Manchete PolíticaRenovação urbana | Pedida modernização de bairros Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 8 Set 2026 Vong Pui Lam, dirigente da Associação Comercial de Macau, defende que a renovação urbana não deve focar-se apenas na demolição dos edifícios antigos e reconstrução, mas também na modernização dos bairros, com mais pequeno comércio. A responsável destaca o mau exemplo da habitação pública em Seac Pai Van A Associação Comercial de Macau deixou uma sugestão no jornal Ou Mun sobre a melhor forma de realizar o processo de renovação urbana dos bairros antigos do território, aposta que tem estado na agenda do Governo como um dos assuntos prioritários. Num artigo de opinião no jornal chinês de maior tiragem em Macau, Vong Pui Lam, subdirectora da Comissão de Estudos Estratégicos da Associação Comercial de Macau, defendeu que a renovação urbana não deve limitar-se à demolição de edifícios antigos e insalubres, mas também na modernização e reorganização dos bairros como um todo, com mais comércio local para usufruto dos seus moradores. A responsável defendeu que o comércio nestas zonas comunitárias deve focar-se em serviços simples que facilitem a vida no dia-a-dia e que permitam percursos curtos de dez minutos para a compra de alimentos frescos ou a aquisição de refeições baratas. Na visão de Vong Pui Lam, a renovação urbana deve ter em conta este pequeno comércio que permite aos moradores viver com dignidade no bairro, destacando que Macau tem essa tradição, com os casos das zonas de comida nos Mercado do Bairro Iao Hon, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço e Complexo Municipal do Mercado do Patane. Estas zonas são já conhecidas pelas refeições baratas que servem, sendo também procuradas por turistas. Vong Pui Lam também deu o bom exemplo de Singapura, com a tradição de mercados de rua e bancas de comida. Com o planeamento feito pelo Governo da Cidade-Estado, estes espaços gastronómicos tornaram-se atracções turísticas e também uma espécie de cantina para os locais. Em 2020, a cultura de vendilhões de Singapura foi seleccionada para as listas do Património Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O mau exemplo No artigo de opinião, o bairro de habitação pública de Seac Pai Van é referido como mau exemplo que não deve ser seguido neste processo de renovação urbana. A autora recorda que a zona tem hoje entre 30 a 40 mil habitantes, mas estes não têm lojas perto para serviços simples como comprar comida ou cortar o cabelo, precisando percorrer uma longa distância até às zonas mais centrais do território. Vong Pui Lam entende que Macau tem condições para que a cultura das comidas de rua se transforme numa marca turística, mas falta um planeamento sistemático por parte das autoridades, com perspectiva a longo prazo. Desta forma, deveria haver espaços suficientes para a criação de novos mercados e espaços de comida no projecto de urbanização da Zona A dos Novos Aterros, com as infra-estruturas necessárias. Além disso, deve ser simplificado o processo de aprovação e análise de pedidos, para incentivar mais jovens a apostar nestes negócios. Singapura surge novamente como o bom exemplo que Macau deve seguir no que diz respeito à gestão destes espaços gastronómicos por parte do Governo, a fim de se garantir um controlo das rendas, para que as comidas possam estar a preços acessíveis para os consumidores. Vong Pui Lam defende também a criação de percursos turísticos que incluam estes centros de comida nos mercados, a fim de se poder fazer um mapa com estas bancas gastronómicas. Desta forma, pode ser mais uma forma de levar os turistas a consumir fora da zona dos casinos.