Manchete SociedadeRestauração | Desvalorizado impacto da valorização do renminbi João Santos Filipe e Nunu Wu - 10 Set 2026 Com 60 por cento dos produtos importados do Interior, a valorização pode fazer com que os produtos fiquem mais caros para os consumidores. A Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau aponta que há capacidade de manter os preços nos próximos tempos Apesar da valorização do renminbi face ao dólar, a Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau considera que a pressão do aumento dos custos operacionais para os negócios locais ainda não se faz sentir. Nas últimas semanas, o renminbi tem valorizado face à moeda americana e ontem um dólar equivalia a 6,7 renminbis. No entanto, esta variação pode ter um impacto na restauração local, uma vez que a pataca acompanha as flutuações da moeda americana e muitos dos produtos são importados do Interior, logo pagos em renminbis. Em declarações ao jornal Ou Mun, o presidente da associação, Ieong Weng Seng, destacou que no futuro mais próximo os negócios vão conseguir lidar com a valorização da moeda chinesa. Ieong explicou que 60 por cento dos produtos da restauração provêm do Interior, enquanto 40 por cento têm origem em outros mercados. No entanto, como os empresários tendem a assinar contratos de abastecimento e a fazer pagamentos mensais, a subida dos preços demora cerca de 30 dias a fazer-se sentir. O presidente da associação também recusou, para já, a possibilidade de haver um aumento dos preços para os consumidores. Ieong Weng Seng argumentou que, como o território atravessa uma situação económica mais exigente, os comerciantes tendem a sacrificar a margem de lucro para não afastar os clientes. Ao mesmo tempo, Ieong clarificou que o aumento dos preços não deve acontecer a curto prazo, porque todos os aumentos têm de ser previamente indicados ao Governo. Stocks ajudam Além disso, o responsável destacou que há stock dos produtos importados do Interior, principalmente no que diz respeito à carne congelada. Por esta razão, para a maioria dos restaurantes de Macau, onde cerca de 70 por cento usam carne congelada, temporariamente não se vai sentir o impacto da valorização do renminbi. No entanto, nas cozinhas de luxo, como por exemplo, os restaurantes com estrelas Michelin, Ieong Weng Seng apontou que vão sofrer mais pressão, dado que usam mais ingredientes frescos. No caso dos vegetais, a pressão vai ser mais generalizada porque são produtos com uma vida útil curta. Num olhar mais geral sobre a restauração, Ieong Weng Seng afirmou que o maior problema são as mudanças estruturais no modelo de consumo e da origem dos consumidores. O presidente da Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau explicou que desde que os jogadores deixaram de frequentar o ZAPE devido ao encerramento dos casinos-satélite, que o consumo teve uma redução significativa. O responsável também explicou que os novos clientes daquela zona gastam muito menos dinheiro.