Finanças | Banco central abre mercado chinês a dívida emitida em Macau

O líder do banco central da China, Pan Gongsheng, anunciou ontem que a dívida emitida em Macau poderá ser vendida no mercado do Interior da China. O mais se vai passar em Hong Kong, com o mercado nacional aberto a obrigações emitidas em yuan e dólares de Hong Kong

A dívida emitida em Macau poderá ser vendida no mercado nacional, revelou ontem o governador do banco central da China, Pan Gongsheng. O líder do Banco Popular da China (PBC, na sigla em inglês) disse que o mercado chinês também irá abrir-se às obrigações emitidas na vizinha região de Hong Kong, quer sejam denominadas em dólares de Hong Kong ou em renminbi.

Pan falava num discurso proferido durante uma cimeira, realizada em Hong Kong, sobre o programa Bond Connect, que permite aos investidores da China continental aceder a mercados de dívidas externos. O líder do PBC anunciou que a quota anual de investimento líquido no Bond Connect irá subir de 500 para 800 mil milhões de yuan.

Além disso, o responsável prometeu reforçar o investimento das reservas cambiais da China continental em activos em Hong Kong, para apoiar o mercado financeiro da antiga colónia britânica. “Isto dará vitalidade ao desenvolvimento de Hong Kong”, disse o governador, citado pela imprensa local.

Pan disse que o lançamento de mais produtos financeiros denominados em renminbi é uma grande oportunidade para Hong Kong atrair mais investidores estrangeiros, incluindo fundos soberanos. O líder do banco central da China confirmou que Hong Kong lançará em breve contratos de futuros de obrigações em renminbi a cinco anos, tendo como alvos prioritários investidores externos.

Finanças diversas

Macau tem apostado nos serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa para diversificar a economia da cidade, altamente dependente dos casinos e do turismo.

O banco do bloco BRICS, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), anunciou em 26 de Junho a primeira emissão de dívida em Macau, no valor de 50 milhões de dólares.

A sucursal de Macau do Banco Industrial e Comercial da China, que organizou a emissão de dívida, informou em comunicado que o dinheiro será investido em “projectos de infra-estruturas sustentáveis no Brasil”, sem revelar mais detalhes.

O Autoridade Monetária de Macau (AMCM) indicou que a dívida foi “totalmente subscrita” pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa. Este fundo foi criado há 10 anos pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês), um banco estatal, e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau, com um capital de mil milhões de dólares.

Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa encanta Qinghai

Este fim-de-semana, os ritmos da lusofonia invadiram a Praça Tangdao, na capital da província de Qinghai, Xining, naquela que foi a primeira incursão do evento organizado pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau numa província do Oeste da China.

A comitiva de artistas é composta pela vocalista dos portugueses OqueStrada Marta Miranda, pelos brasileiros Mauricio Tizumba, Sérgio Pererê e José de Holanda, a cabo-verdiana Elly Paris, Patche di Rima e Anderking Skididi da Guiné-Bissau e Fistong Boy da Guiné Equatorial. Moçambique foi representado em palco pelo cantor Az Khinera, enquanto Vungo Téla apresentou à China as sonoridades de São Tomé e Príncipe e os New Arquiris que misturam legado musical tradicional de Timor-Leste com toques de modernidade. De Macau, viajaram o macaense German Ku e a cantora winifai.

Qinghai é uma província do noroeste da China situado no planalto tibetano, rodeado por Gansu, Xinjiang, Sichuan e o Tibete.

As sonoridades da lusofonia juntaram-se dez grupos artísticos do Qinghai.

O programa itinerante prossegue agora para a capital Pequim, com espectáculos marcados para quinta e sexta-feira na Praça da Concha Acústica, entre as 18h e as 21h.

Na rota da seda

Na cerimónia de abertura dos espectáculos em Xining, o secretário-geral do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, mostrou-se esperançado que as bandas e artistas dos Países de Língua Portuguesa aproveitassem “a oportunidade para mostrar as suas características culturais únicas e reforçar o intercâmbio cultural com Qinghai”.

Por sua vez, um representante do Governo Popular Municipal de Xining indicou que o evento teve o “intuito de aprofundar a cooperação entre Xining e Macau em várias áreas como comércio, economia e cultura”.

Chen Yongqin manifestou a expectativa de que, “com a cultura como ponte e a arte como meio, mais amigos dos Países de Língua Portuguesa possam conhecer Qinghai e a sua capital Xining, escrevendo em conjunto um novo capítulo para o intercâmbio sino-lusófono”.

Museu do Grande Prémio | Abertas inscrições para workshops de Verão

Abriram ontem as inscrições para quatro workshops no Museu do Grande Prémio de Macau que se vão realizar nos fins-de-semana de Julho e Agosto. Segundo um comunicado divulgado ontem pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), as actividades têm como pilar central “educação com diversão”, combinando ciência, artesanato, arte, diversão e elementos de corridas.

Assim, serão organizados as actividades “Artista da Guia: Carro de Corrida em Mosaico”, “Engenheiro da Guia: Montagem de Carro de Corrida 4×4”, “Mágico da Guia: Carro dos Sonhos em Arte com Areia”, e “Artesão da Guia: Gravação de Lâmpada em Forma de Carro de Corrida”.

Os workshops realizam-se no Museu do Grande Prémio de Macau aos sábados e domingos, entre 25 de Julho e 16 de Agosto, com um tema novo a cada semana. Aos sábados e domingos, estão previstas duas sessões diárias (11h30 e 14h30, com duração de 1h30m cada). As vagas para cada sessão estão limitadas a 15 pares de pais e filhos.

Como é habitual, as inscrições podem ser feitas através da Conta Única.

Além dos quatro workshops, no fim de Julho será lançada uma nova experiência interactiva exclusiva para crianças: A “Zona de Pé a Fundo”, uma atracção imersiva de educação e entretenimento sobre corridas, especialmente concebida para crianças dos 6 aos 12 anos.

A atracção tem por base o lendário Circuito da Guia, através de uma maquete de grandes dimensões em 3D, “reproduzindo curvas emblemáticas como a Curva do Hotel Lisboa e a Curva do Reservatório”, por onde as crianças vão poder acelerar em “mini-carros de corrida”.

Bienal de Curitiba | Governo enaltece estreia de Macau como “ponte crucial”

A participação de Macau pela primeira vez na Bienal Internacional de Curitiba materializa a visão do Governo no posicionamento da RAEM no “importante circuito de bienais latino-americanas”. O pavilhão de Macau apresenta a mostra “Matéria, Corpo e Linguagem”, patente na capital Paraná até 15 de Novembro

A presença inaugural de Macau na 16.ª Bienal Internacional de Curitiba representa o culminar da “visão do Governo da RAEM de posicionar Macau como uma ‘importante ponte crucial, a nível nacional, para uma abertura de alto padrão’ e ‘uma janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental’. Foi desta forma que o Governo, através do Instituto Cultural (IC), mencionou a estreia de Macau, através da exposição “Matéria, Corpo e Linguagem” circuito de bienais latino-americanas.

A mostra, inaugurada no passado dia 14 de Junho, pode ser vista, até 15 de Novembro, no Museu Oscar Niemeyer na capital do estado brasileiro do Paraná.

A participação de Macau insere-se também nas “comemorações do Ano da Cultura China-Brasil 2026, evidenciando o papel vital e a vantagem única de Macau enquanto plataforma de intercâmbio cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. O IC refere também que a participação de Macau é “uma demonstração prática do seu posicionamento como uma base de intercâmbio e cooperação para a promoção da coexistência multicultural, com predominância da cultura chinesa”.

Matéria e espírito

Com curadoria geral de Adriana Almada e Tereza de Arruda, sob o tema “LIMIARES”, a Bienal aborda as fronteiras contemporâneas entre o humano e a tecnologia. Em co-curadoria, o Museu de Arte de Macau (MAM), apresenta a exposição “Matéria, Corpo e Linguagem” que reúne três obras encomendadas aos artistas Peng Yun, Bianca Lei (Macau) e Gao Fuyan (Interior da China). Estas peças, anteriormente patentes em “Estou Aqui – Helena Almeida: Presença e Ressonância” (2026) e na mostra principal da “Arte Macau – Bienal Internacional de Arte de Macau” (2025), são agora reenquadradas à luz do tema “LIMIARES”, explorando as condições existenciais do corpo, da linguagem e da matéria face ao avanço tecnológico. Segundo o IC, “Matéria, Corpo e Linguagem” evoca um espírito de introspecção e convida à “reflexão humanística”.

O Conselheiro Cultural da Embaixada da China no Brasil, Zhang Zhiyun, visitou o Pavilhão de Macau e elogiou o trabalho de Macau no estabelecimento de “intercâmbios culturais com a América Latina, reflectindo o compromisso estratégico do governo central em integrar Macau no desenvolvimento nacional”.

A Bienal Internacional de Curitiba, um dos maiores eventos de arte contemporânea da América Latina, realiza-se desde 1993.

A edição deste ano reúne mais de 300 artistas de 38 países em diversos espaços da cidade. Em celebração do “Ano da Cultura China-Brasil 2026”, a Bienal reforçou a cooperação com instituições chinesas, estabelecendo parcerias com o Grupo de Artes e Entretenimento da China e com o IC para a criação dos Pavilhões da China e de Macau.

PJ | Dois homens detidos por filmarem mesas de casino

Dois homens, oriundos do Interior da China, foram detidos no domingo por filmarem e transmitirem em directo online mesas de jogo em casinos de Macau. As duas detenções foram feitas em casinos diferentes (um na península e outro no Cotai), com as queixas a chegarem à Polícia Judiciária (PJ) com meia hora de diferença. Porém, as autoridades não apuraram se os casos estão relacionados e se os homens trabalhavam para a mesma organização.

Ambos tinham telemóveis escondidos em bolsos falsos nas camisolas, e enquanto transmitiam acção nas mesas de jogo recebiam encomendas para apostas de clientes com quem comunicavam através de auriculares com Bluetooth.

O caso no casino no Cotai foi descoberto por um segurança que suspeitou da postura pouco natural do indivíduo em mesas de bacará e máquinas de slot, fazendo apostas a rondar 8 mil dólares de Hong Kong

Os casos foram encaminhados ao Ministério Público pela prática de exploração ilícita de jogo de fortuna ou azar online ou de aposta mútua online. A PJ, apesar de notar a semelhança no modus operandi dos suspeitos não conseguiu apurar ligações entre os dois homens, mas garantiu que as investigações vão prosseguir.

Casinos | Funcionária desvia dinheiro para pagar dívidas

Uma funcionária de um hotel no Cotai é suspeita de desviar fundos no local do trabalho, ao apropriar-se de mais de 1,3 milhões de dólares de Hong Kong. O caso foi revelado ontem pela Polícia Judiciária (PJ). O dinheiro foi furtado para jogar e pagar dívidas de cartões de crédito.

O desvio dos fundos foi detectado durante uma auditoria interna, o que levou a empresa a alertar as autoridades, que avançaram para a detenção. A suspeita tem 47 anos, é residente local e trabalhava como caixa do casino-hotel, que não foi identificado.

A mulher conseguiu desviar o dinheiro porque o fundo de maneio provisório do hotel ficava guardado no departamento de contabilidade. A detida era uma das duas funcionárias com acesso a esse dinheiro.

No dia da descoberta do alegado crime, durante uma auditoria de rotina, a detida pediu uma reunião com o gerente do hotel e confessou que tinha o hábito de jogar. A suspeita admitiu ainda ter perdido a totalidade do dinheiro no jogo e não ter capacidade para repor a quantia, o que levou o representante do hotel a chamar a polícia.

Segundo a investigação da PJ, a mulher trabalhava na empresa desde 2021 e tem um historial de dívidas relacionadas com o jogo. Entre Maio e meados de Junho deste ano, aproveitando-se das suas funções e dos momentos em que estava sozinha na empresa, a suspeita retirou dinheiro do cofre e da máquina de contagem de notas em quatro ocasiões distintas, totalizando 1,33 milhões de dólares de Hong Kong. A suspeita levou o dinheiro para jogar num casino na zona do NAPE e também para liquidar dívidas de cartões de crédito.

Para ocultar o crime e evitar ser descoberta precocemente, cada vez que desviava dinheiro, utilizava fundos que ainda não tinham sido registados no sistema pela máquina de contagem de notas para repor o cofre.

China rejeita “conclusões exageradas” sobre lançamento de míssil no Pacífico

Pequim rejeitou ontem “conclusões exageradas” pelo lançamento de um míssil estratégico a partir de um submarino nuclear para o Oceano Pacífico, após o ensaio ter suscitado críticas do Japão, Austrália e Nova Zelândia.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou ontem, numa conferência de imprensa, que o ensaio constituiu “um exercício militar de rotina” e que “não é dirigido contra qualquer país ou alvo específico”.

Mao afirmou que a China informou previamente os “países pertinentes” e que o teste “está em conformidade com a prática internacional”.

“As actividades de lançamento decorreram sempre de forma segura, regulamentada e profissional”, acrescentou a porta-voz, manifestando a esperança de que “os países relevantes não tirem conclusões exageradas”.

A porta-voz recusou-se a fornecer mais pormenores sobre o ensaio, depois de a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua ter noticiado, horas antes, que a Marinha do Exército de Libertação Popular (ELP) lançou com êxito um míssil estratégico a partir de um submarino nuclear para “águas internacionais relevantes” do Oceano Pacífico.

Segundo a Xinhua, o projéctil, equipado com uma ogiva simulada de treino, atingiu com precisão a zona marítima prevista.

A agência indicou que o ensaio, realizado às 12:01 locais (05:01 em Lisboa), integrou o plano anual de treino militar e que a China notificou previamente os países pertinentes.

 

Águas agitadas

O comunicado oficial não especificou o modelo do míssil, a classe do submarino nem a localização exata da zona de impacto.

Segundo o jornal South China Morning Post, trata-se do primeiro teste conhecido de um míssil lançado a partir de um submarino chinês desde 1982 e do primeiro realizado, de que há registo público, a partir de um submarino de propulsão nuclear.

O teste ocorre numa altura de crescente actividade militar chinesa no Pacífico Ocidental, onde Taiwan afirmou ontem que a Marinha chinesa mantém destacadas quatro agrupações navais: uma no Pacífico Sul, duas a sul da ilha japonesa de Amami Oshima e outra a nordeste das Filipinas.

O lançamento coincide também com novas fricções entre Pequim e Tóquio, depois de o Japão ter protestado nos últimos dias contra manobras de navios chineses em águas próximas da ilha de Yonaguni, situada a pouco mais de 150 quilómetros de Taipé.

Saúde | Um quarto dos doentes com sintomas respiratórios tem covid-19

Um quarto das consultas médicas devido a sintomas respiratórios revelam infecções de covid-19, taxa que o director dos Serviços de Saúde considera “relativamente elevada”. Alvis Lo recomenda o uso de máscaras em locais públicos e vacinação a pessoas com sistemas imunológicos debilitados

Cerca de 25 por cento pessoas que vão a consultas médicas em Macau devido a sintomas de respiratórios estão infectadas com covid-19, revelou o director dos Serviços de Saúde, enquanto 15 por cento testam positivo ao vírus da gripe, proporção que está próxima do limite de alerta.

Em declarações prestadas no domingo, citadas pelo jornal Ou Mun, Alvis Lo aconselhou os residentes a prestarem atenção à higiene pessoal e ambiental, e a procurar assistência médica em caso de febre ou sintomas respiratórios, para evitar a propagação do vírus. Nesse sentido, o responsável recomenda o uso de máscaras em locais públicos, assim como manter hábitos que favoreçam o descanso e a vida saudável.

Além disso, apesar de não estarmos na época de vacinação para doenças respiratórias, Alvis Lo recordou que as vacinas para a covid-19 estão disponíveis e são aconselháveis para idosos, crianças e pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos.

Os Serviços de Saúde revelaram ontem dois casos colectivos de covid-19, um deles no Centro de Serviços Integrados para Idosos do Exército de Salvação, na Rua da Doca Seca, com 11 utentes a testarem positivo. O outro caso verificou-se na Creche Fai Chi Kei da Cáritas, na Travessa de Fai Chi Kei, onde foram identificadas três crianças infectadas. Em nenhum dos casos houve registo de casos graves ou outras complicações e os doentes apresentam condições clínicas estáveis.

Saúde nos bairros

Em relação à prevenção de doenças crónicas, Alvis Lo acrescentou que na primeira metade deste ano quase 100 mil pessoas receberam assistência nos diversos postos de saúde e consulta médica espalhados pelos bairros residenciais do território.

Os exames de medição de pressão arterial e níveis de glicemia identificaram mais de 1.900 novos doentes com hipertensão e mais de 300 novos doentes com diabetes. Face a estes resultados, o director dos Serviços de Saúde apelou à população com mais de 18 anos a verificar a pressão arterial pelo menos uma vez por ano, enquanto as pessoas com mais de 40 anos devem verificar a glicemia e lípidos no sangue, pelo menos, de três em três anos. O objectivo é detectar doenças crónicas precocemente.

Defesa | China e Rússia iniciam exercícios conjuntos no mar Amarelo e no Pacífico

A China e a Rússia iniciaram ontem exercícios navais conjuntos em Qingdao (nordeste chinês), que decorrerão até 13 de Julho no mar Amarelo e no Pacífico, anunciaram a agência Xinhua e o ministério da Defesa russo.

Segundo a Xinhua, os dois países estabeleceram um comando conjunto, integrado por elementos das marinhas chinesa e russa, e os exercícios, designados Interacção Marítima 2026, decorrem em três fases: concentração de forças, planeamento em porto e operações no mar.

A fase de concentração terminou no domingo e, após a cerimónia de abertura, as duas marinhas realizaram exercícios de coordenação táctica e de comando, acrescentou a agência oficial.

O comando conjunto definiu ainda os principais objectivos da fase marítima, durante a qual os navios participantes vão operar em águas próximas de Qingdao para realizar exercícios de reconhecimento conjunto, defesa aérea e antimíssil, bem como treinos com recurso a fogo real.

O ministério da Defesa russo indicou anteriormente, através da rede social Telegram, que um destacamento da Frota russa do Pacífico chegou a Qingdao com o cruzador Variag, a corveta Rezkiy, o submarino Ufa e o navio de salvamento Igor Belousov.

Do lado chinês participam os contratorpedeiros Anshan e Kaifeng, a fragata Wuhu, um submarino diesel-eléctrico da classe Yuan, o navio de reabastecimento Kekexilihu e o navio de salvamento Yangchenghu, segundo a mesma fonte.

As manobras incluem operações conjuntas de busca e salvamento, guerra antissubmarina, defesa aérea, exercícios de artilharia, além da participação de fuzileiros navais dos dois países e apoio da aviação naval.

 

Plano de cooperação

O ministério da Defesa chinês anunciou no domingo que as marinhas da China e da Rússia realizariam este mês exercícios em águas e espaço aéreo chineses, seguidos de uma operação de “patrulhamento marítimo conjunto” em “áreas relevantes” do Pacífico.

Pequim indicou então que as manobras fazem parte do plano anual de cooperação entre as Forças Armadas dos dois países e visam “responder conjuntamente aos desafios de segurança” e “proteger a paz e a estabilidade regionais”.

Os exercícios decorrem numa altura de intensa actividade militar chinesa no Pacífico Ocidental, depois de a marinha do Exército de Libertação Popular ter lançado ontem um míssil estratégico, equipado com uma ogiva simulada, a partir de um submarino nuclear para águas do Pacífico (ver texto secundário).

A China e a Rússia realizam exercícios militares conjuntos de forma regular desde que, no início de 2022, pouco antes da invasão russa da Ucrânia, anunciaram uma parceria estratégica reforçada, entretanto aprofundada através de manobras conjuntas, patrulhas aéreas e contactos frequentes entre os comandos militares.

Índia | Fortes chuvas fizeram pelo menos 13 mortos

Pelo menos 13 pessoas morreram na Índia nos últimos dias devido às intensas chuvas que atingiram Mumbai e distritos vizinhos, onde foi decretado o encerramento de escolas e restrições ao trabalho.

As autoridades de Mumbai (Bombaim) também recomendaram à população que evitasse deslocações não essenciais.

Mumbai e os distritos de Palghar e Raigad registaram fortes chuvas nos últimos três dias, resultando em treze mortes associadas a incidentes provocados pelo mau tempo, disseram ontem fontes oficiais citadas pela agência de notícias local PTI.

O Departamento Meteorológico da Índia elevou o aviso de chuva para vermelho em Mumbai e arredores, prevendo chuvas muito fortes, ventos intensos e riscos de inundações repentinas, deslizamentos de terra e queda de árvores.

A Autoridade Estadual de Gestão de Desastres solicitou que as empresas privadas em Mumbai permitissem o trabalho remoto sempre que possível, enquanto os funcionários de organismos governamentais de serviços não essenciais foram dispensados do expediente a partir da tarde de ontem.

Escolas e universidades — públicas, municipais e privadas — suspenderam as aulas por motivos de segurança.

As chuvas afectaram também o funcionamento das ligações ferroviárias, das auto-estradas e de outros serviços de transporte em Mumbai, uma cidade com mais de vinte milhões de habitantes que enfrenta frequentemente graves transtornos durante a época das monções.

Há poucas semanas, Mumbai enfrentou uma grave escassez de água nos sete reservatórios que abastecem a cidade.

Gongbei | Mais de 64 milhões de travessias no primeiro semestre

As autoridades de Zhuhai revelaram que na primeira metade deste ano o Posto Fronteiriço de Gongbei registou mais de 64 milhões de travessias entre Zhuhai e Macau, fluxo que representou um aumento de 6 por cento face ao mesmo período do ano anterior.

Em relação à média diária de travessias, as autoridades de Zhuhai destacam um novo recorde, com mais de 460 mil passagens entre os dois territórios. Apesar do registo recordista, é esperado o crescimento do fluxo transfronteiriço com a entrada na época de Verão, do aumento das viagens de estudo, férias familiares e viagens entre províncias que tenham como destino locais relativamente perto de Macau. Assim sendo, as autoridades estimam que o recorde do primeiro semestre deste ano volte a ser ultrapassado.

O canal entre as Portas do Cerco continua a ser o posto fronteiriço mais movimentado entre a RAEM e o Interior da China, com fluxo diário de residentes de Macau e Zhuhai a continuar a ser o pilar principal das travessias, apesar do aumento considerável de residentes do Interior da China que visitam Macau para fazer turismo.

Ilha Verde | Depósito de combustíveis convertido em estacionamento

A Direcção dos Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou ontem que o Depósito Provisório de Distribuição dos Combustíveis da Ilha Verde e o local adjacente será convertido num parque de estacionamento público provisório ao ar livre.

O parque, situado no cruzamento entre a Estrada Marginal da Ilha Verde, a Rua das Camélias e a Estrada Nova da Ilha Verde, tem 198 lugares, dos quais 115 para “veículos de mercadorias destinados ao transporte de gases ou combustíveis líquidos e 83 lugares de estacionamento para motociclos”.

A partir de 15 de Julho, o parque de estacionamento será alvo de obras de remodelação para permitir o estacionamento de motociclos.

O espaço irá seguir o modelo de “primeiros 15 minutos gratuitos” e de “cobrança a cada meia hora”, e será fixado um limite máximo de tarifas para os veículos de mercadorias de 60 patacas por dia, por um período máximo de estacionamento de oito dias consecutivos.

A DSAT acrescentou que a conversão do espaço pretende “optimizar o aproveitamento dos recursos de solos e aliviar a procura de estacionamento por parte de veículos pesados e ligeiros de mercadorias destinados exclusivamente ao transporte de gases ou combustíveis líquidos”.

Japão | Sonda espacial sobrevoa asteroide durante teste de defesa planetária

Uma sonda espacial japonesa sobrevoou, domingo, um asteroide próximo da Terra, quando cumpria uma missão destinada a testar uma tecnologia que poderá contribuir para proteger o planeta contra rochas espaciais.

A sonda Hayabusa2, do tamanho de um frigorífico, deveria passar a menos de 800 metros do asteroide Torifune, segundo tinham indicado anteriormente cientistas da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA).

O objectivo era verificar se uma nave deste tipo poderia, no futuro, contribuir para desviar um asteroide potencialmente perigoso para a Terra.

Esta missão surge depois de a NASA ter colidido deliberadamente, em 2022, com uma nave espacial contra o asteroide Dimorphos, com 160 metros de largura, alterando com sucesso a sua órbita em torno de um asteroide maior.

A Hayabusa2, que se deslocava a mais de 18.000 quilómetros por hora, não estava destinada a colidir com o Torifune.

Os cientistas pretendiam, antes, avaliar a sua capacidade de controlar com precisão a trajectória da sonda, caso esta tivesse, algum dia, de efectuar uma manobra de desvio.

“Às 18:35 (09:35 GMT), a Hayabusa2 sobrevoou o Torifune e a sonda está a funcionar normalmente”, declarou à Agência France-Presse uma porta-voz da JAXA, que preferiu manter o anonimato.

Imagens divulgadas ‘online’ pela agência japonesa mostraram cientistas a aplaudir numa sala de controlo.

“Estava nervoso, completamente tenso (…), mas estou muito contente por termos conseguido levar esta operação a bom termo”, afirmou um dos cientistas durante a transmissão da JAXA.

Se se confirmar que a sonda passou efectivamente a menos de 800 metros de Torifune, esta missão constituiria uma das aproximações mais perto de sempre a um asteroide próximo da Terra.

 

Maravilhas tecnológicas

As câmaras a bordo da Hayabusa2 também registam dados sobre a superfície do asteroide, nomeadamente as suas características geográficas, textura e temperatura, informações cruciais para uma eventual missão de defesa planetária.

“Tendo em conta a diversidade dos asteroides de cruzamento com a Terra (próximos da Terra, NDLR) em termos de tamanho, forma, superfície e propriedades internas, cada nova imagem permite-nos estar melhor preparados”, sublinhou Patrick Michel, cientista da Agência Espacial Europeia.

Lançada em 2014, a Hayabusa2 já maravilhou os cientistas ao aterrar no asteroide Ryugu, situado a cerca de 300 milhões de quilómetros do nosso planeta, para recolher amostras.

Após a missão Torifune, a sonda deverá tentar, em 2031, um ‘rendez-vous’ – uma manobra que consiste em voar nas proximidades ou aterrar num asteroide para recolher dados detalhados – com outro asteroide, denominado 1998KY26.

Camilo Castelo Branco, um necrófilo contemplativo

Há quem diga que Camilo era necrófilo. O médico Egas Moniz, nobelizado criador da trepanação, consagrou-lhe uma peça de nosografia literária em 1925, A Necrofilia de Camilo Castelo Branco, numa altura em que os médicos se interessavam por estas coisas. E nosografias houve várias: de Camilo, de Eça, de Pessoa, seguindo a tradição do génio como forma de loucura. Há, de facto, contos sobre desenterramentos noturnos e caveiras guardadas em casa, que geraram um anedotário gótico em torno do autor de São Miguel de Seide. O conto Impressão Indelével foi publicado em 1842, quando Camilo tinha dezasseis ou dezassete anos e escrevia para o jornal Aurora do Lima, é uma carta a um amigo chamado Barbosa. O narrador conta que se apaixonou por uma rapariga tísica em Trás-os-Montes, a Maria do Adro. Foi para o Porto estudar, voltou, soube que ela morrera. O cunhado convida-o para uma exumação, por razões inexplicadas. O narrador foi, viu o cadáver, ficou doente. A história, como se vê, é quase nenhuma. O que há é a questão do que fica na mente depois de ver o que não se costuma ver e o modo como isso se transforma em escrita.

«Sem presente, e frio às comoções do provir aquém da campa, o meu ser, a faculdade única, o órgão único da minha vitalidade é a memória», diz o narrador. A necrofilia que aqui se pratica não é a de Fialho de Almeida, que no seu conto A Ruiva (1881) pinta o desvirginamento de uma jovem morta por um coveiro mais atrevido. Em Camilo, é a mente como câmara escura, chapa de daguerreótipo à espera da imagem, laboratório da escrita, que interessa. E a imagem só pode ser a da amada morta que é bela e incorrupta como um texto O recém-cadáver, desenterrado por um alter ego de Camilo, guarda as feições de uma imagem, como as fotografias de mortos vitorianos. O daguerreótipo, com efeito, tinha sido inventado pouco antes, e nos anos quarenta do século XIX já não era novidade. Camilo sabia-o e concebe a própria escrita como revelação fotográfica: há que primeiro limar, delir a crusta dos sentimentos para, a frio, deixar tresluzir a imagem. A escrita é, assim, o próprio processo de revelação. Por isso tem o corpo de estar incorrupto — a decomposição seria como uma chapa velha, uma impressão falhada, uma memória que o tempo já comeu.

Egas Moniz, em Camilo necrófilo, não percebeu que o autor estava a deixar passar uma teoria da literatura como prática necrófila. A necrofilia de Camilo é contemplativa, e é a única que a literatura admite: o amor pelo corpo imóvel, pela imagem fixada, pela impressão que o tempo não apagou. Quando abrimos um livro, começamos a afastar aquela areia solta dos cemitérios, escura e cheia de cacos e de restos de flores, que ainda não grudou bem à cara morta das nossas imagens. A literatura é o único ato necrófilo a que Camilo se permite — e que nos permite. Em tudo isto falarei mais e melhor no belo volume do Colóquio de Outono, sobre Camilo, que o Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho se prepara para lançar, organizado por Sérgio Sousa, da UM, e Ana Ribeiro, da UMINHO.

Subemprego | Associação alerta para falta de confiança das empresas

A Associação dos Recursos Humanos de Macau considera que a subida da taxa de subemprego é um sinal sobre o estado da economia e afirma que esta tendência aumenta a pressão económica sobre os residentes

A Associação dos Recursos Humanos de Macau considera que o aumento da taxa de subemprego reflecte a falta de confiança das empresas na economia, que estão a optar por trabalhadores a tempo parcial. O subemprego verifica-se quando um empregado trabalha menos horas pagas do que aquelas que desejava, como acontece, por exemplo, em situações de layoff ou de emprego parcial.

Ao jornal Ou Mun, o presidente da associação, Choi Chin Man, explicou que a subida da taxa de subemprego para 2,4 por cento resulta do ambiente económico actual que faz com que as empresas evitem os vínculos laborais a tempo inteiro e prefiram os contratos a tempo parcial.

Choi indicou também que o facto de haver mais pessoas disponíveis para realizarem vários trabalhos em regime de part-time não reflecte uma preferência, mas antes a falta de alternativas.

No entanto, a Associação dos Recursos Humanos de Macau alerta para os efeitos nocivos desta tendência. Segundo o responsável, o facto de estes trabalhadores não gozarem da totalidade da protecção laboral prevista na lei faz com que sintam uma pressão económica e familiar maior.

O dirigente associativo apontou também que este tipo de fenómeno muitas vezes não vem reflectido nas estatísticas oficiais, o que faz com que seja um problema “oculto”.

Ainda sobre o mercado de trabalho a tempo parcial, Choi alertou para a “forte sazonalidade”, o que faz com que as necessidades dessa mão-de-obra variem ao longo do ano, havendo alturas em que até garantir um trabalho deste género é difícil.

Concessionárias douradas

Sobre o mercado de trabalho, a Associação dos Recursos Humanos de Macau indicou que actualmente apenas as concessionárias de jogo estão a contratar trabalhadores de forma regular.

Em relação aos negócios nas zonas comunitárias e nas zonas antigas, Choi Chin Man explicou que os incentivos ao consumo do Governo, através do sorteio de cupões de desconto, apenas aliviaram alguma pressão, mas não resolvem as dificuldades operacionais. E como não se espera uma alteração desta tendência, Choi indicou que mesmo que na segunda metade do ano se verifique uma redução da taxa de subemprego não é de esperar que estes problemas fiquem resolvidos.

Apesar dos problemas, Choi Chin Man elogiou a cooperação entre o Executivo e as concessionárias de jogo, que adoptaram o modelo: “contratar, primeiro, formar depois”. Para o dirigente da associação esta iniciativa está a apresentar resultados, pelo que deixou o desejo de que seja estendida a outros sectores, como empresas estatais, bancos, instituições de interesse público e de ensino superior.

Cidadãos angolanos vão poder entrar em Macau sem visto prévio

Macau anunciou ontem que os angolanos vão poder entrar na região sem obter visto com antecedência, algo que, segundo a Câmara de Comércio de Angola em Macau (CCAMO), irá facilitar as viagens de negócios. As duas jurisdições irão firmar um acordo sobre a dispensa mútua de visto, segundo uma ordem executiva, assinada pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai.

A ordem, datada de 2 de Julho, publicada ontem no Boletim Oficial, confere ao secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, “todos os poderes necessários” para celebrar o acordo com o Governo de Luanda.

O presidente da assembleia-geral da CCAMO, Pedro Lobo, disse à Lusa que a medida “pode ajudar, e muito, as relações comerciais (…), ainda para mais com o consulado a encerrar”. “Há bastante tempo que as relações entre Macau e Angola se estavam estreitar”, disse Pedro Lobo, mas a medida vem “tirar alguma instabilidade e incerteza” nas viagens de negócios.

O dirigente da CCAMO confirmou que “sempre houve problemas” nas viagens de Angola para Macau e recordou o caso de empresários angolanos que “tiveram de voltar para trás, porque não tinham visto para fazer trânsito em Hong Kong”. Apesar das “grandes expectativas”, Lobo defendeu que a isenção de visto só terá um impacto significativo, caso sejam estabelecidos voos directos de passageiros entre Angola e Macau ou as regiões vizinhas de Hong Kong e Cantão.

 

Os restantes

Angola irá tornar-se o quarto país de língua portuguesa, a seguir a Portugal, Brasil e Cabo Verde, cujos cidadãos beneficiam de isenção de visto, num universo de nove países pertencentes ao Fórum Macau.

Recorde-se que está a decorrer a Semana Cultural China-Países de Língua Portuguesa, organizada anualmente pelo Fórum Macau, até sexta-feira, que não conta com artistas angolanos devido a preocupações com a epidemia de Ébola.

O Governo de Macau decidiu impor um período de vigilância de 21 dias a todas as pessoas provenientes dos 10 países africanos em risco por causa da epidemia de Ébola. Entre esses países, está Angola, que faz fronteira com a República Democrática do Congo, onde começou o surto, que depois evoluiu para epidemia.

Metro Ligeiro | Leong Hong Sai quer comercialização mais efectiva

O deputado dos Moradores defende que o metro precisa de gerar mais receitas, para reduzir o subsídio público, que actualmente é de 600 milhões de patacas. Leong quer ainda saber se vai haver um novo centro intermodal do terreno do Jockey Club

O deputado Leong Hong Sai defende a necessidade de o Metro Ligeiro adoptar uma estratégia comercial mais agressiva, com a exploração de mais espaços comerciais. A opinião surge numa interpelação escrita do legislador ligado à Associação dos Moradores de Macau.

No documento, Leong afirma que “desde o início da sua operação, o metro ligeiro de Macau tem enfrentado dificuldades operacionais”, como um “reduzido volume de passageiros, elevados custos operacionais e forte dependência de apoio financeiro público”.

A situação até melhorou com a “entrada em funcionamento da Linha de Hengqin”, em Dezembro de 2024, com as receitas “de bilheteira, arrendamentos e parques de estacionamento” a ultrapassarem pela primeira vez os 50 milhões de patacas.

No entanto, Leong Hong Sai considera preocupante que o metro ainda precise de “mais de 600 milhões de patacas” de subsídios do Governo, o que representa “87 por cento” das receitas totais deste meio de transporte. “Embora a sociedade compreenda que o metro ligeiro é uma ‘infra-estrutura de política pública’ e não um ‘negócio que deve ser financeiramente auto-sustentável’, é necessário ‘reduzir o subsídio e aumentar os benefícios marginais’”, explicou. “Por conseguinte, o desenvolvimento de componentes comerciais associados ao metro ligeiro é indispensável”, acrescentou.

Neste sentido, o membro dos Moradores quer saber se as autoridades “vão ponderar cooperar com as empresas” para “aumentar os espaços publicitários de grande dimensão nas áreas de espera do metro ligeiro e no interior das carruagens”.

 

Na linha dos concertos

Em termos de oportunidades comerciais, Leong reconhece que a utilização do Metro Ligeiro beneficia com a realização vários concertos no território, pelo que procura saber se as autoridades têm uma estratégia para explorar comercialmente esse fenómeno. “Em resposta à economia dos concertos, [as autoridades] vão promover o desenvolvimento integrado das zonas envolventes e estender os espaços de desenvolvimento comercial até ao metro ligeiro?”, pergunta.

Na interpelação, o deputado aborda também a futura ligação a Hengqin feita através da estação do Jockey Club. Leong Hong Sai defende a construção de um novo centro modal. “As autoridades vão, com base na análise do fluxo de passageiros, ponderar incrementar elementos comerciais na estação de Hengqin e aproveitar o terreno não utilizado do antigo Jockey Club para planear a construção de um grande centro modal de transportes?”, interroga.

Pensões | Fundo vai ser financiado pelo orçamento da RAEM

O Governo apresentou uma proposta de lei para financiar o Fundo de Pensões (FP) com parte dos resultados gerados pelo orçamento da RAEM. A medida foi apresentada ontem no Conselho Executivo, e justificada com a previsão de que nos próximos cinco anos o fundo vai atingir o pico de défice.

Desde Janeiro de 2007 que deixaram de ser admitidas inscrições no regime de aposentação e sobrevivência dos trabalhadores da Administração Pública. Como resultado, há cada vez menos pessoas a descontar, mas o número de pensionistas não pára de aumentar. “A contínua diminuição das receitas provenientes das contribuições, o aumento constante dos encargos com o pagamento das pensões, o aumento da esperança de vida da população e o consequente e inevitável prolongamento do período durante o qual haverá lugar ao pagamento das pensões contribuem para a situação de desequilíbrio financeiro verificada no regime”, foi explicado. “Com a chegada do pico de aposentações nos próximos cinco anos, o défice entre receitas e despesas do regime agravar-se-á rapidamente. Tendo em conta que o Governo da RAEM assume a responsabilidade legal pelo pagamento das pensões do regime, deve, por conseguinte, iniciar o mais brevemente possível a resolução das questões financeiras do regime, a fim de evitar que os encargos financeiros sejam transferidos para o futuro”, foi acrescentado.

A proposta ainda tem de ser aprovada pela Assembleia Legislativa.

Negócios | Consulta pública sobre licenciamento até 19 de Agosto

Segundo a proposta do Governo, vai ser criado um novo sistema de licenciamento de negócios ou de actividades como venda de rifas, produção e filmagens de cinema. O objectivo passa por adaptar o regime às exigências actuais e tornar os pedidos mais rápidos

Arrancou ontem, e prolonga-se até 19 de Agosto, a consulta pública sobre a futura lei que vai definir as condições para a realização de actividades e exploração de negócios, como concertos, filmagens, cabeleireiros, saunas ou oficinas. Na apresentação da consulta sobre o “regime para a regulação de determinadas actividades e eventos”, o Executivo apresentou como objectivos do diploma “aumentar a eficiência da coordenação interdepartamental” e “criar um ambiente de negócios e uma ordem de mercado ‘justos, transparentes e previsíveis’.”

Segundo o regime actual, criado em 1998, o controlo actual é feito através de dois sistemas: a notificação e a licença. No caso da notificação, que o Governo entende como uma autorização, o interessado pode começar a actividade, mesmo quando as autoridades competentes ainda não se pronunciaram. Em relação ao processo de licença, o negócio do interessado apenas pode ser iniciado depois de obter a autorização das entidades competentes.

Todavia, ontem, Ng Chi Kin, director substituto dos Serviços de Assuntos de Justiça, afirmou que o modelo actual está desactualizado, que a divisão de funções entre os diferentes serviços não permite uma resposta em tempo útil e que os moldes actuais não permitem a simplificação, digitalização e aumento da eficiência dos procedimentos.

Novo modelo

A proposta visa criar um sistema alternativo, de acordo com o grau de risco percepcionado pelo Executivo. Neste enquadramento, há actividades que deixam de exigir qualquer tipo de procedimento, além do cumprimento das exigências gerais relacionadas com aspectos como a segurança contra incêndios, ruído ou a gestão de espaços públicos. Vai ser a situação aplicável aos espectáculos de danças tradicionais ou ópera chinesa sem fins lucrativos, recolha de fundos, espectáculos de organismos públicos, bazares e feiras, barbearias e cabeleireiros, salas de bowling ou saunas sem serviços de massagem, entre outros.

Ao mesmo tempo, vai ser criado um sistema de registo. Segundo estes moldes, a exploração do negócio só pode ser iniciada depois de a Administração confirmar que recebeu o pedido e todos os documentos necessários, embora este seja um procedimento apresentado como praticamente automático. O registo vai ser obrigatório para marchas de caridade, salões de beleza, lavandarias, ginásios, sorteios, salas de bilhar e oficinas de reparação e manutenção de veículos motorizados sem actividades como pinturas por pulverização, soldadora ou montagem e desmontagem de baterias de lítio.

No que diz respeito às actividades ou eventos com “elevado risco para a segurança pública, a ordem do mercado, a ordem pública, os bons costumes”, optou-se por manter o sistema de notificação ou licença. Este regime vai aplicar-se a qualquer produção e realização de filmes em Macau, o que significa que abrange mais filmes do que no passado, cinemas, teatros, espectáculos públicos, massagens, karaokes, comércio de materiais pornográficos, cibercafés, entre outros.

Aliança do Povo | Pedida solução para edifícios sem administração

A Aliança de Povo de Instituição de Macau pediu ao Governo para acelerar a conclusão do estudo sobre o modelo de gestão conjunta de imóveis para edifícios velhos. A posição foi tomada depois de um andaime ter colapsa do num centro comercial no Iao Hon, acidente que não causou feridos. A gestão conjunta de imóveis para os edifícios velhos é uma ideia copiada de Hong Kong, que permite a contratação de uma entidade para gerir vários edifícios antigos sem moradores ou proprietários capazes de chegarem a um acordo sobre como gerir os espaços comuns. Segundo o jornal Ou Mun, o vice-presidente da associação, Yuan Hanjun, explicou que o centro comercial no Iao Hon está há anos sem manutenção de longo prazo e que o acidente foi um sinal de alerta. Yuan argumentou que a sociedade tem de se mobilizar para evitar este tipo de ocorrências, ao implementar o modelo de gestão conjunta. O vice-presidente sugeriu ainda que o Governo subsidie as obras destes imóveis, quando não houver corpo de gestão do edifícios e capacidade financeira.

Comerciantes querem esplanadas na Praia de Hac Sá

Os vendedores de comida da praia de Hac Sá queixam-se de que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) está a prejudicar-lhes o negócio, ao não permitir a instalação de esplanadas. As queixas foram trazidas a público pela Associação de Auxílio Mútuo de Vendilhões de Macau.

De acordo com um artigo publicado no jornal Ou Mun, os comerciantes sentem que estão a perder oportunidades de venderem mais comida e bebidas, porque os turistas não têm lugar para comer à frente das bancas de venda.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o membro executivo da associação, Cheang Ka Leong, explicou que, segundo os novos modelos de consumo, os turistas procuram um local para comer churrasco, com condições para estarem sentados e a conversar de forma relaxada. No entanto, como não há esplanadas, os consumidores acabam por não ficar, porque não têm lugares para se sentarem.

O também membro do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais defende assim uma maior flexibilidade nestes assuntos, através da definição de uma zona para os comerciantes instalarem mesas e cadeiras. Cheang destacou ainda que os vendedores estão empenhados em garantir que o local permanece limpo, de forma a haver um equilíbrio entre as exigências da higiene pública e a sobrevivência daqueles negócios.

Exames nacionais de Portugal com atrasos e novas datas

A avaliação dos exames nacionais em Portugal passou a ser realizada electronicamente. Porém, a inovação trouxe dificuldades aos professores no acesso a provas e critérios de correcção

Os erros técnicos na avaliação dos exames nacionais em Portugal levaram o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) a adiar o lançamento das notas e a 2ª fase das provas. O anúncio sobre as novas data, que vão ter impacto nos alunos e corpo docente da Escola Portuguesa de Macau foi feito na sexta-feira, através de um comunicado.

Este ano, pela primeira vez, mais de 300 mil exames nacionais dos alunos do 11º e 12º anos foram digitalizados, para depois serem distribuídos pelos professores para avaliação. Contudo, o procedimento tem encontrado vários problemas, com docentes, sindicatos e associações a revelarem situações como falta de folhas de respostas dos alunos ou falhas no portal que impediram o acesso aos itens de avaliação.

Estes problemas obrigaram o MECI a reagir: “As dificuldades informáticas no processo de classificação electrónica dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário pressionaram o cumprimento do calendário inicialmente previsto”, foi reconhecido. “Embora seja tecnicamente ainda possível assegurar o cumprimento dos prazos para a entrega das classificações, a 10 de Julho, e para a afixação das pautas, a 14 de Julho, o MECI entende que devem ser igualmente ponderadas as condições de trabalho dos professores classificadores, garantindo sempre o rigor e a qualidade do processo de classificação, dimensões das quais o MECI não abdica”, foi acrescentado.

Como resultado, as avaliações passam a decorrer até 14 de Julho, em vez de 10, e as pautas vão ser afixadas a 17 de Julho, em vez de 14 de Julho. A 2ª fase dos Exames Finais Nacionais foi adiada para o período entre 20 e 24 de Julho, quando estava previsto que decorresse entre 20 e 22 de Julho.

Mais problemas à vista

Face às alterações, em declarações ao Canal Macau, Filipe Figueiredo, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Portuguesa de Macau (APEP), reagiu com “espanto”, porque afirmou que anteriormente o ministro da Educação de Portugal tinha dito que “estava tudo a correr lindamente”. “Isto só nota que isto foi mal feito. Em primeiro lugar, nunca foi ponderado o interesse dos alunos nem das famílias, porque isto não traz vantagens para ninguém, causa mais mal-estar, mais ansiedade e agora resta saber o que vai acontecer quando saírem as notas”, apontou.

Segundo Filipe Figueiredo, os problemas vão agravar-se quando forem divulgadas as notas: “As notícias são bastante assustadoras. Conheço professores que estão a corrigir exames e que dizem que o sistema está em baixo e que não apresenta informações fidedignas”, revelou.

No entanto, até sexta-feira, dia do comunicado, Filipe Figueiredo ainda não tinha recebido qualquer queixa, embora admitisse que entre a comunidade escolar a confiança nos resultados da primeira fase dos exames é “nula”.

Jogo | Dependência económica traz “riscos estruturais” para a China

Um dos principais riscos enumerados pelos académicos do Instituto de Economia da Universidade de Jinan é a movimentação de fluxos de capital do Interior da China para o exterior, através de Macau

Dois académicos chineses alertaram, com base num estudo que fizeram, que a dependência de Macau do jogo trouxe ganhos económicos consideráveis ao território, mas representa “riscos estruturais” para a estabilidade financeira da cidade e da China continental.

Os investigadores Zhong Yun e Hu Zhouqin, do Instituto de Economia da Universidade de Jinan, acompanharam a evolução do sector desde a abertura das concessões em 2002 até ao presente, avaliando o seu papel na estratégia governamental de “diversificação económica adequada”.

O estudo, publicado na revista académica “Estudos na Área do Jogo e do Turismo Mundial” da Universidade Politécnica de Macau, conclui que, embora o jogo e o turismo tenham desempenhado um papel decisivo no crescimento económico, na acumulação fiscal e no desenvolvimento urbano, também geraram potenciais ameaças à segurança financeira nacional, sobretudo devido aos fluxos transfronteiriços de capitais.

Segundo a investigação, a indústria funcionou como motor de crescimento de Macau desde 2002, impulsionando a chegada de visitantes e apoiando a expansão de hotéis, restauração, comércio e serviços turísticos.

As receitas brutas do jogo subiram de cerca de 23,5 mil milhões de patacas em 2002 para 361,8 mil milhões de patacas em 2013, com o valor acrescentado do jogo a representar entre 45 por cento e 60 por cento do PIB durante muitos anos.

Entre 2010 e 2019, os impostos do jogo representaram entre 70 por cento e 80 por cento das receitas públicas, atingindo 88,12 mil milhões de patacas em 2024.

Mais de 80 mil trabalhadores

O emprego no sector passou de cerca de 23.500 trabalhadores em 2002 para 82.900 em 2025, com o total da população activa a subir de 204.000 para 388.000.

No entanto, os académicos alertam para a “dominância esmagadora de uma única indústria”, que deixou a economia vulnerável.

Os investigadores apontaram que o sector hoteleiro aumentou a sua quota no PIB de 1,6 por cento em 2003 para 5,9 por cento em 2024, mas as infra-estruturas não ligadas ao jogo funcionam sobretudo como complemento ao negócio central dos casinos.

A pandemia expôs essa fragilidade: o PIB caiu de 444,1 mil milhões de patacas em 2019 para 202,0 mil milhões em 2020.

“Formou-se uma profunda dependência em termos de receitas fiscais, estrutura laboral e ecossistema industrial”, afirmaram os autores.

Em 2025, os trabalhadores de casino recebiam salários médios de 28.020 patacas, acima da mediana, desincentivando a mobilidade para outros sectores. Segundo o documento, esta estrutura laboral cria um bloqueio de talento que limita o desenvolvimento de indústrias emergentes como tecnologia, finanças e saúde.

Segurança financeira

Mais crítico, os investigadores alertaram que a dependência do jogo ameaça à segurança financeira da China, considerando que a natureza intensiva em numerário das actividades de jogo pode ser “explorada para branqueamento de capitais”, pois os residentes do continente recorrem a “bancos clandestinos e canais ilegais para transferir fundos”, contornando os controlos cambiais.

Ao mesmo tempo, os académicos alertaram que as perdas de empresas ou gestores em apostas podem desencadear falências, afectando cadeias industriais e sistemas sociais.

O estudo sublinha que Macau depende fortemente de visitantes da China continental, que representam mais de 70 por cento dos turistas, tornando a estabilidade económica do território estreitamente ligada às políticas e condições do continente.

O estudo reconhece que a atractividade turística de Macau está a diversificar-se com património cultural, eventos internacionais, desporto e lazer, mas adverte que “o jogo continuará a ser a principal fonte de receitas no curto e médio prazo”.

Justiça | Senador pró-Duterte acusado de corrupção nas Filipinas

O Provedor de Justiça das Filipinas acusou o senador Rodante Marcoleta de corrupção, dias antes do processo de destituição da vice-presidente Sara Duterte. Trata-se do segundo aliado de Sara Duterte a ser acusado em pouco mais de um mês, após a detenção de José “Jinggoy” Estrada. Um terceiro apoiante da vice-presidente encontra-se em fuga.
Os três eram considerados votos garantidos contra a destituição de Sara Duterte, filha do ex-presidente Rodrigo Duterte. São necessários dezasseis votos no Senado, que conta com 24 assentos, para declarar a culpa, num julgamento que começa hoje.
As acusações contra o senador Rodante Marcoleta incluem “pilhagem”, um crime que não permite a libertação sob pagamento de fiança. “As provas incluem três doações em dinheiro no valor total de 75 milhões de pesos [um milhão de euros], não declaradas na [declaração de património] do senador nem nos seus relatórios financeiros de campanha”, especifica o gabinete do Provedor de Justiça num comunicado, acrescentando que Marcoleta “confirmou publicamente ter recebido esse dinheiro”.
Nesta fase, nenhuma das partes confirmou a emissão de um mandado de detenção contra Marcoleta, de 72 anos.

Fé inabalável
Na semana passada, milhares de membros da Iglesia Ni Cristo (INC), uma poderosa seita filipina ligada à dinastia política dos Duterte, saíram às ruas para protestar contra as acusações que pesam sobre o senador, paralisando o trânsito na capital.
No mês passado, José “Jinggoy” Estrada foi detido pelo alegado papel num vasto escândalo de corrupção relacionado com projectos falsos de combate às inundações.
Por sua vez, o senador Ronald “Bato” Dela Rosa encontra-se em fuga, depois de ter escapado a uma detenção ao abrigo de um mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) pelo papel na sangrenta guerra contra a droga liderada pelo ex-presidente Rodrigo Duterte.
Se Sara Duterte for declarada culpada no final do julgamento, que poderá durar vários meses, será destituída e ficará inelegível para sempre, apesar de se ter candidatado às eleições presidenciais de 2028.