Covid-19 | Secretária apela a residentes para evitarem aglomerações João Santos Filipe - 10 Jan 2022 Apesar do menor período de incubação da variante Ómicron, o Governo recusa baixar o período de quarentena, por considerar que as outras variantes se mantêm muito activas A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, apelou à população para evitar aglomerações, devido ao aumento de casos importados, que são detectados à chegada ao território ou nos hotéis de quarentena. O pedido foi feito na sexta-feira, em declarações à imprensa, à saída de uma reunião na Assembleia Legislativa. “Solicitamos aos residentes para evitarem a aglomeração de pessoas, por exemplo, que evitem participar em festas de casamento”, afirmou a secretária, de acordo com a TDM. “Nestas circunstâncias há sempre aglomeração e os participantes têm de retirar a máscara durante bastante tempo”, justificou. Contudo, como relatado pelos meios de comunicação chinesa, o pedido não se limitou aos casamentos, mas também aos tradicionais banquetes de Ano Novo Chinês das associações, em que as pessoas se juntam e comem em ambiente festivo. Neste sentido, não está afastada a hipótese de novas orientações para encontros e actividades de grupo face à evolução da pandemia. Em cima da mesa continua também a opção da obrigatoridade de tomar a vacina para frequentar restaurantes e outros espaços, ou apresentar resultado negativo de um teste de ácido nucleico realizado nos últimos sete dias. “Estamos a estudar a matéria [de exigir a vacinação], para, por exemplo, atravessar a fronteira ou entrar em restaurantes”, adiantou. “Não descartamos a possibilidade de exigir a vacinação ou de um resultado negativo do teste de ácido nucleico. Continuamos a estudar e a analisar a situação”, acrescentou. Quarentena sem mexidas No sentido oposto, está excluída a possibilidade de reduzir a duração das quarentenas para quem entra em Macau. O cenário chegou a ser avançado face ao menor período de incubação da variante Ómicron. “Actualmente, em todo o mundo, não existe apenas a variante Ómicron, mas também outras variantes, que têm um período de incubação mais longo, superior a 14 dias”, respondeu Elsie Ao Ieong. “Vamos continuar a manter a medida de quarentena, e conforme o risco dos diferentes locais, vamos ajustar o período”, acrescentou. As quarentenas são exigidas a todos os que vêm ao território com origem em qualquer outro destino que não seja o Interior (com as excepções dos territórios que enfrentam surtos), têm durações de 14 dias, 21 dias ou 28 dias, de acordo com o grau de risco do local de origem. Por outro lado, Elsie Ao Iong também realçou que as exigências de isolamento têm uma natureza muito dinâmica, que depende da evolução da situação endémica. “Os Serviços de Saúde vão emitir novas orientações e vamos observar constantemente a situação epidémica. Estamos sempre a actualizar a lista de regiões de alto e médio risco”, referiu.
Crime | Puxa cabelos à mulher para a impedir de trabalhar Hoje Macau - 10 Jan 2022 Um homem foi acusado de cometer o crime da violência doméstica, quando aguardava em liberdade julgamento, em que também é acusado de cometer o mesmo tipo de delito. Segundo o jornal Ou Mun, a investigação da Polícia Judiciária (PJ) começou depois de uma denúncia por parte da esposa do suspeito, a afirmar que tinha sido agredida e ameaçada verbalmente em casa, a 4 de Janeiro. A investigação levou os agentes a concluir que o arguido de 66 anos estava a ser acusado novamente de agressões à esposa. Em declarações às autoridades, a mulher de 40 anos relatou que depois da primeira queixa, o marido melhorou o comportamento. Contudo, em Dezembro do ano passado, tudo voltou a mudar para pior. Segundo a vítima, na origem da mudança de atitude esteve o facto de o acusado desejar que a esposa se despedisse do trabalho para ficar a cuidar de familiares. Como a mulher não mostrou vontade de deixar o emprego, o marido terá agredido a vítima com puxões de cabelos e ameaças de que se iria suicidar. O caso foi entregue ao Ministério Público, depois de o suspeito ter recusado cooperar com a investigação da PJ.
Centro da FAOM recebeu pedidos de 700 funcionários da Suncity João Santos Filipe e Nunu Wu - 10 Jan 2022 A Casa dos Trabalhadores da Indústria do Jogo traça um cenário negro da situação dos ex-trabalhadores da empresa. Não conseguem receber salários devidos, ver confirmada a situação de desemprego, nem encontrar novos postos de trabalho correspondentes às suas qualificações A Casa dos Trabalhadores da Indústria do Jogo, ligada à Federação das Associações do Operários de Macau (FAOM), pediu ao Executivo para prestar atenção à situação dos funcionários despedidos da Suncity. A empresa entrou em colapso em Dezembro do ano passado, depois da detenção de Alvin Chau, e o centro diz ter recebido, em conjunto com a FAOM, mais de 700 queixas e pedidos de ajuda. Ao jornal Ou Mun, o chefe do centro, Pak Kin Pong, explicou que as 700 queixas e pedidos de auxílio partiram de pessoas que trabalhavam para a empresa e que se encontram em situações de incerteza. Segundo as explicações do responsável, os trabalhadores deixaram de receber salários, porque muitas empresas de outros sectores simplesmente fecharam, mas não foram avisados do despedimento, nem terão recebido o comprovativo dessa situação. O certificado de desemprego é um dos requisitos para receber os apoios do Governo durante três meses. Segundo Pak Kin Pong, os queixosos encontram-se num limbo porque “não recebem salário, mas têm estatuto de empregados”. Num primeiro momento, a Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DASL) ignorou as queixas recebidas pelos trabalhadores da Suncity, mostrando preocupação apenas com os trabalhadores das salas VIP, que tinham contratos com concessionárias. Posteriormente, e depois de manifestações de desagrado, a DSAL admitiu ter recebido queixas e abriu um balcão exclusivo de atendimento para estes profissionais. No entanto, Pak afirmou que os resultados deste balcão têm sido muito limitados. Falta de competências De acordo com o responsável do centro de apoio, os empregos disponíveis e promovidos pela DSAL são muito diferentes das competências deste grupo de pessoas, o que tem dificultado o regresso ao mercado de trabalho. Por isso, considerou que a DSAL precisa promover mais cursos de formação, para que estas pessoas possam ser requalificadas e adquirir competências em sintonia com a procura actualmente da economia de Macau. O chefe da Casa dos Trabalhadores da Indústria do Jogo sugeriu ainda que o Governo deve accionar mecanismos de apoio aos trabalhadores com ordenados em atraso, dentro da lei de garantia de créditos laborais, criada para apoiar a parte mais desprotegida quando se verificam incumprimentos de ordem laboral.
AL | Leong Sun Iok quer debater subida de propinas na Universidade de Macau João Santos Filipe - 10 Jan 2022 O deputado dos Operários considera “inaceitável” inflaccionar as propinas depois dos rendimentos em Macau terem caído 40 por cento. Leong Sun Iok entende que o Chefe do Executivo falhou na promessa de proteger a população de aumentos penalizadores O deputado Leong Sun Iok vai propor um debate na Assembleia Legislativa (AL) para discutir o aumento das propinas na Universidade de Macau (UM). Segundo o legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), os aumentos vão contra as promessas anteriores de Ho Iat Seng e são contrários aos discursos do Presidente Xi Jinping. Na proposta, Leong indica que as propinas referentes às licenciaturas na UM aumentaram mais de 50 por cento só nos últimos dois anos, ou seja, durante o período de crise pandémica. No que diz respeito ao próximo ano, o deputado indica que os mestrados vão ter aumentos superiores a 35 por cento, enquanto que o custo do doutoramento em Filosofia vai subir 70 por cento. O legislador não compreende os aumentos e pede explicações. “Sob o impacto da epidemia, a taxa de desemprego em Macau mantém-se elevada, com mais de dez mil subempregados, e os rendimentos dos residentes diminuíram significativamente. Em 2020, o rendimento global dos residentes locais, em termos reais, caiu 40 por cento em relação ao ano anterior”, destacou Leong Sun Iok. “Compreendo que a Universidade de Macau, enquanto escola pública, deseje recorrer ao aumento das propinas para reduzir a carga sobre os fundos públicos. Contudo, se o Governo regista pressão, a dos encarregados de educação é ainda maior”, realçou. “O aumento das propinas deve ter em conta as condições económicas objectivas e a acessibilidade dos encarregados de educação e dos estudantes”, atirou. Leong Sun Iok deixa ainda muito claro que é contra a insensibilidade social da escalada das propinas. “Não se deve aumentar, drasticamente, as propinas de uma só vez, especialmente em tempos de dificuldades sociais, nem se deve ‘agravar os encargos’ dos encarregados de educação”, afirmou. “Considero isto inaceitável”, vincou. Promessa violada O deputado da FAOM considera igualmente que Ho Iat Seng não cumpriu com o prometido. “No ano passado, o Chefe do Executivo afirmou, neste hemiciclo, que se poderia considerar um aumento das propinas universitárias sob o pressuposto de os estudantes locais não serem postos em causa”, recordou. “Porém, a actual abordagem ultrapassou os pré-requisitos estabelecidos pelo Chefe do Executivo para o aumento das propinas, a par da inexistência de um mecanismo perfeito de ajustamento”, frisou. Por outro lado, Leong Sun Iok argumentou que o presidente Xi Jinping defende propinas baixas, para promover a educação. “A política de propinas baixas é também uma medida importante para promover a formação de talentos, para que os estudantes possam concentrar-se nos seus estudos sem qualquer preocupação”, considerou. “O presidente Xi Jinping salientou: ‘não importa o quão pobre seja um País, a educação não pode ser ruim, e não importa o quão difícil seja a situação de uma família, os estudantes não podem ser sacrificados’”, citou. Leong Sun Iok pediu igualmente ao Governo que se inspire nos exemplos do passado, como nas prioridades de Edmund Ho. “No início do retorno de Macau à mãe-pátria, a economia estava num marasmo e não restava muito dinheiro no tesouro. Porém, o então Chefe do Executivo anunciou, ainda, em 2001, a redução das propinas das duas instituições de ensino superior, para aliviar os encargos dos encarregados de educação e promover a política de formação de talentos”, lembrou. A proposta deve ser votada na próxima sessão plenária da AL, cuja data ainda não está agendada.
Combustíveis | Governo pondera mecanismo de fixação de preços Andreia Sofia Silva - 10 Jan 2022 A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) garantiu, em resposta a uma interpelação escrita de Ron Lam U Tou, que vai ponderar fixar preços dos combustíveis caso haja “um concurso público para um terreno” destinado à criação de novos postos de abastecimento. Desta forma, será considerada “a adição de um mecanismo de fixação de preços e cláusulas de operação favoráveis à promoção da concorrência no mercado”. Além disso, Tai Kin Ip, director dos serviços de economia, explicou que será estudada “a exigência ao operador para a introdução de uma nova marca de combustíveis para veículos ou a introdução de novos produtos petrolíferos”. Tudo para “proporcionar mais escolhas aos consumidores”. O mesmo responsável recorda que, em dez anos, Macau ganhou cinco novos postos de abastecimento de combustíveis, e foi introduzida uma nova marca no mercado. Além disso, os contratos de concessão exigem a redução do preço de venda a retalho do combustível por parte dos operadores “até uma certa percentagem abaixo do preço de mercado nos primeiros dois a três anos de operação”. Em termos gerais, a DSEDT diz que tem prestado “grande atenção à estabilidade do fornecimento dos produtos de combustíveis e às variações dos seus preços”. O Executivo reforça a mensagem de empenho “em aumentar a transparência, mantendo a comunicação estreita com o sector”.
Taiwan | Macau repudia relatório sobre diminuição de liberdades Hoje Macau - 10 Jan 2022 O Governo liderado por Ho Iat Seng acusa Taiwan de ter vários preconceitos e recusa que as liberdades legalmente estipuladas tenham sido beliscadas pelas proibições sobre o 4 de Junho e os acontecimentos dentro da TDM O Governo demonstrou “repúdio e oposição” ao relatório das autoridades de Taiwan onde, entre outras situações, denunciam a diminuição das liberdades e garantias no território em 2021. “O conselho da região de Taiwan para os assuntos do Interior da China divulgou recentemente um dito relatório de estudo e análise sobre a situação de Macau, que tece comentários irresponsáveis sobre o desenvolvimento social, político e económico de Macau, e não corresponde severamente à realidade local, estando repleto de preconceitos”, indicou o Governo, em comunicado divulgado no sábado. “Por essa razão, o Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) manifesta o seu mais firme repúdio e oposição”, acrescentaram as autoridades. No relatório referente ao 22.º ano da passagem de administração de Macau para a China, Taiwan indica que em 2021 o ponto de vista do Partido Comunista da China sobre a segurança nacional foi incorporado no sistema administrativo de Macau. Taiwan recorda ainda que as “restrições do direito de reunião e da liberdade de imprensa foram frequentes”, frisando ainda que a opinião pública está preocupada que a voz pluralista da sociedade possa tornar-se ainda mais fraca. “Há preocupações de que o sistema de Macau esteja a tornar-se mais chinês”, denunciaram. De acordo com a lei No ano passado, o campo pró-democrata foi impedido de concorrer às eleições legislativas por terem sido considerados infiéis ao território, houve uma directiva para Teledifusão de Macau (TDM) que proibiu os jornalistas dos canais portugueses e ingleses de divulgarem informações e opiniões contrárias às políticas da China e o Tribunal de Última Instância (TUI) de Macau chumbou o recurso para uma vigília no Largo do Senado em memória das vítimas de Tiananmen por considerar que a liberdade de reunião não pode admitir “abusos e ofensas sem limites”. O Governo de Macau, no comunicado, nega esta narrativa e contrapõe: “As eleições para a VII Assembleia Legislativa e o Chefe do Executivo do V Governo da RAEM, cujos processos decorreram de forma justa, imparcial, pública e íntegra. Os direitos políticos dos residentes, incluindo de manifestação e reunião, têm sido respeitados e garantidos de forma plena, os órgãos de comunicação social têm autonomia e possuem linhas editoriais independentes, e as diferentes vozes podem conviver e serem respeitadas na sociedade de Macau”. O discurso sobre o reforço patriótico em Macau, assim como o aumento da defesa da segurança nacional tem estado patente em praticamente todos os sectores do poder no território nos últimos anos.
A origem da cozinha Macaense em Macau (Segunda Parte) Hoje Macau - 10 Jan 2022 Ritchie Lek Chi, Chan (*Artigo publicado no jornal Macau Daily em 13 de Junho de 2021) Alguns sites na Internet indicam que, o desenvolvimento da cozinha Macaense “parece ignorar a contribuição dos chineses locais”, esta afirmação na verdade tem um pouco de compreensão da história da cozinha Macaense. Se quiser realmente compreender a cultura alimentar dos macaenses, deve primeiro compreender a sua aparição em Macau e a sua história de desenvolvimento. Carlos Piteira, investigador da Universidade de Lisboa em Portugal, realizou um webinar no Centro de Ciência e Cultura de Macau a 28 de Maio de 2021. O título da palestra, “A história de Macau é a história dos macaenses” (Nota 1), enquadra-se no conteúdo deste artigo. Os macaenses de Macau não pom podem representar todo o desenvolvimento histórico de Macau, mas este grupo étnico reflecte a principal parte histórica de Macau desde a abertura dos portos. Portanto, a exploração da cozinha Macaense ou do Patuá também deve ser combinada com o estudo da história dos macaenses. Por outro lado, o processo de desenvolvimento desta etnia pode ser dividido em duas fases, a influência dessas duas etapas no Patuá e na cultura da culinária é extremamente importante. A primeira fase da cozinha Macaense Nos séculos XV e XVI, os portugueses enfrentaram as turbulentas ondas do mar, ao longo da Cisjordânia da África, contornando o Cabo da Boa Esperança da África do Sul, chegou a Índia e depois em Mianmar, Camboja e Tailândia na Península da Indochina. Em seguida, atravessaram o Mar de Andaman no Estreito de Malaca para chegar a Malaca. Depois disso, continuaram navegando em direção ao estreito de Sunda até as ilhas da Indonésia e Batávia (Jacarta), fazendo um desvio para a China e para o norte do Japão. Durante a longa viagem, os viajantes portugueses casaram-se com mulheres nos países por onde passaram e este comportamento foi aprovado e incentivado pelo Governador de Portugal na Índia. Até 1557, o governo Qing permitiu que os portugueses se instalassem em Macau, trouxeram seus familiares e navegaram através das ondas para chegar a “Hao Jing Ao” (o antigo nome de Macau) na foz do Rio das Pérolas. No entanto, “as primeiras pessoas que seguiram os portugueses para a China foram as mulheres indianas e malaias, podendo haver uma ou duas mulheres portuguesas (europeias)” (Nota 2). A sua família começou a florescer na próxima geração sem ascendência chinesa na Península de Macau. Os chineses em Macau chamam-as de Macaenses, que é também a fase inicial dos Macaenses. Marinheiros portugueses chegaram à península de Macau com um grande número de famílias estrangeiras, essas mulheres que são diferentes dos hábitos da vida dos chineses e são boas no uso de especiarias como material de cozinha, elas podiam combinar habilmente os métodos de cozinha de Portugal e dos seus próprios países para criar alimentos que são diferentes dos outros. Assim, a comida macaense manteve duas características desde o seu início, além de misturar os métodos de cozimento de vários países ou regiões. Até agora, as habilidades da culinária macaense continuam a absorver as habilidades culinárias de outros lugares para criar pratos novos e mais deliciosos. Quando recentemente provei pratos nativos num restaurante macaense, sem querer, provei ” Sambel Margoso”, 0 nome deste prato é misturado com as palavras indonésias e portuguesas, que na verdade é uma mistura de especialidades indianas e portuguesas. O sabor é uma mistura de pratos portugueses e indonésios. Alimentos macaenses contam com recursos locais Outra característica da cozinha macaense é que ela é boa em escolher ingredientes locais, embora este método de cozedura seja principalmente português, mas quando faltam ingredientes da cozinha portuguesa, utilizam-se ingredientes locais. Esta abordagem pode não só manter as características da cozinha portuguesa, mas também potenciar os pratos distintos e deliciosos, Tacho é um exemplo. O Tacho é similar ao cozido à portuguesa, embora o método de cozimento seja o mesmo, os ingredientes dos alimentos são diferentes, os cozinheiros usam ingredientes locais de Macau em vez dos ingredientes habituais em Portugal, por exemplo, a salsicha chinesa em vez do chouriço português. De acordo com a informação, os condimentos culinários comuns dessas mulheres são azeite de oliva, molho de soja, gengibre, alcaparras, leite de coco, pasta de camarão salgada, etc. Existem também especiarias da Índia, Indonésia, Malásia e outras partes do Sudeste Asiático, incluindo caril, anis estrelado, pimenta, chá de frutas, cravo, canela, cúrcuma em pó, açafrão, cominho, pimenta e baunilha. Portanto, quando o sabor rico “Caril de Caranguejo”, ”Frango Africano”, “Tacho (chao-chao pele)” ou “Bolinhos de Bacalhau” e outros pratos nativos são trazidos para a mesa. É como um pequeno palco encenando o multiculturalismo de Macau, onde as culturas de diferentes países se fundem harmoniosamente neste pequeno local. Provas de identidade dos macaenses no início de Macau O sítio web do Instituto de História Qing da Universidade Renmin da China em Pequim reimprimiu um artigo na terceira edição da revista “Estudos Étnicos” em 2017. Artigo co-editado pelos Professores Tang Kaijian e Yan Xuelian do Departamento de História da Universidade de Macau “Casamento dos portugueses em Macau durante as dinastias Ming e Qing. O primeiro ponto da segunda secção do artigo “Formas de Casamento de Portugueses em Macau”, “Casamento misto com estrangeiros”, descreve após a abertura de Macau como porto comercial. Estes portugueses “cuidariam dos velhos e dos jovens e seguiriam-se ainda mais” (Nota 3). A maioria destes portugueses casaram e tiveram filhos em Goa ou Malaca. Eles deixaram suas famílias no local ou para áreas costeiras da China. Além de mulheres da Malásia e da Índia, também haviam mulheres mestiças portuguesas-asiáticas. Ana Maria Amaro, professora da Faculdade de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Nova de Lisboa, Portugal, na sua opinião, as mulheres mestiças luso-asiáticas, na sua maioria, pertenciam a famílias legais e com um dote generoso. Portanto, “as mulheres eurasianas que já eram numerosas quando Macau abriu como porto podiam ser as mães dos primeiros macaenses.” (Nota 4). Ao mesmo tempo, não se pode ignorar que estas famílias de comerciantes portugueses também tinham um grande número de escravas provenientes da Índia, Malásia, Indonésia, África, Japão e China. Visto que os portugueses que se estabeleceram em Macau também tinham um grande número de marinheiros pobres e não de empresários ricos, também podiam casar com essas mulheres como esposas. O historiador britânico Charles Ralph Boxer afirmou:“A cidade de Macau, que foi construída entre 1555 e 1557, quase que não haviam mulheres brancas entre os residentes iniciais. No início, eles (os portugueses) não se fundiram com as chinesas do vizinho condado de Xiangshan. As mulheres que viviam com eles eram geralmente do Japão, Malásia, Indonésia e Índia, e a maioria delas eram escravas. No entanto, em um curto período de tempo, um grande número de chineses começaram a migrar para Macau. Naquela época, a Dinastia Ming proibia o comércio com o Japão, então Macau formou rapidamente um entreposto comercial sino-japonês. Os homens portugueses também começaram a casar com mulheres chinesas nessa época, mas essas mulheres chinesas eram principalmente concubinas ou empregadas domésticas. Embora estas empregadas eram indistinguíveis dos escravos, na verdade, alguns são adoptados por casais sem filhos, viúvos e viúvas e tornaram-se membros plenos da família. “(Nota 5) A partir dos argumentos dos estudiosos acima referidos, pode-se concluir que os primeiros macaenses não tinham ascendência chinesa. Portanto, a sua cultura alimentar é definitivamente diferente da chinesa. Notas: “A história de Macau é a história dos macaenses”, Andreia Sofia Silva, Hojemacau, Entrevista 28.5.2021. “Lendas sobre a origem dos macaenses”, Manuel Teixeira, Revista de Cultura Edição Chinesa 20ª Edição, Terceiro Trimestre de 1994, Página 59. Pang Shangpeng (Dinastia Ming): “Trechos de Baiketing”, volume 1 “Descreva e sugira como proteger a estabilidade a longo prazo das costas remotas”, “Série de bibliografia preservada de Siku Quanshu (Biblioteca Completa em Quatro Ramos da Literatura)”, Livro 129, fotocópia do 27º ano de Wanli da Dinastia Ming, Edição impressa em bloco de Pang Yingshan, página 131. Ana Maria Amaro, “Filhos da Terra : a primeira década da diplomacia luso-chinesa” A Revista de Cultura, 20º número da edição chinesa, do terceiro trimestre de 1999, páginas 13 e 18, editada pelo Instituto Cultural de Macau. Charles Ralph Boxer: Marv and Misogyny: Women in Iberian Expansion Overseas, 1415-1815: Some Facts, Fancies and Personalities, New York: Oxford University Press, 1975, p.84.
Covid-19 | Decretadas quarentena para zonas de Tianjin e Henan Hoje Macau - 9 Jan 2022 O centro de coordenação e de contingência do novo tipo de coronavírus determinou que, desde as 21h de ontem é obrigatória a realização de uma quarentena de 14 dias para quem viaje de algumas zonas de Tianjin e de Henan, na China, devido ao aumento de casos de covid-19. Segundo um comunicado, a quarentena passa a ser obrigatória para os visitantes oriundos da cidade de Anyang, de Henan ou do distrito de Nankai, de Tianjin. Além disso, o seu código de saúde será convertido para a cor amarela, sendo que estes devem ainda realizar cinco testes de ácido nucleico nos dias 1, 2, 4, 7 e 12 a contar desde a data do início desta nova medida.
Novas regras criaram corrida aos vistos ‘gold’ em Hong Kong e China Hoje Macau - 9 Jan 2022 Consultores de emigração em Hong Kong e Macau disseram à Lusa que as novas regras, que entraram em vigor a 1 de janeiro, originaram uma corrida aos ‘vistos gold’ portugueses no final de 2021. De uma média de dez processos por ano, Jeff Yen Li Wei, sócio da sociedade de advogados de Macau Nuno Simões e Associados, passou para 20 pedidos só na segunda metade de 2021, sobretudo vindos da China continental. Também John Hu, fundador e consultor principal da John Hu Migration Consulting, uma empresa de Hong Kong especializada em emigração, teve clientes locais a tentar iniciar o processo “mesmo antes do Natal”. O objetivo era antecipar a entrada em vigor de um decreto-lei que proíbe a obtenção de ‘visto gold’ através da compra de propriedade residencial nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e na maioria das regiões do litoral. A mudança estava originalmente prevista para julho de 2021 e muitos chineses e britânicos radicados em Hong Kong aproveitaram os seis meses extra para “acelerar” o negócio, disse Jason Gillott. Para o cofundador da Golden Visa Portugal Limited, uma empresa de Hong Kong especializada na obtenção de ‘vistos gold’, a opção mais popular foi comprar casas para reabilitação em Lisboa, Cascais ou Ericeira. Até ao final de 2021, o programa de Autorização de Residência para Investimento permitia obter residência em Portugal ao investir em imobiliário no valor mínimo de 500 mil euros, valor que caía para 350 mil euros no caso de reabilitação urbana. Após a correria de dezembro, Jeff Yen não tem novos clientes atualmente, mas disse acreditar que “quem estava interessado, vai continuar a estar interessado”. Ainda assim, o advogado, que viveu mais de duas décadas em Portugal, defendeu que será mais difícil convencer investidores chineses a comprar imobiliário fora dos grandes centros urbanos. A aquisição de propriedade era a opção em “80% dos casos”, mas John Hu considerou que a transferência de pelo menos um milhão de euros em capital poderá tornar-se uma escolha mais popular para os investidores de Hong Kong. Com sete processos em carteira, Jason Gillott está mais otimista, apontando o crescente interesse vindo de residentes do Reino Unido, Estados Unidos e Turquia. De acordo com números oficiais divulgados na segunda-feira, a inflação anual na Turquia ultrapassou os 36% em dezembro, um recorde desde 2002, devido à queda de quase 45% da lira turca face ao dólar num ano. “Muitos dos clientes têm já uma boa ideia de onde querem investir”, indicou Jason Gillott, apontando o caso de uma norte-americana que queria comprar casa em Évora para alugar a estudantes universitários. O britânico afirmou que há ainda oportunidades no imobiliário, nomeadamente no litoral do distrito de Setúbal. “Fiquei muito surpreendido por toda aquela zona, da Comporta até Santiago do Cacém, ter ficado na lista para o ‘visto gold’”, disse.
Índia re-autoriza financiamento estrangeiro a organização criada por Madre Teresa de Calcutá Hoje Macau - 9 Jan 2022 A Índia re-autorizou o financiamento estrangeiro a uma instituição de caridade fundada por Madre Teresa, depois de uma interrupção de várias semanas, vista por críticos como sendo mais uma prova de perseguição aos cristãos sob o governo nacionalista hindu. No dia 25 de dezembro de 2021, a instituição Missionárias da Caridade viu recusada, pelo Ministério do Interior indiano, a renovação da licença que lhe permitia receber financiamento estrangeiro. Esta decisão indicava apenas que as Missionárias da Caridade já não preenchiam as condições de elegibilidade, escusando-se a dar mais detalhes. De acordo com Sunita Kumar, colaboradora próxima de Madre Teresa, a licença foi agora finalmente renovada. As Missionárias da Caridade é uma congregação religiosa católica fundada em 1950 por Madre Teresa, uma religiosa católica romana que viveu e trabalhou na Índia durante a maior parte de sua vida, ajudando os pobres da cidade de Calcutá. Madre Teresa recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1979, sendo declarada santa pouco depois. Esta congregação atua criando abrigos para os desfavorecidos em toda a Índia e, de acordo com o jornal Hindu, no ano fiscal de 2020-2021 obteve cerca de 662 milhões de euros em financiamento estrangeiro. O Governo de Narendra Modi foi acusado de bloquear o acesso a financiamento estrangeiro para instituições de caridade e organizações de defesa dos direitos humanos que trabalham na Índia. Na semana passada, a filial indiana da ONG Oxfam disse ter visto bloqueado o acesso a fundos estrangeiros, alertando para as graves consequências que tal provoca na sua atividade humanitária. Também a Amnistia Internacional anunciou, em 2020, que encerraria as operações na Índia, depois de o Governo congelar suas contas bancárias. Os ativistas dos direitos humanos também estão preocupados com o aumento da discriminação e da violência contra as minorias religiosas, desde que Narendra Modi chegou ao poder em 2014. O governo nega qualquer projeto de hegemonia hindu e insiste na igualdade de direitos entre todas as religiões.
Tianjin vai testar 14 milhões de pessoas após a detecção de dois casos Ómicron Hoje Macau - 9 Jan 2022 A cidade de Tianjin anunciou hoje que irá testar quase 14 milhões de residentes depois de detetar dois casos locais da variante Ómicron, os primeiros de transmissão local no país. As autoridades locais disseram que os dois casos estão ligados, e fazem parte das últimas 20 infeções locais detetadas na cidade, todas no mesmo distrito. Tianjin já tinha sido a primeira cidade chinesa a registar um caso de Ómicron em meados de dezembro, embora nesse caso fosse um “importado”, isto é, vindo do estrangeiro. Os testes em massa começaram hoje às 07:00 horas e espera-se que sejam concluídos em cerca de 24 horas. A cidade, situada a pouco mais de 100 quilómetros de Pequim, confinou 29 áreas residenciais, fechou parcialmente duas linhas de metro e cancelou pelo menos 144 voos no aeroporto de Binhai. O epidemiologista Zhang Wenhong, citado hoje pelo oficial Global Times, rejeitou que a variante ómicron seja considerada menos virulenta do que outras mutações e disse que o mundo só deveria “reabrir” quando for construída uma “forte barreira imunológica” e as taxas de mortalidade de covid-19 forem “muito baixas”. Esta semana, o chefe da equipa nacional de peritos médicos da covid-19, Zhong Nanshan, considerou que o país já tinha atingido a “imunidade de grupo” depois de mais de 83% da população já ter recebido vacinação completa. As autoridades chinesas continuam a seguir uma política de casos zero de covid-9, que tem mantido o país praticamente isolado do mundo exterior durante quase dois anos, mas que lhe tem permitido manter um nível de contágio muito baixo em comparação com outros países, reagindo com testes de massa e contenção a qualquer surto, por muito pequeno que seja. A nação asiática começou 2022 em alerta devido a vários surtos desde meados de outubro do ano passado, que resultaram em mais de 7.000 casos – quase 5.000 dos quais transmitidos localmente – mas nenhuma morte. Este ano será um ano-chave para o país, pois acolhe os Jogos Olímpicos de Inverno a partir de fevereiro em Pequim e, em outubro, um grande congresso político do Partido Comunista da China (CPC), que se realiza apenas de cinco em cinco anos e no qual o seu líder, Xi Jinping, procura um novo mandato.
Comandante das Forças Armadas timorenses será candidato nas eleições presidenciais Hoje Macau - 9 Jan 20229 Jan 2022 O comandante das Forças Armadas timorenses anunciou hoje que vai ser candidato às eleições presidenciais previstas para março, mas referiu que, para isso, precisa da boa vontade do atual chefe de Estado para poder passar à reforma. “Vou avançar. O senhor Presidente da República ainda não anunciou a data das eleições. Mas quando decretar, sem dúvida que me vou pronunciar”, afirmou Lere Anan Timur, em entrevista à agência Lusa. “Já tenho 70 anos e este é o último passo na carreira. Vou tentar chegar até lá”, disse. Para que isso ocorra, depois de o chefe de Estado marcar as eleições, é necessário concluir a sucessão na liderança das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL). “É um processo que não é complicado, mas que depende da boa vontade do senhor Presidente da República, para não complicar a minha situação”, explicou. “Eu estou na idade da reforma, já cumpri até mais do meu mandato. Já estou no terceiro mandato, que é uma coisa nova. É tempo de pedir a minha reforma”, acrescentou. O requerimento com o pedido vai ser enviado ainda este mês para o Presidente, disse, iniciando-se depois o processo de nomeação do seu sucessor. “Tem de haver boa vontade do senhor Presidente. Somos irmãos e um irmão não pode trair outro. Se recusar tem de explicar porque é que recusa a minha reforma”, disse. Se o pedido de passagem à reforma for aceite, Lere Anan Timur vai preparar uma proposta com potenciais sucessores no cargo que enviará ao ministro da Defesa, Filomeno Paixão de Jesus, a quem cabe depois reunir o Conselho Superior Militar. Uma proposta será levada por Filomeno Paixão ao Conselho de Ministros, que fará depois uma recomendação para o Presidente, a quem cabe fazer as nomeações. Para Lere, porém, a boa vontade de Francisco Guterres Lú-Olo devia ser ainda mais ampla, cedendo o espaço ao comandante militar para que seja só ele o único candidato do partido em que os dois militam, a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin). Lere, aliás, considera que a Fretilin tem de apoiar a sua candidatura, “queiram ou não queiram”, porque é membro do Comité Central do partido e que assim é preciso “chegar a um entendimento” com o atual chefe de Estado. “Eu e o Lu-Olo temos de chegar a um entendimento. Eu vou dizer: irmão, já estiveste como presidente do Parlamento, como PR, porque é que não me cedes este período agora? Quero chegar a um acordo com o irmão Mari [secretário-geral da Fretilin] e Lu-Olo de um só candidato”, afirmou. O mesmo relativamente a outro dos potenciais candidatos, o ex-Presidente da República José Ramos-Horta, que tem sido apontado como potencial candidato apoiado por Xanana Gusmão, presidente do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT). “O irmão Horta também podia pensar bem nisso. Já foi Presidente, é Nobel da Paz. O meu irmão deve refletir e pensar bem. Que obra é que deixou incompleta no seu mandato? Deixou alguma”, questionou. “Eu sempre disse que de 2022 a 2027 são cinco anos decisivos. A última oportunidade para a velha geração, dos katuas. Até lá Xanana terá 80 e tal anos, assim como Ramos-Horta e Mari. É bom serem só pais da nação nessa altura”, considerou. Para já, referiu, o seu apoio mais consolidado está entre “os veteranos, o pessoal da resistência” e da luta contra a ocupação indonésia, mas garantiu que o seu apoio é maior, “e em todo o país, não só na ponta leste” de onde é originário, ou da Fretilin. Questionado sobre se gostava de ter o apoio de Xanana Gusmão, Lere recordou que o líder histórico é seu padrinho de casamento e os laços que os unem. “Estivemos sempre ao lado do nosso irmão, prontos até a oferecer a nossa vida para salvar a dele, como irmão dele. E um irmão não abandona outro. Mas com ou sem o apoio dele, vou avançar”, garantiu. Nas últimas semanas tem se falado de outro eventual apoio à candidatura de Lere, de José Naimori, líder do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), um dos três partidos no Governo e cuja mulher, Armanda Berta, presidente do partido e atual vice-primeira-ministra, anunciou já a intenção de também se candidatar à Presidência da República. Lere Anan Timur nega acordos políticos e explicou que as conversas e diálogos com Naimori – estiveram juntos recentemente em cerimónias tradicionais, por exemplo – tem a ver exclusivamente com “relações emocionais e pessoais e não políticas”. “O partido do Naimori veio das artes marciais, do Korka. Até a minha própria família está dentro da Korka e há esta relação emocional de tio e tia, irmão e irmã. Falámos por causa desta relação pessoal, mas não é política”, reforçou. Ainda que agora assuma uma corrida eminentemente mais política, Lere nunca deixou de ser uma voz política, mesmo nas funções atuais, o que suscitou várias críticas de vários quadrantes, algo que rejeita. “Muitos desses que falam dizem que o padre se quer falar de política deve tirar a batina. Mas o padre quando fala política não fala de partidos. A sua função e obrigação é estar ao lado dos indefesos, dos que não têm voz. Assim como eu”, considerou. “Sou militar, sempre disse que sou Fretilin, desde 1975 fui sempre da Fretilin. Se a Fretilin não existisse eu diria que era da Fretilin. Mas não sou general da Fretilin. Quem critica, não pensa”, insistiu. E rejeitou comparações com outros generais do mundo que aproveitaram as independências para “se sentar na cadeira”, afirmando: “Eu edifiquei o Estado, a nação de Timor-Leste, com o meu próprio sangue e eu preocupo-me com a estabilidade nacional e o desenvolvimento”. “Se falasse do meu partido ou do partido A ou B, estria contra a Constituição, mas sou como o padre, que está ao lado dos desprotegidos, que não têm voz e que sofrem. No impasse político, não podem calar a boca dos militares e andarem a fazer como querem”, afirmou. “Aqui em Timor-Leste, toda a gente diz: ‘fakaran ba rai Timor’, derramar o sangue pelo povo de Timor. Eles só falam teoria, mas eu não, eu derramei o meu próprio sangue”, disse, apontando para o dedo que perdeu num combate”, disse. Reiterando que nada o impede de falar, assegurou que vai manter sempre a “voz política”. “E quando for político só vou ter ainda mais voz”, enfatizou. Perfil | O comandante que quer ser chefe de Estado Lere Anan Timur, 69 anos, hoje comandante das Forças Armadas timorenses e pré-candidato presidencial, terá para sempre o seu nome ligado ao braço armado da luta contra a ocupação indonésia, quando conquistou uma reputação feroz e destemida. Se vencer as próximas presidenciais, previstas para março próximo, será o quarto membro do braço armado da resistência à ocupação indonésia, depois de Xanana Gusmão, Taur Matan Ruak e o atual, Francisco Guterres Lú-Olo, a assumir o cargo. Nascido em 02 de fevereiro de 1952, “dia de S. Tito”, de que ‘emprestou’ o nome de batismo, Tito da Costa Cristóvão, o outrora comandante das Falintil, o braço armado da resistência, é natural de Iliomar e descendente “de combatentes” de outrora. O nome por que hoje é conhecido – e pelo qual criou uma reputação quase mítica entre os adversários militares indonésios – é uma mistura de tradição e de ‘batismo’ da guerrilha. “Lere é um nome que vem da tradição da minha zona, de Illiomar, de bisavós lutadores. O Anan é da língua do Xanana Gusmão. Numa reunião, estávamos a discutir sobre nomes e o Xanana disse, olha tu ficas Anan. Perguntei o que isso significvaa e ele explicou que queria dizer ‘filho”, conta, em entrevista à Lusa. “Eu era Lere Timur, e no nosso dialeto Timur é gente da montanha. Anan Timur ficava filho da Montanha. Filho da Montanha de Iliomar”, explica. Perdeu os três irmãos no mato, sobreviveram duas irmãs e três meios-irmãos, filhos do pai, polígamo e que tinha outra mulher. É, aliás, quando fala da morte do seu último irmão, numa operação militar nos anos 1990, que a voz, marcada pelo bom humor e pela descontração, lhe fica embargada, obrigando-o a secar lágrimas. “Foi uma operação de 1995, que me doeu muito moralmente, porque o meu próprio irmão tombou. Éramos quatro irmãos. Agora sou o único. Morreram todos no mato. Mas essa, em que morreu o meu irmão, foi a mais dura”, conta. Como muitos em Timor-Leste, o nacionalismo e o patriotismo veio da influência de portugueses e da igreja, e em concreto, no seu caso, quando tinha “18 ou 19 anos” um padre português no colégio Salesiano incutiu-lhe o patriotismo e nacionalismo. “Apesar de ser português, incutiu-me o patriotismo de Timor e isso fez com que começasse a desprezar o colonialismo português. O padre falou-me de colonização, de opressão, das lutas anticolonialistas de África e isso inspirou-me a olhar para a frente, para o futuro de Timor-Leste”, recorda. O 25 abril só lhe fez reforçar a coragem para “prosseguir o espírito patriótico”, que viu traduzido no partido que, considera, desde aí se tornou “sangue no corpo”, a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), que assumia uma “política anticolonialista e anti-imperialista e combatia a exploração do homem pelo homem. “Eu estava na altura na vida militar, no exército português quando a Fretilin nasceu. Fui militar português, estava destacado aqui no destacamento de paraquedistas em Díli. Eu e os meus colegas militares reuníamo-nos sempre e até falámos de fazer um golpe”, recorda, sorrindo. “Simpatizei-me à Fretilin, o partido revolucionário, que representa mais os meus ideais. Sinto isso sem dúvida ainda hoje, apesar de estar fardado. Durante a luta também houve a despartidarização das Falintil, como elemento de unificação. Mas isso não apaga o que está na alma. A Fretilin é o sangue que me corre nas veias”, afirma. A vida desde aí foi sempre um misto de política e combate: começou como quadro político até à queda das bases de apoio, em 1978, e depois com funções cada vez mais militares na fase da luta de guerrilha. Foi comandante de destacamento sul, entre 1978 e 1979, em 1981 com a Conferência Nacional de Maubara foi eleito para o Comité Central da Fretilin (CCF), onde tem estado desde aí. Com uma reputação feroz na luta, temido pelas forças indonésias, Lere diz que houve “muito heróis que tombaram”, e que sem querer dizer se foi melhor ou pior que outros, “assustava os indonésios”. “Os próprios generais diziam quando me conheceram: Este é que é o Lere, que tanto procuraram no mato”, refere. Durante a luta, só uma vez, em março de 1983, esteve prestes a ser capturado, depois de ser atingido nas pernas e num dos dedos, da mão direita. “A agressividade dos meus camaradas safou-me e eles conseguiram tirar-me do cerco do inimigo”, recorda. Foi Comissário Político da Ponta Leste e depois na região fronteiriça e a partir de 1984 assumiu “tarefas puramente militares”, com operações “intensas e consecutivas” até ao final da década. Lere assume depois o comando da quarta unidade, composta por duas companhias, A e B, sendo primeiro comandante da unidade e primeiro comandante da Companhia B. “Podemos dizer que quem vai à guerra dá e leva. Perdemos homens e armas, mas o inimigo também levou bem. Até 1990, conseguimos tirar mais de cento e tal armas ao inimigo. Tivemos sucesso, mas também perdemos, armas e homens”, diz. Mais do que os combates, da luta recorda “o próprio sacrifício” que diz ter unido todos os timorenses. “Não havia discriminação ou uma separação de loromonu ou lorosae, de fataluku ou makassae de firakos ou caladis”, diz, referindo-se às várias linhas que têm dividido os timorenses. “O próprio sacrifício e sangue derramado dos nossos companheiros da luta construiu o espírito de camaradagem e solidariedade. Foi uma luta verdadeiramente nacional, uma luta generalizada de todo o povo de Timor-Leste”, insiste.
Cazaquistão: As razões da agitação num país rico em petróleo Hoje Macau - 7 Jan 2022 As agências noticiosas internacionais Agence France-Presse e a Associated Press compilaram alguns dados e informações para se compreender melhor esta crise O Cazaquistão, uma ex-república soviética na Ásia Central, está a viver os piores protestos de rua desde que conquistou a independência há três décadas, desencadeados pelo aumento do preço dos combustíveis. Os protestos degeneraram em motins em várias cidades e, desde 02 de janeiro, dezenas de pessoas foram mortas, incluindo 13 elementos das forças de segurança, com o registo de um milhar de feridos e a detenção de milhares de manifestantes. A contestação foi desencadeada pelo aumento dos preços do gás liquefeito, um dos combustíveis mais utilizados nos transportes do país, de 60 tengues por litro (0,12 euros) para o dobro, 120 tengues (0,24 euros). Face à situação, o Presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, decretou o estado de emergência em todo o país e pediu a intervenção de uma força da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, uma aliança militar de seis antigas repúblicas soviéticas. A organização anunciou o envio de militares da Rússia, Bielorrússia, Arménia, Quirguizistão e Tajiquistão para “estabilizar e normalizar a situação” no território cazaque. O Cazaquistão vende a maior parte das suas exportações de petróleo à China e é um aliado estratégico da Rússia, países seus vizinhos. Com mais de 2,7 milhões de quilómetros quadrados, o Cazaquistão é o nono maior país do mundo, abrangendo um território do tamanho da Europa Ocidental. Tem fronteiras com Rússia, China, Quirguistão, Uzbequistão e Turcomenistão, além de uma parte do território nas margens do mar Cáspio, considerado o maior lago do mundo. É na vasta estepe cazaque que se situa o Cosmódromo de Baikonur, operado pela Rússia: seis décadas após Yuri Gagarin ter descolado da sua plataforma, é a única base de lançamento para enviar naves espaciais para a Estação Espacial Internacional (ISS). Orgulhoso da sua História e tradições nómadas, o Cazaquistão celebrou o 550.º aniversário do primeiro Estado cazaque em 2015. As celebrações foram vistas como uma resposta à alegação do Presidente russo, Vladimir Putin, de que o Cazaquistão nunca tinha sido um Estado antes da sua independência de Moscovo em 1991. O território nómada foi gradualmente conquistado nos séculos XVIII e XIX pelo Império Russo, cujos colonos fundaram Alma-Ata (hoje Almaty). Em 1936, o país tornou-se uma das 15 repúblicas federadas da União Soviética. Embora os cazaques representem quase 70% dos 18 milhões de habitantes, maioritariamente muçulmanos, o país teve sempre uma grande minoria russa, que é agora estimada em um quinto da população (em comparação com mais de 40% nos anos de 1970). Porque é que a população cazaque está zangada? Das cinco repúblicas da Ásia Central que conquistaram a independência após a dissolução da União Soviética, o Cazaquistão é de longe a maior e a mais rica: possui colossais reservas de petróleo, gás natural, urânio e metais preciosos. Habituado a taxas de crescimento de dois dígitos, o país tem vindo a sofrer desde 2014 com a queda dos preços dos hidrocarbonetos e a crise económica no seu aliado russo, o que levou a uma inflação elevada. O petróleo representou 21% do Produto Interno Bruto (PIB) do Cazaquistão em 2020, segundo o Banco Mundial, que prevê um crescimento económico de 3,7% este ano. Dependente do mercado chinês para exportar o seu petróleo e gás, o Cazaquistão integra o vasto projeto da China das “novas rotas da seda”. Embora as riquezas naturais do Cazaquistão tenham ajudado a cultivar uma sólida classe média, as dificuldades financeiras são generalizadas: o salário mensal médio nacional é ligeiramente inferior a 600 dólares (530 euros), o sistema bancário tem vivido crises profundas e a corrupção é galopante (o país ocupa o 94.º lugar no Índice de Perceção da Corrupção da Transparency International). O protesto que desencadeou a atual crise ocorreu na cidade petrolífera ocidental de Zhanaozen, onde os ressentimentos há muito que se manifestam devido à sensação de que as riquezas energéticas da região não têm sido distribuídas de forma justa entre a população local. Quando os preços do gás de petróleo liquefeito, que as pessoas da região utilizam para abastecer os seus carros, duplicaram de um dia para o outro, a paciência esgotou-se. Os residentes das cidades próximas juntaram-se rapidamente e, em poucos dias, os grandes protestos espalharam-se pelo resto do país. Quem está a liderar os protestos? A supressão das vozes críticas no Cazaquistão tem sido a norma há muito tempo. Quaisquer figuras que aspirem a opor-se ao Governo ou são reprimidas, marginalizadas ou cooptadas. Embora estas manifestações tenham sido invulgarmente grandes – algumas atraíram mais de 10.000 pessoas, um grande número para o Cazaquistão –, não surgiram líderes de movimentos de protesto. Durante a maior parte da história recente do Cazaquistão, o poder esteve nas mãos de Nursultan Nazarbayev, primeiro secretário do Partido Comunista Cazaque em 1989. O “Pai da Nação” (“Elbassy”, no Cazaquistão), entregou a presidência ao seu aliado Kassym-Jomart Tokayev em 2019, mas manteve o cargo de chefe do conselho de segurança, que supervisiona os serviços militares e de segurança. Foi também estabelecido um culto à sua personalidade: a capital Astana foi renomeada Nursultan, o seu primeiro nome, logo após ter deixado a Presidência. Foi o antigo Presidente que ordenou, em 1997, que a cidade de Astana, localizada no meio das estepes no norte do país, se tornasse a nova capital do Cazaquistão em vez de Almaty, que continua a ser a maior cidade e a capital económica. Grande parte da ira manifestada nas ruas nos últimos dias foi dirigida não a Tokayev, mas a Nazarbayev: “Shal ket!” (o correspondente a “Vai embora, velhote! “) tornou-se um dos principais ‘slogans’ dos manifestantes. Como é que as autoridades estão a responder? As autoridades disseram hoje que dezenas de pessoas morreram nos motins, incluindo pelo menos 13 elementos das forças de segurança. A cidade de Almaty tem sido a mais afetada, e houve tentativas de invadir edifícios durante a noite, quando “dezenas de atacantes foram liquidados”, segundo disse uma porta-voz da polícia ao canal de notícias estatal Khabar-24. As tentativas relatadas de invasão dos edifícios vieram depois da agitação generalizada em Almaty na quarta-feira, incluindo a ocupação do edifício da Câmara Municipal, que foi incendiado. A reação inicial estava de acordo com a política habitual, com o destacamento de um grande número de efetivos das forças de segurança. Mas, ao contrário do que acontece normalmente, em que a polícia dispersa as manifestações com facilidade, o número de pessoas nas ruas de Almaty era demasiado elevado desta vez. Com edifícios governamentais a serem assaltados em várias grandes cidades, Tokayev apelou à ajuda da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, uma aliança militar liderada por Moscovo. Tokayev justificou o apelo à intervenção externa alegando que os manifestantes estavam a operar a mando de grupos terroristas internacionais, mas não forneceu pormenores sobre o que queria dizer com isso. Pode o Governo ser derrubado? Esta é uma situação sem precedentes no Cazaquistão, onde já ocorreram grandes manifestações, como em 2016 e em 2019, mas nunca com esta escala e estas consequências, incluindo um pedido de ajuda a forças externas. Num dos seus apelos ao público na quarta-feira, Tokayev comprometeu-se a prosseguir as reformas e deu a entender que a liberalização política poderia ser possível. Os seus comentários posteriores, no entanto, sugeriram que, em vez disso, poderá enveredar por um caminho mais repressivo. Ainda assim, porque os protestos de rua estão pouco concentrados, pelo menos por agora, é difícil antecipar como poderão terminar. Mas mesmo que não consigam derrubar o regime, parece possível que possam levar a uma transformação profunda. O que não é claro é o que isso pode significar, segundo a AP. Hoje de manhã, o governo do Cazaquistão decidiu impor limites máximos nos preços dos combustíveis durante seis meses, medida que visa “estabilizar a situação socioeconómica” no país, segundo uma nota no ‘site’ do primeiro-ministro, citada pelas agências internacionais.
Forte vaga da variante Ómicron anula comícios eleitorais na Índia Hoje Macau - 7 Jan 2022 Os comícios da campanha das eleições regionais na Índia foram anulados hoje devido à nova vaga de casos de covid-19 no país, provocada sobretudo pela variante Ómicron, com o número de infeções diárias a triplicar em dois dias. Nas últimas 24 horas, a Índia registou 90.000 novos casos da doença covid-19, com Mumbai, a capital financeira do país, a recensear um novo recorde diário de infeções, ao chegar aos 15.166 contágios pelo novo coronavírus num só dia. Os especialistas em saúde que estão a assessorar o Governo dizem que a variante Ómicron, detetada pela primeira vez na Índia há cinco semanas, está a provocar um aumento acentuado da contaminação nos centros urbanos. Em várias ocasiões, multidões concentraram-se em comícios para a votação de fevereiro em Uttar Pradesh, o estado mais populoso do país (mais de 200 milhões de habitantes) e um importante reduto do partido no poder, o nacionalista hindu Bharatiya Janata Parti (BJP). O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, percorreu, entretanto, várias cidades importantes para inaugurar projetos de infraestruturas e participar em rituais religiosos hindus em apoio ao governo estadual. No entanto, várias cidades impuseram o recolher obrigatório e vários partidos cancelaram os comícios face ao risco de um aumento exponencial da contaminação. “Devido às preocupações com o crescente número de casos de covid-19, todas as […] reuniões do partido foram canceladas”, disse à agência noticiosa France-Presse (AFP), o porta-voz do partido da oposição Congresso, Ashok Singh. Outro partido da oposição indicou que está já a fazer uma campanha eleitoral virtual, enquanto o BJP cancelou um comício programado para hoje em Noida, uma cidade satélite de Nova Deli também afetada por uma nova vaga de covid-19. No entanto, de acordo com Manish Shukla, porta-voz do BJP, o cancelamento do evento em Noida não se deve à crise sanitária, mas sim a “razões técnicas”, que não pormenorizou. Nova Deli, que já tem em vigor um recolher obrigatório, assim como Bangalore, a partir das 22:00 locais, ordenou o confinamento da população durante o fim de semana, com exceção do pessoal das atividades essenciais. “Impor um recolher obrigatório à noite e chamar [centenas de milhares] de pessoas para comícios durante o dia desafia o bom senso”, escreveu na semana passada na rede social Twitter Varun Gandhi, deputado do BJP. Já no decorrer desta semana, o governador de Nova Deli, Arvind Kejriwal, anunciou ter contraído covid-19, depois de participar em vários comícios políticos para as eleições municipais na cidade de Chandigarh “Não há margem para complacência. O sistema de saúde ficará arrasado”, alertou, na quarta-feira, V.K. Paul, médico que trabalha com o Governo na luta contra o vírus. Entre abril e junho de 2021, mais de 200.000 pessoas morreram de covid-19 na Índia, depois de hospitais, crematórios e cemitérios terem sido sobrecarregados. Hoje, e em relação às últimas 24 horas, a Índia notificou 90.928 novas infeções, o que multiplica por dez o total registado há uma semana, apesar de metade da população adulta ter recebido as primeiras duas doses da vacina anti-covid-19. Os dados oficiais sobre a imunidade coletiva indicam que mais de metade da população, estimada em 1.350 milhões de habitantes, desenvolveu anticorpos à doença. A variante Ómicron entrou na Índia no início de dezembro de 2021, apesar de estarem suspensos os voos comerciais internacionais há quase dois anos. Embora os números de novos casos já tenham igualado os recordes do país durante o início da devastadora segunda onda de infeções pelo novo coronavírus, entre abril e maio de 2021, impulsionada na altura pela variante Delta, os dados de internamento continuam relativamente baixos. A capital nacional Nova Deli, que hoje conta com mais de 9.000 camas hospitalares, tem 782 delas ocupadas e apenas 22 com casos graves em cuidados intensivos. Desde o início da pandemia, a Índia acumulou mais de 35 milhões de casos de covid-19, a que estão associadas pelo menos 482.876 mortes.
Avanço da pandemia não cria “risco extra” para os Jogos Olímpicos de inverno Hoje Macau - 7 Jan 20227 Jan 2022 A forte disseminação global de casos covid-19 não constitui um “risco extra” à celebração dos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim2022, afirmou ontem a Organização Mundial de Saúde (OMS). “As medidas tomadas pelas autoridades chinesas são muito restritas e neste momento não vemos um aumento do risco de transmissão”, justificou o diretor de Emergências Sanitárias da OMS, Mike Ryan. O responsável recordou que a OMS está a apoiar a China no que toca às medidas de prevenção para Pequim2022, sendo que a evolução da situação pandémica está em “constante análise”. A elucidar a postura da China no combate à covid-19 Mike Ryan citou a reação “contundente” do governo aos surtos surgidos no país nas últimas semanas, tendo mesmo colocado de quarentena cidades inteiras, de milhões de habitantes.
China vai nomear enviado especial para o Corno de África Hoje Macau - 7 Jan 2022 A China vai nomear um enviado especial para o Corno de África, anunciou ontem no Quénia o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, assinalando a vontade de Pequim se envolver diplomaticamente numa região mergulhada em conflitos. Wang Yi, que iniciou uma digressão por África na quarta-feira, com deslocações previstas à Eritreia, Quénia e Comores, declarou que a China quer encorajar o diálogo no actual contexto de vários desafios à paz e à segurança na região. “O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês vai nomear um enviado especial”, disse Wang Yi aos jornalistas, em declarações na cidade queniana de Mombaça. “Vamos desempenhar um papel ainda maior para a paz e estabilidade da região”, afirmou em mandarim, traduzido por um intérprete. A visita de Wang ocorre na sequência de uma visita do secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, à região, em parte destinada a contrariar a crescente influência da China no Corno de África. O anúncio coincide, por outro lado, com a chegada do enviado especial dos Estados Unidos ao Corno de África, Jeffrey Feltman, que aterrou ontem na Etiópia, um país mergulhado há mais de um ano numa guerra entre os exércitos federal e estadual do Tigray. Questões comerciais No plano económico, o Wang Yi, e a sua homóloga queniana, Raychelle Omamo, assinaram ontem vários acordos para facilitar o comércio bilateral, formalizando várias decisões anunciadas na conferência ministerial do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) em novembro. Os dois países “reconheceram o aumento sustentado do comércio bilateral e (…) o imenso potencial para aumentar o volume e o valor das exportações, através do exame das barreiras alfandegárias e não alfandegárias, corrigindo o défice comercial a favor da China”, de acordo com uma declaração divulgada pelo ministério dos Negócios Estrangeiros queniano. Wang e Omamo – que se reuniram na cidade turística costeira de Mombaça – assinaram um memorando de entendimento para a criação de um grupo de trabalho – um dos seis acordos assinados – para olhar, em particular, para os sectores da agricultura e do comércio bilateral. Os ministros também assinaram dois protocolos específicos para impulsionar a exportação de abacates e produtos da pesca do Quénia para a China. “Acordámos em trabalhar em conjunto para promover os investimentos das empresas chinesas em áreas de processamento agrícola, têxteis e vestuário, processamento de couro, calçado, ferro e aço e ainda maquinaria, mobiliário e madeira, montagem eletrónica, montagem automóvel, construção, produtos farmacêuticos, petróleo e gás”, anunciou o governo queniano.
Um editor deve cultivar a desmedida João Paulo Cotrim - 7 Jan 2022 Das crónicas publicadas no Hoje Macau por João Paulo Cotrim, recolhemos alguns parágrafos que assim republicamos. Sou do Sul, portanto lugar de mesa invariavelmente estendendo-se sob sol-posto em rima com a maltosa feita casa, cal de parede e o sacudir de paisagem, serviço dobrado de sorrisos e vincos fazendo cama para pão e vinho. O cortejo dos dedos pendentes de suas mãos, marcadas pelo fazer, reparo, trazem comida e bebida, as cores, as dores. Alguém levanta a voz, sussurros concorrem com o vento, os talheres debatem-se, há-de alguém amanhar as tensões e as flores dos que, pelo toque, se dizem família. Os amigos, com eles montanhas e rectas. As falas que se partem como pão, dizem. As vozes logo se alevantam sob sopro da alegria, outros mandam calar, que faz parte. Há segredos para conter e revelações de nada para celebrar, corpos ansiosos por correr. Entorna-se um copo, elogia-se a receita, o forno, o gesto. Um dos outros terá que lavar a loiça, recolher os restos, abraçar o que sobra da partilha, uns que chegam e partem, a mesa afinal um peito. Como saber se a refeição abre, vai de meio, ou se finda? Só se ama conhecendo. * Surge-me estranha, a praça, talvez deprimente no sinuoso como se apresenta, indistinta entre o que deve ser a face e a rabada. Certos bairros parecem ser, de qualquer ponto de vista, traseiras. * Desorientação militante. Não posso apoiar candidato maioritário e triste que foi entregando a cidade aos interesses mais venais, a ponto de continuarem a ameaçar uma das minhas colinas (a de Santana). Custa-me que seja socialista a gerir ao sabor das modas sexy. Não alinho na política cultural invisual e incapaz de perceber que nem tudo se constrói sobre nomes. Ergo, portanto, voz titubeante em favor do João Ferreira e de um partido comunista que se abra em curva sinuosa. * Sucedem-se os almoços que alimentam dias inteiros. Os que se propõem prolongar agendas, acertar detalhes e definir convites, fazer pontos-de-situação, do mais estranho em dias lassos, ponto-pé-de-cruz em trapos. Também os há em que do inesperado fazem desabrochar ideias, esses cães raivosos que não deixam de me atormentar a apatia com os dentes afiados da possibilidade. * A doença atravessa-nos tal fantasma de lenda, arrastando penas e ameaças, para nos deixar bombas no colo, que acariciamos até explodirem. * Belas massas moventes em tons de branco-cinza roçam os pontiagudos postes que defendem os altos edifícios de ameaças celestes ou procuram apenas e com singeleza metálica captar ondas. Vai chover. Chovendo no molhado: a acumulação de suspensos e irresolvidos, de encargos e tarefas, passou do papel para um qualquer lugar no corpo, um punho entre estômago e coração, rins e virilhas. * Fui puto de Legos. Poucos, que a vida de então não dava para mais. Meia dúzia de peças davam me pôr na Lua, abrir velocidades, disparar sobre o Mal, erguer alturas desmedidas, construir castelos e absurdos. Tenho no céu da boca a recordação da aterragem dos primeiros paralelepípedos de pinos e encaixes na minha mão. Agora, não passa um dia em que uma peça, já não de plástico, não me aparece a ferir o pé descalço. Isto e aquilo, mais isto que aquilo, atitudes, um gesto, brutal esquecimento, humilhações, um incumprimento, um mau trabalho, friezas, avisos, pressões, desilusões, a notícia de que afinal. Para que não me esqueça: em certas vidas, as peças teimam em não encaixar. Como se não pertencessem. * Semeando metáforas à toa, enquanto vou rasgando pele nas silvas o que colho por ora são amoras, páro gastando a vista na leitura da mais enigmática das imagens: recebo em bêbada alegria ecografias, dadas como cartas de jogar, ases de copas pulsando no escuro os nomes, tanta menina e um puto que vem anunciando já coração. Coincidem nas horas, mas contêm tempos diferentes, e nem por instantes apagam a bossa nova que anunciam. Vai de arrastar pé e lançar braços ao céu. Brilham as grávidas de tal modo que os semáforos hesitam na função, Vénus despiu as lantejoulas, só a sábia Lua insiste em ser espelho das muitas fases que se anunciam. Arrastem-se os pés, afinem-se os instrumentos, encham-se os copos. Que sejam curtas as horas, tratem agora de dar a volta para assumir posição. Mil olhos postos e entretidos nos entretons das massas pulsantes de branco e negro, um nó de horizontes a definir as formas deste alguém. Estamos de esperanças, enfim um contra-ciclo de polinização. * O veneno da indecisão não resulta de cálculo algum das probabilidades, de sombra de avaliação com conta, peso e medida. Nem mesmo uma espera, esperançosa ou derrotista, tanto faz, de que um acontecimento se apresente, chegue e empurre, expluda e resolva. Pura e simples paralisia, disso falo: o viandante perdido em pleno cruzamento sem que a razão encontre migalhas, pistas, evidências – assim se diz agora a torto e a direito – que sustentem a escolha de rumo. Nevoeiro, portanto, e não noite, que mesmo no breu mais cerrado se distinguem formas. * Que esconde uma montra? Percorro a página de abertura do sítio (www.abysmo.pt) e vejo como vem sendo parca a colheita, que nunca foi dada a abundâncias. Logo os restos de sangue camponês encontram razão nas vicissitudes do tempo, cargas de água e sol abrasador ou aquele nevoeiro que se abateu sobre o mundo e as vontades. O bom agricultor sabe ler a meteorologia, até a atmosfera da desgraça, pelo que não será apenas por isso. Onde se conservam as sementes adiadas, em que compostagem os apodrecidos? E as sombras, que celeiro bojudo as mantém na boa temperatura? Tanto por enfrentar e as ferramentas ferrugentas, rombas, quebradas… * Estão elencadas, e não apenas pelos profissionais do contratudismo, as fraquezas dos festivais literários: a vacuidade das ideias distribuídas, a claustrofobia dos temas e editoras dominantes, o espectáculo das vaidades, a promoção da leitura reduzida ao culto do autor, a dislexia entre performance pública e qualidade de escrita, a insistência em um só modelo de conversa pequena perante plateias enormes, etecetera. * Vejo agora com o corpo todo que talvez seja desta matéria a despedida, momentos em que não distinguimos o que sobra de noite ou começa de luz, frescura nas mãos antes de cuspidas, os pulmões a encher com o céu do olhar, seis da manhã, talvez antes, contavas-me como no orvalho se colhem as derradeiras lágrimas de felicidade, sete da tarde final, devia ter levado enxada para marulhar as terras ajardinadas do claustro, círculo de tantos silêncios, era de ficar encostado ao cabo esperando pelo teus silêncios encavados (…). * Cuspo nas mãos, cuspo no céu. Hei-de aprender a dizer foda-se como quem reza. Toquei a madeira do teu féretro feito de veios, talvez raízes, e vociferei que do teu fogo se ergam árvores, mergulhem pássaros, voem copas e se enterrem asas. Sacudo a enxada batendo no chão, soltando terra até casa, marcando com som baço a linha directa ao coração. Volto a bater com a asneira no chão: caralho. Falta-me o ar. * Computador grávido de décadas resolve despedir-se, sem estrondo, mas com malefício. Afirmamos na conversa mole a dependência, mas não sabemos o modo como estes seres nos prolongam em prótese essencial para qualquer passo até falharem. Há vida além do ecrã, mas não sei já onde. Algures havia backups a velar pelo passado, aquele a que não voltaremos e o outro que nos falta como oxigénio embora respiremos, pelo que a desgraça talvez não seja tão grande agora surge. Algo se perderá, que não há outro modo do dia nascer. Só que o acontecido não se limita a mera alteração na rotina, funciona mesmo como reboot: as máquinas velhas têm manhas a que nos afeiçoámos ou pelo menos domesticámos, os programas em versões vetustas obedecem-nos, sabemos onde está cada botão, cada password, cada rotina. E a culpa assenta no nosso comportamento, que temos demasiado peso no correio, muitas mensagens abertas, muitos programas a funcionar em simultâneo, mais isto e menos aquilo, descuido e desrespeito. De súbito, vemo-nos obrigados a repensar mais esta relação, a começar de novo e o word não se diz da mesma maneira, é preciso recomprar o pacote dos básicos, aceder a dezenas de plataformas, redefinir milhares de palavras-passe, aceitar contratos em que cederemos até o futuro e um rim. Estou a ver a velha Olivetti armada em decorativo objecto sob a camada de pó e suspiro. * Ainda nos reunimos sob o signo do medo. Coreografamos os primeiros momentos com a dança da hesitação, não sei se mão se cotovelo, se abraço ou aceno. Afasto por instantes a máscara para que me reconheçam ou continuo oculto e falante? Perceberão que estou sério ou sorridente? Se as comissuras falassem… * Mês morto, mês posto. Neste reino nem distingo o suserano, presto vassalagem apressada e às cegas sem tempo nem para contar as baixas. A vibração do telefone no seu silêncio canta um desespero que rima com a incapacidade para atender. Nisto de desconseguir devo ser dos melhores. * É só por isso que os projectos valem a pena: há pessoas por detrás das coisas e das obras. Há vida antes da morte. O gesto estético só me interessa se estiver ligado à vida e à carne dos dias. Não é tanto a questão desirmanada da fantasia escapista contra a força de intervenção rápida do neo-realismo. Trata-se de encontrar a força ténue do acto criativo: uma interrogação que pode explicar; um momento que pode iluminar; uma imagem que pode dar a ver; uma ficção que nos pode mudar a vida. Ou não. * Até o mais escuro dos ateliers me aparece tomado pela luz. Assim com o esboço: mais do que revelar a ideia que desponta, o titubear antes do salto, portanto a potência, contém a mais livre e rude das espontaneidades. Se nos passos há caminho, naquela busca encontra-se logo logo horizonte. Daí que a oficina seja bastante mais do que bainha e bastidor, erro e ferramenta, suor e preguiça. É lugar de muitas subtilezas e espectáculos. * Passo demasiado tempo à mesa, dizem-me. E logo os olhares comentam a barriga. Talvez passe demasiado tempo à mesa. Contudo, raras são as vezes em que me limito aos prazeres da dita. Não me sento para comer, entro em campo. Os gestores de topo jogam golfe. Os políticos da mediania vão ao futebol. A sociedade frequenta o ténis. Eu jogo-me à mesa. Quantos projectos acontecem de garfo na mão? Quanto de amizade estiquei, ou encolhi, já agora, de copo na mão? Não me interessa muito fazer essas e as outras contas. Mede-se demasiado nesta vida. Um editor deve cultivar a desmedida.
Teatro | Comuna de Pedra apresenta peça que explora medos nascidos da pandemia Andreia Sofia Silva - 7 Jan 2022 Jenny Mok é autora e intérprete de um dos três monólogos que compõem o espectáculo “A Doomsday Memorandum”, peça com o selo da Comuna de Pedra, em exibição amanhã e domingo nas Oficinas Navais nº 2. O espectáculo espelha medos e sentimentos num mundo em profundas mudanças sócio-económicas e políticas devido à pandemia A pandemia e os seus efeitos psicológicos são temas centrais do novo espectáculo que a Comuna de Pedra começou a escrever em 2020 e que desenvolveu com o aclamado artista de Hong Kong Dick Wong. “A Doomsday Memorandum”, integrado na série de espectáculos intitulada “De-corps-struction” é apresentado este fim-de-semana nas Oficinas Navais nº 2, às 20h, apenas em chinês. A peça é composta pela entrega em palco de três actrizes que são autoras e intérpretes dos seus monólogos. Em termos conceptuais, “A Doomsday Memorandum” não tem personagens no sentido clássico, mas a apresentação de ideias e emoções das actrizes. Jenny Mok, directora da Comuna de Pedra, traz ao palco a sua própria pessoa através de um monólogo “muito diferente” dos restantes. “Decidi focar-me no facto de, no meio de uma crise económica, ter uma opinião diferente em relação à maioria das pessoas, sobretudo a nível político ou social”, contou ao HM. “Poderemos falar sobre esta nossa ideia ou será que estamos sozinhos? É sobre este sentimento de solidão, quando sentimos que a nossa opinião não é defendida pelos outros”, acrescenta. Helen Ko, outra das actrizes em palco, dará uma espécie de TED Talk “a apresentar sugestões ao público sobre a melhor forma de vencerem os seus medos”. Inês Kuan é outro elemento do trio que apresenta esta peça. “É um espectáculo que envolve ecos de como reagimos às situações que enfrentamos”, adiantou. “Centralizamos os nossos sentimentos em relação a estas mudanças e sobre o conceito do apocalipse, e essencialmente como os seres humanos estão a enfrentar os seus medos nesta situação.” Dick Wong “levou muito tempo” a preparar os textos com as suas intérpretes, por se tratarem de escritos “muito pessoais, quase auto-biográficos”. Trabalhar com Dick Wong à distância, devido às restrições da pandemia, foi um dos grandes desafios que a equipa teve de enfrentar. “Esta é a terceira vez que trabalhamos com ele. Escrevemos este projecto ainda em 2020 e as coisas nunca voltaram ao normal como nós pensávamos. As autoridades foram alterando as regras, mas mantiveram sempre a quarentena obrigatória, e esse foi o maior desafio para fazermos este espectáculo.” Mudanças rápidas O apocalipse é “parte do conceito” da performance, uma vez que, para existir de verdade, pressupõe que todos os humanos morrem após uma catástrofe. Isso não aconteceu, mas não significa que as alterações profundas à vida que se conhecia até aqui não tenham acontecido. “O tema remete para o que está a acontecer em todo o mundo há dois anos, e são mudanças muito rápidas a nível social, económico e político. Há sempre este sentimento de medo perante isto.” Jenny Mok recorda que o mundo já vinha mudando, devido ao desenvolvimento tecnológico, mas “com a pandemia as mudanças foram ainda mais evidentes”. “Este espectáculo pretende ser um eco daquilo que está a acontecer actualmente”, rematou.
Governo: Restrições foram impostas para que Macau não fique como os EUA João Santos Filipe - 7 Jan 2022 A proibição de aterragens de voos em Macau tem como objectivo evitar um surto e impedir que a RAEM fique numa situação pandémica semelhante à vivida nos Estados Unidos, que regista novos recordes de infecções. As explicações foram avançadas por Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença, ontem, na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia. A responsável admitiu ainda que o período de proibição de entradas do estrangeiro pode ser alargado. “Estamos num momento crítico a nível mundial […] antes de tomarmos a decisão considerámos a alta transmissibilidade da variante Ómicron, e a necessidade de evitar o surgimento de casos internos. Temos de trabalhar para evitar ser como os Estados Unidos e ter muitos casos”, afirmou Leong Iek Hou. “Não queremos sobrecarregar as nossas instalações médicas, nem causar um grande impacto à vida da população e à actividade económica de Macau”, acrescentou. Segundo a médica, a restrição vai prejudicar a vida da população, mas o que está em causa é “o interesse global” da sociedade, principalmente tendo em conta as várias infecções ligadas a voos vindo exterior. “Em cada voo que regressa via Singapura conseguimos identificar um a três casos confirmados de covid-19. Houve pessoas que no início eram consideradas um caso de contacto próximo e, dias depois, são confirmados casos confirmados. Por isso, não excluímos a possibilidade de serem infectadas no avião”, argumentou. As autoridades admitiram ainda a possibilidade de alargar a proibição para além de 23 de Janeiro, de acordo com uma “análise dinâmica”. Informação inútil Na conferência de ontem, Leong Iek Hou foi confrontado com a falta de aviso prévio sobre a possibilidade de proibir voos e ainda as recomendações de Ho Iat Seng que, no passado, sugeriu que os reencontros familiares fossem no estrangeiro e não em Macau. Em resposta, a médica recusou a ideia de que os residentes não foram alertados e afirmou que vigora há dois anos uma política aconselhamento contra viagens não essenciais. A coordenadora recusou a ideia da existência de restrições à liberdade de entrada e saída do território aos residentes, porque só estão “a restringir os voos”. Leong Iek Hou insistiu também que os residentes podem regressar a Macau de outra forma, que não sejam os voos de Singapura. Segundo a médica, é possível entrar a partir do Interior e Taiwan, que disse ter voos directos. Porém, actualmente, as entradas em Taiwan estão reservadas apenas a quem tem autorização de residência. Mesmo assim, o tempo das escalas no aeroporto de Taipé seria outro motivo para a opção não ser viável para chegar a Macau vindo da Europa. Governo pondera bolha de vacinação local O Governo equaciona tornar a vacina um requisito obrigatório para que um residente possa frequentar restaurantes, cinemas e salas de espectáculos. A possibilidade foi admitida por Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença, ontem na conferencia de imprensa. Em cima da mesa está também a possibilidade de as pessoas terem como alternativa, caso não seja vacinadas, fazer um teste a cada sete dias para frequentar os espaços mencionados. “Espero que compreendam que o mais importante na vacinação é reduzir o risco de morte e de sintomas graves. Em alguns estabelecimentos, quando entramos, tiramos sempre a máscara, como restaurantes, também há outros espaços, como cinemas ou salas de concertos em que ficamos por um período longo. São situações que aumentam o risco de contágio”, justificou a médica. A obrigatoriedade ainda não é certa, ao contrário do que acontece em Hong Kong, mas está a ser ponderada: “vamos avaliar consoante a situação epidémica”, foi garantido. Também ontem foi encurtado o tempo para a tomada da terceira dosa da vacina contra a covid-19, que passa a ser de três meses. Neste capítulo, Leong Iek Hou apelou aos residentes para tomarem a vacina da BioNTech, uma vez que os estudos apontam que o reforço com esta vacina oferece uma protecção mais eficaz, do que se o reforço for feito com o produto da Sinopharm. Residente vinda do Vietname é mais um caso importado Uma residente de 21 anos acusou positivo no teste de ácido nucleico na quarta-feira, à chegada a Macau vinda do Vietname, com escala em Singapura. Como não apresenta sintomas, o caso foi classificado como importado de infecção assintomática. A jovem tomou duas doses da vacina da Sinopharm nos passados meses de Novembro e Dezembro e no dia em que saiu do Vietname fez um teste que deu negativo. Após o resultado positivo à chegada, foi transportada para Centro Clínico de Saúde Pública de Alto de Coloane para observação médica.
Covid-19 | Proibição de chegada de aviões pressiona comunidade portuguesa João Santos Filipe - 7 Jan 2022 A medida que impede a entrada em Macau de pessoas vindas do estrangeiro foi surpreendente e as justificações escassas. O HM ouviu figuras da comunidade portuguesa que viram a proibição como um sinal de que a pressão psicológica e o stress estão para ficar O anúncio da proibição de aterragem em Macau de todos os voos civis que tenham origem fora da China a partir de domingo apanhou de surpresa a comunidade portuguesa. Também o facto de não ter sido inicialmente prestada qualquer justificação, como realçado pelas opiniões ouvidas pelo HM, contribui para as expectativas de continuação de um clima de forte pressão psicológica e stress crescente. “Este tipo de medidas repentinas aumenta muito a pressão psicológica. Com a situação da covid-19, as restrições que limitam os seus movimentos, as pessoas atravessam períodos de ansiedade e ficam muito nervosas”, considerou Amélia António, presidente da Casa de Portugal, em declarações ao HM. “As medidas surgem de forma súbita, sem explicações ou fundamentos, e fazem com que não se possa tomar cautelas, por isso, é muito difícil encaixar estas políticas”, acrescentou. Na altura em que prestou declarações ao HM, ainda não eram conhecidos os fundamentos, que só foram abordados horas mais tarde, na conferência de imprensa sobre a situação pandémica. Por isso, a responsável pela Casa de Portugal recusou fazer críticas à decisão das autoridades: “Admito que estas medidas sejam tomadas porque os Serviços de Saúde têm dados concretos… Mas, nós não conhecemos mais do que razões abstractas. Apenas nos dizem que são motivadas pela covid-19 e que servem para proteger a população”, lamentou. Com compreensão Por sua vez, o deputado José Pereira Coutinho, ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), defendeu que a medida é sensata, desde que aplicada de forma temporária. O legislador aceita até a hipótese de o período de proibição, que vigora até 23 de Janeiro, seja prolongado, dependendo da evolução pandémica. “Eu apoio esta medida. A saúde pública de Macau está de rastos. É uma medida acertada, desde que seja temporária. A transmissibilidade deste vírus é extremamente elevada”, defendeu sobre a variante ómicron. “Depois de duas semanas, é necessário fazer uma avaliação e ver como está a situação. É uma medida sensata, porque vai proteger a maioria dos cidadãos de Macau”, completou. Pereira Coutinho afirmou ainda compreender o facto de a medida ter sido tomada sem qualquer tipo de indicação prévia, por considerar que a luta contra a pandemia é imprevisível. “As coisas surgem desta forma. Foram detectados dois casos assintomáticos de ómicron, e é um sinal de que as autoridades sanitárias estão preocupadas”, vincou. “Havendo um surto não temos capacidade para enfrentá-lo, a não ser que já tivéssemos o Hospital das Ilhas a funcionar”, sustentou. Lógica de zero casos Para Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, a medida justifica-se pela política de zero casos, que tem sido implementada. “É uma medida que entronca na lógica da política de zero casos e que tem a ver com a pandemia. É a única explicação, porque caso contrário não se poderia compreendê-la”, disse Senna Fernandes. “É inevitável considerar que a nova variante está a fazer muitos estragos, a mortalidade não é tão elevada, mas, o nível de contágios está a fazer muitos estragos em outras partes do mundo, como nos Estados Unidos ou na Europa, com novos recordes de infecções”, justificou. O advogado defendeu ainda a política de zero casos, que considera a mais adequada face às características da RAEM. “Compreende-se a adopção desta política para Macau, porque é um território muito pequeno. Um contágio aqui seria brutal, porque não teríamos infra-estruturas para terminar com o contágio em massa”, apontou. “Também a população de Macau é muito frágil, porque se houver uma epidemia não só vai haver pânico, mas também se vai alastrar e alcançar número incalculáveis”, frisou. O custo silencioso Se, por um lado, as medidas são tidas como aceitáveis, por outro, não deixam de ter um preço pago pela população. O aspecto da generalidade do impacto foi realçado pelo presidente da ADM, que também constatou que a covid-19 levou muitos portugueses a deixarem o território. “Claro que estas restrições causam grandes desconfortos, as pessoas não podem sair, há problemas psicológicos que advêm desta situação. Para a população portuguesa, estas medidas são uma causa de êxodo”, reconheceu. “Se antes era possível apanhar um avião amanhã e ir a Lisboa ver um familiar, actualmente não é possível. Isto dificulta a vida, a pandemia tornou as distâncias maiores, o que pesa muito nas escolhas das pessoas que sempre viveram em Macau”, destacou. Segundo Miguel de Senna Fernandes, as saídas serão mais prováveis no caso em que os membros da comunidade têm familiares com idades avançadas, mesmo nos casos em que praticamente viveram sempre em Macau. “As pessoas começam a rever os planos de vida, o que é natural. Se tenho um pai ou uma mãe idosa em Portugal, e se não posso ter certezas de poder viajar com a maior brevidade possível, então começo a fazer contas à vida”, explicou. “Isto ditou a saída de muitos portugueses”, constatou.
PJ | Duas mulheres burladas através de app de encontros Andreia Sofia Silva e Nunu Wu - 7 Jan 2022 A Polícia Judiciária (PJ) recebeu uma denúncia de duas alegadas burlas através de aplicações de encontros. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, um dos casos diz respeito a uma mulher de 54 anos, residente, que conheceu um homem do Interior da China através de uma app de encontros. O suspeito disse-lhe que tinha um tio com funções de chefia na bolsa de valores e que detinha informações privilegiadas, incentivando a mulher a investir 256 mil renminbis através de uma aplicação de telemóvel. No entanto, dias depois, a vítima continuava a não ter acesso aos lucros obtidos com o investimento, apesar de a aplicação indicar ganhos na ordem dos 810 mil renminbis. Além disso, foi pedido à mulher para fazer novo investimento, solicitação que levantar suspeitas e a levou a denunciar o caso às autoridades. Outro caso de alegada burla refere-se a uma trabalhadora não-residente da China que conheceu um suposto engenheiro numa aplicação de encontros. O suspeito disse que trabalhava numa plataforma de jogo online e que havia descoberto uma lacuna no sistema que permitia obter alguns ganhos. Desta forma, a mulher foi incentivada a depositar 197 mil renminbis. O caso repetiu-se, depois de a vítima vir na aplicação de telemóvel que estava a ganhar 500 mil renminbis com o investimento feito, apesar de não ter acesso ao dinheiro.
Estudo | Políticas anti-corrupção e efeitos da covid-19 afastam turistas João Santos Filipe - 7 Jan 2022 Os visitantes estão menos motivados para visitar a RAEM, e indicam como causas as poucas autorizações de saída emitidas no Interior e as políticas anti-corrupção, em especial entre funcionários públicos chineses. As conclusões constam de um estudo da Universidade Cidade de Macau As políticas anti-corrupção adoptadas nos últimos anos pelo Interior da China são um dos principais factores que afastam turistas de Macau. Esta é a conclusão de um estudo elaborado por três académicos das Universidade Cidade de Macau, Martin Tang, Grace Chan e Yvonne He, publicado na Revista Internacional de Investigação em Ciências Sociais, com o título “Quais são as barreiras ao regresso dos turistas do Interior a Macau, no contexto das políticas anti-corrupção”. O estudo foi feito com base em 47 entrevistas a turistas do Interior e apontou três factores principais que levam à diminuição da vontade de visitar Macau: a implementação de políticas anti-corrupção mais rigorosas, as restrições de circulação e exigência de resultados negativos de testes de ácido nucleico e a redução dos rendimentos causada pela crise da covid-19. “Segundo este estudo, a maioria dos inquiridos referiu de forma repetida as políticas, em particular as acções contra a corrupção, a realização obrigatória de testes de ácido nucleico e as burocracias ligadas aos processos de entrada e saída como factores que afectam de forma negativa a vontade de viajar”, é indicado nas conclusões. A investigação identifica um padrão de medo em entrar nas zonas de jogo da RAEM, principalmente entre os visitantes que são funcionários públicos. “As políticas anti-corrupção foram repetidamente mencionadas pelos inquiridos das instituições públicas como tendo impacto negativo”, foi explicado pelos autores. Entre os 47 entrevistados, 42 referiram este aspecto, ou seja, 89 por cento dos ouvidos. Receios públicos O estudo avança também com o depoimento de um funcionário público, não identificado, que mostrou receio em ser visto perto das entradas dos casinos. “A tendência geral mostra-nos uma política anti-corrupção cada vez mais rigorosa, por isso sinto-me preocupado só por ser visto nas imediações das áreas de jogo”, é mencionado. “Pode dar-se o caso de alguém fazer queixa só por estar perto”, acrescenta o mesmo entrevistado. Ao nível das restrições de circulação de covid-19, a realização de testes também foi indicada. Contudo, a maior parte das restrições não estará tanto em Macau, mas principalmente no Interior, relacionado com a emissão de autorizações de saída. “Nos últimos tempos, os processos de pedidos para deslocações são muito rigorosos, nem os casamentos são actualmente razão que permite sair do Interior, talvez só em caso de funerais seja possível sair”, foi explicado por outro dos entrevistados. Quanto à redução dos rendimentos, o estudo indica que não afecta tanto os funcionários públicos, que até admitiram ter um salário mais alto, mas antes os privados. “Alguns dos trabalhadores do sector privado afirmaram que embora não tivessem desistido das férias, que abdicaram de Macau, em detrimento de destinos mais baratos”, foi justificado.
Boato | Desmentido anúncio de Ho Iat Seng sobre criptomoeda Hoje Macau - 7 Jan 2022 O Governo desmentiu ontem uma publicidade que circulou na Internet e que utilizava imagens do Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, para a captar investimentos para uma criptomoeda. Alegadamente, Ho teria dado uma entrevista para a publicidade em que defendia as vantagens de “investimento no sistema de negociação automatizado de Criptomoeda (Bitcoin Era)”. O Governo respondeu em comunicado oficial a esclarecer “séria e formalmente que a informação é falsa e não corresponde à verdade. O Chefe do Executivo nunca fez declarações do género em quaisquer entrevistas”. O caso foi igualmente entregue às autoridades: “O Governo da RAEM reserva-se o direito de apurar as responsabilidades nos termos da lei, apelando à população para aceder às páginas electrónicas oficiais, no sentido de obter informações verdadeiras e fidedignas, mantendo-se alerta e distinguir quando se trata de informações falsas”, foi revelado. No fim da nota de imprensa, foi ainda pedido à população para se manter atenta: “Apela-se para que em caso de burla ou perante qualquer tipo de crime, a população deve reportar ou pedir ajuda imediata à polícia”, foi acrescentado.
Wang Sai Man exige revisão da lei que regula as escolas de condução Andreia Sofia Silva - 7 Jan 2022 Wang Sai Man pediu ao Governo que avance com a revisão do regulamento das escolas e do ensino da condução. Na óptica do deputado, as regras desactualizadas impedem o desenvolvimento do sector e levam à falta de recursos humanos Wang Sai Man exige que o regulamento das escolas e do ensino da condução, em vigor desde 1998, seja revisto. Numa interpelação oral apresentada ao Executivo, que ainda não tem data de resposta, o deputado eleito pela via indirecta chama a atenção para a “desactualização evidente”, que “impede o normal funcionamento e desenvolvimento a longo prazo do sector”. “O Governo deve estudar seriamente essas opiniões e avançar, o quanto antes, com os trabalhos de revisão, a fim de dar resposta às exigências do sector”, pode ler-se. Um dos exemplos de lacunas apresentado pelo deputado refere-se às instalações físicas das escolas de condução, tendo em conta as alterações trazidas pela pandemia. “As salas de aula utilizadas para o ensino têm de corresponder às áreas previstas, têm de dispor de diapositivos exclusivamente para fins pedagógicos, entre outros equipamentos de projecção, assim como uma série de instrumentos didácticos relacionados com peças de automóveis. No entanto, segundo o sector, com o desenvolvimento da sociedade, o modelo de ensino online passou a ser predominante.” Desta forma, “a área das salas, os equipamentos e os materiais didácticos referidos no regulamento já deixaram de ter significado pedagógico efectivo” e “afectam o normal funcionamento do sector”. Segundo Wang Sai Man, o sector critica o Executivo neste ponto, pois é exigido às escolas de condução “o cumprimento das normas gerais das instalações de ensino”. No entanto, alguns apoios são atribuídos a escolas de outro tipo e não às escolas de condução, que, na maioria das vezes, são micro e pequenas empresas. “Com o aumento contínuo das rendas, o cumprimento das exigências do regulamento vai afectar o desenvolvimento a longo prazo do sector”. Falta de concursos Wang Sai Man lança ainda um alerta sobre a ausência de um “mecanismo de abertura regular de concursos para a formação de instrutores”, além de que “mesmo em eventuais concursos vão ser deduzidas as vagas para as entidades de transportes públicos e serviços públicos”. Outra das dificuldades com que as escolas de condução se deparam é a falta de recursos humanos. “Segundo os dados divulgados pelas autoridades, em 2020 existiam 424 instrutores qualificados, mas, segundo o sector, só cerca de 100 estão a exercer funções. Como existem 43 escolas de condução, cada uma só tem, em média e no máximo, dois ou três instrutores.” A interpelação dá ainda conta que, graças à desactualização regulamentar, “a tensão decorrente dos recursos humanos agravou-se, porque, por exemplo, o aluno, numa aula prática de condução de um motociclo, tem de ser acompanhado por dois instrutores”. Desta forma, o deputado entende que o Governo “deve criar mecanismos para organizar anualmente concursos para a admissão ao curso de formação de instrutores”, além de “ajustar os critérios para a admissão de acordo com a realidade social”.