Jogo | Citigroup destaca “começo sólido” de Março

Março teve um “começo sólido” em termos de receitas do jogo, de acordo com o mais recente relatório do banco de investimento Citigroup. O documento é citado pelo portal GGRAsia.

“Com base nas nossas fontes da indústria, verificámos que as receitas brutas do jogo de Macau nos primeiros oito dias de Março terão atingido cerca de 5,65 mil milhões de patacas”, consta no relatório assinado por George Choi e Timothy Chau. “Isto implica uma média diária de receitas de cerca de 706 milhões de patacas, cerca de 4 por cento inferior à medida das receitas brutas do jogo em Fevereiro de 2026 – 737 milhões de patacas por dia –, mas cerca de 11 por cento superior à de Março de 2025, de 634 milhões de patacas por dia”, foi acrescentado.

Segundo a Citi, os vários espectáculos organizados pelas concessionárias dos casinos no início de Março contribuíram para o aumento anual das receitas do jogo. “Acreditamos que os concertos da boy band coreana Treasure na Arena Venetian, do cantor e compositor chinês Wang Sulong e do grupo feminino coreano Aespa na Arena Galaxy podem ter contribuído para o sólido início de Março de 2026”, foi apontado.

Os bons números não deixam de representar uma redução esperada das receitas em comparação com Fevereiro, que normalmente é uma das épocas altas do jogo, por coincidir com o Ano Novo Lunar. “Com base em fontes do sector, os volumes VIP caíram entre 2 por cento a 4 por cento em relação ao mês anterior, e das receitas de massas entre 3 por cento e 5 por cento em relação ao mês anterior”, observaram.

 

 

Hutchison | Venda da “3” em Macau rendeu 110 milhões

A venda da “3” foi explicada com as perdas da operadora ligada à Hutchison Telecom que atingiram 43 milhões de dólares de Hong Kong. O mercado das telecomunicações de Macau fica agora totalmente concentrado nas empresas estatais chinesas CITIC e China Telecom

A venda da operadora de telecomunicações “3” pela Hutchison Telecom à Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM) rendeu à empresa de Hong Kong 110 milhões de dólares de Hong Kong. Os números constam dos resultados anuais da empresa, divulgados num comunicado à Bolsa de Hong Kong na segunda-feira.

“Em Janeiro de 2026, o Grupo concluiu a venda de todos os seus interesses na 3 Macau por um valor de 110 milhões de dólares de Hong Kong, encerrando mais de duas décadas de operações no mercado de Macau”, foi explicado por Canning Fok Kin Ning, presidente da Hutchison Telecom, que faz parte do grupo fundado por Li Ka-shing. “A venda irá servir para apoiar melhorias sustentadas na rentabilidade do grupo nos próximos anos, permitindo redistribuir os recursos de forma mais eficaz e simplificar ainda mais a sua estrutura operacional”, acrescentou o presidente.

O documento mostra também que as perdas da empresa em Macau se vinham a acentuar nos últimos anos. Em 2025, as perdas em Macau foram de 43 milhões de dólares de Hong Kong, um valor que aumentou 72 por cento em relação ao ano anterior, quando as perdas em Macau tinham sido de 25 milhões de dólares de Hong Kong. Esta é uma diferença de 18 milhões de dólares de Hong Kong, que teve um impacto significativo nos resultados do grupo.

O ano de 2025 fechou para a Hutchison Telecom com perdas de 25 milhões de dólares de Hong Kong, quando no ano anterior se tinha registado um lucro de 6 milhões.

Regime de monopólio

Com a venda da Hutchison à CTM, o mercado fica formalmente com três operadoras, uma vez que a marca 3 vai ser mantida, por agora, mas a CTM e a 3 passam a ser controladas pelos mesmos accionistas, essencialmente o Grupo CITIC, uma empresa estatal chinesa. A outra operadora do mercado de Macau é igualmente uma empresa estatal-chinesa, neste caso a China Telecom.

Esta situação tem levantado preocupações para uma possível fragilização da posição dos clientes, como foi exposto pela associação Centro da Políticas da Sabedoria Colectiva, através do vice-presidente do Loi Man Keong.

No entanto, o Governo afastou eventuais preocupações, desvalorizando a concentração e prometeu continuar a exercer as funções de regularização.

“Esta transmissão de participações sociais envolve, essencialmente, uma alteração dos accionistas da Hutchison, que continua a operar a sua rede e a prestar serviços”, foi indicado num comunicado da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT). “Por outras palavras, actualmente, o mercado continua a contar com três operadoras de telecomunicações móveis, e o Governo continua a fiscalizar, rigorosamente, o cumprimento, por parte da Hutchison, das suas obrigações constantes da licença, garantindo a prestação dos serviços de telecomunicações móveis estáveis aos utilizadores”, foi acrescentado.

Questionada qualificação de responsável por restauro das Ruínas de São Paulo

As qualificações profissionais de uma das responsáveis pelo restauro das estátuas de bronze das Ruínas de S. Paulo, cujos trabalhos começaram em 2017, foi posta em causa num artigo publicado pelo jornal Cheng Pou.

A responsável em causa é Ip Kin Hong, professora assistente de investigação da Universidade de Macau. Em Outubro do ano passado, foram publicados na imprensa chinesa comentários de um profissional de restauro em património cultural, onde se apontava que a posição da estátua da Virgem Maria no terceiro nível tinha sido alterada na sequência do restauro.

Em resposta às dúvidas, que ganharam alguma tracção online, o Instituto Cultural (IC) sublinhou que respeita rigorosamente os requisitos internacionais no que toca à protecção e restauro do património cultural, seguindo os princípios da de intervenção mínima e reversível. Além disso, destacou que o restauro do ex-líbris da cidade conta com o apoio do Museu da Cidade Proibida e da Universidade de Macau (UM), o Centro para a Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau, subordinado do IC.

O Cheng Pou cita ainda denúncias de que Ip Kin Hong tem vínculos profissionais com o Centro para a Preservação e Transmissão do Património Cultural do Museu do Palácio de Macau e a UM, a primeira entidade responsável pelos trabalhos, enquanto o estabelecimento de ensino foi uma das entidades consultadas em relação à qualidade do restauro. Como tal, questionou o IC sobre os critérios para decidir as entidades responsáveis pelos trabalhos de restauro e as qualificações profissionais da docente da UM, os custos do projecto, se a equipa que tratou das fases anteriores está encarregue da última fase dos trabalhos. No artigo publicado ontem, o jornal refere que até segunda-feira não tinha respostas do IC.

Por fases

O IC anunciou em meados do mês passado que a segunda fase dos trabalhos de restauro e manutenção das estátuas de bronze nas Ruínas de S. Paulo foi concluída com êxito.

A primeira fase, concluída no ano passado, foi focada na estátua da Virgem Maria no terceiro nível e nas duas estátuas de bronze à direita do segundo nível. A segunda fase, que envolveu principalmente as duas estátuas de bronze à esquerda do segundo nível e a estátua de Jesus Cristo no quarto nível. A próxima e derradeira fase será o restauro este ano da estátua da Pomba, situada no nível superior.

Farmácias | ISAF pede promoção da saúde física e mental da população

O presidente do Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica quer mais participação das farmácias na promoção da saúde física e mental da população. Choi Peng Cheong defende também uma maior integração da cultura da medicina tradicional chinesa na vida quotidiana dos residentes

 

O presidente do Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF), Choi Peng Cheong, quer que as farmácias de Macau ganhem um maior protagonismo na promoção da saúde física e mental da população. A posição foi tomada durante uma série de colóquios com o sector farmacêutico organizados pelo ISAF, de acordo com um comunicado divulgado ontem pelo organismo.

Choi Peng Cheong apontou ainda para o papel que os farmacêuticos de Macau podem ter nos cuidados aos idosos, assim como na supervisão do mercado. O presidente do ISAF enquadrou o apelo ao sector no “conceito governativo de descentralização dos recursos de serviços para os bairros comunitários”, dando prioridade nos cuidados a idosos e crianças, designados como “grupos-chave”.

O dirigente lançou um repto aos farmacêuticos para que tomem a iniciativa de prestar particular atenção aos doentes que tomam “medicação a longo prazo, polimedicação e riscos potenciais para a saúde.

Em relação aos farmacêuticos de medicina tradicional chinesa, Choi Peng Cheong lembrou que essa é uma das áreas prioritárias nas políticas de diversificação da economia, mas que devem ter uma intervenção mais presente na comunidade, transmitindo conhecimentos sobre a prevenção e cuidados de saúde. O responsável defende que em Macau deve haver “integração da cultura da medicina tradicional chinesa na vida quotidiana”, “fomentando a saúde física e mental dos residentes”.

Papel principal

A ideia central do apelo do presidente do ISAF é o reforço do “papel e a função das farmácias e farmácias chinesas comunitárias na salvaguarda e promoção da saúde pública”, potenciando o valor social da profissão farmacêutica e a proximidade com as pessoas. “As farmácias e farmácias chinesas de Macau estão espalhadas por toda a cidade, formando uma importante rede de cuidados farmacêuticos primários; os profissionais farmacêuticos comunitários são um dos profissionais mais acessíveis e de confiança dos residentes, desempenhando um papel indispensável na promoção da saúde pública”, afirmou.

Durante os colóquios, foram ainda abordados temas como o desenvolvimento dos jovens profissionais farmacêuticos e a resposta ao envelhecimento da população. Os representantes de associações ligadas ao sector comunicaram às autoridades a situação actual dos seus negócios e colocaram questões sobre os métodos de supervisão do mercado.

Novo Bairro | Pedida maior circulação de empregadas domésticas

A deputada Wong Kit Cheng está em Pequim, para participar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), onde pediu que as empregadas domésticas contratadas em Macau possam trabalhar em toda a Zona de Cooperação, e não apenas no Novo Bairro de Macau

 

Wong Kit Cheng, deputada ligada à Associação das Mulheres de Macau, defendeu a facilitação da política que permite aos residentes locais levarem as empregadas domésticas estrangeiras para a Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha. A posição foi tomada por Wong em Pequim, onde se encontra a participar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), como representante da RAEM.

Segundo a sua intervenção, que foi partilhada através do portal da Associação das Mulheres, Wong começou por destacar a importância da implementação desta política, limitada ao Novo Bairro de Macau, e indicou que este resultado tido como positivo só foi possível devido aos governantes do Interior.

No entanto, a legisladora sugeriu que o processo se torne mais abrangente, uma vez que actualmente só existem 62 trabalhadoras não-residentes a desempenhar funções de empregadas domésticas neste bairro de Hengqin, onde apenas podem viver residentes de Macau.

Com base nos dados oficiais, Wong indicou que apenas 14 por cento dos residentes de toda a Zona de Cooperação Aprofundada recorrem a trabalhadores não-residentes contratados em Macau. Todavia, os estudos sobre o assunto, mencionados pela deputada, apontam que mais de metade dos residentes de Macau em Hengqin pretende recorrer a trabalhadores não-residentes contratados em Macau, em vez de mão-de-obra disponível no Interior.

 

Próximo nível

Com base no cenário descrito, Wong Kit Cheng indicou que a maior utilização de trabalhadores não-residentes contratados em Macau no Interior pode ser alcançada através de duas alterações nas políticas actuais.

A primeira forma, passa por facilitar a circulação na Zona de Cooperação Aprofundada com as empregadas domésticas contratadas em Macau a poderem circular por toda a Zona, em vez de ficarem limitadas ao Novo Bairro de Macau. Segundo Wong, desta forma os residentes de Macau a viver e a trabalharem no outro lado da fronteira podem sentir melhor os benefícios das políticas nacionais.

Em segundo lugar, a deputada ligada à Associação das Mulheres admite a criação de um novo sistema de segurança entre Macau e o Guangdong, para controlar as entradas e a circulação destas empregadas. Segundo Wong Kit Cheng, esse novo mecanismo permitiria aos residentes recorrerem a esta mão-de-obra, ao mesmo tempo que se mitigavam os riscos para a segurança no Interior. A deputada sublinhou ainda que um mecanismo deste género tem igualmente de garantir a protecção laboral destes trabalhadores.

De esposa a actriz porno: Abertura do casamento tradicional (I)

De acordo com a imprensa japonesa, uma mulher de trinta e tal anos sofreu uma paragem respiratória devido a problemas relacionados com uma anestesia, depois de ter sido operada a uma fractura. Esta experiência de quase morte levou-a a reflectir sobre a vida. Devido à ausência prolongada de intimidade conjugal, sentia-se emocional e fisicamente carenciada. Então decidiu falar abertamente com o marido, sugerindo passar a ter casos extra-conjugais, o que o chocou e perturbou.

Após várias conversas, o casal concordou em manter uma relação matrimonial tradicional, mantendo a rotina diária e partilhando as tarefas domésticas. No entanto, a mudança consistiria no facto de a mulher passar a actuar em filmes para adultos, que mostrassem o seu corpo belo e voluptuoso; ele até iria apreciar e comentar o seu talento para a representação. Com esta mudança, as necessidades físicas e emocionais da mulher seriam satisfeitas por outras pessoas. Assim, a relação passou de casamento “tradicional” a casamento “aberto”.

Um “casamento aberto” é uma relação transparente e honesta que implica consentimento mútuo, diferente do casamento tradicional.

No casamento tradicional, a infidelidade implica traição e mentira; no entanto, num casamento aberto, o relacionamento com outras pessoas resulta de um acordo mútuo, não existindo aceitação forçada ou ocultação.

O casal estabelece regras detalhadas. Por exemplo: a abertura limita-se a convívio ou inclui actividade sexual? O elemento exterior pode ser um amigo comum? Pode-se levar para casa o novo parceiro? São necessárias medidas contraceptivas e preventivas?

Num casamento aberto, como é que se estabelece a superioridade afectiva do cônjuge em relação ao novo parceiro? A resposta é simples: quando um dos elementos do casal precisa do outro, o “outro” tem de se afastar imediatamente. Este é o princípio mais importante para manter o amago da relação.

Porque se escolhe um casamento aberto? A satisfação das necessidades fisiológicas é uma das razões. Na história acima citada, um dos elementos do casal tinha mais desejo sexual do que o outro; o casamento aberto poderia assim servir como um mecanismo compensatório para manter a estabilidade conjugal.

Em segundo lugar, o marido ter concordado com a participação da esposa em filmes para adultos permitiu que ela pudesse ter novas experiências sexuais e novas ligações emocionais e aumentar o seu auto-conhecimento.

Em terceiro lugar, em vez de reprimir a natureza ou prevenir a infidelidade, a abertura condicional permite uma relação de confiança mais duradoura porque não há necessidade de ninguém se esconder. Embora o casamento aberto tenha vantagens e pareça ser libertador, também lida com as seguintes dificuldades:

Primeiro, poucas pessoas conseguem manter-se realmente indiferentes quando confrontadas com a intimidade do cônjuge com os outros, ou com o apreço que tem por eles. O ciúme pode fazer com que o consentimento passe a oposição e essa oposição pode assumir formas violentas.

Segundo, em geral a sociedade encara o casamento aberto como um relacionamento anormal, que potencialmente pode danificar a felicidade conjugal e deixar uma impressão de “promiscuidade”. Do ponto de vista legal, pode ser considerado uma violação da fidelidade conjugal e um desafio às normas sociais.

Na próxima semana, iremos continuar a nossa análise sobre o impacto na sociedade japonesa dos casamentos tradicionais que passaram a casamentos abertos.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
cbchan@mpu.edu.mo

Exposição de pintura de Gao Lipeng inaugurada hoje na FRC

A Fundação Rui Cunha (FRC) inaugura hoje às 18:30 horas, a exposição individual “Mirror Heart”, uma Viagem Artística de Gao Lipeng, pintor oriundo da província de Shandong, no litoral nordeste do Interior da China.

“A mostra inclui 26 pinturas a tinta-da-china e tons pastel, entre originais e réplicas, criadas por Gao Lipeng nos seus passeios pelas ruas e becos de Macau, durante os últimos três anos, onde se perdeu e demorou a tentar captar a textura e a história viva da cidade”, revela a organização da mostra.

A selecção, de entre mais de três centenas de peças, coube às curadoras Jun Zilan, e Lalin), sob a orientação académica de Wang Lan. O conjunto revela uma escolha das obras mais representativas do artista, que demonstram a reconstrução espiritual da história e da paisagem cultural de Macau.

O manifesto da exposição refere que a arte de Gao Lipeng integra a “meticulosa pincelada tradicional chinesa, com perspectivas artísticas contemporâneas, reflectindo o seu profundo envolvimento com o património cultural e as narrativas urbanas, particularmente através das suas obras temáticas sobre Macau”. A expressão artística do autor “incorpora uma fusão de rigor académico e inovação criativa, estabelecendo-o como uma figura proeminente na pintura chinesa contemporânea”, é acrescentado.

Segundo o orientador Wang Lan, “esta exposição resume a fase académica de Gao Lipeng em Macau e interpreta a sua busca por ‘ver o coração através da arte’, o conceito de ‘coração espelhado’”.

 

Entre dois mundos

O artista tem marcada uma presença activa no meio artístico local, onde estudou e se doutorou em Belas Artes pela Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

Gao Lipeng é membro da Associação de Artistas da China, investigador visitante na Universidade de Pequim e membro da direcção da Associação de Caligrafia e Pintura de Antigos Alunos da Universidade de Pequim.

Além disso, é membro do conselho da Associação de Jovens Artistas de Shandong, pintor na Academia de Jovens Artistas da Academia de Pintura Li Keran, investigador no Instituto de Investigação de Pintura Chinesa de Dunhuang, um dos “Dez Jovens Mais Notáveis” de Weifang, membro do Comité Municipal de Qingzhou da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, presidente da Associação de Jovens Artistas de Qingzhou e vice-secretário-geral da Associação de Intelectuais Não-Partidários de Qingzhou.

 

 

Rota das Letras | Segunda semana com Valério Romão e Margarida Vila-Nova

Com uma parte substancial do Rota das Letras marcada para o último fim-de-semana do festival, esta semana não faltam pontos de interesse. Valério Romão apresenta hoje “O Desfufador – Contágio – Vol. 1”, serão exibidos os filmes “Salatinas” e “A Herdade”, e Margarida Vila-Nova antecipa a apresentação da peça “À Primeira Vista”

 

Antes do último fim-de-semana que condensa grande parte dos eventos finais do Rota das Letras, a programação do meio desta semana apresenta alguns “pesos pesados” do cartaz deste ano do festival literário.

Hoje, às 18h30 na Livraria Portuguesa, Valério Romão apresenta o seu último livro “O Desfufador – Contágio – Vol. 1”, uma vertiginosa e satírica epopeia de resistência aos excessos do turismo, as teorias da conspiração, a masculinidade tóxica. Depois da trilogia das paternidades falhadas, com “Autismo”, “O da Joana” e “Cair para Dentro”, três livros de contos e um de poesia, o escritor português faz uma inversão de marcha na sua escrita em direcção à sátira mais mordaz aos tempos que correm.

Editado pela Tinta da China, “O Desfufador – Contágio – Vol. 1” vive em torno de um naipe de heróis improváveis e discorre, página a página, com um sentido de humor encharcado de portugalidade.

Também hoje, será exibido na Cinemateca Paixão, às 20h, o documentário “Salatinas”, de Filipa Queiroz, Rafael Vieira e Tiago Cerveira. O filme conta as estórias da velha Alta de Coimbra e a forma como cerca de 3.000 moradores foram desalojados de um dia para o outro para permitir a construção da Cidade Universitária na década de 1940. A exibição do filme será acompanhada por uma palestra com os autores do documentário.

 

Na tela e em palco

Os limites da justiça serão o foco para a palestra conduzida pela actriz Margarida Vila-Nova e o realizador e encenador Tiago Guedes, tendo como pano de fundo a peça “À Primeira Vista”, que será apresentada no Centro Cultural de Macau no sábado e domingo.

A sessão que ira antecipar a performance em palco da peça escrita por Suzie Miller, está marcada para as 18h30 de quinta-feira, no Instituto Português do Oriente.

A organização do Rota das Letras descreve “À Primeira Vista” como “um poderoso monólogo e um thriller jurídico de cortar a respiração” e “uma das mais reconhecidas peças de teatro dos últimos anos” que faz um exame incisivo sobre os limites do poder, lei e consentimento.

A trama gira em torno de Teresa, uma brilhante jovem advogada proveniente de uma família humilde de classe trabalhadora, que trilha a sua ascensão por mérito e trabalho, estabelecendo-se como uma dotada advogada de defesa. Porém, um evento inesperado obriga-a a confrontar as linhas onde o poder patriarcal da lei, o ónus da prova e a moral divergem.

Também na quinta-feira, às 20h30, é exibido o filme “A Herdade”, de Tiago Guedes no Cineteatro.

Com Albano Jerónimo, Sandra Faleiro, Ana Vilela da Costa e Miguel Borges no elenco, “A Herdade” foi o filme seleccionado como representante de Portugal ao Oscar de melhor filme estrangeiro na edição de 2020. O bilhete para ver o filme de Tiago Guedes custa 100 patacas.

CBRE acredita em melhorias nos resultados da SJM, mas aponta desafios

A empresa de serviços financeiros CBRE acredita que os resultados da SJM podem “apresentar sinais de melhoria” ao longo deste ano, depois de as contas de 2025 da concessionária terem sido marcadas por uma redução de 15 por cento nos Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA, em inglês). As previsões constam de um relatório da empresa americana, citado pelo portal GGRAsia, que aponta vários factores com os quais a concessionária vai ter de lidar.

Segundo os analistas John DeCree e Max Marsh, os possíveis motivos de optimismo prendem-se com os investimentos feitos nas renovações dos hotéis-casinos da empresa, assim como a criação de uma nova equipa de marketing. “Na segunda metade do ano, esperamos uma recuperação mais gradual e menos certa, dado o ambiente altamente competitivo em Macau. No entanto, reconhecemos que a nova equipa de marketing e os investimentos imobiliários da SJM podem superar as nossas expectativas”, foi comunicado.

Apesar das expectativas, a CBRE reconheceu que a empresa fundada por Stanley Ho e gerida por Daisy Ho tem “arestas para limar”, que vão além do encerramento dos casinos-satélite ligados ao grupo.

Dilemas internos

Sobre as arestas a limar, a CBRE identificou “o reposicionamento da sua base de activos para servir melhor os clientes do segmento de massas; a reorganização da equipa de marketing e a modernização da sua estratégia promocional”.

A necessidade de “aumentar a eficiência interna” e “reduzir os custos de operação” foram outros aspectos mencionados pelos analistas John DeCree e Max Marsh.

Todavia, antes das melhorias, espera-se um período de maior instabilidade na exploração do negócio, com a SJM a ter de lidar com a “relocalização das mesas de jogo, das slot-machines e dos empregados dos casinos-satélite encerrados”. A esta instabilidade, juntam-se os trabalhos de renovação do Hotel Lisboa.

Sobre os resultados recentes, a CBRE admitiu que os números e as tendências apresentadas pela concessionária “são decepcionantes”.

Cuidados paliativos | Cerca de 80% das camas ocupadas

A taxa de utilização das camas de cuidados paliativos é de cerca de 80 por cento, segundo o director dos Serviços de Saúde que promete ajustar a oferta no futuro. Estes serviços são prestados principalmente a doentes terminais com cancro

 

“Os Serviços de Saúde e as instituições médicas subsidiadas prestam principalmente serviços de cuidados paliativos e de cuidados em fase terminal aos doentes terminais com cancro, sendo a taxa de utilização das camas de cuidados paliativos de cerca de 80 por cento”, indicou o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo. Em resposta a uma interpelação escrita de Song Pek Kei, o responsável afirmou que os Serviços de Saúde irão ajustar, “o número de camas de acordo com a respectiva procura, articulando com o planeamento do desenvolvimento global das instalações médicas, optimizando a disposição dos serviços e a distribuição dos recursos”.

Em relação ao cancro, Alvis Lo afirma que os programas de rastreio de Macau foram baseados no equilíbrio entre as orientações internacionais e “a realidade local”, incidindo sobre o cancro do colo do útero, cancro colorrectal, cancro pulmonar e cancro da mama.

Alvis Lo acrescenta ainda que no que diz respeito ao cancro do pulmão a prevenção, e o incentivo à cessação tabágica, “continua a ser a intervenção mais eficaz e com melhor relação custo-benefício”. Actualmente, os grupos prioritários para rastreio de cancro do pulmão, através da tomografia computorizada de baixa dose, são pessoas com idades entre 50 e 74 anos, que tenham fumado há pelo menos 30 anos, ou que tenham deixado de fumar há menos de 15 anos.

Controlo apertado

Alvis Lo também traçou um panorama geral da realidade da hepatite B e Macau, começando por sublinhar que foi atribuído à RAEM o certificado da região da Região do Pacífico Ocidental da Organização Mundial de Saúde, porque a doença “é controlada com sucesso”.

O responsável acrescenta que, hoje em dia, a principal faixa etária de infectados com a doença se concentra em indivíduos com mais de 50 anos. Tendo em conta estes dados, os Serviços de Saúde reforçaram, a partir do ano passado, o teste de rastreio da hepatite B a residentes com mais de 50 anos e foram disponibilizadas consultas externas de hepologia em todos os centros de saúde. Além disso, Alvis Lo indicou que para doentes infectados com hepatite B são agendados exames ecográficos e análises sanguíneas regularmente.

Taipa Pequena | Problemas com passeios, autocarros e lixo

O deputado Nick Lei alerta para as dificuldades da zona e pede melhorias na Estrada Lou Lim Ieok e na Estrada de Sete Tanques que servem uma população de cerca de 1.600 residentes. O legislador aponta ainda o perigo da falta de passeios em algumas áreas

 

O deputado Nick Lei defende a criação de passeios na Estrada Lou Lim Ieok e na Estrada de Sete Tanques, na Taipa Pequena, para evitar que os cidadãos tenham de andar na estrada quando se deslocam. Além disso, o legislador ligado à comunidade de Fujian alerta também para a necessidade de mais carreiras de autocarros e de substituir os contentores do lixo.

Em relação à falta de passeios, o deputado avisa o Governo que “os residentes são obrigados a andar nas faixas de rodagem”, o que “causa muita insegurança à população”. Além disso, Lei indica que “quando passa um veículo a situação torna-se perigosa e ameaça a segurança dos peões”. Por isso, o membro da Assembleia Legislativa questiona: “De que planos concretos dispõe o Governo para melhorar o ambiente pedonal daquela zona, incluindo a criação de passeios para peões, passadeiras e outras instalações, com vista a salvaguardar a segurança dos residentes?”.

Não só a falta de passeios para garantir a segurança dos residentes é criticada, a interpelação revela também incompreensão com o facto de aquela zona apenas ser servida por um único autocarro. “Quanto aos transportes públicos, neste momento, só a carreira n.º 35 passa pela Estrada Lou Lim Ieok, e não passa nenhuma carreira na Estrada de Sete Tanques, para além disso, aquela carreira só circula nas Ilhas, ou seja, não chega à Península de Macau, causando grandes inconveniências para os residentes que querem deslocar-se para o exterior”, foi descrito. “Os residentes que queiram deslocar-se para a Península de Macau têm de fazer o transbordo nas paragens periféricas e ainda têm de percorrer uma certa distância a pé para chegarem a uma outra paragem de autocarro”, acrescentou.

Nick indica que este cenário é incompreensível, uma vez que nestas estradas existem “várias residências privadas, com uma população de cerca de 1600 pessoas”.

Acumulação de lixo

Na interpelação, o deputado aponta também que o ambiente da zona é afectado pela capacidade dos caixotes do lixo, tida como insuficiente. “No que respeita às instalações de recolha de lixo, veja-se o exemplo do Edifício ‘Jardins de Lisboa’, aqui só há um contentor de lixo com tampa, cuja capacidade é limitada e fica cheio facilmente, originando problemas de higiene ambiental, tais como a acumulação de lixo e a dissipação de odores”, descreveu. “Os residentes esperam que sejam instalados, o mais rápido possível, contentores de lixo de compressão, com vista a resolver os problemas de higiene, tais como, de lixo a céu aberto, mau cheiro e águas residuais, e, ao mesmo tempo, reduzir o tempo de recolha e transporte do lixo, optimizando, deste modo, a higiene dos bairros comunitários”, apontou. “Com vista a melhorar a higiene ambiental e a qualidade de vida dos residentes daquela zona e optimizar as instalações de recolha de lixo do complexo habitacional dos “Jardins de Lisboa”, quando é que o Governo vai substituir os antigos contentores de lixo por contentores de compressão?”, perguntou.

Combustíveis | Associações pedem maior transparência nos preços

O presidente da Associação dos Consumidores das Companhias de Utilidade Pública de Macau, Chiang Chong Fai, apelou ao Governo para reforçar a inspecção aos preços dos combustíveis e aumentar a transparência. A posição foi tomada, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau.

A questão surge relacionada com a guerra declarada pelos Estados Unidos e Israel ao Irão, mas não é nova. Nos últimos anos vários deputados também pediram maior transparência do Governo face aos preços dos combustíveis.

No entanto, ontem, as associações ouvidas pelo canal chinês da Rádio Macau consideram que o aumento do preço do petróleo não vai ter um impacto imediato em Macau.

Chiang Chong Fai explicou que até agora o aumento foi sentido principalmente ao nível do crude, porque os produtos petrolíferos são transaccionados em contratos futuros, que em teoria não devem reflectir logo os aumentos do crude no mercado.

Porém, Chiang Chong Fai alertou que se os fornecedores do petróleo aumentarem os preços, as autoridades têm que verificar se as razões do aumento forem razoáveis. O dirigente também considerou que o Governo deve pensar em reforçar a transparência na divulgação de informações.

Por seu turno, o presidente da Associação Económica de Macau, Lau Pun Lap, afirmou que impacto da guerra no preço do petróleo vai depender da duração do conflito. O responsável apontou que muitos produtos que Macau recebe dependem da China. Todavia, o presidente da associação mostrou-se confiante na capacidade do Governo Central para estabilizar os preços e aliviar a pressão da inflação vinda de fora.

Tecnologia | Defendida criação de leis para robôs humanóides

O conselheiro Zeng Zengwei defendeu a criação de legislação para regular a circulação de robôs humanóides em Macau, depois da aparição na RAEM, na semana passada, de um vídeo que se tornou viral nas redes sociais de uma mulher a ralhar com um robô

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Zeng Zengwei, defendeu a necessidade de criar legislação para regular o desenvolvimento dos robôs humanóides. A posição foi tomada numa reunião do conselho na quarta-feira, depois de um primeiro aparecimento de um robô humanóide nas ruas, mas antes do episódio mais recente, quando uma mulher foi filmada a dar um sermão a um robô.

Na intervenção da reunião, Zeng Zengwei alertou para os perigos que os robôs podem constituir, principalmente quando circulam junto de escolas e outros equipamentos sociais, em zonas com maior densidade populacional. “Recentemente um robô humanóide foi visto a circular nas ruas, como forma de promoção de uma empresa. O robô humanóide apareceu nas proximidades das escolas e de paragens de autocarros, locais densamente povoados”, descreveu o conselheiro. “No entanto, durante a caminhada, o robô teve vários encontrões pequenos, mas frequentes, com transeuntes. Eu testemunhei um desses encontrões com um estudante, quando este aguardava pelo autocarro”, revelou.

Uma vez que os robôs são máquinas e que a circulação entre a população pode implicar a causa de danos, em casos de avarias ou circunstâncias inesperadas, Zeng Zengwei indicou que é preciso definir um regime sobre as responsabilidades legais, em caso de acidentes e ferimentos.

Protecção de dados

O conselheiro surgiu assim a elaboração de “leis relacionadas com robôs humanóides, particularmente focados nas ameaçadas à segurança e ordem” durante a utilização dos espaços públicos, assim como a regulação da captação de imagens, para garantir o respeito pela lei da protecção de dados pessoais.

Além disso, foi igualmente defendida a necessidade de fazer um registo sobre os robôs humanóides que utilizam as ruas locais, assim como a criação de um sistema de certificação de segurança.

Apesar das críticas, o conselheiro destacou a importância do desenvolvimento tecnológico e do espírito empreendedor.

A mais recente polémica com robôs humanóides aconteceu na sexta-feira à noite, quando uma das máquinas foi levada por agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), de acordo com as publicações nas redes sociais, sem que se tenha havido qualquer tipo de explicações públicas. O HM questionou as autoridades sobre o episódio, mas até ontem não recebeu qualquer resposta sobre o episódio. Antes da “detenção” do robô, uma mulher foi filmada a ralhar com o humanóide e a chamar-lhe maluco, depois de ter ficado assustada com a presença da máquina. Em reacção o robô levanta os braços, o que levou a mulher a abandonar o local.

MP | Assumido papel de interlocução entre a China e PLP

Tong Hio Fong promete que Macau vai desempenhar o papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos

 

O Procurador-Geral de Macau, Tong Hio Fong, apontou que o Ministério Público (MP) da cidade irá desempenhar um papel de interlocutor jurisdicional entre a China e os países lusófonos.

Durante as Duas Sessões que decorrem em Pequim, o Governo Central da China voltou a destacar o papel estratégico de Macau na ligação com os países de língua portuguesa.

O relatório de trabalho apresentado pelo primeiro-ministro, Li Qiang, sublinhou que a região deve potenciar as suas vantagens únicas e aprofundar a sua função como plataforma de interligação entre o interior da China e o espaço lusófono, de modo a promover “prosperidade e estabilidade a longo prazo”.

Segundo destacou agora o Ministério Público, num comunicado de reacção às Duas Sessões, a RAEM será consolidada como plataforma de cooperação judiciária e comunicação profissional, de modo a aproximar sistemas legais e promover intercâmbio entre magistrados e instituições dos países de língua portuguesa.

O mesmo organismo pretende aprofundar a colaboração na área da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (ilha da Montanha), mas sempre com a perspectiva de que Macau deve servir como “cabeça-de-ponte” para a abertura da China ao mundo lusófono.

A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projecto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023.

Objectivo definido

Segundo Tong, o objectivo é que Macau se afirme cada vez mais como “elo privilegiado entre a China e a comunidade internacional de língua portuguesa”, contribuindo para o desenvolvimento nacional e para a consolidação da sua posição estratégica dentro da política ‘Um País, Dois Sistemas’.

Nos planos governativos de Macau para 2026 está incluída a celebração de um acordo para auxílio judiciário mútuo em matéria penal com Angola.

Angola e a China continental assinaram em 2006 um tratado de extradição, que só foi aprovado pelo Parlamento angolano em 2011, tendo sido ratificado pelo Governo de Luanda dois anos mais tarde.

De acordo com as Linhas de Acção Governativa para o próximo ano, Macau quer também começar a negociar um “acordo sobre a confirmação e execução recíprocas de decisões judiciais em matéria civil e comercial” com Portugal.

No entanto, o documento não refere qualquer data para a conclusão das negociações e a eventual assinatura de um acordo afinal.

Macau e Portugal assinaram em 2019 um acordo relativo à entrega de infractores em fuga, cuja legalidade penal foi posta em causa pela Ordem dos Advogados portuguesa.

O protocolo não está em vigor, uma vez que não foi a votos na Assembleia da República.

Investigação | Redes sociais servem para encontrar genros e noras

Os pais chineses estão a recorrer às redes sociais para encontrar genros e noras, através de anúncios e discussões centrados em atributos práticos e pautados por uma notável “ausência de amor”, revela uma investigação da Universidade de Macau.

A investigação de Todd Lyle Sandel, professor do departamento de Comunicação da Universidade de Macau (UM), centra-se no envolvimento parental em grupos de encontros na plataforma de mensagens WeChat (semelhante ao WhatsApp na China), onde os pais descrevem frequentemente os filhos como se listassem produtos num mercado: “Altura, peso, educação, situação económica, casa própria” são os critérios típicos apresentados, revelou na sexta-feira o investigador na apresentação do trabalho, que ainda decorre.

“O que é impressionante é a ausência de ‘amor’ ou ‘sentimento’ nos anúncios de apresentação”, acrescentou Sandel, o foco está em características mensuráveis, não na ligação emocional, disse numa conferência na UM.

“Os homens casam para baixo, as mulheres casam para cima”, com a expectativa de “homens como provedores e mulheres como donas de casa”, sendo que a preferência dominante é que uma “mulher case com um homem mais velho que tenha casa, rendimento mais elevado e seja altamente escolarizado”, aponta a investigação.

Esta prática reflecte os mercados matrimoniais físicos ainda hoje encontrados em parques de várias cidades chinesas, onde os pais expõem pedaços de papel com detalhes sobre a idade, educação e profissão de potenciais cônjuges para os filhos e filhas.

A análise de Sandel baseia-se na observação, iniciada em 2024, de um grupo de WeChat com aproximadamente 500 membros dedicado à procura de parceiros para os filhos pelos pais, funcionando como uma versão digital dos tradicionais mercados matrimoniais em parques.

Num dos anúncios recolhidos pelo investigador, uma mãe escreve sobre a filha: “Boa índole, figura esbelta, pele clara, normalmente não usa maquilhagem, aparenta ser muito mais nova do que a idade real”. Pretende um homem “mais alto do que 170 cm, emprego estável, que trabalhe em Guangzhou, não seja careca, não seja gordo, tenha temperamento calmo, seja responsável, honesto, de preferência que não fume ou beba pouco e partilhe as tarefas domésticas”.

A descrição dos rapazes pelos pais dá ênfase aos bens materiais e morais: “filho único, pais reformados, tem casa própria, é ambicioso, tem carta de condução, respeita os mais velhos”.

 

Realidades paralelas

Da investigação de Sandel, duas realidades sociológicas distintas, mas interligadas, ganham destaque: as dificuldades enfrentadas por mulheres altamente bem-sucedidas, no topo da pirâmide social, as chamadas “mulheres sobrantes”; e a dos homens das classes mais baixas, especialmente nas áreas rurais.

“As mulheres com níveis elevados de educação e rendimento têm dificuldade em encontrar parceiro porque o paradigma tradicional exige que o homem seja ‘superior'”, explicou o investigador. “No topo da pirâmide, há poucos homens que preenchem este critério”, acrescentou.

Inversamente, Todd Lyle Sandel observou que os homens em zonas rurais enfrentam uma escassez de mulheres, uma situação motivada pelo desequilíbrio ainda existente na proporção de géneros e pela migração de mulheres para os centros urbanos.

A idade média do primeiro casamento, segundo Sandel, de acordo com dados de 2020, é em média aos 29,54 anos para os homens e aos 28,14 anos para as mulheres, sendo que se verifica uma tendência para o aumento da idade em ambos os casos, crescente ano após ano.

Finalmente, de acordo com os resultados da investigação de Sandel até agora, a observação do grupo de WeChat sugere que encontrar com sucesso um par um genro ou uma nora através destes canais “é raro”.

Que democracia é esta?

A partir de hoje Portugal passa a ter um novo Presidente da República. António José Seguro, depois de ter estado afastado da política durante dez anos, decidiu candidatar-se sem apoio político de ninguém e consagrou-se vencedor. Seguro irá enfrentar um mandato em Belém com as mais diversas dificuldades ao ter que lidar com um país cheio de problemas. A democracia portuguesa está a ficar doente. Que democracia é esta onde um Governo participa passivamente num ataque bélico a um país soberano por parte de administrações lideradas por fascistas, especialmente a administração americana liderada por um indivíduo que apenas quis desviar as atenções do caso Epstein onde alegadamente terá sido um dos participantes no abuso sexual de menores. Portugal permite de mão beijada que a Base da Lajes sirva como uma das maiores e mais movimentadas plataformas de aviões de guerra norte-americanos, os quais têm participado numa guerra que se alastra por todo o Golfo. Que democracia é esta onde um líder de um partido de extrema direita, no plenário da Assembleia da República, começa a ofender a presidente do Parlamento em exercício, chegando ao ponto de afirmar que a presidente nem devia estar ali sentada. A resposta dura e cordial da presidente em exercício recebeu o aplauso de todas as bancadas incluindo dos comunistas, porque efectivamente o povinho começa a estar farto das diatribes de André Ventura. Que democracia é esta que repudia claramente a atitude patriótica que teve o governo espanhol relativamente à proibição do uso das bases americanas em solo espanhol na participação do incumprimento do Direito Internacional. Que democracia é esta em que os pobres cidadãos que foram alvo de tempestades e que ficaram sem nada, continuam a queixar-se que o apoio financeiro não lhes tem chegado e que a reconstrução de suas casas continua no ponto zero. Que democracia é esta em que os cidadãos constatam mensalmente que o custo de vida aumenta, que o preço das casas está a ficar insuportável e que o preço dos combustíveis aumenta de forma assustadora. Que democracia é esta onde se planeia a construção de um aeroporto megalómano quando quatro milhões de portugueses vivem ao nível da pobreza. Que democracia é esta que continua a cobrar portagem na Ponte 25 de Abril quando a mesma está mais que paga há muitos anos. Que democracia é esta que governamentalmente confunde alhos com bugalhos, ou seja, nunca poderia um director da Polícia Judiciária, que esteve por dentro, durante muitos anos, dos casos mais variados em segredo de justiça e que teve acesso às actividades supostamente criminais de políticos, incluindo de muitos suspeitos de corrupção e de actividade ilegal como governantes, possa ser convidado para ministro da Administração Interna. Que democracia é esta que permite a existência de reformados com um pecúlio mensal de 200 ou 300 euros e depois envia milhões de euros para a Ucrânia. Que democracia é esta que permite que um Presidente da República termine o seu mandato sem que nada se conclua do que aconteceu com o seu filho no caso discriminatório das gémeas brasileiras. Que democracia é esta que um ex-primeiro-ministro esteja mais de dez anos para ser julgado. Que democracia é esta onde os imigrantes, absolutamente necessários para a economia nacional e para a sustentação da Segurança Social, entrem em pânico com as exigências do Chega junto de Montenegro para que os imigrantes voltem para a sua terra. Imaginamos o que aconteceria a Portugal se todos os países onde vivem emigrantes portugueses tomassem as mesmas medidas.

Que democracia é esta onde uma investidora que possui uma moradia de grandes dimensões perto de Sintra e que a tenha remodelado luxuosamente para ser um hotel de charme, aguarde quase há dois anos por licenciamento autárquico para abrir as portas. Saliente-se, que esta investidora sempre rejeitou pagar fosse o que fosse fora das normas legais. Talvez por essa razão vê o licenciamento aprovado para as calendas.

O novo Presidente da República pode ser um homem sensato, moderado, defensor da Constituição, democrata, imbuído das melhores intenções, mas a própria Constituição nunca foi cumprida no que concerne à obrigação de todo o português ter direito a uma casa para viver dignamente. E não será António José Seguro que fará cumprir a Constituição porque temos a certeza que no final do seu mandato haverá portugueses a viver em barracas, outros em casas dos pais e ainda outros em casas dos filhos.

E o que dizer nesta democracia onde aparece um político que desgraçou os mais desfavorecidos, que retirou os subsídios de férias e de Natal, que reduziu as reformas e que aparece agora, tipo D. Sebastião, a querer tirar o lugar a Luís Montenegro de líder do PSD. Pedro Passos Coelho devia pintar a cara de preto pela actividade política que tem vindo a levar a efeito contra a liderança do seu próprio partido. Sabe-se cabalmente das suas intenções. Quer ser novamente líder do PSD, quer ser novamente primeiro-ministro para executar uma aliança com o Chega e implantar um governo neofascista. Pobre democracia que possui “democratas” deste género, sempre prontos a espetar a faca no parceiro do lado…

APN | Xi pede reforço da luta contra a corrupção no Exército após purgas

As recentes destituições de líderes militares levaram o Presidente chinês a reiterar a importância do combate à corrupção revigorado desde que chegou ao poder

O Presidente chinês comprometeu-se a “continuar a avançar decididamente” na luta contra a corrupção no Exército e alertou que, nas Forças Armadas, “não pode haver pessoas desleais” ao Partido Comunista Chinês, após recentes purgas na cúpula militar chinesa.

Xi fez estas declarações no sábado, durante uma reunião com deputados do Exército Popular de Libertação (EPL, exército chinês) e da Polícia Armada Popular, no âmbito da sessão anual da Assembleia Popular Nacional (APN, legislativo), informou a agência de notícias estatal Xinhua.

O dirigente é também presidente da Comissão Militar Central (CMC), órgão que dirige o EPL e constitui a máxima autoridade militar da China.

Ao discursar, Xi sublinhou que as Forças Armadas devem manter, “sem vacilar”, a liderança do Partido Comunista Chinês (PCC).

Xi instou ainda a que sejam reforçados os mecanismos de supervisão em áreas sensíveis, como o fluxo de fundos, o exercício do poder e a gestão de grandes projectos militares, ao mesmo tempo que pediu para que seja melhorado o controlo do orçamento da defesa e seja garantido que os recursos sejam utilizados de forma eficiente.

Durante o encontro, o Presidente chinês reiterou que o objectivo para o próximo período do plano quinquenal (2026-2030) é avançar na modernização do Exército e cumprir a meta de converter as Forças Armadas chinesas num exército totalmente moderno para o centenário da fundação do mesmo, em 2027.

As imagens divulgadas pela imprensa estatal sobre a reunião mostraram apenas Xi e o vice-presidente da CMC, Zhang Shengmin, sentados à mesa principal ao lado dos deputados militares, em contraste com reuniões semelhantes de anos anteriores, nas quais costumavam aparecer vários membros do órgão dirigente das Forças Armadas.

Campanha devastadora

A redução visível da cúpula militar ocorre após vários meses de demissões e investigações disciplinares – no âmbito da campanha anticorrupção levada a cabo por Xi – que afectaram altos cargos do aparato militar, incluindo os ex-ministros da Defesa Li Shangfu e Wei Fenghe, bem como os ex-vice-presidentes da CMC Zhang Youxia e He Weidong e responsáveis pela Força de Mísseis do EPL e pelo Estado-Maior Conjunto.

Este contexto coincide também com o anúncio, esta semana, de um aumento de 7 por cento do orçamento da defesa para 2026, até 1,91 biliões de yuans, apresentado à APN juntamente com o relatório governamental.

O aumento, inferior aos 7,2 por cento registados em cada um dos três anos anteriores, acompanha outros objectivos económicos anunciados durante a abertura do Legislativo, entre os quais uma meta de crescimento “entre 4,5 por cento e 5 por cento” para 2026, a mais baixa desde 1991.

Em 2025, as autoridades chinesas investigaram 115 funcionários de nível provincial, ministerial ou superior, de acordo com dados oficiais, num contexto de reforço do controlo disciplinar que coincidiu com o início do XV Plano Quinquenal (2026-2030).

CCM | Vinda de Rodrigo Leão a Macau adiada

O concerto de Rodrigo Leão em Macau, programado para a próxima quarta-feira e adiado devido ao impacto da guerra no Irão nas ligações aéreas, realiza-se “em Abril ou mais tarde”, disse à Lusa a organização.

O espectáculo realiza-se no âmbito da 15.ª edição do festival literário de Macau Rota das Letras, que arrancou na quinta-feira e decorre até dia 15 de Março.

“Temos de ver quando é que a sala do grande auditório do Centro Cultural de Macau está disponível outra vez, em Março já sei que é impossível. No mínimo vai ser em Abril ou mais tarde, mas vamos tentar que seja em Abril”, referiu à Lusa o director do festival, Ricardo Pinto.

O responsável notou que é necessário conciliar a disponibilidade do músico e da equipa, da sala do espectáculo, além de “ver se, entretanto, normalizaram os preços dos aviões”. “Estavam a pedir 30 mil patacas ou 40 mil patacas, no mínimo, por cada voo em classe económica”, referiu.

Em comunicado, divulgado no sábado nas redes sociais, o festival anunciou que o concerto “O Rapaz da Montanha” foi adiado “devido à instabilidade regional no Oriente Médio e ao impacto nas operações de voos internacionais”.

“Apesar dos melhores esforços da equipa de produção para garantir rotas alternativas, o cancelamento das ligações aéreas de origem impossibilitou a chegada a Macau conforme planeado”, lê-se.

Ainda de acordo com a nota, os ingressos já adquiridos permanecem válidos, embora o reembolso integral do bilhete seja possível para quem não puder comparecer na nova data a anunciar.

Rota das Letras | Guy Delisle defende que BD é um “meio eficaz” de jornalismo

O escritor franco-canadiano defende que a banda desenhada costumava ser vista como “algo só para crianças”, mas que actualmente é lida “tanto por avôs como por netos”

 

O premiado autor Guy Delisle, conhecido por obras gráficas de não-ficção, descreveu a Banda Desenhada (BD) como um “meio eficaz” de jornalismo que atinge um público mais vasto.

O escritor franco-canadiano foi convidado da 15.ª edição Festival Literário de Macau – Rota das Letras que decorre entre 5 e 15 de Março para uma conversa sobre um meio que “costumava ser visto como algo só para crianças”, mas que é hoje em dia lido “tanto por avôs como netos”.

Delisle escreveu vários livros aclamados no género de não-ficção gráfica centrados nas suas experiências de viagem e vida incluindo Pyongyang, Jerusalém: Crónicas da Cidade Santa, Crónicas da Birmânia, e Shenzhen.

No entanto, o autor nascido no Québec considera-se mais parte da primeira vaga de “autores de livros de viagem” gráficos, e menos como jornalista no estilo de autores como Joe Sacco, conhecido por livros que descrevem o quotidiano em cenários de guerra na Palestina e nos Balcãs.

“Há muitas direcções, existem muitos livros de viagem de Banda Desenhada. Joe Sacco é um jornalista e faz algo parecido, mas tem experiência de jornalista e tem uma perspectiva e abordagem diferente”, indicou Delisle em resposta a uma pergunta da Lusa.

“Eu faço alguma pesquisa do contexto dos locais em foco, mas prefiro a abordagem de fazer observações casuais, apontar os detalhes que considero mais engraçados e interessante”, disse.

O autor trabalhou principalmente na indústria de animação, mas acabou por entrar no mundo das novelas gráficas depois de ser destacado para Shenzhen em 1997.

Desenhos para a família

Começando como um método de contar as suas experiências de viagem “para a família” transformando os seus apontamentos diários nesta cidade no sul da China na sua primeira BD.

O autor seria transferido em trabalho, inusitadamente, para a capital da Coreia do Norte em 2001, que gerou o seu livro mais traduzido, Pyongyang.

“Fui enviado para a Coreia do Norte durante dois meses. Conhecia muita gente da indústria da animação que me disseram que era super aborrecido […] mas eu sempre me senti fascinado pelo país”, destacou.

“Quando lá cheguei recebi flores para por aos pés de uma estátua de Kim Jong Il [líder da Coreia do Norte na altura]. Só isso me fez pensar que daria um bom livro”.

O escritor franco-canadiano recebeu também o prémio máximo da Banda Desenhada europeia quando a edição francesa de “Jerusalém “ foi eleita Melhor Álbum no Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême.

Uma das suas obras de maior teor jornalístico inclui o “Refém”, que descreve a experiência de Christophe Andre, um membro dos Médicos Sem Fronteiras, sequestrado durante três meses como refém na Tchetchénia.

“Um sequestro é uma experiência muito difícil, mas quando lhe perguntei ele contou-me tudo”, lembrou.

Habituado a descrever as suas memórias, Delisle teve pela primeira vez que descrever as experiências de terceiros, realizando “gravações de quase 8 horas” das conversas com Andre.

“Era material muito bom, mas a primeira versão parecia mais um filme de Hollywood e funcionava, por isso mudei o estilo para uma descrição realista da experiência de alguém privado da sua liberdade.”

O livro descreve, por exemplo, como a certa altura os sequestradores esqueceram-se de fechar a porta do quarto, com Andre a ponderar durante horas se deveria arriscar sair.

“Ele esperou algumas horas até ficar escuro. A pergunta que ponho ao leitor é o que faria na situação dele? Abria a porta?”, disse Delisle.

Novo livro brevemente

O seu livro mais recente, MuyBridge publicado em 2024, descreve a vida de Eadeward MuyBridge, um dos pioneiros da fotografia, com Delisle a revelar que um novo livro será publicado na “próxima semana”.

Quanto a usar o seu tempo em Macau e Hong Kong para um livro, considera que “infelizmente precisaria de ficar muito mais tempo” do que três meses para ter notas suficientes para um livro.

A edição deste ano do Festival Literário de Macau irá prestar um tributo a Camilo Pessanha, no centenário da morte do poeta português.

O programa do festival inclui ainda o jornalista e comentador político João Miguel Tavares, que publicou em Outubro o livro “José Sócrates – Ascensão”.

Também virá a Macau Miguel Carvalho, autor de “Por dentro do Chega. A face oculta da extrema-direita em Portugal”, que resulta de uma investigação que o jornalista e escritor fez ao longo de cinco anos.

Hong Kong | Roubados 10 milhões a residente de Macau e familiar

Um residente de Macau e um familiar de Hong Kong foram alvo de um roubo de cerca de 10 milhões de dólares de Hong Kong, na sexta-feira, na estação do metro Sheung Wan. O caso foi revelado pela polícia de Hong Kong, e os ladrões detidos logo no local.

Segundo a informação divulgada em conferência de imprensa, as vítimas foram roubadas por dois ladrões, depois de serem ameaçadas com uma faca. O roubo aconteceu logo depois de o residente de Macau e o familiar terem trocado moeda numa loja de câmbio em Hillier Street. Nessa operação, as vítimas trocaram dólares americanos e renminbi pelos 10 milhões de dólares de Hong Kong.

Após o assalto, os ladrões foram detidos, porque os agentes apareceram rapidamente no local. Também um polícia interceptou um carro que se encontrava nas proximidades e deteve o condutor, que é tido como cúmplice dos detidos.

O superintendente de polícia, Lo Ka Chun, revelou que durante o assalto e a detenção, apenas o residente de Macau ficou ferido, de forma ligeira, numa mão. Os ferimentos aconteceram durante a resistência inicial face ao roubo, e apesar de não serem graves, o residente de Macau foi conduzido ao Hospital Queen Mary.

Lo Ka Chun reconheceu ainda que a polícia já tinha recebido uma denúncia para a possibilidade de uma associação criminosa estar a planear este roubo. Segundo a investigação inicial, os três detidos são portadores do bilhete de identidade de residente de Hong Kong e um dos deles tem passaporte filipino. Além disso, alguns detidos têm ligações com as tríades. Este é o terceiro caso do género, nos últimos três meses, em Sheung Wan.

Tribunal | Ex-CEO de grupo Star falhou por ligações com Suncity

O Tribunal Federal da Austrália considerou que Matthias Bekier violou as suas obrigações de diligência, na forma como lidou com o grupo fundado por Alvin Chao. No entanto, a justiça ilibou os outros ex-directores do grupo australiano de qualquer falha

Um juiz do Tribunal Federal da Austrália decidiu que o ex-administrador do grupo Star Matthias Bekier violou as suas obrigações legais, devido às ligações com a promotora de jogo Suncity. O caso remonta a 2022, quando a Comissão Australiana de Valores Mobiliários e Investimentos (ASIC, em inglês) instaurou um processo contra o grupo de casinos australiano, por considerar que não foram adoptados os procedimentos necessário para mitigar os riscos de branqueamento de capitais.

De acordo com a Sky News Australia, o juiz Michael Lee decidiu que o ex-presidente do conselho de administração da Star, Matt Bekier, e a jurista da empresa, Paula Martin, falharam nos seus deveres de diligência, principalmente no que diz respeito às operações da Suncity no casino The Star. A empresa de Macau explorava uma sala de jogo com o nome Salon 95 no casino localizado em Sydney.

Segundo a decisão, Bekier devia ter tido conhecimento dos relatórios sobre as ligações dos promotores de jogo Alvin Chau e Qin Sixin, e terminado as relações comerciais com estes empresários. Michael Lee indicou também que Bekier devia ter conhecimento dos riscos devido às alegadas ligações de Alvin Chau com o crime organizado.

Em relação a Qin, além de promotor, era jogador no casino The Star, e foi detido no início da década de 2010, por suspeita de lavagem de dinheiro e de actividades bancárias ilegais.

Derrota do regulador

Segundo a Sky News Australia, a decisão foi uma derrota para o regulador, uma vez que a ASIC pretendia que a justiça considerasse não só que todos os directores da empresa tinham falhado nas suas obrigações de diligência, como também parte deles tinham prestado declarações enganadoras aos reguladores.

A ASIC também defendeu em tribunal que os funcionários da Star manuseavam sacos com notas de 50 dólares amarradas com elásticos, que depois eram entregues nas mesas de jogo em sacos térmicos, enquanto os operadores bloqueavam a visão das câmaras de CCTV com cobertores.

Apesar da posição do regulador, o juiz considerou inocentes os ex-directores da Star John O’Neill, Richard Sheppard, Katie Lahey, Sally Pitkin, Gerard Bradley, Benjamin Heap e Zlatko Todorcevski, por entender que não deixaram “de exercer os seus poderes e cumprir as suas funções”.

Lisboa-Hong Kong | Empresários avisam que ligação requer subsídios

O especialista Erik Young considera que os voos de ligação a Portugal iriam servir não só Hong Kong, mas toda a Grande Baía, incluindo Macau. Porém, avisa que o sucesso da ligação dependeria da forma como Lisboa lidasse com os passageiros de África e do Brasil

Representantes empresariais e do sector de aviação alertam que uma ligação aérea entre Lisboa e Hong Kong teria custos elevados e poderia precisar de apoios estatais para reduzir o risco.

Uma possível ligação aérea entre Portugal e Hong Kong voltou a ganhar destaque após contactos recentes entre autoridades portuguesas e a Autoridade do Aeroporto de Hong Kong.

No início de Fevereiro, decorreu uma reunião entre o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, e a directora executiva da Autoridade do Aeroporto de Hong Kong (AAHK, na sigla em inglês), Vivian Cheung Kar-fay.

“[O encontro em Hong Kong foi uma] oportunidade de abordarmos assuntos de interesse mútuo”, disse o Consulado na altura.

Numa resposta escrita a questões da agência Lusa, a AAHK disse que tem procurado “estabelecer contactos com companhias aéreas e parceiros comerciais do sector global, incluindo autoridades governamentais e operadores aeroportuários”.

Segundo Erik Young, especialista em aviação sediado em Hong Kong, uma transportadora como a TAP teria que olhar para “além do simples interesse dos passageiros” e analisar vários “pilares críticos”.

O consultor destacou que “seria necessário avaliar o equilíbrio entre viagens de negócios de alto rendimento, turismo e, crucial para este tipo de percurso de longo curso”, a capacidade de carga no porão.

“Um voo destes não serve apenas Hong Kong; o seu sucesso depende da área de captação da Grande Baía e da eficiência com que o hub de Lisboa consegue ligar passageiros a mercados secundários no Brasil e em África”, apontou o especialista em aviação.

Ligações com PLP

Em termos económicos, sublinhou que se deve observar as “tendências de investimento estrangeiro directo, os volumes de comércio entre a Grande China e os mercados lusófonos”, e a competitividade relativa da frota da TAP face às transportadoras que oferecem ligações com uma escala.

Young apontou ainda que para rotas de longo curso com custos de entrada elevados, “algum tipo de apoio inicial ou um Acordo de Serviços Aéreos robusto” é frequentemente o factor decisivo na mitigação do risco.

“Em última análise, não é uma questão de sim ou não. Trata-se de um projecto de viabilidade aprofundado e não de uma observação rápida. O caso comercial exige um alinhamento muito específico destes pontos”, concluiu.

O secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), Bernardo Mendia, disse à Lusa que a possibilidade de uma ligação aérea directa entre Portugal e Hong Kong ou Macau “surge ciclicamente no debate público devido ao interesse histórico e económico crescente entre Portugal e o sul da China.

“Do ponto de vista técnico, hoje essa ligação parece ser possível”, disse Mendia, lembrando que a distância entre Lisboa e Hong Kong ronda os 11 mil quilómetros e que aeronaves modernas de longo curso, como o Airbus A330-900neo da TAP Air Portugal, têm autonomia suficiente para realizar o voo sem escalas.

No entanto, o responsável destacou que “a questão central não é tecnológica, mas sobretudo económica” pois “as rotas intercontinentais exigem uma massa crítica consistente de passageiros e carga para serem sustentáveis”.

Actualmente, o mercado entre Portugal e o sul da China é servido de forma indirecta através de grandes hubs europeus e do Médio Oriente.

“Existem mais de 300 voos semanais entre a região da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau e Lisboa com ligação intermédia em aeroportos como Paris, Frankfurt, Istambul ou Dubai. Isto demonstra que existe procura, mas ainda distribuída por esses grandes centros de ligação”, acrescentou.

Potencial significativo

Apesar disso, Mendia considera que o potencial estratégico é significativo, considerando que Grande Baía, que integra Hong Kong, Macau, Shenzhen e Guangzhou, reúne mais de 70 milhões de habitantes e constitui um dos maiores polos económicos do mundo.

O espaço da lusofonia reúne cerca de 260 milhões de pessoas, o que cria um eixo potencial muito relevante entre a Ásia e os países de língua portuguesa, avisa, no qual “Portugal pode desempenhar um papel natural de plataforma de ligação”.

Neste contexto, uma ligação directa poderia beneficiar não apenas do tráfego entre Portugal e o sul da China, mas também de fluxos mais amplos entre a Ásia e os mercados lusófonos. “Lisboa pode tirar partido da sua posição geográfica e da rede atlântica da TAP Air Portugal”, disse.

O secretário-geral da CCILC apontou ainda um cenário “particularmente interessante” de algum eventual envolvimento de uma companhia aérea chinesa no processo de privatização da TAP.

“Nesse caso, poderia abrir-se a possibilidade de posicionar Lisboa como um verdadeiro hub de ligação entre a Europa, a Ásia e o espaço lusófono”, afirmou.

“Em vez de os passageiros portugueses terem de se deslocar a grandes capitais europeias para voar para a Ásia, poderia acontecer o inverso: passageiros de várias cidades europeias passarem a utilizar Lisboa como porta de entrada para voos directos para a Ásia, com todos os benefícios para Portugal associados”, acrescentou.

Se tal vier a acontecer, concluiu Mendia, “Lisboa poderá afirmar-se como um ponto de encontro natural entre três grandes espaços económicos: a Europa, a Grande Baía do sul da China e o mundo lusófono”.

Cigarros | Governo quer proibição total de cigarros electrónicos

A proposta de lei em consulta visa os cigarros electrónicos, as bolsas de nicotina e o tabaco para os cachimbos de água. Os infractores apanhados na posse destes produtos vão ter de pagar multas que chegam às 1.500 patacas

O Governo de Macau apresentou na sexta-feira uma proposta de lei que prevê a proibição da posse e consumo de cigarros electrónicos, “face aos riscos associados à saúde pública”.

Os Serviços de Saúde anunciaram o lançamento de uma consulta pública, entre 8 de Março e 8 de Abril, sobre a revisão da lei de prevenção e controlo tabágico.

Desde 2018, que já é proibida em Macau a venda, publicidade e promoção a cigarros electrónicos. Em 2022, a região proibiu também o fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte destes dispositivos.

Mas o chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e Alcoolismo dos Serviços de Saúde admitiu que os residentes têm continuado a usar cigarros electrónicos, que “devido ao seu tamanho reduzido são facilmente ocultáveis”.

“Os cigarros electrónicos não são melhores do que os cigarros tradicionais. Mas, com diferentes sabores e diferentes formas, são mais atraentes e conseguem atrair o consumo dos jovens”, lamentou Lam Chong.

“Algumas pessoas, depois de algum tempo, passam a fumar cigarros tradicionais”, acrescentou, numa conferência de imprensa.

Drogas ilegais

Além disso, o dirigente alertou que os cigarros electrónicos têm sido usados “como utensílio” para o consumo de drogas ilegais, como o caso de uma nova droga sintética, conhecida como ‘petróleo espacial’.

“A população, de modo geral, demanda o fortalecimento da fiscalização sobre o consumo dos cigarros electrónicos”, defenderam os Serviços de Saúde, no documento de consulta pública.

O ‘petróleo espacial’, produzido a partir do anestésico etomidato, já terá causado pelo menos três mortes na região vizinha de Hong Kong. Em Macau, a primeira apreensão foi feita numa escola local, em Outubro de 2023.

A substância é conhecida em Hong Kong como ‘droga zombie’ porque pode causar graves danos físicos e mentais, incluindo dependência, perda de memória, convulsões, perda de consciência e até morte.

Os Serviços de Saúde sublinharam que a posse de cigarros electrónicos já está proibida em Singapura desde 2018 e que Hong Kong irá banir o consumo em locais públicos a partir de 30 de Abril.

“Esperamos que a revisão possa entrar em vigor no próximo ano, embora vá haver um período de transição”, disse Lam Chong.

Após a entrada em vigor, quem for apanhado em público com cigarros electrónicos, irá enfrentar uma multa de até 1.500 patacas.

Cachimbos de água visados

A proposta de lei prevê também a proibição do fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte na entrada e saída de Macau de bolsas de nicotina, cigarros à base de plantas e tabaco ou pasta para cachimbos de água.

O objectivo, explicou Lam Chong, é banir estes produtos alternativos de tabaco, que não são abrangidos pela actual legislação, “antes que se generalizem” no território, nomeadamente entre os jovens consumidores.

O dirigente avisou que os fabricantes têm descrito estes produtos, de forma errónea, como “livres de tabaco”, “sem malefícios” ou como “substitutos saudáveis” dos cigarros convencionais.

Lam deu como exemplo o consumo de um cachimbo de água durante 45 a 60 minutos, algo que disse ser “equivalente a fumar 100 cigarros”, com “uma maior quantidade de monóxido de carbono”.

Duas Sessões | André Cheong diz que deputados não são “apenas espectadores”

Todos os secretários e responsáveis de altos cargos da RAEM garantiram que vão “implementar seriamente o espírito das duas sessões nacionais”. O princípio da predominância do poder Executivo e a defesa da segurança nacional foram compromissos partilhados pelas principais figuras políticas da RAEM

 

Depois das sessões inaugurais da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e do encontro da delegação da RAEM com Ding Xuexiang, membro do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista da China e Vice-Primeiro-Ministro do Conselho de Estado encarregado dos assuntos de Hong Kong e Macau, todas as principais figuras políticas locais garantiram que vão implementar o espírito das duas sessões.

O presidente da Assembleia Legislativa (AL), André Cheong, afirmou que o órgão legislativo “vai tomar como orientação as declarações e instruções importantes proferidas pelo Presidente Xi Jinping durante a sua visita a Macau e a Hengqin no final de 2024, (…) e estudar a fundo e implementar o espírito das duas sessões nacionais”.

André Cheong indicou que a “Assembleia Legislativa tomará medidas concretas para concretizar o princípio da predominância do poder executivo, para não ser apenas um ‘comentador’ ou ‘espectador’”, com os deputados serem os representantes da opinião pública.

O líder da AL salientou a responsabilidade dos deputados na salvaguarda da segurança nacional e no impulso ao desenvolvimento económico e social de Macau”. Além da segurança nacional, André Cheong apontou a necessidade produzir legislação que facilite a vida dos residentes de Macau que vivem ou trabalham em Hengqin, e o reforço da colaboração com os órgãos legislativos da Província de Guangdong e do Município de Zhuhai.

Por seu turno, o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, salientou que o sistema jurídico de defesa da segurança do Estado será aperfeiçoado e consolidado e que será “intensificada a educação do amor pela pátria e por Macau junto dos trabalhadores dos serviços públicos”.

Cultura nacionalista

Também a pasta da área dos Assuntos Sociais e Cultura sublinhou que “estudará com afinco o espírito das instruções importantes proferidas pelo Presidente Xi durante as ‘Duas Sessões’, o relatório de trabalho do Governo, bem como as instruções do Vice-Primeiro-Ministro Ding”.

A tutela liderada por O Lam apontou a importância do desenvolvimento integrado da educação, da ciência e tecnologia e dos quadros qualificados. Neste ponto, o gabinete da secretária salientou a inclusão no 15.º Plano Quinquenal Nacional do desenvolvimento da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin.

No plano cultural, O Lam defende que a cultura deve “transmitir os valores essenciais do amor à Pátria e amor a Macau e contar bem a história de Macau”.

Já a presidente do Tribunal de Última Instância, Song Man Lei, afirmou que a realização das Duas Sessões apontou o rumo para o desenvolvimento futuro de Macau, e que os tribunais da RAEM irão apoiar firmemente o Chefe do Executivo e o Governo da RAEM na sua governação”.

A mais alta magistrada da RAEM afirmou ainda que “os tribunais da RAEM irão exercer o poder judicial nos termos da lei, pautando-se pelo conceito de justiça imparcial, apoiando firmemente o Chefe do Executivo na sua governação em conformidade com a lei. Além disso, os crimes contra a segurança nacional serão punidos “severamente”.

O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, afirmou que a “predominância do poder executivo é a orientação das decisões do Governo Central que conta com a colaboração e o apoio do Governo da RAEM, da população em geral e dos diversos sectores da sociedade”.

Mensagens semelhantes foram partilhadas pelos restantes secretários, e comissárias Contra a Corrupção e Auditoria, os Serviços de Alfândega e o Procurador do Ministério Público.