Bombeiros | Quase 6 mil inspecções a edifícios residenciais Hoje Macau - 18 Mar 2026 Em 2025, o Corpo de Bombeiros realizou quase 6 mil inspecções de segurança contra incêndios em edifícios locais. O número foi revelado através da resposta a uma interpelação do deputado Ho Ion Sang “relativamente à questão do uso indevido de áreas comuns para fins individuais pelos condomínios. Ao longo de 2025, o Corpo de Bombeiros (CB) realizou um total de 11.760 inspecções e verificações de segurança contra incêndios, incluindo 5.957 inspecções em edifícios residenciais”, foi comunicado, numa resposta assinada pelo presidente do Instituto de Habitação (IH), Iam Lei Leng. “Além da realização das inspecções conforme os planos previamente definidos, o CB responde também a solicitações dos gestores, responsáveis de edifícios ou departamentos competentes, ou quando receber reclamações sobre impactos na segurança contra incêndios, enviando pessoal ao local para proceder à verificação e ao devido tratamento”, foi acrescentado. Na resposta, não foi adiantado quantos pedidos de correcção das situações detectadas foram feitos ou se houve a aplicação de multas ou outras sanções. Em relação ao ambiente nos bairros comunitários, e ao abandono de lixo ou os pingos de água do ar-condicionado, de acordo com o Instituto de Assuntos Municipais registaram-se “mais de 14 mil acusações” por infracções. “Em 2025, o IAM aplicou mais de 14 mil acusações em relação às situações referidas”, foi indicado.
Habitação | Compras e vendas mais do que duplicaram em Fevereiro João Santos Filipe - 18 Mar 2026 O mercado de habitação mostra sinais de recuperação com o número de transacções e o preço médio do metro quadrado a apresentarem novos aumentos No mês de Fevereiro, o número de transacções imobiliárias cresceu para um total de 494, o que representa um aumento anual para mais do dobro. Os números foram actualizados ontem no portal da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). Em Fevereiro de 2025, o número de transacções tinha sido de 176 compras e vendas, o que significa que no segundo mês do corrente ano houve mais 352 transacções. O crescimento do mercado de habitação aconteceu em todas as regiões do território, embora tenha acontecido de forma mais notória na Península de Macau. Aqui, foram registadas 411 transacções, mais do triplo do que tinha acontecido em 2025, quando o número de negócios foi de 126. Em relação à Taipa, segundo os dados mais recentes, registou-se um total de 65 transacções, quando no ano passado tinha havido 36, e em Coloane o número passou no espaço de um ano de 14 para 18 transacções. Além das transacções, também o preço médio do metro quadrado ficou mais caro. Embora neste caso os mercados de Macau tenham sofrido alterações diferentes. Em média, o preço do metro quadrado aumentou de 76.243 patacas para 77.713 patacas, um crescimento de 1,9 por cento ou 1.470 patacas. Na Península de Macau, o crescimento foi de 10,5 por cento, de 72.986 patacas para 80.672 patacas, uma diferença de 7.686 patacas. Na Taipa, houve uma redução de 17,6 por cento, de 82.471 patacas para 67.790 patacas, enquanto em Coloane a redução do preço médio do metro quadrado foi de 20,1 por cento, de 83.571 patacas para 66.747 patacas. Aumento mensal Também a nível mensal, o mercado apresentou um crescimento no número de transacções e do preço médio do metro quadrado. No primeiro mês do ano, o número de transacções foi de 384, o que significa que mensalmente se registou um aumento de 110 transacções ou de 28,7 por cento. Na Península de Macau o registo de compras e vendas subiu de 299 em Janeiro para 411 em Fevereiro, enquanto na Taipa aumentou de 58 para 65. A excepção aconteceu em Coloane, onde as transacções baixaram de 27 para 18. Também os preços apresentaram alterações distintas. Na Península, houve uma subida mensal de 11.223 patacas, de 69.449 patacas por metro quadrado para 80.672 patacas por metros quadrado, e na Taipa de 1.103 patacas, de 66.867 patacas para 67.970 patacas. Em Coloane, registou-se uma redução do preço do metro quadrado médio de 7.443 patacas, de 74.190 patacas para 66.747 patacas. Desde o início do ano que a Direcção de Serviços de Finanças (DSF) deixou de actualizar os dados das transacções face à primeira e última metade dos meses, passando apenas a compilar o total mensal.
Studio City | Countdown passa a chamar-se REM Hoje Macau - 18 Mar 202618 Mar 2026 A concessionária Melco Resorts & Entertainment anunciou que vai mudar o nome do hotel Countdown para REM. A divulgação foi feita através das redes sociais. A mudança do nome vai acontecer quando os trabalhos de renovação que estão em curso estiverem concluídos, o que é esperado para o final deste ano. Em Agosto do ano passado, a concessionária anunciou planos para transformar os 330 quartos do hotel em 150 suites para o segmento de luxo. Além do complexo de entretenimento Studio City, a concessionária que pertence a Lawrence Ho, filho do magnata Stanley Ho, é igualmente responsável pelos empreendimentos turísticos City of Dreams e Altira. A empresa tem também investimentos nas Filipinas e no Chipre.
Estudo | Reformas transformaram maior centro de jogo do mundo Hoje Macau - 18 Mar 2026 Um estudo dos académicos João Ilhão Moreira e Zhou Yudi indica que as reformas efectuadas entre 2022 e 2024 pelo Governo de Macau alinharam a indústria do jogo com os objectivos mais amplos de Pequim em termos do controlo de capitais O desmantelamento do sistema de promotores de jogo VIP em Macau, responsável em tempos por mais de 70 por cento das receitas dos casinos, marcou uma mudança decisiva nas prioridades de governação da China, segundo um estudo da Universidade de Macau. Os autores, João Ilhão Moreira e Zhou Yudi, concluíram que as reformas introduzidas entre 2022 e 2024 pelo Governo de Macau alinharam a indústria do jogo com os objectivos mais amplos de Pequim de maior controlo de capitais, transparência reforçada e governação baseada na lei. O estudo afirma que o fim destes promotores VIP (conhecidos como “junkets”) reflectiu um alinhamento estratégico com os “objectivos da China continental, incluindo maior controlo de capitais”, reforço da transparência financeira e governação assente na lei. O trabalho sublinha que o modelo dos “junkets”, que servia clientes de alto nível e facilitava fluxos opacos de capitais provenientes da China continental, tornou-se cada vez mais incompatível com a aplicação das regras contra o branqueamento de capitais e com a modernização em curso. “Embora tenha sido integral para o crescimento de Macau, o sistema de ‘junkets’ entrou em conflito crescente com a aplicação das regras contra o branqueamento de capitais e com a modernização do sector”, escreveram os autores. O estudo traça a evolução da indústria desde a transferência de soberania em 1999, observando que os “junkets” foram tolerados durante décadas devido ao seu contributo para as receitas brutas do jogo. Realidade dos números Em 2011, a receita do jogo em Macau atingiu 269,1 mil milhões de patacas, cinco vezes a receita de Las Vegas, e com as salas VIP a contribuir com mais de 70 por cento dessa receita. A detenção e condenação, em 2021, de Alvin Chau, líder do maior grupo de “junkets” do território, o Suncity Group, simbolizou o fim de uma era e acelerou a transição para um modelo de mercado de jogo centrado em jogadores ocasionais e turismo integrado. Chau foi depois condenado a 18 anos de prisão, tendo sido considerado culpado de mais de 100 crimes, incluindo liderança de uma associação criminosa, fraude e exploração ilegal de jogo, envolvendo apostas superiores a 823,7 mil milhões de dólares de Hong Kong. Segundo os investigadores, o sistema de “junkets” evoluiu para uma poderosa rede financeira, que se estendia muito além das salas de jogo. Os operadores não foram apenas intermediários de clientes VIP, mas também facilitadores de grandes fluxos de capitais opacos entre a China continental e Macau. Os autores assinalaram que as salas VIP e os “junkets” “criaram redes de fluxos de capitais não regulados”, estabelecendo canais paralelos fora do sistema bancário oficial da China. Estas redes tornaram-se problemáticas, à medida que Pequim reforçou o controlo de capitais e exigiu maior transparência. O estudo destaca que, embora tolerados durante anos, os “junkets” dependeram de apostas paralelas e transferências discretas de fundos, práticas que acabaram por colidir com os objectivos de modernização da China. Em 2022, o Governo da RAEM avançou com a primeira grande revisão da Lei do Jogo em mais de duas décadas. A reforma introduziu alterações profundas: redefiniu o papel das concessionárias e dos promotores de jogo, praticamente desmantelou o sistema de “junkets” e reforçou os mecanismos de controlo e transparência. Caminho da diversificação O novo enquadramento legal passou a privilegiar a diversificação da indústria, com maior foco no mercado de massas e no turismo integrado, em detrimento das salas VIP, dominadas por “junkets”. Além disso, alinhou Macau com as prioridades nacionais da China, nomeadamente no reforço do controlo de capitais, prevenção do branqueamento de dinheiro e integração da RAEM na estratégia de desenvolvimento económico nacional. “As medidas legais e regulatórias introduzidas entre 2022 e 2024 foram concebidas para alinhar a indústria do jogo de Macau com as prioridades da China”, conclui o estudo.
Saúde | Inaugurada rota de autocarros IA entre Macau e Interior da China Hoje Macau - 18 Mar 202618 Mar 2026 A primeira rota de autocarros autónomos de inteligência artificial (IA) dedicada a viagens médicas transfronteiriças foi inaugurada entre Macau e o Interior da China, noticiou ontem a imprensa local. Segundo o China Daily, o serviço de autocarro liga o posto fronteiriço de Hengqin e um hospital operado pela Universidade Médica de Guangzhou na mesma zona. Movido por tecnologia de condução autónoma e com apoio operacional das empresas nacionais MOGOX e Autonoma, o percurso tem sete quilómetros e permite aos passageiros chegarem ao hospital em cerca de 15 minutos. Este tipo de autocarros IA consegue operar sem intervenção humana em condições e circuitos específicos e está cada vez mais integrado nas redes oficiais de transportes públicos da China. Durante o período experimental, o serviço está aberto ao público de forma gratuita, funcionando das 08h às 12h e das 13h30 às 17h30, com partidas a cada 30 minutos. Dados oficiais mostram que mais de 20.000 visitas foram realizadas no ano passado por residentes de Macau em busca de tratamento neste hospital, que conta com 21 departamentos clínicos. A MOGOX afirmou já ter implantado os seus autocarros autónomos em mais de 20 cidades na China, servindo mais de 200.000 viagens de passageiros e acumulando um total de cinco milhões de quilómetros percorridos. Em Outubro de 2025, a empresa venceu também o concurso para o primeiro projecto oficial de autocarros autónomos em Singapura, marcando a primeira vez que este tipo de veículos foi incorporado num sistema de transporte público fora da China.
Visita | Sam Hou Fai em Portugal e Espanha em Abril Hoje Macau - 18 Mar 2026 O Gabinete de Comunicação Social anunciou ontem que o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, irá visitar Portugal e Espanha entre os dias 17 e 23 de Abril. O Governo ainda não revelou a agenda das visitas, nem os membros do Executivo que vão acompanhar Sam Hou Fai na visita inaugural ao exterior desde que tomou posse como líder do Governo da RAEM. Historicamente, a primeira visita internacional de um Chefe do Executivo é a Portugal, mas desta vez também irá incluir a Espanha. Recorde-se que Sam Hou Fai, que tomou posse em Dezembro de 2024, apontou como prioridade a promoção dos serviços financeiros e comerciais entre a China e os países hispânicos, como complemento do papel de plataforma sino-lusófona atribuída pelo Governo Central a Macau. Inicialmente, o Governo da RAEM apontou a visita a Portugal para o primeiro semestre de 2025, mas as eleições legislativas portuguesas obrigaram ao adiamento para o Verão. A última vez que um Chefe do Executivo visitou Portugal foi em Abril de 2023, na primeira viagem do antigo líder Ho Iat Seng ao exterior, depois dos três anos de restrições pandémicas. Na altura, Ho encontrou-se com o então primeiro-ministro português, António Costa, e Marcelo Rebelo de Sousa, na altura Presidente da República.
Guangdong | Sam Hou Fai quer que cooperação atinja “novo patamar” João Luz - 18 Mar 202618 Mar 2026 Sam Hou Fai reuniu com dois altos cargos do comité provincial de Guangdong do Partido Comunista Chinês e apontou à elevação da qualidade da cooperação entre as duas regiões para um novo patamar. Entre os sectores prioritários, destaque para a inovação científica e tecnológica e os serviços públicos O Chefe do Executivo reuniu na segunda-feira com o secretário do comité provincial de Guangdong do Partido Comunista Chinês, Huang Kunming e o governador da província vizinha, Meng Fanli. A agenda foi marcada pela recorrente promessa de estreitar a cooperação entre a província vizinha e a RAEM, e o alinhamento ao nível das políticas de longo-prazo locais com o plano quinquenal nacional e o pensamento de Xi Jinping. Sam Hou Fai prometer que irá impulsionar a “cooperação bilateral pragmática em mais vertentes para um novo patamar, e servir o desenvolvimento nacional com uma cooperação entre Guangdong e Macau de mais alta qualidade”, de acordo com um comunicado divulgado ontem pelo Gabinete de Comunicação Social. O espírito das Duas Sessões (Assembleia Popular Nacional e Conferência Consultiva Política do Povo Chinês) foi outro dos pontos em cima da mesa, com os responsáveis a salientar a importância de transformar em acções práticas os planos estratégicos do 15.º plano quinquenal nacional. Porém, não foram avançadas medidas concretas, além da repetição das promessas de empenho na cooperação entre Macau e Guangdong e a construção da Grande Baía. Ainda assim, Sam Hou Fai afirmou que o plano quinquenal nacional “apresenta, claramente, uma série de planos importantes para apoiar Macau na consolidação e aperfeiçoamento das suas vantagens competitivas”, e na integração no desenvolvimento nacional. Estrelas polares O Chefe do Executivo deixou ainda a cooperação entre as duas regiões produza “avanços contínuos nas áreas-chave de colaboração”, assim como na “coordenação de mecanismos nas áreas de inovação científica e tecnológica, desenvolvimento económico e serviços públicos”. O objectivo é “acelerar a criação de um conjunto de cidades de nível mundial e de uma baía de nível internacional”. Sam Hou Fai salientou também a necessidade de Guangdong e Macau se alinharem com as “três verificações” propostas pelo Presidente Xi Jinping, em relação ao desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. Neste aspecto, o governante mencionou a importância da construção dos “projectos emblemáticos e dinamizadores”, como a Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, o terminal de mercadorias do Aeroporto Internacional de Macau em Hengqin e o troço de Hengqin do comboio de alta velocidade Guangzhou-Zhuhai (Macau).
Comércio | China pede aos EUA que corrijam acções Hoje Macau - 17 Mar 2026 A China instou ontem os Estados Unidos a “corrigir imediatamente os comportamentos errados” em matéria comercial, num momento em que representantes das duas maiores economias do mundo retomaram negociações em Paris. Altos responsáveis de ambos os países iniciaram no domingo, na capital francesa, uma nova ronda de conversações económicas e comerciais, lideradas pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. A Casa Branca indicou que Donald Trump poderá deslocar-se à China entre 31 de Março e 2 de Abril para se reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping, embora Pequim ainda não tenha confirmado oficialmente a visita e o chefe de Estado norte-americano tenha sugerido no domingo que a visita poderá ser adiada (ver páginas 10-11). As negociações surgem depois de uma disputa comercial intensa em 2025 entre as duas potências, que levou à imposição de tarifas retaliatórias elevadas antes de ambas acordarem uma trégua de um ano em Outubro. Num comunicado divulgado ontem, o ministério chinês do Comércio criticou novas investigações comerciais anunciadas pelos Estados Unidos contra 16 parceiros comerciais, entre os quais a China, destinadas a avaliar possíveis violações relacionadas com trabalho forçado. Segundo Washington, os inquéritos podem conduzir à imposição de novas tarifas. Pequim classificou as investigações como um acto “totalmente unilateral, arbitrário e discriminatório” e “um exemplo típico de proteccionismo”. “A parte chinesa já apresentou protestos junto da parte norte-americana. Exortamos os Estados Unidos a corrigirem imediatamente os seus comportamentos errados, a darem um passo em direção à China e a resolverem as divergências através do diálogo e da negociação”, afirmou o ministério. Matéria decisiva As autoridades chinesas alertaram ainda que as novas medidas norte-americanas representam “um erro sobre outro erro”, que prejudica gravemente “a segurança e a estabilidade das cadeias de abastecimento globais”. Apesar da trégua comercial acordada no final do ano passado, as tensões comerciais continuam a marcar as relações entre Washington e Pequim. Especialistas consideram que o encontro em Paris poderá ser decisivo antes da eventual cimeira entre Xi e Trump. O economista Gary Ng, do banco francês Natixis, afirmou que a principal questão será saber se os dois países conseguem “concordar sobre o que já foi acordado e gerir as divergências”. Além das questões comerciais, temas geopolíticos como o conflito envolvendo o Irão e o impacto nos preços e no fornecimento global de petróleo também poderão ser abordados nas conversações. As negociações atuais são mais um capítulo num processo iniciado no ano passado, que já levou Bessent e He Lifeng a reunir-se em cidades como Genebra, Londres, Estocolmo, Madrid e Kuala Lumpur.
De esposa a actriz porno: Abertura do casamento tradicional (II) David Chan - 17 Mar 2026 A semana passada, falámos sobre a história de uma mulher casada de trinta e tal anos, divulgada pela comunicação social japonesa, que quase morreu após ter sido operada a uma fractura. Esta experiência fê-la reflectir sobre o que ainda não tinha alcançado na vida. Devido à prolongada ausência de intimidade conjugal, sentia-se emocional e fisicamente carente. Depois de várias discussões, o casal concordou em continuar a viver na mesma casa e manter uma relação tradicional, partilhando as tarefas domésticas. No entanto, algo mudou; o marido concordou que a esposa passasse a actuar em filmes para adultos, para exibir o seu corpo belo e voluptuoso, facto de que ele iria apreciar e ainda avaliar o seu desempenho. Com esta mudança, as necessidades físicas da mulher e o seu vazio emocional seriam preenchidos por outras pessoas. Assim, esta relação passou de “tradicional” a casamento “aberto”. Um “casamento aberto” resulta de um acordo mútuo, para o qual se estabelecem regras detalhadas. Por exemplo: a abertura limita-se a ter encontros com outras pessoas ou inclui actividade sexual? O “outro” pode ser um amigo do casal? Pode ser convidado para casa? Serão necessárias medidas contraceptivas e preventivas? A incompatibilidade psicológica é um dos motivos para se escolher um casamento aberto. Neste caso, um dos parceiros tem um desejo sexual maior do que o outro e o casamento aberto pode servir como um mecanismo compensatório para manter a estabilidade conjugal. Além disso, mais do que impedir a repressão dos instintos ou a infidelidade, a abertura condicional pode ser usada para construir uma relação de confiança porque “não há nada a esconder”. Num casamento aberto, se um membro do casal precisa do outro, o terceiro elemento deve afastar-se imediatamente. Desta forma garante-se que o estatuto do cônjuge é superior ao do amante. Embora o casamento aberto tenha vantagens e pareça mais “livre”, na verdade enfrenta desafios significativos. Primeiro, poucas pessoas permanecem imperturbáveis quando são confrontadas com a intimidade do/a esposo/a com outras pessoas. O ciúme pode mudar o consentimento inicial em oposição ao casamento aberto. Segundo, do ponto de vista legal, o casamento aberto pode ser entendido como uma violação da obrigação de fidelidade conjugal e um desafio às normas sociais. Esta história é um típico caso “existencial”. A “experiência de quase-morte” pós-cirúrgica alterou drasticamente os valores desta mulher, fazendo com que deixasse de se conformar com as expectativas da sociedade. Para ela, participar em filmes para adultos era mais do que uma simples actividade sexual; era uma espécie de um ” instantâneo de memórias especial,” que reflectia o seu intenso desejo de preservar a juventude e provar a sua existência. No entanto, recorrer à indústria altamente comercial dos filmes para adultos é uma forma extremamente estereotipada de auto-renovação. O casamento aberto não implica participar em filmes para adultos, só ela saberá porque tomou esta decisão. Muitas pessoas entram nesta indústria para ganhar a vida, mas esta mulher fê-lo para criar “memórias”. Quando um destes filmes fica disponível online, deixa de ser possível apagar as imagens, o que poderá ser um peso que ela irá transportar quando quiser assumir uma identidade social diferente. Além disso, como é que os amigos e os familiares do casal a irão encarar depois de verem estes filmes? Que tipo de pressão irá sofrer o marido? Estarão os dois preparados para aceitar as diferentes pressões e consequências que esta decisão lhes trará? Manter múltiplas relações requer uma grande capacidade de gestão do tempo. Enquanto um dos membros do casal está a ter casos com outras pessoas, conseguirá o outro tomar conta das crianças e cumprir na totalidade as responsabilidades familiares? Deverá este casal pensar em ter mais filhos? Esta dupla separou completamente as “funções familiares” das “necessidades sexuais,” desafiando os limites da moralidade. Embora devamos respeitar as escolhas que os adultos fazem com mútuo consentimento, esta é sem dúvida uma decisão de alto risco. Será este um caso meramente isolado na sociedade japonesa, ou representará uma nova tendência no entendimento do casamento no Japão? Quando o casamento tradicional já não consegue resistir à auto-renovação de um indivíduo, devemos reparar o sistema ou remodelar os seus limites? Este será um problema inevitável para a sociedade e para a lei japonesa no futuro. Finalmente, se esta mulher pode confiar em terceiros para se envolver com eles em actividades sexuais, por quem é que ela está verdadeiramente apaixonada? Encontrou o amor da sua vida no casamento? Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau cbchan@mpu.edu.mo
Japão liberta reservas estratégicas e não prevê operação no estreito de Ormuz Hoje Macau - 17 Mar 202617 Mar 2026 O Japão vai libertar as reservas estratégicas de petróleo, dando início a uma operação global coordenada pela Agência Internacional de Energia, mas não considera enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz, como pediu Donald Trump. Os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram na quarta-feira a libertação de 400 milhões de barris de petróleo para amortecer a subida vertiginosa dos preços provocada pela guerra no Irão. Trata-se do maior desbloqueio de reservas alguma vez decidido pela instituição, criada há mais de 50 anos. A agência tinha dito no domingo que as reservas dos países da Ásia e da Oceânia seriam descongeladas “de imediato” enquanto as das Américas e da Europa sê-lo-iam “no final de Março”. O Japão, muito dependente do petróleo da região em guerra, confirmou ontem que iria recorrer – desde ontem – às suas reservas estratégicas. O Governo reduziu o nível das reservas privadas obrigatórias de petróleo bruto e produtos petrolíferos, o que implica a libertação de um volume correspondente a 15 dias de consumo nacional. Na semana passada, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, manifestou a intenção de libertar também ‘stock’ proveniente das reservas do Estado, representando um mês de consumo. Tal poderá ocorrer no final de Março. Em Dezembro, as reservas estratégicas de petróleo do Japão, estatais e privadas, ascendiam a mais de 400 milhões de barris, representando 254 dias de consumo nacional. “As importações de petróleo bruto para o Japão deverão registar uma queda significativa a partir do final de Março, enquanto persiste uma situação em que os petroleiros se encontram, na prática, impossibilitados de atravessar o Estreito de Ormuz”, referiu ontem o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara. Cerca de 95 por cento das importações de crude do Japão provém do Médio Oriente e 70 por cento transitava pelo Estreito de Ormuz antes do conflito. “Para garantir que nenhuma perturbação venha a comprometer o abastecimento de produtos petrolíferos, como a gasolina, decidimos que o Japão tomaria a iniciativa de recorrer às reservas estratégicas nacionais, em coordenação com as nações do G7 e a AIE”, acrescentou Kihara. Mercado critico A guerra “está a provocar a maior perturbação no abastecimento de petróleo da história do mercado mundial do petróleo”, sublinhou a AIE no domingo. De acordo com a agência internacional, “esta acção colectiva de emergência constitui um amortecedor importante e bem-vindo”. “No entanto, o factor mais importante para um regresso à estabilidade dos fluxos é a retoma (…) da navegação através do Estreito de Ormuz”, por onde transita habitualmente 20 por cento do petróleo bruto mundial, continuou. O Japão indicou também ontem que “não prevê” uma operação de segurança marítima, numa reação ao apelo do Presidente norte-americano, Donald Trump, que no domingo pressionou países aliados, entre os quais os membros da Aliança Atlântica, mas também a China, a juntarem esforços para garantir a segurança do Estreito de Ormuz. “Na situação actual no Irão, não tencionamos ordenar uma operação de segurança marítima”, declarou no Parlamento nipónico o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi. A própria Sanae Takaichi considerou ontem que qualquer operação de segurança marítima seria “extremamente difícil do ponto de vista jurídico”.
Afeganistão / Paquistão | Pequim envia emissário para tentar cessar-fogo Hoje Macau - 17 Mar 2026 As autoridades chinesas tentam apaziguar o conflito entre vizinhos. Além das delegações enviadas a ambos os territórios, o ministro dos negócios Estrangeiros Wang Yi conversou ao telefone com autoridades paquistanesas e afegãs A China enviou um emissário ao Afeganistão e ao Paquistão na semana passada para realizar uma mediação e apelar para um cessar-fogo imediato, após confrontos fronteiriços que provocaram vários mortos, anunciou ontem a diplomacia chinesa. O Paquistão e o Afeganistão estão em conflito há vários meses, com Islamabad a acusar o país vizinho de acolher combatentes do movimento dos talibãs paquistaneses (TTP), que reivindicaram ataques mortais em território paquistanês, algo que Cabul desmente. O Paquistão é um dos parceiros mais próximos da China na região, mas Pequim apresenta-se também como um “vizinho amigável” do Afeganistão. “A China tem servido constantemente de mediadora no conflito entre o Afeganistão e o Paquistão através dos seus próprios canais”, declarou ontem o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, numa conferência de imprensa em Pequim. A diplomacia chinesa disse ter enviado o emissário para os assuntos afegãos Yue Xiaoyong a ambos os países para contribuir para a mediação do conflito. Num comunicado separado publicado, o ministério indicou que o emissário visitou o Afeganistão e o Paquistão entre 07 e 14 de Março. No Afeganistão, Yue reuniu-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Amir Khan Muttaqi, e com o ministro do Comércio e da Indústria, Nooruddin Azizi. Manteve igualmente conversações com altos responsáveis paquistaneses, incluindo a secretária dos Negócios Estrangeiros, Amna Baloch, referiu o ministério, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). “Incentivou as duas partes a demonstrarem calma e contenção, a implementarem um cessar-fogo imediato e a cessação das hostilidades, e a resolverem as contradições e divergências através do diálogo”, precisou. Outras conversas O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, também conversou por telefone com Muttaqi na sexta-feira, e prometeu continuar a “fazer esforços activamente” para reconciliar o Afeganistão e o Paquistão e aliviar as tensões. “O recurso à força apenas complicará a situação (…) e ameaçará a paz e a estabilidade regionais”, disse Wang ao homólogo afegão, segundo o relato da conversa divulgado na sexta-feira. Em Outubro de 2025, os combates entre o Afeganistão e o Paquistão causaram dezenas de mortos e resultaram no encerramento quase total da fronteira terrestre. Após diversas mediações, os confrontos diminuíram, mas o conflito voltou a agravar-se no final de Fevereiro, após ataques aéreos paquistaneses seguidos de uma ofensiva terrestre afegã. Os dois países reivindicaram ataques no fim de semana, com o Afeganistão a dizer ter tomado um posto fronteiriço numa operação em que matou 14 soldados paquistaneses. O Paquistão anunciou bombardeamentos em Kandahar, a cidade no sul do Afeganistão onde reside em isolamento o líder supremo dos talibãs, Hibatullah Akhundzada. Registos sangrentos A ONU anunciou na sexta-feira, um balanço de 75 civis afegãos mortos desde o intensificar dos confrontos em Fevereiro. O conflito provocou 115.000 deslocados internos no Afeganistão, de acordo com o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR). O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU anunciou no domingo que estava a fornecer ajuda de emergência a 20.000 famílias afegãs deslocadas pelo conflito. O Paquistão, que tem armas nucleares, e o Afeganistão são vizinhos do Irão, alvo de uma ofensiva militar de grande escala lançada em 28 de Fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, que desencadeou uma nova guerra no Médio Oriente.
Óscares | Paul Thomas Anderson foi o grande vencedor da noite João Santos Filipe - 17 Mar 202617 Mar 2026 Paul Thomas Anderson foi o rei dos Óscares, após 14 nomeações, com “Batalha Atrás de Batalha” a ser o filme mais premiado com meia dúzia de estatuetas, seguido de “Pecadores”. Entre os “oscarizados” das principais categorias, destaque para Michael B. Jordan, Jessie Buckley, Amy Madigan e Sean Penn “Batalha Atrás de Batalha” confirmou o favoritismo imparável que adquiriu ao longo de toda a época de prémios, em que triunfou na maioria dos colégios de eleitores, e levou seis Óscares para casa – mais do que qualquer outra longa-metragem a concurso este ano – incluindo o tão cobiçado Melhor Filme, na 98.ª gala dos prémios da Academia de Cinema norte-americana, que se realizou ontem, no Dolby Theatre, em Los Angeles. Três destas estatuetas foram entregues à mesma pessoa: Paul Thomas Anderson. A vontade de consagrar um dos nomes mais relevantes do Cinema norte-americano contemporâneo, depois de 14 nomeações, terá sido um factor importante. Aliás, esta é uma tendência da Academia que se repete pelo terceiro ano consecutivo. “Oppenheimer” permitiu a consagração de Christopher Nolan, em 2024, e “Anora” fez o mesmo por Sean Baker, no ano passado. No entanto, desengane-se quem possa assumir que “Batalha Atrás de Batalha” é apenas um prémio de carreira. Trata-se de (mais) uma grande obra de Paul Thomas Anderson, com uma ambição técnica só superada pela sua execução, um elenco ultra-carismático – que valeu a Cassandra Kulukundis o primeiro Óscar de Melhor Casting de sempre – e um argumento colorido de frases que ficam na memória (Melhor Argumento Adaptado foi, de resto, a categoria que rendeu a Paul Thomas Anderson o primeiro Óscar da noite e da carreira). Pelo meio, Sean Penn conseguiu o seu terceiro Óscar, vencendo em Melhor Actor Secundário por assumir o papel de um antagonista marcante. “Batalha Atrás de Batalha” chega no primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump. É um filme que aborda temas como a supremacia branca, abre com uma sequência em que revolucionários salvam imigrantes latino-americanos do exército norte-americano e o palco do ponto intermédio da narrativa é um confronto nas ruas de uma pequena localidade entre agentes da autoridade e manifestantes. No entanto, o filme foi produzido antes de Donald Trump ter sido sequer eleito. A verdade é que “Batalha Atrás de Batalha” fala da América actual, porque na verdade está a falar da América de sempre. É um filme que tem tanto de actual, como intemporal, e esta dupla faceta, somada a um mérito artístico evidente, tornou o filme inevitável. Multiculturalidade na História “Tenho muito orgulho nele, por me ter dado o presente das suas histórias sobre o Mississípi, por ter posto a tocar música ‘blues’ para eu ouvir e ter conversado comigo sobre isso”, afirmou Ryan Coogler, vencedor do Óscar de Melhor Argumento Original por “Pecadores”. “Ele era o mais próximo que tive de um avô”, contou, considerando que o tio, que já morreu, continua a dar-lhe presentes até hoje. Coogler também se mostrou agradecido pelo sucesso de bilheteira de “Pecadores”, que cativou uma grande audiência em todo o mundo. “Estou incrivelmente grato pela interacção do público com a história na sala de cinema”, afirmou. “Isto foi algo em que sempre pensei. Perceber que, com a escrita, o que nos importa muitas vezes também importa a outras pessoas se conseguirmos comunicar os sentimentos da forma certa”, continuou. “Pecadores” bateu o recorde de nomeações para os Óscares, com 16 indicações, e deu a Michael B. Jordan a primeira vitória como Melhor Actor. Coogler revelou que pensou nele para interpretar o papel duplo de Smoke e Stack Moore antes mesmo de ter pronta a versão final do argumento. “Assim que imaginei o que estes dois personagens iam ser, soube que tinha de telefonar ao Mike”, contou o realizador. Coogler também elogiou os educadores e aqueles que preparam as próximas gerações, referindo que foi incentivado a fazer filmes por uma professora, quando tinha apenas 17 anos. “Ela leu uma coisa que escrevi e disse, ‘acho que devias ir para Hollywood e escrever argumentos'”, contou. Elevadas categorias Olhando para os diversos vencedores e vencidos por categoria, “Batalha Atrás de Batalha”, que o realizador Paul Thomas Anderson adaptou do romance “Vineland”, de Thomas Pynchon, venceu sobre os nomeados “Bugonia”, “Frankenstein”, “Hamnet” e “Sonhos e Comboios”. Sean Penn, ausente da cerimónia, foi o escolhido entre nomeados que incluíam Benicio Del Toro (“Batalha Atrás de Batalha”), Jacob Elordi (“Frankenstein”), Delroy Lindo (“Pecadores”) e Stellan Skarsgård (“Sentimental Value”). “Pecadores” obteve o primeiro prémio da noite, com Ryan Coogler a ser distinguido pelo Melhor Argumento Original, suplantando Robert Kaplow, por “Blue Moon”, Jafar Panahi, por “Foi Só Um Acidente”, Ronald Bronstein e Josh Safdie, por “Marty Supreme”, e Eskil Vogt e Joachim Trier, por “Sentimental Value”. O Óscar de Melhor Design de Produção — ou Dirceção Artística — foi para Tamara Deverell e Shane Vieau, por “Frankenstein”, deixando para trás “Hamnet”, “Marty Supreme”, “Batalha Atrás de Batalha” e “Pecadores”. Enquanto “Avatar: Fogo e Cinzas” garantiu o Óscar de Melhores Efeitos Visuais a Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett. Os outros nomeados eram “F1”, “Mundo Jurássico: o Renascimento”, “The Lost Bus” e “Pecadores”. Lugar ao sentimento “Valor Sentimental”, de Joachim Trier, vence Óscar de Melhor Filme Internacional. O prémio foi anunciado pelo actor Javier Barden, que recordou a guerra e clamou por “Palestina Livre!” Eram também candidatos a Melhor Filme Internacional “Foi só um Acidente”, de França, e “Sirât”, de Espanha. Durante a cerimónia, a Academia de Hollywood homenageou os profissionais de cinema que morreram durante o ano que passou, detendo-se em particular no realizador Rob Reiner, na actriz Diane Keaton e no actor, realizador e produtor Robert Redford. O director de fotografia português Eduardo Serra, a actriz italiana Claudia Cardinale, o dramaturgo britânico de origem checa Tom Stoppard e o realizador húngaro Béla Tarr foram outros homenageados, numa longa lista que também incluía realizadores como Robert Benton, Frederick Wiseman e Marcel Ophuls, e os actores Robert Duvall, Val Kilmer, Catherine O’Hara e Terence Stamp, entre profissionais de diferentes áreas do cinema.
Tifo | Residente infectado depois de acampar em Jiangmen Hoje Macau - 17 Mar 202617 Mar 2026 Os Serviços de Saúde foram notificados de um caso de tifo epidémico relativo a um residente de 31 anos diagnosticado na quinta-feira no Hospital Conde de São Januário. As autoridades de saúde, classificaram o caso como importado e indicaram que o doente continua hospitalizado, mas com um quadro clínico estável. O paciente começou por apresentar manchas negras e uma erupção cutânea na perna esquerda no dia 26 de Fevereiro e, cerca de uma semana depois desenvolveu sintomas como febre, dores de cabeça e dores musculares. No dia 7 de Março, as erupções cutâneas espalharam-se pelo corpo, o que levou o residente recorrer ao hospital. Os Serviços de Saúde realçaram que o homem acampou num parque de campismo em Jiangmen, nos dias 24 e 25 de Fevereiro, um local com zonas relvadas, onde provavelmente terá sido picado por insectos. O tifo epidémico é uma doença infectocontagiosa aguda causada pela picada de larvas portadoras de uma bactéria que tem como habitat natural ratos de zonas de selva quentes e húmidas, essenciais para a multiplicação da bactéria, que se pode propagar para humanos através de picadas de piolhos. Sem tratamento imediato, uma pequena percentagem de doentes pode desenvolver complicações graves, incluindo pneumonia, encefalite e miocardite, que podem resultar em insuficiência respiratória, choque e morte, com uma taxa de mortalidade de até 60 por cento.
Obesidade | Associação alerta para riscos da comida “ocidental” Nunu Wu e João Santos Filipe - 17 Mar 202617 Mar 2026 Vice-presidente de nova associação médica culpa os novos “hábitos alimentares ocidentalizados” pelo crescimento da obesidade em Macau, e pede à população que consuma menos take-away e faça mais exercício A vice-presidente da Associação Médica de Obesidade de Macau, Chou Mei Fong, considera que a adopção de “hábitos alimentares ocidentalizados” pela população está a levar a um aumento da obesidade. A posição foi tomada durante a cerimónia de fundação da Associação Médica de Obesidade de Macau, que aconteceu no domingo, e representou também a primeira sessão académica sobre o tema. Segundo o jornal Ou Mun, a vice-presidente da associação, Chou Mei Fong, alertou que, com base em inquéritos realizados no passado, mais de metade dos adultos em Macau têm excesso de peso. E entre as razões apontadas pela associação para uma tendência que se está a tornar cada vez mais comum, encontram-se os “hábitos alimentares ocidentalizados”. No âmbito desta posição, Chou Mei Fong sugeriu à população que preste mais atenção aos hábitos da vida, pratique mais exercício e evite ao máximo encomendar take-away, porque indicou ser um hábito propício ao desenvolvimento da obesidade. No âmbito da promoção de regimes de alimentação mais saudáveis, Chou Mei Fong prometeu uma associação em coordenação com o Governo para contribuir para a implementação do Plano de Acção para Macau Saudável. A associação espera assim contribuir com iniciativas como actividades para pesar os residentes, e promover um maior controlo, realização de intercâmbio com associações locais e instituições médicas. Mais investigação Por sua vez, a presidente da associação, Mónica Cristina Pon, apontou que a fundação da associação não só é a concretização das estratégias do Plano de Acção para Macau Saudável, mas também serve para integrar os recursos médicos, promovendo a cooperação de vários partes e uma plataforma inovadora. Os objectivos definidos pela profissional de saúde para a associação, passam também por elevar o nível académico dos médicos, divulgar as medidas de gestão saudável do peso e promover a prevenção da obesidade. A associação espera igualmente contribuir para que haja serviços médicos de maior qualidade. Na cerimónia esteve também presente o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, que reconheceu o impacto da obesidade em Macau, apontado que o fenómeno não é recente, como acontece um pouco por todo o mundo. Alvis Lo elogiou ainda a fundação da associação, que considerou ser uma necessidade, desejando que este movimento se possa assumir como uma plataforma profissional para promover os estudos em Macau sobre fenómenos como a obesidade, metabolismo, ou outras áreas como a nutrição, farmacologia, e medicina comportamental. A prevenção e controlo da obesidade fazem parte dos objectivos do Plano de Acção para Macau Saudável do Governo.
Che Sai Wang quer gravar provas de condução para acabar com polémicas João Santos Filipe - 17 Mar 2026 O deputado Che Sai Wang defende a implementação de registos de imagens nas viaturas durante os exames de condução. A sugestão do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) surge numa interpelação escrita, e tem como objectivo permitir uma reavaliação dos exames, quando despontam polémicas face aos resultados. “Actualmente, o exame de condução de Macau é realizado principalmente através da avaliação ‘in loco’ e em ambiente rodoviário real; e o processo do exame envolve vários factores, tais como a manobra imediata, a situação rodoviária, a interacção do trânsito, etc., sendo a situação relativamente complexa”, começou por descrever o deputado. “Na falta de registos de imagens completas, quando surgem entendimentos divergentes ou situações em que é necessário esclarecer os detalhes do exame, só é possível recorrer a registos pontuais ou a esclarecimentos posteriores, o que não contribui, necessariamente, para a reconstituição plena e objectiva do processo de exame, causando insatisfação aos candidatos e mal-entendidos em relação aos examinadores”, apontou. “Pode-se então afirmar que o actual regime de fiscalização acaba apenas por aumentar os mal-entendidos e os preconceitos entre os candidatos e os examinadores”, avisou. Dar o salto O deputado defende assim a aplicação das novas tecnologias para resolver eventuais conflitos e quer saber se existem planos nesta direcção: “No contexto da promoção contínua da modernização dos regimes de trânsito e exames, os serviços competentes efectuaram algum estudo e introduziram, a curto prazo, medidas de apoio tecnológico nos exames de condução […] para registar, de forma global, todo o processo de exame […]?”, perguntou. Ao mesmo tempo, Che Sai Wang considera que a RAEM deve adoptar as políticas do Interior de “aplicação de tecnologias” modernas para “aperfeiçoar os mecanismos de registo do processo de exame e de fiscalização electrónica do pessoal”. O deputado quer saber se há planos neste sentido, para “elevar a transparência e a uniformidade do regime geral” de avaliação dos futuros condutores.
Subemprego | Pedido apoio a residentes com quebra de salários João Santos Filipe - 17 Mar 202617 Mar 2026 Num contexto em que os trabalhadores na área dos transportes e armazéns têm cada vez mais dificuldades em encontrar emprego a tempo inteiro, a deputada Wong Kit Cheng pede soluções ao Executivo A deputada Wong Kit Cheng pediu ao Governo para lançar novos apoios para fazer face à subida do subemprego, ou seja, das situações em que as pessoas trabalham menos horas do que as que desejam. O apelo foi feito através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa. “Embora a taxa de desemprego se tenha mantido num nível baixo, a taxa de subemprego registou um aumento significativo, verificando-se esta situação principalmente nos ramos dos transportes e armazenagem, das actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas e do comércio a retalho”, descreveu a legisladora. “Isto demonstra, por um lado, que os trabalhadores residentes estão a enfrentar o problema de subemprego no mercado de trabalho, o que tem um impacto substancial nos seus rendimentos e, por outro, que a procura no mercado está a diminuir, sendo que os referidos sectores estão a deparar-se com dificuldades operacionais”, apontou. Segundo os dados citados pela deputada, entre Novembro do ano passado e Janeiro, a taxa de subemprego foi de 2,2 por cento, um aumento de “0,2 por cento” em comparação com o período anterior. A taxa de desemprego foi de 2,2 uma redução de “0,1 por cento”. Face a esta situação, Wong Kit Cheng pretende saber como é que o Executivo vai utilizar os planos de formação e a plataforma com a oferta de cursos de requalificação para providenciar um “apoio concreto para a mudança de profissão” e “planos de formação técnica”. A legisladora, ligada à Associação da Mulheres, pediu também ao Governo ajudas para quem não consegue encontrar uma profissão num sector diferente daquele em que trabalhava, antes de ficar numa situação com rendimentos reduzidos: “Quanto aos indivíduos que não consigam mudar de profissão devido à idade, ao nível de competências, ao contexto familiar ou a outros factores, o Governo deve resolver o problema de subemprego, através da conjugação de emprego e de outras medidas de apoio. Como vai fazer isto?”, questionou. Licenciados à vista Ao mesmo tempo, Wong Kit Cheng mostrou-se preocupada com os próximos meses devido ao ingresso no mercado do trabalho dos alunos do ensino superior que terminam os seus estudos e entram no mercado de trabalho. A deputada aponta assim que “a procura de emprego vai aumentar”, pelo que pede explicações de como o Executivo “pode planear melhor e implementar medidas adequadas para fazer face à situação” para “reduzir o desfasamento com as competências práticas exigidas no local de trabalho”. Wong pediu também a “divulgação das informações” sobre o mercado de trabalho para que haja uma “transição suave” para os recém-licenciados que entram no mundo do trabalho. “É uma questão que merece atenção contínua por parte das autoridades competentes”, vincou.
Demografia | População idosa atingiu mais de 15 por cento em 2025 Hoje Macau - 17 Mar 202617 Mar 2026 A população idosa de Macau cresceu para 15,3 por cento em 2025, de acordo com dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). A população da RAEM atingiu 688.900 pessoas no final de 2025, um aumento ligeiro de 0,1 por cento face ao ano anterior, mas com a população idosa a aumentar 0,7 pontos percentuais dos 14,6 por cento registados em 2024. Da população total, 80.300 eram jovens entre os 0 e os 14 anos (11,7 por cento) e 105.200 tinham 65 ou mais anos (15,3 por cento). Em 2025, registaram-se 2.870 nascimentos, e observaram-se 2.424 óbitos. Analisando as causas da morte, a DSEC refere que o número de óbitos mais elevado se deveu a “tumores malignos”, seguindo-se “doenças do coração” e “doenças cerebrovasculares”. Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais. A população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em Macau em 2023, com o Governo de Macau a prever uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041.
AL | Orçamento reforçado para obras de “grande escala” João Luz - 17 Mar 2026 O orçamento da Assembleia Legislativa foi alterado pela terceira vez, com um aumento de 31,4 milhões de patacas, para 255,4 milhões de patacas. O edifício da assembleia terá obras de “grande escala”, os serviços serão informatizados, e o orçamento com pessoal e formação também irá subir O orçamento da Assembleia Legislativa (AL) para 2026 vai ser rectificado, pela terceira vez, aumentando 14 por cento dos 224 milhões de patacas inicialmente propostos, para quase 255,4 milhões de patacas, ou seja, mais cerca de 31,4 milhões de patacas. A informação, publicada no portal da AL, consta de uma deliberação assinada pelo presidente do órgão legislativo, André Cheong, e os restantes membros da mesa. O aumento do orçamento para este ano foi justificado com a necessidade de obras no edifício, informatização, aperfeiçoamento de equipamentos e aumento das despesas com pessoal e formação. As duas rectificações anteriores envolveram apenas a transferência de verbas orçamentadas para outros gastos, sem alterar o valor do orçamento anual. As maiores despesas no extrato relativo à alteração do orçamento são relativas a “edifícios e estabelecimentos”, com uma despesa de quase 13,6 milhões de patacas, mais de um terço do valor total do aumento. A factura relativa a gastos com mobília está estimada em dois milhões de patacas, enquanto as despesas com equipamentos informáticos e sistemáticos estão orçamentadas em mais de 5,6 milhões de patacas, e para software e direitos estão destinados 9,3 milhões de patacas. Em relação aos custos com pessoal, a rectificação adiciona 2 milhões de patacas, subindo para 186,7 milhões patacas, o que representa um aumento de 1,08 por cento. Nesta área, os maiores aumentos são nas rúbricas das ajudas de custo diárias (+65,1 por cento) e ajudas de custo de embarque (+ 87,4 por cento). As causas Na lista de fundamentos para a rectificação orçamental para promover a “mudança do espaço de trabalho e das obras de remodelação do Edifício da AL”, os deputados começam por indicar que, apesar de terem um edifício próprio, sofrem com a insuficiência de espaço de trabalho. Como tal, ficam impedidos de “oferecer serviços mais diversificados de melhor qualidade”. Com a mudança do gabinete do presidente do Tribunal de Última Instância, prevista para este ano, que funciona no edifício do Fórum Macau, para as novas instalações na Avenida da Praia Grande, serão transferidos para o espaço vago no Fórum Macau cerca de 80 trabalhadores dos serviços de apoio da AL. Este volume representa cerca de dois terços dos recursos humanos da AL. A transferência irá implicar “obras fundamentais de remodelação” no Complexo do Fórum Macau, assim como a compra de equipamentos de escritório. Uma vez concluída a transferência, vão arrancar as “obras de remodelação e renovação em grande escala no Edifício da AL, em especial no primeiro andar, optimizando a configuração funcional”. O objectivo é criar novos espaços de trabalho com o intuito, como exemplificado pela mesa, de “reforçar a comunicação e ligação entre a AL e a população, especialmente a juventude, e melhorar a compreensão do público sobre as funções e trabalho concreto AL”. No capítulo da informatização, será criada uma plataforma para trabalhos internos para eliminar o uso do papel, assim como um sistema auxiliar com inteligência artificial e um sistema de gestão de gestão financeira electrónica. Além disso, o portal da AL será actualizado. Em relação à mão-de-obra, é indicado que o número de trabalhadores “vai aumentar ligeiramente” e serão organizadas mais sessões de formação internas.
Geopolítica | Alerta para impacto económico de conflitos internacionais Hoje Macau - 17 Mar 2026 Sam Hou Fai alerta para as “recentes alterações geopolíticas” e “conflitos internacionais” que constituem “ameaças ao desenvolvimento económico da cidade” O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, alertou ontem para as “perturbações na cadeia de abastecimento” e outros desafios que as recentes alterações geopolíticas e conflitos internacionais geraram enquanto ameaças ao desenvolvimento económico da cidade. Macau, “enquanto pequena economia aberta e fortemente dependente do exterior, enfrenta múltiplas incertezas e desafios”, afirmou Sam Hou Fai no discurso de abertura da primeira sessão de 2026 do Conselho de Desenvolvimento Económico, apelando aos empresários presentes para que estejam preparados para os enfrentar e que incentivem ao investimento e diversificação da economia local, fortemente dependente da indústria do jogo. “Actualmente, no contexto da evolução acelerada e da transformação sem precedentes do último século em todo o globo, os conflitos geopolíticos continuam a intensificar-se, a recuperação económica mundial enfrenta entraves e diversos factores de incerteza, assim como se sobrepõem as perturbações nas cadeias de abastecimento, tornando o ambiente externo de desenvolvimento significativamente mais complexo, grave e incerto”, disse o chefe do Executivo. Sam Hou Fai indicou ainda que o Governo vai avaliar os “pontos de convergência” possíveis com o 15.º Plano Quinquenal do país aprovado este mês durante os encontros da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), denominados como “Duas Sessões”, em Pequim. Metas baixas A China estabeleceu nestes encontros uma meta de crescimento do PIB de 4,5 por cento a 5 por cento para 2026, a mais baixa desde 1991, sinalizando um foco na estabilidade e qualidade sobre velocidade, e priorizando investimentos estratégicos, tecnologia e consumo interno. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Macau cresceu 4,3 por cento em 2025, ultrapassando 63.600 euros, o segundo valor mais elevado da Ásia. No entanto, a agência de notação financeira Fitch previu que o crescimento do PIB do território irá desacelerar para 4 por cento em 2026, porque as condições económicas “mais fracas” irão “pesar cada vez mais sobre os turistas chineses”. “Macau enfrenta numerosos desafios ao seu desenvolvimento, mas esperamos avançar em conjunto. A construção da Grande Baía avança com resultados bem visíveis, e a nova vaga de tecnologia tem injectado uma nova dinâmica de desenvolvimento. Devemos ter em consciência a adversidade prevenindo os riscos e avaliando o pulso do desenvolvimento nacional”, destacou Sam. A Grande Baía é um projecto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, uma região com cerca de 86 milhões de habitantes e com um produto interno bruto (PIB) superior a um bilião de euros. “Espero que vocês, como empresários, estejam preparados para agarrar as oportunidades, reforçando o investimento em Hengqin de maneira a injectar nova vitalidade. Espero que possam também acompanhar de perto os assuntos de desequilíbrio e dificuldades enfrentados pelas Pequenas e Médias Empresas”, destacou. O Governo Central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin (Ilha da Montanha), adjacente a Macau, como uma área económica especial destinada a apoiar a diversificação da economia da região administrativa especial. Aposta no futuro Criado em 2023, o Conselho de Desenvolvimento Económico de Macau, que ontem realizou a primeira reunião do ano, é um organismo consultivo do Governo da RAEM, cuja finalidade é disponibilizar pareceres e apresentar propostas sobre a formulação de estratégias para o desenvolvimento económico da região assim como políticas relacionadas com a economia. Além do Chefe do Executivo e do secretário para a Economia, o organismo inclui representantes de associações de interesses económicos e profissionais assim como “individualidades de reconhecido mérito” na respectiva área.
Futebol | Macau convoca jogador do Portimonense para FIFA Series Hoje Macau - 16 Mar 2026 A selecção de futebol masculina de Macau convocou Nuno Pereira, jogador do Portimonense, para a segunda edição da FIFA Series, anunciou na sexta-feira a Associação de Futebol da região chinesa. A capital do Ruanda, Kigali, irá acolher duas séries da competição amigável para selecções criada pela FIFA, incluindo a série B, que inclui Macau, Aruba, Liechtenstein e Tanzânia. A série B arranca a 26 de Março, com Aruba a defrontar Macau, enquanto Tanzânia enfrenta Liechtenstein. Três dias depois, os vencedores dos dois primeiros jogos encontram-se no Estádio Amahoro, o mesmo acontecendo com os derrotados. A segunda edição da FIFA Series vai contar com 36 selecções masculinas, divididas em oito séries, e 12 equipas femininas, divididas em três séries, uma das quais a realizar no Brasil. A selecção masculina de Cabo Verde vai participar na série organizada em Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia, que inclui, além da equipa da casa, Chile e Finlândia. A edição inaugural da FIFA Series, realizada em 2024 como um teste-piloto, tinha contado apenas com 24 selecções masculinas, divididas em seis séries, sem qualquer equipa feminina. Nuno Pereira, que actua no Portimonense, da II Liga de futebol portuguesa, é o único futebolista a actuar no estrangeiro que faz parte da lista de 30 jogadores convocados pelo seleccionador de Macau, Kenneth Kwok Kar-lok. A seleção masculina de Macau está actualmente classificada na 193.ª posição do ranking mundial da FIFA, composto por 210 equipas. Entre os países ou regiões de língua oficial portuguesa, apenas Timor-Leste se encontra atrás de Macau, em 198.º.
Sócrates é um fenómeno judicial André Namora - 16 Mar 202616 Mar 2026 Aqui pelas Beiras, concretamente na Covilhã, um dia conhecemos um jovem que andava pela Juventude Social-Democrata (JSD) e passados poucos anos era um Agente Técnico de Engenharia que encaminhava para o município projectos horrorosos de casas para licenciamento, alguns dos imóveis ainda existentes e que bradam aos céus de tanto mau gosto. O jovem de nome Pinto de Sousa começou a subir na vida e sempre demonstrou uma grande ambição de ser conhecido. Talvez por essa razão é que decidiu passar a usar a parte do seu nome José Sócrates. Terá pensado em Sócrates, um dos mais influentes filósofos da Grécia Antiga. E vai daí, José Sócrates passa para as hostes do Partido Socialista e começa a subir de degrau em degrau, até conseguir chegar a secretário-geral do partido. E mais: Portugal tem na sua história dos primeiros-ministros, o nome de José Sócrates. E aqui é que começa a grande história do filósofo, perdão, do ambicioso. Muitos portugueses louvam a sua determinação como chefe do Governo. Dizem que com ele já teríamos TGV até Badajoz, aeroporto alternativo ao de Humberto Delgado e que o povo viveria muito melhor. Outros, insistem que José Sócrates nunca devia ter saído da prisão. Da prisão, porquê? Porque o governante ambicioso quis este mundo e o outro. Começou pelos contactos que tinha na empresa Lena e conseguiu convencer Hugo Chávez que a empresa de construção portuguesa edificasse milhares de casas na Venezuela e um porto de águas profundas. Logo aqui, o Ministério Público desconfiou que a corrupção estaria a ser grande. Depois, Sócrates escreveu a página mais negra da sua governação ao permitir que Muammar Gaddafi, de visita oficial a Portugal, erguesse uma tenda gigante no interior do respeitado e histórico Forte de São Julião da Barra. O Ministério Público voltou a desconfiar que aquela relação política poderia integrar milhões de euros em corrupção. A ambição e o narcisismo da criatura política, levou-a a anunciar-se, em vez de Agente Técnico de Engenharia, como engenheiro, o que até provocou a risota nacional quando saiu a notícia de que o “engenheiro” tinha feito um exame a uma disciplina do curso de Engenharia num domingo… e quanto aos livros que publicava lá tinha de pagar a alguém que os escrevesse. Sócrates adquiriu dois andares luxuosos num edifício perto do Marquês de Pombal, um monte no Alentejo para a ex-mulher, carro de topo de gama, realizava viagens para os hotéis mais caros, não escondia o financiamento a diversas mulheres, dizia que o seu amigo Carlos Silva emprestava-lhe o dinheiro que fosse necessário para o que ele entendesse, depois chegou a dizer que o dinheiro era oriundo de uma herança e que a sua mãe tinha muito dinheiro, ao mesmo tempo que as amigas da mãe diziam à imprensa que a senhora era sustentada pelo filho e que o seu motorista era o “carteiro” de vários envelopes de Sócrates para a sua mãe e de Carlos Silva para Sócrates. A investigação judicial até chegou a recolher a informação de que um primo seu teria alegadamente depositado num banco de Macau 30 milhões de euros. E o caso não seria para admirar porque uma antiga jornalista que trabalhou em Macau era o braço-direito de José Sócrates e ainda devia ter uma conta bancária aberta em território macaense. Sócrates perdia a cabeça facilmente e a sua ambição levou-o a comprar um andar luxuoso em um dos bairros mais caros de Paris. Obviamente que toda esta enorme riqueza gasta a jorros não podia condizer com o simples salário de primeiro-ministro. E assim, num dia em que regressou de Paris foi preso e encaminhado para o estabelecimento prisional de Évora onde passou a ser conhecido como o recluso 44 e onde recebia a visita das maiores figuras políticas ligadas ao seu reinado, um sinal de que Sócrates sabia muito e que já teria dado a ganhar dinheiro a muitos… Foi a primeira vez que Portugal assistiu em democracia à prisão de um primeiro-ministro. E aqui começa a saga ou o fenómeno judicial, como lhe queiram chamar. A “Operação Marquês” teve o seu início há 12 anos. Há mais de uma década que José Sócrates está para ser julgado. E isto não é um fenómeno judicial? Já foi acusado dos mais diversos crimes, já foi ilibado pelo juiz Ivo Rosa, o mesmo juiz que não brinca em casos de corrupção porque basta recordar que na sua presença em Timor-Leste, assim que iniciou processos de corrupção contra figuras importantes, foi logo mandado embora daquele país. Mas, o tribunal superior anulou, incompreensivelmente, as decisões de Ivo Rosa e Sócrates continua na berlinda de ser ou não julgado. E por que não o é? Simplesmente porque já teve oito advogados em 12 anos e o quarto advogado oficioso, Marco António Amaro, renunciou na semana passada a ser advogado de Sócrates. Os advogados nomeados não aceitam a decisão do tribunal em terem apenas 10 dias para estudar um processo que tem uma camioneta cheia de caixas com a “Operação Marquês”. José Sócrates tem sido acusado das mais diversas manobras dilatórias para conseguir ir adiando o seu julgamento até à prescrição final. Agora, Sócrates anunciou que somente escolhe um outro advogado se este puder estudar o megaprocesso em cinco meses e meio. O que é certo, sem sombra de dúvidas, é que o caso do “engenheiro” é uma vergonha para todos os intervenientes, especialmente os tribunais. Para já, o Governo está a estudar medidas contra manobras dilatórias, com multas de dez mil euros. E Sócrates? Oh… está na maior pela Ericeira, fazendo as suas caminhadas e mergulhos na bela praia…
Ciência | China inverte fuga de cérebros com salários altos e laboratórios de topo Hoje Macau - 16 Mar 202616 Mar 2026 O Governo chinês está a atrair cientistas e investigadores de todo o mundo com salários competitivos e laboratórios de ponta, num momento em que disputa com os Estados Unidos a liderança tecnológica global. Para captar talento internacional, a China lançou programas como o “Mil Talentos”, que oferecem remunerações elevadas e bolsas generosas a especialistas em áreas consideradas estratégicas, sobretudo ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). A progressão na carreira e o acesso a infraestruturas avançadas também são factores de atracção. “Na Europa estava preso no gargalo dos pós-doutoramentos. Fiz quatro, mas a minha experiência já estava muito mais avançada do que o meu perfil académico reflectia”, disse à Lusa o investigador espanhol David Fernández-Blanco, que trabalha no Instituto de Ciência e Engenharia do Mar Profundo (IDSSE), na cidade costeira de Sanya, na ilha tropical de Hainão. “Aqui fui avaliado pelos meus méritos e ofereceram-me uma posição mais alinhada com a minha experiência”, acrescentou. Fernández-Blanco é investigador associado no IDSSE, um centro dedicado ao estudo do oceano profundo, área considerada estratégica pelas autoridades chinesas. “O instituto tem três navios de investigação oceanográfica e dois submersíveis tripulados”, disse. “Para quem trabalha em investigação do oceano profundo, isso é fundamental”. O acesso a equipamentos avançados permite realizar investigação directamente no local onde os dados são recolhidos, algo que nem sempre é possível noutras instituições, salientou. Não existem dados oficiais sobre o número de cientistas estrangeiros que se mudaram para a China ou de investigadores chineses que regressaram ao país. Ainda assim, notícias sobre académicos de alto nível que optam por trabalhar no país têm-se tornado mais frequentes. A cadeia televisiva norte-americana CNN contabilizou pelo menos 85 cientistas que trabalhavam nos Estados Unidos em instituições de topo e que passaram a integrar laboratórios chineses a tempo inteiro desde o início de 2024. Entre eles estão o especialista em fármacos contra o cancro Lin Wenbin, antigo investigador da Universidade de Chicago que se juntou à Universidade Westlake, e o matemático Qian Hong, que regressou à China após mais de 40 anos nos Estados Unidos, deixando um cargo de professor catedrático na Universidade de Washington para integrar a mesma instituição no leste do país. Observadores classificaram este fenómeno como uma “fuga de cérebros inversa”, que pode favorecer a China num período de crescente competição com os Estados Unidos pelo domínio das indústrias do futuro. Linglin Zhang, que ingressou na China Europe International Business School (CEIBS), em Xangai, após cerca de 20 anos nos Estados Unidos, afirmou ter sido atraída por uma investigação “mais pragmática” e pelo “excelente acesso a empresários e profissionais”. Para Fernández-Blanco, outro factor importante é a autonomia científica. “Existe uma abordagem pouco interventiva. Há linhas de investigação definidas pelo instituto, mas ninguém está constantemente a verificar o que estou a fazer”, disse. Prioridades profundas Alguns programas de recrutamento oferecem financiamento inicial significativo, que pode chegar a um milhão de yuan para criar um laboratório e formar equipas de investigação. Entre as áreas que recebem mais investimento estão o espaço profundo e o oceano profundo, duas fronteiras científicas que exigem equipamentos caros e projectos de longo prazo. “São duas das grandes prioridades científicas neste momento”, afirmou Fernández-Blanco. Além do interesse científico, estas áreas têm também importância estratégica. No oceano profundo existem depósitos minerais que poderão ser explorados, enquanto no espaço alguns asteroides podem conter de metais raros em abundância. Apesar das oportunidades, barreiras linguísticas e culturais continuam a ser um desafio para investigadores estrangeiros na China. “Há formas de trabalhar diferentes das que conhecemos na Europa”, disse Fernández-Blanco. “Às vezes é preciso aceitar como as coisas funcionam”.
Rota das Letras | Andreia Sofia Silva apresenta livro sobre censura em Macau João Santos Filipe - 16 Mar 202617 Mar 2026 Andreia Sofia Silva, que apresentou no domingo um livro sobre a censura do Estado Novo em Macau, considera que a imprensa local nunca foi “plenamente livre e isenta”, e que durante o Estado Novo os jornais de língua portuguesa eram desproporcionalmente atacados pela comissão de censura face às publicações em chinês A jornalista do HM Andreia Sofia Silva apresentou no domingo, no último dia de programação do festival literário Rota das Letras, o seu livro “O Lápis Vermelho – A Censura do Estado Novo à Imprensa de Macau”. Numa sessão apresentada por Frederico Rato, a autora realçou as formas distintas como a Comissão de Censura à Imprensa tratou com dois pesos e duas medidas os jornais em língua portuguesa e os jornais em chinês. “Descobri depois mais documentação da Comissão de Censura à Imprensa já com provas de que a imprensa chinesa teria ido, também, à censura, mas sem consequências”, explicou Andreia Sofia Silva à Lusa. “Percebi depois no decorrer da investigação que as diferenças de tratamento para com as duas imprensas, em português e chinês, foram muitas por parte das autoridades”, acrescentou. Entre os exemplos encontrados estão suspensões de jornais portugueses, incluindo O Clarim, da Igreja Católica. “Com frequência quase semanal o governador enviava os recortes de jornais censurados para o Ministério do Ultramar, em Lisboa, para que as autoridades na metrópole fossem informadas dos temas abordados pela imprensa”, explicou Silva. Nos arquivos, porém, não encontrou provas de procedimentos semelhantes relativamente à imprensa chinesa. Um exemplo foi o Ou Mun Iat Pou, ainda hoje o maior jornal de Macau, que em determinados períodos reproduziu notícias com os cortes impostos pela censura. Para Andreia Sofia Silva, esta diferença de tratamento reflecte as limitações da autoridade portuguesa em Macau, sobretudo perante a influência política de Pequim. A investigação desenvolvida ao longo de cinco anos conclui que a censura actuou de forma plena sobre a imprensa portuguesa em Macau, mas de forma limitada à imprensa chinesa, revelando fragilidades da administração colonial portuguesa. “Através da análise à censura do Estado Novo podemos percepcionar as fragilidades da administração portuguesa face às autoridades de Pequim, constituindo mais uma prova de que Portugal nunca exerceu autonomia plena sobre Macau”, disse. Antes e depois O trabalho de investigação da autora decorreu entre 2020 e Janeiro de 2025, com base sobretudo na documentação da Comissão de Censura à Imprensa conservada no arquivo diplomático português. Andreia Sofia Silva lembra que, ao longo do século XX, os jornais foram também frequentemente utilizados como instrumentos políticos por diferentes forças. Segundo a autora, na imprensa portuguesa “havia uma defesa do império e da necessidade da Guerra Colonial”, enquanto na imprensa chinesa “surgiam notícias com foco nos movimentos de libertação”. Nos anos da Guerra Sino-Japonesa, por exemplo, a região funcionou como um espaço onde coexistiam várias correntes políticas. “A história traz-nos mensagens e reflexões relacionadas com as especificidades de Macau e das suas gentes, que podem ser lidas também à luz do panorama actual”, disse Silva. A investigadora considera que história da imprensa na cidade mostra que o exercício do jornalismo no território sempre esteve condicionado por factores políticos e sociais. “A imprensa de Macau nunca foi plenamente livre e isenta, por vários motivos e contextos históricos”, afirmou. Apesar das mudanças ocorridas nas últimas décadas, Andreia Sofia Silva considera que o jornalismo no território continua a enfrentar desafios estruturais. “Assistimos hoje a um grande decréscimo de massa crítica e de opinião pública. Mas devo dizer que a sociedade de Macau nunca teve muito esse pendor”, concluiu.
SS| Proibição de cigarros electrónicos vai entrar logo em vigor João Santos Filipe - 16 Mar 2026 Os Serviços de Saúde consideram que a legislação actual pode ser contada como um período transitório para a proibição total do cigarro electrónico O Governo quer tolerância zero contra os fumadores de cigarros electrónicos e promete que a proibição total vai entrar em vigor, assim que a futura lei for aprovada na Assembleia Legislativa. A posição do Executivo foi explicada por Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SS), que quer tornar ilegal a posse e o consumo deste produto. “A segunda revisão à lei [de prevenção e controlo do tabagismo] entrou em vigor no final de 2022. Já estão proibidos o fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte de cigarros electrónicos”, afirmou Alvis Lo, na mais recente sessão de consulta pública, de acordo com o Canal Macau. “Teoricamente, os últimos três anos em que a lei esteve em vigor serviram como período de transição. Por isso, não vamos criar outro período transitório para a posse [e consumo] de cigarros electrónicos no espaço público, porque as pessoas já devem estar adaptadas [às novas restrições]”, acrescentou. O novo regime prevê a utilização de câmaras de filmar pelos fiscalizadores. Apesar desta alteração, Alvis Lo considera que a privacidade dos fumadores e dos inspectores vai ser protegida e que não haverá utilização dos equipamentos para fazer prova contra eventuais fumadores. “Durante a implementação da nova lei, os inspectores e fumadores vão ser protegidos. Os vídeos das câmaras [dos inspectores] não vão ser utilizados como prova para verificar se os fumadores violaram a lei”, foi prometido. Futuro em aberto Alvis Lo indicou também que nesta revisão não se vai permitir a utilização do sistema de CCTV da cidade para perseguir os fumadores. No entanto, não afastou estas possibilidade no futuro. “Quanto ao uso de câmaras de vigilância no espaço público na implementação da lei do tabaco, não se trata apenas de uma questão técnica, mas está também relacionado com o nível de recepção da sociedade sobre a vida privada. Por isso, a curto prazo não vamos seguir essa via”, vincou. Quando apresentaram a consulta pública sobre o futuro diploma que vai limitar as áreas para fumar e proibir os cigarros electrónicos, assim como a pasta para os cachimbos de água, os SS defenderam que os cigarros electrónicos são mais prejudiciais do que os tradicionais. “Os cigarros electrónicos não são melhores do que os cigarros tradicionais. Mas, com diferentes sabores e diferentes formas, são mais atraentes e conseguem atrair o consumo dos jovens”, afirmou, na altura, Lam Chong, chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e Alcoolismo dos Serviços de Saúde. “Algumas pessoas, passado algum tempo, passam a fumar cigarros tradicionais”, acrescentou.