Hong Kong | Pelo menos 13 pessoas morreram num incêndio Hoje Macau - 27 Nov 2025 As imagens do fogo que alastrou pelos blocos de apartamentos com capacidade para 2.000 pessoas faz adivinhar uma tragédia de grandes dimensões Pelo menos 12 pessoas morreram ontem num incêndio que se alastrou a vários edifícios num complexo habitacional de Hong Kong, segundo a imprensa chinesa, sublinhando que havia pessoas presas nos apartamentos. Segundo o portal do South China Morning Post, 12 pessoas, incluindo um bombeiro, morreram e pelo menos outras 16 ficaram gravemente feridas no fogo que devastou o bairro de Tai Po. As outras 11 vítimas mortais eram oito mulheres e três homens, segundo fontes citadas pelo meio de comunicação. As chamas consumiram andaimes de bambu em todos os oito edifícios do bairro social, deixando vários outros moradores presos dentro dos apartamentos, segundo o portal de notícias chinês. O director do departamento de bombeiros local, Andy Yeung, disse aos jornalistas que um bombeiro estava entre os mortos e outro teve de receber tratamento médico por exaustão devido ao calor. Segundo a agência de notícias Associated Press (AP), vídeos do local mostraram pelo menos cinco edifícios próximos uns dos outros em chamas, com fumo a sair de muitas janelas de apartamentos, ao cair da noite. Os bombeiros combatiam as chamas lançando água a partir das escadas dos camiões da corporação. O violento incêndio lançou uma coluna de chamas e fumo denso enquanto se alastrava pelos andaimes de bambu e telas de protecção instaladas em redor dos prédios, localizados no distrito de Tai Po. Os registos mostram que o complexo habitacional é composto por oito prédios com quase 2.000 apartamentos. A polícia de Hong Kong disse ter recebido vários relatos de pessoas presas nos edifícios atingidos pelo fogo, mas não forneceu detalhes. Nível máximo O incêndio foi reportado a meio da tarde e, após o anoitecer, as autoridades elevaram-no para o nível 5 de alerta, o nível mais elevado de gravidade, segundo o departamento de bombeiros. As autoridades do distrito de Tai Po abriram abrigos temporários para as pessoas que ficaram sem casa devido ao incêndio. Tai Po é uma área suburbana nos Novos Territórios, na parte norte de Hong Kong e perto da fronteira com a cidade de Shenzhen, na China continental. Os andaimes de bambu são comuns em Hong Kong em projectos de construção e renovação de edifícios, embora o Governo tenha anunciado no início deste ano que iria começar a eliminá-los gradualmente dos projectos públicos devido às questões de segurança.
Edgar Martins vence Grande Prémio Sovereign Portuguese Art Prize 2025 Hoje Macau - 27 Nov 2025 O fotógrafo Edgar Martins venceu o Grande Prémio do Sovereign Portuguese Art Prize 2025, no valor de 25 mil euros, pela obra “Anton’s Hand is Made of Guilt”, inspirada no desaparecimento de um amigo em tempo de guerra. O anúncio foi feito esta terça-feira, dia da inauguração da exposição dos finalistas, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, durante uma visita para a imprensa, conduzida por Howard Bilton, fundador e presidente da Fundação Sovereign Art Foundation (SAF). Trata-se da quarta edição deste prémio anual, que é atribuído pela Associação SAF, filial portuguesa da Sovereign Art Foundation, criada em 2003 em Hong Kong para promover, apoiar e reconhecer a arte contemporânea e incentivar a produção artística, bem como financiar programas para crianças desfavorecidas em Portugal. A obra vencedora, que também está presente na colecção do Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM), é uma prova cromogénea, montada em alumínio e emoldurada, que faz parte da série “Anton’s hand is made of Guilt. No muscle of Bone. He has a Gung-ho Finger and a Grief-stricken Thumb” (2023). O trabalho de Edgar Martins explora temas como a guerra, o encarceramento, a migração, o urbanismo e a tecnologia, sendo que este projecto, em particular, se debruça sobre a morte e o desaparecimento de um amigo, o fotojornalista Anton Hammerl, durante a guerra da Líbia em 2011. Questões centrais O trabalho articula-se em torno de uma questão central: como narrar uma história sem testemunhas, provas ou vestígios, e na ausência do próprio referente fotográfico”, refere a informação do catálogo sobre a obra, acrescentando que “mais do que uma homenagem, este trabalho retrata uma história complexa, distorcida por ausências, que fala sobre as dificuldades de documentar, testemunhar e imaginar a guerra”. “Embora não tenda a categorizar o meu trabalho como fotografia, no sentido tradicional do termo, ele é, em praticamente todos os aspectos, fotográfico. E a fotografia, historicamente, não tem sido particularmente bem-sucedida quando é forçada a competir com outros meios. Por isso, recebi esta notícia com surpresa e entusiasmo em igual medida. É, naturalmente, uma enorme honra receber um prémio tão prestigiado. E, além disso, um privilégio saber que este apoio financeiro contribuirá directamente para o programa solidário da Sovereign Art Foundation, fazendo-me sentir parte de algo muito maior do que este feito artístico isolado”, declarou o vencedor, citado em comunicado. Para o presidente do júri, David Elliott, não tem sido tarefa fácil chegar a um vencedor, com a “variedade, profundidade e subtileza das obras finalistas”. “As ironias cruelmente selvagens que nos confrontam em cada noticiário diário fazem parte do tema da obra vencedora de Edgar Martins. Enraizada tanto no presente como no passado recente, foi desencadeada pelo ainda inexplicado desaparecimento e morte do seu amigo, o fotojornalista Anton Hammerl, durante a Guerra da Líbia em 2011. Continua a ser um crime sem testemunhas ou qualquer outra prova, um vazio que Martins abordou noutros trabalhos, bem como na obra vencedora ‘Anton’s Hand is Made of Guilt. No Muscle or Bone. He has a Gung-ho Finger and a Grief-stricken Thumb'”, afirmou o presidente do júri, citado pela organização. No feminino Este ano, pela primeira vez, foi instituído o Prémio Feminino, criado em parceria com a Sassy Women Society, no valor de dois mil euros, que distingue a finalista com maior pontuação, tendo a escolha recaído sobre a artista Alice Marcelino, pela obra “Black Skin White Algorithm”. As 30 obras finalistas vão estar expostas até ao dia 13 de Dezembro, data em que será atribuído o prémio do Voto Público, que pode ser feito presencialmente ou ‘online’, também no valor de dois mil euros. As 30 obras finalistas que vão estar em exposição foram escolhidas por um júri internacional composto por sete especialistas – Adelaide Ginga, Armando Cabral, David Eliott, Francisco Trêpa (que venceu o grande prémio em 2024), João Paulo Queiroz, Maura Marvão e Tim Marlow OBE – a partir de cerca de 200 artistas propostos por um painel de profissionais independentes das artes, incluindo críticos, curadores e académicos portugueses. Todas as obras finalistas estão disponíveis para compra e os lucros serão divididos igualmente entre os artistas e os programas de artes expressivas da SAF para crianças desfavorecidas em Portugal. O Sovereign Portuguese Art Prize é um galardão anual que celebra o trabalho de artistas contemporâneos a viver em Portugal e na sua diáspora, oferecendo reconhecimento internacional e apoiando financeiramente artistas, ao mesmo tempo que angaria fundos para crianças desfavorecidas em Portugal através da venda das obras finalistas.
Literatura | José Cordeiro, ex-docente em Macau, lança livro de crónicas Andreia Sofia Silva - 27 Nov 2025 É com a chancela da Oficina da Escrita que José Cordeiro, que foi professor de educação física em Macau durante vários anos, se estreia nas lides literárias. Depois de muitas crónicas escritas na rede social Facebook, o incentivo de amigos e leitores levaram-no a editar “Ao Invés, Pois Claro”, onde nem falta um texto sobre o que é ser macaense “Ao Invés, Pois Claro” é o título do primeiro livro de José Cordeiro, ex-residente de Macau e antigo professor de educação física no território. Com a chancela da Oficina da Escrita, o livro acaba de ser editado em Portugal e nasce de uma série de publicações, sobre diversos temas, publicados na rede social Facebook. Conforme a descrição da obra, trata-se não apenas de uma “colectânea de crónicas”, mas também “um convite à liberdade de pensamento, a exploração da dúvida e do conhecimento”, a “celebração de diversidade de opiniões” que é feita com uma “abordagem descontraída”. “Não tenho nenhuma orientação específica para fazer uma crónica, depende da disposição do momento. Não é algo doutrinário, não pretende influenciar nada. É um prazer pessoal que tenho, brincar com as palavras”, disse ao HM. Apesar de José Cordeiro sempre ter feito da actividade física a sua profissão, a verdade é que a ligação às letras sempre existiu. “Sempre gostei de brincar com as palavras. Só comecei a escrever de forma mais sistemática recentemente. Seleccionei algumas crónicas, como uma cozinha literária, em que se faz uma sopa e muita dela acaba por ir para o lixo”, exemplificou. Os temas são diversos e “batem em religião, política, amizade, em tudo e nada”. Uma das crónicas refere-se a Macau e ao ser macaense, uma questão da comunidade que José Cordeiro conhece bem. Em “Estado de sítio ou estado de espírito”, Cordeiro fala da existência da comunidade e diz que hoje, 25 anos depois, os macaenses vivem “as duas coisas”. “Pode ser um estado de sítio, por estarem circunscritos a uma comunidade, que é portuguesa em território chinês, e um estado de espírito, porque muita gente não vive em Macau, mas sente-se macaense vivendo fora”, frisou. “Ao Invés, Pois Claro” é um nome que nasce da vontade do autor ser “um pouco do contra”. “Dizem que sou teimoso, e, pois, parece-me [que sim]. Não comento os comentários que fazem às minhas crónicas, e quando lanço uma crónica ela deixou de ser minha naquele momento, passa a ser de quem a interpreta”, disse. O poder das redes sociais José Cordeiro acredita que “uma boa maneira de a pessoa disciplinar o raciocínio é escrever” e escrever “é uma maneira de disciplinar a minha intervenção nos contactos que faço com as pessoas”. É “ter uma ideia clara e, num primeiro princípio, expô-la. Foi numa onda de brincadeira que fui fazendo as coisas, escrevendo. Houve pessoas que gostaram dos textos e sugeriram que os publicasse”. “Digo que é um álbum porque, para mim, é outra coisa. É quando se toma um tema e ele é levado até ao fim”, frisou ainda José Cordeiro, que confessa que as redes sociais “vieram permitir tudo”, até dar a voz a novos autores. “Às vezes sinto-me incomodado com aquilo que se faz [nas redes sociais], mas eu sou responsável por mim e por aquilo que faço. Não tenho pretensões de doutrinar ou de querer levar alguém onde quer que seja. Sou um simples cidadão que gosta de brincar na minha cozinha literária, como costumo chamar”, disse. José Cordeiro está ainda a preparar uma sessão de lançamento da obra, mas a mesma já se encontra à venda em diversas plataformas online.
Turismo | Governo firma acordo com aplicação chinesa de mapas Hoje Macau - 27 Nov 2025 A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e a Gaode, empresa chinesa de mapas digitais, navegação e localização, assinaram um acordo de cooperação estratégica que culminou ontem no lançamento da plataforma “Viagem inteligente a Macau com um clique”. A função que pode ser usada na aplicação para telemóvel do Mapa Gaode disponibiliza informações da DST, como “eventos festivos, situações reais de pontos de interesse turístico, navegação de tráfego e itinerários de divertimento”, incluindo informação sobre alimentação, alojamento, viagens, entretenimento. A aplicação tem também uma “função de partilha, incentivando os utilizadores a trocarem sugestões práticas e estratégias de viagem”. Além disso, este ano, a Gaode classificou Macau como a primeira cidade prioritária dos “Super destinos no exterior”. A plataforma dedicada a Macau tem uma lista de estabelecimentos de rua, “reflectindo o grau de popularidade dos comerciantes de diferentes sectores”, ao mesmo tempo que sugere pontos de interesse em bairros comunitários.
Camboja | Suspeitas de lavagem de dinheiro em Macau João Luz e Nunu Wu - 27 Nov 2025 Empresas ligadas ao grupo Prince Holding e a Chen Zhi, acusado de cibercrime, tráfico humano e lavagem de dinheiro, realizaram negócios em Macau e Hong Kong. Uma das empresas foi a Companhia de Vinho Pou Long, que operou na RAEM e chegou a organizar um jantar de gala para idosos em 2020 Os tentáculos do polvo de um centro de burlas desmantelado no Camboja podem ter chegado a Macau e Hong Kong. Uma investigação do portal HK01 revelou que empresas relacionadas com o império criminoso do bilionário Chen Zhi operaram nas regiões administrativas especiais. O empresário chinês de 37 anos, é apontado como o “cérebro por trás de um império criminoso” e está no centro da maior apreensão de criptomoedas da história, com cerca de 14 mil milhões de dólares em bitcoins confiscados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Os esquemas funcionavam, alegadamente, em complexos industriais no Camboja, onde trabalhadores estrangeiros eram forçados a cometer burlas online sob vigilância armada. Segundo a publicação de Hong Kong, no universo empresarial Prince Holding, presidido pelo empresário de Fujian, contam-se companhias que tiveram negócios em Macau de venda de bebidas alcoólicas através uma rede de empresas que tinha como denominador comum um empresário também activo em Hong Kong: Qiu Yong. O empresário, que consta da lista de 146 empresas e pessoas sancionadas pelos Estados Unidos devido à alegada prática dos crimes acima referidos, é portador de passaportes do Camboja e Santa Lúcia, uma pequena ilha nas Caraíbas, e era o principal accionista de oito empresas sediadas em Hong Kong, duas das quais já dissolvidas. Uma das empresas sediada e a operar na região vizinha foi a Wine Mini Store Digital Economy Industry Company, liderada em conjunto com Ng Sang Lei, residente de Macau e portadora do passaporte da RAEM. Uma teia no delta A Wine Mini Store tinha morada comercial em Tsim Sha Tsui no mesmo local em que estavam sediadas várias empresas que o bilionário foragido Chen Zhi controlava de forma indirecta através de empresas offshore das Ilhas Virgens Britânicas e empresas de Hong Kong. Entre as empresas criadas e dissolvidas, conta-se a Companhia de Vinho Pou Long, com domicílio em Tsim Sha Tsui, que foi totalmente detida por Ng Sang Lei antes da anulação do registo comercial em Outubro deste ano. Segundo notícias avançadas em Macau no passado, a Companhia de Vinho Pou Long lançou uma série de actividades, incluindo um jantar de gala para idosos, em Janeiro de 2020, que contou com a presença de Qiu Yong. Em Fevereiro de 2020, durante a explosão da covid-19 em Wuhan, a Companhia de Vinho Pou Long doou 1,5 milhões de patacas e 60 mil máscaras para as autoridades provinciais. Em relação à residente de Macau, o HM encontrou referências a Ng Sang Lei no Boletim Oficial, quando foi autorizada pela Autoridade Monetária de Macau a exercer na RAEM a profissão de mediadora de seguros em Junho de 2019. Menos de 10 meses depois, a residente foi alvo de um processo de infracção.
Exposições | Mais eventos mas menos dinheiro Hoje Macau - 27 Nov 2025 Entre Janeiro e Setembro, foram realizadas 1.331 convenções e exposições em Macau, um aumento de 25,7 por cento em termos anuais, ou de 272 eventos. Os números foram divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). No entanto, e apesar de haver mais eventos, os lucros do sector foram inferiores aos de 2024. As receitas geradas pelos eventos de convenções e exposições foram de 3,72 mil milhões de patacas, o que representou uma redução de 9,4 por cento, face ao período homólogo, quando as receitas atingiram 4,10 mil milhões de patacas. A DSEC explicou a redução das receitas anuais “devido principalmente à queda do número de visitantes em geral oriundos do exterior que vieram às exposições”. A quebra foi mais acentuada entre Janeiro de Junho, com o terceiro trimestre a ser a excepção. Em relação ao terceiro trimestre, realizaram-se 385 eventos de convenções e exposições, um aumento anual de 10,3 por cento, e o número de participantes e visitantes foi de 567.000, mais 8,2 por cento, em termos anuais. As receitas foram de 2,02 mil milhões de patacas, um aumento anual de 9,8 por cento, dado que no terceiro trimestre de 2024 as receitas não foram além de 1,84 mil milhões de patacas.
Retalho | Volume de negócios com quebra de 5,4 por cento Hoje Macau - 27 Nov 2025 Entre Janeiro e Setembro, o volume de negócios do comércio a retalho apresentou uma redução anual de 5,4 por cento para 50,56 mil milhões de patacas. Os dados foram divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Entre as reduções, o volume de negócios de combustíveis para veículos a motor e o de artigos de couro baixaram 11,6 por cento e 11,1 por cento, respectivamente. No polo oposto, o volume de negócio das farmácias subiu 7,8 por cento. Ao mesmo tempo, o índice médio do volume de vendas dos estabelecimentos do comércio a retalho registou uma queda homóloga de 7,5 por cento. O índice médio do volume de vendas de relógios e joalharia desceu 19,6 por cento, enquanto o de farmácias cresceu 8,2 por cento. Em relação ao quarto trimestre do ano, a DSEC indica que 46,8 por cento dos retalhistas antecipam a estabilização do volume de vendas em termos anuais, enquanto 43,5 por cento prevêem a diminuição, ou seja, esperam que a situação ainda piore. No entanto, 9,7 por cento dos empresários mostrou-se optimista e espera melhorias. Apesar da quebra e da falta de optimismo, quando a análise é feita tendo apenas em conta o terceiro trimestre deste ano, o volume de negócios do comércio a retalho cresceu 2,2 por cento em termos anuais, para 16,96 mil milhões de patacas.
Turismo | Preços de quartos em hotéis de luxo caíram 1,8% Hoje Macau - 27 Nov 202527 Nov 2025 Em média, o preço dos quartos de hotéis de cinco estrelas em Outubro registou uma quebra anual de 1,8 por cento para cerca de 1.572 patacas, no mês da Semana Dourada. Nos primeiros 10 meses deste ano, a diminuição chegou quase aos 5 por cento O preço médio de um quarto num hotel de cinco estrelas no passado mês de Outubro foi de cerca de 1.572 patacas, valor que representou uma descida anual de 1,8 por cento. No mesmo mês, que incluiu os feriados da Semana Dourada, a taxa média de ocupação manteve-se em 94,2 por cento, semelhante ao verificado em 2024. Os dados foram avançados pelo portal GGR Asia, com base no inquérito mensal da Associação de Hotéis de Macau, que recolhe informação de 48 unidades hoteleiras, 27 das quais de cinco estrelas. Segundo a contabilidade da associação, os preços médios dos quartos em hotéis de cinco estrelas têm registado quebras anuais consecutivas nos últimos 16 meses. Recorde-se que o segmento cinco estrelas domina o mercado hoteleiro da cidade. De acordo com os últimos dados oficiais, relativos ao mês de Setembro, o total dos quartos em hotéis de cinco estrelas representavam quase 60 por cento de todos os cerca de 44 mil quartos disponíveis em Macau. A proporção é mais significativa tendo em conta que as estatísticas do Governo incluem estabelecimentos abaixo de três estrelas. Copo quase cheio Se em Outubro o preço médio de uma noite num quarto de hotel de cinco estrelas foi de 1.572 patacas, nos primeiros 10 meses de 2025 o preço médio é quase 60 patacas inferior ao registo mensal, somando 1.513 patacas, o que representa uma descida anual de 4,8 por cento. Porém, entre Janeiro e o fim de Outubro, a taxa de ocupação dos hotéis de cinco estrelas subiu 2,3 por cento em termos anuais, para uma média de 94,4 por cento. Tendo em conta todos os hotéis de Macau, independentemente do número de estrelas, nos primeiros 10 meses de 2025, a taxa média de ocupação chegou a 93,6 por cento, mais 2,1 por cento face ao mesmo período do ao passado. O preço médio de uma noite desceu 3,2 por cento para cerca de 1.352 patacas. Macau recebeu 3,47 milhões de visitantes em Outubro, mais 10,8 por cento do que no mesmo período de 2024 e o valor mais elevado de sempre para o mês em análise desde que o Governo começou a compilar dados mensais em 1998, ainda durante a administração portuguesa. Só entre 1 e 8 de Outubro, o período de feriados, entraram em Macau 1,14 milhões de turistas. Apesar dos recordes de entradas em Outubro, com o aumento de excursionistas ou turistas que optaram por alojamento fora de Macau, o número de pernoitas cresceu apenas 1,7 por cento.
Jardim Desportivo | Obras da Zona 1 adjudicadas por 1,34 mil milhões João Santos Filipe - 27 Nov 2025 A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) anunciou a atribuição da obra ao consórcio constituído pelo Grupo Construção Omas Limitada, Companhia de Engenharia de Túneis Shanghai S.A., e China Zhong Ji Indústria e Instalação (Macau) Lda. A construção da Zona 1 do futuro Jardim Desportivo para os Cidadãos, no antigo terreno do Canídromo, foi adjudicada 1,34 mil milhões de patacas, de acordo com a informação divulgada pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP). A obra foi adjudicada ao consórcio constituído pelo Grupo Construção Omas Limitada, Companhia de Engenharia de Túneis Shanghai S.A., e China Zhong Ji Indústria e Instalação (Macau) Lda. Este consórcio apresentou a nova proposta mais barata, entre as 17 admitidas no concurso público. Em relação ao período dos trabalhos, o consórcio comprometeu-se a finalizar as obras em 964 dias, o segundo período mais rápido. Este período foi igualmente apresentado por outras oito propostas. O júri do concurso preteriu a proposta do consórcio Companhia de Construção e Engenharia Rock-One, Limitada, Rock-One Imobiliária Empresa Limitada e Rock-One Desenvolvimento Empresa Limitada, que apresentava o preço mais baixo, de 1,27 mil milhões de patacas, assim como o menor prazo, num total de 913 dias. Plano de trabalho O Jardim Desportivo comporta uma área de 40.425 metros quadrados e vai estar dividido em quatro pavilhões, além de incluir uma pista de atletismo ao ar livre e uma cave. O primeiro pavilhão com quatro andares inclui duas piscinas, uma das quais para crianças, um campo de basquetebol, e uma pista de corridas e ciclovia. No segundo pavilhão, de seis andares, vão ser construídos um parque de skate, campos de ténis, zona de escalada, campos de voleibol e badminton. Em relação ao terceiro pavilhão, o projecto prevê uma construção com sete andares para albergar um campo de futebol de cinco, uma sala polivalente de dois andares, sala de actividades multiusos e espaços para actividades ao ar livre. Finalmente, o quarto pavilhão está pensado para as crianças, e segundo o projecto, prevê a construção de uma zona de actividades ao ar livre, um parque infantil e salas de aulas e de leitura. Na cave, terá lugar um parque de estacionamento público com 69 lugares para carros e 166 lugares para motos. Haverá um outro parque de estacionamento, a ser construído na segunda fase, com 415 lugares de estacionamento de veículos ligeiros e 425 para motos. As obras estão divididas em Zona 1 e Zona 2. Os trabalhos da Zona 1 vão arrancar primeiro e incluem a demolição das estruturas existentes no terreno e a construção dos pavilhões, excluindo o dedicado às crianças, a cave e o parque de estacionamento de menor dimensão.
DSPA | Comissão de serviço de director renovada Hoje Macau - 27 Nov 2025 A comissão de serviço de Ip Kuong Lam como director dos Serviços de Protecção Ambiental foi renovado pelo período de um ano, de acordo com um despacho publicado ontem no Boletim Oficial. Como acontece nestas situações, o despacho indica que o nomeado tem “experiência e capacidade profissional adequadas para o exercício das suas funções”. Ip Kuong Lam é licenciado e tem um mestrado em Engenharia Ambiental. Ingressou na função pública em 2001, e desempenhou as funções de técnico superior no Conselho do Ambiente, chefe do Departamento de Controlo da Poluição Ambiental da DSPA e subdirector da DSPA, entre 2014 e 2024, altura em que foi promovido ao cargo actual. IH | Mandato de Iam Lei Leng renovado O mandato do presidente do Instituto de Habitação (IH), Iam Lei Leng, foi renovado pelo período de um ano, de acordo com um despacho publicado ontem no Boletim Oficial. Iam foi nomeado pela primeira vez para estas funções em 2023, durante o período de Raimundo do Rosário como secretário para os Transportes e Obras Públicas. A renovação do mandato foi justificada com o facto de Iam ter “experiência e capacidade profissional adequadas para o exercício das suas funções”. Antes de ser nomeado presidente do IH, Iam Lei Leng chefiava o Departamento de Estudos do Instituto de Habitação, desde Março de 2015. O actual presidente entrou no IH, para a posição de técnico, em Abril de 1999, ficando no cargo cerca de um ano. Entre Junho de 2002 e Janeiro de 2006, passou para categoria de técnico superior. Finda esta missão, passou a chefiar os Assuntos Jurídicos do Instituto de Habitação, onde ficou até 2015. Comércio | António Lei exonerado de administrador-delegado António Lei Chi Wai foi exonerado do cargo de administrador-delegado do Conselho de Administração do Centro de Comércio Mundial Macau, de acordo com a informação divulgada ontem no Boletim Oficial. Lei vai ser substituído por Ao Weng Tong, actualmente membro do Conselho de Consumidores e que vai acumular ambas as funções. A decisão do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, foi publicada ontem no Boletim Oficial, mas entrou em vigor a 19 de Novembro. O despacho não deixa claro se António Lei Chi Wai vai continuar a desempenhar as funções de presidente da Comissão Executiva do Centro de Comércio Mundial Macau. Actualmente, António Lei tem uma remuneração anual de 1,2 milhões de patacas, pelas duas funções, que se for dividida por 12 meses representa um ordenado de 100 mil patacas.
Finanças | Reserva com maior subida até Setembro desde a pandemia Hoje Macau - 27 Nov 2025 Em nove meses, o valor dos activos da reserva aumentou 42,5 mil milhões de patacas, ultrapassando o registo do ano passado. A reserva financeira de Macau está no nível mais alto desde Abril de 2021, com um valor de 658,8 mil milhões de patacas A reserva financeira teve os melhores primeiros nove meses do ano desde 2019, antes do início da pandemia de covid-19, foi ontem anunciado. De acordo com um balanço publicado no Boletim Oficial pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), o valor dos activos subiu 42,5 mil milhões de patacas nos primeiros nove meses. Os dados oficiais mostram que este é o melhor arranque de ano desde os primeiros nove meses de 2019, período em que a reserva se valorizou em 64,7 mil milhões de patacas. De acordo com a AMCM, a reserva já se valorizou mais do que em 2024, ano em que os activos subiram 35,7 mil milhões de patacas, o valor anual mais elevado desde a pandemia. O ano passado registou o aumento mais elevado desde 2019, quando o valor da reserva financeira de Macau subiu 70,6 mil milhões de patacas. Só em Setembro, a reserva ganhou 5,49 mil milhões de patacas, atingindo 658,7 mil milhões de patacas, o valor mais elevado desde há mais de quatro anos. A reserva financeira de Macau está no nível mais alto desde o registado em Abril de 2021, com 658,8 mil milhões de patacas. Ainda assim, permanece aquém do recorde histórico de 663,6 mil milhões de patacas, atingido no final de Fevereiro de 2021, apesar do território estar então em plena pandemia. O interior do melão O valor da reserva extraordinária no final de Setembro deste ano era de 456,5 mil milhões de patacas e a reserva básica, equivalente a 150 por cento do orçamento público de Macau, era de 167,3 mil milhões de patacas. Investimentos subcontratados representam a maior fatia da reserva financeira de Macau, 281,3 mil milhões de patacas, que inclui ainda depósitos e contas correntes no valor de 265,4 mil milhões de patacas e até títulos de crédito no montante de 109,4 mil milhões de patacas. Em 2024, os investimentos renderam à reserva financeira quase 31 mil milhões de patacas, correspondendo a uma taxa de rentabilidade de 5,3 por cento, disse a AMCM, no final de Fevereiro. O orçamento inicial do território para 2025 previa uma subida de 7 por cento nas despesas totais, para 109,4 mil milhões de patacas. Mas a Assembleia Legislativa (AL) aprovou em Julho uma proposta apresentada pelo Governo para um novo orçamento, que inclui um aumento extra de 2,86 mil milhões de patacas nas despesas. Na terça-feira, a AL deu também luz verde, por unanimidade, ao orçamento para 2026, que prevê despesas públicas de 113,5 mil milhões de patacas.
Segurança nacional | Governo vai criar sistema de alerta para riscos Hoje Macau - 27 Nov 202527 Nov 2025 Prosseguem os debates tutelares sobre o relatório das Linhas de Acção Governativa para 2026. Ontem o secretário para a Segurança, Chan Tsz King, garantiu que em 2026 será criado um sistema de alerta de riscos para a segurança nacional O Governo de Macau prometeu criar, em 2026, um sistema de alerta de riscos para a segurança nacional e alertou para “actos de interferência e destruição” por parte de “forças externas”. O secretário para a Segurança apontou como meta para o próximo ano implementar “um sistema de indicadores de monitorização e de alerta de riscos relativos à defesa da segurança nacional”. Chan Tsz King, que até Dezembro de 2024 desempenhou o cargo de comissário contra a Corrupção, falava durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2026, na Assembleia Legislativa (AL). O ex-procurador prometeu “manter-se altamente vigilante face ao novo e complexo panorama” da segurança a nível internacional e alertou para “múltiplos factores de incerteza que possam comprometer a segurança do Estado”. Prevenção importa Macau irá “prevenir rigorosamente os actos de interferência e destruição [por parte] das forças externas”, garantiu Chan, ressalvando a importância de garantir a segurança em “eventos de grande envergadura”. As regiões de Macau, Hong Kong e Guangdong acolheram entre 9 e 21 de Novembr, a 15.ª edição dos Jogos Nacionais. Em 18 de Novembro, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, disse que Macau recebeu 2.480 pessoas nas delegações aos Jogos Nacionais. Mais de dois milhões de turistas passaram pela cidade durante o evento. Durante o debate de ontem das LAG, o deputado Lam Lon Wai defendeu a criação de “directrizes e procedimentos standardizados de segurança” para grandes eventos, incluindo concertos. Chan Tsz King, que tomou posse em 16 de Outubro, prometeu estudar a sugestão de Lam Lon Wai, mas sublinhou que as autoridades já têm “planos específicos [de segurança] para diferentes tipos de actividade”. O secretário disse que, este ano, a polícia “preveniu e investigou eficazmente os crimes contra a segurança nacional, dissuadindo e combatendo indivíduos anti-China e perturbadores de Macau”. Em 31 de Julho, as autoridades policiais locais anunciaram a detenção do ex-deputado e activista pró-democracia Au Kam San, cidadão português, no primeiro caso ao abrigo da lei de segurança nacional da região, que entrou em vigor em 2009 e cujo âmbito foi alargado em 2023. Na quinta-feira passada, o chefe da Delegação da União Europeia (UE) em Hong Kong e Macau escreveu nas redes sociais que se tinha encontrado com o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Anton Tai Kin Ip. “Também expressei preocupação com questões políticas”, acrescentou o britânico Harvey Rouse. Mas a representação da UE escusou-se a revelar se o caso de Au Kam San foi mencionado na reunião. Contrabando | Secretário realça estabilidade O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, salientou que a situação de segurança no território é estável. “Entre Janeiro e Outubro de 2025, a taxa da criminalidade em Macau desceu em comparação com o período homólogo de 2024”, disse destacando “a tendência de diminuição” em crimes como “violência grave, furto, roubo e burla informática”, pelo que “a segurança em geral se mantém estável e boa”. No entanto, Chan Tsz King frisou a ocorrência de vários casos de contrabando, sendo que só nos dez primeiros meses do ano foram interceptadas 108 pessoas “em idade escolar”, “mais sete vezes face ao período homólogo” do ano passado. O secretário falou ainda da ocorrência, este ano, de 126 casos de contrabando detectados pelos Serviços de Alfândega. “Temos estabelecido um mecanismo de comunicação com as escolas para reforçar o cumprimento da lei. Vamos recorrer a um mecanismo de cooperação com as três partes [Hong Kong, Macau e Guangdong] para combater o contrabando.”
Videovigilância ajudou polícia a resolver mais de 38 mil casos Hoje Macau - 27 Nov 2025 As câmaras de videovigilância terão ajudado a resolver mais de 38 mil casos desde que começaram a ser instaladas nas ruas da cidade. “De 2016 até agora conseguimos resolver 38 mil casos através” da rede de câmaras de vigilância, disse ontem aos deputados o comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU) de Macau, Leong Man Cheong. Durante as cinco primeiras fases do Sistema de Videovigilância da Cidade de Macau, conhecido como ‘Olhos no Céu’, foram instaladas mais de 1.920 câmaras em toda a região. Em 2023, os SPU disseram que o sistema tinha ajudado a investigar casos de homicídio, tráfico de estupefacientes, roubo, furto, fogo posto, posse de arma proibida, ofensas à integridade física e burla. Leong Man Cheong revelou que a sexta fase do ‘Olhos no Céu’ vai incluir a instalação de mais 800 câmaras de videovigilância até ao final de 2027, incluindo 120 numa nova ilha artificial, conhecida como zona A. “Já instalámos dez câmaras em vários edifícios de habitação pública, que entraram em funcionamento. Além disso, nas vias principais foram instaladas câmaras de vigilância”, acrescentou o comandante. Leong sublinhou que a instalação das restantes câmaras “tem de seguir o andamento técnico da construção” e urbanização da zona A. O responsável falava na Assembleia Legislativa durante o debate das Linhas de Acção Governativa para 2026, apresentadas pelo secretário para a Segurança, Chan Tsz King. A solução que falta No mesmo debate, Chan apontou as novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, como a solução para lidar com “a falta de pessoal” nas forças de segurança do território. “Ainda dentro de dois a três anos, vários trabalhadores chegarão à idade para se aposentarem, por isso vamos então verificar que o problema vai ser mais grave”, alertou o secretário. Mas Chan sublinhou que “todos os dirigentes” de Macau têm de “enfrentar certas limitações” devido à “política geral do Governo” para a contratação de funcionários públicos. “Temos que ser pragmáticos, realistas e também temos de ter em conta o recurso às novas tecnologias para colmatar esta falha”, defendeu o antigo procurador. Apesar das limitações, Chan garantiu que não desiste do combate ao trabalho ilegal e revelou que as forças de segurança detectaram, “até agora este ano”, 76 casos envolvendo 173 pessoas. Um aumento comparado com o mesmo período de 2024, em que a polícia registou 63 casos envolvendo 117 pessoas, sendo a maioria dos trabalhadores ilegais vindos do Interior da China, Hong Kong e sudeste asiático.
Consulta pública sobre nova lei de branqueamento de capitais em 2026 Andreia Sofia Silva - 27 Nov 2025 O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, garantiu que será lançada, nos próximos meses, a consulta pública para a revisão da lei de combate ao terrorismo e branqueamento de capitais. “Vamos aperfeiçoar os diplomas relacionados com a lavagem de dinheiro, e no próximo ano lançar a respectiva legislação e fazer a consulta pública, para que a futura proposta de lei conte com o consentimento de todos”, frisou o secretário. De frisar que a medida consta no relatório das LAG, lançado na última semana. Lê-se no documento que as alterações à lei de 2006, relativa à prevenção e repressão do crime de branqueamento de capitais, e ao regulamento administrativo, também desse ano, que legisla as medidas de natureza preventiva dos crimes de branqueamento de capitais e de financiamento ao terrorismo, visam “responder às últimas alterações introduzidas aos padrões internacionais de combate ao branqueamento de capitais e às tendências desta criminalidade”. Facilitar as contas Um dos deputados que falou da necessidade de aperfeiçoar esta legislação foi Ip Sio Kai. “Muitas vezes os titulares de cargos nas empresas deparam-se com problemas na constituição de sociedades tendo em conta os diplomas em vigor, e isso tem sido um impedimento e factor dissuasor. Quando uma conta é aberta tem de ser verificada várias vezes. Singapura é um centro financeiro e também tem sector do jogo, porque é que lá é tão fácil abrir contas e constituir sociedades em relação a Macau? No que diz respeito à segurança financeira não há um limite claro sobre as exigências, não se pode exigir em excesso em termos de requisitos, e as pessoas não sabem como proceder”, defendeu. Ainda assim, o deputado, ligado à área financeira, deixou elogios à actividade do Gabinete de Informação Financeira. “Os resultados têm sido bons e até recebemos elogios. Mas será que as autoridades podem definir e apresentar diferentes exigências em relação a riscos de diferentes níveis? Concordo que se faça uma revisão legislativa para aumentar as exigências.”
Taiwan | Japão envia aviões militares para ilha próxima após detectar drone chinês Hoje Macau - 26 Nov 2025 O Japão enviou ontem aviões militares para Yonaguni, a ilha japonesa mais próxima de Taiwan, após a detecção de um drone chinês, quando a tensão entre Pequim e Tóquio está a aumentar nas últimas semanas. “Confirmamos que um drone suspeito de ser chinês sobrevoou o espaço aéreo entre a ilha de Yonaguni e Taiwan na segunda-feira”, declarou ontem o Ministério da Defesa japonês na rede social X. A Força Aérea “enviou aeronaves” em resposta a este incidente, acrescentou o Ministério japonês. Na segunda-feira, a China criticou fortemente as declarações feitas no dia anterior pelo ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi. O ministro japonês, que estava em visita a Yonaguni, afirmou que o plano de instalação de mísseis terra-ar de médio alcance naquela ilha estava “dentro do prazo”. “O envio de armas ofensivas do Japão para as ilhas do sudoeste, próximas de Taiwan, visa deliberadamente criar uma tensão regional e provocar um confronto militar”, declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, numa conferência de imprensa. Ontem, Koizumi declarou aos jornalistas que os mísseis “não se destinam a atacar outros países (…) e claramente não contribuem para o aumento da tensão na região”. A tensão entre a China e o Japão aumentou desde que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou, em 07 de novembro, que as operações armadas contra Taiwan poderiam justificar uma intervenção militar japonesa para defender a ilha. A China, que reivindica Taiwan como parte do seu território, consideraram estas declarações como uma provocação. Yonaguni alberga uma base das Forças de Autodefesa do Japão desde 2016, apesar das objecções iniciais dos habitantes locais. Tóquio anunciou a sua intenção de implantar mísseis terra-ar de médio alcance na ilha para se defender de ataques de mísseis e aeronaves.
Arquitecto José Maneiras morreu na noite de segunda-feira João Luz - 26 Nov 2025 Partiu um dos decanos, “filho da terra”, da arquitectura moderna de Macau. José Maneiras faleceu na noite de segunda-feira aos 90 anos de idade. Nascido em Macau em 1935 e licenciado na antiga Escola de Belas Artes do Porto em 1962, José Maneiras dedicou a sua vida profissional a Macau, principalmente no plano arquitectónico, mas também cultural e político. O também arquitecto Carlos Marreiros, além da relação de amizade, profissional e institucional, conheceu José Maneiras desde a infância. “Ele era muito amigo da minha família, ia muitas vezes a casa do meu avô, e até me pegou ao colo”, conta ao HM. “Como cidadão era um homem consciente e activo, um homem de grandes princípios, de grande nobreza de alma e de grande independência. Não vergava ao dinheiro, nem ao poder. Um homem muito sério e um arquitecto extremamente honesto e competente”, afirma Carlos Marreiros. O apurado sentido de humor, que ia além de observações e episódios cómicos do quotidiano, era um traço de personalidade indissociável do arquitecto. “Ele sabia muitas anedotas e punha as pessoas a rir. Era um grande contador de estórias e o maior poliglota que conheci na minha vida. Era inteligente e arguto, lia muito bem a cidade. Intuía muito bem a política, onde teve um papel activo”. Recorde-se que no plano político e cívico, José Maneiras teve também uma vida cheia de actividade, desde a presidência do Leal Senado entre 1989 e 1993, ao papel activo no Centro Democrático de Macau. No pelotão da frente Um aspecto determinante na vida de José Maneiras foi a coragem com que abriu várias frentes, começando com o pioneirismo profissional. “O contributo dele para a cidade é muito importante, foi o primeiro filho da terra a regressar a Macau depois de se formar entre a geração de macaenses do pós-Segunda Grande Guerra Mundial”, conta Carlos Marreiros, que distingue José Maneiras enquanto “um dos decanos” da arquitectura macaense, juntamente com José Pereira Chan e Nuno Jorge. Não admira, portanto, que Maneiras tenha sido sócio n.º 1 da Associação dos Arquitectos de Macau. Longe dos tempos de abundância, Carlos Marreiros destaca a forma como José Maneiras acompanhou o primeiro boom de desenvolvimento de Macau, na década de 1970, que teria implicações no património histórico do território, à altura longe do reconhecimento internacional que hoje merece. “Sempre com um sentido crítico, opinativo e tecnicamente esclarecido”, Marreiros lembra como o amigo acompanhou esse período da história recente de Macau. “Até há bem pouco tempo ele participava em debates e seminários sobre a cidade. Tinha sempre uma opinião muito bem fundamentada”, lembra Carlos Marreiros. Em relação à obra que deixou, Marreiros destaca o centro para invisuais na zona da Areia Preta no norte da península, da Santa Casa da Misericórdia, as residências na Estrada do Visconde de São Januário e o bloco habitacional Conjunto São Francisco na Avenida da Praia Grande. José Maneiras desempenhou ainda um papel fundamental na pedozinação do Largo do Senado.
A Teoria da Vinculação e a nova “Astrologia” Tânia dos Santos - 26 Nov 2025 A teoria da vinculação, durante décadas confinada a artigos académicos e consultórios de psicologia, entrou pela cultura popular adentro. De um momento para o outro, encontramos pessoas a descrever-se como “ansiosas”, “evitantes” ou “desorganizadas” com a mesma facilidade com que declaram o seu signo astrológico. A linguagem clínica entrou no senso comum, os estilos de vinculação ganharam vida em memes e reels no TikTok, e a intimidade passou a ser comentada como quem lê um mapa astral. Eu sou assim, tu és assado. Há algo de irresistível nesta tendência. Em tempos de incerteza, a promessa de uma explicação clara para os nossos padrões emocionais tem um efeito quasi-terapêutico. A tipificação oferece um vocabulário: finalmente podemos expressar, em poucas palavras, porque é que nos sentimos agarrados demais numa relação ou desligados demais noutra. E, para muitos, há um genuíno alívio em reconhecer que certos comportamentos — a urgência de uma resposta, o impulso de desaparecer — não são aleatórias, mas estratégias aprendidas para sobreviver emocionalmente. No entanto, à medida que esta teoria se tornou mainstream, ganhou também um lado mais complicado. A velocidade das redes sociais simplificou conceitos complexos até quase perderem nuance. O que deveria ser uma lente tornou-se um rótulo; aquilo que poderia ajudar a compreender, começou a aprisionar. E é aqui que surge a frustração: a sensação de que a teoria da vinculação foi transformada numa espécie de determinismo emocional. É comum ouvir declarações como “sou evitante, é assim que sou”, ou “ele nunca vai conseguir dar-me o que preciso, porque é ansioso”. Cada uma delas revela, ao mesmo tempo, um desejo de entendimento e uma certa resignação. A tipificação, quando usada como sentença, dá conforto mas tira agência: facilita explicações, mas empobrece a complexidade da experiência humana. Mais grave ainda, pode servir para desculpar comportamentos ou para patologizar o outro. Contudo, a teoria da vinculação, quando aplicada com sensibilidade — especialmente em terapia de casal — torna-se uma ferramenta reveladora. Em vez de reduzir a pessoa ao seu padrão, permite olhar para o que esse padrão tenta proteger. Mostra que as nossas reações na vida adulta são ecos das primeiras experiências de cuidado; não são destinos, mas trilhos que podemos desviar, se os compreendermos. Pensemos no caso, tão frequente em terapia, do casal em que um parceiro procura contacto e o outro se retrai. À superfície, parece incompatibilidade. Mas, quando os dois começam a explorar a própria história, descobre-se que o que hoje se manifesta como “ansiedade” ou “evitamento” nasceu de contextos muito distintos. Há quem tenha crescido num ambiente onde o cuidado era inconsistente: ora presente, ora ausente. Essas pessoas aprendem a estar vigilantes, a interpretar qualquer silêncio como rejeição. Na relação adulta, aproximam-se mais quando têm medo de perder. Outras cresceram em famílias onde a autonomia era a única forma segura de existir. Aprenderam a não depender, a não pedir para não correr riscos. Na relação, afastam-se quando a intimidade se intensifica — não porque não sintam, mas porque sentir demais sempre foi perigoso. Quando estes dois mundos se encontram, formam um ciclo doloroso: quanto mais uma das partes procura ligação, mais a outra se retrai; e quanto mais esta se retrai, mais a primeira intensifica a procura. E é precisamente neste ponto que a tipificação se torna útil: iluminar padrões. Em terapia, quando um parceiro consegue dizer “não estou afastado porque não me importo, mas porque estou sobrecarregado”, algo muda. E quando o outro consegue reconhecer “não quero pressionar-te; só preciso de sentir que continuas aqui”, abre-se um espaço novo de vulnerabilidade. A teoria da vinculação permite, assim, transformar mal-entendidos em pontes. Dá linguagem aos silêncios, contexto às reações, humanidade aos desencontros. Mostra que ninguém é ansioso “porque sim”, nem evitante por essência: somos todos resultados de histórias complexas, moldados por aquilo que a vida nos ensinou sobre amor. O problema, portanto, não está na teoria, mas no modo como a cultura pop a simplifica. Quando reduzimos estilos de vinculação a caricaturas perdemos a oportunidade de ver a riqueza emocional que existe por trás dessas estratégias. E, talvez mais importante, esquecemo-nos de que a vinculação é maleável. No fim, talvez devamos olhar para esta tendência com o mesmo espírito com que lemos um bom horóscopo: um misto de curiosidade, leveza e sentido crítico. A teoria da vinculação pode ser um mapa precioso, desde que não confundamos o mapa com o território. As palavras, e as definições, só valem a pena se nos derem liberdade.
Jazz | Baterista tailandês Hong em concerto no sábado na FRC João Luz - 26 Nov 2025 O baterista de jazz tailandês Chanutr Techatana-nan, mais conhecido como Hong, irá actuar na galeria da Fundação Rui Cunha no sábado à noite. O músico será acompanhado em palco por elementos da Associação de Promoção do Jazz de Macau. A entrada é livre O motor rítmico de um dos mais reputados quartetos de jazz da cena asiática, o The Asian All-Stars Power Quartet, vai actuar ao vivo na Fundação Rui Cunha (FRC) no próximo sábado, a partir das 21h. Quem passar pela galeria da FRC poderá assistir à actuação do baterista tailandês Chanutr Techatana-nan, mais conhecido como Hong, acompanhado por elementos da Associação de Promoção do Jazz de Macau na interpretação de clássicos do jazz e algumas músicas originais. O músico é descrito pela organização do evento, a cargo da FRC e a Associação de Promoção do Jazz de Macau, como “uma figura de destaque na cena jazzística asiática, celebrado pelo estilo inovador de bateria que combina um swing groovy com intricados adornos polirrítmicos”. Além dos elogios às suas performances e presença de palco, Hong é um dedicado professor de música, vocação que aplica enquanto instrutor e coordenador do programa de estudos de jazz na Universidade Silpakorn, na Tailândia. Com uma carreira marcada pela colaboração com músicos conceituados e participação em festivais de prestígio em todo o mundo, “Hong é uma das figuras de influência no género musical, tanto como intérprete quanto como educador”. Com a ajuda dos amigos Nascido em Banguecoque em 1978, Hong actuou um pouco por tudo o lado onde soam ritmos de jazz na Tailândia. Em 2002, o seu virtuosismo foi reconhecido com o prémio de “melhor baterista” na Competição de Bateria da Tailândia, um evento organizado em cooperação com a Sociedade de Artes Percussivas. Uma das suas facetas enquanto educador musical que mereceu maior aclamação com o lançamento do DVD “Over the Barline”, que recebeu uma avalanche de críticas positivas. Porém, a associação de Hong ao pianista de Singapura Jeremy Monteiro, também conhecido o “Rei do Swing”, acabaria por levar o tailandês a actuar um pouco por todo o mundo, tanto com o The Asian All-Stars Power Quartet, como no trio Organamix. No quarteto, Monteiro e Hong são acompanhados pelo guitarrista de jazz de Hong Kong Eugene Pao, e o saxofonista filipino Tots Tolentino. Na sexta-feira, a partir das 18h30, a galeria da FRC volta a apresentar “Uma Noite de Piano”, numa sessão “aberta ao talento jovem” com a actuação de Anson Lai. O evento é coorganizado pela FRC e a Elite – Associação para a Criatividade e Cultura Musical e tem entrada livre.
Hong Kong proíbe importações de Santarém devido à gripe aviária Hoje Macau - 26 Nov 2025 A região de Hong Kong proibiu ontem a importação de carne de ave e derivados, incluindo ovos, do distrito de Santarém, na sequência da detecção de casos de gripe aviária. O Centro para a Segurança Alimentar (CFS, na sigla em inglês) de Hong Kong sublinhou que a decisão foi tomada “para proteger a saúde pública”, na sequência de notificações da Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH, na sigla em inglês). De acordo com dados oficiais citados num comunicado do CFS, o território semiautónomo chinês não importou carne de ave ou derivados de Portugal nos primeiros nove meses de 2025. O CFS disse já ter contactado as autoridades portuguesas e que vai acompanhar “de perto” a situação e as informações emitidas pela WOAH. “Serão tomadas as medidas adequadas em resposta ao desenvolvimento da situação”, acrescentou. O CFS também proibiu ontem, pelo mesmo motivo, a importação de carne de ave e derivados de algumas regiões da Polónia, Itália, Bélgica, Irlanda e Reino Unido. Em 18 de novembro, Hong Kong já tinha proibido a importação de carne de ave e derivados, incluindo ovos, do distrito do Porto, na sequência da detecção de casos de gripe das aves. Medida semelhante foi tomada no dia seguinte pela vizinha região chinesa de Macau. Doença confirmada Na segunda-feira, a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) portuguesa confirmou um foco de gripe aviária numa capoeira doméstica de galinhas e patos, no distrito de Santarém. De acordo com informação publicada pela DGAV, o número total de focos detectados, este ano, subiu para 39. A DGAV tem vindo a alertar que o risco de disseminação da gripe das aves é, neste momento, elevado em Portugal e pediu a adopção de medidas de segurança. As aves domésticas em estabelecimentos localizados nas zonas de alto risco, incluindo capoeiras domésticas e aves em cativeiro, têm de estar, obrigatoriamente, em cativeiro, de acordo com as regras determinadas pela DGAV. Já nas zonas de protecção e vigilância é proibida a circulação de aves, o repovoamento de aves de espécies cinegéticas, feiras, mercados e exposições, a circulação de carne fresca e de ovos para incubação e para consumo humano, bem como a circulação de subprodutos animais. A DGAV precisou que todas as infracções a estas normas serão punidas. Em 11 de Novembro, a DGAV alertou num edital que a gripe aviária provoca “mortalidade muito elevada, especialmente nas aves de capoeira”. Tal tem “um impacto importante (…) na produção avícola, uma vez que constitui motivo de suspensão da comercialização de aves vivas e seus produtos nas zonas afetadas e pode ser motivo de impedimento de exportação de aves e produtos”, acrescentou. A transmissão do vírus H5N1 para humanos acontece raramente, tendo sido reportados casos esporádicos em todo o mundo. Contudo, quando ocorre, a infecção pode levar a um quadro clínico grave.
Hong Kong quer banir duas organizações de exilados Hoje Macau - 26 Nov 2025 O secretário para a Segurança de Hong Kong, Chris Tang Ping-keung, disse ontem que quer banir duas organizações criadas no estrangeiro por exilados da região semiautónoma chinesa, que acusou de separatismo. Na segunda-feira, o Governo do território anunciou que estava a ponderar proibir a organização Parlamento de Hong Kong (Hong Kong Parliament), criada no Canadá, e a União Democrática para a Independência de Hong Kong (Hong Kong Democratic Independence Union; HKDIU), estabelecida em Taiwan. Num comunicado, o executivo de Hong Kong disse que tinha enviado notificações por escrito às duas organizações, permitindo-lhes apresentar alegações antes de uma eventual proibição. Ontem, numa conferência de imprensa, Chris Tang confirmou que os dois grupos têm uma semana para responder às alegações, mas deu a entender que a decisão já foi tomada. “Analisei as provas relevantes e acredito que a proibição é uma medida necessária para salvaguardar a segurança nacional”, sublinhou o dirigente. “O objectivo destas duas organizações é dividir o país e subverter o poder do Estado. Promovem a chamada autonomia, ou seja, a independência de Hong Kong, e o que descrevem como constituição de Hong Kong”, disse o secretário. “Na verdade, isto mina o sistema básico da nossa Constituição nacional e também prejudica o poder de Hong Kong e do nosso país”, garantiu Tang, citado pela imprensa local. O dirigente aconselhou os habitantes de Hong Kong a não participarem nas actividades das duas organizações e lembrou que, de acordo com a lei de segurança nacional aprovada em Março de 2024, arriscam uma pena de prisão de até 14 anos. Crimes e detenções Tang recordou que a justiça da cidade já emitiu mandados de detenção para 19 membros da organização Parlamento de Hong Kong e que um colaborador do grupo foi condenado a 12 meses de prisão. Em 13 de Novembro, um tribunal considerou Lan Fei, de 19 anos, culpada do crime de sedição por ter aparecido em dois vídeos, publicados em Abril e Maio, que promoviam a eleição para a organização Parlamento de Hong Kong. Quatro membros da União Democrática para a Independência de Hong Kong já foram detidos – incluindo um jovem de 16 anos – e estão a aguardar julgamento, enquanto um outro membro é procurado por apelar ao boicote das eleições para o parlamento local de 07 de Dezembro. Em 2018, o governo de Hong Kong baniu o Partido Nacional de Hong Kong, um movimento pró-independência, numa decisão sem precedentes desde a transferência de soberania da antiga colónia britânica, em 1997. John Lee Ka-chiu, o então secretário para a Segurança e actual líder do Governo, justificou na altura a proibição com a protecção da segurança nacional, da segurança pública, da ordem pública e da liberdade e dos direitos dos cidadãos.
Diplomacia | Xi defendeu junto de Trump a importância do regresso de Taiwan à China Hoje Macau - 26 Nov 2025 Numa conversa telefónica entre os dois presidentes, Xi Jinping enfatizou a importância de manter as boas relações alcançadas após a reunião em Busan e aproveitou para voltar a sublinhar que o regresso de Taiwan à China é uma parte importante da ordem internacional O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu junto do seu homólogo norte-americano a importância de o território de Taiwan voltar à China, que admite retomá-lo pela força, informou segunda-feira a agência de notícias chinesa Xinhua. Numa conversa telefónica entre ambos, o Presidente chinês disse a Donald Trump que os dois países devem “manter a dinâmica das suas relações” após a reunião de Outubro na Coreia do Sul e “sublinhou que o regresso de Taiwan à China é uma parte importante da ordem internacional do pós-guerra”, segundo a Xinhua. Xi também salientou que Pequim e Washington já “lutaram lado a lado contra o fascismo e o militarismo” e que agora “deviam salvaguardar conjuntamente os resultados vitoriosos da II Guerra Mundial”, de acordo com a agência chinesa. Trump e Xi reuniram-se pela primeira vez desde 2019 em Outubro, em Busan, na Coreia do Sul, e mantiveram conversações que foram acompanhadas de perto, no meio de uma guerra comercial entre os dois países. A batalha entre as duas maiores economias do mundo, que abrange tudo, desde terras raras a soja e taxas alfandegárias, abalou os mercados e interrompeu as cadeias de abastecimento durante meses. Xi também disse a Trump que a “bem-sucedida” reunião de Busan ajudou a “produzir impulso no movimento constante do gigantesco navio das relações sino-americanas”, de acordo com a agência de notícias France Presse (AFP). “Desde a reunião de Busan, as relações sino-americanas mantiveram-se estáveis e continuaram a melhorar, o que foi muito bem acolhido pelos dois países e pela comunidade internacional”, acrescentou Xi. Ameaças nipónicas Ainda na segunda-feira a China advertiu o Japão que o projecto de instalar mísseis perto de Taiwan é um desenvolvimento “extremamente perigoso”, depois de declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre a ilha nacionalista. “A implantação de armas ofensivas pelo Japão nas ilhas do sudoeste vizinhas de Taiwan visa deliberadamente criar tensões regionais e provocar um confronto militar”, disse a porta-voz da diplomacia chinesa Mao Ning em Pequim. Mao reagia a declarações do ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, que afirmou no domingo que o objectivo de colocar mísseis terra-ar em Yonaguni, a ilha japonesa mais próxima de Taiwan, estava “no bom caminho”. Os governos de Pequim e Tóquio estão envolvidos num clima de tensão desde que Takaichi afirmou em 07 de Novembro que operações armadas contra Taiwan podiam justificar uma intervenção militar japonesa para defender a ilha. Pequim, que reivindica Taiwan como parte do território da China, vê nas palavras de Takaichi uma provocação. Visita em Abril O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou segunda-feira uma visita a Pequim em Abril, que será retribuída com uma deslocação do seu homólogo aos Estados Unidos no final do próximo ano. Donald Trump fez o anúncio poucas horas depois de ter conversado com Xi por telefone, altura em que, segundo indicou, ambos discutiram assuntos como o conflito na Ucrânia, o combate ao opióide fentanil e o comércio de soja. A chamada telefónica ocorreu quase um mês depois de ambos se terem encontrado na cidade sul-coreana de Busan. As autoridades chinesas confirmaram o telefonema, sem mencionar as visitas de estado dos dois líderes, relatando que os assuntos discutidos incluíram a Ucrânia, comércio e Taiwan. Após a conversa, o líder da Casa Branca considerou, numa mensagem na sua rede Truth Social, a relação com Pequim como “extremamente forte”, mas não fez referência à sensível questão de Taiwan.
O Tranquilizante Caçador na Noite Fria de Gu Deqian Paulo Maia e Carmo - 26 Nov 2025 Xiao Yi (508-555), o imperador Yuan de Liang (552-555), mandou fazer um rolo de pinturas documentando, através dos retratos dos respectivos embaixadores, a quantidade de Estados vassalos que nas quatro direcções eram tributários do seu reino. Assim mostrando como eram diversas as faces e as vestimentas daqueles que viviam para lá das fronteiras. Com a passagem do tempo e os imprevistos das deslocações das cortes imperiais, esse rolo ter-se-á danificado mas durante a breve dinastia Tang do Sul (937-976) o seu terceiro e último imperador Li Yu (r. 961-976), que cultivava as artes do pincel descurando o governo do reino, ordenou que fosse feita, só a tinta, uma cópia. O uso da cópia como método permitiria a continuidade no tempo de ideias e percepções contrariando a fragilidade – dos limites da deterioração dos suportes e das próprias vidas dos autores. Ao pintor da corte em Jiankang (actual Nanquim, Jiangsu) escolhido para fazer essa Cópia dos convidados estrangeiros entrando na corte do imperador Yuan de Liang (Liang Yuandi fanke ruchao tu, no Museu do Palácio Nacional, em Taipé) são atribuídas outras duas pinturas que aludem de modos distintos à circulação e passagem de limites. No rolo vertical a tinta e cor sobre seda que lhe é atribuído, Lago de lotos e aves aquáticas, no Museu Nacional de Tóquio, está figurado o ciclo natural da flor de loto, desde o botão à flor até ao murchar das folhas e flores. Noutro rolo vertical designado Caçador de noite regressando a casa numa noite de neve (tinta e cor sobre seda, 114 x 61 cm, no Museu de Arte Aplicada de Francoforte, Angewandte Kunst, Frankfurt) vê-se a figura de um homem de aspecto zangado, para exprimir poderoso, de vestes requintadas para dizer que é nobre, com uma arma insólita, um tridente, de onde pendem dois animais mortos que podem ser dois arminhos. Vem caminhando na neve sob um penhasco acompanhado por um cão cuja coleira mais parece um colar. Na verdade essas figuras podem estar a contar outra história. Gu Deqian terá feito nessa pintura a reconhecível figura da religião popular e do daoísmo designada Erlang Shen, a «Divindade do segundo rapaz» com as suas vestes azuis de imortal, um cuidador e confiável protector, com o seu tridente sanchaji ou sanjian liangren qiang, «lança de três pontas de lâmina dupla» que xamãs manchus usavam para derrotar os espíritos maus que queriam atravessar a fronteira do outro Mundo. Aqueles que, como os arminhos (mustela erminea), eram vistos como errantes capazes de roubar e substituir as almas das pessoas. Erlang shen pode ver-se em várias representações, como aqui, acompanhado pelo cão preto xiaotian quan, o «uivante cão celestial». A neve vai derreter mas não haverá inundações porque Erlang shen não permitirá, no frio da noite o temível caçador é afinal uma figura de quietação.
Dengue | Registado novo caso importado Hoje Macau - 26 Nov 2025 Um homem com 29 anos foi identificado como o 31.º caso importado de febre da dengue ao longo deste ano. A informação foi divulgada ontem pelos Serviços de Saúde. “Trata-se de um homem de 29 anos que chegou a Macau vindo das Filipinas no dia 19 de Novembro para visitar familiares […] No dia da sua chegada, apresentou febre e dores musculares, mas não procurou assistência médica. No entanto, devido à persistência dos sintomas, no dia 23 de Novembro dirigiu-se ao Centro Hospitalar Conde de São Januário para receber tratamento”, foi revelado. O doente, com nacionalidade das Filipinas “encontra-se internado no hospital, com o estado clínico considerado estável”. As pessoas com quem coabitou não apresentaram “qualquer indisposição”. As autoridades procederam à eliminação química de mosquitos no local onde o homem ficou hospedado. Gripe | Doenças associadas em alta em Outubro Dados dos Serviços de Saúde (SS) relativos às doenças de declaração obrigatória mostram que, em Outubro, as patologias do foro da gripe dominaram, com 3.505 casos de influenza, 202 casos de infecção por enterovírus e 25 casos de escarlatina. Segundo um comunicado oficial, “as doenças que apresentaram alterações significativas em relação ao mês anterior foram a Influenza (aumento de 226,7 por cento), a infecção por enterovírus (aumento de 92,4 por cento) e a escarlatina (aumento de 25,0 por cento)”, é declarado. Relativamente aos casos de dengue, foram notificados em Outubro 12 casos, bem como 17 casos de febre chikungunya, três locais e 14 importados. Há um total de 45 doenças de declaração obrigatória.
Imobiliário | Empresários querem Governo a financiar juros João Santos Filipe e Nunu Wu - 26 Nov 2025 Apesar dos novos incentivos fiscais e da maior facilidade no acesso ao crédito para a habitação, representantes dos promotores e agentes imobiliários duvidam que as medidas invertam a tendência de queda dos preços e do número de transacções Embora o Governo tenha anunciado novas medidas de apoio ao mercado imobiliário, a Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau considera que as políticas são insuficientes, e pede ao Executivo que estude o financiamento dos juros do crédito bancário. Na semana passada, Sam Hou Fai anunciou com as Linhas de Acção Governativa (LAG) que os imóveis para habitação ficam isentos do pagamento do imposto de selo até ao valor de 6 milhões de patacas e num máximo de 120 mil patacas. Além disso, o presidente substituto do Conselho de Administração da Autoridade Monetária de Macau, Vong Sin Man, revelou que os limites do rácio dos valores dos empréstimos hipotecários destinados à aquisição de habitação vão ser aumentos de 70 por cento para 80 por cento. No entanto, as notícias são consideradas insuficientes no sector. Ao jornal Ou Mun, o presidente da Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau, Chong Sio Kin, apontou que com a entrada em vigor das novas políticas, haverá um maior incentivo à compra e venda de habitação. O empresário também reconhece que o mercado pode sentir um efeito benéfico a curto prazo, devido aos promotores que têm habitações novas para vender ou apartamentos em vias de estarem construídas. Contudo, Chong Sio Kin indicou que o sector não acredita que vá resultar num efeito substancial, pelo menos enquanto não forem adoptadas outras medidas. Neste sentido, o presidente da associação recordou que no passado, em 1996, o Governo lançou um regime de bonificação ao crédito para aquisição ou locação financeira de habitação própria. O programa previa que fossem pagos os juros até ao valor máximo de 4 por cento, num período que podia chegar aos 10 anos. O dirigente associativo espera que esta medida possa servir de exemplo para o futuro e que o Executivo estude a sua viabilidade. Efeitos limitados Chong Sio Kin ainda defendeu que o Governo deve seguir as práticas de Hong Kong, e implemente uma nova política de residência por investimento. Assim, os não residentes podem obter residência, a troco de investimento imobiliário. Além disso, o empresário sugeriu ao Governo que atraia activamente quadros qualificados para Macau, porque acredita que estas pessoas têm capacidade financeira para comprar habitação. Por sua vez, o presidente da Associação dos Agentes Imobiliários do Sector Imobiliário de Macau, Franky Fong, também concorda que as duas medidas do Governo podem impulsionar a curto prazo as transacções habitacionais e o volume pode atingir um crescimento anual de 10 a 20 por cento no próximo ano. Todavia, o responsável concluiu que o impacto máximo resultará numa estabilização da queda dos preços e do número de transacções, não se esperando um crescimento efectivo.