pilotos da Red Bull Júnior Team, Zane Maloney e Isack Hadjar.

Na Taça GT há um outro sublinhado para o grupo de pilotos que procuram a sua primeira vitória em Macau. Jules Gounon, que venceu as últimas três 12 Horas de Bathurst, actual vencedor das 24 Horas de Daytona e bicampeão das 24 Horas de Spa.

Mas há mais: o ex-campeão do DTM Sheldon van der Linde, pela BMW, Kevin Ester e Thomas Preining, pela Porsche, e o brasileiro Daniel Serra a tentar dar a primeira vitória da Ferrari na Taça do Mundo de GT da FIA este ano. Contudo, estes terão de se bater com antigos vencedores da corrida: Laurens Vanthoor, Augusto Farfus e Raffaele Marciello, Maro Engel e Eduardo Mortara.

Uma palavra ainda para a participação na Taça de carros de Turismo de Macau de dois pilotos locais: o vencedor em 2000 do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3, André Couto, num Honda, e o vencedor da Corrida da Guia Macau do ano passado, Filipe Sousa, num Audi.

As duas corridas da FIA terão lugar de 16 a 19 de Novembro, com o formato a incluir duas sessões de treinos livres de 40 minutos e duas sessões de qualificação para a Fórmula 3, bem como duas sessões de treinos de 30 minutos seguidas de uma única qualificação com a mesma duração para os carros GT.

As corridas terão 10 e 15 voltas para a F3 e 12 e 16 para os carros GT. O vencedor do Grande Prémio de Macau será designado também como o vencedor da Taça do Mundo de F3.

Venham mais cinco

São cinco as corridas programadas para 11 e 12 de Novembro: Macau Asia Fórmula 4, Taça GT – Corrida da Grande Baía, TCR Asia Challenge, Macau Roadsport Challenge e uma outra que se encontra ainda em processo de negociação. De 16 a 19 de Novembro vão realizar-se seis corridas: Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 da FIA, Taça GT Macau – Taça do Mundo de GT da FIA, Corrida da Guia Macau – TCR World Tour Final, Grande Prémio de Motos de Macau – 55.ª Edição, Taça de Carros de Turismo de Macau e Desafio do 70.º Aniversário de Macau. Cada uma das seis operadoras de casinos em Macau concedeu um patrocínio de 20 milhões de patacas.

GPMacau | Actividades no museu para celebrar 70.º aniversário

O Museu do Grande Prémio de Macau (GPM) promove uma série de actividades em Novembro que visam celebrar os 70 anos do maior evento desportivo de Macau. Segundo um comunicado da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), as actividades incluem a projecção na fachada do museu, em todas as noites do mês, às 19h e 22h, um novo espectáculo de vídeo mapping, com o nome “Crónicas do Museu do Grande Prémio de Macau: 70 Anos Lendários”. Foi ainda produzido o vídeo intitulado “70 Anos Lendários do Grande Prémio de Macau”, que regista “os momentos marcantes das várias décadas de história do evento”, e que será exibido na sala de projecção do museu na próxima quarta-feira, dia 1 de Novembro.

Também no mesmo dia, será lançada no museu uma nova atracção que permite aos visitantes assistir à corrida de carros com recurso à realidade virtual. O público “precisa apenas de colocar os óculos de realidade virtual disponíveis no museu para poder rever a prova do China Touring Car Championship do Grande Prémio de Macau de 2022 e experienciar o ambiente da corrida de forma imersiva e multidimensional”.

Outra das actividades organizadas para celebrar os 70 anos do GPM, é a exposição da equipa de topo mundial Oracle Red Bull Racing, que decorre na cave do museu a partir de amanhã e até 19 de Novembro. A mostra promete revelar “a história, equipamentos dos pilotos e vídeos promocionais da equipa”. Será ainda organizado o evento pop-up “Red Bull Pit Stop Challenge” no Galaxy Macau.

Nos seis dias de corridas do 70.º GPM, nos dias 11, 12, 16, 17, 18 e 19 de Novembro, o Museu do Grande Prémio de Macau irá prolongar o horário de funcionamento até às 21h30. Nesses dias serão acrescentadas duas visitas guiadas ao público, bem como duas sessões na sala de projecção, às 18h30 e às 20h30. Além disso, a partir da próxima quarta-feira, serão oferecidos dois tipos de descontos na aquisição de bilhetes de entrada no museu.

Académicos defendem maior divulgação de Henrique de Senna Fernandes

Estudiosos de Henrique de Senna Fernandes defenderam à Lusa que há ainda muito a fazer na divulgação do trabalho do macaense no meio académico em língua portuguesa, notando o difícil acesso às obras do autor fora de Macau.

“O interesse cresceu [no Brasil] nos últimos anos, mas temos muito por fazer, as pesquisas são ainda esporádicas”, notou Mônica Simas, académica brasileira que participa na conferência “Lembrando Henrique de Senna Fernandes: Jornadas em torno da identidade macaense”. A conferência termina hoje na Universidade de Macau.

“Acho que, em parte, se deve ao facto de os estudos portugueses se concentrarem nos domínios Atlânticos, e os interesses sobre a China se concentrarem na cultura chinesa continental”, justificou a docente da Universidade Ca’ Foscari de Veneza, para quem, “apesar disso, os lugares periféricos encontram sempre pesquisadores interessados”: “Portanto, há já uma tradição nesses estudos, mas ela é estreita”.

A contribuir para a dormência académica relativa ao estudo da literatura do escritor de Macau está ainda “a questão da circulação” dos livros – uma “grande dificuldade” nas palavras de Simas, que sugere a possibilidade de criar versões eletrónicas.

Outras “formas efectivas” de ampliar o público e a crítica seria, de acordo com a brasileira, a tradução dos livros para outros idiomas, além de professores e investigadores incentivarem a realização de trabalhos comparados, no âmbito das literaturas de língua portuguesa ou de outras línguas.

O autor macaense dividiu a profissão de advogado com a de professor e escritor, tendo deixado quatro livros publicados, com dois dos romances, “Amor e Dedinhos de Pé” (1993) e “Trança Feiticeira” (1996), a chegarem ao cinema.

Uma “pioneira”

Com uma “parte grande” dedicada à literatura de Henrique de Senna Fernandes na tese de doutoramento (2001), Simas lembrou que, ao integrar o corpo docente na Universidade de São Paulo, em 2003, foi encontrar “um meio propício para a recepção do estudo da literatura de Macau”, com a académica Benilde Justo Caniato “a motivar os alunos a fazer teses”.

“Ela é uma espécie de pioneira, que eu saiba, no Brasil, que teria motivado os primeiros estudos sobre a obra de Henrique de Senna Fernandes”, acrescentou.

No caso de Portugal, onde os livros do escritor-advogado são igualmente de “difícil acesso”, há também ainda muito caminho a percorrer para dar a conhecer a literatura macaense, salienta o professor da Universidade Nova de Lisboa, Rogério Miguel Puga, sugerindo que estas sejam disponibilizadas ‘online’ e gratuitamente, para ajudar “estudantes portugueses a analisar a obra”. O professor garante estar “bem acompanhado” na academia portuguesa, com “inúmeras pessoas a ler e a estudar Henrique de Senna Fernandes”.

Análise realista

Importa conhecer o autor, analisa ainda Puga, na medida em que este, enquanto voz macaense, descreve, “de forma realista, o território durante a administração portuguesa”, as “comunidades portuguesa, chinesa e macaense, bem com a diáspora macaense e as relações de poder, étnicas e de género no território”.

“A caracterização da Macau do século XX é um aspecto muito relevante da obra, as diferenças do Bazar chinês e da cidadela cristã, os lares macaenses, dos reinóis, bem como a crítica (por vezes) encoberta à comunidade cristã que se esconde atrás de fachadas e contrai infecções venéreas tratadas por personagens dos romances. Esse retrato crítico é muito interessante”, disse.

Também para Mónica Simas há “um interesse óbvio” na bibliografia de Senna Fernandes, sendo “fundamental à compreensão mais vasta do Império português”. “No caso específico dos romances, interessa ver a tensão entre os valores locais e universais; acompanhar a representação de processos de integração ou de fricção e ostracismo social”, referiu.

Artes de rua | Graffiti marca presença no Festival “!Outloud”

Está a decorrer a quinta edição do “!Outloud International Street Art Festival” que, tal como o nome indica, se dedica a apresentar ao público local os melhores trabalhos de arte de rua, com destaque para o graffiti. O festival, que arrancou dia 14, apresenta 12 artistas de rua internacionais, com eventos junto ao empreendimento Ponte 16 e Praça de Ponte e Horta

 

A Praça de Ponte e Horta, na zona do Porto Exterior, e a praça exterior ao hotel Sofitel, no empreendimento Ponte 16, são os palcos escolhidos para a quinta edição do festival dedicado à arte urbana e ao graffiti, intitulado “!Outloud International Street Art Festival”. Segundo um comunicado da organização, poderão ver-se eventos e actividades de 12 artistas de rua reconhecidos internacionalmente que farão um mural em graffiti com cerca de 500 metros quadrados entre sexta-feira e domingo. Segundo a organização, trata-se do maior mural do género pintado em Macau até à data.

O evento, que termina no último dia do mês, na próxima terça-feira, é organizado pela Associação de Promoção dos Bairros Antigos de Macau, sendo co-organizado pela United Culture Media LTD e diversas associações locais, além de ser patrocinado pelo próprio Sofitel. O objectivo é “promover a arte de rua e o intercâmbio criativo”, bem como “desenvolver a consciência cultural e promover os bairros antigos de Macau”.

O festival pretende unir a praça exterior do hotel Sofitel e a Praça de Ponte e Horta, sendo o graffiti o meio criativo escolhido para o fazer. Esperam-se competições de dança e de graffiti, workshops, sessões de pintura ao vivo, instalações de arte, concertos e desfiles de rua, sem esquecer a organização de eventos de caridade. A ideia é que o público possa ter “uma experiência imersiva completa” com este evento.

“Entre o velho e o novo”

Apesar de esta ser a quinta edição do festival, a verdade é que o evento começou a ser pensado há dez anos numa cidade “multifacetada e enérgica que alberga uma mistura entre o Oriente e o Ocidente, entre o velho e o novo”, sendo um destino de eleição “para os visitantes que apreciam a fusão de culturas e experiências”.

O facto de o festival se situar na zona histórica da península faz com que haja “uma riqueza [proporcionada] pelos antecedentes históricos e pelas múltiplas lojas com vários perfis”, tendo muito recentemente sido integrados o graffiti e a arte de rua como símbolos “do amor partilhado entre as comunidades locais”.

A organização do festival destaca, em comunicado, que nos últimos anos tanto o graffiti como a arte de rua “transformaram-se em arte urbana moderna e numa forma de representação da personalidade das cidades”, graças aos vários formatos de letras pintados, “visuais impactantes, caracteres apelativos e cores vivas”.

O festival, com os artistas, mas também com toda a envolvente do público e do lado histórico do local, promete trazer “energia e vida a todas as comunidades locais, elevando o lado comunitário e deixando memórias para os visitantes”, além de contribuir para uma maior “consciência global da própria cidade”.