Obrigado pela sua participação

Recentemente, a frase “obrigado pela sua participação” aparece frequentemente nos telemóveis daqueles que participaram no “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026”. Nos programas de rádio onde a audiência é chamada a expressar a sua opinião sobre assuntos da actualidade, também se ouve amiúde a frase “obrigado pela sua participação”.

De acordo com estatísticas oficiais, a probabilidade média global de ganhar cupões durante as primeiras quatro semanas do “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026” foi de 69,0 por cento, dados de que eu não duvido. No entanto, baseado na minha experiência e em informação reunida a partir de várias fontes, parece que o valor monetário dos cupões passou das significativas quantias iniciais para as muito menos expressivas quantias actuais. 31 por cento dos “obrigado pela sua participação” caem no saco roto dos consumidores desapontados. O objectivo do “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026” é estimular os gastos e não trazer desilusões aos consumidores. É fundamental encarar a realidade de frente para resolver os verdadeiros problemas.

A taxa de 69 por cento de premiados e a forma como os cupões de variados valores são distribuídos pelos consumidores é uma questão de manipulação de dados, desconhecida do público. Os cidadãos sentem que estão apenas a “tentar a sua sorte” no “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026”. O Governo teria feito melhor se tivesse incentivado os cidadãos a comprar em Macau através da reintrodução do “cartão de consumo electrónico” (Plano de Benefícios do Consumo por Meio Electrónico de Macau), uma vez que todos poderiam usufruir em pé de igualdade dos benefícios concedidos.

Dado que o “círculo de vida de uma hora” foi formado na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, Macau está em desvantagem em relação à China continental em termos do preço dos seus produtos, e a tendência de os cidadãos da cidade se irem abastecer ao continente é irreversível.

Sob a dupla pressão do envelhecimento da população e do decréscimo da taxa de natalidade, a que se junta um afluxo significativo de trabalhadores qualificados, embora a taxa de desemprego de Macau pareça manter-se baixa, nos 2,1 por cento, existem desequilíbrios entre a procura e a oferta no mercado de trabalho. Uma grande percentagem de desempregados que procuram trabalho é composta por jovens altamente qualificados, o que demonstra um problema estrutural. Com um grupo de licenciados prestes a entrar no mercado de trabalho após as férias de Verão, as perspectivas não são risonhas. Dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam alguns problemas e outros ainda mais preocupantes podem estar ocultos noutros dados que não foram incluídos nas estatísticas compiladas pela DSEC.

Tai Kin Ip, que foi Sub-Director da Direcção dos Serviços de Economia, Director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico, Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização e Secretário para a Economia e Finanças, é reconhecido pelo seu profundo conhecimento da actual situação económica de Macau e especialmente da futura Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Espero que o Governo da RAEM possa designar o mais rapidamente possível o novo Secretário para a Economia e Finanças, para vir a assumir a pesada responsabilidade de “gerir a economia e beneficiar o povo”.

Como Hengqin ainda está na fase de investimento em recursos e construção, Macau, integrando-se no desenvolvimento nacional global, deve também focar-se no seu próprio desenvolvimento; caso contrário, só irá dificultar o progresso do país. Após o encerramento dos casinos-satélite, a forma de activar as áreas comerciais em seu redor é uma questão a resolver, enquanto os encerramentos consecutivos de pequenas e médias empresas nos bairros antigos e o grande número de lojas vazias para arrendamento ou venda nestes mesmos bairros é outra. Se estas questões não puderem ser resolvidas, a bela história da plena cooperação entre os ramos executivo e legislativo ficará inevitavelmente manchada.

Durante as viagens ao estrangeiro à procura de oportunidades de negócio, o Chefe do Executivo pode considerar vir a visitar informalmente os bairros antigos de Macau. Depois de confraternizar com os habitantes destes bairros, é natural que venha a ter uma abordagem mais realista para o “3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM”.

Recentemente, a Sands China lançou os projectos de revitalização das zonas históricas para a Rua das Estalagens, composta pelo “Programa de Recrutamento de Empreendedores para a Rua das Estalagens 2.0” e pelo “Programa para Redesenhar Imagens de Marca para a Rua das Estalagens”, iniciativas pelas quais vale a pena esperar.

Espero que, após as sessões de esclarecimento e os cursos de formação relativos às iniciativas acima referidas, os resultados da avaliação sejam justos e equitativos, correspondendo às expectativas do público e alcançando os efeitos desejados, em vez de apenas dizer “obrigado pela sua participação” aos participantes com boas intenções.

O Ocidente desfeito (II)

(Continuação do artigo de 14 de Maio)

A diplomacia asiática oferece pistas de mudança pois o Japão, China e Coreia do Sul ensaiam aproximações cautelosas, sugerindo que o eixo estratégico da região pode estar a deslocar-se. Em Londres, a aproximação entre o governo britânico e Paris, ainda que tímida, indica que a velha rivalidade pode dar lugar a uma cooperação pragmática, sobretudo quando ambos os países se vêem como potenciais líderes de um bloco europeu pós-americano. O Canadá, sob nova liderança, parece disposto a afirmar independência simbólica, preferindo Paris a Washington como primeira escala diplomática.

Até a monarquia britânica participa no teatro, com gestos cuidadosamente coreografados que sublinham afinidades com Ottawa. Falta apenas a Nova Zelândia para que toda a Anglosfera comece a afastar-se do centro gravitacional americano. O futuro da cooperação de inteligência entre estes países, outrora considerada inabalável, torna-se incerto.

As divisões entre as potências tradicionais da Europa Ocidental agravam-se. França e Alemanha desconfiam uma da outra, sobretudo devido ao rearmamento alemão e à possibilidade de Berlim ambicionar capacidades nucleares. Itália e França mal se falam. Espanha segue o seu caminho, alheada das disputas continentais.

Entretanto, uma corrente de pensamento ganha força que é a ideia de que a Europa só poderá reencontrar um rumo se recuperar a tradição estratégica francesa. A França, única potência europeia com dissuasão nuclear autónoma e com memória viva de independência estratégica, volta a apresentarse como candidata natural à liderança continental. A convicção de que a humilhação prolongada dos Estados europeus pode conduzir ao seu desaparecimento alimenta a retórica de Paris. A história francesa, marcada por ambição universalista e rivalidade com os Estados Unidos, ressurge como referência num momento em que a ordem transatlântica se desagrega.

A tensão entre a França e os Estados Unidos é antiga. Desde o século XVIII que Paris oscila entre aliança e ressentimento, enquanto Washington mantém uma tradição de unilateralismo que subordina qualquer parceria ao interesse nacional. A França, por sua vez, nunca aceitou plenamente a condição de potência secundária. A sua força nuclear, a ausência de bases americanas no território e a herança gaullista moldam uma identidade política que resiste a qualquer forma de tutela externa. O gaullismo, reinterpretado ao longo das décadas, continua a ser a matriz do pensamento estratégico francês, mesmo quando disfarçado sob roupagens modernas.

Após a II Guerra Mundial, os Estados Unidos tentaram reduzir a França ao estatuto de protectorado, tal como fizeram com a Alemanha, Itália e Japão. Consideravamna demasiado fraca para conter uma eventual ofensiva soviética e demasiado instável para desempenhar um papel autónomo. A França escapou a esse destino graças à obstinação dos seus líderes, que se recusaram a abdicar de soberania. Essa memória continua a influenciar a política externa francesa e explica a sua relutância em aceitar a dissolução silenciosa da Europa sob pressão externa.

A desvalorização da França tem raízes antigas no imaginário político americano. Muito antes das derrotas militares do século XX, circulava nos Estados Unidos a caricatura de uma França encantadora mas frágil, mais dada a gastronomia e cabaré do que a “hard power”. A comparação, sempre pouco subtil, colocava os americanos no papel viril e os franceses no papel decorativo. Nada que ajudasse a melhorar a auto-estima parisiense.

Neste ambiente, não surpreende que, no pósguerra, certos círculos em Washington tenham imaginado redesenhar o mapa francês como se fosse um tabuleiro de xadrez. A ideia de amputar regiões, redistribuir territórios e administrar o país como uma possessão temporária parecia, para alguns estrategas, uma forma sensata de evitar que nacionalistas ou comunistas ganhassem terreno. A França, vista como demasiado instável, deveria ser tratada como uma paciente em cirurgia forçada. A própria moeda de ocupação chegou a ser preparada, com notas que imitavam dólares disfarçados de francos um símbolo perfeito da tutela que se pretendia impor.

Mas Paris não se deixou domesticar. A liderança francesa, consciente de que a soberania se perde uma vez e dificilmente se recupera, montou à pressa um governo provisório e impediu que o país fosse administrado como uma colónia libertada. A resistência francesa ao protectorado “aliado” tornouse episódio fundador da memória estratégica do país. E não faltaram momentos de tensão pois houve ocasiões em que tropas francesas e americanas quase se enfrentaram directamente, com Washington a acusar Paris de irresponsabilidade e Paris a acusar Washington de arrogância imperial.

Este trauma histórico moldou a atitude francesa durante décadas. A França nunca esqueceu que escapou por pouco a ser tratada como um Estado tutelado. E essa memória explica a sua insistência em manter autonomia militar, diplomática e nuclear mesmo quando isso irrita aliados.

Visita | Xi Jinping manteve conversas com Putin em Pequim

O Presidente chinês, Xi Jinping, realizou esta quarta-feira conversas com o Presidente russo, Vladimir Putin, no Grande Palácio do Povo, em Pequim, com as duas partes a concordar em prorrogar ainda mais o Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável China-Rússia, adiantou o Diário do Povo.

Xi observou que este ano marca o 30.º aniversário do estabelecimento da parceria estratégica de coordenação China-Rússia e o 25.º aniversário da assinatura do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável China-Rússia.

As relações China-Rússia chegaram até aqui passo a passo precisamente porque os dois países continuaram a aprofundar a confiança política mútua e a coordenação estratégica com firme determinação, expandiram a cooperação com o ímpeto de alcançar constantemente novos patamares, defenderam a justiça e a equidade internacionais e promoveram a construção de uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade com determinação inabalável, afirmou o líder chinês.

“Como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e importantes grandes países do mundo, China e Rússia devem adoptar uma perspectiva estratégica e de longo prazo, impulsionar o desenvolvimento e a revitalização de nossos respectivos países através de uma coordenação estratégica abrangente de qualidade ainda mais elevada e trabalhar para tornar o sistema de governança global mais justo e razoável”, disse Xi.

Tesla disponibiliza sistema de condução automática na China

A Tesla anunciou ontem que o sistema avançado de condução automática da empresa norte-americana já está disponível na China, um dos seus principais mercados e palco de intensa concorrência entre fabricantes locais e estrangeiros de veículos eléctricos.

Na conta oficial da rede X, a Tesla afirmou que o serviço está acessível numa lista de países e territórios que inclui, além da China, Estados Unidos, Canadá, México, Porto Rico, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Países Baixos e Lituânia.

O anúncio representa um novo passo nos planos da Tesla para introduzir no mercado chinês a sua tecnologia Full SelfDriving (FSD) de “condução totalmente autónoma”, embora, por enquanto, seja apresentada como uma função supervisionada que requer a atenção do condutor.

O presidenteexecutivo da Tesla, Elon Musk, manteve nos últimos anos contactos com as autoridades chinesas para avançar na autorização destas funções, um tema sensível devido às exigências locais em matéria de segurança de dados, mapas e privacidade.

Em Abril de 2024, durante uma visita surpresa a Pequim, Musk reuniuse com altos responsáveis chineses, incluindo o primeiroministro, Li Qiang, tendo a Tesla alcançado um acordo com a gigante digital Baidu para obter licenças de navegação e mapas, considerado então um passo crucial para o lançamento das funções avançadas de assistência à condução na China.

O anúncio surge também uma semana depois de Musk ter estado em Pequim como parte da delegação empresarial que acompanhou o Presidente norteamericano, Donald Trump, na visita de Estado à China e na reunião principal com o Presidente chinês, Xi Jinping.

A Tesla procura reforçar a posição na China, após as vendas de veículos fabricados no país asiático terem aumentado em Abril 35,96 por cento em termos homólogos, segundo dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros.

Competição feroz

A empresa enfrenta um mercado cada vez mais competitivo, com fabricantes locais como BYD, Xpeng, Nio e Xiaomi, depois de a BYD ter ultrapassado a Tesla como maior produtora mundial de eléctricos e de o sector chinês ter sido arrastado para uma guerra de preços. O lançamento ocorre também num momento de maior escrutínio regulatório sobre a condução autónoma na China.

No final de Março, mais de uma centena de robotáxis do serviço Apollo Go, da Baidu, ficaram subitamente imobilizados nas ruas de Wuhan, cidade no centro do país, devido a um “erro de sistema”, deixando passageiros temporariamente retidos e perturbando o trânsito, embora sem acidentes ou feridos.

Segundo a Bloomberg, após esse incidente, as autoridades chinesas suspenderam a concessão de novas licenças para veículos autónomos, medida que impede as empresas do sector de acrescentar novos robotáxis às suas frotas.

Diplomacia | Xi poderá visitar Pyogyang nas próximas semanas

A possível deslocação de Xi Jinping à Coreia do Norte foi adiantada por Seul que, caso a viagem se confirme, pede ao Presidente chinês que contribua para a estabilidade na península coreana

O Presidente da China, Xi Jinping, estará a programar visitar a Coreia do Norte nas próximas semanas, após a recente visita do chefe da diplomacia chinesa a Pyongyang, segundo fontes governamentais citadas pela agência de notícias estatal sul-coreana.

Neste sentido, Seul pediu ontem a Pequim que contribua para a estabilidade na península. “Obtivemos informações que indicam que o Presidente Xi Jinping visitará a Coreia do Norte em breve”, declarou uma fonte governamental sul-coreana não identificada, citada na quarta-feira à noite pela Yonhap.

Uma segunda fonte oficial citada pela agência sul-coreana indicou que a visita poderá ocorrer no final deste mês ou no início do próximo, tendo sido preparada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, que visitou a Coreia do Norte em Abril passado, e após as recentes viagens dos guarda-costas e do pessoal cerimonial de Xi à capital norte-coreana.

“O Governo está a acompanhar de perto os movimentos relacionados” com a possível viagem de Xi para se reunir com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, afirmou o gabinete presidencial à agência de notícias EFE, antes de acrescentar que espera que os intercâmbios entre Pyongyang e Pequim “se realizem de forma a contribuir para a paz e a estabilidade na península coreana”.

Já o ministro da Unificação sul-coreano, Chung Dong-young, afirmou, ainda de acordo com a Yonhap, estar “à espera” de um anúncio oficial de Pequim relativamente à visita, expressando a expectativa de que Xi e Kim abordem uma possível cimeira entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, caso se encontrem.

Vizinhos sintonizados

A China é o parceiro mais importante da Coreia do Norte, e Kim reuniu-se com Xi em Setembro do ano passado em Pequim. Os líderes reafirmaram então os laços, num encontro interpretado como uma tentativa de restabelecer a sintonia entre Pyongyang e Pequim, no contexto da crescente cooperação militar norte-coreana com Moscovo na guerra na Ucrânia.

As expectativas de uma viagem de Xi a Pyonyang, que, a confirmar-se, será a segunda visita como presidente após a visita realizada em 2019, surgem na sequência do recente encontro do líder chinês com os homólogos norte-americano, Donald Trump, e russo, Vladimir Putin.

Trump e Xi confirmaram, durante a cimeira em Pequim, na semana passada, o objectivo comum de desnuclearizar a Coreia do Norte. Além disso, o republicano afirmou ter mantido a comunicação com Kim Jong-un, sem detalhar esses supostos contactos.

CURB | Fotografias vencedoras de concurso exibidas na próxima semana

Já são conhecidas as imagens vencedoras do mais recente concurso de fotografia de arquitectura organizado pelo CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, e que serão exibidas numa exposição a partir do próximo dia 30 de Maio, na Ponte 9, com a cerimónia de lançamento a começar às 17h.

Nicholas Mok arrecadou o primeiro prémio na categoria “Grupo Aberto”, seguindo-se Ip Man Heil no segundo lugar e Chan Peng Nam em terceiro. O júri do concurso atribuiu ainda menções honrosas a Chan Ka Fong, Ip Man Hei e Nelson Silva, entre outros. Na categoria “Grupo de Estudantes” venceu Yeung Hou Sam, seguindo-se Huang Jonson e Dong Laingyu no segundo e terceiro lugares, respectivamente. Também nesta categoria foram atribuídas diversas menções honrosas.

Aquela que foi a quinta edição do Concurso de Fotografia Arquitectónica de Macau mostra a “relação entre pessoas e o ambiente construído de Macau”, tendo sido recebidos 306 fotografias apresentadas a concurso por 143 participantes. O CURB diz que os trabalhos “foram avaliados por um painel de jurados experientes que seleccionaram as melhores fotografias para o tema deste ano, tendo em conta a sua qualidade artística e técnica e a originalidade da visão”.

A exposição pode ser vista até ao dia 20 de Junho. Este concurso “desafiou os participantes a explorar a relação entre as pessoas e o espaço, e a captar os momentos em que a arquitectura ganha vida”, explica o CURB.

FAM traz, em Junho, sessão adicional de “A Dinastia Dela”

O Festival de Artes de Macau (FAM), que este ano conta com a 36.ª edição, apresenta a 26 de Junho uma sessão adicional do espectáculo “A Dinastia Dela”, do Teatro Nove de Pequim, a partir das 19h45. Este espectáculo foi “calorosamente recebido pelo público”, destaca o Instituto Cultural (IC), em comunicado, e por isso ganha mais uma sessão. Os bilhetes estão disponíveis para venda a partir de amanhã.

Entretanto, este fim-de-semana o FAM apresenta a peça em patuá “Agora Como? (E Agora?)”, dos Dóci Papiaçam di Macau, bem como os espectáculos “Duo de Dança”, da Companhia de Dança Teatro Jolda, do Cazaquistão; e ainda “Eterna Juventude 2.0”, da companhia local Teatro de Lavradores.

O espectáculo “Duo de Dança” apresenta-se hoje e amanhã no Estúdio II do Centro Cultural de Macau (CCM), “oferecendo um festival de dança que transcende fronteiras e épocas”, enquanto que “Eterna Juventude 2.0” é revelado ao público no sábado e domingo, no pequeno auditório do CCM.

Esta peça estreou na 17.ª edição do FAM, em 2006, e regressa agora para uma nova versão. A obra foi reescrita e dirigida pelo conceituado dramaturgo de Macau Lawrence Lei, tendo produção de Jacky Li, membro fundador da companhia, que partilha o palco com a actriz local Carmen Kong.

No domingo acontece, na sala de conferências do CCM, a “sessão de partilha” em torno deste espectáculo com a presença de Lawrence Lei, que “irá falar sobre o seu processo de reescrita do guião”, e os actores Jacky Li e Carmen Kong, que “partilharão as suas experiências de representação”.

Iao Hon em festa

Destaque ainda para a actividade adicional, integrada no FAM, “Mostra de Espectáculos ao Ar Livre”, que decorre entre hoje e domingo no Jardim do Mercado do Iao Hon, com apresentações de “vários grupos artísticos locais e do Interior da China”, nomeadamente a Companhia de Artes de Quanzhou Um-Seis, de Fujian e a Equipa Cultural Étnica do Condado de Ximeng, de Yunnan.

A apresentação do grupo de Fujian representa “o ponto de partida da Rota Marítima da Seda”, enquanto a actuação do grupo de Yunnan revela a história e a cultura da “Rota da Seda do Sudoeste”, apresentando-se “diversas manifestações do património cultural intangível”.

O IC acrescenta ainda as apresentações de grupos de Macau como o Grupo de Teatro Infantil Miúdos Ratões, a Associação de Cultura e Arte Nacional Chinesa, o Own Theatre e a Casa de Portugal em Macau.

Domingo, a partir das 10h, acontece no mesmo jardim o “Workshop de Dança Folclórica da Etnia Wa”, com acesso gratuito, enquanto que às 14h30 começa, no auditório do Centro de Actividades do Iao Hon, o “Criatividade à Solta – Workshop de Representação e Narrativa para Famílias”. A ideia, nesta sessão, é “orientar os participantes de todas as idades na co-criação de um espectáculo animado e cheio de surpresas”.

Literatura | Livro sobre obra de Rodrigo Leal de Carvalho apresentado amanhã

Decorre amanhã, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), a apresentação da obra que olha à lupa a escrita de Rodrigo Leal de Carvalho, autor profundamente ligado a Macau. “Rodrigo Leal de Carvalho: Dois Olhares sobre a sua Obra”, de Dora Gago e Anabela Freitas, pretende “relançar o debate sobre a obra romanesca” do autor, que também foi juiz

“Rodrigo Leal de Carvalho: Dois Olhares sobre a sua Obra” é o nome do livro da autoria de Dora Gago e Anabela Freitas que é apresentado amanhã no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), a partir das 15h. Segundo um comunicado da editora, Letras Lavadas, trata-se de uma edição que visa “redescobrir Rodrigo Leal de Carvalho” e lançar o “debate sobre a sua obra romanesca”. A apresentação estará a cargo de Ana Paula Laborinho.

Segundo a mesma nota, a obra “propõe uma revisitação crítica ao percurso literário de Rodrigo Leal de Carvalho, autor que publicou os seus oito romances já depois dos cinquenta anos e que, apesar de ter conquistado leitores atentos e o reconhecimento de vários críticos, não obteve a visibilidade mediática proporcional ao mérito da sua escrita”.

Todas as obras do autor foram editadas pela Livros do Oriente, fundada por Rogério Beltrão Coelho, destacando-se títulos como “A Mãe” ou “Requiem por Irina Ostrakoff”. No caso do livro apresentado amanhã, Dora Gago e Anabela Freitas “analisam a recepção da sua obra e destacam a singularidade da voz literária” de Leal de Carvalho, nascido nos Açores.
Propostas aos leitores

Este livro “conduz o leitor ao universo romanesco de um escritor terceirense que mergulhou profundamente na complexidade de um território distante, transformando-o em matéria narrativa rica e envolvente”. Desta forma, o que as autoras propõem são leituras que “oferecem novas perspectivas sobre a obra do autor e incentivam a redescoberta de um nome que merece maior presença no panorama literário contemporâneo”.

Este é um livro que traz “um contributo relevante para o estudo da literatura produzida no espaço lusófono e para a valorização de um autor cuja obra continua a despertar interesse e a justificar novas abordagens críticas”, refere a editora.

Rodrigo Leal de Carvalho faleceu em Janeiro deste ano aos 93 anos, tendo sido, mais do que escritor, juiz, Procurador da República e Presidente do Tribunal de Contas de Macau. Nascido na Praia da Vitória, na ilha Terceira, Açores, em 1932, Leal de Carvalho formou-se em Direito na Universidade de Lisboa, em 1956, ingressando de seguida na magistratura.

O juiz começou por trabalhar como delegado-interino na ilha do Pico, mas em 1959 foi para Macau, onde viria a viver boa parte da vida, com passagens por Lisboa e pelas então colónias portuguesas da Guiné, Angola e Moçambique.

Já depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, Leal de Carvalho regressou mais uma vez a Macau, em 1976, como Procurador da República.

Em 1995, foi nomeado juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça e, no ano seguinte, liderou a comissão que organizou as últimas eleições para a Assembleia Legislativa de Macau sob administração portuguesa. Já em 1996, tornou-se presidente do Tribunal de Contas de Macau, posto que ocupou até às vésperas da transferência da administração da região para a China, em 1999.

Foi em Macau que Leal de Carvalho se estreou como romancista, em 1993, com a publicação de “Requiem por Irina Ostrakoff”, livro que lhe valeu o prémio do Instituto Português do Oriente, no ano seguinte, e que acabou por ser traduzido para chinês, em 1999, e para búlgaro, em 2002.

Seguiram-se os romances “Os Construtores do Império” (1994), “A IV Cruzada” (1996), “Ao Serviço de Sua Majestade” (1996) e “O Senhor Conde e as suas Três Mulheres (1999)”. Já regressado a Portugal, o juiz continuou a escrever sobre a região chinesa, nomeadamente em “A Mãe”.

Leal de Carvalho publicou ainda “O Romance de Yolanda” (2005), a história de uma macaense que aceita casar-se com um milionário filipino perseguido pela polícia para este obter nacionalidade portuguesa. O último livro do autor foi “As Rosas Brancas de Surrey” (2007). Com Lusa

Desaparecimento | Homem apresentou falsa queixa

A Polícia Judiciária (PJ) revelou o caso de um homem com 41 anos que fez uma queixa falsa, ao denunciar o desaparecimento de um “amigo”. Após a denúncia, a PJ começou a investigar o caso, e seguiu o rasto dos dois homens no Cotai, onde tinham estado hospedados.

No entanto, a versão da queixa não correspondia à realidade, uma vez que as imagens de videovigilância mostravam os dois homens a entrarem e a saírem do quarto regularmente, o que o queixoso não tinha revelado. Por esse motivo, a PJ chamou o denunciante outra vez, para confirmar o relato.

No entanto, o queixoso confessou que tinha feito uma queixa falsa, com o objectivo de encontrar o amigo, que se tratava de um homem que tinha conhecido recentemente e que tinha fugido, depois de lhe furtar 30 mil dólares de Hong Kong em fichas de jogo. A PJ está também a investigar a possibilidade de os dois homens estarem envolvidos em actividades ilegais de troca de dinheiro.

Crime | Detida por ficar com telemóvel achado

Uma mulher foi detida depois de se ter apropriado de um telemóvel deixado esquecido num supermercado. O caso foi divulgado ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e citado pelo jornal Ou Mun. De acordo com os contornos divulgados, o crime aconteceu no dia 15 de Maio, quando a detida, uma trabalhadora não-residente das Filipinas, entrou num supermercado, na Taipa, e viu um telemóvel no balcão de pagamentos.

A mulher apropriou-se do aparelho. No entanto, a proprietário do equipamento, que era igualmente uma trabalhadora não-residente das Filipinas, apresentou queixa junto da polícia, e declarou que o telemóvel estava avaliado em 3.500 patacas. Quando a polícia investigou o caso conseguiu identificar a suspeita, pelo que procedeu à sua detenção. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

AMCM | Alerta para portais de phishing a imitar seguradora

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) emitiu um comunicado a alertar para a existência de portais de phishing que se fazem passar pela página oficial da seguradora Companhia de Seguros Popular da China (Hong Kong) Limitada. Portais de phishing são páginas electrónicas feitas a imitar portais oficiais, com a intenção de enganar os utilizadores e levá-los a revelar os dados bancários ou de contas em instituições financeiras.

“A AMCM vem por este meio relembrar o público que, em caso de dúvida sobre qualquer número de telefone e ‘hyperlink’, o público pode utilizar a mini-aplicação “Antiburla” da Polícia Judiciária (PJ) para verificar o índice de risco de burla associado a esse número de telefone e ‘hyperlink’”, foi comunicado. A AMCM indicou também que os utilizadores que suspeitem ter utilizado um portal de phishing devem informar imediatamente a instituição copiada assim como as autoridades.

Junkets | Queixas da concorrência desleal de massas “premium”

Apesar do aumento das receitas dos junkets, o presidente da Associação Profissional de Promotores de Jogo de Macau queixa-se de concorrência desleal e injustiça fiscal. U Io Hung destaca a forma como o segmento de massas premium é operado, incluindo com a concessão de empréstimos

Nos primeiros três meses de 2026, o bacará VIP gerou receitas de 19,8 mil milhões de patacas, segundo dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, resultado que significou uma subida homóloga de 35 por cento.

Apesar da evolução, o presidente da Associação Profissional de Promotores de Jogo de Macau, U Io Hung, queixa-se de concorrência desleal das concessionárias, mais especificamente na forma como operam o segmento massas premium.

Em declarações ao jornal Ming Pao, o dirigente associativo salientou que as concessionárias começaram a emitir notas de crédito para grandes apostadores (markers), comportamento semelhante ao praticado pelos junkets, e um dos motivos que as autoridades terão usado para justificar o aperto ao jogo VIP.

Além destes créditos, U Io Hung argumenta que a obrigatoriedade de pagar 5 por cento de imposto sobre as comissões pagas a promotores de jogo coloca o sector numa situação de desvantagem, uma vez que os créditos concedidos pelas concessionárias a jogadores premium não estão sujeitos a taxação.

Lugar ao sol

O representante dos promotores de jogo revelou também que irá tentar que seja concedido ao sector isenções fiscais que estão previstas na legislação. A lei que regula a exploração de jogo em Macau prevê a possibilidade de o Chefe do Executivo isentar parcialmente o pagamento do imposto sobre as comissões por um período não superior a cinco anos, desde que não exceda 40 por cento do valor a pagar.

Para lá das operações, U Io Hung indicou que a criminalização das trocas de dinheiro para jogar modificou o ambiente nas imediações das áreas de jogo, aumentando a violência dos delitos. O dirigente indicou ao Ming Pao que a indústria do jogo passou a ser afectada por outros crimes, como roubos através de transferências bancárias forçadas, usura e burlas. Uma evolução que, na sua óptica, deve ser endereçada pelas autoridades.

O sector do jogo VIP tem sofrido grandes impactos desde a campanha que culminou na condenação de director executivo da Suncity Alvin Chau, altura em que as licenças de promotores de jogo em Macau caíram de 85 para 18. De acordo com dados da DICJ, o número de licenças tem recuperado e atingiu 31 no final de Março deste ano. Ainda assim, permanece aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50.

Inquérito | Residentes crêem precisar de 6,6 milhões na reforma

Os residentes aspiram reformar-se aos 62 anos de idade, e acreditam precisarem de 6,6 milhões de patacas para o resto da vida. Um inquérito encomendado pela seguradora FWD mostra que a maioria dos residentes está pressionada face ao ritmo de crescimento das suas poupanças

Os residentes de Macau têm a expectativa de se reformar aos 62 anos e acreditam que com 6,6 milhões de patacas em poupanças podem enfrentar a vida pós-trabalho. A conclusão consta de um inquérito apresentado pela seguradora FWD, sobre os planos de reforma dos residentes da RAEM e de Hong Kong.

Segundo o inquérito, citado pelo portal Macau News Agency, 64 por cento dos 1.008 residentes de Macau e Hong Kong inquiridos afirmou sentir-se “ansioso, preocupado ou a tentar lidar com” o estado das suas finanças pessoais.

As respostas mostram um sentimento generalizado de inquietação em relação às poupanças. O inquérito foi encomendado pela seguradora a uma empresa de estudos com os inquiridos a situarem-se numa faixa etária entre os 21 e os 65 anos.

Entre aqueles que reconheceram estar sob pressão financeira, 58 por cento apontaram como principal causa da preocupação o aumento continuo do custo de vida. Ao mesmo tempo, 48 por cento indicaram estar preocupados com o custo da saúde e 47 por cento reconheceu estar a ter problemas para lidar com o facto de não conseguir poupar dinheiro suficiente para ter uma reforma “confortável”.

Apesar do montante indicado de 6,6 milhões de patacas, os responsáveis apontam que pode haver uma discrepância entre o dinheiro indicado e os gastos reais. “Num contexto de inflação crescente e em que há um aumento das despesas com cuidados de saúde, surge uma situação potencial para se verificar uma discrepância entre as poupanças para a reforma previstas pelo público e as suas necessidades reais de poupança”, afirmou Ken Lau, director-geral da FWD para a Grande China e director executivo em Hong Kong, num comunicado. “Este risco de longevidade não deve ser ignorado”, alertou.

Jovens preocupados

Os resultados mostram também que os jovens adultos são cada vez mais exigentes quanto ao dinheiro que consideram ser necessário para a vivência pós-profissional. Os inquiridos com idades entre os 21 e 29 anos afirmaram terem planos para se reformarem aos 60 anos e necessitarem de cerca de 7,8 milhões de patacas para a reforma. A média quando são considerados todos os inquiridos é mais baixa, e fixa-se nos 6,6 milhões de patacas.

Ao mesmo tempo, os residentes com idades entre os 30 e 44 anos admitem terem problemas para conseguirem lidar com o facto de terem de contribuir ao mesmo tempo para as despesas com os pais e os filhos. Cerca de 71 por cento afirmaram abdicarem das suas poupanças pessoais, para cuidar da família.

Ao mesmo tempo, 57 por cento das pessoas com idades entre os 30 e 44 anos confessou que gasta mensalmente pelo menos 20 por cento do orçamento para pagar despesas com os pais e os filhos. Já as pessoas com idades entre 45 e 62 anos, 62 por cento afirmaram estarem preocupados com o facto de as suas poupanças não estarem a crescer ao ritmo necessário para cobrir as despesas da reforma.

Veterinários | Mais de 150 licenças desde 2024

Desde 2024, mais de 150 pessoas obtiveram acreditação profissional de médico veterinário, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), em resposta a uma interpelação da deputada Loi I Weng.

Adeputada procurava saber que medidas têm sido tomadas para promover a formação dos veterinários locais. Em resposta a esta questão foi explicado que o IAM e o Conselho Profissional de Medicina Veterinária (CPMV) “têm promovido activamente a participação do sector em diversas actividades de desenvolvimento profissional”. Além disso, desde 2024 “foram realizadas três edições consecutivas da Conferência dos Médicos Veterinários da Grande Baía com os serviços competentes, associações do sector e instituições académicas da província de Guangdong, no sentido de ajudar os médicos veterinários de Macau a acederem aos recursos da Grande Baía”.

Sobre a possibilidade de os padrões de formação serem alterados no futuro, o IAM apontou que vai “manter uma boa comunicação com o sector e aperfeiçoar constantemente o modelo, o conteúdo e as exigências do regime de formação profissional, injectando uma nova dinâmica no desenvolvimento sustentável do sector”.

Turismo | Andy Wu dá voto de confiança ao novo plano quinquenal

O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, considera viável o objectivo do 3º Plano Quinquenal que prevê um crescimento de 5 por cento ao ano do número de turistas internacionais

A Associação de Indústria Turística de Macau acredita que os objectivos do novo Plano Quinquenal do Governo ao nível do turismo são “viáveis”. A posição sobre o plano para os anos entre 2026 e 2030 foi tomada pelo presidente da associação, Andy Wu Keng Kuong, em declarações ao jornal Ou Mun.

O documento que foi colocado em consulta pública na terça-feira estabelece como metas para o turismo um crescimento anual de cinco por cento do número de turistas internacionais até 2030 e a “expansão das fontes internacionais de turismo”. Em termos de metas qualitativas, o documento contempla objectivos menos mesuráveis como a “melhoria da qualidade do desenvolvimento do turismo”. Ainda assim, na perspectiva do presidente da associação, as metas são “pragmáticas” e “viáveis” e existe confiança na indústria que vai ser possível aumentar o número de turistas internacionais.

Andy Wu explicou que as previsões do Governo para este ano apontam que Macau deverá receber cerca de 3 milhões de turistas internacionais, o nível de 2019, antes da pandemia da covid-19, que levou o Executivo a impor forte restrições de entrada no território. Em 2025, o número de turistas internacionais foi de 2,75 milhões, cerca de 90 por cento dos níveis de 2019.

Face a esta evolução, o dirigente associativo explicou que a tendência actual é “encorajadora”, mesmo se alguns mercados internacionais mais tradicionais, como a Coreia do Sul e o Japão, tenham apresentado uma recuperação mais lenta. A retoma nestes mercados foi justificada com “o ambiente económico internacional”. No entanto, Andy Wu apontou que o número de turistas de outros destinos, como a Rússia, Filipinas e outros países do Sudeste Asiático têm compensado o menor crescimento dos mercados tradicionais.

Desafios por ultrapassar

No entanto, para alcançar os resultados, Andy Wu defende o reforço da cooperação do Governo com companhias aéreas internacionais e resolver o problema da falta de voos para Macau. Wu explicou que a falta de voos directos de destinos internacionais para Macau continua a ser um problema crónico, sem resolução, principalmente ao nível dos voos com longa duração. Para o presidente da associação, esta é mesmo a principal fragilidade ao nível do turismo.

O dirigente associativo demonstrou ainda apoio à nova estratégia do Executivo de tentar melhorar as ligações com os grandes centros de aviação do Interior da China, como Xangai ou Pequim, para atrair visitantes que utilizam esses aeroportos para viajar para Macau. Como parte desta estratégia, Wu apontou que se podem atrair mais turistas da Rússia para Macau.

Zona A | Associação pede melhores infra-estruturas e planeamento

Wong Kin Chong, presidente da Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau, defendeu uma melhoria de infra-estruturas na Zona A dos Novos Aterros tendo em conta o plano do Governo para criar um distrito comercial atractivo.

Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, o responsável defende que, nesse planeamento, devem ser tidos em conta critérios como a inclusão de negócios conhecidos do público, o alargamento do período de isenção de rendas, a simplificação dos processos de licenciamento e melhoria de carreiras de autocarros ou da oferta de parques de estacionamento.

Wong Kin Chong defendeu estas ideias tendo em conta a abertura do concurso público para a concessão de cinco espaços comerciais no edifício Tong Kai, na Zona A. O período de candidaturas termina hoje. O responsável disse que a Zona A não é ainda conveniente em termos de acessos de trânsito, além de não existir um planeamento claro, o que faz com que muitos comerciantes hesitem na hora de submeter candidaturas às lojas.

Por seu turno, os primeiros comerciantes a apostar na zona, nomeadamente duas empresárias que abriram um supermercado e uma farmácia, disseram à Rádio Macau terem esperança no desenvolvimento da Zona A, embora actualmente poucos residentes morem no local, resultando no fraco retorno no investimento feito no negócio.

Os comerciantes também apontaram que as obras do Metro Ligeiro impedem o acesso entre lojas e outros edifícios de habitação económica, pelo que esperam que o Governo melhore acessos e pondere alargar o período de isenção do pagamento de rendas.

Cabo Verde | Novo líder quer reforçar cooperação

O presidente do PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde) e próximo primeiro-ministro de Cabo Verde, Francisco Carvalho, afirmou ontem à Rádio Macau, que pretende reforçar a cooperação com Macau e o Interior da China. Nas declarações, o futuro líder de Cabo Verde disse querer mais apoio chinês ao seu país.

Em relação à área empresarial, Francisco Carvalho mostrou-se aberto à entrada de mais empresários chineses em Cabo Verde. O sector dos transportes poderá ser uma das áreas que deverá impulsionar o reforço da cooperação.

O PAICV, liderado por Francisco Carvalho, venceu as eleições legislativas de domingo com maioria absoluta, elegendo 37 dos 72 deputados. No segundo lugar ficou o MpD, partido ligado ao actual primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que elegeu 33 deputados. A UCID elegeu dois deputados.

MID | Empresa visita Brasil para promover MTC

A Macau Investimento e Desenvolvimento (MID), empresa constituída com capitais da RAEM, enviou uma delegação ao Brasil para uma visita com a duração de 10 dias.

A comitiva ligada ao Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau é chefiada pelo administrador Zhang Haihong, de acordo com a informação divulgada pela MID. Durante a visita são esperados encontros com o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

No primeiro encontro, vai ser assinado um memorando de entendimento com o CFF, que se espera impulsione a “internacionalização da indústria de medicina tradicional chinesa (MTC)” e promova “o intercâmbio e a cooperação na área da saúde e medicina entre Guangdong, Macau e os países de língua portuguesa”.

No entanto, o primeiro encontro da delegação foi com o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. Segundo a versão oficial, nessa reunião Zhu “manifestou o seu reconhecimento pelos resultados alcançados pelo Parque Industrial na promoção da entrada de produtos e técnicas de MTC no mercado brasileiro, e manifestou o apoio ao aprofundamento da cooperação entre o Parque Industrial e as entidades reguladoras da saúde brasileiras”.

Por sua vez, Zhang Haihong “apresentou os progressos dos trabalhos de internacionalização da MTC realizados pelo Parque Industrial” e abordou questões como o registo de produtos de MTC, o intercâmbio técnico e a promoção no mercado.

Tabagismo | Macau inspira campanha em Hengqin

A experiência de Macau no combate ao tabagismo deve servir de modelo para a Grande Baía, segundos as autoridades de Hengqin. Inspirado nas políticas da RAEM, o Executivo da Zona de Cooperação lançou uma campanha para sensibilizar a população para os perigos do tabaco

Em jeito de celebração do Dia Mundial Sem Tabaco, que se celebra a 31 de Maio, o Executivo da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin lançou uma campanha de sensibilização sobre os malefícios do tabaco inspirada nas políticas de Macau. “Construir em Conjunto uma Hengqin sem Fumo” arrancou na quarta-feira e irá estender-se até 19 de Junho, com sessões informativas sobre os malefícios do consumo de tabaco em escolas e zonas comunitárias. A campanha irá também incluir palestras e a instalação de “estações para consulta e redução de danos” para fumadores.

A Direcção dos Serviços de Assuntos de Subsistência de Hengqin indicou que cerca de 30 estabelecimentos assumiram compromissos para converterem os seus espaços em zonas livres de fumo. Importa referir que o consumo de tabaco no Interior da China é prevalente, incluindo em Zhuhai, sendo normal uma casa de banho pública aparentar o ambiente de uma sala de fumo.

As autoridades de Hengqin indicaram também que vão apresentar as medidas mais recentes implementadas em Macau, mas também trabalhos que ganharam na última década concursos de pintura para promover entre os jovens de Macau uma vida “Sem Fumo e Sem Álcool”.

Pérola na Baía

Na sessão de apresentação da campanha, Fong Fong Tan, directora dos Serviços de Assuntos de Subsistência de Hengqin, afirmou que a Grande Baía irá aprender com as “experiências avançadas” de Macau no controlo do tabagismo. Com essa inspiração, a também directora da Comissão Nacional de Campanhas Patrióticas de Saúde garantiu que irá realizar “campanhas publicitárias de controlo do tabagismo, assim como informar fumadores para a obrigação de respeitarem as proibições de fumar em locais públicos e convencê-los a deixarem de fumar o mais rapidamente possível”.

Recentemente, o Governo da RAEM lançou um programa-piloto para zonas na via pública nas imediações do Parque do Dr. Carlos d’Assumpção, no NAPE, em que é proibido fumar, excepto numa cabine.

Além disso, no ano passado, as infracções à lei de controlo do tabaco e álcool aumentaram mais de um quarto, 27,9 por cento, com quase todas as irregularidades associadas ao tabaco. A esmagadora maioria das violações da lei foi cometida por fumadores, com 5.008 casos, mais 1.064 face a 2024, um aumento de 27 por cento, o que significa uma média diária superior a 15 multas por dia.

Diogo Lopes Teixeira, arquitecto e professor na USJ: “Estamos a aquecer as nossas cidades”

Arquitecto, co-fundador do atelier “Hori-zonte”, no Porto, e professor convidado na Universidade de São José, Diogo Lopes Teixeira foi considerado um dos melhores arquitectos europeus com menos de 40 anos nos “Europe 40 Under 40”. Em entrevista, chama a atenção para a importância do bambu e alerta para o excesso do ar condicionado

Qual o significado deste prémio para a sua carreira?

O prémio parte de candidatura feita em definição com os meus dois sócios. É, obviamente, importante, porque traz sempre motivação e confirma um bocadinho daquilo que estamos a tentar fazer com a nossa profissão, mais especificamente nós, como arquitectos mais ligados à área da sustentabilidade. O reconhecimento do trabalho que temos feito dá-nos motivação para continuar, para o fazer ainda melhor. É um privilégio ser reconhecido num grupo restrito de 40 arquitectos na Europa que têm feito um trabalho ligado à inovação e a alguns projectos de sustentabilidade. Mas nós damos aulas ou estamos ligados a algumas universidades, como a Universidade de São José (USJ) de Macau. Portanto, vestimos sempre a camisola em equipa, ainda que haja alguns momentos individuais.

Como tem corrido a experiência de docência na USJ?

Somos professores convidados. O primeiro contacto foi em 2024 através do professor Filipe Afonso, que é nosso colega e amigo. Tem sido uma boa experiência, e no meu caso acompanhei alunos no processo de desenhar e concorrer a um concurso que costumam fazer para desenhar um pavilhão em bambu, explorando [a utilização] de software e tecnologia. Foi um concurso aberto não apenas a pessoas de Macau, Hong Kong ou China, mas de todo o Sudeste Asiático, e o projecto ganhou.

Em termos de formação em arquitectura, os cursos são relativamente recentes. Como olha para o panorama do ensino de arquitectura no território?

A nossa experiência é muito recente, mas o que posso dizer é que, obviamente, é importante que os habitantes de Macau, que vivem a cidade todos os dias, consigam ter uma palavra sobre o seu desenvolvimento, seja num plano mais público, ao nível de infraestruturas e do urbanismo, mas também no desenho dos próprios edifícios e espaços interiores onde habitam. Nós, como escritório de arquitectura focado na sustentabilidade e no reconhecimento do local, achamos que a parte de identidade é muito importante. É preciso entender o local onde vivemos, e este tem muito a ver com o clima, os materiais disponíveis, os tipos de vida. Portanto, eles próprios são os melhores agentes da transformação da cidade. Existe uma série de talentos e arquitectos que podem ter uma palavra a dizer na transformação das cidades.

O seu trabalho foca-se na ideia da arquitectura sustentável. Como encara o uso do bambu, a sua preservação e papel em termos de sustentabilidade?

Quando comparamos com a Europa a maioria das estruturas e andaimes são feitos em bambu, e é algo que, para nós, não é concebível, porque estamos habituados às estruturas metálicas que ocupam a paisagem das cidades durante os anos em que os edifícios estão em construção. É uma pena que os andaimes em bambu não possam ser usados como uma estrutura permanente. Por exemplo, se tivermos de formular a imagem de um edifício, e se vai ser construído o andaime em bambu, porque não pensar numa forma em que este possa servir de base para, por exemplo, as varandas do edifício no futuro, ou como parte integrante da estrutura. Da nossa experiência, com o densificar das cidades e a necessidade de construir mais em altura, tecnologias e instrumentos como o bambu não são os mais apropriados, ou passam a ficar um bocado em desuso. Há também menos pessoas especializadas para o fazer. As universidades, e estes concursos, são importantes para sensibilizar as pessoas de que existe aqui um material que faz parte de uma cultura e que poderá ser introduzido, se calhar não em edifícios com grande altura e escala, mas noutros projectos.

É cada vez mais importante a arquitetura sustentável? Ainda estamos longe dos padrões ideais?

Sim, tendo em conta o objectivo que achamos que deveria existir num sector muito poluente. O sector da construção contribui cerca de 40 por cento para a emissão de gases e efeitos de estufa para atmosfera, e devia tentar olhar para aquilo que constrói uma pegada neutra, que deve ser dividida em dois parâmetros. Um deles é a energia, no sentido em que devemos pensar que os nossos edifícios são energicamente neutros e produzem energia suficiente para as necessidades em termos de manutenção, evitando-se gastos energéticos muito grandes. [Falo também] nas escolhas de sistemas de construção e materiais, que devem ser o mais neutros possível. Obviamente que o mercado não está 100 por cento preparado para isso, devendo existir legislação e apoios, ou incentivos fiscais.

Como estes apoios podiam ajudar, na prática?

No sentido em que novos materiais de base natural poderiam vir ao de cima e ser mais recorrentes no mercado. Isso ainda não acontece e há um caminho grande a fazer, porque é preciso perceber o que existe neste momento no nosso parque edificado. Há um comparativo engraçado entre a cidade de Lisboa, onde muitos edifícios não são dotados de isolamento ou de boas janelas e não têm sistemas de climatização, então há muitos ares condicionados espalhados no exterior do edifício. Esta imagem é ainda mais presente em Macau. É importante perceber que estes sistemas e as renovações que são feitas aos edifícios são prejudiciais também para o exterior.

Em que sentido?

Se colocarmos máquinas exteriores que não são bem dimensionadas ou bem feitas, ou se o projecto não for bem feito, estamos a aquecer ar exterior, ou seja, a retirar ar quente do interior das habitações e a colocá-lo no exterior. Estamos a aquecer as nossas cidades, e depois se precisamos de ir buscar ar fresco ao exterior, ele está mais quente do que deveria estar, além da poluição que já existe. Em Macau, e em muitas áreas da China, essa é uma imagem recorrente, vemos edifícios completamente cheios de máquinas de ar condicionado, e as temperaturas, bem como os níveis de humidade, são muito altos nestas localizações.

Desenvolveu dois projectos na China, um deles o “Park Greenhouse Garden”, em Xangai, e o “Taiyuan Botanical Garden”, onde decerto terá desenvolvido a ideia da arquitectura mais amiga do ambiente? Teve margem para explorar novas coisas nesta área?

Há princípios adoptados que são muito importantes e destaco dois. Houve a intenção de desenhar um edifício que fosse menos dependente de infra-estruturas exteriores e que pudesse produzir o máximo de energia possível. Portanto, é um edifício com muitos painéis solares e que consegue produzir muita energia para a sua manutenção. São projectos interessantes. Não é algo comum hoje em dia na Europa, mas são, praticamente, museus de plantas que criam atmosferas diferentes. Há um espaço dedicado a plantas suculentas, com um clima mais árido, tipo deserto, e temos um pavilhão com esse tipo de ecologia. Temos depois um pavilhão mais tropical, que já implica ter a vegetação do Sudeste Asiático, e aí conseguiu-se que o edifício fosse bastante neutro nesse aspecto. A outra questão é o facto de se situar numa zona onde foi a Expo de Xangai, muito central da cidade, mas desabitada, com muitos edifícios devolutos. Assim, este edifício [Park Greenhouse Garden] surge numa infra-estrutura existente que foi reaproveitada para introduzir um novo programa. Há esta ideia de circularidade, de aproveitar algo que estava lá, mas que não tinha função, para se adaptar e receber pessoas. Ao mesmo tempo, acompanhou-se a recriação de um parque urbano na zona. Estes dois fenómenos aproximam-se muito daquilo que gostamos de fazer, ou do que achamos que pode ser um projecto mais sustentável.

Arquitectura é mais do que construir para habitar, é preciso também ter sensibilidade para o fazer. Como define a sua profissão?

A arquitectura é o palco de muitas actividades humanas, sejam elas vividas no exterior, nas cidades. Neste aspecto, a arquitectura e o urbanismo andam de mãos dadas. Mas é também palco de muitos fenómenos importantes para a vida das outras pessoas. Portanto, a arquitectura está por todo o lado e acolhe outras dinâmicas e outras funções da vida humana com o desenho dos espaços, sejam eles museológicos, parques, zonas de conforto das pessoas com a introdução de vegetação, onde estas se sintam confortáveis, ou mesmo os próprios edifícios de habitação. Para nós, é importante sentir que temos responsabilidade de desenhar algo para as pessoas utilizarem, onde se possam sentir confortáveis, apelando ao seu bem-estar e conforto quando usam os espaços. Ao mesmo tempo, podermos também balancear isto com o conforto do nosso planeta e com os recursos limitados.

Foi fácil projectar na China? Ou foi desafiante lidar com esse mercado?

O projecto de Xangai fez parte de uma prática profissional anterior minha, quando estava num escritório de arquitectura na Áustria. Existe uma barreira cultural que é preciso compreender e também de comunicação.

Para o prémio “Europe 40 Under 40” concorreu com três projectos, o “Eco Retreat Yuma”, em Setúbal; o “Dome Next Door”, na Letónia; e “Historical Palace Office”, no Porto. Que ligações têm entre si?

São três projectos muito diferentes e que contam histórias diferentes, mas com um propósito comum. O projecto na Letónia é feito em parceria com outras pessoas que são muito próximas. A possibilidade de projectar num território que é património da UNESCO, como é Praça da Catedral de Riga, é muito interessante, porque nos permitiu utilizar materiais locais e ter uma estrutura em madeira, um material mais sustentável. [O projecto foi pensado para] ser palco de actividades que trouxesse de novo as pessoas para o centro da cidade. O centro histórico de Riga é muito bonito, mas pouco habitado pelos habitantes da cidade, sendo muito mais turístico. Criar este parque recreativo, onde as pessoas se possam encontrar, usufruir dele e ter momentos de encontro na sua própria cidade é muito importante. Tentámos recriar muito da arquitectura e património existentes através das formas geométricas dos arcos e com materiais locais. No Porto fizemos a reabilitação de um edifício, e as reabilitações enquadram-se bem na nossa filosofia. Houve um cuidado muito grande para tentar preservar e recuperar parte dos materiais existentes e dar nova vida a um edifício que estava sem função, e que tem também a integração com uma zona verde, introduzindo meios de biodiversidade. Utilizámos materiais locais e com uma baixa pegada [ecológica], como a ardósia, o que se alinha muito com os nossos pressupostos. Depois, o projecto em Setúbal é de turismo ecológico, feito num lugar muito específico e bonito. Houve bastante cuidado na maneira como intervimos no local, tentando ter o mínimo de impacto, com uma construção feita em fábrica, que chegou ao local e que foi pousada. Foi também planeada através de uma leitura muito presente do ambiente e do clima. A forma como se constrói nesta área, podendo-se construir num ambiente em que se respeita a paisagem natural existente, é quase como se o edifício desaparecesse no meio da paisagem.

Vacina contra o vírus Ébola poderá demorar entre seis a nove meses

As doses da vacina potencialmente “mais promissora” contra o vírus Bundibugyo, que está a causar um surto de Ébola na África Central, não estarão disponíveis entre seis a nove meses, afirmou ontem a Organização Mundial de Saúde (OMS), à medida que o número de casos suspeitos subiu para 600.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS, disse numa conferência de imprensa sobre o surto na República Democrática do Congo e no Uganda que, até à data, havia o registo de 139 mortes, mas que os números deverão aumentar.

As autoridades afirmaram acreditar que a doença pode ter começado a propagar-se “há alguns meses”, impulsionada por um “evento super-propagador”, possivelmente um funeral, no início de Maio.

A situação de segurança na província de Ituri, onde mais de 100 mil pessoas foram deslocadas nos últimos meses devido a conflitos armados, complicou os esforços de detecção, afirmou Tedros. Com profissionais de saúde a tentar escapar da violência, as instituições médicas deixaram de conseguir prestar cuidados ou manter a vigilância em possíveis surtos de doenças infecciosas. Outras doenças endémicas da região, como malária e febre tifoide, apresentam os mesmos sintomas iniciais do Ébola, o que também pode atrasar o diagnóstico, acrescentou o responsável.

Compreensão lenta

Tedros afirmou que as críticas à organização por parte do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, que afirmou que a OMS tinha declarado o surto “um pouco tarde”, se baseavam provavelmente numa “alta de compreensão”.

“Talvez, o que o secretário disse, tenha resultado de falta de compreensão em relação ao funcionamento dos Regulamentos Sanitários Internacionais e das responsabilidades da OMS e de outras entidades. Não substituímos o trabalho dos países, apenas os apoiamos”, afirmou Tedros. Recorde-se que a Administração Trump retirou os Estados Unidos da OMS no início deste ano.

Vasee Moorthy, que lidera o plano de investigação e desenvolvimento da OMS, afirmou que a vacina potencial mais promissora contra o Bundibugyo utiliza a mesma base que as vacinas contra o Ébola que visam a estirpe do Zaire. “Não há doses desta vacina disponíveis actualmente para ensaios clínicos. A informação de que dispomos é que isto provavelmente demorará entre seis a nove meses”, afirmou.

Cooperação | Macau e Cazaquistão celebraram acordos judiciais

Macau e Cazaquistão celebraram ontem três acordos judiciais, numa cerimónia em o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, representou a RAEM, e o Procurador-Geral da República, Berik Assylov, representou o Governo cazaque. Os acordos versam sobre auxílio judiciário mútuo em matéria penal, entrega de infractores em fuga e transferência de pessoas condenadas.

O gabinete do secretário para a Administração e Justiça realça que a assinatura dos três acordos “possui um significado bastante especial, pois simboliza o avanço para um novo patamar da relação de cooperação entre os dois lados, além de demonstrar os excelentes resultados obtidos pela RAEM no domínio da cooperação judiciária com o exterior”.

O Executivo salienta que os acordos são nucleares no domínio da cooperação judiciária em matéria penal, e permite a criação de “um mecanismo de colaboração claro e de alta eficiência” para a recuperação de bens furtados, captura de fugitivos, investigação e recolha de provas.

A cooperação foi também aplaudida pela capacidade para combater actividades criminosas transfronteiriças e proporcionar “uma melhor garantia jurídica destinada à cooperação económica e comercial e à circulação de pessoas entre os dois lados”.

Além disso, permitirá que pessoas condenadas regressem ao local de origem com vista ao cumprimento de pena, o que é favorável para a reabilitação e reintegração na sociedade, demonstrando “o espírito humanitário e do Estado de Direito”.

Rua da Felicidade | Música irá animar o fim-de-semana

A Rua da Felicidade e algumas artérias circundantes vão encerrar temporariamente ao trânsito entre hoje e domingo devido à realização de diversas actividades culturais e musicais, assim como para permitir a instalação e desmontagem de um palco.

Hoje e amanhã, no período das 14h30 e 21h30, não será possível circular no troço entre a Travessa do Aterro Novo e Rua da Alfândega, bem como entre sexta-feira e domingo das 12h às 21h30. O troço da Rua dos Mercadores e Travessa do Aterro Novo, entre a Avenida de Almeida Ribeiro e Rua da Felicidade, também estará encerrado ao trânsito nos mesmos horários.

A música começa amanhã, a partir das 18h, com os dj “Room Service” e “Belle”, sendo que no sábado a música começa mais cedo, a partir das 15h30, também com a actuação de “Room Service” e o dj “Mihon Reko”, entre outros eventos.

Um dos pontos altos da agenda deste fim-de-semana na Rua da Felicidade é a actuação do cantor e compositor de Hong Kong Tyson Yoshi, este domingo, a partir das 18h. O cantor, cujo nome verdadeiro é Ben Cheng Tsun Yin, estreou-se no mundo da música em 2018 com o single “To My Queen”.

No domingo haverá ainda actuações dos dj “Room Service” e Mihon Reko. A entrada para os eventos é gratuita.

Badminton | Open de Macau realiza-se entre os dias 16 e 21 de Junho

O torneio “Sands China Ltd. Macau Open Badminton 2026” irá realizar-se na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau, entre os dias 16 a 21 de Junho, anunciou ontem a Sands China.

Este será o terceiro ano consecutivo em que a parceria entre a concessionária de jogo e Federação de Badminton de Macau se alinha com a estratégia governamental “turismo+”, “elevando o perfil internacional de Macau como ‘Cidade do Desporto’, indica a empresa.

Enquanto evento do HSBC BWF World Tour Super 300, o Open de Macau 2026 será composto por cinco provas: Individual Masculino, Individual Feminino, Pares Masculinos, Pares Femininos e Pares Misto. O prémio monetário total do torneio deste ano será de 370 mil dólares americanos (aproximadamente 3 milhões de patacas), o mais elevado da série Super 300 deste ano, sublinhando a influência crescente da competição no panorama desportivo internacional.

O torneio deste ano recebeu inscrições de 390 atletas de 29 países e regiões, dos quais 275 se qualificaram. O alinhamento inclui Jiang Zhenbang e Wei Yaxin, a dupla de pares mistos da selecção chinesa, número 2 do mundo, He Jiting e Ren Xiangyu, a dupla de pares masculinos da selecção chinesa que venceu a Taça Thomas em Maio, Lee Zii Jia, medalhista de bronze da Malásia em singulares masculinos nos Jogos Olímpicos de 2024.

O elenco da competição inclui ainda os jogadores de singulares masculinos Angus Ng Ka Long, de Hong Kong, Teh Jia Heng, de Singapura, Kim Ga-Eun, n.º 16 mundial em singulares femininos da Coreia do Sul, que levou a sua equipa à vitória na Taça Uber, e a dupla tailandesa de singulares femininos Busanan Ongbamrungphan e Pitchamon Opatniputhm.

Os atletas de Macau, Pui Pang Fong, Leong Kok Chong, Pui Chi Chon, Ng Weng Chi e Pui Chi Wa, irão competir em todas as cinco provas do torneio.

Automobilismo | André Couto vai regressar ao troféu Lamborghini

André Couto vai regressar à competição automóvel quando, este fim-de-semana, o Lamborghini Super Trofeo Asia visitar o Ningbo International Speedpark, no Interior da China. Um convite irrecusável de última hora voltou a colocá-lo no papel de piloto

Apesar de não ter um programa desportivo fixo, o piloto português da RAEM mantém-se bastante activo no automobilismo regional, mas neste fim-de-semana vai trocar o papel de driver coach pelo de condutor, assumindo de novo os comandos de um Lamborghini Huracán Super Trofeo EVO2. O troféu asiático da marca de automóveis de luxo de Sant’Agata Bolognese é bem familiar a André Couto: em 2024, venceu a categoria Pro-Am ao volante de um dos espectaculares Huracán da equipa chinesa Madness Racing Team.

O piloto de Macau confessa que o convite lhe “caiu de surpresa”. Desta vez, fará dupla com o experiente piloto chinês Ryan Zexuan Liu, novamente na classe Pro-Am, mas sob as cores de uma equipa diferente: a sul-coreana Lamborghini Bundang by Racegraph. Como o nome indica, a estrutura é apoiada pelo concessionário da marca localizado na zona de Bundang, em Seongnam, nos arredores de Seul.

Troféu com sabor a Macau

Para o vencedor do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 de 2000, este convite representa o reconhecimento do trabalho realizado no troféu monomarca, mas também uma nova oportunidade de brilhar com as cores da marca fundada por Ferruccio Lamborghini que já defendeu noutras paragens como o campeonato japonês Super GT, o Asian Le Mans Series, as 12 Horas de Sepang e até no Grande Prémio de Macau.

“Estou bastante contente por conseguir voltar”, disse André Couto ao HM. “A última vez que corri no troféu Lamborghini foi em 2024, quando ganhámos na Pro-Am. Agora regresso com esta equipa, mas é apenas uma corrida. Veremos como corre e depois logo se vê.”

O Lamborghini Super Trofeo Asia tem proporcionado bastantes alegrias à RAEM. Para além do título conquistado em 2024 por André Couto, no ano passado Charles Leong Hon Chio sagrou-se vencedor da classe Pro ao serviço da local SJM Theodore Racing. Curiosamente, com um calendário bastante abrangente no continente asiático, o Lamborghini Super Trofeo Asia visitou o Circuito da Guia por uma única vez, em 2013, numa corrida ganha pelo italiano Max Wiser.

Xi considera que o mundo corre o risco de cair “na lei da selva”

O Presidente Xi Jinping afirmou ontem que o mundo corre o risco de regredir para a “lei da selva” e elogiou a relação entre a China e a Rússia como uma força estabilizadora a nível global, ao receber ontem Vladimir Putin em Pequim, poucos dias depois de ter recebido Donald Trump.

A recepção ao líder russo decorreu com a respectiva pompa e circunstância, antes do início das conversações no Grande Salão do Povo, no coração de Pequim.

As reuniões de trabalho entre Xi e Putin começaram num “formato restrito”, com menos delegados para discutir questões sensíveis. De seguida, o formato das conversações foi alargado aos restantes membros das duas delegações, terminando por volta das 14h.

De seguida, os dois líderes participaram numa cerimónia de assinatura de vários documentos abrangendo áreas como tecnologia, comércio, investigação científica e propriedade intelectual. Entre os documentos, de acordo com a comunicação social estatal chinesa, encontrava-se uma prorrogação do “Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável China-Rússia”, assinado pela primeira vez há 25 anos.

Elevada qualidade

Em declarações proferidas após a cerimónia de assinatura, Xi afirmou que as relações entre Pequim e Moscovo se encontravam no “mais alto nível de parceria estratégica abrangente”, ao mesmo tempo que exortou ambos os países a oporem-se a “todas as formas de intimidação unilateral” na arena internacional.

As palavras de Xi ecoaram as suas observações iniciais, nas quais afirmou que o mundo corria o risco de regressar à “lei da selva”. Acrescentou que novas hostilidades no Médio Oriente eram “desaconselháveis” e que um “cessar-fogo abrangente é da máxima urgência”, segundo noticiou a comunicação social estatal.

Nas suas observações iniciais, Putin elogiou a relação entre os países como estando num “nível sem precedentes”, e afirmou que Moscovo continua a ser um “fornecedor de energia fiável”. Putin também convidou Xi a visitar a Rússia no próximo ano.

O Presidente chinês deverá receber Putin para um chá em Zhongnanhai, o antigo jardim imperial que agora alberga a sede do Partido Comunista Chinês.