Burlas | Vong Hou Pio pede alertas direccionados a idosos

O legislador e contabilista alerta as autoridades para a necessidade de se adoptarem novas estratégias de prevenção contra burlas. Os idosos e a classe média são os grupos que mais preocupam o deputado

O deputado Vong Hou Pio defende a adopção de medidas de prevenção de burlas desenhadas especialmente para os idosos. O assunto faz parte de uma interpelação escrita do legislador eleito indirectamente pelo sector profissional.

Segundo o cenário traçado por Vong, nos últimos anos têm ocorrido com frequência burlas de investimento que prometem “ganhos garantidos e sem perdas” ou investimentos com “baixo risco” e “retorno elevado”.

O deputado reconhece que o assunto não é totalmente novo e que a Polícia Judiciária (PJ) tem adoptado “diversas acções de combate”, que levaram a uma redução do número de crimes. No entanto, destaca que “as perdas económicas decorrentes das burlas de investimento continuam elevadas” e que os “os métodos utilizados pelos burlões não cessam de evoluir”.

Os idosos, tidos como um grupo mais vulnerável, são uma das principais preocupações de Vong, que pede medidas direccionadas: “A análise da estrutura das vítimas demonstra que o grupo etário dos idosos, devido à sua menor literacia digital, continua a ser um alvo prioritário dos burlões”, justifica. “As autoridades vão considerar a experiência das regiões vizinhas e a possibilidade de criar um mecanismo para a divulgação regular ao domicílio de prevenção de burlas, especialmente dirigido a idosos com mobilidade reduzida ou que saem pouco de casa?”, pergunta.

O também contabilista pretende uma maior proximidade das campanhas de sensibilização contra burlas porque considera que a aplicação anti-burla da Polícia Judiciária e os alertas de risco do serviço de “Transferência Fácil” não são suficientes, devido à reduzida literacia digital dos idosos.

Classe média em risco

Além dos idosos, Vong Hou Pio alerta que existem várias pessoas da classe média apanhadas nas burlas, muitas delas trabalhadores, e que se deixam enganar, apesar de possuírem um nível de escolaridade mais elevado.

O deputado pede assim novas medidas: “Que ajustamentos específicos serão introduzidos na estratégia de divulgação de prevenção de burlas?”, questiona. “Será efectuada, através de associações profissionais ou organizações sectoriais, uma sensibilização de risco específica e dirigida a profissionais do sector financeiro, quadros de gestão de empresas e profissionais reformados, entre outros?”, acrescenta.

Tendo em conta os desenvolvimentos tecnológicos, Vong defendeu também a necessidade de ser criado um novo sistema de alerta contra burlas relacionadas com activos virtuais e investimentos ligados à inteligência artificial.

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