PCC | Xi sugere modelo chinês e sublinha que a China é “construtora da paz”

No discurso que marcou o 105º aniversário do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping afirmou que a China conseguiu em poucas décadas o que os países desenvolvidos demoraram séculos a atingir, exaltando o modelo chinês como exemplo a seguir. O Presidente defendeu ainda que o PCC esteve sempre do lado certo da história

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, propôs ontem a industrialização conseguida na China como novo modelo de progresso para os países em desenvolvimento. Xi, que cumpre o 14.º ano no poder, afirmou que a China alcançou “em poucas décadas” aquilo que os países desenvolvidos demoraram “séculos” a conseguir.

“Defendemos a construção de uma comunidade com um futuro partilhado para a humanidade, oferecendo a sabedoria, as soluções e a força da China para enfrentar os grandes desafios da humanidade”, afirmou Xi, durante a cerimónia que assinalou o 105º aniversário da fundação do Partido Comunista Chinês (PCC), no Grande Palácio do Povo, em Pequim.

A China, que há muito contesta a predominância dos Estados Unidos na ordem internacional, tem defendido que não pretende substituir o sistema internacional, mas reformá-lo de forma a reflectir melhor os interesses dos países em desenvolvimento.

No discurso, o Presidente chinês afirmou que o mundo entrou numa nova fase de turbulência e transformação, colocando a humanidade “numa encruzilhada”, e reiterou o compromisso de promover um “novo tipo de relações internacionais” para impulsionar a paz e o desenvolvimento mundiais.

As declarações retomaram vários dos temas centrais do discurso proferido por Xi no centenário do PCC, em 2021, incluindo a necessidade de reforçar as capacidades militares da China e de concretizar a “reunificação” com Taiwan.

O líder chinês defendeu ainda que “resolver a questão de Taiwan” e alcançar a “reunificação” da China constitui uma “tarefa histórica” do Partido Comunista Chinês. Além disso, apelou ao aprofundamento dos intercâmbios e da integração entre as duas margens do estreito de Taiwan e prometeu combater de forma “firme” as “forças separatistas” favoráveis à “independência de Taiwan” e a “ingerência externa”, numa referência indirecta aos Estados Unidos.

Eliminar vírus internos

O líder chinês defendeu a aceleração do processo de modernização das Forças Armadas para atingir “padrões de nível mundial”, reiterando, ao mesmo tempo, a necessidade de preservar a liderança absoluta do Partido Comunista sobre os militares. Nos últimos anos, vários generais de alta patente foram afastados no âmbito da campanha anticorrupção promovida por Xi, que analistas consideram também servir para reforçar a lealdade das Forças Armadas à liderança chinesa.

Xi Jinping afirmou que o PCC deve “eliminar todos os vírus” que corroem o “organismo saudável” e a pureza do partido, para que “nunca mude de natureza nem de cor”, numa passagem dedicada à disciplina interna. A mensagem surge após vários anos de campanha anticorrupção e de purgas que atingiram altos responsáveis civis e militares, incluindo antigos dirigentes do Exército de Libertação Popular e membros da cúpula do partido.

Numa nota mais positiva, o secretário-geral do PCC afirmou que a China é “construtora da paz mundial”, “contribuinte para o desenvolvimento global” e “defensora da ordem internacional”. O líder chinês argumentou que ao longo de 105 anos, o PCC “esteve sempre do lado certo da História e do progresso da civilização humana” e sustentou que a “modernização chinesa” ampliou as vias de desenvolvimento para os países do Sul Global.

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