Prostituição | Ponderado alívio de regras Hoje Macau - 15 Dez 2025 O Governo vai pedir a opinião dos residentes sobre uma eventual redução das restrições às saunas e massagens, os únicos locais da região onde é tolerada a prática de prostituição. Numa conferência de imprensa realizada na quinta-feira, o porta-voz do Conselho Executivo, Wong Sio Chak, anunciou que a consulta pública vai ser lançada na primeira metade de 2026. O Executivo pretende rever o regime do licenciamento administrativo de actividades económicas específicas, que foi aprovado em 1998. Wong Sio Chak, também secretário para a Administração e Justiça, deu como exemplo leilões, barbearias e salões de beleza e disse que “alguns dos sectores vão passar a não precisar de licença e registo”. A mudança pode ter “grande significado para a optimização do ambiente de negócios e para o desenvolvimento económico de Macau”, nomeadamente ao “dar mais conveniência às empresas”, defendeu o dirigente. No entanto, Wong admitiu que, uma vez que a revisão “representa uma grande mudança política”, o líder do Governo, Sam Hou Fai, “decidiu ouvir mais opiniões do público” para “não prejudicar a vida dos cidadãos”.
Justiça | Jerónimo Santos no TSI e Ho Wai Neng confirmado no TUI João Santos Filipe - 15 Dez 2025 Apesar das saídas de portugueses dos tribunais de Macau nos últimos anos, o único juiz luso que permanece no território foi promovido ao Tribunal de Segunda Instância O único juiz português a trabalhar em Macau, Jerónimo Alberto Gonçalves Santos, foi nomeado para o Tribunal de Segunda Instância (TSI), enquanto Ho Wai Neng foi confirmado como juiz do Tribunal de Última Instância (TUI). As decisões foram comunicadas na sexta-feira e o despacho de nomeação foi publicado ontem no Boletim Oficial. A promoção de Jerónimo Santos acontece numa altura em que a continuidade dos magistrados portugueses em Macau é colocada em causa pelas autoridades de Portugal. Em Outubro deste ano, o também juiz português Rui Ribeiro antecipou o final de uma comissão de serviço, que se prolongava até Maio do próximo ano, devido à incerteza da renovação da licença especial, para estar em Macau, do Conselho Superior de Magistratura (CSM). Também em Outubro, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), João Cura Mariano, que por inerência preside também ao CSM, afirmou que a justiça portuguesa está com “alguma dificuldade em contribuir com juízes”, devido à falta de recursos humanos qualificados e com experiência. “Ainda agora retirámos um juiz que já cá estava há muitos anos e nós necessitávamos dele”, sublinhou João Cura Mariano, em Outubro. Em 2024, o CSM rejeitou a permanência do juiz português do TJB Carlos Carvalho, que estava em Macau há 16 anos e tinha sido convidado pela Comissão Independente para a Indigitação dos Juízes do território a continuar por mais dois. O conselho não autorizou a renovação da licença especial de Carlos Carvalho e promoveu-o a juiz desembargador, com colocação no Tribunal da Relação. Não obstante as nuances, João Cura Mariano garantiu estar disposto em ajudar Macau, “apesar das dificuldades que actualmente existem em Portugal no recrutamento de juízes”. Confirmação de subida As movimentações anunciadas na sexta-feira confirmam a subida de Ho Wai Neng ao Tribunal de Última Instância, onde vinha a desempenhar funções, desde que Sam Hou Fai anunciou a candidatura a Chefe do Executivo, em Abril do ano passado. Além disso, Choi Mou Pan foi nomeado pelo período de três anos como presidente do TSI, posição que era desempenhada por Ho Wai Neng. Entre as promoções ao TSI, destaca-se ainda o nome de Lou Ieng Ha, juíza responsável na primeira instância por alguns dos casos mais mediáticos dos últimos anos, como o das Obras Públicas, que resultou nas condenações dos ex-directores Jaime Carion e Li Canfeng, e também do caso Suncity, que conduziu o empresário da maior promotora do jogo de Macau, Alvin Chao, à prisão. A nível das nomeações, Io Weng San e Rong Qi foram promovidos a juízes presidentes do Tribunal Colectivo dos Tribunais de Primeira Instância. Todas as nomeações entram em vigor no próximo ano, e a indigitações partiram do Comissão Independente para a Indigitação de Juízes. A comissão é constituída por Lau Cheok Va, presidente, Ho Teng Iat, Ieong Tou Hong, Chan Hong, Wang Yu, Song Man Lei e António José Dias Azedo. Com Lusa
Metro Ligeiro | Consulta pública sobre percurso em 2026 Hoje Macau - 15 Dez 2025 O Governo prevê avançar com uma consulta pública sobre o planeamento do Metro Ligeiro no primeiro semestre de 2026. A informação foi avançada pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, à margem da Marcha de Caridade. De acordo com o canal em chinês da Rádio Macau, o secretário indicou que a consulta vai ser realizada após a concretização dos dados sobre os diferentes percursos que estão a ser analisados num estudo estratégico que está em curso. Os planos em estudo incluem uma Linha Sul, que irá ligar o posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau à estação da Barra, com passagem pela Zona A dos Novos Aterros, NAPE, Nam Van e Sai Van. Está também prevista uma Linha Oeste, do porto de Qingmao à Barra, e uma Linha Norte da Taipa, para ligar a Zona A dos Novos Aterros à estação Oceano através das zonas de aterro E, D e C. Os planos contemplam ainda uma ligação de Seac Pai Van à entrada da área urbana de Coloane.
Administração | Sónia Chan vai dirigir Serviços de Identificação Hoje Macau - 15 Dez 2025 A antiga secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, vai passar a dirigir os Serviços de Identificação (DSI), adiantou ontem a TDM. A verificar-se, a nomeação irá representar o regresso da actual directora dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos à DSI, onde foi directora-adjunta entre 1998 e 2010, quando foi chamada a coordenar o Gabinete de Protecção de Dados Pessoais. Segundo a emissora pública, a nomeação de Sónia Chan à frente Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos termina no próximo sábado, marcando o final do seu mandato e a transição para a DSI. A TDM indicou ainda que Lo Pin Heng, directora substituta dos Serviços de Identificação, vai liderar do Centro de Formação Jurídica e Judiciária.
Orçamento | Despesa pública sobe até Novembro devido a apoios sociais Hoje Macau - 15 Dez 2025 Em comparação com o ano passado, o Governo gastou mais 4,1 por cento em despesas sociais até Novembro, que subiram para 49,7 mil milhões de patacas. O aumento da despesa pública foi equilibrado com as receitas dos casinos As despesas públicas aumentaram 2,7 por cento nos primeiros 11 meses de 2025, em comparação com igual período do ano passado, após uma revisão do orçamento para reforçar os apoios sociais, foi anunciado na sexta-feira. De acordo com dados publicados ‘online’ pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), a RAEM gastou até ao final de Novembro 86,1 mil milhões de patacas. A principal razão para a subida foram os gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 4,1 por cento em comparação com os primeiros 11 meses de 2024, para 49,7 mil milhões de patacas. No início de Julho, a Assembleia Legislativa aprovou uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas nas despesas previstas no orçamento, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos três anos, numa tentativa de elevar a mais baixa natalidade do mundo. Pelo contrário, os gastos com obras públicas, o Plano de Investimentos e Despesas da Administração, caíram 2,7 por cento até Novembro, para 14,7 mil milhões de patacas. Receitas com impostos O aumento da despesa foi equilibrado pela receita corrente de Macau, que subiu 2,8 por cento nos primeiros 11 meses do ano, para 104,6 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 7 por cento, para 86,7 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 81,3 por cento do total. As seis operadoras de jogo da cidade pagam um imposto directo de 35 por cento sobre as receitas do jogo, 2,4 por cento destinado ao Fundo de Segurança Social de Macau e ao desenvolvimento urbano e turístico, e 1,6 por cento entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos. As receitas totais dos casinos de Macau atingiram 226,5 mil milhões de patacas nos primeiros 11 meses do ano, mais 8,6 por cento do que no mesmo período de 2024. O território terminou Novembro com um excedente nas contas públicas de 20,6 mil milhões de patacas, mais 11,4 por cento do que em igual período do ano passado. Macau fechou 2024 com um excedente de 15,8 mil milhões de patacas, mais do dobro do registado no ano anterior. A previsão inicial do Governo para todo o ano de 2025 apontava para um excedente de 6,83 mil milhões de patacas. Mas o orçamento revisto, aprovado pela Assembleia Legislativa no início de Julho previa um excedente de apenas 191,1 milhões de patacas.
Governo quer mostrar Macau como exemplo de laços entre civilizações Hoje Macau - 15 Dez 2025 Especialistas de Portugal vão participar na primeira edição de um fórum internacional que pretende apresentar Macau como “um bom exemplo” das ligações entre diferentes civilizações, disse a presidente da Conselho do Património Cultural, Deland Leong Wai Man, numa conferência de imprensa. “Macau é uma cidade fascinante para mostrar esta coexistência harmoniosa de diferentes culturas”, defendeu a responsável. O evento é uma iniciativa do Governo, organizada pelo Instituto Cultural, com o apoio da Academia Chinesa de História da Academia Chinesa de Ciências Sociais. O Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional 2025 vai decorrer em amanhã e quarta-feira, com 40 dirigentes governamentais e representantes de organizações internacionais de uma dezena de países. Entre os convidados estão especialistas e académicos de Portugal, China continental, Egipto, Indonésia, Tunísia, Itália, Alemanha, Reino Unido e Canadá, disse o Instituto Cultural (IC), num comunicado. Após uma reunião do Conselho do Património Cultural, Maria José de Freitas, arquitecta radicada em Macau, confirmou à Lusa que será uma das especialistas portuguesas a participar no Fórum. Freitas é também a presidente do comité científico internacional do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) sobre património construído partilhado. Elo de ligação Deland Leong Wai Man recordou que passam 20 anos desde que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) classificou o centro histórico de Macau como Património Mundial. “O património cultural de Macau tem a sua particularidade, características chinesas e ocidentais, alguns monumentos com característica de fusão de culturas”, sublinhou a também presidente do IC. Além de “elementos únicos de construção”, a história da cidade, que durante mais de 400 anos esteve sob administração portuguesa, reflecte-se nos “costumes, tradições, modo de vida e até no património intangível”, defendeu Leong. “Tudo isto tem rico valor cultural para divulgar para o mundo”, referiu a dirigente, que destacou ainda o que disse ser o sucesso de Macau nos trabalhos de salvaguarda do património cultural. “Macau pode servir como uma plataforma de intercâmbio para especialistas de vários países e servir como um elo de ligação entre diferentes civilizações”, acrescentou Leong.
Japão | Negada interferência no cancelamento de eventos Hoje Macau - 15 Dez 2025 O Governo negou qualquer interferência no cancelamento de pelo menos três concertos com artistas japoneses marcados para Macau e garantiu que se trataram apenas de decisões comerciais dos organizadores “Acho que diferentes partes têm os seus factores de ponderação”, disse, numa conferência de imprensa, a presidente do Conselho do Património Cultural, Deland Leong Wai Man. “É normal ter ajustamento sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, acrescentou na sexta-feira a também líder do Instituto Cultural. Na terça-feira, o hotel-casino Venetian Macau anunciou o cancelamento de um concerto da cantora de ‘pop’ japonesa Ayumi Hamasaki, em 10 de Janeiro. Isto após o concerto de Hamasaki em Xangai, em 29 de Novembro, ter sido cancelado. Na quarta-feira, foi também cancelado um espectáculo de Natal, previsto para 25 de Dezembro, em outro hotel-casino, Studio City, que incluía a banda feminina Say My Name, que integra as japonesas Hitomi Honda, a líder do grupo, e Terada Mei. No mesmo dia, foi cancelado um terceiro espectáculo, desta vez da banda Hi-Fi Un!corn, grupo que integra artistas japoneses, e que estava marcado para 21 de Dezembro, num terceiro hotel-casino, Galaxy Macau. Questionada pela Lusa sobre se havia indicações do Governo para a não realização de eventos culturais com artistas do Japão, Leong Wai Man garantiu que “esta é uma questão do sector comercial, é uma decisão do organizador”. “Não tenho mais nada a acrescentar”, sublinhou a dirigente. Ainda assim, Leong defendeu que a vaga de cancelamentos “não vai causar grande impacto” ao plano do Executivo para posicionar Macau como uma cidade internacional de espectáculos. Várias frentes Em 15 de Novembro, Macau pediu aos residentes e turistas do território no Japão para elevarem o estado de alerta, após Pequim desaconselhar deslocações ao país na sequência de declarações da líder nipónica sobre Taiwan. O aviso da Direcção dos Serviços de Turismo surgiu “dado que a partir de meados deste ano, a tendência de ocorrência de ataques no Japão contra cidadãos chineses tem vindo a aumentar”, sem citar dados ou exemplos. Porém, o Governo de Hong Kong fê-lo, citando apenas um incidente em Tóquio, em que dois cidadãos chineses foram agredidos por locais no final de Julho. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China emitiu um alerta, no qual desaconselha as viagens para o Japão devido à deterioração do ambiente de segurança. As principais companhias aéreas do Interior da China, Macau e Hong Kong anunciaram o reembolso total dos voos com destino ao Japão, após o apelo do Governo. A medida foi tomada numa altura em que as tensões entre Pequim e Tóquio voltaram a agravar-se, após declarações da primeira-ministra nipónica, Sanae Takaichi.
Crime | Governo não divulga dados sobre suicídios e tentativas Andreia Sofia Silva - 15 Dez 2025 Depois de os Serviços de Saúde, também a tutela da Segurança deixou de divulgar os dados de suicídio e tentativas, ao fim de dez anos de publicação. A ausência foi notada na divulgação dos dados da criminalidade relativos aos meses de Janeiro a Setembro deste ano, que mostram o aumento de abusos sexuais de menores para quase o dobro O Governo deixou de divulgar os dados sobre os casos de suicídio ocorridos em Macau, assim como as tentativas. A ausência destes números foi notada pelo jornal Cheng Pou aquando da divulgação na sexta-feira dos dados da criminalidade entre os meses de Janeiro e Setembro deste ano. A publicação questiona mesmo se “os dados sobre o suicídio se tornaram ‘no segredo que não se pode dizer’ das autoridades, empenhadas em construir uma Macau feliz”, lembrando ainda que estes dados começaram a ser divulgados em 2015. Destaque para o facto de os Serviços de Saúde também terem deixado de divulgar a estatística, algo que era feito a cada três meses. No caso da secretaria para a Segurança, os dados eram mensais e era feita a discriminação por sexo, grupo etária e métodos utilizados. A ausência de números surge depois de Macau ter batido os recordes em termos de casos de suicídio em 2024, registando 90 mortes, mais 2,27 por cento em relação aos casos de 2023. Face a 2022, o aumento foi de 12,5 por cento. Dos 90 casos, 48 diziam respeito a vítimas do sexo masculino e 42 feminino, com idades compreendidas entre 12 e 76 anos. Os dados mais recentes, relativos ao primeiro semestre deste ano, revelam 41 mortes por suicídio e 101 tentativas. Na divulgação das estatísticas de crime, na sexta-feira, surge apenas um caso de morte por suicídio em relação a um episódio de homicídio entre irmãos, ocorrido em Agosto deste ano, na zona norte. Aqui, o irmão mais velho terá saltado da varanda, sendo suspeito de ter morto o irmão mais novo devido a disputas financeiras. Quebra no crime Olhando para o panorama da criminalidade em termos gerais, regista-se uma queda de 7,1 por cento nos meses em análise, em comparação com o mesmo período do ano passado. As autoridades do território sublinharam a queda acentuada dos delitos informáticos. O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, disse que a quebra se deve à “tendência de diminuição” dos “crimes que despertam mais atenção da sociedade”, incluindo criminalidade violenta grave, furto, roubo, burla e crimes informáticos. Nos primeiros nove meses do ano, foram contabilizados 187 crimes violentos, o que traduz uma queda de 11 por cento face ao período homólogo de 2024 (210). Já os furtos, roubos, burlas caíram 7,7, 5,9 e 23,6 por cento, respectivamente. A criminalidade informática, que contou nos nove primeiros meses de 2024 com 770 casos, apresentou no período em análise uma descida de 52,1 por cento, com 369 casos. A descida nos casos das burlas com recurso às telecomunicações, burlas cibernéticas e burlas informática, referiu Chan Tsz King, “reflecte a eficácia dos trabalhos de prevenção e combate desenvolvidos pela polícia, e o aumento significativo da consciência do público sobre a prevenção de burla”, disse. O Governo sinalizou também que a criminalidade relacionada com jogo ilícito disparou entre Janeiro e Setembro deste ano 985 por cento, com mais 394 casos em relação ao mesmo período de 2024. A subida deve-se à entrada em vigor, em Outubro do ano passado, da lei de combate aos crimes de jogo ilícito, que introduziu “o novo crime de ‘exploração de câmbio ilícito para jogo’ e alargou o âmbito de cobertura de alguns crimes conexos com o jogo ilícito”. Pela mesma razão, disse o secretário, dispararam nos três primeiros trimestres de 2025 os crimes relacionados com o jogo – 1.737 casos, mais 70,1 por cento do que no período homólogo. No passado, referiu o responsável, burlas cometidas por pessoas que trocam ilegalmente dinheiro fora dos casinos “não podiam ser identificadas como relacionadas com o jogo”. “No entanto, com a criminalização da ‘troca ilegal de dinheiro’ e o aperfeiçoamento das disposições legais”, estes casos “são agora incluídos nas estatísticas de crimes de jogo, aumentando assim o número de crimes”, indicou. Mais abusos de menores Chan Tsz King, que entrou em funções em Outubro e apresentou na sexta-feira pela primeira vez o balanço da criminalidade, referiu ainda uma subida de 6,1 por cento dos crimes contra a pessoa, com o abuso sexual de crianças a aumentar 86,7 por cento, de 15 casos nos primeiros nove meses de 2024 para 28 casos no mesmo período deste ano. O secretário explicou que se tratam, essencialmente, de “actos sexuais voluntários entre pessoas da mesma idade”, ocorrendo ainda a “transmissão de fotografias e imagens pornográficas”, sem esquecer casos de “importunações sexuais de gravidade menor”. Foram ainda “identificados casos que envolveram pessoas com relações familiares, o que merece a atenção da sociedade”, referiu Chan Tsz King, que divulgou os dados das acções de sensibilização para este problema: mais de 70 actividades realizadas pela polícia, que contaram com a participação de mais de 12.000 pessoas, incluindo alunos, encarregados de educação e pessoal docente. O tráfico e venda de drogas e o consumo de estupefacientes registaram, por sua vez, um aumento de 37,1 por cento, com mais 13 casos, e 72,7 por cento, mais oito casos, respectivamente. Segundo a apresentação do secretário, os 48 casos registados nos três trimestres e o respectivo aumento deve-se “à descoberta de vários casos de tráfico transfronteiriço de droga através do reforço da cooperação policial interna e externa”, destacando-se um caso ocorrido em Setembro, quando foram apreendidos 31 quilos de flor de canábis no valor de 31,77 milhões de patacas. Chan Tsz King referiu que este foi “o maior caso de contrabando de canábis apreendido na história de Macau”. Entre paredes No caso do crime de violação, assistiu-se a um recuo do número crimes de violação, para um total de 24 casos, menos 40 por cento do que no mesmo período do ano anterior. O secretário para a Segurança adiantou que “mais de 70 por cento das vítimas não eram residentes de Macau”, sendo que “a maioria destes crimes ocorreu em quartos de hotel”, enquanto “uma parte destes envolveram conflitos pecuniários entre as vítimas e os suspeitos, não sendo de afastar a hipótese de que alguns dos casos tenham ocorrido num contexto de transacção sexual”. Neste contexto, o secretário esclareceu que as autoridades policiais têm estado “em comunicação estreita com o sector hoteleiro”, tendo sido reforçados “os dispositivos policiais e inspecções nas zonas periféricas de hotéis e casinos”. Entre Janeiro e Setembro foram realizadas mais de 160 acções policiais de combate à prostituição, tendo sido interceptadas 192 pessoas suspeitas da prática de actividade de prostituição. Além disso, no período em causa foram resolvidos 17 casos da prática dos crimes de lenocínio ou de exploração de prostituição, com a detenção de 26 suspeitos. Silêncio de sempre Questionado pela Lusa durante a conferência de imprensa sobre o primeiro caso a ser investigado em Macau no âmbito da segurança nacional, o secretário não fez comentários. “O caso (…) está a ser tratado pelas entidades judiciais e, devido ao sigilo, não seria adequado ao secretário da Segurança comentar”, completou Chan Tsz King, que era Procurador do Ministério Público quando o ex-deputado Au Kam San foi detido. A polícia do território anunciou, no final de Julho, a detenção de Au Kam San, a primeira ao abrigo da lei de defesa da segurança do Estado, que entrou em vigor em 2009, tendo o âmbito sido alargado 14 anos depois. Ainda não é conhecida a acusação e não há informações sobre quem vai defender o ex-deputado. Com Lusa
IC | Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional na próxima semana Hoje Macau - 12 Dez 2025 Nos próximos dias 16 e 17 de Dezembro, Macau acolhe o primeiro Fórum Internacional de Intercâmbio Civilizacional. O evento de dois dias é uma iniciativa do Governo, organizada pelo Instituto Cultural (IC), com o apoio da Academia Chinesa de História da Academia Chinesa de Ciências Sociais. De acordo com o IC, o objectivo do evento é “promover o intercâmbio humanístico e cultural a nível internacional, narrar os percursos históricos da China e da RAEM, estabelecendo Macau como uma ligação relevante de alto nível do país na abertura ao exterior e uma janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental”. Durante dois dias, representantes governamentais de vários países e regiões, organizações internacionais e especialistas nacionais e estrangeiros participam em cerca de 20 sessões temáticas dedicadas à inclusão cultural, inovação e cooperação. A realização do fórum insere-se na estratégia apontada por Pequim para Macau reforçar o papel de promotor do intercâmbio global e “estabelecer uma plataforma académica com projecção internacional, promovendo compreensão mútua e respeito entre civilizações e sublinhando o valor do encontro cultural enquanto motor de desenvolvimento humano”.
Nam Kwong | Políticos querem preservar legado de Ke Zheng-ping Hoje Macau - 12 Dez 2025 Kou Hoi In, ex-presidente do hemiciclo, defende que o espírito de patriotismo de Ke Zheng-ping, ligado ao Partido Comunista Chinês e fundador da empresa Nam Kwong em Macau, deve ser lembrado e mantido. A ideia foi defendida na conferência que marcou o 20.º aniversário da morte desta personalidade, que era tio-avô da actual secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, mais de cem personalidades das áreas social, política e estudantil participaram no evento. Kou Hoi In destacou ainda que Ke Zheng-ping foi uma figura altruísta, solidária para com os residentes e defensora do princípio “um país, dois sistemas”. Segundo o novo presidente do conselho administrativo da TDM, Macau tem promovido a integração do território a nível regional e é importante formar novas gerações com os valores fundamentais do patriotismo e amor a Macau. Já Leonel Alves, advogado e membro de Macau na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, recordou que Ke Zheng-ping soube criar uma ponte de comunicação com a comunidade macaense, tendo esta recebido atenção e cuidado da parte do Governo Central.
Cultura | Mais dois concertos com artistas japoneses cancelados João Luz - 12 Dez 2025 Depois do cancelamento do concerto da diva japonesa Ayumi Hamasaki, um espectáculo no Studio City que iria incluir a girls band Say My Name, que conta com duas japonesas na formação, também foi cancelado devido a “circunstâncias imprevistas”. A mesma razão foi usada para cancelar o concerto dos Hi-Fi Un!corn no, que também tem membros japoneses “Devido a circunstâncias imprevistas, lamentamos anunciar que o concerto 2025 iNKODE TO PLAY, espectáculo de Natal, agendado para 25 de Dezembro no Studio City Event Center, foi cancelado. Pedimos sinceras desculpas por qualquer inconveniente causado pelo cancelamento e agradecemos a todos pelo apoio a este espectáculo.” Foi desta forma que a empresa promotora do concerto justificou que afinal o sul-coreano Kim Jaejoong, a americana de origem sul-coreana Nicole e a girls band Say My Name não iriam actuar em Macau, como estava previsto. Importa referir que a artista mais conhecia da banda, constituída por jovens sul-coreanas e duas nipónicas, é a japonesa Hitomi Honda, mais famosa que a sua compatriota e colega de palco Terada Mei. O cancelamento do espectáculo dos artistas da iNKODE Entertainment foi anunciado um dia depois do concerto da diva do pop japonês Ayumi Hamasaki ter sofrido o mesmo destino em Macau e Xangai. Aliás, as justificações vagas para a não realização do concerto das Say My Name em Macau e de Ayumi em Xangai foram as mesmas: “circunstâncias imprevistas”. Uma outra banda de jovens da iNKODE Entertainment, com membros japoneses, tinha um encontro com fãs marcado para o meio-dia de 6 de Dezembro em Xangai. O encontro foi cancelado duas horas antes do início devido a “circunstâncias imprevistas” O cancelamento do evento dos artistas da iNKODE Entertainment em Macau foi comentado nas redes sociais como um exemplo do “efeito Ayumi”. A papel químico “Devido a circunstâncias imprevistas, a CQ (Macau) Entertainment lamenta anunciar que o espectáculo Hi-Fi Un!corn ASIA Tour 2025 “Teenage Blue” em Macau, originalmente agendado para 21 de Dezembro no G Box do Galaxy Macau, foi cancelado.” O cancelamento do concerto dos Hi-Fi Un!corn, que também têm artistas japoneses no grupo, foi anunciado na quarta-feira, aumentando o número de concertos em Macau que não se vão realizar na sequência de “circunstâncias imprevistas”. Os comunicados repetem a mesma fórmula de pedidos de desculpa pela inconveniência e indicações para pedir reembolsos. Tudo começou quando o Venetian Macau anunciou na tarde de terça-feira que o concerto da rainha da pop japonesa Ayumi Hamasaki fora cancelado. Apesar de não ter sido dada qualquer justificação, o cancelamento não apanhou de surpresa os fãs, que já antecipavam a tomada de posição depois de o mesmo ter acontecido em Xangai no passado dia 29 de Novembro.
Conselho Executivo | Peças do Museu de Macau com protecção legal Hoje Macau - 12 Dez 2025 O Conselho Executivo concluiu ontem a discussão sobre três projectos de lei, um deles relativo à “Classificação do 1.º Grupo de Bens Imóveis”, visando a protecção legal de 400 peças que integram a colecção do Museu de Macau, sob tutela do Instituto Cultural (IC). Segundo um comunicado, os bens distribuem-se por 24 categorias, sendo “espécies arqueológicas, peças de culto, objectos religiosos, porcelanas, cerâmicas, artigos de esmalte, obras de desenho, gravuras, caligrafias ou esculturas”, entre outros. Pretende-se, assim, assegurar “o tratamento, conservação, restauro e o armazenamento adequado dos bens móveis integrantes do património cultural, com vista a evitar a sua deterioração, desvio ou perda por causas naturais ou por intervenção humana, e promover a sua utilização em actividades de investigação, exposição e educação”. Outro diploma analisado pelo Conselho Executivo, prende-se com a revisão do regulamento administrativo relativo à lei do enquadramento orçamental, que passa pela legalização de documentos digitais e “desmaterialização dos procedimentos em suporte papel”, já a partir do dia 1 de Janeiro. Pretende-se ainda simplificar alguns procedimentos administrativos. Outra análise que ficou concluída, realaciona-se com a revisão de um decreto-lei de 1998, relativo ao licenciamento administrativo de determinadas actividades económicas. Haverá uma consulta pública no primeiro semestre do próximo ano para a elaboração do novo “Regime para a regulação de determinadas actividades e eventos”. Com este diploma, o Governo pretende promover a “optimização do ambiente de negócios e desenvolvimento socioeconómico de Macau”.
Receitas fiscais | Previsto aumento no próximo ano João Luz - 12 Dez 2025 As receitas fiscais do Imposto Profissional e Imposto Complementar de Rendimento para 2026 devem aumentar em relação a 2025. Essa é a expectiva do Governo, patente na proposta de lei do Orçamento para o próximo ano. Com estes dois impostos, o Executivo espera arrecadar mais de 11 mil milhões de patacas Ontem, foi dado mais um passo legislativo para a aprovação do Orçamento da RAEM para 2026, com a assinatura do parecer da comissão da Assembleia Legislativa (AL) que analisou a proposta de lei. Ip So Kai, o deputado que preside à comissão permanente que analisou o diploma, apresentou ontem as estimativas do Governo em relação às receitas fiscais esperadas para o próximo. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o Executivo de Sam Hou Fai está confiante no aumento das verbas amealhadas pelo Imposto Profissional e do Imposto Complementar de Rendimento. O deputado indicou que são esperadas receitas na ordem dos 3,25 mil milhões de patacas através do Imposto Profissional, fasquia que representa um aumento anual de 7,8 por cento. Segundo Ip Sio Kai, o Executivo justificou a previsão com a boa performance da cobrança do imposto verificada na primeira metade do ano, evolução que se fica a dever à estabilidade no mercado de trabalho e ao nível dos salários. Em relação ao Imposto Complementar de Rendimento, o Executivo projecta receitas para 2026 na ordem dos 7,39 mil milhões de patacas, uma subida anual de 8,1 por cento impulsionada pela previsão de melhorias no ambiente económico. O deputado e presidente da Associação de Bancos de Macau indicou que a visão positiva das previsões é também baseada na redução apontada ao crédito malparado. O Imposto Complementar de Rendimento tem entre os principais contribuintes os bancos do território, dos quais se espera um “empurrão” nas contribuições. Cheques e trocos O parecer da proposta de lei, divulgada no portal da Assembleia Legislativa, mostra também que no capítulo das reposições de pagamentos efectuados em anos anteriores a receita proveniente dos cheques pecuniários que não foram levantados, depois de ultrapassados os três anos do prazo para o efeito. Como tal, reverterem para os cofres públicos 87,94 milhões de patacas. Além do fim do prazo para levantar as comparticipações, foram elencadas razões como a falta de apresentação de prova de vida, ou posterior verificação de falta de elegibilidade para receber o cheque pecuniário. Em relação ao valor proposto para cobrir o plano de comparticipação pecuniária, o Governo estimou uma verba superior a 6,64 mil milhões de patacas, menos 11,2 por cento face ao orçamento inicial de 2025. A proposta de lei do Orçamento de 2026 será aprovada na especialidade na sessão plenária da AL marcada para a próxima quinta-feira. Na mesma sessão será aprovada na especialidade a alteração à lei do salário mínimo.
Zona A | Rampa e passagem para peões vai custar pelo menos 54 milhões Hoje Macau - 12 Dez 2025 Uma rampa de acesso para circulação rodoviária à Zona A dos Novos Aterros e uma passagem para peões irão custar aos cofres públicos entre “mais de 54 milhões de patacas e mais de 63 milhões de patacas”, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP). Os valores representam as propostas mais barata e mais cara apresentadas pelas empresas candidatas ao concurso público para a “Empreitada de Construção da Extensão da Rampa da Via de Acesso A1 e de uma Passagem Pedonal para Peões”. As 17 propostas, todas admitidas, foram conhecidas ontem. A obra terá um prazo de construção de 285 dias úteis. A obra procura aperfeiçoar as ligações entre a Zona A e a península, através da “rampa de acesso, num único sentido, na actual via de acesso A1, para facilitar o acesso directo dos veículos à Avenida da Ponte Macau, no lado leste da Zona A, pelas Avenida da Ponte da Amizade e Avenida do Nordeste, e desviar os veículos que pretendem ter acesso ao Posto Fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e os que se dirigem à Taipa pela Ponte Macau”. Além disso, será construída “uma passagem pedonal desnivelada na costa da extremidade norte da Zona A dos Novos Aterros Urbanos, a qual ligará os dois lados leste e oeste da Zona A”.
DSAL | Feiras de emprego com 500 vagas em limpeza e restauração Hoje Macau - 12 Dez 2025 Abriram hoje, às 09h, as inscrições para três sessões de emparelhamento que vão disponibilizar 496 vagas de emprego nos dias 18 e 19 de Dezembro. Os interessados têm até ao meio-dia da próxima quarta-feira para se inscreverem. A primeira sessão, marcada para a manhã da próxima quinta-feira irá oferecer oportunidades para segurança e limpeza com 282 vagas, incluindo funções como agente de segurança privada, empregado de limpeza e porteiro. Na parte da tarde do mesmo dia, as 166 ofertas de trabalho serão para os cargos de cozinheiro, padeiro, ajudante de cozinha, chefe de limpeza, empregado de restauração e operador de caixa. No dia seguinte, 19 de Dezembro, serão oferecidos 48 postos de trabalho para cargos como gerente de turno da recepção, gerente-adjunto de restauração, chefe de serviços protocolares, chefe de restauração, cozinheiro, recepcionistas e embaixador dos serviços de restauração. As sessões de 18 de Dezembro vão decorrer no Edifício Industrial Tai Peng, no Istmo de Ferreira do Amaral, n 101 – 105 e a sessão de 19 de Dezembro está marcada para a Sala Orchid no 28.º andar do Hotel Okura.
ZAPE | Comerciantes temem pelo futuro Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 12 Dez 2025 A pouco mais de duas semanas do encerramento total dos casinos- satélite, os comerciantes da Zona de Aterros do Porto Exterior continuam a demonstrar preocupação sobre o futuro dos seus negócios, dado o decréscimo de turistas naquela área. A queda de vendas tem-se acentuado nos últimos meses, segundo testemunhos dados ao jornal Ou Mun O encerramento gradual dos casinos-satélite na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE), que decorre até ao final do ano, está a deixar os comerciantes dessa área da península muito preocupados quanto ao futuro dos seus empreendimentos. Os testemunhos ouvidos pelo jornal Ou Mun falam de quebra nos negócios e de um sentimento de incerteza quanto ao futuro, isto apesar de o Governo e uma associação comercial já terem organizado actividades para dinamizar aquela zona. Uma das pessoas ouvidas, foi um proprietário de um restaurante, que não quis ser identificado, tendo destacado que, nos últimos meses, o volume de negócios caiu cerca de 30 a 40 por cento face ao passado. Este homem, apontou como uma das principais razões a quebra de clientes com grande poder de compra dos casinos-satélites situados nas proximidades. O comerciante confessou que a capacidade de compra de residentes locais é limitada, pagando entre 30 a 50 patacas por um pequeno-almoço ou almoço, ou 50 a 80 patacas por um jantar. Disse ainda que os apostadores dos casinos é que sustentam a economia do ZAPE, sobretudo depois das 22h. O proprietário de um restaurante frisou que mesmo que o Governo coloque no ZAPE decorações sazonais para melhorar o ambiente de negócio e atrair visitantes, ou mesmo com o trabalho realizado por associações comerciais com plataformas locais e da China, os comerciantes da zona continuam pessimistas quanto ao futuro. Isto porque, na prática, não vêm a tendência de quebra de negócios alterar-se, acreditando que quando todos os casinos-satélite da zona fecharem portas, a perda de clientes será ainda maior. Outro problema que têm de enfrentar, é o custo da renda, pois nesta fase a única discussão que pode ser feita com os proprietários dos espaços comerciais é no sentido de uma redução do valor. Quebra para metade Outro dono de restaurante na zona, confessou que também viu o negócio baixar em cerca de 50 por cento nos últimos meses, mostrando-se igualmente pessimista. Porém, garante que consegue manter o negócio caso o Governo conceda apoios. Este proprietário espera, por isso, que as autoridades concedam mais recursos para atrair os visitantes ao ZAPE, desejando ainda mais actividades realizadas pelo Governo ou pela associação comercial que representa a zona. Caso o volume de receitas continue a sofrer reduções, só lhe resta desistir do negócio, confessou ao Ou Mun. Numa área de actividade diferente, desta vez um supermercado, um funcionário apontou que o dono já demonstrou a intenção de trespassar o negócio devido à queda das vendas. O entrevistado reconheceu que o ZAPE vai receber, no futuro, diversas actividades e eventos, mas entende que não vão trazer muito impacto no negócio porque o ambiente da zona não é atractivo, não existindo atracções para que os turistas tirem fotografias. Além disso, o funcionário do supermercado lembrou que também não existem lojas com características próprias, ou mais tradicionais.
UPM | Estudante cria modelo de IA para novos medicamentos Hoje Macau - 12 Dez 2025 Uma estudante da Universidade Politécnica de Macau desenvolveu um modelo de inteligência artificial para descobrir e optimizar fármacos, que abrem novas perspectivas clínicas em diversas áreas, das doenças oncológicas às neurodegenerativas O trabalho de Yanan Tian, aluna do Programa de Doutoramento Conjunto entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade Politécnica de Macau (UPM), promete uma nova abordagem para a concepção de fármacos com maior selectividade e eficácia clínica. “Este trabalho propõe o modelo MMCLKin, uma estrutura baseada em métodos de inteligência artificial (IA) avançada, concebida para prever com elevada precisão e interpretabilidade a actividade e selectividade de inibidores de quinases, acelerando significativamente o processo de descoberta e optimização de novos fármacos direccionados”, explicou Yanan Tian, em comunicado da Faculdade de Ciência e Tecnologia enviado à agência Lusa. Segundo a nota, as proteínas quinases constituem uma das classes de alvos terapêuticos mais relevantes na investigação biomédica, cujo potencial resulta do papel central que desempenham na regulação de múltiplos processos celulares, incluindo proliferação, diferenciação e morte celular. “No entanto, o desenvolvimento de inibidores altamente selectivos continua a ser um desafio, devido à forte conservação estrutural entre as quinases e ao elevado custo dos ensaios experimentais”, referiu. Os resultados da investigação realizada sob a orientação dos professores Joel P. Arrais, do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC, e Huanxiang Liu, da UPM, “demonstram que o modelo supera os métodos existentes na previsão da afinidade e selectividade de inibidores, mesmo em casos que envolvem estruturas desconhecidas ou quinases mutadas”. Poder de adivinhação De acordo com os autores do estudo, os ensaios validaram o poder predictivo do modelo, demonstrando que cinco compostos sugeridos pelo MMCLKin inibem de forma eficaz uma mutação associada a doenças neurodegenerativas, sendo quatro deles activos em concentrações nanomolares. “Estes resultados reforçam o potencial do MMCLKin como ferramenta para acelerar o desenvolvimento de terapias direccionadas, abrindo novas perspectivas para o desenho racional de fármacos com maior selectividade e eficácia clínica”, lê-se no comunicado. Segundo os investigadores, a abordagem proposta representa um avanço na aplicação da IA à descoberta de fármacos, demonstrando como modelos computacionais de nova geração podem reproduzir ‘in silico’ processos biológicos complexos que, de forma experimental, podem demorar anos ou mesmo décadas. Esta capacidade permite a identificação rápida de candidatos terapêuticos promissores, reduzindo significativamente o tempo e o custo da investigação farmacêutica. Para além do seu impacto imediato, abre novas direcções de investigação no campo da modelação de quinases, ao proporcionar um quadro unificado para analisar padrões estruturais, mutacionais e funcionais ao longo de toda a família de quinases humanas. “Este tipo de abordagem pode evoluir para modelos generalistas capazes de antecipar o comportamento de novas quinases — incluindo aquelas ainda sem estrutura identificada — e apoiar o desenho racional de terapias selectivas e personalizadas em diversas áreas, desde o cancro às doenças neurodegenerativas”.
IN SITU | Seis instalações para pensar o uso de espaços públicos Andreia Sofia Silva - 12 Dez 2025 Chama-se “IN SITU Placemaking Biennale” e, até domingo, traz diversas perspectivas de utilização de espaços públicos em Macau, em locais como o Pátio da Claridade ou a Praça Ponte e Horta. A iniciativa do CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo apresenta, a partir de hoje, workshops e seis instalações: “Letters to Macau”, “UnPlan”, “Multi-Place”, “Resonatorium”, “Furniture Where Life Begins” e “Where Time Crystalizes” Num território exíguo como Macau, onde turistas e a população local deambula entre a história e o fulgor diário, nem sempre é possível imaginar outras utilizações do espaço público e comum a todos. Mas é precisamente isso que propõe o CURB – Centro de Arquitectura e Urbanismo, com uma nova bienal. A “IN SITU Placemaking Biennale” decorre entre hoje e domingo, trazendo seis instalações desenvolvidas por arquitectos ou artistas locais, bem como workshops que visam a conexão do público com estes projectos. O programa é variado, mas as seis instalações centram-se na zona mais antiga da península de Macau. Depois de um período de submissão de projectos, não apenas de Macau, mas do estrangeiro, a curadoria da IN SITU decidiu-se por “Letters to Macau”, apresentado na Travessa do Aterro; “UnPlan”, no Largo de Santo Agostinho; “Multi-Place”, que pode ser visto no Largo do Lilau; “Resonatorium”, perto da praça Ponte e Horta; “Furniture Where Life Begins”, no Largo do Aquino; e “Where Time Crystalizes”, no antigo Pátio da Claridade. O que esta bienal propõe é explorar o conceito de “placemaking”, ou seja, o debate em torno das várias opções para planear e gerir espaços públicos. Segundo uma nota do CURB, trata-se de um “projecto pioneiro” que não é “apenas um festival”, mas sim “uma conversa que envolve toda a cidade”. O “placemaking” não é mais do que uma teoria em torno das ideias de melhoria da gestão do espaço público com uma abordagem multifacetada, em que a ideia é que todos se sentam e discutem o que é melhor para determinado lugar ou o que poderia ser feito face a uma realidade menos boa. Durante este fim-de-semana, o IN SITU pretende que “as ruas e praças icónicas de Macau se transformem numa tela viva para o design, diálogo e imaginação colectiva”, com as seis instalações que “irão ligar e activar espaços públicos icónicos”, transformando-os em “espaços para reunir, reflectir e interagir”. Projectos locais e não só A bienal foi oficialmente inaugurada ontem, mas só hoje abre portas com diversas actividades. As sessões arrancam às 10h30 com “Where Time Crystalizes”, no Pátio da Claridade, seguindo-se, a partir das 11h, uma actividade de “placemaking”, no mesmo local, intitulada “Time Crystal Lab”. No caso desta instalação, é desenvolvida por uma equipa local, oriunda do programa de mestrado em Design de Comunicação da Faculdade de Humanidades e Artes da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. Trata-se de um grupo composto por Lei Mei Ian, Wang Shumeng, Jiang Xintong e Xu Huiyao. “Where Time Crystalizes” é uma instalação “composta por nove formas cristalinas espelhadas e um tapete ondulante que evoca um rio de tempo”, sendo que cada cristal contém fotografias, fragmentos de vídeo e objectos do quotidiano, recolhidos na documentação da autoria de Jason Lei sobre o bairro, ainda antes da saída dos moradores. Além disso, nesta instalação, as partes exteriores “reflectem a rua actual e os transeuntes, enquanto os interiores encerrados convidam os espectadores a espreitar vestígios do passado”. Pretende-se, com esta obra, conduzir “os espectadores a sentir o fluxo do espaço e a sedimentação da memória”, promovendo “a reflexão sobre a transformação do Pátio da Claridade, de comunidade habitada a espaço vazio, reconsiderando a relação entre pessoas, lugar e tempo”. Hoje à tarde, a partir das 15h30, apresenta-se “Multi-Place”, no Largo do Lilau, da autoria de Yik Sze Wong, de Hong Kong. Esta instalação apresenta-se como “uma experiência espacial em resposta à mudança urbana”. “Como podemos questionar e renovar os modelos estabelecidos dos espaços públicos? E como podemos incentivar o público a participar mais activamente na construção e na prática desses espaços? Durante muito tempo, o planeamento e a distribuição dos espaços públicos foram predominantemente conduzidos por designers. No entanto, as cidades são organismos dinâmicos e em constante evolução”, descreve a organização da bienal. Com “Multi-Place” propõe-se “explorar como os espaços públicos podem responder de forma eficaz às mudanças dinâmicas nas actividades urbanas e nas necessidades da sua utilização”, sendo que a instalação pretende servir “como um terreno experimental para explorar novas formas de espaços públicos, procurando utilizar modelos espaciais flexíveis para estimular a interação comunitária”. Explorar o centro histórico Amanhã, o dia da bienal começa também às 10h30, mas desta vez com a apresentação de “Resonatorium”, no Porto Interior, instalação da autoria de Lau Josephn On King e Lawrence Liu. Tratando-se de uma equipa local, mas com ligações a Hong Kong, em “Resonatorium” a dupla resolveu inspirar-se “nos ecos e reverberações no interior das igrejas, bem como na imagem histórica da capela de madeira que outrora se erguia no local da Igreja de São Lourenço”. Trata-se, assim, de uma obra que “constrói uma ressonância pertencente exclusivamente ao passado e ao presente do sítio”, sendo composta por módulos sonoros em madeira, “formando um espaço arquitectónico semi-aberto, no qual a própria estrutura se torna um corpo ressonante”. As sonoridades e a estrutura acarretam simbolismos ligados à Igreja de São Lourenço, o cais do Porto Interior, o bairro do Largo de Santo Agostinho, a Avenida de Almeida Ribeiro, sem esquecer “o futuro de Macau”. A tarde de sábado fica reservada para uma instalação oriunda de Portugal, “UnPlan”, do atelier FAHR 021.3, criado por Filipa Frois Almeida e Hugo Reis. A partir das 15h30 pode ser visitada esta instalação temporária “concebida para oferecer uma nova perspectiva sobre o espaço público”, estando inserida “num tecido urbano denso, marcado pela circulação, vigilância e rotina”. Desta forma, é uma “peça que introduz um momento de pausa, como um objecto simultaneamente familiar e estranhamente deslocado”, em que “em vez de prescrever comportamentos, propõe uma superfície aberta que convida a novas formas de planear, ocupar e imaginar”. Domingo, é dia de explorar “Letters to Macau”, um projecto internacional da Chaal Chaal Agency (CCA), um colectivo de design e investigação fundado pelos arquitectos e investigadores Kruti Shah, da India, e Sebastián Trujillo-Torres, de Espanha. Aqui pretende-se reinterpretar “o marco de correio tradicional da cidade como um dispositivo urbano de reflexão, correspondência e imaginação cívica”. Descreve a organização da bienal que “Letters to Macau” inspira-se “no vocabulário espacial estratificado de Macau, com portas lunares, pátios, becos e passagens de jardim, para criar uma estrutura simultaneamente familiar e reinventada”. Desta forma, “os visitantes são convidados a escrever cartas dirigidas à cidade, partilhando memórias, desejos ou propostas de renovação”, sendo que “cada carta é depositada na estrutura, acumulando-se ao longo da Bienal e transformando gradualmente a instalação num arquivo cívico colectivo”. Esta instalação foi construída a partir de dez painéis de contraplacado cortados por CNC, sendo a estrutura fabricada através de métodos simples e reversíveis, como o encaixe, a fixação e o empilhamento, que permitem uma montagem, desmontagem e reutilização rápidas. “Os seus planos interligados geram diferentes graus de abertura e de encerramento, enquadrando vistas longitudinais e transversais em resposta à verticalidade estreita do tecido urbano do Porto Interior”, descreve-se ainda. Além das seis instalações centrais, esta bienal traz diversos eventos complementares. Hoje à tarde, entre as 16h e as 17h, decorre, na Ponte 9, o “Pressed Echoes of the Inner Harbour – Urban Flora Workshop”, sendo que entre as 18h e as 19h acontece, na praça Ponte e Horta, o “AAFK x Resonatorium Sound & Paint”. Amanhã, entre as 16h e as 17h, é tempo de acontecer o “Three Lamps of Inclusion: Culture Experience and Dialogue Workshop”, no Largo de Santo Agostinho, seguindo-se o evento “The City Breathes”, no Largo do Lilau. À noite, entre as 20h30 e as 21h20, é tempo de música e meditação com uma performance dos NÁV, no Largo de Santo Agostinho. No domingo, tem lugar uma actividade de “placemaking” entre as 11h e as 12h no Largo do Aquino, intitulada “Love Me? Destroy Me!”, seguindo-se uma leitura colectiva em torno da instalação “Letters to Macau” entre as 16h e as 17h, na Travessa do Aterro Novo. A bienal termina com a actividade, entre as 18h e as 18h30, intitulada “Furniture Adoption”, no Largo do Aquino. O programa inclui ainda diversas visitas guiadas.
Diplomacia | Alerta para perigos de rearmamento nipónico Hoje Macau - 12 Dez 2025 As declarações provocatórias da nova primeira-ministra japonesa sobre Taiwan, aliadas à mudança de atitude nipónica em matéria de Defesa fizeram soar os alarmes no país do Meio Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse esta quarta-feira que a China convoca todos os países amantes da paz a protegerem-se e frustrarem quaisquer movimentos perigosos de reviver o militarismo japonês e a defenderem conjuntamente os resultados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial, conquistados com muito esforço, indica o Diário do Povo. O porta-voz Guo Jiakun prestou as declarações numa conferência de imprensa, em resposta a uma pergunta sobre comentários recentes de alguns órgãos de media estrangeiros de que o Japão está a transformar-se de um Estado constitucionalmente pacifista numa potência militar moderna, e que o país está a tentar reviver o militarismo, o que pode ameaçar a paz e a estabilidade regionais e globais e merece vigilância. Guo observou que, nos últimos anos, o Japão tem vindo a reformular as suas políticas de segurança e defesa, acelerando a revisão de sua constituição pacifista e violando o princípio exclusivamente orientado para a defesa. Além disso, o país removeu a proibição do exercício do direito à autodefesa colectiva, flexibilizou as restrições à exportação de armas, tentou alterar os seus três princípios não nucleares e desenvolveu a chamada “capacidade de ataque à base inimiga”. O responsável destacou que altos funcionários japoneses chegaram a declarar que o Japão não descarta a possibilidade de possuir submarinos nucleares. “Estas medidas colocaram os países vizinhos do Japão e a comunidade internacional em estado de alerta”, afirmou Guo. “Observamos que, após aumentar o seu orçamento de defesa em 13 anos consecutivos, o Japão agora tem o segundo maior orçamento militar entre os países ocidentais. De acordo com um think tank europeu, as receitas das cinco maiores empresas de defesa do Japão aumentaram 40 por cento anualmente em 2024”, apontou Guo. “Para um país que se autodenomina constitucionalmente pacifista, fala em reflectir sobre seu passado bélico e afirma seguir o princípio exclusivamente orientado para a defesa, como é que o Japão justifica o seu aumento militar?”, questionou Guo. Olhares distorcidos O representante do MNE continuou dizendo que, na verdade, após a Segunda Guerra Mundial, o governo japonês nunca reflectiu plenamente sobre as suas guerras de agressão, muitos criminosos de guerra japoneses retornaram como figuras políticas activas e membros das Forças de Autodefesa, alguns primeiros-ministros e dignitários políticos têm insistido em visitar e prestar homenagem ao Santuário Yasukuni, onde criminosos de guerra da Classe A são honrados. Os factos históricos têm sido minimizados e encobertos em livros didáticos distorcidos, acrescentou Guo. “As forças de direita japonesas reflectiram sobre o passado da guerra. No entanto, não reflectiram sobre os crimes de guerra do Japão, mas sobre a razão pelo qual o Japão foi derrotado”, notou Guo. O porta-voz do MNE afirmou que o acerto de contas com o militarismo japonês nunca foi concluído. Em vez disso, as pessoas verão uma tendência crescente de ressurgimento do militarismo. É imperativo que a comunidade internacional lembre ao Japão que a Declaração de Potsdam, nos artigos 6, 7, 9 e 11, afirmava que o militarismo japonês e o seu terreno fértil devem ser eliminados para sempre, pois insistimos que uma nova ordem de paz, segurança e justiça será impossível até que haja provas convincentes de que o poder do Japão de travar guerras foi destruído política e legalmente e que as ideias belicosas foram fundamentalmente eliminadas, afirmou Guo. O representante salientou ainda que a Proclamação de Potsdam também exige que o Japão seja completamente desarmado e não mantenha indústrias que lhe permitam rearmar-se para a guerra, e que está prometido no Instrumento de Rendição do Japão que o país cumprirá fielmente as disposições da Proclamação de Potsdam. Esses instrumentos com efeito jurídico sob a lei internacional e reconhecidos pelo Japão esclareceram as suas obrigações internacionais como país derrotado, constituem a importante pedra angular da ordem internacional do pós-guerra e servem como pré-requisito político e jurídico para o retorno do Japão à comunidade internacional, observou o porta-voz. “A tentativa do Japão de se ‘remilitarizar’ através do fortalecimento acelerado de suas forças armadas só fará com que o mundo volte a questionar para onde o Japão está a caminhar e exija outro acerto de contas com os seus crimes de guerra. A China apela a todos os países amantes da paz a protegerem-se e frustrarem quaisquer movimentos perigosos de reviver militarismo japonês e a defenderem conjuntamente os resultados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial, conquistados com muito esforço”, indicou Guo.
Timor-Leste e Brasil assinam acordo para formação de professores de português Hoje Macau - 12 Dez 2025 O Governo timorense e o Brasil assinaram quarta-feira um projecto de formação para professores de língua portuguesa em Timor-Leste, para reforçar as competências linguísticas, comunicativas e didático-pedagógicas dos docentes. “O Projecto de Formação de Professores de Língua Portuguesa do 3.º Ciclo do Ensino Básico, que hoje formalizámos através da assinatura de um ajuste complementar e de um documento de projecto, nasce de um compromisso profundo: garantir que todos os nossos professores disponham de competências linguísticas, comunicativas, didático-pedagógicas e metodológicas necessárias para assegurar o sucesso da implementação do novo currículo nacional, que entrou em vigor no ano lectivo de 2025”, afirmou Dulce de Jesus. A ministra da Educação timorense falava no âmbito da cerimónia de assinatura do programa de formação, que terá a duração de quatro anos (2025 a 2028). O projecto abrangerá um total de 644 professores de Língua Portuguesa do 3.º Ciclo do Ensino Básico, directamente envolvidos no processo de ensino e aprendizagem dos jovens timorenses. “Para melhorar esse processo, contaremos com o apoio técnico de 17 professores-coordenadores brasileiros, que trabalharão em regime de docência conjunta, e de 81 professores timorenses, que actuarão como professores multiplicadores, garantindo assim a sustentabilidade e continuidade da formação no futuro”, explicou a ministra timorense. O projecto inclui também a produção de novos materiais didácticos para os 7.º, 8.º e 9.º anos, a criação de um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e o estabelecimento, no Instituto Nacional de Formação de Docentes e Profissionais da Educação (INFORDEPE), de um Núcleo de Formação de Professores de Português, que funcionará como estrutura permanente de apoio técnico e pedagógico. “Todos compreendemos que se trata de um investimento estratégico e ambicioso. Um investimento que vai além da simples formação de docentes e que representa a construção de um modelo sustentável para o futuro da formação e da educação em Timor-Leste”, acrescentou Dulce de Jesus. Em expansão O embaixador do Brasil em Timor-Leste, Ricardo José Leal, afirmou que o Governo brasileiro está comprometido em continuar a colaborar com Timor-Leste, especialmente na promoção e difusão da língua portuguesa. “A formação de professores tem como objectivo capacitar os docentes e expandir o uso da língua portuguesa, sobretudo no ensino básico”, declarou o diplomata brasileiro. O projecto conta com apoio do Governo brasileiro através da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e da Universidade de Campinas (UNICAMP), que têm prestado apoio técnico e científico consistente para melhorar o sistema educativo em Timor-Leste.
GP | Data e duas competições confirmadas Sérgio Fonseca - 12 Dez 2025 A reunião final do Conselho Mundial do Desporto Motorizado da FIA de 2025 realizou-se na passada quarta-feira, durante a Semana das Assembleias Gerais da FIA, em Tashkent, no Uzbequistão. A sessão contou com a presença de delegados das várias Autoridades Desportivas Nacionais (ASNs), de onde saíram decisões importantes, algumas das quais dizem respeito a Macau A data do 73.º Grande Prémio de Macau foi oficialmente revelada, ficando confirmado que o maior evento desportivo de carácter anual da RAEM terá lugar de 19 a 22 de Novembro do próximo ano. A federação internacional aproveitou igualmente para anunciar que a data e a localização da nona edição da Taça do Mundo de GT da FIA, que desde a sua criação se disputa no Circuito da Guia, integrada no programa do Grande Prémio, foram aprovadas pela Comissão de GT. A mesma entidade não revelou as linhas mestras da corrida próximo ano, que na edição deste ano contou apenas com dezasseis concorrentes, mas é a primeira vez que a confirma tão cedo. Por seu turno, a Comissão de Carros de Turismo confirmou o calendário da próxima temporada do Kumho TCR World Tour, que voltará a encerrar no Circuito da Guia, à semelhança dos anos anteriores. Destaca-se a forte presença da China no calendário: às provas de Macau e Zhuzhou junta-se uma estreia absoluta, o novo Circuito Internacional de Chengdu Tianfu. Com oito eventos – um no México e três na Europa, entre os quais a visita ao Circuito Internacional de Vila Real -, a Ásia ganha novo peso com um total de quatro jornadas. Quatro dos eventos de 2026 do Kumho TCR World Tour manterão o formato tradicional de duas corridas, incluindo Macau, enquanto os restantes quatro – México, Espanha (Valência), Coreia do Sul (Inje) e China (Chengdu) – adoptarão o formato de três corridas por fim-de-semana, introduzido no ano passado, atingindo um total de vinte corridas na temporada. O Conselho Mundial do Desporto Motorizado da FIA não se pronunciou publicamente sobre a continuidade, ou não, das Taças do Mundo de Fórmula Regional (FR) e Fórmula 4 no programa do Grande Prémio de Macau, ainda que o projecto desta última, que envolve igualmente o promotor chinês Mintime e a Fédération Française du Sport Automobile (FFSA), tenha sido concebido para três anos. Aposta também no karting O Conselho Mundial aprovou igualmente os regulamentos que sustentam a expansão do Karting sob a tutela da FIA, numa altura em que se inicia a próxima fase de implementação do “Global Karting Plan”, que, no próximo ano, integrará novos campeonatos “Arrive & Drive”, incluídos num dos calendários mais extensos de sempre. Na sequência do auspicioso arranque da Taça do Mundo de Karting “Arrive & Drive” da FIA, realizada na Malásia no mês transacto, o formato inovador será alargado com novos campeonatos continentais, aproximando estes eventos acessíveis e económicos das comunidades em todo o mundo. O calendário de 2026, já aprovado, contará com um Campeonato da Europa e um Campeonato da Ásia-Pacífico, cada um composto por três rondas, cujos vencedores assegurarão um lugar na grelha da Taça do Mundo de Karting “Arrive & Drive” da FIA de 2026, a disputar no termo da temporada. O Kartódromo de Coloane, ainda hoje um dos mais modernos do Sudeste Asiático, integrará esta primeira edição do Campeonato da Ásia-Pacífico “Arrive & Drive”, acolhendo a prova inaugural no fim-de-semana de 20 e 21 de Junho. O calendário desta competição de baixo custo inclui ainda duas outras etapas: uma em Zhuzhou, na Província de Hunan, e outra em Madras, na Índia.
Um passeio por Macau Paul Chan Wai Chi - 12 Dez 2025 Todos os anos, a seguir à apresentação das Linhas de Acção Governativa, o Governo da RAE realiza debates na Assembleia Legislativa sobre as várias áreas de governação, onde os responsáveis respondem às perguntas dos deputados. Mas para compreender verdadeiramente a actual situação de Macau, a experiência e o conhecimento em primeira mão são, sem dúvida, essenciais. Diz-se que vai encerrar uma antiga loja de electrodomésticos situada na Rua das Estalagens porque o dono se vai reformar. Todas as sucursais desta loja fecharam ao mesmo tempo. Estão a oferecer descontos de 50 por cento, o que atrai imensos clientes. Perante uma forte concorrência de sites e aplicações de vendas online, até os supermercados estão a começar a aderir a este sistema. A redução de pessoal é uma forma de manter o negócio, mas que competências tem um trabalhador de supermercado desempregado que lhe permitam conseguir um emprego noutras áreas do sector comercial? Comprar alimentos presencialmente é sem dúvida a melhor opção, mas o ambiente do mercado municipal de Taipa no domingo é muito diferente do da Rua do Cunha, que está apinhada de gente. Alguns donos de bancas do mercado municipal até optaram por fechar temporariamente. Os turistas não vão certamente comprar produtos no mercado para depois irem cozinhar. E os habitantes de Macau, foram para onde? Um residente de Taipa disse-me que desde que as autoridades de Macau concederam acesso de veículos motorizados de Macau à Ilha de Hengqin, as pessoas deixaram de ir ao mercado local e passaram a fazer compras em Hengqin, depois reabastecem os carros e jantam por lá, simplesmente porque é tudo mais barato. Perante a forte competitividade da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, ir às compras e jantar em Zhuhai ou Hengqin tornou-se uma tendência irreversível. Para além da redução de impostos ou da diminuição das taxas no arrendamento das propriedades, que medidas efectivas tomou o Governo da RAE para reduzir outros custos operacionais, quebrar monopólios e abrir o mercado? A atmosfera movimentada das zonas turísticas de Macau durante o dia faz com que as noites tranquilas na Zona A dos Novos Aterros Urbanos pareçam algo solitárias. Os projectos de habitação pública estão a ser concluídos uns após os outros, mas as várias infra-estruturas em redor do complexo habitacional ainda estão em construção. Para sobreviver, a humanidade necessita de um tecto, mas também de qualidade de vida. As recentes medidas de melhoria tomadas pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana podem ser consideradas uma resposta às necessidades dos residentes, mas “colmatar” as lacunas e melhorar as condições do tráfego em Macau é da responsabilidade das autoridades competentes. Com o encerramento dos casinos-satélite, a situação dos negócios circundantes e a reinserção dos funcionários afectados voltou a ser um tópico de debate na Assembleia Legislativa. Devido à mudança do tipo de turistas nos últimos anos, hoje em dia temos maioritariamente os que tiram selfies e fotografias das atracções turísticas. O aumento do número de turistas não é proporcional ao aumento das receitas fiscais. A pergunta é a seguinte, para além dos pontos de referência, da comida e dos casinos, que mais há em Macau que possa levar os turistas a gastar o seu dinheiro? A relva do Taipa Jockey Club cresceu, o desenvolvimento do parque temático “Parque Oceanis” ainda está na fase de planeamento, e os projectos de construção no terreno do canídromo da Companhia de Corridas de Galgos de Macau (Yat Yuen) deverão começar em breve. Mas com muitos terrenos sem utilização, como é que Macau vai poder gerir o seu desenvolvimento global, e para além disso, integrar-se de forma activa no quadro do desenvolvimento nacional? Depois dos debates sobre as várias áreas de governação na Assembleia Legislativa estarem concluídos, seria uma boa altura para os principais responsáveis governamentais darem um passeio pelas várias zonas de Macau sem combinações prévias e sem séquito.
Salários | Patrões queriam aumento no “mínimo possível” Andreia Sofia Silva - 12 Dez 2025 O patronato defendeu a manutenção do actual valor do salário mínimo, de 34 patacas por hora, e no caso de ter de haver uma actualização, que esta ocorresse no mínimo valor possível. Já os trabalhadores, pediam um aumento de três patacas, para 37 patacas por hora. Estas informações constam no parecer da Assembleia Legislativa (AL) relativo à revisão da lei do salário mínimo, que será votada na especialidade na quinta-feira da próxima semana, juntamente com o Orçamento para 2026. Em Novembro, os deputados aprovaram na generalidade, com três abstenções, a actualização do salário mínimo em apenas uma pataca, de 34 para 35 patacas à hora. Trata-se de um aumento de 2,9 por cento, o que, por mês, perfaz 7.280 patacas. As informações fornecidas pelo Governo aos deputados, sobre as posições demonstradas em sede de concertação social, mostram que os representantes dos trabalhadores defenderam que “o valor sugerido [pelo Executivo] era demasiado baixo e não conseguia garantir o rendimento dos trabalhadores com baixos salários”. Por isso, “o mesmo deveria ser aumentado três patacas, passando o salário mínimo, por hora, a ser de 37 patacas”. Pelo contrário, “a opinião dos representantes da parte patronal era de que, nesta fase, não era adequado aumentar o nível do salário mínimo, e se o Governo acabasse por considerar necessária a actualização, os mesmos esperavam que o aumento fosse mínimo”. Ainda do lado dos trabalhadores, apontou-se que “a actualização do salário mínimo não consegue acompanhar a evolução real do custo de vida, pelo que os procedimentos da revisão devem ser aperfeiçoados, com a implementação de uma verdadeira ‘revisão bienal’ e o estabelecimento de um mecanismo de actualização baseado em fórmulas”. Defendeu-se também “que o aumento do salário mínimo tem um efeito de reacção em cadeia, podendo contribuir para impulsionar a actualização da remuneração dos trabalhadores que não auferem salários baixos”. O medo das PME Ainda face ao que foi dito na concertação social, os patrões “consideraram que, devido à recuperação desequilibrada da economia, as Pequenas e Médias Empresas enfrentam pressões significativas ao nível de custos”, pelo que, com o aumento do salário “as empresas podiam precisar de transferir custos, levando ao aumento dos preços”. “Não se excluía a possibilidade de as mesmas diminuírem o número de trabalhadores não permanentes para reduzir as despesas, resultando na redução de oportunidades de emprego e no aumento da carga de trabalho dos trabalhadores a tempo inteiro”, foi defendido pelo patronato. Da parte dos deputados da primeira comissão permanente, responsável pela análise do diploma na especialidade, pediu-se que o Governo “tome como referência a prática das regiões vizinhas para aperfeiçoar o mecanismo de revisão” do salário mínimo, definindo-se “critérios quantitativos e fórmulas de cálculo mais científicas para a actualização do valor”. O Governo explicou aos deputados que “passaram apenas cinco anos desde a implementação da lei” do salário mínimo, pelo que é “preciso tempo para observar as alterações trazidas pela sua implementação”. “No futuro vai ser ponderado o aperfeiçoamento do mecanismo de revisão do valor do salário mínimo de acordo com a situação real” de Macau. Na prática, 18.200 trabalhadores serão abrangidos por este aumento salarial, o que, excluindo os trabalhadores domésticos, representa 4,4 por cento do total da força laboral de Macau. Desta fatia, 2.200 são trabalhadores locais e 16.000 não residentes, ligados a actividades imobiliárias, hotelaria. “Os principais grupos de beneficiários são os trabalhadores que exercem funções de segurança e limpeza”, descreve o parecer.
FMI | Revisto em alta crescimento da China para 5% em 2025 Hoje Macau - 11 Dez 2025 O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu ontem em alta a previsão de crescimento da economia chinesa para 2025, de 4,8 por cento para 5 por cento, citando os estímulos económicos lançados por Pequim e a trégua comercial com os Estados Unidos. A actualização consta da avaliação anual da economia chinesa, divulgada ontem, que eleva também a projecção de crescimento para 2026, de 4,2 por cento para 4,5 por cento. A missão do FMI, liderada por Sonali Jain-Chandra, destacou a “notável resiliência” da economia chinesa, apesar de “múltiplas perturbações nos últimos anos”. Ainda assim, alertou para desequilíbrios persistentes, como o prolongado ajustamento do sector imobiliário, o impacto nas finanças locais e a fraca confiança dos consumidores, que resultaram em baixa procura interna e pressões deflaccionistas. Para 2025, o FMI prevê uma inflação média de 0 por cento, com uma recuperação moderada para 0,8 por cento no próximo ano. A missão alertou ainda para os riscos de médio prazo, como o envelhecimento da população, o abrandamento da produtividade e os elevados níveis de dívida. Apesar da competitividade externa beneficiada pela desvalorização real do yuan, o FMI considera que as exportações já não podem sustentar sozinhas o crescimento. O FMI recomenda uma transição mais célere para um modelo de crescimento baseado no consumo, através da redução da elevada taxa de poupança das famílias, maior flexibilidade cambial, reforço dos sistemas de protecção social e resposta à crise imobiliária. Reformas no mercado de trabalho para reduzir o desemprego jovem e reestruturação da dívida dos governos locais através de mecanismos de insolvência são outras das propostas avançadas.