Armazém do Boi | Mostra de vídeo experimental a partir de domingo

São 11 os artistas que participam na EXIM 2025 – Time & Movement, Experimental Moving Image Exhibition, para ver no Centro de Cultura e Artes Performativas Cardeal Newman de Macau a partir deste domingo, dia 17. Trata-se de uma mostra inteiramente dedicada ao vídeo experimental organizada pelo Armazém do Boi e que conta com um português, Gonçalo Magalhães, no rol de participantes

O Armazém do Boi apresenta, a partir deste domingo, dia 17, uma exposição dedicada ao vídeo experimental e artístico, intitulada “EXIM 2025 – Time&Movement, Experimental Moving Image Exhibtion” [Tempo&Movimento, Exposição de Imagem Experimental em Movimento], e que pode ser vista no Centro de Cultura e Artes Performativas Cardeal Newman de Macau a partir das 16h.

A curadoria está a cargo de Bianca Lei, que convidou 11 artistas de Macau, Hong Kong e interior da China para exporem os seus trabalhos. Nomes como Elaine Ho, Dong Jun ou Felix Vong fazem parte do cartaz. Destaca-se ainda o trabalho do português Gonçalo Magalhães, um artista visual ligado a Macau.

Segundo uma nota do Armazém do Boi sobre esta mostra, o público pode ver estes projectos artísticos em duas salas distintas, sendo que numa das zonas as obras “alinham-se de forma estreita com a vida quotidiana no vocabulário visual e na narrativa, iniciando um diálogo directo com as pessoas, objectos e acontecimentos do nosso ambiente”.

Exploram-se, de forma artística, elementos como “alimentos quotidianos familiares e as ruas da cidade”, bem como “paisagens naturais e redes de nuvens que, silenciosamente, permeiam a existência contemporânea”.

Real e o surreal

Na sala com vídeos sobre a vida de todos os dias, as imagens mostram como os artistas “empregam figuras, pincéis, gelo e até dados pessoais para desenhar, reconstruir e revelar uma faceta diferente da vida”. Convida-se, nesta parte da exposição, o público “a examinar o conflito entre espaços reais e virtuais, passado e presente, eficiência e futilidade, e a interacção entre a humanidade e o espaço”.

Entretanto, na segunda sala da EXIM 2025, podem ver-se “imagens poderosas e altamente simbólicas”, com “cenas oníricas e fantásticas” e ainda “efeitos audiovisuais fragmentados”.

Podem ver-se e sentir-se “mundos sensoriais surreais que testam as nossas percepções e emoções através do impacto ou da provocação”, procurando-se, desta forma, “imergir o público em reinos visuais meticulosamente construídos e em contextos paradoxais”.

A EXIM 2025 pode ser visitada, de forma gratuita, até ao dia 22 de Junho. A organização da exposição destaca que podem ser vistas “imagens em movimento que rompem as fronteiras da ‘imobilidade eterna’ da arte, transitando das segunda e terceira dimensões para uma quarta dimensão”, que não é mais do que “o tempo”.

Desta forma, “tempo e movimento constituem a essência intrínseca e a matéria fundamental das obras” expostas na EXIM 2025. “Através de técnicas de filmagem ou edição, o tempo pode ser expandido, comprimido ou ter a sua lógica interrompida, sobrepondo passado, presente e futuro. O tempo deixa de ser uma progressão linear e passa a poder ser editado, invertido ou repetido infinitamente”, lê-se ainda.

Laboratório China-Portugal com impacto na saúde pública global

Uma investigadora do Laboratório Conjunto China-Portugal para Inteligência Artificial e Tecnologias da Saúde Pública disse ontem à Lusa que o projecto está a ter “impacto directo na saúde pública global”, com várias inovações de combate a epidemias.

“Este laboratório é a prova de que a ciência pode ser um elo de ligação entre culturas e sistemas de saúde distintos,” afirmou à Lusa Lara Lopes, também directora clínica do Hospital de Medicina Chinesa em Portugal.

Segundo a investigadora, o objectivo é desenvolver “soluções práticas, acessíveis e eficazes para responder às necessidades reais das comunidades lusófonas”, através de “tecnologias simples, de baixo custo e com capacidade de resposta rápida, desenhadas para contextos onde os recursos são limitados, mas a urgência é elevada”.

Criado em Dezembro de 2024, o laboratório resultou de uma parceria entre o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Investigação e Desenvolvimento, a Universidade de Medicina de Guangzhou, o Laboratório Nacional de Guangzhou e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. O laboratório opera em regime de co-gestão, com equipas em Lisboa, Porto, Coimbra, e nas cidades chinesas de Macau, Cantão e Chengdu.

A missão é integrar dados multimodais, desenvolver tecnologias de previsão epidemiológica e diagnóstico de precisão, além de construir uma plataforma inteligente para a prevenção e controlo de epidemias relevantes para os países de língua portuguesa.

Segundo comunicados anteriores, trata-se do único laboratório do género a ligar instituições de investigação da China com um país da Europa ocidental.

A directora do laboratório indicou à Lusa que o projecto já desenvolveu uma linha de produtos de saúde pública classificados como soluções de baixo custo e operação simplificada, destinadas sobretudo ao Brasil e aos países lusófonos em África.

“O laboratório está a introduzir esta linha também na própria China, numa rara inversão do fluxo tecnológico habitual”, destacou, sublinhando que a decisão reconhece Portugal como uma porta de entrada da China para a Europa e para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Referências mundiais

A investigadora destacou a tradução para português de um manual clínico do Oitavo Hospital Popular da Dengue de Guangzhou, e que apresenta “uma taxa de sucesso de 98 por cento em casos graves, integrando diagnósticos de medicina chinesa e ocidental”.

“A experiência clínica do Hospital (…) é, em volume e em resultados, a referência mundial em dengue. Receber este protocolo em português, formar os nossos clínicos e construir a partir daí um circuito de gestão integrada para Portugal e países lusófonos é um ganho concreto de saúde pública”, indicou Lopes.

O protocolo, que integra medicina convencional e tradicional chinesa, foi traduzido para português e está a ser distribuído a profissionais de saúde em Portugal, nos seis Estados-membros da CPLP em África e junto da comunidade clínica brasileira.

O laboratório desenvolveu também um sistema de testes modular descrito como um “laboratório numa mala” recarregável via USB, e desenvolvido especificamente para deteção de vírus (Gripe, covid-19, Nipah) em países lusófonos com infraestruturas limitadas.

Outras descobertas incluem um “repelente fitoaromático puro, sem químicos sintéticos e já em distribuição internacional”, uma máquina integrada de previsão epidemiológica, capaz de prever surtos em tempo real com base em dados multimodais, e um robot de triagem para doentes febris.

China e Estados Unidos iniciam discussões comerciais na Coreia do Sul

Delegações chinesa e norte-americana iniciaram ontem discussões económicas e comerciais na Coreia do Sul, antes da chegada do Presidente norte-americano Donald Trump à China, informou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

As conversações decorreram no aeroporto de Incheon, perto de Seul, segundo a mesma fonte, e antecederam os encontros entre os líderes dos dois países, agendados para quinta e sexta-feira em Pequim.

A presença do vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e do secretário norte-americano do Tesouro Scott Bessent foi confirmada na Coreia do Sul. As relações comerciais deverão dominar as reuniões em Pequim entre os dirigentes das duas maiores economias mundiais.

Em 2025, Estados Unidos e China envolveram-se numa intensa guerra comercial com repercussões globais, marcada pela imposição de tarifas alfandegárias elevadas e múltiplas restrições, após o regresso de Trump à Casa Branca. Trump e o homólogo chinês Xi Jinping concluíram em Outubro uma trégua temporária, cujos desenvolvimentos deverão estar em destaque nas próximas discussões.

Comércio em foco

Apesar de uma trégua tarifária em vigor, várias questões e problemas sensíveis continuam por resolver, num contexto de interdependência económica e competição geopolítica crescente. O comércio deverá dominar as discussões, com a delegação norte-americana a procurar acordos que beneficiem sectores como a aeronáutica, a energia e a agricultura.

Vários analistas apontaram igualmente para a possibilidade de criação de um comité bilateral de comércio, destinado a facilitar trocas em áreas consideradas não sensíveis, como a electrónica de consumo. O domínio da China na produção de terras raras, essenciais para indústrias tecnológicas e de defesa, deverá ser um dos pontos mais sensíveis das negociações.

Estes recursos são fundamentais para cadeias de abastecimento globais, desde a electrónica de consumo até aos sistemas militares avançados.

Governo da China saúda visita do Presidente Donald Trump ao país

Donald Trump chegou ontem à noite a Pequim para uma visita oficial de três dias. Hoje encontra-se com Xi Jinping

A China saudou ontem a visita do Presidente norte-americano, Donald Trump, que chegou ontem ao país asiático para uma visita oficial, desejando reforçar a cooperação para injectar “mais estabilidade” nas relações internacionais. “A China saúda a visita de Estado do Presidente Trump”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun.

A China está pronta para trabalhar com os Estados Unidos para “expandir a cooperação e gerir as diferenças, trazendo assim mais estabilidade e certeza a um mundo assolado pela mudança e turbulência”, afirmou o porta-voz durante uma conferência de imprensa regular.

O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), publicou ontem um editorial afirmando que a relação entre a China e os Estados Unidos “não pode voltar ao passado” e pode ter “um futuro melhor”, apresentando a cimeira como uma oportunidade para ambas as potências trazerem “estabilidade” a um mundo “turbulento”.

Trump viaja com um grupo de selectos executivos nortes-americanos, incluindo Elon Musk, da Tesla; Tim Cook, da Apple; Larry Fink, da BlackRock; Kelly Ortberg, da Boeing; e executivos de empresas como a Mastercard, Visa, Goldman Sachs e Meta. O encontro dos dois líderes foi precedido pelas negociações económicas e comerciais que o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, realizaram ontem em Seul.

No entanto, o editorial do Diário do Povo enquadrou o encontro como parte de uma diplomacia entre líderes que funciona como “âncora” para a relação, argumentando que cada novo encontro entre Xi e Trump pode ajudar a garantir que os laços “não se desviem do rumo e não percam o ímpeto”, ao mesmo tempo que alertou que Taiwan é “a linha vermelha” nas relações bilaterais.

Segurança reforçada

Pequim amanheceu ontem com sinais visíveis da visita de Trump: bandeiras chinesas e norte-americanas hasteadas ao longo da estrada para o aeroporto, uma presença reforçada de segurança em vários pontos da capital e postos de controlo em vários locais relacionados com a agenda do Presidente norte-americano.

A segurança foi especialmente reforçada em redor do Hotel Four Seasons, junto à Embaixada dos EUA e onde Trump ficará hospedado, com presença policial nas proximidades, bem como medidas de segurança visíveis em importantes cruzamentos da cidade, onde alguns militares estão em constante vigilância.

A cimeira entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, na quinta e sexta-feira, em Pequim, visa estabilizar a relação entre as duas maiores potências mundiais, marcada por rivalidades e tensões persistentes.

Apesar de uma trégua tarifária em vigor, várias questões e problemas sensíveis continuam por resolver, num contexto de interdependência económica e competição geopolítica crescente. O comércio deverá dominar as discussões, com a delegação norte-americana a procurar acordos que beneficiem sectores como a aeronáutica, a energia e a agricultura.

O Convidado da Noite Que Veio da Montanha de Yongjia

Xie Lingyun (385-433), o poeta que fez das montanhas e dos cursos de água descritos nos seus poemas lugares onde o leitor podia habitar, durante um exílio amargo em 422-3, em Yongjia (Zhejiang), descreveu como lá subiu à sua montanha Cangyan, da «Encosta verde» como quem sabia que sair de casa era já voltar e a verdadeira morada era no caminho. «Levo pouca comida, um bastão leve e vou caminhando até minha casa numa quietude inexplicável, o caminho ao longo de ribeiros ziguezagueando a perder de vista vai até ao topo das serranias.

Não tem fim esta maravilha nas suas águas silenciosas de uma beleza gelada e bambus cintilando por dentro com o gelo, cascatas espalhando uma profusão de salpicos e grandes florestas aglomerando-se em penhascos distantes (…)» Toda essa região, que se estendia atrás das grandes metrópoles à volta do delta do «Grande rio» Changjiang, com a impressionante cordilheira Huangshan, a «Montanha amarela» no Sul de Anhui, tornar-se-ia no século XVII, o motivo e a inspiração de muitos pintores igualmente desiludidos e amargurados.

Esses pintores, da designada «Escola de Anhui», reconheciam na paisagem de cumes escarpados e sendeiros serpenteando pelas encostas, uma afinidade com a sua própria inquietação espiritual. Anos antes, durante a dinastia Tang, um monge de Yongjia que tomou o nome do lugar para si próprio, Yongjia Xuanjue (665-713), encarnara essa inquietude percorrendo cerca de oitocentos quilómetros, atravessando a região em direcção a Caoxi no Sul, a Norte de Guangdong, para no mosteiro Baolin onde residia o mestre do Budismo chan Huineng (638-713), lhe fazer uma pergunta sobre o incessante renascimento da alma. Apressado o monge viajante, obtida a confirmação da sua súbita iluminação quis voltar logo para casa, à região do seu nome, porém Huineng e os discípulos que o rodeavam, convenceram-no a ficar com eles até ao dia seguinte, por essa razão Yongjia Xuanjue seria conhecido como o «convidado da noite». A região continuaria a atrair poetas e pintores com a desconcertante sedução de um espelho.

Liu Yu (1632-depois de 1717) em duas pinturas (no Metmuseum) feitas em rolos horizontais que ao serem desenrolados exigiam a intimidade do corpo do observador, abrindo-lhe os olhos como se fora de noite, retratou esses lugares como se neles viajara.

Numa delas (tinta e cor sobre papel, 27 x 366,1 cm), que um autor designou num colofóne como «Vales remotos, sons de cascatas, densas florestas», citando um verso de Li Bai, outro autor (Xi Ying, séc. XVIII?) reflectiu sobre a memória do caminho. Referindo um álbum que vira do mesmo autor e desde então habitava os seus sonhos, escreve sobre a presente pintura, descrevendo-a como de «ilimitadas maravilhas, inumeráveis transformações» que, a partir de agora, os seus pensamentos tinham mais uma via onde morar.

Metro Ligeiro | Lucro ultrapassou 38 milhões de patacas

No ano passado, a Sociedade do Metro Ligeiro registou um lucro de 38,1 milhões de patacas, de acordo com os resultados financeiros divulgado ontem no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos. Os resultados significam que o lucro mais do que duplicou no espaço de um ano, dado que em 2024 tinha sido de 17,4 milhões de patacas.

Apesar dos melhores resultados, o transporte continua a sobreviver apenas devido aos apoios financeiros da RAEM, que se fixaram em 600,5 milhões de patacas no ano passado. Ainda assim, o apoio do Governo apresentou uma redução de quase 78 milhões de patacas, uma vez que em 2024 tinha atingido 678,1 milhões de patacas.

As receitas com a venda de bilhetes subiram para 43,2 milhões de patacas, um aumento próximo de 60 por cento, face ao valor de 27,7 milhões de patacas, registado em 2024, que se deveu o facto de mais pessoas utilizarem o meio de transporte.

Em 2025, as receitas da empresa apresentaram uma tendência negativa, que não impediu que os resultados líquidos fossem melhores, em comparação com 2024. A redução das receitas foi explicada pela empresa com a menor quantidade de apoios públicos e dinheiro conseguido através dos juros de depósitos bancários, cujas receitas caíram 33 por cento para 17,2 milhões de patacas.

Em relação às despesas, houve uma redução para 643,5 milhões de patacas, quando em 2024 tinham sido de 746,8 milhões de patacas. Esta redução foi explicada com o fim de vários contratos de assistência à empresa, que passou a ser autónoma na exploração do serviço, tendo deixado de pagar pela assistência.

BNU | Lucros com queda de 17 por cento entre Janeiro e Março

A margem financeira do BNU fixou-se em 214,2 milhões de patacas, menos 8 por cento em termos homólogos, influenciada pela evolução das taxas de juro. Apesar da diminuição dos resultados, o BNU declarou que o desempenho revela uma “dinâmica positiva”

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) registou lucro líquidos de 110,6 milhões de patacas no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 17 por cento face ao mesmo período do ano passado.

Apesar da descida homóloga, o BNU sublinhou que os resultados revelaram uma evolução positiva ao longo do trimestre, com aumentos sucessivos de Janeiro a Março. “O desempenho do banco demonstrou uma dinâmica positiva durante o trimestre, com os resultados a registarem um aumento mensal constante de Janeiro a Março”, indicou o BNU em comunicado.

A margem financeira do BNU fixou-se em 214,2 milhões de patacas, menos 8 por cento em termos homólogos, influenciada pela evolução das taxas de juro. Já a receita líquida de comissões recuou para 20,7 milhões de patacas, uma diminuição de 15,5 por cento, atribuída a custos adicionais com prémios relacionados com cartões de crédito.

O crédito malparado de empréstimos e investimentos financeiros totalizou 3,8 milhões de patacas caiu 29,3 por cento em comparação com o primeiro trimestre de 2025, numa redução que a instituição diz reflectir uma “gestão prudente do risco e a qualidade estável dos activos do banco”.

Segundo o BNU, os custos operacionais também “desceram ligeiramente”, para 104 milhões de patacas, indicando que a “disciplina de custos e os ganhos de eficiência resultantes da simplificação de processos ajudaram a optimizar as despesas”, mantendo o apoio aos investimentos na transformação digital, no desenvolvimento de talentos e no reforço da marca.

Crédito a aumentar

O crédito concedido atingiu 26,8 mil milhões de patacas em Março, um aumento de 5,1 por cento em termos homólogos, enquanto os depósitos de clientes subiram para 35,5 mil milhões de patacas, mais 8,7 por cento do que no ano anterior. O BNU tem sede em Macau e pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), sendo, juntamente com o Banco da China, emissor de moeda na região administrativa especial da China.

Entre as três subsidiárias estrangeiras da CGD, o BNU contribuiu com 13 milhões de euros para os resultados totais do grupo no primeiro trimestre, mais do que o BCG Angola, que contribuiu cinco milhões de euros, mas menos do que o banco BCI em Moçambique, que gerou 24 milhões de euros.

O BNU sublinhou também que a sucursal em Hengqin continua a “desempenhar um papel estratégico no apoio a investidores de Macau e Hong Kong” como um centro financeiro transfronteiriço que apoia a colaboração económica entre a China continental, Macau e os países de língua portuguesa.

O BNU destacou também que a posição de capital e liquidez do banco permanece robusta, permitindo “navegar em condições de mercado complexas”.

CEM | Burlas geram perdas de 119 mil patacas

A Polícia Judiciária revelou seis casos em que pessoas foram burladas, depois de terem recebido mensagens que aparentavam terem como origem a Companhia Eléctrica de Macau (CEM), a ameaçar cortar-lhes a energia.

Os alegados burlões enviaram mensagens a pedir às pessoas que disponibilizassem informações dos cartões de crédito, o que depois levou a que fossem feitas transferências no valor de 119 mil patacas, a partir do exterior da RAEM.

A PJ está a investigar o caso e ainda não foram feitas detenções. As seis vítimas, quatro mulheres e dois homens, receberam as mensagens entre os dias 9 e 11 deste mês, que indicavam não terem pago a conta da electricidade, pelo que o serviço ia ser cortado imediatamente. As mensagens disponibilizavam uma hiperligação, que conduzia as pessoas para um portal falso da CEM. As perdas em cada caso variam entre 8 mil e 51 mil patacas.

Activos Públicos | Criada empresa para gerir fundos de 11 mil milhões

A nova empresa tem um capital social de 100 milhões de patacas e vai ter uma equipa liderada por Che Weng Keong, actualmente presidente do IPIM, António Lam Chi Neng e Chan Chou Weng

O Governo anunciou ontem a criação da Sociedade de Investimento e Gestão de Macau Limitada para gerir fundos de 11 mil milhões de patacas criados para diversificar a economia. A informação foi divulgada ontem, através de uma nota de imprensa do gabinete do secretário para a Economia e Finanças, que actualmente está a ser dirigido pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, após Tai Kin Ip ter abandonado o cargo.

Segundo as informações divulgadas, a nova empresa vai ser “responsável pela gestão de fundos” no que diz respeito ao “funcionamento quotidiano”, “aplicação financeira” e “execução das decisões de investimento”. O objectivo é permitir que os fundos possam conduzir à “modernização” das indústrias e “o desenvolvimento de empresas tecnológicas em fase inicial”.

Com a nova empresa, o Executivo espera também que os responsáveis pela gestão tenham uma ligação permanente com o mercado, para identificar oportunidades de investimento. “O Governo incentiva os gestores de fundos a contactarem com os investidores do mercado que cumpram os requisitos, alavancando o capital privado para formar uma sinergia entre o Governo e o mercado, de modo a promover conjuntamente a modernização e diversificação industrial”, foi apontado.

A empresa tem um capital social de 100 milhões de patacas e dois accionistas: a RAEM, que é proprietária de 99 por cento do capital social, e o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização, que detém um por cento.

O cargo de presidente do Conselho de Administração foi atribuído a Che Weng Keong, que é igualmente presidente do Conselho de Administração do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM). Fazem ainda parte do conselho de administração António Lam Chi Neng, jurista e anterior conselheiro de Tai Kin Ip, e Chan Chou Weng, subdirector da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT).

Novo Conselho de Orientação

Além da empresa, o Governo anunciou também a criação do Conselho de Orientação dos Fundos de Orientação. Segundo as explicações de ontem, este vai ser um órgão consultivo “composto por dirigentes governamentais, profissionais, académicos e representantes das áreas profissionais” que vão emitir “pareceres sobre as orientações políticas, o planeamento estratégico e as matérias” consideradas relevantes.

O Executivo prometeu uma equipa “profissional” que vai ser “responsável por matérias como o investimento, o controlo de riscos, a investigação e a conformidade legal”. “A equipa acolherá quadros qualificados versáteis, dotados de visão financeira internacional e conhecimento das indústrias locais. Será ainda estabelecido um sistema de níveis profissionais e mecanismos de incentivo em múltiplos patamares, de modo a proporcionar um apoio sólido para a operação estável e duradoura dos fundos de orientação”, foi prometido.

Taipa | FAOM elogia plano urbanístico para zona norte

A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) entende que o Plano de Ordenamento Urbanístico da Zona Norte da Taipa, divulgado pelas autoridades na última semana, é pragmático, reduz a densidade populacional e promove a utilização de terrenos para melhoria do trânsito e instalações sociais.

Segundo o jornal Ou Mun, a chefe do gabinete dos serviços da Taipa da FAOM, Leong Meng Ian, destacou o facto de o Plano permitir a abertura de vias actualmente inacessíveis da zona norte da Taipa, mostrando os resultados da negociação entre Governo e proprietários. Além disso, a responsável considera que esta decisão mostra a determinação do Executivo no uso de terrenos públicos.

Leong Meng Ian, que também pertence ao Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas, espera que seja construído na zona um sistema de drenagem para resolver o problema das inundações severas à entrada da Povoação de Cheok Ka sempre que há fortes chuvas, o que impede a circulação de carros. Leong Meng Ian espera também mais instalações culturais no âmbito deste Plano, incluindo espaços para exposições e locais para treinos desportivos e competições escolares.

AL | André Cheong reúne com delegação da APN

André Cheong, presidente da Assembleia Legislativa (AL), reuniu esta terça-feira com a delegação da Comissão da Lei Básica de Macau do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN).

Segundo uma nota oficial sobre o encontro, a agenda incidiu sobre o “reforço da construção do Estado de Direito em Macau e a intensificação da articulação de regras e da ligação de mecanismos entre Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”.

A delegação da Comissão da Lei Básica foi liderada por Lei Jianbin, vice-director desta entidade. Este disse que as leis produzidas pela AL “devem ser comunicadas para registo ao Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, trabalho este que tem decorrido de forma fluida e bem-sucedida”, podendo, no futuro, “ser explorada a optimização desse mecanismo de registo e verificação”.

Vales de saúde | Apoios vão poder ser usados em Guangdong

O Governo anunciou ontem a extensão do programa de vales de saúde à província de Guangdong, medida que vai custar mais de 520 milhões de patacas. O alargamento ao Interior da China arrancou em 2024, apenas para Hengqin, onde existem 15 instituições de saúde que aceitam vales de saúde

O programa de comparticipação nos cuidados de saúde para o ano de 2026, mais conhecido como vales de saúde, irá estender-se a toda a província de Guangdong, indicou ontem o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, numa conferência de imprensa do Conselho Executivo. O Governo já tinha alargado em 2024 o “Programa de Comparticipação nos Cuidados de Saúde” à Zona de Cooperação Aprofundada, na vizinha Hengqin.

Wong Sio Chak afirmou que o programa vai passar a abranger “clínicas e departamentos de consultas externas” de Guangdong, para “concretizar a política nacional e responder às solicitações apresentadas pela sociedade”, além de apoiar o desenvolvimento do sector da saúde.

De acordo com este programa, de carácter anual e que deixa de fora trabalhadores migrantes, os beneficiários vão receber um total de 700 patacas, com um prazo de utilização de dois anos, para utilizar em serviços que aderiram ao plano, “não sendo aplicáveis aos profissionais de saúde subsidiados pelo Governo”, explicou Wong Sio Chak.

No que diz respeito à extensão à província de Guangdong, são integradas agora neste plano instituições que “cumpram as normas estipuladas no Interior da China e que sejam constituídos por residentes de Macau que detenham, individual ou conjuntamente, participações no capital”. Actualmente, 15 destes espaços estão localizados em Hengqin, ainda de acordo com o secretário para a Administração e Justiça. O valor total da comparticipação alcança este ano 520,3 milhões de patacas.

Virar da esquina

O Conselho Executivo anunciou ontem também que o novo regulamento administrativo que prevê a reestruturação da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública entra em vigor em 1 de Julho.

“Este melhoramento dos serviços públicos e a reorganização da estrutura orgânica é para melhor gestão e modernização administrativa e, em relação aos direitos dos trabalhadores, o estado jurídico dos trabalhadores não vai ser afectado”, garantiu a directora destes serviços, Leong Weng In. No “futuro ou em breve”, complementou Wong Sio Chak, há “sete projectos para serem apreciados ou aprovados de reestruturação”, que envolvem um total de 12 serviços públicos.

Quando o Governo iniciou “a política de corte de trabalhadores” da administração pública, em Abril de 2020, havia 32.540 funcionários, excluindo os profissionais que trabalham nas universidades públicas, disse Wong. Em Março passado, o número totalizava 30.797.

Economia | Escolha de secretário está “em curso”

O porta-voz do Conselho Executivo de Macau, Wong Sio Chak, afirmou ontem que os trabalhos para substituir o secretário para a Economia e Finanças “estão em curso”, em declarações proferidas quase um mês após Tai Kin Ip abandonar o cargo.

“O senhor chefe do Executivo já abordou o caso. Actualmente, os trabalhos ainda estão em curso. Se houver informações, nós iremos divulgá-las ao público”, disse, em conferência de imprensa, Wong Sio Chak.

O ex-secretário foi exonerado do cargo, após um pedido de demissão apresentado por “motivos pessoais”, de acordo com um despacho publicado em 16 de Abril pelo chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai. A decisão foi tomada pelo Conselho de Estado, o Executivo da China, sob proposta do líder do Governo local.

Ainda de acordo com as autoridades, Tai Kin Ip tinha solicitado “há algum tempo” a saída, pedido que foi submetido ao Governo Popular Central nos termos da Lei Básica. Estava previsto que o antigo secretário integrasse a comitiva que acompanhou Sam Hou Fai na visita a Portugal, e que arrancou em 17 de Abril, um dia após a exoneração.

Tai foi empossado em Dezembro de 2024. Licenciado em Economia pela Universidade Católica Portuguesa, fez carreira na Direcção dos Serviços de Economia em Macau desde 1995.

IAS | Mais de 5.600 famílias carenciadas vão receber 24,7 milhões

A partir de amanhã, mais de 5.600 famílias vulneráveis vão receber a primeira de duas prestações de subsídios que variam entre 2.900 e 11.200 patacas, consoante o tamanho do agregado familiar. Os apoios destinam-se a famílias monoparentais, com membros portadores de deficiência e com doentes crónicos

Os primeiros beneficiários do subsídio especial do “Programa de Inclusão e Harmonia na Comunidade” deste ano começam a receber os apoios a partir de amanhã. Este apoio começou a ser distribuído em 2018 para aliviar a pressão financeira das famílias mais carenciadas.

Os valores das prestações deste ano variam entre 2.900 patacas para agregados com uma pessoa e 11.200 patacas para famílias com oito ou mais membros. Os destinatários do subsídio são famílias monoparentais, famílias com membros portadores de deficiência e famílias com doentes crónicos. Este ano, 5.608 famílias vão receber a primeira prestação do apoio, num montante total de cerca de 24,67 milhões de patacas, segundo informação divulgada ontem pelo Instituto de Acção Social (IAS),

Em relação ao ano passado, os subsídios mais baixos subiram 250 patacas e os mais elevados 1.100 patacas. No total, a edição deste ano irá chegar a mais 60 famílias beneficiárias, e o montante total dos apoios também subiu 2,12 milhões de patacas em relação ao programa de 2025.

O valor dos subsídios é dividido por oito categorias, consoante o número de membros da família. Um agregado constituído por apenas uma pessoa irá receber 2.900 patacas, com duas pessoas 4.400 patacas, enquanto agregados com três membros recebem 6.100 patacas.

As famílias que preenchem os requisitos constituídas por quatro membros vão receber um apoio de 7.400 patacas, que sobe para 8.400 patacas em agregados com cinco pessoas. Famílias com seis membros vão receber 9.300 patacas, com sete membros 10.300 e, finalmente, com oito ou mais membros o apoio sobe para 11.200 patacas.

Como receber

Entre o universo de famílias beneficiadas, o IAS adianta também que 1.278 agregados que vão receber, em simultâneo, o subsídio regular e o subsídio especial, enquanto os restantes 4.330 agregados começam a receber a partir de amanhã o subsídio especial através de transferência ou em dinheiro.

Recorde-se que este programa de apoio social é atribuído aos três tipos de famílias mencionadas, mas também tem em conta o rendimento do agregado familiar. Além disso, este subsídio vai voltar a ser distribuído em Outubro a famílias vulneráveis cujo rendimento não ultrapassa um múltiplo determinado do valor do risco social.

Francisco José Leandro e Anabela Santiago, académicos: AULP é “infra-estrutura de poder”

Francisco José Leandro e Anabela Santiago estão a estudar a perspectiva geopolítica da língua portuguesa, analisando o trabalho da AULP – Associação das Universidades de Língua Portuguesa. Os académicos consideram que a aproximação de Macau ao mundo hispânico “não deve ser vista como ameaça ao português”

São já muitos os anos de funcionamento da AULP – Associação das Universidades de Língua Portuguesa. Que balanço fazem da sua actividade em termos de resultados práticos para a geopolítica do português?

Francisco Leandro (FL) – O balanço é claramente positivo, sobretudo se entendermos a geopolítica da língua portuguesa não apenas como promoção cultural, mas como criação de redes institucionais duradouras. A AULP tem contribuído para transformar a cooperação universitária num instrumento de diplomacia académica, aproximando instituições de ensino superior, investigadores, estudantes e decisores de diferentes países de língua portuguesa. Os resultados práticos não devem ser medidos apenas por indicadores imediatos, como eventos ou protocolos assinados. O impacto mais relevante está na consolidação de uma comunidade académica transnacional, na circulação de conhecimento, na formação de quadros e na capacidade de dar maior densidade institucional ao espaço lusófono. Nesse sentido, a AULP funciona como uma infra-estrutura de poder: discreta, mas estrutural, porque cria canais estáveis de cooperação científica, académica e diplomática. Naturalmente, há ainda desafios.

Pode exemplificar?

A projecção internacional do português continua dependente de maior financiamento, maior integração com políticas públicas e melhor articulação com os sectores económico, tecnológico e científico. Mas a AULP tem tido um papel consistente na passagem da lusofonia de uma ideia cultural para uma rede institucional operativa.

É certo que Macau se posiciona como uma plataforma importante no contexto da AULP. Porém, a agenda política para o comércio entre a China e PLP aponta para uma crescente aproximação à língua espanhola. De que forma Macau, e também a AULP como extensão, se pode adaptar a esta nova realidade?

FL – A aproximação ao espaço hispanófono não deve ser vista necessariamente como uma ameaça ao português. Pode ser vista como uma oportunidade, desde que o português não seja diluído numa lógica meramente instrumental. A questão central é saber se Macau e a AULP conseguem posicionar o português dentro de uma estratégia mais ampla de intermediação entre a China, os países de língua portuguesa e o espaço ibero-americano. Macau tem uma singularidade que não deve ser desperdiçada: é um território onde a língua portuguesa tem valor jurídico, histórico, diplomático e institucional. Essa condição permite-lhe funcionar como plataforma de ligação entre a China e a lusofonia. Perante uma maior aproximação ao espanhol, a adaptação deve passar por uma lógica de complementaridade: português, espanhol, chinês e inglês podem coexistir como línguas de circulação económica, científica e diplomática.

Nesta geopolítica do português, e colocando três países numa balança, quem tem feito mais pela dinamização do idioma? Portugal, China ou Brasil?

Anabela Santiago (AS) – Essa comparação só é útil se for feita com alguma nuance. Não cremos que exista uma resposta única, porque cada país tem desempenhado um papel diferente na geopolítica do português. O Brasil tem uma centralidade demográfica, cultural e mediática incontornável. É o país com maior número de falantes de português e tem uma capacidade muito significativa de projecção cultural, científica e económica. Portugal, por sua vez, tem desempenhado um papel importante na normatização, na diplomacia da língua, na política externa cultural e na articulação institucional do espaço lusófono. A China não é um país lusófono, mas tem reconhecido valor estratégico ao português, sobretudo através de Macau e da sua relação com os países de língua portuguesa. Nesse sentido, a China contribui de forma diferente: não pela pertença linguística, mas pela incorporação do português em estratégias de intermediação económica, diplomática e académica. Portanto, em vez de perguntar quem fez mais, talvez seja mais rigoroso perguntar quem tem feito o quê. O futuro do português dependerá menos da liderança isolada de um país e mais da capacidade de articular estes papéis: a escala brasileira, a estrutura diplomática portuguesa, o interesse estratégico chinês e, cada vez mais, o crescimento africano e asiático da língua.

O estudo que estão a desenvolver olha para as “assimetrias históricas Norte–Sul” no que diz respeito a esta geopolítica. De que forma devem ser colmatadas, e quais as mais evidentes?

AS – As assimetrias Norte-Sul são visíveis em vários planos. Desde logo, no acesso desigual a financiamento científico, infra-estruturas universitárias, redes de publicação, mobilidade académica, tecnologia, bases de dados e capacidade de internacionalização. Também existem assimetrias simbólicas: durante muito tempo, o conhecimento produzido no Norte Global foi visto como mais central, enquanto o conhecimento produzido no Sul Global foi tratado como periférico ou localizado. No espaço lusófono, isto significa que universidades africanas, timorenses ou de outros contextos do Sul Global nem sempre têm as mesmas condições para participar na produção científica internacional, mesmo quando trabalham sobre temas essenciais para o futuro da língua portuguesa. Colmatar estas assimetrias exige medidas concretas.

Quais?

AS – É necessário reforçar programas de mobilidade equilibrada, apoiar publicações científicas em português com padrões internacionais, financiar projectos de investigação liderados por instituições do Sul Global, promover coautorias menos hierarquizadas e valorizar conhecimento produzido a partir de diferentes realidades locais. A AULP pode ter aqui um papel importante, precisamente porque é uma rede académica transnacional. O objectivo não deve ser apenas integrar o Sul Global em estruturas já existentes, mas permitir que essas instituições também definam agendas, prioridades e critérios de relevância científica.

Sendo a AULP uma associação ligada ao ensino superior, consideram que falta conexão do idioma com os diversos tecidos empresariais da Lusofonia?

FL – Sim, essa conexão ainda pode e deve ser reforçada. A língua portuguesa tem sido frequentemente tratada como património cultural, académico ou diplomático, mas precisa também de ser entendida como activo económico. Uma língua ganha projecção quando está ligada a oportunidades concretas: emprego, comércio, inovação, tecnologia, formação profissional, indústrias culturais, turismo, serviços jurídicos, saúde, energia, economia azul e transição digital. Sendo a AULP uma associação ligada ao ensino superior, tem condições para aproximar universidades, empresas e instituições públicas. Essa aproximação pode passar por programas conjuntos de formação, estágios, investigação aplicada, incubadoras, redes alumni, centros de estudos empresariais lusófonos e projetos de transferência de conhecimento. O ponto essencial é este: a geopolítica do português não se consolida apenas nas universidades, nem apenas nos governos. Consolida-se quando a língua circula também nos mercados, nas empresas, na tecnologia, na inovação e nas profissões qualificadas. A AULP pode contribuir para essa ponte, formando quadros capazes de operar em contextos lusófonos e iberófonos, com competências linguísticas, interculturais e técnicas.

Macau referido como um “hub híbrido de conhecimento”

No passado dia 8 de Abril, Francisco José Leandro, professor associado da Universidade de Macau, e Anabela Santiago, investigadora nntegrada Centro de Estudos Internacionais do Iscte-IUL e doutorada em Políticas Públicas, apresentaram alguns detalhes do estudo que estão a desenvolver em torno da geopolítica do português, com a palestra “Abordagem multidisciplinar à geopolítica da língua portuguesa” na I Conferência Língua e Mundo, promovida pela Universidade Autónoma de Lisboa.

Segundo explicaram os autores ao HM, o estudo analisa “a geopolítica da língua portuguesa enquanto variável estruturante do sistema internacional”, com foco no papel da AULP. Esta é vista como uma “infra-estrutura de poder que articula educação superior, ciência e diplomacia académica no espaço lusófono e iberófono”.

A abordagem de Francisco Leandro e Anabela Santiago lança um olhar ao português “como vector de soft power estrutural, duradouro e institucionalmente mediado”.

O lugar da RAEM

A AULP é encarada como “actor estratégico da diplomacia académica, capaz de transformar cooperação universitária em poder institucional”, na qualidade de “rede académica transnacional”. No caso do papel de Macau nesta matéria, o território surge, segundo os académicos, como “um hub híbrido de diplomacia do conhecimento, onde a língua portuguesa funciona como recurso diplomático na projecção externa chinesa e como instrumento de intermediação académica e científica no eixo Sul–Sul”.

O estudo analisa ainda “a relevância estratégica da articulação entre Lusofonia e Iberofonia, através da convergência com o espaço hispanófono, como mecanismo de ampliação do alcance institucional, científico e geocultural do português”.

Desta forma, uma das conclusões é que “a projecção geopolítica da língua portuguesa depende crescentemente de redes académicas robustas, estando a AULP no centro desta arquitectura de poder linguístico no sistema internacional contemporâneo”.

Malásia | 14 desaparecidos após naufrágio de embarcação

As autoridades da Malásia estão à procura de 14 pessoas desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação que alegadamente transportava migrantes indonésios sem documentos, ocorrido na segunda-feira no estado de Perak, no noroeste do país.

“O alerta para o naufrágio, que ocorreu na segunda-feira de manhã, foi dado por um pescador local que avisou as autoridades para a presença de várias vítimas a flutuar no mar”, segundo o diretor da Guarda Costeira de Perak, Mohamad Shukri bin Khotob.

Após o alerta, foi iniciada uma operação de busca e salvamento, com o apoio da Polícia Marítima, da Marinha Real da Malásia e da comunidade piscatória local, para encontrar os desaparecidos da embarcação, que alegadamente transportava 37 “migrantes indonésios em situação irregular”.

Um barco de pesca resgatou 23 pessoas, 16 homens e sete mulheres, todos cidadãos indonésios, enquanto as restantes 14 continuam desaparecidas. As autoridades “vão continuar a intensificar os esforços de busca até que todas as vítimas sejam localizadas”, segundo Shukri.

As investigações preliminares indicam que o grupo partiu no sábado de Kisaran, no norte de Sumatra, na Indonésia, muito perto da costa oeste da Malásia, com destino a cidades malaias como Penang, Terengganu, Selangor e Kuala Lumpur, de acordo com o Quartel-General Marítimo de Perak.

As autoridades recuperaram três malas com roupas que se acredita pertencerem às vítimas e estão a realizar procedimentos de identificação com os sobreviventes do naufrágio. As autoridades malaias indicaram que três tripulantes birmaneses operavam a embarcação. Em novembro passado, 27 pessoas morreram quando um barco que transportava migrantes rohingya, uma minoria muçulmana perseguida em Myanmar, se afundou ao largo da costa da Malásia e da Tailândia.

Rota das Letras | Concerto de Rodrigo Leão em Dezembro

O concerto “O Rapaz da Montanha”, do músico português Rodrigo Leão, tem nova data, acontece a 10 de Dezembro deste ano, às 20h, no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM). Recorde-se que este espectáculo integrou a programação da mais recente edição do festival literário Rota das Letras, mas foi adiado devido à suspensão de voos provocada pelo conflito no Médio Oriente.

Segundo um comunicado da organização do festival, foi feito um trabalho de comunicação “em estreita colaboração com o artista para confirmar a nova data, mantendo a integridade da produção original”. Todos os bilhetes previamente adquiridos permanecem válidos para a nova data. Os detentores de bilhetes que necessitem de assistência ou reembolso devem contactar os responsáveis do Festival Literário de Macau.

Rodrigo Leão é uma figura de destaque na música portuguesa contemporânea. Membro fundador de bandas emblemáticas como os Sétima Legião e Madredeus, a sua carreira a solo tem obtido reconhecimento internacional pela fusão única de canção popular, arranjos clássicos e minimalismo electrónico.

Legalização de apostas ‘online’ vai redefinir mercado asiático

O analista da corretora Seaport Research Vitaly Umansky afirmou ontem que a próxima grande mudança na indústria do jogo na Ásia não virá de novos hotéis-casino, mas da eventual legalização das apostas desportivas ‘online’ na região.

Num seminário realizado durante a G2E Asia, a maior expo da indústria do jogo na Ásia, Umansky descreveu que, enquanto a Europa e os Estados Unidos já legalizaram as apostas desportivas ‘online’, “a indústria de jogo ‘online’ [na Ásia] é enorme, mas quase toda ilegal.”

“O verdadeiro grande ‘boom’ no jogo vai ser ‘online’, mas num formato regulado”, afirmou o analista. Umansky previu que os governos serão forçados a agir à medida que percebam a dimensão da actividade não tributada.

“Cada vez mais países e jurisdições vão licenciar estas apostas. Foi o que aconteceu nos EUA. Passámos de, efectivamente, um estado com apostas desportivas para 40 estados. Vai acabar por acontecer na Ásia”, avisou.

Ao mesmo tempo, o analista acrescentou que a transição não será uniforme, mas “eventualmente vai acontecer em todas as jurisdições na Ásia.” As apostas desportivas ‘online’ na Ásia são geralmente proibidas ou estritamente regulamentadas, com a maioria dos países a bani-las muitas vezes devido a restrições culturais ou religiosas.

As apostas desportivas legais, geridas pelo Estado ou licenciadas, existem apenas em algumas jurisdições, incluindo Filipinas, Singapura e Macau. A G2E Asia e Asian IR Expo, dois eventos de referência para a indústria do jogo, entretenimento e hotelaria, decorrem em paralelo entre hoje e 14 de maio no hotel-casino Venetian Macau.

Fenómeno Singapura

No que toca ao jogo tradicional em casinos, o diretor-geral da corretora Morgan Stanley, Praveen Choudhary, fez um resumo do desempenho dos maiores mercados a região, com Macau e Singapura à cabeça, mas com uma recuperação impressionante da cidade-Estado após a pandemia covid-19.

“O mercado de jogo em Singapura depois da pandemia tem sido excepcional, a valores 187 por cento acima do nível précovid”, afirmou Choudhary no mesmo evento, sublinhando que este crescimento aconteceu apesar de o número de visitantes ainda ser menor do que os valores anteriores à crise sanitária. Segundo dados da Morgan Stanley, em 2018 Singapura registou 2,7 mil milhões de dólares em resultados do jogo, um valor que caiu abruptamente para 1,3 mil milhões em 2020 com o impacto da pandemia.

A partir daí a recuperação foi rápida, chegando a 3,9 mil milhões de dólares em 2024 e a 4,6 mil milhões em 2025, superando claramente os níveis précovid, e mantendo os mesmos dois hotéis-casino, o Marina Bay Sands e o Resorts World Sentosa.

Com 20 casinos divididos por seis operadoras, Macau fechou 2025 com receitas de jogo totais de 247,4 mil milhões de patacas, mais 9,1 por cento do que no ano anterior. No entanto, apesar do aumento no número de visitantes, os valores gerados pelos casinos locais continuam abaixo dos registados antes da pandemia.

Choudhary observou que em Singapura as receitas de jogo VIP (grandes apostadores) voltaram aos níveis précovid, enquanto em Macau estes valores estão a “13 por cento a 15 por cento ” do nível antes da pandemia. Para o analista, a diferença explicase pela “acumulação de riqueza” em Singapura, que levou a um maior número de apostadores VIP na cidade.

“Não se trata de visitantes que vêm jogar, como acontece em Macau, mas pelas pessoas ricas que vivem em Singapura. O número de pessoas ricas que imigraram para esta cidade nos últimos dois anos é insano”, destacou Choudary.

Os homens que evitam psicoterapia

Há um dado que aparece de forma consistente na investigação: os homens recorrem menos à psicoterapia do que as mulheres. Procuram menos ajuda, permanecem menos tempo em acompanhamento e, muitas vezes, chegam mais tarde — quando o sofrimento já está instalado de forma mais profunda. Isto não significa que sofram menos. Aliás, os homens têm das maiores taxas de suicídio registadas – apesar das mulheres terem mais ideação suicidada e tentarem mais vezes.

A explicação mais imediata para que os homens não peçam ajuda tende a estereótipos já conhecidos: os homens não falam, não sabem identificar emoções ou evitam a vulnerabilidade. Esta é uma compreensão insuficiente — e até redutora. Não se trata apenas de uma incapacidade individual. Trata-se de uma construção cultural profundamente enraizada na sociedade sobre o que é ser homem.

Desde cedo, muitos homens aprendem que é uma virtude não expressar emoções. Que pedir ajuda é sinal de fraqueza ou que a dor deve ser gerida em silêncio: boys don’t cry. A linguagem emocional, quando existe, é muitas vezes limitada ou pouco praticada. E quando não se tem linguagem, torna-se mais difícil reconhecer o que se sente — e ainda mais difícil partilhá-lo.

A psicoterapia, por sua vez, exige precisamente o contrário: pausa, introspecção, contacto com a experiência interna, capacidade de nomear estados emocionais ambíguos. Exige tempo e um certo grau de tolerância ao desconforto. Para alguém socializado na ideia de que “resolver” é agir rapidamente e seguir em frente, este processo pode ser pouco produtivo.

Há também uma questão de expectativa. Muitas pessoas chegam à terapia à procura de soluções concretas e rápidas: “o que é que faço para deixar de me sentir assim?” Quando se deparam com um espaço que devolve perguntas em vez de respostas, surge a frustração, e abandonam o processo.

Mas a dificuldade não está apenas nos homens, ou na forma como são socializados. Está também na forma como a própria psicoterapia se organizou. Durante décadas, muitos modelos terapêuticos valorizaram formas de expressão emocional mais alinhadas com padrões tradicionalmente associados ao feminino: verbalização, introspecção prolongada, exploração detalhada da experiência interna. Isto não é um problema em si, muito pelo contrário — mas pode tornar o setting terapêutico menos apetecível para quem não vê valor nestas estratégias.

Importa também reconhecer que “os homens” não constituem um grupo homogéneo. Pessoas trans, não-binárias ou homens queer podem viver relações muito diferentes com a psicoterapia. Para algumas pessoas LGBTQIA+, a terapia foi — e continua a ser — um espaço fundamental de sobrevivência emocional, sobretudo perante experiências de discriminação e violência. Mas também existe desconfiança, que é legítima: durante décadas, identidades queer e trans foram patologizadas por discursos clínicos e psicológicos. Isto significa que, para muitas pessoas dissidentes em termos de género e sexualidade, entrar num consultório pode activar tanto uma expectativa de cuidado como o receio de julgamento ou incompreensão. Falar da relação entre homens e psicoterapia exige alguma cautela para não transformar experiências muito diferentes numa única narrativa masculina.

Por isso, a questão não deve ser colocada apenas como “porque é que os homens não vão à terapia?”, mas também como “que condições estamos a criar para que possam ir?”. Isto implica olhar para expectativas de género, sim, mas também para práticas clínicas e o discurso público à volta dela. Alguns estudos sugerem que abordagens mais estruturadas, orientadas para objectivos, ou que integrem o corpo e a acção, podem facilitar a adesão deste grupo à terapia. Não porque “os homens são assim”, mas porque diferentes percursos de socialização produzem diferentes portas de entrada para o campo emocional.

Normalizar a vulnerabilidade masculina não é apenas dizer aos homens para falarem mais – porque achamos que falam de menos. É criar contextos onde falar e partilhar a vulnerabilidade não seja vivido como uma prática alienígena. É reconhecer que a resistência à terapia é bem mais complexa do que uma mera teimosia. Abandonemos leituras simplistas: os homens não são menos emocionais. Muitas vezes, são apenas menos autorizados a viver essas emoções de forma consciente.

A psicoterapia pode ser um dos espaços onde essa autorização começa. Mas, para isso, é preciso que o convite faça sentido.

Primeira jornada de apuramento para GP Macau decorreu em Zhuhai

O Circuito Internacional de Zhuhai acolheu, no passado fim-de-semana, a primeira de duas jornadas duplas do Macau Roadsport Challenge e do GT4, competições organizadas pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e que servirão para apurar os pilotos locais para o 73.º Grande Prémio de Macau.

O Macau Roadsport Challenge, cuja grelha de partida se divide entre os Toyota GR86 (ZN8) e os Subaru BRZ (ZD8), voltou a juntar mais de meia centena de pilotos, o que levou a AAMC, a exemplo de anos anteriores, a separar a grelha em dois pelotões: Grupo A e Grupo B.

Na primeira corrida do Grupo A, partindo da pole-position, Wong Chuck Pan dominou de princípio a fim e venceu à frente de Hu Zuoling e Leong Keng Hei, tendo este sido o melhor classificado de Macau. Na segunda prova, Damon Chan recuperou do quinto para o primeiro lugar, superando o companheiro de equipa Wong Chuck Pan, com Leong Keng Hei a completar novamente o pódio.

No Grupo B, a vitória inaugural coube a Li Kwok Chuen, seguido de Bayern Yip e Leung Chi Ho, este o melhor entre os pilotos locais. Na segunda corrida, Su Jiangnan aproveitou um erro do favorito Li Kwok Chuen, que seguia na liderança, e triunfou, batendo Bayern Yip e Leung Tse Wa.

Badaraco praticamente apurado

Jerónimo Badaraco, que este ano regressa à competitiva disciplina dos carros de turismo ao volante de um Toyota GR86 da Flexible Speed, deixou praticamente garantida a qualificação para o Grande Prémio de Macau, agendado para Novembro.

Depois de assegurar o sexto lugar da grelha para a primeira corrida do Grupo B na sessão de qualificação de sábado, tudo apontava para uma prova disputada em piso seco, até que, momentos antes do arranque, a chuva começou a cair ligeiramente sobre o traçado. Numa corrida particularmente movimentada, Badaraco conseguiu inclusive ascender provisoriamente ao quarto posto. Com o agravamento das condições meteorológicas e após uma intensa luta em pista, o piloto levou o seu Toyota até à bandeira de xadrez na quinta posição, somando pontos importantes no seu grupo.

Na segunda corrida, partindo do quinto lugar da grelha e enfrentando condições extremamente difíceis devido à chuva forte, o piloto macaense manteve-se totalmente concentrado no objectivo de chegar ao fim entre os primeiros, apesar dos vários incidentes em pista e das intervenções do Safety Car. No final, garantiu um sólido sexto lugar, arrecadando novamente pontos preciosos para as contas do apuramento.

Manhão estreou-se em GT4

As duas corridas da categoria GT4, que servirá para apurar os participantes para a Taça GT – Corrida da Grande Baía, foram também pontuáveis para a SRO GT Cup. Assim, mais de duas dezenas de concorrentes alinharam à partida no circuito que este ano celebra trinta anos de existência.

Han Lichao, piloto do Interior da China e que terminou em segundo no Circuito da Guia em 2025, venceu as duas corridas do fim de semana ao volante do seu Toyota GR Supra GT4 EVO2 da Toyota Gazoo Racing China. O melhor dos pilotos da RAEM foi Chan Ka Ping, que, com um Audi R8 LMS GT4, obteve um quinto lugar na segunda corrida.

A estrear-se na categoria, Maximiano Manhão conduziu um dos dois McLaren 570S GT4 inscritos pela equipa LW World Racing Team. O jovem piloto macaense, que ainda conta poucos quilómetros no automobilismo, apesar de ter feito a sua formação no Kartódromo de Coloane, terminou a primeira corrida no 18.º lugar e a segunda no 17.º. A segunda jornada de apuramento decorrerá novamente entre 28 e 31 de Maio no Circuito Internacional de Zhuhai.

Letras&Companhia | Peça de teatro “A Revolta dos Lusecos” este sábado

A Sílaba – Associação Educativa e Literária juntou-se ao festival “Letras&Companhia” e apresenta no sábado a peça de teatro “A Revolta dos Lusecos”, escrita por Carlos Alberto Silva e interpretada por 14 crianças. A peça tem como pano de fundo o 25 de Abril e o fim do Estado Novo

O universo da revolução do 25 de Abril será o ponto de partida de um evento do festival de literatura infantil “Letras&Companhia”. Trata-se da peça “A Revolta dos Lusecos”, da autoria de Carlos Alberto Silva, e que será interpretado por 14 crianças através de um trabalho de encenação da Sílaba – Associação Educativa e Literária.

Segundo o programa do festival, a peça faz uma “abordagem lúdica e participativa” dos “acontecimentos marcantes do 25 de Abril de 1974”, utilizando “a narrativa literária como ferramenta de mediação histórica”.

Com esta peça, os programadores do festival esperam “sensibilizar o público mais jovem para os valores da liberdade e da cidadania, transformando a leitura numa experiência viva e partilhada em palco”. A peça será apresentada no IPOR a partir das 18h.

Ao HM, Susana Diniz, presidente e fundadora da Sílaba, disse que surgiu a oportunidade de apresentar esta peça em Macau dado o autor ser amigo da associação. Além disso, “A Revolta dos Lusecos” foi “o primeiro a sair na ‘Dinis Caixapiz’ em 2024”, que é “uma caixa de subscrição de livros infantis” com apoios do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Fundo de Desenvolvimento e Cooperação de Macau.

Segundo Susana Diniz, esta “rede de apoio institucional ajudou a criar as condições para trazermos a peça a Macau e integrá-la neste festival, numa lógica de partilha cultural entre Portugal e Macau”.

A ideia foi “tornar a aprendizagem mais fácil e mais viva” com a apresentação desta peça, cuja ideia central foi desenvolvida na Sílaba. Desta forma, “A Revolta dos Lusecos” permite à associação “representar parte de uma história recente de Portugal que é muito importante: a transição para a democracia após o Estado Novo”.

“É uma oportunidade única para mostrar às crianças e aos jovens de Macau que o caminho para a democracia foi difícil, que não foi um processo automático ou inevitável, mas sim o resultado de coragem, resistência e sacrifício de muitas pessoas. Acreditamos que esta mensagem é universal e relevante para qualquer jovem, independentemente do contexto geográfico”, disse Susana Diniz.

A fundadora da Sílaba acrescentou que trabalhar uma obra criada por um autor conhecido ajuda a criar “uma ponte mais directa e afectiva entre os miúdos e a história”.

Missão cumprida

Susana Diniz é a responsável pela encenação, com o auxílio de outros membros da associação, uma colaboração que descrever como “essencial para gerir um projecto desta dimensão”.

“O espectáculo vai contar com música, imagens projectadas e os miúdos em palco, num cenário construído para a ocasião”, descreve Susana Diniz, que fala ainda no trabalho desenvolvido ao nível da adaptação do texto e preparação das crianças. Tem sido “muito gratificante ver que eles se divertem e, sobretudo, que compreendem as suas personagens”, frisou. “Quando um miúdo de 10 anos consegue explicar o que sentia um luseco em 1974, percebemos que o teatro está a cumprir a sua função: contar uma história e fazê-la viver dentro de quem a conta.”

Creative Macau | Xi Di com mostra que vai além da caligrafia

A galeria da Creative Macau apresenta, até 30 de Maio, a exposição “Tinta como Vazio”, com trabalhos de instalação e caligrafia de Xi Di, poeta, escritor e calígrafo radicado em Macau.

Segundo a Creative Macau, há mais de uma década que o trabalho de Xi Di “ultrapassa as fronteiras da poesia, ficção, caligrafia e teatro”, sendo que, nos últimos anos, a sua “prática criativa evoluiu para uma ‘integração’ mais livre”.

Xi Di tem vindo a centrar-se mais na caligrafia contemporânea, “o que permite que o texto se liberte da página, entrelaçando-se com a poesia, a instalação e o espaço teatral”, é descrito pela organização.

Desta forma, nesta mostra “Xi Di vai além dos formatos caligráficos tradicionais”, tratando o pincel, a tinta e o papel “como elementos estruturais do ambiente espacial, situando as linhas caligráficas em contextos contemporâneos de pintura, vídeo e instalação para criar uma experiência visual imersiva”.

Nesta mostra, “o texto já não é meramente ‘lido’, mas ‘sentido'”, ou seja, “um ambiente a ser habitado”. “Ao fundir profundas raízes literárias com uma visão contemporânea de espírito livre, o seu trabalho a tinta serve não só como herança, mas como uma ressonância vital da vida moderna”, adianta a Creative Macau, sendo que “Ink as Void” é “um diálogo entre caligrafia, literatura e espaço”.

“Para o artista, cada traço é simultaneamente um verso e uma instalação espacial”, onde a “tinta” serve de “ponte que liga estas dimensões, redefinindo a posição da caligrafia no domínio espacial”, acrescenta-se na mesma nota.

No que diz respeito à escrita de Xi Di, os seus poemas estão presentes em “importantes antologias tanto a nível local como internacional, caracterizando-se por uma voz simultaneamente suave e resoluta, que capta sentimentos pessoais a par de reflexões sobre a era contemporânea”.

Mostra de Macau na Bienal de Veneza para ver até Novembro

A exposição “Polifonia de Jacone”, com trabalhos dos artistas locais Eric Fok Hoi Seng, O Chi Wai e Veronica Lei Fong Ieng, está patente até 22 de Novembro na 61ª edição da Exposição Internacional de Arte – Bienal de Veneza. Com curadoria de Feng Yan e Cindy Ng Sio Ieng, e organizada pelo Instituto Cultural (IC) e Museu de Arte de Macau (MAM), a mostra foi recentemente inaugurada em Veneza.

Segundo uma nota do IC, a exposição segue “o fio narrativo da trajectória de vida do pintor, e poeta convertido ao catolicismo da dinastia Qing inicial, Wu Li (conhecido em português como Jacone), bem como a confluência cultural de Macau”.

Os três artistas, “através de uma lente contemporânea, desconstroem e reimaginam este legado, focando fragmentos esquecidos da história”, sendo que o projecto está de acordo com o tema da Bienal deste ano, “Em Tons Menores”. Segundo o IC, o conjunto de criações oferece ao público “uma meditação sobre compreensão e fusão intercultural no contexto da globalização”.

O IC descreve que os três artistas “respondem à jornada transcultural de Wu Li a partir das suas perspectivas distintas”, sendo que Eric Fok Hoi Seng “revisita cenas históricas através de pinturas minuciosas, criando uma disjunção entre o real e o imaginado”. Já O Chi Wai “trabalha com imagens e instalação para examinar a fluidez da fé e da cultura”, enquanto Veronica Lei Fong Ieng “tece memória e lugar com sensibilidade perceptiva”.

A “polifonia” de Jacone “emerge do diálogo entre estas obras e aborda a questão premente de como, num contexto global marcado pela convergência cultural, se pode traçar um caminho para a compreensão intercultural e o autodiálogo, permanecendo enraizado nas próprias raízes culturais”.

Desta forma, acrescenta o IC, “a exposição oferece também uma nova perspectiva sobre a identidade cultural singular de Macau como fronteira histórica do encontro entre Oriente e Ocidente”.

Uma figura peculiar

Wu Li “foi uma figura pioneira na troca intercultural durante o final da dinastia Ming e início da dinastia Qing”, tendo viajado para “Macau durante o reinado de Kangxi com intenção de seguir para Roma para estudos teológicos”.

Porém, Wu Li nunca chegou à Europa e ficou em Macau para prosseguir estudos em Teologia. Registou as suas experiências no álbum poético “Sanba Li (Colecção de Poemas de São Paulo)” e deixou “um testemunho vital do papel histórico da cidade como ponto de encontro entre as culturas chinesa e ocidental”.

Desta forma, a mostra patente na Bienal de Veneza “gira em torno da vida e produção cultural de Wu Li, empregando a linguagem da arte contemporânea para dar forma tangível à viagem europeia que permaneceu por cumprir há mais de trezentos anos”. “Polifonia de Jacone” pode ser vista gratuitamente em frente ao núcleo principal da Bienal, no Arsenale, Campo della Tana, Castello 2126/A, 30122, em Veneza.

EUA | China reafirma oposição à venda de armas a Taiwan

A China reafirmou ontem a sua oposição à venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan, após o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar que iria abordar o assunto esta semana durante a sua visita a Pequim.

“A oposição da China à venda de armas dos Estados Unidos à região chinesa de Taiwan é constante e inequívoca”, disse Guo Jiakun, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, durante uma conferência de imprensa regular.

Guo Jiakun afirmou ainda que Pequim “opõe-se firmemente” às sanções unilaterais dos Estados Unidos, “sem fundamento no direito internacional” e não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU, contra entidades chinesas e de Hong Kong.

O porta-voz referiu que a China “tomará medidas firmes para salvaguardar os direitos e interesses legítimos” das suas empresas e cidadãos, embora não tenha especificado quaisquer medidas de retaliação concretas.

O responsável chinês reiterou ainda que a prioridade em relação à situação no Irão é “fazer todos os esforços para evitar o reinício da guerra” e acusou Washington de tentar “difamar a China” ligando-a “maliciosamente” ao conflito.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira, sanções contra 12 indivíduos e entidades acusados de facilitar a venda e o transporte de petróleo iraniano para a China pela Guarda Revolucionária iraniana. Entre os sancionados estão empresas sediadas em Hong Kong, nos Emirados Árabes Unidos e em Omã, segundo Washington.

Estas novas sanções vêm juntar-se a outras medidas adoptadas nos últimos dias por Washington contra empresas chinesas e de Hong Kong acusadas de colaborar com sectores ligados ao petróleo, às armas e às operações militares iranianas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, vai iniciar amanhã uma visita de Estado à China para se reunir com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, quando há tensões persistentes decorrentes da guerra no Irão e de uma frágil trégua comercial entre as duas potências.