Hong Kong | STAYC e Xdinary Heroes em destaque este mês no Asia World Expo Andreia Sofia Silva - 8 Ago 2025 Primeiro são a “girls band” pop STAYC a actuar já este sábado, seguindo-se, num registo musical diferente, a banda de rock Xdinary Heroes. A música sul-coreana está em destaque na agenda cultural de Hong Kong este mês, com a Asia World Expo a acolher os concertos das digressões dos dois grupos musicais Para quem gosta de música pop cantada no feminino, ou de sons a roçar o rock, o Asia World Expo, em Hong Kong, proporciona ao público e amantes da música duas opções, e ambas vindas da Coreia do Sul. Este sábado, dia 9, é a vez da girls band STAYC actuar, a partir das 18h, com bilhetes que custam entre 899 e 1,899 dólares de Hong Kong. As STAYC são formadas por seis raparigas, de nome Sumin, Sieun, ISA, Seeun, Yoon, J, que se estrearam no mundo dos palcos em Novembro de 2020 com a música “SO BAD”, retirada do álbum “Star To A Young Culture”. As ideias por detrás da criação do grupo prendem-se com conceitos próximos da cultura adolescente, a fim de criar uma onda de confiança e novas sonoridades, criando-se uma nova forma de fazer música dentro do género K-Pop, “com o visual marcante e os tons únicos de todas os seis”, lê-se no website da High Up Entertainment, responsável pela carreira do grupo. Este ano as STAYC lançaram um álbum com apenas três singles, “BEBE”, “DIAMOND” e “PIPE DOWN”, revelando uma “identidade musical mais madura” e “a nova direcção que as STAYC querem alcançar”, com apelos a sentimentos como a sensualidade, sofisticação e auto-estima, lê-se no mesmo website. No que diz respeito a “BEBE”, a música é descrita como sendo “mais do que uma canção”, em que a letra “expressa o desejo de libertação de uma imagem esperada por outros e para que se possa revelar a verdadeira identidade”. Trata-se de uma música que “não se refere a alguém em particular, mas representa as noções pré-concebidas que o público tem tido sobre as STAYC”. “Ao quebrar estes estereótipos, o grupo revela a sua marca e o lado sensual como nunca fez antes”, seguindo-se o single “DIAMOND”, uma música que “brilha intensamente como um diamante, mostrando uma mentalidade sofisticada e forte”. Já a terceira faixa do álbum, “PIPE DOWN”, aborda a ideia de auto-estima, “silenciando uma contraparte mais barulhenta, como se existisse um botão para desligar, completando a transformação total das STAYC”. Lugar ao Rock Dentro de um género musical completamente diferente apresenta-se o grupo Xdinary Heroes, com a digressão “Beautiful Mind World Tour” a 24 de Agosto. O espectáculo começa às 18h e os bilhetes têm um custo que varia entre os 699 e os 1,699 dólares de Hong Kong. No dia 7 de Julho deste ano foi a vez do grupo ligado ao rock lançar um novo single, “FiRE (My Sweet Misery)”, depois da música “Beautiful Minds”, lançada em Março deste ano. Segundo o website da banda, cujas músicas são editadas com a chancela da JYP Entertainment, todos os membros do grupo participaram na composição do mais recente single, “FiRE (My Sweet Misery)”, que é uma “canção com duas facetas emocionais”. Juntamente com “Beautiful Mind” a banda “descobriu a forma mais bonita de encarar a vida e o mundo”. “FiRE (My Sweet Misery)” é descrita como sendo “uma música que explode com uma energia enlouquecida, combinando um som metal intenso com sintetizadores”. Além disso, “os vocais que alternam entre sussurros e gritos e os instrumentos musicais criam uma sinergia rock poderosa que ultrapassa os limites”, descreve-se ainda no website da banda.
Aviação | Cathay Pacific encomenda 14 Boeing 777-9 Hoje Macau - 8 Ago 2025 A companhia aérea de Hong Kong Cathay Pacific vai adquirir 14 aeronaves do modelo 777-9, novo avião de grande porte da Boeing, o seu primeiro pedido em 12 anos ao fabricante aeronáutico norte-americano, anunciaram as duas empresas na quarta-feira. A Cathay Pacific “exerceu os seus direitos (…) para comprar 14 aeronaves Boeing 777-9”, indicou a companhia, num documento enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong. A companhia mencionou uma opção para adquirir até sete aeronaves Boeing 777-9 adicionais. As entregas estão previstas até 2034, de acordo com outro documento enviado à bolsa. Este anúncio, por um valor não especificado, vem somar-se a uma encomenda de 21 aeronaves 777 feita em 2013, elevando para 35 o número de exemplares deste avião de longo curso que a Cathay Pacific deverá receber. “A encomenda torna a Cathay Pacific a maior operadora do 777-9 na Ásia-Pacífico”, salientou a Boeing. As entregas do birreator, apresentado em novembro de 2013 e que será fabricado em três versões – 777-8, 777-9 e 777-8 Fret -, deveriam começar em 2020. A última estimativa apontava para o início das entregas em 2026 para este aparelho, que se destina a ser o maior bimotor operacional do mundo. A Cathay anunciou esta encomenda por ocasião dos seus resultados do primeiro semestre, marcados por um ligeiro aumento (+1 por cento) do lucro líquido para 3,6 mil milhões de dólares de Hong Kong. A transportadora beneficiou de um aumento na procura por viagens na Ásia, o que contribuiu para um aumento de 9 por cento na sua facturação, para 54 mil milhões de dólares.
Ucrânia | China pede aos cidadãos que evitem envolvimento na guerra Hoje Macau - 8 Ago 2025 A China afirmou ontem ter instado os seus cidadãos a evitarem qualquer envolvimento na guerra na Ucrânia, reiterando a defesa de um cessar-fogo e negociações de paz, depois de Kiev denunciar a presença de mercenários chineses no conflito. Em comunicado, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, afirmou que “a posição da China sobre a crise ucraniana é coerente e clara: estamos empenhados em promover as conversações de paz e facilitar um cessar-fogo”. Guo assegurou que “a China emitiu vários alertas de segurança, instando os cidadãos chineses a manterem-se afastados das zonas de conflito armado e a evitarem qualquer envolvimento no conflito”. As autoridades chinesas salientaram, “em particular, que os cidadãos chineses devem abster-se de participar em operações militares de qualquer uma das partes”, acrescentou o porta-voz. Desde o início da guerra na Ucrânia, a China tem mantido uma posição ambígua, apelando ao respeito pela “integridade territorial de todos os países”, incluindo a Ucrânia, mas também à consideração das “legítimas preocupações de todos” os Estados, numa alusão à Rússia. Pequim opõe-se às sanções “unilaterais” contra Moscovo e defende uma “solução política” para o conflito. O Ocidente tem acusado a China de apoiar a campanha militar russa – o que Pequim nega – e de fornecer componentes essenciais para a produção de armamento por parte de Moscovo. Vários países europeus têm apelado ao Presidente chinês, Xi Jinping, para que use a sua influência sobre Vladimir Putin com vista ao fim da guerra.
Taiwan | Pequim classifica William Lai de “belicista” por exagerar ameaça chinesa Hoje Macau - 8 Ago 2025 A China acusou ontem o líder de Taiwan, William Lai, de “belicismo” e “separatismo”, por “exagerar a ameaça chinesa” durante um discurso na terça-feira, na abertura do Fórum Ketagalan, dedicado a temas de segurança, em Taipé. A porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, Zhu Fenglian, afirmou que Lai “aderiu obstinadamente à posição separatista da independência de Taiwan e à estratégia errada de depender de potências estrangeiras para procurar a independência”. Zhu acusou o líder taiwanês de “promover a falsa narrativa de democracia contra autoritarismo” e de revelar a sua “verdadeira natureza de sabotador da paz, belicista e provocador”. Segundo a responsável, durante o primeiro ano do seu mandato, Lai impulsionou a “desvinculação e ruptura dos laços através do Estreito [de Taiwan], prejudicando os intercâmbios e interacções”. “Lai negligenciou a economia e o bem-estar da ilha, traindo sem escrúpulos Taiwan, prejudicando os seus interesses e enfraquecendo a sua economia”, acrescentou. A porta-voz advertiu ainda que “quem persegue a independência de Taiwan e o separatismo acabará inevitavelmente por provocar a sua própria destruição”. No seu discurso, William Lai afirmou que o orçamento da Defesa de Taiwan representará cerca de 3 por cento do Produto Interno Bruto em 2026, valor semelhante ao deste ano, reiterando o compromisso em manter o “status quo” e garantir a “paz e estabilidade” no Estreito.
Economia | Comércio externo desafia previsões e cresce em Julho Hoje Macau - 8 Ago 2025 Ao contrário das previsões de especialistas e economistas, os resultados de Julho surpreenderam com as exportações a registarem um crescimento homólogo de mais de 7 por cento e as importações a contrariarem a Bloomberg que apontava para uma contracção O comércio externo chinês disparou em Julho em relação ao mês homólogo anterior, segundo dados oficiais publicados ontem, contrariando as previsões dos economistas em plena trégua na guerra comercial entre Pequim e Washington. As duas maiores economias mundiais concordaram no mês passado em manter uma pausa na guerra comercial para continuar as negociações. Isto fixou temporariamente as taxas adicionais dos Estados Unidos sobre os produtos chineses em 30 por cento, enquanto os impostos chineses sobre as importações norte-americanas permanecem em 10 por cento. Apesar deste contexto incerto, as exportações chinesas registaram um aumento homólogo em Julho (+7,2 por cento), de acordo com as estatísticas oficiais, superando a previsão dos economistas consultados pela agência Bloomberg (5,6 por cento). As importações também aumentaram 4,1 por cento, em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto as previsões da agência de notícias Bloomberg apontavam para uma contracção. A trégua entre Pequim e Washington deve terminar na terça-feira, data em que as taxas poderão voltar a níveis mais elevados. Persiste a dúvida sobre a capacidade das duas potências chegarem a um acordo sobre uma trégua mais duradoura. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, declarou no final de Julho, após a última série de negociações em Estocolmo, que o líder norte-americano, Donald Trump, teria a “última palavra” sobre qualquer prorrogação dessa trégua. Trump congratulou-se com a entrada em vigor, na quinta-feira, de novas tarifas que afectam dezenas de parceiros comerciais – incluindo uma taxa de 35 por cento sobre o Canadá. Washington condicionou a continuação das negociações com Pequim ao fornecimento de terras raras pela China, depois de o país asiático ter imposto restrições à exportação desses materiais indispensáveis para a indústria energética, electrónica e de armamento. Bons sinais Um sinal positivo a este respeito é que os dados alfandegários chineses publicados na quinta-feira indicam que as remessas de terras raras permaneceram sólidas em Julho, apesar de uma ligeira diminuição após um pico em Junho. A ausência de um acordo entre as duas potências pode pesar fortemente sobre o comércio da segunda maior economia mundial. Embora as exportações chinesas tenham sido impulsionadas pela criação de reservas de produtos por receio de novas taxas, as vendas para os Estados Unidos caíram 6,1 por cento entre Junho e Julho, de acordo com as alfândegas chinesas. O crescimento das exportações chinesas “pode abrandar nos próximos meses, com o fim da constituição antecipada de reservas para escapar às tarifas americanas”, antecipou Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management. As exportações chinesas também podem ser afectadas por novas taxas norte-americanos sobre produtos que procuram contornar as tarifas através de países terceiros. “A grande questão é saber em que medida as exportações chinesas irão abrandar e como isso irá repercutir-se no resto da economia”, observou Zhiwei Zhang. O Partido Comunista Chinês estabeleceu a meta ambiciosa de um crescimento de “cerca de 5 por cento” do PIB em 2025. Além da guerra comercial, o país asiático também enfrenta uma longa crise imobiliária que pesa sobre o moral dos consumidores e as finanças das autoridades locais. O crescimento das importações em Julho “pode reflectir uma constituição de reservas para certas matérias-primas, em vez de uma retoma mais geral da procura interna”, apontou Zichun Huang, economista da Capital Economics.
Operação Trovoada | Interceptadas cinco pessoas Hoje Macau - 8 Ago 2025 O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou que foram interceptadas cinco pessoas entre terça-feira e quarta-feira, no âmbito da Operação Trovoada 2025. De acordo com as autoridades, citadas pelo jornal Ou Mun, três pessoas foram detidas, porque o visto de permanência em Macau tinha expirado. Além disso, outras duas mulheres foram interceptadas por disponibilizarem serviços de prostituição, no que foi considerado um abuso do visto com que estavam no território. Segundo o CPSP, nesses dias foram realizadas operações de patrulha em 81 pensões e salas de massagem, além de terem sido abordadas 281 pessoas para efeitos de identificação. A nível do trânsito, foram mandados parados 40 veículos, não tendo sido registada qualquer violação da lei. Troca de dinheiro | Detido homem com 31 anos A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de um homem com 31 anos, do Interior, que se suspeita estivesse a realizar trocas ilegais de dinheiro para o jogo. O caso foi revelado durante a tarde de ontem e citado pelo jornal Ou Mun. A situação foi descoberta na quarta-feira, quando o homem foi encontrado num casino do Cotai a trocar dinheiro com um jogador, dentro de uma sala para fumadores. Quando os dois homens foram abordados, o jogador confessou que ia trocar 9.350 renminbis por 10.000 dólares de Hong Kong, para apostar. Além disso, durante a investigação, descobriu-se que horas antes, o mesmo suspeito teria efectuado uma troca de 4.675 renminbis por 5.000 dólares de Hong Kong. Com o homem, foram apreendidos 35.000 dólares de Hong Kong em fichas de jogo, que as autoridades suspeitam iriam ser utilizadas para outras trocas de dinheiro. O caso foi encaminhado para o Ministério Público e os dois homens foram arrolados como testemunhas.
Economia | Falências batem recorde de dez anos João Luz - 8 Ago 2025 Na primeira metade de 2025, foram criadas menos empresas, ao mesmo tempo que se registaram mais falências nos últimos dez anos. Apesar do recorde negativo, no primeiro semestre, continuaram a ser constituídas mais empresas do que as que foram dissolvidas Nos primeiros seis meses deste ano, foram constituídas 2.020 empresas e dissolvidas 469, o que representou um crescimento líquido de 1.551 empresas. Segundos dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) na quarta-feira, o capital social das empresas criadas na primeira metade de 2025 fixou-se em 303 milhões de patacas. Apesar do saldo positivo entre empresas criadas e dissolvidas, no primeiro semestre deste ano as 469 falências registadas bateram o recorde dos últimos dez anos. Segundo dados avançados pela TDM – Rádio Macau, as falências no primeiro semestre de 2025 aumentaram 5 por cento face aos primeiros seis meses do ano passado, quando foram dissolvidas 445 empresas. O cenário fica mais negro comparando com os números de 2023, com o aumento de um quarto das falências, quando foram dissolvidas 376 empresas. A emissora pública realça também que na última década, apenas em dois anos faliram menos de 400 empresas no primeiro semestre. As estatísticas divulgadas pela DSEC mostram ainda que isolando o segundo trimestre deste ano foram constituídas 1.107 sociedades, “a maior parte destas pertencia ao ramo de actividade económica do comércio por grosso e a retalho (380) e ao ramo dos serviços prestados às empresas (326)”. Entre Abril e Junho, foram extintas 283 empresas, o que representou um crescimento líquido do número de sociedades de 824, mais 97 face aos primeiros três meses de 2025. Baixa natalidade O primeiro semestre deste ano, acumulou outro recorde dos últimos 10 anos, além das falências. Na última década, o primeiro semestre de 2025 foi aquele em que foram constituídas menos empresas. As 2.020 empresas criadas no período em análise representaram uma quebra anual de 12 por cento, uma vez que nos primeiros seis meses de 2024 foram criadas 2.296 sociedades. Pelo menos desde 2016 que não eram registadas tão poucas empresas, com a tendência decrescente no primeiro semestre a ser a tónica dominante dos últimos três anos. Porém, o fosso é ainda maior quando a comparação é feita com os anos antes da pandemia. Nos primeiros seis meses de 2019, foram criadas 3.278 empresas, mais 1.258 do que no primeiro semestre de 2025. Apesar do declínio do tecido empresarial de Macau, verificado nos números de falências e criação de sociedades, nos últimos dez anos o saldo positivo entre os dois factores foi uma constante, ou seja, foram sempre constituídas mais empresas do que dissolvidas.
Acidente | CPSP aguarda autópsia de condutora Hoje Macau - 8 Ago 2025 O Corpo de polícia de Segurança Pública (CPSP) está à espera da autópsia ao corpo da condutora da viatura participante no acidente mortal ocorrido esta segunda-feira e que resultou em quatro mortos e três feridos. A mulher tinha 20 anos e a autópsia poderá dar mais pistas sobre um possível estado de embriaguez na hora da condução, foi noticiado pelo canal chinês da Rádio Macau. Os agentes do CPSP revelaram ontem que a condutora esteve num bar na zona do ZAPE entre as 2h e as 6h da madrugada de segunda-feira. De saída, a mulher terá transportado os seis passageiros envolvidos no acidente. O acidente ocorreu quando o carro passou na Avenida Dr. Sun Yat-sen em direcção à Areia Preta, tendo a viatura batido nas barras da estrada. Os agentes já tinham pedido uma análise ao nível de álcool no sangue da condutora, mas como esta faleceu, tal não foi possível. Nos restantes passageiros, foi identificado um elevado nível de álcool no sangue.
Saúde | ISAF alerta grávidas para suplementos dos EUA Hoje Macau - 8 Ago 2025 O Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF) alertou a população para evitar o consumo de dois lotes do suplemento nutricional para grávidas Prenatal Vitamin Dha Softgels, produzidos pela empresa Earth’s Creation USA. De acordo com um aviso publicado na noite de quarta-feira, os lotes com problemas têm os números 22199 e 31249. Segundo a explicação do ISAF os lotes provenientes dos Estados Unidos apresentaram “manchas pretas nas cápsulas”. “Tomando como medida preventiva, o importador em causa decidiu recolher, voluntariamente, os lotes afectados do medicamento que foram importados para Macau”, foi explicado. O ISAF explica que o suplemento não está sujeito a receita médica e que serve para “suplementar várias vitaminas e minerais, como a vitamina B, o cálcio, o magnésio, entre outros”. Os lotes foram fornecidos ao Centro Hospitalar Conde de São Januário, aos Centros de Saúde, às policlínicas e às farmácias comunitárias em Macau, mas foram retirados, pelo que não serão mais utilizados. No caso de as pessoas terem adquirido produtos com estes números de lote, o ISAF esclarece que podem deslocar-se aos centros de saúde ou farmácias para realizarem a sua substituição.
PJ | Pelo menos 18 vítimas burladas em quase 28 milhões de patacas João Luz - 8 Ago 2025 A Polícia Judiciária voltou ontem a alertar o público para se manter vigilante em relação a burlas, no mesmo comunicado em que revela ter recebido queixas de, pelo menos, 18 vítimas desfalcadas em quase 28 milhões de patacas. Promessas de amor e investimentos com ganhos avultados continuam a seduzir os residentes A Polícia Judiciária (PJ) emitiu ontem um novo aviso a apelar à atenção da população para burlas, ao mesmo tempo que revelou a continuação de vítimas e de desfalques avultados. No passado dia 8 de Junho, “a PJ emitiu um aviso alertando o público para estar atento a esquemas fraudulentos de investimento, comumente conhecidos como ‘burla do abate do porco’”, contextualizam as autoridades. “No entanto, posteriormente”, a PJ “recebeu denúncias de, pelo menos, 18 vítimas que relataram ter sido enganadas usando tácticas semelhantes, com perdas totais superiores a 27,89 milhões de patacas”. As autoridades recordam que nestes esquemas os burlões utilizam as redes sociais para se familiarizarem com as vítimas, chegando mesmo a estabelecer relações amorosas. Outro método frequente, é a publicação, também nas redes sociais, de anúncios falsos de investimento em acções, metais preciosos e criptomoedas, com o objectivo de atrair clientes para contactos directos em grupos de WhatsApp. Depois de ganhar a confiança da vítima, através de conversas em que os burlões se fazem passar por especialistas em investimentos, são “oferecidas” carteiras de investimento de “elevado retorno e baixo risco” para persuadir as vítimas a investir através de plataformas fraudulentas. Segundo a PJ, alguns chegam mesmo a afirmar que as plataformas são automatizadas utilizando ferramentas de inteligência artificial, enfatizando que as vítimas só precisam de investir dinheiro para obter lucros facilmente. A engorda do porco Depois de cair no esquema, as vítimas seguem as instruções dos burlões e depositam dinheiro para várias contas bancárias de Hong Kong para investir. Num primeiro instante, as pessoas são iludidas com os saldos na plataforma falsas onde “verificam” os elevados retornos dos primeiros investimentos, e é aí que o golpe se efectiva, com o investimento de grandes quantias de dinheiro. O primeiro choque com a realidade é no momento em que as vítimas pretendem levantar o dinheiro. Nessa altura, são solicitadas a pagar uma comissão para aceder aos fundos. De acordo com a PJ, é por essa altura que as vítimas acabam por apresentar queixa às autoridades. A PJ ontem divulgou os nomes de grupos de WhatsApp, aplicações e plataformas de investimento falsas que têm desfalcado residentes. Os grupos de WhatsApp identificados pelas autoridades são INSTINET Data Think Tank, INSTINET, Advanced Strategy Sharing Classroom, INSTINET Intelligent Navigator, K5’s smart stock identification, TP-ROBOT e GC TRADE PRO. As aplicações móveis para investimento referidas pela PJ são a INST-SI, INST-SIKK, AOT-SIGEMA e TOKENPOCKET, enquanto plataformas de investimento avançadas foram sites falsos da CITIC Securities, Douyin Charity e Junsheng Holdings.
Pedido mais postos de carregamento nos estacionamentos João Santos Filipe - 8 Ago 2025 O deputado Leong Hong Sai defende a necessidade de serem instalados mais postos de carregamento rápidos de veículos eléctricos nos diferentes locais de estacionamento. A posição foi tomada pelo legislador ligado à Associação dos Moradores através de uma interpelação escrita. No documento, Leong indica que a popularidade dos veículos eléctricos faz com que os residentes se queixem de que “o número de postos de carregamento em alguns parques de estacionamento é insuficiente e que o tempo de carregamento é relativamente longo”. Face a este problema, o deputado sugere que o Executivo utilize os terrenos recuperados e que não estão a ser utilizados para instalar, mesmo que temporariamente, postos de carregamento rápido para responder às maiores necessidades. Além disso, Leong Hong Sai questiona como é que o Governo vai intervir para que haja mais postos de carregamento disponibilizados por entidades comerciais privadas: “Como tenciona a Administração utilizar as forças de mercado para incentivar a comunidade a aumentar substancialmente o número de postos de carregamento de alta velocidade e a instalá-los o mais rapidamente possível?”, pergunta. Reduzir custos Como forma de incentivar a instalação de mais postos de carregamento de veículos eléctricos, Leong Hong Sai quer saber se o Executivo tem planos para reduzir os custos administrativos e desburocratizar o processo de instalação. No mesmo sentido, o deputado pede ao Governo que analise aos dados recolhidos até agora para identificar claramente os locais de maior procura de postos de carregamento rápido. De acordo com o deputado, que cita os dados oficiais, até 31 de Março deste ano havia 13.261 veículos eléctricos em circulação, num total de 252.523 veículos a motor, o que significa uma proporção do mercado de 5,3 por cento. Entre os veículos eléctricos, 6.954 eram veículos ligeiros, 1.258 veículos pesados, 3.241 motociclos e 1.808 ciclomotores.
Casinos-Satélite | Sugerida adopção de novos modelos de consumo João Santos Filipe - 8 Ago 2025 Face à impossibilidade de evitar as mudanças, Leong Chon Kit pede ao Governo que crie uma grande zona pedonal com esplanadas e coberturas nas ruas. O objectivo do membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central passa por transformar a economia da área do ZAPE Com vários casinos-satélite a fecharem as portas até ao final do ano na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE), Leong Chon Kit, membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, sugere o desenvolvimento da área numa zona pedestre com várias esplanadas. A ideia foi proposta pelo conselheiro durante a reunião de quarta-feira, como forma de promover a economia daquela zona. De acordo com o jornal Ou Mun, Leong Chon Kit sugeriu que parte do ZAPE seja transformado numa “zona pedestre distinta”, com traços culturais de Macau e a oferta de esplanadas de café e restaurantes. Segundo o conselheiro, desta forma é possível ajudar os negócios daquela zona a adoptarem um novo modelo de comércio. No entanto, para que o projecto possa ser uma realidade, o conselheiro ligado à Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau apelou às autoridades para transformarem a zona, com a instalações de coberturas nas ruas, para evitar a chuva, maior criação de zonas de estacionamento e uma melhor ligação com os transportes públicos. Leong defendeu também a necessidade de se desenvolver uma campanha de promoção da nova zona pedestres, com base nas características do local, para atrair residentes e turistas. Festa do pastel de nata Também ligado à associação dos chineses ultramarinos, o conselheiro Lao Sio Cheok defendeu que a promoção da economia na área do ZAPE deve passar pela organização de diferentes eventos entre o Governo e as concessionárias do jogo. Como estratégia para promover um maior consumo, Lao indicou que o Governo pode apostar em eventos como mercados nocturnos, a realização de um “Festival do Pastel de Nata” ou até eventos como o Festival S20, em que a realização de concertos é complementada com jactos de água virados para os espectadores. Este conselheiro defendeu ainda um maior aproveitamento turístico de locais como a Praça de Lótus. Lao indicou que a Praça de Lótus pode também ser um local para mercados e feiras com o aproveitamento de produtos ligados a desenhos animados famosos, à imagem do que acontece agora com as personagens da Sanrio e Pop Mart. O conselheiro defendeu também que durante a realização destes eventos deve haver transporte gratuito para os locais, de forma a levar os residentes e turistas a consumir no local.
Saúde | Ngan Iek Hang quer melhorias físicas dos adolescentes Hoje Macau - 8 Ago 2025 O deputado Ngan Iek Hang defende que são precisas medidas para melhorar a condição física geral dos adolescentes, devido a problemas como obesidade e miopia, que associa ao uso intensivo de produtos electrónicos. O assunto faz parte de uma interpelação do deputado dos Moradores. No documento, Ngan recorda que em Abril a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) propôs um rol de medidas para as escolas incentivarem os alunos a fazer exercício físico, como a definição de um período mínimo de 40 minutos, realização de pequenas tarefas e o preenchimento de uma folha para avaliar a aptidão física. No entanto, o deputado quer saber se o Governo tem um calendário para a concretização das medidas e que explique como a implementação está a progredir: “Como o Governo garante a concretização no futuro destas medidas? Pode ser criado um mecanismo de rastreio e feedback para facilitar o ajuste oportuno e a optimização das medidas?”, questionou. Ngan Iek Hang apontou também que desde o ano lectivo 2022/2023, o Fundo Educativo começou a subsidiar as escolas na recolha dos dados dos teste de aptidão física dos aluno e sobre as necessidades de utilização de óculos. O deputado pede que sejam apresentados os dados de 2023/2024 e que a informação seja disponibilizada regularmente. Na interpelação, Ngan Iek Hang apresenta ainda queixas de pais que consideram que há pouca competição nas escolas e que o Governo deve promover mais actividades do género. O deputado também perguntou ao Governo se vai reforçar a cooperação com cidades chinesas na área de competição desportiva, para que os jovens se interessam mais por desporto.
Lixo | Governo sem solução para resíduos de construção Hoje Macau - 8 Ago 2025 Apesar do acordo com as autoridades do Interior para enviar alguns materiais inertes da construção para o outro lado da fronteira, o Executivo reconhece que não tem um plano para o tratamento da maioria dos materiais de construção. A confissão surge na resposta de Ip Kuong Lam, director do Serviços de Protecção Ambiental, a uma interpelação do deputado Lei Chan U. Numa altura em que o Aterro para Resíduos de Materiais de Construção de Macau, junto do aeroporto, se encontra saturado, o Governo da RAEM e o Ministério da Ecologia e Meio Ambiente da República Popular da China assinaram um acordo para enviar para o Interior material inerte resultante das obras de construção do Metro Ligeiro. Contudo, apenas o material inerte recolhido nas obras que decorrem numa determinada parte, e que cumpre certos requisitos, poder ser enviada para tratamento, de acordo com a explicação de Ip Kuong Lam. O âmbito de aplicação do acordo, cujos pagamentos por Macau não foram relevados, era um dos pontos que Lei Chan U pretendia ver esclarecido. Todavia, face a este cenário, Ip Kuong Lam reconhece que o Governo ainda não tem planos sobre o que fazer com os restantes materiais inertes e que não podem ser enviados para o Interior. “Para os materiais que não cumpram os respectivos requisitos [do acordo], ainda será necessário encontrar um local adequado em Macau para o seu tratamento”, foi respondido. O Governo anterior tinha apresentado um mega projecto para fazer um aterro-lixeira junto às praias de Macau para receber este tipo de lixo. Todavia, o plano que teve numa primeira fase oposição da população, poderá ser agora aprovado com uma nova Assembleia Legislativa e após a desclassificação de algumas das vozes críticas das eleições.
Função Pública | Sam Hou Fai quer reduzir a Administração João Santos Filipe - 8 Ago 2025 O Executivo vai continuar a limitar a contratação pública. Sam Hou Fai justificou a medida com a necessidade de garantir a “utilização racional dos recursos públicos” e pediu uma administração que responda “razoavelmente às necessidades reais do desenvolvimento económico e social” O Chefe do Executivo pediu à Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública para simplificar e “optimizar” o número de pessoal e assegurar a “utilização racional dos recursos públicos”. A lista de tarefas foi deixada durante a segunda reunião do Grupo de Liderança da Reforma da Administração Pública, realizada em Julho, mas apenas divulgada ontem pelo Governo através do Gabinete de Comunicação Social (GCS). Segundo a versão oficial, durante o encontro com a presença de todos os secretários, Sam Hou Fai indicou que a “Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública deve […] promover gradualmente a simplificação da estrutura dos serviços públicos e a optimização da estrutura do pessoal, tomando em consideração a realidade de cada serviço público”. O líder do Governo afirmou também que “com base no princípio da gestão centralizada, optimizar-se-á o mecanismo de contratação e gestão dos serviços públicos, assegurando-se a utilização racional dos recursos públicos”. O comunicado insiste na política do anterior Governo de quotas de contratação na Função Pública, de forma a limitar o número de funcionários públicos. Neste sentido, Sam apontou que “a optimização deve ser feita através” da “padronização das áreas funcionais, estudo de um mecanismo de acesso entre carreiras e estabelecimento dos critérios básicos de afectação do pessoal de todos os níveis”. Limitar o tamanho Sobre a “estrutura orgânica” da Administração, o governante avisou que “há que definir critérios para o limite máximo da dimensão da estrutura, rever a distribuição de funções e proceder à fusão dos serviços públicos com funções relacionadas”. Ao mesmo tempo, que pediu ao Governo para continuar com a “racionalização das estruturas orgânicas da Administração Pública e das funções dos diversos serviços públicos” para aumentar a “eficácia do funcionamento da Administração Pública”, Sam Hou Fai insistiu na necessidade de “ser pragmático e responder razoavelmente às necessidades reais do desenvolvimento económico e social de Macau”. A informatização da máquina administrativa foi outro dos temas abordados, e na nota de imprensa consta que Sam Hou Fai “ordenou” que “todos os serviços públicos devem aperfeiçoar gradualmente o seu sistema informático”. Este aperfeiçoamento, explicou o dirigente, visa “aumentar ainda mais a capacidade de prevenção de riscos”. Contudo, a informação não especifica os riscos a que Sam Hou Fai se referiu.
USJ | Investigadores descobrem nova espécie de bactéria em Portugal Andreia Sofia Silva - 8 Ago 2025 Uma equipa de investigadores de universidade locais identificou uma nova espécie de bactéria nas salinas de Rio Maior, em Portugal. O tipo de organismo descoberto, que vive em ambientes extremos, alarga os limites do conhecimento biológico e pode ter implicações em áreas como biomedicina, farmácia ou mesmo exploração espacial Há novidades no campo da microbiologia graças à mais recente descoberta de uma equipa de investigadores ligados à Universidade de São José (USJ), liderada por André Antunes, director interino do Instituto das Ciências e Ambiente da mesma instituição de ensino. Trata-se da descoberta de uma nova espécie de bactérias a partir de 12 amostras recolhidas nas salinas de Rio Maior, em Portugal, que levou ao estabelecimento da nova espécie “Fodinibius alkaliphilus”. Foi também reclassificada a espécie de bactérias anteriormente conhecida como “Alifodinibius salipaludis” para “Fodinibius salipaludis”. As conclusões surgem divulgadas no artigo “Fodinibius alkaliphilus sp. nov., a moderately halophilic and alkaliphilic bacterium isolated from an inland saltern in central Portugal and reclassification of Aliifodinibius salipaludis as Fodinibius salipaludis sp. nov.”, publicado no International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology. A revista científica é uma publicação “de referência para novos dados macrobianos”, sendo a publicação oficial do Comité Internacional de Sistemática de Procariotos e da Divisão de Bacteriologia e Microbiologia Aplicada da União Internacional de Sociedades Microbiológicas, descreve uma nota da USJ. Além de André Antunes, a equipa de autores inclui investigadores da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau, coordenado por Marta Filipa Simões; investigadores da Universidade do Minho e Universidade de Sevilha. Segundo a mesma nota da USJ, “a nova espécie [de bactérias] cresce melhor em salinidades cerca de quatro vezes superiores às da água do mar e também prefere condições alcalinas, combinando a capacidade de crescer em diferentes condições ambientais extremas”. A importância deste tipo de estudos, incluindo as análises a “ambientes tão extremos”, verifica-se em “futuras aplicações numa ampla gama de campos, incluindo biomédico e farmacêutico, mas também se estende à descoberta de novos materiais úteis e ao fornecimento de informações úteis para esforços futuros na exploração espacial”. A mesma equipa de investigadores não está parada, pois “outras amostras desses locais estão actualmente a ser investigadas e novas publicações descrevendo outras novas espécies são esperadas nos próximos meses”. “Esta publicação destaca os pontos fortes de Macau na articulação com parceiros de países de língua portuguesa e espanhola, bem como a sua crescente importância nos campos da biodiversidade e da biotecnologia”, é ainda descrito. O poder das salinas Os investigadores explicam que “a espécie Aliifodinibius salipaludis foi descrita, mas o seu nome ainda não foi validamente publicado”. No trabalho de campo a equipa isolou estas espécies a partir de “ambientes hipersalinos, incluindo salinas, minas de sal e solos salinos”. Antes de se proceder ao trabalho de campo propriamente dito, a equipa realizou “uma investigação à diversidade microbial dos ambientes hipersalinos no centro de Portugal”, tendo-se procedido à recolha de amostras na zona de Rio Maior em Julho de 2019. Foram isolados 12 géneros de bactérias a partir das Salinas de Rio Maior. Localizadas na zona centro de Portugal, nestas salinas existe a “salmoura, que é cerca de sete vezes mais salgada do que a água do mar”, sendo “bombeada de um poço e gerada pelo cruzamento de um curso de água subterrâneo local com um extenso depósito de sal-gema”. O artigo dá ainda um contexto histórico desta localização. “Embora tenham sido referidas pela primeira vez em documentos do século XII, acredita-se que estes locais estejam ligados à extração de sal desde os tempos pré-históricos. Oferecem um cenário único, pois são as únicas salinas interiores existentes em Portugal e as únicas em pleno funcionamento em toda a Europa.” Assim, o estudo em causa “fez parte de uma campanha de bioprospecção centrada neste local”, resultando “no isolamento de uma estirpe bacteriana (N2T) e na descoberta de uma nova espécie putativa dentro do género Fodinibius”. Neste trabalho é determinada “a posição taxonómica deste novo isolado com base nas propriedades fenotípicas, quimiotaxonómicas e moleculares”, é descrito. Importância para a ciência Ao HM, André Antunes explicou que esta descoberta é, em primeiro lugar, interessante para a comunidade científica, por trazer “uma informação adicional” e constituir uma descoberta “sobre a biodiversidade que existe no nosso planeta, mais concretamente a nível macrobiano”. “Até ao momento, fomos capazes [comunidade científica geral] de estudar menos de 1 por cento de todas as espécies de micróbios que existem no planeta. Em mais de 99 por cento não fazemos ideia do que são, o que fazem e quais as suas capacidades, ou que impacto têm no ambiente e nas nossas vidas”, explicou. O investigador adiantou ainda que “os micróbios que vêm de ambientes extremos, e sobretudo de ambientes com muito sal, que é o caso desta espécie que descobrimos agora, são muito interessantes para uma grande gama de aplicações de biotecnologia”. “Podemos incluir coisas como a área médica, biomedicina, a produção de novos compostos farmacêuticos ou a produção de novos biomateriais, como bioplásticos”, referiu André Antunes. O académico fala até de aplicações em áreas “mais exóticas, que começam agora a ter um bocadinho mais de visibilidade, como a potencial aplicação na construção civil, na produção de cimentos mais sustentáveis ou estruturas de betão que tenham a capacidade de autorreparação”. Esta descoberta tem também algum impacto “para a exploração espacial, mais especificamente para conseguirmos compreender melhor quais são os limites da vida e onde procurar vida fora do nosso planeta”. Incluem-se também “implicações bastante importantes para as missões que estão a explorar Marte, nomeadamente quanto ao tipo de ambientes onde poderá ser viável encontrar sinais de vida passada ou presente ou noutras partes do sistema solar”. Um trabalho que continua A investigação não fica pelas Salinas de Rio Maior, tendo a equipa liderada por André Antunes feito, no ano passado, uma expedição à Antártida. “Há amostras da Antártida que estamos actualmente a estudar e temos amostras retiradas do fundo do Mar Vermelho, onde a concentração de sal também é bastante elevada.” Continua, portanto, a saga da descoberta de novas bactérias e de potenciais reclassificações naquelas que já existem. André Antunes diz que a descoberta de uma nova espécie de micróbios “é bastante importante para a ciência, não só para a perspectiva da ciência a nível básico, mas porque podemos ter uma melhor perspectiva da diversidade que temos no planeta”. “Ao estudarmos ambientes extremos conseguimos ter informação adicional sobre quais são os limites da vida e como a vida se adapta a condições extremas.” Assim, André Antunes defende o investimento na ciência para que haja depois “uma componente prática associada, pelo que nem sempre é fácil convencer as entidades financiadoras”, quanto a este ponto. O investigador destaca também que o artigo e a investigação enquadra-se “muito bem nas prioridades de Macau e da própria USJ, no que diz respeito ao foco na área do ambiente, biodiversidade e biotecnologia, ancorado em ligação à Lusofonia”.
Austrália | Grande Barreira de Coral sofre maior declínio desde que há registo Hoje Macau - 7 Ago 2025 A Grande Barreira de Coral, com 2.300 quilómetros de extensão, ao largo do leste australiano, está a sofrer o maior declínio coralino desde que se começou a fazer registos, em 1986, indica um relatório ontem publicado. O Instituto Australiano de Ciências Marinhas, do Governo, documentou a condição de 124 recifes entre Agosto de 2024 e Maio de 2025 para determinar o branqueamento generalizado de corais nas três secções da Grande Barreira. O impacto é maior nas áreas do norte (Cape York a Cooktown), com um declínio de 24,8 por cento em relação aos níveis de 2024, e do sul (Proserpine a Gladstone), com 30,6 por cento, representando estes dois valores “o maior declínio anual na cobertura de coral” em 39 anos. Na região central (Cooktown a Proserpine), o declínio registado é de 13,9 por cento, em comparação com o ano transato. O último episódio de branqueamento no local, declarado Património Mundial da UNESCO, tem uma prevalência “elevada a extrema” nas três áreas, constatam os cientistas no relatório. “Os recifes individuais registaram um declínio de corais de até 70,8 por cento ” perto da ilha Lizard, na zona norte, refere-se no estudo. A morte dos corais, manifestada pelo respectivo branqueamento, é causada pelo impacto do aquecimento das águas – foram registadas temperaturas um a 2,5 graus Celsius acima da média durante o Verão austral de 2025 – associado à crise climática. A Grande Barreira de Coral “experimentou níveis sem precedentes de stress térmico, resultando no branqueamento mais extenso e severo de que há registo até à data”, lê-se ainda no documento, numa referência ao fenómeno que ocorreu em 2024 e continuou durante os primeiros meses deste ano. A agência australiana alerta para o facto de o habitat poder atingir “um ponto de não retorno”, em que o coral não consegue recuperar com rapidez suficiente entre eventos catastróficos.
Jiangyou | Protestos exigem sanções severas após agressão a menor Hoje Macau - 7 Ago 2025 Centenas de pessoas manifestaram-se na cidade chinesa de Jiangyou para exigir punições mais severas a menores envolvidas na agressão a uma colega de 14 anos, num caso filmado e divulgado ‘online’ que gerou indignação generalizada nas redes sociais. Os protestos incluíram cartazes com a imagem da vítima, de apelido Lai, e cânticos a pedir uma “investigação justa”. Vídeos partilhados na rede social X mostram confrontos com a polícia e detenções pontuais. A revolta popular intensificou-se após o anúncio, pelas autoridades policiais, de que as agressoras seriam alvo apenas de “medidas administrativas” e enviadas para um centro educativo correccional. A decisão foi tomada doze dias depois de a queixa ter sido apresentada, um intervalo considerado excessivo por muitos internautas. Antes disso, uma fotografia amplamente partilhada nas redes mostrava familiares de Lai ajoelhados perante um funcionário local, a pedir justiça, o que aumentou ainda mais a pressão social. A agressão, filmada nas imediações de um estabelecimento de ensino, mostra Lai a ser esbofeteada por pelo menos duas colegas, de apelidos Liu e Peng. Num dos vídeos, uma das agressoras gaba-se de ter estado “mais de dez vezes” numa esquadra sem “nunca ter ficado mais de vinte minutos”. No mesmo dia da agressão, a 22 de Julho, Lai dirigiu-se com o pai à polícia para apresentar queixa. Após um exame médico preliminar, regressou mais tarde para prestar declarações. Segundo o jornal local The Paper, entre 24 de Julho e 3 de Agosto, a polícia interrogou todas as testemunhas e solicitou um laudo forense, segundo as normas nacionais de avaliação de danos corporais, que recomendam examinar a vítima entre uma e duas semanas após a estabilização das lesões. A 3 de Agosto, os médicos descartaram fracturas ocultas e classificaram os ferimentos como ligeiros. No dia seguinte, as autoridades encerraram o caso com a aplicação de sanções administrativas.
Himalaias | Pelo menos cinco mortos e 100 desaparecidos em inundação repentina Hoje Macau - 7 Ago 2025 Pelo menos cinco pessoas morreram e mais de 100 continuam desaparecidas num aluimento de terras provocado por chuvas torrenciais no estado indiano de Uttarakhand, nos Himalaias, anunciou ontem fonte da equipa de resgate. O desastre aconteceu cerca das 13:30 de terça-feira na aldeia de Dharali, no distrito de Uttarkashi, quando uma inundação repentina provocou uma grande queda de água das montanhas e devastou a aldeia, arrastando tudo à sua passagem, incluindo dezenas de pessoas. “Cerca de 150 pessoas foram levadas para um local seguro.” De acordo com as informações disponíveis, quatro pessoas foram encontradas mortas e mais de 100 estão desaparecidas. Ainda aguardamos a confirmação da administração local”, avançou o inspector-geral adjunto da Força de Resposta a Desastres (NDRF) indiana, Mohsen Shahedi, que enviou três equipas para a área afectada. Horas depois, a agência de notícias estatal Press Trust of India (PTI) noticiou a recuperação de um quinto corpo dos escombros em Dharali, enquanto os esforços de busca e salvamento continuam. Imagens divulgadas pelas autoridades e pelos meios de comunicação social mostram o rio Kheerganga a transbordar subitamente e a submergir completamente a área, agora coberta por lama espessa e detritos, dificultando a assistência das autoridades. O ministro-chefe de Uttarakhand, Pushkar Singh Dhami, chegou ao local do desastre esta manhã para coordenar a resposta no local. “Estão em curso grandes esforços de resgate, envolvendo mais de 160 polícias”, disse Dhami, acrescentando que já foram preparados pacotes de alimentos para distribuição e uma equipa médica foi mobilizada para tratar dos feridos. Dharali, um popular destino turístico de verão, permanece agora praticamente isolada depois de várias estradas de acesso terem sido destruídas ou bloqueadas por aluimentos de terra. Alerta vermelho As autoridades pediram aos residentes que se mantenham afastados dos rios devido ao risco de novas inundações. Este desastre acontece numa altura em que foi emitido um alerta vermelho pelo instituto meteorológico da Índia devido ao risco de chuvas “extremamente fortes” em várias zonas do estado nos próximos dias. Uttarakhand, uma região montanhosa e ecologicamente frágil, tem registado chuvas ininterruptas durante a actual estação das monções e numerosos aluimentos de terra e inundações. As chamadas “explosões de nuvens”, fenómenos extremamente localizados que provocam chuvas torrenciais em apenas alguns minutos, são especialmente perigosas em zonas como os Himalaias, onde o solo não consegue absorver a água.
COP30 – Um desafio para o Brasil Olavo Rasquinho - 7 Ago 2025 As duas últimas Conferências das Partes (COP) da ConvençãoQuadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas decorreram em 2023 e 2024, respetivamente nos Emirados Árabes Unidos (COP28) e Azerbaijão (COP29) que, como países produtores de petróleo, não devem estar muito interessados na transição energética. Agora cabe ao Brasil organizar a CPO30, de 10 a 25 de novembro de 2025, em Belém, no Pará. Não é a primeira vez que este país esteve predisposto para organizar uma conferência deste tipo. Já tinha sido convidado, e aceitado o convite, para organizar a COP25. No entanto, o governo chefiado por Bolsonaro, negacionista convicto tal como o seu mentor norte-americano Donald Trump, “roeu a corda”, deu o dito por não dito, alegando que a problemática das alterações climáticas não passaria de um jogo comercial. O Chile ficou então incumbido de ser o novo anfitrião, mas os grandes distúrbios que ocorreram neste país antes das datas previstas, fez com a realização da conferência passasse para Madrid, entre 2 e 13 de dezembro de 2019. Foi uma oportunidade que se perdeu para projetar o Brasil como um dos países líderes da luta contra as alterações climáticas. Acontece que o Brasil está entre os dez maiores produtores de petróleo bruto e há quem duvide que o governo brasileiro esteja grandemente interessado na transição energética. Sem dúvida que os governos de Lula da Silva têm tido em consideração, dentro de certa medida, a preservação da Amazónia e o bem-estar das populações indígenas, e têm sido comedidos na exploração petrolífera em zonas que as possam afetar. Porém, o grande valor comercial do petróleo faz com que frequentemente se subalternize o facto de estar provado que os combustíveis fósseis sejam o principal fator do aumento da concentração de gases de efeito de estufa na atmosfera e, consequentemente, do aquecimento global. Houve mesmo alguém1 no Brasil que chegou a afirmar que a exploração do petróleo contribuiria para custear a transição energética. Não há dúvida de que a realização da COP30 em Belém irá contribuir para que o Brasil tenha um papel cada vez mais importante no contexto da problemática inerente às alterações climáticas. Vai ser necessária, no entanto, muita habilidade por parte do governo brasileiro para convencer a comunidade internacional sobre as suas intenções perante o compromisso assumido aquando da assinatura do Acordo de Paris, em que ficou expressa a necessidade de limitar o aquecimento global, até ao fim do século XXI, no máximo a 2 °C, de preferência a valores inferiores a 1,5 °C. Neste contexto, a política oficial brasileira parece não ser muito coerente, tanto mais que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado o famigerado Projeto-Lei N.º 2159, de 2021, apelidado “PL da devastação”, porque abre o caminho a empreendimentos potencialmente gravosos para o ambiente, como a muito discutida exploração petrolífera “offshore” próximo da foz do rio Amazonas. Este projeto, também designado por “Margem Equatorial”, poderá, perante o risco de derrame de petróleo, afetar as comunidades indígenas e a biodiversidade nas vizinhanças da zona de exploração. Em caso de tal acontecer, não seria a primeira vez no Brasil, atendendo a que, em 2001, uma plataforma operada pela Petrobras sofreu várias explosões, o que provocou o seu afundamento com cerca de 1.500 toneladas de petróleo bruto e a morte de 11 pessoas. Incidentes deste tipo nas instalações oceânicas onde se procede à perfuração não são raros. Como exemplos pode-se mencionar os derrames recorrentes na década de noventa do século passado, no Mar do Norte, em plataformas operadas pela Shell, com graves consequências para o ambiente marítimo. Mais recentemente ocorreu um derrame no Golfo do México, em 2010, em que a avaria de uma válvula de segurança numa plataforma da BP provocou uma explosão que causou a morte de 8 trabalhadores e um derrame de cerca de 780 milhões de litros de petróleo, causando danos irreparáveis na fauna marítima. Incidentes deste tipo podem também afetar ecossistemas de que os mangais fazem parte, provocando danos nas zonas de transição entre a costa e o mar, o que tem como consequência a destruição de ecossistemas e o aumento da erosão provocada pelas ondas associadas, ou não, a marés de tempestade. Ciente destes potenciais inconvenientes, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), tem negado por várias vezes licenças para a exploração petrolífera nas vizinhanças da foz do rio Amazonas. De acordo com o “PL da Devastação”, poderão ocorrer “Licenças Ambientais Especiais” para projetos considerados estratégicos, os quais, após submissão à entidade responsável pelo licenciamento e na ausência de resposta no prazo de um ano, passariam automaticamente a ser licenciados. Considerando que o Ibama é caracterizado por escassez de pessoal, haverá o risco de projetos submetidos serem aprovados, passado esse prazo. Atendendo a que o Presidente pode vetar total ou parcialmente o projeto-lei, no prazo de 15 dias após a sua submissão pelo Congresso2, cabe agora a Lula da Silva tomar essa atitude. Tem apenas alguns dias para o fazer, pois o prazo, em princípio, terminará em 8 de agosto. Durante todo este processo, o Presidente Lula da Silva, ao contrário da ministra do “Meio Ambiente e Mudança do Clima”, Marina Silva, tem mostrado uma certa passividade, o que provoca algum receio sobre a sua atitude no que se refere à promulgação do decreto. Segundo os meios mais progressistas do Brasil, Lula da Silva não se deveria ter mantido em silêncio após a aprovação pelo Congresso, mas manter-se firme vetando o projeto “PL da Devastação” e outros projetos potencialmente desastrosos e atentatórias das florestas e populações. No caso de haver veto, este necessita de ser explicado invocando razões jurídicas ou políticas, como, por exemplo, a sua inconstitucionalidade ou a não conveniência ou oportunidade. Entretanto está a decorrer uma campanha internacional da Avaaz “Brazil: Stop the Devastation Bill”, já com cerca de um milhão de apoiantes. Mas nem tudo está nas mãos de Lula, na medida em que, em caso de veto, o projeto-lei volta ao Congresso, que poderá impor a promulgação da respetiva lei, no caso do veto ser derrubado por maioria absoluta dos votos dos deputados e dos senadores. A última palavra é, portanto, do Congresso. Entretanto há uma grande expetativa de qual será a atitude de Lula da Silva. Trata-se de um desafio tremendo sobre o equilíbrio entre a proteção ambiental e o desenvolvimento económico. (Meteorologista) Referências: Jean Paul Prates – presidente da Petrobras de 26 de janeiro de 2023 a 14 de maio de 2024 Congresso Nacional – órgão máximo do poder legislativo, composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Avaaz – movimento à escala global que procura dar voz à sociedade civil nas áreas da democracia, direitos humanos e sustentabilidade da Terra.
O Papa Americano (II) Jorge Rodrigues Simão - 7 Ago 2025 (Continuação da edição de 24 de Julho) Ergo, o cristianismo também é pagão porque, na história, enquanto se dispõe a acolher o seu fim. A proposta de Newman de abrir as portas da Igreja aos leigos combina com uma visão teológica muito ampla. Talvez se possa ver um traço inconsciente disso no apelo caro a Leão XIII, referência não apenas nominal de Prevost, que convida a «sair da sagrada estátua» no espírito de sua encíclica Rerum Novarum (1891), hoje muito citada. E reflecte-se no impulso dos inovadores que gostariam de compensar a tremenda crise de vocações recrutando leigos de ambos os sexos para as divisões do papa. A reelaboração do mistério do Sol e da Lua encontra eco na era contemporânea (1958) no então arcebispo de Milão (Papa Paulo VI), último (até agora) governador da cátedra de Pedro, insusceptível de movimentismo pois «A Igreja é comparada até à Lua, cujas fases de diminuição e crescimento reflectem a história alternada da Igreja que decai e se recupera, e que nunca falha, porque fulget Ecclesia non suo sed Christi lumine, brilha não com a sua própria luz, mas com a de Cristo». A prova ontológica do êxtase romano-cristão, o arrepio da comunhão com Deus todo-poderoso na sua intimidade histórica com a aeternitas Augusti (a imortalidade de Augusto), selo do Império Romano, está na abside da Basílica de Santa Pudenciana. Talvez a casa de Pedro. Destaca-se o mosaico mais antigo de Roma, datado do início do século IV. No centro, Cristo na pele do Imperator Orbis Terrarum, Senhor do Céu e do mundo. Atrás dele, a cruz gemada constantiniana, sobre um fundo azul de pôr-do-sol riscado por pálidos cirros avermelhados. Ao seu lado, os apóstolos Pedro e Paulo, vestidos como senadores romanos, simbolizam a concórdia entre a ecclesia ex circumcisione judaica e a ecclesia ex gentibus pagã ou não judaica. Oriente fundido com Ocidente. Incardinados em Roma. Tanto que os líderes Pedro e Paulo serão por vezes assimilados a Rómulo e Remo. Nos primeiros três séculos da era cristã, a aristocracia senatorial continua a reivindicar a preservação dos ritos pagãos. Para os seguidores de Jesus, a Urbe continua a ser Babilónia. Entre o imperium (poder temporal ou político) e o sacerdotium (poder espiritual ou religioso) estabelece-se uma rivalidade de longa data, nunca resolvida. Somente após Constantino, no trono de 306 a 337, a sede imperial-papal inclina-se para o segundo corno do poder, o eclesiástico nascente, divino e secular, intercepta e acompanha o imperium sine fine (império eterno) em declínio, destinado a reproduzir-se por gemulação nos âmbitos germânico, bizantino, moscovita e franco-americano. Caput mundi (Capital do mundo) torna-se sede apostólica. Na narrativa do historiador jesuíta Karl Schatz afirma que «As duas correntes confundiram-se numa só e o carácter único da Roma antiga foi comunicado à Roma eclesiástica, papal, refundando a sua primazia. A nobreza romana trouxe como dote a sua maneira de pensar, o carisma da sua liderança, o seu talento para conciliar os opostos, o seu senso prático sóbrio como o do poder. Assim, tudo o que tinha tornado Roma capaz de dominar o mundo». O universalismo católico é de raiz romana. É bom lembrar o estigma, quando o esgotamento da linhagem local no trono de Pedro expõe os particularismos que enfraquecem o clero e o povo de Deus. Aqui, a poucos passos do túmulo de Francisco em Santa Maria Maggiore, descobrem-se as pegadas mundanas da relação dos cristãos com a Cidade terrena, na espera activa da Cidade de Deus, entre o já e o ainda não. Entre o Apocalipse de João, que vê no Estado a Besta que surge do abismo (13,1 e seguintes), e a Carta aos Romanos (sempre 13,1 e seguintes por alguma razão desconhecida), na qual o civis romanus Paulo ordena que «Todos devem submeter-se às autoridades constituídas. Na verdade, não há autoridade senão a de Deus pois, as que existem são estabelecidas por Deus. Portanto, quem se opõe à autoridade opõe-se à ordem estabelecida por Deus». Em sintonia com Jesus, que se dirigindo a Pilatos determina: «Tu não terias nenhum poder sobre mim, se não te tivesse sido dado do alto» (João, 19,11). Entre estes dois pólos, que em casos extremos podem levar ao ascetismo ou à mundanização da instituição eclesiástica, corre a história universal da Igreja, do Gólgota até hoje, ao mesmo tempo alegre e sombria. O que nos obriga a remontar a Cristo «Caesaris Caesari, Dei Deo Dai (a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus)» (Mateus, 22,21). Quatro palavras de Jesus inauguram séculos de disputas sobre a relação entre o cristianismo e o poder político, tratadas em milhões de páginas. Inscritas na dupla cidadania do cristão, na terra e na Cidade de Deus. Daí guerras hermenêuticas não apenas virtuais, cismas, condenações e reabilitações papais. Rios de tinta ou de bits no seu valor binário simbólico do dualismo Estado/Igreja, mas também de sangue derramado para traçar o caminho certo na questão central da geopolítica eclesiástica. Tensão permanente. Radicalizada com a ascensão de Leão XIV ao trono, rara, se não única, coincidência entre identidade nacional e missão papal, ambas relacionadas com o máximo poder no campo, seja mundano, seja religioso. O que deve o papa, não apenas americano, aos Estados Unidos, o que o “Número Um” gostaria do seu cidadão ecuménico? Jesus é crucificado porque os romanos o identificam como um zelote que se autoproclama rei dos judeus. Aderente, como outros apóstolos, entre os quais Simão, talvez Judas e o próprio Pedro, ao movimento armado dos zelotes, guerrilheiros (terroristas, corrigiria um Caifás dos dias de hoje) em luta para libertar a Palestina do jugo de Roma. Cristo simpatiza com a causa zelote, mas rejeita a violência, muito menos ambiciona tronos terrestres. Estabelece o historiador e teólogo luterano francês Oscar Cullmann, no seu clássico “Deus e César” afirmando «A posição de Jesus situa-se além tanto de uma aceitação acrítica do Estado romano quanto da resistência política a esse Estado». Uma vez que ele «procura a polis futura». Há algo de pilatesco nesta interpretação? Muito, diria o blasfemo. O dualismo entre poderoso e cristão é traduzido na tensão entre presente e futuro, replicaria o prático. Para resolver a disputa, convoca-se mais um jesuíta, Francesco Occhetta, autor do prefácio do ensaio de Cullmann que diz que «Certamente, para um cristão, o Estado está no céu, mas o terrestre também é bom, mesmo que seja um Estado pagão, desde que as suas tarefas permaneçam dentro dos limites atribuídos pela vontade divina».
Cinemateca | Ciclo Fantástico para ver nas próximas semanas Andreia Sofia Silva - 7 Ago 2025 A Cinemateca Paixão apresenta este mês um novo ciclo de cinema, intitulado “Devaneios & Labirintos – Festival de Cinema Fantástico”. De entre os títulos seleccionados, destaque para “Dangerous Animals” e o assustador “Massacre no Texas”, sem esquecer o toque musical trazido com o documentário sobre os Blur O cinema tem o dom de nos revelar outras formas de vida e histórias, mas quando essas histórias têm uma pitada de horror ou de fantástico, a atracção pelo filme que se vai ver pode diferenciar-se, para melhor ou pior. Para quem adora filmes de terror ou com histórias do género fantástico, este é um bom mês para ir à Cinemateca Paixão, que apresenta o ciclo “Devaneios & Labirintos – Festival do Cinema Fantástico”. Um total de 17 películas integra este cartaz, que se prolonga até Setembro. E um dos destaques vai para “Dangerous Animals”, exibido a 16 de Agosto e depois no dia 6 de Setembro. Eis uma história que remete para o azar de Zephyr, uma surfista astuta e de espírito livre, que é raptada por um assassino em série obcecado por tubarões e mantida prisioneira no seu barco. A mulher terá de encontrar uma forma de escapar antes que este assassino a dê de comer aos tubarões que nadam por baixo do sítio onde Zephyr se encontra. Só Moses percebe que ela desapareceu, sendo uma pessoa por quem tem um interesse amoroso. Destaque ainda para a exibição da cópia restaurada de “Massacre no Texas”, filme de 1974 que celebrou 50 anos de existência no ano passado, e que ainda se mantém actual e com uma onda de fãs. Realizado por Tobe Hooper, “Massacre no Texas” continua a ser uma referência para o subgénero de filmes de terror, intitulado “Slasher”. Foi filmado num curto espaço de tempo, com um orçamento limitado e actores completamente desconhecidos do grande público. “Não há nenhum canto do mundo onde se possa ir e dizer o título “Texas Chainsaw Massacre” e ninguém saber do que é que está a falar, quer tenha visto o filme ou não”, disse à France-Presse (AFP) Chase Andersen, da Exurbia Films, que detém os direitos da saga. A história centra-se num grupo despreocupado de jovens que se depara com uma casa isolada ocupada por um lunático mascarado que começa a cortá-los com coisas afiadas, Leatherface. Na Cinemateca Paixão o filme será exibido no sábado, 30 de Agosto. Rostos da felicidade “A Different Man” [Um Homem Diferente] não é apenas sobre um homem que tem uma estranha doença que lhe deforma o rosto, fazendo dele um monstro em forma de gente. É também uma história sobre o sentido e concepção de felicidade, e de como esta depende da vida e escolhas de cada um. O protagonista, Oswald, é interpretado por Adam Pearson, um actor que sempre lutou contra a neurofibromatose que lhe alterou as formas do rosto. Oswald tinha tudo para ser um homem infeliz e tímido, escondendo-se da humanidade, mas acontece o oposto: consegue ser popular e uma pessoa perfeitamente integrada na sociedade. O mesmo não acontece com um actor com quem se cruza. “A Different Man” será exibido nos dias 19 e 29 de Agosto. No dia 16 de Agosto, será exibido “O Sonho de Alexandria” [The Fall], que remete para a Los Angeles de 1920, quando em Hollywood domina ainda o cinema mudo. Nesses tempos aparece uma menina imigrante internada num hospital após uma queda, e que faz amizade com um homem acamado, paralisado também devido a um acidente durante uma filmagem. Ele encanta-a com uma história fantástica que a transporta para além da monotonia do hospital, rumo a paisagens exóticas da própria imaginação. Esta versão exibida neste festival é também uma versão restaurada em 4K com cenas adicionais face à versão de 2006, tendo sido filmado em 24 países. A história dos Blur “Blur: To The End” [Blur: Até ao Fim] é um documentário de 2024 marcado para exibição nos dias 17 de Agosto e 7 de Setembro, e onde se conta a história da amizade e companheirismo dos membros dos Blur, banda britânica de britpop e rock alternativo formada no final dos anos 80, e que marcou toda uma geração na década de 90. Este documentário foi filmado em 2023, quando a banda se reuniu para gravar novas canções e para se preparar para os primeiros espectáculos no Estádio de Wembley, em Londres, e que tiveram lotação esgotada. O filme conta com interpretações dos temas mais icónicos e acarinhados pelos fãs, incluindo também imagens da banda em estúdio e na estrada. Num registo bem diferente apresenta-se “A Rapariga com a Agulha”, exibido nos dias 22 de Agosto e 7 de Setembro, em que se conta a história de Karoline, uma operária fabril que luta para sobreviver na cidade de Copenhaga, nos anos a seguir à I Guerra Mundial. Quando se vê desempregada, abandonada e grávida, cruza-se com Dagmar, uma mulher carismática que gere uma agência de adopção clandestina, ajudando mães a encontrar lares de acolhimento para os filhos indesejados. Sem alternativa, Karoline aceita o papel de ama de leite. Entre as duas mulheres nasce uma forte ligação, mas o mundo de Karoline desmorona-se ao descobrir a chocante verdade por detrás do seu trabalho, descreve a sinopse do filme.
GP | Taça do Mundo de FR terá novo carro em 2026 Sérgio Fonseca - 6 Ago 2025 A Federação Internacional do Automóvel (FIA) revelou recentemente alguns detalhes sobre o futuro da Fórmula Regional (FR), a disciplina que actualmente dá corpo ao Grande Prémio de Macau e que, a partir de 2026, contará finalmente com um novo monolugar – mais rápido e mais seguro Inicialmente baptizada pela FIA como F3 Regional, a agora designada Fórmula Regional (FR) situa-se acima das competições nacionais de Fórmula 4 e abaixo do Campeonato de Fórmula 3 da FIA, que, por sua vez, apoia o Campeonato de Fórmula 2 da FIA e a Fórmula 1. No ano passado, a FIA decidiu que esta categoria era a que melhor se adequava ao Circuito da Guia, pondo assim fim a quatro décadas de história da Fórmula 3 no Grande Prémio de Macau. Na semana passada, o órgão regulador do automobilismo mundial e a associação desportiva nacional italiana ACI apresentaram em conjunto o futuro monolugar que irá competir no Campeonato de Fórmula Regional Europeia da FIA (FREC na designação inglesa) e que sucederá à actual FRECA. O facto de a sigla ter perdido a letra “A” deve-se à saída da marca Alpine como parceiro e fornecedor de motores ao campeonato. A FRECA estreou-se em 2019, sucedendo à Fórmula Renault Eurocup. Nas últimas temporadas, mais de 160 pilotos, representando 44 nacionalidades e 22 equipas, participaram no campeonato. Esta categoria ganhou importância na pirâmide de monolugares da FIA, tendo como antigos pilotos o ex-campeão Andrea Kimi Antonelli, Isack Hadjar, Gabriel Bortoleto e Franco Colapinto – todos eles pilotos que hoje militam na Fórmula 1. A competição terá o selo do apoio da FIA e deverá ser o maior fornecedor de equipas e pilotos para a Taça do Mundo de FR da FIA do Grande Prémio de Macau a partir do próximo ano. O envolvimento da FIA na competição tem o intuito de gerar mais receitas para a mesma, algo que poderá ter reflexos na escala dos preços. Os campeonatos de FR nas Américas e no Japão, assim como os troféus certificados pela FIA no Médio Oriente e Oceânia continuarão, e progressivamente introduzirão o novo carro produzido em Itália. O Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, acredita que este projeto “criará um ambiente mais forte e com mais apoio para os jovens pilotos. Com o total apoio das regiões da FIA e uma visão de progressão clara, estamos a dar um passo importante para garantir o futuro da pirâmide de monolugares júnior”. O ex-piloto de ralis e hoje dirigente máximo do desporto automóvel, que recentemente esteve no território para a Assembleia Geral da FIA, afirmou que “a acessibilidade, credibilidade internacional e eficiência de custos estão no centro desta iniciativa.” Novo carro promete mais O novo Tatuus T-326, o monolugar da segunda geração da FR, está equipado com um motor Toyota de 3 cilindros e 1,6 litros, que debita 270 cv de potência e 360 Nm de binário, especialmente adaptado e preparado pela ATM – Autotecnica Motori. O T-326 representa uma evolução natural do modelo T-318, o monolugar da Tatuus que definiu a maioria dos campeonatos de FR em todo o mundo e que se despede dos grandes palcos no próximo mês de novembro, durante o fim de semana do Grande Prémio de Macau. A segunda edição da Taça do Mundo de FR da FIA continuará a utilizar o monolugar Tatuus T-318, motorizado por um bloco Alfa Romeo de 1,75 litros turbo, também preparado pela ATM – Autotecnica Motori, mas que a marca italiana já deixou de fabricar. O futuro carro, que usará um novo pneu especial construído pela Pirelli, apresentará um perfil aerodinâmico totalmente redesenhado, moldado pelas novas regulamentações técnicas da FIA para a categoria e inspirado nas tendências mais recentes das categorias superiores de monolugares. O resultado é um aumento geral de performance, melhor eficiência aerodinâmica e redução do efeito de turbulência, o que facilitará as ultrapassagens. As principais melhorias incluem redução de peso, cremalheira de direção optimizada e suspensão revista, oferecendo uma maior leveza e facilidade de condução. A segurança continua a ser um pilar fundamental em todos os projetos da italiana Tatuus, e este carro não é exceção. O chassis aumentou ainda mais a sua resistência aos impactos. Elementos cruciais como as estruturas de absorção de impacto dianteira e traseira, os painéis anti-intrusão e o roll bar foram atualizados para cumprir os padrões de segurança mais recentes. Para além da segurança, o cockpit foi concebido para maximizar o conforto e a ergonomia do piloto, acolhendo tanto homens como mulheres numa gama mais ampla de alturas, garantindo as melhores condições para competir em pista.
Xangai | Entregas da ‘megafábrica’ da Tesla caem face a concorrência de marcas chinesas Hoje Macau - 6 Ago 2025 As entregas da megafábrica da Tesla em Xangai, leste da China, diminuíram em Julho, retomando a tendência negativa interrompida em Junho, na altura somando oito meses consecutivos de quedas devido à concorrência das marcas locais, informou a imprensa chinesa. De acordo com o jornal de Hong Kong South China Morning Post, que se baseia em dados da associação patronal CPCA, a fábrica – a maior da Tesla no domínio da montagem a nível mundial – entregou cerca de 68.000 veículos a clientes na China e no estrangeiro no mês passado, o que representa uma queda de 5,2 por cento em relação a Junho e de 8,4 por cento, em termos homólogos. “Os modelos ‘premium’ estão a perder apelo entre os consumidores chineses porque eles querem poupar dinheiro. Estão a optar por modelos eléctricos mais baratos e desenvolvidos na China”, explicou Tian Maowei, gestor de vendas da Yiyou Auto Service, de Xangai. No acumulado do ano, incluindo vendas na China e exportações, a megafábrica estabelecida na megalópole oriental chinesa já entregou mais de 432.000 automóveis, uma queda de 13,7 por cento, em termos homólogos. O número contrasta com o aumento de 35 por cento das vendas de eléctricos na China, para cerca de 7,6 milhões de unidades, nos primeiros sete meses de 2025, de acordo com dados da CPCA. Estas duas tendências opostas fizeram com que a quota de mercado da Tesla no mercado chinês de veículos elétricos caísse de 6,9 por cento há um ano para 3,8 por cento. Em 2020, quando abriu a fábrica em Xangai, a quota da marca liderada por Elon Musk era de 16 por cento. Face à concorrência de empresas locais como a Xpeng, a Leapmotor ou a Li Auto e a uma guerra de preços no sector que levou até à intervenção do governo, a Tesla está a tentar recuperar terreno com novas versões mais espaçosas ou com maior autonomia dos seus veículos de maior sucesso, como o Model 3 ou o Model Y.