Habitação para idosos | Estacionamento público considerado caro

A deputada Ella Lei defende que o Governo deve explicar a razão do estacionamento público para automóveis na habitação para idosos ter o custo de 8 patacas por hora durante o dia, e 4 patacas à noite.

Num comunicado, a deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) considerou o preço excessivo e questionou o facto de os parques de estacionamento públicos mais recentes praticarem preços mais caros em comparação com os parques públicos antigos. Como exemplo dos parques mais caros, Ella Lei indicou o Parque de Estacionamento Público ao Ar Livre da Estrada Governador Albano de Oliveira, o Parque de Estacionamento Público do Edifício de Especialidade de Saúde Pública e o Parque de Estacionamento Público do Hospital Macau Union.

A legisladora admitiu ainda ter recebido várias queixas de residentes das futuras habitações sociais na Avenida de Venceslau de Morais e nas habitações públicas na Zona A dos Novos Aterros Urbanos, porque os preços também são vistos como caros. “Além de considerar os custos operativos [na formação do preço], o Governo deve pensar em outros factores antes de tomar uma decisão prudentemente”, apontou Ella Lei.

A deputada pede moderação nos preços estabelecidos pelo Executivo, para que este não seja responsável por “aumentar os custos de vida para a população” ou por “gerar a um aumento dos preços nos estacionamentos privados”.

Habitação | Governo acusado de desorientação por construção no Iao Hon

Após suspender a construção de habitação intermédia na Avenida Wai Long, supostamente por falta de procura, o Governo anunciou a construção no Bairro do Iao Hon. A mudança está a causar polémica

 

O novo projecto de habitação intermédia no Bairro do Iao Hon está a gerar dúvidas entre os deputados, que acusam o Executivo de desorientação política.

No início do mês, na Assembleia Legislativa, o Governo admitiu ir construir habitação intermédia no Bairro do Iao Hon, no âmbito do projecto de renovação urbana para a zona. A habitação intermédia é financiada com dinheiros públicos e vendida aos residentes de “classe média”, cujos rendimentos são tidos como excessivos para poder comprar habitação económica. A também chamada “habitação sanduíche” é assim mais cara e supostamente tem mais qualidade do que a económica.

Só que a revelação mais recente do Executivo apanhou alguns deputados de surpresa, que definem a política de habitação como “incoerente” ou “desorientada”.

Em declarações ao Jornal do Cidadão, Ron Lam admitiu não perceber o novo projecto, dado que o Executivo vai avançar para a construção de habitação intermédia no Iao Hon, depois há meses ter abdicado de construir habitação intermédia na Avenida Wai Long, na Taipa.

Na altura, o projecto na Taipa foi suspenso com a justificação de que “não havia procura suficiente” para a habitação intermédia. Lam confessa não conseguir compreender como em “tão pouco tempo” surgiu uma procura tão grande que justifique a construção no Iao Hon.

O membro da Assembleia Legislativa definiu ainda a mudança de posição do Governo como “pouco transparente”, dado que os fundamentos não foram explicados publicamente. Para Ron Lam, todas as alterações recentes mostram que a política de habitação do Governo está a falhar, porque não responde à expectativas da população de acesso a casas com qualidade e a preços moderados.

Política “desorganizada”

Por sua vez, Nick Lei, deputado ligado à comunidade de Fuijan, admitiu ao Jornal do Cidadão que o recente anúncio de construção no Iao Ho passou a imagem de que a política de habitação está “desorganizada”.

Também Lei considerou pouco positivo o facto de a decisão para o Iao Hon ter sido tomada sem que tivesse havido qualquer informação ou explicação pública. Lei aponta que este aspecto é incompreensível porque a habitação é uma “questão essencial” para a população e qualquer alteração política tem “impacto na vida dos residentes”.

O deputado deixou assim a esperança de que as autoridades revelem mais pormenores sobre o projecto, como o preço de venda, a área das habitações e que assegurem a existência de lojas, supermercados e outros equipamentos em quantidade suficiente para os futuros moradores.

Zona A | Edifícios de habitação pública sem revestimento de mosaicos

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) indicou que foi alterado o método de revestimento das paredes exteriores dos 17 novos edifícios de habitação pública em construção na Zona A. Em vez do revestimento com telhas de mosaico, as paredes exteriores serão pintadas, afirmou o director substituto da DSOP, Sam Weng Chon, em resposta a interpelação escrita de Leong Hong Sai.

O deputado dos Moradores solicitou ao Governo medidas para evitar o problema constante de queda de reboco e azulejos das fachadas de edifícios da habitação pública, e sugeriu mesmo a opção de revestimento com pintura que acabou por ser escolhida.

O Governo justificou a alteração “após a revisão dos trabalhos já realizados e tendo como referência as experiências das regiões vizinhas”, não mencionando os recorrentes incidentes que afectam os edifícios de habitação pública com queda de azulejos ou o empolamento de tinta devido à humidade.

A DSOP voltou a garantir que para edifícios com paredes exteriores pintadas, o empreiteiro deve apresentar os materiais, o projecto de execução e o projecto de ensaios para efeitos de aprovação.

Os materiais de pintura devem ser inspeccionados no local da obra para examinação e, antes da execução da pintura, a camada de reboco deve ser sujeita a teste do valor do pH e de humidade.

Professores | Escolas aplaudem nova lei sobre formações

Vong Kuoc Leng, director da Escola Choi Nong Chi Tai, disse ao canal chinês da Rádio Macau que a nova lei que irá regular a docência, intitulada “Regime do desenvolvimento profissional do pessoal docente do ensino não superior” promove a igualdade entre docentes e foca-se no seu nível profissional.

A nova lei, que entra em vigor no próximo ano lectivo, determina que os professores devem frequentar 30 horas de formação por ano. Vong Kuoc Leng recordou que desde 2018 as escolas privadas implementam um mecanismo permanente de formação para professores, aplicando-se agora um sistema semelhante nas escolas públicas.

Desta forma, o responsável anseia por detalhes dos cursos de formação a anunciar pelo Governo, a fim de se fazer uma planificação atempada. Vong Kuoc Leng espera ainda que possam ser disponibilizadas mais vagas e maior diversidade de formações, pois, nos anos anteriores, os cursos ficaram rapidamente preenchidos.

No caso do responsável pela Escola Tong Nam, foi também elogiada a nova lei, pois irá beneficiar, na sua opinião, o desenvolvimento profissional de professores. O mesmo responsável apontou que a obrigatoriedade de cumprir horas de formação pode levar os docentes a procurarem, por si, formações na área da segurança nacional, assuntos culturais e inteligência artificial, enriquecendo, assim, os seus conhecimentos.

Aeroporto | Segundo terminal suspenso devido à falta de passageiros

A suspensão do segundo terminal do Aeroporto de Macau foi revelada aos deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas. O terminal iria nascer numa parte do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa

 

O Governo decidiu suspender os planos para transformar parte do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa no segundo terminal do Aeroporto Internacional de Macau. A revelação foi feita à Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa, e justificada com a lenta recuperação do número de passageiros a usar as instalações aeroportuárias.

“Devido à recuperação lenta do tráfego de passageiros do aeroporto após a epidemia, o volume do tráfego de passageiros do aeroporto em 2023 foi apenas de cerca de 5,15 milhões”, consta no parecer assinado pelos deputados. “Embora o volume do tráfego de passageiros do aeroporto no 1.º trimestre deste ano tenha atingido 1,8 milhões de passageiros e recuperado para cerca de 77 por cento do pico do período homólogo de 2019, a actual capacidade do terminal de passageiros do aeroporto ainda é suficiente para dar resposta às necessidades do desenvolvimento actual do tráfego aéreo, já que a capacidade do terminal é de 10 milhões de passageiros por ano. Por isso, neste momento, a construção do segundo terminal do aeroporto encontra-se suspensa”, foi justificado.

A suspensão foi igualmente defendida com o facto de em 2022 ter entrado em funcionamento a “expansão do lado sul do terminal de passageiros do aeroporto”, o que leva os responsáveis governativos a considerar que “a capacidade actual do terminal de passageiros é suficiente para responder às necessidades do desenvolvimento actual”.

Quando o projecto foi apresentado, em 2020, durante a pandemia, esperava-se que o segundo terminal tivesse capacidade para servir mais 1,4 milhões de passageiros.

Obras no Heliporto da Taipa

O relatório indica também que, apesar de ser reconhecer a necessidade de operar o Heliporto do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa, que a infra-estrutura não tem os “requisitos necessários” para ser explorada.

“Para que o heliporto possa entrar em funcionamento em tempo oportuno, estão a ser preparados os documentos para o concurso público relativos às obras de modificação do heliporto, com vista a iniciar as obras o mais rápido possível”, é indicado no relatório elaborado pelos deputados, com base nas respostas do Governo.

O documento também indica que estão em preparação as obras de modificação do heliporto, que se espera serem iniciadas “com a maior brevidade possível” para que se tente que o funcionamento comece na segunda metade do próximo ano. No entanto, o documento admite que a entrada em funcionamento do heliporto na Taipa pode acontecer depois do próximo ano.

CECE | Au Kam San contesta protesto em boletim de voto

Na eleição dos membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo (CECE) houve um votante que escreveu no boletim: “a democracia morreu”. O voto foi declarado nulo, mas o boletim foi mostrado em conjunto com os restantes 155 boletins com votos considerados inválidos.

No entanto, o ex-deputado Au Kam San contestou o sentido da declaração: “O regime democrático nunca se estabeleceu em Macau, como podemos dizer que ‘morreu’?”, questionou Au, na rede social Facebook. O fundador da Associação Novo Macau afirmou também ter recusado a hipótese de escrever um livro sobre o desenvolvimento da democracia em Macau, porque não tem esperanças nesse futuro.

“A expectativa ruiu completamente depois de 2021, os esforços realizados ao longo de 30 anos foram em vão”, admitiu. Au também opinou que nos últimos 50 anos [após a Revolução do 25 de Abril em Portugal] nunca se iniciou qualquer processo democrático no território, porque nunca o líder do Governo ou a maioria dos deputados foram escolhidos através de sufrágio universal.

EPM | Rita Santos fala em nova fase para a instituição

Rita Santos, conselheira das Comunidades Portuguesas, disse esperar que a Escola Portuguesa de Macau (EPM) entre agora numa nova fase de tranquilidade, com um normal funcionamento da instituição de ensino, após o relatório do ministério português da Educação ter decidido que os professores e psicóloga demitidos devem ser novamente contratados.

Segundo a TDM Rádio Macau, Rita Santos pediu que não haja uma perseguição aos profissionais novamente contratados, prometendo acompanhar o funcionamento da escola. Os professores Carlos Botão, Elsa Botão, Maria Alexandra e Manuela Dora Coelho voltarão a dar aulas na EPM depois do despedimento, bem como a psicóloga Isabel Marques, conforme decretado no relatório de inspecção.

Empresas públicas | Salários dos 10 mais bem pagos chegam a 17,5 milhões

O top 10 dos executivos de empresas de capitais públicos mais bem pagos é liderado por Simon Chan Weng Hong, que preside à Comissão Executiva da Companhia do Aeroporto de Macau, com um salário anual de 2,87 milhões de patacas. No total, os 10 mais bem pagos auferem cerca de 17,5 milhões de patacas por ano

 

Os quatro membros da comissão executiva da Companhia do Aeroporto de Macau (CAM) auferem rendimentos anuais conjuntos de 8,14 milhões de patacas, salários que colocam o órgão de gestão do aeroporto no topo da hierarquia salarial empresas públicas de Macau. Os dados estão na plataforma da divulgação pública da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP).

Como seria de esperar, o presidente da comissão executiva da CAM, Simon Chan Weng Hong, aufere o salário mais elevado, 2,875 milhões de patacas por ano, o que representa um rendimento mensal de cerca de 239 mil patacas.

Os restantes membros da comissão executiva (Chu Tan Neng, Kan Cheok Kuan e Lei Si Tai) recebem por ano 1,754 milhões de patacas (146 mil patacas por mês cada um).

O jornal Plataforma indica que feita a comparação entre os salários de executivos em posições semelhantes no sector privado e os profissionais em posições de gestão nas empresas públicas de Macau, o presidente da CAM aufere um rendimento competitivo, por exemplo, face aos níveis salariais de gestores de alto nível na indústria da aviação norte-americana.

Ainda no sector dos transportes, o presidente do conselho de administração da Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, Ho Cheong Kei, recebe quase 1,57 milhões de patacas por ano, o que por mês dá cerca de 130 mil patacas, rendimento significativo principalmente se comparado com os membros da comissão executiva da empresa que auferem salários anuais entre 112 mil e 60 mil patacas.

Talentos aos molhos

A seguir, na lista dos mais bem pagos, está a antiga presidente do Instituto Cultural, Mok Ian Ian, que enquanto presidente do conselho de administração do Centro de Ciência de Macau recebe por ano mais de 1,55 milhões de patacas, cerca de 129 mil patacas por mês.

O segundo salário mais elevado no Centro de Ciência, que é mais de 10 vezes superior ao terceiro, é recebido por U Hon Sang, do conselho de administração da empresa que gere o centro, com um rendimento anual superior de 1,21 milhões de patacas.

O conselho de administração da TDM – Teledifusão de Macau é a empresa de capitais públicos que se segue na lista dos gestores mais bem pagos. A mais bem paga no conselho de administração da emissora pública é a vice-presidente Lo Song Man, que aufere mais de 1,4 milhões de patacas por ano, o que dá um salário mensal de 116 mil patacas. Importa referir que o presidente do conselho de administração, António José de Freitas, recebe 600 mil patacas por ano, o que dá 50 mil patacas por mês.

A seguir a Lo Song Man, os dados da DSSGAP revelam que Ma Kam Keong, Un Weng Kuai, Vong Vai Hung e Cheang Kong Pou, todos administradores do conselho de administração, auferem um pouco mais de 1,22 milhões de patacas por ano.

Outra empresa que convém sublinhar na lista dos melhores salários, é a Sociedade para o Desenvolvimento dos Parques Industriais de Macau, cujo presidente do conselho de administração, Lo Ioi Weng, aufere por ano mais de 1,18 milhões de patacas, ficando de fora da lista dos 10 mais bem pagos.

Somados todos os salários anuais dos 13 executivos mais bem pagos das empresas públicas de Macau, a factura atinge os 21,15 milhões de patacas.

JO | China destaca feitos de atletas que conquistaram 40 medalhas de ouro

Os Jogos Olímpicos de Paris terminaram no domingo e a China ficou em segundo lugar no ranking dos países com mais medalhas, com 91 medalhas, sendo que 40 foram de ouro. O Governo Central deu os parabéns aos atletas, destacando a nova geração de desportistas nascidos depois do ano 2000

 

No domingo terminou mais uma edição dos Jogos Olímpicos (JO) que voltaram a consagrar dois países como os mais medalhados: os Estados Unidos da América (EUA) em primeiro lugar, e a China em segundo que arrecadou 91 medalhas, incluindo 40 de ouro, 27 de prata e 24 de bronze. Os EUA lideraram com um total de 126 medalhas. Em terceiro lugar ficou o Japão, com 45 medalhas, 20 delas de ouro, seguindo-se, em quarto lugar, a Austrália com 53 medalhas. A França, país de acolhimento desta edição dos JO, ficou em quinto lugar no que às medalhas diz respeito, conseguindo 64. Holanda e Grã-Bretanha ficaram nos lugares seguintes.

Uma reportagem da Xinhua dá conta que nesta edição dos JO a participação chinesa ficou marcada pelo talento da geração de atletas bastante jovens, nascidos já depois do ano 2000, que tiveram “desempenhos notáveis” e demonstraram “um espírito vibrante”. Tratou-se de um “feito notável” da delegação chinesa, descreve a mesma reportagem.

Do lado do poder político chegaram também os parabéns. “Vocês conquistaram a glória para o nosso país e povo. Estendemos calorosas felicitações e sinceros cumprimentos a vocês”, descrevia a mensagem conjunta enviada pelo Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e pelo Conselho de Estado, citada pela agência nacional.

Para as autoridades chinesas, os atletas “promoveram, de forma vigorosa, o espírito desportivo chinês e o espírito olímpico, esforçando-se por ganhar medalhas não só pelo desempenho atlético, mas também pela integridade moral, espírito desportivo e competição justa”, lê-se na mensagem.

Na mesma mensagem é ainda referido que os atletas, ao competirem e ganharem medalhas, “melhoraram capacidades, aprofundaram a amizade e demonstraram a força, o espírito e a imagem da China ao mundo, divulgando a voz e os valores da China”.

O lado patriótico do desporto olímpico não ficou esquecido. “As vossas realizações e desempenhos excepcionais fomentaram ainda mais o patriotismo do povo chinês, tanto no país como no estrangeiro, elevaram o espírito nacional e uniram o povo para o progresso”, sublinharam as autoridades.

Da natação ao ténis

Nos JO deste ano esperava-se o regresso de algumas estrelas, nomeadamente da ginasta norte-americana Simone Biles, depois da desistência nos JO de Tóquio por questões de saúde mental.

Porém, do lado da China revelaram-se novos talentos, como Pan Zhanle, que brilhou na natação na categoria de 100 metros livres masculinos. Segundo a Xinhua, “Pan bateu o seu próprio recorde mundial”, tendo obtido uma medalha de ouro após cumprir um tempo de 46,40 segundos. Além disso, o atleta “liderou a China na vitória da final dos 4×100 metros estilos masculino, ao lado de Xu Jiayu, Qin Haiyang e Sun Jiajun”. A agência nacional indicou que a vitória “pôs fim a uma série de dez medalhas de ouro ganhas consecutivamente pelos EUA nesta prova, algo que remonta aos JO de Los Angeles de 1984”.

Citado pela mesma agência, Pan Zhanle referiu que a vitória foi “mágica” para si, ainda para mais por ter sido obtida no mesmo dia em que fez 20 anos. “Cumpri a promessa que fiz há um ano de celebrar o meu aniversário com uma medalha de ouro por equipas”.

Ainda nas modalidades ligadas à água, destaque para as oito medalhas de ouro ganhas nos saltos para a água pelo grupo de atletas Chen Yuxi e Quan Hongchan.

Na modalidade de ténis destacou-se a vitória de Zheng Qinwen, com apenas 21 anos, que obteve a medalha de ouro na prova individual feminina contra a alemã Angelique Kerber, antiga número 1 a nível mundial. A atleta chinesa bateu também a polaca Iga Swiatek, actual número 1 do mundo.

“Depois da terceira ronda, estava com dores e a jogar com ligaduras. Não foi fácil ultrapassar estes desafios. Esta é a primeira vez que disputo cinco combates durante cinco dias seguidos e sinto que cheguei ao meu limite”, disse Zheng.

A atleta não esqueceu os fãs que assistiram a todas as provas pela televisão ou presencialmente. “Sejam corajosos e sonhem em grande. Para alcançar os sonhos é preciso estabelecer objectivos, mas a viagem terá dificuldades, dúvidas e sacrifícios. Desfrutem do processo porque cada fracasso é um passo para o sucesso. Estando onde estou hoje, posso dizer que todo o esforço valeu a pena.”

Novas modalidades

Outra novidade desta edição dos JO de Paris foi a inclusão de novas modalidades, como foi o caso do Breakdance, Skate ou BMX. Também na prova de BMX a China marcou pontos, nomeadamente com a jovem Deng Yawen, com apenas 18 anos de idade, que ganhou o ouro na categoria freestyle feminino.

A atleta lembrou que a BMX é ainda uma modalidade bastante recente a nível nacional. “O BMX é um desporto de nicho na China. Ganhar esta medalha de ouro significa que este desporto se tornará cada vez mais forte no meu país. A competição de hoje acabou, e a honra de ganhar uma medalha de ouro não me vai acompanhar em todas as competições. Vou concentrar-me apenas nos meus treinos e mostrar ao mundo uma melhor versão de mim.”

No Skate a China também marcou presença graças à atleta Zheng Haohao. Esta acabou por falhar a final, ficando em 18º lugar nas fases preliminares de apuramento. Zheng tem apenas 12 anos de idade, celebrados no dia 11 de Agosto, precisamente o último dia dos JO.

“Diverti-me imenso. Estou muito feliz e orgulhosa por representar o meu país. Não havia muita pressão sobre mim. Os JO não são muito diferentes dos meus treinos regulares e de outras competições, apenas com mais espectadores”, declarou.

Destaque também para a modalidade de tiro com arco, que levou os atiradores Huang Yuting e Sheng Lihao a conquistar a primeira medalha de ouro na modalidade para o país. Com o peculiar nome nas redes sociais “Just by Eating”, Sheng tornou-se viral, com os fãs a apelidaram-no de “Gan Fan Ge”, ou “Foodie Bro”, elogiando-o por “ganhar o ouro apenas comendo”.

Limpeza no ténis de mesa

Os chineses são amplamente conhecidos pelo talento na modalidade de ténis de mesa e estas Olimpíadas não foram excepção. Na semifinal individual feminina, a chinesa Sun Yingsha, número 1 do mundo, que venceu duas medalhas de ouro e uma de prata, derrotou a japonesa Hina Hayata. Porém, o desportivismo imperou, pois Sun confortou a adversária que sofria do impacto de lesões no pulso e no antebraço.

“Reparei que o movimento do braço dela não estava muito bom. Somos adversárias no campo, mas na verdade somos amigas. Para nós, a saúde é muito mais importante do que ganhar ou perder. Ninguém quer ver lesões. Espero que ela recupere o mais depressa possível.”

Outra modalidade em que a China se destacou foi na ginástica rítmica, pois a equipa chinesa composta pelas atletas Guo Qiqi, Hao Ting, Huang Zhangjiayang, Wang Lanjing e Ding Xinyi ganhou a primeira medalha de ouro para o país em todas as categorias da modalidade.

“Esperámos muito tempo por este momento para ganhar o ouro olímpico. A nossa última medalha de grupo foi a prata nos JO de Pequim, em 2008. Estou muito feliz por, após tantos anos de trabalho árduo, termos finalmente conseguido um bom resultado”, disse o treinador Sun Dan após a final.

Esta foi a primeira vez que uma equipa de fora da Europa conquistou o ouro olímpico na ginástica rítmica por equipas desde que o evento foi introduzido nos JO de Atlanta em 1996.

Hong Kong participou nestes JO, tendo ficado em 37º lugar, com apenas quatro medalhas obtidas, duas delas de ouro, na esgrima, com a vitória do esgrimista Cheung Ka Long na categoria florete – individual masculino. Na categoria de esgrima espada – individual feminino ganhou a atleta Vivian Kong.

Seguem-se agora os Jogos Paralímpicos, entre os dias 28 de Agosto e 8 de Setembro, destinados a atletas portadores de deficiência. A cidade norte-americana de Los Angeles volta a acolher a próxima edição dos JO, daqui a quatro anos. Com agências

Japão | Tempestade tropical Maria atinge a maior ilha

A tempestade tropical Maria atingiu ontem o norte do Japão, com o equivalente a dois meses de chuva em 24 horas, disse a Agência Meteorológica do Japão (JMA).

Classificada como “tempestade tropical severa”, um nível abaixo da categoria “tufão”, Maria atingiu a costa por volta das 08:30 perto da cidade de Ofunato, na região de Iwate, no nordeste de Honshu, maior ilha do arquipélago, acrescentou.

As autoridades locais não registaram feridos, mas aconselharam 315 mil habitantes a sair da zona, enquanto cerca de duas mil pessoas passaram a noite em abrigos.

“Os residentes da região afectada são aconselhados a estar atentos a aluimentos de terras, transbordamentos de rios e inundações nas zonas baixas”, advertiu a agência.

A tempestade já levou ao cancelamento de vários voos no norte do Japão. A Japan Airlines avançou que tinha cancelado 78 voos domésticos, afectando 7.039 passageiros. A transportadora japonesa ANA foi forçada a cancelar oito voos, noticiou a emissora pública NHK.

As ligações ferroviárias regionais também foram interrompidas, mas o comboio de alta velocidade continuou a funcionar. A tempestade Maria foi acompanhada por ventos com rajadas de 126 quilómetros por hora (km/h). Está agora a deslocar-se para noroeste a uma velocidade de 15 km/h e deverá atingir o mar do Japão esta noite.

O total médio de precipitação na região em Agosto foi de 177,9 milímetros. No entanto, já caíram 362 milímetros de precipitação na cidade de Kuji, o nível mais elevado desde o primeiro registo de precipitação efetuado pela JMA, em 1978.

Hong Kong | Justiça confirma condenação de activistas

O tribunal de última instância de Hong Kong confirmou ontem a condenação de sete dos mais proeminentes defensores pró-democracia da região semiautónoma chinesa, por participarem num dos maiores protestos antigovernamentais em 2019.

Numa decisão co-redigida pelo juiz lusodescendente Roberto Ribeiro, o Tribunal de Última Instância de Hong Kong rejeitou a última tentativa de recurso apresentada pela defesa dos sete arguidos.

Jimmy Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, Martin Lee, presidente e fundador do Partido Democrático, e cinco ex-legisladores, incluindo a advogada Margaret Ng, tinham em 2021 sido originalmente considerados culpados tanto de organizar como de participar na manifestação.

Jimmy Lai, Lee Cheuk-yan, Leung Kwok-hung e Cyd Ho foram inicialmente condenados a penas de prisão entre oito e 18 meses. Martin Lee, um octogenário apelidado de “pai da democracia” da cidade, Margaret Ng e Albert Ho foram condenados a penas de prisão suspensas.

Em Agosto de 2023, os juízes do Tribunal de Recurso anularam unanimemente as condenações relacionadas com a organização da manifestação, mas mantiveram as condenações por terem participado nessa manifestação.

Os sete activistas recorreram, alegando que as penas não eram proporcionais ao crime alegadamente cometido e a acusação representava uma restrição excessiva da liberdade de expressão e de reunião. Os arguidos sublinharam ainda que a marcha de Agosto de 2019 foi relativamente pacífica.

O preço a pagar

As acusações surgiram na sequência de uma manifestação em Agosto de 2019, na qual terão participado cerca de 1,7 milhões de pessoas, que saíram às ruas de Hong Kong, cidade com cerca de sete milhões de habitantes, para exigir maior democracia e a responsabilização da polícia.

Depois da decisão do tribunal, Margaret Ng escusou-se a fazer comentários antes de ler a sentença. “Queremos apenas aproveitar esta ocasião para agradecer às nossas equipas jurídicas e a todas as pessoas que nos apoiaram durante todo o tempo”, disse aos jornalistas.

Todos os condenados já cumpriram as penas no âmbito deste processo. Mas Lai, Leung, Ho e Lee Cheuk-yan continuam detidos, uma vez que também foram alvo de outra acusação ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim em 2020, na sequência dos maciços protestos.

Diversificação das gorjetas

A semana passada, uma notícia escaldante atraiu por todo o lado a atenção dos internautas. O motivo da polémica foi a adição nas contas de alguns restaurantes norte-americanos de uma taxa designada por “kitchen appreciation fee” (KAF) (gorjeta para o pessoal da cozinha), que representa aproximadamente 2 por cento do total do consumo. Muitos clientes estranharam quando receberam a conta e ao tentaram ser esclarecidos não receberam uma resposta clara dos empregados.

O incidente ocorreu num restaurante em Maryland, EUA. O cliente pediu dois pequenos almoços, dois sumos de laranja e um cocktail, o que perfazia 56 dólares. Mas quando recebeu a conta, percebeu que também teria de pagar a KAF.

De acordo com as notícias que circulam online, a KAF não é novidade nos Estados Unidos. Antes da pandemia, alguns restaurantes já a incluíam. O montante desta taxa adicional, que pode variar entre 2 por cento e 10 por cento do valor da conta, destina-se ao pessoal da cozinha que tem salários baixos e está sob grande pressão económica.

Simultaneamente, as notícias online também mencionam a cultura das “gorjetas”, semelhante à KAF, mas que tem uma longa história. A KAF destina-se ao pessoal da cozinha, enquanto a “gorjeta” é entregue ao empregado que serve à mesa. “Gorjeta” é o pagamento extra dado pelo cliente à pessoa que o atendeu. O montante habitual varia entre 10 por cento a 25 por cento do consumo e representa o reconhecimento do trabalho do empregado que serve à mesa. Esta tradição teve a sua origem em Londres no século XVIII. Existia uma taça na mesa de hotel com uma etiqueta que dizia “para garantir um serviço imediato”. Os clientes só precisavam de pôr algumas moedas na taça e eram rápida e atenciosamente atendidos.

À medida que os tempos foram mudando, estas taças foram sendo substituídas por caixas registadoras, mas a cultura das “gorjetas” permaneceu. Quando a conta do cliente é feita, no ecrã da caixa registadora aparecem opções pré-definidas para as gorjetas, com percentagens de 15 por cento, 20 por cento, 25 por cento. Para não fazerem má figura, muitos clientes dão grandes gorjetas mesmo que não tivessem vontade de o fazer. Alguns estudos também provam que uma gorjeta inferior a 20 por cento é considerada “uma ninharia”.

As pessoas têm opiniões diferentes sobre o sistema das gorjetas. De acordo com os dados de uma empresa de serviços financeiros, 66 por cento dos inquiridos têm uma opinião negativa do sistema das “gorjetas”, 41 por cento disseram que os patrões deveriam pagar melhor aos empregados e não depender das gorjetas para compensar salários baixos. Além disso, mais de 30 por cento eram absolutamente contra as percentagens de gorjeta pré-definidas e afirmavam que este sistema estava fora de controlo.

Inesperadamente, na América, este assunto tornou-se uma questão inclusivamente ao nível político. Donald Trump, um dos candidatos à presidência dos EUA, propôs que as gorjetas fossem retiradas da declaração de rendimentos dos empregados para lhes reduzir a carga fiscal. Embora esta proposta tenha causado controvérsia, também reflecte a grande influência do sistema de consumo na sociedade norte-americana.

Voltando à KAF e às gorjetas propriamente ditas, estas duas taxas servem como fonte de rendimento adicional para os funcionários dos restaurantes. Embora sirvam em certa medida para aliviar o seu fardo económico, também acarretam várias questões sobre as quais vale a pena reflectir.

Em primeiro lugar, a incerteza sobre a quantia que recebem através da KAF e das “gorjetas” causa instabilidade aos empregados, que já têm dificuldades financeiras. O método ideal é, seguramente, aumentar os ordenados e tornar os seus rendimentos estáveis. Mas os salários fazem parte das despesas operativas dos restaurantes. Se forem aumentados, os custos também aumentam, por isso proprietários têm de considerar essa possibilidade com cautela.

Em segundo lugar, quer o pessoal da cozinha, quer o pessoal das mesas, são pagos pelo seu trabalho. A KAF e as “gorjetas” são rendimentos secundários que advêm dos seus serviços. Por isso, se o dono do restaurante não concordar, os funcionários deixam de poder receber a KAF e as “gorjetas,” porque não podem usufruir de dois rendimentos por um trabalho único.

Em terceiro lugar, a situação agrava-se se os trabalhadores se esforçarem mais e servirem melhor o cliente depois de cobrarem a KAF e a “gorjeta.” Do ponto de vista administrativo, os empregados devem prestar o mesmo serviço a todos os clientes, por isso quem gratifica melhor não deve ser mais bem servido. Basta pensar, se o cliente põe a “gorjeta” na taça, para ser mais bem atendido, quebra-se a “igualdade” com que os clientes devem ser servidos. De forma a evitar problemas desnecessários, algumas grandes empresas proibiram as “gorjetas”.

Em quarto lugar, para o pessoal da cozinha e das mesas, a KAF e as “gorjetas” representam parte do seu rendimento e por isso são colectáveis. O patrão também tem a responsabilidade de comunicar às Finanças o montante em KAF e “gorjetas” recebido pelos empregados, caso contrário será suspeito de omissão na declaração de impostos. Mas na verdade, se os clientes gratificassem directamente os empregados, o patrão não teria forma de saber o valor que recebiam e não poderia informar as Finanças. Se assim fosse, o Governo cobraria menos impostos.

Os montantes da KAF e das “gorjetas” não são elevados, mas levantam muitas questões. Vale a pena manter esta prática? E como se deve defender os interesses dos accionistas? Como é que pode ser melhorado? Vale a pena pensar sobre isso.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Escola de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau
Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
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Galeria Tap Seac com exposição de caligrafia de Huang Tingjian

A Galeria do Tap Seac inaugura esta quinta-feira uma nova exposição. Trata-se de “O Caminho de Huang Tingjian – Exposição de Documentos Caligráficos”, com a colaboração do Huang Tingjian Memorial Hall, que recolheu grande parte da documentação histórica apresentada nesta mostra dedicada ao talento de Huang Tingjian, uma das personalidades chinesas mais conhecidas no meio artístico e representativo da arte que se fazia no período da dinastia Song do Norte.

Incluem-se assim, nesta exposição, rubricas feitas pelo mestre e “réplicas perfeitas das obras caligráficas” da sua autoria que revelam “os objectivos e a evolução da caligrafia ao longo da vida de Huang”. Na Galeria do Tap Seac poderá ainda ver-se “as suas impressionantes realizações artísticas e conotações culturais da poesia, do zen, do confuccionismo, da arte do incenso e da piedade filial incorporadas na sua caligrafia”.

Paixões múltiplas

Huang Tingjian foi fundador da Escola de Poesia de Jiangxi, paixão que associou sempre à caligrafia, sendo actualmente reconhecido como “um mestre lendário na história da caligrafia chinesa pelo seu estilo único e profundo conhecimento”. Segundo um comunicado do Instituto Cultural (IC), “as suas obras tiveram um impacto de grande alcance nas gerações posteriores”.

Localizado na intersecção das três províncias, nomeadamente Jiangxi, Hunan e Hubei, o condado de Xiushui possui uma profunda reserva de património histórico e cultural devido à fusão das culturas dos estados de Wu e Chu e é a cidade natal de Huang Tingjian.

O IC aponta que, com esta mostra, “espera reforçar a amizade e promover o intercâmbio cultural e a cooperação entre Jiangxi e Macau”, bem como “apoiar a revitalização rural do Condado de Xiushui e reforçar a promoção e herança da cultura tradicional chinesa”. A ideia é também fomentar o papel de Macau como “uma base de intercâmbio e cooperação com a cultura chinesa como corrente principal e a coexistência de diferentes culturas”.

“O Caminho de Huang Tingjian – Exposição de Documentos Caligráficos” estará patente até ao dia 15 de Setembro na Galeria Tap Seac.

Academia Portuguesa de Cinema escolhe entre cinco filmes para uma candidatura aos Óscares

Os filmes “A Flor do Buriti”, “Grand Tour”, “Manga d’Terra”, “O teu rosto será o último” e “O vento assobiando nas gruas” vão a votos na Academia Portuguesa de Cinema para uma candidatura aos Óscares de 2025.

A Academia Portuguesa de Cinema anunciou ontem que estes cinco filmes são finalistas e vão agora ser submetidos a votação entre os seus membros, para se escolher qual o candidato de Portugal a uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme Internacional em 2025.

Estes cinco filmes foram seleccionados por um comité da academia, a partir de trinta longas-metragens de produção nacional consideradas elegíveis, com estreia ocorrida entre 01 de Novembro de 2023 e garantida até 30 de Setembro deste ano.

Das obras seleccionadas, todas tiveram já estreia cinematográfica em Portugal, excepto “Grand Tour”, de Miguel Gomes, que chegará aos cinemas a 19 de Setembro.

A história de “Grand Tour” segue um romance de início do século XX, com Edward (Gonçalo Waddington), um funcionário público do império britânico que foge da noiva Molly (Crista Alfaiate) no dia em que ela chega para o casamento.

Miguel Gomes fez um arquivo de viagem pela Ásia, passando por Myanmar (antiga Birmânia), Vietname, Tailândia ou Japão, para traçar o trajecto das personagens, recolhendo imagens e sons contemporâneos para uma longa-metragem de época de 1918. Só depois desse périplo, rodou as cenas com os actores em estúdio em Roma.

“Grand Tour” valeu a Miguel Gomes o prémio de melhor realização este ano no Festival de Cinema de Cannes, em França.

“A Flor do Buriti” é um filme de João Salaviza e Renée Nader Messora e foi rodado no território indígena da Kraholândia, no Brasil, onde já tinham feito “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos” (2019).

A narrativa foi construída com relatos históricos e conversas com indígenas e conquistou um Prémio de Elenco em 2023 em Cannes.

“Manga d’Terra” é a nova incursão do realizador luso-suíço Basil da Cunha no território social da Reboleira, na Amadora, e conta a história de Rosa (Eliana Rosa), uma jovem cabo-verdiana que adora cantar e deixa os filhos no arquipélago africano enquanto tenta a sua sorte em Portugal.

Dos livros

“O teu rosto será o último” e “O vento assobiando nas gruas” são duas adaptações literárias de romances de João Ricardo Pedro e Lídia Jorge, respectivamente.

Do romance de João Ricardo Pedro nasceu um filme de Luís Filipe Rocha sobre um jovem, Duarte, que não soube lidar com uma capacidade extraordinária, inata, de tocar piano, e que renegou também pelas circunstâncias familiares em que cresceu.

Com assinatura de Jeanne Waltz, realizadora suíça há muito radicada em Portugal, “O vento assobiando nas gruas” segue Milene, uma jovem mulher que, depois da morte da avó, se depara com uma família de tios que a despreza por causa de um problema de desenvolvimento mental.

À procura de respostas pela morte da avó, Milene ruma às instalações desativadas de uma antiga conserveira, ocupada por uma família cabo-verdiana emigrada, e onde se apaixona por Antonino Mata.

Estes cinco filmes foram escolhidos por um comité composto pela produtora Andreia Nunes, pela realizadora Cristèle Alves Meira, pela actriz Binete Undonque, pelo director de fotografia José Tiago, pelo realizador Luís Galvão Teles, pelo produtor Pedro Borges, pela argumentista Rita Benis, pelo actor Rui Morrison e pelo distribuidor Saúl Rafael. A Academia Portuguesa de Cinema anunciará o filme candidato por Portugal a 11 de Setembro.

Exposições | Humarish Club apresenta “Arte Vibrante de Macau”

Alley Leong Tin I, PIBG2038, Julia Lam Tsz Kwan e Siomeng Chan. Todos eles são artistas locais e todos eles foram convidados a expor obras da sua autoria na mais recente exposição promovida pelo Humarish Club, galeria no Lisboeta Macau. A mostra intitula-se “Arte Vibrante de Macau” e pretende mostrar o que de melhor se faz em termos artísticos no território

 

A galeria Humarish Club, localizada no Lisboeta Macau, empreendimento da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), acolhe até ao dia 8 de Setembro uma nova exposição apenas com talentos locais na área das artes. Trata-se da mostra “Arte Vibrante de Macau”, que reúne trabalhos de Alley Leong Tin I, PIBG2038, Julia Lam Tsz Kwan e Siomeng Chan.

Segundo um comunicado da organização, trata-se de uma forma de “mostrar a energia explosiva de Macau” no ramo artístico e cultural, apresentando-se “uma exposição cativante que mostra o vibrante panorama artístico de Macau”, procurando chamar a atenção “dos entusiastas da arte e conhecedores da cultura”.

Esta é, na sua essência, uma mostra de arte contemporânea, onde os quatro artistas procuram espoletar o diálogo, “inspirar a criatividade e evocar uma apreciação mais profunda da cena artística de Macau”.

No caso de Alley Leong Tin I, o público pode esperar trabalhos de pintura de alguém que se assume como artista auto-didacta e que só começou a sua carreira como artista em 2021.

“Aos 20 e poucos anos, Alley descobriu que o seu amor pelo desenho podia ser combinado na perfeição com o antigo ofício da tatuagem para criar tatuagens personalizadas para clientes que queriam algo único na sua pele”, descreve a organização da exposição.

Alley trabalhou como tatuadora profissional durante seis anos, tendo decidido dedicar-se a uma carreira como pintora a tempo inteiro. Desta forma, a exposição no Humarish Club irá revelar trabalhos bastante “inspirados pelo budismo e ensinamentos espirituais”, tratando-se de pinturas que permitem “exprimir as infinitas ideias” da artista.

“As suas obras incluem frequentemente figuras excêntricas ou mundos multidimensionais de combinações tecnicolor. O seu estilo pessoal distinto emana alegria e paz e expressa o espírito vibrante e a atmosfera dos três mil universos sem limites”, destaca-se ainda na mesma nota.

De salientar a presença nesta mostra de um dos grandes nomes do graffiti em Macau. PIBG, que se apresenta como PIBG2038, é um artista de graffiti e organizador do festival internacional de arte de rua “Outloud”, uma iniciativa recentemente criada em Macau.

PIBG tem uma carreira com mais de 20 anos e os seus graffitis contêm “personagens com um aspecto lúdico”, que apresentam “uma visão extraordinária, com cores vivas e contrastantes que demonstram vitalidade”.

PIBG tem viajado por vários países desde 2000, participando em actividades do foro criativo e incluindo o seu trabalho em diversas mostras de arte.

O artista juntou-se, em 2004, a alguns criadores de graffiiti e fundou o colectivo GANTZ5, o primeiro grupo de arte graffiti de Macau, que se tornou uma das associações mais influentes na cena graffiti da China. PIBG tem colaborado com diversas marcas internacionais do mundo da moda, nomeadamente Dior, Balenciaga ou Miu Miu.

Estrela da nova geração

Julia Lam Tsz Kwan é formada pela Academia de Belas Artes da Universidade de Tsinghua, uma das mais importantes da China, e é considerada como uma das pintoras mais influentes da nova geração de artistas locais.

Já expôs trabalhos no Museu Nacional de Arte da China, em Pequim, ou mesmo no The Little Lodge, nos EUA, sem esquecer o Museu de Arte de Macau. Desde 2020 que Julia começou a combinar técnicas de aguarela com impressão em chapa offset, para criar uma série de trabalhos “com partículas sobrepostas e infiltradas por spray e pincéis de acrílico”. A artista remodelou objectos recorrendo ao mundo da geometria e proporção, desenvolvendo “o seu próprio contexto visual”.

No caso de Siomeng Chan, a artista tem traçado “um caminho distinto no domínio da arte contemporânea”, sendo bastante influenciada pelas obras do mestre de animação japonesa Hayao Miyazaki durante os seus anos de formação, “as criações de Siomeng abrigam frequentemente um fascínio caprichoso e místico pelo mundo natural”.

Siomeng Chan formou-se no Departamento de Design da Universidade Politécnica de Macau, criando depois o seu próprio estúdio, “The Dino Workshop”, em 2017, onde desenvolveu um personagem próprio, o Dino IP. Este “ganhou imensa popularidade e tornou-se uma marca do seu repertório artístico”.

A artista já colaborou com a marca Uniqlo, que vende roupas e objectos de uso diário. Siomeng Chan colaborou também com a Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações de Macau para lançar a primeira série de selos da personagem Dino IP em Macau.

Em 2020, a artista fundou a marca “Semi- Cooked 50% TOY”, juntamente com o designer Kay Tung, tendo focado mais “na direcção criativa de arte e brinquedos”.

Ucrânia | Pequim pede a Kiev e Moscovo para reduzirem tensões

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China apelou ontem a “todas as partes” envolvidas no conflito entre Rússia e Ucrânia para “reduzirem a tensão”, face à incursão de forças ucranianas em território russo.

A diplomacia chinesa apelou, num comunicado publicado no seu portal, a três princípios: “evitar a expansão do conflito”, “evitar a escalada militar” e “abster-se de atiçar as chamas do confronto”. “A China continuará a trabalhar com a comunidade internacional para promover uma solução política para a crise”, lê-se na mesma nota.

A Rússia está a lutar pelo sexto dia consecutivo contra as forças ucranianas que entraram na região de Kursk na terça-feira, provocando um êxodo em massa de russos das cidades fronteiriças. De acordo com os dados de domingo, pelo menos 84.000 pessoas deixaram as aldeias perto da fronteira ucraniana em Kursk nos últimos dias.

Desde o início do conflito, a China tem adoptado uma posição ambígua sobre a guerra na Ucrânia, apelando ao respeito pela integridade territorial de todos os países, incluindo a Ucrânia, e ao respeito pelas “preocupações legítimas de segurança” de todas as partes, numa referência à Rússia.

Pequim também negou que tenha vendido armas à Rússia e garante que mantém uma relação comercial “normal” com Moscovo, com quem intensificou as suas trocas comerciais nos últimos dois anos.

China | Saída de investimento estrangeiro atinge nível recorde no segundo trimestre

O investimento directo de empresas estrangeiras na China caiu cerca de 14,8 mil milhões de dólares, entre Abril e Junho, na maior saída de investimento estrangeiro desde que há registo, segundo a agência Bloomberg.

Os dados, divulgados pela Administração Estatal de Câmbio (SAFE), mostram também que os passivos de investimento directo da balança de pagamentos – um indicador que acompanha o novo investimento estrangeiro no país, registando os fluxos de dinheiro ligados a entidades estrangeiras na China – caíram 4,6 mil milhões de dólares no primeiro semestre do ano.

Trata-se de um aprofundamento da tendência descendente registada no ano passado, quando os dados da SAFE revelaram o crescimento mais lento do investimento estrangeiro na China em três décadas, após uma queda de 82 por cento, em termos homólogos.

O valor de 2023 foi de 33 mil milhões de dólares, uma queda significativa em relação a 2021, quando a China bateu o seu recorde de receção de investimento estrangeiro com cerca de 344 mil milhões de dólares.

De acordo com projecções da agência Bloomberg, se a tendência registada no primeiro semestre deste ano se mantiver ao longo do segundo semestre, 2024 será o primeiro ano a registar um fluxo líquido negativo de investimento estrangeiro desde que a série histórica começou em 1990.

Apesar dos esforços de Pequim para atrair e reter investimento estrangeiro, factores como o aumento das tensões geopolíticas ou taxas de juro mais elevadas em outros países – tornando-os mais atractivos para a detenção de fundos do que na China – explicariam esta tendência.

Além disso, sectores específicos como o automóvel também reduziram o seu investimento, neste caso devido à rápida transição da China para os veículos eléctricos, o que fez com que alguns fabricantes estrangeiros reduzissem ou retirassem investimentos, notou a Bloomberg.

Os dados da SAFE podem também reflectir a evolução dos lucros das empresas estrangeiras ou a dimensão das suas actividades na China.

Conjunto de riscos

Os dados anteriormente divulgados pelo Ministério do Comércio, que não incluem os lucros reinvestidos e são menos voláteis do que os números da SAFE, apontavam para que o novo investimento directo estrangeiro na China no primeiro semestre tivesse atingido o seu nível mais baixo desde 2020, quando eclodiu a pandemia de covid-19.

A baixa procura interna e internacional, os riscos de deflação e os estímulos insuficientes, juntamente com uma crise imobiliária que ainda não terminou e a falta de confiança no sector privado são algumas das principais causas que os analistas citam para explicar a situação na segunda maior economia do mundo.

Perante esta situação e a queda do investimento estrangeiro, as autoridades chinesas renovaram várias vezes a sua promessa de maior abertura e condições iguais face à concorrência interna.

Eléctricos | Pequim soma mais de 10 milhões de pontos de carregamento para veículos

O desenvolvimento da indústria de carros eléctricos no país segue a bom ritmo com um aumento de estações de carregamento na ordem dos 53 por cento, face ao mesmo período do ano passado

 

A China tem agora mais de 10 milhões de pontos de carregamento para veículos eléctricos em todo o país, entre os quais 3,2 milhões são estações públicas, de acordo com dados oficiais ontem divulgados.

No total, a China concluiu a instalação de 10,60 milhões de estações de carregamento até ao final de Julho, o que representa um aumento de 53 por cento, em termos homólogos, informou ontem a televisão estatal CCTV, que citou dados da Administração Nacional de Energia do país.

Entre estes, 3,209 milhões são pontos de carregamento públicos e os restantes 7,394 milhões são privados.

De acordo com a CCTV, nas cidades do leste do país, incluindo Hangzhou e Xangai, as autoridades estão a tentar expandir a utilização de estações de carregamento partilhadas, “o que permite aumentar a eficiência destes pontos em três vezes”.

Foram também construídas estações de carregamento ultra-rápido nas auto-estradas que ligam as cidades centrais de Chengdu e Chongqing, enquanto o país está agora a tentar acelerar a instalação de pontos de carregamento nas zonas rurais.

Aposta eléctrica

Segundo Zou Peng, secretário-geral executivo da Aliança para a Promoção de Infra-estruturas de Carregamento de Veículos Eléctricos da China (EVCIPA), o país tem “a maior rede de serviços de carregamento e partilha do mundo”.

“A potência total de carregamento e partilha ultrapassou os 160 milhões de quilowatts, que podem actualmente satisfazer as necessidades de carregamento de mais de 24 milhões de veículos de energia nova”, afirmou.

Numa tentativa de promover este tipo de energia automóvel e reduzir a grave poluição nas cidades chinesas, as autoridades de várias províncias anunciaram, nos últimos anos, todo o tipo de medidas, incluindo medidas fiscais, para promover a utilização de carros eléctricos.

A taxa de penetração dos veículos eléctricos no mercado atingiu 25 por cento em 2023 na China, em comparação com 15 por cento na Europa e 8 por cento nos EUA, de acordo com um estudo publicado no ano passado pela empresa de consultoria global Bain & Company.

Turismo | DST leva gastronomia e cultura portuguesas a Xi’an

Dança folclórica, música e gastronomia portuguesas vão integrar a acção de promoção turística de Macau no noroeste da China, de 22 a 26 de Agosto, anunciou ontem a Direcção dos Serviços de Turismo (DST).

A Semana de Macau em Xi’an, capital da província de Shaanxi, vai levar espectáculos a uma popular praça pública no parque Qujiang, local com mais de 2.200 anos de história. Entre os espectáculos vão estar grupos de dança folclórica e bandas de música portuguesa, “para reflectir as características culturais chinesas e portuguesas de Macau”, acrescentou a DST, em comunicado.

A Semana de Macau em Xi’an vai ainda abranger um festival gastronómico, entre 20 de Agosto a 1 de Setembro, num hotel da cidade chinesa, acrescentou, na mesma nota.

Chefes de cozinha de Macau vão preparar um ‘buffet’ com pratos portugueses e macaenses, indicou a DST, referindo-se à gastronomia, considerada a primeira cozinha de fusão do mundo, da comunidade euro-asiática, com muitos lusodescendentes e raízes no território.

O comunicado lembrou que os voos directos regulares entre Xi’an e Macau vão recomeçar a 20 de Agosto, pela primeira vez desde o fim da pandemia da covid-19. Desde 6 de Março que os residentes de Xi’an passaram a poder requisitar vistos individuais para Macau, medida que alargou para 51 as cidades da China abrangidas pelo programa.

A DST, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin vão ainda procurar reunir empresários de Xi’an e de Macau. As três entidades vão organizar uma sessão de bolsa de negócios e uma conferência de promoção de eventos, para encorajar empresários das duas cidades a “explorar oportunidades de negócios em conjunto”, referiu a DST.

Galaxy | Plano de emprego e formação com 20 vagas

A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e a Galaxy anunciaram ontem o lançamento do “Plano de Desenvolvimento de Elites GEC (Área dos Serviços de Resort Integrado e Operações de Hotelaria)”, que irá disponibilizar 20 vagas.

O plano, cujo prazo de inscrição começa hoje e termina a 20 de Agosto, seguirá o regime de “primeiro contratação, depois formação”, possibilitando a “residentes de Macau que pretendem ingressar no sector dos serviços de lazer e turismo integrados”.

A iniciativa oferece 15 vagas para “maître d’hôtel” e cinco para “agente dos serviços de resort”. Os candidatos admitidos irão receber formações profissionais, incluindo em contexto de trabalho, “formação de técnicas profissionais, formação em atendimento cinco estrelas ao cliente, inglês prático de Linguaskills da Cambridge (oral) – Curso de formação em conversação inglesa para o sector de prestação de serviços. Os candidatos irão também receber as devidas certificações profissionais. O bom desempenho nas acções de formação será reflectido na “progressão e ajustamento salarial”, garante a DSAL.

Jogo | Criminalização de trocas de dinheiro vai abalar preço das acções

Os analistas do banco de investimento Citigroup receiam que a criminalização das trocas ilegais de dinheiro contribua para afastar investidores do sector do jogo que dizem apresentar um ambiente fragilizado

 

A decisão do Governo de propor a criminalização da troca ilegal de dinheiro para o jogo vai ter impacto no valor das acções das concessionárias e contribuir para um maior ambiente de incerteza à volta da principal indústria do território. O aviso foi deixado pelo banco de investimento Citigroup, num relatório citado pelo portal GGR Asia.

“Na nossa opinião, as notícias sobre a decisão de criminalizar as actividades de troca de dinheiro pode criar ruído e levar a uma fragilização do valor das acções no curto prazo”, pode ler-se no relatório dos analistas George Choi e Ryan Cheung.

O documento indica também que o impacto da medida vai reflectir-se na criação de um ambiente de incerteza sobre o jogo, aumentando a desconfiança dos investidores. “Apesar de a maior parte dos jogadores recorrer a meios legítimos para levar os fundos para Macau […] tememos que as notícias negativas sejam mais um factor de incerteza que pode causar danos num ambiente de investimento no sector jogo que já se encontra fragilizado”, foi argumentado.

Apesar das notícias negativas, o relatório também indica que de acordo com as tendências mais recentes do mercado do turismo, “Macau continua a estar no entre o topo dos destinos exteriores preferidos para os turistas do Interior”.

Mudança de planos

Inicialmente, o Governo resistiu aos pedidos para avançar com a criminalização das trocas ilegais de dinheiro, por considerar que tinha os meios para lidar com o problema. No entanto, na sexta-feira foi tornado público que a mais recente versão da proposta de lei de combate aos crimes de jogo ilegal também passa a contemplar a criminalização das trocas de dinheiro.

A alteração, que ainda tem de ser aprovada pela Assembleia Legislativa, acontece depois do Ministério da Segurança Pública do Interior ter realizado uma reunião, a 5 de Julho, em que declarou que a troca ilegal de dinheiro em Macau era uma das principais preocupações a nível da segurança do país.

Com a criminalização, qualquer pessoa que troque ilegalmente dinheiro nos casinos arrisca-se a ter de cumprir uma pena de prisão que pode chegar aos cinco anos. Se a troca for realizada nas premissas dos casinos, existe uma presunção automática de que o dinheiro vai servir para jogar, pelo que durante o julgamento a acusação não vai precisar de fazer prova sobre este aspecto.

De acordo com Chan Chak Mo, presidente da comissão da Assembleia Legislativa que está a discutir a proposta de lei, a criminalização deverá ser aprovada até ao final do ano civil.

Resíduos | Criticada ineficiência de tratamento e reutilização

Song Pek Kei quer saber como o Governo planeia executar as obras de expansão do Aeroporto Internacional de Macau face à fraca capacidade para separar e tratar materiais inertes de demolição e construção que podem ser usados nas obras de aterro.

Numa interpelação escrita, a deputada recordou que só na obra de expansão do aeroporto serão necessários 4,6 milhões de metros cúbicos de materiais para aterro e questionou o Governo sobre a capacidade do único Aterro para Resíduos de Materiais de Construção (ARMC) no fornecimento desse material.

A legisladora ligada à comunidade de Fujian citou o Relatório do Estado do Ambiente de Macau 2023, publicado no passado mês de Abril, que indicava o estado crítico da capacidade do ARMC. Situação agravada pela suspensão da instalação de triagem e armazenamento temporário de materiais inertes de demolição e construção e o cancelamento do aterro de cinzas volantes devido à lotação de capacidade do ARMC.

Song Pek Kei referiu ainda que o website da Direcção dos Serviços de Obras Públicas publicou o anúncio da recepção provisória da obra dos diques no ARMC em 2023, sem indicação de que os trabalhos já tenham acabado. O Governo estima que a obra acrescente a 1,96 milhões de metros cúbicos para depositar resíduos. A deputada questiona se já começaram a ser depositados na nova área.

Com o objectivo de aferir a capacidade de triagem e tratamento de resíduos, a deputada perguntou se será possível reiniciar a segunda e terceira fases da instalação de triagem e armazenamento temporário de materiais de demolição e construção e se o Governo procurou novos espaços para separar os resíduos que não podem ser reutilizados (lodos e lamas aquáticas, materiais de construção mistos e escórias).

Taiwan | Admitida retirada de delegação de Macau em “último caso”

No início do mês, foi noticiada a recusa de visto a um funcionário da Delegação Económica e Cultural de Taipé em Macau, por não assinar declaração a reconhecer o princípio “Uma só China”. O Taipei Times avança que as autoridades da Formosa podem retirar a delegação da RAEM, em último caso, ou operar apenas com funcionários locais

 

O jornal Taipei Times avançou que o Conselho de Assuntos Continentais de Taiwan (MAC) pode considerar remover de Macau a Delegação Económica e Cultural de Taipé se não tiver condições funcionais para operar, nomeadamente em termos de mão-de-obra. A possibilidade foi avançada como o derradeiro cenário de ruptura, podendo a delegação manter as suas funções apenas com funcionários locais, à semelhança do que acontece actualmente em Hong Kong.

A questão foi levantada depois de as autoridades da RAEM terem negado o visto a um funcionário da delegação por este se ter recusado a assinar uma declaração a reconhecer o princípio “Uma só China”.

O Governo de Macau respondeu prontamente, manifestando “o seu mais firme repúdio e oposição relativamente a Taiwan distorcer os factos e difamar” a região “sobre as disposições para a rotatividade do pessoal” na Delegação Económica e Cultural de Taipé em Macau.

Além disso, o Executivo de Ho Iat Seng referiu que, de acordo com a Lei Básica e as directrizes para a ilha “traçadas pelo Governo Central após 1999, as instituições e o seu pessoal de Taiwan em Macau têm de cumprir o princípio” de ‘Uma só China”. Nesse sentido, o Governo da RAEM vincou ser “totalmente legítimo e razoável” que se exija à delegação e pessoal “que assinem um ‘termo de compromisso’”.

Objectivo político

O jornal da Formosa cita fontes próximas das autoridades de Taipé que apontam que se a delegação não conseguir operar de forma sustentável, e se continuar a ser exigida a assinatura do termo de compromisso, Macau poderá seguir o exemplo de Hong Kong e operar apenas com funcionários locais. Em último caso, a delegação poderá ser removida de Macau.

Quando as autoridades de Taiwan deram conta da recusa de risco, o Governo de Macau “realçou o objectivo político” por detrás da posição, argumentando que prejudicou “gravemente” a relação entre a RAEM e Taiwan. “O problema actual do pessoal da Delegação Económica e Cultural de Taipei em Macau resulta das acções insistentes e irresponsáveis das autoridades de Taiwan, cujas responsabilidades devem ser assumidas pelas autoridades de Taiwan”, rematou o Gabinete de Comunicação Social da RAEM.

CECE | Membros eleitos destacam lado patriótico da eleição

Os vencedores das eleições deste domingo para a Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo elogiaram o lado patriótico deste acto eleitoral, uma vez que foi concretizado o princípio de “Macau governada por patriotas”.

Segundo o jornal Ou Mun, um dos vencedores, Chui Sai Cheong, deputado e presidente da Associação de Gestão de Macau, referiu que após assumir funções como membro deste colégio eleitoral vai contactar todos os candidatos ao cargo de Chefe do Executivo a fim de debater as suas opiniões sobre a sociedade.

Chui Sai Cheong disse ainda desejar uma nova liderança para a RAEM com maior eficácia administrativa e que possa prestar atenção ao bem-estar da população. O candidato eleito pelo sector profissional apontou que há ainda desequilíbrio no desenvolvimento económico após a pandemia, esperando que Pequim possa apoiar mais a economia local.

Frederico Ma, empresário eleito para a CECE pelos sectores industrial, comercial e financeiro, apontou que o novo Chefe do Executivo deve estar atento à questão da diversificação económica, procurando estimular a recuperação da economia. Deve ainda incentivar a transformação das pequenas e médias empresas, frisou.

Por sua vez, Fong Ka Fai, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau, afirmou que mais de 30 por cento dos candidatos à CECE são novas caras, e jovens, o que mostra que herdaram o espírito do amor à pátria e a Macau, sendo sucessores do princípio de “um país, dois sistemas”.