Economia | Exportados mais de um milhão de automóveis em Junho

A China exportou pela primeira vez mais de um milhão de automóveis num único mês, em Junho, consolidando a liderança mundial no sector e aumentando a pressão comercial sobre parceiros comerciais como a União Europeia.

Segundo dados divulgados ontem pela Administração-Geral das Alfândegas da China, o país exportou 1,06 milhões de automóveis em Junho, mais 71,2 por cento do que no mesmo mês do ano passado.

Ao ritmo actual, a China deverá ultrapassar os 10 milhões de veículos exportados este ano, acima dos 7,1 milhões registados em 2025 e mais do dobro dos 4,9 milhões de 2023.

O desempenho das exportações automóveis contribuiu para um aumento global de 27 por cento das exportações chinesas em Junho, acima dos 19,4 por cento observados em Maio, enquanto as importações cresceram 36 por cento.

O excedente comercial da China atingiu 576 mil milhões de dólares no primeiro semestre, embora tenha recuado 4,7 por cento face ao mesmo período do ano passado.

O vice-director do Gabinete Nacional de Estatísticas, Wang Jun, atribuiu o crescimento das exportações de veículos eléctricos à transição mundial para uma economia de baixo carbono, afirmando que esta está a impulsionar a procura pelos “produtos verdes” chineses.

Além dos automóveis eléctricos, as exportações de baterias de lítio e de turbinas eólicas cresceram, respectivamente, 37,6 por cento e 35,6 por cento no primeiro semestre.

Em sentido contrário, as exportações de terras raras diminuíram 34 por cento em Junho, face ao mesmo mês do ano passado, e 6,4 por cento no conjunto do semestre, depois de Pequim ter reforçado os controlos à exportação destes minerais estratégicos, essenciais para diversas indústrias de alta tecnologia.

As importações foram impulsionadas sobretudo pela procura de semicondutores. A China importou 53,7 mil milhões de circuitos integrados em Junho, mais 6,8 por cento do que um ano antes, elevando o crescimento acumulado no semestre para 8,1 por cento.

 

Mudança de direcção

A aceleração das exportações automóveis ocorre num contexto de abrandamento das vendas no mercado interno, após o fim parcial dos incentivos à compra de veículos eléctricos e à quebra da procura por automóveis com motor de combustão.

A redução da procura doméstica levou fabricantes chineses e estrangeiros instalados no país a direccionarem uma parte crescente da produção para os mercados externos, uma estratégia que motivou a imposição de tarifas adicionais por parte da União Europeia sobre veículos eléctricos fabricados na China.

As autoridades chinesas rejeitam as acusações de que o sector beneficia de subsídios desleais, defendendo que a competitividade da indústria resulta da inovação tecnológica e das economias de escala.

 

No topo da lista

Entre os principais fabricantes, a fabricante BYD vendeu 175 mil veículos no estrangeiro em Junho, mais 95 por cento do que no mesmo mês do ano anterior, enquanto as vendas internacionais representaram um recorde de 43 por cento da produção da empresa.

A Geely exportou pela primeira vez mais de 100 mil veículos num único mês, ao vender 102.874 unidades no exterior, um aumento homólogo de 157 por cento.

Já a Chery, exportou 191.062 automóveis em Junho, mais 80 por cento do que há um ano, estabelecendo pelo quarto mês consecutivo um novo máximo mensal entre os fabricantes chineses.

15 Jul 2026

Hepatite | Testes anónimos e gratuitos nos Três Candeeiros

Durante o ano passado, uma campanha dos Serviços de Saúde para controlar e prevenir a hepatite B levou à despistagem da doença, através de testes antigéno, a mais de 19 mil pessoas, e à detecção de mais de 1.300 casoas positivos confirmados, o que representa uma taxa de infecção de aproximadamente 6,8 por cento. Os números foram avançados ontem numa conferência de imprensa dos Serviços de Saúde, em antecipação do Dia Mundial da Hepatite, instituído pela Organização Mundial de Saúde, que se assinala no dia 28 de Julho.

Os Serviços de Saúde indicaram que estão a acompanhar actualmente cerca de 23 mil doentes com hepatite B, e que até ao mês passado, as servilços de consultas de hepatologia dos centros de saúde tinham atendido 2.866 doentes.

A partir deste fim-de-semana, as autoridades vão dar início a uma série de actividades para assinalar o Dia Mundial da Hepatite. No sábado, entre as 14h e as 18h vão estar a funcionar várias “estações pop-up” nos bairros residenciais da península e ilhas, montadas em colaboração com associações locais. Além de jogos, será divulgada à população informação sobre a prevenção e o tratamento da hepatite B.

Além disso, no dia 25 de Julho, no Centro de Actividades da Rotunda de Carlos da Maia, entre as 14h e as 17h, serão prestados serviços gratuitos de testes rápidos e anónimos ao antígeno de superfície da hepatite B.

 

A diferença que faz

As autoridades de saúde começaram no mês passado a providenciar gratuitamente testes ao antígeno de superfície da hepatite B a indivíduos a partir dos 40 anos de idade, diminuindo a idade mínima anteriormente estabelecida em 50 anos.

Entre 2010 e 2023, o sistema de registos médicos dos Serviços de Saúde identificava 26.759 casos positivos de hepatite B entre residentes. A estrutura etária das infecções é predominantemente composta por indivíduos com 50 anos ou mais, representando aproximadamente 70 por cento do total de casos positivos.

Ainda não existe uma cura total para a hepatite B, que continua a ser uma doença crónica, cuja progressão pode ser controlada eficazmente pela toma de medicamentos antivirais. Estes doentes crónicos normalmente não apresentam sintomas óbvios. Porém, a hepatite B pode danificar de forma progressiva o fígado e aumentar a possibilidade de o doente sofrer de complicações graves, como cirrose hepática e cancro hepático.

15 Jul 2026

Cooperação | Académico diz que CPLP não se afirma junto da China

“A China não conhece a CPLP”, resumiu Luís Bernardino, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e coronel de infantaria na reserva do Exército Português, que recentemente participou em duas conferências em Pequim, na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim e na Embaixada de Portugal, sobre os 30 anos da organização, que se assinalam na sexta-feira.

“Uma coisa que não se conhece também não se sabe como pode tirar vantagem dessa relação”, acrescentou. Para Luís Bernardino, a organização “nunca se soube posicionar em relação ao Oriente” e continua afastada dos principais mecanismos criados por Pequim para aprofundar a cooperação com os países de língua portuguesa.

“O Fórum de Macau não é a CPLP. É um instrumento da China para facilitar a cooperação com os países lusófonos e vai continuar a crescer. A CPLP está fora desta jogada, por enquanto”, considerou.

Para Bernardino, essa realidade traduz a forma como Pequim privilegia uma abordagem simultaneamente bilateral e multilateral, estratégia que descreve como “cooperação ‘bimultilateral’”. “A China relaciona-se bilateralmente com cada país, mas cria também fóruns multilaterais que reforçam essa cooperação. É uma abordagem pragmática que mais nenhuma grande potência desenvolveu em África”, defendeu.

 

Adaptação das espécies

O especialista em Segurança e Defesa em África sublinhou que a relação da China com os países lusófonos está longe de ser uniforme. Enquanto com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) Pequim privilegia o financiamento de infra-estruturas, o comércio, o desenvolvimento e, cada vez mais, a cooperação na área da defesa, com o Brasil a relação assume uma dimensão geopolítica distinta, impulsionada pelo bloco de economias emergentes BRICS e pela cooperação entre países do chamado Sul Global.

“A China adapta a sua estratégia aos interesses que tem em cada região. Não existe uma abordagem única para todos os países da CPLP”, explicou.

No caso de Timor-Leste, Luís Bernardino considerou que a crescente importância estratégica do país no Indo-Pacífico deverá reforçar o interesse chinês, tanto pela posição geográfica como pela futura integração plena na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). “A China olha para Timor-Leste como um parceiro estratégico no Indo-Pacífico, pela sua posição nas rotas marítimas e pela crescente relevância regional”, afirmou.

 

Maior visibilidade

O investigador considerou ainda que a rivalidade estratégica entre a China e o Ocidente levou Pequim a reforçar a presença junto dos países lusófonos, sobretudo em África, onde a cooperação se expandiu para áreas como a segurança, a tecnologia e a defesa. “A cooperação deixou de ser apenas económica. A defesa tornou-se um dos pilares centrais da relação da China com praticamente todos os PALOP”, sustentou.

Essa evolução acompanha a transformação da presença chinesa em África, inicialmente centrada no apoio político aos movimentos de independência e, mais tarde, no financiamento de infraestruturas e acesso a matérias-primas.

Hoje, segundo Luís Bernardino, a estratégia inclui também formação militar, venda de equipamento, construção e modernização de portos e uma presença naval cada vez mais frequente no continente africano. “A China faz aquilo que uma potência global tem de fazer. É uma potência económica, mas sabe que também precisa de afirmar uma dimensão militar”, afirmou.

Apesar da crescente influência chinesa, Bernardino considerou que os países lusófonos, em particular os africanos, ainda não conseguiram retirar todo o partido dessa relação. “Há uma dependência crescente, sobretudo financeira. Os países têm de aprender a negociar melhor com a China e transformar esta cooperação numa verdadeira parceria estratégica, sem criar dependências excessivas”, defendeu.

O especialista considerou, por isso, que o maior desafio da CPLP, três décadas após a sua criação, passa por aumentar a sua visibilidade internacional e afirmar-se como interlocutor relevante junto de parceiros estratégicos como a China.

“A CPLP é aquilo que os Estados-membros querem que ela seja. Se os próprios países não a valorizarem nos fóruns internacionais em que participam, dificilmente outros actores globais o farão”, disse.

15 Jul 2026

Guangdong | Ex-governador e ex-líder de Henqgin expulso do PCC

A agência Xinhua anunciou ontem a expulsão de Ma Xingrui, ex-governador da província de Guangdong, do Partido Comunista da China (PCC) na sequência de uma investigação da Comissão Central de Inspecção Disciplinar, autorizada pelo Comité Central do PCC.

Como é hábito nestes casos, foi revelado que Ma Xingui “perdeu os seus ideais, convicções e orientações políticas, traiu o propósito e a missão original do PCC, violou gravemente a disciplina e as regras políticas”, negligenciou a supervisão e gestão de graves violações da disciplina e da lei, assim como de crimes, cometidos por colaboradores seus.

Importa salientar que Ma Xingui presidiu, em conjunto com o então líder do Governo da RAEM, Ho Iat Seng, à Comissão de Gestão da Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin, que funciona como uma espécie de Executivo da Ilha da Montanha.

Ma é acusado de procurar benefícios para terceiros na selecção e nomeação de quadros e ao arranjar empregos para terceiros, de aceitar presentes e dinheiro em violação dos regulamentos, ao ajudar familiares a adquirir habitações a preços reduzidos ou a utilizarem o seu cargo para obterem lucros avultados. Casos que a Comissão Central de Inspecção Disciplinar categoriza como “corrupção familiar de grande escala”.

 

Perda de ideais

O ex-governador da província vizinha é também acusado de “beneficiar terceiros em operações comerciais, adjudicação de projectos e promoções, e aceitando ilegalmente avultadas quantias de dinheiro e bens, quer por conta própria, quer em conluio com familiares e pessoas especificamente ligadas a si”. Como é habitual nestes casos, não são identificadas as pessoas que terão concedidos as “avultadas quantias de dinheiro e bens”.

Além da expulsão do PCC, Ma Xingrui foi destituído de todos os cargos públicos que exercia, incluindo enquanto delegado na Assembleia Popular Nacional, os bens “obtidos ilegalmente” foram confiscados e o caso foi remetido para o Ministério Público. Frequentemente, estes processos terminam com a condenação a pena de morte, que passa a suspensa e acaba por ser comutada para prisão perpétua.

Ma é o terceiro membro do Politburo do PCC, composto por 24 membros, seleccionado durante as Duas Sessões de 2022 a ser alvo de procedimentos disciplinares.

Ma Xingrui participou em várias reuniões de trabalho com o Executivo da RAEM para cooperação no combate à pandemia, para o desenvolvimento de Hengqin, mas também em matérias económicas, fronteiriças e, inclusive recebeu Ho Iat Seng durante um périplo do Executivo de Macau por cidades da província vizinha.

15 Jul 2026

Cheias | Chan quer prevenção de acordo com “importantes instruções” de Xi

O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, presidiu na segunda-feira a uma reunião no Centro de Operações de Protecção Civil que serviu para analisar a eficácia das operações de protecção civil, identificar riscos de segurança, avançar com medidas de prevenção de catástrofes e resposta a emergências durante a época das cheias.

O fio condutor para os trabalhos a desenvolver serão “as importantes instruções do Presidente Xi Jinping em matéria de prevenção de inundações e socorro em caso de catástrofes”, apontou o secretário. Chan referiu também a necessidade de cumprir as exigências do Chefe do Executivo no que toca ao reforço da segurança global de Macau, da salvaguarda da harmonia e a tranquilidade de Macau, bem como a segurança da vida e dos bens dos residentes.

O secretário apontou a necessidade de firmeza ideológica em áreas como prevenção e resposta a catástrofes naturais, segurança contra incêndios, e protecção da ordem pública e das infra-estruturas críticas. Assim sendo, Chan Tsz King exigiu aos líderes e supervisores que reforcem a educação e a formação ideológicas para consolidar, desde a origem, o sentido de responsabilidade e dedicação do pessoal, estabelecer valores profissionais correctos e fortalecer os alicerces ideológicos da equipa de gestão da segurança de Macau.

 

Trocado por miúdos

Em termos práticos, o secretário apelou a todos os departamentos da administração para acelerarem a preparação para prevenção de catástrofes, optimizando planos de contingência e a consolidação do stock de materiais, tendo em conta o início da época de tufões.

O secretário para a Segurança destacou também a importância de exigir responsabilidade empresarial e reforçar a supervisão para prevenir riscos que resultem do envelhecimento de edifícios, a atenção para a gestão de materiais perigosos em períodos de altas temperaturas, assim como para a segurança em eventos de grande escala e feriados. Foi também referida a importância de proteger edifícios históricos.

O governante salientou ainda que a segurança das zonas turísticas tem um impacto directo na imagem da cidade de Macau, e que é fundamental “prevenir rigorosamente os furtos, assaltos e incidentes extremos e repentinos”. Para tal, Chan pediu planos de mobilização do pessoal da linha da frente e de resposta a emergências mais robustos, para garantir a segurança de residentes e visitantes e manter a imagem de Macau como uma cidade segura, habitável e acolhedora para os turistas.

15 Jul 2026

ZAPE | Associação quer construir Torre de Belém e Alfama

Os Moradores acreditam que Réplicas da Torre de Belém e de Alfama podem ser a salvação da Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE), depois do encerramento de vários casinos

 

Uma associação tradicional de Macau quer construir uma réplica da Torre de Belém e do bairro de Alfama no território, no âmbito de um projecto para revitalizar uma zona onde fecharam recentemente vários casinos.

De acordo com um estudo enviado ontem à Lusa, o Centro de Políticas de Sabedoria Colectiva, um ‘think tank’ ligado à União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), afirmou que pretende criar “um distrito imersivo de experiência cultural portuguesa” na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE), “com réplicas à escala de marcos icónicos de Lisboa, como a Torre de Belém e o bairro da Alfama”.

Vários casinos encerraram portas no ano passado nesta zona e na vizinha área dos Novos Aterros do Porto Exterior (NAPE). Outrora animadas por jogadores, esta zona começou a receber menos pessoas, com casas de penhores e lojas de artigos de luxo vazias.

“Queremos renovar a área em estilo português e convidar artistas para actuações temáticas portuguesas, para que os turistas possam viver uma atmosfera portuguesa na ZAPE”, explicou à Lusa um representante do Centro de Políticas de Sabedoria Colectiva.

Mau planeamento

Os Serviços de Turismo disseram à Lusa, no final de 2025, que pretendiam atrair visitantes para esta área, de forma a apoiar o comércio local. Entre as medidas para o efeito, referiram, incluíam-se a realização de eventos e melhorias na paisagem urbana.

Embora as autoridades tenham organizado múltiplas actividades na ZAPE desde o encerramento dos casinos para estimular o comércio, o ‘think tank’ deixa críticas aos trabalhos, argumentando que “um mau planeamento espacial”, “esforços promocionais insuficientes” e “falta de monitorização de dados” fizeram com que “ainda não tivessem revertido fundamentalmente” o fraco consumo na zona.

O relatório sugere também a conversão de propriedades hoteleiras inactivas num centro de exposição cultural em língua portuguesa e num hotel de temática portuguesa, bem como a introdução de gastronomia, vinhos e produtos dos países de língua portuguesa.

Além disso, o grupo defende a organização regular de eventos culturais sino-portugueses, como festivais gastronómicos, festivais de música e desfiles de países de língua portuguesa, “para estabelecer um novo marco de intercâmbio cultural sino-português em Macau”.

Por toda a China, partes de grandes cidades foram transformadas para se assemelharem a destinos ocidentais e cidades inteiras foram inspiradas ou construídas à imagem de locais emblemáticos no exterior, tal como Paris (Tianducheng), Hallstatt (Luoyang e Guangzhou), Florença (Tianjin e Foshan), Londres (Suzhou), Manhattan (Tianjin), Reino Unido (Songjiang), Amesterdão e Países Baixos (Pudong) e Veneza (Dalian).

Em Zhuhai, foi construída uma réplica do Mosteiro dos Jerónimos, que funciona como centro comercial.

14 Jul 2026

Comissão dos mediadores imobiliários no Novo Bairro de Macau sobe para 3%

Os mediadores que desempenharem um papel nas vendas das fracções do Novo Bairro de Macau, na Ilha da Montanha, passam a receber uma comissão de 3 por cento. A informação surge no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP), que revela outras alterações no modelo das vendas.

A nova medida foi adoptada em Maio deste ano, e representa uma diferença face ao modelo que estava em vigor desde Novembro de 2023, quando os mediadores recebiam 1 por cento por cada negócio concretizado.

Até Dezembro do ano passado, segundo a informação da Macau Renovação Urbana, tinham sido vendidos cerca de 1.600 apartamentos no Novo Bairro de Macau, além de ter sido garantida a venda ou arrendamento de 1.200 parques de estacionamento.

No que diz respeito às fracções habitacionais comercializadas, a venda de 1.610 apartamentos representava 39,5 por cento dos apartamentos disponíveis no projecto.

Esta é a segunda alteração ao modelo de vendas desde o início do ano. Quando as primeiras habitações no Novo Bairro de Macau foram colocadas à venda, apenas cinco empresas estavam autorizadas a desempenhar esta tarefa.

No entanto, também desde o início do ano que essa limitação foi alterada, permitindo qualquer empresa licenciada em Macau e no Interior a mediar as compras e vendas das fracções. “Os serviços de mediação imobiliária do projecto Novo Bairro de Macau em Hengqin foram totalmente liberalizados a partir de 1 de Janeiro de 2026”, pode ler-se no portal da DSSGAP. “Os mediadores imobiliários devem ser titulares da licença válida de mediação imobiliária da República Popular da China e da Região Administrativa Especial de Macau”, foi acrescentado.

Menos limites

Estas não foram as únicas políticas para facilitar as vendas de apartamentos no Novo Bairro de Macau. Também em Fevereiro deste ano foi revelado que os residentes passaram a poder adquirir dois apartamentos no projecto, quando antigamente o limite era de apenas uma fracção habitacional.

Também os critérios de acesso aos apartamentos foram ajustados em Fevereiro, com a remoção do limite de idade, permitindo que menores de idade sejam proprietários. Além disso, foi anunciada a remoção da restrição de revenda dos apartamentos nos cinco anos após a compra.

Em Setembro de 2025, a Macau Renovação Urbana anunciou o início da venda das fracções na Torre 11 do complexo habitacional, com preços com descontos especiais para lugares de estacionamento, obras de renovação e na compra de electrodomésticos.

14 Jul 2026

Alfândega | Coutinho denuncia sobrecarga de trabalho e falta de pessoal

Sobrecarga de trabalho, criação de novas tarefas, falta de pessoal e perda de recursos humanos jovens estão a condicionar a labuta diária dos trabalhadores dos Serviços de Alfândega, segundo Pereira Coutinho. O deputado pergunta que planos tem o Governo para contornar a situação

 

O deputado Pereira Coutinho indicou ontem ter recebido pedidos de apoio de funcionários dos Serviços de Alfândega (SA)que se queixam do “aumento novas tarefas, a sobrecarga trabalho derivado da nítida falta de pessoal e a desestruturação da gestão de pessoas”. Numa interpelação escrita, o legislador refere que a situação de ruptura que se vive resultou no “crescente adoecimento físico e mental destes trabalhadores”, um “quadro preocupante que exige a atenção imediata das entidades tutelares”.

O deputado menciona o regime de trabalho por turnos, com plantões nocturnos e jornadas de trabalho que podem ultrapassar as 14 horas, provocando elevado desgaste físico, problemas musculares, perturbações neurológicas e esgotamento psicológico. Estes são alguns dos factores com que Pereira Coutinho justifica a saída de jovens agentes dos SA que invocam “razões de saúde”

Assim sendo, o deputado pergunta “que tipo de suportes psicológicos e médicos estão a ser disponibilizados aos trabalhadores das unidades mais pressionadas”, para prevenir o esgotamento e reduzir o stress laboral.

Outra questão apontada por Coutinho, é a perda de talentos jovens, “uma realidade documentada, com relatos de que cerca de 10 por cento dos jovens trabalhadores na sua totalidade licenciados deixam a instituição” devido à falta de correspondência entre habilitações académicas e tarefas “de lana caprina’” a que são incumbidos.

Problema de equilíbrio

O deputado refere também aquilo que designa como um “desequilíbrio significativo” nas estruturas de recursos humanos, com uma proporção entre quadros dirigentes e trabalhadores operacionais de 1 para 10, o que leva a um “desajustamento do pessoal nos níveis superiores e escassez crítica na base operacional”.

A soma destes factores resultou na “sobrecarga insustentável para os que permanecem na linha da frente, com repercussões graves na sua saúde e na qualidade do serviço prestado”. Coutinho sugere um plano de reafectação de pessoal para tratar de funções administrativas, de forma a libertar os agentes da linha da frente a reduzir a sobrecarga de trabalho.

A falta de progressão de carreira é outro dos problemas realçados por Pereira Coutinho. “Nos processos de promoção, além de um sistema de carreira extremamente congestionado, onde muitos trabalhadores permanecem uma década no mesmo posto”, o deputado argumenta que 60 por cento dos trabalhadores estão descontentes com o “actual sistema de avaliação de desempenho”.

14 Jul 2026

Metro Ligeiro | Ella Lei pede melhoria nos serviços e acessos

Após ter sido revelado que 97 por cento dos trabalhadores do metro são residentes locais, a deputada da FAOM pede que esta mão-de-obra seja mantida e a pedra basilar do futuro desenvolvimento deste meio de transporte

 

A deputada Ella Lei sugeriu que o desenvolvimento futuro do Metro Ligeiro deve focar-se na melhoria dos serviços actuais. A mensagem foi deixada ao jornal Ou Mun, após um comunicado da Sociedade do Metro Ligeiro a defender que o desenvolvimento dos serviços de excelência tem por base uma mão-de-obra 97 por cento local.

A legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários (FAOM) apontou que a Linha Leste do Metro Ligeiro entrará em serviço dentro de alguns anos, ao mesmo tempo que avança a construção de outras linhas. Como tal, Lei considera fundamental assegurar uma reserva de trabalhadores locais qualificados para desenvolver este meio de transporte.

Ella Lei sublinhou que, embora a maioria dos funcionários seja actualmente de Macau, a formação de quadros deve concentrar-se na equipa de gestão e na manutenção das carruagens, além da capacitação do pessoal da linha da frente.

A deputada acrescentou que a operação do Metro Ligeiro ainda está numa fase inicial, pelo que a experiência de gestão precisa de ser acumulada, sendo a manutenção técnica essencial para garantir a segurança operacional. Observou ainda que a crescente proporção de trabalhadores locais reflecte a eficácia inicial do mecanismo de promoção da empresa, sugerindo que este continue a ser aperfeiçoado para reter os profissionais na região.

Tiro às avarias

Quanto às avarias registadas nos últimos anos, a membro da FAOM defende que a empresa precisa de analisar as causas dos incidentes para rectificar a situação, e utilizar a experiência acumulada para reduzir frequência das emergências.

A deputada prevê também que as necessidades de deslocação da população aumentem à medida que a rede do Metro Ligeiro se expande. Por esta razão, espera que as autoridades preparem devidamente as medidas complementares e as aplicações digitais, recordando que o Governo já planeou a introdução de vários meios de pagamento, elementos publicitários e uma maior precisão nos anúncios das estações.

Além disso, a legisladora apontou a existência de problemas de ligação nas proximidades das estações, exemplificando com o progresso lento das obras de instalações para peões, tais como as passagens superiores na Linha da Taipa. Face a isto, Ella Lei apelou ao Governo para que acelere as obras de ligação em torno das actuais estações do Metro Ligeiro.

14 Jul 2026

Lisboa | Esculturas de Bowie Lio na Galeria Arte Periférica, no CCB, até 22 de Julho

A artista de Macau Bowie Lio Pou I tem uma exposição patente na Galeria Arte Periférica, em Lisboa, intitulada “Mãe Terra”. A mostra reúne uma colecção de trabalhos que celebram a ligação entre corpo, território e natureza

Foi inaugurada na sexta-feira em Lisboa, na Galeria Arte Periférica, a exposição “Mãe Terra” da artista de Macau Bowie Lio Pou I, que reúne esculturas e trabalhos que resultam da residência artística na capital portuguesa. A mostra vai estar patente na galeria, que fica no Centro Cultural de Belém, até ao dia 22 de Julho.

Segundo um comunicado da galeria, a exposição da artista, que venceu o Prémio da Fundação Oriente, representa uma celebração das ligações que se estabelecem entre corpo, território e natureza.

Actualmente em Portugal, em residência artística promovida pela Arte Periférica, Bowie Lio aprofunda a sua investigação visual e amplia o diálogo entre Macau e o contexto artístico português, refere a organização.

Durante o período da residência artística, “a Arte Periférica organiza também uma exposição de curta duração, oferecendo ao público a oportunidade rara de conhecer de perto a sua linguagem poética, espiritual e ecológica”.

A artista indica que as obras expostas em Belém evocam um “sussurro” de retorno às origens e “um hino à terra”.

“Esta série é a minha resposta à terra, ao sopro vivo da natureza, à insistência silenciosa da própria vida. Nascemos da terra; acalentados, moldados e sustentados por ela, as nossas raízes entrelaçadas com as dela, as nossas histórias entrelaçadas na paisagem. Desse sentimento de pertença brotam estas obras”, indica Bowie Lio.

 

Reflexões frágeis

Esta é a terceira exposição em nível individual da artista de Macau, depois de se ter estreado “a solo” em 2022 com “Roam – Exposição de Cerâmica”, que esteve exposta na Incubadora de Indústrias Criativas do espaço 10 Fantasia, ao lado do Albergue SCM.

No ano passado, Bowie Lio apresentou “The Whims of Creation”, no Salão de Outono da Art for All Society (AFA).

Sobre as obras que marcam a sua primeira mostra fora de portas, a escultora alia a expressão criativa aos elementos e ao mundo natural. “Torno-me a Mãe Terra: construo montanhas que perfuram as nuvens, cumes que se respondem uns aos outros como ecos antigos. Nuvens pálidas inclinam-se sobre os meus ombros, dobrando-se nas cavidades quentes dos vales com florestas, em busca de abrigo na curva das minhas colinas”, reflecte.

A artista reforça que “Mãe Terra” é mais do que um símbolo: “É memória e promessa, um espelho vivo da nossa frágil ligação com o mundo natural. Através destas obras, convido à contemplação e ao cuidado que elas despertem uma relação mais terna e responsável com os lugares que nos acolhem”.

Bowie Lio licenciou-se em Artes Visuais no ainda Instituto Politécnico de Macau e participou, em 2019, num intercâmbio de estudantes com a Escola Superior de Artes e Design, nas Caldas da Rainha.

Desde 2020 tem participado em diversas exposições colectivas em Macau, Guangzhou e em Lisboa.

13 Jul 2026

Caso das Saunas | PJ anuncia detenção de mais um agente aposentado

O número de agentes e ex-agentes envolvidos nas três organizações de exploração de prostituição subiu para seis. A mais recente detenção aconteceu na quinta-feira, quando o suspeito que estava a monte entrou no território

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de mais um inspector reformado ligado ao caso das saunas. A informação foi revelada na sexta-feira, e faz subir para seis o número de agentes e ex-agentes da PJ ou do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) detidos.

O suspeito tem 63 anos, é um residente local, agente reformado da PJ e foi detido na quinta-feira, pouco tempo depois de ter entrado em Macau.

Segundo a investigação, o suspeito juntou-se, em 2024, a um dos grupos de exploração de prostituição e recebia mensalmente 100 mil patacas para fornecer informações ao grupo sobre as fiscalizações policiais.

Além disso, a PJ indicou que o detido aconselhava o grupo de exploração de saunas a operar de forma a evitar a aplicação da lei e a evitar as potenciais investigações. O agente reformado é assim suspeito de auxiliar o grupo ilegal a organizar e manter a exploração contínua da prostituição, e lucrar pelo menos 2,6 milhões de patacas.

Quando apresentou a detenção, a PJ afirmou que “dispõe de provas suficientes” para demonstrar que o detido integrava a organização criminosa de exploração de prostituição, recebia pelo papel que desempenhava e ajudava a encobrir as actividades tidas como ilegais.

O homem está indiciado pelos crimes de associação criminosa, exploração de prostituição e favorecimento pessoal.

À espera da entrada

A PJ comunicou também que a detenção do sexto agente só foi possível na quinta-feira, porque até agora o homem estava fora de Macau.

Apesar disso, as autoridades estavam sinalizadas para a necessidade de fazer a detenção, o que aconteceu na quinta-feira, na Zona Norte de Macau, depois do homem ter voltado ao território.

O caso das saunas foi revelado no mês passado, quando a PJ anunciou a detenção de 26 pessoas, incluindo três polícias e dois agentes reformados, por alegadamente estarem envolvidos numa rede de prostituição. Entre os detidos encontra-se Leong Heng Hong, então Segundo-Comandante do CPSP e que foi removido do cargo, após a detenção.

As autoridades acreditam que os envolvidos nos alegados crimes foram responsáveis pela gestão e exploração de várias saunas que terão gerado lucros de 790 milhões de patacas.

Apesar de o caso só ter sido revelado no mês passado, a PJ divulgou que desde 2019 tinha informações sobre a existência de três grupos de prostituição que utilizavam saunas como fachada para disfarçarem a prestação de serviços sexuais, com mulheres recrutadas na Ásia, Sudeste Asiático e no Leste Europeu.

13 Jul 2026

Países hispânicos | Macau é “largamente desconhecido”

Apesar do desconhecimento geral, Macau pode ter sucesso no novo objectivo se conseguir provar que é a melhor forma de os países hispânicos explorarem as relações comerciais com a China ou se afirmar a nível do investimento em infra-estruturas

 

Analistas hispânicos consideraram em declarações à Lusa que Macau continua “largamente desconhecido” para países de língua espanhola, apesar da ambição do Governo local em afirmar-se como plataforma de ligação entre a China e o bloco hispanófono.

Segundo Carlos Martin, professor associado em Relações Internacionais na Universidade Europeia de Valência, Macau tem “um potencial ainda por explorar”, com “bases para se tornar o conector natural entre a China e o mundo hispânico”, mas continua “largamente desconhecido nesses mercados”.

O académico defendeu à Lusa que o Governo deve “executar uma estratégia inteligente para activar as conexões certas”, de maneira a que os sectores civil e empresarial “vejam Macau como a melhor opção para operar na China”.

O analista espanhol propõe mesmo a criação de ligações regionais específicas, sugerindo “ligar os centros regionais adequados”, como por exemplo, Macau e cidades espanholas como Valência e outras.

Para Martin, a ligação cultural entre Macau e os países hispanófonos é relevante, fruto da sua história lusófona, mas não suficiente, pois “o tamanho das empresas, os sectores envolvidos, a mão de obra necessária” são factores que influenciam a “perspectiva dos governos regionais e a forma como consideram a cooperação e o equilíbrio do envolvimento”.

O académico concluiu também que as oportunidades não se limitam a um país ou região, e que, “se o foco for apenas empresarial”, oportunidades podem ser encontradas em todo o continente latino-americano.

“Destaco directamente o interesse da Argentina, Colômbia e Equador [no mercado chinês]”, indicou.

Poderio económico

A China é actualmente o segundo maior parceiro comercial de toda a América Latina, com o comércio bilateral a atingir o recorde de 518 mil milhões de dólares em 2025.

O Governo chinês definiu em 2003 Macau como uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa, papel que foi expandido pelo novo líder da região, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua espanhola.

Questionado sobre se Macau pode ter esse papel de ligação com a China, Juan Enrique Serrano Moreno, professor associado do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, é peremptório: “Não creio”.

“Não penso que Macau venha a tornar-se um centro de negócios para empresários latino-americanos. Há formas mais eficazes através de centros de negócios na China continental e, em menor medida, em Singapura”, indicou à Lusa o analista chileno.

Ignacio Araya, analista relações China–América Latina na Universidade Diego Portales, sublinhou que Macau está a procurar “um papel maior dentro da projecção internacional que a China está a construir hoje”.

Para o académico, o território pode funcionar como “ponte complementar”, especialmente para ligar latino-americanos ao sul da China e à província de Guangdong.

Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial na vizinha Hengqin, estabelecida para ajudar a diversificação económica da cidade, oferecem também uma via para a entrada das empresas dos países de língua espanhola na China.

Araya destaca, no entanto, que “a oportunidade mais concreta está nas infra-estruturas”, lembrando que Macau foi sede do Fórum de Cooperação em Infra-estruturas China-América Latina e Caraíbas.

“Macau pode ser especialmente útil se se especializar como nó de infra-estruturas para o Brasil e outros países sul-americanos, onde já existe uma presença significativa de empresas e financiamento chineses”, acrescentou.

O investigador destacou que a China não se projecta internacionalmente apenas a partir de Pequim, fazendo-o também através de províncias, cidades e universidades com “agendas próprias de internacionalização”.

“Nesse mapa, Macau pode ser útil, se se posicionar como um nó especializado capaz de articular essas conexões, não como substituto de outros canais, mas como espaço capaz de os interligar”, concluiu.

13 Jul 2026

Desastres Naturais | Governo reúne para exigir melhor preparação

Segundo a versão oficial, o encontro agendado pelo Chefe do Executivo visou “implementar uma série de importantes instruções do Presidente Xi Jinping sobre a prevenção de inundações e socorro em catástrofes”

 

Face aos desafios de Verão, como as inundações e tufões, o Chefe do Executivo exigiu aos serviços que melhorem “ainda mais o trabalho da segurança geral”, de forma a assegurar “a harmonia e tranquilidade da conjuntura de Macau e a segurança da vida e dos bens da população”. A mensagem foi deixada durante uma reunião realizada na sexta-feira, e divulgada em comunicado.

O encontro foi convocado por Sam Hou Fai para “implementar uma série de importantes instruções do Presidente Xi Jinping sobre a prevenção de inundações e socorro em catástrofes, a prevenção resoluta de ocorrência de incidentes graves e a salvaguarda efectiva da segurança da vida e dos bens do povo”.

As instruções do Chefe do Executivo focaram seis áreas diferentes, a começar pela identificação e resposta a “riscos de incêndio e de segurança em estaleiros de construção, bem como, na prevenção e preparação para desastres extremos, como ventos, chuvas e marés”. Em segundo lugar, Sam pediu o reforço da segurança nos “estabelecimentos relevantes, bairros antigos e durante os feriados principais”, ao mesmo tempo que se avança com a renovação urbana.

O líder do Governo pediu também que se efectuem “seriamente os trabalhos de prevenção de inundações, ventos e marés” e o reforço da “previsão meteorológica” e dos “alertas de condições meteorológicas extremas”.

Melhorar a resposta

Ao mesmo tempo, foi pedido aos serviços para elevarem “o nível das capacidades das equipas de socorro profissionais de Macau” e para optimizarem “o sistema de gestão de contingência de protecção civil e também contra incêndios”.

O esforço não se fica apenas por medidas entre os serviços, Sam Hou Fai também exigiu a intensificação da “educação da população em geral sobre a consciência de segurança”, tendo em conta a luta contra incêndios, prevenção, redução e acções de salvamento em catástrofes.

Finalmente, o líder do Executivo pediu o reforço da “colaboração com as principais associações para identificação de todos os tipos de riscos, mobilizando a força das associações para ajudar a despistar diferentes tipos de riscos em habitações”.

Além de Sam Hou Fai e dos secretários do Governo participaram ainda na reunião o presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong, a presidente do Tribunal de Última Instância, Song Man Lei, a comissária contra a Corrupção, Ao Ieong Seong, o Comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários, Leong Man Cheong e o director-geral dos Serviços de Alfândega, Adriano Marques Ho.

13 Jul 2026

DSAT | Recebidas 47 propostas para licenças para 700 táxis novos

O concurso público para atribuir 14 licenças que vão colocar no mercado 700 novos táxis recebeu 47 propostas. Cada concessionário poderá operar 50 veículos. Um dos requisitos do concurso passa pela obrigatoriedade de os serviços estarem disponíveis em aplicações online para chamar táxis

Foram abertas ontem as propostas do concurso público para atribuição de 14 licenças de táxi, que vão introduzir 700 novos táxis no território. Cada concessionária poderá operar 50 veículos. Segundo a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), foram recebidas 47 propostas para as licenças e os resultados do concurso serão divulgados no último trimestre deste ano.

Ainda não há certeza quanto a datas, mas a DSAT prevê que as sete centenas de novas viaturas comecem a operar de forma faseada entre o segundo e o terceiro trimestre do próximo ano, e terão licença para operar durante oito anos.

Um dos requisitos para a atribuição de licenças procura colmatar uma lacuna do mercado de táxis de Macau: a não generalização das plataformas online para chamar um táxi, como funciona a Uber ou DiDi. Dessa forma, um dos requisitos para a atribuição das licenças é a obrigatoriedade de fornecer serviços de marcação de táxis, à semelhança da forma como operam as aplicações referidas.

O chefe da Divisão de Gestão de Transportes da DSAT, Pang Man Kin, afirmou ontem que actualmente estão em circulação 1.553 táxis, 303 dos quais vão sair do mercado com a validade das licenças a expirarem em 2028.

Termos e condições

Além do requisito de facultar os serviços de táxi em plataformas online, as empresas candidatas ao concurso público também devem garantir que as viaturas são híbridas (gasolina e electricidade), ou movidas a energias renováveis, têm capacidade para seis lugares e aceitam pagamentos electrónicos.

Além disso, cada concessionária tem de incluir na sua frota veículos aptos a transportar pessoas com mobilidade reduzida.

Recorde-se que entre os critérios de avaliação das propostas, o Governo terá em conta sobretudo o valor da licença, mas também a proporção de recursos humanos locais contratados.

O preço base das licenças foi fixado em 2,5 milhões de patacas e do concurso não pode resultar que uma empresa fique com a operação de mais de 300 táxis. Além do preço das licenças, os candidatos tiveram de pagar uma caução de 3,5 milhões de patacas para submeter as propostas.

12 Jul 2026

Atropelamentos | DSAT prepara mais passagens aéreas pedonais

Após o acidente mortal com uma criança de 10 anos, o Executivo quer “segregar” carros e pessoas, através de passagens aéreas e subterrâneas. As medidas ainda estão a ser equacionadas pela DSAT

Face ao recente atropelamento fatal de uma criança na passadeira, a Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) quer reduzir o número de passadeiras, levar os peões a subirem escadas e a esperarem por elevadores para atravessarem as estradas. A estratégia está a ser estudada e foi explicada na resposta a uma interpelação escrita do deputado José Pereira Coutinho.

Segundo o documento assinado por Chiang Ngoc Vai, director da DSAT, a estratégia para reduzir o número de atropelamentos passa pela aposta “na segregação entre veículos e peões”.

A DSAT está, assim, a “estudar” a criação “de instalações pedonais desniveladas em determinados troços de elevada circulação, em novas zonas urbanas e em locais onde se verifiquem riscos de segurança na travessia”.

Os governantes acreditam que com mais passadeiras aéreas, ou subterrâneas, acedidas através de rampas, escadas e elevadores vai ser possível melhorar “o ambiente de deslocação pedonal”.

O documento com a data de 29 de Junho explica que as medidas ainda vão demorar algum tempo a ser implementadas, porque o Governo está ainda numa fase de auscultação das escolas e associações locais.

A resposta foi escrita antes da passada segunda-feira, dia em que foram registados quatro atropelamentos, dois dos quais em passadeiras.

Na interpelação, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pretendia saber quais são os esforços feitos pelas autoridades para familiarizar os condutores do exterior com as estradas e hábitos de condução locais.

Vídeos online

Na resposta, Chiang Ngoc Vai indicou que foram colocados vídeos online e que foram emitidas “orientações”: “Relativamente às precauções a ter em conta pelos condutores provenientes do exterior ao conduzir em Macau, a DSAT e o CPSP [Corpo de Polícia de Segurança Pública] lançaram conjuntamente as ‘Orientações e normas de condução a cumprir em Macau’”, foi contado. “A par disso, foi publicada na página electrónica oficial uma série de vídeos sobre a ‘Situação rodoviária de Macau’, acompanhados de textos e imagens, no sentido de reforçar, desde a sua origem, a consciencialização destes condutores sobre o cumprimento da lei”, foi acrescentado.

Chiang indica que como forma de garantir a segurança, as autoridades multaram 2.176 pessoas por atravessar a estrada fora da passadeira, e 1.279 condutores por não cederem passagem nas passadeiras ou conduzirem ao telemóvel.

12 Jul 2026

Concerto | Belle and Sebastian regressam a Hong Kong em Outubro

É oficial! Os Belle and Sebastian estão de volta a Hong Kong com um concerto no Tides no dia 2 de Outubro, às 20h, para tocar na sua totalidade um dos mais aclamados discos do indie pop dos anos 1990: “If You’re Feeling Sinister”, lançado em 1996.

Os bilhetes estão à venda desde sexta-feira, com os preços a variar entre 680 e 880 dólares de Hong Kong. O espaço Tides fica em Whampoa (Kowloon).

O alinhamento do concerto estará dividido em duas partes. Na primeira parte, a banda escocesa irá tocar na integra o disco que celebra este ano três décadas de lançamento, pela mesma ordem das faixas no álbum. Na segunda parte, o alinhamento será imprevisível, passando, por certo, por alguns hinos da banda de Stuart Murdoch e companhia.

A última vez que os Belle and Sebastian actuaram em Hong Kong foi em Fevereiro de 2015, na AsiaWorld Expo, numa tournée baseada no acabado de sair “Girls in Peacetime Want to Dance”.

O disco que a banda vai tocar na totalidade no Tides é o registo do meio de uma trilogia de álbuns que os colocou numa espécie de Olimpo indie a meio dos anos 1990. “Tigermik” saiu em Junho 1996, e cinco meses depois era lançado “If You’re Feeling Sinister”, menos de dois depois a banda lançava “The Boy with the Arab Strap”, formando um corpo de músicas impressionante para uma banda formada, na altura, há menos de três anos.

 

Como Dylan nos filmes

Com os três primeiros discos na bagagem, e um bom punhado de hinos que marcaram a época de ouro do indie-pop, a banda alargou a sua legião de fãs.

Em Outubro, os Belle and Sebastian chegam a Hong Kong com 12 discos, mas é o segundo que estará em destaque. “The Stars of Track and Field”, que abre o álbum, seguindo de “Seeing Other People”, “Me and the Major” e “Like Dylan in the Movies”, são todos clássicos que resistiram à passagem do tempo.

Os Belle and Sebastian foram formados por Stuart Murdoch na guitarra, piano e voz e o baixista Stuart David (que saiu da banda em 2000), que se conheceram num programa para músicos desempregados. Continuam na banda alguns membros da formação original, como Stevie Jackson também na guitarra, vozes e piano, Chris Geddes em sintetizador, piano e percussão, Richard Colburn na bateria e Sarah Martin no violino, flauta, sintetizador e percussão. Hoje em dia, a guitarra baixo está a cargo de Bobby Kildea.

A cantora Isobel Campbell esteve na fundação da banda, mas embarcou numa carreira a solo e múltiplas colaborações a partir de 2002, incluindo três discos com Mark Lanegan.

A digressão que traz a banda escocesa a Hong Kong irá passar por Lisboa, para um concerto no Coliseu dos Recreios no próximo dia 21 de Julho.

12 Jul 2026

Casinos | Transações duvidosas sobem 8,7% no até Junho

As transações suspeitas em casinos subiram 8,7 por cento na primeira metade do ano, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais. Das mais de 2.700 participações recebidas pelo Gabinete de Informação Financeira, 73,7 por cento foram provenientes de casinos

 

Durante os primeiros seis meses de 2026, o Gabinete de Informação Financeira (GIF) registou um aumento de 8,7 por cento das transações suspeitas nos casinos do território. A entidade referiu que as seis operadoras de jogo submeteram, no total, 2.018 participações de transações suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo.

Segundo estatísticas divulgadas na terça-feira, o GIF apontou “o aumento do número de participações reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para uma subida de 9,5 por cento no número total de transações suspeitas.

Entre Janeiro e Junho, o gabinete recebeu 2.753 participações, sendo que 73,3 por cento vieram das concessionárias de casinos, enquanto 19,1 por cento vieram de bancos e seguradoras e 7,6 por cento de outras instituições e entidades.

Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transação igual ou superior a 500 mil patacas.

Em 2025, o GIF recebeu 4.925 participações, menos 6,1 por cento do que no ano anterior, quando Macau tinha fixado um recorde no número de transações suspeitas.

 

Fama ou proveito

No final de Março, o Ministério Público de Taiwan acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (893 milhões de euros), provenientes de jogo ilegal na Internet.

Em Março de 2022, o Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial, apontando os angariadores de grandes apostadores (conhecidos como ‘junkets’) e as “actividades ilícitas que eles muitas vezes facilitam”. Isto apesar da detenção, em Novembro de 2021, de Alvin Chau Cheok Wa, líder da Suncity, então o maior angariador de apostas VIP do mundo.

No início de Abril, especialistas em crime organizado indicaram à Lusa que Macau continua a ser um “nó fundamental para a lavagem de dinheiro” por organizações criminosas, apesar do desmantelamento do sistema de ‘junkets’.

“Embora grandes sindicatos criminosos chineses tenham deslocado operações pelo Sudeste Asiático em resposta a medidas repressivas, Macau continua a ser um ponto operacional e de encontro para estas redes profundamente enraizadas”, disse Martin Pubrick, antigo membro da Polícia Real de Hong Kong e especialista em corrupção e crime organizado. “Casas de câmbio, lojas de penhores e movimentos através de cartões de crédito absorveram essa procura, o que pode significar que a lavagem de dinheiro em Macau é hoje menos centralizada e menos visível”, sublinhou John Wojcik, investigador sénior da Infoblox Threat Intelligence e ex-analista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

9 Jul 2026

PJ | Investigador demitido por ausências e atrasos foi reintegrado

O cancelamento da demissão resulta de uma decisão do Tribunal de Segunda Instância, que entendeu que o processo disciplinar não teve em conta os mais de 10 anos de classificações de bom e muito bom do desempenho do agente

 

 

A Polícia Judiciária (PJ) foi obrigada a reintegrar um investigador criminal que através de atrasos e ausências sem autorização evitou 22 dias interpolados de trabalho no espaço de um ano e meio. A informação foi publicada ontem no Boletim Oficial, e resulta de uma decisão do Tribunal de Segunda Instância (TSI) que considerou ilegal a aplicação da pena de demissão ao agente.

“Nos termos do artigo 174.º do Código de Processo Administrativo Contencioso […] é anulada a pena de demissão ao ex-investigador criminal principal […] com efeitos retroactivos a partir do dia 23 de Novembro de 2024”, pode ler-se num despacho assinado por Sit Chong Meng, director da PJ.

O caso começou em 2022, quando a PJ instaurou um processo disciplinar ao agente ligado a várias infracções, todas cometidas entre Agosto e Setembro desse ano.

Segundo a acusação, o agente deixou o posto de trabalho sem autorização 12 vezes, chegou atrasado ou saiu antes de cumprir o horário 12 vezes, não picou o ponto 33 vezes, apresentou 8 relatórios falsos de trabalho, transferiu as chamadas do telemóvel de trabalho para o seu telemóvel pessoal seis vezes, o que contraria as normas internas, e não apresentou um relatório de transferência de turno. Houve ainda 18 vezes em que deixou Macau e foi a Zhuhai sem pedir autorização aos superiores, como exige o regulamento interno da PJ.

Com base nas infracções de atrasos e saídas do posto de trabalho, a PJ concluiu que o agente deixou por cumprir um total de horas que é equivalente a 22 dias de trabalho.

Atenuantes ignoradas

Apesar de a acusação não ter levantado problemas a nível da factualidade para o TSI, os juízes optaram por aceitar o recurso do agente, porque o processo disciplinar não valorizou condições atenuantes nem explicou o impacto das infracções na manutenção da relação entre as duas partes.

Segundo o tribunal, a penalização do processo disciplinar está obrigada a ter em conta a conduta do agente antes e depois das infracções. Em relação a este aspecto, concluiu-se que em mais de 10 anos de serviço o agente teve um desempenho classificado como “bom” ou “muito bom”. Como este facto não foi considerado pela Administração, a pena de demissão foi anulada pelo tribunal.

A sanção tinha também valorizado a agravante de o agente ter um grau de bacharel e ter atingido a categoria de investigador criminal principal. Apesar da regra que exige mais a quem tem um nível de instrução superior e funções com mais responsabilidade, os juízes entenderam que tal não se aplica a deveres gerais mais básicos, como os zelo e obediência.

9 Jul 2026

Albergue SCM | Exposição apresenta trabalhos do arquitecto He Jingtang

Na próxima quarta-feira, o Albergue SCM acolhe uma a exposição “Lugar, Cultura, Tempo — Design para um desenvolvimento de alta qualidade na China: Selecção de obras arquitectónicas de He Jingtang e da sua equipa”. A mostra centra-se nas obras de marcos académicos do arquitecto e académico chinês

 

No próxima quarta-feira, dia 15, é inaugurada no Albergue SCM a exposição “Lugar, Cultura, Tempo — Design para um desenvolvimento de alta qualidade na China: Selecção de obras arquitectónicas de He Jingtang e da sua equipa”. A cerimónia que dará o pontapé de saída da mostra está marcada para as 18h30 de quarta-feira e estará patente ao público até 13 de Agosto na Galeria A2 do Albergue.

Centrada no conceito central de “Lugar, Cultura, Tempo”, a mostra reúne uma selecção de obras arquitectónicas e os marcos académicos alcançados ao longo dos anos por He Jingtang e a sua equipa.

A organização, a cargo do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, da Federação de Académicos de Guangdong e Instituto de Pesquisa e Design de Arquitectura da Universidade de Tecnologia do Sul da China, salienta que a iniciativa tem como objectivos a promoção da arte e cultura arquitectónicas e criar uma plataforma para o intercâmbio mútuo e o enriquecimento entre Macau e o Interior da China.

He Jingtang nasceu em 1938 em Dongguan, na província vizinha de Guangdong. É arquitecto e membro da Academia Chinesa de Engenharia, e actualmente desempenha as funções de Reitor Honorário da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Tecnologia do Sul da China.

Ao longo da carreira, He Jingtang especializou-se na concepção de edifícios com fins culturais, assim como no planeamento de campus, liderando equipas de profissionais responsáveis pela concepção e concretização de um grande número de edifícios emblemáticos com influência internacional.

Vida cheia

Entre os projectos mais emblemáticos de He Jingtang contam-se o Pavilhão da China na Exposição Mundial de 2010 em Xangai, a ampliação do Memorial às Vítimas do Massacre de Nanjing perpetrado pelos invasores japoneses (Local de Memória Público Nacional), o Centro Internacional de Conferências de Qingdao (sede principal da Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai), o Arquivo Nacional de Publicações e Cultura (Guangzhou), o Museu da China (Hainan) do Mar da China Meridional.

Entre os projectos de espaços e edifícios dedicados ao ensino, destaque local para o Campus de Hengqin da Universidade de Macau no portfolio do académico e arquitecto.

Outra das conquistas de He Jingtang, foi quebrar o monopólio de arquitectos estrangeiros na concepção de marcos nacionais chineses, liderando o caminho da criação arquitectónica com características chinesas, descreve a organização da exposição.

Com uma vida de trabalho com arquitecto, académico e investigador, He desenvolveu a teoria “Dois Conceitos (conceitos holísticos e sustentáveis) e Três Características (lugar, cultura e tempo)”, que está no cerne dos trabalhos selecionados.

A mostra pode ser visitada todos os dias das 12h às 19h, excepto às segundas-feiras em que o horário vai das 15h às 19h. A entrada é livre.

9 Jul 2026

Obras | Túnel entre Portas do Cerco e Parque Desportivo custa 1,7 mil milhões

A concepção e construção do túnel entre as estações das Portas do Cerco e do Parque Desportivo para os Cidadãos, da Linha Leste do Metro Ligeiro, vai custar 1,74 mil milhões de patacas. O adjudicatário do projecto é um consórcio de empresas estatais, que irá receber pagamentos faseados a partir deste ano até 2030

A empreitada de concepção e construção do túnel, com recurso a tuneladora, para a extensão da Linha Leste do Metro Ligeiro da Estação ES1, nas imediações das Portas do Cerco, até à Estação do Parque Desportivo para os Cidadãos vai custar mais de 1,74 mil milhões de patacas aos cofres públicos, num pagamento faseado entre este ano e 2030.

A informação consta da relação discriminada de encargos plurianuais publicada ontem no Boletim Oficial pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF).

Os trabalhos vão estar a cargo de um consórcio formado pela Ccecc (Macau) Companhia de Construção e Engenharia Civil China, a Companhia de Fomento Predial Nam Kwong, e a China Railway.

A factura deste ano será de 24,3 milhões de patacas, subindo para o custo anual mais elevado em 2027 para 662,7 milhões de patacas, e 514,7 milhões de patacas em 2028. No ano seguinte, o consórcio de empresas estatais irá receber 486,7 milhões de patacas e, finalmente, em 2030 a RAEM irá desembolsar 54,8 milhões de patacas.

A Linha Leste do Metro Ligeiro terá um traçado de cerca de 7,7 quilómetros de comprimento, seis estações e fará a ligação às Portas do Cerco, à Zona A dos Novos Aterros Urbanos, à Zona E dos Novos Aterros Urbanos, bem como à Estação do Terminal Marítimo da Taipa, também servida pela Linha da Taipa. As três primeiras estações serão subterrâneas.

Prata e bronze

A segunda obra com custos mais elevados, mencionada ontem na relação de encargos plurianuais, é a empreitada de concepção e construção de habitação pública no lote A3 da Zona A dos novos aterros.

Os trabalhos foram adjudicados ao consórcio formado pela Companhia de Construção & Engenharia Shing Lung e a AD&C Engenharia e Construções Companhia por 1,1 mil milhões de patacas. Este é o último ano, desde 2022, em que o projecto entra no relatório da DSF, com um custo de 1,5 milhões de patacas. O ano mais “caro” foi 2024, quando o projecto representou um encargo de quase 502 milhões de patacas.

A terceira obra mais cara para os cofres da RAEM enumerada pela DSF diz respeito à empreitada de construção do Edifício de Escritórios para a Administração no Lote Q-1d da ZAPE – Obra de Superestrutura, adjudicada à Top Builders Internacional por 346,4 milhões de patacas, pagos a três anos.

Este ano, o projecto que irá congregar múltiplos serviços públicos, irá custar cerca de 33,7 milhões de patacas, valor que sobe para 201,4 milhões de patacas em 2027. No último ano da empreitada da superestrutura, a RAEM terá de desembolsar quase 111,3 milhões de patacas.

Consignado no mês passado, e com data de conclusão apontada para Julho de 2028, a obra tem como projectista a Luís Sá Machado, Conceição Perry e Isabel Bragança Arquitectos Limitada. Recorde-se que o projecto tem uma área de implantação de cerca de 2.770 metros quadrados, onde será construído um edifício de escritórios para a Administração com 12 pisos de altura e três pisos em cave.

9 Jul 2026

Hengqin | Entrada de veículos de Macau em toda a província no horizonte

As autoridades de Guangdong deram o primeiro passo para possibilitar a circulação em toda a província a veículos de Macau autorizados nas estradas de Hengqin. Esse passo foi a recolha de opiniões. Num primeiro instante, será dada prioridade a residentes que vivam, trabalhem ou tenham negócios na zona de cooperação

Poderá estar para breve a correcção de uma incongruência ao nível das políticas de integração entre a RAEM e a província vizinha de Guangdong em que os veículos com matrícula de Macau autorizados a entrar em Hengqin não podiam conduzir nas estradas de Guangdong, e os autorizados a conduzir em Guangdong não podiam entrar em Hengqin.

Na segunda-feira, o Gabinete para os assuntos da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin do Governo Popular da Província de Guangdong começou a recolher opiniões sobre a possibilidade de os veículos de Macau em Hengqin poderem circular em Guangdong. O período de auscultação irá decorrer até quarta-feira da próxima semana.

Segundo as autoridades provinciais, para solicitar autorização para saírem da Ilha da Montanha para o Interior, os condutores de Macau devem cumprir os mesmos requisitos que lhes permitem conduzir em Hengqin. A saber, são elegíveis residentes que compraram um imóvel ou trabalhem na zona de cooperação, que tenham chegado a Hengqin a através do programa de captação de quadros qualificados.

No entanto, as autoridades de Guangdong sublinharam que será dada prioridade a pedidos submetidos por residentes que vivam, trabalhem e criem negócios na Zona de Cooperação Aprofundada.

Regras do jogo

Cada veículo com matrícula da RAEM pode registar um máximo de dois condutores de Macau, que precisam de ter carta de condução do Interior da China, assim como documentos válidos de migração, para poderem sair de Hengqin e conduzir no resto da província. Quando a medida entrar em vigor e forem entregues pedidos para circular em Hengqin, os requerentes podem logo pedir também a saída da ilha.

Além disso, a validade da licença provisória para entrar em Guangdong precisa de ser igual à do seguro obrigatório, mas o período máximo não pode ultrapassar um ano.

Porém, a permanência dos veículos do lado de lá da fronteira não é ilimitada. A contar do primeiro dia de entrada em Hengqin, os veículos devem regressar a Macau num prazo máximo de seis meses. Se saírem de Hengqin, não podem permanecer em Guangdong mais de 30 dias seguidos, e o número de dias acumulados não pode ultrapassar 180 dias por ano.

Quem violar estas regras de permanência ou conduzir fora de Guangdong, pode ficar entre 1 a 2 anos sem licença.

A polícia de Guangdong incluiu ainda um capítulo sobre responsabilidade legal que pode levar ao cancelamento da licença, sem que possa ser pedida nova licença num espaço de três anos. Estas penalizações aplicam-se a quem use o carro para fazer contrabando, imigração ilegal, ou em caso de fuga após acidente de trânsito.

9 Jul 2026

Concerto | ITZY trazem energia adolescente do Kpop ao Venetian

A banda coreana ITZY vai actuar no Venetian Arena no dia 15 de Agosto, prevendo-se uma corrida aos bilhetes, que serão postos à venda na próxima segunda-feira. O público pode esperar uma performance enérgica, uma grande produção visual em palco e uma celebração da cultura “teen crush”

Atitude e energia, dois dos principais pilares do conceito “teen crush” transversal a muitas das girl bands do pop coreana actual. Estes são os ingredientes que fizeram das ITZI um fenómeno de popularidade. A banda sul-coreana vai actuar no Venetian Arena no próximo dia 15 de Agosto, às 18h, e os bilhetes serão postos à venda na próxima segunda-feira ao meio-dia a preços que variam entre 799 e 1.999 patacas.

O concerto em Macau da banda que Kpop está integrado na sua terceira digressão mundial, a “ITZY 3rd World Tour”, como foi originalmente designada. O conjunto de espectáculos desta tournée promete deslumbrar o público com uma produção cénica totalmente nova, efeitos visuais melhorados e actuações ao vivo electrizantes, tudo o que é preciso para um início de noite memorável para os fãs (os MIDZY).

Desde a estreia em 2019 com “Dalla Dalla”, as ITZY afirmaram-se como um dos principais grupos femininos do K-pop com êxitos como “Wannabe”, “Loco”, “Sneakers” e “Untouchable”, alcançando uma popularidade impossível de ignorar na indústria, não só rebentando tabelas de vendas, como arrebatando prémios musicais e reconhecimento internacional.

Após duas digressões mundiais e o lançamento do mais recente mini-álbum, “Tunnel Vision”, as ITZY chegam a Macau com o estatuto de um dos principais grupos femininos de Kpop.

Rebeldia sem causa

A aparência, atitude e as letras da banda transpiram irreverência e atrevimento, factores que determinam a presença dinâmica em palco de Yeji, Lia, Ryujin, Chaeryeong e Yuna. Estes são os ingredientes que o quinteto usa para apelar ao público mais jovem através do conceito “teen crush”, uma fórmula comercial “desenhada” por produtores para capitalizar no poder de compra dos adolescentes.

Este conceito, muito baseado no aspecto estético, está associado principalmente à “4.ª geração” das bandas de pop coreano que adoptou uma postura agressiva, mas ao mesmo tempo juvenil e muito polida para a beleza. A nova vaga é a réplica à mais tradicional “girl crush”, em que as “artistas” adoptam imagens mais sombrias e maduras.

A “teen crush” usa e abusa de uma variada paleta de cores de alta saturação, acessórios kitsch e elementos de moda de rua, projectando uma imagem de rebeldia juvenil e confiança.

Em termos visuais, esta estética caracteriza-se pela subversão dos uniformes escolares tradicionais e do vestuário desportivo, misturando-os com elementos de inspiração industrial ou punk, tais como botas militares, correntes e tecidos em tons néon.

Em termos musicais, bandas como as ITZI navegam em mares de dance-pop e EDM, com letras que enfatizam o amor-próprio e a independência em detrimento de temas românticos.

8 Jul 2026

Trânsito | Segunda-feira marcada por quatro atropelamentos

As ocorrências na tarde de chuva fizeram com que três peões e um condutor tivessem de receber assistência médica. Pelo menos dois dos atropelamentos aconteceram em duas passadeiras

A tarde de segunda-feira ficou marcada por quatro atropelamentos, dois dos quais em passadeiras, de acordo com a informação divulgada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). Estes são os mais recentes episódios deste género, num ano que já ficou marcado pela morte de uma criança que atravessava numa passadeira.

Segundo o CPSP, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, um dos quatro atropelamentos aconteceu na Avenida do Almirante Magalhães Correia, na Areia Preta, junto ao Centro Industrial Keck Seng. Neste acidente, o condutor, de 40 anos, terá desrespeitado um semáforo vermelho e atingido um transeunte.

A vítima terá precisado de receber assistência hospitalar, ao contrário do condutor. O homem acabou multado no local por não respeitar o sinal vermelho, sendo que o teste do álcool acusou negativo.

Registaram-se ainda outros dois casos em passadeiras. Uma das ocorrências foi verificada no cruzamento entre a Avenida do Ouvidor Arriaga e a Rua de Silva Mendes, na Península de Macau, quando o condutor não terá cedido a passagem a um peão. O outro atropelamento, também numa passadeira, aconteceu na Taipa, na Estrada do Tiro, perto do hotel Wynn Palace. Estes dois acidentes causaram três feridos que foram levados para o hospital, incluindo um idoso com cerca de 60 anos.

Fora da passadeira

Também na tarde de segunda-feira, registou-se um quarto atropelamento de uma mulher de 80 anos. Neste caso, o acidente teve origem no facto de a idosa ter decidido atravessar a estrada fora da passadeira.

O atropelamento aconteceu perto do Edifício Kam Shau, com a idosa a sofrer uma contusão, o que levou a que fosse hospitalizada. Além dos ferimentos, segundo o canal chinês da Rádio Macau, a mulher foi ainda multada pela polícia por não ter atravessado a rua na passadeira.

Ao contrário de outras ocorrências, nos atropelamentos de segunda-feira não houve vítimas mortais. No entanto, este ano tem ficado marcado por alguns casos mais mediáticos.

A principal ocorrência aconteceu no final de Maio, quando um menino de 10 anos foi atingido por um carro que não parou na passadeira, na Avenida do Conselheiro Borja. O acidente ficou registado em vídeo, e mobilizou a comunidade, levando a várias homenagens no local e pedidos de maior segurança na estrada, até agora sem resultados visíveis.

Também na semana passada, uma idosa de 74 anos morreu, depois de ter sido atropelada no cruzamento entre a rua da Harmonia e a Travessa da Corda. De acordo com a Polícia de Segurança Pública, o acidente ocorreu quando a idosa atravessava a estrada e foi atropelada por um carro ligeiro que saía do cruzamento e fazia uma curva.

8 Jul 2026

Justiça | Três jornalistas do All About Macau vão a tribunal

Três repórteres do jornal ‘online’ All About Macau, entretanto encerrado, vão a julgamento em 16 de Julho e arriscam penas de até três anos de prisão, acusadas de “perturbação do funcionamento” do parlamento local.

De acordo com o portal dos tribunais de Macau na Internet, consultado ontem pela Lusa, a defesa das jornalistas no Tribunal de Primeira Instância está a cargo de Ricardo Carvalho.

O advogado português confirmou ontem à Lusa que aceitou o caso, mas não revelou mais pormenores.

Duas jornalistas do All About Macau foram detidas em 17 de Abril de 2025 pela polícia quando tentavam entrar no salão da Assembleia Legislativa.

As repórteres foram impedidas de assistir à apresentação do programa político na área da Administração e Justiça para 2025, alegadamente por não haver lugares vagos no salão – algo negado pela publicação.

O Ministério Público (MP) acusou as jornalistas de “perturbação do funcionamento de órgãos da Região Administrativa Especial de Macau”, crime que acarreta uma pena máxima de até três anos de prisão.

A Lusa pediu mais informação ao MP, incluindo os fundamentos da acusação contra a terceira jornalista do All About Macau, mas não recebeu qualquer resposta.

Morte anunciada

O jornal ‘online’ e publicação mensal impressa anunciou o encerramento no final de Outubro devido a “pressões crescentes”, falta de recursos e os processos judiciais contra três dos seus jornalistas.

Três meses depois, o Governo anunciou o cancelamento do registo da publicação, sem revelar publicamente as razões.

Na sequência da detenção, a Sociedade de Jornalistas e Profissionais da Comunicação Europeus na Ásia (JOCPA) disse à Lusa que Portugal deveria ter feito “um gesto discreto ou uma expressão de preocupação” face à detenção destas jornalistas.

“Consideramos o silêncio de Portugal preocupante, dados os seus profundos laços históricos e culturais com Macau”, lamentou o presidente da JOCPA, Josep Solano.

“A situação inédita ocorrida é triste e preocupa-nos, pois consideramos que abre um precedente, no mínimo, constrangedor”, reagiu também à Lusa o presidente da Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau.

Em Abril de 2025, José Miguel Encarnação pediu ao MP “ponderação na avaliação dos factos, por forma a que não haja consequências de maior”.

A Associação de Jornalistas de Macau declarou na altura que “lamenta profundamente” a detenção das repórteres, incluindo a presidente da organização, Island Ian Sio Tou.

Em Novembro, Island Ian, antiga chefe de redação do All About Macau, foi impedida por funcionários do Tribunal de Segunda Instância de acompanhar o julgamento do ex-procurador-adjunto Kong Chi por corrupção.

8 Jul 2026