Ex-vice-presidente do ICBC investigado por corrupção

O ex-vice-presidente do Banco Industrial e Comercial da China, Zhang Hongli, está a ser investigado por suspeita de “violações graves” da lei e da disciplina do partido, de acordo com notícias dos meios de comunicação estatais.

A notícia do processo contra o antigo executivo do maior banco chinês foi avançada pela agência Xinhua através de uma breve nota que não detalha quais os crimes que Zhang Hongli terá alegadamente cometido.

Zhang Hongli, que também ocupou cargos de relevo no Partido Comunista da China (PCC), foi vice-presidente do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, na sigla em inglês) até julho de 2018, sendo um dos banqueiros de maior destaque até agora investigados pela Comissão Central de Inspeção Disciplinar, o órgão anticorrupção do PCC. Em fevereiro do ano passado, esta instituição prometeu reforçar a sua campanha contra condutas ilícitas no sector financeiro.

Xi Jinping destaca papel de exposição internacional para a cooperação mundial

O Presidente chinês, Xi Jinping, destacou o papel da Exposição Internacional de Importação da China (CIIE) na promoção da cooperação internacional. Numa carta enviada à 6.ª edição da CIIE, que arrancou este fim de semana em Xangai, Xi sublinhou que o evento já “contribuiu positivamente” para o progresso de um novo padrão económico, o crescimento económico global, a expansão das compras internacionais e a promoção do investimento e do intercâmbio entre as nações, de acordo com a agência Xinhua.

O presidente sublinhou, além disso, que a China vai continuar a ser “uma oportunidade importante para o desenvolvimento global”, especialmente durante a recuperação económica mundial, reafirmando o compromisso do gigante asiático com uma “abertura de alto nível” e a promoção da globalização económica “mais inclusiva, equitativa e vantajosa para todos”.

Xi espera que a CIIE sirva de janela para promover este “novo padrão de desenvolvimento” e oferecer oportunidades ao mundo através do crescimento da China. As autoridades chinesas esperam a participação de cerca de 400 mil profissionais e mais de 3.400 expositores na sexta edição desta mostra.

O evento, que ocupa um espaço de mais de 367 mil metros quadrados, conta com participantes de 154 países, regiões e organizações internacionais, explicou recentemente o vice-ministro do Comércio, Sheng Qiuping.

Além disso, está confirmada a participação de 289 das 500 maiores empresas do mundo, de acordo com a lista elaborada pela revista Fortune, o que representa mais cinco empresas do que na edição anterior.

China | Olaf Scholz promete facilitar os intercâmbios de vistos e de pessoal

Enquanto a União Europeia fabrica rupturas no comércio com a China, a Alemanha mostrou a sua preocupação pelo facto das suas empresas estarem empenhadas na cooperação bilateral. Depois de uma conversa com Xi Jinping na sexta-feira, Scholz afirmou que os chineses não venderão armas à Rússia.

O Presidente chinês, Xi Jinping, teve na sexta-feira uma reunião por vídeo com o chanceler alemão, Olaf Scholz, durante a qual referiu que a China e a Alemanha “não só devem desenvolver relações bilaterais e servir de exemplo de cooperação vantajosa para ambas as partes, como também defender a ordem internacional e o multilateralismo e trabalhar em conjunto para enfrentar os desafios globais”.

Ao assinalar que as relações entre a China e a Alemanha entraram no quinquagésimo aniversário, Xi afirmou que “a China e a Alemanha, enquanto parceiros estratégicos globais, trabalharam em conjunto no espírito de benefício mútuo e cresceram em conjunto no espírito de aprendizagem e intercâmbio mútuos.

Esta é a valiosa experiência do desenvolvimento harmonioso das relações entre a China e a Alemanha nas últimas décadas, que deve ser apreciada e transmitida por ambas as partes”.

O interesse alemão

O presidente chinês referiu ainda que mais de 130 empresas alemãs participarão da sexta Exposição Internacional de Importação da China, o que “demonstra a confiança das empresas alemãs no desenvolvimento da China”.

 Por seu lado Xi espera que “a parte alemã também adira a um alto nível de abertura para as empresas chinesas que procuram oportunidades de cooperação na Alemanha”.

No mesmo dia, Xi encontrou-se em Pequim com o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis. 

Saudando o último meio século, durante o qual “as relações entre a China e a Grécia foram sempre saudáveis e constantemente renovadas”, Xi manifestou a vontade de reforçar a cooperação bilateral numa vasta gama de sectores. “A China está disposta a trabalhar em conjunto com a UE para manter uma compreensão mútua correcta, centrar-se no consenso e compreender a direção a seguir, a fim de activar plenamente a cooperação mutuamente benéfica em todos os domínios. Esperamos que a Grécia continue a desempenhar um papel construtivo a este respeito”, afirmou Xi. 



“As reuniões e as frequentes interacções entre a China e a Europa demonstraram que a China atribui grande importância às relações com a UE, e isto não mudou. Queremos continuar a dinâmica de estabilização e aquecimento bilateral”, disse Cui Hongjian, professor da Academia de Governação Regional e Global da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim. 

Cui também mencionou a oposição geral da Alemanha à investigação anti-subsídios da UE sobre os veículos eléctricos chineses, que também põe em risco a Alemanha, uma vez que os dois países estão a cooperar estreitamente neste domínio.

Facilitar intercâmbios

Por seu lado, o chanceler Scholz afirmou que, ao longo do ano passado, foi realizada com êxito uma nova ronda de consultas governamentais entre a Alemanha e a China, o diálogo e os intercâmbios a todos os níveis foram rapidamente retomados, as relações económicas e comerciais estreitaram-se e os projectos de cooperação foram continuamente promovidos, revelando mais possibilidades e amplas perspectivas de aprofundamento das relações bilaterais.

“As relações entre a Alemanha e a China são importantes para a parte alemã”, disse ele, observando que o seu país está disposto a continuar as boas relações e a aprofundar a cooperação em vários domínios, e espera que as empresas alemãs alcancem maior sucesso na China.

“A Alemanha está disposta a facilitar os intercâmbios de vistos e de pessoal com a China, a reforçar os intercâmbios interpessoais e a promover o desenvolvimento positivo das relações UE-China”, acrescentou.

Israel e Ucrânia

Scholz apresentou os pontos de vista da parte alemã sobre o conflito israelo-palestiniano e a crise na Ucrânia e manifestou a esperança de manter uma comunicação estreita com a China.

Xi salientou que, para resolver o conflito israelo-palestiniano e a crise na Ucrânia, é necessário “reflectir mais profundamente sobre as questões de segurança, aderir à visão de uma segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável e promover a construção de uma arquitetura de segurança equilibrada, eficaz e sustentável.


Espremer o espaço de segurança de outros países e apoiar um lado, ignorando as exigências legítimas do outro, conduzirá ao desequilíbrio regional e à expansão e escalada de conflitos”. “Tanto a China como a parte europeia devem trabalhar em conjunto para mediar os conflitos, aliviar as tensões e desempenhar um papel positivo na promoção da paz e do desenvolvimento regionais”, concluiu.

Armas para a Rússia

Já no domingo, em Berlim, Olaf Scholz, afirmou que a China declarou que não fornecerá armas à Rússia para a sua guerra contra a Ucrânia, sugerindo que Berlim recebeu garantias bilaterais de Pequim sobre esta questão. Scholz falava numa conferência de imprensa com a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que disse aos jornalistas que a UE não recebeu “nenhuma prova” até agora dos EUA de que Pequim está a considerar fornecer apoio letal a Moscovo.

Nas últimas semanas, altos funcionários norte-americanos, incluindo o Secretário de Estado Antony Blinken, manifestaram a sua profunda preocupação com a possibilidade de a China fornecer armas como drones kamikaze à Rússia, o que, por sua vez, desencadeou avisos a Pequim por parte de políticos da UE. Na semana passada, o próprio Scholz instou Pequim a abster-se de tais acções e a usar a sua influência para convencer a Rússia a retirar as suas tropas da Ucrânia.

No entanto, durante a conferência de imprensa de domingo, realizada no retiro do governo alemão em Meseberg, a norte de Berlim, Scholz afirmou que a China tinha dado garantias de que não enviaria armas à Rússia. “Todos concordamos que não deve haver entregas de armas, e o governo chinês declarou que também não vai entregar nenhuma”, disse o chanceler. “Insistimos neste ponto e estamos a monitorizá-lo”, acrescentou.

Scholz disse mais tarde à CNN que se a China ajudasse a Rússia, “isso teria consequências, mas estamos agora numa fase em que estamos a deixar claro que isso não deve acontecer, e estou relativamente optimista de que seremos bem sucedidos com o nosso pedido neste caso, mas teremos de analisar e temos de ser muito, muito cautelosos”.

O chanceler pareceu sugerir que Pequim tinha dado essas garantias diretamente à Alemanha de não fornecer armas à Rússia. O chefe da política externa da UE, Josep Borrell, recebeu garantias privadas semelhantes no mês passado. Borrell disse aos jornalistas que o principal diplomata chinês, Wang Yi, lhe tinha dito, numa conversa privada durante a Conferência de Segurança de Munique, em meados de fevereiro, que a China “não fornecerá armas à Rússia”.

Von der Leyen disse aos jornalistas que a UE ainda não tinha visto qualquer prova de que a China está a considerar enviar armas para a Rússia. “Até ao momento, não temos provas disso, mas temos de o observar todos os dias”, afirmou a Presidente da Comissão Europeia.

Cheng Xiuji, um Pintor, um Imperador e o Livro das Odes

Tang Wenzong (809-840), o monarca que percebeu o grandeza do exemplo, mandou emitir um decreto apontando como Três maravilhas do grande império dos Tang, Sanjue webian, a poesia de Li Bai, a caligrafia de Zhang Xu e a arte da espada de Pei Min.

Como que confirmando essa intuição imperial sobre o valor da poesia, Wang Yinglin (1223-96), o filósofo e ensaísta os Song do Sul, guardou em Kunxue Jiwen a memória de uma relação entre o imperador Wenzong, um pintor e o grande texto clássico Shijing, que reúne poemas e canções de várias tradições, cuja compilação é tradicionalmente atribuída a Confúcio (551-479 a. C.) e é traduzido entre outros, como Livro dos Cantares ou Clássico da Poesia.

Aí se diz que, não estando satisfeito com a figuração «da vegetação, dos animais silvestres e dos retratos de antigas dignidades» de ilustrações anteriores, Wenzong pediu que fossem refeitas as pinturas relativas aos trezentos e cinco poemas. O pintor escolhido foi Cheng Xiuji (804-63) e, se o celebrado poeta dos Tang Du Mu (803-52) o menciona num Encómio como alguém que se distinguiu pelo modo admirável como refez as pinturas que ilustram o célebre texto e que lhe valeriam a promoção a Hanlin daizhao, «talento às ordens», parte do grupo criado pelos imperadores dos Tang como conselheiros eruditos, outras fontes referem-no primeiro como um alto funcionário militar, detentor de títulos de nobreza.

É o caso, raro para um pintor, de um Epitáfio que detalha o seu percurso na hierarquia oficial desde que passou o Exame sobre a compreensão dos clássicos, em 826. Uma terceira fonte, que se interessa mais pela sua qualidade como artista, lê-se no texto de biografias de mais de cem pintores, Tangchao minghualu, que o descreve como «aluno durante vinte anos» do preclaro pintor Zhou Fang (c.730-800). Zhu Jingxuan (activo entre 806-46), o seu autor, escreve: «Desde a era Zhenyuan (785-805) ele foi o único indivíduo na capital cujo avanço [na hierarquia] se deveu apenas à sua mestria como pintor e foi continuamente agraciado pelo favor imperial.»

O caso de Cheng Xiuji, com um imperador e o Shijing repetir-se-ia. Na dinastia Song do Sul, o imperador Gaozong (r.1127-62) ordenou que a sua própria caligrafia fosse utilizada para reescrever os poemas do Shijing e solicitou ao ilustre pintor Ma Hezhi (activo entre 1131-89) que fizesse as ilustrações, de que uma parte se pode ver no Museu do Palácio, em Pequim (rolo horizontal, tinta e cor sobre seda, 27 x 383,8 cm).

Qianlong (r.1736-95) também mandou que pintores da sua corte fizessem ilustrações para o texto, que ele próprio reescreveu. De modo característico, foi um projecto grandioso de trinta álbuns, um dos quais se pode ver no Museu do Palácio Nacional, em Taipé, que demoraram seis anos a ser terminados e brilhariam como uma das maravilhas do seu reinado.

Ron Lam defende instalação de mais videovigilância nas creches

Ron Lam defende a instalação de câmaras de vigilância em todas as creches, para proteger a crianças. Foi desta forma que o deputado reagiu à morte de uma bebé na Creche Fong Chong da Taipa, que aconteceu no mês passado.

Numa interpelação escrita, Lam recorda que “nos últimos anos” tem havido vários incidentes em creches, não só esta morte mais recente, mas também episódios de agressões. Por isso, o legislador questiona se há planos para melhorar a legislação e obrigar à instalação de videovigilância, em vez da decisão apenas depender das respectivas direcções.

O deputado considera que é importante respeitar a privacidade dos mais novos, porém, indica que deve haver espaços abrangidos pela captação de imagens, como o local onde as crianças dormem ou onde tomam as refeições. “É uma medida que vai ajudar as creches a melhorarem a sua gestão, a evitar acidentes semelhantes, e a garantir que os empregados se comportam de forma responsável”, considerou.

Apesar de defender esta medida, Ron Lam abre a porta a uma leitura diferente, desde que haja uma consulta pública e “a sociedade possa chegar a um consenso sobre o assunto”.

Ainda como parte das sugestões face ao incidente de 19 de Outubro, Ron Lam apela a que cada sala das creches onde decorrem actividades frequentes tenha pelo menos uma cuidadora certificada pelo IAS, perguntando ao Governo se tem planos para impor esta medida.

Mais protecção

Por outro lado, Ron Lam considerou que este exemplo da creche deve servir para estabelecer o padrão para outras situações em que as pessoas não são auto-suficientes, como os lares de terceira idosos e centros para pessoas com incapacidades.

O deputado questiona assim o Instituto de Acção Social se está a preparar medidas para realizar fiscalizações frequentes a creches, lares de terceira idade de forma a “proteger os direitos e interesses” dos utilizadores dos espaços.

Para Ron Lam também nesses espaços, além das creches, deve ser ponderada a instalação de mais câmaras de videovigilância.

Moradores | Creche onde morreu bebé vai encerrar

Após a morte, a 19 de Outubro, de uma bebé de apenas alguns meses, na Creche Fong Chong da Taipa, o Instituto de Acção Social confirmou que o espaço vai encerrar no final do ano

A Creche Fong Chong da Taipa, onde em Outubro morreu uma bebé com meses, anunciou que vai fechar as portas no final do ano. A informação tinha sido avançada no mês passado aos pais das crianças e foi confirmada durante o fim-de-semana por Tan Yuk Wa, vice-presidente do Instituto de Acção Social, em declarações à TDM.

“A creche relatou-nos que nestas circunstâncias muito particulares vai ser muito difícil manterem-se em funcionamento. Entendemos a situação e a posição deles, bem como a decisão de fechar”, afirmou Tan Yuk Wa.

O vice-presidente do IAS sublinhou também que nesta altura o mais importante é garantir que o processo de transferência das crianças daquela creche para outras corre sem sobressaltos. “Nesta altura o que requere alguma urgência é tratar da transferência das 70 a 80 crianças desta creche para outras creches”, apontou. “Há vagas suficientes nas creches da Taipa para dar resposta à procura. De momento há mais de 300 vagas disponíveis”, acrescentou.

A Creche Fong Chong da Taipa é subordinada à Associação dos Moradores, uma das principais forças políticas do território, tem como directora Tang Iao Kio e foi estabelecida em Fevereiro de 1962. Disponibiliza o serviço para crianças dos três meses aos três anos.

A confirmação do encerramento pelo IAS, chega depois de a direcção da escola ter comunicado o fecho internamente depois do acidente de 19 de Outubro. “Estamos profundamente tristes e lamentamos profundamente o ocorrido. Após fazer uma revisão cuidadosa e profunda [do incidente], e ter em conta múltiplas considerações, a creche decidiu que vai deixar de operar no final de 31 de Dezembro de 2023”, foi comunicado aos pais, de acordo com o jornal All About Macau. “Esta foi uma decisão difícil de tomar e não tem como objectivo fugir às responsabilidades ou colocar um fim neste incidente. Pelo contrário, as responsabilidades pelo incidente e os envolvidos devem ser responsabilizados”, foi complementado.

Espera e desespera

Actualmente, está em curso uma investigação da Polícia Judiciária para determinar o sucedido no dia 19 de Outubro, dia em que a criança foi transportada para o hospital, depois de perder os sinais vitais, quando estava a dormir a sesta. Até ontem, não era conhecida qualquer conclusão.

De acordo com o relato da família, que tem recorrido às redes sociais para pedir justiça e que se apurem todas as responsabilidades legais, a menina estava bem no dia da morte, antes de ser deixada na creche.

O relato da mãe indica também que a morte aconteceu na creche, ainda antes da bebé ser transportada para o hospital, onde chegou sem sinais vitais, e numa altura em que o corpo apresentava uma temperatura excessivamente baixa.

“Espero que haja provas para mostrar que a creche foi negligente e que sejam desencadeados os mecanismos necessários para serem sancionados legalmente, como merecem”, afirmou a mãe, através das redes sociais. “Por favor, não deixem que o caso morra sem se apurar as responsabilidades sobre o que aconteceu à minha bebé. Façam a justiça que a minha bebé merece!”, apelou.

Bairro Novo de Macau | Mais de 3.000 visitas a andares modelo

Nos primeiros três dias em que esteve aberto ao público para visitas, os andares modelo do Novo Bairro de Macau, na Ilha da Montanha, receberam mais de 3.500 visitantes.

A informação foi divulgada pela empresa Macau Renovação Urbana, num comunicado disponibilizado em inglês. Segundo a mesma informação, os visitantes participaram em visitas guiadas a modelos mobilados e não-mobilados, que incluíram sessões com perguntas e respostas.

De acordo com a empresa, estão 11 apartamentos disponíveis para visitas, com dois ou três quartos, que podem ser feitas de segunda-feira a domingo, entre as 09h e as 18h. Além disso, dada as limitações de transportes, foi criado um autocarro especial que parte da fronteira da Ilha da Montanha para o Novo Bairro de Macau, a cada 15 minutos, entre as 09h e as 17h15.

Habitação | Candidaturas para Apartamentos para Idosos abertas hoje

O Instituto de Acção Social tem 15 postos para receber candidaturas físicas e organizou também 62 locais para ajudar os interessados a candidatarem-se online ao programa de habitação para idosos

 

As candidaturas para o arrendamento dos Apartamentos para Idosos, situados na Areia Preta na denominada “Residência do Governo para Idosos”, arrancam esta manhã pelas 09h, de acordo com a informação divulgada pelo Instituto de Acção Social (IAS).

Os interessados podem recorrer aos meios online, através de um site especial ou da aplicação Conta Única, e ainda fazer a candidatura presencialmente em 15 locais que incluem a sede do Instituto de Acção Social, centros de acção social e a zona de exposição sobre a Residência do Governo para Idosos.

Como o Governo prefere que as candidaturas sejam feitas online, apesar de o público-alvo serem residentes com mais de 65 anos, “organizou 62 locais de serviço para assistir” os candidatos. A candidatura online exige sempre que os interessados estejam registados na aplicação Conta Única.

Os apartamentos para idosos são um tipo especial de habitação social, construída a pensar nos residentes permanentes com mais de 65 anos. Para poderem arrendar os espaços, estes precisam de ser considerados autónomos. Em alguns casos, a habitação pode ser partilhada com o cônjuge, se este tiver, pelo menos, 60 anos. Se tiver menos de 60 anos, o casal não pode usufruir do programa.

Nesta primeira ronda de candidaturas, as rendas dos apartamentos têm um desconto de 20 por cento, que expira após três anos, ou com a atribuição da fracção a outra pessoa.

Para os residentes que ficarem alojados na denominada Zona A do prédio, os preços desta fase de candidatura variam entre as 5.096 patacas por mês e as 5.344 patacas por mês. Na Zona B, os descontos fazem com que as rendas sejam de 4.840 patacas e 5.040 patacas. Na Zona C, os preços são de 4.584 e 4.808 patacas por mês, e na Zona D ficam fixados em 4.328 e 4.536 patacas por mês.

Preços normais

Sem os descontos, os preços sobem. Na Zona A, que tem custos mais elevados, os preços das rendas vão de 6.370 patacas por mês a 6.680 patacas por mês. A Zona B é a segunda mais cara, com preços entre as 6.050 patacas por mês e as 6.300 patacas por mês, enquanto a Zona C custa entre 5.730 patacas e 6.010 patacas mensais. Finalmente, na Zona D, os preços variam entre as 5.410 patacas e as 5.670 patacas.

Em termos de candidaturas, na selecção dos interessados são tidos em conta aspectos como o facto de o candidato viver num prédio sem elevador, assim como o número de anos em que reside nesse espaço.

Outro aspecto valorizado é o número de imóveis em nome do candidato. Aqueles que só tiverem um imóvel são beneficiados. O facto de o candidato viver sozinho também atribui pontos extra à candidatura. O número de anos desde a aquisição do estatuto de residente no território assim como o facto de efectivamente ter residido em Macau nos últimos 12 anos são igualmente considerados.

Por último, os candidatos que fizeram uma candidatura conjunta com outra pessoa também somam pontos extra, embora as duas candidaturas sejam avaliadas de forma independente.

Jogo | Questionada avaliação das concessionárias

O deputado Leong Sun Iok quer que o Governo explique os critérios utilizados para avaliar as concessionárias do jogo e o seu papel ao nível da responsabilidade social, um dos requisitos para a atribuição das concessões. O assunto é abordado através de uma interpelação escrita, divulgada na sexta-feira.

“Com as novas concessões e os respectivos contratos em vigor desde o início do ano, quais são os indicadores e as exigências em concreto?”, pergunta. “Em relação a esses critérios para avaliar a responsabilidade social das empresas, como é que o Governo formulou os indicadores?”, acrescentou.

Além deste aspecto, a interpelação do deputado da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) visou também as condições dos trabalhadores. “Será que o Governo vai prestar maior atenção à situação dos empregados das concessionárias e promover uma melhoria das condições?”, pergunta.

Dentro da responsabilidade social, o deputado considera que as concessionárias também devem promover melhor condições de trabalho para os empregados. Por isso, o legislador que saber o que está a ser feito pelo Executivo para dirigir as empresas nesta direcção.

“Será que o Governo pode fazer uma maior pesquisa para perceber como é que as condições de trabalho podem ser alteradas, para promover uma maior promoção da saúde dos trabalhadores?”, interrogou.

TNR | Ella Lei propõe alteração à lei de contratação

Ella Lei está preocupada com o potencial aumento de trabalhadores ilegais, em especial nos sectores dos transportes, construção e restauração. Como tal, sugere bloqueios de estrada para interceptar condutores não-locais e a revisão da lei da contratação de trabalhadores não-residentes para aumentar as penalizações

 

A deputada da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) Ella Lei voltou a apontar baterias ao trabalho ilegal e a potenciais irregularidades envolvendo trabalhadores não-residentes (TNR). Numa interpelação escrita divulgada na sexta-feira, a legisladora pediu a revisão da contratação de trabalhadores não-residentes para aumentar penalizações de forma a aumentar a penalização para empregadores que usem mão-de-obra ilegal.

“A legislação em vigor prevê sanções excessivamente brandas, que variam entre 5.000 e 10.000 patacas por trabalhador, se a entidade patronal for responsável pela travessia da fronteira para fins laborais. No entanto, embora existam sanções adicionais, como a abolição total ou parcial das quotas de emprego da entidade patronal, a aplicação não é eficaz e as sanções não têm um efeito dissuasor”, aponta a deputada, recordando que, apesar de o Governo ter indicado no passado estar a estudar a revisão da lei, nunca houve impulso legislativo. Assim sendo, pergunta quando será revisto o regime jurídico que regula a contratação de TNR:

Além disso, para atestar a capacidade das leis em vigor neste domínio, Ella Lei pediu ao Governo dados dos últimos anos sobre a implementação de penalizações ao trabalho ilegal, como a abolição de quotas para contratar não-residentes.

Camiões ilegais

A deputada da FAOM recorda ainda alguns acidentes rodoviários que envolveram motoristas do Interior da China ao volante de camiões refrigerados ou outros pesados de mercadorias. “Como é óbvio, estes veículos não são meios de transporte, mas instrumentos de trabalho. Espero que as autoridades policiais investiguem este tipo de situações”, indicou.

Ella Lei conta ainda ter recebido queixas de residentes sobre o trabalho ilegal transfronteiriço, em particular nos sectores da restauração, transportes e construção.

“Com a retoma das actividades económicas após a epidemia, é previsível que se verifique um aumento de casos de trabalho ilegal, pelo que se espera que as autoridades reforcem a aplicação da lei e melhorem os mecanismos legais e de punição para travar todos os tipos de trabalho ilegal.” Como tal, a deputada sugere que a polícia conduza inspecções diárias, “bloqueios de estrada para controlar veículos e acompanhe acidentes de viação se estiverem envolvidos condutores não locais”, para criar um efeito dissuasor.

Comunidades | Rita Santos reúne com jovens macaenses

Rita Santos, presidente do conselho regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, reuniu recentemente com António Monteiro, presidente da Associação de Jovens Macaenses. Segundo um comunicado, o encontro serviu para “discutir questões de interesse mútuo e fortalecer a cooperação entre as duas organizações”.

Além disso, foram abordados “diversos assuntos relacionados com a comunidade macaense, incluindo a preservação da cultura e identidade macaenses, o envolvimento dos jovens macaenses nas actividades comunitárias e a promoção do intercâmbio cultural entre Macau, a diáspora macaense e a região da Ásia e Oceânia”.

Foi também reconhecido, na reunião, “a necessidade de se expandir as actividades [da associação] para áreas abrangentes do interesse dos jovens da comunidade, tais como a economia, o desenvolvimento e a tecnologia, em complemento da sua componente cultural, no âmbito da estratégia actual do desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

Em destaque, esteve ainda a importância de “fortalecer os laços entre as organizações e trabalhar em conjunto para enfrentar os desafios e oportunidades que a comunidade macaense enfrenta actualmente”. Desta forma, ambos os dirigentes concordaram em “promover a colaboração em projectos e iniciativas que visem preservar a herança cultural macaense e envolver os jovens macaenses em actividades que promovam o seu desenvolvimento pessoal e profissional”.

Xangai | Ho Iat Seng levou 50 empresários a exposição

O Chefe do Executivo liderou uma delegação de 50 empresários de Macau que visitou no fim-de-semana a 6.ª Exposição Internacional de Importação da China, realizada em Xangai. Mais de 40 empresas locais participaram no evento, onde foram promovidos produtos “Fabricados em Macau”, “Marcas de Macau” e alimentos e bebidas dos Países de Língua Portuguesa

 

Durante o fim-de-semana, a RAEM fez-se representar ao mais alto nível na 6.ª Exposição Internacional de Importação da China, em Xangai, através de uma comitiva liderada pelo Chefe do Executivo e o secretário para a Economia e Finanças. Ho Iat Seng e Lei Wai Nong levaram 50 empresários locais a Xangai acompanhados pelo subdirector do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, Lu Yuyin, e o chefe do departamento para os assuntos económicos do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, Liu Decheng. Durante a ausência de Ho Iat Seng, o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, exerceu interinamente as funções de Chefe do Executivo.

Esta foi a sexta vez consecutiva que Macau participa no certame, com a presença de um pavilhão com uma área total de 660 metros quadrados onde 41 empresas locais tentam alargar possibilidades de negócios no Interior da China. Organizada pelo Ministério do Comércio chinês e o Governo municipal de Xangai, a exposição realiza-se até à próxima sexta-feira no Centro Nacional de Exposições e Convenções de Xangai.

As empresas de Macau apresentam produtos “Fabricados em Macau”, “Marcas de Macau” e alimentos e bebidas dos Países de Língua Portuguesa. Além disso, marcaram presença no evento representantes de “vários serviços profissionais na “Zona de Exposição de Produtos Alimentares e Agrícolas – Pavilhão de Produtos Alimentares e Bebidas de Macau e dos Países de Língua Portuguesa” e na “Zona de Exposição do Comércio de Serviços – Pavilhão de Serviços Profissionais de Macau e dos Países de Língua Portuguesa”.

Sangue novo

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) indicou em comunicado que cerca de 80 por cento das empresas de Macau que participam na exposição estão ligadas aos sectores prioritários, descritos no léxico político como as indústrias “1+4”. O IPIM destacou também que este ano o número de empresas locais presentes em Xangai aumentou 17 por cento, em termos anuais, com cerca de 25 por cento a estrearem-se este ano no evento.

Ao longo de seis dias de conferência, a área onde estão concentradas as empresas de Macau irá ser palco de demonstrações de produtos, provas de comidas e bebidas, transmissão de sessões de divulgações online. Serão também organizadas sessões para busca de parcerias entre empresas.

Dóci Papiaçám di Macau | Trinta anos a trazer o patuá para o palco

O 30º aniversário dos Dóci Papiaçám di Macau, grupo de teatro exclusivamente em patuá, celebrou-se na semana passada, mas a festa faz-se dia 1 de Dezembro com um jantar que reúne antigos e actuais colaboradores. Os desafios continuam a ser o financiamento e a necessidade de uma sede, mas a renovação do grupo, com novos actores, parece estar garantida

 

O Festival Internacional de Artes de Macau integra todos os anos um espectáculo muito especial para as comunidades macaense e portuguesa. A habitual peça dos Dóci Papiaçám di Macau, grupo que há 30 anos faz teatro em patuá, o dialecto em vias de extinção da comunidade macaense, todos os anos atrai muito público para o Centro Cultural de Macau (CCM).

Numa altura em que o dialecto macaense praticamente não tem falantes em Macau e no mundo, o trabalho deste grupo revela-se fundamental para manter viva um linguajar tradicional. Alvo de muitos trabalhos académicos, precisamente pelo papel que têm na preservação de uma característica cultural da comunidade, os Dóci Papiaçám di Macau, sempre com Miguel de Senna Fernandes como dramaturgo, tem-se mantido ao longo dos anos enfrentando desafios permanentes. Em 30 anos, o grupo nunca conseguiu ter sede própria, ensaiando na Escola Portuguesa de Macau. Relativamente ao financiamento, o apoio do Instituto Cultural não tem faltado, mas é sempre pouco tendo em conta os custos de uma produção teatral. E, por último, o desafio da sobrevivência, sendo que neste campo os Dóci têm provado ser resistentes: mantém actores mais antigos, que ajudaram a fundar o grupo, mas conseguiram atrair novos actores, até oriundos da comunidade portuguesa.

O jornalista João Picanço foi um deles. Nunca tinha ouvido falar do patuá ou visto uma peça, mas fez a sua primeira peça com os Dóci em 2018. Hoje já é uma voz e um rosto característico do grupo.

“Ser um dos jovens actores do grupo para mim é muito gratificante, porque quem me convidou, o Miguel de Senna Fernandes, poderia ter convidado outras pessoas. Tenho um passado ligado ao teatro amador e confesso que estava à espera de encontrar o mesmo, mas a verdade é que não foi nada disso que encontrei”, começou por dizer ao HM. “Fiquei muito surpreendido quando percebi o que estava em causa. O primeiro espectáculo em que participei foi também o primeiro que vi. Acho que o nível da produção não envergonha ninguém, muito pelo contrário, dada a natureza do grupo. O que me trouxe responsabilidade”, adiantou.

João Picanço recorda que muitos dizem que os Dóci continuam a fazer teatro “por carolice”, para não deixar morrer um dialecto que busca influência da língua portuguesa e de outros idiomas, mas o jornalista entende que está muito mais em causa.

“O patuá é um pedaço importante da cultura macaense, sendo a língua é um pedaço importante de qualquer cultura ou povo. Mas acho que é um pouco superficial encarar [o projecto] como algo feito por carolice. Aquilo é para os macaenses, principalmente. Os Dóci representam, de facto, uma importante conquista para a comunidade, e isso tem sido reconhecido apesar de todos os tumultos e medos, sobretudo o medo do fim do patuá. Há uma grande verdade nas pessoas que trabalham ali, e isso é algo muito bonito.”

A experiência em palco

Ao contrário de João Picanço, Sónia Palmer é uma das actrizes mais antigas, tendo sido uma das fundadoras do grupo. Ao HM, diz que já foram tantas as personagens que interpretou que nem consegue dizer quais foram as mais desafiantes. “Foi tudo mais difícil no princípio [com a preparação das personagens], mas agora é mais fácil”, disse.

“O facto de o nosso grupo fazer 30 anos é algo bastante significativo para o trabalho que temos feito, é sinal de que temos feito coisas boas. Mas para um grupo continuar no activo durante tanto tempo é preciso um grande esforço por parte de todas as pessoas”, confessou.

Sónia Palmer revela que a celebração dos 30 anos acontece dia 1 de Dezembro com um jantar para o qual foram convidadas “todas as pessoas que participam ou participaram no grupo, tanto nas peças como nos bastidores”.

Olhando para o presente, a colaboradora e actriz, membro da comunidade macaense, assume que o maior desafio continua a ser a falta de uma sede. “Todos os anos temos de pedir um sítio emprestado para ensaiarmos. Felizmente que a Escola Portuguesa de Macau nos tem ajudado. Falta-nos ainda financiamento, porque para fazer uma peça é preciso muito dinheiro.”

O senhor dramaturgo

Miguel de Senna Fernandes, o grande dinamizador dos Dóci e autor de todas as peças, escreveu nas redes sociais um texto sobre o aniversário, lembrando os primórdios do projecto.

“Hoje, há trinta anos, estávamos com os nervos em franja, com o coração e suor nas mãos, nos bastidores do vetusto Teatro D. Pedro V, então recém-renovado. O tempo não andava e cada minuto parecia horas. Na plateia figurariam gente de peso. O então Governador General Rocha Vieira, o Dr. Carlos Monjardino, a Dr.ª Anabela Ritchie e outras figuras de vulto. Tudo em torno da visita do então Presidente da República Portuguesa, Mário Soares, com uma peça escrita em sua homenagem.”

A peça em causa foi “Olâ Pisidente!” e acabou por “marcar o início de uma aventura que não se esperava”. “Julgo termos cumprido o que, com o tempo, passou a esperar-se de nós”, escreveu ainda.

Ao HM, Miguel de Senna Fernandes confessa que gostaria de encontrar novos dramaturgos para as peças dos Dóci. “Há novas pessoas que vão aparecendo, mas é fundamental que haja mais pessoas a escrever. Quando comecei, tinha os mais veteranos no patuá diziam como se escreviam algumas palavras, como a Fernanda Robarts, a minha professora ‘de facto’. Dizia-me que havia expressões demasiado portuguesas, que não se podia escrever assim. Esse é agora o meu papel. Haver mais pessoas a escrever vai valorizar [o nosso projecto].”

Outro sonho de Miguel de Senna Fernandes, que preside também à Associação dos Macaenses, é levar as peças dos Dóci a Lisboa e até à China, com as devidas adaptações. “O meu sonho é levar o espectáculo para Lisboa e para o continente. Gostaria muito de voltar a Lisboa e representar para a comunidade macaense em Lisboa, que é forte. Mas não temos ainda contactos feitos. Há que utilizar uma fórmula que funcione em palco, em Lisboa, e com algumas adaptações na China.”

Em Portugal, destaca, “há uma comunidade macaense, mas também temos os portugueses que viveram em Macau e que conhecem os Dóci. Fazia todo o sentido levar lá o espectáculo. Não há nenhum sítio pensado, nem contactos ainda feitos com nenhuma entidade. Para isso é preciso fazer um projecto. Veremos se o projecto do próximo ano possa dar azo a isso. Lisboa está na calha, não sei com que dinheiro, mas não custa nada tentar”, salientou.

Miguel de Senna Fernandes diz que o grande desafio para o futuro do grupo é “manter o interesse das pessoas no palco e da própria assistência”. “Este binómio tem de funcionar sempre para que isto tenha sucesso. Da nossa parte estamos sempre motivados e falamos também da motivação de gente nova que queira participar e manter esta chama, a apetência para estar em palco e representar em patuá.”

Uma das forças motrizes do grupo promete não deixar os Dóci tão depressa. “Os actores mais veteranos são fundamentais para que a comédia em palco se desenvolva. Já não são os actores da primeira linha, mas estão na retaguarda para dar o suporte fundamental para que a comédia funcione. Estamos sempre em família. Mas tem havido sangue novo, de uma geração que não tem uma tradição com o patuá. Acham muito interessante e ficam deslumbrados com o projecto, mas depois começam a ter a noção da importância das coisas. São essas pessoas novas que precisamos de cativar”, rematou.

Seul diz suspeitar que Pyongyang forneceu mísseis e munições à Rússia

Militares sul-coreanos disseram ontem suspeitar que a Coreia do Norte tenha fornecido mísseis, munições e projécteis à Rússia para apoiar as forças russas na guerra contra a Ucrânia. A avaliação foi divulgada um dia depois de os serviços secretos de Seul terem dito aos deputados sul-coreanos que Pyongyang forneceu recentemente mais de um milhão de projécteis de artilharia à Rússia, num contexto de aprofundamento da cooperação militar entre os dois países.

Num encontro com jornalistas locais, os militares sul-coreanos afirmaram que a Coreia do Norte é suspeita de ter enviado para a Rússia um número não especificado de mísseis balísticos de curto alcance, mísseis antitanque e mísseis antiaéreos portáteis, além de espingardas, lança-foguetes, morteiros e obuses. O conteúdo deste encontro foi partilhado com a agência de notícias norte-americana Associated Press.

Na semana passada, a Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão condenaram o fornecimento de munições e equipamento militar pela Coreia do Norte à Rússia, afirmando que tais carregamentos de armas aumentam drasticamente o número de vítimas da guerra na Ucrânia.

Qualquer comércio de armas com a Coreia do Norte constitui uma violação de várias resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que a Rússia, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, apoiou anteriormente. Tanto a Rússia como a Coreia do Norte rejeitaram as acusações.

Troca de interesses

Mas a especulação sobre os carregamentos de armas norte-coreanas aumentou depois de o líder norte-coreano, Kim Jong-un, se ter encontrado, em Setembro, na Rússia, com o Presidente russo, Vladimir Putin, e visitado instalações militares russas. Os Estados Unidos e os aliados acusam a Coreia do Norte de procurar tecnologia russa para modernizar o arsenal de armas nucleares e mísseis, em troca de armas convencionais.

Numa reunião privada com deputados, na quarta-feira, o Serviço Nacional de Informações (NIS) sul-coreano disse que mais de um milhão de projécteis de artilharia norte-coreanos foram enviados para a Rússia, desde Agosto. O NIS afirmou que a Coreia do Norte está provavelmente a receber assistência tecnológica russa no projecto para lançar o primeiro satélite espião militar para o espaço.

As duas recentes tentativas de lançamento pela Coreia do Norte fracassaram devido a problemas técnicos. De acordo com as forças armadas sul-coreanas, a Coreia do Norte também quer receber da Rússia tecnologia relacionada com o sector nuclear, aviões de combate, equipamento aeronáutico e assistência para a criação de redes de defesa antiaérea.

Pontes e muros

Num mundo em que ainda se constroem e reforçam barreiras físicas entre povos de culturas, regimes políticos ou religiões diferentes, é reconfortante saber que existem também ações em sentido contrário que consistem na construção de pontes que reforçam os laços de amizade entre os povos.

Talvez a barreira atual mais irracional e antinatural é a que divide a península da Coreia em dois estados. Desde 1953 os coreanos do Norte e do Sul permanecem fisicamente separados, fruto da intolerância e irracionalidade humanas. Uma faixa de aproximadamente 250 km de comprimento e 4 km de largura impede as relações entre os coreanos do Norte e os do Sul. Esta zona de separação inclui Panmujom (localidade na Coreia do Sul onde foi assinado o Armistício em 1953), a Linha de Demarcação Militar, que se estende aproximadamente ao longo do paralelo 38° N, e a Zona Desmilitarizada, conhecida internacionalmente por DMZ (do inglês DeMilitarized Zone). Esta zona tampão está cercada por arame farpado, minas terrestres e forças militares.

Um outro exemplo de barreira consiste no muro que separa os EUA e o México, tão criticado pelo partido democrático quando na oposição, mas que ainda permanece mesmo depois de Trump ter perdido as eleições em 2020. Também o muro que separa o Estado de Israel da Faixa de Gaza ilustra a separação entre povos de culturas e religiões diferentes.

Mas não é apenas nas Américas, no Médio-Oriente ou na Ásia que existem estas barreiras. A queda do Muro de Berlim, construído em 1961 e derrubado em 1989, poderia ser o prenúncio de uma Europa sem barreiras entre os povos. No entanto, a ânsia de notoriedade por parte de um estado euro-asiático com tendências párias fez com que novas barreiras estejam a ser construídas, como acontece com a que está a ser levantada entre a Finlândia e Federação Russa. Também entre a Polónia e a Bielorrússia se ergueu recentemente uma barreira de arame farpado a fim de evitar a invasão de migrantes arremessados pelo regime bielorrusso, com o intuito de criar problemas aos vizinhos polacos. Ainda na Europa foram levantadas outras barreiras, nomeadamente entre a Hungria e a Sérvia e entre a Bulgária e a Turquia, com o intuito de dificultar o fluxo migratório. Entre a República da Irlanda (membro da União Europeia) e a Irlanda do Norte (pertencente ao Reino Unido), embora não se trate de barreiras físicas, foram criados, no contexto do Brexit, pontos de controlo que dificultam o trânsito de mercadorias.

A República de Chipre, pertencente à União Europeia, está separada da designada República Turca de Chipre do Norte, pela chamada Linha Verde, à qual corresponde no terreno, não propriamente a um muro, mas a uma sequência de inestéticos amontoados de pedras, veículos degradados, entulho, sacos de serapilheira cheios de terra, etc. Esta situação perdura desde 1974, aquando da invasão da ilha por tropas turcas.

Contrariando a tendência de criar obstruções entre os povos, são frequentes as atitudes amistosas, como a geminação de cidades de países diferentes. Assim, por exemplo, entre Portugal e a China, com o intuito de promover a cooperação em várias áreas (nomeadamente intercâmbio cultural, turístico e económico), são consideradas cidades-irmãs: Porto e Macau; Lisboa e Pequim; Coimbra e Xangai; Cascais e Zhuhai.

Também entre Portugal e o Japão há exemplos de atitudes deste tipo, como a geminação entre Lisboa e Tóquio; Porto e Nagasaki; Vila Nova de Gaia e Iwata. Outro exemplo de manifestação de amizade por parte do Japão em relação a Portugal consiste na atitude das autoridades do município de Chiba, cidade sensivelmente à mesma latitude do Cabo da Roca. Em homenagem a Portugal foi erigido um monumento no Cabo Inubo onde está gravado “Cabo Inubo e Cabo da Roca – Monumento à Amizade – Aqui, onde o mar se acaba e a terra começa”, em analogia com monumento erigido no Cabo da Roca, onde se pode ler uma das estrofes do canto III de Os Lusíadas “Onde a terra se acaba e o mar começa”. Ainda no município de Chiba, na estação ferroviária de Inubo, encontra-se um mosaico que consta de um mapa português da Ásia, datado de 1630. Em tempos em que se constroem muros entre os povos, é gratificante constatar que também se edificam pontes.

Meteorologista

Art Garden acolhe amanhã sessão de curtas-metragens de Ho Kueng-Lon

Cinema, conversa e uns copos no ambiente acolhedor da Macau Art Garden são as propostas da terceira edição das mostras de curtas, desta vez intitulada “2 em 1”, com a exibição de trabalhos de Ho Kueng-Lon. A exibição dos filmes começa às 22h30 e o preço de entrada custa 60 patacas com direito a uma bebida.

A primeira película a ser exibida é “A Night”, um filme com duração de 14 minutos, falado em polaco e legendado em inglês e chinês. “A Night” tem como premissa um encontro fortuito entre um homem e uma mulher. Os caminhos das personagens cruzam-se numa entrevista de emprego. Mais tarde, à noite, voltam a encontrar-se num bar. A ausência de formalidade leva à abertura e a confissões pessoais.

O filme que se segue é “Where The Luck Goes”, também lançado em 2022 e igualmente em polaco, com legendas em inglês e chinês. A narrativa assenta num momento de conversa franca entre mãe e filha, com a partilha de lutas pessoais e angústias. Crises matrimoniais, atracções com pessoas do mesmo sexo e solidão levam as mulheres encontrar um espaço de compreensão profunda. Após a projecção dos filmes, haverá lugar a uma sessão de perguntas e respostas com o realizador.

Atrás da câmara

Ho Kueng-Lon, nascido e criado em Macau, começou o seu percurso de formação no audiovisual com um bacharelato em Rádio e Televisão na Universidade de Jinan em Guangzhou. Depois desta experiência seguiram-se trabalhos em diversas produções cinematográficas, televisivas e publicitárias em Macau e regiões vizinhas. Logo nos primeiros trabalhos, Ho Kueng-Lon trabalhou como director de iluminação, assistente de realização ou assistente de produção, funções que viriam a marcar a sua carreira.

Em 2017, rumou à Polónia para estudar na Escola de Cinema de Lódz no curso de Realização de Cinema e Televisão, naquela que seria uma jornada transformadora na direcção da profissionalização.

Depois de se adaptar à vida universitária, trabalhou como realizador e argumentista em várias curtas-metragens e documentários produzidos na Polónia e em Macau. A organização da sessão de curtas refere que Ho Kueng-Lon encara as possibilidades de exploração criativa da sétima arte se assemelha a processo de auto-descoberta e reflexão, permitindo aprofundar o conhecimento e percepção do mundo e das pessoas.

Os seus trabalhos foram seleccionados e exibidos em vários eventos de cinema e festivais, incluindo o festival literário Rota das Letras de 2020 e o primeiro Macao International Queer Film Festival no ano passado.

CCM | Ópera chinesa com episódios históricos em Dezembro

O grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) acolhe, nos dias 15 e 16 de Dezembro, o espectáculo da Companhia Nacional Chinesa da Ópera de Pequim, organizado pelo Ministério da Cultura e Turismo da China e Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura da RAEM.

Segundo um comunicado, o espectáculo leva à cena dois episódios históricos de um vasto repertório. O programa arranca com “Fogoso Cavalo Vermelho”, uma ópera que transporta o público à dinastia Tang. Inspirado numa lenda, este conto tem sido frequentemente representado em teatros por toda a China, tendo também subido à cena em cidades como Londres e Nova Iorque.

O segundo espectáculo desta digressão leva à cena a trágica história de “Adeus, Minha Concubina”, conto clássico de vida e morte internacionalmente popularizado nos anos 90 quando foi utilizado como pano de fundo para o premiado filme realizado por Chen Kaige.

A Companhia Nacional Chinesa de Ópera de Pequim tem sido consistentemente reconhecida tanto no país como no exterior, desde a sua fundação, em 1955. Ao longo dos últimos anos, Macau tem apreciado de forma regular a diversidade e desenvolvimento da ópera chinesa, patente numa série de espectáculos levados ao palco, oferecendo aos entusiastas das artes oportunidades renovadas de mergulharem numa mescla de diferentes expressões teatrais. Os bilhetes para os espectáculos estão à venda desde quarta-feira.

Salão de Outono | Pintura, fotografia e instalação para ver a partir de domingo

Está de regresso mais uma edição do Salão de Outono, organizado em conjunto com a AFA – Art for All Society, e Fundação Oriente. A partir deste domingo, e até ao dia 26 deste mês, o público poderá ver, na Casa Garden, 92 trabalhos de variados géneros artísticos, que vão desde a fotografia, à pintura ou instalação. O “Prémio de Arte da Fundação Oriente” será conhecido dia 11

 

Há 14 anos que Macau acolhe o Salão de Outono, exposição que revela o que de melhor se faz em termos artísticos a nível local. A nova edição do Salão de Outono, organizada pela AFA – Art for All Society e Fundação Oriente, apresenta um total de 92 peças seleccionadas de 45 artistas, tendo sido recebidos 120 trabalhos.

Esta mostra tem por objectivo “estabelecer uma plataforma entre os artistas de Macau e o público”, tendo curadoria de Alice Kok, também ela artista e uma das fundadoras da AFA.

Segundo um comunicado da organização, as obras seleccionadas representam “a actual vitalidade da criação artística local, com um terço das obras centradas em representações figurativas em meios tradicionais como a pintura a óleo, aguarela, tinta e cerâmica”. Enquanto isso, o outro terço das obras “é mais abstracto, mais uma vez com uma forte incidência na pintura”. Destaque ainda para a presença de obras num formato digital, como a fotografia, a ilustração digital, a modelação 3D vídeo e instalação. Outra característica desta mostra é a diversidade, pois os artistas participantes “são desde estudantes universitários de arte a artistas emergentes”.

Exemplo disso é a participação de Francisco Ricarte, arquitecto e fotógrafo, que participa com a imagem “Into The Palace”, enquanto Wu Hao Zheng apresenta um conjunto de quatro fotografias intitulado “The Realm of Oyster”. Destaque ainda para a colaboração de Leong Hio Sam, com a pintura “Sleeplesse City Macau” ou ainda a instalação, com recurso a luzes LED, de Tong Chi Fong, um trabalho intitulado “Life”.

Participam ainda nomes de artistas, com níveis de experiência diferentes, como é o caso de Ada Zhang, Celeste C. da Luz, Gui Jesus Carvalho Freitas da Silva, José Nyögeri, ou Nicholas Mok.

Novos talentos

Apesar da exposição poder ser visitada já a partir deste domingo, a cerimónia de inauguração acontece dia 11, dia em que também será conhecido o vencedor do “Prémio de Arte da Fundação Oriente”, que visa “incentivar a criação de jovens artistas” de Macau. O vencedor irá receber um prémio nunca inferior a 40 mil patacas e a oportunidade de realizar, em Portugal, uma residência artística na sede da Fundação Oriente, em Lisboa.

A primeira edição deste prémio decorreu em 2012 e foi ganha pelo artista Lai Sio Kit, que desde então tem protagonizado diversas exposições, a título individual ou colectivo, no território. Lai Sio Kit, que estudou na Academia de Belas Artes em Pequim, garantiu o prémio com a obra “The Secret Gardens” (óleo sobre tela).

Pequim | Registadas temperaturas mais elevadas desde 1961

Pequim registou uma temperatura média de 14,5 graus Celsius no final do mês de Outubro, a mais elevada desde 1961 e um acréscimo de 3,4 graus face ao mesmo período do ano passado, informou ontem o Observatório Meteorológico da cidade. De acordo com especialistas citados pelo jornal oficial Global Times, o aquecimento global está a fazer com que a diferença de temperatura entre as regiões norte e sul do país seja cada vez menor.

A ausência de ventos frios, comuns nesta altura do ano, também contribuiu para as elevadas temperaturas registadas na capital chinesa nos últimos dias. Para além de Pequim, todo o norte da China registou temperaturas elevadas no final de Outubro: a cidade de Tianjin atingiu uma temperatura média recorde de 16,2 graus Celsius em 28 de Outubro, a segunda mais elevada para esse dia desde 1961.

“Os fortes ventos do norte costumavam trazer ar frio que arrefecia grande parte do país, mas este ano não”, observou o meteorologista Zhang Mingying, citado pelo jornal. Esta situação também afectou a poluição atmosférica nas zonas do norte. Os especialistas avisaram que os altos níveis de poluição vão manter-se até à chegada de ar mais frio nos próximos dias.

Em 2022, a China registou 16,4 dias com uma temperatura média superior a 35 graus Celsius, a mais elevada desde 1961, de acordo com a Administração Meteorológica Nacional do país. Os meteorologistas locais sublinharam que os períodos de calor intenso, que começam “cada vez mais cedo e terminam cada vez mais tarde”, podem tornar-se o “novo normal” no país asiático, sob o “efeito das alterações climáticas”.

Hong Kong | Julgamento de português marcado para Fevereiro

Um tribunal de Hong Kong marcou ontem para 27 de Fevereiro de 2024 o início formal do julgamento do cidadão português Joseph John, acusado de incitação à subversão, crime com uma pena máxima de 10 anos de prisão.

No tribunal do distrito de Wanchai, após cinco adiamentos devido a mudanças na defesa do português, o juiz Kwok Wai-kin marcou para o próximo ano uma sessão em que o arguido poderá declarar-se culpado ou inocente, assim como a defesa poderá apresentar eventuais atenuantes.

A defesa voltou a não apresentar ontem qualquer pedido para que Joseph John, detido desde o final de Outubro de 2022, saísse em liberdade sob fiança. Em Agosto, um outro juiz rejeitou um pedido do anterior advogado para que o português saísse sob uma fiança no valor de 26 mil dólares de Hong Kong (cerca de três mil euros), considerando que continua a representar um perigo para a segurança nacional da China

Kwok Wai-kin é um dos juízes nomeados pelo governo de Hong Kong para lidar com casos ligados à lei de segurança nacional, promulgada em 2020 por Pequim. De acordo com a acusação, Joseph John era administrador do perfil na rede social Facebook do Partido para a Independência de Hong Kong.

O suspeito, funcionário do Royal College of Music no Reino Unido, terá usado o perfil para, desde Setembro de 2019, “lançar uma campanha de angariação de fundos para despesas militares, enviar petições para páginas de governos estrangeiros e apelar ao apoio de tropas estrangeiras”. Na sessão de ontem esteve presente o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão.

Conflito em Gaza em foco durante presidência chinesa do Conselho de Segurança da ONU

A China detém em Novembro a presidência rotativa do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), durante a qual estará em destaque o conflito em Gaza, com as autoridades chinesas a procurar um cessar-fogo.

O embaixador chinês junto à ONU, Zhang Jun, apresentou na quarta-feira à imprensa a sua agenda para o mês, indicando que uma das prioridades da sua presidência será resolver o conflito entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas, nomeadamente o conflito em Gaza, que ameaça estender-se à restante região do Médio Oriente.

“O Conselho tem-se concentrado nesta questão há algumas semanas e continuará a ser o foco do trabalho do Conselho e também da presidência chinesa”, assegurou, acrescentando que apelará a um cessar-fogo, à protecção dos civis e à prevenção de uma ainda maior catástrofe humanitária.

Jun admitiu que o impasse que o Conselho de Segurança atravessa “é decepcionante”, uma vez que já foram a votos quatro projectos de resolução sobre o conflito em Gaza desde o ataque do Hamas, mas não se conseguiu alcançar consenso em nenhuma dessas ocasiões, rejeitando todos os projectos.

Ainda sobre esta questão, o diplomata chinês insistiu na necessidade de se continuar a construir consenso, elogiando o trabalho que o secretário-geral da ONU, António Guterres, tem feito nesse sentido, defendendo a implementação da solução de dois Estados como a única capaz de levar a uma paz duradoura entre Israel e a Palestina.

Porém, a China posicionou-se contra qualquer ideia de desenhar um futuro para Gaza que não tenha em conta o consentimento dos próprios palestinianos.

Questionado sobre o envio de uma força multinacional para Gaza – seja “capacetes azuis” da ONU ou uma força multinacional de outra natureza – após o fim da guerra actual, Zhang Jun esclareceu que este aspecto não está actualmente na agenda do Conselho de Segurança, que está agora focado em discutir um quinto projecto de resolução.

“O que quer que afecte os palestinianos deve ter o seu consentimento, ninguém pode decidir em seu nome”, alertou. Questionado sobre se a China pode ter alguma influência sobre o Hamas ou os seus aliados, como o Hezbollah ou o Irão, Jun foi evasivo e optou por declarar que o seu país “não é tão influente” como alguns jornalistas acreditam.

Na agenda

Durante Novembro, outros temas relacionados com o Médio Oriente serão debatidos no Conselho de Segurança das Nações Unidas, como o Líbano, Síria ou Iémen, assim como assuntos relacionados com África, como a Líbia, Sahel, Sudão e Sudão do Sul, República Centro-Africana ou Somália.

O Conselho deverá realizar este mês o seu debate semestral sobre a Bósnia e Herzegovina e votar a reautorização da força de estabilização multinacional liderada pela União Europeia.

Também é provável que se realizem reuniões sobre a Ucrânia, Coreia do Norte e Afeganistão.

A China planeia organizar um evento especial durante a sua presidência mensal, que se concentrará na relação entre paz, segurança e desenvolvimento, e que deverá contar com a presença de António Guterres.

Em Novembro, o Conselho de Segurança realizará ainda seu ‘briefing’ anual com os chefes das componentes policiais das operações de paz da ONU. “Adoptaremos uma abordagem muito responsável, construtiva, objectiva e inclusiva na execução do trabalho da presidência chinesa”, disse Zhang Jun aos jornalistas, em Nova Iorque.

Óbito | Xi assistiu à cerimónia de despedida de antigo primeiro-ministro Li Keqiang

O Presidente chinês, juntamente com a sua esposa e outros dirigentes, marcou presença na cerimónia que elogiou Li Keqiang como “excelente membro do partido, um soldado comunista leal e um revolucionário proletário excepcional, estadista e líder do Estado e do partido”

 

Os restos mortais do antigo primeiro-ministro chinês Li Keqiang foram cremados ontem em Pequim, após uma cerimónia em que participaram o Presidente chinês, Xi Jinping, e vários membros da direcção do Partido Comunista da China (PCC).

A cremação e a cerimónia tiveram lugar no Cemitério Revolucionário de Babaoshan, no norte da capital chinesa, onde, tal como em todos os edifícios oficiais da China, as bandeiras estiveram ontem hasteadas a meia haste em homenagem a Li, que morreu de ataque cardíaco em Xangai a 27 de Outubro, aos 68 anos.

Xi chegou ao início da manhã ao salão de festas do cemitério acompanhado pela sua mulher, Peng Liyuan, e juntamente com outros dirigentes “permaneceu em silêncio solene, caminhou lentamente até aos restos mortais de Li para prestar homenagem e fez três vénias”, informou a agência noticiosa oficial Xinhua.

De seguida, apertou a mão à família do antigo primeiro-ministro, a quem apresentou as suas condolências. Para além de Xi, estiveram também presentes o sucessor de Li, o primeiro-ministro Li Qiang, o presidente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, o vice-primeiro-ministro Han Zheng, o vice-primeiro-ministro Ding Xuexiang e o chefe do Conselho Consultivo, Wang Huning.

Embora não se tratasse de um funeral de Estado como os que os antigos presidentes chineses recebem, a cerimónia foi solene, com música fúnebre em fundo e uma grande faixa preta onde se lia em letras brancas “profundo luto pelo camarada Li Keqiang”.

Sob a faixa, um retrato do falecido e os restos mortais de Li foram cobertos com uma bandeira do PCC e rodeados de flores e ramos de cipreste, incluindo uma coroa de flores enviada pelo antigo Presidente Hu Jintao, que era muito próximo do antigo primeiro-ministro.

Elogio fúnebre

Na cerimónia, Li foi elogiado como um “excelente membro do partido, um soldado comunista leal e um revolucionário proletário excepcional, estadista e líder do Estado e do partido”. O protocolo do funeral é comparável ao seguido após a morte, em 2019, de Li Peng, também antigo primeiro-ministro.

No sistema hierárquico de formalidades da China, apenas os secretários-gerais do PCC, como o antigo presidente Jiang Zemin, que recebeu um funeral de Estado em Dezembro do ano passado, têm direito a honras de topo.

Seda (5) – Deusas e Festas

Divindade da Seda (蚕神) Can Shen

Publicado no hojemacau a 9 de Outubro o artigo , a tratar sobre a viagem da seda de Leste para Oeste da China, a história de Ma Tou Niang (马头娘), a Senhora com Cabeça de Cavalo, ficou a meio.

Na deslocação dessa deusa da seda, Can Hua Niang Niang (蚕花娘娘) na província de Zhejiang, até Sichuan onde passou a ser Ma Tou Niang, continuamos agora na versão dessa província do Período dos Três Reinos. Aí se refere, após o senhor Wu ter morto o cavalo seu salvador, pois a filha se comprometera casar com quem trouxesse de volta o pai, este sem aceitar tal destino escapelou o prometido genro e colocou a pele dependurada numa amoreira. Ao passar por baixo da árvore, a pele do cavalo caiu sobre a filha, envolvendo-a e encasulada voou até ao Sudoeste da China.

Num extenso amoreiral em Sichuan (Shu) ficou a jovem transformada num corpo de bicho-da-seda e cabeça de cavalo e todas as Primaveras aparecia a segregar longos filamentos brancos entre os ramos das amoreiras, cujas folhas são o melhor alimento para essas lagartas. Por isso, o Imperador Celeste a nomeou Deusa dos Bichos-da-seda. Procriou e começaram a aparecer nesse enorme amoreiral muitos bichos-da-seda na forma de lagartas a alimentarem-se das folhas e a expelir filamentos longos e brilhantes. Essa a razão de em muitos templos a imagem da deusa Ma Tou Niang estar coberta por uma pele de cavalo e à senhora com cabeça de cavalo ser-lhe oferecido sacrifícios para haver prosperidade de amoreiras e bichos-da-seda.

A Deusa do Bicho-da-Seda (蚕神, Can Shen), além de uma divindade estelar, pode também representar o primeiro ser a fazer criação do bicho-da-seda, Lei Zu, esposa do Imperador Amarelo, ou ainda Can Cong, o fundador do reino dos Antigos Shu (Gu Shu 古蜀) deificado Qingyi shen (青衣神), Deus das Vestes Verde-azuis.

Can Shen como divindade estelar é conhecida por Tian-si (天驷), localizada nas constelações do quadrante Leste (青, Qing), o Dragão Verde/Azul (苍龙, Cang Long), e das sete constelações existentes nesse quadrante é a número quatro, denominada Fang (房), com quatro estrelas, Beta, Delta, Pi e Nu.

Em Nanchong (南充), ainda na província de Sichuan, escutamos outra mitológica história sobre a Deusa do Bicho-da-seda. O Imperador Celeste (天皇, Tian Huang) admirava a lealdade de Can Hua Niang Niang (蚕花娘娘), a Imperatriz do Bicho-da-seda, por ela se ter transformado em lagarta do bicho-da-seda e com os filamentos expelidos pela boca andar a ajudar as pessoas na Terra.

Tocado por a bondade desse coração, mas também furioso por ela o ter trocado, o Imperador Celeste [que na Dinastia Tang passou a ser o Imperador de Jade (玉皇, Yu Huang), quando muitos dos imperadores eram seguidores do Dauismo, e então se realizou a grande estruturação e sistematização do Divino. No Céu apareceu o Imperador de Jade e na Terra, o Imperador tornou-se o representante do Céu aos olhos do povo] enviou soldados para a trazerem de volta ao Paraíso. Apesar da Imperatriz aí viver sem alguma preocupação, não era feliz pois sentia a falta da família e amigos, levando-a a refugiar-se dentro do casulo, sem comer nem beber.

Apercebendo-se da tristeza de Can Hua Niang Niang, o Imperador Celeste usando o poder mágico deu-lhe um par de asas e aprovou, uma vez por ano ela rompendo o casulo regressar voando ao mundo mundano para a cerimónia das Flores do Bicho-da-seda e ir a Shu visitar a família. Quem tiver a sorte de nesse dia ver a Imperatriz voar na viagem de visita à família, terá no ano uma boa colheita de casulos.

LEI ZU (嫘 祖)

Na última década do século XX, Yanting (盐亭) em Sichuan e Yichang (宜昌) em Hubei disputaram o lugar de nascimento de Lei Zu, que introduzira o fio da seda como material de grande potencialidade para tecer. Resolvido esse pormenor a favor de Yanting, aí vamos para visitar o local de nascimento e da sepultura de Lei Zu, assim como o Instituto daoísta e outros inúmeros templos pelas redondezas a homenagear uma filha da terra.

Nos Registos Históricos (Shi Ji) escritos durante a Dinastia Han do Oeste por Sima Qian (145-95 a.n.E.), no capítulo ‘Shi Ji Wu Di Ben Ji’ respeitante aos Cinco Soberanos (Wu Di) pode ler-se: Huang Di, a viver no Monte Xuan Yuan, casou-se com uma mulher de Xi Ling Shi (nome do lugar e da matriarcal tribo).

De uma recolha oral e guardada no livro Yuan Fei Lei Zu (元 妃 嫘 祖) de Liao Zhongxuan (廖仲宣), editado em 2006 por 中国文联出版社, fica-nos a história sobre as origens de Lei Zu, nascida com o nome de Wang Feng e ao casar-se com Huang Di designada com o título de Yuan Fei, por ser a esposa principal do Imperador Amarelo (2550-2450 a.n.E.).

Há quatro mil e quinhentos anos, ainda se usava facas e machados de pedra, e no reino de Xi Ling, habitado pela tribo com o mesmo nome, na Montanha Chun vivia em felicidade um casal, que devido à sua inteligência levava uma boa vida. O trabalho era partilhado entre o marido, Yi Cheng, bom caçador e pescador e a esposa, Qi Liang, uma excelente tecedeira. Habitavam afastados dos aglomerados populacionais da tribo, quando um dia viram chegar um grupo de pessoas transtornadas, muitas já idosas, que se prostrando a chorar contaram a sua aflição. Fugiram da aldeia porque uma enorme serpente tinha comido muitos dos seus familiares.

O casal logo se prestou a acompanhar no regresso à aldeia e ajudar a resolver o problema. Quando aí chegaram, juntaram o restante da comunidade e ensinaram-lhes a usar o arco e a flecha e novos métodos de vida. A aldeia começou a tornar-se abastada, tal os avanços obtidos. Caçava-se animais e vestia-se com novas roupas, tecidas já por as mulheres da tribo, que aprenderam com aquela cândida Senhora.

Regressaram a casa e o tempo foi passando, mas o casal não era totalmente feliz pois ambos tinham já passado os quarenta anos e não conseguiam ter filhos. Uma noite de Verão, quando dormiam, à esposa apareceu uma donzela caminhando com as vestes esvoaçando, convidando-a a chegar à porta da habitação, onde enxergou o chão para fora ser de nuvens e escutou uma ondulante música criada por pássaros. Aí surgiu Wang Mu Liang Liang, sentada com outros deuses a rodeá-la, a dizer-lhe: – Vocês ajudaram caridosamente as pessoas e sempre quiseram um filho. Envio a minha filha para tomarem conta dela e ensinar as pessoas a tecer.

Passando para a mão da senhora uma pérola, esta ao vê-la mais de perto percebeu ser um casulo, de onde saiu um feng huang (凤凰, fénix, um pássaro mitológico) que, volteando por três vezes sobre a mulher, voou para dentro dela. Ao acordar, logo contou ao marido o ocorrido. No ano seguinte, no décimo dia da segunda Lua nasceu a filha e em honra da deusa deram o nome de Wang Feng à criança.

Aos catorze anos, com os pais já muito idosos, passava o tempo a ajudá-los e então a comida começou a rarear. Sem nada para lhes dar de comer, a rapariga desesperada foi a soluçar para o jardim, pois não queria apoquentá-los. Encostada a uma amoreira chorava, quando um súbito vento levou até si algumas amoras [nome do fruto da amoreira parecido com amoras silvestres e denominado em mandarim 桑椹 SangShen] e provando, descobriu terem um bom sabor.

Todos os dias ia colher frutos da árvore, quando certa vez aí vê uma lagarta e olhando-a, pareceu-lhe encontrar semelhanças na cabeça com a de um cavalo. Começou então a prestar atenção a esse animal que vivia comendo as folhas da mesma árvore que também lhe dava o alimento. Uma vez estranhou outra lagarta ter passado um dia a dormir e acordando, tirou do corpo o casaco de cera, deixando para trás essa pele.

Passaram-se dias, semanas, quando umas lagartas se empinaram, parecendo estar a chamar a atenção ao dançar com a cabeça e os anéis da parte do corpo no ar. Observou-as a procurar um lugar entre ramos e depois expelir em baba um contínuo filamento e a colocá-lo como pontos mestres a fazer uma casa. Passaram poucos dias a montar os refúgios, num movimento de boca formando um contínuo 8 e rapidamente deixou de as ver, fechadas em envolventes camadas, produto do vazar do viscoso fio.

Escondida no interior do casulo, a lagarta sofria as metamorfoses no espaço deixado vago à medida da redução do seu corpo, preparando-se assim para renascer como borboleta e após romper o casulo, sair para procriar.

Estacionamento | Ngan Iek Hang critica aumento de preços

O deputado Ngan Iek Hang questiona a justificação utilizada pelo Governo para promover aumentos dos preços em sete parques de estacionamento públicos. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, divulgada ontem.

Quando anunciou a subida dos preços, o Governo argumentou que precisava de aumentar a taxa de rotatividade dos veículos estacionados nestes espaços. No entanto, para Ngan Iek Hang, a medida é incompreensível, porque as famílias “ainda tentam recuperar da quebra dos rendimentos” motivada pela pandemia, e atravessam um período em que também têm de lidar “com a escalada geral dos preços”.

Além disso, segundo os dados citados por Ngan Iek Hang, há parque sujeitos a aumentos em que a taxa de utilização média está abaixo dos 70 por cento, e em pelo menos três dos sete afectados abaixo dos 50 por cento.

“Em muitos casos os parques de estacionamento para motociclos e ciclomotores nunca estão totalmente ocupados, mesmo que a taxa de utilização possa ser próxima de 87 por cento”, indica Ngan. “Se os parques não estão cheios, porque é que vão aumentar os preços? Não será isto antes um incentivo para que as pessoas deixam de utilizar os parques e procurem outras alternativas?”, questiona.

Ngan Iek Hang não é o primeiro deputado a atacar esta medida, anteriormente, Ella Lei, deputada ligada ao Operários, tinha feito o mesmo.

Por outro lado, Ngan Iek Hang pede ao Governo que pondere outras medidas para aumentar a rotatividade dos veículos estacionados nos parques mencionados, se esse for mesmo o objectivo da medida, e sugere a criação de descontos e outros incentivos para aumentar a taxa de utilização dos parques menos utilizados da RAEM.