Os Áceres Vermelhos de Li Jian

Wang Jian (c.767-c.830), o poeta de Henan de origens humildes que viveu na dinastia Tang, foi muito atento à vida do Palácio, um tema sobre o qual escreveu cerca de uma centena de poemas. Como se lê num deles, que é um desabafo de uma negligenciada senhora do harém do Palácio que com palavras afasta, como abanando, uma contrariedade. Usando a voz dela, escreve:

«Desisti de usar todas as minhas jóias e teci secretamente uma veste daoísta com a intenção de me juntar ao templo de Jinxian. No entanto, recentemente, o soberano descobriu que eu sabia ler. Fui então levada para a sua secretária para ajudar nos trabalhos clericais.»

O poema foi transcrito num tuanshan, o «leque redondo» de seda também designado gongshan, o «leque do palácio», usado pelas senhoras do Palácio da dinastia Tang, acompanhando a pintura Senhora sentada (tinta e cor, 25,9 x 26 cm, no Museu Ashmolean da Universidade de Oxford) atribuída ao pintor do distrito Shunde da cidade de Foshan, no delta do rio das Pérolas, Li Jian (1747-1799).

Além de alardear assim a sua erudição e engenho, o pintor mostrou em várias pinturas uma independência muitas vezes figurada num literato caminhando sozinho na paisagem. Uma liberdade quer face aos materiais visuais da Europa, que desde cerca de 1720 começavam a circular em Cantão (Guangzhou), quer face à ortodoxia inspirada por Dong Qichang (1555-1636) nas cidades mais a Nordeste.

Essa visão original é bem evidente num rolo vertical de 1788 intitulado Nuvens brancas, árvores vermelhas (tinta e cor sobre seda, 126 x 52,7 cm, no Museu de Arte de Cleveland) em que, por entre o surpreendente colorido de rochas verdes e azuis, se vê numa casa elevada por barrotes, um literato sentado à janela a tocar um qin. As folhas vermelhas das copas das árvores indicam que se trata de áceres em plena senescência no Outono, sublinhando a mudança. Dir-se-ia que a pintura rima com as notas da música do qin numa visualização das emoções despertadas pela melodia.

Li Jian escreveu um poema para acompanhar a pintura:

«Nuvens brancas rodeiam árvores vermelhas,

A neblina já regressou ao vale,

porque não descansar

e deixar o espírito em paz com o Mundo.

Com a solidariedade do qin,

sento-me no pavilhão do rio.

Um velho amigo é esperado

mas acaba por não vir.

O dia está frio e vão caindo

as folhas dos áceres.»

No modo como se exprime a pintura revela-se o conhecimento da lição de pintores tornados notáveis pela sua atitude em relação à pintura e a marcaram com a sensibilidade pulsátil da arte da caligrafia. Sobretudo Shitao (1642-1707) que na sua vagabundagem terá deixado na região onde Li Jian vivia, muitos admiradores. Um eco do traço único do pincel que tudo inclui, de que falou o pintor, nota-se em pinturas daquele que assinava por vezes com o nome Kuang Jian, «Jian, o selvagem» livre na forma como reagia ao inesperado.

Sismo | Macau com alerta para a Tailândia e CE expressa condolências

O Executivo emitiu um sinal de alerta de viagem para a Tailândia, na sequência do sismo de magnitude 7.7 na escala de Richter e recebeu um pedido de assistência e sete de informação. Sam Hou Fai enviou uma mensagem de condolências à população do Myanmar, onde a contagem de mortos ultrapassava ontem os 1.600

 

Na noite de sábado, Sam Hou Fai endereçou “uma mensagem de condolências ao dirigente do Myanmar, Min Aung Hlaing, na sequência do sismo que abalou” a região, “expressando os seus sentidos pêsames, condolências e a atenção e solidariedade aos feridos e familiares das vítimas”.

Às 14h50, hora de Macau, um tremor de terra de magnitude 7.7 na escala de Richter, e com epicentro perto da capital do Myanmar, abalou a terra, e 11 minutos depois seguiu-se uma réplica de 6.7 na escala de Richter. O sismo sentiu-se na Tailândia e em várias províncias chinesas, com maior intensidade em Yunnan, mas também em Guizhou, Guangxi e Sichuan, no Laos, Vietname, Bangladesh e Índia. Porém, o Myanmar foi o país mais afectado, com a contagem fatal a chegar ontem aos 1.644 mortos.

Na nota publicada no sábado à noite, o Chefe do Executivo demonstrou o pesar e salientou a os fortes laços de amizade entre os povos de Macau e do Myanmar.

“Foi com grande consternação que recebi a informação da ocorrência do sismo de forte intensidade no Myanmar. (…) Em nome do Governo da RAEM e da população, endereçamos os nossos mais sentidos pêsames, condolências e solidariedade, a toda a população do Myanmar, com atenção especial para as famílias dos falecidos, os feridos e os residentes nas zonas mais afectadas”.

Sam Hou Fai afirmou também que “os residentes de Macau têm empatia e estão solidários”, e “disponíveis para providenciar, dentro das nossas capacidades, todo o apoio necessário aos trabalhos de salvamento e reconstrução posterior”.

Com toda a atenção

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) reagiu passado pouco mais de uma hora ao primeiro abalo, referindo que as pessoas que se encontram em viagem devem “prestar atenção à sua segurança pessoal, estarem vigilantes e acompanhar atentamente a evolução da situação”.

Ainda na noite de sexta-feira, a RAEM emitiu para a Tailândia o nível 1 de alerta de viagem, o mais baixo de um total de três escalões, e que já estava em vigor para Myanmar, mas devido à guerra civil no país. De acordo com a DST, este nível “representa o surgimento de uma ameaça à segurança pessoal”.

A DST revelou ainda ter recebido um pedido de ajuda de um residente de Macau que perdeu um voo devido ao encerramento de estradas que o impediu de chegar ao aeroporto, e sete pedidos de informação.

Embora não haja excursões organizadas vindas de Macau nem na Tailândia nem em Myanmar, a DST enviou mensagens a 1.475 telemóveis registados no território que estavam a aceder a serviços de roaming nos dois países ou no vizinho Laos.

Sem excursões

Depois do sismo de sexta-feira, que teve epicentro no Myanmar, o presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, confirmou que não existia nenhuma excursão de Macau no Myanmar, na Tailândia nem na província chinesa de Yunnan, na altura do abalo.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável revelou que a Direcção dos Serviços de Turismo contactou imediatamente as agências de viagem do território para saber se decorriam excursões nas regiões afectadas.

No entanto, Andy Wu sublinhou a inevitabilidade de existirem residentes nas zonas afectadas e revelou que, apesar do volume significativo do pedido de informações, não houve desistências de excursões para as zonas afectadas pelo sismo, que se vão realizar durante os feriados da Páscoa e Cheng Ming.

Réplica de 5,1

Um sismo de magnitude 5,1 na escala de Richter abalou ontem Mandalay, no centro de Myanmar (ex-Birmânia), sendo uma réplica do terramoto de magnitude 7,7 que provocou mais de 1.600 mortos e 3.400 feridos.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) declarou que o tremor de ontem teve o seu epicentro a 28 quilómetros a noroeste da cidade de Mandalay e um hipocentro a uma profundidade de 10 quilómetros. Até ao fecho desta edição, não havia registo de vítimas ou danos materiais deste mais recente sismo. Com Lusa

Portugal lidera delegação europeia à feira internacional de turismo

Profissionais do sector turístico e jornalistas portugueses vão liderar uma delegação europeia à feira internacional de turismo de Macau, de 25 a 27 de Abril, disseram à Lusa as autoridades da região.

A Direcção dos Serviços de Turismo de Macau (DST) revelou que uma delegação europeia vai participar na 13.ª Expo Internacional de Turismo (Indústria) de Macau (MITE, na sigla em inglês). Numa resposta escrita, a DST acrescentou que a delegação está a ser organizada pela Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT).

Macau vai receber em Junho a reunião semianual da Confederação Europeia das Associações de Agências de Viagens e Operadores Turísticos (ECTAA, na sigla em inglês). “Eu acho que é um bom começo”, disse, em 17 de Janeiro, a directora da DST, Maria Helena de Senna Fernandes.

“Embora vá ter menos do que 100 pessoas, eles representam, no todo, 80 mil agências de viagens de toda a Europa”, sublinhou a dirigente. “Isto é também um resultado de boa colaboração entre nós e a APAVT, porque foi através da APAVT que nós fomos apresentados à ECTAA”, disse Senna Fernandes.

Ajuda lusitana

Senna Fernandes acrescentou que Portugal pode ajudar a região a atrair no futuro mais visitantes vindos do resto da Europa. “Portugal não serve só para atingir Portugal. Portugal serve também para nos ajudar a atingir o mercado europeu”, disse Senna Fernandes.

Em Abril de 2024, a vice-presidente da ECTAA, Heli Mäki-Fränti, disse à Lusa, durante a 12.ª MITE, que a reunião no território acontece “por iniciativa” da APAVT. Será a segunda vez que a ECTAA se reúne fora da Europa, após Kuala Lumpur, na Malásia. A confederação escolheu também Macau como destino preferido para 2025.

O território quer atrair mais visitantes internacionais e, só este ano, participou na Feira Internacional de Turismo de Madrid, em Janeiro, e na ITB Berlim, a maior feira de viagens do mundo, entre 04 e 06 de Março, além de realizar seminários nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita.

Macau não esteve presente na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), que decorreu entre 12 e 16 de Março, mas a DST garantiu que Portugal continua a ser “um mercado prioritário”.

A DST recordou que Macau vai acolher, entre 02 e 04 de Dezembro, o 50.º congresso da APAVT, “considerado o maior encontro anual da indústria turística portuguesa e que está previsto reunir entre 700 e 800 participantes”.

Macau Legend | Confirmadas perdas de 667,2 milhões

Face ao prejuízo anunciado e às dívidas acumuladas de 2,51 mil milhões de dólares de Hong Kong, a Macau Legend Development admite que o seu futuro está em causa

 

A Macau Legend Development (MLD) anunciou na sexta-feira que os prejuízos da operadora de jogo dispararam em 2024, em parte devido à decisão do Governo de Cabo Verde de recuperar um hotel-casino inacabado na capital. Os resultados confirmam as perdas que tinham sido antecipadas no início da semana passada.

De acordo com um relatório enviado à bolsa de valores de Hong Kong, a MLD perdeu 667,2 milhões de dólares de Hong Kong no ano passado. Em 2023, a empresa tinha registado um prejuízo de menos de três milhões de dólares de Hong Kong.

A MLD estimou uma perda de 45,9 milhões de dólares de Hong Kong após o Governo cabo-verdiano, em 18 de Novembro, ter formalizado a reversão do hotel-casino e demais obras inacabadas da empresa, no ilhéu de Santa Maria e orla marítima da Gamboa, na cidade da Praia.

A operadora reiterou na sexta-feira que está “a tomar as medidas necessárias para salvaguardar os interesses do grupo (..), incluindo explorar todas as opções disponíveis para contestar a decisão”. Por outro lado, a MLD admitiu ter “dúvidas significativas sobre a capacidade do grupo de continuar em actividade” devido a dívidas totais de 2,51 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Maus investimentos

Em 2015, o então líder da MLD, David Chow Kam Fai, assinou um acordo para um investimento de 250 milhões de euros. Após revisões, há cinco anos e meio, a conclusão da primeira fase estava prevista para 2021.

Nos últimos anos, há apenas guardas nos portões do recinto, uma área de cerca de 160 mil metros quadrados, que inclui o ilhéu de Santa Maria, parcialmente esventrado e, uma ponte asfaltada de poucos metros que o liga a um prédio de cerca de oito andares, vazio e vedado com taipais.

O Governo afirmou que deu à Macau Legend “todas as oportunidades para a retoma das obras ou para negociar a venda das acções ou a cedência da sua posição contratual a um potencial interessado na continuação do projecto”, mas não foram apresentadas alternativas.

“Tendo em conta que a MLD violou, de forma flagrante e reiterada, as obrigações (…) não resta ao Estado de Cabo Verde outra saída que não seja a de proceder à resolução” dos contratos, lê-se numa decisão do Conselho de Ministros. De acordo com o executivo, a empresa “violou também” o regime jurídico da exploração de jogos, “ao transferir, sem autorização do Governo de Cabo Verde, a propriedade de mais de 20 por cento do capital social”.

No final de 2023, numa entrevista à televisão de Hong Kong TVB, o presidente e director executivo da Macau Legend, Li Chu Kwan, disse que o grupo pretendia encerrar os projectos em Cabo Verde e Camboja até 2025.

Eleições | Wong Wai Man confessa dificuldade na recolha de assinaturas

Wong Wai Man revelou que até sábado tinha conseguido recolher 80 assinaturas para propor a candidatura às próximas eleições legislativas directas.

O eterno ex-candidato a deputado, também conhecido como o “Soldado de Mao”, confessou ao All About Macau estar a sentir dificuldades na recolha de assinaturas, mas que está confiante na possibilidade de chegar às 300 assinaturas exigidas por lei.

Recorde-se que Wong Wai Man, também presidente da Associação dos Armadores de Ferro e Aço, não consegui reunir todas as assinaturas suficientes para formalizar a sua candidatura às eleições legislativas de 2021. Sobre o programa político, Wong Wai Man destacou a necessidade resolver os problemas relacionados com o acesso ao emprego, em especial devido à importação de mão-de-obra barata de não-residentes.

Filipinas | Macau negoceia acordo sobre entrega de condenados

Entre 25 e 27 de Março, uma delegação da RAEM esteve em Manila para negociar um Acordo sobre a Transferência de Pessoas Condenadas e um Acordo de Entrega de Infractores em Fuga. A informação foi divulgada na sexta-feira, pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), através de um comunicado.

“Em ambiente amigável, as duas partes chegaram a consenso sobre o texto do projecto de Acordo sobre a Transferência de Pessoas Condenadas, concluíram ainda a negociação sobre algumas partes do conteúdo do Acordo de Entrega de Infractores em Fuga”, foi comunicado.

A próxima reunião deverá acontecer em Macau, “no segundo semestre do corrente ano”, tendo como temas o “Acordo de Entrega de Infractores em Fuga” e um terceiro acordo, o “Acordo de Auxílio Judiciário Mútuo em Matéria Penal”.

A delegação da RAEM foi chefiada pelo subdirector da Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAL), Iao Hin Chit, e incluiu representantes do Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância, do Gabinete do Procurador, do Gabinete do Secretário para a Administração e Justiça, e do Gabinete do Secretário para a Segurança.

A delegação das Filipinas foi chefiada pelo Conselheiro-Chefe Nacional do Ministério da Justiça, Dennis Arvin L. Chan, com representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério da Justiça das Filipinas.

Orçamento | Receitas públicas caem 14% até Fevereiro

A receita corrente do orçamento da RAEM foi de 15,9 mil milhões de patacas nos primeiros dois meses ano, indicando um movimento descendente. O valor do imposto cobrado sobre o jogo seguiu a tendência e apresentou uma redução de 3,8 por cento

 

A receita corrente de Macau caiu 14 por cento nos primeiros dois meses de 2025, em termos anuais, sobretudo devido a uma queda nas receitas financeiras e a uma desaceleração nas receitas do jogo. A receita corrente entre Janeiro e Fevereiro foi de 15,9 mil milhões de patacas, de acordo com dados publicados ‘online’ pelos Serviços de Finanças do território, na quinta-feira.

A principal razão para a diminuição foram as receitas financeiras, que passaram de mil milhões de patacas nos primeiros dois meses de 2024 para apenas duas mil patacas este ano. Esta rubrica corresponde aos resultados da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), incluindo receitas de investimentos e de juros e dividendos.

Por outro lado, os dados também revelam uma queda de 3,8 por cento, para 14,2 mil milhões de patacas nas receitas dos impostos sobre o jogo, que ainda assim representaram 89,3 por cento do total.

As seis operadoras de jogo da cidade pagam um imposto directo de 35 por cento sobre as receitas do jogo, 2,4 por cento destinado ao Fundo de Segurança Social de Macau e ao desenvolvimento urbano e turístico e 1,6 por cento entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos.

Os impostos sobre o jogo caíram apesar de os casinos de Macau terem registado receitas totais de quase 38 mil milhões de patacas nos primeiros dois meses do ano, mais 0,5 por cento do que no mesmo período de 2024.

Acima das estimativas

Em Janeiro e Fevereiro, Macau recolheu 14,2 por cento da receita corrente projectada para 2025 no orçamento da região, que é de 112,6 mil milhões de patacas. No início de Dezembro, o Centro de Estudos de Macau e o Departamento de Economia da Universidade de Macau previram que as receitas deveriam ser menores do que o estimado pelo Governo: 111,8 mil milhões de patacas.

Com as receitas em queda, Macau terminou Fevereiro com um excedente nas contas públicas de seis mil milhões de patacas, menos 24,8 por cento do que no mesmo período de 2024. Macau fechou o ano passado com um excedente de 15,8 mil milhões de patacas, mais do dobro do registado em 2023.

Além disso, foi o primeiro ano desde 2020, no início da pandemia, que o território conseguiu manter as contas em terreno positivo, algo exigido pela Lei Básica, sem efectuar transferências da reserva financeira.

O excedente encolheu apesar da despesa pública ter descido 6,1 por cento em Janeiro e Fevereiro, para 9,99 mil milhões de patacas, sobretudo devido ao menor investimento em infra estruturas. O Governo gastou 2,48 mil milhões de patacas no âmbito do Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA), menos 24,9 por cento em comparação com os dois primeiros meses de 2024.

Pelo contrário, a despesa corrente aumentou 3,1 por cento para 7,51 mil milhões de patacas, principalmente devido a uma subida de 5,7 por cento nos apoios sociais e subsídios dados à população.

AL | Chan Hou Seng quer mobilização juvenil contra “ataques à soberania”

O deputado e director do Museu de Arte de Macau afirmou na Assembleia Legislativa que é preciso recordar a invasão japonesa da China e mobilizar os jovens de Macau contra “movimentos independentistas de Taiwan”

 

Chan Hou Seng pede que se utilize o “80.º aniversário da vitória da Guerra da Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa” para “consciencializar os jovens para a causa da defesa da soberania nacional” face aos “independentistas de Taiwan”. A mensagem foi deixada através de uma intervenção antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa, lida pelo deputado nomeado pelo Chefe do Executivo, que é também director do Museu de Arte de Macau.

Na sexta-feira, na Assembleia Legislativa, o deputado avisou que os “residentes nascidos em tempos pacíficos, sobretudo os jovens” estão habituados a uma “sociedade próspera e estável” e que, por isso, “nem todos compreendem como os compatriotas de Macau se dedicaram a salvar a nação contra a invasão japonesa”. Por isso, Chan Hou Seng considerou imperativo que se olhe para o caminho percorrido, que se celebre “a memória dos mártires”, se tirem “lições da história” e que a sociedade, incluindo crianças se jovens, construa “uma grande muralha de aço para defender a soberania e a dignidade nacional”.

Com estes objectivos em mente, Chan Hou Seng propõe que se ensine no currículo escolar o papel das associações locais e de alguns residentes de Macau que combateram as forças japonesas ou que angariaram fundos para o esforço de guerra.

“Independentistas” como alvo

O membro da Assembleia Legislativa vai mais longe e identificou como alvo a abater os “movimentos independentistas de Taiwan”. “Os movimentos independentistas de Taiwan estão agora a conspirar com as forças externas, tentando cortar as relações entre Taiwan e a civilização chinesa, mas a Lei Anti-Secessão é como uma âncora de estabilidade para combater eficazmente a arrogância e bazófia dos independentistas de Taiwan”, atirou. Chan Hou Seng recordou ainda as palavras de Xi Jinping, quando considerou que a “questão de Taiwan surgiu da fraqueza e da desordem da nação, e terá de acabar com o rejuvenescimento nacional”.

Neste contexto, o deputado diz que é um dever da sociedade “deixar os jovens ver claramente que qualquer tentativa de secessão é uma traição à história e um atropelo à lei”.

O deputado propõe o financiamento de actividades ainda durante este ano lectivo, incluindo visitas de académicos a escolas para ensinar o conteúdo da Lei Anti-Secessão, mas também para que se use “o Direito como espada afiada para quebrar as falsidades independentistas de Taiwan, e consciencializar os jovens para a causa da defesa da soberania nacional”.

Chan acabou a intervenção a pedir que se utilize esta ocasião para promover a “completa reunificação da pátria” no âmbito de um novo capítulo do “Amor à China”.

Futebol | Wu Chou Kit quer cooperação com Portugal

Um deputado de Macau defendeu a cooperação com a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) para organizar jogos amigáveis com “equipas de topo da Europa” em Macau. Numa intervenção na Assembleia Legislativa, Eddie Wu Chou Kit propôs “estabelecer [uma] cooperação profunda” com a LPFP para a criação, “em conjunto, de uma base permanente de treino”.

O deputado explicou que o objectivo seria “atrair equipas de topo da Europa para formação e realização de jogos itinerantes, promovendo o intercâmbio desportivo e cultural a nível internacional”.

Alargando o âmbito aos países de língua portuguesa, Eddie Wu apelou ao reforço da “colaboração comercial (…) na área do futebol [e a] introduzir as suas famosas marcas e competições de alto nível”. Wu defendeu que a cooperação com o bloco lusófono permitiria “criar uma plataforma de eventos internacionais [e] atrair fãs da Ásia Oriental até Macau para assistirem aos jogos”.

O deputado, nomeado pelo anterior líder do Governo local, apontou como meta “transformar Macau numa ponte importante para o intercâmbio e a cooperação entre os países de língua portuguesa e a China ao nível do futebol”. Por outro lado, Wu, também presidente da Associação dos Engenheiros de Macau, ligou a cooperação internacional à necessidade de “formar talentos” na área do futebol local”.

A selecção masculina de Macau, composta por jogadores amadores, está actualmente classificada na 193.ª posição do ranking mundial da FIFA, composto por 210 equipas.

Casinos-satélite | Nick Lei avisa para desemprego

O encerramento dos casinos-satélite pode afectar cerca de 5 por cento de todo o emprego do território. O alerta foi deixado pelo deputado Nick Lei, ligado à comunidade de Fujian, numa intervenção antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa.

A última revisão à lei do jogo veio determinar um prazo de três anos para resolver a questão dos casinos-satélite, que termina no final do corrente ano. Estes casinos são explorados por empresas independentes das concessionárias, mas com recursos destas. Por isso, até ao final do ano, estes casinos passam a ser explorados directamente pelas concessionárias ou são encerrados.

Nick Lei pelou ao Governo que pondere o impacto desta política, porque os trabalhadores estão “perplexos” com a situação, e que tenha em conta que o impacto do encerramento de um único casino-satélite e uma onda de encerramentos vai ter um impacto profundo na economia local.

Nick Lei indicou também que “existem actualmente 11 ‘casinos-satélite’ com cerca de 4.000 trabalhadores do sector do jogo e da hotelaria” e que as lojas que giram à volta destes espaços são responsáveis por cerca de “5.500 trabalhadores”, num total de “13.500 trabalhadores”, o que indicou representar 4,6 por cento do total da força laboral de Macau”.

EPM | Paulo Rangel garante aumento de apoio financeiro, após 11 anos de cortes

Numa visita relâmpago a Macau, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal defendeu que a posição que o país mantém na União Europeia em nada afecta a relação com a China. Durante a visita de Paulo Rangel foi também anunciado que Sam Hou Fai deverá visitar Portugal durante o Verão

 

Reuniu com Sam Hou Fai, com conselheiros das comunidades portuguesas, representantes associativos, instituições de ensino e empresários portugueses. Foi assim a visita de Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, na curta visita à RAEM, que decorreu na sexta-feira. Não faltaram ainda passagens pela Escola Portuguesa de Macau (EPM) e o Consulado-geral de Portugal no território. No final da tarde, Paulo Rangel deslocou-se ainda a Hong Kong para visitar a exposição “Estórias Lusas”, dedicada à comunidade portuguesa do território, patente no Museu de História de Hong Kong. Na China, Paulo Rangel marcou presença no Fórum Boao, em Hainão.

Numa entrevista à TDM, o ministro assegurou que as relações de Portugal com a China mantêm-se boas, negando que o posicionamento do país nas tomadas de posição da União Europeia (UE) possa representar alguma espécie de entrave.

“Quem achar que a presença de Portugal na UE é prejudicial para a relação de Portugal com a China, não percebe a relação de Portugal com a China e não percebe o papel de Portugal no quadro internacional. Percebo que algumas pessoas não compreendam, mas sinceramente temos de ver isso como mais valia. E isso é visto assim”, defendeu.

Uma das vozes que criticou o posicionamento de Portugal em relação a matérias como a questão da Huawei e rede 5G foi Amélia António, advogada e presidente da Casa de Portugal em Macau.

“A minha expectativa não é grande. Gostaria que o senhor ministro, depois de visitar a China, dissesse alguma coisa simpática, na medida em que as relações têm estado muito frouxas. Gostava de ver essa relação ser retomada da forma como era habitual e também que não fôssemos tão seguidores das posições da UE, de forma tão feroz, pois temos aqui interesses muito especiais e temos uma comunidade portuguesa muito grande. A situação é diferente em relação a outros países da UE, e isso não deve ser perdido de vista”, disse ao HM antes da chegada de Paulo Rangel a Macau.

A questão EPM

Na entrevista concedida à TDM, Paulo Rangel comentou ainda a questão da EPM, frisando os pontos que não estiveram na agenda, nomeadamente as obras de ampliação das instalações.

“Esta questão ainda não foi abordada. Há, aliás, várias questões que têm de ser detalhadas e resolvidas, e uma ou outra que não foram ainda postas em cima da mesa. Sabemos que há procura por isso, mas, e estou a ser totalmente transparente, é uma questão que não está ainda posta em cima da mesa.”

Segundo a Lusa, Paulo Rangel anunciou também que o Governo aumentou o apoio financeiro à EPM, regressando ao nível previsto legalmente, após 11 anos de cortes.

“Acabámos de fazer a reposição da contribuição portuguesa para a Escola Portuguesa de Macau, que (…) tinha sofrido um corte enorme”, disse Rangel na sexta-feira.

O Estado português detém a maioria (51 por cento) do capital da fundação da EPM, mas desde 2014 que Lisboa apenas contribuía com 10 por cento das despesas da escola, uma decisão tomada no âmbito do programa de resgate financeiro de Portugal. O financiamento da EPM “está agora nos níveis legais outra vez e é a primeira vez ao fim de 11 anos”, anunciou.

Pouco depois, o chefe da diplomacia portuguesa disse aos jornalistas que “já não havia razão nenhuma, sinceramente, para haver esse corte e ele manteve-se”. “Aumentámos cinco vezes esse valor [do financiamento da EPM], portanto isso é algo que é altamente significativo do empenho que nós temos”.

“Há governos que realmente dão importância a Macau e à China e há outros que não dão, isto é uma coisa que tem que ser dita”, lamentou o ministro, apontando o dedo ao anterior executivo do Partido Socialista. A reposição do financiamento “é sem dúvida uma ajuda importante” para a EPM, que Rangel descreveu como tendo um papel fundamental para Portugal em Macau.

“Também registamos com agrado (…) que nunca houve tantos alunos de português – e agora falo de alunos da comunidade chinesa – como há hoje em múltiplas escolas”, acrescentou o dirigente. “Significa que também a Região Administrativa Especial [de Macau] tem incentivado o ensino de português e o conhecimento de português, e isso é algo que só pode trazer boas relações entre os dois lados”, acrescentou Rangel.

Sam em Portugal

Do encontro com Sam Hou Fai, que decorreu também na sexta-feira, saíram algumas ideias e opiniões sobre “o intercâmbio e cooperação bilateral nas áreas judicial, económico-comercial, educação, entre outras”, aponta uma nota oficial do Gabinete de Comunicação Social.

Sam Hou Fai levou para o encontro temas como “o desenvolvimento mais actual da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Henqing”, além de ter lembrado que “Paulo Rangel é o primeiro responsável ministerial estrangeiro que ele recebe após a tomada de posse como Chefe do Executivo, facto que reflecte as boas relações entre Macau e Portugal com uma história de longa data”.

O Chefe do Executivo destacou ainda que depois de 20 de Dezembro de 1999, Macau, “com o forte apoio do Governo Central, tem insistido em manter o princípio de ‘Um País, Dois Sistemas’, preservando o sistema jurídico continental, a cultura e costumes tradicionais, bem como manter, activamente, a ligação e fomentar as relações com Portugal”.

O governante disse ainda que “Macau tem aprofundado o papel de ponte e plataforma entre a China e os países lusófonos, impulsionando, de forma contínua, o estabelecimento de relações amigáveis nas diversas áreas de cooperação bilateral”.

Outra novidade deste encontro foi a informação, avançada pelo próprio Sam Hou Fai, que “espera visitar Portugal num futuro próximo” sem que, no entanto, tenha sido anunciada uma data concreta.

Rangel anunciou que o Chefe do Executivo de Macau deverá visitar Portugal “imediatamente antes de Agosto ou em Setembro”. “Há aqui claramente também um alinhamento das prioridades que é altamente simbólico”, disse o diplomata, à margem de um encontro com a comunidade portuguesa em Macau.

Questionado sobre as restrições a portugueses no acesso ao estaturo de residente, Rangel disse que falou com Sam Hou Fai “sobre todas as questões que são relevantes para a relação entre Portugal e a RAEM”. “Mas, como se trata de um diálogo que está em curso, tenho o dever de dar a oportunidade a que possamos, com as questões que foram levantadas de uma parte e da outra, termos agora espaço e tempo para construirmos soluções”, acrescentou.

Rangel disse que o “seguimento do diálogo” com Sam Hou Fai acontecerá numa reunião da Comissão Mista Portugal–RAEM, “que será organizada, em princípio, no segundo semestre aqui em Macau”.

Paulo Rangel disse ainda, em entrevista à TDM, que a visita de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República portuguesa, “vai acontecer um pouco mais tarde”, precisamente devido à marcação de novas eleições no país. Inicialmente, o objectivo era que Marcelo Rebelo de Sousa viesse a Macau em Junho para comemorar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses. A visita deverá acontecer nos meses seguintes de Verão, previu Paulo Rangel.

Encontros e desencontros

Paulo Rangel teve ainda um encontro com representantes associativos locais, incluindo com o conselheiro das comunidades portuguesas. Francisco Manhão, presidente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), aproveitou para falar da burocracia que ainda existe no relacionamento com a Caixa Geral de Aposentações (CGA).

“Para despachar um processo de pensões de sobrevivência leva seis meses e depois a correspondência anda para a frente e para trás. Os bancos de Macau não têm IBAN, e isso, por exemplo, atrasa todo o processo. Sempre que um processo vai para a CGA, voltam a insistir que não tem o número de IBAN e o NIF [Número de Identificação Fiscal], que a maioria das viúvas receptoras das pensões de sobrevivência, chinesas, não têm em Portugal”, exemplificou.

Manhão deixou ainda elogios ao político português. “Por pouco tempo que esteve aqui, mostrou preocupação. Gostei da presença do ministro”. Além disso, Francisco Manhão frisou que “em boa hora o Governo português nomeou Alexandre Leitão para cônsul”, lembrando também o bom trabalho do anterior cônsul português, Vítor Sereno. “O Consulado nunca esteve a funcionar tão bem como agora. As críticas feitas ao nosso cônsul são injustas. Houve associados nossos que me disseram ter ficado admirados por terem feito uma marcação e sido atendidos no dia seguinte”, salientou.

Mais aposta na língua

Outro ponto importante da visita de Rangel foi a promessa do reforço do ensino do mandarim em Portugal. “Com as autoridades chinesas fiz questão de dizer que nos vamos empenhar muito no ensino do chinês em Portugal”.

Na capital chinesa, Rangel encontrou-se com o homólogo chinês, Wang Yi, antes de se reunir com o vice-primeiro-ministro chinês, Ding Xuexiang, na ilha de Hainão, onde decorreu o Fórum Boao.

“A situação hoje é muito melhor do que era há 20 anos (…). Já temos, de facto, uma capacidade de formação que não tínhamos de todo”, disse Paulo Rangel. A formação de pessoas fluentes em mandarim “é decisivo também para o nosso futuro”, mas “não é suficiente para os desafios que temos pela frente”, alertou. Com Lusa

Lula diz que Trump “não é o xerife do mundo” e ameaça tarifas recíprocas do Brasil

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou ontem o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, que “não é o xerife do mundo”, segundo Lula, ameaçando reagir com “reciprocidade” às tarifas dos EUA sobre as importações de aço brasileiro.

Numa conferência de imprensa ontem em Tóquio, durante a sua visita de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil tem “duas decisões a tomar” em resposta às tarifas de 25 por cento que entraram em vigor este mês: a primeira é recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e, se isso não funcionar, “recorrer a outras ferramentas”.

Lula mencionou especificamente a opção de “aumentar as tarifas sobre os produtos americanos” importados pelo Brasil, o que definiu como “pôr em prática a lei da reciprocidade”. “O que não podemos fazer é ficar calados, achando que só eles podem impor tarifas”, disse.

“Estou muito preocupado com a política do Governo americano por causa dessas tarifas sobre todos os produtos de todos os países”, disse ainda Lula à imprensa em Tóquio, no final da sua visita, quando questionado sobre as novas tarifas de 25 por cento sobre todos os automóveis importados pelos EUA a partir de 2 de Abril, anunciadas na véspera por Trump.

“Estou preocupado porque o livre comércio é que está a ser prejudicado, porque o multilateralismo está a ser derrotado, e estou preocupado porque o Presidente americano não é o xerife do mundo, é apenas o Presidente dos Estados Unidos”, sublinhou o líder brasileiro.

Em vez de impor “medidas unilaterais”, Lula considera que seria mais adequado “conversar com outros líderes” para chegar a acordo sobre políticas de preços benéficas para todas as partes.

“Sinceramente, não sei qual é o benefício de aumentar em 25 por cento as tarifas sobre os carros comprados no Japão”, disse o líder brasileiro sobre o país asiático, um dos mais atingidos pelas novas medidas comerciais dos Estados Unidos, dado o peso da sua indústria automóvel.

“A única coisa que isso vai fazer é tornar os carros mais caros para os consumidores americanos e aumentar a inflação”, disse Lula, que também apontou o risco de os preços mais altos levarem a uma contracção económica.

Líderes de acordo

Lula chegou ao Japão na segunda-feira para uma visita de Estado de quatro dias, que terminou ontem, antes de seguir para o Vietname, onde deverá encontrar-se com o primeiro-ministro vietnamita, Pham Minh Chinh, e com o Presidente vietnamita, Luong Cuong.

Numa cimeira realizada na véspera com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, os dois líderes concordaram em lançar iniciativas conjuntas de descarbonização e reforçar os laços comerciais, com um futuro acordo de comércio livre entre o país asiático e o Mercosul no horizonte e no actual contexto de guerra comercial e negacionismo climático.

Durante a visita, o Presidente brasileiro sublinhou a mensagem de que a democracia, o comércio livre e o multilateralismo estão em perigo a nível mundial perante o aumento do proteccionismo, do autoritarismo e da “nova guerra fria” entre os Estados Unidos e a China.

Emboscada

Quando o perigo espreita é o corpo que fala. Somos capazes de decifrar em tempo recorde nossos poderosos transmissores que nunca saberemos exactamente de onde vêm. A impressionante capacidade de precisão é talvez a marca do pensamento para se ajustar ao improvável, uma rede genial de componentes que se agregam antes de qualquer análise: podemos designar como presciência, ângulo forte, talento inato para sobreviver. No entanto será sempre sobrenatural, pois que a natureza não necessita em sua constância de tais rasgos, que viver, afinal nem constitui um grande perigo, só que há momentos.

Assim como as comportas da vida se nos abrem, também em nosso favor se agregam recursos, e a esta sucessão chamamos milagre, essa aritmética que devemos não indagar demasiado para que constitua sempre a sua própria atmosfera.

Há muito que a Europa cultural de ramificações constantes e quase lendárias não reúne os seus papéis no quotidiano na vida das Nações, e passou a um embalo de entretenimento ofensivo nessas hostes, muitas vezes de um pretensiosismo difícil de interpretar, e não se revê a Leste e a Oeste, ao Centro, ou nos limites da sua periferia. Os dogmas lançados adormeceram o seu encanto cultural que nenhuma clarividência já pode despertar, que um certo hedonismo de base atravessou tudo para que mais ninguém sinta tempos vazios nas muitas entusiastas existências, e isto, começa como estamos vendo, a ruir de modos vários. Olhando melhor (longe para sempre qualquer teoria da conspiração, modelo enfático, superficial, delirante…) quando só nos resta uma certa e incisiva observação dos acontecimentos, sabemos que há muito mais de não revelado. Não há agora nenhuma análise que supere a grande conclusão de René Char: «os perigos vêm sempre de um ângulo de que não estávamos à espera».

Para quem se entretém nesta amálgama de mudanças súbitas, para aqueles que se abrigam no chapéu-de-chuva das Nações, o que desconhecem do propósito inicial é tão grande, que correm o perigo de uma emboscada. É como a Rota da Seda, a China trazia um produto que chegando ao Mediterrânio, povos do deserto e de outras estradas de Damasco, encontravam, sem nunca se ver os verdadeiros rostos que fizeram da pilhagem uma arte maior. A Mongólia subia lá para cima com algumas afinidades com estas tribos nómadas, e ninguém concluiu ainda que toda esta região mais cá para baixo não tivesse estado no domínio do grande bicho-da-seda. Mais: que fora dela pioneira. E que fazem agora os nossos superlativos amigos que desdenham a Europa como quem esconde um escravo? Isso, ninguém sabe.

Mas afinal, para que quereriam a Europa? Para nada. O facto de estarmos a ser reduzidos desta maneira é já extrema perfídia só mesmo comparada àquela majestosa frase romana «os deuses enlouquecem antes aqueles que querem perder». Se estivermos pensando que somos de uma atratividade inquestionável, o problema para além de patético, será ainda neste momento trágico, risível. Em última instância, e para não saturar ainda mais o mundo das estratégias, quem nos diz que são humanos os que representam os factores destas abruptas mudanças? A Inteligência Artificial pode estar bem mais adiantada, e nunca excluir participação extraterrestre nos domínios do agora.

Nas nossas lides pessoais as coisas também não são melhores; estamos repletos de emboscadas, complexidades viciantes, delírios, que um continente tão velho de gentes, e tão atónito face à sua presunção, é agora incapaz de reagir com as prerrogativas que façam qualquer organismo defensivo. Estamos paralisados. Vamos e vimos na hora do chá, apertamos as mãos, esqueletos futuros, e sorrimos como se não quiséssemos entender mais nada. No entanto, fomos somente um Mercado Comum. A nossa moderna condição não chegou a ser mais nada, e como devemos calcular, o Mercado é sempre muito pouco. Partilhámos os bens comuns, iludimos a guerra, fizemos do desporto armações de antigos exércitos, só que nada disto agora importa, nem o atómico incentivo francês, que estas defensivas devemos entendê-las somente como a um perigo acrescido. Zelensky é um judeu em luta fora de uma terra já não prometida, mas tempo houve em que a Crimeia poderia ter sido o seu Estado. Tudo isto acabou e já passou do tempo, mas todos nos comportamos como se fosse uma realidade. A China suavemente não diz nada até cairmos todos inanimados em nossos dizeres.

Há qualquer coisa muito mais vasta que todas estas tomadas de posição. Quando tudo nos começar a fugir como destino, devemos ter a circunspeção que nos possa fazer entender este novo mundo modificado.

AMAGAO | Exposição “Ano 3” inaugurada hoje

É hoje inaugurada, na galeria AMAGAO, no Artyzen Grand Lapa, uma nova exposição colectiva que marca o terceiro aniversário da galeria.

Trata-se de uma mostra com 30 trabalhos de 29 artistas, locais e não só, com nomes como Alexandre Marreiros, Abílio Febra, Clara Leitão, João Palla, Ieong Man Fai, Nuno Calçada Bastos ou Suzy Bila, entre outros.

“Esta exposição tem a singularidade de todos os artistas terem recebido uma tela igual de 30 x 30 cm”, destaca-se ainda na mesma nota. A inauguração da mostra começa às 18h30. A galeria AMAGAO é um projecto de Lina Ramadas e Víctor Hugo Marreiros.

Rota das Letras | Lusofonia e literatura em destaque este fim-de-semana

Chega ao fim este fim-de-semana o festival literário Rota das Letras, mas isso não significa uma diminuição dos eventos. O universo literário e a lusofonia vão estar em destaque nos próximos dias. Hoje, acontece a apresentação do livro “Desconseguiram Angola”, de António Costa e Silva, mas haverá mais apresentações de obras e ainda uma sessão virada para o livro infantil com a editora local Mandarina

 

Está a chegar ao fim mais uma edição do festival literário Rota das Letras que, este ano, trouxe para o programa reflexões sobre a lusofonia e o processo de descolonização portuguesa. Mas no tocante à lusofonia, sobretudo na vertente literária, esta estará em destaque nos vários eventos do cartaz dos próximos dias.

Hoje, precisamente, decorre a apresentação do romance “Desconseguiram Angola”, da autoria de António Costa e Silva, antigo ministro da Economia e do Mar em Portugal. A sessão decorre no Antigo Matadouro Municipal, na Barra, a “casa” do Rota das Letras este ano, a partir das 18h30.

“Desconseguiram Angola” é um romance que faz “a descida aos horrores da guerra” e que, numa primeira fase, foi para as bancas assinado com um pseudónimo, mas António Costa e Silva acabou por assumir mais tarde a sua autoria. Com a chancela da Guerra e Paz, trata-se de uma obra que tem “vários livros”, com histórias como “o regresso imaginado à infância, o da vida e das histórias de Luanda, o dos rios ancestrais de África e o da guerra”. Existe, portanto, “um cruzamento de caminhos sob o cenário da guerra, a mais longa da história de Angola, que marcou o país, as pessoas, as palavras”, descreve a sinopse da obra.

Também no Antigo Matadouro Municipal, na Barra, mas numa outra sala, à mesma hora, o Rota das Letras acolhe a sessão de diálogo “Literatura e Clima – Histórias que Mudam a Sociedade”, com a presença de Jane Lee. Trata-se de uma sessão em inglês.

No mesmo local, mas a partir das 19h30, o mundo da lusofonia faz-se novamente sentir com a palestra “Literatura Lusófona – Um novo mundo, meio século depois das independências”, novamente com o contributo de António Costa e Silva e da escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida. Esta é autora de vários livros, como “Três Histórias de Esquecimento” e “Esse Cabelo” e “Toda a Ferida é uma Beleza”, este último vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLAB 2024. Os seus livros e ensaios receberam vários prémios, incluindo o Prémio Oceanos, e estão traduzidos em dez línguas. Em 2023, Djaimilia recebeu o Prémio FLUL Alumni, atribuído pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se doutorou. Este ano recebeu o Prémio Vergílio Ferreira, atribuído pela Universidade de Évora, pelo conjunto da sua obra literária. Ensinou na New York University e é ainda cronista em vários jornais. Nasceu em Luanda.

Também a partir das 19h30, decorre outra sessão de apresentação de livros com Marina Pacheco, intitulada “Living, Loving, Longing Lisbon – Contos de uma Grande Cidade”. Essencialmente esta obra revela histórias da capital portuguesa, reunindo pequenos contos com base em relatos de moradores e visitantes da cidade, bem como de pessoas que simplesmente se apaixonaram por Lisboa e pela sua essência.

Outras vozes

O cartaz prossegue na tarde de amanhã com a palestra “Fronteiras Entrelaçadas – Eu e Nos na Escrita da Ficção Feminina”, que decorre a partir das 15h também no Antigo Matadouro Municipal. Trata-se de uma sessão em chinês com os autores Kwok Yim Mei e Chen Xiaoyang, com tradução em simultâneo para inglês.

Numa outra sala, muda-se de idioma e de tema: é a vez de se falar da “Cozinha Portuguesa dos Descobrimentos”, com Anabela Leal de Barros, autora ligada ao Oriente e professora da Universidade do Minho.

Além da dedicação ao estudo da poesia barroca portuguesa com base na tradição manuscrita, Anabela Leal de Barros tem desenvolvido estudos sobre os códices de épocas e âmbitos diversos, incluindo os da História da Alimentação, História da Medicina, História da Economia e, em particular, da Historiografia Linguística e da Linguística Missionária.

A temática da gastronomia prossegue, a partir das 16h, com a apresentação de “A China em Sete Banquetes – Uma Viagem Aromática por 5,000 Anos de Património Gastronómico Chinês”, uma obra de Thomas Dubois.

Falar de Pessoa

Também amanhã, a partir das 16h, é a vez de se falar de Fernando Pessoa, um dos grandes poetas portugueses, com a sessão “‘Estou Vazio’. Os heterónimos de Pessoa e a tradução poética”, com a presença de Yang Zi.

A partir das 17h, acontece outra apresentação de livro, também no Antigo Matadouro Municipal, com a sessão “Lin-Tchi-Fá. A Flor de Lótus traduzida para Chinês e Inglês 100 anos após a primeira edição”, com Lian Zimo e Ian Watts.

O universo da cultura chinesa clássica será tema da sessão que arranca às 18h, com a presença de Carlos Morais José, director do HM, e Zerbo Freire, tradutor. Nesta palestra fala-se de “O Peso do Outono no Coração, de Li Qingzhao”, bem como da edição 9 da revista Via do Meio, com o tema dos “simbolismos chineses”.

A noite de sábado encerra com música e poesia: a partir das 20h30, decorre no Teatro D. Pedro V o espectáculo com o grupo Lisbon Poetry Orchestra, “O Mito da Escrita, seguido de ‘Os Surrealistas'”. “Os Surrealistas” não é mais do que um livro-cd dedicado “a um grupo de artistas e poetas que, num Portugal cinzento, percebeu a urgência da liberdade”, ou seja, os fundadores e seguidores do Surrealismo português.

Por sua vez, os Lisbon Poetry Orchestra apresentam-se como “um colectivo multidisciplinar formado por músicos e poetas que convidam outros artistas para celebrar e interpretar a poesia numa viagem única à descoberta e reinvenção da palavra dita”.

Passeios e palavras

Domingo amanhece com o Rota das Letras e o passeio guiado com o autor Jason Wordie. Trata-se de uma actividade que percorre os lugares antigos de Macau constantes no livro do autor “Macao, People and Places, Past and Present”, localizados na zona da Barra. O passeio começa às 11h e funciona mediante inscrições prévias.

Às 15h, no Antigo Matadouro Municipal, é a vez do autor e jornalista Paul French apresentar duas novas obras, uma delas sobre Macau: “Destination Macao”, uma obra com várias histórias e relatos sobre a antiga Macau. Porém, a sessão destina-se também a falar do livro que conta a história de Wallis Simpson em Xangai, antes de ser Duquesa de Windsor, com a obra “Her Lotus Year”.

Mas a tarde de domingo do Rota das Letras dedica-se também à literatura infantil. Igualmente a partir das 15h, no mesmo local, acontece a palestra “As Chaves da Fantasia – Um Debate sobre a Escrita da Literatura Infantil”, com os convidados Chen Shige e Lydia Ieong.

Segue-se a sessão de ilustração e escrita de contos ao vivo com Catarina Mesquita, fundadora da editora de livros infantis Mandarina, o cartoonista Rodrigo de Matos e Lydia Ieong. Este evento começa às 16h no Antigo Matadouro Municipal. A partir das 16h30 acontece mais uma apresentação de livro, “O Naufrágio de Lisbon Maru”, de Tony Banham.

Por sua vez, a partir das 17h30 decorre a palestra “2025 – O Ano de Todas as Mudanças”, novamente com o autor António Costa Silva, o académico e analista político Sonny Lo e Michael Share. O grupo Lisbon Poetry Orchestra volta a participar na sessão “Poesia e Música. Uma Ligação que Perdura Através dos Tempos”, ao lado de Xana, Peace Wong e Anthony Tao.

O festival muda-se de armas e bagagens, no final de um dia de domingo preenchido, para o Artyzen Grand Lapa, para o jantar “Uma Festança de Histórias – Sete Pratos, Sete Tradições”, que decorre mediante inscrição prévia.

Fórum Boao | Pequim pede aos países asiáticos que se oponham ao proteccionismo

O vice-primeiro-ministro chinês, Ding Xuexiang, pediu ontem “oposição resoluta ao proteccionismo”, no fórum dedicado à cooperação económica na região Ásia – Pacífico.

“A Ásia tornou-se a região mais dinâmica do mundo em termos de desenvolvimento e potencial de crescimento”, afirmou Ding Xuexiang, vice-primeiro-ministro chinês, na sua intervenção no evento, que contou com a participação do ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel.

“A Ásia abriu activamente as suas portas e tomou a iniciativa de se integrar no mundo”, lembrou o responsável chinês, num período de crescentes fricções comerciais entes os Estados Unidos e o resto do mundo.

Ding Xuexiang afirmou que a região deve “trabalhar em conjunto para proteger o comércio livre, aderir ao regionalismo aberto e opor-se resolutamente ao proteccionismo comercial e de investimento”. Apelou à “resolução das diferenças e dos diferendos através do diálogo e da consulta” e defendeu a “abertura, a cooperação e a globalização económica” como “escolhas inevitáveis” para a região.

O vice-primeiro-ministro afirmou que o desempenho económico da China “permanece estável” e que “as taxas de crescimento da indústria, do consumo, do investimento e de outros indicadores nos primeiros dois meses deste ano foram superiores às registadas em todo o ano passado”.

Ding afirmou que as autoridades “vão implementar políticas macroeconómicas mais pró-activas” e “expandir a procura interna em todas as frentes”, numa altura em que o fraco consumo interno suscita pressões deflacionárias na segunda maior economia do mundo.

O dirigente acrescentou que o Governo chinês vai “promover de forma mais vigorosa o desenvolvimento saudável dos mercados imobiliário e bolsista”. O fórum, que decorre até sexta-feira sob o tema “A Ásia num Mundo em Mudança: Rumo a um Futuro Partilhado”, sublinhou a resiliência da região num ambiente global marcado por tensões geopolíticas.

TikTok | Pequim rejeita oferta de Trump de reduzir taxas

A China recusou ontem a oferta do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de conceder um alívio das taxas alfandegárias em troca de um acordo sobre a venda da aplicação de partilha de vídeos TikTok.

“Sobre a questão do TikTok, a China expressou a sua posição em várias ocasiões. A posição da China contra a imposição de taxas alfandegárias adicionais também é consistente e clara”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun.

Donald Trump disse na quarta-feira que está preparado para reduzir algumas das taxas sobre as importações oriundas da China se a dona do TikTok, a chinesa ByteDance, concordar em alienar as suas operações nos EUA.

“A China vai ter de desempenhar um papel na venda da aplicação, possivelmente vai ter de a aprovar e, se o fizer, talvez lhe conceda uma pequena redução das taxas alfandegárias”, disse o Presidente dos EUA, a partir da Casa Branca. A 20 de Janeiro, assim que tomou posse, Trump deu à ByteDance 75 dias para vender as suas operações nos EUA, ou seja, até 5 de Abril.

No final deste prazo, se não o fizer, a plataforma deverá ser proibida nos Estados Unidos, onde tem 170 milhões de utilizadores, nos termos de uma lei aprovada no ano passado em nome da protecção da segurança nacional.

Diplomacia | MNE francês apela ao diálogo com Pequim

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, apelou ontem a uma “poderosa parceria franco-chinesa”, face às crises mundiais, mas advertiu que a Europa defenderá os seus interesses e valores.

“Mais do que nunca, o contexto actual exige uma parceria franco-chinesa poderosa ao serviço da estabilidade geopolítica, da prosperidade e do futuro do nosso planeta”, defendeu Barrot, de visita a Pequim, antes de se encontrar com o seu homólogo chinês, Wang Yi.

Os dois ministros apertaram as mãos na sumptuosa residência estatal de Diaoyutai, diante das bandeiras dos dois países, antes de manterem conversações à porta fechada. Paris disse que as conversações se centrariam na resolução dos conflitos Rússia – Ucrânia e no Médio Oriente, e nas tensões comerciais entre a China e a União Europeia.

“O ritmo das crises está a acelerar”, afirmou o ministro francês, ao lado de Wang Yi. “Os nossos dois países devem, por conseguinte, promover em conjunto um diálogo de estabilidade que conduza à procura de soluções”, afirmou.

“Perante os desafios políticos, económicos e de segurança, uma nova Europa está a emergir rapidamente. A sua única bússola é a autonomia estratégica”, declarou Jacques Barrot. “A Europa será particularmente vigilante na defesa dos seus interesses e dos seus valores”, acrescentou. O ministro sublinhou ainda que Paris e Pequim “devem coordenar-se para promover uma paz justa e duradoura na Ucrânia”.

“A China também tem um papel a desempenhar para convencer a Rússia a sentar-se à mesa das negociações com propostas sérias e de boa-fé”, disse o ministro francês ao homólogo chinês. O chefe da diplomacia chinesa advertiu que “a situação internacional mudou novamente e tornar-se-á ainda mais caótica”.

França e China devem “aderir ao multilateralismo” e “trabalhar em conjunto para a paz e o desenvolvimento do mundo”, insistiu Wang Yi, que considera a China um dos principais alvos da ofensiva comercial do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“A França opõe-se a qualquer forma de guerra comercial e defende o diálogo sobre as questões comerciais, nomeadamente entre a União Europeia e a China”, respondeu Jean-Noël Barrot, em Pequim.

Barrot falou ainda das sanções aplicadas pela China ao conhaque francês, em resposta às taxas adicionais impostas pela União Europeia aos automóveis eléctricos chineses. Afirmou estar à procura de uma “solução rápida” para este diferendo comercial, que permita aos dois países concentrarem-se “na construção de parcerias e investimentos para o futuro”.

Sob pressão

Jean-Noël Barrot deverá manter conversações ao fim da tarde com um alto funcionário chinês não identificado. O ministro francês deslocar-se-á depois a Xangai, onde deve inaugurar na sexta-feira uma fábrica de produção de hidrogénio construída pelo grupo francês Air Liquide e participar num fórum empresarial franco-chinês.

A visita de Jacques Barrot à China faz parte de um vasto périplo pela Ásia, durante o qual visitou a Indonésia e Singapura.

A ameaça de uma agressão russa na Europa “não é teórica”, afirmou Barrot na passada terça-feira, a partir de Singapura, depois de o enviado especial dos EUA para o Médio Oriente, Steve Witkoff, ter afirmado na Fox News, no domingo, que não acreditava nessa eventualidade.

A “agressividade” da Rússia “ao longo dos últimos três anos estendeu-se muito para além da própria Ucrânia”, disse Barrot aos jornalistas.

Iao Hon | Quatro prostitutas interceptadas

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) encaminhou três mulheres chinesas e uma vietnamita para o Departamento de Controlo Fronteiriço, depois de as ter descoberto a oferecem-se a homens, a troco de dinheiro.

A identificação dos quatro casos aconteceu a 23 de Março, durante uma acção no Bairro Iao Hon. As mulheres foram encontradas a oferecerem-se nas escadas a transeuntes.

A informação foi publicada pelo jornal Ou Mun, e as mulheres confessaram pagar uma renda por dia de 500 patacas por quartos em duas habitações. Também a Direcção dos Serviços de Turismo bloqueou as habitações em causa, por suspeitas de estarem a ser utilizadas como pensões ilegais.

Turismo | Excursionistas internacionais crescem quase 50%

No mês de Fevereiro, o número de excursionistas internacionais, ou seja, de outros países que não a China, foi de 19 mil, o que representa um aumento de 44,8 por cento em termos anuais.

Destaque para o facto de, deste grupo, 11 mil turistas que vieram em excursões serem oriundos da Coreia do Sul, ou seja, 64,8 por cento. Ainda assim, as excursões com turistas da China continental continuam a dominar, tendo Macau recebido, no mês de Fevereiro, 124 mil turistas do país, com uma ligeira quebra de 0,7 por cento.

Em termos globais, o território recebeu 145 mil excursionistas, mais 3,8 por cento face ao mesmo mês do ano passado. Os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram que os estabelecimentos hoteleiros disponibilizavam um total de 44.000 quartos de hóspedes, menos 5,7 por cento, em termos anuais, sendo que a taxa de ocupação média dos quartos de hóspedes fixou-se em 90,6 por cento, mais 5,5 por cento. O período médio de permanência dos hóspedes manteve-se em 1,6 noites.

PJ | Ourivesarias eram fachada para trocas de dinheiro

A Polícia Judiciária desmantelou na terça-feira dois grupos criminosos de troca de dinheiro ilegal. Do maior grupo, que usava oito ourivesarias como fachada foram detidas 33 pessoas, apreendidos 18 milhões de dólares de Hong Kong. A PJ estima que o grupo, que operava desde 2019, terá trocado verbas equivalentes a 590 milhões de patacas

 

A Polícia Judiciária (PJ) desmantelou na terça-feira dois grupos criminosos que se dedicavam à troca de renminbis para dólares de Hong Kong. O caso de maior dimensão, que foi ontem o foco de uma conferência de imprensa da PJ, diz respeito a um grupo que operava desde 2019. As autoridades detiveram 33 pessoas, 22 residentes locais e 11 do Interior da China, e apreenderam cerca de 18 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) em numerário, algumas fichas de jogo, 48 dispositivos electrónicos e 12 livros de contabilidade e recibos de transacções falsas que colocaram a nu as operações do grupo.

Desde o início do esquema, que começou em 2019 com capital avançado pelo cabecilha do grupo, terá rendido mais de 20 milhões de patacas em lucros ilegais na sequência da troca de dinheiro num valor aproximado de 590 milhões de patacas.

Segundo detalhes da investigação da PJ, citados pelo canal chinês da Rádio Macau, o grupo usava oito joalharias localizadas nas imediações de casinos no Cotai como fachada para trocar dinheiro para jogar nas mesas de jogo dos casinos. O esquema passava por encontrar apostadores, conduzi-los até às lojas onde simulavam a compra de produtos, com as transacções registadas na contabilidade falsa das joalharias para esconder o câmbio ilegal de dinheiro.

Nos dois sentidos

A PJ acrescentou que o grupo além de oferecer dólares de Hong Kong depois de receber a transferência bancária dos jogadores, se estes tivessem sorte nas mesas de jogo poderiam voltar a recorrer às falsas joalharias para trocar de volta as dividas para renminbis através de transferências bancárias.

A operação de terça-feira mobilizou cerca de 80 investigadores criminais, que se separaram entre as várias joalharias envolvidas, assim como casas de penhor, um gabinete num centro comercial e várias residências.

Foi acrescentado ontem que o grupo mantinha uma ligação estreita com um banco clandestino na zona norte da península de Macau, que colaborava nas operações na transferência e circulação de dinheiro, com vista a escapar à supervisão das autoridades. Os lucros do grupo eram apurados com base na variação das taxas de câmbio. As autoridades indicaram que vão continuar a investigar a fonte e fluxo dos capitais e procurar suspeitos que não foram agora detidos.

A PJ anunciou ontem ter ainda desmantelado outro grupo de criminosos que se dedicava ao mesmo tipo de delito, que terá trocado cerca de 200 milhões HKD e apurado 1 milhão HKD em lucros indevidos.

Fronteiras | Circulação automóvel aumenta 23,5%

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que, em Fevereiro, a circulação automóvel foi de 783.129 veículos, um aumento de 23,5 por cento em termos anuais.

No tocante aos veículos ligeiros, circularam nas fronteiras, em Fevereiro, 746.633, mais 24 por cento em relação a igual mês do ano passado.

Destes números, 148 milhares de entradas e saídas foram de automóveis com matrícula única de Macau que circularam entre Macau e Hengqin e 128 milhares de entradas e saídas de automóveis a circular ao abrigo da medida “Circulação de veículos de Macau na província de Guangdong”. Tratam-se de aumentos de 48,6 por cento e 12,2 por cento, respectivamente.

Os dados da DSEC mostram, pelo contrário, uma quebra nas viagens de ferry, pois, em Fevereiro, 6.291 passageiros viajaram em embarcações, menos 5,9 por cento em termos anuais.

Covid-19 | Surtos colectivos infectam 19 pessoas

As autoridades de saúde anunciaram a ocorrência de dois casos colectivos de covid-19, que infectaram 19 pessoas, de acordo com um comunicado emitido ontem.

O primeiro caso, aconteceu no Lar da Alegria da Secção de Serviço Social da Igreja Metodista de Macau, no Fai Chi Kei, e registou nove infectados, seis utentes e três trabalhadores, dos quais sete eram do sexo masculino e dois do feminino.

O outro caso, ocorreu no Complexo de Serviços de Apoio ao Cidadão Sénior Pou Tai, na Taipa, com 10 infectados, todos utentes, seis do sexo masculino e quatro do feminino.

Os doentes “desenvolveram sintomas do trato respiratório superior, como febre ou tosse, com resultado positivo do teste rápido de antigénio para a Covid-19”. Segundo os SS, encontram-se “em estado estável, sem complicações graves ou doenças graves”.

IAS | Cortado financiamento a creche Smart

As razões do corte do financiamento não foram clarificadas pelo Governo, que se limitou a indicar que não conseguiu chegar a acordo com a associação Zonta Club de Macau, responsável pela exploração do espaço, sobre “princípio básicos” e “importantes aspectos de organização”

 

O Instituto de Acção Social (IAS) vai cortar o financiamento e recuperar as instalações e equipamentos financiados da creche Smart, operada pela associação Zonta Club de Macau. A informação foi revelada recentemente, mas está a gerar uma onda de preocupação por parte dos pais, que temem pelo futuro da educação das crianças.

Os motivos que levaram ao fim dos apoios do Governo da RAEM à creche não foram tornados públicos. Em explicações ao canal chinês da Rádio Macau, o IAS vincou que o fim do financiamento não está relacionado com qualquer problema com a operação da creche. Contudo, o IAS indicou que não foi possível chegar a um acordo com a associação Zonta Club de Macau sobre os moldes em que iria continuar a funcionar a parceria de financiamento, que está em vigor até Agosto deste ano.

A emissora aponta também que o IAS indicou que a falta de acordo visou “princípio básicos” e “importantes aspectos de organização”, sem adiantar mais detalhes, o que foi justificado com o facto de a associação ainda poder levar o caso para os tribunais da RAEM.

Transferências asseguradas

Ao mesmo tempo que confirmou o fim do financiamento público para a creche, o IAS assegurou igualmente aos encarregados de educação estar disponível para ajudar com as transferências das crianças para outras creches, quando a creche Smart encerrar. Os encarregados de educação foram igualmente informados sobre o desfecho em causa e as opções disponíveis.

O IAS vincou que existem vagas suficientes para todas as crianças que vão ter de ser transferidas, inclusive na Taipa, onde está localizada a creche Smart. Actualmente, informou o IAS, frequentam a creche mais de 80 crianças e cerca de metade vão entrar em jardins-de-infância no novo ano lectivo.

Apesar das garantias, durante o programa Fórum Macau, vários pais mostraram-se preocupados com a necessidade de terem de transferir as crianças no final de Agosto, quando se espera que aconteça o encerramento.

Ligações aos EUA

A Smart é explorada pela associação Zonta Club de Macau, que de acordo com o portal oficial da creche, é uma associação ligada à organização Zona Internacional, desde 2014. Esta é uma organização sem fins lucrativos fundada, em 1919, nos Estados Unidos, e que tem como missão a afirmação do papel profissional da mulher, através de iniciativas filantrópicas, sociais e culturais. Conta com mais de 30 mil membros a nível mundial, entre 1.200 associações em 67 países e regiões.

A nível de Macau, tem actualmente como presidente Christiana Ieong e conta com o apoio da empresária Pansy Ho, como sócia honorária.