Crime | Grupo cobrava taxa para proteger infractores em casino

Foi decretada a prisão preventiva do cabecilha de um grupo criminoso composto por seguranças de um casino, alegadamente responsável pela cobrança de dinheiro a infractores de crimes ligados ao jogo, para sua protecção. Há mais de uma dezena de arguidos, sendo que cinco estão detidos preventivamente

Foi em Julho deste ano que as autoridades policiais começaram a perceber que algo de errado se passava num dos casinos do território, fazendo detenções de membros de um grupo que, alegadamente, dava protecção a infractores de crimes ligados ao jogo, e que era composto por seguranças.

Porém, só na última quinta-feira, 3 de Setembro, foi apanhado o cabecilha, que está agora em prisão preventiva. Segundo um comunicado do Ministério Público (MP) divulgado no sábado, este grupo não só dava protecção a infractores como cobraria uma taxa por esse serviço, com o envolvimento de nove funcionários do departamento de segurança e cinco mediadores. Estas cinco pessoas estão agora em prisão preventiva, medida de coacção aplicada enquanto aguardam julgamento. Aos restantes nove funcionários “foram aplicadas outras medidas de coacção”, refere o MP, sem especificar.

Segundo a mesma nota, “suspeita-se que os membros deste grupo cobravam uma ‘taxa de protecção’ e ‘taxa de resolução de processos’, a fim de ocultar actos ilegais e proceder ao devido tratamento”.

O homem agora detido “manteve-se escondido no Interior da China”, nomeadamente em Zhongshan, “tendo as autoridades policiais activado o ‘Mecanismo de ligação policial’ para solicitar a cooperação das congéneres do Interior da China”.

O cabecilha é suspeito dos crimes de associação ou sociedade secreta, coacção, extorsão, favorecimento pessoal e ainda corrupção passiva no sector privado. A sua mulher também foi encaminhada para o MP pelo crime de receptação.

As autoridades entenderam existir “um forte perigo de fuga de Macau em caso de libertação”, pelo que se optou pela prisão preventiva. Além disso, foi tido em conta, para a aplicação das medidas de coação, “a natureza, a gravidade dos crimes imputados ao arguido, o modus operandi, o motivo, a ilicitude dos factos e o grau de dolo, bem como a personalidade” do arguido.

Dinheiro escondido

Na mesma nota, o MP deixa um apelo para que as operadoras de jogo e os agentes de segurança cumpram “rigorosamente as funções de gestão, assegurando os trabalhos de manutenção da ordem e prevenção de riscos nos respectivos estabelecimentos” de turismo e lazer.

Em conferência de imprensa sobre este caso, o suspeito de ser o cabecilha do grupo, de apelido Wong, tinha funções de gestor da equipa de seguranças, tendo saído de Macau e ficado escondido no interior da China antes das detecções realizadas em Julho.

Na quinta-feira, o homem foi preso em Zhongshan, tendo sido entregue à PJ de Macau por volta das 16h na zona entre as fronteiras de Gongbei e Portas do Cerco. Enquanto estava na China, Wong terá instruído a mulher a dar apoio à actividade criminosa, tendo esta escondido os 201 mil dólares de Hong Kong obtidos através da actividade criminosa.

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