Pearl Horizon | Lesados pedem respeito pela decisão do tribunal

Os lesados do Pearl Horizon, que viram o Tribunal de Última Instância condenar a Polytex a pagar-lhes indemnizações milionárias, pedem atenção do Governo para o cumprimento da decisão judicial. Numa carta colectiva, referem que a imagem do Estado de Direito de Macau está em causa

Em meados deste mês, o Tribunal de Última Instância (TUI) divulgou o acórdão que colocou um ponto final na batalha judicial entre o grupo de pessoas que tentou comprar apartamentos no complexo de luxo Pearl Horizon e a Polytex, a empresa responsável pela construção e venda de fracções do empreendimento. A Polytex acabou condenada a pagar indeminizações num valor total de 91,2 milhões de dólares de Hong Kong a 14 compradores, uma vez que o TUI decidiu que os contratos-promessa não foram cumpridos pela empresa, condenando-a a pagar o dobro do sinal prestado pelos compradores.

Volvidas duas semanas da decisão judicial, 14 pessoas assinaram uma carta publicada ontem no jornal Ou Mun a pedir o cumprimento do acórdão do TUI, argumentando que se a Polytex conseguir escapar às responsabilidades, a imagem do Estado de direito de Macau ficará manchada.

A missiva denota o cepticismo dos lesados, que acusam a empresa de não cumprir as decisões judiciais anteriores, apesar do direito a recurso até à última instância. Como tal, pedem atenção para a actuação da Polytex ao Chefe do Executivo, aos vários serviços do Governo, aos deputados da Assembleia Legislativa, assim como à sociedade em geral.

Os autores da acção acusam a Polytex de “atrasar durante muito tempo” o cumprimento das suas responsabilidades e de “flagrante desprezo” dos órgãos judiciais.

Tudo por tudo

O grupo recorda que a empresa protegeu ao longo da batalha judicial muitos activos do grupo contra acções de penhora ou apreensão de bens.

Além disso, é argumentado que a Polytex pode não ter bens ou dinheiro para pagar as indeminizações, e que se os lesados forem obrigados a executar coercivamente activos do grupo, estes podem já ter sido dissipados, devido ao longo tempo que os processos demoraram.

Como tal, pediram a intervenção do Governo, e dos serviços da Administração, para contactar os quadros responsáveis da Polytex exigindo o pagamento imediato das indemnizações segundo a decisão do TUI.

Os autores da carta pedem também que o Governo esteja atento a tentativas de Polytex de passar a propriedade de bens para outras empresas, até ao pagamento integral das indeminizações.

29 Jul 2026

Saúde Mental | Ella Lei pede ao Executivo uma “rede de protecção”

A deputada dos Operários questiona o Governo sobre os planos para criar um enquadramento profissional para os profissionais de saúde mental e alerta que o desenvolvimento social está a colocar novos desafios

A deputada Ella Lei apela ao Governo para melhorar os cuidados de saúde mental e criar uma “rede de protecção” a pensar nos mais jovens. O assunto vai ser abordado através de uma interpelação oral, que deverá ser apresentada nos próximos dias na Assembleia Legislativa.

Segundo a legisladora, actualmente existem “problemas estruturais no sistema de serviços de saúde mental” que exigem resposta. Por isso, no âmbito da criação da rede de protecção, Ella Lei pede que “os serviços de aconselhamento psicológico” assumam uma “função preventiva no apoio primário no combate às doenças mentais, na promoção do crescimento saudável dos jovens, na resposta a incidentes imprevistos e no auxílio aos cidadãos na gestão do stress”.

A deputada explica ainda que esta rede exige a coordenação entre organismos como os Serviços de Saúde (SS), o Instituto de Acção Social (IAS) e a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

Ella Lei questiona também como é que as “autoridades vão reorganizar os vários recursos de serviços de saúde mental” e “estudar a criação de um acesso unificado aos serviços”. A deputada dos Operários explica igualmente que o objectivo passa por garantir que “casos de diferentes níveis de complexidade sejam acompanhados por profissionais da categoria correspondente, de modo a alcançar um melhor efeito de prevenção conjunta”.

Investimento e acreditação

Ao mesmo tempo, Lei pretende que o Governo explique como vai responder ao “aumento contínuo da procura por serviços de saúde mental” e aos “problemas potenciais e novos desafios trazidos pelo desenvolvimento social”. A deputada pede, assim, a apresentação de um “planeamento concreto” que integre a “educação familiar e o apoio à saúde mental como elementos-chave da política de saúde mental”.

Ainda no que diz respeito a esta área da saúde, a deputada pede ao Executivo para avançar com um sistema de acreditação e definir as diferentes carreiras profissionais relacionadas com a área. “Até ao momento, Macau ainda não estabeleceu um sistema de credenciação profissional para o aconselhamento psicológico”, aponta. “Muitos talentos com qualificações profissionais em aconselhamento ou consultoria psicológica, após regressarem a Macau, não conseguem obter um enquadramento profissional adequado nem um plano de carreira claro, o que chega mesmo a provocar a fuga de quadros qualificados”, avisa.

29 Jul 2026

Creche Smart | Christiana Ieong promete cooperação com o Governo

A presidente da Zonta Club de Macau lamentou a forma como a associação foi tratada pelo Executivo, e afirmou que desde o início sempre trabalhou para o bem de Macau, obedecendo ao Governo

Em reacção à investigação do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) que acusou a Creche Smart de várias irregularidades, a associação que explora a instituição prometeu cooperação total com o Governo. As declarações foram prestadas por Christiana Ieong, presidente da associação Zonta Club de Macau, ao canal chinês da TDM.

“Se o Governo nos pede para sair [deste espaço], nós vamos sair. Não me vou importar se o interesse público está em causa ou se temos de agir de acordo com a lei. A certeza que tenho é que vamos cooperar com o Governo”, afirmou Christiana Ieong, numa altura em que o Instituto de Acção Social (IAS) espera a devolução das instalações na Taipa onde está localizada a creche.

A presidente da associação defendeu também que ao longo de todas as investigações, tanto do IAS como do CCAC, sempre forneceu os documentos com a informação que lhe foi pedida. Por isso, considerou desnecessária a postura do Executivo, no que diz respeito à actuação do IAS, que rescindiu o acordo de cooperação com a creche e pediu a devolução do espaço onde a instituição funciona. “Se o Governo queria que nós saíssemos, e tendo em conta que trabalhamos sempre a pensar no melhor para Macau, porque fez as coisas desta forma? Era desnecessário”, lamentou.

Reunião de análise

Sobre o futuro da creche, a associação Zonta Club de Macau tinha prometido encerrar o espaço, caso o CCAC detectasse irregularidades. No entanto, à emissora pública, Christiana Ieong explicou que vai haver uma reunião interna para discutir o futuro.

A creche tem actualmente mais de 70 crianças, mas deixou de aceitar novas inscrições. A licença da instituição de ensino é válida até 26 de Agosto, altura em que o espaço da creche também tem de ser devolvido ao IAS.

Por sua vez, o IAS reagiu à investigação do CCAC na segunda-feira à noite e afirmou não tolerar actos ilegais. “No processo de fiscalização, no caso de detecção de existência de quaisquer ilegalidades ou irregularidades, o IAS tomará certamente a iniciativa de notificar as autoridades competentes para a realização de investigações aprofundadas e a efectivação das responsabilidades penal e civil dos infractores”, foi apontado. “O IAS não tolera, de maneira nenhuma, quaisquer actos ilegais”, foi acrescentado.

O IAS anunciou também que “exigiu expressamente ao Zonta Club a devolução das instalações, bem como a prestação atempada de apoio aos encarregados de educação na transferência dos filhos e, ainda, o encaminhamento dos casos com necessidade para o IAS”.

O IAS disponibilizou ainda apoio aos encarregados de educação que necessitem de auxílio para se inscreverem numa nova creche.

Diferendo desde o ano passado

O diferendo entre o IAS e a creche foi tornado público em Março do ano passado, quando o IAS cortou o financiamento à instituição, alegando que as duas partes não tinham chegado a acordo quanto a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

No entanto, a investigação ao caso do CCAC, pedida pela creche, concluiu que os problemas começaram em Julho de 2020, quando o IAS inspeccionou in loco a instituição e verificou que “o número de trabalhadores da creche era, durante um longo período de tempo, inferior ao número padrão definido no acordo de cooperação”. Além disso, o CCAC apontou que “alguns dos trabalhadores subsidiados directamente pelo IAS, nomeadamente assistentes de educadores de infância, ajudantes domésticos, entre outros, nem sequer foram vistos a trabalhar”.

A investigação do CCAC levantou também dúvidas sobre a forma como foram gastos os apoios públicos e considerou que a associação não conseguiu esclarecer essas dúvidas.

29 Jul 2026

Plano Quinquenal | Defendido subsídio para transformação digital de PME

Na consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030), defendeu-se a criação de um subsídio para digitalizar empresas de pequena dimensão. Registaram-se mais de oito mil opiniões, com 92,1 por cento de “opiniões positivas”

A transformação da economia e a necessidade de adaptação das pequenas e médias empresas (PME) a uma nova realidade foi um dos temas alvo de comentários da população na consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030).

Segundo o documento, ontem divulgado pela Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional (DSEPDR), o tópico “Aumento da competitividade das pequenas e médias empresas (PME)” recebeu 135 opiniões, sendo que 32 pessoas opinaram sobre o “aumento do nível de digitalização e de aplicação tecnológica das PME”.

Neste âmbito, foi sugerida “a criação de um subsídio específico para a transformação digital”, bem como sugestões para a necessidade de “lançamento de um mecanismo de crédito inclusivo e de reestruturação da dívida”, ou a importância da “formação gratuita sobre marketing de inteligência artificial (IA)”.

Outro tópico abordado na consulta pública e relacionado com o tecido empresarial prendeu-se com as “políticas e medidas de apoio ao desenvolvimento das PME”, com 60 opiniões recolhidas. Aqui, foi sugerida a criação de um “mecanismo de cadeia de fornecimento”, no qual “as empresas maiores ajudarem as menores”.

Defendeu-se também o lançamento de “subsídios especiais para financiamento” e a importância da “digitalização e expansão internacional das marcas”. Foram ainda reveladas opiniões no sentido de revitalizar “espaços devolutos para os converter em locais destinados a empreendedorismo”.

Não faltou ainda uma crítica à forma como o comércio transfronteiriço está a ser feito, pois “segundo algumas opiniões, os canais de venda transfronteiriços para as PME são limitados”, existindo “falta de apoio às indústrias em termos de medidas complementares diferenciadas”.

Demografia preocupa

Ainda no que diz respeito à economia do território, registaram-se apenas quatro opiniões quanto “às tendências futuras do desenvolvimento de Macau”. Foi defendido que “se verifica uma cristalização da estrutura industrial, com um ritmo lento na promoção e desenvolvimento de indústrias emergentes”. Além disso, entende-se que “existem lacunas nos serviços complementares relacionados com vida da população e que a situação demográfica é preocupante”.

Por sua vez, registaram-se 39 opiniões sobre “principais indicadores de desenvolvimento socioeconómico”, tendo sido sugerido, por exemplo, a definição de metas “por fases no âmbito da investigação científica, aumentando progressivamente a sua proporção no Produto Interno Bruto até um mínimo de 1,5 por cento, com uma perspectiva de médio e longo prazo”, em “convergência para a média internacional de 2,6 por cento”.

Foi ainda apontada a necessidade de estabelecer “indicadores para avaliar os resultados da diversificação adequada da economia e indicadores quantitativos de desenvolvimento da indústria científica e tecnológica”.

Destacam-se as 72 opiniões registadas no tópico dedicado à economia comunitária, sugerindo-se a necessidade de “revitalização dos espaços devolutos nos bairros comunitários” ou a “emissão de vales de consumo para impulsionar o fluxo de visitantes”. As opiniões apresentadas apontam “as dificuldades de exploração das lojas nos bairros antigos”, ou a necessidade de “transformação das zonas antigas do Iao Ho e NAPE”.

IA com mais leis

O relatório da consulta pública em questão revela ainda que a IA gera preocupação, sendo pedidas mais medidas para que Macau possa melhor gerir esta realidade. Foram recebidas 27 opiniões sobre o assunto “aumento da capacidade de segurança nacional em áreas emergentes como as redes, os dados e a inteligência artificial”.

Neste contexto, “a maioria das opiniões refere que se deve acelerar a elaboração de legislação específica ou orientações relativas à aplicação” da IA. Enquanto isso, das 39 opiniões apresentadas sobre o “reforço da gestão de segurança da cidade”, há quem entenda que se deve “aperfeiçoar o sistema de alerta precoce de riscos para a segurança da cidade, recorrendo a tecnologias como megadados e inteligência artificial para permitir alertas inteligentes e uma resposta rápida a desastres e eventos súbitos”.

Pouca eficácia

Foram ainda deixadas críticas sobre o panorama do mercado financeiro no território. O tópico “desenvolvimento das indústrias de tecnologia de ponta adequada a Macau” recebeu 107 opiniões, sendo que algumas delas “destacaram que o ecossistema local para a indústria de inovação científica e tecnológica ainda é insuficiente”.

Foi também referido que “a eficácia da transformação de resultados científicos e tecnológicos permanece baixa”.

No assunto “aceleração do desenvolvimento da indústria financeira com características próprias” houve 117 opiniões. Sugeriu-se que as autoridades se devem focar “na gestão de fortunas e no mercado de títulos de dívida”, entre outros tópicos. Mas foi deixada uma ideia mais negativa: a de que “o mercado financeiro de Macau apresenta uma liquidez relativamente fraca e uma capacidade limitada” de ligações e movimentações financeiras “para os países de língua portuguesa”.

De olho em Hengqin

Uma das áreas que mais opiniões recebeu foi da Administração pública, sobretudo no que diz respeito ao “aprofundamento da reforma”, com um total de 292 opiniões.

O Governo dá conta de 36 opiniões que referiram ser necessário “persistir e aperfeiçoar ainda mais o sistema de predominância do poder Executivo”, além de necessidade de “definir claramente os limites de competência e responsabilidade dos serviços”.

Deve-se apostar também, neste contexto, na criação de “um regime de substituição de Secretários”, bem como “um regime de acompanhamento e fiscalização”.

No que concerne à digitalização de serviços públicos, o Governo recebeu 82 opiniões, que vão no sentido da necessidade de “introdução da aplicação de inteligência artificial e criação de infra-estruturas digitais eficientes e seguras”.

No que concerne à “promoção da integração profunda da vida da população”, houve 291 opiniões, sendo que 62 apontam para o alargamento “do âmbito dos pedidos de autorização de residência em Hengqin”, bem como a promoção “do uso do cantonês, caracteres tradicionais chineses e do português”.

No que concerne à habitação, foi sugerida “a possibilidade de [criação de um] modelo transitório de mudança habitacional para a aquisição de habitação de prédios antigos sem elevadores em Macau em troca, a título compensatório, de uma outra de maior dimensão em Hengqin”.

Houve 73 opiniões a defender a extensão “do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo a Hengqin”, bem como a necessidade de realizar mais acções de formação profissional entre fronteiras.

Reformar os tribunais

Outro capítulo do relatório diz respeito à “promoção da modernização do sistema jurídico”, com 29 opiniões recolhidas. Registou-se “um número significativo [de opiniões] referente à criação de um grupo de trabalho especializado” para a “reforma da legislação fundamental, com o objectivo de promover os trabalhos de alteração dos cinco grandes códigos”. Neste caso, o Código Comercial, Código Penal, Código do Processo Penal, Código Civil e Código do Processo Civil.

Houve ainda 39 opiniões sobre o tópico “aperfeiçoamento do sistema e mecanismos judiciais e aumento da eficiência judicial”. Aqui, “um número significativo [de opiniões] manifesta apoio à criação de um mecanismo sistemático e regular de divulgação das decisões judiciais dos tribunais de primeira instância”.

Além disso, recomenda-se a aposta na mediação e arbitragem, nomeadamente através da melhoria “dos mecanismos diversificados de resolução de litígios, com a redução das restrições à mediação, a formação de quadros especializados na mediação e a promoção da integração orgânica entre os procedimentos de mediação, arbitragem e processo judicial”.

A consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM decorreu entre os dias 20 de Maio e 28 de Junho, e realizaram-se 14 sessões. Foram recebidas, segundo a DSEPDR, “1.716 pareceres, num total de 8.230 opiniões, o que representa, respectivamente, 2,2 vezes e 2,6 vezes [acima] dos valores registados durante a consulta pública sobre o 2.o Plano Quinquenal”.

Diz a DSEPDR que “em termos gerais, a população apoia o conteúdo do documento”, tendo-se registado 92,1 por cento de opiniões positivas e apenas “6,9 por cento de opiniões neutras, e 1 por cento de opiniões negativas”.

O tópico “Garantia efectiva e melhoria do bem-estar da população” foi o que recebeu mais opiniões, num total de 1.777, correspondendo a 21,6 por cento do total. Seguiu-se a “Promoção sólida do desenvolvimento da diversificação adequada da economia”, com um total de 1.320 opiniões ou sugestões, correspondendo a 16 por cento. Por sua vez, o tema “Promoção de alta qualidade do estabelecimento da Zona de Cooperação em Hengqin” surge em terceiro lugar, com um total de 1.096 opiniões, correspondendo a 13,3 por cento.

29 Jul 2026

Air Macau | Passageiros queixam-se de ficarem retidos 10 horas

Os passageiros do voo da Air Macau desviado para Nanning indicaram ter ficado retidos no avião e no aeroporto quase 10 horas, só com água e noodles instantâneos, por não terem consigo o salvo-conduto e apenas o passaporte da RAEM. Depois da odisseia, os residentes voltaram no domingo a Macau

 

Na tarde de domingo, a Direcção dos Serviços de Turismo revelou que estava a acompanhar com “grande preocupação” a situação do voo da Air Macau que, devido ao tufão Noul, aterrou em Nanning, na província de Guangxi, no sábado por volta das 19h30. O voo que tinha partido de Osaka, no Japão, com destino ao Aeroporto Internacional de Macau levava a bordo 166 passageiros, 93 destes residentes da RAEM.

Apesar de não haver confirmação por parte do Governo, ou da Air Macau, um passageiro indicou ontem ao HM que tinha regressado a Macau, confirmando publicações divulgadas na madrugada de ontem.

Nas redes sociais, começaram a ser partilhados relatos do que se passava a bordo da aeronave da companhia aérea local, com residentes a revelarem ter ficado retidos no avião e no aeroporto quase 10 horas.

Um residente publicou no Xiaohongshu um pedido de ajuda, afirmando que os passageiros estavam retidos no avião, sem água ou mantimentos e que a sua criança estava a chorar. Mais tarde, o internauta revelou que lhe teria sido negada entrada em Nanning por não ter consigo o Salvo-Conduto de Ida e Volta para o Interior da China. Recorde-se que estes passageiros vinham do Japão, onde entraram com passaporte.

Noutras publicações no Facebook, foi indicado que durante as quase 10 horas de espera, os passageiros apenas receberam água e noodles instantâneos. Importa referir que a DST indicou no domingo que “as autoridades de controlo fronteiriço do continente prestaram a assistência adequada aos passageiros” durante o período em que ficaram retidos.

Entrada difícil

É descrito num grupo de Facebook dedicado transportes em Macau que vários passageiros procuraram ajuda à Gabinete de Gestão de Crise da DST, assim como à Autoridade da Aviação Civil da RAEM, ao Corpo de Polícia de Segurança Público e à Air Macau. No domingo, a DST indicou ter recebido nove pedidos de assistência e queixas de residentes.

A situação gerou debates nas redes sociais sobre a impossibilidade de residentes de Macau entrarem no Interior da China mediante a apresentação do Passaporte da RAEM, apesar de serem cidadãos chineses. Outros internautas focaram mais as suas críticas na forma como a Air Macau tratou o problema.

Outra crítica apontada às autoridades alfandegárias de Guangxi, prende-se com o facto de esta não ter sido a primeira vez que um voo que tinha Macau como destino acabou por aterrar de emergência no aeroporto em questão. Como tal, os internautas questionam a razão para a confusão e lentidão das autoridades do Interior. O HM enviou questões à DST sobre o incidente, mas até ao fecho da edição não recebeu respostas.

28 Jul 2026

Jogo | Citi destaca número elevado de grandes apostadores

Os analistas do banco de investimento reconhecem que Julho teve uma quebra de apostadores face ao ano anterior, mas consideram os números positivos, dada a passagem do Tufão Noul pelo território

Apesar do esperado impacto do Tufão Noul no fim-de-semana, o banco de investimento Citi afirma ter ficado surpreendido com o número de grandes apostadores que estavam nos casinos na sexta-feira. No mais recente relatório sobre o jogo de Macau, citado pelo portal GGRAsia, o banco de investimento destaca a importância dos eventos não jogo para atrair jogadores VIP.

Segundo o documento, os analistas George Choi e Timothy Chau registaram 24 grandes apostadores em Macau durante as visitas ao casino, um número igual a Junho, mas inferior aos 35 grandes apostadores observados em Julho do ano passado. A instituição considera grandes apostadores os jogadores que apostam pelo menos 100 mil dólares de Hong Kong por mão.

O banco de investimento considera este número “surpreendente” devido ao esperado impacto do Tufão Noul e à possibilidade de os jogadores evitarem Macau por temerem ficar retidos.

Na perspectiva do Citi, o inesperado número elevado de jogadores VIP prende-se com a realização de eventos não-jogo, como a final da Liga das Nações de Voleibol, que decorreu no Dome e contou com o apoio da concessionária Galaxy como patrocinadora.

“Sabendo da popularidade da modalidade na China, a Galaxy organizou estrategicamente inúmeros eventos em torno do torneio (por exemplo, uma sessão de autógrafos com a selecção da China e outras selecções nacionais)”, pode ler-se no documento. “Não ficaríamos surpreendidos se alguns dos melhores bilhetes tivessem sido reservados para os principais apostadores da concessionária. Isto sugere, mais uma vez, que ofertas não relacionadas com o jogo, quando bem escolhidas, são uma ferramenta poderosa para atrair chineses com elevado poder de compra a visitar Macau e a gastar dinheiro”, foi acrescentado.

George Choi e Timothy Chau escreveram ainda que o maior apostador observado nas mesas estava a jogar 600 mil dólares de Hong Kong por mão.

Nem tudo são rosas

Apesar dos analistas afirmarem terem ficado surpreendidos com o mercado dos grandes apostadores, o relatório reconhece uma redução do número de jogadores em todos os segmentos.

No segmento de massas, medido pelo jogo de bacará, o Citi aponta que em Julho a aposta mínima em Macau caiu 10 por cento em termos homólogos, para 1.898 dólares de Hong Kong, quando em Julho de 2025 tinha sido de 2.110 dólares de Hong Kong.

Em relação ao segmento mais elevado de massas, o denominado premium de massas, os analistas contabilizaram 13 milhões de dólares de Hong Kong em apostas, uma redução de 19 por cento face ao período homólogo.

Segundo os analistas, estas reduções prendem-se com o tufão e o facto de as pessoas temerem ficar retidas, o que terá levado a adiarem as deslocações à RAEM. Ainda assim, o total do mercado premium de massas representou um aumento de 33 por cento face a Junho, quando o Citi tinha contabilizado 9,8 milhões de dólares de Hong Kong em apostas.

28 Jul 2026

Tribunais | Nomeados juízes portugueses para Primeira Instância

As nomeações de Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Quintas para o Tribunal Judicial de Base foram confirmadas ontem, com a publicação de um despacho em Boletim Oficial

Os juízes portugueses Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Quintas foram nomeados para os Tribunais de Primeira Instância, de acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial.

Os dois magistrados “são nomeados, por contratação, pelo período de dois anos”, sob proposta da Comissão Independente responsável pela indigitação de juízes, lê-se ainda na ordem executiva, assinada pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, em 23 de Julho, e que produz efeito a partir de 1 de Setembro.

Portugal e Macau mantêm um acordo de cooperação judiciária que assegura a continuidade de magistrados portugueses – juízes e procuradores – no território.

O único juiz vindo de Portugal a trabalhar no território actualmente é Jerónimo Alberto Gonçalves Santos, juiz do Tribunal de Segunda Instância, depois de o juiz Rui Ribeiro ter antecipado para o final de Outubro de 2025 o fim da comissão especial, que terminaria em Maio de 2026.

Em Outubro de 2025, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) disse que Portugal está disponível, caso Macau demonstre interesse, para enviar novos juízes.

O líder do STJ, João Cura Mariano, que por inerência preside também ao Conselho Superior de Magistratura (CSM), disse aos jornalistas durante uma visita a Macau que pretendia saber se o território tem interesse em contar com magistrados portugueses.

“Vamos tentar ver o que é que realmente eles ainda conseguem transmitir de útil e se são necessários, porque se forem necessários, virão novos juízes”, garantiu.

Portugal em dificuldades

No entanto, o presidente do STJ sublinhou que a justiça portuguesa está com “alguma dificuldade em contribuir com juízes”, devido à falta de recursos humanos qualificados e com experiência. “Ainda agora retirámos um juiz que já cá estava há muitos anos e nós necessitávamos dele”, recordou na altura João Cura Mariano.

Em 2024, o CSM rejeitou a permanência do juiz português do TJB Carlos Carvalho – que estava em Macau há 16 anos e tinha sido convidado pela Comissão Independente para a Indigitação dos Juízes do território – por mais dois.

O conselho não autorizou a renovação da licença especial de Carlos Carvalho e promoveu-o a juiz desembargador, com colocação no Tribunal da Relação. Ainda assim, João Cura Mariano garantiu estar disposto a ajudar, “apesar das dificuldades que actualmente existem em Portugal no recrutamento de juízes”.

O presidente do STJ sublinhou o exemplo de Timor-Leste, onde existem “muitos juízes portugueses a colaborar no sistema judiciário timorense”, porque “são muito necessários”.

28 Jul 2026

Maternidade | Licença de 90 dias entra hoje em vigor

A partir de hoje a licença de maternidade no sector privado passa a ser de 90 dias, de acordo com um comunicado conjunto da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (DSAFP).

“A Lei n.º 9/2026 aumenta o número de dias da licença de maternidade estipulada na Lei das relações de trabalho, de 70 para 90 dias, prevendo que todas as trabalhadoras, por motivo de parto ocorrido a partir de amanhã [hoje], têm direito a 90 dias de licença de maternidade, nos termos da lei”, foi comunicado. “Conforme o disposto na nova lei, dos 90 dias de licença de maternidade, 60 são gozados obrigatória e imediatamente após o parto, podendo os restantes 30 dias ser gozados, por decisão da trabalhadora, total ou parcialmente, antes ou logo após o parto, de modo a permitir às trabalhadoras ter uma maior flexibilidade e praticabilidade no gozo da sua licença de maternidade”, foi acrescentado.

A alteração à lei tinha sido aprovada na semana passada pela Assembleia Legislativa, depois de ter sido proposta pelo Executivo.

O mesmo diploma permite igualmente aumentar o número de dias obrigatórios férias. Actualmente, os dias de férias obrigatórios são seis. A partir do próximo ano, os trabalhadores adquirem um dia extra de férias obrigatórias por cada dois anos trabalhados na mesma empresa, até um limite de 12 dias.

28 Jul 2026

CCAC | IAS ilibado e Creche Smart acusada de várias irregularidades

O futuro da creche fica em jogo, depois de o CCAC ter concluído que alguns trabalhadores contratados prestaram funções noutros locais e empresas. Também o destino de apoios recebidos pela Smart levantou dúvidas ao CCAC

O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) considera que o Instituto de Acção Social (IAS) agiu dentro da legalidade ao terminar o contrato de cooperação com a associação Zonta Club de Macau para a exploração da Creche Smart. O resultado da investigação do órgão liderado por Ao Ieong Seong foi revelado ontem, e o caso foi arquivado.

De acordo com o CCAC, “a Zonta Club infringiu […] a legislação, as instruções de apoio financeiro e as normas constantes do acordo de cooperação no que respeita à contratação de trabalhadores, à gestão financeira e à aplicação do apoio financeiro da creche”.

O órgão de investigação indicou também que desde 2020 o IAS “proporcionou à Zonta Club, por várias vezes, a possibilidade de prestação de esclarecimentos e informações complementares, bem como oportunidades para rectificação e melhoria da situação”. No entanto, foi considerado que “as respostas e as informações submetidas pela Zonta Club” não permitiram “dissipar as suspeitas de irregularidades”, “nem foram adoptadas medidas adequadas para acompanhar o problema”. O CCAC afirma igualmente que a associação não se mostrou disponível para devolver o dinheiro recebido de forma indevida.

O CCAC considera também que o IAS agiu correctamente ao terminar o protocolo de cooperação e recuperar as instalações: “Após análise detalhada do CCAC, não se verificou qualquer ilegalidade administrativa por parte do IAS no procedimento da cessação da relação de cooperação com a Zonta Club, e a abertura dos respectivos procedimentos e a implementação das respectivas medidas por parte do IAS constituem uma iniciativa legítima no cumprimento das suas atribuições”, foi concluído.

Trabalhadores ausentes

O CCAC explica que os problemas com a creche começaram em Julho de 2020, quando o IAS inspeccionou a Creche Smart e verificou que “o número de trabalhadores da creche era, durante um longo período de tempo, inferior ao número padrão definido no acordo de cooperação”. Além disso, foi concluído que “alguns dos trabalhadores subsidiados directamente pelo IAS, nomeadamente assistentes de educadores de infância, ajudantes domésticos, entre outros, nem sequer foram vistos a trabalhar”. “O CCAC verificou ainda que alguns dos referidos trabalhadores não prestaram serviço na creche, sendo naquele período trabalhadores a tempo inteiro de outras empresas, e alguns estiveram mesmo ausentes de Macau durante um longo período de tempo”, foi acrescentado.

Ao mesmo tempo, é apontado que a associação Zonta Club de Macau nunca conseguiu explicar o facto de as inspecções terem verificado uma situação diversa da que tinha servido de base aos pedidos de apoio financeiro.

O CCAC revela ainda que “na verificação das informações financeiras da creche, o IAS verificou a existência de várias despesas anormais que […] não podiam ser contabilizadas nas despesas de funcionamento da creche”.

Sobre as auditorias apresentadas pela associação com as contas da creche, o CCAC desvalorizou os documentos e explicou que apenas reflectem a situação financeira da instituição, mas que não permitem apurar se o dinheiro foi gasto dentro das despesas permitidas pelo acordo de cooperação.

Futuro da creche em risco

Com a revelação do relatório do CCAC, o futuro da creche Smart fica em jogo e o encerramento é o cenário mais provável. Após desistir dos processos judiciais que estavam em curso, a associação tinha até 26 de Agosto para devolver o espaço ao IAS e arranjar uma solução para as crianças inscritas.

No final de Junho, a presidente e directora da creche, Christiana Ieong, acreditava que a investigação ia dar razão à associação e que a Creche Smart estava a ser alvo de uma campanha de perseguição promovida pelo presidente do IAS, Hon Wai. Todavia, Christiana Ieong também admitiu encerrar a creche, caso a investigação do CCAC apurasse a existência de irregularidades. Este foi o cenário que se concretizou ontem.

As conclusões do CCAC podem levar ao fim de um diferendo que persiste desde Março do ano passado, quando o IAS cortou o financiamento, alegando que as duas partes não tinham chegado a acordo quanto a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

28 Jul 2026

UNESCO | Classificados sítios da indústria de porcelana de Jingdezhen

A UNESCO inscreveu os Sítios da Indústria de Porcelana Artesanal de Jingdezhen na lista do património mundial. O reconhecimento ocorreu na 48ª sessão do Comité do Património Mundial que se realizou em Busan, Coreia do Sul. Os locais distinguidos pela UNESCO são testemunhos da história do fabrico da porcelana chinesa entre os séculos X e XIX

“Há mais de 2.000 anos que as fornalhas ardem em Jingdezhen, na China, transformando argila humilde em requintadas obras de arte.” É desta forma que a agência estatal chinesa Xinhua destaca o facto de os Sítios da Indústria de Porcelana Artesanal de Jingdezhen, no nordeste da província de Jiangxi, terem sido classificados como património mundial da UNESCO.

A inscrição na lista do património mundial inclui este conjunto de sítios que, segundo a UNESCO, “retrata a evolução da produção de porcelana artesanal entre os séculos X e XIX, que teve profundas influências industriais, artísticas e comerciais na China e a nível global”.

A cerimónia de inscrição de novo património imaterial e natural decorreu no último sábado na Coreia do Sul, na 48ª Comissão do Património Mundial. Os critérios utilizados pela UNESCO para a inscrição destes Sítios é o facto de estes representarem “uma importante interacção de valores humanos ao longo de um período de tempo” ou ainda “no âmbito de uma área cultural do mundo”; além de estarem relacionados com a “evolução da arquitectura ou tecnologia, artes monumentais, planeamento urbano ou da concepção paisagística”.

Outro critério para a classificação prende-se com o facto de serem “um testemunho único ou, pelo menos, excepcional de uma tradição cultural ou de uma civilização, quer esta ainda exista, quer já tenha desaparecido”; além de serem um “um exemplo notável de um tipo de edifício, conjunto arquitectónico ou tecnológico ou paisagem que ilustra uma ou mais fases significativas da história da humanidade”.

Por fim, a classificação dos Sítios de Jingdezhen ocorreu por estarem “directamente associados, de forma tangível, a eventos ou tradições vivas, a ideias ou a crenças, bem como a obras artísticas e literárias de notável importância universal”.

No complexo industrial ancestral persistem “cinco partes que reflectem os processos de produção da porcelana, incluindo a extracção e o transporte de matérias-primas, as inovações no design dos fornos e a organização espacial e social da produção em imensa escala”.

Segundo descreve a UNESCO, “a área da cidade contava com o Forno Imperial, a par de fornos civis, guildas e associações de comerciantes”. Entre os séculos X e XIX, Jingdezhen “foi um centro de inovação tecnológica na produção de porcelana, incluindo a ‘fórmula binária’ de mistura de caulim e pedra de porcelana”.

Descreve-se ainda que, nesta cidade, “era produzida porcelana da mais elevada qualidade”, sendo que a “porcelana azul e branca, bem como os seus desenhos, tornaram-se uma mercadoria mundialmente apreciada e um símbolo da cultura e da arte chinesas”.

Ligação a Portugal

Ainda segundo a Xinhua, Jingdezhen “não é uma cidade qualquer”, estando “situada num recanto da província de Jiangxi, no leste da China, a mundialmente famosa ‘capital da porcelana'” e que “tem sido, desde há muito, o coração da cultura cerâmica chinesa”.

A cidade possui uma “história rica em tradições”, personificando “a continuidade duradoura da própria civilização chinesa”, ou seja, “uma tradição viva preservada, remodelada e renovada ao longo das gerações”.

O artigo refere o caso particular de Sun, que ainda possui a oficina que herdou do seu bisavô e que se mantém no activo há 120 anos. Este espaço situa-se em Taoyangli, “um bairro histórico ribeirinho onde tradições seculares se misturam com correntes de criatividade contemporânea, tudo à vista de um curso de água que se liga ao rio Yangtze”, pode ler-se.

Esta oficina “conta a história através dos objectos”, com “peças de porcelana pintadas à mão com formas tradicionais, porcelana de uso diário produzida em série com decorações em decalque e até criações em estilo de banda desenhada feitas pelos seus alunos”.

Os locais agora sob protecção patrimonial são compostos um museu de cerâmica e fornos que datam das dinastias Ming e Qing, entre os anos de 1368 e 1911.

Em Outubro de 2023 o Presidente chinês, Xi Jinping visitou o local e, no contexto dessa visita, Weng Yanjun, director do Instituto do Forno Imperial de Jingdezhen, referiu que a porcelana ali produzida é “um microcosmo da cultura chinesa”.

Segundo a Xinhua, o responsável, arqueólogo, descreveu também que a cerâmica tem sido “tanto um símbolo cultural da China como uma ponte que liga a China ao mundo”, tendo sido exportada para a Ásia Central e Ocidental, bem como Europa, desde a dinastia Song (anos de 960 a 1279).

Portugal também fez parte da rota de exportação desta cerâmica. Weng Yuanjun lembrou que a “porcelana azul e branca, ou cerâmica Qinghua, em particular, ostenta as marcas indeléveis do intercâmbio intercultural”. Depois, no período da dinastia Yuan, já nos anos de 1271 até 1368, “o pigmento de cobalto proveniente da Ásia Ocidental chegou a Jingdezhen através da antiga Rota da Seda e foi utilizado na produção de porcelana azul e branca”.

“O resultado foi o azul profundo característico que define as peças da dinastia Yuan. Estas peças, outrora um bem muito cobiçado, representavam o auge da arte cerâmica”, frisou o arqueólogo, especialista em cerâmica.

Ásia em destaque

As novas inscrições na lista do património mundial da UNESCO incluem locais na Ásia, como as antigas capitais do arquipélago japonês, Asuka e Fujiwara, que marcaram o estabelecimento de um sistema estatal centralizado. Os conjuntos arqueológicos incluem palácios e edifícios governamentais, bem como templos budistas e túmulos que datam do século I.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, já saudou a decisão “gratificante” e felicitou, através de uma mensagem na rede social X, todas as pessoas, especialmente os residentes locais, que durante anos se dedicaram “com empenho” à proteção dos dois locais.

“Renovo a minha determinação em proteger de forma segura este valioso património cultural, que passou de um tesouro do Japão a um tesouro do mundo, e em transmiti-lo de forma segura às gerações futuras”, acrescentou a chefe do Governo japonês.

A UNESCO também declarou Património Mundial a arquitectura modernista da capital uzbeque, Tashkent, que surgiu na sequência do devastador terramoto de 1966, altura em que a cidade foi reconstruída com base no conceito de modernismo sísmico, para resistir a novos abalos sísmicos.

O conjunto arquitectónico compreende cerca de uma dezena de edifícios de estilo híbrido soviético, que fundem o design brutalista e funcionalista com a tradição ornamental uzbeque. Inclui museus, hotéis, instituições culturais e edifícios residenciais. Para a UNESCO, este conjunto articula os principais espaços públicos da cidade e demonstra a integração dos princípios do planeamento modernista com as condições climáticas, sísmicas e culturais locais.

Entre as inclusões na lista encontram-se ainda o templo budista Wat Phra Mahathat Woramahawihan, em funcionamento ininterrupto há mais de 1.500 anos na província tailandesa de Nakhon Si Thammarat, ou os complexos funerários de Xiongu, na Mongólia.

Durante um evento transmitido em directo, a UNESCO inscreveu também o conjunto sagrado da província cazaque de Mangystau, composto por mesquitas “subterrâneas únicas”.

A UNESCO deu também “luz verde” à declaração de Património Mundial para o antigo templo budista de Sarnath, na Índia, um local sagrado onde se acredita que Buda proferiu o seu primeiro sermão e conheceu os seus primeiros discípulos.

Em Perigo

O sítio arqueológico de Sebastia, na Cisjordânia, e cinco castelos na região de Monte Amel, no Líbano, foram inscritos na lista do Património Mundial da UNESCO, apesar das objecções de Israel, que instou a organização a rejeitar as candidaturas.

Os membros do comité da UNESCO decidiram também inscrever Sebastia e os cinco castelos da região do Monte Amel na lista do Património Mundial em Perigo, após terem analisado as candidaturas em regime de urgência, invocando os conflitos em curso no Médio Oriente. Sebastia, a noroeste de Nablus, na Cisjordânia ocupada por Israel, é identificada pelos estudiosos como a antiga Samaria, capital do Reino bíblico de Israel. Os vestígios arqueológicos da região abrangem a Idade do Ferro, os períodos romano, bizantino e islâmico.

“A integridade do sítio está actualmente ameaçada pelo projecto de expropriação que visa dividir o bem e criar o Parque Nacional ‘Samaria'”, explicou a UNESCO. Os cinco castelos da região do Monte Amel são reconhecidos pelo seu património arquitectónico multifacetado que cruza várias influências. Os locais designados incluem o Castelo de Beaufort, construído pelos cruzados e também conhecido como Al-Shaqif, que as forças israelitas tomaram em Maio.

Os “elementos constitutivos” destas fortalezas, que datam do século XII, “sofreram danos” e enfrentam “ameaças suficientemente graves para justificar o recurso a um procedimento de urgência”, explicou a UNESCO.

28 Jul 2026

Tufão | Voo para Macau obrigado a aterrar em Nanning

O tufão Noul levou ao cancelamento de mais de 60 voos no aeroporto de Macau, à interrupção das ligações marítimas e da circulação na Ponte do Delta. Um voo de Osaka, com chegada prevista à RAEM na tarde de sábado, foi desviado para Guangxi, onde fez uma aterragem de emergência

Apesar de não ter provocado danos de maior, o tufão Noul causou a paralisia dos transportes na região. A situação mais complexa envolveu um voo da Air Macau, oriundo de Osaka com destino à RAEM, que foi obrigado a aterrar de emergência no Aeroporto Militar de Nanning, na província de Guangxi, a oeste de Guangdong, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Turismo (DST).

O voo deveria aterrar em Macau na tarde de sábado, mas devido às condições meteorológicas foi desviado para Guangxi, onde fez uma aterragem de emergência. A bordo vinham 166 passageiros, 93 destes residentes da RAEM.

Segundo indicou ontem a DST, a companhia aérea providenciou o alojamento dos passageiros e afirmou que será organizado “um voo de Nanning, em Guangxi, para Macau ainda hoje, assim que for possível, dependendo das condições meteorológicas”. A linha aberta para o turismo recebeu nove pedidos de assistência de passageiros deste voo.

O voo desviado foi a situação mais preocupante, revelada quase um dia depois, porém, a passagem do Noul originou uma confusão generalizada nas fronteiras.

Ontem, ao início da tarde, alguns passageiros aguardavam nos postos fronteiriços o reatamento dos transportes entre regiões, tanto nos terminais marítimos para Hong Kong e Shenzhen, como na Ponte do Delta. Também as ligações ferroviárias no Interior foram interrompidas.

Com o sinal 3 de tempestade tropical emitido às 18h de sábado, já os cancelamentos de voos eram a tónica dominante no Aeroporto de Macau e de Hong Kong. Em Macau, foram cancelados 62 voos, principalmente no sábado e domingo, nos dois sentidos entre a RAEM e destinos como Taipé, Kaohsiung, Xiamen, Nanjing, Chengdu, Xangai, Hangzhou, Banguecoque e Manila. Além disso, mais de 30 voos foram afectados com atrasos.

Macau radical

Outra situação que obrigou à intervenção de uma equipa de salvamento, ocorreu perto da praia de Hac Sá, quando um jovem de 14 anos foi resgatado ao largo do trilho de Long Chao Kok, depois de a prancha de windsurf se ter virado, atirando-o ao mar. A ocorrência foi detectada através do sistema de monitorização dos Serviços de Alfândega, que activaram o mecanismo de resposta de emergência com lanchas rápidas. O jovem não necessitou de apoio médico e as autoridades levaram-no de volta ao centro náutico de Hac Sá.

A circulação da Ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau foi interrompida à meia-noite de domingo e só foi retomada às 13h de ontem, altura em que foram também reatados os serviços dos autocarros dourados.

Em relação às ligações marítimas, o último barco da TurboJet saiu de Macau para Hong Kong às 21h de sábado, e no sentido inverso a última partida antes da suspensão dos serviços foi às 21h30. As embarcações da Cotai Water Jet, entre a Taipa e Sheung Wan partiram às 21h de sábado para Hong Kong e no sentido inverso às 20h30. Os serviços foram retomados ontem às 13h30. Os transportes foram retomados ao início da tarde de ontem.

Em terra, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude suspenderam ontem todas as actividades educativas dos ensinos infantil, primário e especial, enquanto os eventos planeados para ontem para alunos do secundário se mantiveram sem alterações.

27 Jul 2026

Miniso abre loja em Macau com colaborações com Disney e Harry Potter

A marca chinesa Miniso abriu em Macau a primeira loja Miniso Land, um conceito premium que aposta em experiências imersivas e áreas temáticas dedicadas a marcas como Harry Potter, Disney e Pokémon. Localizada no centro comercial do hotel-casino Venetian, a loja ocupa uma área de 400 metros quadrados e é a maior da marca no território, informou na quinta-feira o portal de notícias Inside Retail Asia.

Este espaço disponibiliza mais de 1.200 produtos, incluindo artigos de colecção, ‘blind boxes’ – caixas lacradas que contêm bonecos e bens coleccionáveis aleatórios -, peluches, artigos de papelaria e produtos de ‘lifestyle’.

Apresenta, ainda de acordo com a revista especializada, mais de 30 colecções de personagens e marcas, com áreas temáticas dedicadas a universos como Disney, Harry Potter, Sanrio, Pokémon, One Piece, Crayon Shinchan e Chiikawa. O espaço inclui ainda figuras próprias da Miniso, como o YoYo.

A abertura insere-se na estratégia da Miniso de reforçar a expansão global do conceito de retalho imersivo, assente em colaborações com marcas licenciadas. O formato Miniso Land combina uma oferta alargada de produtos com merchandising temático e expositores interactivos, transformando as lojas em destinos de entretenimento, ainda de acordo com a Inside Retail Asia.

Expansão internacional

No início do ano, a empresa inaugurou também em Kuala Lumpur, na Malásia, a primeira Miniso Land do país, com 1.700 metros quadrados.

Com mais de 7.700 lojas no mundo, a marca – que nasceu em 2013, em Guangzhou, no sul da China, pelas mãos do empresário Ye Guofu – entrou no mercado português em 2021, no Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia. Conta hoje com vários espaços no país, incluindo em Lisboa e Póvoa do Varzim.

Ao viajar com a família para fora da China, Ye apercebeu-se de várias lojas especializadas com produtos de qualidade, design apelativo e preços acessíveis, na maioria fabricados na China. “Impulsionado pela paixão pelo retalho e pela convicção no potencial do sector, Ye Guofu fundou a Miniso”, lê-se na página da marca.

27 Jul 2026

Imobiliário | Associação opõe-se a novos apoios do Governo

A associação Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios pediu ao Executivo para desistir da ideia de criar novos apoios para as empresas responsáveis pela construção imobiliária. A associação defende um Governo que ajude antes a população a ter acesso à habitação

A associação Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios apelou ao Governo para acabar com os apoios às empresas que promovem a construção de imobiliário em Macau. O pedido da associação que anteriormente se denominava Poder do Povo foi feito na sexta-feira, através da entrega de uma carta na sede do Chefe do Executivo.

Na missiva, a associação critica o facto de os apoios do Governo ao sector imobiliário apenas incentivarem lucros exorbitantes e tornarem os preços da habitação mais caros, ao ponto de não serem acessíveis para a grande maioria da população. A Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios defendeu que os preços dos imóveis devem regressar a “níveis razoáveis”, como acontecia no passado, para permitir que as novas gerações consigam comprar casa.

A associação recordou que, em 2000, antes de o Governo adoptar a política de imigração por investimento, os preços da habitação na zona do bairro do Iao Hon eram “bastante razoáveis”. A associação exemplifica que, nessa altura, um apartamento T2 nos edifícios Seng Lei, Hong Tai, Lok Fu e Man On custava cerca de 100 mil patacas. “Todos os residentes conseguiam suportar o custo de uma habitação e a população tinha uma boa qualidade de vida”, pode ler-se na carta.

Nos últimos anos, a Associação dos Empresários do Sector Imobiliário, ligada ao ex-deputado e empresário Ung Choi Kun, e os deputados Song Pek Kei e Nick Lei, que pertencem à lista da comunidade de Fujian, que no passado também elegeu Ung Choi Kun, têm defendido o regresso da política de acesso ao bilhete de identidade de residente para quem investe no imobiliário.

Contra a especulação

No documento, a associação responsabiliza ainda a política de imigração por investimento pelo descontrolo do mercado imobiliário, ao mesmo tempo que os promotores aproveitaram para “obter lucros exorbitantes através da especulação”. “Os preços das fracções passaram de 100 mil patacas para milhões de patacas devido à especulação”, acusaram.

A associação argumenta ainda que, actualmente, é impossível para a maioria dos jovens acederem à habitação, porque muitos têm ordenados de cerca de 10 mil patacas.

A política de imigração foi adoptada pelo Executivo de Edmundo Ho e oferecia Bilhete de Identidade de Residente a quem investisse um determinado montante no imobiliário. No entanto, Fernando Chui Sai On acabou com a política, devido ao impacto para os preços da habitação. Segundo a Residentes de Macau Ajudam-se a Si Próprios, também Ho Iat Seng, ex-líder do Executivo, afirmou que a especulação imobiliária em Macau teve origem na política de imigração por investimento.

Segundo os números da Direcção de Serviços de Estatística e Censos, em 2002 o preço médio do metro quadrado da habitação era de 6.261 patacas. O valor médio anual mais elevado foi atingido em 2018, quando o metro quadrado chegou a 108.427 patacas. No ano passado, o valor médio do metro quadrado foi de 70.935 patacas, o mais baixo desde 2013, quando o metro quadrado custava 81.811 patacas.

27 Jul 2026

IPIM | Assinados 24 memorandos para projectos de investimento em Maputo

O Centro de Arbitragem do Centro de Comércio Mundial de Macau assinou memorandos com as Faculdades de Direito das Universidades Católica de Moçambique, Eduardo Mondlane e São Tomás de Moçambique e a Ordem dos Advogados de Moçambique

Moçambique e a China assinaram, em Maputo, 24 memorandos de entendimento para futuros projectos de investimento e cooperação económica envolvendo países de língua portuguesa e a participação de Macau nas áreas de construção, energia, logística e indústria.

“Foram assinados acordos entre instituições públicas e empresas privadas desses países e vão concorrer para a concretização desses projectos”, anunciou Luís Machava, director da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX).

Luís Machava falou à margem do 17.º Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa, explicando que os investimentos ainda não avançaram para a fase de execução e que os memorandos assinados representam intenções de cooperação em áreas como construção, energia, logística e indústria. “Não estamos a falar em termos de valores de investimento. Estamos a falar de intenções para serem materializados em termos de projectos concretos”, frisou.

Macau presente

Segundo a lista de contratos assinados a que a Lusa teve acesso, os acordos estão distribuídos por nove secções e abrangem diferentes sectores económicos.

Na área das infra-estruturas, foi assinado um acordo para o fornecimento de materiais destinados à construção de habitações pré-fabricadas em Moçambique, envolvendo o Conselho Municipal de Maputo e empresas da China, Macau e Angola.

No sector industrial, o município de Maputo assinou um memorando com a Companhia de Indústria de Automóveis Aulong Kattai Limitada para o desenvolvimento de veículos comerciais de nova energia em Moçambique.

Na cooperação jurídica e académica, foram rubricados memorandos entre o Centro de Arbitragem do Centro de Comércio Mundial de Macau e várias instituições moçambicanas, incluindo as Faculdades de Direito das Universidades Católica de Moçambique, Eduardo Mondlane e São Tomás de Moçambique e a Ordem dos Advogados de Moçambique.

Para o desenvolvimento do comércio e do sector empresarial, as partes assinaram igualmente um protocolo de cooperação envolvendo o Centro de Arbitragem do Centro de Comércio Mundial de Macau e a Câmara de Comércio Moçambique-China, além de um memorando entre a Federação de Empresários dos Países de Língua Portuguesa em Macau e a Câmara de Comércio de Moçambique.

No sector da tecnologia e dos recursos minerais, foi assinado um contrato de consultoria para expansão de negócios ligados à exploração mineira com recurso a drones, inteligência artificial, geofísica aérea e desenvolvimento mineral em Moçambique.

Organização do IPIM

O encontro foi organizado pela Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX, IP), em colaboração com o Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT) e o Instituto para a Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), sob o lema “Investimento em Infra-estruturas Logísticas como Motor de Desenvolvimento”.

O evento reúne delegações empresariais da China e dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), visando promover relações económicas e comerciais, identificar oportunidades de comércio e investimento e reforçar a cooperação em sectores estratégicos, incluindo infra-estruturas, energia, agronegócio, turismo e indústria.

27 Jul 2026

Combustíveis | Deputados preocupados com subida de preços

Leong Sun Iok e Chan Lai Kei pediram ao Governo um mecanismo permanente de controlo de preços dos combustíveis e a importação de gasolina 95 sem chumbo. Os deputados temem que os preços voltem a subir devido ao regresso das hostilidades no Médio Oriente

Os deputados Leong Sun Iok e Chan Lai Kei estão preocupados com a evolução dos preços do petróleo e com a supervisão do mercado após o fim do plano de subsídios aos preços do GPL e da gasolina.

Em declarações ao jornal Ou Mun, Leong Sun Iok afirmou que os preços internacionais do petróleo voltaram a subir recentemente devido à “situação geopolítica no Médio Oriente”, retomando a elevada volatilidade que levou o Executivo de Sam Hou Fai a subsidiar o sector.

O deputado dos Operários salientou que se a situação não acalmar, os preços locais do gasóleo, da gasolina e do gás de petróleo liquefeito (GPL) vão subir, afectando os custos operacionais das empresas e fazendo subir os preços em geral. Leong alerta para o efeito dominó que poderá afectar vários sectores, como os transportes, turismo, restauração e serviços.

Assim sendo, o legislador defendeu que o Executivo deve continuar a supervisionar os preços e introduzir no mercado local a gasolina sem chumbo de 95 octanas, que é mais barata, para reduzir o peso da pressão inflaccionária sobre os combustíveis.

O deputado não afasta a hipótese de serem retomados os subsídios, mas recomendou também a avaliação do impacto dos preços internacionais do petróleo nos preços de retalho locais, e a aposta na transição energética para lá dos combustíveis fósseis.

Pedir aos santinhos

Leong Sun Iok defendeu também o reforço da regulamentação e da transparência dos preços dos combustíveis, mas apelou ao sector que ajuste os preços nos postos de abastecimento, divulgando também a forma como são estruturados os preços.

Por seu turno, Chan Lai Kei afirmou compreender as razões pelas quais o Governo deu por terminado o plano de subsídios, medida que considerou eficaz no alívio das com dificuldades sentidas pela população. Porém, o deputado ligado à comunidade de Fujian citou preocupações de residentes e empresários em relação a um eventual aumento dos preços depois de findos os subsídios.

Nesse aspecto, Chan pediu ao sector da venda de combustíveis que assuma uma postura de responsabilidade social, reduzindo os preços de retalho.

A longo prazo, o deputado considera que o Governo deve tirar ilações desta crise e estabelecer um mecanismo regular de ajustamento dos preços do petróleo, bem como planos de contingência para garantir a estabilização dos mesmos.

27 Jul 2026

Ana Mendes Godinho, directora de estratégia da Universidade Nova de Lisboa: “Macau vai ser mercado de formação”

A antiga ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal esteve em Macau, em Junho, para assinar, em representação da Universidade Nova de Lisboa, um acordo para intercâmbio de alunos com a Universidade de Turismo de Macau. Ao HM, Ana Mendes Godinho destaca a evolução do ensino superior e as esperanças que a cidade universitária de Hengqin suscita

 

 

Com que impressões ficou do ensino de Macau e Hong Kong nesta última visita?

Foi a minha quarta vez em Macau. Notei uma grande diferença nestes últimos anos do ponto de vista económico, e naturalmente no desenvolvimento da indústria turística. Mas muito mais interessante foi ver a evolução da dimensão da educação, e a forma como a Universidade de Turismo de Macau (UTM) se afirmou e se transformou ao longo dos tempos. É interessante ver que a UTM tem, aproximadamente, a mesma data de criação da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril [ESHTE, integrada na Universidade Nova de Lisboa]. Mesmo estando tão distantes, [as duas instituições de ensino superior] acabaram por ter percursos muito interessantes e a mesma vontade inicial de ter a capacidade de uma especialização e formação de pessoas para a área do turismo. Foi reconhecido que é fundamental ter pessoas qualificadas na área do turismo para a actividade crescer em valor. É muito interessante ver quase dois projectos gémeos que agora se voltam a encontrar nesta parceria, que queremos que cresça mais.

Esteve em Macau a propósito do 4º Fórum de Reitores de Universidades da China e dos Países de Língua Portuguesa e também do 35º Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP).

Sim. Mas elogio a forma como a UTM evoluiu do ponto de vista das instalações, e neste momento tem um novo hotel-escola extraordinário. Destaco também o investimento que fizeram na qualificação e investimento dos currículos da escola, alinhando-se também com as necessidades do turismo.

Concretamente, o que poderemos esperar do protocolo assinado a 15 de Junho?

Deu-se a assinatura do protocolo para o intercâmbio de alunos e professores, mas também para o reconhecimento de duplas certificações de alunos que estudem na ESHTE, agora no novo contexto com a Universidade Nova de Lisboa. Portanto, vai haver a dupla certificação de cursos e mestrados, mas ficou aberto um caminho para uma maior presença física nos dois campus.

Refere-se ao programa de bolsas de estudo que arranca já neste ano lectivo.

Também falo disso. Acho que é um programa simbólico, pois mostra a forma como valorizamos a experiência que os alunos possam ter na UTM. A UTM preparou um curso de uma semana para os alunos que entrarem com as melhores notas no ano lectivo 2026-2027 nas cinco licenciaturas da ESHTE, e que terão a oportunidade de ir uma semana, em Setembro, à UTM com uma bolsa oferecida pela Universidade Nova de Lisboa. [Esse curso] inclui a cultura e história do património de Macau, a gastronomia e uma dimensão associada à indústria do jogo. Pode ser muito interessante para os alunos terem essa experiência.

De que forma pode Macau trazer novas perspectivas à Universidade Nova na área do turismo e do jogo?

As áreas que identificamos para projectos conjuntos nos próximos tempos são essencialmente o turismo e tecnologia. Macau, neste momento, está com uma evolução muitíssimo grande do ponto de vista de investimento tecnológico, até associado a outras áreas e outras universidades, e também na área das questões de turismo, saúde e longevidade. Portanto, estas foram duas áreas-chave identificadas para projectos conjuntos a desenvolver, no novo campus em Hengqin.

Portanto, na futura cidade universitária.

Sim. Portanto, Macau e Portugal são plataformas de ligação à China, por um lado, e à Europa. Diria que somos este entreposto de ligação aos países de língua portuguesa e temos esta enorme oportunidade de internacionalização das nossas escolas.

Quando fala na área da saúde, recentemente a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau falou na aposta do turismo de saúde no território. Esta questão foi falada na visita, ou ficou com a percepção deste investimento?

Fiquei com a percepção de que há um forte investimento e que é dada prioridade à dimensão da saúde em Macau. Na articulação entre as duas escolas identificámos como essencial a forma como o investimento feito nessa articulação entre turismo e saúde também responde ao desafio da longevidade, mas como qualidade de vida. [Observámos] como esta relação entre turismo e saúde pode ser um elemento diferenciador. Portanto, essa dimensão da qualidade de vida associada à alimentação, gastronomia e a estilos de vida, onde o turismo pode ser um elemento diferenciador, é algo em que Portugal está a investir muito.

Diz que a UTM tem investido em tecnologia. De que falamos, concretamente?

Falamos essencialmente de como a tecnologia pode acrescentar, por um lado, valor à indústria do turismo, e também de como pode ajudar a que haja uma maior eficiência e produtividade no turismo. Isso permite aumentar a qualidade de vida dos trabalhadores e os salários. Se nós hoje não tivermos capacidade para sermos mais eficientes, retirando funções que, hoje em dia, não acrescentam valor e são feitas pelas pessoas, atribuindo-as à tecnologia, podemos libertar trabalhadores da área do turismo para funções mais qualificadas.

Esse cenário não poderia levar ao desemprego, por exemplo? Não é necessário equilíbrio?

Naturalmente que é evidente que tem que haver um equilíbrio, mas nós também queremos que haja uma maior dignificação de quem trabalha no turismo, colocando nas funções dos humanos aquilo que acrescenta mais valor e retirando aquilo que não acrescenta valor e que muitas vezes perturba – o que é mais mecânico, funções desenvolvidas à noite e que tiram qualidade de vida. Temos de ser inteligentes na forma como utilizamos e colocamos a tecnologia ao serviço do turismo. Mas temos de liderar esse processo por antecipação e esse é o grande desafio: planear, preparar, sermos nós a comandar a utilização da tecnologia ao serviço do que interessa, e não nos deixarmos ir por um efeito não controlável e massificado que não interessa. É nesta parte que a academia é fundamental, pois tem de ter a capacidade para antecipar. Refiro agora um programa concreto que lancei quando era ministra, em 2020, o “Programa UPskill”, em que as empresas tecnológicas fizeram um levantamento das competências necessárias para os próximos cinco anos e, em parceria com as universidades, fizeram acções para trabalhadores. Conheci pessoas que fizeram estas formações e que tiveram uma total transformação de vida, e é isso que o turismo está a precisar em todo o mundo, essa antecipação inteligente. É também por isso que nos queremos posicionar internacionalmente, e com parcerias como a que temos com a UTM, podemos ser uma referência na capacidade de antecipação e de reconversão de competências, que é necessária. Falo não apenas dos que se estão a formar, mas também na reconversão de quem já está no mercado de trabalho.

Tendo em conta a realidade de Macau, com o sector do jogo, acredita numa substituição de funções pela tecnologia, por exemplo?

A tecnologia está numa aceleração tão grande que o que achamos hoje que vai acontecer amanhã já é passado. Mas basta pensarmos nas soluções de robôs que neste momento estão a surgir e que, por exemplo, conseguem entregar e distribuir produtos, realizar serviços e que estão customizados à medida do negócio. E, portanto, certamente que nessa área haverá uma evolução enorme. Haverá certamente uma evolução em termos da gestão de informação e dados, não apenas do jogo, mas das reservas hoteleiras, da gestão em termos de “revenue management”, gestão de clientes. Temos de ser inteligentes para identificar as áreas onde, neste momento, estamos a desperdiçar valor, perdendo tempo em tarefas burocráticas e que, com a tecnologia, se pode acrescentar valor ao território. Esse é o grande exercício a fazer. Macau é um território pequeno, e vai firmar-se cada vez mais como um mercado de formação e não como um mercado que vai absorver todos os licenciados na área do turismo. Portanto, o futuro passa mesmo por criar parcerias, para que Macau seja um território que forma pessoas no turismo. É evidente que Macau tem uma grande oportunidade para a especialização na área da educação, sendo uma porta aberta para toda a China.

A Universidade Nova também celebrou acordos, nesta visita, com a Universidade Politécnica de Hong Kong e a Universidade Metropolitana de Hong Kong. Trata-se de um território com uma dimensão diferente na área do turismo.

A abordagem que fizemos com Hong Kong resultou do facto de a Universidade Politécnica de Hong Kong ter uma semelhança muito grande com a Universidade Nova de Lisboa em termos de escolas. Com a UTM, o acordo foi direccionado para o turismo, mas com a Universidade Politécnica de Hong Kong o acordo foi mais transversal a outras dimensões. Vimos, claramente, da parte da Universidade Politécnica de Hong Kong, um grande interesse em ter em Portugal uma porta aberta para uma interacção, pois o nosso país começa a ser um espaço de referência na área da educação internacional, nomeadamente pelo peso de alunos estrangeiros que a Nova tem. Cerca de 22 por cento dos alunos são estrangeiros.

Algumas universidades portuguesas têm celebrado acordos para marcarem presença na futura cidade universitária de Hengqin. Considera que o projecto uma porta de entrada para o ensino superior português no mercado asiático?

Acho [um projecto] muito interessante. Havendo uma história partilhada com Macau, torna-se mais fácil o estabelecimento dessas ligações. Vejo Hengqin como uma porta segura e muito interessante do ponto de vista de parcerias estratégicas para o desenvolvimento da interdisciplinariedade das universidades portuguesas. Parece-me que é uma oportunidade muito interessante para que as universidades portuguesas tenham acesso a alunos asiáticos, numa lógica de diversificação de mercados.

27 Jul 2026

SMG | Tufão poderá passar a cerca de 400 quilómetros de Macau

A tempestade que atravessa as Filipinas deverá passar a 400 quilómetros de Macau na tarde de sábado na categoria de tufão. Os SMG estimam que no domingo à tarde a tempestade atinja a posição mais próxima do território, a cerca de 100 quilómetros, já como ciclone tropical severo depois de ter chegado a terra e enfraquecido

A Agência Meteorológica da China indicou ontem que o centro da depressão tropical que estava a cerca de 930 quilómetros a Leste de Manila seguia uma trajectória rumo ao Mar do Sul da China a uma velocidade entre os 25 e 30 quilómetros por hora. As autoridades nacionais apontaram para a chegada do tufão a terra entre as zonas costeiras de Zhuhai e Zhangpu, em Fujian, entre o final da tarde de sábado e a manhã de domingo. Após atingir terra, o tufão deverá virar gradualmente para norte-noroeste à medida que irá enfraquecendo.

As estimativas de ontem dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) indicavam que a tempestade poderá passar a cerca de 100 quilómetros de Macau com ciclone tropical severo por voltas das 14h de domingo, já com contacto em terra. Porém, 24 horas antes, na tarde de sábado, as previsões apontam para que a tempestade esteja a 400 quilómetros de Macau na categoria de tufão. Os SMG estimam também que os aguaceiros fortes e trovoadas se estendam ao longo da próxima semana, pelo menos, até quarta-feira, com a intensidade do vento a diminuir gradualmente a partir de segunda-feira.

Segundo as autoridades nacionais, a velocidade no centro da tempestade era ontem de cerca de 15 metros por segundo e as estimativas indicavam que a entrada da tempestade no Mar do Sul da China deveria acontecer na madrugada de sábado.

A Agência Meteorológica da China prevê que a tempestade atinja a intensidade máxima entre tufão e tufão severo, depois de atravessar o Canal de Bashi, que faz parte do estreito de Luzon, entre a ilha de Y’ami Filipinas e Taiwan.

Aqui ao lado

Por sua vez, o Observatório de Hong Kong prevê que a tempestade atinja a costa na zona entre Huizhou e Shantou na madrugada de domingo, a leste da região vizinha. As autoridades da cidade vizinha estimavam ontem que o tufão chegue a uma distância de 800 quilómetros de Hong Kong hoje ao fim do dia, altura em que deverá ser emitido o sinal 1 de tempestade.

Devido à proximidade de Macau e do critério de içar o sinal 1 de tempestade quando a distância para o território seja precisamente de 800 quilómetros, é expectável que o sinal 1 seja emitido entre o fim do dia de hoje e amanhã.

Apesar de realçar as incertezas em relação ao local onde irá tocar em terra, o Observatório de Hong Kong indicou que entre sábado e domingo a zona costeira de Guangdong seja fustigada por ventos fortes, aguaceiros intensos e trovoadas.

24 Jul 2026

Sands | Lucros com queda de 50 por cento

A concessionária responsável por casinos como o The Venetian, The Londoner Macao ou The Parisian apresentou uma redução para metade do lucro entre Abril e Junho. A tendência contrasta com o início do ano, quando os lucros cresceram 45 por cento

A operadora de jogo Sands China registou um lucro líquido de 107 milhões de dólares norte-americanos no segundo trimestre, uma queda homóloga de 50 por cento, anunciou ontem empresa. Entre Abril e Junho de 2025, o lucro líquido da operadora de casinos tinha alcançado 214 milhões de dólares, de acordo com um relatório financeiro publicado pela operadora.

Em Macau, referiu Patrick Dumont, presidente e CEO da Las Vegas Sands, a empresa mãe da Sands China, “investimentos contínuos em serviços de hospitalidade melhorados contribuíram para o crescimento dos volumes em todos os segmentos de jogo em comparação com o ano anterior”. No entanto, “um ‘hold’ anormalmente baixo no jogo VIP teve impacto negativo nos resultados financeiros” do trimestre, completou. O ‘hold’ é a percentagem das apostas que o casino retém como receita líquida depois de pagar os ganhos aos jogadores.

A queda deste trimestre ocorre depois de nos primeiros três meses do ano, o lucro líquido da operadora no território chinês ter aumentado 45,5 por cento para 294 milhões de dólares. No período agora em análise, registou-se também uma queda das receitas líquidas totais de 0,8 por cento, para 1,78 mil milhões de dólares, face ao mesmo período de 2025 (1,79 mil milhões de dólares).

Sobe e desce local

No que diz respeito às propriedades da empresa em Macau, o The Londoner Macao, o The Parisian Macau e o Sands Macau registaram subidas nas receitas líquidas de 10,6 por cento, 12,3 por cento e 33,8 por cento, respectivamente.

Já o Venetian Macau viu as receitas caírem 10,8 por cento e, no caso do Plaza Macau, a queda foi de 29,4 por cento.

No comunicado, a empresa sublinhou ainda outro factor que afectou os resultados. Entre Abril e Junho, deu-se uma diminuição de clientes VIP nas propriedades de Macau e no Marina Bay Sands, em Singapura, durante o Mundial de Futebol.

“Esta tendência foi muito evidente em Junho, tendo em conta a evolução dos negócios em ambos os mercados no início do trimestre”, refere-se na nota. Nas últimas semanas vários analistas apontaram o Campeonato Mundial de Futebol, que terminou na passada segunda-feira, como um dos aspectos a influenciar negativamente a indústria do jogo.

24 Jul 2026

Aquecimento Global | Pedida maior protecção dos trabalhadores

O deputado dos Operários considera quem, face a ondas de calor mais fortes é necessário regular limites no trabalho prestado no exterior, para evitar a exposição prolongada ao sol e ao calor

Leong Pou U defendeu a actualização das orientações sobre o trabalho em condições meteorológicas extremas, devido ao que indica ser o aquecimento global. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, com o deputado dos Operários a pedir que se sigam os exemplos do Interior e de Hong Kong.

“Nos últimos anos, com o aquecimento global, têm ocorrido com frequência eventos meteorológicos extremos, tais como chuvas intensas, temperaturas elevadas e tufões”, escreveu Leong. “As condições meteorológicas extremas representam sérios riscos para a segurança no trabalho dos trabalhadores em geral, especialmente daqueles que trabalham ao ar livre, como na construção civil, estafetas e jardinagem”, avisou.

Neste novo ambiente, Leong Pou U considera que a regulamentação de Macau está atrasada, em comparação com o Interior, onde afirma existir desde 2012 um mecanismo que limita o trabalho a seis horas no exterior, quando as temperaturas variam entre os 37 e 40 graus. Se as temperaturas ultrapassarem os 40 graus o trabalho ao sol nem é permitido. Ao mesmo tempo, o legislador aponta que Hong Kong criou um sistema de alerta com base em cores, que indica os cuidados que têm de ser adoptados pelos patrões para protegerem os trabalhadores. “Em comparação, no que diz respeito à organização do trabalho dos empregados sob condições meteorológicas extremas, como o calor intenso, Macau ainda tem margem para melhorias”, apontou.

Fixar limites

Face ao cenário descrito, o deputado pretende que o Governo explique como vai “formular orientações detalhadas sobre o trabalho dos empregados em condições meteorológicas extremas” e “definir cientificamente a duração do trabalho ao ar livre com base na temperatura real ou na sensação térmica” para reduzir os riscos de segurança para os trabalhadores.

O legislador defende igualmente que a insolação passe a ser uma ocorrência que justifique accionar o seguro profissional, como acontece no Interior. “Os trabalhadores no Interior que sofram de insolações por trabalharem em temperaturas elevadas ou em tempo quente, após o diagnóstico de doença profissional, gozam legalmente das regalias do seguro de acidentes de trabalho. Irão as autoridades tomar como referência estas práticas do Interior para reforçar a protecção da segurança no trabalho dos trabalhadores ao ar livre em tempo de temperaturas elevadas?”, questiona.

Além disso, Leong Pou U interrogou o Executivo sobre a revisão do regime jurídico da reparação dos danos emergentes de acidentes de trabalho e doenças profissionais.

24 Jul 2026

Combustíveis | Governo quer evitar açabarcamento devido a fim de apoio

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) indicou ontem que consumidores e comerciantes “devem encomendar gás conforme as suas necessidades, não acumulando quantidades excessivas de GPL, (…) para evitar graves riscos potenciais de segurança contra incêndios”.

O alerta foi dado devido ao fim do Plano de subsídio aos preços do GPL e da gasolina, que termina hoje às 23h59.

O Governo realça também que a lei estabelece um limite máximo para a quantidade de armazenagem de substâncias inflamáveis e explosivas (incluindo o GPL). A DSEDT indica também que os preços internacionais do petróleo recuaram do seu pico, não mencionando o retorno da guerra no Irão e o efeito recente nos preços do barril de brent.

O Governo realça ainda a descida de 0,15 por cento do Índice de Preços no Consumidor em Junho, com quebras mensais nos transportes (1,01 por cento) e na habitação e combustíveis (0,16 por cento).

24 Jul 2026

Comércio | Importadores apostam em produtos mais baratos do Interior

O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau explicou que os importadores procuram produtos mais baratos no Interior da China para substituir as importações da Europa. O objectivo é manter os preços baixos

 

Para fazer face ao aumento dos preços motivados pela guerra e o encerramento do Estreito de Ormuz, os importadores locais estão à procura de produtos mais baratos no Interior da China, de forma a substituírem as importações do estrangeiro. O cenário foi explicado por Ip Sio Man, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau.

Em declarações ao jornal Ou Mun, Ip Sio Man explicou que o aumento dos custos com os transportes depende do lugar de origem. Devido à proximidade geográfica, as variações são mais moderadas nos produtos vindos do Interior da China. No entanto, no caso das importações do Sudeste Asiático, o preço de transporte de um contentor subiu entre 1.000 e 3.000 patacas. Os aumentos são ainda mais acentuados nas mercadorias provenientes da Austrália, Nova Zelândia e América Central e do Sul. Todavia, a situação mais grave prende-se com as importações da Europa, com os produtos a demorarem cerca de três meses a chegar a Macau, quando antes o transporte ficava concluído em cerca de um mês.

Face aos produtos importados da Europa, Ip Sio Man explicou que as ligações alternativas não só tornaram tudo mais caro, como fazem com que a gestão dos stocks seja mais imprevisível, o que pode facilmente levar a rupturas. Neste cenário, a Associação da União dos Fornecedores de Macau indicou que a alternativa passa por encontrar produtos semelhantes no Interior da China, com preços mais próximos daqueles que a população está disposta a pagar.

Ip revelou ainda que alguns importadores locais fizeram prospecção de mercado, para encontrar produtos mais baratos, em locais do Interior como Ningxia e Hubei.

Realidades diferentes

O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau abordou igualmente as queixas da população sobre o facto de os produtos do Interior serem mais baratos em Hong Kong. Segundo Ip Sio Man, a economia de Hong Kong tem melhores ligações à China, o que permite o transporte directo por comboio de importações do Leste e do Norte do país. Este tipo de transporte é mais barato do que o transporte rodoviário. Ao mesmo tempo, Ip explicou que Macau apenas tem boas ligações com a província de Cantão, pelo que as importações de outras províncias precisam de passar por Hong Kong ou Shenzhen, aumentando os preços.

Situação recorrente

Numa altura em que os preços dos combustíveis estão novamente a subir, o subsídio do Governo da RAEM está a chegar ao fim. Esta situação foi abordada pelo vice-reitor da Universidade da Cidade de Macau, Ip Kuai Peng. Segundo o académico, a medida foi eficaz para aliviar o custo do aumento do nível de vida.

No entanto, o académico defendeu que o fim do subsídio não deve significar o fim dos apoios à população. Ip considerou que Macau se deve preparar a “longo prazo” para uma nova realidade, uma vez que a crise no Médio Oriente é recorrente e provoca fortes flutuações nos preços do petróleo bruto.

Ip Kuai Peng apontou ainda que é necessário aumentar a transparência dos preços, assim como reforçar a fiscalização e a cooperação transfronteiriça para estabilizar o abastecimento de combustíveis e os respetivos preços.

24 Jul 2026

Dora Lyu, CEO da MedPHA, empresa sediada em Hengqin: “Passámos de startup a referência”

A MedPHA Bioscience, sediada no Parque Industrial de Medicina Tradicional Chinesa de Guangdong-Macau em Hengqin desde 2019, tem vindo a afirmar-se no mercado dos materiais biodegradáveis e suplementos alimentares de saúde cerebral. O HM conversou com Dora Lyu, CEO da empresa, que denuncia a “escassez” de talentos nesta área

Abriram portas em Hengqin em 2019. Que balanço faz da presença na região?

Em 2019 começámos do zero, dedicando-nos à investigação e desenvolvimento, fabrico e comercialização de novos materiais derivados da biologia sintéctica e de um suplemento alimentar para a saúde do cérebro: a molécula de beta-hidroxibutirato (D3HB). Após mais de sete anos de consolidação no mercado, a empresa passou de startup a interveniente de referência no seu sector, tanto a nível nacional como internacional, detendo a propriedade intelectual de novos materiais biofabricados, desenvolvida de forma independente. O 15º Plano Quinquenal inclui os biomateriais entre as quatro principais indústrias emergentes estratégicas e a biofabricação entre as seis indústrias do futuro. O foco do nosso negócio alinha-se precisamente com estes novos motores de crescimento económico.

Que projectos concretos desenvolvidos nestes anos pode destacar?

É particularmente digno de nota que a empresa tenha sido pioneira num primeiro suplemento alimentar do mundo para a saúde cerebral, a pequena molécula de beta-hidroxibutirato, produzida e comercializada através da fermentação da glicose por meio da biofabricação. Trata-se de um exemplo clássico de [um produto] “desenvolvido em Hengqin, comercializado em Macau”. Actualmente, é produzido em escala e comercializado na base do Grupo Nam Yue em Macau, com receitas previstas de dezenas de milhões de patacas de Macau em 2026 e mais de 100 milhões em 2027.

Têm apostado sobretudo em produtos ligados à área farmacêutica ou os que substituem artigos de plástico, como palhinhas ou copos de café.

Nos últimos sete anos focámo-nos em três áreas-chave: biomateriais PHA de base biológica e totalmente biodegradáveis no sector ecológico e ambiental; materiais PHA biorreabsorvíveis de grau médico, líderes a nível mundial, no sector médico e de cuidados de saúde; e ainda o suplemento alimentar para a saúde cerebral, a pequena molécula de beta-hidroxibutirato, D3HB, no sector da nutrição e saúde. Na prática, os nossos materiais PHA biodegradáveis desenvolvidos em Hengqin, através de fabricantes na Grande Baía, estão a ser utilizados em produtos como palhinhas, tampas de copos e cápsulas de café para marcas como a Starbucks, o McDonald’s, a Nespresso e a Saturnbird. A pequena molécula de beta-hidroxibutirato, ao que sabemos, é o primeiro produto do mundo obtido através da fermentação da glucose e da biofabricação, detendo patentes nacionais e internacionais em toda a cadeia industrial, desde as estirpes e a biofabricação até ao desenvolvimento de aplicações, oferecendo uma vantagem significativa em relação aos produtos sintetizados quimicamente, tanto em termos de pureza como de custo, com um enorme potencial de mercado. Os nossos materiais PHA de grau médico já estão a apoiar várias empresas líderes no desenvolvimento de aplicações tanto para produtos médicos de consumo como para dispositivos médicos.

Como podem colocar estes produtos ou materiais biodegradáveis num grande mercado como o chinês, com milhões de consumidores? Ainda existem entraves à adesão a este tipo de produtos?

O principal obstáculo é a diferença de preço significativa entre o PHA e os plásticos de base petroquímica, enquanto a implementação e o lançamento completos das políticas ambientais ainda levarão tempo. Estamos a trabalhar para reduzir os custos, garantindo financiamento industrial e capital de risco e investindo continuamente na inovação tecnológica e no aumento da produção, ao mesmo tempo que sensibilizamos a sociedade e o mercado.

Que vantagens competitivas oferece Hengqin a empresas no geral, e em particular na vossa área de produção e investigação?

O papel da Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin na diversificação das indústrias de Macau está a tornar-se cada vez mais proeminente, particularmente nas áreas da biofarmácia, dos dispositivos médicos e dos novos aditivos alimentares. Tomemos, por exemplo, o Parque Industrial de Medicina Tradicional Chinesa de Guangdong-Macau, onde estamos sediados. A indústria biofarmacêutica está aqui concentrada, com equipamento de teste avançado e plataformas de ampliação fornecidas pelo laboratório provincial de Medicina Tradicional Chinesa e pelas empresas farmacêuticas de Guangdong-Macau, bem como recursos de aplicação provenientes de clientes a jusante. Políticas altamente competitivas de atracção de talentos têm atraído um grande número de doutorados e investigadores de pós-doutoramento para Hengqin para se juntarem a nós, acelerando o desenvolvimento de tecnologias de ponta. Os principais projectos de investigação científica e tecnológica cuidadosamente definidos pelo Departamento de Desenvolvimento Económico também estão a produzir resultados positivos. Entretanto, o sistema universitário bem desenvolvido e robusto de Macau fornece a Hengqin talentos de engenharia de alto calibre. Em termos gerais, Hengqin fez grandes progressos nos últimos anos no âmbito da atracção de talentos, do investimento em financiamento para investigação científica e da construção de plataformas.

De que forma a localização em Hengqin tem contribuído, ou pode contribuir, para o crescimento e desenvolvimento da vossa empresa?

Essencialmente em três áreas: reforça a sinergia entre as redes comerciais de Macau e Guangdong; integra a empresa no polo de alta tecnologia da Grande Baía; e o excelente ambiente ecológico de Hengqin, combinado com a sua vantagem geográfica de estar adjacente a cidades centrais regionais como Guangzhou e Shenzhen, e oferece uma enorme conveniência para a investigação e desenvolvimento e os intercâmbios comerciais.

Que oportunidades específicas encontram na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau que dificilmente existiriam noutras zonas da China?

Há o papel da Grande Baía como base de fabrico avançado e mercado orientado para a exportação, com uma via rápida para os mercados internacionais através de Hong Kong e Macau. Em segundo lugar, há a vantagem política oferecida pelo Governo de Macau na aprovação de novos alimentos. Em terceiro lugar, e mais importante, há a ligação natural de Macau com os países de língua portuguesa. Podemos aceder ao mercado europeu através de Portugal, à América do Sul através do Brasil e a África através de Moçambique, expandindo assim rapidamente a nossa rede comercial global.

Considera difícil atrair talentos na área? Deveria mudar a política de recursos humanos para atrair mais quadros qualificados na área das ciências para Hengqin?

O talento neste domínio é, de facto, escasso, provindo actualmente principalmente de um pequeno número de instituições, tais como a Universidade de Tsinghua, a Academia Chinesa de Ciências e a Universidade de Tecnologia do Sul da China. No entanto, os programas relevantes da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Macau e da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau estão perfeitamente alinhados com as necessidades da empresa, e estamos a reforçar os nossos laços com estas instituições. Ao mesmo tempo, instituições como a Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, a Universidade Sun Yat-sen, o Instituto CAS em Shenzhen e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong estão também a expandir o seu trabalho no campo da biologia sintética, lançando bases para o talento na indústria.

A cidade universitária em Hengqin está a ser construída. Acha que pode ser uma mais valia para a vossa empresa?

Sem dúvida. O campus universitário atrairá mais jovens profissionais e estagiários de gestão, ajudando a empresa a crescer e a aumentar a sua visibilidade e, mais importante ainda, promovendo uma colaboração mais estreita entre a indústria, o meio académico e a investigação, o que impulsiona o desenvolvimento tecnológico.

Qual a vossa estratégia para chegar ao mercado, seja chinês, seja lusófono ou de língua espanhola? A proximidade de Macau e também Hong Kong é um factor diferenciador e privilegiado?

Estar perto de Hong Kong e Macau é altamente vantajoso. Hong Kong já introduziu uma proibição do plástico, e o nosso negócio de PHA de grau industrial está a expandir-se por lá. As vendas da pequena molécula de beta-hidroxibutirato estão a prosperar em Hong Kong e Macau e podem ser alargadas ao Sudeste Asiático. Todas as três linhas de produtos visam o mercado global, e usar Macau como ponte para alcançar os países de língua portuguesa é uma vantagem singularmente favorável. Especificamente, o PHA de grau industrial está focado em entrar no mercado europeu, os dispositivos de PHA de grau médico estão prestes a passar pela certificação CE e a pequena molécula de beta-hidroxibutirato está destinada ao mercado brasileiro. À medida que o nosso negócio global se expande, a influência da empresa continua a crescer. Na China, os produtos das três linhas de negócio também ganharam reconhecimento dos clientes, com vendas a ultrapassarem os cem milhões de yuans.

“Longa Marcha” rumo ao Sul

Dora Lyu confessou ao HM que a vinda até Hengqin, desde que começou os estudos universitários, foi como uma espécie de ‘Longa Marcha’, uma viagem para sul para se dedicar à inovação e ao empreendedorismo na Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau. Formada em Engenharia Química pela Universidade de Yantai e também em Ciência de Materiais na Universidade de Tecnologia Química de Pequim, Dora Lyu fez ainda um MBA na Universidade de Pequim e na Vlerick Business School, na Bélgica, onde teve acesso a “todo o espectro da gestão empresarial, estratégia de mercado, gestão financeira, recursos humanos e gestão da cadeia de abastecimento”.

24 Jul 2026

Mercados municipais | Abertos concursos para 14 bancas

O Instituto para Assuntos Municipais anunciou ontem a abertura de concursos de 14 bancas nos centros de comida dos mercados de S. Lourenço, Patane, Horta da Mitra e Iao Hon. No fim do mês serão realizadas três sessões de esclarecimento para interessados e possíveis candidatos

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) abriu ontem concursos públicos para 14 bancas no Centro de Comidas do Edifício de Vendilhões do Iao Hon, no Centro de Comidas do Mercado de S. Lourenço, no Centro de Comidas do Patane e no Mercado da Horta da Mitra, com a missão de introduzir um novo dinamismo nos mercados públicos, “responder às solicitações da sociedade e assegurar o uso eficaz dos recursos públicos”.

Os interessados no concurso podem entregar até 20 de Agosto as suas propostas, mas, entretanto, o IAM irá realizar, entre 30 e 31 de Julho, três sessões de esclarecimento no Centro de Actividades do Patane.

No centro de comidas do Mercado do Bairro do Ian Hon já está em concurso quatro bancas, enquanto no centro de comidas do Mercado de S. Lourenço estão disponíveis cinco bancas. No Mercado do Patane vai a concurso o espaço para uma banca para comidas prontas.

Por seu turno, no Mercado da Horta da Mitra vão estar em concurso quatro bancas, uma para a venda de peixe e três para refeições ligeiras. Neste caso, o IAM salienta que os espaços públicos do mercado serão optimizados e a zona de refeições aumentada “na expectativa de proporcionar aos consumidores do bairro uma experiência mais diversificada”.

Do que estamos a falar

As bancas disponíveis têm áreas úteis entre 6,5 e cerca de 13 metros quadrados, com a excepção de uma banca no Centro de Comidas do Patane, que tem uma área de 17,2 metros quadrados.

Em relação às sessões de esclarecimento, o IAM informa que estas se destinam a ajudar os concorrentes a compreenderem melhor a forma correcta de preencher o boletim de candidatura para o concurso, assim como para elaborar a proposta.

No dia 30 de Julho, serão organizadas duas sessões de esclarecimento, uma às 15h30 e outra às 19h30, enquanto no dia seguinte a sessão começa às 11h, sempre no Centro de Actividades do 9.º piso do Mercado do Patane. Os interessados podem inscrever-se através da “Conta única de acesso comum”.

Entre os critérios de avaliação, as autoridades vão valorizar a estratégia de operação (que conta 50 por cento), a experiência do concorrente (25 por cento), a diversidade da tipologia de mercadorias (15 por cento), enquanto horário diário e conveniência de pagamentos valem 5 por cento cada.

Os concorrentes têm de prestar pagar 5 mil patacas de caução provisória para participar no concurso público.

23 Jul 2026

Hengqin | Excursionistas quase triplicam no primeiro semestre

Na primeira metade deste ano, Hengqin e Macau receberam 96,3 mil excursionistas, total que quase equivaleu ao registo de todo o ano passado, ou um aumento de quase 170 por cento. As autoridades de Hengqin relevaram que desde que começaram as excursões com múltiplas entradas, Maio de 2024, o número de excursionistas superou os 200 mil

No primeiro semestre de 2026, Macau e Hengqin receberam 93,6 mil turistas ao abrigo da política de excursão com múltiplas entradas entre os dois territórios, segundo a Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Industrial da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin.

A direcção de serviços salienta que este registo significa um aumento anual de 168,7 por cento, quase totalizando o número de excursionistas de 2025.

As autoridades indicam também que, desde que entrou em vigor a política de excursão com múltiplas entradas entre Hengqin e Macau em Maio de 2024, até 30 de Junho, os dois territórios acolheram um total de 204,4 mil excursionistas.

Actualmente, existem 58 agências de viagem que vendem pacotes turísticos conjuntos para os dois territórios, cobrindo oito províncias chinesas, mas as autoridades da Ilha da Montanha estimam que o número de agências aumente para 61 ainda este ano.

Em linha ascendente

A direcção de serviços de Hengqin indica também que na primeira metade de 2026 foram realizados 11 eventos de exposições e convenções conjuntos em Macau e Hengqin, quase o dobro em comparação com o mesmo período do ano passado.

Nesse capítulo, o organismo garante que vai reforçar o mecanismo de coordenação com Macau para promover o modelo de “um evento organizado em múltiplos destinos”.

No seguimento do aumento de turistas para os dois destinos, no mês passado foram inauguradas três unidades hoteleiras na Zona de Cooperação Aprofundada, aumentando o número de quartos na Ilha da Montanha para cerca de 107 mil quartos. Na primeira metade deste ano, a taxa média de ocupação hoteleira foi de 60,6 por cento.

As autoridades indicam também que entraram na Ilha da Montanha pelo Posto Fronteiriço de Hengqin 96 mil travessias fronteiriças de estrangeiros, nos primeiros seis meses deste ano, mais 76,9 por cento em comparação com 2025 no mesmo período.

23 Jul 2026