Primeiro ano de Sam Hou Fai foi proactivo a diversificar economia

Analistas disseram à Lusa que o primeiro ano de mandato do Chefe do Executivo ficou marcado pela vontade de liderar a diversificação da economia da RAEM, altamente dependente dos casinos.

Sam Hou Fai, que tomou posse exactamente há um ano, “adoptou uma abordagem proactiva para liderar o processo de diversificação económica”, defendeu Henry Lei Chun Kwok. O professor da Universidade de Macau deu como exemplo a criação de dois fundos, um para apoiar as indústrias e outro para a investigação científica e tecnológica, e a criação de um parque de ciência e tecnologia. Algo que “difere da abordagem anterior, orientada pelo mercado, e que é crucial tendo em conta as incertezas e a fraca confiança dos investidores que enfrentamos actualmente”, sublinhou o especialista em economia empresarial.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa sublinhou que Sam Hou Fai “não partiu do zero” e que a diversificação económica era já uma política de Macau “a médio e longo prazo”. “Há, digamos, um comboio em movimento e esse comboio continua. Pode-se aumentar ligeiramente a velocidade, ou reduzir a velocidade, mas o caminho estava mais ou menos traçado”, disse Carlos Cid Álvares.

A diferença, explicou o deputado Leong Hong Sai, é que “no passado, discutiu-se durante muitos anos a importância de alcançar uma diversificação económica e industrial”. “Agora, isto está a ser implementado de facto, com o planeamento geral e a selecção de locais a ocorrerem de forma ordenada”, sublinhou o vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau.

Ainda assim, Henry Lei avisou que “poderá demorar algum tempo até que os esforços produzam progressos mensuráveis, como o aumento do valor acrescentado ou a quota do sector tecnológico no PIB [Produto Interno Bruto]”. Cid Álvares também vê projectos “interessantes e que podem fazer mexer a economia”: uma zona cultural, em consulta pública até 26 de Dezembro, e a cidade universitária em Hengqin.

Périplo ibérico

Cid Álvares, também director executivo do Banco Nacional Ultramarino – parte do grupo da Caixa Geral de Depósitos – acredita que a visita que Sam Hou Fai prevê fazer a Portugal e Espanha pode ajudar a atrair empresas e investimento. “Acredito que isso possa fazer com que mais olhos se virem para aqui, porque, para mim, Macau não são 600 mil habitantes, são 80 milhões da Grande Baía, com 12 por cento do PIB da China”, defendeu Cid Álvares.

O presidente da CCILC diz que já “está a haver uma maior atenção a Hengqin” e previu que, “a prazo, as fronteiras vão ser bastante simplificadas e, portanto, Macau e Hengqin vão estar mais integrados”.

Tem havido “esforços significativos” para uma maior integração de Macau, nomeadamente “a convergência de regras jurídicas”, mas Leong Hong Sai defendeu que “o progresso deve ser acelerado”. Já Henry Lei, apontou como prioridade “ultrapassar a ineficiência na mobilidade de recursos, como os fluxos de capitais e de informação, para reforçar a integração entre Macau e Hengqin [e] atrair mais investimento transfronteiriço”.

Acção Social | Analisas destacam apoios a grupos vulneráveis

Analistas indicam que, no primeiro ano de mandato, o novo líder do Governo, Sam Hou Fai, fez esforços “bastantes substanciais” para apoiar “os grupos vulneráveis” de Macau. Mais investimento público e apoios direccionados foram destacados como pontos positivos

No capítulo da acção social, o primeiro ano de Sam Hou Fai à frente do Governo da RAEM é indicado por analistas como um bom começo no que diz respeito ao apoio aos grupos mais vulneráveis da população.

Para estes grupos, que incluem idosos, crianças, adolescentes e famílias com poucos rendimentos, “o nível e escala” do apoio do Executivo “está a progredir a um ritmo constante”, disse à LUSA o secretário-geral da Cáritas Macau. Paul Pun Chi Meng deu como exemplo o lançamento de uma linha telefónica, disponível 24 horas por dia, para “garantir que o bem-estar emocional dos estudantes recebe a devida atenção”.

Recorde-se que, pelo menos, 14 crianças até aos 14 anos tentaram pôr fim à vida na primeira metade deste ano, o dobro do registado no mesmo período de 2024, avançou em Outubro a emissora pública TDM – Teledifusão de Macau.

Paul Pun diz que também melhorou o acesso dos residentes com poucos recursos à habitação social: “Antes demorava mais tempo; agora é mais rápido. O processo foi agilizado”. Os gastos públicos em apoios e subsídios sociais cresceram 4,1 por cento até Novembro, em comparação com os primeiros 11 meses de 2024, para 49,7 mil milhões de patacas.

O vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau defendeu que “os esforços em prol do bem-estar e da subsistência da população têm sido bastante expressivos” e irão melhorar em 2026.

Leong Hong Sai, também deputado, recordou que o orçamento para o próximo ano, aprovado na quinta-feira na Assembleia Legislativa, aumenta de 2.175 para 2.400 patacas por mês o subsídio para cuidadores. Por outro lado, o subsídio de desemprego irá subir de 157 para 210 patacas por dia, mas Leong admitiu preocupação com os jovens, que “podem enfrentar certas pressões no mercado de trabalho”.

Nós e os outros

O dirigente associativo apelou à proibição de contratação de trabalhadores migrantes para “certas posições”, de forma a “criar mais oportunidades de emprego de qualidade” para os locais.

Paul Pun tem uma visão diferente e disse desejar que, em 2026 e no futuro, “seja também dada alguma atenção àqueles que não são residentes em Macau”. “Estas pessoas existem e seria melhor ter um pouco mais de atenção para com os não-residentes”, defendeu o secretário-geral da Cáritas Macau.

No final de Outubro, Macau empregava mais de 184.300 trabalhadores migrantes, o número mais elevado dos últimos cinco anos. No mesmo mês, a taxa de desemprego caiu para 1,7 por cento, o valor mais baixo desde Janeiro.

Por outro lado, Leong Hong Sai apontou como “a conquista mais importante” de Sam Hou Fai a realização “de forma excepcional” das eleições legislativas, em 14 de Setembro. Quase 53,4 por cento dos eleitores participaram nas eleições, mais 11 pontos percentuais do que há cinco anos, mas aquém do recorde de 59,9 por cento, fixado em 2009, quando concorreram três listas pró-democracia. O número de votos nulos ou em branco mais que duplicou em comparação com as últimas eleições, em 2021, ultrapassando 13 mil.

Mas Leong Hong Sai defendeu que as eleições “foram conduzidas com sucesso”, uma vez que aplicaram, “na prática, o princípio ‘Macau governado por patriotas’”.

Alfredo Gomes Dias, historiador, sobre Rocha Vieira: “Uma figura histórica, quer quisesse ou não”

Lançado na quinta-feira no Porto, com a chancela da Guerra e Paz, “Macau: A Última Transição – Vasco Rocha Vieira (1991–1999)” é o resultado de um trabalho de 20 anos do historiador Alfredo Gomes Dias. A obra contém testemunhos pessoais de Rocha Vieira e detalhes documentados da última Administração portuguesa de Macau

Acaba de lançar mais um livro sobre Rocha Vieira e a última Administração portuguesa de Macau. Fale-me do início deste projecto.

Este projecto tem mais ou menos 20 anos, e começou quando conheci Rocha Vieira, em 2005, para fazer um texto para o livro “Governadores de Macau” [editado pela Livros do Oriente em 2013]. No meio disso, descobri que havia um fundo documental pessoal do general Rocha Vieira, enquanto governador. Como historiador, fiquei entusiasmado com a ideia. Ofereci-me para fazer, juntamente com ele, um projecto, a que chamámos “relatório”. Todos os documentos estavam em casa dele, em Lagoa, de onde era natural. Depois foram depositados num espaço cedido pela Câmara Municipal de Mafra e entre 2007 e 2013 trabalhei nessa documentação. Foi um trabalho solitário e prolongado, porque tive de organizar 1.700 caixas de documentação e conciliar com o meu trabalho de docente. Rocha Vieira foi adiando o projecto, dizendo que não, mas em 2016 disse-me para avançarmos com o “relatório”, o livro. Terminei a primeira versão em 2021. É um livro comprometido, no sentido em que pretende dar a visão do general Rocha Vieira do que foi o seu Governo. Não se trata de um trabalho académico.

Teve acesso completo ao arquivo pessoal.

Deu-me luz verde para consultar a documentação toda, não tive qualquer restrição. Rocha Vieira foi-me contando uma ou outra história com pormenor, deu-me linhas de orientação e revelou-me as preocupações dele durante a governação. Disse-me algumas posições que teve e depois os caminhos diferentes que se tomaram, e todo o livro é construído em torno das muitas conversas que tive com o general, em que recorro também à documentação. Temos a visão de tudo o que aconteceu entre 1991 e 1999 e as acções do governador nas diferentes dimensões da Administração, a nível económico, social e político, nas relações com a China e Lisboa, com Hong Kong, e depois tudo o que foi o trabalho relacionado com a transformação do território, como o nascimento do Cotai e as grandes obras que se foram fazendo. Fala-se também da fase da transição e os grandes temas, como a entrada das tropas chinesas em Macau, a cerimónia e como esta se organizou. Hoje vivemos num mundo imediato, e à velocidade de hoje é sempre estranho dizer que este livro demorou 20 anos a fazer-se.

Podemos dizer que é a primeira vez que temos um testemunho tão completo da visão de Rocha Vieira sobre o seu Governo?

A biografia editada [Vasco Rocha Vieira – Todos os Portos a que Cheguei] já dá muitas ideias das suas preocupações. O que acabei por fazer foi não me focar tanto na vida toda do general, mas apenas nos anos do Governo e desenvolver ao máximo muitos dos assuntos que Pedro Vieira colocou nessa biografia.

Que assuntos estão então mais desenvolvidos nesta nova obra?

Descrevo muito bem todos os processos ligados à transição de Macau, como a questão das leis e da localização, a necessidade de as traduzir para chinês. Esse foi um trabalho gigantesco. Depois abordo a construção de grandes obras, o nascimento do Cotai. Tudo isso com base nas plantas e planos originais pensados para o Cotai, onde se conhece o início da ideia para essa zona. Qualquer historiador que, no futuro, queira estudar o processo de transição, tem, necessariamente de passar por este livro. Não quero dizer que o que lá está é definitivo, porque nunca é. Mas é importante ter esta base e testemunho, que é enriquecido e fundamentado na documentação.

Imagino que as polémicas do Governo de Rocha Vieira também estejam no livro. A quezília com Jorge Sampaio, a criação da Fundação Oriente em Portugal. Qual o testemunho de Rocha Vieira sobre estes dois momentos?

Ele sempre manteve o mesmo discurso face ao que já tinha dito publicamente. Há um capítulo específico sobre a Fundação Oriente, onde se tenta, com o apoio da documentação, explicar o processo e porque é que Rocha Vieira, quando chega a Macau, tem a necessidade de resolver um problema que se arrastava e que era importante ultrapassar. Descreve-se a forma como ele o conseguiu resolver, pois era uma questão que estava a dificultar o diálogo com as autoridades chinesas. Está explicada a forma como Rocha Vieira se foi relacionando com os diferentes Governos da República [Portuguesa] e os diferentes Presidentes, as posições que foi tomando a fim de garantir o que era da sua responsabilidade. Enquanto esteve à frente do Governo, Rocha Vieira tentou sempre fazer vingar as suas visões, e uma das coisas interessantes é que tive acesso a cópias de actas de reuniões do Conselho de Estado, nas quais Rocha Vieira apresentava a sua visão sobre a situação de Macau. É um contributo interessante. Mas ele explica que a forma como dialogava com o Presidente Mário Soares era completamente diferente da forma como dialogava com Jorge Sampaio. A relação institucional alterou-se, a forma de estar numa reunião também era diferente. Isso é explicado, mas sem entrar pelo lado pessoal da quezília.

Rocha Vieira saiu de Macau com a sensação de dever cumprido?

Acho que ele saiu de Macau muito convicto, e toda a cerimónia da transferência acaba por nos dar um pouco essa imagem de que Portugal saiu da melhor maneira possível. Temos também de pensar que falamos de dois países completamente diferentes, e que um deles é gigante. E que, apesar dessa diferença, foi possível manter um diálogo quase de igual para igual entre dois Estados para resolver, da melhor maneira, uma questão específica que era Macau. O que mais me surpreendeu na visão de Rocha Vieira foi ele ter alterado a centralidade da visão para Macau.

Em que sentido?

De uma maneira geral os portugueses e as autoridades falavam de Macau pensando em garantir o processo de transição sem pôr em causa os interesses de Portugal. E o general Rocha Vieira inverte os termos da questão, ou seja, para se garantir os interesses de Macau, com a ideia de que garantir os interesses de Macau seria o mesmo de garantir os interesses de Portugal. Parece a mesma coisa, mas não é. Essa visão, para mim, é que foi surpreendente.

Porquê?

Porque ia contra o que era o discurso mais comum entre as autoridades e as pessoas responsáveis pela administração portuguesa [de Macau]. Esta ideia central acaba por mudar a forma como ele organiza o seu Governo, como age e o tipo de acções que desencadeia. Todas tinham a ver com esta convicção profunda, de que, nos anos que restavam, fosse garantido um grande desenvolvimento de Macau, a afirmação da cultura portuguesa, apoiando instituições, ou até com a Escola Portuguesa de Macau (EPM), cuja solução acabou por não ser a que ele propunha. Acabou por ser uma opção minimalista.

Qual era, concretamente, a posição de Rocha Vieira?

Era garantir que o antigo Liceu de Macau era a EPM, o que daria uma dimensão completamente diferente à escola face [à localização actual]. Não tem nada a ver. Ele não queria só uma escola portuguesa, mas também um espaço onde fosse possível desenvolver actividades culturais, criar um pólo cultural em Macau ligado a Portugal, e com uma opção muito mais digna do que aquela que foi, depois, a opção do Ministério da Educação, na figura de Marçal Grilo, que optou [pela localização] da antiga Escola Comercial. Portanto, o foco sempre foi garantir e desenvolver os interesses de Macau, a sua autonomia, e a questão do aeroporto era fundamental para garantir a autonomia de Macau. Pretendia-se também que Macau aderisse aos acordos internacionais relativamente ao respeito pelos direitos humanos. A ideia era que, conseguindo garantir os interesses de Macau, pensando o território como fazendo parte do segundo sistema da China, e que se investíssemos muito em Macau, estávamos, naturalmente, a defender os interesses portugueses e a deixar um grande legado.

Qual foi o dossier mais complexo para Rocha Vieira?

Acho que ele tinha uma grande mágoa relativamente à opção do Ministério da Educação para a escola portuguesa. Das conversas que fui tendo com ele [foi o que me pareceu]. Havia depois as questões de segurança, com as seitas, que acabaram por se resolver. Nos anos de 1997 e 1998 foram momentos muito críticos em Macau, mas como ele sempre foi tendo boas relações com as autoridades chinesas, isso levou a que a China tenha percebido a situação, passando a colaborar mais com as autoridades portuguesas em Macau, no sentido de controlar o problema.

Sobre o Cotai, como surge a ideia?

Surge no contexto das obras para o aeroporto, quando se percebe que seria relativamente fácil mobilizar as terras que estavam associadas às obras do aeroporto, aproveitando-se esse momento para fazer uma ligação e criar, no fundo, uma segunda centralidade urbana em Macau. Os planos iniciais do Cotai tinham a ver com o espaço urbano, espaços verdes, industriais. Todo o plano estava concebido para agregar diversas áreas, espaços sociais, como escolas ou a saúde, como se o Cotai fosse uma mini-cidade, digamos assim, no território.

Mas quem teve, concretamente, a ideia?

Foi uma ideia do Executivo de Rocha Vieira desenvolvida com secretários. A ideia partiu dele, quando se viu perante a questão das obras, e depois foi sendo desenvolvida com a equipa. Ele tinha sempre a preocupação de desenvolver as coisas com a equipa, garantindo também uma continuidade com o que se tinha feito antes. Quando conversava comigo, tinha o cuidado de dizer: “isto não começou comigo”, ou que para determinado trabalho tinha sido fundamental este ou aquele secretário. Nunca quis ficar com os louros que não eram dele, e isso também é um grande reconhecimento dos governadores anteriores.

Portanto, o Cotai não era para ter tanta área destinada ao jogo.

Pelo que analisei nos documentos, não havia a ideia de ceder um espaço tão grande para o entretenimento, com casinos. Penso que a visão inicial para o Cotai era um pouco mais equilibrada, com habitação, escolas, centros de saúde, espaços verdes. Era para ser um novo espaço urbano que ia nascer com todos os serviços necessários para funcionar, não era para ser só jogo.

Ficaram para a história os momentos em que Rocha Vieira agarra a bandeira ao peito, comovido. Ele recordou consigo esses momentos?

Sim, mas apesar da dimensão histórica do papel dele, Rocha Vieira não tinha propriamente noção do papel histórico que estava a desempenhar. Ele estava ali com uma missão e objectivos claros, sem pensar propriamente no protagonismo que podia ter no futuro. Uma vez, quando estávamos a almoçar, disse-lhe que podíamos relativizar o nosso trabalho, mas que ele ia tornar-se numa figura histórica para a história de Portugal, quer quisesse ou não. E o engraçado é que ele ficou a olhar para mim com uma cara de quem nunca tinha pensado nisso, com um ar muito surpreendido. De facto, é impensável tirar-lhe esse estatuto de último governador português em Macau em centenas de anos de história. Ainda por cima, ele esteve um período longo [9 anos], quando a maioria dos governadores esteve lá três ou quatro anos.

Taiwan | China diz que EUA enviam “sinal errado” com plano de vender armas

Pequim afirmou ontem que Washington enviou um “sinal gravemente errado” às “forças independentistas” taiwanesas, ao autorizar vendas de armamento a Taiwan no valor de 11,1 mil milhões de dólares.

Os EUA “anunciaram publicamente um plano de venda de armas avançadas a Taiwan num montante enorme”, o que “prejudica gravemente a soberania, a segurança e a integridade territorial da China”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, em conferência de imprensa. Estas operações “prejudicam gravemente a paz e a estabilidade no estreito de Taiwan”, afirmou.

“As forças separatistas tentam buscar a secessão através das armas e rejeitar a reunificação pela via militar, desperdiçando o dinheiro ganho com o suor do povo e tentando transformar Taiwan num ‘barril de pólvora’”, acrescentou Guo, para quem isso “não pode mudar o destino inevitável do fracasso da independência” e apenas “acelerará o avanço para uma situação perigosa” no estreito de Taiwan.

O porta-voz acusou também Washington de “ajudar a independência através das armas” e de tentar “usar Taiwan para conter a China”, uma estratégia que fracassará. Na sua intervenção, Guo sublinhou que a questão de Taiwan é “o núcleo dos interesses fundamentais da China” e “a primeira linha vermelha que não pode ser ultrapassada” nas relações entre Pequim e Washington.

Guo concluiu salientando que a China “adoptará medidas firmes e contundentes” para defender a sua soberania, segurança e integridade territorial.

Japão | MP pede prisão perpétua para assassino de ex-PM Shinzo Abe

O Ministério Público japonês pediu ontem a prisão perpétua para Tetsuya Yamagami, acusado de assassinar o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe em 2022 com uma arma caseira, na última sessão do julgamento, que começou no final de Outubro. Yamagami, de 45 anos, já se declarou culpado das principais acusações no início do processo, pelo que toda a atenção está agora voltada para a sentença, que deverá ser proferida em meados de Janeiro.

Antes de se conhecer o pedido dos procuradores, a viúva do ex-primeiro-ministro, Akie Abe, pediu ao acusado que “enfrentasse o que fez e pagasse pelos seus crimes”, num comunicado lido na sala por um advogado. “A sensação de perda pela morte repentina do meu marido nunca desaparecerá. Peço ao acusado que enfrente o que fez e pague pelos seus crimes”, disse Akie Abe, em declarações recolhidas pela emissora pública japonesa NHK.

Akie Abe esteve presente há duas semanas numa das audiências do julgamento, embora não tenha exercido o direito de interrogar Yamagami, que o sistema judicial japonês permite às vítimas ou familiares de acusados em casos graves. Yamagami afirmou que disparou contra Abe devido às suas supostas ligações com o grupo religioso conhecido como Igreja da Unificação, ou ‘seita Moon’, que acusou de recrutar a sua mãe e levar a família à falência.

As investigações relacionadas com o assassinato de Shinzo Abe destaparam a ligação entre várias figuras políticas japonesas pertencentes ao Partido Liberal Democrata (PLD), há décadas no poder, e a seita fundada pelo sul-coreano Sun Myung Moon, gerando um escândalo nacional sobre as práticas da ‘Moon’ e sua influência política.

APEC | Deputado Kevin Ho defende adesão de Macau

O deputado Kevin Ho King Lun apelou ontem à adesão de Macau ao fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês), para reforçar o perfil internacional do território e apoiar o desenvolvimento da China. O legislador declarou que o Governo deve aproveitar o facto de Macau acolher uma reunião de alto nível da APEC no próximo ano e solicitar formalmente o apoio da China para a adesão.

Numa intervenção na assembleia legislativa, Kevin Ho recordou que tanto a vizinha região administrativa chinesa de Hong Kong como Taiwan – sob a designação ‘Taipé, China’ – aderiram ao fórum, ambos em 1991. O deputado sublinhou que aderir à APEC iria “criar um maior palco internacional para [Macau] e servir o desenvolvimento nacional”.

A cidade irá receber, pela segunda vez desde 2014, a Reunião Ministerial do Turismo da APEC, em Junho de 2026, “com o apoio do Governo Central”, disse Ho, “o que demonstra o reconhecimento e o apoio do país a Macau”. “O Governo deve agarrar esta oportunidade para aprofundar a cooperação com as economias-membro [da APEC] em áreas como o comércio, o turismo”, afirmou o empresário.

O evento vai trazer a Macau dirigentes governamentais e jornalistas estrangeiros, “permitindo que (…) testemunhem em primeira mão a implementação bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’”, acrescentou Ho. Este princípio, que permite a coexistência de sociedades capitalistas, em Macau e na vizinha Hong Kong, com o regime socialista da China continental, deverá vigorar pelo menos até 2049, fim do período de transição acordado com Portugal.

Confiança no futuro

Ho expressou confiança em que, sob a orientação do Governo Central chinês, as autoridades de Macau irão unir e liderar todos os sectores da sociedade “para avançar de forma constante nos trabalhos preparatórios” do evento. “Isto permitirá a Macau contribuir para o sucesso da série de reuniões da APEC, promovendo Macau para se integrar e servir melhor na conjuntura do desenvolvimento nacional,” concluiu.

A APEC é um fórum económico regional estabelecido em 1989 para aproveitar a crescente interdependência da região Ásia-Pacífico. Os 21 membros visam “criar maior prosperidade para os povos da região, promovendo um crescimento equilibrado, inclusivo, sustentável, inovador e seguro, e acelerando a integração económica regional”.

A narrativa erótica em áudio está a substituir o vídeo?

O erotismo está a ganhar uma nova voz — literalmente. Enquanto o vídeo dominou durante décadas o imaginário sexual mainstream, hoje a fantasia sexual narrativa em áudio está a viver um momento de grande popularidade: podcasts eróticos, apps que contam histórias sensuais e audiobooks capazes de provocar tesão. É uma forma de erotismo que apela à imaginação, à intimidade e à experiência pessoal de uma forma que a pornografia visual raramente consegue.

O formato áudio funciona de maneira radicalmente diferente do vídeo. Quando vemos vídeos, recebemos uma imagem pronta, um guião visual que dita aquilo que deveria excitar-nos. São corpos com características específicas, muitos deles com alterações cirúrgicas que seguem modas do que é suposto ser sensual ou excitante. O áudio, por outro lado, funciona como sugestão: somos nós que construímos o cenário, as personagens e a química. A narrativa entra em jogo como uma espécie de gatilho — um gatilho que permite à imaginação fazer aquilo que sabe melhor: criar a nossa própria fantasia erótica.

Quando ouvimos uma história erótica em áudio, os nossos cérebros não estão apenas a processar estímulos externos; estão a colaborar activamente com a narrativa, a preencher espaços, a gerar imagens e sensações únicas. Essa participação pode intensificar a resposta erótica de uma forma diferente da experiência mais passiva de observar um ecrã. Estas histórias em áudio conseguem centrar a experiência no ouvinte, muitas vezes colocando-o no papel principal da fantasia e criando uma sensação de conexão e intimidade difícil de replicar em vídeo.

A crescente popularidade do áudio erótico parece responder a necessidades emocionais e sexuais que muitas pessoas sentem não estar contempladas pelas formas tradicionais de pornografia. Com a narrativa, o ouvinte deixa de ser apenas consumidor e passa a estar envolvido num processo de co-criação do erótico. Apps como a Quinn ou a Dipsea produzem histórias narradas, muitas vezes focadas na perspectiva do ouvinte — com vozes, som ambiente e uma narrativa envolvente — em vez de imagens explícitas.

Não é apenas a natureza do erotismo que explica esta popularidade crescente, mas também o público para quem estas histórias são criadas. Muitas destas aplicações e podcasts são pensados por mulheres e para mulheres, ou para pessoas queer. A pornografia, historicamente associada ao olhar e ao desejo masculino (com algumas excepções), tende a deixar de fora outros imaginários igualmente relevantes. As narrativas eróticas em áudio têm explorado precisamente esses territórios tradicionalmente considerados mais “femininos”: o consentimento, a emoção, a vulnerabilidade e o prazer feminino. Aqui, o foco na história e na antecipação constrói uma forma de erotismo que privilegia a conexão — sem nunca abdicar da excitação.

O sucesso destas apps, podcasts e contos áudio sugere que muitas pessoas procuram histórias que as incluam e respeitem os seus ritmos e desejos, especialmente aquelas que nunca se reconheceram na erótica mainstream. O foco na conexão emocional, o simples facto de alguém sussurrar palavras sensuais directamente pelos headphones adentro, cria uma experiência íntima e quase confidencial. Esta raridade emocional — sentir-se ouvido, desejado e imaginado no universo erótico — torna o áudio simultaneamente excitante, libertador e seguro.

O regresso à voz pode, por isso, ser mais do que uma moda passageira. Pode ser um reflexo de como queremos experienciar o erotismo hoje: não como espectadores distantes, mas como participantes activos na nossa própria co-criação erótica.

CCM | Banda local Ghostly Park apresenta novo álbum

“Mirror Sea” é o nome do terceiro e novo álbum da banda Ghostly Park, com membros de Macau e Hong Kong. O duo de música electrónica sobe ao palco da “Black Box” do Centro Cultural de Macau amanhã, num concerto com entrada gratuita, para apresentar as oito faixas deste trabalho, onde colabora MC Yan, uma lenda do hip-hop de Hong Kong

O palco da “Black Box” do Centro Cultural de Macau (CCM) acolhe amanhã o concerto de apresentação do novo álbum de uma banda local, os Ghostly Park. “Mirror Sea” é o terceiro trabalho discográfico do duo de música electrónica, composto por DJ Saiyan e Alok Leung, naturais de Macau e de Hong Kong. O concerto está agendado para as 19h45 até às 21h.

Segundo uma nota oficial, o nome deste novo trabalho, que traduzido para português é “Espelho de Mar”, “inspira-se no antigo nome de Macau, já esquecido”, nomeadamente Hou Keng, que significa “Ostra Espelho”, ou até Keng Hoi, “Mar de Espelho”.

Em “Mirror Sea” disponibilizam-se oito faixas de música electrónica “pura”, tratando-se de um trabalho com a colaboração “da lenda do hip-hop de Hong Kong”, MC Yan. Em relação ao concerto de amanhã, haverá um trabalho visual em palco da autoria de Essahqi.

Para recordar

Os Ghostly Park descrevem “Mirror Sea” como fazendo referência ao tal “nome esquecido de Macau”, sendo um projecto que nasceu “de inúmeras caminhadas solitárias pela cidade velha, contemplando o mar”.

“Ondas escuras batem contra a costa; uma única ondulação torna-se o oceano, surgindo e cessando na impermanência. Os Ghostly Park trouxeram essa contemplação sombria para o estúdio, usando o som para pintar as muitas formas da água reflectidas no ‘Mirror Sea’, transformando o silêncio esquecido em ritmos electrónicos pulsantes”, refere a banda.

Além disso, “esquecemos que o mar já foi o único espelho”, acrescenta a banda, lembrando que “quando nenhum pensamento surge, a água não deixa vestígios”.

Em estreia

No concerto de amanhã, as oito faixas de “Mirror Sea” “serão tocadas pela primeira vez, sendo acompanhadas pelas imagens musicais criadas especialmente para ‘Mirror Sea’ pelo designer visual Essahqi”, descreve-se ainda na mesma nota. O álbum arranca com a faixa “Moving Minds”, seguindo-se “Mirror Sea”, “Black Sand”, “Muddy Water”, “Against The Current”, “Whirlpool”, “A Wave In The Ocean” e “Like Water”.

Os Ghostly Park formaram-se em 2017 procurando misturar sonoridades como a música techno, jungle, Dub e Breaks, sem esquecer a música electrónica. Em 2019, saiu o álbum de estreia, “Identify”, que já contava com trabalho gráfico e visual de MC Yan. Neste primeiro trabalho, o duo explorou “as contradições de identidade e cultura entre Hong Kong e Macau”, tendo actuado no festival Clockenflap, um dos maiores de Hong Kong e da região, sem esquecer o Sónar, evento especialmente dedicado à música electrónica.

No ano seguinte seria lançado “The Remix Project”, no qual os Ghostly Park colaboram com músicos de várias regiões para “reflectir a experiência colectiva do reconhecimento facial e do isolamento durante a pandemia”. Mas o segundo álbum propriamente dito seria editado depois, em 2024, intitulando-se “Leaf”, tendo recebido uma nomeação para o prémio do júri dos “Golden Melody Awards”, de Taiwan.

China denuncia como “discriminatória” investigação europeia à CRRC em Portugal

Pequim considerou ontem “discriminatória” a investigação da Comissão Europeia à chinesa CRRC, acusada de beneficiar de subsídios públicos num concurso para a nova Linha Violeta do Metro de Lisboa, o que terá distorcido a concorrência.

Em causa, está uma investigação iniciada em Novembro pela Comissão Europeia ao abrigo do Regulamento de Subvenções Estrangeiras para apurar se apoios públicos deram à empresa chinesa CRRC uma vantagem indevida, face aos concorrentes europeus, no concurso do Metropolitano de Lisboa para a construção da nova Linha Violeta, podendo resultar em medidas correctivas, proibição da adjudicação ou decisão de não objecção.

A Comissão Europeia abriu em 05 de Novembro uma investigação aprofundada para determinar se a fabricante estatal chinesa de material circulante CRRC, integrante do consórcio da Mota-Engil, teve “uma vantagem indevida” no concurso da Linha Violeta do Metro de Lisboa.

“A Comissão abriu hoje uma investigação aprofundada ao abrigo do regulamento relativo às subvenções estrangeiras sobre possíveis distorções do mercado causadas por subvenções estrangeiras. A investigação irá examinar se essas subvenções conferiram à empresa estatal chinesa fabricante de material circulante CRRC uma vantagem indevida na participação num concurso público para a aquisição de veículos ferroviários ligeiros em Portugal”, anunciou a instituição em comunicado.

Bruxelas adianta que a investigação surge na sequência de uma notificação de um consórcio liderado pela Mota-Engil, que inclui subcontratantes como a Portugal CRRC Tangshan Rolling Stock Unipessoal e participou num concurso do Metro de Lisboa lançado em Abril de 2025 para a concepção, construção e manutenção da nova linha violeta.

Mau ambiente

A observação do Ministério do Comércio chinês fez parte de um protesto alargado contra a “enxurrada de investigações” aberta pela União Europeia (UE) a empresas como a Nuctech, CRRC e a plataforma Temu, considerando as medidas “atrozes” e “discriminatórias”.

O porta-voz do ministério, He Yadong, manifestou “firme oposição” às acções de Bruxelas e apelou à UE para que “abandone imediatamente a repressão irracional a empresas de capital estrangeiro, incluindo chinesas” e aplique as suas regulações contra subsídios estrangeiros de forma “prudente”, para garantir um ambiente de negócios “justo e previsível”.

He afirmou ainda que Pequim está a “acompanhar de perto” estas ações e que “tomará as medidas necessárias para proteger com determinação os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”.

As declarações surgem após a Comissão Europeia ter anunciado uma investigação aprofundada à Nuctech, fabricante estatal de equipamentos de segurança, por suspeitas de ter beneficiado de apoios públicos que distorcem a concorrência no mercado europeu, incluindo garantias estatais, tratamento fiscal preferencial e financiamento em condições vantajosas.

Segundo Bruxelas, esses subsídios podem ter dado à Nuctech uma vantagem em concursos públicos, afectando a concorrência no espaço comunitário.

Na semana passada, a Comissão realizou também uma inspecção surpresa à sede europeia da plataforma chinesa de comércio electrónico Temu, em Dublin, num momento em que os países da UE se preparavam para aplicar uma taxa de três euros, a partir de Julho de 2026, sobre encomendas inferiores a 150 euros provenientes da China.

Diocese | Novo Centro Católico inaugurado em 2026

A Diocese de Macau anunciou ontem, em comunicado, que o novo Centro Católico deverá ser inaugurado no próximo ano. No âmbito do anúncio das actividades de celebração dos 450 anos da fundação da Diocese de Macau, foi explicado que “o novo Centro Católico (com 17 pisos) deverá ser inaugurado ao longo do ano, em data a anunciar oportunamente”.

O novo projecto inspira-se no conceito “O Encontro entre Deus e a Humanidade”, integrando espaços de exposição e funcionando como “ponto central de recolha e difusão da informação religiosa a nível local”.

Serão também disponibilizados “serviços de acolhimento para visitantes e peregrinos” e organizadas duas exposições para a inauguração do Centro, intituladas “Honrar o Passado Criar o Futuro” e “Testemunha do Património Missão no Mundo”. A Diocese foi oficialmente fundada em 1576, sendo esta data celebrada com um novo logotipo, uma missa a 23 de Janeiro e um concerto em Fevereiro, entre outros eventos.

UPM | Assinado acordo com Universidade de Coimbra

A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade de Coimbra (UC) assinaram um memorando de cooperação no contexto do projecto da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin.

O objectivo desta parceria é, segundo um comunicado da UPM, “aprofundar a cooperação estratégia e construir, em conjunto, um campus global” na Zona de Cooperação em Hengqin. Pretende-se que este seja “um local de agregação de quadros qualificados internacionais de destaque, contribuindo para uma abertura de nível mais elevado do sector do ensino superior do País ao exterior”.

O documento foi assinado pelos reitores das duas instituições, Marcus Im, da UPM, e Amílcar Falcão, da UC. De frisar, que este memorando foi assinado no âmbito da visita de uma delegação da UC ao território e à Zona de Cooperação.

Hengqin | Polícia investiga ataque à faca no Legend Ponto

As autoridades policiais de Hengqin estão a investigar um ataque à face num centro comercial na zona aprofundada, perto da fronteira com Macau. Vídeos que circularam online mostram sangue no chão. Um jornal do Interior da China indica que o incidente poderá ter resultado de uma discussão

As autoridades policiais de Hengqin confirmaram ontem estar a investigar um alegado ataque à faca ocorrido na quarta-feira à tarde, no centro comercial Legend Ponto, nas imediações do posto fronteiriço.

Nas redes sociais, foram partilhados vídeos de um homem vestido de preto, com uma máscara e boné preto, a andar no centro comercial, deixando para trás manchas de sangue. Podem ver-se trabalhadores e clientes a afastar-se do indivíduo à medida que este vai avançando tranquilamente, sem que alguém intervenha. O internauta que filmou o homem indica “olha ali as manchas de sangue, a cena do crime”, virando a câmara para o chão onde se podem ver algumas manchas de sangue.

Ontem, à hora do fecho desta edição, não havia detalhes sobre a ocorrência por parte das autoridades. Porém, um jornal da província de Shaanxi deu a notícia do ataque na quarta-feira e as autoridades confirmaram a investigação ao caso que já corria nas redes sociais.

Uma publicação na internet descrevia “um homem vestido de preto que esfaqueou uma pessoa em público e, depois, abandonou o local tranquilamente, de forma arrogante”. A pessoa salienta que a polícia não o tinha apanhado e que o suspeito estaria a usar uma máscara que lhe cobria o rosto.

Mais um caso

As razões para o incidente divergem entre uma disputa entre dois transeuntes e um desentendimento entre o suspeito e uma pessoa que trabalha no centro comercial Legend Ponto. O portal noticioso HK01 avançou que uma pessoa terá sido assistida num hospital nas imediações, mas que a alegada vítima terá saído do hospital após receber tratamento pouco tempo depois.

Há cerca de um mês, verificou-se uma situação semelhante em Zhuhai, que resultou numa “denúncia de que um homem havia agredido pessoas com uma pequena faca” na área de Xiangzhou. Os agentes dirigiram-se ao local, onde detiveram o suspeito, um homem de 48 anos, de apelido Lin, de acordo um comunicado autoridades da cidade vizinha, onde se lê que “duas pessoas sofreram ferimentos ligeiros” e “foram prontamente transportadas para o hospital para tratamento”.

“As investigações revelaram que Lin tinha um histórico de várias consultas psiquiátricas”, nota-se ainda no comunicado da polícia de Zhuhai.

CPSP | Mais de 250 acidentes em nove meses na Av. Rodrigo Rodrigues

A polícia divulgou ontem um mapa de sinistros rodoviários relativos aos primeiros nove meses do ano. A Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues foi um dos pontos negros, com 258 acidentes, seguido da Ponte da Amizade. No total, entre Janeiro e Setembro ocorreram mais de 11 mil acidentes nas estradas de Macau, menos 28,5 por cento em termos anuais

Nos primeiros noves meses de 2025, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) registou 11.086 acidentes de viação nas ruas e estradas de Macau, menos 4.424 sinistros do que no mesmo período do ano passado, ou menos 28,5 por cento. Os dados estatísticos publicados ontem mostram que a Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues foi um dos pontos negros nos três primeiros trimestres deste ano, somando 258 acidentes, ocupando o primeiro lugar no pódio dos sinistros rodoviários, seguindo-se a Ponte da Amizade, com 216 acidentes, a Estrada do Istmo (191), Avenida da Amizade (190) e a Avenida Wai Long (175).

Apesar da Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues ter passado a ser o local com mais acidentes no território, no período em análise registou menos 131 sinistros rodoviários em termos anuais.

Nos primeiros nove meses do ano, só um acidente resultou em vítimas mortais. O acidente aconteceu no início de Agosto na Avenida da Amizade, perto do Edifício do Grande Prémio, quando uma viatura se despistou provocando quatro mortos e três feridos graves. O acidente aconteceu por volta das 06h, quando dentro da viatura com cinco lugares seguiam sete pessoas, todos residentes, com idades entre os 19 e 21 anos.

Bate chapa

Os acidentes registados na Avenida Rodrigo Rodrigues resultaram em 146 feridos, sem que as autoridades especifiquem entre feridos graves ou ligeiros. A Avenida do Nordeste foi outro ponto negro em termos de acidentes de viação na península de Macau, com quase duas centenas de sinistros rodoviários que resultaram em 82 dois feridos.

Mais uma vez, as rotundas voltaram a ser pontos mais propícios a acidentes de viação. Nesse capítulo, destaque para a rotunda entre a Estrada da Baía de Nossa Senhora da Esperança e a Avenida Wai Long, na esquina entre o Venetian e o City of Dreams, onde se registaram 198 acidentes. Na rotunda que liga a Avenida do Estádio à Estrada Governador Albano de Oliveira, foram registados nos primeiros nove meses deste ano 111 acidentes.

Em relação às causas para os sinistros rodoviários, os dados da CPSP não mostram as estatísticas deste ano. Porém, tendo em conta os números de 2024, as causas principais foram a “não manutenção de distância adequada” entre veículos, “falha no controlo da velocidade”, “descuido na mudança de direcção”, “não cedência de prioridade” e, por último, “descuido no recuo”.

Urbanismo | Sugeridas medidas para evitar turismo em excesso

Chan Chio I, urbanista, defende que se deve evitar que as seis zonas históricas, alvo de requalificação, fiquem todas iguais, alertando também para o impacto negativo que o turismo de massas pode trazer a locais antigos, podendo contribuir para a sua descaracterização

No contexto da revitalização de seis zonas históricas do território, numa parceria entre Executivo e as operadoras de jogo, a urbanista Chan Chio I defendeu, segundo o jornal Ou Mun, que se deve evitar uma homogeneização, ou seja, deve manter-se as características tradicionais de cada zona, sem esquecer a procura de mercado e a respectiva estratégia urbanística.

A responsável chamou também a atenção para os perigos do excesso de turismo, alertando que pode “ofuscar” as características de cada zona, devendo executar-se um planeamento a ser partilhado por residentes e turistas. Assim sendo, Chan Chio I pensa que as zonas históricas não devem ser usadas apenas para a organização de festivais, devendo também servir para acolher infra-estruturas comunitárias, como centros de convívio, espaços artísticos e educativos ou ainda zonas verdes. Tudo para a utilização diária de residentes e turistas.

No essencial, a urbanista considerou que o projecto da revitalização das seis zonas não se trata de uma simples remodelação de espaço, devendo ser dada atenção à questão urbana, à melhoria das condições de vida e da economia comunitária.

O seu a seu dono

À mesma publicação, a urbanista defendeu que devem ser preservadas as características em locais com património. Assim, no caso dos Estaleiros Navais de Lai Chi Vun ou na Antiga Fábrica de Panchões Iec Long, sítios que reflectem a história e a existência destas indústrias, deve dar-se prioridade à preservação da estrutura dos estaleiros e da fábrica, aproveitando-se o interior para outras finalidades.

Quanto à Rua da Felicidade ou à Rua Cinco de Outubro, deve manter-se o mesmo ambiente, nomeadamente com a preservação das tabuletas e fachadas de lojas antigas, e com mudanças mínimas ao nível das placas comerciais, a fim de evitar decorações excessivas.

Chan Chio I, que também pertence ao Conselho Consultivo do Trânsito, declarou que a revitalização das seis zonas não deve ignorar as questões do tráfego, sendo necessário um planeamento eficaz para resolver problemas como a falta de desvios e congestionamentos em algumas zonas. Como tal, fica a sugestão de mais e melhores ligações entre espaços próximos, como é o caso da zona da Barra junto à Doca D. Carlos I, que está ligada à cultura religiosa e marítima do Templo de A-Má, podendo haver conexão com o Centro Modal de Transportes da Barra para desviar os visitantes através de meios de transporte públicos.

Chan Chio I referiu ainda a necessidade de melhorar os passeios, na zona de Lai Chi Vun, a partir do parque de estacionamento provisório no local original do Centro de Formação das Águias Voadoras, para fazer ligação ao Cais de Coloane.

Ensino infantil | Registo começa em Janeiro

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) anunciou ontem que o registo de crianças que vão ingressar no ensino infantil pela primeira vez decorre entre os dias 6 e 16 de Janeiro. Segundo um comunicado da DSEDJ, os destinatários do sistema de registo central são todas as crianças que nasceram entre os anos de 2021 e 2023, sendo que os encarregados de educação podem escolher até seis escolas em Macau e uma “escola destinada aos educandos da RAEM” sediada em Hengqin.

O registo pode ser feito na plataforma Conta Única ou website da DSEDJ, sendo que o período para a realização das entrevistas decorrerá entre 1 e 25 de Março. A partir do dia 8 de Abril os pais terão acesso a um código QR para terminar as formalidades de registo, devendo, até ao dia 10 de Abril, aceder ao sistema do registo central para confirmar a escola escolhida.

No dia seguinte, as escolas publicam a lista de alunos admitidos que ficam como suplentes. Os pais de todos os alunos admitidos deverão, assim, dirigir-se a essa escola a partir de 13 de Abril para proceder às formalidades da matrícula ou transferência escolar.

Distribuição de comida | Lam pede mais garantias laborais

O deputado Lam Lon Wai, presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), apelou ao Executivo para controlar as condições de trabalho e segurança dos estafetas que entregam comida.

“De acordo com inquéritos realizados no passado, mais de metade dos estafetas consideram que as actuais medidas de protecção são insuficientes, e muitos suportam, por um longo período, várias pressões ao nível do ritmo de envio de comida, pressão de tempo e riscos rodoviários”, relatou o deputado.

“O novo modelo de negócio é uma parte importante do mercado de trabalho contemporâneo, pelo que só se pode aperfeiçoar simultaneamente a regulamentação do regime e a gestão prática, clarificar as responsabilidades da plataforma e reforçar os mecanismos de segurança e saúde ocupacional”, vincou. “Só assim se pode garantir a segurança dos trabalhadores da linha da frente e os seus direitos e interesses fundamentais, e contribuir para o desenvolvimento sustentável do sector”, acrescentou.

Medicina | Consultas à distância limitadas por licenças

Os serviços médicos à distância vão ficar limitados às instituições com licenças emitidas pelos Serviços de Saúde. A garantia foi deixada por Wong Kit Cheng, deputada e presidente da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que está a analisar a Lei da Actividade das Instituições Privadas Prestadoras de Cuidados de Saúde.

De acordo com o diploma, clínicas, hospitais e centros de dia vão poder disponibilizar teleconsultas aos pacientes. Este foi um dos aspectos ontem discutido pelos deputados, segundo o jornal Ou Mun, e os legisladores pretendem perceber o âmbito de aplicação, de forma a garantir a segurança dos cuidados médicos fornecidos.

Segundo o Governo, este tipo de informação vai ser regulado posteriormente, através de regulamentos administrativos e não directamente na lei. Contudo, antes da aprovação do diploma, os deputados esperam que o Executivo responda a todas as dúvidas.

Ainda no âmbito do mesmo documento, os deputados definiram a necessidade de o Governo revelar publicamente o que se considera como terapia avançada, um novo conceito introduzido pela lei. Segundo a definição da primeira versão da lei, a terapia avançada implica recursos a métodos biomédicos, como terapia genética ou com células. Contudo, os deputados consideram que deve haver uma classificação oficial divulgada junto da população.

Incêndios | Deputado pede plano para inspeccionar canos de gás

Leong Pou U quer saber se o Governo vai avançar com medidas de segurança que visem canalizações de gás antigas em edifícios. A corrosão é indicada como o risco mais preocupante

O deputado Leong Pou U defende a necessidade de o Governo avançar com um novo plano para encorajar os proprietários de edifícios a renovar as canalizações de fornecimento de gás natural embutidos no interior das paredes. A interpelação escrita do legislador ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) foi divulgada ontem no portal da Assembleia Legislativa.

De acordo com as explicações do deputado, os sistemas de gás concebidos e construídos até 2022 seguiram as orientações que recomendavam que as canalizações fossem instaladas em condutas no interior das paredes dos edifícios. Esta forma difere das orientações mais recentes, do ano de 2022, altura em que se passou a exigir que as canalizações com gás natural fossem instaladas na parte exterior das paredes.

Contudo, e no âmbito das preocupações de segurança espoletadas pelo fogo de Tai Po, em Hong Kong, o deputado vem agora alertar para as dificuldades de inspecção dos sistemas de fornecimento de gás natural mais antigos. “As condutas de gás embutidas nas paredes ao abrigo de regulamentos anteriores fazem parte integrante da estrutura do edifício. Isto impede a inspecção ou substituição de todo o sistema de gás durante o seu tempo de vida útil sem danificar o edifício”, indicou. “Por esse motivo, localizar fugas torna-se um desafio, aumentando significativamente os riscos de segurança”, alertou.

Abrir a bolsa

Com os riscos identificados, o deputado quer saber se o Governo vai dar “prioridade à modernização faseada de áreas de alto risco caracterizadas pela concentração de gasodutos envelhecidos e com corrosões graves”. Leong Pou U questionou também o Executivo sobre se existem planos “a longo prazo” para “renovar os canos de distribuição de gás mais envelhecidos” que podem implicar investimento público.

Sobre as tubagens mais antigas, Leong pretende saber se os governantes vão “instar os fornecedores de gás a melhorar as tecnologias de inspecção para realizarem testes não destrutivos das tubagens de gás ocultas. Ao mesmo tempo pede que se melhorem “a concepção, construção e manutenção das tubagens de gás, a fim de garantir que a sua vida útil esteja alinhada com a dos edifícios”.

Finalmente, o deputado questiona como o grupo de trabalho do Governo vai “reforçar as campanhas de sensibilização do público e estabelecer mecanismos de resposta a emergências no futuro” relacionadas com incêndios e gás.

Para o deputado, o Executivo tem de ter como objectivo “aumentar a compreensão do público sobre riscos relacionados com fugas de gás e melhorar a capacidade da sociedade para responder a incidentes com gás, garantindo assim o funcionamento seguro dos sistemas”.

Parque tecnológico | Chui Sai Peng defende apostar na Lusofonia

O deputado José Chui Sai Peng defendeu ontem que o futuro parque de ciência e tecnologia de Macau deve apostar na cooperação entre a China e os países de língua portuguesa.

Até 26 de Dezembro decorre uma consulta pública sobre o planeamento do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau, e José Chui defendeu que este deve tornar-se “num ‘hub’ de cooperação em inovação científica e tecnológica” entre os países de língua portuguesa e a China, sobretudo a região da Grande Baía.

A infra-estrutura deverá nascer em terrenos situados junto ao aeroporto, com uma área de construção de 600 mil metros quadrados, e dedicar-se à biomedicina, tecnologia digital, circuitos integrados e tecnologia aeroespacial.

O deputado pediu ao Governo para lançar acções de promoção do parque no exterior, “para atrair capitais e empresas líderes do Interior da China e do estrangeiro”. Numa intervenção antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa, José Chui defendeu como prioridade “projectos de cooperação emblemáticos entre a China e os países de língua portuguesa”.

Também ontem, numa outra intervenção, o deputado Lei Wun Kong defendeu a captação de “talentos locais e internacionais para atracção de investimentos, atribuindo aos candidatos qualificados o estatuto de residente não-permanente”. O objectivo, acrescentou Lei, é “transformar Macau numa plataforma de interligação entre as empresas científicas e tecnológicas da China e dos países de língua portuguesa”.

Numa outra intervenção, o deputado Lee Koi Ian defendeu a criação de uma base de dados com empresas da China e dos países de língua portuguesa, como parte de “novos cenários de cooperação”. O presidente da Associação dos Jovens Empreendedores de Macau disse que a região deve ajudar as cidades da Grande Baía a estabelecerem “postos de serviços externos” nos mercados lusófonos.

Zona A | Song Pek Kei pede revisão de planeamento

A deputada Song Pek Kei defendeu ontem que o Governo deve fazer uma revisão do planeamento para a Zona A dos Novos Aterros, de forma a reforçar a aposta nos espaços comerciais e equipamentos sociais. A posição foi tomada no Plenário da Assembleia Legislativa, numa intervenção antes da ordem do dia.

Segundo a legisladora ligada à comunidade de Fujian, a população tem forte expectativas para o desenvolvimento da Zona A e este aterro é uma oportunidade para transformar o “desenvolvimento de alta qualidade de Macau” num “novo cartão-de-visita”.

Por isso, Song Pek Kei pede uma aposta em espaço comerciais e equipamento sociais: “A sociedade deposita grande esperança no projecto, pois os resultados podem servir de referência para o futuro desenvolvimento”, afirmou. “Sugere-se ao Governo que, além da densidade populacional, reveja o respectivo planeamento, para aumentar o espaço comercial, e as instalações recreativas, desportivas, e para idosos, atendendo ao objectivo e às necessidades de desenvolvimento de longo prazo, por forma a satisfazer as necessidades dos moradores e do desenvolvimento”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, pediu a revisão do planeamento das estradas, por considerar que a rede actual da Zona A, ainda antes das pessoas se mudarem para a área, não consegue responder às necessidades, dado fazer a ligação com a fronteira. “Proponho ao Governo que reveja o planeamento rodoviário da zona, para, através de infra-estruturas de grande dimensão, resolver os obstáculos ao desenvolvimento, e satisfazer as necessidades futuras”, realçou.

Economia | Deputados alertam para falta de confiança e desigualdades

Apesar do crescimento económico ao longo deste ano, Chan Lai Kei e Leong Sun Iok alertaram o Governo para os problemas nos bairros comunitários e para a necessidade de distribuir recursos financeiros de forma mais equitativa

O deputado Chan Lai Kei apelou ao Governo para se focar na promoção do optimismo económico e no consumo, por considerar que em vários bairros de Macau a situação económica é preocupante, apesar do crescimento macroeconómico. O assunto foi trazido para a Assembleia Legislativa ontem, uma intervenção antes da ordem do dia no Plenário.

Segundo o deputado ligado à comunidade de Fujian, a economia apresenta uma “recuperação estável”. Entre Janeiro e Setembro “o valor inicial do PIB cresceu 4,2 por cento face ao período homólogo do ano passado”. Também indicou que a taxa de desemprego foi de 2,3 por cento, entre Agosto e Outubro.

No entanto, Chan alertou que “os dados macroeconómicos positivos não eliminaram completamente os indicadores negativos”, principalmente no que diz respeito à vida da população.

Citando um “estudo recente”, o legislador indicou que existe fraca vontade de consumo, porque “a confiança dos residentes no aumento dos rendimentos e a sua satisfação com a situação financeira ainda estão entre um nível baixo e médio”.

Chan Lai Kei explicou que para esta onda de pessimismo contribui o maior consumo no exterior, mas também os vários encerramentos de pequenas e médias empresas (PME): “Face ao stress do consumo no exterior, o ambiente de negócio das PME nas zonas ligadas à vida da população (como nos NAPE, Iao Hon e Fai Chi Kei) continua a piorar e o risco de encerramento mantém-se”, avisou. “Estas empresas enfrentam, geralmente, o desafio crítico da instabilidade das fontes de clientes, dos elevados custos e do consumo transfronteiriço”, vincou.

Perante o cenário traçado, o deputado pediu ao Executivo para criar um mecanismo de incentivo ao consumo semelhante aos vales de desconto, mas com uma natureza permanente, enquanto durar a “fase de transformação do modelo económico de Macau”, que “reforce a confiança nos negócios”.

Melhorar a distribuição

Também o deputado Leong Sun Iok abordou a situação da economia e apontou a necessidade de fazer uma melhor distribuição dos recursos provenientes do jogo, a principal indústria do território.

O legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau elogiou as concessionárias do jogo pelo maior papel que têm vindo a assumir ao nível do investimento para o “desenvolvimento urbano, promoção turística e segurança social”, principalmente desde 2023.

Contudo, lamentou que os recursos estejam a ser canalizados de forma desigual: “Verifica-se que, actualmente, tanto as receitas provenientes do jogo como as próprias empresas concessionárias do jogo investiram muitos recursos no desenvolvimento social. Mas, de forma geral, esses recursos estão dispersos e carecem de um sistema e interligação, logo, não conseguem realizar o máximo benefício social”, apontou.

Leong defendeu assim que uma proporção maior das receitas arrecadadas pelo Administração com o jogo seja canalizada para o Fundo de Segurança Social, para o pagamento de pensões para os idosos.

O deputado pediu ainda a criação de um fundo com o dinheiro das concessionárias para desenvolver a RAEM e para assegurar que estas cumprem “melhor” as obrigações da lei do jogo, como as “garantias dos trabalhadores”, o “apoio aos portadores de deficiência ou reabilitados”, o apoio às PME e às “actividades educativas, de investigação científica, de protecção ambiental, culturais e desportivas e de interesse público”.

Leong Sun Iok pediu ainda um novo portal com a informação pública sobre os gastos das concessionárias com actividades não-jogo previstas das obrigações das concessões e terminou a intervenção com um pedido de cautela dirigido ao Executivo. “Os recursos da sociedade não vêm de forma fácil e são fruto dos esforços conjuntos do Governo, das empresas, dos diversos sectores sociais e da população em geral”, indicou. “A situação nem sempre é boa. Espero que o Governo aproveite bem os recursos oriundos das responsabilidades sociais das empresas de jogo, para melhorar a vida da população”, realçou.

Salário Mínimo | Aprovada subida de uma pataca por hora

O aumento de uma pataca por hora do salário mínimo, de 34 para 35 patacas, foi ontem aprovado na especialidade na Assembleia Legislativa. Com as alterações, a partir do próximo ano, em termos semanais, o salário passa de 1.632 patacas para 1.680 patacas.

Quando as contas são feitas ao mês, o ordenado sobe de 7.072 patacas para 7.280 patacas, um aumento de 2,9 por cento que vão abranger 4,4 por cento dos trabalhadores da RAEM. Os trabalhadores domésticos são excluídos, embora a aprovação da quota de contratação, no caso dos não-residentes, esteja normalmente associada à exigência de um salário entre as 3.500 e 4.000 patacas.

Orçamento 2026 | Deputados aprovam na especialidade

A Assembleia Legislativa aprovou ontem na especialidade o orçamento para o próximo ano, que prevê uma subida das receitas do jogo de 3,5 por cento, para 236 mil milhões de patacas. O documento, que reflecte as escolhas económicas do Executivo, estima receitas de 118,8 mil milhões de patacas, enquanto as despesas estão estimadas em 113,5 mil milhões de patacas.

Com base nestas perspectivas, o saldo final do orçamento ordinário deverá ser positivo em 5,3 mil milhões de patacas. No entanto, existe a possibilidade de o cenário ser efectivamente melhor, dado que o Governo tende a fazer estimativas por defeito, no que diz respeito às receitas e despesas. O orçamento volta também a prever a isenção de pagamento de imposto profissional, até 30 por cento do valor anual, limitado a 144 mil patacas.

Macron apela a reequilíbrio nas relações com a China

O Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu um reequilíbrio urgente nas relações económicas entre a União Europeia (UE) e a China, alertando que, sem progressos, Bruxelas poderá ser forçada a adoptar medidas mais proteccionistas.

Num artigo de opinião publicado ontem no jornal britânico Financial Times, Macron sublinha que o excedente comercial da China com o resto do mundo atingiu já um bilião de dólares, e que o desequilíbrio com a UE duplicou na última década, ascendendo a 300 mil milhões de euros. “Esta situação não é sustentável, nem para a Europa, nem para a China”, observa.

O chefe de Estado francês reconhece que a actual vaga de exportações chinesas para o mercado europeu se deve, em parte, às tarifas impostas pelos Estados Unidos e ao fraco consumo interno na China. No entanto, afirma que “responder com tarifas e quotas seria uma solução não cooperativa”.

Macron apela antes a uma abordagem coordenada que passe por três frentes: reforçar a competitividade europeia, mobilizar a poupança para investimento interno e incentivar reformas estruturais na economia chinesa. “O primeiro passo da Europa deve ser implementar uma nova agenda económica baseada na competitividade, inovação e protecção”, defende.

Macron defendeu o direito da Europa a adoptar uma “preferência europeia” para apoiar sectores estratégicos como o automóvel, energia, saúde e tecnologia, desde que em conformidade com as regras internacionais. “Proteger contra a concorrência desleal é a base da resiliência”, sustenta.

Quanto ao financiamento desta transformação, o Presidente francês propõe canalizar parte dos cerca de 30 biliões de euros em poupança acumulada na UE – dos quais 300 mil milhões são investidos anualmente no estrangeiro – para empresas europeias. “Está na hora de nós, europeus, assumirmos o risco de investir nas nossas próprias empresas”, defende.

Olhos na China

Macron sublinha, porém, que também a China tem responsabilidades. “Pequim precisa de corrigir os seus desequilíbrios internos”, afirma, defendendo uma política fiscal mais favorável ao consumo e à transição para uma economia de serviços. O Presidente francês apela ainda a um reequilíbrio nos fluxos de investimento direto estrangeiro (IDE), recordando que a UE investiu cerca de 240 mil milhões de euros na China, enquanto o investimento chinês na Europa ficou abaixo dos 65 mil milhões.

“A Europa deve continuar aberta ao investimento chinês nos sectores onde a China lidera, desde que isso contribua para o emprego, inovação e partilha tecnológica”, escreve. Macron reitera o apelo a um quadro de cooperação económica entre UE, China e EUA, advertindo que, na ausência de progressos, a Europa terá de recorrer a “medidas mais firmes”.

“Prefiro a cooperação. Mas, se necessário, defenderei o uso de medidas proteccionistas”, avisa, acrescentando que a presidência francesa do G7, no próximo ano, colocará o reequilíbrio das assimetrias globais no topo da agenda. “Acredito que, se tivermos verdadeiramente em conta as necessidades e interesses de cada um, podemos construir uma agenda macroeconómica internacional que beneficie a todos”, afirma.

Japão | Turismo chinês no Japão desacelera em Novembro

A chegada de turistas chineses ao Japão abrandou em Novembro, em plena tensão diplomática entre Tóquio e Pequim, apesar de o arquipélago ter registado um número recorde de visitantes estrangeiros, segundo dados oficiais ontem divulgados. O número total de entradas de turistas internacionais em Novembro foi de 3.518.000, uma subida de 10,4 por cento face ao mesmo mês de 2024, indicou a Organização Nacional de Turismo do Japão (JNTO, na sigla em inglês).

Entre os visitantes, 562 mil eram provenientes da China continental – um aumento homólogo de 3 por cento, mas bastante abaixo dos meses anteriores. Em Outubro, o Japão tinha recebido 715 mil turistas chineses e, em Setembro, 775 mil – crescimentos próximos dos 20 por cento em termos homólogos.

“Para além da procura por viagens ao Japão abrandar nesta época do ano, o Governo chinês advertiu a população para evitar deslocações ao país”, referiu a JNTO, sublinhando que o aumento homólogo se deveu também à maior oferta de lugares em voos.

O abrandamento coincidiu com a recomendação emitida pelas autoridades chinesas após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan, que reacenderam tensões diplomáticas entre os dois países. Ainda assim, entre Janeiro e Novembro, a China manteve-se como principal emissor de turistas para o Japão, com 8,7 milhões de visitantes, seguida pela Coreia do Sul (8,4 milhões).

Nos primeiros onze meses de 2025, o Japão recebeu 39.065.600 visitantes internacionais – mais 17 por cento do que no mesmo período do ano anterior –, superando já o recorde de 36,87 milhões registado em 2024 e aproximando-se da meta de 40 milhões até ao final deste ano.

O crescimento contínuo do turismo tem alimentado um debate nacional sobre os impactos da massificação turística, com alguns partidos conservadores a exigir novas restrições à entrada de estrangeiros e regras mais rígidas para preservar a convivência nas comunidades locais.

Lições de 2025 para a Década

(Continuação do artigo publicado em 11 de Dezembro)

No sector da segurança, o mundo enfrentará desafios complexos. O terrorismo poderá assumir novas formas, com utilização de tecnologias digitais e de inteligência artificial. A cibersegurança tornar-se-á prioridade, com ataques digitais a sistemas críticos a representar riscos significativos. Estima-se que até 2030 os custos globais de ciberataques possam ultrapassar 10 mil milhões de dólares anuais. No plano militar, tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e a China poderão intensificar-se. O Médio Oriente continuará a ser foco de instabilidade. Entre 2026 e 2030, os cenários sociais e culturais assumirão papel determinante na configuração do futuro global. A migração internacional continuará a ser um dos fenómenos mais marcantes, impulsionada por conflitos armados, desigualdades económicas e alterações climáticas.

Estima-se que centenas de milhões de pessoas possam estar em situação de mobilidade internacional ou interna, seja por procura de melhores condições de vida, seja por necessidade de sobrevivência. A Europa enfrentará pressões migratórias vindas de África e do Médio Oriente, com centenas de milhares de pessoas a procurar refúgio em países como Itália, Grécia, Espanha e Alemanha. Este fluxo exigirá políticas de integração mais robustas, mas também poderá gerar tensões sociais e políticas, alimentando discursos populistas e nacionalistas.

Nos Estados Unidos, a imigração continuará a ser tema central, com políticas restritivas a provocar tensões sociais e protestos, mas também com a necessidade de mão-de-obra em sectores como agricultura, construção e serviços. Na América Latina, migrações internas intensificar-se-ão devido a fenómenos climáticos extremos, como inundações e secas, obrigando milhões de pessoas a deslocar-se das zonas rurais para as cidades. Em África, a desertificação e os conflitos armados no Sahel poderão deslocar mais de 20 milhões de pessoas, criando crises humanitárias de grande escala.

A urbanização será outro fenómeno central. Até 2030, mais de 65% da população mundial viverá em áreas urbanas, com megacidades a crescerem de forma acelerada. Cidades como Lagos, Kinshasa, Mumbai, São Paulo e Jacarta poderão ultrapassar os 30 milhões de habitantes, enfrentando desafios de infra-estrutura, habitação, transporte e saneamento. A urbanização acelerada trará oportunidades de dinamismo económico e cultural, mas também riscos de desigualdade e exclusão social. As cidades terão de investir em soluções sustentáveis, como transportes públicos eficientes, habitação acessível e gestão de resíduos. A digitalização das cidades, com recurso a tecnologias inteligentes, poderá melhorar a qualidade de vida, mas exigirá políticas de inclusão para evitar que populações vulneráveis fiquem excluídas.

As transformações demográficas serão igualmente decisivas. O envelhecimento populacional na Europa, Japão e Coreia do Sul exigirá políticas de saúde e de cuidados de longa duração, com impacto nos sistemas de pensões e na sustentabilidade fiscal. Estima-se que, até 2030, mais de 25% da população da Europa tenha mais de 65 anos, criando desafios de produtividade e de financiamento dos sistemas sociais. Em contrapartida, África e partes da Ásia terão populações jovens em crescimento, com milhões de pessoas a entrar no mercado de trabalho. Este fenómeno poderá ser uma oportunidade de dinamismo económico, mas também um risco de instabilidade se não forem criados empregos suficientes. A Índia, por exemplo, terá mais de 1,5 mil milhões de habitantes em 2030, com uma população jovem que poderá impulsionar crescimento, mas que exigirá investimentos massivos em educação e formação. A China enfrentará o desafio de uma população envelhecida, com mais de 400 milhões de pessoas acima dos 60 anos em 2030, o que poderá limitar o dinamismo económico e aumentar pressões sobre sistemas de saúde e pensões.

Os cenários culturais também se transformarão. A globalização digital continuará a difundir valores e práticas culturais, mas também a gerar tensões entre tradições locais e influências externas. A música, o cinema e a literatura circularão de forma cada vez mais intensa, criando uma cultura global híbrida. Contudo, movimentos de afirmação identitária e de valorização de culturas locais ganharão força, procurando preservar tradições e resistir à homogeneização cultural. A diversidade cultural será simultaneamente uma riqueza e um desafio, exigindo políticas de inclusão e de respeito pela diferença.

As migrações, a urbanização e as transformações demográficas interagirão com fenómenos ambientais e tecnológicos. As cidades terão de se adaptar a fenómenos climáticos extremos, como inundações e ondas de calor, que afectarão milhões de pessoas. A migração climática tornar-se-á realidade, com populações inteiras a deslocar-se devido à subida do nível do mar e à desertificação. A urbanização acelerada exigirá soluções tecnológicas, como cidades inteligentes e infra-estruturas sustentáveis, mas também políticas sociais para garantir inclusão. As transformações demográficas criarão novos equilíbrios de poder, com África e Ásia a ganhar peso demográfico e económico, enquanto a Europa e Japão enfrentarão desafios de envelhecimento.

Em síntese, o período entre 2025 e 2030 pode ser descrito como uma fase de transição crítica, em que os acontecimentos de 2025 funcionaram como catalisadores de mudanças estruturais que se manifestaram em diferentes dimensões. A economia global entrou num ciclo de recuperação moderada, mas com riscos persistentes. A política internacional foi marcada por polarização e por tensões geopolíticas, com os Estados Unidos e a China a disputar a liderança tecnológica e industrial, e o Médio Oriente a permanecer como foco de instabilidade. O ambiente revelou a urgência da transição energética e da adaptação climática, com fenómenos extremos a afectarem milhões de pessoas. A tecnologia transformou economias e sociedades, criando oportunidades e riscos. A educação e a saúde exigiram políticas inclusivas e inovadoras. A segurança tornou-se prioridade, com ciberataques e terrorismo digital a representar riscos significativos. Os cenários sociais e culturais revelaram a importância da migração, da urbanização e das transformações demográficas.

O futuro dependerá da capacidade de articular interesses nacionais com responsabilidades colectivas, construindo um equilíbrio entre competitividade e solidariedade. Se os países conseguirem investir em inovação responsável, em educação inclusiva e em sustentabilidade energética, será possível construir um futuro mais justo, sustentável e inclusivo. Caso contrário, o risco de estagnação prolongada e de agravamento das desigualdades permanecerá elevado. O período entre 2025 e 2030 ficará, assim, como um momento decisivo, em que a humanidade foi chamada a escolher entre a cooperação e a fragmentação, entre a coragem de avançar e o risco de permanecer prisioneira das suas próprias contradições.