Chongqing | Chuvas intensas fazem 3 mortos e 17 desaparecidos

Pelo menos três pessoas morreram e 17 continuam desaparecidas na sequência das chuvas torrenciais registadas este fim de semana no distrito de Yongchuan, no município da cidade de Chongqing, na China central, informou a agência estatal Xinhua.

Segundo as autoridades de Yongchuan, o balanço referia-se à tarde de domingo, hora local, enquanto os trabalhos de busca e emergência continuam na zona afectada.

Na sequência da cheia de alguns rios da localidade, os comandos de controlo de inundações de Chongqing e do distrito de Yongchuan activaram os seus protocolos e enviaram para o local mais de 400 efectivos das forças de segurança, gestão de emergências e bombeiros para participar nas tarefas de resgate.

As autoridades transferiram preventivamente 168 pessoas em situação de risco e realojaram de emergência outras 82, de acordo com a Xinhua. A televisão estatal CCTV informou que as autoridades centrais chinesas enviaram para Chongqing 10.000 artigos de ajuda, entre os quais tendas, camas dobráveis e lanternas de emergência.

Este episódio soma-se às chuvas torrenciais registadas nos últimos dias noutras zonas do centro da China, que causaram vítimas e danos em províncias como Hubei e Hunan. A China enfrenta todos os anos episódios de chuvas intensas, cheias repentinas e deslizamentos de terra durante a estação das chuvas, especialmente em zonas montanhosas e rurais.

Cimeira | Xi criticou duramente “remilitarização” do Japão

O Presidente chinês, Xi Jinping, criticou duramente a primeira ministra japonesa, Sanae Takaichi, pela “remilitarização” do Japão durante a cimeira com o Presidente norte-americano, Donald Trump, em meados de Maio, reportou o jornal Financial Times (FT).

Citando várias fontes não identificadas com conhecimento da cimeira, o jornal apontou que, durante o encontro, Xi se tornou particularmente vocal e agitado ao abordar o Japão, surpreendendo responsáveis norteamericanos, já que o tema não tinha surgido nas conversações anteriores com os homólogos chineses.

Após Xi ter criticado Takaichi e o aumento das despesas de defesa japonesas, Trump respondeu que Tóquio precisava de assumir uma postura de segurança mais assertiva devido à crescente ameaça da Coreia do Norte.

As relações entre Pequim e Tóquio deterioraramse desde Novembro, quando a China reagiu com indignação às declarações de Takaichi no Parlamento nipónico de que um ataque chinês a Taiwan poderia constituir uma “ameaça existencial” para o Japão, justificando o recurso às suas forças armadas.

Desde então, Pequim tem mantido um tom constante de ataques ao Japão, combinando retórica com medidas concretas, como restrições às exportações de terras raras.

A vaga da IA e os novos desafios: da reforma antecipada a uma transformação para a competitividade sustentável (II)

A semana passada, analisámos o impacto da ascensão da IA generativa nos planos de reforma. Ao longo da última década, a tendência da “Independência Financeira, Reforma Antecipada” (FIRE sigla em inglês) alastrou-se por todo o mundo, com muitos trabalhadores do sector de serviços ambicionando reformar-se cedo e viverem da aposentadoria.

No entanto, desde o aparecimento do ChatGPT em finais de 2022, a velocidade da tecnologia de IA superou largamente as expectativas do mercado, não só na remodelação das estruturas industriais, mas também ao abalar directamente a lógica fundamental do FIRE tradicional e do Coast FIRE.

Confrontados com a transformação provocada pela IA, os trabalhadores administrativos podem proteger-se através de estratégias a três tempos: a curto prazo, a médio prazo e a longo prazo. A estratégia a curto prazo consiste em desenvolver competências de colaboração com a IA, usando-a como uma ferramenta que potencia a eficiência reforçando assim a sua posição no local de trabalho e a sua Imprescindibilidade. A estratégia a médio prazo consiste em optimizar a alocação de bens e usar ferramentas financeiras profissionais para reduzir a dependência exclusiva do salário. A estratégia a longo prazo passa por reformular competências interdisciplinares, abraçando áreas onde a IA tem menos probabilidades de ser usada, como ligações interpessoais, tomada de decisões complexas e serviços que dependem sobretudo do lado emocional.

As áreas profissionais que neste momento são menos afectadas pela IA, como a medicina, o aconselhamento psicológico, o artesanato de alto nível, a advocacia, as políticas públicas governamentais e a consultoria privada especializada, dependem em grande escala do julgamento humano, da confiança interpessoal, da experiência e da adaptabilidade às situações. Embora seja pouco provável que a curto prazo estes sectores sejam completamente assumidos pela IA, enfrentam na mesma três grandes riscos no que diz respeito à reforma: inflação, envelhecimento da população e aumento dos custos da saúde.

As estratégias de aposentação para grupos profissionais estáveis também podem ter abordagens a curto, médio e longo prazo. As estratégias a curto prazo passam pela maximização das ferramentas de protecção estatutária, como o Fundo de Previdência Social da China, o Fundo de Previdência Obrigatório de Hong Kong (MPF, sigla em inglês), seguro de saúde opcional no local de trabalho, e o Fundo de Aposentação Opcional de Macau, que proporcionam diferentes opções de reforma e de protecção de saúde. O MPF de Hong Kong permite aumentar as contribuições mensais de acordo com as necessidades individuais, oferecendo segurança no período da reforma. As estratégias a médio prazo incluem a alocação de activos de rendimento passivo estável, como a aquisição de acções que pagam dividendos trimestrais ou a subscrição de obrigações com retorno fixo. As estratégias a longo prazo consistem na criação de planos de previdência e fundos fiduciários para garantir a cobertura de despesas essenciais futuras, como a compra de um seguro de vida com cobertura de renda vitalícia. Além disso, os colaboradores podem tornar-se consultores do seu sector de actividade, para apoiarem as empresas após a reforma e manterem as suas fontes de rendimento.

Este artigo destina-se apenas à análise de tendências e referência conceptual e não constitui qualquer aconselhamento profissional sobre investimento, gestão financeira ou planeamento de reforma. Por favor, procure um consultor profissional licenciado para todas as decisões financeiras.

Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau

Automobilismo | André Couto fez dois pódios em Ningbo

Como diz o povo, “quem sabe, nunca esquece”, e o convidado de última hora, André Couto, voltou a subir ao pódio no Lamborghini Super Trofeo Asia durante o fim-de-semana passado, no circuito de Ningbo

O piloto português de Macau, que em 2024 triunfou na classe Pro-Am do troféu monomarca da prestigiada marca de automóveis italiana, foi chamado para guiar um dos Huracán Super Trofeo EVO2 da equipa sul-coreana Lamborghini Busan by Racegraph, na pista de Ningbo. Curiosamente, esta foi a primeira vez que o construtor de Sant’Agata Bolognese escolheu este circuito, que pertence ao grupo automóvel chinês Zhejiang Geely Holding Group, para acolher uma das suas jornadas no Interior da China.

Na qualificação, Couto mostrou desde logo para o que vinha e qualificou-se no segundo lugar da geral, apenas atrás do favorito venezuelano Jonathan Cecotto, filho de Johnny Cecotto, vencedor da Corrida da Guia do Grande Prémio de Macau em 1986, ao volante de um Volvo 240 Turbo.

Na primeira corrida do fim-de-semana, Jonathan Cecotto fez um arranque canhão e afastou-se cedo rumo ao triunfo. Atrás dele, seguiu-se uma intensa luta entre André Couto Gustaw Wiśniewski e Peter Li Zhicong, com várias ultrapassagens nas primeiras voltas. Couto acabou por perder terreno no decorrer da corrida devido ao comportamento da sua máquina. Nas paragens obrigatórias, Couto passou o volante ao seu colega de equipa, Ryan Liu Zexuan, que assumiu a liderança da classe Pro-Am. Mais tarde, o piloto chinês perdeu uma posição para o carro da dupla Chris van der Drift e Todd Kingsford, mas cruzou a linha de chegada no quinto posto da geral e num merecido segundo lugar na categoria Pro-Am.

Na segunda corrida, no domingo, Ryan Liu fez o arranque e coube a Couto, que pegou no carro no sexto lugar, subir uma posição, para o quinto posto, levando novamente o carro do concessionário sul-coreano dos arredores de Seul até ao segundo lugar da classe Pro-Am, mais uma vez apenas atrás dos vencedores da classe van der Drift e Kingsford. As duas corridas na sinuosa pista de Ningbo foram vencidas por William Tregurtha e Jonathan Cecotto.

Calor não ajudou

Para o companheiro de equipa de André Couto, a dupla luso-chinesa teve um “desempenho sólido numa participação de última hora, com uma abordagem positiva do início ao fim”. Com experiência em monolugares e carros de GT, Ryan Liu explicou que “registámos a volta mais rápida e mantivemo-nos sempre muito próximos dos pilotos Pro, mostrando bom ritmo em pista. Com mais um ou dois dias de testes e dois jogos de pneus novos para testar, o potencial competitivo seria claramente maior”.

O piloto do Interior da China reconheceu que a sua maior dificuldade foram as elevadas temperaturas que se fizeram sentir durante o fim de semana na província de Zhejiang. “Num carro com cockpit fechado, sem colete de arrefecimento nem ventilação, as temperaturas chegaram facilmente aos 50°C, tornando este desafio ainda mais exigente”, afirmou o piloto chinês.

Pequim defende acordo no Irão que tenha em conta “preocupações de todas as partes”

A China apelou ontem para que “a porta do diálogo” no Médio Oriente não volte a fechar-se e defendeu uma solução negociada que tenha em conta “as preocupações de todas as partes”.

Em conferência de imprensa, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou que “a procura de uma solução através de negociações foi bem acolhida pelos países da região e pela comunidade internacional”.

“Agora que a porta do diálogo se abriu, não deve voltar a fechar-se”, declarou Mao, acrescentando que é necessário consolidar a tendência de distensão, manter a orientação geral de uma solução política e alcançar, através de consultas e diálogo, uma solução que tenha em conta as “preocupações de todas as partes”. A porta-voz destacou também a necessidade urgente de reabrir rapidamente as rotas marítimas, para salvaguardar a estabilidade e fluidez das cadeias globais de abastecimento e produção.

Mao afirmou ainda que Pequim vai continuar a trabalhar com a comunidade internacional para impulsionar as conversações de paz e desempenhar um “papel construtivo” na promoção de uma paz duradoura no Médio Oriente.

Desde o início do conflito, a China tem defendido uma solução através do diálogo e da negociação e, embora tenha condenado os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, pediu também “respeito pela soberania” dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas e económicas.

Avanços e recuos

Órgãos de comunicação social norte-americanos como o Axios e o The New York Times noticiaram que Washington e Teerão podem estar próximos de alcançar um acordo que permitirá reabrir o estreito de Ormuz, levantar sanções contra o Irão, desbloquear fundos iranianos e prolongar a trégua por 60 dias para negociar um pacto nuclear.

As autoridades iranianas negaram já estar iminente um acordo de paz com os Estados Unidos, mas reconheceram avanços nas negociações. Por seu lado, responsáveis norte-americanos continuaram a referir avanços nas negociações e um eventual anúncio iminente de entendimento.

Paquistão | China condena ataque contra comboio e oferece apoio

A China lamentou ontem o ataque contra um comboio suburbano no oeste do Paquistão, no qual morreram pelo menos 29 pessoas, e manifestou disponibilidade para reforçar a cooperação bilateral antiterrorista. Em conferência de imprensa, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, afirmou que a China “condena firmemente” o ataque terrorista e expressou solidariedade com vítimas e familiares.

“A China opõe-se firmemente a todas as formas de terrorismo e continuará a apoiar o Paquistão na luta contra o terrorismo, na manutenção da unidade e estabilidade social e na proteção da segurança da população”, declarou Mao.

O ataque, já reivindicado pelo Exército de Libertação do Baluchistão (BLA, atingiu um comboio perto da passagem de nível de Chaman Phatak, em Quetta, capital da província do Baluchistão, situada a cerca de 125 quilómetros da fronteira com o Afeganistão.

Pelo menos 29 pessoas morreram e 102 ficaram feridas, de acordo com fontes policiais. A agência de notícias France-Presse indicou que o comboio transportava soldados e familiares de Quetta para Peshawar.

O Baluchistão, a maior província do Paquistão em extensão territorial, mas também uma das menos desenvolvidas, é palco há décadas de uma rebelião separatista armada contra o Governo central. A condenação chinesa coincide com a visita oficial de quatro dias que o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, iniciou, no sábado, à China.

Shenzhou23 | Lançada nave com um dos três astronautas que ficará um ano no espaço

A missão, que leva agora três homens para o espaço, faz parte do projecto de enviar astronautas para a Lua até 2030

A China lançou domingo a nave Shenzhou 23 em direcção à estação espacial Tiangong, com três astronautas, incluindo um que permanecerá no espaço durante um ano, passo crucial na ambição de Pequim de enviar seres humanos à Lua até 2030. A nave espacial descolou domingo do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste da China, às 23:08 locais.

Este lançamento surge num momento em que a China se prepara para a sua primeira viagem tripulada à Lua até 2030 e acontece num cenário em que a China intensifica o seu programa espacial. A missão marca também o primeiro voo espacial realizado por um astronauta originário de Hong Kong.

Os astronautas da missão são o comandante Zhu Yangzhu, de 39 anos, engenheiro espacial, Zhang Zhiyuan, também de 39 anos, antigo piloto da Força Aérea, e Li Jiaying, de 43 anos, que trabalhava anteriormente para a polícia de Hong Kong.

A tripulação deverá realizar dezenas de projectos científicos e de aplicação, informou a comunicação social estatal.

Espera-se também que completem uma rotação em órbita com a tripulação da Shenzhou 21, que se encontra na estação espacial Tiangong há mais de 200 dias. Mas a principal particularidade da Shenzhou-23 reside na realização de uma estadia orbital de um ano inteiro por um dos três membros da tripulação.

Esta experiência permitirá, nomeadamente, estudar os efeitos de uma longa estadia em microgravidade. Trata-se de uma capacidade indispensável para a preparação de futuras missões lunares, ou mesmo marcianas.

O astronauta que será seleccionado para esta estadia de um ano será designado posteriormente, em função da evolução da missão Shenzhou-23, indicou no sábado um responsável da Agência Espacial de Missões Tripuladas da China (CMSA, na sigla em inglês). Até agora, as tripulações a bordo da Tiangong permaneceram, em geral, seis meses em órbita, antes de serem substituídas.

Na corrida

A missão Shenzhou-23 insere-se no objectivo chinês de colocar astronautas na Lua antes de 2030, uma corrida que os Estados Unidos também lideram com o seu programa Artemis.

Os equipamentos necessários para esta ambição encontram-se actualmente em fase de testes. A China deverá assim realizar, em 2026, o voo de teste em órbita da sua nova nave Mengzhou (“Nave dos Sonhos”), que deverá transportar os astronautas até à Lua.

Pequim espera construir, até 2035, a primeira fase de uma base científica habitada, denominada Estação Internacional de Investigação Lunar (ILRS, na sigla em inglês) e prevê, também, até ao final de 2026, receber a bordo da estação Tiangong o seu primeiro astronauta estrangeiro, que será paquistanês.

O gigante asiático desenvolveu consideravelmente os seus programas espaciais nos últimos 30 anos, para tentar alcançar o nível dos EUA, da Rússia ou da Europa. Os seus progressos são particularmente visíveis desde há uma década.

Em 2019, a China colocou uma sonda espacial (a Chang’e-4) na face oculta da Lua, uma estreia mundial, e, em 2021, fez chegar um pequeno robô a Marte. Os EUA são considerados o principal rival espacial da China, com a NASA a ter como objectivo levar astronautas à superfície lunar em 2028.

A estação espacial chinesa Tiangong, que se traduz como “Palácio Celestial”, acolheu pela primeira vez a tripulação do país em 2021. No ano passado, uma missão de emergência no âmbito do programa Shenzhou, que significa “Nave Divina”, resgatou uma equipa de astronautas que ficou retida na estação espacial devido a uma nave danificada.

A-Má | Nova edição de concurso literário aceita submissões até Setembro

Está aberto o período de submissão de textos literários sobre Macau para a quarta edição do Prémio A-Má, da Fundação Casa de Macau, que visa premiar os melhores escritos sobre o território, nas vertentes de cultura e literatura. O objectivo é também divulgar e valorizar a identidade macaense. Os prémios vão dos 200 aos 500 euros

A Fundação Casa de Macau volta a organizar mais uma edição do Prémio A-Má, que visa “incentivar e premiar a criatividade no âmbito da divulgação e valorização da identidade macaense”, destaca um comunicado. Até ao dia 15 de Setembro deste ano, os que escrevem sobre Macau podem enviar os seus textos, sendo este “um prémio de escrita”, com o conto a ser a modalidade do concurso.

Este texto “pode ser uma narrativa real ou ficcionada”, com o tema a dever ser relacionado com Macau e/ou a cultura macaense, “sob qualquer perspectiva ou interpretação do autor”, explica a fundação. Há prémios pecuniários para os vencedores, que começam nos 200 euros para o terceiro lugar, 300 euros para quem fica em segundo lugar e, finalmente, 500 euros para o primeiro lugar.

O júri é composto por três elementos, sendo presidido pelo presidente do Conselho de Curadores da Fundação Casa de Macau e dois membros convidados pela fundação.

Numa das sessões públicas de divulgação do prémio, em 2021, Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau, declarou que o Prémio A-Má visa chamar a atenção para a identidade muito própria da comunidade macaense, e não apenas para o território em si. “Temos de olhar para o amanhã, e crer que tudo o que está a ser feito, e da parte da Fundação também, é olhar para esse amanhã e para esse reforço da identidade.”

O responsável disse ser fundamental esse trabalho de preservação tendo em conta “as enormes mudanças” que Macau tem tido. “A Grande Baía é agora o grande projecto do Governo da RAEM, sendo uma iniciativa do Governo Central. Com o crescimento de Hengqin, e todo este crescimento rápido [traz] enormes potencialidades, há muito que fazer. Este é apenas um pequeno trabalho”, acrescentou na altura.

Letras orientais

A última edição do concurso, a terceira, teve lugar em 2023, tendo sido atribuído o primeiro prémio a Ester Liñares, com o texto “Mui Wong”. Em segundo lugar ficou “A Jornada de Nina”, um trabalho literário de Rute Taveira. Em 2022, Evirges Aparecida Salgado arrecadou o primeiro prémio com “Enigma da Primeira Lua”, seguindo-se os segundos lugares ex-aequo ganhos pelo jornalista e ex-residente de Macau, João Botas, com o texto “Macau Sempre”; e Shee Va, que escreveu “Tomásia”.

Na edição de 2021 Caroline Pires Ting, investigadora, ficou em primeiro lugar ex-aequo com o texto “Ressonances between Tao Yuan-Ming (365-427) and Camilo Pessanha (1867-1926): The Paradise as utopic escape”. Ana Cristina Alves, ex-professora da Universidade de Macau e coordenadora do centro educativo do Centro Cultural e Científico de Macau, foi também a primeira classificada com o trabalho “Delírios de A-Má”.

Fátima Almeida, residente em Macau, ex-jornalista e actualmente professora universitária, ficou em segundo lugar ex-aequo com o conto “When I first Heard Kun Iam’s Voice”.

IIM | Imagens de Roberto Badaroco em exposição

O Instituto Internacional de Macau (IIM) apresenta, a partir do próximo dia 5 de Junho, uma nova mostra de fotografia. “Natureza de Macau: Aves e Flores” é exibida na H2H (Hold On to Hope), da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), situada na vila de Ká-Hó, em Coloane.

Roberto Badaroco, macaense e conhecido por “Bobby” é um “entusiasta de fotografia que cedo, aos oito anos, tomou gosto por ela”, tendo continuado a fotografar depois de se ter aposentado da Polícia Judiciária. O IIM explica que nessa fase da sua vida “passou a dedicar-se quase inteiramente a extrair da sua Canon EOS-1D X e Fujifilm X-T3, fotografias temáticas sobre a natureza”, sendo que “flores e pequenos insectos constituem o seu especial interesse”, sem esquecer as aves.

“Bobby” tem apresentado parte do seu trabalho fotográfico nas redes sociais, com imagens que são “fruto da sua paciência e objecto de grata memória”. Já expôs no Encontro dos Macaenses em 2016, através do Instituto Internacional de Macau (IIM). A sua mais recente mostra aconteceu em 2024, no Auditório do Carmo, na Taipa.

Esta exposição nasce de uma parceria entre o IIM e ARTM, em colaboração com a Escola Secundária Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes, divulgando-se “a rica variedade de aves que existe em Macau, de um conjunto de mais de 400 espécimes, bem como as suas características distintas da natureza”. A exposição pode ser vista na galeria da ARTM até ao dia 28 de Junho.

Casa de Macau exibe documentário “Som Tam”, de Vanessa Pimentel

É exibido esta quarta-feira, dia 27, o documentário “Som Tam: Um Tailandês em Macau”, da autoria da realizadora Vanessa Pimentel, um projecto apresentado em 2023. A exibição acontece na Casa de Macau em Lisboa a partir das 15h30, sendo este documentário um “retrato da multiculturalidade de Macau”.

Vanessa Pimentel estará presente na sessão, seguindo-se um debate após a exibição, coordenada por Ruka Borges, também ele realizador e Gonçalo Magalhães. Ambos asseguram “o enquadramento temático do filme”.

O documentário em questão fez parte da programação de uma das edições do Festival Macao Films and Video Panorama, tendo o “mérito de nos trazer uma abordagem da vasta multiculturalidade que prolifera em Macau, trazendo a prespectiva da comunidade tailandesa de Macau”, explica a sinopse da autoria da Casa de Macau. Neste festival, a realizadora venceu dois prémios, o “Grand Jury Prize” e ainda o “Audience Choice Awards”, atribuídos pela Associação Audiovisual CUT.

História peculiar

É certo que Macau “é tradicionalmente conhecida como uma cidade multicultural devido à sua influência e raízes europeias”, descreve ainda a sinopse do documentário, sendo que, nos últimos anos, se transformou “numa economia próspera e um lar para muitos estrangeiros de diferentes nacionalidades”.

“Som Tam” aborda a história da comunidade tailandesa em Macau, seguindo JJ, Sakol, Kay e a sua família, Ian Ian e Chatsada, e as vivências de espaços tailandeses em Macau como um supermercado, um restaurante e um festival de rua que há várias décadas se realiza no território. Todos estes elementos “estão reunidos em Macau como cenário”, contando a história de uma comunidade.

O documentário espelha também “inúmeras emoções e conflitos que existem num processo de emigração”, nomeadamente sentimentos de “curiosidade, novidade, enfrentamento de outras realidades culturais, incerteza; e que podem mesmo ser sentimentos contraditórios”.

Há, depois, o “equilíbrio e a capacidade de nos adaptarmos mais ou menos à cultura do outro, e adoptar ou não hábitos como se fossem nossos, num processo de transformação, onde também partilhamos os nossos costumes com o outro, numa busca por um lar”, descreve a sinopse.

Ligada à câmara

Vanessa Pimentel nasceu em 1978 em Lisboa. Em 2000, enquanto frequentava o curso de Filosofia na Universidade de Lisboa, começou a trabalhar como assistente de edição no cinema. Abandonou o curso e, desde então, tem trabalhado como montadora de filmes, coordenadora de pós-produção e, mais tarde, como supervisora de continuidade.

Trabalhou em várias produções de cinema e documentários, como “Goodnight Irene” (prémio de longa-metragem narrativa no New Orleans Film Festival), “April Showers” (International Rotterdam Film Festival, IndieLisboa International Film Festival e Hamburg Film Festival) e “Go with the Wind” (melhor documentário no Extrema Doc e competição nacional no IndieLisboa International Film Festival).

Em 2008, começou a trabalhar em produções portuguesas no estrangeiro. Filmou em Espanha, China continental, Macau, Istambul e Moscovo. Em Abril de 2010, mudou-se para Macau, e continua a trabalhar como realizadora, sendo também um local onde tem vindo a aprimorar outras competências.

Ébola | Alerta para viagens à República Democrática do Congo

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) lançou um alerta a aconselhar os residentes de Macau “para evitarem, sempre que não seja estritamente necessário, deslocar-se à República Democrática do Congo (também conhecida como Congo-Kinshasa)”.

O alerta foi justificado pelo facto de a Organização Mundial da Saúde ter classificado o surto da doença por vírus Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda como uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, existindo a tendência de propagação do surto na República Democrática do Congo.

A entidade liderada por Helena de Senna Fernandes acrescentou que “os residentes de Macau que se encontram naquele destino devem acompanhar de perto a evolução do surto, reforçar a sua consciência de prevenção e adoptar as devidas medidas de protecção individual.

Mais de 900 casos suspeitos ou confirmados na RDCongo

Os casos suspeitos ou confirmados de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) ascendem a mais de 900, incluindo 101 em que a presença do vírus foi identificada em laboratório, alertou ontem a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O director-geral da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou as dificuldades em lidar com o surto na província de Ituri, epicentro da crise, onde uma em cada quatro pessoas necessita de assistência humanitária e uma em cada cinco é deslocada interna.

“A violência está a obrigar as pessoas a fugir, incluindo profissionais de saúde e humanitários, o que está a dificultar gravemente os esforços para alargar o rastreio de contactos do Ébola e identificar as infecções com antecedência suficiente para prestar apoio”, sublinhou.

Até à data, foram registadas 204 “mortes prováveis” devido à epidemia declarada em 15 de Maio, informou no sábado o Governo congolês. Angola, que faz fronteira com a RDCongo, está entre os 10 países africanos que correm o risco de ser afectados pelo vírus Ébola, além RDCongo e do Uganda, alertou no sábado a agência de saúde Africa CDC.

As crises de longa data no leste da RDCongo, que tornaram a região palco de um dos piores desastres humanitários do mundo, afectam a resposta ao Ébola por vários motivos. Por um lado, a região enfrenta uma ameaça constante de violência. O leste da RDCongo tem sido palco de violência por parte de dezenas de grupos rebeldes distintos há anos, alguns deles com ligações a países estrangeiros ou ao Estado Islâmico(EI).

Por outro lado, os rebeldes do grupo armado Movimento 23 de Março (M23), alegadamente apoiados pelo Ruanda, controlam partes da região e, embora o Governo da RDCongo ainda controle em grande parte a província de Ituri, no nordeste, que é o epicentro do surto de Ébola, esse controlo é frágil.

Surtos habituais

A RDCongo é regularmente afectada por surtos e epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto directo com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

A actual epidemia corresponde a uma nova estirpe do Ébola, para a qual não existe vacina e cuja taxa de mortalidade varia entre 30 por cento e 50 por cento, segundo a OMS. O Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo.

Na ausência de vacina e de tratamento aprovado contra a estirpe Bundibugyo do vírus, responsável pela epidemia actual, as directrizes de contenção assentam essencialmente no cumprimento das medidas de prevenção sanitária e na detecção rápida dos casos.

Turismo | Mais de 14,6 milhões de visitantes em quatro meses

Mais de 14,6 milhões de pessoas visitaram Macau nos primeiros quatro meses de 2026, um registo recordista. O fluxo crescente de turistas alargou-se a Maio. Só no sábado e domingo, entraram em Macau mais de 300 mil visitantes

Macau registou a entrada de mais de 14,65 milhões de visitantes nos primeiros quatro meses do ano, mais 13,1 por cento do que em igual período em 2025, no que consiste um recorde histórico para o período em análise.

Nos quatro primeiros meses de 2026, o número de entradas de visitantes na RAEM totalizou 14.655.300, segundo os dados divulgados na sexta-feira pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC), que divide a cifra em entradas de excursionistas (9.103.273) e de turistas (5.552.027), cujo crescimento foi de 20,1 e 3,3 por cento, respectivamente.

Nos quatro primeiros meses do ano, o número de entradas de visitantes internacionais foi de 1.009.892, mais 10,7 por cento, face ao período homólogo de 2025, sendo que o período médio de permanência dos visitantes (1,0 dias) diminuiu 0,1 dias, face aos quatro primeiros meses de 2025, e o dos turistas (2,2 dias) desceu 0,1 dias.

Durante o mês de Abril, especificamente, o número de entradas de visitantes foi de 3.441.396, mais 11,3 por cento, em termos anuais, um registo que composto por entradas de excursionistas (2.095.953) e de turistas (1.345.443), que aumentaram 19,4 e 0,6 por cento, respectivamente. Já o período médio de permanência dos visitantes (1,0 dias), diminuiu 0,1 dias, face a Abril de 2025, e o dos turistas (2,3 dias) manteve-se, informou a DSEC.

Quem é quem

Em termos de origens de visitantes, no mês de referência, o número de entradas de visitantes do Interior da China fixou-se em 2.405.286, mais 13,1 por cento, em termos anuais. O número de visitantes provenientes de Hong Kong (680.521) e de Taiwan (101.453) aumentaram 3,1 e 32,2 por cento no mês em análise.

As entradas de visitantes internacionais totalizaram 254.136, mais 10,5 por cento, em termos anuais, lideradas por turistas das Filipinas (51.544), Coreia do Sul (40.603) e Tailândia (29.008), com subidas de 19,6, 9,1 e 41,8 por cento, face a Abril de 2025. Em relação aos visitantes de longa distância, o número de entradas de visitantes dos Estados Unidos da América (15.299) aumentou 13,9 por cento, face a Abril do ano anterior, sublinham os serviços.

Além dos números da DSEC para os primeiros quatro meses de 2026, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou ontem que o número de travessias registadas nos postos fronteiriços (nos dois sentidos), desde o início do ano, ultrapassou 100 milhões. A marca antecipou o registo do ano passado em 14 dias, segundo a contabilidade do CPSP.

Somando os registos de sábado e domingo, as autoridades revelam que mais de 300 mil visitantes entraram em Macau nos dois dias, com destaque para sábado quando as entradas chegaram quase às 160 mil.

Turismo | Associação espera mais visitantes fora de Guangdong

Leng Sai Vai, presidente da Associação de Federação da Indústria e Comercial de Turismo de Macau, disse ao jornal Ou Mun que as autoridades devem procurar captar visitantes de alta qualidade, ou seja, de zonas mais afastadas de Guangdong, que possam permanecer e fazer compras em Macau, e não apenas buscar um maior número de turistas.

Segundo o jornal Ou Mun, o responsável citou os dados dos turistas relativos a Abril e também dos primeiros quatro meses do ano, que revelam um aumento consecutivo, argumentando que estes resultam das políticas de facilitação de visitas dos cidadãos do interior da China para Macau aprovadas pelo Governo Central.

Porém, Leng Sai Vai destacou que como a maioria dos turistas oriundos da região do delta do rio das pérolas não pretende pernoitar em Macau, fica difícil que o consumo local atinja valores mais elevados. Desta forma, o responsável acredita que o Governo deve reforçar as actividades de promoção turística em zonas mais afastadas da província de Guangdong e até noutras províncias chinesas, pois a face à distância maior, será também maior a probabilidade de os visitantes pernoitarem no território.

O dirigente associativo recordou ainda que o parque de estacionamento do Posto Fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau tem cerca de três mil vagas para turistas de Hong Kong, mas a taxa de ocupação não é alta. Assim, o Governo poderia permitir que esses lugares fossem ocupados por carros com matrícula do Interior da China para um melhor aproveitamento dos recursos públicos. Ao mesmo tempo, tal poderia levar a um aumento do consumo nos negócios localizados perto do parque.

Habitação | Movimentos de 7,15 mil milhões até Março

Nos primeiros três meses do ano, foram transaccionadas 1.613 fracções autónomas habitacionais, o que representou um aumento de 878 transacções, em termos trimestrais. As 1.613 fracções foram negociadas por 7,15 mil milhões de patacas, um crescimento trimestral de 113,9 por cento. Os dados foram divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

No mesmo período, foram também transaccionados 729 lugares de estacionamento, por um total de 1,16 milhões de patacas. O preço médio por metro quadrado, de área útil, das fracções autónomas habitacionais globais fixou-se nas 67.484 patacas, uma redução trimestral de 0,8 por cento. Todavia, o preço médio das fracções autónomas habitacionais de edifícios construídos situou-se em 66.693 patacas, uma subida de 1,5 por cento, em termos trimestrais.

CPSP | Detectados 55 trabalhadores ilegais em Abril

Durante o mês de Março, a Direcção de Serviços dos Assuntos Laborais e o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) realizaram 304 inspecções conjuntas, que resultaram na identificação de 55 trabalhadores ilegais.

Os números foram avançados ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública. Em relação a Abril, registou-se uma redução do número de trabalhadores ilegais, uma vez que no terceiro mês do ano tinham sido identificados 79 casos. No entanto, nessa altura, foram fiscalizados mais locais, num total de 445. Os dados revelados ontem, permitem também concluir que nos primeiros três meses do ano foram verificadas situações de 263 trabalhadores ilegais, em 1.568 locais inspeccionados.

Portugueses | Número de imigrantes para Macau a cair

Em 2024, 14 portugueses imigraram para Macau, o número mais baixo desde o ano 2000. A informação consta do Relatório Emigração Portuguesa, elaborado pelo Observatório da Emigração

Em 2024, o número de imigrantes portugueses a mudar-se para Macau baixou para 14 e atingiu o número mais baixo desde 2000, de acordo com os dados do Relatório Emigração Portuguesa 2025, elaborado pelo Observatório da Emigração. Em relação à parte de Macau, o documento tem por base os números da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Segundo o documento, o valor de 14 imigrantes de Portugal representa uma diminuição anual de 73,6 por cento em comparação com 2023, quando chegaram ao território 53 imigrantes do país europeu.

De acordo com o relatório, primeiramente citado pelo portal Macau News Agency, para encontrar um registo pior que o do ano passado é necessário recuar a 2000, o primeiro ano depois da transferência. Nessa altura houve apenas quatro portugueses a imigrarem para Macau.

No entanto, os dados divulgados não permitem perceber se aos novos imigrantes foram concedidos bilhetes de identidade de residentes (BIR) ou cartões de trabalhador não-residente, o cartão azul.

Em termos da imigração total para Macau, o relatório indica que em 2024 houve 1.074 novos imigrantes, e os 14 portugueses representam 1,3 por cento deste universo. Neste capítulo, a percentagem de portugueses no total de imigrantes é a baixa desde que este tipo de estatística surge no relatório, em 2007. Para encontrar um valor semelhante é preciso recuar a 2009, quando houve um total de 9.489 imigrantes e em que 137 eram portugueses, o que se concretizou numa proporção de 1,4 por cento.

Pior que na covid-19

Os dados mais recentes mostram também que o número de imigrantes vindos de Portugal está abaixo mesmo dos anos da covid-19, quando os não-residentes nem podiam entrar em Macau, devido à política de zero casos. A covid prolongou-se entre 2020 e 2023 e as restrições e entrada foram sendo flexibilizadas ou apertadas de acordo com o surgimento de casos em Macau e também a situação no Interior.

Em 2020, houve 67 portugueses a imigrarem para Macau, o número baixou para 18 no ano seguinte, em 2021, e subiu para 20 em 2022. Em 2023, ano em que entraram em vigor as restrições para dificultar a obtenção de bilhete de identidade de residente pelos portugueses, houve 53 portugueses a imigrarem. Finalmente, em 2024, os dados mais recentes mostram o valor a baixar para 14.

Saúde | Registo de três médicos por 1.000 habitantes em 2025

No final de 2025, Macau tinha uma média de três médicos por cada 1.000 habitantes, de acordo com os números divulgados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Segundo a mesma informação, havia um total de 2.055 médicos inscritos no ano passado. Além destes, contabilizavam-se ainda 707 médicos de medicina tradicional chinesa/mestres de medicina tradicional chinesa inscritos, 288 médicos dentistas/odontologistas e 3.039 enfermeiros registados.

Com base nestes números, existia 1,0 médico de medicina tradicional chinesa/mestres de medicina tradicional chinesa por 1.000 habitantes; 0,4 dentistas/odontologistas por 1.000 habitantes e 4,4 enfermeiros por 1.000 habitantes.

No final do ano passado, os seis hospitais da RAEM disponibilizaram um total de 1.882 camas de internamento, um aumento de 103 camas, que foi justificado com a entrada em funcionamento das camas de internamento no Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas – Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital. Em 2025, a taxa de utilização das camas de internamento dos hospitais foi de 72,8 por cento, registando-se um acréscimo anual de 1,3 pontos percentuais.

No ano passado, foram atendidos 3,94 milhões de pacientes nos 767 estabelecimentos de cuidados de saúde primários. O número de indivíduos atendidos nos consultórios particulares foi de 3,0 milhões e nos estabelecimentos públicos de 940 mil.

Economia | Inflação subiu 1,21 por cento em Abril

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) em Macau subiu 1,21 por cento em Abril, em termos anuais, anunciou a Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Os preços dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas aumentaram 1,11 por cento, face a Abril de 2025, “devido sobretudo à subida dos preços das refeições adquiridas fora de casa e de ‘take-away'”, e o índice de preços da secção dos transportes subiu 3,97 por cento, “em virtude da ascensão dos preços da gasolina”, indicou na sexta-feira a DSEC, em comunicado.

Também os preços da secção dos produtos e serviços diversos – como cuidados pessoais, seguros, artigos de joalharia, ourivesaria e de relógios – subiram 3,61 por cento, e os preços da secção do vestuário e calçado aumentaram 2,33 por cento, em termos anuais.

Numa comparação mensal, o IPC aumentou 0,31 por cento em Abril, em relação a Março de 2026, com subidas nos preços da secção dos transportes (+2,47 por cento) e do vestuário e calçado (+1,44 por cento).

Já o IPC Geral médio dos 12 meses terminados no mês de referência, em relação aos 12 meses imediatamente anteriores (Maio de 2024 a Abril de 2025), ascendeu 0,61 por cento, refere-se ainda no comunicado da DSEC.

Comércio | Negócios do retalho sobem 23% no primeiro trimestre

Nos primeiros três meses deste ano, o volume de negócios dos estabelecimentos do comércio a retalho cifrou-se em 21,64 mil milhões de patacas, valor que representou uma subida anual de 23 por cento, e 11,9 por cento, em termos trimestrais, informou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

A DSEC realça que “o volume de negócios de artigos de comunicação (+91,5 por cento) e o de relógios e joalharia (+52,1 por cento) registaram as subidas mais expressivas”. Também as lojas de produtos cosméticos e de higiene, de vestuário para adultos e de artigos de couro, ascenderam 27,9, 25,7 e 20,1 por cento, respectivamente, face ao primeiro trimestre de 2025, porém, o de supermercados diminuiu 5,2 por cento.

Depois de eliminados os factores que influenciam os preços, o índice do volume de vendas do comércio a retalho aumentou 16,5 por cento no trimestre de referência, em termos anuais, sentido positivo que foi contrariado com o índice do volume de vendas de supermercados, que caiu 5,4 por cento no primeiro trimestre, face ao período homólogo de 2025.

Combustíveis | Governo anuncia 41 milhões para gasolineiras

Na apresentação do programa que visa controlar os preços, o Executivo admitiu que os preços do gás de petróleo liquefeito e dos combustíveis subiram 60 por cento desde Março

O Governo anunciou que vai disponibilizar 41 milhões de patacas aos operadores petrolíferos locais para aliviar a subida do preço dos combustíveis provocada pela guerra no Médio Oriente.

As autoridades tinham já anunciado há duas semanas que colocariam à disposição das empresas comerciantes de combustíveis no território 80 milhões de patacas para ajudar a mitigar o aumento preço do diesel. O novo subsídio anunciado pelas autoridades de Macau será de 2,55 patacas por litro de GPL, e 1,5 patacas por litro de gasolina, durante dois meses, entre 26 de Maio e 25 de Julho.

Coube ao director da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), Yau Yun Wah, apresentar em conferência de imprensa “o plano para efectivamente aliviar a pressão sobre custo de vida dos residentes e os custos operacionais das micro, pequenas e médias empresas, decorrentes do aumento do preço do gás de petróleo liquefeito (GPL) e da gasolina”, que se irá traduzir numa despesa de 16 milhões de patacas com o GPL e 25 milhões de patacas para controlar o preço da gasolina sem chumbo.

A previsão tem por base o consumo médio de GPL e gasolina sem chumbo registado em Macau nos últimos meses e um aumento dos preços na ordem dos 60 por cento desde Março.

“Tomando o GPL como exemplo, o preço médio de mercado no início de Março era de aproximadamente 21,37 patacas por quilograma, enquanto o preço médio actual é de 25,63 patacas, o que representa um aumento de 4,26 patacas. O subsídio cobre 60 por cento deste montante”, explicou o responsável. “O método de cálculo para o regime de subsídios à gasolina é o mesmo”, concluiu.

Registos das transacções

As cinco operadoras do território vão ficar obrigadas a manter registos completos e a apresentar relatórios quinzenais, e auditores independentes irão analisar as informações recolhidas e verificar eventuais irregularidades, como registos falsos, sublinhou a DSEDT.

As importações totais de petróleo pela Ásia, que absorvem 85 por cento dos envios de crude do Golfo, caíram a pique 30 por cento em Abril face ao ano anterior, atingindo o nível mais baixo desde Outubro de 2015, segundo dados da Kpler com base em dois meses de bloqueio do Estreito de Ormuz. O estreito foi praticamente encerrado na sequência da guerra lançada contra o Irão pelos Estados Unidos e Israel em 28 de Fevereiro.

A China, o maior importador de petróleo do mundo, protegeu-se da actual crise através do recurso a fornecedores alternativos, como a Rússia, reservas estratégicas, energias alternativas e restrições à exportação de combustíveis e fertilizantes.

Segundo o director da DSEDT, os preços em Macau “seguem a plataforma de Singapura”, como acontece em toda a Ásia-Pacífico, enquanto no interior da China são determinados pela Comissão de Reforma e Desenvolvimento, que define a estratégia económica nacional e aplica limites e reduções temporárias para suavizar os impactos de picos anormais nos preços globais.

Singapura actua como principal definidora de preços de combustíveis na região da Ásia-Pacífico, por ser um importante centro regional de refinação e distribuição.

Segundo a informação oficial existem cinco operadoras petrolíferas no mercado em Macau: Total, Shell, Esso, Caltex e a companhia estatal Nam Kwong Oil, com esta última a gerir o único terminal de petróleo para fins públicos e comerciais do território.

Restauração | Novo regulamento vai acelerar novas licenças

O Conselho do Executivo terminou a discussão do novo regulamento, que vai simplificar a emissão de novas licenças para o sector da restauração.

A novidade foi anunciada na sexta-feira. De acordo com a informação divulgada na conferência conduzida por Wong Sio Chak, porta-voz do Conselho Executivo e secretário para a Administração e Justiça, em relação aos pedidos de licenças o número de entidades a intervir no processo vai ser reduzido de seis para quatro.

O tempo de vistoria vai ser cortado de 20 para 15 dias, além de ter sido anunciada a simplificação do regime de licença provisória. As novas alterações vão também permitir aos estabelecimentos que pretendem registar-se como restaurantes fazer pequenas obras de forma mais rápida, desde que as mesmas sejam consideradas “simples” e de “risco controlável”.

Cartografia | Serviços vão ser integrados na DSSCU

A Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro (DSCC) vai ser absorvida pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU). A informação foi divulgada na sexta-feira, numa conferência do Conselho Executivo. Além da integração, a DSSCU vai passar a ter disponíveis 235 vagas de trabalho, menos 71 que as actuais 306.

“Tendo em conta que os lugares do quadro actual ainda não estão totalmente preenchidos, a referida redução não afectará a situação jurídica do pessoal actualmente em funções”, foi comunicado sobre a redução de quase um terço dos trabalhadores. Como consequência das alterações, a DSSCU vai ter um director, um subdirector, um departamento, quatro divisões e duas secções. Anteriormente, em conjunto a DSCC e a DSSCU tinham dois directores, três subdirectores, sete departamentos, onze divisões e duas secções.

Aperfeiçoamento Contínuo | Auditoria aponta falhas a programa

Faltas frequentes, inexistência de registos de comparência e um docente que ministrava 26 cursos na mesma área. Estas são algumas das conclusões do relatório do Comissariado de Auditoria sobre o Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo

O Comissariado de Auditoria (CA) apurou que mais de metade dos alunos de nove instituições faltaram frequentemente às aulas, falhando a presença legalmente exigida, no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. O número consta do relatório mais recente do CA, que foi divulgado na sexta-feira, e que critica a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) por falhas na fiscalização das presenças.

Segundo os moldes do programa, os alunos têm de frequentar 70 por cento das aulas de cada formação em que se inscrevem, para obterem o montante do subsídio, que pode chegar a 6 mil patacas. O subsídio é pago de acordo com o valor da formação em que os interessados se inscrevem. Mesmo sem as presenças necessárias, as inscrições são importantes porque permite que os cursos sejam realizados e subsidiados.

No entanto, em nove instituições 65,13 por cento de todos os alunos perderam sempre a caução paga, por nunca atingiram a presença exigida para receberem o subsídio. Nessas instituições, que não foram identificadas, o CA revelou que “86 cursos que não dispunham de registos relativos à restituição das cauções” e que em quatro desses cursos “não foram encontrados quaisquer comprovativos de presença dos formandos”.

Os potenciais abusos das instituições não terão ficado por aqui, dado que 302 formandos estavam “inscritos em dois ou mais cursos na mesma instituição […] sem qualquer prova de comparência”. Entre estes, 42 alunos inscriveram-se em cinco ou mais cursos na mesma instituição, também sem provas de que tenham frequentado as aulas.

No relatório o CA indica também que detectou o caso de “um único formador” que foi responsável por 29 cursos “da mesma tipologia” em nove instituições abrangidas pelo programa. “Em sete dessas instituições, o mesmo formador foi responsável por todos os cursos realizados nessas instituições, perfazendo 26 cursos no total. Verificou-se, ainda, que 18 formandos inscritos em dois cursos ministrados pelo mesmo formador e organizados por instituições diferentes sem evidência de comparência”, foi revelado.

DSEDJ criticada

Face às situações detectadas, o CA criticou a DSEDJ pelas falhas na análise dos dados recolhidos através das inspecções in loco. “A DSEDJ não realizou uma análise integrada com base nos dados disponíveis, situação que, associada à inexistência de mecanismos de alerta que permitissem a detecção atempada de irregularidades, revela fragilidades na prevenção de irregularidades e na identificação de riscos” foi considerado. “Assim, importa que a DSEDJ aproveite melhor os dados ao seu dispor e implemente uma metodologia orientada para a gestão de riscos, de modo a identificar e prevenir situações irregulares, garantindo, assim, uma aplicação mais eficaz e rigorosa do erário público afecto ao Programa”, foi acrescentado.

Em reacção ao relatório, a DSEDJ afirmou que “concorda” com as conclusões e indicou ter tomado medidas para corrigir as falhas identificadas ao nível das presenças, com as alterações introduzidas no programa a 1 de Abril. Com o novo modelo, os formandos têm de pagar os cursos logo no início, em vez de pagarem apenas uma caução, e só recebem o dinheiro do subsídio da DSEDJ depois de terem frequentado pelo menos 70 por cento das aulas.

A DSEDJ indicou também ter adoptados novos modelos de análise dos dados sobre os cursos para detectar possíveis irregularidades de forma eficaz.

A história de Andrew Stow e dos seus pastéis de nata em Macau

Andrew Stow estaria “muito orgulhoso” por ver o pastel que criou tornar-se património intangível de Macau, mas a irmã disse à Lusa que não há planos para expandir o negócio, que vende até 48 mil pastéis por dia.

A vida do britânico, que chegou a Macau para trabalhar como farmacêutico industrial em 1979, mudou por completo em 1988, após casar com Margaret Wong, que actualmente ainda gere a pastelaria “Café e Nata”, criada por ambos.

Foi durante a lua-de-mel que Stow (1955-2006) provou pela primeira vez um “pastel de Belém” ao balcão de uma das confeitarias mais famosas de Portugal e ponto de paragem obrigatório de quem visita a capital. Andrew “viu a loucura em Lisboa para beber uma bica com um pastel de nata e pensou ‘Porque é que isto não existe em Macau’?”, recorda Eileen Stow, que gere o negócio desde a morte súbita do irmão, aos 51 anos.

O pastel de nata “aparecia ocasionalmente no ‘buffet’” do antigo hotel Hyatt, na Taipa, onde Andrew chegou a trabalhar, “mas não havia nada disponível, na rua, todos os dias”, diz a irmã. Foi então que um “lunático britânico”, como classifica Eileen, entre risos, abriu a loja Lord Stow’s no coração da pitoresca vila de Coloane, em 1989, onde tentou criar a sua própria versão do pastel de nata.

Andrew “era o tipo de pessoa que nunca queria copiar nada, não conseguia perceber porque alguém quereria só replicar uma receita. Ele sempre achou que, se és criativo, tens de colocar o teu toque”, diz a irmã.

Eileen recorda que a reacção dos portugueses foi que o resultado “não era bem um pastel de nata”, ao que Andrew respondeu: ” É isto que eu vendo, não comprem se não gostarem”. Os pasteleiros da Lord Stow’s acharam que “estava queimado por cima, nenhum chinês o iria comprar”, diz a irmã, mas os turistas renderam-se ao pastel que ficou conhecido em chinês como “tarte de ovo de estilo português”.

História de sucesso

Em Outubro passado, o Governo de Macau inscreveu 12 manifestações, incluindo o pastel inventado por Andrew e a dança folclórica portuguesa, na Lista do Património Cultural Intangível do território. Eileen diz que o irmão teria ficado “muito orgulhoso”, porque “adorava Macau”. “Se Andrew tivesse uma bola de cristal e soubesse o sucesso que ia ter, ter-lhe-ia chamado tarte de ovo de Macau”, acrescenta.

Mas a distinção não muda os planos para manter o tamanho da operação, que actualmente vende em média “entre 35 e 38 mil pastéis por dia”, chegando a 48 mil no período do Ano Novo Lunar, diz Eileen.

O pastel de nata tem sido reinventado um pouco por toda a Ásia, tendo chegado mesmo, através de Margaret, ex-mulher de Andrew, aos balcões da cadeia de “fast-food” norte-americana Kentucky Fried Chicken (KFC) na China continental.

No final da década de 90, Andrew e Eileen, que se mudou para Macau em 1993 para ajudar a gerir o sucesso da Lord Stow’s, decidiram apostar no ‘franchise’ em Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul e Tailândia.

Mas a ambição de uma expansão alargada perdeu-se devido às muitas “imitações” das tartes de ovo, mantendo actualmente uma presença apenas no Japão e Filipinas. Foi na vizinha região de Hong Kong que a febre dos pastéis atingiu o auge: “criando aquilo a que costumávamos chamar, em tom de brincadeira, a guerra das tortas de ovo”, recorda Eileen.

“Havia pessoas de carteira na mão a entrar na nossa pastelaria para literalmente subornar a nossa equipa. Isso é um livro que irei escrever um dia, depois de passar a negócio à Audrey [filha de Andrew]”, diz a empresária.

O território esteve mais de quatro séculos, até 1999, sob administração portuguesa, mas Eileen não estranha ter sido um inglês a promover o pastel de nata na Ásia. Antigamente, sublinha a empresária, “a maioria dos portugueses vinha para cá como funcionários públicos de alto nível, não vinham abrir um pequeno negócio e ficar em Macau”.

“Há uma atitude muito diferente no pensamento dos portugueses agora que os casinos estão cá e o turismo disparou”, acrescenta Eileen.

Pastelaria | Manteigaria com “tudo para singrar” em Hong Kong

Abre hoje em Hong Kong a primeira loja de pastéis de nata portugueses, um investimento da Manteigaria, marca ligada ao grupo Portugália. Fábio Pombo, director-geral da Manteigaria para a Ásia, está optimista quanto ao negócio que, no seu entender, “tem tudo para singrar”. A empresa espera abrir mais duas lojas em Hong Kong até ao fim do ano

A primeira loja de pastéis de nata portugueses em Hong Kong abre hoje, com “tudo para singrar” na região chinesa, disse à Lusa o líder da empresa. A inauguração está marcada para 2 de Junho, mas o espaço, situado na zona Central da ilha de Hong Kong, vai começar a vender pastéis uma semana antes, revelou o director-geral da Manteigaria Ásia Hong Kong, Fábio Pombo.

Após vários anos como ‘chef’ do Club Lusitano, a maior instituição da comunidade lusodescendente de Hong Kong, Pombo foi convidado pelo Grupo Portugália Restauração para lançar a Manteigaria – Fábrica de Pastéis de Nata na antiga colónia britânica.

Mas a ligação já vem de longe: “Eu vivia em Lisboa, no prédio adjacente à primeira Manteigaria, no Chiado. Quando surgiu esta oportunidade, quase que nem pensei duas vezes”. “Fiquei logo muito motivado e entusiasmado para abraçar esta oportunidade, porque é a primeira vez que uma empresa portuguesa e com um produto português se tenta estabelecer a este nível em Hong Kong”, explicou Pombo.

A região vizinha “já é um sítio que adora, idolatra” as tartes de estilo britânico, mas o empresário tem confiança que os pastéis de nata podem ganhar um espaço num “mercado muito competitivo”.

Por um lado, a massa “tem uma tradição já centenária”, que “dificilmente alguém consegue recriar”, até porque exige uma técnica que “não é fácil de dominar” e requer “muita prática e repetição”. Aliás, parte da equipa de 12 pessoas que irá arrancar com o espaço em Hong Kong “está a ser treinada” nas lojas da Manteigaria de Macau, acrescentou o empresário. Além disso, ao contrário de parte da pastelaria vendida em Hong Kong, que “não é feita fresca”, os pastéis de nata serão feitos na própria loja: “A cada meia hora está a sair uma fornada”.

“Acho que têm muito potencial para ser um sucesso em Hong Kong”, acrescentou Pombo, que escolheu seguir a receita já testada em Macau, com uma redução para metade do açúcar. “Pela minha experiência como ‘chef’ de cozinha aqui, o maior elogio que os cantoneses podem fazer a uma sobremesa é ‘isto não é muito doce'”, explicou Pombo.

Original e autêntico

A Manteigaria gastou cerca de quatro milhões de dólares de Hong Kong para abrir um espaço em “uma das cidades mais caras do mundo”, revelou o empresário, investimento que a empresa espera recuperar em dois anos. Pombo sublinhou que a primeira loja, situada “no centro do centro” de uma cidade com sete milhões de habitantes, pretende atrair tantos turistas como os chineses e estrangeiros que trabalham nos “muitos escritórios” à volta.

Mas o ‘chef’ já está “no terreno há meses” à procura de locais para abrir duas outras lojas até ao fim do ano, tendo como alvos Wanchai ou Causeway Bay, também na ilha de Hong Kong, e Tsim Sha Tsui, em Kowloon, ambas populares zonas turísticas.

De acordo com dados oficiais, Hong Kong recebeu 49,9 milhões de visitantes em 2025, mais 12 por cento do que no ano anterior. “Vai ser a primeira vez que muitos destes turistas, principalmente turistas asiáticos, vão poder experimentar um pastel de nata como ele é feito em Portugal. Ou seja, o pastel de nata original e autêntico”, disse Pombo.

Em Fevereiro, o sócio-gerente do Grupo Portugália Restauração em Macau, Diogo Vieira, disse à Lusa que, depois de Hong Kong, o “projecto de expansão” da Manteigaria irá espreitar “os outros mercados circundantes”, incluindo a China continental, Coreia do Sul, Singapura e Tailândia.

Fábio Pombo acredita que Hong Kong pode ser importante para testar a resposta de vários mercados asiáticos ao pastel de nata “e isso vai facilitar também o saltar para outras geografias”.

Comparando com o croissant francês, o ‘chef’ disse acreditar que o pastel de nata pode, “se calhar, daqui a 10 anos, 20 anos, tornar-se uma referência mundial da identidade portuguesa, tanto ou mais do que o Cristiano Ronaldo”.

Ébola | Índia adia cimeira com a África devido à evolução da situação

A Índia e a União Africana adiaram uma cimeira prevista para a próxima semana em Nova Deli, devido à epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) e Uganda, com 139 mortes associadas e 600 casos suspeitos.

“Considerando a situação sanitária no continente. Ambas as partes concordaram que seria preferível realizar a quarta cimeira Índia-África numa data posterior”, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia num comunicado.

A cimeira do Fórum Índia-África estava programada para ocorrer na capital da Índia, Nova Deli, entre 28 e 31 de Maio. O Governo indiano afirmou ainda estar pronto “para contribuir com os esforços liderados pelos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças para lidar com a evolução da situação de saúde”.

O Aeroporto Internacional de Nova Deli emitiu ontem um alerta de saúde para os passageiros que chegam ao país vindos da RDCongo e dos países vizinhos Uganda, onde há uma morte confirmada e casos suspeitos, e Sudão do Sul, com um caso confirmado.

As autoridades, que enfatizaram a importância de “continuar a cooperação para fortalecer a preparação e a capacidade de resposta em saúde pública em todo o continente”, indicaram que novas datas para a cimeira serão definidas posteriormente.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) accionou no domingo um alerta sanitário internacional para enfrentar a epidemia de Ebola, declarada inicialmente na RDCongo, país da África Central, vizinho de Angola, com mais de 100 milhões de habitantes, onde as províncias orientais, de difícil acesso por estrada, são afectadas e assoladas pela violência de grupos armados.

Segundo a OMS, há 139 mortes até hoje associadas a esta epidemia de Ébola entre quase 600 casos prováveis e a propagação pode ser rápida, embora o risco de uma pandemia seja considerado “baixo”.

Cuba | Pequim opõe-se a acusação dos EUA contra Raúl Castro

A República Popular da China criticou ontem a acusação dos Estados Unidos contra o ex-Presidente cubano Raúl Castro, afirmando que se tratou de um aproveitamento abusivo de meios legais. Os Estados Unidos acusaram Raúl Castro de assassinato de cidadãos norte-americanos em 1996. Para Pequim, a acusação foi uma mais uma forma de Washington pressionar as autoridades cubanas.

“A China sempre se opôs às sanções unilaterais ilegais que não têm qualquer fundamento no direito internacional e (…) é contra o abuso de meios legais”, afirmou Guo Jiakun, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

O mesmo porta-voz defendeu que os Estados Unidos devem parar de usar as sanções, a “força da lei” e as ameaças contra Cuba. Guo Jiakun disse também que Pequim apoia Cuba na defesa da “soberania e dignidade nacional” e opõe-se a qualquer interferência estrangeira.

Raúl Castro, 94 anos, irmão de Fidel Castro (1926-2016), foi acusado, juntamente com outros líderes cubanos, de assassinato de norte-americanos num caso que remonta a 1996. Na altura, dois aviões comerciais pilotados por opositores do líder cubano foram abatidos, provocando a morte a quatro pessoas, indicou a acusação dos Estados Unidos.

Raúl Castro era então Ministro da Defesa do Governo de Havana. A acusação norte-americana ocorre numa altura em que se agravam as tensões entre Washington e Havana. Além do embargo norte-americano em vigor desde 1962, Washington impôs em Janeiro um bloqueio total de petróleo a Cuba.