Tianshui | Oito detidos após detecção de chumbo no sangue de 233 crianças em creche

As autoridades da cidade chinesa de Tianshui, na província noroeste de Gansu, prenderam oito pessoas no âmbito de uma investigação sobre um caso de intoxicação por chumbo, que afectou 233 crianças de uma creche privada.

A investigação concluiu que os responsáveis pela creche terão autorizado o uso de substâncias impróprias para consumo humano na preparação de alimentos destinados às crianças, informou ontem a televisão estatal CCTV.

Duas pessoas, com os apelidos Zhu e Li, responsáveis pela gestão e financiamento do centro, respectivamente, estão entre os detidos. Segundo as autoridades, a cozinha do centro utilizou corantes adquiridos através da Internet, que continham chumbo e estavam rotulados com a advertência de que não eram adequados para consumo.

As autoridades informaram que as 251 crianças que frequentavam o centro foram submetidas a análises ao sangue, das quais 233 apresentavam níveis anormais de chumbo e 18 estavam dentro dos parâmetros normais. A intoxicação levou à hospitalização de 201 crianças, informou a CCTV.

Nos últimos dias, alguns pais de crianças afectadas disseram à imprensa local que os seus filhos tinham sofrido durante meses de sintomas como náuseas, diarreia, dores nas pernas ou cólicas abdominais e que, em muitos casos, pensaram que se tratava de doenças leves até que as análises ao sangue revelaram a presença de chumbo.

A creche privada, inaugurada em 2022, cobrava cerca de 6.000 yuan mensais de matrícula por cada criança.

UE quer reequilibrar relações com Pequim e evitar ameaças à segurança e competitividade

A presidente da Comissão Europeia insistiu ontem que é necessário reequilibrar as relações com a China, pedindo a Pequim “previsibilidade e confiança” para evitar ameaças à “segurança e à competitividade”.

“Previsibilidade e confiança”, expressou Ursula von der Leyen, durante um debate sobre as relações entre a União Europeia (UE) e a China, no plenário do Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo, em França.

A presidente do executivo comunitário antecipou a cimeira entre o bloco político-económico e um país que em cinco décadas deixou de ser “um país de agricultura e hoje é um colosso industrial”, e “um dos maiores poderes globais”.

Na semana passada, Ursula von der Leyen encontrou-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, em Bruxelas (Bélgica), cidade que alberga as principais instituições da UE, incluindo a Comissão Europeia.

“Somos duas das três maiores economias e poderes do mundo […], mas só trocamos cerca de dois mil milhões de euros por dia [com a China]. Apesar de o mercado ser enorme, o nosso acesso é limitado”, comentou.

A presidente da Comissão Europeia descreveu um país que fez “mais de 800 milhões de pessoas saírem da pobreza”, mas que no panorama geopolítico internacional apresenta “riscos reais” para a UE, que são “estratégicos e sistémicos” e que “prejudicam a segurança e a competitividade” dos 27 países do bloco comunitário.

“A China tem um sistema completamente diferente do nosso e ferramentas à sua disposição que lhe permite ‘jogar’ à margem das regras […], subsídios não só para auxiliar as suas indústrias, mas também para asfixiar a competição”, criticou Ursula von der Leyen.

Olhar em frente

Exigindo o reequilibro da balança económica entre a UE e Pequim, a “condenação inequívoca” da invasão russa da Ucrânia – que até hoje a China não fez, apesar de insistir que a soberania de todos os territórios tem de ser respeitada – e contenção em quaisquer “operações de influência”, a presidente da Comissão Europeia considerou que a relação entre os dois lados pode avançar, só tem é “de se rebalancear”.

“Há muito que podemos fazer juntos, se a China estiver pronta para trabalhar com espírito de previsibilidade e confiança”, insistiu.

Tarifas | Secretário norte-americano prevê reunião China-EUA nas “próximas semanas”

Após reuniões em Genebra e Londres que deram sinais de aproximação entre as duas potências, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent indicou que estará para breve um novo encontro com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng. Pequim, para já, não confirma nem desmente

 

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou que deverá reunir-se com o homólogo chinês “nas próximas semanas” para falar sobre questões como o comércio entre as duas maiores economias do mundo.

“Vou reunir-me com o meu homólogo chinês nas próximas semanas”, afirmou Bessent numa entrevista à emissora norte-americana CNBC na segunda-feira. “Tivemos boas reuniões em Genebra, em Londres. Ambos abordámos os assuntos com grande respeito”, acrescentou.

“Penso que há coisas que podemos fazer em conjunto, se os chineses o quiserem fazer”, disse ainda o governante norte-americano. “Vamos discutir se podemos ir além do comércio e entrar noutras áreas”, acrescentou.

Apesar de Bessent não ter identificado o homólogo pelo nome, o secretário do Tesouro manteve anteriormente negociações com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, que chefiou a delegação do país a negociações que decorreu em Londres em Junho.

O Ministério do Comércio da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

No início do ano, os Estados Unidos e a China anunciaram a imposição de direitos aduaneiros que ameaçaram asfixiar o comércio mundial e tiveram fortes repercussões nos mercados financeiros, que temeram que uma recessão a nível global.

Negociações em Genebra e, mais tarde, em Londres levaram a que os dois países chegassem a um acordo de tréguas, nos termos do qual Pequim concordou em facilitar a exportação de minerais de terras raras, essenciais para uma série de indústrias norte-americanas, desde a indústria de ‘chips’, a energia limpa e os transportes, em troca do levantamento de algumas das restrições impostas pelos EUA. Estes minerais têm assumido uma enorme importância nas discussões entre os dois países.

TikTok e outras histórias

Na semana passada, Bessent advertiu que os fluxos dos materiais críticos ainda não tinham regressado aos níveis registados em Abril.

Por outro lado, o quadro das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China está longe de ser abrangente e ainda há questões complicadas para resolver, incluindo as preocupações manifestadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o tráfico de fentanil, assim como os esforços para garantir um acordo para a alienação das operações nos Estados Unidos da aplicação de vídeos curtos TikTok, de capitais chineses.

Esse acordo requer a assinatura de Pequim, o que dá ao país uma fonte de influência para potencialmente extrair concessões dos EUA sobre comércio e outras questões.

Trump anunciou já que tem um potencial comprador para a TikTok – um consórcio de investidores que inclui a tecnológica Oracle Corp, a gestora de ativos Blackstone e a empresa de capital de risco Andreessen Horowitz.

D’As Entranhas | As descobertas de Maria João Pereira em “My Body”

É amanhã inaugurada mais uma exposição do projecto teatral “D’As Entranhas”, que desta vez traz a Macau imagens de Maria João Pereira tiradas nos anos da pandemia. Em “My Body” observa-se um processo de múltiplas descobertas por parte da mulher fotografada que construiu uma nova relação com o seu corpo depois deste projecto

 

Os anos de confinamento da covid. Uma mulher fechada em casa. Uma máquina fotográfica e a descoberta do seu próprio corpo. A nova exposição organizada pela companhia teatral “D’As Entranhas”, intitulada “My Body”, traz um conjunto de fotografias tiradas por Maria João Pereira a si própria durante a pandemia. Depois de ter publicado algumas nas redes sociais, surgiu a ideia de fazer este projecto.

A inauguração acontece amanhã na Creative Macau, a partir das 18h30, e traz também uma performance da artista. Esta mostra é constituída por 42 obras registadas entre 2019 e 2024 em câmara de telemóvel, “a partir de múltiplas representaçōes do corpo da autora, no espaço privado da casa”.

Segundo uma nota “D’As Entranhas”, “o conjunto de fotografias agora apresentadas expressa e interroga a memória do tempo presente, misturando ficçāo e realidade, em narrativas imaginadas, através da fotografia”, podendo ser visto até 2 de Agosto.

O lugar do corpo

Ao HM, Maria João Pereira revela que fazer estas fotografias constituiu para si “um pequeno escape” nos anos de confinamento, tendo sido uma espécie de “brincadeira com o corpo”.

“Tenho alguma flexibilidade por causa da minha escola de teatro, dança e acrobática, e tentei fotografar imagens e posições pouco comuns, mais acrobáticas digamos assim, para ter a ideia de movimento, explorar a ideia de estar sozinho e confinamento, de estarmos fechados e podermos brincar com o que temos à mão”, explicou.

Não se tratou apenas de fotografar o corpo, mas sim “criar pequenos cenários e deixar o público explorar tudo através da imaginação, entrando em realidades alternativas”.

Maria João Pereira pertence ao projecto “D’As Entranhas” e esta é a primeira vez que expõe as imagens que tirou nesses anos. “Faço uma retrospectiva de todo este trabalho e da procura da linguagem do corpo. Fui fazendo as imagens aos poucos e nem fazia todos os dias. O que aconteceu é que tinha uma imagem na minha cabeça, olhei para o sítio e tentei reproduzir com o corpo. Quando a ideia chegava tentava fotografar”, contou.

Para Maria João Pereira, este projecto tem muito a ver com “inspiração”, pois “há momentos em que surge e outros não”. “O confinamento levou-me à ideia de brincar com o corpo físico, ajudou-me o facto de ter alguma destreza, e foi algo que também me permitiu brincar. Acabou por me levar à descoberta do corpo fotográfico”, disse.

Imagens harmoniosas

Maria João Pereira confessa que foi fazendo uma “descoberta contínua”. “Não há [nesta exposição], uma imagem que tenha sido criada antes do que aconteceu [pandemia]. É sempre uma procura de coisas que se podem descobrir, coisas em que se podem trabalhar. Tenho mais cinco anos face à idade que tinha quando fiz estas imagens, mas isso não foi impeditivo de olhar o corpo de uma outra forma. É uma busca constante”, disse.

A artista deixa a mensagem de que as imagens que o público vai ver não são de nu integral, muito menos “provocatórias ou vulgares”. “Quando uma pessoa faz este tipo de trabalho tem de estar preparado para o bom e mau. Mas trata-se de imagens harmoniosas, e mesmo aquelas em que tenho roupas, quis encontrar diagonais no espaço e no corpo, pelo que não é apenas um corpo nu”, acrescentou a artista, confessando que antes de “My Body” nem gostava muito de ser fotografada.

“Criei, sem dúvida, uma nova mentalidade sobre o meu corpo. Não fotografava e odiava sê-lo, até ter descoberto que gostava de o fazer. Foi uma descoberta fantástica que me deu muita imaginação, poder criar linhas e diagonais com o corpo. Criei uma nova relação com o meu corpo”, rematou.

Turistas | Marca dos 20 milhões atingida um mês antes

Mais de 20 milhões de turistas visitaram Macau desde o início do ano. A marca foi ultrapassada ontem de manhã, 26 dias mais cedo do que em 2024. Até agora, a média diária de entradas este ano tem sido de 106 mil visitantes. Mais de 90 por cento chegam do Interior da China e Hong Kong

 

Em comparação com 2024, Macau atingiu este ano o marco de 20 milhões de turistas a entrar no território quase um mês mais cedo. Segundo dados divulgados ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), a fasquia dos 20 milhões de turistas que atravessaram a fronteira para Macau foi batida às 11h de ontem, 26 dias mais cedo do que no ano passado.

Feitas as contas, este registo total dá uma média diária de 106 mil turistas. Se a média de turistas que visitam Macau diariamente for somado à população da cidade, os visitantes representam 13,35 por cento das pessoas no território.

Os dados do CPSP mostram ainda que entre os turistas que visitaram Macau desde o início do ano, até ontem ao final da manhã, 90,7 por cento eram oriundos do Interior da China e Hong Kong. Sem surpresa, os visitantes vindos do Interior são a vasta maioria, 71,6 por cento, seguidos dos provenientes de Hong Kong (19,1 por cento), enquanto de Taiwan vieram 2,4 por cento dos visitantes. Os turistas internacionais representaram apenas 6,9 por cento de todas as entradas desde o início do ano.

Em termos de pontos de entrada, o posto fronteiriço das Portas do Cerco continua a ser o mais movimentado, totalizando 41 por cento das entradas de turistas, seguido da fronteira da Ponto Hong Kong-Zhuhai-Macau com 24,1 por cento e Hengqin com 13,5 por cento.

Entre os tempos

Segundo os dados da Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), nos primeiros cinco meses deste ano 16,3 milhões de turistas vieram a Macau, o segundo valor mais elevado de sempre para um arranque de ano, só superado pelo registo entre Janeiro e Maio de 2019 – antes da pandemia de covid-19 -, período em que registou quase 17,2 milhões de visitantes.

Conjugando os dados da DSEC e CPSP, conclui-se que durante o mês de Junho e a primeira semana de Julho, entraram mais cerca de 3,7 milhões de pessoas.

O CPSP acrescentou ontem que espera que o número de turistas aumente durante as férias de Verão. Como tal, reforçou a cooperação com os departamentos de imigração e de inspecção fronteiriça do Interior da China e de Hong Kong para garantir travessias seguras, ordenadas e sem problemas.

Burlas | Idosa detida por ajudar criminosos

Uma mulher local com 69 anos foi detida por auxiliar uma rede de criminosos a fazer pelo menos duas vítimas, que perderam mais de 2 milhões de patacas. O caso foi apresentado ontem pela Polícia Judiciária (PJ) e citado pelo jornal Ou Mun.

De acordo com os contornos apresentados, duas mulheres caíram em burlas amorosas, ou seja, acreditaram que tinham conhecido pessoas online pelas quais se apaixonaram e para as quais transferiram dinheiro na quantia de 2,075 milhões de patacas. Após perceberem que tinham sido enganadas, apresentaram queixa. As investigações da PJ levaram a identificar uma mulher de 69 anos, residente local, que se apresentou como vendedora em regime de part time.

Esta mulher confessou ter aberto contas em bancos locais e ajudado a transferir dinheiro para o exterior. Com base nestas acções recebia 8 mil patacas por cada burla realizada. Contudo, recusou contar à PJ como tinha sido descoberta pelo grupo criminoso e a identidade dos envolvidos.

CPSP | Estudante detido por furtar trotineta

O Corpo de Polícia e Segurança Pública (CPSP) revelou ter detido um residente com 20 anos por suspeitas de furto de trotineta eléctrica. O caso foi anunciado ontem e citado pelo jornal Ou Mun. De acordo com a publicação, os acontecimentos foram registados em Abril, quando o suspeito, conhecedor da palavra-chave, abriu o cadeado que protegia a trotineta e decidiu ir dar uma volta, deixando o veículo perto do local original.

No entanto, como o proprietário do veículo não conseguiu encontrar a trotineta acabou por apresentar queixa à polícia. Com recurso ao sistema de vigilância Olhos no Céu, as autoridades conseguiram identificar o suspeito, um estudante universitário, que após ser detido não só confessou os factos como também revelou onde a trotineta se encontrava. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

Assédio | Menor apalpada e beijada quando ia para explicações

Um homem com 40 anos foi detido depois de ter atacado uma menor, que beijou e apalpou. O caso foi relatado ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), e aconteceu a 4 de Julho, uma sexta-feira, na Avenida do General Castelo Branco.

Quando a menor se dirigia para um centro de explicações, foi abordada pelo homem que aproveitou a oportunidade para praticar o assédio. Depois disso, o alegado criminoso pediu à vítima para que se mantivesse em silêncio e não contasse a ninguém o que tinha acontecido.

No entanto, a vítima deixou logo clara a sua intenção de ir denunciar o caso. Quando chegou ao centro de explicações a vítima contou logo o sucedido, com o caso a ser relatado às autoridades. Quando foi detido, o atacante, um trabalhador não residente do Interior, confessou que tinha beijado e apalpado a vítima, por considerar que ela preenche o tipo de mulher que ele acha atraente.

HK | Caso de subornos envolve Don Don Donki de Macau

Uma empregada de uma consultora de Hong Kong confessou em tribunal ter recebido subornos de empresas contratadas para renovar duas lojas de produtos japoneses. Os dois projectos ultrapassaram 25 milhões de dólares de Hong Kong, dos quais 23,4 milhões foram para o projecto da Don Don Doki, no Fai Chi Kei

 

No próximo dia 21 de Julho, o Tribunal de Kowloon City, em Hong Kong, irá revelar a sentença de um julgamento que coloca no banco dos réus uma empregada de uma empresa de consultadoria de design e dirigentes de duas companhias num caso em que as autoridades da região vizinha alegam um esquema de subornos para conseguir contratos de renovação de duas lojas: a Tokyo Lifestyle em Kowloon e o supermercado da cadeia Donki Japan em Macau.

Segundo um comunicado da Independent Commission Against Corruption (ICAC) de Hong Kong, na passada segunda-feira, Pian Pang Ka-shin, gestora de marketing da K&C Creation Limited (KCL), declarou-se culpada em tribunal de receber 230 mil dólares de Hong Kong para garantir que as duas empresas conseguiam os contratos de renovação das lojas mencionadas, que valeriam um total de 25 milhões de dólares de Hong Kong.

O caso conta com mais três arguidos, dirigentes das duas empresas que conseguiram os contratos, e começou a ser julgado no Tribunal de Kowloon City no passado mês de Fevereiro.

Estilos de vida

Em 2019, a KLC ficou encarregue dos dois projectos de renovação e, nessa altura, Pian Pang Ka-shin era a responsável da empresa por coordenar os concursos para encontrar as empresas que seriam responsáveis pelos trabalhos nas duas lojas. A arguida estava encarregue de apresentar as propostas e orçamentos de empresas concorrentes para selecção da KLC e Donki Japan.

Segundo o ICAC, Pang confessou ter recebido entre Junho de 2019 e Janeiro de 2022 subornos superiores a 230 mil dólares de Hong Kong de três dirigentes das empresas para as ajudar a conseguir contratos para os projectos.

No concurso para a renovação da Tokyo Lifestyle, Pian Pang Ka-shin submeteu duas propostas, mas seguindo a recomendação da gestora, a RNK acabou por ficar com o contrato no valor de 1,7 milhões de dólares de Hong Kong. O projecto de maior volume foi mesmo o do espaço comercial no Fai Chi Kei. Aí, Pang ajudou a empresa que acabaria por ficar com o contrato, a FEL, a submeter a proposta para conseguir o projecto no valor 23,4 milhões de dólares de Hong Kong.

Os três dirigentes das empresas que terão, alegadamente, subornada a gestora declararam-se inocentes em tribunal.

O Don Don Donki no Fai Chi Kei abriu Setembro de 2021, em plena pandemia. Com fortes restrições fronteiriças, a abertura do supermercado de produtos japoneses foi encarada pela população como uma oportunidade de viajar sem sair de Macau. Durante largas semanas, a imposição de medidas de prevenção e controlo de multidões não foi o suficiente para originar longas filas de clientes para entrar na loja aberta 24 horas por dia. Em Fevereiro do ano passado, a marca abriu uma segunda loja em Macau no Studio City.

Lago Sai Van | Obras de reparação arrancam sábado

A partir do próximo sábado, arrancam as obras de renovação e reparação do passadiço de madeira do piso inferior da Praça do Lago Sai Van, junto à Torre de Macau, indicou ontem o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM).

A substituição das tábuas, a reparação de infra-estruturas e dos parafusos de fixação será feita de forma faseada, assim como a renovação da pintura. Está previsto que a obra demore 120 dias úteis até ficar concluída, obrigando à vedação por fases das partes do passadiço alvo de reparações.

O IAM garante que a concepção original do local será mantida à imagem do que foi nos últimos mais de 20 anos. As autoridades acrescentam que “após o longo período de utilização, a plataforma de madeira apresenta-se em más condições, com a base de suporte das tábuas danificada, as tábuas quebradas, os parafusos de fixação enferrujados e algumas estruturas envelhecidas”.

Eleições | Alberto Wong queixa-se de campanha de difamação

O também assistente social afirma ter apresentado queixa na Polícia Judiciária, depois de terem começado a circular online comentários que o ligam a burlas com investimentos no Myanmar e a dívidas deixadas por pagar

 

Alberto Wong, candidato a deputado que lidera a lista Força da Livelihood Popular em Macau, afirma estar a ser vítima de uma campanha de difamação nas redes sociais, depois de alguns comentários o acusarem de ter praticado burlas ou de ter deixado dívidas por pagar. Numa publicação nas redes sociais, o também assistente social revelou ter apresentado queixa à Polícia Judiciária (PJ).

“As declarações a circular nas redes sociais que visam a minha pessoa foram fabricadas com malícia e são caluniosas, pelo que violam gravemente a minha dignidade pessoal. Por isso, existem suspeitas que os autores praticaram os crimes de difamação e injúria”, escreveu Alberto Wong. “Já denunciei os casos à PJ e entreguei com a denúncia os materiais publicados online. O processo criminal já foi instalado”, informou.
De acordo com Wong, a PJ vai agora iniciar uma investigação e seguir as pistas deixada pelos perfis que fizeram os comentários considerados difamatórios pelo candidato.

Ao mesmo tempo, Alberto Wong apelou a quem publicou os comentários polémicos que os remova imediatamente da Internet e lhe peça desculpa, para “mitigar o impacto” das acusações que ele considera serem calúnias.

Novo candidato

Nos últimos dias, com o aproximar das eleições para a Assembleia Legislativa de 14 de Setembro, surgiram comentários online a ligar Albert Wong a esquemas de burla. Algumas das acusações alegavam que Wong teria promovido investimentos em imobiliário no Myanmar, mas que os projectos acabariam por nunca avançar, com os investidores a perderem dinheiro.

Outros comentários, alegavam a prática de burlas e também de dívidas contraídas por Alberto Wong, também conhecido por Tim Wong, que não teriam sido pagas.

O crime de difamação é punido com uma pena de prisão que pode chegar aos seis meses ou 240 dias de multa. No entanto, consoante certos condicionantes, a pena pode chegar aos dois anos de prisão ou implicar uma multa que pode chegar aos 360 dias e que nunca vai ser inferior aos 120 dias.

Com 40 anos, Alberto Wong é candidato pela primeira vez ao hemiciclo e lidera a única das oito listas do sufrágio directo que não se encontra representada na Assembleia Legislativa. As listas ainda não foram aceites de forma definitiva e estão a ser avaliadas pela Comissão de Defesa de Segurança do Estado. Os resultados da avaliação de cariz político vão ser apresentados a 15 de Julho.

Eleições | Recebidas 13 queixas de campanha antes do tempo

A CAEAL revelou ontem o número de queixas relacionadas com “propaganda eleitoral antes do início da campanha”. A penalização prevista na lei pune os infractores com multas que variam entre 2 mil e 10 mil patacas

 

Até ontem, a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) recebeu um total de 13 queixas relacionadas com a realização de propagada eleitoral em período de proibição. Os números foram ontem actualizados numa conferencia de imprensa pelo presidente da CAEAL, Seng Ioi Man.

“Estamos no 12.º dia do período de propaganda ilegal ou de proibição de propaganda. Até este momento, recebemos 13 denúncias. E damos muita atenção a estes casos”, afirmou Seng Ioi Man. “Vamos acompanhar de forma séria as queixas e iremos cooperar com as autoridades competentes para seguir estes casos. Se houver de facto propaganda, iremos dar o devido tratamento”, acrescentou.

De acordo com a lei eleitoral, a propaganda eleitoral antes do início da campanha eleitoral é punida com uma multa que varia entre 2 mil e 10 mil patacas, pelo que não é uma das infracções em que a lei obriga ao cumprimento de pena de prisão, independentemente da gravidade da infracção.

Seng Ioi Man revelou também que a análise da CAEAL à lista de candidatos não descobriu até ontem qualquer infracção que tivesse de ser suprida. “Nesta fase, os trabalhos de verificação das candidaturas estão a decorrer de forma ordenada. Actualmente, não verificamos qualquer irregularidade processual ou dos candidatos elegíveis, por isso não há necessidade de nenhuma candidatura suprir aspectos da lista”, indicou o presidente da CAEAL

Todavia, a comissão eleitoral ainda aguarda que a Comissão de Defesa de Segurança do Estado aprove politicamente os candidatos, avaliando se são patriotas e fiéis à RAEM. “Quanto aos candidatos que defendem ou não a Lei Básica, que são fiéis ou não à RAEM, cabe à Comissão de Defesa da Segurança do Estado determinar. Se forem verificadas desconformidades, essa comissão emite um parecer vinculativo”, informou. “A CAEAL, com base no parecer desta comissão, tomará até 15 de Julho a decisão de verificação das candidaturas e divulgará todos os resultados”, vincou.

Mais locais de voto

A conferência de ontem serviu também para a CAEAL anunciar que, pela primeira vez, para o sufrágio indirecto vão ser instaladas duas assembleias de voto. Nestas eleições apenas votam os representantes das associações locais e a primeira assembleia vai ficar no local tradicional, o Pavilhão Polidesportivo da Universidade Politécnica de Macau. Neste local vão poder votar as associações dos sectores industrial, comercial e financeiro, sector do trabalho e sectores dos serviços sociais e educacional. A segunda assembleia de voto vai ficar localizada na escola Escola Kao Yip, e vai receber os votos do sector profissional e dos sectores cultural e desportivo.

Em relação ao sufrágio directo vão ser mantidas as 35 assembleias de voto do ano anterior. As urnas vão estar abertas no dia 14 de Setembro das 09h às 21h.

Iao Hon | Proprietária denuncia más condições de apartamento

Reboco a cair do tecto e vigas de ferro à mostra. Foi este o cenário descrito por uma proprietária de um apartamento no edifício Son Lei, um dos setes prédios do bairro Iao Hon à espera de reconstrução da Macau Renovação Urbana, cujo início estava previsto para o ano passado.

Em declarações ao programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, a residente, de apelido Lai, revelou insatisfação com a demora das autoridades e pediu que seja anunciado o mais brevemente possível o calendário para as obras de reconstrução do prédio onde mora.

Outra situação que preocupa a residente é a demora no anúncio do valor da renda que terá de pagar quando se mudar para o apartamento de habitação temporária, disponibilizado para residentes de prédios do Iao Hon sujeitos a renovação urbana. Recorde-se que o prédio onde vão ficar alojados temporariamente será no Lote P do Areia Preta, no prédio construído no terreno onde esteve para ser erigido o projecto do Pearl Horizon.

Lai não só não desconhece a renda da casa temporária, como também não sabe quando terá de se mudar. Para já, a única comunicação concreta surgiu na forma de um convite para visitar as fracções do edifício de habitação temporária.

Em Abril do ano passado, o Governo de Ho Iat Seng garantiu que as obras de reconstrução do edifício Son Lei iriam arrancar ainda em 2024.

FMI | Ara Stepanyan deixou de liderar escritório em Macau

O economista Ara Stepanyan vai abandonar o cargo de liderança do escritório em Macau do Fundo Monetário Internacional, depois de cumprir um mandato de quatro anos.

A informação foi revelada ontem pela edição online da revista Macau Business. Em entrevista à publicação, Ara Stepanyan destacou que o FMI indicou ao Governo local que a diversificação económica “é um processo gradual que requer tempo e esforços concertados em várias frentes”.

Além disso foi aconselhada a requalificação da mão-de-obra local. “No nosso diálogo com as autoridades, sublinhámos a importância de melhorar as competências e requalificar a mão-de-obra – incluindo através da atracção de talentos estrangeiros -, melhorar a regulamentação e melhorar a produtividade através da investigação e da inovação”, revelou. A pessoa que vai substituir em Macau Ara Stepanyan ainda não é conhecida.

Pátio do Espinho | Vedação leva a pedido de intervenção do Governo

Os moradores das proximidades do Pátio do Espinho estão contra a vedação de ferro de um terreno que estava abandonado, por considerarem que dificulta deslocações de residentes e turistas na zona.

Em declarações ao jornal Ou Mun, os moradores levantaram dúvidas sobre a legalidade da vedação e deixaram o desejo que as autoridades possam acompanhar a situação.

Segundo um aviso fixado na rede de ferro, com a data de 14 de Maio, o alegado proprietário colocou uma vedação seguindo dados da Conservatória do Registo Predial e da Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro. Além disso, antes da instalação da vedação, que só foi erigida ontem, foi colocado um aviso no local a pedir que todos os bens e construções fosse removidos até 23 de Maio.

Lares de idosos | Lo Choi In pede aumento do subsídio por cama

A deputada Lo Choi In defendeu ontem na Assembleia Legislativa (AL) o aumento do subsídio por cama atribuído aos lares de idosos, actualmente de 500 patacas, “para que as famílias não tenham de suportar encargos elevados” com este tipo de acompanhamento. Da parte do Governo não houve resposta a este ponto em concreto, tendo o secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, dito que 90 por cento dos idosos continua a viver em casa, sozinhos ou com a família, sendo que apenas “sete por cento estão em lares e três por cento perderam a capacidade para estar sozinhos”.

A questão do acompanhamento na terceira idade surgiu com uma interpelação oral do deputado Ho Ion Sang, que propôs a criação de uma “indústria para a terceira idade”, com benefícios fiscais e criação de serviços a pensar nos mais velhos.

Por sua vez, o Governo indicou que tem apoiado “o lançamento de produtos e serviços adequados para seniores em vários domínios”, nomeadamente “eventos turísticos emblemáticos organizados pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST)” e “fornecimento do serviço de visita guiada aos idosos”.

A DST deverá “atrair os visitantes idosos que gostam de viajar de cruzeiro a visitar e consumir em Macau”, sem esquecer que a “Autoridade Monetária de Macau tem vindo a incentivar o sector de seguros para que lance fundos de pensões e produtos de anuidade”, além de se pedir ao sector financeiro para “alocar recursos suficientes para lançar mais serviços e produtos inovadores na área financeira destinados aos idosos”.

Governo identificou 1000 vagas de emprego para residentes

O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, adiantou ontem que, nos últimos meses, o grupo de trabalho governamental dedicado a encontrar vagas de emprego no território identificou 1000, relacionadas com 300 cargos diferentes. Estas vagas são destinadas a residentes que procuram emprego.

“Até ao momento, foram recolhidas mais de 1000 vagas de emprego, que envolvem 300 postos de trabalho, abrangendo os sectores de turismo e lazer integrado, hotelaria, tecnologia de informação, serviços bancários e financeiros, aviação, serviços sociais, entre outros”, foi referido no segundo dia de sessão plenária dedicada a responder a interpelações orais dos deputados. Neste caso, os deputados Leong Sun Iok, Nick Lei, Ngan Iek Hang e Ma Io Fong apresentaram questões sobre a situação do emprego e desemprego dos residentes.

Este grupo de trabalho, de criação recente, também faz “acções de formação direccionada” e presta “assistência aos residentes de Macau no acesso ao emprego, mudança de emprego, mobilidade horizontal e ascensão profissional”.

Porém, grande parte do debate foi centrada no facto de os residentes trabalharem a tempo parcial com falsos contratos, ou então em trabalhos pouco qualificados.

O deputado Leong Sun Iok sugeriu mesmo a criação de uma “percentagem mínima para a contratação de locais nas empresas de casinos, pois não teriam oportunidade de escolha”. Actualmente, segundo relatos recebidos pelo deputado, as empresas “arranjam sempre razões para não contratar locais e há situações de desigualdade, sendo os locais contratados a curto prazo porque, na verdade, a intenção é contratar trabalhadores não-residentes (TNR)”, existindo “casos de falsificação” de contratos, acusou.

Nick Lei também falou dos “testemunhos de residentes que dizem que os TNR trabalham a tempo inteiro, parecendo que os residentes apenas servem para ocupar os tempos parciais”. “Os nossos jovens querem trabalhar a tempo inteiro nos escritórios, por exemplo, e não conseguem encontrar trabalho. Mesmo nos bancos há muitos TNR”, disse.

“Trabalhar umas horas”

Ella Lei, por sua vez, falou de casos ocorridos nos restaurantes do aeroporto e no sector do retalho, “em que os empregadores pedem aos residentes para entrar de férias, com contratos que dizem que trabalham a tempo inteiro”. “Mas não! Os residentes trabalham apenas uma hora, entram para a empresa e ficam a tempo parcial. Como é que o Governo faz a fiscalização? Há queixas de contratações falsas, com casos em que os locais querem trabalhar, entram para a empresa, trabalham um tempo, mas depois é-lhes dito que não estão a trabalhar bem e saem”, explicou a deputada dos Operários.

Da parte do Governo, o secretário Tai Kin Ip referiu que tem sido “observado com rigor o princípio de que a contratação de TNR serve apenas para suprir a insuficiência de recursos humanos locais. O governante disse ainda que vai prestar atenção à situação do emprego parcial, mas não se livrou de nova acusação do deputado Ron Lam: “A política de emprego tem de ter em conta as necessidades da nossa população e o Governo está a interferir no mercado laboral, ao permitir a contratação de TNR”.

Obras | Revitalização dos Cais 23-25 e Pátio da Eterna Felicidade ainda este ano

Existem seis zonas históricas a revitalizar com o apoio e investimento das seis operadoras de jogo, mas os deputados questionam a ausência de novidades sobre o que está a ser feito e a lentidão dos projectos. O Governo garantiu que entre o final do terceiro trimestre e início do quarto serão divulgados mais dados e concluídas revitalizações de zonas antigas

 

A revitalização dos Cais 23-25, na zona do Porto Interior, e do Pátio da Eterna Felicidade deverá estar concluída ainda este ano, estando interligada com os projectos pensados e financiados entre o Executivo e as seis operadoras de jogo para seis zonas antigas de Macau.

A garantia foi dada ontem pelo secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip. “A revitalização das seis zonas é uma tarefa prioritária para o Governo, pois temos de contar com os investimentos das concessionárias. Realizámos estudos, fizemos um arranjo dos recursos e agora sabemos o que temos. Queremos, no final do terceiro trimestre, início do quatro trimestre, poder avançar com mais pormenores” sobre esta renovação.

Mais concretamente, coube a um representante do Instituto Cultural confirmar que a reabilitação do Pátio da Eterna Felicidade e Cais 23-25 fica concluída na mesma altura.

Tai Kin Ip garantiu que o Governo “não está parado” enquanto analisa e estuda. “Já demos instruções [às concessionárias] para os trabalhos que podem ser ajustados. Pedimos às concessionárias para fazerem a análise consoante as características das zonas. Vamos concluir as estruturas [este ano], com obras de remodelação e restauro, e estamos a trabalhar.”

O secretário frisou que está também a ser analisado o tipo de consumo a realizar-se nestas seis zonas, conforme o tipo de turistas, com “duas categorias de consumo, o tradicional e das novas gerações”.

“Peço que acelerem”

Apesar das promessas de mais detalhes, os deputados lamentaram a falta de informações mais detalhadas. “O essencial é divulgar os projectos, porque o Governo tem de conduzir determinados investimentos e orientar o mercado. O Governo pode ter tempo para fazer os estudos, mas será que as pequenas e médias empresas aguentam esse tempo dos estudos? As lojas que estão nas seis zonas vão continuar a explorar a actividade?”, questionou o deputado Ron Lam.

Segundo o deputado, as ideias para as seis zonas devem resultar num “projecto transparente e divulgado ao público”, pois “toda a sociedade [tem de ser ouvida] para que todos os projectos possam reflectir o panorama do mercado”.

Outra voz crítica, foi a de Ip Sio Kai, que pediu uma revitalização abrangente. “Todos esperam mudanças na economia comunitária. As concessionárias têm esse compromisso para com as seis zonas, mas já passaram dois anos e meio [desde o anúncio dos projectos]. Claro que houve trabalhos de transição, mas há novos planos de concepção e tudo deve ser feito ao mesmo tempo. Por exemplo, pode haver obstáculos na concepção dos planos, porque temos a Rua da Felicidade bem perto do Pátio da Eterna Felicidade, e pode ser difícil continuar os trabalhos. Como podem ser revitalizadas as áreas circundantes das seis zonas? Peço que se acelere os planos de revitalização e restauro dessas zonas”, frisou.

De frisar que as seis zonas em causa incluem a Rua da Felicidade, os Cais nº 23 e 25 do Porto Interior; a área envolvente da Avenida Almeida Ribeiro e da Rua de Cinco de Outubro; a zona da Barra perto da Doca D. Carlos I; os estaleiros de Lai Chi Vun, em Coloane, e ainda a zona da Fortaleza do Monte.

HK | Inaugurado primeiro museu na Ásia dedicado a Cristiano Ronaldo

O primeiro museu na Ásia dedicado a Cristiano Ronaldo foi inaugurado esta segunda-feira em Hong Kong, num espaço onde é possível acompanhar a carreira do futebolista internacional português, desde as origens, na Madeira, até à actual etapa, no Al-Nassr.

O museu exibe as cinco edições da Bola de Ouro atribuídas a Cristiano Ronaldo, em 2008, 2013, 2014, 2016 e 2017, que premeiam o melhor jogador mundial do ano, bem como camisolas assinadas e chuteiras que foram utilizadas pelo avançado, de 40 anos, ao longo da extensa carreira.

Uma réplica da casa onde viveu na infância, na Madeira, ilustra as origens humildes do atleta, cujo percurso profissional pode ser acompanhado através de conteúdo multimédia relativo às passagens por Sporting, Manchester United, Real Madrid e Juventus.

“Não é apenas um museu, mas um destino cultural, que reflete a mentalidade de Cristiano e a sua mensagem de superação”, observou Tomás Froes, representante do escritório familiar do jogador, durante a conferência de imprensa de apresentação do museu.

Seguros de saúde | Executivo sem planos para subsídios

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, referiu ontem no hemiciclo que não existem planos governamentais para a concessão de subsídios à população para a aquisição de seguros de saúde, conforme propôs o deputado Chan Iek Lap na sua interpelação oral.

“Considerando que a implementação de um programa de subsídios para a aquisição de seguros de saúde beneficiaria apenas os residentes que já possuem seguro de saúde, tal não estaria em conformidade com o princípio de universalidade que rege as políticas públicas do Governo da RAEM”, referiu a governante na resposta ao deputado. O Lam considerou também que o “actual sistema de cuidados de saúde já cobre as necessidades básicas da maioria da população, garantindo que os grupos vulneráveis tenham acesso aos cuidados de saúde de que necessitam”, pelo que “não existem, por enquanto, planos para subsidiar a aquisição de seguros de saúde individuais”. Além disso, lembrou, “mesmo que o Governo da RAEM subsidie parcialmente o seguro de saúde, os residentes terão de assumir os custos remanescentes”.

A secretária citou dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos relativos ao terceiro trimestre de 2024 que mostram que “42,9 por cento da população local com idade igual ou superior a 16 anos já adquiriu um seguro de saúde individual”, enquanto “46,8 por cento beneficia do seguro de saúde proporcionado pelo seu empregador”.

Além disso, o Executivo disponibiliza os vales de saúde a residentes com um valor de 700 patacas, tendo, no ano passado, sido usados 87,6 por cento, com um montante de utilização de 280 milhões de patacas. O orçamento para os vales foi de 320 milhões.

Ilha Ecológica | Projecto novamente questionado

No decorrer do debate em torno da gestão das zonas marítimas de Macau, o tema da construção da Ilha Ecológica, destinada a ser uma zona de aterro para resíduos de grande dimensão a sul de Coloane, voltou a ser abordado. O deputado Ron Lam disse que há “zonas protegidas que podem ser afectadas”.

“Será que a zona ecológica deve ou não ser construída, já que há muitas vozes na sociedade? Se for possível não avançar com isto, então podemos não avançar”, apontou.

Já a deputada Lo Choi In, lembrou que “a população está atenta à construção da zona ecológica e muitos querem saber se vai haver impacto no nosso meio ambiente e se vai constituir uma ameaça a espécies em vias de extinção”. “Será que temos condições para suspender o plano da Ilha Ecológica? Em vez de a construir talvez pudéssemos investir mais em meios para a reciclagem”, aconselhou.

Raymond Tam, secretário da tutela, disse ter bastantes limitações para reciclar resíduos em Macau, nomeadamente a falta de espaço, “as soluções praticadas noutras partes do mundo podem não se aplicar aqui”. “Contactámos as autoridades do Interior da China para celebrar um acordo para a reposição dos materiais inertes retirados dos estaleiros. Temos limitações a nível regional para o tratamento de materiais, sendo que o Interior da China não aceita alguns deles, por lei, e não podem ser usados em aterro ou reaproveitados, pelo que temos de encontrar um novo destino para eles”, explicou o secretário.

Governo admite dificuldades na promoção do turismo com barcos

Susana Wong, directora da Direcção dos Serviços para os Assuntos Marítimos e da Água (DSAMA), referiu ontem que a actual legislação da RAEM apenas permite o estacionamento de embarcações de recreio privadas em Macau, sendo difícil expandir esse sector para um turismo de iates, por exemplo. “Não se vêm muitos resultados. Assinámos alguns acordos com Guangdong, mas não temos muitas embarcações em Macau. No Parque da Concórdia há 200 docas e, por causa da pandemia, não tivemos muitas embarcações a chegar, e também por causa da situação económica.”

A responsável explicou ainda que, embora Macau tenha sob sua jurisdição “85 quilómetros quadrados de áreas marítimas, temos sempre a dúvida se podemos liberalizar o licenciamento destas embarcações, pois as áreas marítimas são reduzidas”.

Questão de higiene

Susana Wong adiantou também que em “Hong Kong é diferente, há muitas ilhas, a possibilidade de alugar embarcações e isso não temos em Macau”.

“Temos de ponderar a liberalização do mercado de forma global, mas há que dar prioridade à segurança. Há resíduos a aparecer nas nossas zonas marítimas, com águas amareladas que têm origem nas correntes oriundas das regiões vizinhas. Temos de acarretar essa segurança dos utentes das praias”, acrescentou.

Ainda assim, Susana Wong prometeu que, no próximo concurso público para a limpeza das zonas marítimas, vão ser exigidos no caderno de encargos “mais trabalhadores e melhores condições das embarcações”, sendo que, actualmente, há 12 trabalhadores e cinco embarcações de serviço para a recolha de resíduos no Delta do Rio das Pérolas.

O deputado Ron Lam foi um dos que abordou esta questão, referindo que “o Governo deveria ponderar melhor sobre o aluguer dos barcos de recreio”, pelo facto de Macau gerir 85 quilómetros quadrados de zonas marítimas, mas ser um local onde “não podemos alugar um barco de recreio para passeios individuais”. “Devemos dar mais espaço para que haja mais passeios marítimos. Falamos, mas não avançamos nesse sentido, e temos de ter licenciamento para isto”, frisou.

Transportes | Governo estuda nova ligação a Hengqin

O Executivo foi ontem ao hemiciclo responder a interpelações orais dos deputados com o debate a arrancar em torno dos problemas relacionados com o trânsito. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, anunciou que “encontra-se em estudo, em coordenação com as autoridades de Hengqin, a criação de uma nova via de acesso entre os dois territórios”

 

Congestionamento do trânsito, autocarros sempre cheios, maior optimização de toda a rede de transportes públicos. Estes temas marcaram o arranque de mais um debate na Assembleia Legislativa (AL) dedicado a responder a interpelações orais apresentadas pelos deputados nos últimos meses.

Em resposta às interpelações apresentadas por Ella Lei e Leong Hong Sai, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, anunciou que Macau terá uma nova ligação a Hengqin.

“Encontra-se actualmente em estudo, em coordenação com as autoridades de Hengqin, a criação de uma nova via de acesso entre os dois territórios, cujos desenvolvimentos serão oportunamente divulgados”, referiu apenas o secretário. Confrontado com as necessidades de revitalização da zona do Porto Interior, tendo em conta o excesso de trânsito nas horas de ponta, Raymond Tam explicou que ainda este ano, no terceiro trimestre, estarão prontas “as obras de restauro estrutural das Pontes-cais n.ºs 23 e 25”.

Na sua interpelação, Ella Lei propôs a criação de uma “via rápida interzonal”, nomeadamente a criação de “vias circulares externas no lado oeste da península de Macau”, a fim de escoar o trânsito. Porém, Raymond Tam adiantou que “no decurso do estudo para a elaboração do Plano Director da RAEM foi sugerida a reserva de um corredor viário na Unidade Operativa de Planeamento e Gestão Norte – 1, com ligação entre a zona oeste da Doca do Lam Mau e a Ilha Verde”, pelo que se vai “fazer uma análise comparativa das diferentes opções para estudar a viabilidade dessa ligação”.

No tocante ao metro ligeiro, o Governo também adiantou que “será contratada uma entidade especializada para prestar serviços de estudo sobre o traçado da Linha Oeste do Metro Ligeiro, no qual se avaliará a possibilidade de integração com as obras de prevenção de inundações”.

Palavra ao presidente

No decorrer do debate, o próprio presidente do hemiciclo, Kou Hoi In, interveio para dizer que é necessária uma estratégia global para resolver o problema do excesso de trânsito e falta de espaço em Macau.

“Temos muitos problemas de engarrafamento de trânsito e existem dificuldades em apanhar autocarros. Há muitas limitações na nossa rede viária e isso é algo objectivo. Podemos transformar Macau numa cidade verde, de baixo carbono e habitável, tornando-a num modelo para todo o mundo, mas temos de ter planos de curto, médio e longo prazo para o futuro. Não podemos neste momento tentar resolver problemas pontuais, é difícil resolver a rede limitada de transportes e isso dá uma má imagem aos turistas. Temos de fazer com que eles sintam que estão num verdadeiro centro mundial de turismo e lazer”, referiu.

A deputada Lo Choi In lembrou as recentes recomendações feitas pelo Comissariado contra a Corrupção quanto “às falhas no sistema de transporte público”, pedindo para serem criadas medidas que retirem os turistas dos transportes públicos para os táxis.

No tocante a Ron Lam, este lembrou que “segundo o Plano Director, a zona da Ponte 16 vai ser turística, e todos sabemos que há falta de vias externas” em locais como o Porto Interior. “Os colegas falam do metro ligeiro, mas precisamos de mais vias rápidas”, rematou.

Saúde | Fornecimento ilegal de material e aparelhos não será crime

O fornecimento de material e aparelhos médicos sem respeitar a lei irá apenas representar uma infracção administrativa, em vez de constituir um ilícito penal. Esta foi uma das alterações de maior relevo ao longo da discussão na especialidade da lei de supervisão e administração de dispositivos médicos, que irá voltar ao hemiciclo para ser aprovada na especialidade.

A deputada Ella Lei, que preside à comissão permanente que analisou a proposta de lei, anunciou ontem que os deputados que constituem a comissão já assinaram o parecer que irá dar andamento ao processo legislativo.

Até agora, o fornecimento de material e aparelhos médicos não era regulado, nem alvo de supervisão, ficando apenas à mercê da gestão dos produtos importados.

Estes materiais e aparelhos incluem desde os simples pensos rápidos, agulhas de acupunctura, a desfibriladores e respiradores. A lei irá também estabelecer quatro níveis de supervisão de acordo com o risco que pode representar para o paciente.

Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Ella Lei revelou ainda que a nova versão do conteúdo também classifica as condições profissionais essenciais para os cargos de director técnico de dispositivos médicos, bem como as regulações para a inscrição de dispositivos médicos em circulação durante o período de transição.

Eleições | Cheong Kuok Chi preside à Assembleia de Apuramento Geral

O delegado coordenador do Ministério Público foi nomeado por Sam Hou Fai para liderar o grupo responsável pelo apuramento dos resultados das eleições. Em 2021, o cargo tinha sido atribuído a Kuok Kin Hong

 

Cheong Kuok Chi, delegado coordenador do Ministério Público (MP), foi nomeado presidente da Assembleia de Apuramento Geral dos resultados das eleições legislativas de 14 de Setembro. A nomeação, a cargo do Chefe do Executivo, foi revelada ontem através de um despacho publicado no Boletim Oficial, sendo que Cheong sucede a Kuok Kin Hong no lugar.

Além de exercer funções no Ministério Público, Cheong Kuok Chi tem uma licenciatura em Direito na Universidade de Macau, que frequentou antes de começar a trabalhar para a Função Pública, como técnico no Fundo de Pensões, em 2009. No entanto, logo nesse ano, foi admitido como candidato ao curso de formação e estágio para magistrados, que frequentou entre 2009 e 2011. Finalmente, em Setembro de 2011, Cheong foi nomeado como delegado do Procurador, tendo sido promovido a delegado coordenador em 2022, cerca de 11 anos após a sua entrada na magistratura.

Cheong não é o único membro do Ministério Público a integrar a Assembleia de Apuramento Geral das eleições, conta com a companhia de Pak Wa Ngai, delegado do Procurador, que foi responsável pela acusação do caso do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM). Este caso terminou com a condenação de Jackson Chang, ex-presidente do IPIM, a uma pena de prisão efectiva de oito anos e prisão.

Pak Wa Ngai é igualmente licenciado em Direito em Língua Chinesa, tendo terminado a licenciatura em 2005 com uma nota de “bom”. Pak Wa Ngai foi colega de curso de Leong Weng Si, que é actualmente delegada coordenadora do Procurador, e que foi a melhor aluna do curso com uma nota final de “muito bom”.

SAFP representados

Além dos representantes do MP, Sam Hou Fai nomeou para a Assembleia de Apuramento Geral Joana Maria Noronha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (DSAFP). Estas são funções que Joana Maria Noronha conhece bem, uma vez que já desempenhou esta tarefa nas legislativas de 2021.

Joana Noronha é licenciada em Ciências Sociais pela Universidade da Ásia Oriental de Macau em 1989, antecessora da Universidade de Macau, e tem um mestrado em Administração Pública pela Universidade de Sun Yat-Sen em 1997.

A nível profissional ingressou em 1990 na função pública e desde 1991 que está nos SAFP, tendo desempenhado funções no Departamento de Administração Civil e Divisão de Apoio Técnico-Eleitoral dos SAFP e no Centro de Atendimento e informação ao Público.

A comissão responsável pelo apuramento dos resultados que vão definir os futuros deputados tem ainda um secretário, mas a nomeação para este lugar ainda não consta no Boletim Oficial.

AMCM | Privados recorrem menos ao crédito

Entre Abril e Maio deste ano, os empréstimos dos bancos de Macau ao sector privado apresentaram uma redução de 1,4 por cento, em comparação com Abril, para 498,5 milhões de patacas. Os números foram revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

Também os empréstimos da banca local para o exterior apresentaram uma redução, face a Abril, de 7,6 por cento, para 495,2 milhões de patacas. Como resultado, os empréstimos ao sector privado decresceram 4,6 por cento, em relação ao mês anterior, tendo atingido 993,7 mil milhões de patacas. Em termos da moeda dos empréstimos, 43,8 por cento eram em dólares de Hong Kong, 22,3 por cento em patacas, 21,8 por cento em dólares americanos, e 8,8 em renminbis.

Depósitos | Registado crescimento em Maio

Entre Abril e Maio, os depósitos dos residentes tiveram um crescimento de 1,3 por cento para 794,7 mil milhões de patacas, de acordo com os números relevados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Ao mesmo tempo, no espaço de um mês, os depósitos dos não residentes cresceram 0,4 por cento, para 351,0 mil milhões de patacas.

Em Maio, os depósitos do sector público nos bancos também tiveram um crescimento, de 3,1 por cento para 216,1 mil milhões de patacas. O total dos depósitos nos bancos atingiu assim 1.361,7 mil milhões de patacas, um crescimento mensal de 1,4 por cento. Em termos da moeda dos depósitos, 47 por cento estavam em dólares de Hong Kong, 23,4 por cento em dólares americanos, 19,2 por cento em patacas e 8,2 em renminbis.