Visitantes | Macau volta a fixar novo recorde máximo Hoje Macau - 3 Mar 20263 Mar 2026 Macau recebeu 3,65 milhões de visitantes em Janeiro, o valor mais elevado de sempre para o primeiro mês, apesar de o Ano Novo Lunar ter calhado em Fevereiro, foi ontem anunciado. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), o número de turistas que passou pelo território foi apenas superior em 767 em comparação com o mesmo período de 2025. Ainda assim, foi suficiente para ser o valor mais elevado para qualquer mês de Janeiro desde que a DSEC começou a compilar dados mensais, em 1998, ainda durante a administração portuguesa. A região já tinha registado quatro máximos históricos para os meses de Setembro (3,8 milhões), Outubro (3,47 milhões), Novembro (3,35 milhões) e Dezembro (3,58 milhões). Macau recebeu mais de 40 milhões de visitantes em 2025, um novo máximo histórico, ultrapassando o anterior recorde de 39,4 milhões, fixado em 2019, antes da pandemia de covid-19. Janeiro alcançou um recorde apesar do Ano Novo Lunar, um período alargado de feriados na China continental e um pico turístico para Macau, ter calhado no final de Fevereiro. Em 2025, o início do Ano Novo Lunar foi em 29 de Janeiro. As origens Aliás, a DSEC aponta esta diferença para explicar a queda homóloga de 9,6 por cento, para 1,45 milhões, no número de visitantes vindos do interior da China com visto individual. Ainda assim, a esmagadora maioria (89,8 por cento) dos turistas que chegaram a Macau em Janeiro vieram da China continental ou Hong Kong. No entanto, quase 62 por cento dos visitantes (2,25 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia em Macau no ano passado. A queda nos mercados da China continental e de Hong Kong foi compensada por uma subida de 20,7 por cento no número de visitantes vindos de Taiwan, assim como por um aumento de 15,5 por cento nos turistas vindos do resto do mundo. Macau recebeu quase 278.500 visitantes vindos do estrangeiro, referiu a DSEC, que não inclui Taiwan. Este é o valor mais elevado para Janeiro desde 2019, antes do início da pandemia. A recuperar Em 16 de Dezembro, a directora dos Serviços de Turismo de Macau sublinhou que o número de visitantes internacionais tinha recuperado até cerca de 80 por cento dos níveis pré-pandemia. Em Agosto, Maria Helena de Senna Fernandes tinha apontado como objectivo mais de três milhões de turistas internacionais em 2025. Mas Macau falhou essa meta, ficando-se por 2,76 milhões de visitantes vindos do estrangeiro, ainda assim um aumento de 13,7 por cento em comparação com 2024. Cidadãos da Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Barém e Omã passaram a estar dispensados de visto para entrar na cidade a partir de 16 de Julho. Em 17 de Fevereiro, Senna Fernandes disse que Portugal será uma das prioridades de Macau no que toca a atrair mais visitantes estrangeiros. A região voltou a marcar presença na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), que decorreu entre 25 de Fevereiro e 01 de Março, depois de um ano de ausência.
O silêncio e a ira David Chan - 3 Mar 2026 De acordo com a imprensa de Macau, no passado dia 18 de Fevereiro, uma mulher da China Continental possuidora de uma licença de entrada e saída, apanhou um autocarro em Macau com destino às Portas do Cerco. Quando entrou pediu indicações ao motorista, mas não recebeu qualquer resposta. Indignada com o silêncio tentou agarrar o volante e provocou um abanão no veículo. O motorista parou imediatamente o autocarro e ligou para o inspector da empresa. Quando chegou, o inspector retirou a mulher do autocarro e chamou a polícia. Depois disto o autocarro seguiu viagem e ninguém se magoou. A Polícia de Segurança Pública conduziu a mulher até à esquadra para ser interrogada. A comunicação social adiantou que ela tinha agarrado o volante porque estava furiosa com o motorista por ele não lhe ter respondido, mas que não houve intenção de pôr em risco a segurança pública. A mulher vai ser acusada de “pôr em risco a segurança rodoviária” e o caso foi transferido para o Ministério Público para ser investigado. O Ano Novo é supostamente uma ocasião festiva, mas um incidente aparentemente menor pode perturbar uma atmosfera alegre e potencialmente desencadear uma crise de segurança pública. É natural que esta mulher sentisse que tinha motivos para estar irritada e emocionalmente descontrolada depois de o motorista se ter recusado a responder-lhe quando pediu indicações sobre a direcção a tomar. No entanto, a tentativa desesperada de agarrar o volante podia ter causado um acidente e uma tragédia, provocando ferimentos nos passageiros e, ou, nos transeuntes. Por conseguinte, a gestão emocional é crucial. Estarmos cegos pela raiva não é desculpa. Agarrar o volante e pôr em risco a segurança rodoviária é um crime grave, representando uma ameaça à segurança dos passageiros, dos transeuntes e dos outros veículos. Neste caso, o motorista teve a presença de espírito para se concentrar na condução, estacionar e, de seguida, pedir a ajuda do inspector da empresa. Colocar a segurança de todos em primeiro lugar demonstra ética profissional. O que é que pode ser mais importante do que a segurança e a prevenção de acidentes? O inspector retirou a mulher do autocarro, permitindo que partisse e que os outros passageiros não se atrasassem, minimizando assim o impacto do incidente e demonstrando um excelente desempenho numa emergência. Depois deste incidente ter ocorrido, é fundamental prevenir que outros semelhantes aconteçam. A sociedade de Macau pode considerar tomar as seguintes medidas: Em primeiro lugar, nos comportamentos que afectam a segurança dos transportes públicos e que podem levar a acidentes graves, a simples persuasão pode ser ineficaz. Devem ser usados procedimentos legais para fazer as pessoas perceberem que “raiva” e “imprudência” não podem sobrepor-se à “lei”, à “segurança” e às “vidas humanas” e assim evitar que incidentes semelhantes se repitam. Em segundo lugar, e por motivos de segurança, a informação afixada nos autocarros deveria claramente explicar que o motorista não pode falar com os passageiros enquanto conduz. Esta informação deveria estar escrita em chinês, em português e em inglês para impedir os passageiros de falarem com o motorista e evitar mal-entendidos motivados pelas barreiras linguísticas. Em terceiro lugar, a forma como o motorista e o inspector lidaram com esta situação foi exemplar e ambos merecem louvores e recompensas. A empresa transportadora poderia indicar estes comportamentos como modelos a seguir durante o processo de formação dos funcionários, pois são demonstrativos de que os problemas devem ser resolvidos com calma e que essa é a filosofia da empresa. Esta formação beneficiaria a sociedade, a empresa, os funcionários e o público. Este incidente lembra-nos da necessidade de garantir a segurança de todos os que utilizam as estradas, da importância da civilidade e da boa imagem de uma cidade turística. Ao abanar o volante do autocarro esta mulher tocou num ponto sensível – a segurança pública. Só através da estrita obediência à lei, de sistemas melhorados e auto-disciplina é que estes problemas podem ser resolvidos. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macaue a ir Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau cbchan@mpu.edu.mo
Coro Gulbenkian actua no Festival de Artes de Hong Kong e vem a Macau Hoje Macau - 3 Mar 2026 O Coro Gulbenkian de Portugal participa este ano no Hong Kong Arts Festival (HKAF) com actuações em Hong Kong e uma passagem por Macau, um evento que se pauta pelo “encontro das culturas chinesa e portuguesa”, segundo a organização. Esta quarta-feira, no auditório do Kwai Tsing Theatre, em Hong Kong, o coro de 40 elementos apresentará o espectáculo “Os dias mais longos e os mais curtos”, uma “cantata tecnológica” que se desenrola numa espécie de dueto do coro consigo próprio em versão virtual projectada num ecrã, com as duas versões do coro a cantarem juntas e separadamente. Este espectáculo conta com o acompanhamento da soprano Camila Mandillo, do contratenor David Hackston e da pianista de Hong Kong Rachel Cheung, sob a batuta do maestro Jorge Matta em carne e osso, ou talvez em formato digital. “Os dias mais longos e os mais curtos” (The Longest Days and the Shortest Days) “desafia as nossas percepções, esbatendo a linha entre o real e o digital”, descreve a organização. Escrita pelo compositor americano Eugene Birman, vencedor do prémio Guggenheim e radicado em Hong Kong, e encenada por Giorgio Biancorosso, “a obra tem o título de um poema encomendado para a ocasião pela escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida”, é ainda descrito. “A ‘cantata tecnológica’ usa a alienação da pandemia, a solidão e a ansiedade vividas como ponto de partida para reflectir sobre a passagem do tempo. Inverte o paradigma da era covid de assistir a apresentações ao vivo ‘online’, trazendo uma apresentação virtual para um público ao vivo”, explica ainda o HKAF. Segundo concerto Outro concerto do Coro Gulbenkian em Hong Kong – Tesouros corais de Portugal (Choral Treasures from Portugal) – integra obras à capela de compositores portugueses do século XVII até hoje, bem como de Bach e Brahms. O espectáculo, que decorre no Concert Hall, no Hong Kong City Hall, na quinta-feira, será conduzido por Martina Batič, maestrina principal do coro. O HKAF organizou com a Diocese de Macau uma visita cultural de um dia do coro a esta cidade na próxima sexta-feira para “aprofundar a cultura sino-portuguesa, a gastronomia e o desenvolvimento da música religiosa”. Está agendada para o fim da tarde uma actuação breve de música sacra portuguesa na Igreja do Seminário de São José, em Macau.
Creative | A Casa da Música do Porto sob o olhar de Lúcia Lemos Andreia Sofia Silva - 3 Mar 2026 “White Diamond” [Diamante Branco] é o nome da nova exposição patente na Creative Macau, um espaço onde Lúcia Lemos, antiga directora desta galeria, aproveita para mostrar a sua visão muito própria sobre um dos mais icónicos edifícios do Porto, a Casa da Música. O fascínio sobre o preto e branco permanece Inaugurado em 2005, o edifício da Casa da Música, no Porto, sempre esteve no radar de Lúcia Lemos, fotógrafa e ex-directora da Creative Macau. E é com as imagens deste edifício, da autoria do arquitecto holandês Rem Koolhaas, que a responsável regressa às exposições em seu nome, e logo na galeria que dirigiu durante tantos anos. “White Diamond” é o nome dado à nova mostra da Creative Macau, inaugurada a partir desta quinta-feira. Numa nota a propósito da exposição, a autora descreve “o fascínio incontrolável” que tem sobre a fotografia a preto e branco, feita com filme. Há “um breve momento entre o enquadrar e clicar, uma felicidade repentina e indecifrável toma conta de mim”, conta. No caso da Casa da Música, que intitula de “magnífica”, o que ocorreu foi uma “curiosidade excepcional para fotografá-la em filme”. “Em 2006, fiquei em frente àquele enorme edifício ‘diamante’ em cimento branco e tirei algumas fotos com a minha velha câmara Rolleiflex. Sob a intensa luz do sol do dia, o seu corpo branco, rodeado por casas escuras de granito de três andares do século XX, brilha em todas as faces, glorificando a cidade. Isso torna a Casa da Música ainda mais resplandecente”, descreve-se na mesma nota. Ao HM, Lúcia Lemos conta que o que mais a fascinou na Casa da Música foi a “originalidade da estrutura física não usual e o que provocou nas gentes do Porto”, nomeadamente “sentimentos antagónicos, quer de repúdio, quer de admiração”. Ainda em 2006, Lúcia Lemos digitalizou alguns negativos e imprimiu as imagens, já em Hong Kong, já a pensar numa futura exposição, que ganha agora corpo. “Para mim, Rem Koolhaas fez a Casa da Música com carne e osso, deu-lhe substância e função, forma e dinamismo, inclinação e verticalidade. É um volume de uma escala fantástica, com inclinação e declive vertiginosos. Porém, exprime o espírito e a plenitude de significado que é servir a MÚSICA”, conta. As causas Lúcia Lemos deu a este “conjunto fotográfico” o nome de “Diamante Branco” porque encara “essa estrutura como um diamante esculpido a cimento branco, rodeado por casas de três andares de granito escuro”. Na Avenida da Boavista, onde o edifício está situado, “a Casa da Música emerge iluminada do chão quase plano, com todas as faces a espelhar o sol e as nuvens, oferecendo felicidade a quem ama a música”. O amor pelo preto e branco mantém-se como sempre. “Todo o meu trabalho fotográfico que tenho vindo a publicar e a exibir desde 2001 provem do filme analógico a preto e branco. Talvez, um dia, publique fotografia colorida, mas se me decidir por um projecto específico em que a cor seja absolutamente identitária do objectivo afim”, explicou. Lúcia Lemos diz estar muito feliz por poder voltar a mostrar o seu trabalho na Creative. “A primeira vez foi em Fevereiro de 2010, com sete fotografias monumentais, com um formato quadrado de dois metros, o que salientou a estrutura monumental de alguns casinos em construção. O grupo de 23 fotografias que agora apresento do exterior da Casa da Música são impressões únicas, sem repetição, com o tamanho de 41 por 51 centímetros.” Em relação ao projecto da Creative Macau, Lúcia Lemos é convidada a analisá-lo de fora, sentindo “um orgulho e emoção indescritíveis por ter vivido o Creative Macau desde a concepção”. “Foram mais de duas décadas de entusiasmo, paixão, amor e dedicação tentando criar uma imagem inovadora e de abertura à qualidade. Pelo caminho houve avanços e recuos, não obstante ajustamentos e contenções, o nosso objectivo era oferecer algo novo e diferente”, aponta. A responsável recorda ainda os “projectos inovadores lançados e que foram prestigiantes para a instituição fundadora”, nomeadamente o Instituto de Estudos Europeus de Macau. “Claro que a realização conseguida só foi possível tendo a confiança e apoio daqueles que, ao meu lado, trabalhavam para esse objectivo com orgulho. Emociona-me ver que o Creative Macau continua dinâmico e no mesmo formato artístico e cultural”, concluiu.
“Duas Sessões” | Pequim prepara-se para divulgar novo plano quinquenal Hoje Macau - 3 Mar 2026 As chamadas “Duas Sessões” arrancam esta semana em Pequim. Em causa, num encontro que reúne cerca de 3.000 delegados de todo o país na capital chinesa, estarão as orientações das políticas económica, social, diplomática e militar para os próximos cinco anos A China inicia esta semana as chamadas “Duas Sessões”, principal evento político anual do país, com destaque para a apresentação do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030). Milhares de delegados de todo o país reúnem-se no Grande Palácio do Povo, em Pequim, junto à praça Tiananmen, para aprovar legislação e formalizar decisões previamente definidas pelo Partido Comunista Chinês (PCC), que governa o país. O encontro, permitirá divulgar o novo plano quinquenal, documento orientador das políticas económica, social, diplomática, política e militar para os próximos cinco anos. O plano deve apresentar respostas estruturais a vários desafios, desde a fraca procura interna e a crise no sector imobiliário até às restrições ao acesso a tecnologias avançadas impostas pelos Estados Unidos e às disputas comerciais com Washington e a União Europeia. A sessão plenária da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão máximo legislativo da China, começa quinta-feira e prolonga-se por cerca de uma semana. Paralelamente, reúne-se, a partir de quarta-feira, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), um órgão consultivo que integra representantes de vários sectores da sociedade. O primeiro-ministro Li Qiang deverá anunciar na quinta-feira a meta oficial de crescimento económico para 2026. Em 2025, a economia chinesa cresceu 5 por cento, em linha com o objectivo governamental, mas dos ritmos mais baixos das últimas décadas. Analistas antecipam que a meta para este ano possa situar-se entre 4,5 por cento e 5 por cento. Nos últimos anos, Pequim tem defendido uma reorientação do modelo económico para uma maior dependência do consumo interno, reduzindo a aposta tradicional nas exportações e no investimento público. Contudo, a incerteza no mercado imobiliário e o desemprego jovem continuam a incentivar a poupança das famílias. Especialistas consideram que o novo plano deverá reforçar a aposta nas altas tecnologias, na transição ecológica e na segurança das cadeias de abastecimento. Steve Tsang, director do instituto SOAS China da Universidade de Londres, afirmou que a linha principal deverá aprofundar a orientação já definida pelo Presidente chinês, Xi Jinping, sem mudanças estruturais significativas no modelo político ou económico. Sarah Tan, economista da Moody’s Analytics, considerou que a estratégia sinaliza uma transição de um modelo assente no endividamento para outro centrado na inovação, mas alerta que uma recuperação sustentável exigirá maior protecção social, aumento de rendimentos e resolução da crise imobiliária. Outros desafios A China enfrenta igualmente um desafio demográfico, com a população a diminuir pelo terceiro ano consecutivo. O Governo tem anunciado medidas de apoio à natalidade, incluindo subsídios e expansão de serviços de creche, mas o impacto tem sido limitado. O orçamento da Defesa deverá também ser revelado durante as sessões, num momento em que o Governo conduz uma ampla campanha anticorrupção no seio das Forças Armadas. As “Duas Sessões” são vistas como um momento-chave para sinalizar as prioridades estratégicas de Pequim ao país e à comunidade internacional.
Petrolíferas chinesas disparam em bolsa com ataques no Médio Oriente Hoje Macau - 3 Mar 2026 As três principais petrolíferas estatais chinesas fecharam ontem com ganhos de 10 por cento na Bolsa de Xangai, o limite diário de valorização, impulsionadas pela subida do crude após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão. Segundo o portal especializado Gelonghui, é a primeira vez que a PetroChina, a Sinopec e a Cnooc registam a valorização máxima permitida numa mesma sessão no mercado de Xangai. Uma oscilação no valor das acções de 10 por cento leva automaticamente à suspensão das negociações. A PetroChina atingiu máximos desde 2015 e a Sinopec desde 2018, enquanto a Cnooc alcançou um recorde de capitalização bolsista neste mercado, onde se estreou em 2022. Em Hong Kong, onde as três empresas também estão cotadas, os ganhos eram, minutos antes do fecho, de 4,09 por cento para a PetroChina, 2,57 por cento para a Sinopec e 6,16 por cento para a Cnooc. Segundo o mesmo meio, cerca de uma dezena de outras empresas do sector energético registaram igualmente a valorização máxima permitida na China continental. Entre elas, a Tong Petrotech, que presta serviços de perfuração, subia quase 20 por cento, limite aplicável a algumas empresas na Bolsa de Shenzhen. A conjuntura beneficiou também empresas ligadas ao ouro e à prata, considerados activos de refúgio em períodos de incerteza. A Hunan Gold, em Shenzhen, e a Chifeng Gold, em Xangai, avançaram 10 por cento. A sessão foi igualmente positiva para os sectores da defesa, aeroespacial e transporte marítimo, enquanto as companhias aéreas recuaram, pressionadas pela subida do preço do petróleo e pelos encerramentos de espaços aéreos no Médio Oriente. O preço do barril de Brent subia cerca de 8 por cento ontem de manhã para 78,22 dólares, após o ataque ao Irão, um dos principais produtores da OPEP+ e país que controla o estreito de Ormuz, por onde passa quase 20 por cento do comércio mundial de crude. Sob controlo O Irão representa cerca de 11 por cento das importações chinesas de petróleo, sendo a China o maior comprador mundial, mas aproximadamente 45 por cento do crude adquirido por Pequim provém de outros países do Golfo, como a Arábia Saudita, o Iraque e o Kuwait. Apesar disso, especialistas citados pela imprensa local consideram que o impacto da suspensão do trânsito em Ormuz anunciada por grandes companhias marítimas seria “geralmente controlável”. Já Alicia García Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis, defendeu que a crise iraniana representa para a China um “risco maior” do que o caso da Venezuela. Segundo a analista, o Irão tem fornecido à China petróleo com desconto, frequentemente contornando as sanções norte-americanas através do ‘comércio triangular’ – através de terceiros países –, com transações liquidadas maioritariamente na moeda chinesa, o yuan. “Este acordo manteve a economia iraniana à tona face ao isolamento ocidental, ao mesmo tempo que fornece a Pequim combustível barato”, afirmou.
Ambiente | Energia solar impulsiona ligeira descida das emissões em 2025 Hoje Macau - 3 Mar 2026 As emissões de carbono da China nos sectores da energia e da indústria recuaram 0,3 por cento em 2025, apesar do aumento do consumo total de energia, impulsionadas pela forte expansão da produção solar, segundo dados oficiais. As estatísticas, divulgadas pelo Gabinete Nacional de Estatísticas, indicam uma queda de 0,3 por cento nas emissões desses sectores no ano passado, num contexto em que o consumo total de energia cresceu 3,5 por cento. A produção de energia limpa representou 40 por cento do total da geração eléctrica em 2025, face a 37 por cento no ano anterior, com destaque para a energia solar, que ultrapassou a eólica. Registaram-se ainda aumentos mais modestos na produção hidroeléctrica e nuclear. Apesar da descida das emissões associadas à energia e à indústria, a China – o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa – continua fortemente dependente do carvão. O consumo total deste combustível aumentou 0,1 por cento em 2025, embora a sua quota no cabaz energético tenha recuado ligeiramente. A China comprometeu-se a atingir o pico das emissões antes de 2030 e a alcançar a neutralidade carbónica até 2060.
O Sacrifício dos Deuses Ana Cristina Alves - 3 Mar 2026 Ana Cristina Alves – Investigadora Auxiliar e Coordenadora do Serviço Educativo do Centro Científico e Cultural de Macau O mito de origem popular “Pangu Separa o Céu” (盘古开天Pángǔ kāi tiān) remonta ao Período dos Três Reinos (三国, 220-280) e ao seu Registo do Calendário Três Cinco (《三五历纪》)2, de acordo com os dados da enciclopédia online Baike.Baidu, onde surge exposta a teoria cosmológica Hun Tian (“浑天说”), que significa «teoria do Globo Celestial» ou, numa tradução menos literal, «teoria do ovo cósmico»”3 : No Registo do Calendário Três Cinco pode ler-se “O Céu e a Terra estavam ligados como um ovo, tendo originado Pangu. Na teoria Hun Tian, a esfera celeste envolve a terra, e o centro onde o Céu e a Terra se encontram é conhecido como «o centro geográfico». Foi em Luoyang que Pangu nasceu, nessa altura o Céu e a Terra ainda não se tinham separado, o universo era uma mistura caótica. Pangu dormiu neste caos por 18 mil anos. Certo dia, de repente acordou. À volta, reinava um escuro de breu. Ele ergueu um grande machado com o qual lutou contra a escuridão. Esta foi-se dissipando com um estrondo imenso. O que era leve começou aos poucos a subir, transformando-se no Céu; o que era pesado foi descendo progressivamente e tornou-se a Terra. Depois de o Céu e a Terra se terem separado, o titã temeu que eles se voltassem a unir, para que tal jamais fosse possível, firmou a cabeça contra o Céu, deixando os pés bem assentes na Terra. E foi assim que o Céu subiu para o alto, afastando-se todos os dias três metros e pouco da Terra. Também ele acompanhou durante muitos anos o crescimento do Céu, cada vez mais alto e distante. Quando o Céu e a Terra já estavam totalmente formados, Pangu tombou exausto. Após a sua queda, o corpo dele sofreu as maiores alterações: A respiração transformou-se no vento e nas nuvens das quatro estações; a voz em estrondosos trovões; os olhos no sol e na lua, os quatros os quatro pontos cardeais da Terra, leste, oeste, sul e norte; os músculos e a pele na vasta extensão da Terra; o sangue em pequenos e grandes rios sempre a fluir e o suor, na chuva e orvalho que nutrem os dez mil seres. 据《三五历纪》记载,“天地浑沌如鸡子,盘古生其中” 。浑天说中,球壳状的天包着地,天与地的中心就是“地中”,即洛阳 ,盘古生于此。当时天和地还没有分开,宇宙 一片。盘古在这个混沌的宇宙中睡了一万八千年 。有一天,盘古突然醒了。他见周围一片漆黑,他就抡起大斧头,朝眼前的黑暗猛劈过去了。只听一声巨响,一片黑暗的东西渐渐分散开了。轻清的东西缓缓上升,变成了天;重浊的东西慢慢下降,变成了地 。 天和地分开以后,盘古怕它们还会合在一起,便头顶着天,脚蹬着地。天每天升高一丈,盘古也随着天越长越高。这样不知过多少年,天和地逐渐成形了,盘古也累得倒下来了。 盘古倒下后,他的身体发生了极大的变化。他呼出的气息,变成了四季的风和云;他发出的声音,化作了隆隆的雷声;他的双眼变成了太阳和月亮;他的四肢,变成了大地上的东、西、南、北四极;他的肌肤,变成了辽阔的大地;他的血液,变成了奔流不息的江河;他的汗,变成了滋润万物的雨露。 João Marcelo Martins em A Gramática Universal do Mito (2023, 142) chama a atenção para os vários sentidos etimológicos do nome de Pangu (盘古),que, numa leitura possível se aproxima da fonética da palavra «cabaça», Páohù (匏瓠), tendo esta na cultura chinesa o sentido simbólico de reprodução de vida, há ainda outras possibilidades interpretativas em torno do nome deste grande titã, como a de uma «antiguidade espiralada» (Ibidem), por causa de um dos sinogramas ser 古 (gǔ), que significa «antigo», enquanto o outro 盘 (pán), pode ser traduzido por «espiralar». A verdade é que este mito chinês do ovo cósmico se encontra em várias mitologias, como por exemplo na órfica da Grécia antiga, nas quais se enfatiza a imagem de um grande ovo do qual brotaram, quais pintos, todos os seres do universo, incluindo as próprias bases do mesmo – o Céu e a Terra. Panorama idêntico nos apresenta a mito de génese chinês. Neste mito de criação, é-nos facultada uma imagem que apela a uma mistura caótica, na qual está imerso o universo numa escuridão total. Depois, assiste-se ao sacrifício do titã, que consegue separar e constituir as duas forças básicas, representantes do princípio masculino Yang (阳), o Céu e do princípio feminino Yin (阴), a terra. Toda a criação é um ato de sacrifício do portentoso, que começa nos milhares de anos em que a força divina separa os elementos e culmina com a exaustão do titã. É do corpo de Pangu e, por transformação, que surgem todos os seres vivos, celestiais e telúricos. Há uma energia imanente, viva e animada que mantém um universo ligado, como num só corpo. Os generosos sacrifícios não se ficam por aqui. Nem na China, nem na Grécia antiga, tornam-se muito claros quando se pensa nas descrições encontradas para a criação da humanidade pela Deusa Nϋwa (女娲), que numas versão do mito “Nϋwa cria os seres humanos” (女娲造人Nǚ wā zào rén) depois de criar a humanidade com o auxílio da terra e de encher de gente adormece profundamente, tal era o estado de cansaço e fica-se sem saber se não terá acordado no paraíso para não mais regressar ao mundo. A Deusa, após ter criado os animais, continuava a sentir-se sozinha, pelo que “no sétimo dia, chegou a um lago. Pegou num pouco de barro e misturou-o com água. Ao ver a sua imagem refletida fez um pedaço de barro parecido com ela” (Wang, Alves, 2009, 16). Para que se mexesse, bastou colocar o boneco e a todos os outros que se haviam de seguir, em contacto com a terra. A energia desta, animava-os, sendo por si só indispensável na passagem dos bonecos para a criação da humanidade. Tal como sucedeu no mundo grego antigo, o cosmos surge do vazio e do Caos primordial, depois, por geração espontânea, conta-se na teogonia de Hesíodo, manifesta-se a Mãe- Terra Gaia, Eros, o Deus do Amor, e a partir desta todos os elementos deificados: o Céu ou Urano, o Mar e as Montanhas, etc. Gaia, com a ajuda de Urano, gera os restantes filhos, alguns deles criaturas colossais e deformadas como os ciclopes, com cinquenta cabeças e cem braços, além dos titãs, dos gigantes, bem como dos restantes deuses, aos quais Cronos, o deus do tempo chamava titãs, que significava na sua ideia “criaturas arrogantes e ambiciosas”. Os Deuses gregos tinham todos os defeitos e virtudes humanas eram maus, ciumentos, vingativos, mas também bondosos e dadivosos, dependendo o modo como se comportavam dos seus humores. Na Grécia antiga não era a humanidade forjada à semelhança dos deuses, mas, pelo contrário, eram os deuses concebidos à imagem e semelhança da humanidade. Pobres daquelas forças divinas que por amor à humanidade tentaram ludibriar os seus pares, como sucedeu com o titã Prometeu que foi ao Olimpo roubar o fogo dos deuses para dotar a humanidade duma arma poderosa. O episódio sucedeu na sequência de Epimeteu, irmão mais novo de Prometeu, cujo nome significa “o que pensa depois”, ter dotado os animais, quando os criou com as melhores virtudes que retirou do alforge preparado pelos deuses mais novos: garras, presas, asas, tentáculos, bicos, ferrões, velocidade e tudo o resto que os animais possuem de bom. Prometeu, cujo nome significa “pensador previdente”, ao concluir nada ficar para si na terra que distinguisse a humanidade, foi ao Olimpo, ludibriar e extorquir o fogo dos deuses, dotando assim os seres humanos de inteligência para que se pudessem defender de animais com capacidades físicas muito superiores às deles. Para tal, teve de apanhar distraída Héstia, a deusa virgem do lar, mas o mesmo não sucedeu a Zeus, o líder supremo dos deuses, que não se deixou enganar. Puniu o que considerou ser a suma arrogância do titã ladrão com um suplício terrível. Agrilhoou Prometeu nas montanhas do Cáucaso e mandou que Hefesto, deus da forja e de outras artes, fabricasse na sua fornalha os grilhões para o acorrentar. O criador da humanidade foi preso pelo Poder e pela Força a um penhasco, de braços e pernas esticadas, agarrado pelos pulsos e tornozelos, sendo visitado diariamente por uma águia voraz, que lhe despedaçava o diafragma e lhe comia o fígado. Ésquilo (525- 456 a.C), o grande dramaturgo grego relata o suplício, inspirado pela Teogonia de Hesíodo, na tragédia Prometeu Agrilhoado, deixando o herói desabafar no final da peça que relata a sua aventura da dádiva do fogo à Humanidade: (…) Eis a rajada que, para sobre mim trazer terror, foi mandada por Zeus. Oh Majestade! Oh minha mãe! Éter divino! ― Que, pelo mundo além, fazes rolar maravilhoso hino : a Luz ― supremo bem, a iluminar o trágico destino de toda a gente ! Vê como é grande a minha desventura, A dor que me tortura ― Injustamente!… (Ésquilo, 1946, 115) O sacrifício de Prometeu terá eco no mundo cristão, no qual o filho de Deus, Jesus Cristo, também se sacrifica por amor à Humanidade. Morre na cruz para salvar os homens, que invariavelmente se portam mal. Mas há uma grande diferença na maneira de encarar o cosmos de chineses e cristãos, com a Grécia antiga a estabelecer a ponte entre ambas as mundividências. Na perspetiva cristã, Deus criou o mundo a partir do nada (Creatio ex nihilo) . É uma criação transcendente, pessoal e com assinatura de artista. O fruto da criação talvez não tenha sido o melhor, mas ficará sempre por explicar como entrou o mal no mundo, mesmo com Santo Agostinho a defender a teoria do livre-arbítrio humano. Aqui fica o relato da criação ex nihilo no livro do Génesis do Antigo Testamento (Gn 1): No princípio Deus criou o Céu e a Terra. A Terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam o abismo e um vento impetuoso soprava sobre as águas. Deus disse: «Que exista a luz!» E a luz começou a existir. Deus viu que a luz era boa. Deus separou a luz das trevas: à luz Deus chamou «dia» e às trevas chamou «noite». Houve uma tarde e uma manhã, foi o primeiro dia. Depois seguiu-se a criação do firmamento, ao qual Deus chamou céu no segundo dia. No terceiro dia, criou a terra, o mar e as plantas. No quarto dia foram criados o sol, a lua e as estrelas. No quinto dia, os peixes, os pássaros e todos os seres vivos. No sexto dia, os animais foram divididos em espécies e foi ainda criado o homem. No sétimo dia descansou. Relativamente à criação da humanidade, Deus numa das versões cria-as diretamente e à sua imagem e semelhança (Gn 1, 27-31), na outra cria primeiro o homem e depois a mulher partir da costela deste (Gn 2,18-23). Após o que, é percorrido um longo caminho até se chegar ao Novo Testamento e ao sacrifício de Jesus Cristo, morto na cruz por amor à humanidade. Há uma grande diferença, do ponto de vista filosófico, entre as cosmologias imanentistas chinesa e grega e a transcendente cristã. As primeiras obedecem ao princípio da transformação de elementos que estiveram desde sempre imersos no caos primordial e, portanto, apresentam uma imagem cosmológica interrelacionada, em que os elementos ou os dez mil seres possuem afinidades de raiz que lhes permitem comunicar e transmutar-se sempre que necessário. Os deuses gregos, por exemplo, assumem as formas que desejarem, tal como as divindades e imortais chineses. Já no Ocidente cristão a ausência de um ovo cósmico ou de um caos primordial dificulta e impede a transmutação. Os seres estão todos separados e numa posição exterior em relação à divindade, já que se é feito à imagem de deus, não se é o próprio divino e para se alcançar esse estatuto supõe-se uma união mística com o mesmo. O profano exterior, cindido, distante terá de percorrer um longo caminho, que talvez implique o martírio e o sacrifício já anteriormente vivido pelo filho de Deus. De qualquer modo, mesmo no âmbito de filosofias imanentistas, guiadas pelo princípio da transformação, o sacrifício também está sempre presente, quando aliado ao amor à humanidade, como no caso de Prometeu ou, em parte de Nϋwa; ou sem amor, mas por essência natural, quando a aliança é feita com o tempo, se for considerado o exemplo de Pangu. Os deuses são sacrificados, porém não estão sozinhos. O sacrifício é universal, porque as criaturas naturais são também martirizadas por amor ou pelo tempo nas três cosmogonias apresentadas, imolam-se às divindades, umas mais distantes, outras tão próximas que só de dentro conseguem ser intuídas. Referências Bíblia Sagrada. 1997. São Paulo: Paulus. Ésquilo. 1946. Prometeu Agrilhoado. Tradução de Eduardo Scarlatti. Lisboa: Livraria Luso-Espanhola, Lda “浑天说” (teoria Hun Tian) In Baidu. Baike. https://baike.baidu.com/item/%E6%B5%91%E5%A4%A9%E8%AF%B4/717090?fromModule=lemma_inlink, acedido a 25 de fevereiro de 2026. “盘古开天” (Pangu separa o Céu). In Baidu. Baike. https://baike.baidu.com/item/%E7%9B%98%E5%8F%A4%E5%BC%80%E5%A4%A9/74007,2008年6月7日, acedido a 24 de fevereiro de 2026. Johnston, Sarah Iles. 2025. Deuses e Mortais. Odivelas: Alma dos Livros Martins, João Cancelo. 2023. A Gramática Universal do Mito: Análise Comparativa e Contrastiva de Mitos Chineses de Origem. Lisboa: Centro Científico e Cultural de Macau, Universidade de Macau. Wang Suoying, Ana Cristina Alves. 2009. Mitos e Lendas da terra do Dragão. Lisboa: Caminho. Notas: I Este espaço conta com a colaboração do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, sendo as opiniões expressas no artigo da inteira responsabilidade dos autores. De acordo com o estudioso João Martins em A grmática Universal do Mito. Análise Comparativa e Contrastiva de Mitos Chineses de Origem (2023, 143, nota 100) O Calendário Três Cinco diz respeito aos registos históricos já perdidos das Três Divindades Soberanas e dos Cinco Deuses. iii A teoria Hun Tian, fundada por Zhang Heng (张衡), um astrónomo da Dinastia Han, é uma teoria astronómica entre as teses geocêntrica e heliocêntrica, na qual se defende que o universo é infinito, o movimento dos corpos celestes é regular, a luz da lua é o reflexo da luz solar e os eclipses lunares são causados pela Terra bloqueando a luz solar. Para comprovar a sua Teoria Hun Tian, Zhang Heng construiu a primeira “esfera armilar movida a água”, inaugurando uma era de observação astronómica mais precisa. Utilizou então dados de observação astronómica mais rigorosos para corroborar a sua teoria na explicação de diversos fenómenos celestes, influenciando a astronomia por mais de 1500 anos. (cf https://baike.baidu.com/item/%E6%B5%91%E5%A4%A9%E8%AF%B4/717090?fromModule=lemma_inlink)
Sarampo | Serviços de Saúde alertam para surtos no Japão Hoje Macau - 3 Mar 2026 Os Serviços de Saúde (SS) emitiram um comunicado a alertar para os casos de sarampo com grande destaque para as ocorrências recentes no Japão, pedindo à população que se vacine. O comunicado foi divulgado ontem em português, depois de ter sido divulgado em chinês na sexta-feira. “Os Serviços de Saúde continuam a acompanhar de perto a situação epidemiológica do sarampo em todo o mundo. Em tempos recentes, observou-se um aumento substancial de casos de sarampo em diversas regiões do Japão, tendo-se verificado uma propagação contínua da doença na Indonésia e nas Filipinas, entre outros países, bem como na Europa e nos Estados Unidos da América”, foi comunicado. “Os Serviços de Saúde apelam oas residentes que viajem para fora para assegurarem que a vacinação contra o sarampo está concluída e, para os indivíduos que ainda não possuem imunidade, que a completem com uma antecedência mínima de duas semanas”, foi acrescentado. Os SS citam os “dados mais recentes dos departamentos no âmbito de saúde do Japão” para indicar que até 18 de Fevereiro foram registados “43 casos de sarampo, número que já ultrapassou o registado no período homólogo do ano passado”. “Destes casos, destacam-se os registados nas prefeituras de Tóquio, Osaka, Chiba e Niigata”, foi indicado.
Retalho | 2025 terminou com menos receitas e vendas Hoje Macau - 3 Mar 2026 O ano de 2025 fechou para os estabelecimentos do comércio a retalho com uma redução anual de 3,2 por cento em termos do volume de negócios, cifrando-se em 69,58 mil milhões de patacas. Os dados foram divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), através de um comunicado. “Em comparação com 2024, o volume de negócios dos estabelecimentos do comércio a retalho desceu 3,2 por cento em 2025, observando-se que o de artigos de couro e o de mercadorias de armazéns e quinquilharias desceram 11,0 por cento e 5,6 por cento”, foi indicado. No polo oposto, as autoridades indicaram que o “volume de negócios de artigos de comunicação” registou um aumento de 11,4 por cento. A redução das receitas teve por base uma menor venda de produtos. O ano passado fechou assim com uma diminuição anual de 5,9 por cento, em termos do volume de vendas. “Destaca-se que o índice médio do volume de vendas de relógios e joalharia (menos 15,2 por cento), o de automóveis (menos 9,5 por cento) e o de artigos de couro (menos 8,4 por cento) tiveram os maiores decréscimos, enquanto o de artigos de comunicação (mais 10,8 por cento) aumentou”, foi explicado.
Ensino | Arrancaram entrevistas para o pré-escolar João Luz e Nunu Wu - 3 Mar 20263 Mar 2026 Começaram as primeiras entrevistas de admissão ao ensino pré-escolar. Este ano, as autoridades contaram cerca de 3.600 crianças que vão entrar nos infantários de Macau. Entretanto, Governo e escolas procuram adaptar-se à baixa natalidade Começaram no domingo, em 11 escolas, as primeiras vagas de entrevistas de admissão para alunos que se estreiam no ensino pré-escolar. Segundos dados do Governo, entraram no sistema este ano cerca de 3.600 crianças. Para acompanhar o processo, o subdirector dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Wong Ka Ki, visitou uma das primeiras escolas a iniciar o plano de admissão, a Escola dos Moradores de Macau. Segundo o director da escola, Kong Chio Iok, o número de crianças matriculadas este ano é semelhante ao ano passado. Porém, o tema da baixa natalidade foi incontornável durante a visita dos responsáveis da DSEDJ, de acordo com o relato feito pelo jornal Ou Mun. Para já, o director da escola prevê que irá manter entre duas ou três turmas do primeiro ano do ensino infantil. Sob o declínio da taxa de natalidade, Kong Chio Iok entende que poderá trazer oportunidades para redefinir currículos, corpo docente, assim como melhorar a qualidade do ensino. Como tal, o director espera que o Governo lance medidas temporárias, ou a curto prazo, para garantir a estabilização dos recursos educativos e dos professores. Ouvir o sector O director da Escola dos Moradores de Macau revelou ainda que a nova escola na Zona A dos Novos Aterros deverá ser inaugurada no ano lectivo 2028/2029, e que a rede de escolas afectas à associação irá sofrer alterações, com a secção do ensino secundário a mudar-se para a Zona A, e que as instalações actuais nas Portas do Cerco vão passar a servir o ensino primário e infantil. Por seu turno, Wong Ka Ki afirmou que para responder ao declínio da taxa de natalidade, a DSEDJ comunicou com escolas e académicos para recolher opiniões e planear medidas de apoio. O responsável indicou que o Governo vai ajudar as escolas a alargar o escopo do ensino, explorando áreas de educação fora do ensino regular, com conteúdos curriculares dirigidos a adultos e educação contínua. Wong Ka Ki acrescentou ainda que a formação de professores será alargada e que as escolas podem contar com o apoio do Governo na organização de cursos extracurriculares.
Analistas esperam aumento anual de 10% nas receitas do jogo Hoje Macau - 3 Mar 2026 Os analistas dos bancos de investimento Deutsche Bank e JP Morgan Securities (Asia Pacific) esperam um aumento anual das receitas do jogo acima de 10 por cento no primeiro trimestre do ano. As estimativas constam nos relatórios sobre Fevereiro, são citadas pelo portal GGRAsia, e surgem depois da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) ter revelado que as receitas do jogo cresceram anualmente 4,5 por cento no segundo mês do ano, para 20,63 mil milhões de patacas. Segundo o relatório mais recente da JP Morgan, as receitas do jogo “surpreenderam pela positiva”, depois de um “início mais lento” do que o esperado “nos primeiros dias Ano Novo Lunar”. “A taxa diária de receitas melhorou para cerca de mil milhões de patacas por dia na última semana de Fevereiro, contra 785 milhões de patacas durante a semana do Ano Novo Lunar, impulsionada pela forte procura de última hora dos jogadores de premium”, foi explicado. A crescer Tendo em conta o montante dos primeiros dois meses, os analistas DS Kim, Selina Li e Lindsey Qian acreditam que as receitas deverão apresentar um aumento anual de 13 por cento, para o período entre Janeiro e Março. Por sua vez, o analista do Deutsche Bank, Steven Pizzella, espera um crescimento das receitas brutas de jogo de 11,7 por cento no primeiro trimestre, que deverá rondar os 65,32 mil milhões de patacas. Apesar do crescimento, Pizzella apontou que os valores actuais da indústria ainda estão longe do que acontecia em 2019, antes da pandemia da covid-19. Citando os dados da DICJ, o analista apontou que as receitas mais recentes estão 18,7 por cento aquém face ao que acontecia nesse ano. Pizzella indicou também que a tendência de as receitas ficarem abaixo dos valores de 2019 se tem mantido, dado que o mesmo aconteceu em Janeiro (menos 9,3 por cento face a 2019), Dezembro do ano passado (menos 8,5 por cento) e Novembro do ano passado (menos 7,8 por cento).
DSF | Despesas públicas sobem 4,4% após reforço de apoios Hoje Macau - 3 Mar 2026 As despesas públicas aumentaram 4,4 por cento em 2025, devido ao reforço dos apoios sociais, mas a RAEM terminou o ano com um excedente de cerca de 19 mil milhões de patacas. As receitas correntes também subiram 4,7 por cento, para cerca de 114,6 mil milhões de patacas De acordo com dados publicados ‘online’ ontem pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), Macau gastou até ao final de Dezembro 98,4 mil milhões de patacas, ainda assim menos 11,8 por cento do que o previsto. A principal razão para a subida em comparação com 2024 foram os gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 6 por cento, para 55,3 mil milhões de patacas. No início de Julho, a Assembleia Legislativa aprovou uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas nas despesas previstas no orçamento, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para crianças até aos três anos, numa tentativa de elevar a mais baixa natalidade do mundo. As despesas com os funcionários públicos também subiram 1,6 por cento, para 16,5 mil milhões de patacas, apesar dos trabalhadores da função pública não terem tido qualquer aumento salarial em 2025. No final de Novembro, o Governo anunciou que também não irá rever os salários dos funcionários públicos em 2026, decisão justificada com a prudência e com a baixa inflação. De acordo com dados oficiais, no final de 2025 a função pública da região tinha 33.856 trabalhadores, menos 325 do que em 2024. As estatísticas não revelam quantos têm nacionalidade portuguesa, mencionando apenas que 226 nasceram em Portugal. O outro lado O aumento da despesa foi equilibrado pela receita corrente de Macau, que subiu 4,7 por cento em 2025, para 114,6 mil milhões de patacas, mais 6,2 por cento do que o previsto pelo Governo. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 7,6 por cento, para 94,9 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 82,7 por cento do total. As seis operadoras de jogo da cidade pagam um imposto directo de 35 por cento sobre as receitas do jogo, 2,4 por cento destinado ao Fundo de Segurança Social e ao desenvolvimento urbano e turístico, e 1,6 por cento entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos. O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior. A previsão inicial do Governo para todo o ano de 2025 apontava para um excedente de 6,83 mil milhões de patacas. Mas o orçamento revisto, aprovado pela Assembleia Legislativa no início de Julho previa um excedente de apenas 191,1 milhões de patacas.
Trabalho | Número de desempregados com ligeiro aumento Hoje Macau - 3 Mar 2026 Entre Novembro de 2025 e Janeiro de 2026 a taxa de desemprego dos residentes fixou-se em 2,2 por cento, pelo que representou um aumento anual de 0,1 pontos percentuais, de acordo com os números da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). No período de Novembro de 2024 a Janeiro de 2025, a taxa de desemprego dos residentes foi de 2,1 por cento. Também a taxa de desemprego global está mais elevada agora do que há um ano. Segundo os dados mais recentes, a taxa foi de 1,7 por cento, quando no período homólogo tinha sido de 1,6 por cento. Em termos do desemprego entre residentes, os dados de ontem mostram que havia cerca de 6.500 desempregados, entre os quais 9,2 por cento procurava o primeiro emprego. “A maioria dos que estavam à procura de novo emprego trabalhava anteriormente no ramo de actividade económica do comércio a retalho e no ramo das actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas”, foi revelado. O número é mais elevado do que acontecia no período entre Novembro de 2024 e Janeiro de 2025, quando havia 6.200 residentes desempregados, dos quais 10,8 por cento procurava o primeiro emprego Também os números do subemprego pioraram. Entre Novembro de 2025 e Janeiro de 2026 foram registadas 6.400 subempregados, enquanto entre Novembro de 2024 e Janeiro de 2025 o número era de 5.000 subempregados.
Segurança Nacional | Funcionários públicos despedidos podem recorrer Hoje Macau - 3 Mar 2026 Um funcionário público que seja demitido por representar um risco para a segurança nacional poderá recorrer para os tribunais. A Comissão de Defesa da Segurança do Estado terá um mecanismo interno de controlo e gestão das despesas, que serão reportadas à Assembleia Legislativa Um funcionário público que seja despedido após ser considerado pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE) um risco para a segurança nacional da China poderá recorrer, afirmou ontem um assessor jurídico da Assembleia Legislativa (AL). Leong Sun Iok, o deputado que preside à comissão da AL que está a analisar a proposta de lei sobre o regime da CDSE, recordou que não há qualquer recurso possível para as decisões e pareceres deste órgão. No entanto, o deputado acrescentou que, numa reunião realizada ontem, o secretário para a Segurança, Chan Tsz King, concordou em alterar a proposta, aprovada na generalidade por unanimidade em 10 de Fevereiro. “Se as decisões tomadas por outras entidades com base no parecer da [CDSE] são ou não impugnáveis ou recorríveis, depende das disposições concretas de cada lei em causa”, explicou Leong, incluindo o Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública. Questionado pela Lusa sobre se um funcionário punido disciplinarmente ou despedido pelo serviço público a que pertence, após ser alvo de um parecer negativo da CDSE, poderia ou não recorrer, o deputado não respondeu. Mas Vu Ka Vai, um assessor jurídico da AL, confirmou à Lusa que o estatuto permite aos trabalhadores da função pública apresentar recurso de decisões disciplinares, incluindo junto dos tribunais. O assessor acrescentou que, na prática, será a CDSE a ter a palavra final sobre se os julgamentos ligados à segurança nacional serão ou não realizados à porta fechada. Questão de autocontrolo Foi também revelado que será criado um mecanismo interno de controlo e gestão das despesas da CDSE, contas que vão constar de um relatório anual submetido à AL. Cumprindo o estipulado no diploma que foi aprovado por unanimidade, no passado dia 12 de Fevereiro, Leong Sun Iok, indicou que as verbas que vão suportar as despesas da Comissão de Defesa da Segurança do Estado serão retiradas da receita ordinária da RAEM. Em relação ao relatório de despesas que será entregue aos deputados, caberá ao órgão legislativo decidir a extensão das informações que serão disponibilizadas ao público. Leong Sun Iok acrescentou que os representantes do Governo não avançaram uma estimativa para as despesas de funcionamento da CDSE e que as principais preocupações dos deputados se prenderam com o grau de transparência e a informação que será pública. João Luz / Lusa
Contas Eleitorais | CAEAL impede fotos de documentos públicos com despesas João Santos Filipe - 3 Mar 2026 No placard onde foram afixadas as informações das contas das listas candidatas às eleições é indicado que a protecção de dados pessoais impede que se tirem fotografias. Os documentos encontram-se apenas em chinês, impedindo a tradução automática a quem só domine o português Na sexta-feira a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), liderada por Seng Ioi Man, juiz do Tribunal de Segunda Instância (TSI), mandou afixar no Edifício da Administração Públicas as contas das listas que participaram nas eleições legislativas de 2025. A publicação é uma obrigação legal, que decorre da lei que regula as eleições. No entanto, e apesar da informação ser pública, os residentes estão impedidos de fotografar os documentos. Segundo os novos placards da CAEAL, no topo surgem indicações a dizer que as fotografias são proibidas, o que é justificado com a protecção de dados pessoais. Em nenhum momento do aviso surge a indicação ao artigo da lei que justifica a proibição de divulgar um documento público nem é indicada a respectiva sanção. No rés-do-chão, do edifício da Administração Pública qualquer pessoa que se aproxime dos documentos é imediatamente acompanhada pelos seguranças no local, prontos para intervirem se alguém apontar um telemóvel aos documentos. Contudo, no documento, além de assinaturas, que poderiam ser ocultadas, não existe mais informação relacionada com os dados pessoais. Ao mesmo tempo, os documentos não apresentam qualquer tipo de tradução para português, encontrando-se exclusivamente em chinês. A medida impede assim que quem não domine esta língua, pelo menos na forma escrita, consiga ter acesso à informação, através dos tradutores automáticos ou das plataformas de inteligência artificial. O HM contactou a CAEAL para obter explicações sobre o tipo de informação “pessoal” que a proibição visa proteger, os motivos para não haver tradução dos documentos e se foram emitidas novas orientações para não divulgar a informação em português. A CAEAL respondeu, afirmando que verificou que “as receitas e despesas de todas as listas estão em conformidade com as disposições legais”. Em relação à proibição de fotografar os resumos das contas eleitorais, a CAEAL justificou a medida com o facto de conterem “dados pessoais, como as assinaturas dos mandatários das candidaturas conforme constam dos seus Bilhetes de Identidade de Residente”, indicando a Lei da Protecção de Dados Pessoais, sem especificar o artigo em causa. Em relação à incapacidade para traduzir a informação pública referente às contas das listas, apenas publicada em chinês, a CAEAL não respondeu. Inovações recentes As proibições de divulgar documentos públicos durante as eleições para a Assembleia Legislativa foram aplicadas pela primeira vez nas últimas eleições, com a afixação da informação sobre os membros que integravam as diferentes listas. A medida apanhou vários residentes desprevenidos, que tentaram tirar fotos aos papéis com os membros das listas e acabaram avisados pelos seguranças que tinham de apagar as fotografias. Ao longo dos vários meses do processo eleitoral, e até quando foi confrontado com esta proibição, Seng Ioi Man nunca conseguiu adiantar um único artigo da lei de protecção de dados pessoais para justificar a actuação da CAEAL: “O senhor jornalista, se precisar, pode ler a lei, pode consultar a lei, porque há disposições muito pormenorizadas”, respondeu, em Julho do ano passado, o presidente da comissão. Ao contrário da informação sobre as despesas eleitorais, a informação sobre os candidatos disponibiliza informação como a morada, datas de nascimentos e outros dados.
Cultura | Faltam apoios públicos para construir um mercado livreiro Andreia Sofia Silva - 3 Mar 2026 Mercado pequeno, pouca comercialização fora do território e falta de apoios: a edição de livros em Macau enfrenta problemas para se solidificar e competir com o que se faz lá fora. O deputado Lam Fat Iam defendeu, recentemente, políticas de apoio à construção de uma “Cidade da Leitura”. A Pin-to Livros & Música e a editora Mandarina apontam lacunas que impedem o dinamismo do sector Foi em Fevereiro, numa intervenção antes da ordem do dia, que o deputado Lam Fat Iam lançou na Assembleia Legislativa (AL)o repto: “apoiar o desenvolvimento das livrarias físicas locais e construir uma ‘Cidade de Leitura'”. No texto, lido no hemiciclo, o deputado nomeado pelo Governo defendeu que Macau, na qualidade de “Centro Mundial de Turismo e Lazer” é uma região onde as livrarias “não são meros locais de venda de livros, mas também espaços culturais essenciais nas comunidades, desempenhando um papel crucial na promoção da diversificação do sector do turismo e desenvolvimento sustentável da cidade”. Lam Fat Iam sabe do que fala. Nascido em Julho de 1975, é doutorado em História e preside à Associação de Publicações do Ensino Cultural de Macau, além de ser director da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Politécnica de Macau. Na mesma intervenção, o responsável sugeriu que devem ser criadas “políticas de apoio específicas e precisas”, nomeadamente a criação de “programas de apoio à exploração e actividades culturais das livrarias”, dando-se “prioridade às livrarias que promovem a cultura de Macau e realizam regularmente conferências e actividades de leitura”. Deve-se ainda criar um sistema que fomente “a circulação e publicação de livros locais”, com “financiamento prioritário ao planeamento, edição e publicação de livros com características de Macau”. O HM questionou livrarias e editores no sentido de perceber quais as lacunas do mercado livreiro de Macau. Anson Ng, da Pin-to Livros & Música, chama a atenção para o facto de “a base de mercado, em si, ser pequena, com a população leitora de livros a registar uma diminuição”. Em sentido oposto, “os custos operacionais continuam elevados e há a concorrência das plataformas externas de livrarias online”. Anson Ng acrescentou ainda que “as editoras locais e as livrarias locais de Macau ainda não conseguiram formar um ecossistema autossuficiente, saudável e sustentável, e é precisamente aí que as políticas de apoio devem concentrar os seus esforços”. No que diz respeito à posição do deputado Lam Fat Iam, o responsável da Pin-to Livros & Música diz que as suas ideias seguem “uma direcção aceitável”, sendo, porém, necessária “uma discussão aprofundada” quanto a “detalhes de implementação” das ideias explícitas na interpelação. “Antes de se estabelecerem políticas de apoio concretas, esperamos que os departamentos governamentais relevantes possam estudar cuidadosamente as experiências de outras regiões”, além de se manter “uma comunicação extensa com a indústria actual de Macau”. Para Anson Ng, deve-se ainda tentar “compreender verdadeiramente as necessidades do sector”, pois “só assim será possível desenvolver políticas de apoio transparentes, justas e práticas”. Dificuldades de contacto Catarina Mesquita, fundadora da Mandarina, que edita livros infantis, não tem uma loja física, mas vende os seus livros em espaços como a Livraria Portuguesa. Em resposta ao HM, Catarina Mesquita sugere “que o Governo deve, juntamente com as escolas, poder fazer encomendas às livrarias e directamente às editoras”, falando do caso específico do “Na Rua”, uma das edições da Mandarina que tentou colocar directamente nas escolas. “O livro ‘Na Rua’ fala sobre a história de Macau e tentei, muitas vezes, que este livro fosse introduzido nas escolas, não só pelo facto de ter uma história do local onde essas crianças vivem, mas também porque tem muitos aspectos da história de Macau, e características muito próprias [do território], de que tanto se fala. E eu já tentei várias vezes contactar com os serviços de educação [Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude], não consegui esse contacto e é muito difícil. Já tive pessoas do Governo em sessões de apresentação da Mandarina, mas não tive nenhum feedback”, lamenta. Catarina Mesquita defende, portanto, que o Governo deveria “juntamente com as escolas, fazer encomendas às livrarias e directamente às editoras”. “Acaba por se cair num buraco que não se sabe muito bem qual é. Este esforço deve ser mais valorizado, não no sentido de ser elogiado, mas no sentido de pegar nas obras de Macau e levá-las para dentro das salas de aula, que é a forma mais eficiente e efectiva de as fazer chegar às crianças, isto no caso da literatura infantil. Penso que não é algo que seja muito difícil fazer”, assumiu. A questão do subsídio É certo que o Executivo tem apresentado algumas medidas de promoção da leitura, e disso deu conta Lam Fat Iam na sua intervenção plenária. “Nos últimos anos, o Governo da RAEM e a sociedade já alcançaram resultados na promoção da leitura e na construção de uma ‘Cidade da Leitura'”, descreveu, nomeadamente da parte do Instituto Cultural, com a criação de eventos como o “Festival da Leitura”, a “Semana da Biblioteca”, o “Mês da Leitura Conjunta em Toda a Cidade de Macau” e o “Programa de Leitura para Bebés e Crianças”. Existe, na sua visão, uma “base sólida para um ambiente social favorável à leitura”, mas “as livrarias físicas, enquanto espaços essenciais para a leitura, enfrentam dificuldades de sobrevivência”, destacou o deputado. Lam Fat Iam frisou também “a dimensão limitada do mercado, os custos elevados das rendas e uma cadeia frágil de produção e venda de publicações locais criaram um ambiente com ‘dificuldade em publicar, comprar e vender livros'”. Algo que na opinião do deputado, “faz com que muitos livros valiosos de Macau cheguem dificilmente às mãos dos residentes e visitantes”. Catarina Mesquita chama também a atenção para o facto de Macau ter muitos livros publicados e de ser “um território mesmo muito rico” ao nível da sua história e cultura, mas que falta fazer mais além do simples subsídio para editar um livro. No caso da Mandarina, os primeiros cinco livros foram feitos “sem nenhum subsídio ou apoio”. “Talvez por um traço de personalidade, não queria que a Mandarina, no início, fosse resultado de um apoio ou subsídio. Quis que aquilo que conseguisse, seria feito por mim, e isso fez-me trabalhar muito mais”, assegura. Catarina Mesquita sente, portanto, que o apoio financeiro, ou esse subsídio inicial, “é o suficiente para se produzir um livro, e acabou”, quando, na verdade, “esse apoio é mais importante depois ao nível da distribuição, da encomenda, das pessoas poderem ter o livro nas mãos”. E defende que deve ser feito mais para apoiar a distribuição das obras. “Não existe nenhum apoio, ou ponte” nesse sentido, considera. “Fala-se tanto na plataforma com os países de língua portuguesa, mas não há nenhum apoio para a distribuição e transporte de livros para outras regiões que não Macau, e isto é fundamental. Tenho-me deparado com este problema, porque neste momento a Mandarina está a começar os primeiros passos em Portugal e não tenho forma de fazer chegar os livros ao país sem ter nenhum tipo de apoio.” Na visão da responsável, a ligação entre Portugal e o território poderia ser explorada de forma mais eficaz. “Ao nível de leis e taxas que pagamos de importação, fazia sentido uma parceria que nos fizesse beneficiar dela. Portanto, penso que há aqui um buraco que tem de ser resolvido rapidamente.” As quatro medidas Também Lam Fat Iam deixou, na sua intervenção, sugestões para melhorar o sistema de distribuição de obras editoriais, defendendo a construção de um “sistema virtuoso para a circulação e publicação de livros locais”, com “financiamento prioritário ao planeamento, edição e publicação de livros com características de Macau”. No tocante a “serviços públicos, bibliotecas publicas, comunitárias e das escolas primárias e secundárias financiadas pelo Governo, devem fazer as encomendas de livros em livrarias locais”. Além disso, em ligação com projectos de renovação urbana, o deputado acredita que pode ser desenvolvido o modelo “Livraria +”, definindo-se “orientações” e reservando “espaços culturais para incentivar a integração de livrarias com cafés, galerias de arte, lojas culturais e criativas e até projectos de revitalização de edifícios históricos”. Para o deputado, as livrarias devem ser “marcos culturais multifuncionais que integrem a leitura, o lazer, exposições e intercâmbio cultural”, devendo também existir apoios para participações em feiras do livro de cariz local e regional. O HM contactou outras livrarias de Macau, mas até ao fecho desta edição não obteve mais respostas.
Rússia, China e Irão pedem diálogo entre Afeganistão e Paquistão Hoje Macau - 2 Mar 2026 Os governos da Rússia, China e Irão pediram sexta-feira ao Afeganistão e ao Paquistão que dialoguem para conseguir paz, após o início de um novo conflito bilateral. O apelo dos três países surge depois de o Governo paquistanês ter declarado “guerra aberta” contra os talibãs, após uma onda de ataques das forças afegãs na quinta-feira, que levou Islamabad a lançar ataques aéreos contra a capital, Cabul, e outras cidades afegãs como Kandahar. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Sakharova, manifestou, num comunicado, a sua “preocupação” com a “escalada dramática dos confrontos armados” entre os dois países, que “envolvem unidades do exército regular, capacidades aéreas e armamento pesado”, provocando “baixas de ambos os lados, incluindo civis”. “Apelamos ao Afeganistão e ao Paquistão, ambos nossos aliados, a abandonarem este confronto perigoso e a regressarem à mesa das negociações para resolver todas as diferenças por meios políticos e militares”, declarou Sakharova. A Rússia é o único país do mundo que reconheceu oficialmente o Governo talibã. Deixou de considerar o Estado Islâmico um grupo terrorista em Abril de 2025 e recebe frequentemente delegações do Afeganistão. Já a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, enfatizou que Pequim “está a acompanhar de perto a situação”, durante uma conferência de imprensa. “O Paquistão e o Afeganistão são vizinhos próximos e ambos são vizinhos da China. Como vizinha e amiga, a China está profundamente preocupada com a escalada do conflito e profundamente entristecida pelas vítimas que este causou”, observou Mao Ning. A porta-voz chinesa sublinhou que o seu país “apoia a luta contra todas as formas de terrorismo” e pediu que os dois lados “mantenham a calma e a moderação, resolvam adequadamente as suas diferenças e disputas através do diálogo e das consultas, alcançando um cessar-fogo o mais rapidamente possível para evitar mais sofrimento”. O diálogo “está em consonância com os interesses fundamentais de ambos os países e dos seus povos e ajudará a manter a paz e a estabilidade na região”, referiu a responsável chinesa. “A China tem estado a mediar [o conflito] entre o Paquistão e o Afeganistão através dos seus canais e está preparada para continuar a desempenhar um papel construtivo na redução das tensões e na melhoria das relações entre os dois países”, argumentou Mao, observando que Pequim “prestará assistência aos seus cidadãos, se necessário”, sem comentar, para já, a possibilidade de iniciar um processo de retirada. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, declarou nas redes sociais, ainda antes de ver o seu país atacado por americanos e israelitas, que “no mês sagrado do Ramadão, mês de moderação e fortalecimento da solidariedade no mundo islâmico, é apropriado que o Afeganistão e o Paquistão resolvam as suas diferenças no âmbito da boa vizinhança e através do diálogo”. “A República Islâmica do Irão está pronta para prestar toda a assistência necessária para facilitar o diálogo e reforçar o entendimento e a cooperação entre os dois países”, acrescentou o ministro iraniano. Mortes anunciadas O ministro da Informação do Paquistão, Ataullah Tarar, declarou sexta-feira que os ataques paquistaneses, parte da Operação “Ira da Verdade”, mataram mais de 130 alegados combatentes talibãs, antes de sublinhar que “estima-se que haja muitas mais vítimas em ataques contra alvos militares em Cabul, Paktia e Kandahar”. O porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, confirmou os bombardeamentos, embora tenha negado qualquer número de vítimas, depois de as autoridades afegãs terem afirmado que a sua onda de ataques na quinta-feira resultou na morte de mais de 50 soldados paquistaneses ao longo da Linha Durand — a fronteira de 2.640 quilómetros entre os dois países. As hostilidades eclodiram dias depois de as autoridades afegãs terem denunciado os ataques aéreos paquistaneses perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, afirmando que os ataques mataram mais de uma dezena de civis. Islamabad argumentou que os ataques aéreos visavam “campos terroristas e esconderijos” do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), conhecido como talibã paquistanês, e do grupo Estado Islâmico (EI), em resposta aos recentes ataques suicidas em solo paquistanês.
Mulher surpreendente André Namora - 2 Mar 2026 A mulher deve ser o maior fenómeno da natureza desde que existe humanidade. Um ser pensante que consegue gerar outros seres ainda nem a medicina conseguiu explicar como é que o fenómeno teve início. Existem mulheres de todo o género. Mulheres lindas e outras feias. Mulheres que preferem o celibato e outras que têm 12 filhos. Mulheres que trabalham de sol a sol e outras que vivem da riqueza do marido. Mulheres que são agredidas e violadas e outras que se dedicam ao cuidado psicológico. Mulheres que estudam e outras que optam por serem simplesmente domésticas. Mulheres escritoras e outras com a quarta classe. Mulheres que amam a política e outras que apenas gostam de ir ao futebol. Mulheres que gostam de jogar futebol e outras que preferem a prostituição. Mulheres que conduzem camiões e outras que mal conseguem guiar um Fiat 500. Mulheres que preferem a solidão e outras que após a viuvez se suicidam. Mulheres que mudam de homem todos os anos e outras que estão casadas com o mesmo homem toda a vida. Mulheres que são aventureiras e outras que sobem para cima da mesa quando veem um rato. Mulheres que abraçam o teatro e o cinema e outras que a sua voz é o modo de vida. Mulheres que são solidárias e outras ingratas e invejosas. Mulheres que adoram joias e outras que nunca usaram um anel. Mulheres que admitem a infidelidade e outras que se divorciam ao primeiro rumor. Mulheres pilotos de aviões e outras mergulhadoras para salvar vidas. Mulheres bombeiro e outras incendiárias. Mas, a que propósito é que as mulheres são hoje para aqui chamadas? Pela simples razão que também existe a mulher surpreendente. Tivemos num governo socialista uma ministra que foi criticada, que lhe chamaram amorfa, incompetente e introvertida. Essa mulher chama-se Ana Abrunhosa. Candidatou-se à presidência da Câmara Municipal de Coimbra e venceu. Ninguém dava nada por ela e os primeiros comentários sobre a senhora foram no sentido de que a sua presença à frente da edilidade coimbrã seria uma desgraça. Portugal foi assolado por três tempestades terríveis que deixaram milhares de pessoas afectadas, casas destruídas, cidades alagadas e estradas inundadas. Em Coimbra foi o descalabro. Várias populações de aldeias rodeadas de água e em pânico com a possibilidade de o nível das águas do rio Mondego subir mais e morrerem todos afogados. No meio da tragédia despontou Ana Abrunhosa como a mulher sem sono, com uma solidariedade e calma impressionantes, com conselhos e avisos às populações que tivessem esperança que o pior já tinha passado. Ana Abrunhosa recebeu os maiores encómios pessoais do Presidente Marcelo e do primeiro-ministro Montenegro. As populações do distrito de Coimbra ficaram-lhe gratas e a admirar Abrunhosa para sempre. De repente, a mulher surpreendente ainda não tinha surpreendido o país inteiro. Porque o país inteiro assistiu em directo nos canais de televisão a Ana Abrunhosa a defender os seus autarcas e a sentir-se ofendida por o ministro da Agricultura se ter deslocado a Coimbra para verificar os estragos agrícolas e começou a falar aos jornalistas sem a presença de Ana Abrunhosa e de outros autarcas da região. Bem, foi o bom e o bonito. A presidente da Câmara Municipal de Coimbra começa a discutir com o ministro e dizendo-lhe que não admitia que institucionalmente o ministro quebrasse as regras e que viesse a Coimbra pôr-se a aparecer na televisão sem aguardar pela presença dos autarcas. O país ouviu da boca de Ana Abrunhosa o que nunca imaginou de uma política que tinha sido apelidada de “chorona”. De tal forma esta mulher surpreendeu tudo e todos que já se fala à boca cheia que em próximas eleições ela deverá ser candidata a primeiro-ministro. O ministro da Agricultura ouviu e calou. Aliás, pronunciou-se de modo a apaziguar os ânimos de Abrunhosa e a senhora voltou a surpreender. Foi ela que lhe perdoou e o país viu a presidente da edilidade coimbrã, imaginem, a dar dois beijos ao ministro para que tudo acabasse em bem e para que se desse um exemplo de humildade e compreensão, mesmo entre políticos de diferentes quadrantes. Que grande exemplo desta mulher surpreendente. Afinal, ainda temos padeiras de Aljubarrota ou Catarinas Eufémias…
Língua | Crioulos de base portuguesa na Ásia resistem como “símbolos de identidade” Hoje Macau - 2 Mar 2026 Hugo Cardoso, docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, chama a atenção para a importância da preservação dos crioulos de língua portuguesa na Ásia como “símbolos de identidade” das povoações. Falamos, por exemplo, dos modos de falar associados à presença do Cristianismo, como é o caso do “papiá kristáng”, em Singapura Do ressurgimento em Singapura, ao isolamento na Índia, os crioulos de base portuguesa na Ásia sobrevivem hoje como uma língua simbólica das comunidades luso-asiáticas que recusam esquecer a sua identidade linguística, defendeu o linguista Hugo Cardoso. Em entrevista à Lusa, o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa explicou que, ao contrário do que aconteceu em África, os crioulos no continente asiático nunca “se chegaram a impor como língua de grande difusão”, enfrentando uma constante competição de línguas locais estabelecidas, como o malaio e o gujarati, e, durante o período colonial, competiam com o português. “As línguas locais são línguas que estavam estabelecidíssimas muito antes sequer destas línguas crioulas se formarem. E, portanto, o crioulo nunca chegou a tomar o seu lugar”, sublinhou, acrescentando que as línguas ficaram circunscritas até e durante o período colonial e pós-colonial. Em Singapura, o ‘papiá kristáng’ (língua cristã ou língua dos cristãos), que tem base lexical portuguesa, está a ser alvo de um processo de revitalização através do projecto ‘Kodrah Kristang’ (Acordar o Cristão), co-fundado pelo linguista Kevin Martens Wong. Sobre esta língua neste local do mapa, Hugo Cardoso explicou que, no século XIX, “houve uma transferência de pessoas malacas [habitantes da cidade de Malaca, na Malásia] para Singapura, para trabalharem nas estruturas coloniais britânicas”, levando, assim, o ‘papiá kristáng’ para este país asiático, acabando depois por desaparecer da “comunidade luso-asiática de Singapura, mas nos últimos anos tem estado a ser reavivada, revitalizada”. Segundo o especialista, a língua já não é vista como materna ou do dia a dia, mas sim como uma “língua simbólica da comunidade luso-asiática de Singapura”, sendo que o mesmo fenómeno de afirmação ocorre em Macau. “A comunidade macaense, ao longo dos tempos, foi-se apercebendo de que o crioulo [patuá] era um activo importante da sua identidade e da sua especificidade por oposição à população portuguesa e chinesa, e a todos os outros grupos”, referiu, acrescentando que, nos dias de hoje, o patuá serve para constituir laços de solidariedade e “projectar essa identidade própria que não é portuguesa, não é chinesa, é muitas coisas misturadas”. Esta resistência em Macau manifesta-se em peças de teatro anuais [com os Doci Papiaçam di Macau], projectos editoriais e aulas para aprender os “rudimentos” da língua. Os casos da Índia No oeste da Índia, em Diu e Damão, também se fala crioulos de base portuguesa, variedades linguísticas urbanas, e o cenário é de fragilidade devido à migração das comunidades, especificamente católicas e hindu-portuguesas, para Portugal ou para o Reino Unido, levando, assim, a um declínio do número de falantes. Hugo Cardoso destacou ainda a existência de um território pouco estudado, o Dadrá e Nagar Aveli, no oeste da Índia e que foi administrado por Portugal, onde também se fala um crioulo que é “muito parecido com o crioulo de Damão”, algo que “nunca tinha sido recolhido” e que é quase ou nada estudado. Mais a sul de Bombaim, na Índia, em Korlai, a língua sobreviveu graças ao isolamento geográfico após a queda da antiga cidade de Xaú no século XVIII. “Esta é uma situação um bocadinho diferente de Diu e Damão, porque o crioulo ainda é falado aí, também está num processo de declínio, mas ainda é falado. E é falado, essencialmente, porque aquela comunidade esteve durante muito tempo praticamente isolada”, referiu. O linguista também trabalha com uma das maiores línguas de base lexical portuguesa na região asiática, que se situa no Sri Lanka. “O crioulo do Sri Lanka é falado por uma comunidade luso-asiática, que ali é conhecida pelo nome de ‘Burger’, em holandês significa cidadão, e eles são conhecidos como os ‘Burgers’ portugueses, e é falado por várias centenas de pessoas, sobretudo na costa oriental do Sri Lanka”, referiu. Até ao século XIX, o crioulo do Sri Lanka era falado em toda a ilha, sendo “uma língua com uma difusão tão grande” que “começaram a ser produzidas obras sobre essa língua como, por exemplo, gramáticas, dicionários, traduções de textos bíblicos ou de textos litúrgicos, que estavam disponíveis na igreja”. Apesar da riqueza histórica, o professor alertou para a falta de salvaguarda jurídica, lamentando que nos casos asiáticos as “línguas não têm um estatuto de proteção nos Estados onde são faladas” e notando que a valorização pública é apenas pontual. Para Hugo Cardoso, a sobrevivência destes falares deve-se à memória colectiva das comunidades, que “entendem ter algum tipo de ligação ancestral a Portugal” e que utilizam a língua para preservar uma identidade luso-asiática única no mundo.
GP | FIA confiante no regresso da Taça do Mundo de F4 à Guia Sérgio Fonseca - 2 Mar 2026 A Federação Internacional do Automóvel (FIA) manifestou confiança na integração da segunda edição da Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA no programa da 73.ª edição do Grande Prémio de Macau, encontrando-se actualmente em negociações com a Comissão Organizadora com vista à concretização desse objectivo O Conselho Mundial do Desporto Motorizado da FIA confirmou, ainda no final do ano transacto, a nona edição da Taça do Mundo de GT da FIA integrada no programa do Grande Prémio de Macau, bem como a permanência do evento desportivo da RAEM no calendário da temporada de 2026 do Kumho TCR World Tour, não se tendo, contudo, pronunciado quanto ao futuro das Taças do Mundo de Fórmula Regional (FR) e de Fórmula 4. Porém, a primeira edição da Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA constituiu um êxito aos olhos do organismo internacional, sendo que a única competição de âmbito mundial do primeiro escalão da pirâmide do automobilismo deverá regressar ao Circuito da Guia entre 19 e 22 de Novembro. “A FIA e a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau encontram-se em discussões positivas relativamente ao futuro da Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA”, declarou o porta-voz da FIA ao portal especializado português SportMotores.com. Segundo a mesma fonte, “a FIA ficou muito satisfeita com a edição de 2025 em Macau e está empenhada em proporcionar aos jovens pilotos a melhor preparação possível para enfrentarem o notável desafio do Grande Prémio de Macau. Acreditamos que a Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA constitui a plataforma ideal para alcançar esse objectivo.” A lista de inscritos da primeira edição da Taça do Mundo de Fórmula 4 revelou um leque de pilotos de elevado nível, superando as expectativas iniciais, porquanto nada menos do que oito campeões de Fórmula 4 aceitaram o desafio. Por razões logísticas e operacionais, a FIA limitou a grelha de partida a vinte concorrentes. Em que moldes Um dos aspectos que a FIA deverá clarificar na próxima reunião do Conselho Mundial prende-se com a manutenção do modelo adoptado em 2025, no qual a empresa chinesa Mintimes, promotora do Campeonato Chinês de F4, assumiu o papel de “Operador Único” da prova, em articulação com a Fédération Française du Sport Automobile (FFSA), responsável pelo apoio técnico à Taça do Mundo. Todos os concorrentes utilizaram monolugares Mygale M21-F4, entretanto rebaptizados como Ligier JS F422, provenientes do campeonato chinês. Estes fórmulas, equipados com motores Renault 1.3 litros turbo, foram alugados a equipas do Interior da China e operados por uma única estrutura técnica, a mesma que organiza o Campeonato Francês de F4. Tratando-se de um conceito relativamente invulgar, diversos pilotos fizeram-se acompanhar, no Grande Prémio de Macau, por elementos das suas próprias equipas, com o intuito de supervisionar o trabalho desenvolvido pelos técnicos franceses. Roussel ficou para a história Jules Roussel tornou-se o primeiro vencedor de uma Taça do Mundo de Fórmula 4, após uma das corridas mais emocionantes do programa da edição de 2025, protagonizando um animado duelo com o compatriota Rayan Caretti. Apesar da disciplina evidenciada durante grande parte da contenda, ambos acabaram por se envolver num toque que afastou Caretti da corrida e decidiu a mesma. Macau esteve representada por dois pilotos, tendo Cheong Man Hei sido o melhor classificado, ao concluir na 9.ª posição. O antigo campeão da Fórmula 4 chinesa, Tiago Rodrigues, terminou no 11.º lugar, resultado que não espelhou a sua competitividade, uma vez que comprometeu uma melhor classificação na decisiva corrida de domingo devido a um acidente na corrida de qualificação de sábado. Nenhum país lusófono esteve representado na prova, pois o brasileiro Ethan Nobels lesionou-se no fim-de-semana anterior ao Grande Prémio, não tendo sequer viajado para a Ásia. Existe a possibilidade de Portugal vir a contar com um piloto na grelha de partida este ano, atendendo a que Noah Monteiro é um sério candidato ao título do Campeonato de Espanha de Fórmula 4. Acresce o facto de ser filho de Tiago Monteiro, primeiro piloto português a vencer a Corrida da Guia e reconhecido entusiasta do Grande Prémio, beneficiando ainda do patrocínio da KCMG, estrutura liderada pelo empresário de Hong Kong Paul Ip.
Ucrânia | China vê esperança nas negociações sobre apesar de divergências Hoje Macau - 2 Mar 2026 A China afirmou sexta-feira que existe esperança nas negociações sobre a guerra na Ucrânia, apesar das divergências entre as partes, e indicou que os contactos em curso começaram a centrar-se em “questões substantivas” do conflito. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Mao Ning declarou que “a via para a paz não será alcançada da noite para o dia, mas enquanto houver diálogo, há esperança”, ao comentar as recentes rondas de conversações entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia e outra prevista para o início deste mês. Segundo Mao, embora persistam diferenças, as partes “estão empenhadas no diálogo” e começaram a focar-se em matérias de fundo relacionadas com a crise. A responsável acrescentou que, durante o encontro desta semana entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, o líder chinês reiterou a “posição de princípio” de Pequim, baseada na procura de uma solução por via do diálogo e da negociação. Mao defendeu a necessidade de assegurar a “participação equitativa de todas as partes”, atender às suas “preocupações legítimas” e promover uma “segurança comum” como base para um quadro de paz duradouro. A porta-voz reiterou que a China continuará a desempenhar “um papel construtivo à sua maneira” no apoio aos esforços de paz. As declarações coincidem com o quarto aniversário do início da invasão russa da Ucrânia e surgem após acusações dos Estados Unidos nas Nações Unidas de que Pequim estaria a “facilitar” a máquina de guerra russa, alegações rejeitadas pelas autoridades chinesas. Na véspera da visita de Merz, a diplomacia chinesa sublinhou ainda que a crise na Ucrânia “não é nem deve tornar-se um assunto entre a China e a Europa” e reiterou que Pequim mantém uma “posição objectiva e imparcial”, não sendo parte no conflito.
Mar do Sul | Autoridades expulsam navios filipinos das águas de Huangyan Dao Hoje Macau - 2 Mar 2026 A Guarda Costeira da China (GCC) expulsou na sexta-feira navios filipinos que invadiram ilegalmente as águas territoriais da China nas proximidades de Huangyan Dao, no Mar do Sul da China, indica a Xinhua. Um grande número de navios filipinos entrou ilegalmente nas águas próximas a Huangyan Dao em 27 de Fevereiro. Ignorando riscos de colisão, cortaram repentinamente a rota de navegação à frente dos navios de patrulha da GCC, um acto deliberado de provocação, acrescenta a agência estatal chinesa. Os navios da GCC permaneceram consistentemente e contidos durante todo o incidente e, de acordo com a lei, emitiram avisos verbais e controlaram as rotas de navegação, antes de expulsar com sucesso os navios filipinos invasores, de acordo com a GCC. Os actos perigosos dos navios filipinos não só constituíram uma grave provocação contra as operações de protecção dos direitos e aplicação da lei da GCC, como também reflectiram irresponsabilidade em relação à segurança pessoal dos tripulantes filipinos, afirmou a GCC. A China tem cumprido consistentemente as suas responsabilidades de resgate marítimo, mas nunca permitirá que qualquer país infrinja a sua soberania sob qualquer pretexto, acrescentou.
USAID | Recuo dos EUA criou situações humanitárias trágicas Hoje Macau - 2 Mar 2026 O antigo dirigente de Hong Kong e actual vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Leung Chun-ying, critica o súbito abandono americano de organizações humanitárias e reafirma o compromisso da China na ajuda global aos países mais necessitados Vitor Quintã, agência Lusa Leung Chun-ying, antigo líder do Governo de Hong Kong, disse à Lusa que o encerramento da agência de ajuda internacional dos Estados Unidos (EUA) aumentou a necessidade de assistência humanitária no mundo, criando situações “de partir o coração”. Em Julho, Washington anunciou o fim das operações da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), afectando dezenas de países que dependiam dessa assistência. “Estamos realmente tristes por ver países que dependiam da assistência dos EUA a serem apanhados de surpresa”, disse, em entrevista à agência Lusa, o presidente da fundação GX, que opera em 10 países. O desmantelamento da USAID, que por si só representava 42 por cento da ajuda humanitária em todo o mundo, começou em Fevereiro de 2025, pouco depois de Donald Trump regressar à presidência dos EUA. “Os EUA não os avisaram com antecedência suficiente, pelo que estes países não estavam preparados”, lamentou Leung, que liderou o Governo da região chinesa entre 2012 e 2017. Moçambique foi o Estado de língua portuguesa que mais ajuda recebeu da USAID em 2023, totalizando 664,1 mil milhões de dólares, seguido de Angola, Brasil e Timor-Leste. “Quando alguém está doente, precisa de tratamento imediato. Mas quando os médicos não têm os recursos necessários, é uma situação muito triste, de partir o coração, realmente”, lamentou Leung Chun-ying. “Em alguns países, devido à retirada repentina dos norte-americanos, até falta o paracetamol, um simples analgésico”, sublinhou o antigo político. Outros doadores ocidentais tradicionais também seguiram o exemplo dos EUA e reduziram as contribuições. “As necessidades aumentaram. Mas esta mensagem não foi realmente transmitida às pessoas, porque há muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo no mundo”, lamentou Leung. “A comunicação social tem estado muito ocupada com as notícias do dia-a-dia. Mas as necessidades são enormes”, referiu o vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Compromisso chinês O responsável sublinhou que “a China já declarou publicamente que fará mais para demonstrar o seu compromisso como um dos maiores países do mundo”, mas defendeu que “isso não deve recair sobre os ombros de um só país”. Em 07 de Janeiro, Donald Trump retirou os EUA de 66 organizações internacionais, 31 delas ligadas às Nações Unidas, já depois de cortado o financiamento à Organização Mundial da Saúde (OMS). Leung Chun-ying recordou que, em Maio, a China prometeu dar mais 500 milhões de dólares à OMS nos próximos cinco anos, para mitigar o impacto da saída dos EUA. “A China apoia o sistema da ONU. A ONU não é perfeita, mas também não é substituível. Continuamos a depender da ONU e das agências da ONU, incluindo a OMS”, referiu o dirigente. Questionado sobre o possível impacto do Conselho da Paz, criado por Donald Trump, que avisou que pode tornar a ONU obsoleta, Leung Chun-ying disse apenas que este novo órgão “ainda está em formação”.