Ilha Ecológica | Projecto novamente questionado Andreia Sofia Silva - 8 Jul 2025 No decorrer do debate em torno da gestão das zonas marítimas de Macau, o tema da construção da Ilha Ecológica, destinada a ser uma zona de aterro para resíduos de grande dimensão a sul de Coloane, voltou a ser abordado. O deputado Ron Lam disse que há “zonas protegidas que podem ser afectadas”. “Será que a zona ecológica deve ou não ser construída, já que há muitas vozes na sociedade? Se for possível não avançar com isto, então podemos não avançar”, apontou. Já a deputada Lo Choi In, lembrou que “a população está atenta à construção da zona ecológica e muitos querem saber se vai haver impacto no nosso meio ambiente e se vai constituir uma ameaça a espécies em vias de extinção”. “Será que temos condições para suspender o plano da Ilha Ecológica? Em vez de a construir talvez pudéssemos investir mais em meios para a reciclagem”, aconselhou. Raymond Tam, secretário da tutela, disse ter bastantes limitações para reciclar resíduos em Macau, nomeadamente a falta de espaço, “as soluções praticadas noutras partes do mundo podem não se aplicar aqui”. “Contactámos as autoridades do Interior da China para celebrar um acordo para a reposição dos materiais inertes retirados dos estaleiros. Temos limitações a nível regional para o tratamento de materiais, sendo que o Interior da China não aceita alguns deles, por lei, e não podem ser usados em aterro ou reaproveitados, pelo que temos de encontrar um novo destino para eles”, explicou o secretário.
Governo admite dificuldades na promoção do turismo com barcos Andreia Sofia Silva - 8 Jul 2025 Susana Wong, directora da Direcção dos Serviços para os Assuntos Marítimos e da Água (DSAMA), referiu ontem que a actual legislação da RAEM apenas permite o estacionamento de embarcações de recreio privadas em Macau, sendo difícil expandir esse sector para um turismo de iates, por exemplo. “Não se vêm muitos resultados. Assinámos alguns acordos com Guangdong, mas não temos muitas embarcações em Macau. No Parque da Concórdia há 200 docas e, por causa da pandemia, não tivemos muitas embarcações a chegar, e também por causa da situação económica.” A responsável explicou ainda que, embora Macau tenha sob sua jurisdição “85 quilómetros quadrados de áreas marítimas, temos sempre a dúvida se podemos liberalizar o licenciamento destas embarcações, pois as áreas marítimas são reduzidas”. Questão de higiene Susana Wong adiantou também que em “Hong Kong é diferente, há muitas ilhas, a possibilidade de alugar embarcações e isso não temos em Macau”. “Temos de ponderar a liberalização do mercado de forma global, mas há que dar prioridade à segurança. Há resíduos a aparecer nas nossas zonas marítimas, com águas amareladas que têm origem nas correntes oriundas das regiões vizinhas. Temos de acarretar essa segurança dos utentes das praias”, acrescentou. Ainda assim, Susana Wong prometeu que, no próximo concurso público para a limpeza das zonas marítimas, vão ser exigidos no caderno de encargos “mais trabalhadores e melhores condições das embarcações”, sendo que, actualmente, há 12 trabalhadores e cinco embarcações de serviço para a recolha de resíduos no Delta do Rio das Pérolas. O deputado Ron Lam foi um dos que abordou esta questão, referindo que “o Governo deveria ponderar melhor sobre o aluguer dos barcos de recreio”, pelo facto de Macau gerir 85 quilómetros quadrados de zonas marítimas, mas ser um local onde “não podemos alugar um barco de recreio para passeios individuais”. “Devemos dar mais espaço para que haja mais passeios marítimos. Falamos, mas não avançamos nesse sentido, e temos de ter licenciamento para isto”, frisou.
Transportes | Governo estuda nova ligação a Hengqin Andreia Sofia Silva - 8 Jul 2025 O Executivo foi ontem ao hemiciclo responder a interpelações orais dos deputados com o debate a arrancar em torno dos problemas relacionados com o trânsito. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, anunciou que “encontra-se em estudo, em coordenação com as autoridades de Hengqin, a criação de uma nova via de acesso entre os dois territórios” Congestionamento do trânsito, autocarros sempre cheios, maior optimização de toda a rede de transportes públicos. Estes temas marcaram o arranque de mais um debate na Assembleia Legislativa (AL) dedicado a responder a interpelações orais apresentadas pelos deputados nos últimos meses. Em resposta às interpelações apresentadas por Ella Lei e Leong Hong Sai, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, anunciou que Macau terá uma nova ligação a Hengqin. “Encontra-se actualmente em estudo, em coordenação com as autoridades de Hengqin, a criação de uma nova via de acesso entre os dois territórios, cujos desenvolvimentos serão oportunamente divulgados”, referiu apenas o secretário. Confrontado com as necessidades de revitalização da zona do Porto Interior, tendo em conta o excesso de trânsito nas horas de ponta, Raymond Tam explicou que ainda este ano, no terceiro trimestre, estarão prontas “as obras de restauro estrutural das Pontes-cais n.ºs 23 e 25”. Na sua interpelação, Ella Lei propôs a criação de uma “via rápida interzonal”, nomeadamente a criação de “vias circulares externas no lado oeste da península de Macau”, a fim de escoar o trânsito. Porém, Raymond Tam adiantou que “no decurso do estudo para a elaboração do Plano Director da RAEM foi sugerida a reserva de um corredor viário na Unidade Operativa de Planeamento e Gestão Norte – 1, com ligação entre a zona oeste da Doca do Lam Mau e a Ilha Verde”, pelo que se vai “fazer uma análise comparativa das diferentes opções para estudar a viabilidade dessa ligação”. No tocante ao metro ligeiro, o Governo também adiantou que “será contratada uma entidade especializada para prestar serviços de estudo sobre o traçado da Linha Oeste do Metro Ligeiro, no qual se avaliará a possibilidade de integração com as obras de prevenção de inundações”. Palavra ao presidente No decorrer do debate, o próprio presidente do hemiciclo, Kou Hoi In, interveio para dizer que é necessária uma estratégia global para resolver o problema do excesso de trânsito e falta de espaço em Macau. “Temos muitos problemas de engarrafamento de trânsito e existem dificuldades em apanhar autocarros. Há muitas limitações na nossa rede viária e isso é algo objectivo. Podemos transformar Macau numa cidade verde, de baixo carbono e habitável, tornando-a num modelo para todo o mundo, mas temos de ter planos de curto, médio e longo prazo para o futuro. Não podemos neste momento tentar resolver problemas pontuais, é difícil resolver a rede limitada de transportes e isso dá uma má imagem aos turistas. Temos de fazer com que eles sintam que estão num verdadeiro centro mundial de turismo e lazer”, referiu. A deputada Lo Choi In lembrou as recentes recomendações feitas pelo Comissariado contra a Corrupção quanto “às falhas no sistema de transporte público”, pedindo para serem criadas medidas que retirem os turistas dos transportes públicos para os táxis. No tocante a Ron Lam, este lembrou que “segundo o Plano Director, a zona da Ponte 16 vai ser turística, e todos sabemos que há falta de vias externas” em locais como o Porto Interior. “Os colegas falam do metro ligeiro, mas precisamos de mais vias rápidas”, rematou.
Saúde | Fornecimento ilegal de material e aparelhos não será crime Hoje Macau - 8 Jul 2025 O fornecimento de material e aparelhos médicos sem respeitar a lei irá apenas representar uma infracção administrativa, em vez de constituir um ilícito penal. Esta foi uma das alterações de maior relevo ao longo da discussão na especialidade da lei de supervisão e administração de dispositivos médicos, que irá voltar ao hemiciclo para ser aprovada na especialidade. A deputada Ella Lei, que preside à comissão permanente que analisou a proposta de lei, anunciou ontem que os deputados que constituem a comissão já assinaram o parecer que irá dar andamento ao processo legislativo. Até agora, o fornecimento de material e aparelhos médicos não era regulado, nem alvo de supervisão, ficando apenas à mercê da gestão dos produtos importados. Estes materiais e aparelhos incluem desde os simples pensos rápidos, agulhas de acupunctura, a desfibriladores e respiradores. A lei irá também estabelecer quatro níveis de supervisão de acordo com o risco que pode representar para o paciente. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Ella Lei revelou ainda que a nova versão do conteúdo também classifica as condições profissionais essenciais para os cargos de director técnico de dispositivos médicos, bem como as regulações para a inscrição de dispositivos médicos em circulação durante o período de transição.
Eleições | Cheong Kuok Chi preside à Assembleia de Apuramento Geral João Santos Filipe - 8 Jul 2025 O delegado coordenador do Ministério Público foi nomeado por Sam Hou Fai para liderar o grupo responsável pelo apuramento dos resultados das eleições. Em 2021, o cargo tinha sido atribuído a Kuok Kin Hong Cheong Kuok Chi, delegado coordenador do Ministério Público (MP), foi nomeado presidente da Assembleia de Apuramento Geral dos resultados das eleições legislativas de 14 de Setembro. A nomeação, a cargo do Chefe do Executivo, foi revelada ontem através de um despacho publicado no Boletim Oficial, sendo que Cheong sucede a Kuok Kin Hong no lugar. Além de exercer funções no Ministério Público, Cheong Kuok Chi tem uma licenciatura em Direito na Universidade de Macau, que frequentou antes de começar a trabalhar para a Função Pública, como técnico no Fundo de Pensões, em 2009. No entanto, logo nesse ano, foi admitido como candidato ao curso de formação e estágio para magistrados, que frequentou entre 2009 e 2011. Finalmente, em Setembro de 2011, Cheong foi nomeado como delegado do Procurador, tendo sido promovido a delegado coordenador em 2022, cerca de 11 anos após a sua entrada na magistratura. Cheong não é o único membro do Ministério Público a integrar a Assembleia de Apuramento Geral das eleições, conta com a companhia de Pak Wa Ngai, delegado do Procurador, que foi responsável pela acusação do caso do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM). Este caso terminou com a condenação de Jackson Chang, ex-presidente do IPIM, a uma pena de prisão efectiva de oito anos e prisão. Pak Wa Ngai é igualmente licenciado em Direito em Língua Chinesa, tendo terminado a licenciatura em 2005 com uma nota de “bom”. Pak Wa Ngai foi colega de curso de Leong Weng Si, que é actualmente delegada coordenadora do Procurador, e que foi a melhor aluna do curso com uma nota final de “muito bom”. SAFP representados Além dos representantes do MP, Sam Hou Fai nomeou para a Assembleia de Apuramento Geral Joana Maria Noronha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (DSAFP). Estas são funções que Joana Maria Noronha conhece bem, uma vez que já desempenhou esta tarefa nas legislativas de 2021. Joana Noronha é licenciada em Ciências Sociais pela Universidade da Ásia Oriental de Macau em 1989, antecessora da Universidade de Macau, e tem um mestrado em Administração Pública pela Universidade de Sun Yat-Sen em 1997. A nível profissional ingressou em 1990 na função pública e desde 1991 que está nos SAFP, tendo desempenhado funções no Departamento de Administração Civil e Divisão de Apoio Técnico-Eleitoral dos SAFP e no Centro de Atendimento e informação ao Público. A comissão responsável pelo apuramento dos resultados que vão definir os futuros deputados tem ainda um secretário, mas a nomeação para este lugar ainda não consta no Boletim Oficial.
AMCM | Privados recorrem menos ao crédito Hoje Macau - 8 Jul 2025 Entre Abril e Maio deste ano, os empréstimos dos bancos de Macau ao sector privado apresentaram uma redução de 1,4 por cento, em comparação com Abril, para 498,5 milhões de patacas. Os números foram revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Também os empréstimos da banca local para o exterior apresentaram uma redução, face a Abril, de 7,6 por cento, para 495,2 milhões de patacas. Como resultado, os empréstimos ao sector privado decresceram 4,6 por cento, em relação ao mês anterior, tendo atingido 993,7 mil milhões de patacas. Em termos da moeda dos empréstimos, 43,8 por cento eram em dólares de Hong Kong, 22,3 por cento em patacas, 21,8 por cento em dólares americanos, e 8,8 em renminbis. Depósitos | Registado crescimento em Maio Entre Abril e Maio, os depósitos dos residentes tiveram um crescimento de 1,3 por cento para 794,7 mil milhões de patacas, de acordo com os números relevados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Ao mesmo tempo, no espaço de um mês, os depósitos dos não residentes cresceram 0,4 por cento, para 351,0 mil milhões de patacas. Em Maio, os depósitos do sector público nos bancos também tiveram um crescimento, de 3,1 por cento para 216,1 mil milhões de patacas. O total dos depósitos nos bancos atingiu assim 1.361,7 mil milhões de patacas, um crescimento mensal de 1,4 por cento. Em termos da moeda dos depósitos, 47 por cento estavam em dólares de Hong Kong, 23,4 por cento em dólares americanos, 19,2 por cento em patacas e 8,2 em renminbis.
Habitação | Índice de Preços desceu 1,4 por cento Hoje Macau - 7 Jul 20257 Jul 2025 Entre Março e Maio de 2025, o índice global de preços da habitação registou uma redução de 1,4 por cento, em comparação com o período de Fevereiro a Abril, caindo para 200,7. O índice de preços de habitações foi divulgado ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), através de um comunicado. De acordo com a mesma fonte, o índice de preços de habitações construídas (218,3) caiu 1,4 por cento e o índice de habitações em construção (212,9) teve uma redução 0,8 por cento. No índice de preços de habitações construídas, o da Península de Macau (207,3) e o da Taipa e Coloane (262,0) desceram 0,9 por cento e 2,9 por cento, respectivamente, face ao período precedente. Em termos do ano de construção dos edifícios, o índice de preços de habitações construídas pertencentes ao escalão dos 11 aos 20 anos de construção e o índice do escalão dos 6 aos 10 anos baixaram 2 por cento e 1,6 por cento. No período em análise, o índice global de preços da habitação decresceu 8,7 por cento, em comparação com o período de Março a Maio de 2024. Destaca-se que o índice de preços de habitações da Península de Macau (198,7) e o índice da Taipa e Coloane (208,7) diminuíram 8,5 por cento e 9,5 por cento, respectivamente.
PIB / Economia | Previsões de aumento com recuperação desigual João Luz e Nunu Wu - 7 Jul 2025 O presidente da Associação Económica, Lau Pun Lap, espera a recuperação do PIB no segundo trimestre, com base no aumento das receitas dos casinos e de turistas, enquanto o resto da economia vai continuar em dificuldades. Lau Pun Lap considera ainda as campanhas da marca Pop Mart pouco eficazes por não incluírem produtos do comércio local Nos primeiros três meses de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) de Macau caiu 1,3 por cento em termos anuais. Resultado que o presidente da Associação Económica de Macau, Lau Pun Lap, espera ser melhorado no segundo trimestre, graças ao aumento das receitas da indústria do jogo e do número de turistas que visitaram Macau em Maio e Junho. Em entrevista ao jornal Ou Mun, o economista ressalva que o principal desafio que o território atravessa é a desigualdade económica, com os restantes sectores não-jogo a e a economia comunitária a sofrerem. O preço do imobiliário continua a cair, afectando as hipotecas para pequenas e médias empresas, assim como a capacidade para se financiarem, ao mesmo tempo que a confiança dos consumidores também cai. Além disso, as tendências de migração do consumo dos residentes para o Interior da China e a quebra do poder de compra dos turistas chineses constituem conhecidos desafios para o comércio e a economia local. Em relação ao impacto do encerramento dos casinos-satélite no fim deste ano, Lau Pun Lap espera medidas que consigam atrair turistas para as zonas mais afectadas pelos fechos, o NAPE e ZAPE. Para já, as ideias de instalar mercados de rua ou esplanadas nessas zonas não são suficientes para garantir a vitalidade do comércio local. Os brinquedos somos nós A disseminação pela cidade de instalações de grandes dimensões de bonecos de marcas de brinquedos populares, como a Sanrio com personagens como Hello Kitty, Kuromi e Cinnamoroll, e a Pop Mart ligada aos brinquedos Labubu, Molly ou Crybaby, tem sido uma das apostas do Governo para atrair turistas para determinadas zonas da cidade. A medida tem merecido críticas de vários quadrantes, incluindo do deputado Ron Lam que argumenta que as acções promocionais apenas beneficiam as duas grandes empresas com publicidade paga pelo Governo, enquanto os comerciantes nos locais onde decorrem as campanhas não sentem qualquer impacto positivo. O presidente da Associação Económica de Macau concorda que o efeito das campanhas não tem sido bom, com a excepção da zona da Rua do Cunha na Taipa Velha, que já é por si uma atracção turística famosa, ao contrário do que se verifica na Ilha Verde ou nas imediações do Jardim Camões. A instalação de poucos bonecos e a falta de cooperação com o comércio local faz com que os turistas apenas tirem fotografias, abandonando as zonas sem gastar dinheiro no comércio e restauração dos bairros. Lau Pun Lap lamenta que o Governo não tenha negociado com as empresas de brinquedos a utilização da imagem dos bonecos por comerciantes dos bairros onde estão as instalações, criando produtos únicos como cafés com desenhos dos bonecos na espuma de leite, ou produtos de pastelaria com a imagem das marcas, ou a oferta de lembranças das marcas a partir de determinado nível de consumo. Recorde-se que o Governo gastou quase 27 milhões de patacas para utilizar temporariamente os direitos de autor da Pop Mart e Sanrio.
Andy Wu prevê recuperação de viagens para o Japão após profecia João Santos Filipe - 7 Jul 2025 O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, prevê o regresso em força da procura por viagens para o Japão, depois de uma profecia que previa um terramoto no país no passado 5 de Julho, que não aconteceu. A profecia de 5 de Julho partiu de um livro de banda desenhada japonesa, da autora Ryo Tatsuki, e contribuiu para que vários asiáticos evitassem viajar para o país nipónico. A profecia tornou-se famosa na Ásia, dado que Ryo Tatsuki tinha previsto, num dos seus trabalhos anteriores, de 1999, uma grande catástrofe no Japão em 2011. Esse ano coincidiu com o terramoto de Tohoku, que vitimou 19.759 pessoas, e deu origem ao maremoto que levou ao desastre nuclear da Central de Fukushima Daiichi. A profecia levou inclusive as autoridades do turismo japonesas a reagirem, para assegurarem a segurança de viajar no país. Todavia, o impacto não se limitou ao Japão, e o dirigente da associação revelou que também a procura pela Coreia do Sul sofreu uma redução. Face à menor procura, o mercado interno adaptou-se ao oferecer mais viagens para o Interior, como forma de manter receitas. Esperar mais um pouco Em declarações ao jornal Ou Mun, Andy Wu explicou que o impacto da profecia vai durar até ao final do mês, porque uma das interpretações aponta para que o risco de haver uma catástrofe se prolonga até 31 de Julho. Porém, após esse período, o dirigente da associação de turismo espera um crescimento da procura na ordem dos 30 por cento. Apesar do optimismo, Wu explicou igualmente que o mercado do Japão não vai ser o principal destino de férias dos residentes, dado que actualmente as pessoas preferem viajar para o Interior da China. Andy Wu explicou que os destinos que se estão a tornar mais populares são Xinjiang, Yunnan e Guizhou. Ao mesmo tempo, o responsável, indicou que lugares tradicionalmente populares, como a Mongólia do Interior e Guilin, continuam muito populares.
Obras | Governo cancela projecto sem divulgar indemnizações João Santos Filipe e Nunu Wu - 7 Jul 2025 O projecto do Governo de Fernando Chui Sai On para construir um túnel entre as zonas A e B dos Novos Aterros foi cancelado e substituído por um viaduto. Contudo, o Governo evitou revelar os custos assumidos pela RAEM com compensações pelo cancelamento das obras Em Fevereiro deste ano, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, afirmou que a sociedade deve estudar como pode ser construído o túnel subaquático entre as zonas A e B dos Novos Aterros Urbanos. A posição foi tomada, depois de o projecto ter sido iniciado pelo Governo de Fernando Chui Sai On e cancelado pelo Executivo de Ho Iat Seng. No entanto, quando a Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) foi questionada pelo jornal Cheng Pou sobre os custos do cancelamento das obras, não quis divulgar a informação. O túnel subaquático para fazer a ligação entre as Zonas A e B dos Novos Aterros começou a ser planeado durante o último Governo de Fernando Chui Sai On, com a primeira de duas consultas públicas sobre as obras a ser realizada em 2018. Com a subida de Ho Iat Seng ao poder, no final de 2019, o projecto foi suspenso, dado que se optou por construir um viaduto para fazer a ligação. O viaduto foi altamente polémico, com críticas de deputados e urbanistas, como Ron Lam ou Manuel Iok Pui Ferreira, devido ao impacto no corredor visual da Colina da Guia, uma zona do território protegida. No entanto, o Governo de Ho Iat Seng avançou com as obras, mesmo depois de reconhecer que se o projecto fosse um edifício, em vez de um viaduto, legalmente não poderia ser construído naquela zona. Ao mesmo tempo que decorria o processo de construção do viaduto, o jornal Cheng Pou revelou que as estimativas do Governo sobre a execução do PIDDA referentes a 2024, enviadas à Assembleia Legislativa, mostrvam que foram autorizados os pagamentos de compensações pelo cancelamento da construção do túnel. Os pagamentos foram autorizados pelo então secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, e o assunto ficou concluído no terceiro trimestre. A desconversar Face à informação que consta no documento enviado pelo Governo à Assembleia Legislativa, o jornal Cheng Pou questionou a DSSCU sobre quantos contratos tinham sido atribuídos, a quem tinham sido atribuídos e o valor pago em compensações pela não realização dos trabalhos adjudicados. O jornal em língua chinesa tentou ainda perceber a razão de ter havido contratos ligados ao projecto adjudicados sem concurso público. Em resposta, a DSSCU apenas reconheceu a existência de um contrato assinado com a PAL Ásia Consultores, Limitada. Além desta informação, a DSSCU apenas se limitou a acrescentar que com o concurso para a construção do viaduto, os trabalhos ligados ao cancelamento das obras do túnel foram concluídos. No entanto, com base na informação do Boletim Oficial, o Cheng Pou identificou pelo menos dois contratos celebrados com a PAL Ásia Consultores, um no valor de 12,70 milhões de patacas e outro no valor de 3,96 milhões de patacas. O Governo não revelou se os contratos foram cumpridos ou se foram pagas compensações. O jornal Cheong Pou menciona ainda um terceiro contrato assinado com a empresa estatal CCCC Highway Consultants Co. Ltd, como consta no Boletim Oficial de 18 e Dezembro de 2017, no valor de 77,42 milhões de patacas. Além disso, a publicação indica que esta informação deixou de estar disponível nos portais oficiais do Governo, embora não se saiba se foi removida intencionalmente.
Habitação económica | Cerca de metade das fracções escolhidas João Luz - 7 Jul 2025 Quatro meses depois do início da selecção de apartamentos no complexo de habitação económica na Zona A dos novos aterros, o Instituto de Habitação revela que pouco mais de metade dos mais de 3.000 apartamentos foram escolhidos. A larga maioria são da tipologia T3 Até ao final da semana passada, 1.546 das 3.017 fracções à venda dos três prédios de habitação económica na Zona A dos novos aterros, a leste da península de Macau, tinham sido vendidas e escolhidas pelos candidatos. Os dados do Instituto de Habitação (IH) revelam que de todas 1.546 as casas vendidas, 1.009 são da tipologia T3 e 528 são T2. Com mais de metade das fracções vendidas, apenas nove são T1, de um total de 760 apartamentos T1 à venda. Até à última sexta-feira, restavam 248 fracções com três quartos, enquanto pouco mais de metade dos T2 foram transaccionados (528 de 1.000). As casas em questão dizem respeito ao concurso de habitação económica aberto em 2019, o último ao abrigo da antiga lei da habitação económica. Entre os candidatos que já escolheram apartamentos, a larga maioria diz respeito a famílias constituídas por duas e três pessoas. Mais de um terço das fracções vendidas tiveram como comprados candidatos de agregados familiares com três pessoas (36 por cento), enquanto os agregados com duas pessoas diziam respeito a 30 por cento dos compradores. Os candidatos pertencentes a famílias com quatro pessoas foram 24 por cento dos compradores. Apenas 2 por cento dos compradores, ou 28 em 1.546 fracções vendidas, eram famílias com seis ou mais pessoas, enquanto os agregados com cinco pessoas representavam 8 por cento das vendas. O que falta fazer Com a entrega das chaves num horizonte próximo, o IH ainda tem em mãos muitos processos para apreciar. Segundo os dados oficiais, 843 candidatos que preenchem os requisitos “após apreciação substancial” ainda não escolheram os apartamentos onde vão viver. Quando estes candidatos seleccionarem as suas fracções, 79,2 por cento dos apartamentos de habitação económica da Zona A estarão entregues, restando 628 fracções. Dando um passo atrás, o IH está a fazer a “apreciação substancial (incluindo os que necessitam de apresentar documentos complementares e suspensão)” aos processos de 591 candidatos, enquanto 178 estão a aguardar o decorrer de procedimentos jurídicos. Ao longo do concurso público, até à passada sexta-feira, foram concluídos 903 procedimentos jurídicos por falta de cumprimento dos requisitos e apresentadas 478 desistências de candidaturas. Recorde-se que os preços destas fracções variam entre 1,18 milhões e 2,37 milhões de patacas. “A Zona A, localizada a Leste da Península de Macau, está localizada ao redor do mar, e o seu ambiente habitacional é melhor do que o dos projectos de habitação económica anteriores”, indicava o IH em Abril de 2024 quando anunciou os preços dos apartamentos.
‘Power banks’| Romoss retira 500 mil baterias por risco de fogo e suspende operações Hoje Macau - 7 Jul 2025 A empresa chinesa Romoss anunciou a suspensão das operações durante seis meses, após retirar quase meio milhão de baterias portáteis (‘power banks’) do mercado, devido a vários casos de incêndio e consequente debilidade financeira. A tecnológica vai interromper a produção e colocar grande parte dos cerca de 690 trabalhadores em suspensão temporária de funções, durante a qual receberão apenas 80 por cento do salário mínimo, o equivalente a cerca de dois mil yuan mensais. Apenas um grupo reduzido de funcionários permanecerá a tempo inteiro, para gerir o processo de recolha das baterias afetadas. Em meados de Junho, a empresa anunciou a retirada de mais de 491 mil unidades de três modelos fabricados entre Junho de 2023 e Julho de 2024, justificando a decisão com a presença de “materiais separadores defeituosos” que poderiam causar incêndios em “condições extremas”, segundo o portal de notícias Shine. A decisão foi tomada após diversos incidentes em campus universitários de Pequim, que levaram pelo menos 20 instituições a proibir a utilização de produtos Romoss, na sequência de testes que revelaram temperaturas de carregamento até cinco vezes superiores à média do sector. O caso que gerou maior atenção pública ocorreu em março, quando um voo da companhia aérea Hong Kong Airlines teve de ser desviado após uma bateria portátil da marca se incendiar a bordo.
Tarifas | Pequim critica ameaças dos Estados Unidos a países alinhados com os BRICS Hoje Macau - 7 Jul 2025 A China criticou ontem a utilização de taxas alfandegárias como “instrumento de coerção e pressão”, após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado impor um imposto adicional de 10 por cento aos países que se alinhem com os BRICS. “A cooperação entre os países BRICS é aberta, inclusiva e não visa nenhum país em particular”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, em conferência de imprensa. Mao sublinhou que a China “sempre se opôs a guerras comerciais e tarifárias”, acrescentando que a imposição “arbitrária” de tarifas “não beneficia nenhum país”. A porta-voz descreveu ainda o grupo BRICS como “uma força positiva na comunidade internacional”. No domingo, Trump escreveu na rede social Truth Social: “Qualquer país que se alinhe com as políticas antiamericanas dos BRICS deverá pagar uma tarifa adicional de 10%. Não haverá excepções a esta política.” O grupo BRICS, actualmente composto por onze países do chamado Sul Global e liderado por China e Rússia, realizou no domingo a sua 17.ª cimeira de chefes de Estado e de Governo no Rio de Janeiro, sob forte dispositivo de segurança e com as ausências do Presidente chinês, Xi Jinping, e do homólogo russo, Vladimir Putin, que participou por videoconferência.
BRICS | Li Qiang apela a reforma da governação global Hoje Macau - 7 Jul 2025 O Governo chinês quer que o grupo de países emergentes assuma a liderança das reformas globais face às mudanças sem precedentes em curso no cenário no cenário internacional O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, defendeu ontem que os países do bloco de economias emergentes BRICS devem assumir a liderança na reforma do sistema de governação global, e apelou à resolução pacífica de conflitos. As leis e a ordem internacionais enfrentam “sérios riscos” num cenário global marcado por “mudanças sem precedentes em mais de um século” e por uma crescente ineficácia das instituições multilaterais, afirmou Li, representante da China na 17.ª cimeira de chefes de Estado e de Governo do grupo. Perante este contexto, o chefe do Governo chinês destacou o “valor contemporâneo” da visão de governação global proposta pelo Presidente chinês, Xi Jinping, ausente pela primeira vez de uma cimeira dos BRICS. “Perante conflitos e divergências crescentes, é necessário reforçar o diálogo com base na igualdade e no respeito mútuo. E face a interesses comuns profundamente entrelaçados, é preciso procurar contributos conjuntos através da solidariedade”, afirmou Li. O dirigente chinês apelou ao bloco de economias emergentes para que defenda a independência, demonstre sentido de responsabilidade e desempenhe um papel mais activo na construção de consensos internacionais, sublinhando a importância de agir “com base na moral e na justiça”. Papel principal Li considerou ainda que os países dos BRICS devem estar na “linha da frente da cooperação para o desenvolvimento”. O governante chinês anunciou a criação este ano de um centro de investigação China – BRICS, que será dedicado às “novas forças produtivas de qualidade”, bem como um programa de bolsas para atrair talento em sectores como a indústria e as telecomunicações. “É essencial que os nossos países promovam a inclusão, o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre civilizações”, acrescentou. Li reiterou que a China está pronta para trabalhar com os restantes membros do grupo, no sentido de alcançar uma governação global mais justa, equitativa e eficiente. Domingo, o primeiro de dois dias da cimeira, marcada pelas ausências de Xi Jinping e do Presidente russo, Vladimir Putin, terminou com uma declaração de 126 pontos, abordando temas como a guerra comercial desencadeada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, a escalada de violência no Médio Oriente e a necessidade “urgente” de reformar as Nações Unidas, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.
UPM | Feira do livro apresenta até domingo mais de dez mil publicações Hoje Macau - 7 Jul 2025 A Universidade Politécnica de Macau (UPM) acolhe, desde sexta-feira, o “Carnaval de Livros de Macau”, que já vai na 28ª edição. O evento apresenta mais de dez mil publicações de vários géneros literários e académicos em várias línguas, tendo como tema “Cultura do Leste Asiático – Diversidade do Mundo” Os amantes de livros podem desfrutar das inúmeras publicações que existem à venda em mais uma edição da feira do livro da Universidade Politécnica de Macau (UPM). A 28ª edição do Carnaval de Livros de Macau, que decorre até domingo, é organizada pela UPM, pela Associação para a Promoção da Leitura e da Escrita em Macau, Livraria Uma e Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo da RAEM O evento tem este ano como tema “Cultura do Leste Asiático – Diversidade do Mundo” e reúne mais de dez mil publicações em chinês, inglês e português, provenientes de todo o mundo. Segundo um comunicado da UPM, realizam-se também “mais de trinta actividades, como lançamentos de livros, espectáculos musicais, palestras sobre património cultural imaterial e espectáculos de magia, entre outras”. A feira do livro da UPM será também motivo para a organização de “exposições de pintura, lançamentos de livros ou sessões de autógrafos, palestras sobre literatura e palestras sobre planeamento de vida”. Mescla de culturas Aquando da inauguração do evento, Chan Im Wai, presidente da Associação para a Promoção da Leitura e da Escrita em Macau, disse, citado por um comunicado da UPM, que este evento “começou com a intenção inicial e o sonho de organizar uma feira do livro para toda a cidade, na esperança de, através da exposição e venda de livros em chinês, inglês e português provenientes de todo o mundo, transformar o mercado do livro numa plataforma de intercâmbio, interacção e diálogo entre escritores e leitores de Macau”. Por sua vez, Vivian Lei, vice-reitora da UPM, disse que a instituição de ensino superior “tem desempenhado um papel activo no intercâmbio e cooperação, tendo a cultura chinesa como elemento principal e a coexistência de diversas culturas como uma característica”. Além disso, a UPM empenha-se na exploração da “profunda herança cultural e as características do património cultural de Macau, que resultam da influência das culturas ocidental e oriental”. “Através das publicações de livros sobre a história e a cultura da China e de Macau, bem como sobre a história e a cultura de Portugal, divulgamos e promovemos a excelente cultura tradicional chinesa entre os residentes de Macau, destacando o profundo intercâmbio e a influência mútua entre as culturas oriental e ocidental em Macau”, refere a vice-reitora da UPM.
FRC recebe a partir de hoje “Diligently”, uma mostra de Jane Ng Sok Chan Hoje Macau - 7 Jul 2025 A galeria da Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe a partir de hoje a mostra de arte de Jane Ng Sok Chan. A mostra “Diligently” reúne 20 pinturas a óleo, a acrílico, digitais e colagens da artista nascida e criada em Macau e conta com a curadoria da amiga de longa data Cinny Leong Sin Teng. Segundo um comunicado divulgado pela FRC, Ng Sok Chan personifica diversas identidades que se reflectem na sua pintura, como artista, professora e mãe. Através das suas pinceladas, “não só adquirimos uma perspectiva sobre a sua história de vida, como também desenvolvemos uma compreensão mais profunda da força e da resiliência das mulheres modernas”, revela a curadora e também professora, citada pela FRC. “Sou mãe, filha, professora e, acima de tudo, doméstica. Faço parte da classe trabalhadora, mas também sou pintora. Tal como muitas pessoas na sociedade, concilio vários papéis e identidades e esforço-me por gerir as responsabilidades que cada uma traz. O fardo pode ser avassalador e muitas vezes pergunto-me: porque é que as coisas não podem ser mais simples?”. É por isso que “para mim, pintar é um santuário”, revela a artista. Percurso de vida Formada em Desenho pela Universidade Normal de Xangai, em 2007, e com um Mestrado em Educação pela Universidade Normal do Sul da China, em 2013, Ng Sok Chan trabalha nas áreas da educação artística e da criação pictórica, tendo exposto o seu trabalho em todo o mundo. De 2016 a 2021, viveu nos Estados Unidos, onde participou em exposições conjuntas com associações de arte locais. Após regressar a Macau em 2021, fundou o NUMBER FIVE STUDIO, com foco nas pinturas a óleo, acrílico e aguarela. Os seus trabalhos foram também seleccionados para diversas exposições e concursos, incluindo a Exposição Anual de Artes Visuais de Macau, a Exposição de Investigação de Pinturas com Materiais Abrangentes de Guangdong e o Concurso Internacional de Ilustração Hiii, entre outros. A exposição, co-organizada pela FRC, a Associação de Arte Juvenil de Macau e a Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau, estará patente ao público até 19 de Julho, com entrada grátis.
Investigador altamente qualificado entrega comida (I) David Chan - 7 Jul 2025 Recentemente, a imprensa online divulgou amplamente a história do académico chinês, Ding Yuanzhao (丁遠昭). Em 2004, Ding Yuanzhao obteve 700 pontos, de um total de 750, no exame de admissão ao ensino superior na China continental e ingressou, na Universidade de Tsinghua para tirar bacharelatos em engenharia química e bio-industrial. Após a formatura, foi admitido na Universidade de Pequim e fez o mestrado em engenharia de recursos energéticos. Mais tarde, obteve o doutoramento em biologia na Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura. Em 2018, ingressou na Universidade de Oxford, no Reino Unido, para tirar um mestrado em biodiversidade. Posteriormente, trabalhou como investigador num pós-doutoramento na Universidade Nacional de Singapura. Em Março de 2024, o contrato como investigador chegou ao fim, não foi renovado, e Ding passou a trabalhar como entregador de comida em Singapura. Trabalha 11 ou 12 horas por dia, e ganha em média por dia 50 a 100 dólares de Singapura (cerca de 40 a 80 dólares americanos), podendo ganhar até 254 dólares de Singapura (cerca de 200 dólares americanos) aos domingos. Este caso provocou um debate alargado depois de Ding ter filmado e carregado um vídeo na Internet. No vídeo, mostrava os diversos certificados académicos e aconselhava os candidatos ao ingresso nas Universidades da China continental, nos seguintes termos: “Os resultados dos exames não são tudo. Não fiquem pessimistas se não tiverem boas notas. Os bons resultados não significam que venham a ter o futuro garantido. Os trabalhos não são muito diferentes. Fazer entregas de comida é uma boa escolha para servir a sociedade e para nos sustentarmos, basta trabalhar afincadamente que somos recompensados.” Num outro vídeo, Ding aconselha os especialistas a prestarem atenção à segurança das pessoas que entregam comida. O caso de Ding provocou uma discussão acesa na sociedade chinesa. O principal motivo é a disparidade entre o seu nível académico e a sua profissão actual. Esta disparidade chama a atenção para o problema do conflito cultural na sociedade chinesa. Desde os tempos mais remotos, a China sempre esteve focada na educação. As pessoas cultas podem servir como membros do Governo e dar largas a toda a sua ambição. Outro propósito da educação, é cultivar o carácter, por isso existe um ditado que diz “a formação começa com a aprendizagem e a aprendizagem com a leitura.” (立身以立學為先,立學以讀書為本) Na Europa, a educação foca-se na transmissão do conhecimento e no incentivo aos alunos para que pensem de forma independente e inovadora. As Universidades são o bastião do conhecimento e valorizam particularmente a investigação científica. A investigação científica conduz à inovação e a inovação beneficia a sociedade. Este é o principal objectivo da educação, o que não tem qualquer relação com as carreiras que muitos estudantes escolhem depois da formatura. Ding tornou-se um entregador de comida depois de ter obtido um doutoramento. Esta disparidade entre a formação e a profissão actual colide com os princípios da cultura tradicional chinesa e é inevitável que tenha provocado debates acesos. Este caso não representa só uma história, mas também um espelho que reflecte questões como o significado da educação, os valores sociais e as atitudes pessoais. Em primeiro lugar, tendo passado de investigador universitário a entregador de comida, Ding ter-se-á interrogado sobre a utilidade de ter obtido vários graus académicos? Para quê frequentar a Universidade? Para responder a esta pergunta, não podemos só ter em conta a experiência pessoal, mas sim uma perspectiva social. O conhecimento é uma propriedade pessoal. Não se mede em termos de dinheiro, mas na evolução que provoca nos seres humanos. Os estudantes recebem educação na Universidade para obterem mais conhecimento, para herdarem uma propriedade “intangível” e enriquecerem os seus espíritos. O conhecimento obtido na Universidade transforma-se em conhecimento profissional, por isso os profissionais, como os médicos, os advogados e os contabilistas, têm de receber formação universitária. Depois de adquirirem conhecimentos profissionais, o caminho certo será abraçarem uma profissão em que dêem bom uso à formação que receberam. Só com pessoas talentosas e especializadas pode existir desenvolvimento social, e só com investigadores talentosos e especializados podem surgir novas invenções, o que é também muito necessário em todas as sociedades. Por conseguinte, os estudantes que receberam formação universitária devem seguir carreiras diferentes daqueles que não a receberam e é impossível que os “trabalhos futuros não sejam assim tão diferentes.” Ding tem um doutoramento e é uma pessoa com um alto grau de educação. Trabalhar como entregador de comida é obviamente o resultado de um desajuste entre a sua formação e a sua profissão actual; este desajuste resulta no desperdício de pessoas talentosas e a sociedade perde com isso. A dificuldade que Ding teve em encontrar um trabalho compatível com as suas qualificações académicas foi uma questão de falta de oportunidades e fez parte do seu percurso de vida. Quando no futuro encontrar um trabalho digno da sua formação, pode voltar a usar os seus conhecimentos e aprender a torná-los úteis. Portanto, não é correcto confundir o objectivo da educação com as circunstâncias da vida. Na próxima semana, continuaremos a aprofundar esta história. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Myanmar | Cerca de 4.000 birmaneses fogem para a Índia Hoje Macau - 7 Jul 2025 Cerca de 4.000 pessoas refugiaram-se no nordeste da Índia nos últimos quatro dias devido aos intensos combates que estão a acontecer em Myanmar (ex-Birmânia), declararam ontem as autoridades do estado indiano de Mizoram. “Cerca de 4.000 pessoas chegaram nos últimos quatro dias”, disse um polícia indiano, sob condição de anonimato, à agência de notícias France-Presse (AFP). Segundo esta fonte, os combates pelo controlo da região de Chin continuam entre grupos armados rivais. Estes mesmos movimentos rebeldes birmaneses são todos oponentes da junta militar que governa Myanmar. “A situação do outro lado da fronteira permanece tensa, por isso pedimos [aos refugiados] que não regressem ao local de onde vieram”, continuou o polícia. Estes refugiados atravessaram as densas florestas que fazem fronteira entre os dois países para fugir aos combates entre grupos armados rivais da etnia Chin, disse o ministro do Interior de Mizoram, Vanlalmawia [que usa apenas um nome], à AFP. “Muitos destes refugiados têm familiares na Índia, por isso estão em casa. Os outros estão a ser alojados em abrigos”, acrescentou Vanlalmawia. Antes deste fluxo, o estado de Mizoram já acolhia cerca de 30.000 refugiados de Myanmar, que está em guerra civil desde que os militares regressaram ao poder em 2021. A Índia, que tem tentado estreitar laços com as autoridades de Myanmar para conter a influência da China na região, nunca condenou explicitamente o golpe de Estado realizado pelos militares birmaneses em Fevereiro de 2021.
Japão | Retiradas 50 pessoas de ilhas após 1.500 sismos 15 dias Hoje Macau - 7 Jul 2025 As autoridades do Japão retiraram quase 50 residentes de um arquipélago no sudoeste do país, uma região que foi afetcada por mais de 1.500 sismos no espaço de cerca de duas semanas. Um total de 46 residentes das ilhas de Akuseki e Kodakara, no arquipélago de Tokara, apanharam um ‘ferry’ para Kagoshima no domingo, informaram as autoridades locais. Na quinta-feira, o Japão já tinha ordenado a evacuação de Akuseki, devido à vaga de sismos, alguns atingindo magnitudes de cerca de 5 na escala de Richter. No domingo, dois sismos de magnitude 4,9 e 5,5 atingiram a ilha de Akuseki pouco depois das 14:00, avançou a Agência Meteorológica do Japão. A agência alertou que podem ocorrer sismos de magnitude 6 na área. Apenas cerca de 20 pessoas permanecem em Akuseki e cerca de 40 em Kodakara, que decidiram não abandonar as suas casas porque, na maioria, têm animais. O número de sismos nestas ilhas ultrapassou os 1.500 desde 21 de Junho e, embora não tenha havido danos ou feridos significativos, os residentes confessaram ter medo e dificuldades em dormir. O arquipélago de Tokara, entre as ilhas Yakushima e Amami-Oshima, fica ao longo da Fossa de Ryukyu, onde a placa do mar das Filipinas mergulha sob a placa Euro-Asiática. Embora a área seja conhecida pela actividade sísmica, alguns especialistas observaram que a situação recente é invulgar, uma vez que os sismos na região geralmente diminuem após picos de cerca de dez dias.
Quinze polícias filipinos detidos por desaparecimento de apostadores de lutas de galos Hoje Macau - 7 Jul 2025 Quinze polícias foram detidos e estão a ser investigados pela sua alegada responsabilidade nos raptos e possíveis assassinatos de pelo menos 34 pessoas envolvidas em lutas de galos, anunciou ontem o chefe da polícia filipina. Os desaparecidos foram acusados de fazerem batota naquelas competições – extremamente populares no país – e, segundo um testemunho, os seus corpos foram atirados para um lago de um vulcão com a cumplicidade da polícia. As vítimas desapareceram em 2021 e 2022, quando estavam a caminho ou a regressar de arenas de luta de galos espalhadas pela principal região de Luzon, no norte das Filipinas, incluindo na área metropolitana da capital Manila. Os desaparecimentos não resolvidos voltaram a chamar a atenção do público depois de uma testemunha-chave ter aparecido recentemente e acusado o seu antigo empregador, um magnata do jogo, de planear os assassinatos, mandando atirar os corpos para o Lago Taal, a sul de Manila, ou queimá-los noutro local. O chefe da polícia nacional, o general Nicolas Torre III, disse, numa conferência de imprensa realizada na semana passada, que uma testemunha-chave, sob o pseudónimo ‘Totoy’, forneceu detalhes cruciais. Segundo a testemunha, os aficcionados e trabalhadores das lutas de galos foram estrangulados e mutilados antes de serem atirados ao lago. Os investigadores policiais corroboraram os detalhes e as provas fornecidas pela testemunha, que serão utilizados em queixas criminais a apresentar pelo Departamento de Justiça contra os suspeitos, disse. Vida em risco A testemunha disse às estações de TV locais que decidiu manifestar-se porque o seu ex-empregador estaria alegadamente a ameaçar matá-lo. Segundo alegou, queria ajudar a aliviar a agonia das famílias das vítimas, que exigiam justiça pelos seus familiares desaparecidos. “Fiquei muito chocado”, admitiu Torre, adiantando que as alegações da testemunha – que está sob protecção policial – “fortaleceu a determinação de realmente resolver isto, porque o que aconteceu foi selvagem e inaceitável”. As queixas criminais serão apresentadas contra o influente empresário, proprietário de arenas de lutas de galos e outros negócios de jogo, mas também contra outros suspeitos, referiu o secretário de Justiça, Jesus Crispin Remulla. O empresário negou as acusações. Remulla disse que iria pedir ao Japão que ajudasse a fornecer tecnologia para auxiliar na busca de vestígios dos restos mortais das vítimas, que ainda possam ser recuperados do fundo do Lago Taal, apesar de já terem passado cerca de quatro anos. Passatempo cruel Embora proibida nos Estados Unidos e noutros países ocidentais, em grande parte devido às preocupações com a crueldade contra os animais, a luta de galos tem sido um passatempo popular e um desporto de apostas em muitas partes do sudeste Asiático, incluindo nas Filipinas, mas também na América Latina e em algumas partes da Europa. As arenas de luta de galos encontram-se em destaque em cidades rurais remotas e grandes cidades das Filipinas e atraem um grande número de aficcionados para uma indústria que se tornou uma parte vibrante da cultura local e um negócio que gera milhões em receitas estatais e proporciona milhares de empregos. O jogo envolve colocar dois galos — com arpões afiados ou lâminas de aço presas às patas — numa batalha, muitas vezes até à morte, no meio do rugido da multidão. Os aficcionados e trabalhadores desaparecidos das lutas de galos foram acusados de fazer batota ao tomarem medidas discretas para enfraquecer um galo ou diminuir as suas hipóteses de vitória, incluindo magoá-lo ligeiramente e depois apostar no outro galo.
Dalai-lama | Índia mantém-se à margem de sucessão Hoje Macau - 7 Jul 2025 O Governo indiano assegurou sexta-feira que irá manter-se à margem da escolha do sucessor do Dalai-lama, contrastando com a China que rejeita o processo e considera o líder espiritual tibetano um separatista da região anexada. Num comunicado sobre o plano de sucessão do Dalai-lama, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do governo de Narendra Modi afirma que não tomará “qualquer posição” em questões de fé. “O Governo da Índia não toma qualquer posição ou pronunciamento sobre questões relacionadas com crenças e práticas de fé e religião”, disse o porta-voz do Ministério, Randhir Jaiswal, em resposta a perguntas dos meios de comunicação social sobre o recente anúncio do líder espiritual tibetano. O país “sempre defendeu a liberdade religiosa para todos na Índia e continuará a fazê-lo”, sublinhou. Na quinta-feira, o ministro indiano dos Assuntos das Minorias, Kiren Rijiju, afirmou aos meios de comunicação locais que a decisão caberia exclusivamente ao líder budista. “Todos aqueles que seguem o Dalai-lama acreditam que a reencarnação deve ser decidida de acordo com as convenções estabelecidas e os desejos do próprio Dalai-lama. Mais ninguém tem o direito de decidir, excepto ele e as convenções vigentes”, afirmou Rijiju. A China reiterou na quarta-feira que o sucessor do Dalai-lama deverá ser “aprovado pelo Governo central”. “A reencarnação de figuras budistas de grande relevo, como o Dalai-lama e o Panchen Lama, deve ser determinada por sorteio através da Urna Dourada e posteriormente aprovada pelo Governo central”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning.
Japão pronto para todos os cenários em matéria de tarifas Hoje Macau - 7 Jul 2025 O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, afirmou este domingo que o país está pronto a “manter-se firme” e está preparado para todos os cenários tarifários possíveis, que possam resultar das negociações comerciais com os Estados Unidos. Em declarações no programa “Sunday News, The Prime” do canal japonês de televisão Fuji TV, o governante sublinhou a determinação de Tóquio na negociação da aplicação de direitos aduaneiros nulos – tarifa zero – no sector da indústria automóvel. Shigeru Ishiba recordou ainda que o Japão é o maior investidor directo estrangeiro nos Estados Unidos e o maior criador de emprego na maior economia do mundo. O principal negociador comercial do Japão, Ryosei Akazawa, anunciou este sábado que manteve duas reuniões telefónicas com o secretário de Estado do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, para discutir os direitos aduaneiros, numa altura em que se aproxima o prazo de 09 de Julho para imposição do aumento das taxas por Washington. Akazawa e Lutnick falaram durante 45 minutos na quinta-feira e durante cerca de uma hora no sábado, reafirmaram as respectivas posições sobre os direitos aduaneiros dos Estados Unidos e “procederam a uma troca de pontos de vista aprofundada”, de acordo com um comunicado do secretariado do Governo japonês. As partes continuarão a coordenar-se, acrescenta no comunicado. Cartas escritas Os telefonemas decorreram numa altura em que uma taxa geral de 10 por cento sobre as vendas do Japão para os Estados Unidos deverá voltar a 24 por cento em 09 de Julho, caso o acordo tarifário não seja fechado. O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na sexta-feira que assinou 12 cartas, que serão enviadas já esta segunda-feira, para informar os parceiros comerciais das novas taxas alfandegárias dos Estados Unidos sobre as respectivas exportações para os EUA, que começarão a ser aplicadas no próximo dia 01 de Agosto. Trump não especificou quais os países que receberão as cartas. Para além das tarifas mais amplas, tal como acontece com outros países, o Japão também está sujeito a uma taxa de 25 por cento sobre a importação de automóveis e componentes automóvel pelos EUA e a uma tarifa de 50 por cento sobre o aço e o alumínio.
DSAT | Responsabilização de Lam Hin San é teste ao Governo João Luz e Nunu Wu - 7 Jul 20257 Jul 2025 Depois da divulgação do relatório do Comissariado da Auditoria ter destacado a falta de fiscalização à Rádio Táxi e o incumprimento das exigências estabelecidas no contrato de concessão, multiplicaram-se as críticas ao director dos Serviços para os Assuntos Tráfego (DSAT) Lam Hin San. O presidente da Associação da Sinergia de Macau, Johnson Ian, escreveu um artigo de opinião, publicado no jornal Sou Pou, a relacionar a posição de Lam Hin San no contexto da remodelação de directores de serviços e departamentos da administração, recentemente anunciada. O também candidato a deputado pela lista liderada por Ron Lam considera que a população está mais focada na necessidade de responsabilizar o director da DSAT, do que na remodelação em si. A confirmar-se o boato de que Lam Hin San poderia ser transferido para a Sociedade de Administração de Portos, Johnson Ian argumenta que a saída da DSAT sem que haja responsabilização, para ocupar outro cargo com um salário elevado, não será bem encarada pela população. O candidato a deputado vai mais longe e indica que a situação da DSAT é um teste político para o novo Governo, ainda para mais numa altura em que as alterações aos estatutos do pessoal de direcção e chefia está em análise na especialidade na Assembleia Legislativa. Como tal, Johnson Ian considera que a população de Macau irá saber em breve se o Executivo de Sam Hou Fai leva a sério a responsabilização de titulares de altos cargos da administração, ou se o tema é apenas um slogan político. Subida em flecha “Há muitos anos que a cultura burocrática de Macau não elimina os maus e retém os bons, não recompensa os diligentes e pune os preguiçosos, nem recompensa os mais competentes. Em vez disso, mais vale conhecer pessoas em cargos altos, do que ter conhecimentos profissionais, e a responsabilização é uma mera formalidade”, indicou o candidato do deputado. Johnson Ian refere também que a única mobilidade de carreira para um determinado patamar é a subida hierárquica, ascensão fomentada por um ambiente profissional de protecção burocrática e que é raro a admissão de falhas, o que impede correcções. Além disso, o dirigente associativo lamenta que as vozes sociais que ousem criticar políticos sejam rotuladas como agitadores que só causam problemas.
Sócrates é um fenómeno André Namora - 7 Jul 2025 A vida de José Sócrates Pinto Sousa dava um filme. Sócrates é um fenómeno de ideias rentáveis, de mentira, de corrupção, de altruísmo e de sobrevivência sem problemas financeiros. Sócrates iniciou a sua actividade na Covilhã como agente técnico. Apresentava à edilidade projectos horríveis de casas a edificar. Logo aí, aprendeu como se obtinham licenças de construção civil pela via “mais rápida. Cedo aderiu ao PSD ingressando na Juventude Social Democrata. Mais tarde, deu-se conta que o partido político com mais representatividade em tudo o que fosse ter uma posição de elite era o Partido Socialista. E aderiu como militante socialista. Começou a subir degraus e Mário Soares simpatizou com o seu dinamismo dando-lhe a mão, ao ponto de degrau em degrau chegar a secretário-geral. Pretendeu que o tratassem por engenheiro, mas rapidamente veio a saber-se que não possuía nenhum curso superior de engenharia. Houve escândalo quando veio a lume que tentou obter o diploma com exames de certas cadeiras ao domingo… O seu partido elegeu-o secretário-geral e ganhou eleições. No primeiro dia que entrou em São Bento como primeiro-ministro muitos dos seus amigos interrogaram-se como é que tinha conseguido subir ao terceiro lugar mais importante da hierarquia política portuguesa. Durante o seu governo teve ideias de aplaudir, nomeadamente reformas na área da Saúde. Passou a ser um dos políticos mais populares no espectro político nacional. Mas, há sempre um “mas”. Sócrates sempre foi um homem ambicioso e não olhava a meios para atingir os fins. E a partir do palanque de chefe do Executivo começou a valer tudo no que tocava a cambalachos. O dono disto tudo, Ricardo Salgado, mandou logo um funcionário seu, Manuel Pinho, para o governo de Sócrates. Manuel Pinho era o ponta-de-lança de Salgado junto do primeiro-ministro e ao que se sabe Ricardo Salgado “comprou” Sócrates com cerca de 30 milhões de euros. Quanto à construtora Lena, que ninguém conhecia, o primeiro-ministro Sócrates começou a adjudicar directamente grandes obras e, fontes do Ministério Público, transmitiram-nos que no processo “Operação Marquês” consta que a Lena fez entregar muitos milhões a Sócrates. O primeiro-ministro viajou para a Venezuela com a empresa Lena na mochila e Hugo Chávez recebeu muito bem a ideia que a Lena construísse naquele país milhares de casas de habitação social e um porto de águas profundas. Grandes contratos, grandes acordos, grandes contrapartidas. E mais uma vez, Sócrates conseguiu reembolsar avultadas quantias, segundo o que alegadamente consta dos diferentes processos. Um dia, Sócrates deixou o país de boca aberta. Convidou Muammar Gaddafi, presidente da Líbia, para visitar Portugal. Sócrates pretendia investimentos libaneses em Portugal e o seu convidado, a troco de muito milhões, conseguiu armar uma tenda gigante no interior do Forte de São Julião da Barra, património nacional que os portugueses muito respeitam. O povo não queria acreditar que estava ali uma tenda gigante, com todos os luxos, para que Gaddafi permanecesse durante a visita. O que se sabe é que a ligação Sócrates-Gaddafi veio a ser imensamente frutuosa para o político português. Na agenda de Sócrates não podia faltar o Brasil e o seu amigo Lula da Silva. Um jornalista brasileiro chegou a escrever que o primeiro-ministro português estava a ganhar muito dinheiro com os acordos comerciais luso-brasileiros. Chegou-se a uma altura que o líder da extrema direita Mário Machado divulgou que José Sócrates tinha já uma fortuna de 330 milhões de dólares americanos e que um primo seu tinha ido a Macau depositar num banco local cerca de 30 milhões de euros. A verdade é que Sócrates passou a ter uma vida faustosa com carros topo de gama, melhores restaurantes e financiamento a várias mulheres. Adquiriu um andar em um dos edifícios mais valiosos da urbe lisboeta junto ao Marquês de Pombal, daí a intervenção policial e judicial ter dado o nome de “Operação Marquês” a toda a investigação à vida de Sócrates. Este, tinha também comprado um monte no Alentejo para a ex-mulher e para completar os sinais de riqueza viajou para Paris com o seu filho e comprou uma casa no bairro mais caro da capital francesa. A comunicação social daquele tempo salientou que a presença de Sócrates em Paris e os milhões que gastava era “um escândalo”. Quando veio a Portugal tinha a polícia no aeroporto à sua espera e foi logo detido. As investigações judiciais já tinham provas da sua corrupção activa e passiva, branqueamento de capitais e transferência bancárias dolosas por parte do seu amigo Carlos Silva. Sócrates entrou na prisão de Évora. Era conhecido no interior do presídio como o 44. Mas, como Sócrates sabia muito e tinha dado muito dinheiro a ganhar aos seus camaradas, assistiu-se a um corrupio de personalidades a caminho de Évora para abraçar Sócrates, incluindo Mário Soares. Mais tarde, viria a ser libertado e deu início à sua defesa judicial. Chegou a responder várias vezes aos procuradores do Ministério Público. O que não deve ter sofrido quando os magistrados o tratavam por “senhor Sousa”… As acusações criminosas eram muitas, no entanto, Sócrates rodeou-se de bons advogados pagos a peso de ouro e de recurso em recurso, já lá vão mais de 10 anos (é inacreditável) sem se realizar qualquer julgamento. Sócrates não para de pensar um minuto como é que tudo isto poderá prescrever ou sair como inocente. Vai daí, na semana passada deu um golpe de mestre. Viajou para Bruxelas e deu uma conferência de imprensa na qual anunciou que ia apresentar uma queixa contra o Estado português no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). Sócrates justificou os motivos que o levaram a denunciar os tribunais que disse terem sido “manipulados” para persegui-lo na “Operação Marquês”. Regressa de Bruxelas e tinha o Campus de Justiça, em Lisboa, à sua espera para pela primeira vez se sentar no banco dos réus num julgamento agendado para a passada quinta-feira. Um julgamento que irá durar meses ou anos, onde estiveram presentes 15 arguidos e os advogados de defesa de Sócrates a requerem a anulação do julgamento por alegadas irregularidades judiciais. Bem, Sócrates ou é maquiavélico ou o humano mais inteligente do planeta. Já há quem diga que será inocentado e que ainda receberá uma indemnização do Estado pelo mal que lhe causou em deixar arrastar o seu caso durante mais de uma década. Ora, digam lá que a vida de Sócrates não dava um bom filme…