Consumo | Plano de incentivo com concertos não resultou, diz Governo Andreia Sofia Silva - 3 Ago 2026 O Governo, através da secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, admitiu que o modelo de incentivo ao consumo em bairros com menos turismo, com recurso a bilhetes de concertos, não teve os resultados esperados. “Após análise das experiências anteriores, o Governo da RAEM considera que ainda é possível melhorar o modelo de consumo nos bairros comunitários impulsionado pelos bilhetes de concerto”, disse a secretária em resposta às interpelações orais dos deputados Lee Koi Ian, Ngan Iek Hang e Wong Kit Cheng, apreentadas no hemiciclo. Ao reconhecer o fracasso do plano, a governante adiantou que “o Governo da RAEM irá optimizar o mecanismo de consumo conjunto dos bilhetes e empenhar-se na promoção de novas actividades culturais e desportivas”. Ficou ainda a promessa de estudar o “lançamento de mais medidas de benefícios de consumo nos bairros comunitários destinadas aos turistas, com vista a atrair mais visitantes para estes locais e dar um novo impulso à economia comunitária”. A secretária adiantou ainda aos deputados alguns dos “trabalhos prioritários” que pretende desenvolver para incentivar o consumo em zonas menos turísticas de Macau, como a colaboração “com associações industriais e comerciais na realização de actividades que integram elementos como feiras temáticas, benefícios de consumo, gastronomia, cultura e desporto”. Não faltam ainda os “itinerários turísticos comunitários temáticos” ou “ofertas exclusivas na restauração e comércio” em parceria com operadoras de jogo. Na resposta aos deputados, a secretária adiantou também que o “Plano Autocarro de Turismo e Lazer: Explorar o Encanto dos Bairros” fui usado por cerca de 20 mil pessoas. Recentemente o plano foi alterado, passando agora a incluir a zona do Fai Chi Kei “como novo ponto de paragem”.
PME | Aprovados planos para 20 novas lojas em Macau Andreia Sofia Silva - 3 Ago 20263 Ago 2026 Ng Wai Han, secretária para a Economia e Finanças, disse no hemiciclo que o “Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau” deu aprovação a 20 projectos para a abertura do primeiro negócio, isto entre 1 de Novembro de 2025 e Julho deste ano. Segundo adiantou a governante aos deputados, “alguns já abriram a sua primeira loja física em Macau e iniciaram operações em áreas como a restauração, desportos electrónicos (e-sports) e experiências imersivas de produtos, introduzindo novos modelos e serviços no território”. Além disso, “o plano registou, até à data, um total acumulado de cerca de 750 consultas, continuando a receber novas candidaturas”, disse. Uma das condições de acesso ao apoio é que os novos empresários contratem, no mínimo, “cinco trabalhadores locais a tempo inteiro”. Além disso, “com o intuito de incentivar as empresas a manter operação contínua, o apoio é concedido em três prestações: a primeira prestação de 40 por cento é concedida após a abertura e as duas restantes prestações (40 e 20 por cento) ficam condicionadas a acompanhamento e verificação periódicos pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento, sendo desembolsadas apenas após confirmação do cumprimento contínuo dos requisitos”. A secretária adiantou que quase metade das candidaturas, “cerca de 46 por cento”, relativas à primeira fase do programa, tem “localização em zonas específicas, nomeadamente no NAPE, na área de San Kio e na Areia Preta”. Estes dados foram referidos em resposta à interpelação oral do deputado Chan Lai Kei.
Comércio externo | Governo admite rever licenciamento Andreia Sofia Silva - 3 Ago 2026 A secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, admitiu que é necessário rever a Lei do Comércio Externo. Uma das mudanças irá passar por definir “prazos de validade das licenças de acordo com o nível de risco das mercadorias” O Governo promete rever algumas das disposições constantes na Lei do Comércio Externo. A garantia foi dada pela secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, na sessão plenária de sexta-feira, que serviu para responder a interpelações orais dos deputados. Em resposta ao deputado José Pereira Coutinho, a secretária explicou que o Governo “considera necessário rever a situação da aplicação da ‘Lei do Comércio Externo'”, nomeadamente no que diz respeito à revisão do Regulamento das Operações de Comércio Externo, datado de 2003. Ng Wai Han adiantou que uma das alterações passa pela “fixação dos prazos de validade das licenças por níveis de risco”, sendo que “para as mercadorias de alto risco, o prazo de validade das licenças será semelhante ao actualmente previsto, enquanto para as mercadorias de médio risco, o prazo será prolongado”. O Executivo quer ainda fazer o “ajustamento do âmbito de aplicação do regime de licenciamento”, onde as “mercadorias de baixo risco serão excluídas das actuais listas de importação e exportação, passando a reger-se pelo regime de declaração”. Digitalização em marcha Outra mudança que a secretária anunciou na sexta-feira, no âmbito do comércio externo, passa pela “preparação para a utilização múltipla das licenças electrónicas”. Assim, “será reservada margem, a nível jurídico, para proporcionar suporte institucional à futura utilização múltipla, dentro do prazo de validade, das licenças electrónicas requeridas através do sistema de declaração alfandegária electrónica”, para “reduzir os custos operacionais das empresas”. A secretária disse esperar que, com estas alterações, se possa “optimizar ainda mais o regime de gestão do comércio externo, facilitar o funcionamento das empresas e alcançar o seu objectivo de acção governativa de melhorar o ambiente de negócios”. Na interpelação oral, o deputado referiu a necessidade de modernização tendo em conta as novas necessidades com a cooperação entre Macau e Hengqin e a chegada da inteligência artificial (IA). Lembrando que a Lei de Comércio Externo de Macau de 2003 existe “há mais de 20 anos”, Coutinho referiu a necessidade de “actualizar e adaptar” o diploma para responder “aos desafios significativos derivado do aumento de postos e fluxo transfronteiriços, o impacto da IA e os desafios de competitividade regionais e internacionais”. O deputado realçou a “urgência da revisão”, sobretudo quanto à necessidade de “simplificar procedimentos administrativos, reduzir a burocracia e os custos de contexto tanto para as autoridades competentes como aos operadores económicos”. Quanto a Hengqin, deu o exemplo concreto da necessidade de “harmonização com os regimes especiais vigentes na Zona de Aprofundamento de Hengqin, nomeadamente o reconhecimento mútuo dos sistemas legais higio-sanitárias dos produtos perecíveis incluindo os enlatados, mariscos secos etc., implementando concretamente o princípio de circulação facilitada de mercadorias e o sistema de ‘duas linhas aduaneiras’”.
Plano de subsídios a combustíveis correu como previsto, diz Governo Andreia Sofia Silva - 3 Ago 2026 A secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, adiantou na Assembleia Legislativa (AL), na sexta-feira, que o plano de subsídios para combustíveis obteve os resultados esperados, não tendo adiantado se vai ou não lançar outra fase de apoios. “Os planos decorreram de forma tranquila e alcançaram os objectivos esperados de aliviar a pressão a curto prazo, estabilizar os preços e assegurar a vida da população”, disse, referindo-se aos “Plano de subsídio aos preços do gasóleo” e “Plano de subsídio aos preços do gás de petróleo liquefeito e da gasolina”, lançados nos dias 11 e 26 de Maio deste ano. Em resposta à interpelação oral do deputado Nick Lei, a secretária adiantou também que desde o lançamento destes apoios o grupo de trabalho criado pelo Governo tem “vindo a fiscalizar de perto a situação de execução por parte dos fornecedores de combustíveis aderentes aos Planos”. “Após a análise da evolução actual e futura do mercado internacional do petróleo, e tendo em plena consideração o princípio da utilização prudente dos recursos financeiros públicos, o Governo encerrou, como previsto, os dois planos de subsídio respectivamente nos dias 10 e 25 de Julho”, referiu ainda. A secretária esclareceu que têm sido realizadas, desde Março, “diversas reuniões com o sector petrolífero para se inteirar da situação do abastecimento e da importação de produtos combustíveis”, tendo sido exigido ao sector que “estabilize os preços e assegure um abastecimento suficiente”. Faça o favor Foi ainda feito um apelo “para ajustar, com a maior brevidade, os preços a retalho dos combustíveis em Macau em função da evolução dos preços internacionais do petróleo, em resposta às solicitações dos sectores industrial e comercial e às expectativas da sociedade”. A secretária destacou também que as autoridades continuam “a incentivar o sector para disponibilizar escolhas mais variadas de combustíveis no mercado local, nomeadamente para estudar a introdução de gasolina sem chumbo de 95 octanas”. Foi também apresentada uma proposta à área dos Transportes e Obras Públicas para que, “em futuros concursos públicos de adjudicação de terreno para novos postos de abastecimento de combustíveis, seja considerado exigir aos operadores a introdução de novas marcas e novas categorias de combustíveis”, frisou Ng Wai Han.
Japão | Sobe para 28 o número de mortos provocados pelo sismo Hoje Macau - 31 Jul 2026 O balanço das vítimas mortais do sismo de magnitude 7,1 que atingiu na terça-feira o sudoeste do Japão aumentou para 28, confirmou ontem um porta-voz do Governo japonês em conferência de imprensa. “O balanço subiu agora para 28 mortos, incluindo pessoas cujo óbito ainda está a ser investigado para determinar se está relacionado com o sismo”, declarou o secretário-geral do Governo japonês, Minoru Kihara. Segundo a Agência Meteorológica do Japão, o terramoto teve como epicentro a Prefeitura de Kumamoto, na ilha de Kyushu, no sudeste do país e foi seguido por dezenas de réplicas. A agência alertou que sismos de magnitude semelhante poderiam ocorrer nos próximos dias, e ainda para o risco de chuvas intensas nos próximos dias, que podem provocar deslizamentos de terra nas áreas já fragilizadas. As autoridades locais indicaram que mais de 300 pessoas ficaram feridas, várias em estado grave, e que cerca de 40.000 habitações permanecem sem electricidade. Equipas de resgate continuam a procurar desaparecidos em zonas de desabamentos de terra, enquanto o Exército japonês mobilizou 3.600 militares para apoiar operações de socorro. Centenas de equipas de socorro continuavam também a tentar alcançar sobreviventes nos escombros de um centro comercial em Kashima. O centro comercial tinha sido evacuado após o sismo, mas cerca de 50 minutos depois foi devastado por uma explosão, quando ainda estavam funcionários no interior.
Veículos eléctricos devem representar 29% das vendas mundiais em 2026 Hoje Macau - 31 Jul 2026 A Agência Internacional da Energia (AIE) reviu em alta a previsão para as vendas mundiais de veículos eléctricos este ano, estimando um crescimento de cerca de 10 por cento, que colocará a quota destes veículos nas vendas mundiais de automóveis em 29 por cento. A revisão consta de um relatório divulgado ontem pela AIE, apenas dois meses após a publicação das anteriores previsões. Segundo a AIE, as vendas mundiais de automóveis caíram cerca de 5 por cento no primeiro semestre, face ao mesmo período de 2025, sobretudo devido à contração dos dois maiores mercados, a China e os Estados Unidos. A agência atribui esta evolução às pressões económicas, num contexto marcado pelos efeitos da guerra no Médio Oriente, pelos elevados preços dos combustíveis e por alterações nas políticas públicas que afetam o sector automóvel. No caso dos veículos eléctricos, as vendas mundiais recuaram 1 por cento na primeira metade do ano, para cerca de nove milhões de unidades, reflectindo sobretudo uma quebra de 20 por cento na China, o maior mercado mundial deste segmento. Ainda assim, os veículos eléctricos representaram 24 por cento de todos os automóveis matriculados no mundo no primeiro semestre, mais um ponto percentual do que no período homólogo de 2025. A AIE destaca, no entanto, a recuperação registada entre Abril e Junho, quando as vendas globais de veículos eléctricos aumentaram 4 por cento face ao segundo trimestre de 2025 e 35 por cento em relação aos primeiros três meses do ano, ultrapassando as cinco milhões de unidades. A Europa registou o maior crescimento regional nas vendas de veículos elétricos no primeiro semestre, com um aumento de 30 por cento face ao mesmo período de 2025. Sobe, sobe Na União Europeia, os veículos eléctricos representaram mais de 30 por cento das vendas de automóveis entre Janeiro e Junho, face aos 27 por cento registados um ano antes, enquanto no Reino Unido a quota subiu para 38 por cento. A AIE salienta igualmente o forte crescimento em mercados como Austrália, Brasil, Índia, Coreia do Sul e Vietname, onde as vendas de veículos eléctricos praticamente duplicaram entre Março e Junho. Para o conjunto de 2026, a agência prevê que as vendas mundiais de veículos eléctricos aumentem cerca de 10 por cento, elevando a sua quota para 29 por cento do mercado automóvel mundial, um ponto percentual acima da estimativa anterior. A recuperação dependerá, em grande medida, da evolução do mercado chinês, onde a AIE estima vendas semelhantes às de 2025 e uma quota superior a 60 por cento. A queda de 20 por cento nas vendas de automóveis na China levou os fabricantes do país a reforçar as exportações em 65 por cento no primeiro semestre. No segmento dos veículos eléctricos, as exportações chinesas aumentaram 120 por cento, representando mais de 45 por cento de todos os veículos eléctricos produzidos no país. A AIE alerta que a entrada maciça destes automóveis em mercados internacionais, sobretudo se forem vendidos a preços reduzidos, poderá alterar significativamente a concorrência no sector.
Kuwait | Pelo menos um morto em ataque contra empresa chinesa Hoje Macau - 31 Jul 2026 Pelo menos uma pessoa morreu ontem num ataque atribuído ao Irão contra uma empresa chinesa no norte do Kuwait, afirmou o ministério da Defesa do país do Golfo Pérsico. “A hedionda agressão iraniana teve como alvo um edifício pertencente a uma empresa chinesa no norte do país, provocando a morte de um trabalhador e avultados danos materiais no imóvel”, afirmou o porta-voz do ministério da Defesa, Saud al Atwan, em comunicado. O responsável acrescentou que “as autoridades competentes iniciaram de imediato as medidas necessárias e estão a lidar com a situação em coordenação com as partes envolvidas”. Al Atwan reiterou ainda que as Forças Armadas do Kuwait “reafirmam o compromisso de cumprir as suas responsabilidades com a máxima eficiência e de adoptar todas as medidas necessárias para proteger a soberania nacional e salvaguardar a segurança e a estabilidade do país, de forma a garantir a segurança dos cidadãos e residentes”. O porta-voz militar não especificou se o ataque foi realizado com drones ou mísseis, nem identificou a empresa chinesa visada. As declarações surgem poucas horas depois de o Exército da Jordânia ter anunciado a intercepção e destruição de cinco mísseis lançados contra o seu território, um ataque igualmente atribuído ao Irão. A Guarda Revolucionária iraniana ainda não reivindicou estes novos ataques, mas nas últimas semanas tem sido acusada de lançar dezenas de ataques com mísseis e drones contra aliados dos Estados Unidos no Médio Oriente, incluindo o Bahrein, a Jordânia e o Kuwait. Os ataques de ontem ocorreram também depois de o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciar a conclusão de uma nova vaga de bombardeamentos contra o Irão, atingindo dezenas de alvos militares, em resposta a uma tentativa de lançamento de mísseis contra tropas norte-americanas destacadas no Médio Oriente.
A propósito do mundial Paul Chan Wai Chi - 31 Jul 2026 O Mundial, realizado de quatro em quatro anos, chegou ao fim, e, em Macau, a paixão despertada pelo futebol já começa a esfriar. No entanto, depois de vários dias a ver partidas de futebol, percebemos que para além do prazer de assistir a um jogo, existem muitos aspectos a considerar. A “Mão de Deus” irá sempre aparecer. Para evitar golos marcados pelas “Mãos de Deus” e assegurar que os jogos são equilibrados e justos, o sistema do VAR passou a ser implementado no Mundial. Embora exista ainda alguma controvérsia em torno das decisões, no geral, os jogadores têm de se submeter à tecnologia e ao julgamento dos árbitros. No entanto, o Presidente dos Estados Unidos chegou ao ponto de telefonar ao Presidente da FIFA para adiar a suspensão de um jogador americano que tinha visto o cartão vermelho, para que pudesse jogar contra a Bélgica. Se nesse jogo a selecção americana tivesse vencido, poder-se-ia dizer que Donald Trump também tinha usado a “Mão de Deus”. No entanto, a intervenção humana não pode, em última análise, superar a verdadeira mão de Deus. Perante a verdade e a justiça, a vitória está sempre na mão divina, e todas as acções que violem a justiça estão destinadas a ser derrotadas. Actualmente, existem apenas dois países (a Índia e a China) com mais de mil milhões de habitantes. Embora a Índia tenha sido uma colónia britânica, não é especialista em futebol. Naquele país, o cricket foi sempre o desporto mais popular e o que gera mais receitas. Devido à ausência de um planeamento a longo prazo que aposte no crescimento do futebol, desde as escolas às ligas profissionais, e embora o seu desempenho futebolístico tenha melhorado nos últimos anos, a Índia tem ainda um longo caminho a percorrer antes de se vir a qualificar para um Mundial. Na verdade, a Índia qualificou-se por defeito em 1950, depois de várias equipas se terem retirado, mas a Federação Indiana de Futebol também acabou por tirar a equipa da competição para apostar nas Olimpíadas. Não foi um pouco lamentável? A China, que se diz ter sido o berço do “futebol primitivo”, só viu a sua selecção ser qualificada para o Mundial uma vez, em 2022, perdendo os três jogos da fase de grupos, sem marcar qualquer golo. Embora o seleccionador nacional tenha manifestado a vontade de a equipa se vir a tornar em 2030 líder do futebol asiático, e o Governo tenha estabelecido o objectivo do país se tornar uma potência do futebol em 2050, sem reformas sistémicas e sem a erradicação da corrupção, mesmo que se encontre um jogador excepcionalmente talentoso no meio de cem milhões de pessoas, a realidade não pode ser mudada. A Rússia foi outro grande país ausente do Mundial, não é o mais populoso, mas o maior em área geográfica. O futebol russo não é mau e a sua selecção qualificou-se várias vezes para o Mundial. No entanto, nos últimos anos, o futebol russo tem falhado a presença no Mundial e nas Olimpíadas devido à “operação militar especial” contra a Ucrânia desencadeada há quatro anos. Se a vitória e a derrota forem as únicas medidas do valor, então das 48 equipas participantes só uma tem valor, a que vence a competição. Mas o desportivismo exibido em campo é ainda mais importante do que a possibilidade de perder ou de ganhar. As equipas de Cabo Verde, do Japão e da Noruega foram eliminadas, mas as suas actuações conquistaram os corações dos adeptos e de quem as viu jogar. Ver jogadores de ambos os lados reunir-se para rezar no final da partida, um símbolo de amizade e de paz, deveria ser um motivo de reflexão para quem luta incansavelmente pelos seus próprios interesses. Cabo Verde, um nome familiar para muitas pessoas de Macau, é um país lusófono que tem estado presente em várias actividades desta cidade. O seu PIB per capita é inferior ao de Macau, mas o espírito de equipa que revelou neste Mundial foi o pilar dos seus excelentes resultados. O Japão almeja ganhar um Mundial e a China luta para ter a melhor equipa asiática em 2030. Este espírito visionário merece servir de exemplo, e as suas práticas, independentemente do sucesso ou do fracasso, merecem ser usadas como referência em Macau.
Centro dedicado a cinema e televisão arranca no próximo mês Andreia Sofia Silva - 31 Jul 2026 O Instituto Cultural (IC), em parceria com o Instituto do Desporto (ID), organiza no próximo mês de Agosto uma série de actividades em torno da cultura, património e desporto, pensadas para residentes, mas não só. Uma das novidades passa pela entrada em funcionamento, a título experimental, do Centro de Serviços da Indústria Cinematográfica e Televisiva de Macau. Esta entidade visa “reforçar o apoio aos talentos cinematográficos e televisivos de Macau e com o Interior da China”, sendo uma iniciativa do IC. Dar-se-á início a “testes de articulação de projectos, coordenação de recursos do sector e organização de actividades de articulação empresarial”, sempre em conjugação com a província de Guangdong. Outra das iniciativas, relata um comunicado do IC, foca-se na área do turismo cultural e tem como nome “À Descoberta da História de Macau”. Terá lugar “entre meados de Agosto e final de Setembro”, todos os sábados e domingos. Trata-se de um roteiro que “interliga três pontos de interesse cultural e turístico com significado histórico”, nomeadamente o Local da Assinatura do Tratado de Mong-Há, o Museu Memorial de Xian Xinghai e a Antiga Residência do General Ye Ting. Serão disponibilizados autocarros de ligação para transportar os participantes a partir da Rua de D. Belchior Carneiro (junto às Ruínas de S. Paulo) ou da Rua do Cunha, na Taipa. No que diz respeito à terceira edição do Festival de Artes para Crianças de Macau, serão organizadas mais sessões extra tendo em conta a adesão do público. Assim, em Agosto, “prossegue uma variedade de peças de teatro e espectáculos para crianças”, ocorrendo, todos os fins-de-semana, o “Paraíso MICAF” e a “Livraria das Crianças”, em formato pop-up. Nas duas últimas semanas do mês, entre sexta-feira e domingo, acontece o “Dia de Diversão MICAF – Artes em Festa”, com a apresentação da “Festa da Diversão Aquática” e “Festa de Espuma”. Destaca-se também o evento “Arte à Solta – ondas culturais ao fim de semana”, que continua a ter lugar às sextas, sábados e domingos no Anim’Arte NAM VAN, com “bancas de gastronomia e de produtos culturais e criativos, a par de uma programação rotativa de espectáculos e workshops de experiências” na área do Património Cultural Intangível. Desporto para todos Será organizado ainda, nos dias 29 e 30 de Agosto, o “Viva o Verão: Festival Competitivo de Verão 2026”, a ter lugar no Campo de Hóquei do Centro Desportivo Olímpico. Este festival “combina jogos lúdicos competitivos com trabalho de equipa, incluindo provas destinadas a jovens e adultos”, sem esquecer “actividades específicas para famílias, que permitem aos pais e filhos sentirem, em conjunto, o prazer do trabalho em equipa e da prática desportiva”. Por sua vez, a 9 de Agosto acontece o Torneio de Badminton, na categoria “Open”, das séries “Taça Hengqin-Macau” 2026, na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau. A competição será disputada em formato de torneio por equipas mistas, incluindo as modalidades de singulares masculinos, singulares femininos, pares masculinos, pares femininos e pares mistos. O ID vai ainda promover “actividades recreativas e desportivas diversificadas nos bairros comunitários ao longo de todo o mês”, é referido na mesma nota. Entre elas, incluem-se as “Actividades Promocionais ao Ar Livre do “Desporto para Todos” nas Ilhas e em Macau”, bem como as “Aulas de Experiência de Modalidades Desportivas para Trabalhadores e Residentes”, entre outras.
Concerto | Cristina Branco actua em Zhuhai em Setembro Andreia Sofia Silva - 31 Jul 2026 Acabam de ser anunciadas novas datas do Festival Fado na China, que este ano traz ao Oriente a fadista Cristina Branco. Além das actuações, em Setembro, nas cidades de Pequim e Xangai, Cristina Branco actua também no Zhuhai Grand Theater no dia 10 de Setembro A cidade de Zhuhai recebe, a 10 de Setembro, uma voz que, mais do que ser portuguesa, representa também o Fado contemporâneo. Trata-se de Cristina Branco, artista que é protagonista deste ano do Festival Fado, que se apresenta, pela primeira vez, na cidade vizinha. A 10 de Setembro, Cristina Branco sobe ao palco do Zhuhai Grande Theater a partir das 20h, sendo este concerto precedido da exibição do filme “Do Bairro”. A iniciativa, da produtora Everything is New, passa também pelas cidades de Xangai e Pequim. Na capital chinesa, o concerto está agendado para o dia 6 de Setembro e inclui o concerto de Cristina Branco no Forbidden City Concert Hall, a partir das 19h30. Antes, às 18h, o músico Rodrigo Costa Félix dá uma conferência, sendo também exibido, nesse dia, o filme “Fado do Bairro”. Por sua vez, na biblioteca da Renmin University of China estará patente a mostra “História do Fado”. No dia 5 de Setembro, é a vez da cidade de Xangai receber, no Shanghai Oriental Arts Center, o concerto de Cristina Branco e conferência de Rodrigo Costa Félix. Será exibido o filme “Fado e os Bairros”. Segundo um comunicado da Everything is New, o festival visa “oferecer ao público um repertório que nos conduz numa viagem imersiva de redescoberta do Fado, explorando as suas profundezas e nuances emocionais”. Esta edição é tem como mote “O Fado e os bairros de Lisboa”, destacando-se em todas as paragens pela China “a profunda ligação entre o fado e os bairros históricos de Lisboa, como Alfama, Mouraria, Bairro Alto ou Madragoa”. Segundo a organização, estes lugares, que permanecem “no centro da memória popular lisboeta, acompanharam o nascimento e a transmissão desta tradição musical urbana”. Cartaz recheado A organização destaca ainda um programa que traz “música, palavra e da imagem”, numa “viagem ao coração de uma Lisboa cantada, entre herança e criação contemporânea”. Trata-se de um evento “itinerante dedicado à promoção do fado e da cultura portuguesa”. O Festival Fado já vai na 16.ª edição – celebrada este ano – decorrendo em 21 grandes cidades da Europa, África, América Latina e Ásia. Cristina Branco conta com 19 álbuns editados e inúmeros concertos em todo o mundo, sendo “uma verdadeira embaixadora da cultura portuguesa”. “A música tradicional é a sua principal raiz estética, mas a influência do jazz, da literatura e dos músicos com quem partilha o palco, imprimem à sua arte um cariz universal e um encanto sublime. A sua obra é um enorme contributo para a divulgação e defesa da música, da língua e dos autores portugueses”, refere ainda a produtora Everything is New.
China | Chuvas fortes obrigam à retirada de mais de 46.000 pessoas Hoje Macau - 31 Jul 2026 As fortes chuvas que atingiram várias regiões da China obrigaram à retirada preventiva de mais de 46.000 pessoas nas províncias de Sichuan e Jilin, enquanto as autoridades mantêm alertas para precipitação intensa em grande parte do país. Na província de Sichuan, no centro da China, cerca de 40.000 pessoas foram retiradas preventivamente entre a manhã de quarta-feira e a de ontem em 14 municípios, informou a televisão estatal CCTV, citando as autoridades provinciais. A cidade de Ya’an registou o maior número de evacuações, com 13.225 pessoas deslocadas. No mesmo período, várias zonas da província, que tem uma área semelhante à da Suécia e cerca de 83 milhões de habitantes, registaram chuva torrencial, com um máximo de 155,4 milímetros na cidade de Guangyuan. Desde o início da época das cheias, Sichuan contabiliza já 686.515 retiradas preventivas de pessoas, segundo a mesma fonte. No nordeste da China, o distrito de Wangqing, na província de Jilin, registou na quarta-feira precipitação até 225,5 milímetros. As autoridades retiraram de urgência 7.379 pessoas de nove municípios mais afectados, depois de elevarem para o nível máximo a resposta de emergência devido às cheias e determinarem a suspensão das aulas, do trabalho, da actividade comercial, dos transportes e das atividades coletivas ao ar livre. O Centro Meteorológico Nacional manteve ontem um alerta amarelo para chuva intensa em várias províncias chinesas, prevendo acumulados locais entre 100 e 200 milímetros. As autoridades meteorológicas alertaram para o risco de cheias repentinas em zonas montanhosas, desastres geológicos, transbordo de rios de pequena e média dimensão e inundações urbanas. O mês de Julho tem sido marcado na China pela passagem de tufões, precipitação extrema e deslizamentos de terras, que provocaram dezenas de vítimas em várias províncias.
PCC | Procura interna e cadeias industriais definidas como prioridades Hoje Macau - 31 Jul 202631 Jul 2026 A reunião de meio do ano do PCC definiu metas e princípios a aplicar no segundo semestre para fortalecer o crescimento económico O Politburo do Partido Comunista Chinês (PCC) pediu ontem que se “explore o potencial da procura interna”, afectada pela falta de confiança dos consumidores, e um reforço do “controlo independente” das cadeias industriais. Estas são algumas das conclusões da aguardada reunião de meio do ano, que normalmente define as orientações para a política económica no segundo semestre. O partido defendeu a necessidade de “consolidar as bases” do crescimento, apesar da “forte resiliência e vitalidade” demonstradas pela economia no primeiro semestre, que registou uma expansão de 4,7 por cento. “É necessário (…) promover a auto-suficiência científica e tecnológica e o controlo independente das cadeias industriais”, refere o comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial chinesa Xinhua após a reunião, acrescentando que é igualmente necessário “expandir continuamente a procura interna e optimizar a oferta”. Neste âmbito, as autoridades anunciaram medidas como o aumento da oferta de “bens e serviços de elevada qualidade”, a expansão da capacidade e a melhoria da qualidade do sector dos serviços, bem como a construção de novas infraestruturas, incluindo redes eléctricas, de computação e de comunicações. Os analistas já antecipavam que o Politburo não anunciasse grandes medidas de estímulo na reunião económica de meio do ano, prevendo que a principal prioridade fosse estabilizar a economia, que tem vindo a desacelerar nos últimos anos, recorrendo sobretudo às políticas orçamentais já em vigor. Nesse sentido, o órgão dirigente do PCC reiterou ontem o “princípio geral de procurar o progresso preservando a estabilidade” e indicou que dará prioridade à “estabilização do emprego, das empresas, dos mercados e das expectativas”. Outros domínios No domínio da política industrial, Pequim afirmou que vai “acelerar a construção de um sistema industrial moderno”, apostar no desenvolvimento de “novas formas de economia inteligente” e reforçar a “governação da inteligência artificial (IA)”. O partido prometeu também aprofundar as campanhas para eliminar a fragmentação do mercado interno e combater a chamada “concorrência destrutiva”, numa referência às guerras de preços intensas registadas em vários sectores. Na política monetária, as autoridades reiteraram que continuarão a assegurar uma “liquidez abundante” nos mercados e a manter a “estabilidade básica” da taxa de câmbio da moeda chinesa, o yuan, “num nível razoável e equilibrado”, sem alterações ao discurso oficial. Entre os riscos identificados pelo partido destaca-se a crise do sector imobiliário, relativamente à qual voltou a prometer “esforços para estabilizar” o mercado, bem como os problemas de “dívida oculta” das administrações locais e regionais, que, segundo o comunicado, “devem ser resolvidos de forma ordenada”. O Politburo anunciou ainda novas reformas para as instituições financeiras de pequena e média dimensão, com o objectivo de “reforçar a confiança nos mercados de capitais”, definiu o emprego como prioridade política, prometeu mais investimento em infraestruturas nas áreas da educação, saúde e apoio à infância, e melhorias nos mecanismos de assistência social “para garantir que não ocorram recaídas na pobreza nem um aumento significativo da população em situação de pobreza”. “É necessário enfrentar de forma sistemática os desafios e impactos externos, reforçar a segurança energética e dos recursos e responder às diversas incertezas com a certeza proporcionada por um desenvolvimento de elevada qualidade”, aponta o documento. Quinto plenário em Outubro O Partido Comunista Chinês (PCC) vai realizar em Outubro a quinta sessão plenária do actual Comité Central, uma reunião centrada na disciplina interna e na “governação rigorosa” do partido, informou ontem a agência oficial chinesa Xinhua. A decisão foi tomada durante uma reunião do Politburo do PCC, presidida pelo secretário-geral do partido e Presidente chinês, Xi Jinping, na qual foi acordado analisar “várias questões importantes” para reforçar de forma contínua o controlo interno da organização. Segundo o comunicado oficial, divulgado ontem pela Xinhua, o partido considera que esta tarefa deve ser encarada como essencial para consolidar a sua posição no poder numa altura em que as mudanças no contexto internacional, na China e no seio da própria organização colocam “novas situações e desafios”. O documento sublinha a necessidade de manter a direcção “centralizada e unificada” do Comité Central, reforçar a capacidade do PCC para governar a longo prazo e preservar a sua “pureza”.
Comércio | China alcança consenso com a UE para uma relação equilibrada Hoje Macau - 31 Jul 2026 A China afirmou ontem ter alcançado um consenso com a União Europeia para definir as relações bilaterais como uma parceria comercial “estável e equilibrada”, apesar das crescentes tensões entre as duas partes em matéria de comércio. O porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, disse, em conferência de imprensa, que esse entendimento foi alcançado na primeira reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento entre a China e a União Europeia (UE). Segundo He, ambas as partes acordaram, de forma preliminar, realizar uma segunda reunião no Outono. O responsável indicou que Pequim trabalhou nas últimas semanas para aplicar os resultados do primeiro encontro e preparar a próxima ronda de consultas, através de uma coordenação interna “intensa” e de contactos “frequentes” e a vários níveis com Bruxelas. Segundo o porta-voz, as equipas técnicas da China e da UE realizaram já mais de 20 consultas, enquanto quatro grupos de trabalho analisaram de forma “aprofundada e profissional” as respectivas posições em matéria económica e comercial. He afirmou que a China está disponível para manter um diálogo frequente com a UE, com base no “respeito mútuo” e na procura de soluções “práticas e viáveis” para responder às preocupações de ambas as partes. O objectivo, acrescentou, é promover um comércio bilateral mais equilibrado e preservar uma relação entre parceiros comerciais estratégicos “estável e equilibrada”. Tempo de luta As declarações surgem após meses de fricções entre Pequim e Bruxelas, com a UE a considerar “insustentável” a relação económica com a China devido ao défice comercial anual, estimado em cerca de 360 mil milhões de euros, e ao impacto das exportações chinesas em sectores como os veículos eléctricos, baterias, painéis solares e produtos químicos. Pequim rejeita as acusações de excesso de capacidade industrial, negando que este resulte de subsídios estatais ou de uma procura interna insuficiente, e acusa Bruxelas de politizar as divergências comerciais e de avançar com medidas que considera “proteccionistas”. A tensão agravou-se também devido a investigações comerciais recíprocas, restrições europeias em sectores estratégicos e à multa de 550 milhões de euros aplicada este mês pela Comissão Europeia à plataforma chinesa AliExpress por alegadas falhas no combate à venda de produtos ilegais, decisão condenada por Pequim. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu que Bruxelas está preparada para adoptar novas medidas comerciais a partir do Outono caso não sejam alcançados progressos nas negociações com a China.
Qiu Jin – a poesia e a espada Sara F. Costa - 31 Jul 20265 Ago 2026 題《芝龕記》八章(其一、其二) Tí Zhīkān jì bā zhāng (qí yī, qí èr) 一 Yī 今古爭傳女狀頭, Jīngǔ zhēng chuán nǚ zhuàngtóu, 紅顏誰說不封侯? Hóngyán shuí shuō bù fēng hóu? 馬家婦共沈家女, Mǎ jiā fù gòng Shěn jiā nǚ, 曾有威名振九州。 Céng yǒu wēimíng zhèn Jiǔzhōu. 二 Èr 撐持乾坤女土司, Chēngchí qiánkūn nǚ tǔsī, 將軍才調絕塵姿。 Jiāngjūn cáidiào juéchén zī. 靴刀帕首桃花馬, Xuē dāo pà shǒu táohuā mǎ, 不愧名稱娘子師。 Bù kuì míngchēng niángzǐ shī. O Registo do Nicho de Zhi (poema I e II de VIII) I Desde sempre se celebram as primeiras entre as mulheres (1): quem diz que uma mulher não pode receber um marquesado? (2) A esposa da casa Ma e a filha da casa Shen (3) fizeram ressoar pelas Nove Províncias a sua fama guerreira. (4) II A chefe tusi (5) sustém o Céu e a Terra, (6) general de génio e porte sem igual. Punhal na bota, lenço na cabeça, cavalo flor de pessegueiro: (7) bem merece o nome de Exército da Senhora. (8) NOTAS 女狀頭 (nǚ zhuàngtóu), expressão formada a partir de 狀頭 (zhuàngtóu), antiga designação do primeiro classificado nos exames imperiais, aqui adaptada ao feminino. 封侯 (fēng hóu), literalmente ser investido como marquês, designa a atribuição de um título nobiliárquico por mérito político ou militar. 馬家婦 (Mǎ jiā fù), a esposa da casa Ma, refere-se a Qin Liangyu; 沈家女 (Shěn jiā nǚ), «a filha da casa Shen», a Shen Yunying. 九州 (Jiǔzhōu), «Nove Províncias», designação tradicional e poética da totalidade do território chinês. 土司 (tǔsī), título atribuído a governantes hereditários locais reconhecidos pela administração imperial chinesa. 乾坤 (qiánkūn), literalmente «Céu e Terra», representa o universo e a ordem do mundo. 桃花馬 (táohuā mǎ), literalmente «cavalo flor de pessegueiro», designa uma montada cuja pelagem evocaria as tonalidades dessa flor. 娘子師 (niángzǐ shī), literalmente «exército da senhora», designa uma força militar comandada por uma mulher. Comentário Estes dois poemas pertencem ao ciclo de oito composições escritas por Qiu Jin a propósito de Zhīkān jì, drama histórico do género chuanqi composto por Dong Rong (1711–1760) em meados do século XVIII (題《芝龕記》八章). A obra, concluída por volta de 1751 e publicada pouco depois, organiza acontecimentos dos últimos reinados da dinastia Ming em torno das figuras de Qin Liangyu e Shen Yunying. O seu programa moral assenta na celebração da lealdade política e da piedade filial das duas guerreiras, apresentadas como protagonistas de uma história da qual as mulheres haviam sido habitualmente afastadas (Tu, 2005, pp. 1–17; Wang, 2014, pp. 61–72). Cada uma das duas composições apresenta uma quadra de sete caracteres. Os versos rimam segundo o esquema tradicional em que a rima ocorre no primeiro, segundo e quarto versos: 頭(tóu), 侯 (hóu) e 州 (zhōu) no primeiro poema; 司 (sī), 姿 (zī) e 師 (shī) no segundo. Estes poemas devem ser lidos com alguma cautela histórica. Pertencem à fase inicial da escrita de Qiu Jin e ainda valorizam formas imperiais de reconhecimento, como o título nobiliárquico e a consagração oficial do mérito. A sua força crítica nasce da apropriação desses valores: Qiu Jin não recusa aqui a linguagem da honra, da lealdade ou do poder militar; recusa o monopólio masculino sobre ela. A leitura de Zhīkān jì oferece-lhe uma linhagem de mulheres guerreiras na qual começa a projetar a sua própria aspiração a tornar-se uma 奇女子 (qínǚ), uma «mulher extraordinária». Xia Xiaohong mostrou como esta identificação com Qin Liangyu e Shen Yunying participa na formação do imaginário heroico que acompanharia Qiu Jin ao longo da vida, embora o seu pensamento político viesse depois a ultrapassar o horizonte imperial presente nestes primeiros poemas (1998, pp. 227–236). O primeiro poema apresenta Qin Liangyu e Shen Yunying como figuras de exceção inscritas numa genealogia feminina do heroísmo. 女狀頭 (nǚ zhuàngtóu) adapta ao feminino uma designação associada ao primeiro classificado nos exames imperiais. A expressão atribui às duas mulheres uma primazia formulada através do vocabulário institucional do mérito. «As primeiras entre as mulheres» preserva essa ideia de excelência, embora atenue a referência concreta ao sistema de exames. A pergunta 紅顏誰說不封侯? concentra o núcleo provocatório da quadra. 紅顏 (hóngyán), literalmente «rosto rosado», é uma designação convencional da mulher jovem e bela. 封侯 (fēng hóu) significa ser investido no título de 侯 (hóu), habitualmente traduzido por «marquês». O verso aproxima deliberadamente dois campos que a ordem social mantinha separados: a feminilidade codificada através da aparência e o reconhecimento político ou militar reservado aos homens. A opção «quem diz que uma mulher não pode receber um marquesado?» sacrifica a imagem do «rosto rosado», mas torna explícito o desafio lançado à exclusão feminina da honra pública. 馬家婦 (Mǎ jiā fù), «a esposa da casa Ma», designa Qin Liangyu através da família do marido, Ma Qiancheng; 沈家女 (Shěn jiā nǚ), «a filha da casa Shen», identifica Shen Yunying pela linhagem paterna. Qiu Jin conserva as formas tradicionais de nomeação feminina e faz com que sejam elas a ocupar o centro do poema. A tensão é significativa: as protagonistas continuam linguisticamente relacionadas com estruturas familiares masculinas, mas são os seus feitos que fazem ressoar o nome pelas 九州 (Jiǔzhōu), as «Nove Províncias», designação simbólica da totalidade do território chinês. A abertura 今古 (jīngǔ), «o presente e a Antiguidade», e o fecho 九州 ampliam a fama das duas mulheres em duas direções complementares, através do tempo e do espaço. O segundo poema concentra-se sobretudo em Qin Liangyu. 女土司 (nǚ tǔsī) identifica-a como mulher investida na estrutura hereditária de autoridade local conhecida como tusi. A tradução mantém o termo porque «governante» apagaria a especificidade histórica e territorial do cargo. 撐持乾坤 (chēngchí qiánkūn), literalmente «sustentar o Céu e a Terra», eleva essa autoridade a uma escala cósmica. A mulher deixa de ocupar uma posição marginal: é apresentada como força capaz de sustentar a ordem do mundo. 將軍才調絕塵姿 reúne aptidão e presença. 才調 (cáidiào) pode abranger talento, capacidade e qualidade pessoal; 絕塵 (juéchén) sugere alguém que deixa os restantes para trás ou se eleva acima do «pó» do mundo comum. «General de génio e porte sem igual» torna o elogio inteligível em português, embora abandone a imagem concreta do pó. A perda parece-me preferível à opacidade de «figura acima do pó», que dificilmente permite ao leitor português reconstruir a expressão chinesa. O terceiro verso é construído como uma sequência nominal, quase um retrato em movimento: 靴刀, o punhal levado na bota; 帕首, a cabeça envolta num lenço; 桃花馬, o «cavalo flor de pessegueiro». A ausência de verbos acelera a visão e reúne arma, indumentária e montada numa única imagem. «Cavalo flor de pessegueiro» conserva a dimensão cromática e pictórica de 桃花馬, possivelmente associada à pelagem da montada. A delicadeza floral permanece dentro da representação militar, sem neutralizar a força da guerreira. 娘子師 (niángzǐ shī) designa um exército comandado por uma mulher. «Exército da Senhora» mantém a estranheza e a dignidade do nome, evitando sugerir que se trataria necessariamente de uma tropa composta por mulheres. O verbo 稱 (chēng), «chamar», «designar», confere ainda ao verso final uma dimensão de legitimação: a autoridade feminina torna-se reconhecível porque pode ser nomeada. Referências bibliográficas: Xia, X. [夏晓虹](#). (1998). 始信英雄亦有雌——秋瑾与《芝龛记》 [Só então se acredita que entre os heróis também há mulheres: Qiu Jin e o Zhīkān jì](#). 文学评论丛刊, 1(2), 227–236. Hsieh, H.-C. [謝曉菁](#). (2021). 男性文人筆下的從軍女性:以明末女將沈雲英為核心 [As mulheres guerreiras na escrita dos letrados: O caso da general Shen Yunying no final da dinastia Ming](#). 女學學誌:婦女與性別研究, 48, 1–27. https://doi.org/10.6255/JWGS.202106_(48).01 Tu, S.-M. [涂淑敏](#). (2005). 《芝龕記》傳奇敘錄 [Introdução ao drama chuanqi Zhīkān jì](#). 通識教育學報, 8, 1–17. https://doi.org/10.7107/JGED.200512.0001 Wang, A.-L. [王璦玲](#). (2014). 「雖名傳奇,卻實是一段有聲有色明史」: 論董榕《芝龕記》傳奇中之演史、評史與詮史 [A representação e interpretação dramáticas da queda da dinastia Ming no Zhīkān jì de Dong Rong](#). 戲劇研究, 13, 61–98. https://doi.org/10.6257/JOTS.2014.13061 Xia, X. [夏曉虹](#). (1997). 始信英雄亦有雌:秋瑾與《芝龕記》 [Só então se acredita que entre os heróis também há mulheres: Qiu Jin e o Zhīkān jì](#). 文學評論叢刊, 1(2), 227–236.
Autocarros | Frequência para o Aeroporto de Hong Kong aumenta Hoje Macau - 31 Jul 2026 A partir de Agosto, a frequência dos autocarros directos para o Aeroporto Hong Kong vai aumentar para 22 partidas diárias nos dois sentidos. O anúncio foi feito ontem por Chan Man Iok, subdirector-geral da empresa Macau HK Airport Direct, que assegura o serviço. Actualmente, segundo o horário declarado pela empresa, quando ainda só há 18 partidas por dia, o primeiro autocarro parte de Macau às 08h30 e o último às 20h30. No sentido inverso, o primeiro autocarro parte às 09h30 de Hong Kong e o último às 21h30. Sobre os dados do serviço, Chan Man Iok apontou que em 2025 um total de 243 mil passageiros utilizaram o serviço, dos quais 75 mil tinham passaporte estrangeiro. Nos primeiros seis meses deste ano, Chan indicou que o número de passageiros com passaporte estrangeiro aumentou para 70 mil. O responsável apontou também que o desenvolvimento da indústria de exposições em Macau tem atraído mais visitantes da Coreia do Sul, da Europa e dos Estados Unidos, o que levou a empresa a lançar um novo serviço de viagens particulares de luxo, com um custo de 3 mil patacas.
MGM China | Receitas com ligeira quebra no segundo trimestre João Santos Filipe - 31 Jul 2026 O impacto do Campeonato Mundial de Futebol foi apontado pelos responsáveis da empresa como um factor que afectou negativamente as receitas da concessionária do jogo Entre Abril e Junho, as receitas da concessionária MGM China apresentaram uma redução anual de 0,5 por cento, para 8,63 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando no período homólogo tinham atingido 8,67 mil milhões de dólares de Hong Kong. Os resultados foram anunciados ontem, num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong. Os dados disponibilizados mostram que os dois hotéis-casinos da concessionária tiveram menos receitas no período em análise. No caso do hotel-casino MGM Macau, registou-se uma redução para 3,35 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando no período homólogo as receitas deste espaço tinham sido de 3,38 mil milhões de dólares de Hong Kong. O MGM Cotai continua a ser o espaço que produz mais receitas para a concessionária, com cerca de 5,27 mil milhões de dólares de Hong Kong. Todavia, este espaço também apresentou uma redução anual, uma vez que no segundo trimestre do ano passado tinha gerado receitas de 5,28 mil milhões de dólares de Hong Kong. Apesar destes números, o presidente e director-geral do grupo MGM Resorts International, Bill Hornbuckle, destacou que a prestação da concessionária em Macau está acima da média do mercado. “Na MGM China, no segundo trimestre, o nosso desempenho continuou a superar o mercado, ao mantermos uma quota sólida de 16,4 por cento”, afirmou. Durante o mês de Junho, vários analistas apontaram que as receitas do jogo em Macau foram afectadas pela realização do Campeonato Mundial de Futebol e pelo mercado de apostas. Ontem, o director-geral da MGM Resorts afirmou que este impacto foi ultrapassado. “Embora o Campeonato do Mundo tenha tido um impacto temporário nos volumes do jogo em Macau no mês de Junho, isso foi um efeito transitório, e não uma mudança estrutural”, defendeu. Ganhos mais reduzidos Os resultados divulgados ontem mostram igualmente uma redução anual do Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA, em inglês) total ajustado, um indicador que permite medir a capacidade de uma empresa gerar dinheiro em caixa no dia-a-dia. Entre Abril e Junho, a empresa apresentou um EBITDA total ajustado de 2,33 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando no mesmo período do ano passado tinha atingido 2,51 mil milhões de dólares de Hong Kong. Esta diferença representa uma variação negativa de praticamente 7,4 por cento. Apesar do resultado, o director-geral da MGM China, Kenneth Feng, mostrou-se optimista face à segunda metade do ano, devido ao final do Mundial de Futebol e à realização de vários eventos e espectáculos. “Estamos a observar o regresso de uma procura que esteve reprimida durante o período do Mundial de Futebol. Na verdade, tanto o volume de visitas como os volumes de negócios recuperaram fortemente logo a partir da segunda semana de Julho, quando ainda faltavam disputar alguns jogos antes do final do Mundial”, afirmou Feng. No segundo trimestre do ano, as receitas brutas dos jogos de fortuna ou azar em Macau fixaram-se em 61 mil milhões de patacas, uma redução ligeira face ao período homólogo, quando as receitas tinham sido de 61,1 mil milhões de patacas. MGM avalia compra Na apresentação dos resultados, Bill Hornbuckle informou que a MGM Resorts International constituiu um grupo de trabalho especializado e independente para analisar a proposta de compra da empresa pelo grupo People Incorporated, do multimilionário Barry Diller. Segundo a estação televisiva CNBC, a proposta apresentada pelo grupo People Incorporated avalia a MGM Resorts International em 18 mil milhões de dólares americanos, o que significa um preço de 48,30 dólares por acção. Actualmente, a People Incorporated é titular de 26,1 por cento do capital social da gigante americana.
CPSP | Homem detido por assediar estudante Hoje Macau - 31 Jul 2026 Um homem com 30 anos foi detido depois de alegadamente ter apalpado uma estudante do ensino secundário no peito e na cintura. O caso aconteceu no passado domingo, e de acordo com a informação divulgada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), o homem negou o crime e afirmou que apenas tocou na vítima porque pensou que ela estava a sentir-se mal e precisava de ser amparada. O homem é um trabalhador não residente do Myanmar, a vítima é uma residente local. O caso ocorreu por volta das 2h da madrugada de domingo. A vítima caminhava pela Rua da Barca quando foi tocada e no peito e na cintura pelo suspeito. Perante a agressão sexual, a jovem ofereceu resistência, o que fez com que o indivíduo se colocasse em fuga. Após garantir a sua segurança, a vítima alertou o CPSP. Através da análise do sistema de videovigilância, a polícia identificou o suspeito, e veio a detê-lo na terça-feira, por volta das 13h00, na Rua do Bispo Medeiros. O CPSP considerou que as imagens de videovigilância confirmam a versão da vítima, pelo que encaminhou o caso para o Ministério Público. O homem está indiciado pelo crime de importunação sexual, que é punido com multa ou uma pena de prisão que pode chegar a um ano. CPSP | Agente suspenso comete infracção quando entregava comida Um agente do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), que já estava suspenso de funções, está indiciado de ter cometido um crime de falsificação de documento, ao ter pedido a uma pessoa que se desse como culpada de passar um sinal vermelho. O caso foi revelado ontem pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC), e encaminhado para o Ministério Público. Segundo o órgão de investigação, o agente policial já se encontrava “suspenso de funções preventivamente por estar envolvido num outro caso criminal”. Por isso, estava a trabalhar na entrega de comida, embora sem autorização do CPSP. O CCAC indicou que esta actividade foi desempenhada “por um longo período de tempo”, embora sem especificar a duração, nem revelar o caso que levou à suspensão inicial. Os problemas para o agente surgiram quando não respeitou um sinal vermelho no trânsito e preferiu pagar a um terceiro para assumir as culpas: “na sequência da prática de uma contravenção por ter passado um sinal vermelho, o referido agente policial terá oferecido mil patacas como contrapartida para que um terceiro se declarasse infractor perante o CPSP, a fim de se eximir da responsabilidade neste incidente”, foi revelado. “No decorrer da investigação, um indivíduo admitiu ter recebido uma contrapartida para assumir a culpa”, foi acrescentado. O caso foi encaminhado para o Ministério Público, e o crime de falsificação de documento é punido com uma pena de prisão que pode chegar aos três anos.
Casamento | Indústria continua em crise com quebra de despesas João Luz e Nunu Wu - 31 Jul 2026 Começa hoje a Exposição de Casamento, Banquetes, Beleza e Joias, evento dedicado à indústria do matrimónio. O director da empresa organizadora dá conta de uma nova redução (10 por cento) dos orçamentos dos casais, mas encara o turismo para celebrar casamentos como oportunidade de negócio O declínio demográfico que Macau enfrenta não se afere apenas nas taxas de natalidade. Também o número de casamentos tem vindo cair desde a crise provocada pela crise pandémica. Com os registos de matrimónios em quebra nos últimos anos, aqueles que planearam dar o nó este ano estão a fazê-lo gastando menos 10 por cento, face aos orçamentos de 2025. Quem o diz é Wong U Peng, director da A Plus Internacional Limited, empresa que organiza a Exposição de Casamento, Banquetes, Beleza e Joias, evento que se realiza entre hoje a domingo no Centro de Convenções e Exposições da Doca dos Pescadores de Macau. A exposição desde ano conta com a participação de marcas de Macau, Hong Kong e Taiwan e, segundo a organização, foram feitas 300 reservas online para marcar serviços de casamento durante o certame. Neste momento, o sector procura adaptar-se à nova realidade, conduzida pela crise económica, assim como a própria exposição. Apesar de contar com o mesmo número de marcas do que no ano passado, os serviços de fotografia e banquetes sofreram uma redução entre 20 a 30 por cento face ao evento do ano passado. Do outro lado da balança, está o aumento de expositores que vendem lembranças, bolos de casamento, decorações e convites, ou seja, produtos culturais e criativos mais baratos. Quem vem de fora Em relação às perspectivas de futuro, Wong U Peng considera que mesmo com a diminuição dos matrimónios celebrados em Macau, a cidade está bem equipada para ser um destino de excelência para o turismo de casamento. Atracções turísticas de nível mundial e resorts de luxo são vantagens únicas para o desenvolvimento do sector, que já conta com políticas públicas, como a simplificação dos procedimentos de emissão de vistos. Porém, Wong U Peng entende que a fotografia turística de casamentos é um sector que poderia ser aproveitado, sendo necessárias alterações legais para reduzir os obstáculos colocados às sessões fotográficas de turistas e atrair mais casais estrangeiros para festas de casamento em Macau.
Leite em Pó | Testes em HK confirmam segurança da marca Friso João Santos Filipe e Nunu Wu - 31 Jul 2026 Apesar de terem ordenado a recolha do lote de leite em pó identificado em Macau como tendo excesso de chumbo, as autoridades de Hong Kong fizeram testes e concluíram que os produtos da empresa Friso são seguros Os testes realizados pelo Centro da Segurança Alimentar (CFS, em inglês) do Departamento de Higiene Alimentar e Ambiental (FEHD) de Hong Kong concluíram que o leite em pó da marca Friso cumpre os níveis de segurança relacionados com o teor de chumbo. Os resultados foram divulgados ao final do dia de quarta-feira. De acordo com um porta-voz do CFS, o facto de as autoridades de Macau terem revelado o caso do leite com excesso de chumbo, levou a que em Hong Kong a vigilância para este tipo de produtos fosse reforçada, o que resultou na realização de vários testes a diferentes produtos de leite em pó. “Nos últimos quatro dias [de 25 a 28 de Julho], o CFS recolheu no mercado mais de 50 amostras destes produtos para testar o teor de chumbo, incluindo 11 lotes de leite em pó para bebés Frisolac Prestige Etapa 1 (800g)”, foi revelado. “Não foi encontrado qualquer caso que ultrapasse o padrão legal de Hong Kong, ou seja, um teor de chumbo não superior a 0,01 miligramas por quilograma”, foi explicado. Apesar de os resultados terem sido negativos, o CFS continua a apelar à população de Hong Kong para evitar o consumo do lote de leite em pó identificado pelas autoridades de Macau como tendo excesso de chumbo. Este aspecto deve-se ao facto de os testes não terem focado no lote de leite em pó que terá apresentado níveis excessivos de chumbo: “Relativamente ao lote individual recolhido anteriormente [Nome do produto: Frisolac Prestige Etapa 1 Leite em Pó para Bebés (800g); Prazo de validade: 30 de Setembro de 2027; Número de lote: 1W07KPJ], o CFS destacou inspectores a vários estabelecimentos de venda a retalho para garantir que o lote afectado foi retirado das prateleiras”, foi vincado. “O CFS voltou a apelar à população que não permita que bebés e crianças pequenas consumam o lote de produto afectado, devendo procurar assistência médica caso as crianças se sintam indispostas”, foi indicado. Resultados contestados Também na segunda-feira, a Friso, empresa controlada pela holandesa Royal FrieslandCampina, tinha contestado os resultados dos testes feitos em Macau, assim como a forma de testagem. A posição foi tomada, depois de a empresa ter testado os lotes controversos em dois laboratórios independentes, com ambos os resultados mostrarem o cumprimento dos padrões de segurança relacionados com o teor de chumbo. A Friso revelou ainda ter tido um encontro com as autoridades locais em que defendeu a qualidade dos seus produtos. “Durante a reunião, a empresa manifestou claramente a sua posição, solicitando veementemente uma nova amostragem e testagem aos produtos do mesmo lote, e insistindo em esclarecer melhor os factos”, foi comunicado. “A empresa expressou reservas quanto à disposição dos serviços competentes de Macau em utilizar apenas uma lata de amostra para a realização dos testes”, foi indicado. A polémica com leite em pó da marca Friso começou no sábado, quando o Instituto para os Assuntos Municipais, o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica e os Serviços de Saúde emitiram um comunicado a alertar para o excesso de chumbo no leite em pó da marca Frisolac Gold 1 com o número de lote: 1W07KPJ. O produto foi retirado do mercado e foi aberto um canal especial nos hospitais para os bebés e crianças que tivessem consumido este leite. As 38 consultas especiais realizadas até segunda-feira não identificaram qualquer caso de intoxicação por chumbo. Também na segunda-feira, as autoridades de Macau reconheceram que depois de terem alargado a testagem a outros leites em pó da Friso, com testes feitos em 13 amostras, não foi detectada qualquer anormalidade.
FMI | Previsto abrandamento da economia em 2026 para 3,3% Hoje Macau - 31 Jul 2026 O Fundo Monetário Internacional prevê que a economia de Macau desacelere este ano para 3,3 por cento, em resultado da menor actividade do sector do jogo e do prolongamento de taxas de juro elevadas. No ano passado, o PIB da RAEM cresceu 4,7 por cento Receitas mais tímidas dos casinos e taxas de juros altas são os factores que o Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou nas previsões que apontam para um desaceleramento do crescimento da economia de Macau em 2026, para 3,3 por cento. O Produto Interno Bruto (PIB) de Macau em 2025 cresceu 4,7 por cento em termos reais, atingindo um valor preliminar de cerca de 417,28 mil milhões de patacas, segundo os dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). De acordo com o comunicado da missão anual do FMI ao abrigo do Artigo IV, divulgado na quarta-feira à noite, a médio prazo, o crescimento da economia da RAEM deverá abrandar “ainda mais, para 3 por cento, em linha com o abrandamento previsto no crescimento da China continental e da RAE de Hong Kong”. Num relatório do fundo em Abril, a instituição sedeada em Washington cortava a previsão de crescimento do PIB em 2026 para 3,1 por cento, duas décimas abaixo da estimativa agora apontada. O abrandamento da economia, avança agora o relatório anual preliminar, deverá ser “parcialmente compensado por uma recuperação do crescimento do investimento”, principalmente associada ao compromisso das seis concessionárias do sector do jogo em Macau de investirem em sectores não relacionados com o jogo, aponta o comunicado. Capacidade de resistência O FMI prevê ainda que a inflação do território aumente gradualmente em 2026 devido aos preços mais elevados da energia e que se estabilize em 2,2 por cento a médio prazo, à medida que a folga económica diminui e o efeito negativo dos preços mais baixos das importações provenientes da China continental se dissipa. A taxa de inflação anual de Macau em 2025 fixou-se em 0,33 por cento, o valor mais baixo registado nos últimos quatro anos. No relatório de Abril, o fundo previa que os preços ao consumidor aumentassem 1,8 por cento em 2026, num ambiente de inflação relativamente moderado. O fundo sublinha que economia da RAEM se tem mantido resiliente num contexto de crescente incerteza global, apoiada por uma forte recuperação das actividades de jogo e do turismo. No entanto, ressalva, o PIB real continua abaixo do nível pré-pandémico e “a economia mantém-se fortemente concentrada no sector do jogo e no turismo proveniente da China continental”. O relatório volta a assinalar diagnósticos anteriores, designadamente o peso do envelhecimento da população e do baixo crescimento demográfico sobre a oferta de mão-de-obra e crescimento potencial, ao mesmo tempo que geram custos orçamentais. O sistema financeiro “está bem capitalizado e dispõe de liquidez”, embora o crédito malparado continue elevado. “A política orçamental pode apoiar a recuperação a curto prazo, ao mesmo tempo que aborda questões estruturais a longo prazo através de um aumento das despesas em infra-estruturas, cuidados de saúde e prestações sociais”, sugere o fundo. “Continuar a salvaguardar a estabilidade financeira e acelerar ainda mais a diversificação económica será importante para reforçar a resiliência e apoiar um crescimento mais equilibrado e sustentável”, remata. Em contramão Ainda no quadro da avaliação do momento actual, o FMI assinala que economia de Macau continua a recuperar, apesar dos ventos contrários decorrentes do conflito no Médio Oriente. “As posições externa e orçamental continuam sólidas, apoiadas pela recuperação robusta das receitas do jogo e pela execução conservadora das despesas”, sublinha o comunicado. No entanto, a procura interna e o investimento privado têm sido travados por condições de crédito ainda restritivas, por uma incerteza acrescida, por um sector imobiliário em estagnação e pela subexecução da despesa pública. Apesar dos recentes sinais de estabilização, as pressões descendentes sobre os preços dos imóveis residenciais e comerciais mantêm-se, num contexto de confiança moderada por parte dos investidores. O sector das pequenas e médias empresas (PME) local também continua a enfrentar dificuldades, uma vez que a recuperação do número de chegadas de turistas não se traduziu numa procura generalizada. Relativamente ao desempenho da economia ao longo do ano em curso, com base no andamento da cobrança de receitas e na execução histórica das despesas, o FMI considera ser “provável que tanto as receitas provenientes do jogo como as não relacionadas com o jogo excedam as estimativas orçamentais, enquanto as despesas ficarão provavelmente aquém dos níveis orçamentais”. Neste sentido, o relatório indica que, se este padrão persistir, “a política orçamental em 2026 será menos favorável do que inicialmente previsto, com o aumento das receitas a traduzir-se principalmente numa maior acumulação de reservas orçamentais”. Neste contexto, o fundo recomenda o aumento dos esforços para garantir a execução atempada das despesas planeadas, considerando que “serão fundamentais para manter o apoio necessário, particularmente nas áreas dos programas de assistência social relacionados com o envelhecimento e do investimento de capital”. “Deverá ser considerada a possibilidade de aumentar ainda mais as despesas orçamentais, em consonância com o desempenho superior das receitas, caso tal seja viável”, acrescenta.
Aperfeiçoamento contínuo | Mais de 41 mil idosos participaram no programa Andreia Sofia Silva - 31 Jul 2026 A 5.ª edição do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo contou com mais de 41 mil participações de idosos “em diversos tipos de cursos”, disse ontem a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam. “Mais de 11 mil dessas participações foram em mais de 3400 cursos na área dos cuidados de saúde e bem-estar”, acrescentou, nomeadamente em temas como “serviços e educação para idosos”, “enfermagem” e ainda “bem-estar e cuidados de saúde”. Apesar destes números, o deputado Kevin Ho considerou, na sua interpelação oral, que faltam mais cursos na área da saúde, no âmbito deste programa, dirigidos à terceira idade. “Muitos idosos, devido à idade ou estado de saúde, têm dificuldade em encontrar cursos que lhes sejam adequados, logo, uma parte dos subsídios não foi efectivamente aproveitada. Actualmente, os cursos que contam com a participação de idosos “recaem, na sua maioria, sobre actividades culturais, recreativas e desportivas”, apontou. Desta forma, Kevin Ho sugeriu que as autoridades “reforcem a promoção de cursos sobre a saúde holística e os autocuidados”, tendo a secretária referido que “concorda com essas sugestões”. “Os Serviços de Saúde vão tomar como referências o ‘Inquérito sobre a Saúde de Macau’ e os dados de saúde recolhidos regularmente”, disse, além de prever uma colaboração com a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) “no âmbito da base de formação em medicina familiar”, no que diz respeito à supervisão da “configuração e a qualidade dos cursos” e na emissão de “orientações específicas”.
IA | Governo quer formar quadros “médicos ‘mistos’” Hoje Macau - 31 Jul 2026 O Governo anunciou ontem que vai reforçar a formação de profissionais de saúde com competências combinadas em Medicina e inteligência artificial (IA), aprofundando a cooperação com instituições de ensino superior. “Para o futuro, prevê-se o aprofundamento da cooperação com as instituições de ensino superior no sentido de cultivar quadros qualificados médicos ‘mistos’ de integração entre a Medicina e a Engenharia, os quais combinem a prática clínica com capacidades em tecnologia de IA”, disse esta tarde na Assembleia Legislativa a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. O Lam, que respondia a uma interpelação de Lei Wun Kong e Kou Kam Fai – do grupo de deputados nomeados pelo chefe do Executivo – destacou que, como parte desta estratégia de formação de “quadros qualificados ‘mistos’ interdisciplinares”, planeia-se a criação, no ano lectivo 2027/2028, dos mestrados de Inteligência Artificial para Biologia e Engenharia Médica Inteligente. Estes programas, notou, vão juntar-se a formações já existentes em áreas como a da “MTC [Medicina Tradicional Chinesa], de administração medicinal, de técnicas farmacêuticas, ciências biomédicas, bem como de descoberta de drogas impulsionada por IA”. Lei Wun Kong e Kou Kam Fai interpelaram as autoridades sobre a necessidade de definir uma “estratégia de desenvolvimento saudável” da IA aplicada à saúde, questionando, por exemplo, se existe a intenção de investir em equipamento médico avançado ou exportar soluções digitais para os países de língua portuguesa.
Governo quer criar “postos físicos” de saúde mental no próximo ano Andreia Sofia Silva - 31 Jul 2026 O Governo pretende criar, em 2027, o que chama de “postos físicos” de apoio de saúde mental. Em resposta a uma interpelação oral da deputada Ella Lei, O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, explicou que “o Governo da RAEM está a planear a criação de postos físicos, cuja entrada em funcionamento está prevista para o segundo trimestre do próximo ano”. A ideia é que as pessoas que sintam necessidade de apoio possam “deslocar-se pessoalmente aos referidos postos ou contactá-los por via telefónica para receber os respectivos serviços”. O objectivo do Executivo, com este novo serviço, é “aperfeiçoar ainda mais a ‘rede de protecção da saúde mental'”. Além disso, a secretária destacou o trabalho que tem sido feito pelo Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Saúde Física e Mental, ainda em fase experimental, referindo que há uma equipa multidisciplinar composta por agentes de aconselhamento, assistentes sociais e pessoal médico que acompanham os casos. “Após uma avaliação unificada da equipa interdepartamental, são providenciados à população os serviços médicos apropriados, apoio emocional e assistência social, assegurando assim a afectação razoável de recursos e a coordenação perfeita na prestação de serviços.” O Lam alertou ainda para o facto de muitas pessoas terem receio de expor os problemas de saúde mental que enfrentam, nomeadamente “muitos estudantes que não querem contactar directamente os agentes de aconselhamento porque não querem que as escolas saibam do seu caso”. Para este tipo de situações foram criadas “mais linhas de comunicação, com resultados positivos”. Enquanto isso, Kong Chi Meng, director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), disse que “os directores de turma e outros responsáveis têm formação nesta matéria”, enquanto “os agentes de aconselhamento têm 15 horas de formação por ano”. “Em relação ao aumento de recursos, esperamos trabalhar melhor nesta matéria no futuro”, frisou ainda. Silêncio dos mais velhos Durante o debate, o deputado Lam Lon Wai alertou para o facto de “os problemas dos alunos serem complexos e diversificados”, sendo necessárias “muitas pessoas para acompanhar os problemas”. Já Chan Lai Kei questionou se na futura cidade universitária, em Hengqin, será feito um investimento “em mais recursos para formar talentos” na área da saúde mental. Se os alunos parecem ter problemas em pedir ajuda, também os idosos têm essa dificuldade, segundo destacou o deputado Che Sai Wang. “Estou preocupado com os idosos, sobretudo na identificação dos casos de depressão. Os idosos não procuram apoio por sua iniciativa, e ao pedirem ajuda médica é difícil ver as razões e motivos da doença. Se essa rede só depender dos próprios idosos para pedir ajuda, isso não vai resolver o problema, e há que criar mecanismos activos para a identificação dos problemas.” Neste sentido, o deputado questionou “se além dos serviços comunitários, como podem ser reforçados os serviços no centro de saúde e a capacidade do pessoal da linha da frente”.
Saúde | Esperas nas urgências diminuíram 10% no primeiro semestre Andreia Sofia Silva - 31 Jul 2026 O deputado Che Sai Wang perguntou, e a secretária O Lam respondeu: o tempo médio de espera no serviço de urgência baixou cerca de 10 por cento na primeira metade do ano. O Governo anunciou a criação de um serviço de acompanhamento dos tempos de espera na Conta Única de Macau A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, disse na Assembleia Legislativa (AL) que hoje se espera menos na urgência do que há um ano. Em resposta a interpelação oral do deputado Che Sai Wang, a governante referiu que no primeiro semestre deste ano, “o tempo médio diário de espera na Urgência de Adultos foi de 54 minutos, o que representa uma diminuição de 10 por cento em termos homólogos”. Além disso, “a proporção de utentes com tempo de espera superior a duas horas fixou-se em 7,8 por cento, registando uma descida progressiva face aos 10,6 por cento registados no período homólogo do ano passado”, acrescentou a secretária. O Lam adiantou também que o hospital das ilhas, o Centro Médico de Macau Union, começou a ter serviços de urgência igualmente no primeiro semestre deste ano, “tendo assegurado mais de 15 por cento do volume global dos serviços de urgência públicos”, referiu, desviando doentes do Centro Hospitalar Conde de São Januário. A secretária explicou aos deputados que é feita uma “análise contínua dos dados estatísticos do Serviço de Urgência, incluindo o número de atendimento em diferentes períodos, o tempo médio de espera e as condições de serviços”, a fim de se decidir quanto à alocação e “optimização dos serviços”. Neste contexto, O Lam anunciou a criação da plataforma “Facilidade de Espera” na aplicação móvel “Conta Única de Macau”, em conjugação com os Serviços de Administração e Função Pública. A ideia é que os utentes possam acompanhar, em tempo real, os períodos de espera nas várias unidades de saúde, públicas e privadas, com informações sobre o nível de afluência em diferentes alturas. Médicos: será que chegam? No debate de resposta a interpelações dos deputados, O Lam esclareceu que os 35 médicos de clínica geral “recentemente recrutados pelos Serviços de Saúde (SS) já começaram a ser integrados, de forma faseada, no Serviço de Urgência, elevando a sua capacidade de atendimento”. Desta forma, o Executivo assegura que “os dois hospitais públicos procederão ao ajustamento dinâmico da dotação de médicos, enfermeiros e pessoal de apoio com base no número de atendimento do Serviço de Urgência nos períodos de maior afluência, bem como no período nocturno, feriados e épocas de gripe”. Apesar dos esclarecimentos, os deputados não deixaram de apresentar dúvidas, nomeadamente Pereira Coutinho, companheiro de bancada de Che Sai Wang, que apelou a O Lam para verificar, presencialmente, o panorama dos serviços de urgência. “A secretária disse que há 35 médicos gerais que estão a ser integrados nos serviços de urgência, mas se tiver tempo, a senhora secretária pode ir à urgência verificar a situação, porque há falta de pessoal. O pessoal não tem sequer tempo para frequentar acções de formação, nem para descansar”, acusou. Já Leong Pou U alertou para o aumento do número de utentes face ao menor aumento de pessoal médico e de enfermagem. “Em 2022 havia 452 médicos e 1.034 enfermeiros, e em 2024 havia 435 médicos e 1.110 enfermeiros. O número de utentes aumentou de 480 mil para 500 mil. No serviço de urgência passou de 230 mil para 300 mil. De facto, o número de trabalhadores não foi alterado, mas o número de utentes aumentou bastante e isso agrava a pressão sentida pelos trabalhadores da linha da frente.” O deputado inquiriu ainda a secretária sobre os novos médicos contratados. “Disse que foram recrutados mais 35 médicos gerais, mas será que são suficientes para lidar com o aumento da população e com o facto de a sociedade estar a envelhecer?”, questionou.