Turismo | Andy Wu alerta para urgência de apoios para estrangeiros

Uma das épocas altas para turistas do sudeste asiático está a chegar (feriados da Páscoa) e Macau ainda não lançou medidas de incentivo para atrair visitantes estrangeiros, alertou Andy Wu, que preside à Associação de Indústria Turística.

O programa de subsídios anunciado pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST), semelhante ao dirigido aos visitantes vindos de Hong Kong, tem como destinatários grupos de excursões proveniente de Taiwan e do estrangeiro que venham a Macau via Hong Kong. O apoio materializa-se na oferta de uma das viagens de ferry ou autocarro entre as duas regiões, com os restantes incentivos a serem divulgados em breve para serem implementados entre meio de Abril e Junho.

Na óptica de Andy Wu, a DST deveria acelerar o lançamento da medida, como fizeram as autoridades de Hong Kong, de forma a aproveitar a época alta dos mercados turísticos do sudeste asiático. Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável acrescentou que os detalhes do programa de apoio deveriam ser divulgados o mais depressa possível porque a organização de excursões demora algumas semanas, ou mesmo um mês.

Além disso, o representante do sector do turismo admitiu que os turistas estrangeiros são poucos, com o mercado das Filipinas a ocupar a maior fatia. Andy Wu não mencionou a possibilidade de os visitantes filipinos virem às regiões administrativas especiais com a perspectiva de entrada no mercado de trabalho, em vez de fazer turismo.

Obras | Estudo revela concentração perigosa de partículas

Um novo estudo feito em Macau analisou as partículas libertadas durante obras de renovação realizadas em espaços fechados e concluiu que são atingidos níveis de poluição “extremamente perigosos”

As autoridades deviam criar um padrão de segurança para estabelecer o limite máximo de concentração de partículas PM2,5 durante obras realizados em espaços interiores. O aviso consta das conclusões de um estudo feito por académicos da Universidade de São José e da Universidade de Kebangsaan na Malásia, sobre as obras de renovação em centro comerciais.

No estudo com o nome “Monitorização das PM2,5 num Grande Centro Comercial: Um Caso de Estudo em Macau”, os investigadores Thomas Lei, Yan Chan e Mohd Ndzir propuseram a análise ao impacto das obras dentro de edifícios da concentração de partículas PM2,5, também conhecidas como partículas finas. Este tipo de partículas é altamente perigoso, porque pode entrar no sistema respiratório e alojar-se nos alvéolos dos pulmões, contribuindo para o desenvolvimento de várias doenças, inclusive algumas mortais.

Com sensores de medição de partículas instalados num centro comercial não identificado em Macau, onde decorriam não só obras de renovação de espaços, mas também de construção, as conclusões apontaram para uma concentração muito elevada de partículas, que coloca em causa a segurança dos trabalhadores.

“Os níveis mais elevados de partículas PM2,5 registados durante este estudo foram de 559 micrograma por metro cúbico, na área que estava a ser renovada. É um valor extremamente elevado, mesmo para exposições de curta duração, e que constitui uma grande ameaça à segurança dos trabalhadores no local”, é avisado.

“Recomenda-se que as autoridades estabeleçam um padrão de segurança no trabalho sobre os níveis de concentração das partículas PM2,5 nos espaços interiores em construção, de forma a proteger o bem-estar dos trabalhadores no local, mas também para servirem de referência para as equipas de gestão das obras”, é acrescentado.

Passos em frente

Sobre os valores de partículas medidos nos espaços interiores, o estudo aponta que não são afectados pelas condições no exterior, onde os valores PM2,5 também atingem valores muito elevados. Normalmente nestes dias, os Serviços Meteorológicos e Geofísicos lançam avisos à população para não fazer exercício no exterior ou mesmo evitar sair à rua.

Contudo, a investigação concluiu que os níveis de concentração de partículas nos centros comerciais se devem apenas à realização de obras, sem influência do ambiente exterior. Como as obras são uma constante nos diferentes casinos, indicam os autores, este estudo é tido como da maior relevância para a segurança no trabalho, até porque foi o primeiro do género a ser feito na RAEM.

Os autores reconhecem que desde o momento que se iniciou o estudo até à publicação, na revista Processes, no mês passado, as autoridades passaram a exigir que as obras no interior de edifícios fossem acompanhadas pela instalação de aparelhos de medição da qualidade do ar. Esta medida é vista como positiva, porém, para os autores, falta definir padrões e formas de actuar, quando os valores ultrapassam um certo nível, que não foi definido.

Ho Iat Seng diz que 20.º aniversário do Fórum Macau é novo ponto de partida

“O 20.º aniversário do Fórum de Macau deve ser visto não apenas como um marco histórico, como também um novo ponto de partida vantajoso para o desenvolvimento da Plataforma Sino-Lusófona rumo a um novo patamar”, afirmou ontem o Chefe do Executivo no discurso da recepção comemorativa do 20.º aniversário do estabelecimento do Fórum de Macau.

Perante uma plateia recheada com os principais dignatários dos organismos nacionais presentes na RAEM, Ho Iat Seng sublinhou que “este é o momento para congregar os esforços de todos os sectores que valorizem e apoiem este projecto, avançando juntos rumo à um futuro prometedor”

O Chefe do Executivo destacou o “enorme regozijo” por estar “reunido, com velhos e novos amigos por ocasião da comemoração” das décadas de existência do Fórum Macau, ainda para mais celebradas num “ano de maior importância para RAEM”. Ho Iat Seng explicou que 2023 “marca o início da plena implementação das orientações consagradas no 20.º Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCC) e nas ‘Duas Sessões’ respectivamente da Assembleia Popular Nacional e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e ainda estabelece o ponto de partida da crucial implementação do segundo Plano Quinquenal de Desenvolvimento da RAEM”. Como tal, a confluência de datas só pode significar um momento político auspicioso.

Agarrar oportunidades

Criado há vinte anos, o Fórum Macau tem “beneficiado do imprescindível apoio do Governo Central e da participação consensual dos Países de Língua Portuguesa”, na óptica de Ho Iat Seng.

O governante apontou que graças à conjugação de esforços do Governo Central, Governos dos países de língua portuguesa, o Fórum Macau desempenhou o papel de elo de ligação, reforçando o “intercâmbio e a cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Face à conjugação de esforços desenvolvida, “a cooperação económica e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa tem alcançado resultados encorajadores, aprofundando-se e consolidando-se em diversas áreas, elevando também a influência de Macau a nível internacional e fomentando o desenvolvimento desta cidade”, considera Ho Iat Seng.

O Chefe do Executivo comprometeu-se em “concentrar atenções no posicionamento e desenvolvimento de Macau enquanto “Um Centro, Uma Plataforma e Uma Base”, aproveitando as políticas e medidas favoráveis atribuídas pelo Governo Central para levar por diante os trabalhos multissectoriais no sentido da integração de Macau na conjuntura de desenvolvimento nacional”.

Além disso, garantiu que o Executivo irá continuar a “prestar todo o apoio aos trabalhos do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, com ênfase para a preparação da próxima Conferência Ministerial do Fórum de Macau”.

Ensino | Kou Kam Fai quer pais a difundir patriotismo

O deputado propõe uma maior aposta no patriotismo, que diz ser uma das prioridades educativas das escolas de Macau. O director da Escola Pui Ching quer ver também os pais e a comunidade a participar nas acções de amor à pátria

 

Utilizar as escolas para construir um consenso e ter como principal missão amar o país, através de várias iniciativas em que os pais são convidados a participar. É esta a sugestão para a educação do deputado Kou Kam Fai, num artigo publicado no Jornal do Cidadão, em que defende uma maior aposta no ensino patriótico, do estudo do espírito do 20.º Congresso do Partido Comunista Chinês e das Duas Sessões Magnas.

“Como um educador da linha da frente, acredito que o sector da educação de Macau deve estudar afincadamente para entender profundamente o espírito do 20.º Congresso do Partido Comunista Chinês, e o espírito das Duas Sessões”, afirmou o director da Escola Pui Ching. “Por isso, temos de continuar a promover o poder do patriotismo e do amor por Macau. A educação é um elemento chave”, acrescentou.

Segundo Kou, as escolas devem ter como uma das principais funções ensinar aos alunos “o espírito e a motivação de manter a missão original do Partido Comunista Chinês”. Esta missão pode ser realizada de várias maneiras, como o estudo da Constituição e da Lei Básica.

“Temos de fazer um bom uso das vantagens da educação patriota das escolas de Macau, criar um consenso, reforçar as acções de divulgação e promoção da Constituição da China e da Lei Básica de Macau, a começar pelos campus das escolas”, apontou. “Temos de encorajar os pais e a população a participar nestas acções, todos juntos e de forma compreensiva, para aumentar a divulgação e os conhecimentos [sobre a Constituição e da Lei Básica de Macau]”, acrescentou.

Corrigir os enganados

Kou Kam Fai sugere também que se corrija os erros “de um pequeno número de residentes de Macau” que “não compreende totalmente” o alcance do princípio um país, dois sistemas.

Neste sentido, o deputado nomeado por Ho Iat Seng defende que sejam utilizadas as ferramentas das novas tecnologias para que os professores possam “melhor a compreensão” sobre a Constituição e a Lei Básica dos professores, alunos e da comunidade.

Finalmente, o deputado considera que a Grande Baía está ligada “pelo sangue e pela cultura” e sugere a criação de várias “bases do patriotismo”, para que os alunos de Macau e Hong Kong possam ser levados às diferentes cidades do Interior, como a Ilha da Montanha, para aprenderem a história correcta do país.

Rita Santos responsabiliza Portugal por dificuldades no acesso à Grande Baía

A presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia das Comunidades Portuguesas, Rita Santos, considerou que as dificuldades das empresas portuguesas de acederem à Grande Baía se devem ao Governo de Portugal. A opinião foi partilhada, após a reunião em Macau do Conselho Regional da Ásia e Oceânia das Comunidades Portuguesas.

Apesar das promessas de abertura da Grande Baía, os produtos portugueses continuam a enfrentar vários problemas para serem comercializados no Interior. No entanto, Rita Santos atirou grande parte das responsabilidades para o governo de Portugal, e fez o contraste com a situação do Brasil.

“A parte do Brasil tem feito um trabalho muito bom. No que diz respeito a fábricas frigorífico com carne de frango e de vaca têm aumentado o número de fábricas que entram na República Popular da China, e que permite a grande exportação de carne de vaca”, explicou sobre o país sul-americano.

Em relação a Portugal, a presidente do Conselho das Comunidades apontou um cenário diferente. “Eu penso que Portugal está nesta situação porque o Governo tem de começar a dar mais atenção a este assunto”, sublinhou.

“Sei que há um grande empresário de Macau que investiu numa fábrica de carne de vaca, mas infelizmente não consegue entrar no mercado da China. Está a exportar, e com bons resultados, para a Europa, mas o objectivo era servir de plataforma [entre Portugal e a China]”, contou. “Mas, essa plataforma também tem de ter o apoio do Governo de Portugal, na resolução da entrada desses produtos na Grande Baía. Não é somente da responsabilidade da China, mas também da responsabilidade de Portugal”, acrescentou.

Mãos à obra

Ainda de acordo com as declarações de Rita Santos, as autoridades de Portugal têm de reunir com as autoridades chinesas para resolver as questões relacionadas com a higiene. a passagem e o desalfandegamento.

“Os responsáveis do Ministério da Agricultura de Portugal têm de começar a trabalhar no sentido de se encontrarem com os técnicos da China, para ultrapassarem essas barreiras”, afirmou. “É preciso que haja reuniões de trabalho com os técnicos, porque primeiro resolvem-se as questões na base e depois é que se eleva a questão a nível ministerial”, apontou como receita para ultrapassar a questão.

Comunidade | Portugueses no Clube Militar

Quem quiser ver portugueses em Macau pode à hora de almoço ao Clube Militar. É lá que estão concentrados! Foi desta forma que Rita Santos respondeu a uma questão sobre a saída de Macau, nos últimos anos, de parte da comunidade portuguesa.

“Na altura, por causa da pandemia, efectivamente muit… alguns dos portugueses regressaram a Portugal e nós sabemos que maioritariamente estavam na Função Pública, também alguns regressaram por causa da economia de Macau”, reconheceu Rita Santos.

Em resposta a uma pergunta colocada em cantonês por uma jornalista, Rita Santos aconselhou ainda uma deslocação ao Clube Militar. Eu disse-lhe [à jornalista] que se ela quiser ver portugueses que querem permanecer em Macau, que vá tomar refeições no Clube Militar, principalmente na hora de almoço. É onde estão maioritariamente concentrados”, traduziu para português, depois de uma resposta em cantonês.

No mesmo sentido, Rita Santos afirmou ainda que sente que há vários jovens empresários em Portugal que querem regressar para participarem no projecto da Grande Baía. “Tem havido alguns contactos de jovens empresários [portugueses] que querem voltar aqui [a Macau] para montarem empresas, no sentido de poderem ter a esperança de desenvolverem os seus negócios não só em Hengqin, como na Grande Baía”, relatou.

Conselho das Comunidades | Maló de Abreu critica Governo por falta de eleições

O deputado do PSD critica as promessas falhadas dos últimos anos sobre a realização de eleições e defende um maior papel para o Conselho das Comunidades Portuguesas

 

O deputado pelo Círculo da Emigração Fora da Europa da Assembleia da República de Portugal, António Maló de Abreu, responsabilizou o Governo de António Costa pelo facto de não haver eleições há mais de sete anos. As declarações foram prestadas pelo deputado do Partido Social Democrata (PSD), durante uma conferência de imprensa sobre o Conselho Regional da Ásia e Oceânia das Comunidades Portuguesas, que esteve reunido nos últimos dois dias em Macau.

As eleições deviam ter acontecido há cerca de dois anos, mas têm sido sucessivamente adiadas. Ao motivo inicial da pandemia, junta-se agora a questão de ter entrado no hemiciclo uma proposta de revisão da lei sobre as competências do estatuto do Conselho das Comunidades Portuguesas.

“Todos os anos este Governo diz que vai haver eleições. E todos os anos não realiza eleições”, afirmou o deputado do PSD. “Espero que este ano, com a alteração da lei, possa efectivamente haver eleições, para haver a renovação possível do Conselho das Comunidades e para que a democracia funcione”, acrescentou.

Com a futura lei do Conselho das Comunidades no hemiciclo, António Maló de Abreu admitiu que apenas no final da votação do diploma vai ser possível avançar com as eleições. A última vez que as comunidades votaram para o conselho foi em Setembro de 2015.

“Cabia ao governo português marcar as eleições e não marcou. O Conselho das Comunidades Portuguesas já devia ter tido eleições há mais de dois anos, agora as eleições só se vão verificar depois da lei ser aprovada na Assembleia da República”, explicou. “Tudo farei para que a lei possa estar pronta o mais depressa possível”, prometeu.

Maior dignidade

Sobre a discussão das competências do Conselho das Comunidades Portuguesas e os direitos dos respectivos conselheiros, o deputado do PSD deixou a esperança de que o conselho passe a ser ouvido sempre que sejam propostas alterações às leis que afectam as comunidades portuguesas.

“O que nós queremos, e eu pessoalmente, porque consta no projecto de lei que apresentei, vai no sentido do conselho ser ouvido obrigatoriamente em tudo o que respeita às comunidades portuguesas. Cada vez que houvesse uma alteração legislativa era pedido um parecer aos Conselho das Comunidades Portuguesas”, explicou.

António Maló de Abreu apontou também que o conselho continuaria a ser um órgão consultivo, sem que os pareceres tivessem força vinculativa: “Não quer dizer que o parecer fosse seguido, o conselho continuava a ser consultivo, mas o reforço e a dignificação passariam obrigatoriamente por terem que ser escutados”, vincou. “Do meu ponto de vista era fundamental para a dignificação e o reconhecimento da importância dos conselheiros e do Conselho das Comunidades Portuguesas”, argumentou.

Catarina Nunes de Almeida, autora de “Pars Orientalis”: “Em qualquer ponto há um Oriente e Ocidente”

“Pars Orientalis – Estudos sobre escrita e viagens”, editado pela Documenta, é o novo livro da académica Catarina Nunes Almeida, que explora as representações do Oriente na literatura portuguesa contemporânea do período pós-colonial. Em exemplos tão díspares como o romance “As Naus”, de António Lobo Antunes ou livros de reportagem de Alexandra Lucas Coelho, como “Caderno Afegão”, a autora encontrou diversas versões e noções do Oriente

 

 

Coordena, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o grupo de investigação “ORION – Orientalismo Português” e ensina, entre outras, a disciplina “Narrativas de Viagem”. Foi aí que nasceu este livro?

O livro nasceu de facto do “ORION”, onde desenvolvo o meu projecto de investigação individual sobre a viagem ao Oriente na literatura portuguesa contemporânea.

Que textos e que Oriente encontramos neste livro?

Há que distinguir a tematização do Oriente, a sua representação em diferentes géneros. Na verdade, essa representação está presente em obras de poesia, ficção, narrativas de viagem. O que trabalho aí são, essencialmente, autores que representam espaços da Ásia, mas muitas das vezes a Ásia vem designada como o Oriente. No caso do Lobo Antunes falamos de um romance [As Naus], mas temos os casos de Mário Cláudio e Gonçalo M. Tavares, com “Uma Viagem à Índia”. Há vários autores que têm trabalhado a partir desta viagem simbólica dos portugueses às suas origens marítimas, dessa Epopeia que está sempre presente ou, como diz o Eduardo Lourenço, esse “complexo de Epopeia” que acabamos por ter sempre connosco. Depois temos autores que fogem um pouco do tema da identidade e da memória cultural portuguesa, e que têm empreendido viagens a espaços da Ásia que são narrativas de viagens em que o que conta é a dimensão estrangeira da Ásia, não tem propriamente a ver com a procura ou a pesquisa identitária das raízes portuguesas, mas com viagens a países estrangeiros, e é aí que entram narrativas de viagem como da Alexandra Lucas Coelho.

Com o livro “Oriente Próximo”…

Sim, mas também com “Caderno Afegão” ou o mais recente, “Líbano, Labirinto”, livros que surgem no contexto da sua profissão de jornalista.

Nesses casos, não há propriamente a busca do imaginário oriental.

Não há. Temos também o caso do José Luís Peixoto com o livro “Dentro do Segredo”, que escreveu depois de uma viagem à Coreia do Norte ou em “O Caminho Imperfeito”, livro sobre a Tailândia. Ele busca o outro pelo outro, pela sua dimensão desconhecida. Muitas vezes não é isso que encontramos nos poetas, principalmente quando empreendem viagens a Macau, a Goa, que são espaços que acabam por ser ainda entendidos como “casa”, têm ainda uma dimensão doméstica para os portugueses. Vão ali encontrar as referências arquitectónicas, materiais dessa presença portuguesa. Resolvi ir buscar textos de autores contemporâneos, publicados a partir de meados da década de 80 [do século XX], no período pós-colonial. Em relação aos poetas, nota-se ainda, em algumas obras, nomeadamente “Navegações”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, ou nas obras do António Manuel Couto Viana, que viajar para o Oriente…aliás, eles viajam mais para o Oriente do que para a Ásia. Logo aí temos uma diferença.

Em que sentido? No livro refere que a ideia de Oriente não se resume apenas à Ásia. Há uma ideia de Oriente muito vasta.

Exacto. Acaba por se ter uma dimensão plasmada no espaço e no tempo, uma viagem que é, obviamente, inspirada por representações literárias, em que o Oriente é o espaço das “Mil e uma Noites”, o espaço bíblico, e depois, por outro lado, um espaço muito diversificado geograficamente, porque tanto podemos considerar países que pertencem a África, por exemplo, podem ser inseridos no nosso conceito de Oriente. Edward Said já falava disto muito antes de mim.

Falamos da Tunísia…

Sim, o próprio Egipto, Marrocos, ou a Andaluzia, que durante muito tempo foi assumido como um Oriente ibérico. Há muitos espaços que entendemos como o “Oriente” que não são a Ásia. Muitos autores, principalmente os poetas, porque têm esse lado mais onírico à flor da pele, acabam por viajar mais para o Oriente do que propriamente para a Ásia, embora tenhamos também casos como Manuel Afonso Costa, que têm uma vivência mais próxima, ou até José Alberto Oliveira. No Manuel Afonso Costa, a China não é apenas aquela China colonial portuguesa que seria Macau, ele interage com a literatura chinesa. Ele é também tradutor.

Relativamente à China e a Macau, que autores trouxe para este livro?

No segundo estudo de caso que apresento, em que falo de paisagens fluviais chinesas na poesia portuguesa contemporânea, aí, obviamente, é Macau a paisagem fluvial, a do Rio das Pérolas, que é mais visitada, e aí entram todos os autores que já mencionei, como a Sophia de Mello Breyner Andresen, o próprio Eugénio de Andrade com “Pequeno Caderno do Oriente”, Manuel Afonso Costa e José Alberto Oliveira. Entra, inclusivamente, Duarte Drumond Braga com o livro “Salitre”.

“Pars Orientalis”. Como surgiu o nome?

“Pars Orientalis” significa “partes do Oriente” em latim. Na introdução do livro falo sobre a evolução do conceito de Oriente. Na verdade começou com os gregos, mas, no período do império romano, dá-se a primeira separação administrativa dos dois blocos, a parte do Ocidente e do Oriente. Quis aproveitar essa primeira divisão administrativa, que nos colocou para sempre na cabeça que o mundo está dividido nestas duas partes. Mas, no fundo, em qualquer ponto em que nos encontremos há sempre um Oriente e um Ocidente, depende do ponto de referência.

Este livro vem colmatar uma lacuna relativamente à representação do Oriente na ficção contemporânea?

Penso que já não existe tanto essa lacuna. Cada vez mais, muito graças a colegas que colaboram comigo aqui no Centro de Estudos Comparatistas, mas também em outras instituições, já é dada uma atenção particular às representações da Ásia na literatura. Nunca teria em mãos um projecto se ele não fosse, de alguma forma, original e contribuísse para trazer alguma coisa nova. Mas há cada vez mais essa preocupação em desvendar o Orientalismo literário português que é tão interessante. E aqui não precisamos de pensar exclusivamente na literatura, ou em livro. Penso mais na própria música, quando temos libretos de ópera. Temos imensos exemplos de Orientalismo na música ocidental, o caso do próprio Puccini, Verdi. Na cultura portuguesa há um campo muito vasto que não foi explorada a perspectiva da representação orientalista como é entendida por [Edward] Said.

O livro tem um capítulo dedicado a peregrinações e viagens de circum-navegação. Há então referências ao período dos Descobrimentos, das viagens dos jesuítas?

Sim, sobretudo aos modos como os autores portugueses representam os temas de modo ficcional, ou não. No fundo, é aí que entra o António Lobo Antunes, Augusto Abeleira, Almeida Faria. É ver como eles, séculos depois, dialogam com as fontes históricas e reinventam esses documentos. É próprio também da poética em que se inserem, o pós-modernismo. Ainda estamos nessa era. Existe a preocupação de revisitar fontes textuais e dar-lhes um novo sentido, reinterpretar a história e dizê-la de novo ficcionalmente.

Isso alimenta também o imaginário que o leitor já terá, criando novos Orientes?

Claro. Por exemplo, acho bastante proveitoso o trabalho de Mário Cláudio, até porque ele tem formação como bibliotecário, o que lhe permite dominar arquivos. Em “Peregrinação de Barnabé das Índias”, temos uma nova versão do manuscrito que subjaz aquele romance, que é o relato de Álvaro Velho sobre a viagem de Vasco da Gama à Índia. Ele reinventa, na perspectiva de uma personagem inventada, o Barnabé das Índias, esses acontecimentos. Olha a História com olhos um pouco contaminados pelo futuro. É por isso que há ironia, humor, de que estão carregadas “As Naus”, de Lobo Antunes. Temos caricaturas. Tudo isso são elementos da poética pós-moderna e é comum, não apenas em Portugal, às várias literaturas intervirem na sua própria história, questionando-a e apresentando novas versões.

Sobre a Coreia do Norte, um país tão fechado ao mundo, temos mais representações além do livro de José Luís Peixoto?

Não. Essa é a única referência, que eu saiba, e é também a única a nível ocidental. O próprio autor explica que quando fez a viagem teve de assinar um documento em como não iria escrever nada sobre ela nem publicar outros registos. Depois teve de trabalhar com um advogado para reverter essa declaração. Mas são poucos os relatos que existem a nível ocidental. É um país extremamente fechado e difícil de representar, sem cair em clichés. Mesmo quem lá está tem dificuldade em não cair nos estereótipos, porque já há uma imagem muito marcada [do país].

Os autores que abordam o Japão foram buscar referências a Venceslau de Morais, por exemplo?

Não. Aí são casos em que esses países valem pela sua dimensão estrangeira. No caso do Japão, os autores deixam-se ficar “Lost in Translation” [Perdidos na Tradução]. É essa a sensação que impera pelo que lemos dos relatos. Eles dão-se conta dos limites da linguagem, que não chega para descrever o Japão. Comparei três relatos diferentes, sendo que o primeiro deles é pouco conhecido, de João Benard da Costa, quando escreveu crónicas num jornal sobre a viagem que fez ao Japão. Tive de adquirir esse livro, editado em 2001, num alfarrabista por já não estar à venda. Estudo também o caso de “O Livro Usado (numa viagem ao Japão)”, de Jacinto Lucas Pires, publicado também em 2001. É uma narrativa um pouco diferente, um pouco mais impessoal. O narrador é um sujeito que permanece muito solitário, é um espectador, não interage muito com as pessoas ou com o espaço. O último caso foi uma feliz surpresa. Tenho esse livro e tive sorte, porque a tiragem foi de 25 exemplares. É um livro do poeta Luís Quintais, a que se propôs escrever o relato da viagem que fez ao Japão e depois publicou-o numa editora mais marginal. É um texto lacónico, escrito essencialmente em fragmentos.

Israel | Presidente pede fim imediato da reforma judicial

O Presidente de Israel pediu ontem ao primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, para “actuar com responsabilidade e coragem” e pôr fim “de imediato” ao processo legislativo da polémica reforma judicial que está a dividir o país.

“Pelo bem da unidade do povo de Israel, pelo bem da responsabilidade necessária, peço que ponham fim ao processo legislativo de imediato”, afirmou Isaac Herzog, em comunicado, quando o país regista as maiores manifestações de sempre e se encontra à beira de uma greve geral.

“Toda a nação está profundamente preocupada. A nossa segurança, economia, sociedade – todos estão sob ameaça”, alertou Herzog. “Acorda agora!”

Na noite passada, Netanyahu demitiu o ministro da Defesa, depois de Yoav Gallant ter pedido publicamente o fim da reforma judicial, na primeira voz crítica do Governo.

A decisão do primeiro-ministro levou mais de 600 mil pessoas para as ruas em protestos maciços e improvisados em várias cidades israelitas.

As universidades de todo o país fecharam “até nova ordem” em protesto e espera-se que os sindicatos apelem para uma greve geral.

A reforma judicial desencadeou uma das mais graves crises internas de Israel, ao unir, em oposição generalizada, líderes empresariais, funcionários judiciais e mesmo militares do país.

Uma aparente calma regressou às ruas do país depois de uma noite de protestos, em que milhares de manifestantes acenderam fogueiras na principal autoestrada de Telavive, bloqueando a passagem, bem como em outras em todo o país.

Última palavra

A peça central da revisão é uma lei que dará à coligação governamental a última palavra sobre todas as nomeações judiciais. Outras leis podem dar ao parlamento a possibilidade de anular decisões do Supremo Tribunal e limitar a revisão judicial das leis.

Netanyahu e aliados disseram que o plano vai devolver o equilíbrio entre os ramos judicial e executivo e controlar o que consideram ser um tribunal intervencionista com simpatias liberais. Mas críticos advertiram que as leis vão eliminar o sistema de controlos e equilíbrios de Israel e concentrar o poder nas mãos da coligação governamental, acrescentando que Netanyahu, a ser julgado por acusações de corrupção, tem um conflito de interesses.

Relatório Mundial de Felicidade de 2023

No “Relatório Mundial de Felicidade” de 2023, publicado pelas Nações Unidas, aparecem nos 10 primeiros lugares: a Finlândia, a Dinamarca, a Islândia, Israel, os Países Baixos, a Suécia, a Noruega, a Suíça, o Luxemburgo e a Nova Zelândia. Todos os países nórdicos com sólidos sistemas de segurança social estão incluídos na lista, e a Finlândia, o “país dos mil lagos”, encabeça a lista desde 2018, com uma pontuação de 7.8.

Em relação aos países asiáticos, Singapura surge em 25º lugar, com 6.5 pontos, Taiwan em 27º, o Japão em 47º, a China continental em 64º, com 5.8 pontos e Hong Kong/China em 82º, com 5.3 pontos.

O relatório foi divulgado pela agência financiada pela ONU “Sustainable Development Solutions Network”, em resultado de entrevistas realizadas com 1.000 pessoas de cada país e região. Os inquiridos deveriam avaliar a qualidade das suas vidas tendo em consideração vários factores, como o PIB per capita, apoios sociais, esperança de vida, liberdade, generosidade e o entendimento que têm sobre a corrupção nos seus países.

O relatório abrange 137 países e regiões, e foram entrevistadas mais de 100.000 pessoas. Neste relatório, existem alguns pontos que merecem ser destacados.

Em primeiro lugar, após três anos de pandemia, o índice de sentimentos positivos subiu para 0,66, muito acima do índice dos sentimentos negativos, que se ficaram pelos 0,29. Este facto está relacionado com diversos aspectos, ocorridos durante o período em que as pessoas estiveram fechadas em casa, como a melhoria das relações de vizinhança, a descoberta de pessoas em que podemos confiar, etc. O relatório assinala que, embora a epidemia tenha criado muitos problemas, também gerou um sentimento de comunhão a nível global. Estes indicadores mostram que as pessoas geralmente concordam com a forma como se lidou com a epidemia e os seus impactos têm vindo a diminuir gradualmente.

Em segundo lugar, é importante reparar que o nível médio de felicidade nas pessoas de classe média excede o das pessoas de classes mais elevadas. Em qualquer lado, as pessoas com rendimentos mais elevados têm menos problemas financeiros, ou mesmo nenhuns. Ao contrário, as pessoas com rendimentos mais baixos enfrentam geralmente problemas financeiros. É certo que o bem-estar destes grupos é fortemente influenciado pela economia.

A classe média, como o seu nome indica, situa-se entre estes dois grupos. Representa a maioria da sociedade. Os problemas económicos afectam-na sempre. O facto de ter um rendimento médio faz com que receba menos apoios sociais. Este relatório mostra que o índice de felicidade deste grupo social aumentou, o que reflecte o aumento da sua satisfação social, um factor que garante a estabilidade.

Em terceiro lugar, os inquiridos indicaram que estão mais satisfeitos com as suas relações familiares e sociais. Não é difícil especular sobre as razões dessa satisfação. Durante a epidemia, todos passaram mais tempo em casa com os familiares e dependendo muitas vezes da ajuda dos amigos.

Além disso, outros indicadores que contribuem para o índice de felicidade são: o sentimento da importância da vida e do controlo que temos sobre ela e a satisfação com o nosso bem-estar material e espiritual. Isto mostra que a felicidade não provém apenas de factores económicos, mas também de factores sociais e emocionais. A satisfação espiritual faz-nos entrar noutro domínio. É fácil perceber que estes factores não podem ser quantificados, mas existem e afectam os níveis de felicidade de todos.

Quando o relatório foi publicado, todos ficaram a saber o índice de felicidade do seu próprio país ou região. Note-se que para a elaboração deste relatório foram entrevistadas apenas 1.000 pessoas em cada zona, pelo que as suas conclusões apenas podem ser usadas como referência. Não sabemos com toda a certeza qual o grau de precisão desta classificação.

É certo que, não é apenas o Governo que pode contribuir para a felicidade dos cidadãos, a sociedade também tem um papel muito importante. É por isto que países com sistemas de segurança social sólidos registam altos índices de felicidade colectiva.

A felicidade de cada um depende do seu próprio esforço. Como já foi mencionado, a felicidade depende de muitos factores subjectivos. Uma má relação com familiares e amigos pode afectar os níveis de felicidade. Este factor não pode ser alterado pela sociedade. Portanto, a felicidade deve ser criada pela sociedade e pelos indivíduos.

Todos querem ser felizes, mas a forma de o conseguir varia de pessoa para pessoa. Se pensarmos que a felicidade depende do amor à nossa família, então devemos “amá-la todos os dias um pouco mais”, para que a nossa felicidade também aumente. Desde que os nossos familiares sintam que o nosso amor por eles aumenta, o seu amor por nós também aumentará. Se enveredarmos por este caminho, o índice de felicidade em termos globais vai certamente aumentar em 2024.

“Amar mais de dia para dia” faz-nos felizes, mas no fim de contas, seremos, como os finlandeses, o povo mais feliz da Terra? Frank Martela é investigador interdisciplinar doutorado em Filosofia e Estudos Organizacionais. É responsável pela área de psicologia da felicidade e professor na Universidade de Aalto, na Finlândia, tendo-se especializado na questão do sentido da vida. Frank Martela disse que os finlandeses não comparam os seus haveres com os dos seus vizinhos e que não ostentam os seus bens pessoais. Frank Martela acredita que a felicidade depende de “prestar mais atenção ao que nos satisfaz, e menos àquilo que nos faz ser bem-sucedidos. O primeiro passo para a felicidade é definir os nossos próprios padrões em vez de os comparar com os dos outros.”

Será que o leitor aceita este conselho do filósofo do país mais feliz do mundo? Em primeiro lugar, estabelecer os nossos próprios padrões e não nos preocuparmos com comparações com os padrões alheios?
Daqui, desejo a todos dias cada vez mais felizes.

 

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão do Instituto Politécnico de Macau
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Exposição do Madame Tussaud desde ontem no Museu do Grande Prémio

Estátuas de cera dos grandes protagonistas das corridas do Grande Prémio de Macau (GPM), mas também do automobilismo mundial, podem desde ontem ser visitadas no Museu do Grande Prémio, numa parceria com o Museu Madame Tussaud de Hong Kong, conhecido por apresentar ao público representações em cera das grandes personalidades mundiais nas mais diversas áreas.

A inauguração da mostra em Macau, que decorreu ontem, contou com a presença dos pilotos Michael Rutter e Robert “Rob” Huff, vencedores de provas nas várias edições do GPM.

Das oito estátuas de cera, cinco foram produzidas especialmente para esta colaboração com o Museu de Cera da Madame Tussauds, nomeadamente as de John MacDonald, Ron Haslam, Michael Rutter, Robert Huff e Edoardo Mortara, sendo que as restantes estátuas, de ícones como Ayrton Senna, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, foram reformuladas.

Estas estátuas “mostram a postura imponente dos pilotos nos seus fatos de corrida”, sendo que as expressões do rosto e os gestos baseiam-se em fotografias tiradas aos pilotos durante diversas competições, incluindo quando correram ou na altura em que receberam os prémios em Macau. As estátuas dos pilotos Ron Haslam, Michael Rutter, Robert Huff e Edoardo Mortara foram produzidas próximo da sua altura real, tendo os equipamentos de corrida sido doados pelos próprios pilotos. O fato de John MacDonald foi feito com base em fotografias da sua passagem por Macau. As oito estátuas de cera dos pilotos estarão expostas ao lado dos seus veículos de corrida quando competiram em Macau, destacando o perfil de cada piloto e proporcionando aos visitantes uma experiência mais marcante.

Grandes vencedores

Todos os oito pilotos são reconhecidos internacionalmente e participaram no GPM, sendo que a maioria conquistou vários prémios no Circuito da Guia. John MacDonald fez a sua estreia no GPM em 1964, terminando em sexto lugar.

Em 1965, MacDonald obteve a primeira das suas seis vitórias num Lotus 18 FJ no Circuito da Guia de Macau no 12º Grande Prémio de Macau. MacDonald mantém-se como o único piloto vitorioso das três corridas principais do Circuito da Guia, com quatro vitórias no GPM (1965, 1972, 1973, 1975), uma vitória no GPM de Macau em 1969 e uma vitória na primeira edição da “Corrida de 200 Milhas” em 1972 (conhecida actualmente como Corrida da Guia Macau).

No caso de Ron Haslam, conhecido como “o foguete”, passou por Macau, pela primeira vez, em 1981, quando venceu o GPM de Motos na 15.ª edição da competição, ao volante de uma Honda RS1123. Em 1982 e 1983, Haslam obteve a sua segunda e terceira vitória em Macau, fazendo dele o segundo piloto a vencer três anos consecutivos. Entre 1985 e 1987, Haslam continuou a vencer a competição, resultando numa brilhante conquista de seis troféus em seis participações.

Ayrton Senna, piloto brasileiro falecido precocemente num acidente, venceu o 30.º GPM em 1983, ano da realização do primeiro GPM de Fórmula 3. Na sua primeira e única visita a Macau, Ayrton Senna venceu as duas mangas, muito disputadas, triunfando na corrida inaugural do GPM de Fórmula 3 e o seu recorde de volta mais rápida manteve-se durante sete anos.

Já Michal Rutter, conhecido como o “Rei das Duas Rodas de Macau”, estreou-se no Circuito da Guia em 1994, tendo conquistado o seu primeiro pódio em Macau em 1996. A sua primeira vitória foi em 1998, no 32.º Grande Prémio de Motos de Macau, e a segunda vitória em 2000. Rutter continuou o seu caminho vitorioso, obtendo quatro vitórias consecutivas entre 2002 e 2005, igualando o recorde de seis vitórias detido pelo piloto Ron Haslam. Em 2011 e 2012, continuou a vencer e em 2019 obteve o recorde histórico de nove vitórias. A exposição está patente até ao dia 2 de Abril.

Arte | Museu do Palácio de Pequim terá centro em Macau

O famoso e reputado Museu do Palácio, sediado na Cidade Proibida, em Pequim, vai ter um centro em Macau. A notícia é avançada pelo diário China Daily, que escreve que o projecto pode estar concluído no prazo de dois a três anos. O centro deverá focar-se na protecção do património e na produção de produtos criativos

 

Macau terá, dentro de dois ou três anos, um centro que será a representação do Museu do Palácio, situado na Cidade Proibida, em Pequim. Segundo o jornal China Daily, este centro terá duas “principais funções”, nomeadamente a protecção do património cultural de Macau e a produção de peças culturais relacionadas com o museu que serão vendidas ao público. Dong Dan, directora do departamento de intercâmbio internacional do Museu do Palácio, disse que o objectivo é que “o centro de Macau seja diferente da nossa representação em Hong Kong, que exibe, na maioria, peças emprestadas de Pequim”.

Uma vez que Macau e Hong Kong são dois territórios muito próximos, Dong Dan entende que os turistas poderão visitar as peças na região vizinha e depois complementar a sua visita e experiência em Macau. A responsável acrescentou que a presença do Museu do Palácio em Macau visa divulgar mais a cultura chinesa.

O Museu do Palácio de Hong Kong já teve mais de 900 mil visitantes desde que abriu em Julho do ano passado, tendo expostas 900 peças emprestadas do museu em Pequim, nomeadamente trabalhos de caligrafia, cerâmica e artefactos culturais relacionados com as famílias dos imperadores chineses que outrora viveram na Cidade Proibida, símbolo do poder imperial e um dos locais históricos mais conhecidos em todo o mundo.

Ligação de longa data

Dong Dan lembrou à mesma publicação que “Macau é um destino turístico popular”, esperando que “os turistas de todo o mundo que visitam [o território] levem para casa os nossos produtos e aprendam mais sobre a cultura chinesa”. Estes dados foram avançados numa conferência de imprensa que aconteceu na sexta-feira.

A implementação deste centro na RAEM não constitui uma novidade em termos de cooperação com o Museu do Palácio, uma vez que o território já acolheu 31 exposições com peças e trabalhos cedidos pelo Museu do Palácio desde 1991.

A última mostra revelou as tradições imperiais da Dinastia Qing, que governou o país entre 1644 e 1911, intitulando-se “Auspicious Beginning: Spring Festival Traditions in the Forbidden City” [Um Começo Auspicioso: As Tradições do Festival da Primavera na Cidade Proibida].

Outro exemplo de uma exposição organizada em parceria com o Museu de Arte de Macau, em 2021, foi “Quintessência da Porcelana dos Fornos Imperiais da Dinastia Ming da Colecção do Museu do Palácio”, onde se apresentou uma selecção de 120 peças representativas dos fornos imperiais produzidas nos períodos de regência dos imperadores Hongwu a Wanli (1368–1620) da Dinastia Ming, todas provenientes da colecção do Museu do Palácio.

Escavações no estrangeiro

Além das duas regiões administrativas especiais, o Museu do Palácio tem procurado expandir a cultura chinesa para outros países, tendo estado envolvido, desde 2014, em projectos arqueológicos em países como a Índia, Quénia, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão e Quirguistão.

Este ano, o museu planeia avançar com uma cooperação de cinco anos com a Universidade de Durham, no Reino Unido, a fim de participar numa escavação arqueológica que irá decorrer na costa sudeste do Golfo Pérsico.

Estão também em andamento negociações com o Departamento de Arqueologia da Universidade de Teerão, no Irão, tendo Wang Xudong, director do Museu do Palácio, explicado na mesma conferência que todos estes projectos se baseiam nas relações de mútua amizade.

“A cooperação na área da arqueologia é um sinal de amizade entre nações. Podemos enriquecer a nossa cultura aprendendo a partir dos outros, e iremos estar envolvidos em mais programas estrangeiros no futuro”, frisou.

Alibaba | Empresário Jack Ma regressa à China após mais de um ano de ausência

O fundador da gigante chinesa do comércio electrónico Alibaba, Jack Ma, regressou à China após uma ausência de mais de um ano, informou o jornal diário de Hong Kong South China Morning Post.

O empresário desapareceu da vida pública chinesa em 2020, depois de ter criticado o sistema de supervisão financeira do país, após os reguladores chineses suspenderem a oferta pública inicial da Ant Group, empresa tecnológica para o sector financeiro da Alibaba, ao abrigo de regulamentos mais restritivos para o sector.

Desde então, Ma tem-se mantido discreto. Vários meios de comunicação social internacionais escreveram sobre viagens que terá feito ao estrangeiro, nomeadamente a Espanha, Tailândia e Japão. O magnata chinês, que se especulou estar detido, visitou ontem uma escola na cidade de Hangzhou, fundada por executivos da Alibaba em 2017, de acordo com uma reportagem exclusiva do South China Morning Post.

Ma, que deixou a presidência da Alibaba em 2019, discutiu questões como a educação e a inteligência artificial durante a visita, ainda de acordo com o jornal. O valor das acções da gigante do comércio electrónico subiram 4,28 por cento pouco depois das 13:00 horas locais na bolsa de Hong Kong, onde está cotada.

Pequim permitiu ao sector tecnológico crescer durante anos sem apertada regulamentação, mas em 2020 iniciou uma campanha de controlo que resultou nos últimos anos em pesadas penalizações para várias empresas do sector.

China | Vendas de carros usados com forte expansão em Fevereiro

As vendas de automóveis usados na China registaram uma recuperação robusta em fevereiro, impulsionadas pela crescente procura e forte recuperação do mercado após a Festa da Primavera, indica o Diário do Povo.

No mês passado, cerca de 1,46 milhão de veículos usados mudaram de mãos no país, um aumento de 35,48 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Associação de Distribuidores Automobilísticos da China.

Nos primeiros dois meses deste ano, mais de 2,7 milhões de veículos de segunda mão foram negociados na China, um aumento anual de 5,68 por cento.

O mercado de carros usados recuperou o forte ímpeto em Fevereiro e a procura reprimida continuará a trazer grandes oportunidades de mercado, avalia a associação, acrescentando que a nova política da China para incentivar operações comerciais em grande escala e padronizadas no sector promoverá o desenvolvimento saudável do mercado.

A associação expressou optimismo quanto às futuras perspectivas do mercado e observou que, à medida que as empresas de automóveis usados recuperam a confiança, espera-se que o mercado experimente uma recuperação gradual.

Espionagem | Cidadão japonês vai ser alvo de processo

O homem é empregado da companhia farmacêutica japonesa Astellas e foi um alto responsável da Câmara de Comércio e Indústria do Japão na República Popular da China. Estava prestes a regressar ao Japão

 

Um cidadão japonês detido na República Popular da China é suspeito de espionagem e vai ser processado, disse ontem o governo de Pequim. “O cidadão japonês é suspeito de envolvimento em actividades de espionagem, em violação do Código Penal e da Lei Anti-Espionagem da República Popular da China”, disse Mao Ning, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim.

“As autoridades chinesas tomaram medidas coercivas” contra o suspeito com vista ao estabelecimento de um “processo”, disse a mesma porta-voz durante uma conferência de imprensa.

Ontem, antes das declarações do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Tóquio apelou à libertação “sem grandes demoras” do cidadão japonês.

A embaixada de Tóquio em Pequim foi informada “este mês de que um japonês, com idade entre os 50 e os 60 anos, tinha sido detido em Pequim por violar as leis chinesas”, disse ontem o porta-voz do Governo do Japão, Hirokazu Matsuno.

O porta-voz nipónico acrescentou que o consulado de Tóquio na capital da República Popular da China já pediu às autoridades de Pequim para “visitar” o cidadão japonês.

A história repete-se

O homem que foi detido é um empregado da companhia farmacêutica japonesa Astellas, confirmou à agência France Presse fonte da empresa, recusando-se a prestar mais declarações. Segundo a imprensa de Tóquio, o cidadão detido trabalhava na República Popular da China há duas décadas.

A agência de notícias japonesa Kyodo, indicou que se trata de um “antigo alto responsável da Câmara de Comércio e Indústria do Japão na República Popular da China” e que foi detido pouco antes da data que tinha previsto para “regressar”.

“A China é um país que respeita o Estado de Direito. Os cidadãos estrangeiros na China devem respeitar as leis chinesas. Os que não respeitam a lei e cometem crimes ou delitos são processados”, disse Mao Ning. “Nos últimos anos, verificaram-se casos semelhantes em que estão implicados cidadãos japoneses. O Japão deve disciplinar melhor e ‘pôr na ordem’ os próprios cidadãos”, acrescentou Mao.

Em Outubro de 2019, um professor universitário japonês foi detido em Pequim e acusado de espionagem tendo sido libertado um mês depois da detenção.

A missão diplomática aos Jin recriada por Yang Bangji

Wang Hui (1632-1717), que foi convocado para a capital para dirigir uma das maiores e mais complexas pinturas feitas sobre um rolo de seda (67,8 x 2227, cm, tinta e cor, no Museu do Palácio Nacional, em Pequim) para ilustrar o alardo da corte na primeira Viagem ao Sul do imperador Kangxi realizada em 1689, imprimiu o seu prestigiante carimbo numa outra antiga pintura cuja não menor complexidade é de outra natureza.

Esta pintura onde também figura, entre outros, o ilustre carimbo do mestre de Suzhou Wen Zhengming (1470-1559) é um objecto raro da pintura narrativa de paisagens, resultado de um tempo e uma conjuntura histórica invulgar. O rolo a que, na ausência de qualquer inscrição contemporânea, é conferido o título Missão diplomática ao território dos Jin (rolo horizontal, tinta e cor sobre seda, 26,7 x 142,2 cm, no Metmuseum) mostrando um lugar aprazível entre montanhas envoltas em névoas, num estilo que suaviza as monumentais paisagens dos Song do Norte, ilustra afinal uma situação trágica. Que o coleccionador Chen Rentao (1906-1968) esclarece, num comentário colado no rolo:

«Estendendo esta pintura sente-se vivamente a humilhação do derrotado regime dos Song e a arrogância dos Jin, através do silêncio da tinta e do pincel.»

A sua autoria, na ausência de assinatura ou carimbo do autor, é atribuída a Yang Bangji (c.1110-1181), o filho de um alto funcionário de origem Han da dinastia Song que quando ela foi derrotada em 1127, e a corte foi de Kaifeng para o Sul estabelecendo a nova capital em Hangzhou, e a sua família executada, escapou escondido num mosteiro budista. Nascido em Huayin (Shaanxi) foi também funcionário, agora ao serviço dos Jin (Jurchens) e beneficiou como se percebe na pintura, do acesso a colecções privadas e às que ficaram guardadas em palácios imperiais, deixadas atrás pela dinastia em fuga.

Yang Bangji retrata um breve evento num posto de descanso no caminho que os diplomatas da dinastia Song do Sul faziam até à corte dos Jin, além da fronteira constituída pelo rio Huai, entre os dois grandes rios Huanghe e Changjiang.

Três altos pinheiros crescem ao lado de uma construção com uma mesa no meio, já vazia, diante da qual quatro homens a cavalo, com as vestes e as cores que distinguem os graus que possuem os funcionários dos Song, como o púrpura do mais graduado ao verde ou branco, preparam-se para partir.

Um homem de pé levanta o braço em despedida. À sua frente, do lado esquerdo dois cavaleiros com chapéus dos Jin vão enérgicos, um deles com um rolo às costas; do lado direito, músicos cujos instrumentos como as flautas típicas dos Jurchen mas também o qin dos Han, o que faz datar a pintura dos anos de 1141-61 quando os soberanos Xizong e Hailing que reinaram entre 1135 e 1161 adoptaram a complexa e fascinante cultura dos Song que Wang Hui continuou.

Sobre as tradições Chan e Terra Pura no budismo chinês

Do século V ao século X a China presenciou a formação do que é hoje categorizado, historiograficamente, como as “oito escolas” do budismo setentrional. A esse conjunto pertencem as escolas Três Tratados, Tiantai, Mente Apenas, Guirlanda de Flores, Vinaya, Tântrica, Chan e Terra Pura. Muito resumidamente podemos dizer que as escolas Três Tratados e Mente Apenas são, diferente das outras, tradições indianas recebidas pelo budismo chinês. A escola dos Três Tratados é derivada diretamente da escola indiana Madhyamika, do monge Nagarjuna — considerado um santo, um “segundo Buda”. Tal escola foi levada à China pelo monge tradutor Kumarajiva.

A escola Mente Apenas, também de origem indiana, deve sua origem aos escritos dos irmãos Asanga e Vasubandhu (sécs. IV ou V). Na Índia tal escola é denominada Yogachara, que significa “aplicação do yoga”. Como seu nome deixa entrever, a escola Mente Apenas tem seu foco na noção de que todos os fenômenos são produtos da mente.

Essas duas escolas indianas constituem o que se pode chamar de totalidade da tradição budista do norte — tradição que se difundiu do norte da Índia para a Ásia Central, China, Japão, Coreia, Vietname, Tibete e Mongólia.

As demais escolas, todas de origem chinesa, acabaram por ser absorvidas pelas únicas tradições com alguma constância institucional ao longo da história. Essa absorção significa que, no seio das escolas ainda institucionalizadas, algumas de suas práticas e literaturas permanecem importante material de estudo. As escolas ainda existentes, como já é possível imaginar, são justamente as que nomeiam este texto: Chan e Terra Pura.

Entretanto, embora mestre Hsing-Yün diga textualmente que “actualmente na China, somente as escolas Ch’an e Terra Pura ainda dispõem de componentes institucionais”, devemos relativizar tal afirmação. Embora as duas tradições tenham, de fato, presença marcada no contexto chinês atual, há debates indicando que Terra Pura nunca se consolidou enquanto escola institucional autônoma, sendo antes uma prática difundida e disseminada por muito do universo budista chinês.

Contrapondo tal problemática ao claro cenário budista japonês — em que há instituições Terra Pura fundadas por Honen (1133-1212, fundador da Escola da Terra Pura) e Shinran (1173–1263, fundador da Verdadeira Escola da Terra Pura) —, Mestre Sheng Yen é categórico: “não existe Escola da Terra Pura.” E isso porque, no contexto chinês, o que se evidenciava era um fato muito diverso do caso institucional japonês, em que templos são filiados a mosteiros cuja denominação responde diretamente às escolas da Terra Pura mencionadas.

Na China, pelo contrário, templos e mosteiros não mantinham tais filiações estritas, e um templo era considerado “Terra Pura” quando seu abade orientava a prática da recitação do nome do Buda Amitabha. Tal recitação, esta sim, é a prática Terra Pura mais característica, que visa — soteriologicamente falando — fazer o devoto renascer na Terra Pura do Buda Amitabha, um reino criado pela compaixão desse buda, onde as condições para atingir a iluminação seriam consideravelmente facilitadas.

Tal recitação do nome — comumente escrita nien fo (ou nian fo, 念佛) — associava determinado templo à Terra Pura, se tal prática fosse nele difundida. Entretanto, por faltar o elemento institucional que caracterizaria uma escola, a prática de nian fo nem sempre sobrevivia a seu próprio incentivador, e após a morte do abade o templo passava a ser centro de outras práticas budistas, usualmente Chan.

Uma suposta fusão entre escolas, portanto, não faria sentido nesse contexto fluido e não-institucional do budismo chinês. Por isso a revisão historiográfica de Robert Sharf questionou sobremaneira tal definição acadêmica, mostrando extensamente que no período medieval a China não possuía uma escola Terra Pura e outra Chan, mas ambas as formas de prática se apresentavam em conjuntamente, com maior ou menor prevalência a depender das circunstâncias.

Referências:

1. HSING-YÜN, Venerável Mestre. Conceitos fundamentais do budismo. Sintra: Zéfiro, 2010, p. 161.
2. HSING-YÜN. Op cit. 2010, p. 159.
3. HSING-YÜN. Op cit. 2010, p. 169.
4. SHENG YEN. Master. The Dharma Drum Lineage of Chan Buddhism: Inheriting the Past and Inspiring the Future. Taipei: The Sheng Yen Education Foundation, 2010, p. 60.
5. SHENG YEN. Idem.
6. SHARF, Robert. On Pure Land Buddhism and Ch’an/Pure Land Syncretism in Medieval China. In: T’oung Pao 88, no. 4-5, June, 2003, pp. 282-331.
7. Ainda hoje, tanto na China como em Taiwan, perguntar a um monge algo como “a que escola este templo pertence?” não parece fazer sentido. A resposta quase sempre evidencia que tais escolas e tradições budistas bem podem ter existido, historicamente, mas não é algo a que devamos nos apegar. O Reverendo Joaquim Monteiro também relata esse tipo de reação, que já pudemos presenciar tanto no Brasil quanto em Portugal ou Taiwan, em uma palestra disponível em vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=a7w_OV2yOjo&feature=youtu.be

Covid-19 | Governo nega encobrimento de número de mortos

As autoridades de saúde precisam de mais tempo para avaliar “a taxa de excesso de mortalidade relacionada com a pandemia”. Apesar de o número de óbitos ter aumentado exponencialmente durante o maior pico de infecções por covid-19, Macau apresenta uma taxa de mortalidade muito abaixo de outros países e regiões

 

“Não há qualquer encobrimento de casos de morte causados por infecção por covid-19, sendo que o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus tem divulgado, ao longo dos anos, os casos de morte devido à infecção por covid-19”, asseguraram os Serviços de Saúde ao HM.

Ao longo dos três anos de pandemia, Macau registou 121 óbitos relacionados com infecções por covid-19. Depois do pico pandémico no Natal, na sequência do levantamento das restrições da política de zero casos de covid-19, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong, admitia que cerca de 70 por cento da população de Macau estava ou já tinha sido infectada com covid-19. A governante ressalvou que não podia garantir com rigor o número de infectados, porque esta estatística dependia da declaração voluntária.

Partindo da estimativa de Elsie Ao Ieong, adiantada no início de Janeiro, nessa altura o número de infecções rondaria os 470.960 casos. Face ao número total de óbitos avançados pelo centro de coordenação de contingência, podemos verificar que a taxa de mortalidade relacionada com covid-19 em Macau foi de 0,025 por cento, percentagem francamente inferior comparada com outros países e regiões. Por exemplo, já com a ómicron a ser variante dominante, no final de Abril do ano passado, a taxa de mortalidade no Japão era de 0,38 por cento, em Portugal 0,58 por cento, em Singapura 0,11 por cento e na Coreia do Sul 0,13 por cento.

A baixa incidência de óbitos relacionados com covid-19 em Macau pode ser explicada pelas apertadas restrições fronteiriças, o elevado índice de vacinação e a primeira grande vaga de infecções se ter verificado com a variante ómicron, mais contagiosa, mas menos letal que as anteriores.

Neste domínio, as autoridades de saúde acrescentam que, “ao longo dos anos, as políticas de prevenção de epidemias de Macau e da China têm sido consistentes, com a adopção de políticas de prevenção de epidemias, com a meta dinâmica de infecção zero, de modo a evitar a ocorrência da epidemia, durante um período em que a força patogénica do vírus, é muito elevada”.

Além disso, os SS sublinham as campanhas de incentivo à vacinação contra a covid-19, que deram “tempo ao sistema de saúde de Macau” para se preparar, “de modo a minimizar o impacto da epidemia do novo tipo de coronavírus em Macau”.

Mudança de paradigma

Apesar de o número de óbitos resultantes de doenças respiratórias ter aumentado significativamente em Dezembro e Janeiro, as autoridades não conseguem ainda contabilizar até que ponto a pandemia representou um factor determinante para o aumento. Recorde-se que em Janeiro, o número de óbitos provocados por doenças respiratórias subiu quase 1.700 por cento face ao mesmo mês em 2022.

Sobre a metodologia usada pela RAEM neste campo, os SS indicaram ao HM que é baseada na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde da Organização Mundial de Saúde e nas disposições nacionais.

“As estatísticas da causa de morte devem ser definidas com base na ‘causa principal’. Se o doente sofrer de outras doenças, como sejam as de natureza crónica ou as de tumores em fase terminal, e vier a falecer devido à pneumonia causada pelo covid-19 ou, pelo agravamento das doenças crónicas, a causa principal da morte é a doença crónica ou que padeça previamente de tumor”, é explicado pelos SS.

Contas por fazer

No ano passado morreram 2.992 pessoas em Macau. O registo não tem paralelo na história do território desde 1970, quando começaram a ser registados os dados oficiais. O pico de mortes foi atingido em Dezembro, quando morreram 773 pessoas, recorde mensal face ao segundo pior mês, ocorrido em Janeiro de 2016, quando se registaram 250 óbitos.

Tendo em conta o pico pandémico de Dezembro e Janeiro, o HM perguntou aos SS e ao gabinete da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura quantas pessoas infectadas com covid-19 teriam morrido em Macau, independentemente da causa de morte, sem obter resposta.

Durante esta fase, as pessoas admitidas nos hospitais e instalações dos Serviços de Saúde, assim como os visitantes, teriam de ser testadas à covid-19, ou mostrar teste rápido de antigénio negativo. Ou seja, mesmo que a causa de morte não fosse atribuída à pandemia, seria possível saber quantos pacientes hospitalizados teriam testado positivo à covid-19 antes de ser declarado o óbito.

Os Serviços de Saúde acrescentam que para ter um panorama mais concreto sobre a mortalidade relacionada com a pandemia é preciso “avaliar o impacto da epidemia de doenças infeciosas no número de mortes numa região” e calcular a “taxa de excesso de mortalidade”.

Para tal é preciso contabilizar “o número de mortes no período de um ano após o surgimento da epidemia, com a diferença entre o número de mortes ocorridas no mesmo período e as que ocorreram por doenças infecciosas, incluindo as mortes relacionadas com a Covid-19, o agravamento das doenças crónicas, o impacto da pandemia no sistema de saúde e na sociedade”.

Neste domínio, as autoridades indicam que “Macau precisa de mais tempo para avaliar de modo objectivo, a taxa de excesso de mortalidade relacionada com a pandemia”.

PJ | Detido por transportar óleo de canábis em noodle instantâneo

Um residente local foi detido depois de ter tentado entrar em Macau, vindo de Zhuhai, com óleo de canábis, escondido numa embalagem de sopa de fitas instantânea. De acordo com a versão da Polícia Judiciária (PJ), o homem comprou o óleo de canábis online, na Tailândia, e pediu que fosse transportado para Zhuhai dentro de um saco de molho das embalagens de sopa de fitas instantânea.

Contudo, as autoridades de Zhuhai terão percebido o conteúdo pacote e alertaram a PJ para a possibilidade de um residente de Macau ir tentar entrar no território com droga.

Quando o sujeito passou a fronteira para Zhuhai já estava a ser seguido, e no regresso, a PJ procedeu à sua detenção, num dos parques de estacionamento nas Portas do Cerco.

Foram descobertas 5,61 gramas do óleo de canabidiol, avaliadas em oito mil patacas no mercado negro. Após esta primeira busca, a PJ fez também investigações no carro e na casa do indivíduo, onde encontrou um cigarro electrónico com dois cartuchos que também continham óleo de canábis.

Por sua vez, o sujeito confessou que anteriormente tinha o hábito de consumir canábis. Porém, depois de regressar a Macau, em 2019, disse ter desistido do consumo, até que recentemente viu este tipo de produtos à venda na Internet.

No entanto, a PJ suspeita que o homem está envolvido no crime de tráfico de droga, pelo que foi indiciado pelo consumo ilícito e tráfico ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas.

Cotai | Inscrições abertas para ver aves migratórias

A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) aceita, a partir de hoje, inscrições para a observação de aves migratórias nas Zonas Ecológicas do Cotai. O “Dia aberto ao público” acontece nos dias 15 e 29 de Abril, às 10h e 15h, contando com 100 vagas. A visita terá a duração de duas horas, sendo orientada por guias.

No dia 15 de Abril decorre, nos mesmos horários, o workshop “Actividade educativa sobre a natureza”, para pais e filhos, com dez vagas. O passeio “Observação de pássaros nas zonas húmidas” acontece a 29 de Abril, às 9h30 e 14h30, realizando-se pela última vez nesta época das aves migratórias, tendo 40 vagas disponíveis.

Entre 2022 e 2023, durante a época de passagem das aves migratórias, foram observados 34 colhereiros-de-cara-preta e cinco colhereiros-europeus no período de pico nas Zonas Ecológicas do Cotai. À medida que a época das aves migratórias se aproxima do fim, os diversos tipos de aves migratórias vão, uns após outros, abandonando Macau, sendo necessário esperar pela próxima época de passagem das aves migratórias para as poder ver regressar de novo a Macau para passarem o Inverno.

MUST | Fundação condenada a pagar mais de 680 mil patacas a ex-professora

A fundação proprietária da Escola Internacional de Macau recusou pagar mais de 841 aulas de trabalho extraordinário e deduziu do salário da docente o subsídio do Governo de desenvolvimento profissional

 

A Fundação da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, em inglês) foi condenada a pagar mais de 680 mil patacas a uma antiga professora, devido à falta de pagamento de 841 aulas de trabalho extra. A informação consta de uma decisão do Tribunal de Segunda Instância (TSI), tomada no final do mês passado, e que condenou a fundação ao pagamento de 50 mil patacas por duas violações à lei da contratação de trabalhadores não residentes.

Segundo o acórdão do tribunal, a trabalhadora não residente foi contratada pela Fundação da MUST para exercer as funções de professora do ensino primário, entre 2014 e 2019. A única instituição da fundação da MUST que disponibiliza este tipo de ensino é a Escola Internacional de Macau (TIS, em inglês).

Entre 2016 e 2019, ficou provado que a queixosa leccionou mais de 3.009 aulas, das quais 841 foram aulas extraordinárias não pagas. O número significa que uma em cada quatro aulas leccionadas pela docente correspondem a trabalho extra.

Segundo os argumentos da MUST, a disciplina “English Language Learner” não conta verdadeiramente como aulas, porque servia para melhorar o inglês e não para aprender novos conteúdos. Seguindo esta lógica, a fundação argumentava que as aulas faziam parte de outras funções e estavam incluídas nos diferentes contratos entre as duas partes, que implicavam um salário que variou entre as 30.584 patacas e as 32.667 patacas mensais. O Tribunal Judicial de Base e o TSI recusaram este entendimento.

Dedução do salário

Para o pagamento das 680 mil patacas, o tribunal teve também em conta a dedução no salário da docente do subsídio de desenvolvimento profissional.

De forma a incentivar a formação contínua dos docentes, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) distribui dinheiro directamente aos professores das instituições com fins não-lucrativos.

No entanto, a fundação exigia à docente que declarasse o dinheiro recebido no âmbito do subsídio, que era depois deduzido do salário dos meses seguintes. Desta forma, a fundação da MUST utilizava o montante para cumprir as suas obrigações.

“O subsídio de desenvolvimento profissional é um apoio para os professores das instituições de ensino sem fins lucrativos apostarem no seu desenvolvimento profissional, para que participem em iniciativas de aprofundamento profissional e obterem outros graus de formação”, consideraram os juízes do TSI. “A Fundação queria utilizar os subsídios do Governo para pagar o salário dos trabalhadores”, foi acrescentado.

Face a estas duas queixas, a fundação da MUST foi condenada a pagar 680 mil patacas à ex-professora e mais 50 mil patacas, por ter cometido duas contravenções relacionadas com deduções ilegais no salário e o não pagamento de trabalho extraordinário.

Pereira Coutinho pede ponto de situação sobre Parque Industrial Transfronteiriço

“Qual é o ponto de situação relativamente ao tipo de indústria do funcionamento das unidades fabris a exercer as actividades em pleno funcionamento na Zona de Macau do Parque Industrial Transfronteiriço Zhuhai-Macau”, pergunta Pereira Coutinho, numa interpelação escrita divulgada ontem.

O deputado quer saber a situação das unidades fabris “instaladas nos terrenos concedidos por via dos contractos de arrendamento para fins industriais, ou outras por contratos de subarrendamento a outras fábricas”, assim como “informação relativa ao licenciamento ambiental, ao número de trabalhadores, e volume de exportações”.

Pereira Coutinho aponta baterias também ao Parque Industrial da Concórdia, afirmando que há praticamente duas décadas que a informação sobre os parques industriais é escassa, limitando-se a “notícias avulsas veiculadas pela comunicação social. Assim sendo, o deputado lamenta a falta de informação sobre a “qualidade e definição dos projectos, e dos serviços desenvolvidos, para as zonas geridas pela Sociedade para o Desenvolvimento dos Parques Industriais de Macau (SDPIM).

Questão de milhões

Face à falta de informação, Coutinho perguntou qual a visão estratégica e os planos previstos pelo Governo para que o Parque da Zona de Macau do Parque Industrial Transfronteiriço Zhuhai-Macau possa contribuir para a criação de novas pequenas e médias empresas, fomentar a modernização do parque industrial, contribuindo para a estabilização do mercado de emprego.

O deputado recorda que o Governo da RAEM injectou aproximadamente 400 milhões de patacas no fundo de construção do Parque da Zona de Macau do Parque Industrial Transfronteiriço Zhuhai-Macau. Deste valor, 48,8 milhões de patacas foram gastos na construção de aterros, 105 milhões de patacas no Edifício do Posto Fronteiriço no Parque Industrial Transfronteiriço, 146 milhões de patacas no Edifício Industrial e 110 milhões de patacas para construir uma estação de tratamento de águas residuais. A zona de Macau do referido parque entrou em funcionamento em Dezembro de 2006.

Combustíveis | Ella Lei alerta que preços continuam demasiado elevados

Face a uma inflação cada vez mais alta, a deputada considera que o Governo tem mostrado falta de vontade em cumprir as suas obrigações ao nível da supervisão dos preços dos combustíveis

 

Apesar de nos últimos meses o preço do barril de petróleo ter sofrido uma redução significativa, os consumidores não sentem a diferença nos postos de abastecimento. O alerta foi deixado pela deputada Ella Lei, ligada ao Operários, que pede às autoridades que assumam as funções de supervisão.

“Segundo as autoridades, em Macau, preço de venda no mercado de retalho em Março de 2022 e Março de 2023 era de 13,67 patacas por litro e de 14.16 patacas por litro, respectivamente, no que representou um aumento de 3,58 por cento”, começou por indicar a deputada. “Em comparação, no mesmo período, a média do preço dos três índices de referência do petróleo caiu de 111,61 dólares americanos para 80,14 dólares americanos, o que representa uma redução do preço de 39,26 por cento”, revelou.

Para a deputada, os preços praticados em Macau são assim totalmente incompreensíveis. “Apesar de o preço final também estar relacionado com outros factores, como o preço de transporte ou os custos de exploração dos postos de abastecimento, o factor mais importante é o preço da matérias prima”, vincou Ella Lei. “Os preços dos combustíveis em Macau mantêm-se altos, ou até ficam mais caros, em vez de reflectirem a redução dos mercados internacionais”, acusou.

A legisladora pergunta ao governo o que tem feito para estudar e justificar uma variação que aparenta ser desligada de qualquer lógica de um mercado concorrencial.

Dá cá aquela palha

Ella Lei apontou também o dedo às autoridades porque face às críticas da concertação de preços, se limitam a afirmar que permitem a entrada de novos distribuidores no mercado e a instalação de mais postos de abastecimento, sem que haja “efeitos significantes” na redução do preço.

Sobre a supervisão, Lei deixa mesmo a entender que o Governo tem feito quase tudo para evitar assumir as suas funções e combater a concertação de preços dos distribuidores. Segundo a deputada, o assunto foi abordado na Assembleia Legislativa, mas o Governo tem evitado imitar o que melhor se faz nesta zona do mundo ao nível da supervisão dos distribuidores de combustíveis.

Por outro lado, Ella Lei recorda que com a nova lei de protecção do consumidor as autoridades ficaram com todos os poderes necessários para perceber o peso de todos os factores que contribuem para o preço final dos combustíveis. Contudo, segundo a deputada, o Governo tem encontrado todo o tipo de desculpas para não fazer a recolha dos dados e muito e muito menos divulgá-los à população.

Educação | Secretária promete aposta no ensino superior

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, promete que o Governo vai apostar ainda mais no ensino superior, para aumentar a competitividade regional. “No futuro, o Governo da RAEM irá continuar a prestar atenção ao aperfeiçoamento dos trabalhos relacionados com o ensino superior de Macau, e a criar um sistema de ensino superior mais competitivo a nível regional”, prometeu a secretária.

Elsie indicou também que o Executivo, em parceira com “as instituições de ensino superior”, vai formar “diferentes tipos de quadros qualificados necessários ao desenvolvimento social” e promover “a diversificação adequada da economia de Macau, de modo a integrá-la melhor na conjuntura global de desenvolvimento nacional”.

Num discurso proferido na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), Elsie Ao Ieong U apelou à instituição para que mantenha uma conduta patriótica e que aproveite as oportunidades de desenvolvimento.

“Desejo que a MUST continue a aproveitar as oportunidades de desenvolvimento, formando quadros qualificados de alta qualidade de Macau que tenham a pátria no coração e que possuam não apenas vastos conhecimentos, como também virtudes”, afirmou.

Por outro lado, elogiou a instituição: “A MUST é, hoje em dia, uma universidade abrangente que tem influência não só em Macau, mas também no Estado e no mundo. Em 2023, a MUST foi ainda classificada entre as 250 melhores universidades mundiais, conforme lista publicada pela revista Times Higher Education”, recordou.

Cooperação | Rocha Vieira considera que relação com a China é “um trunfo”

O último governador da administração portuguesa, Rocha Vieira, está em Macau para receber um doutoramento honoris causa da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau

 

As “boas relações históricas” com a China são “um trunfo para Portugal”, que pode ajudar a melhorar os laços entre Pequim e a União Europeia, disse ontem o último governador da administração portuguesa de Macau.
Vasco Rocha Vieira realçou que a história do território deu “um conhecimento privilegiado” da China a Portugal, que pode “influenciar destinos, dar opiniões e aconselhar” Bruxelas na relação com Pequim.

O último governador de Macau (1991-1999) apontou que a China é “uma superpotência em afirmação” e que Lisboa pode “contribuir para que haja respeito, progresso e paz”, num mundo marcado por “uma instabilidade muito grande”.

Em Março, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês disse à Lusa que mantém com Portugal laços amigáveis, de longo prazo e “mutuamente benéficos”, “alinhados com os interesses de ambos os lados”. A resposta surgiu depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, ter afirmado que Portugal teria de “rever o significado do relacionamento político e económico” com a China, caso Pequim prestasse apoio militar à invasão russa da Ucrânia.

Rocha Vieira falou aos jornalistas depois de receber um doutoramento honoris causa da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, que tinha sido atribuído em Abril de 2022, correspondente a 2021, mas que só foi agora entregue devido às restrições da pandemia de covid-19.

Aposta no português

O general disse que “um outro grande trunfo” para Portugal é o interesse na China pela língua portuguesa, sublinhando o número crescente de universidades chinesas que ensinam português. No final de 2020, o Coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa da Universidade Politécnica de Macau, Gaspar Zhang Yunfeng, disse que havia cerca de 50 instituições de ensino superior com cursos de português na China continental.

“A China está interessada em que o português se desenvolva (…) também para poder ter, através de Portugal, uma relação mais estreita com os países de língua portuguesa”, salientou Rocha Vieira. O general, que é também curador da Fundação da Escola Portuguesa de Macau (EPM), defendeu “mais interesse” por parte do Governo de Portugal e maior diálogo com o estabelecimento de ensino, “a mais importante instituição de matriz portuguesa” na região.

Em Fevereiro, o presidente da direcção da EPM descreveu “uma situação de esgotamento” e sublinhou que a escola “não pode continuar a crescer, sob pena de diminuir a qualidade do seu serviço educativo se não houver condições”.