10 de Junho sem recepção no Bela Vista, mas com ministro

O cartaz deste ano do “Junho – Mês de Portugal” não inclui a tradicional recepção consular no Bela Vista, que terá, no entanto, um Dia Aberto a toda a comunidade portuguesa e demais interessados, com destaque para uma mostra do artista local Eric Fok. Destaque ainda para a presença de Fernando Alexandre, ministro da Educação português.

Há um total de 37 eventos programados para as próximas semanas, sendo que esta sexta-feira será inaugurada a mostra “SOMOS – Imagens da Lusofonia 2025: O Hoje do Passado”, patente até ao dia 28 de Junho na Galeria de Exposições das Casas da Taipa.

Segundo uma nota da “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” (Somos – ACLP), a curadoria está a cargo de Francisco Ricarte, sendo que estará presente na inauguração o vencedor do primeiro prémio do mais recente concurso de fotografia promovido pela entidade, o fotógrafo moçambicano, Hamir Da Silva, autor da imagem “Resiliência da comunicação”.

Segundo a associação, a escolha do tema “O Hoje do Passado”, visa um foco “nas coisas antigas que perduram no tempo, que ainda hoje têm uma função e um propósito nas nossas sociedades e vidas, marcando a identidade cultural associada a um determinado espaço geográfico”.

Desta forma, “as imagens expostas capturam os costumes, tradições e demais elementos culturais que sobrevivem aos tempos, sejam edifícios históricos, locais públicos, técnicas artesanais antigas, ferramentas tradicionais de artesãos, ou práticas comunitárias ancestrais que nunca caíram em desuso e continuam a ser transmitidas e dinamizadas”. Haverá ainda um concerto de Afonso Cabral, integrado no programa do “10 de Junho”, que este ano se prolonga até 3 de Julho.

Irão traz consequências

O cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, alertou para os custos acrescidos das viagens devido à crise no estreito de Ormuz, o que teve um impacto directo na organização do programa.

“Os preços das viagens aumentaram significativamente a partir do início da chamada crise do estreito de Ormuz. Tudo isto pesa, torna a nossa vida mais difícil, mas fazemos sempre o evento com entusiasmo e motivação”, afirmou o diplomata.

A directora do Instituto Português do Oriente, Patrícia Ribeiro, sublinhou a dimensão do calendário, com “apenas cinco dias” sem eventos. Entre as iniciativas, estão previstas três cerimónias oficiais, três exposições, quatro eventos infantis, cinco oficinas com artistas, quatro concertos, cinco conferências e cinco momentos gastronómicos.

“Este será o panorama do nosso programa, que ainda poderá crescer com outros momentos, mas já é vasto e bonito”, acrescentou Patrícia Ribeiro.

Entretanto, o delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Bernardo Pinho, destacou a vertente gastronómica, com a quarta edição do roteiro “Comer e Beber à Portuguesa”, que este ano reúne um número recorde de 35 estabelecimentos participantes.

“Pretendemos consolidar um maior número de visitantes. No ano passado alcançámos quase 2.000 participações, um crescimento de 300 por cento face à segunda edição”, disse.

Segundo Pinho, os restaurantes, cafés, bares e padarias envolvidos vão oferecer menus temáticos ou descontos de 10 por cento em celebração do Dia de Portugal.

A gastronomia surge como uma das âncoras do ciclo, com o Cônsul Alexandre Leitão a sublinhar que “os produtores portugueses traduzem no prato a cultura”.

“Muita gente viaja pela gastronomia ou acha indissociável de uma viagem o percurso gastronómico. Países como a Itália e a França exploram isto muito bem, e a possibilidade de apresentar em Macau 35 restaurantes portugueses é um grande motivo de satisfação”, disse o cônsul.

Recepção na EPM

A recepção à comunidade no 10 de Junho regressa à Escola Portuguesa de Macau, espaço que, segundo Leitão, “integra o passado, o presente e o futuro da comunidade portuguesa em Macau”.

Apesar de este ano não acolher a recepção oficial, a residência consular da Bela Vista terá um Dia Aberto em Junho, permitindo ao público visitar a exposição do artista local Eric Fok, que irá decorar as paredes do edifício.

“Queremos abrir a casa o mais possível às comunidades, não só portuguesas, mas a todas as que devem conhecer aquele património magnífico”, sublinhou Leitão.

A Residência do Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, antigo Hotel Bela Vista, é um emblemático edifício histórico do século XIX na Colina da Penha, classificado como património do território. O diplomata recordou que a última jornada de portas abertas na Bela Vista, em 2023, “surpreendeu” pela adesão.

O programa inclui ainda cerimónias no ConsuladoGeral e na Gruta de Camões, com a participação dos escuteiros lusófonos, da banda da Polícia de Segurança Pública e da Escola Portuguesa, além de palestras e workshops.

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