Eleições | Portugueses em Macau pedem atenção a quem está longe Hoje Macau - 19 Jan 2026 À porta do histórico edifício do Consulado-Geral de Portugal em Macau, portugueses que escolheram votar no sábado celebram o momento democrático e exigem “mais cuidado” com quem vive longe. Vários eleitores voltaram a sugerir a implementação do voto electrónico. Foi uma campanha presidencial “algo confusa – como está o mundo neste momento -“, mas que Cristina Osswald fez questão de acompanhar. E neste dia de Inverno, mas de sol, em Macau, a portuguesa celebra a possibilidade de escolha. “Sempre que possível ia ouvindo entrevistas, debates e apresentações dos candidatos. Mas pareceu-me que, se calhar, há essa questão de uma dispersão de votos, que faz parte da democracia, não é? E sobretudo quando se vive num regime que não é democrático, claramente mais se aprecia a democracia”, diz à Lusa a docente da Universidade Politécnica de Macau depois de votar. Mas o caminho que um eleitor de Macau percorre até ao momento do voto, sublinha Osswald, não é o ideal. A viver há seis anos fora de Portugal, a docente nota que os “procedimentos têm melhorado”, embora “continuem abaixo das expectativas”. “O mundo é cada vez mais global, não vejo razão para não haver voto electrónico”, considera a docente, que, antes de Macau, passou por Florença, onde para votar tinha de se deslocar a Milão. “Podemos ir ao banco [‘online’], às finanças, e não conseguirmos votar ‘online’ parece uma coisa que não faz muito sentido. Acho que seria por aí que deveria também haver um maior investimento. Por exemplo, aqui, pessoas com pouca mobilidade não podem vir votar”, declara. Cristina Osswald olha para a escadaria que conduz ao consulado, onde nesse momento, idosos sobem os degraus com dificuldade – apesar de, nas traseiras do edifício, haver uma outra porta com acesso a elevador. “É a democracia que perde. Em tempos que são complicados e são, diria, quase dramáticos, acho que era uma coisa extremamente simples poder votar-se ‘online'”, continua a professora, referindo ainda a “pouca informação” em Macau sobre os procedimentos que antecedem o acto eleitoral. “Conheço muita gente aqui em Macau, sobretudo pessoas mais idosas, que não vêm votar, porque não foi divulgado que tínhamos que nos inscrever antes”, nota. Pretensão antiga A escolha electrónica tem sido uma reivindicação de longa data do Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas no estrangeiro. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, disse à Lusa, no ano passado, que o tema “foi abordado várias vezes e com vários governos”. Félix Teixeira, técnico de laboratório reformado a viver em Macau há 30 anos, defende que votar ‘online’ poderia servir sobretudo regiões onde “a deslocação está dificultada”. “Macau é pequeno, aqui tanto faz”. E que expectativas tem das presidenciais? Para o antigo funcionário do Instituto para os Assuntos Municipais, a multiplicidade de caras nos boletins é bom prenúncio: “Ouvem-se mais vozes”, diz. E para os emigrantes, sublinha, estar hoje aqui é aproximar-se de casa: “Se não estiver em contacto directo com o país, está-se fora de todo o circuito, da política e da esfera social”, concretiza. Sentir à distância De acordo com o consulado, existem mais de 150 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. No entanto, inscritos para votar, o número é quase três vezes inferior: 57.748, segundo dados cedidos à Lusa pela representação diplomática. Do topo das escadarias do histórico edifício do consulado – antigo Hospital de São Rafael, fundado em 1569 – o casal de macaenses Francisco Xavier Leong e Alina da Luz pedem mais atenção a quem está no exterior. “Esperamos que o novo presidente tenha mais cuidado com os cidadãos estrangeiros, não só de Portugal”, refere Leong. “Votamos porque somos portugueses e, enquanto bons cidadãos, é nosso dever”, completa a mulher. Para o casal, que vive ali perto, votar presencialmente é mais simples. Francisco Leong admite mesmo “mais dificuldade” com a opção electrónica. “Felizmente em Portugal sempre tivemos grande confiança nos resultados eleitorais. Há muitas pessoas que têm dúvidas relativamente ao voto electrónico, mas julgo que se for bem conduzido, é uma boa opção”, diz, por sua vez, José Paulo Esperança. À Lusa, o professor de Finanças da Universidade Cidade de Macau assume que espera elevada participação no escrutínio, porque “há preocupações para a democracia portuguesa” e “candidatos preocupantes”. “Portugal – e o mundo – está com evoluções que me preocupam. Porque há cada vez mais subida da extrema direita e de fenómenos que são muito preocupantes”, afirma. Nas presidenciais de 2021 votaram em Macau 1.479 pessoas, ou seja 2,1 por cento do total de inscritos (70.134). Marcelo Rebelo de Sousa venceu nesta região chinesa com 64,62 por cento dos votos, seguindo-se Ana Gomes (14,45 por cento) e André Ventura (8,03 por cento).
Saúde | Reunião junta autoridades de Macau, Hong Kong e Interior da China Hoje Macau - 19 Jan 2026 Na passada quinta-feira, a RAEM acolheu a 20.ª Reunião Conjunta das Cúpulas da Administração de Saúde do Interior da China, Hong Kong e Macau, onde se discutiu a formação de quadros qualificados, a saúde comunitária e o desenvolvimento dos cuidados de saúde inteligentes. A reunião juntou mais de 70 altos quadros da administração de saúde e especialistas médicos dos três territórios também com os objectivos de “aprofundar o intercâmbio, a partilha de experiências e a discussão sobre o futuro rumo de cooperação”, indicaram na sexta-feira os Serviços de Saúde. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, salientou que o Governo da RAEM irá dar implementar a estratégia de dar “prioridade à saúde” contemplada no “Décimo Quinto Plano Quinquenal Nacional” e executar o “Plano de Acção para Macau Saudável”, integrando os elementos de saúde física e mental nas políticas públicas. A dirigente salientou também o arranque do programa “Estação de Bem-estar e Saúde”, para aproveitar os recursos de saúde dos bairros comunitários. Cumprindo a iniciativa nacional “Ano de gestão do peso”, O Lam afirmou que serão “aumentados os postos de auto-exame da saúde comunitária” e os residentes serão incentivados a “ser os ‘primeiros responsáveis’ pela sua própria saúde”.
Governo | Sam Hou Fai fala de “bom início” de mandato João Santos Filipe - 19 Jan 2026 O Chefe do Executivo considera que o Governo teve “um bom início”. Foi desta forma que Sam Hou Fai fez o balanço do primeiro ano de governação, num encontro com 70 membros da Administração para reiterar a necessidade dos governantes “implementarem o espírito” dos discursos de Xi Jinping. De acordo com a versão oficial do encontro, divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social, Sam Hou Fai “afirmou que o trabalho do primeiro ano deste governo decorreu de forma estável, sucessiva e tranquila, com reformas, inovações, avanços e resultados”, o que considerou ser “um bom início”. O Chefe do Executivo elogiou os serviços públicos por terem como prioridade “os interesses fundamentais do País e os interesses integrais de Macau” que são encarados como “o ponto de partida para instalar uma mentalidade global que garanta firmemente a soberania, a segurança nacional e o interesse de desenvolvimento do País, e assegure a situação estável e harmoniosa de Macau”. Em segundo lugar, Sam destacou os esforços dos funcionários no reforço da “colaboração e cooperação interdeapartamental a fim de elevar a eficiência executiva” e destacou a concretização “com precisão” das acções governativas. Sam Hou Fai referiu ainda “a importância de haver mais consciência das insuficiências” e a necessidade de as insuficiências “serem verificadas à medida que o trabalho é realizado, de forma a analisar os problemas existentes e executar o devido aperfeiçoamento”. Seguir o espírito Em relação ao corrente ano, Sam Hou Fai prometeu que vai continuar “a implementar plenamente o espírito dos discursos do Presidente Xi Jinping para planear os próximos trabalhos”. O líder do Governo pediu ainda um Governo de pensamento único, que maximiza o “papel central do Chefe do Executivo”. “Todas as tutelas e serviços devem unificar o mesmo pensamento, envidar todo o seu esforço e colaborarem proactivamente, com um elevado sentido de responsabilidade e de missão e assim criar uma enorme força para trabalhar e avançar juntos, de modo a que, em conjunto, completem esta tarefa prioritária do governo da RAEM para este ano”, afirmou. “Paralelamente, deve instar e aperfeiçoar a predominância do poder executivo, maximizando o papel central do Chefe do Executivo e do governo da RAEM no sistema de governação”, acrescentou. E nesta organização centralizada à volta do Chefe do Executivo, a Assembleia Legislativa também está incluída: “Deve a Secretária para a Administração e Justiça cumprir efectivamente as suas atribuições e responsabilidades, reforçando a coordenação e cooperação para garantir que o governo da RAEM assuma as suas funções centrais de governação com profissionalismo e pragmatismo, no sentido de criar uma estrutura de governação com uma interligação entre os níveis superiores e inferiores e uma sinergia de cooperação entre os serviços, e de promover uma interacção positiva entre os poderes executivo e legislativo que cooperem, apoiem e promovam reciprocamente, a nível institucional, político e operacional”, atirou.
Eleições | Portugal prepara-se para escolher o próximo Presidente da República Andreia Silva - 17 Jan 202617 Jan 2026 Portugal vai a votos no domingo para escolher o próximo Presidente da República. Dos 11 candidatos, apenas dois têm mandatários por Macau: Bessa Almeida do PSD, e Neto Valente do PS. O ex-presidente da Associação dos Advogados de Macau realça que António José Seguro “não alinha em provocações à China”, enquanto Bessa Almeida considera que Marques Mendes é o homem certo para o momento Onze candidatos vão a votos no domingo para a escolha do próximo Presidente da República portuguesa, para um mandato de cinco anos. Trata-se de um número recorde, sendo que apenas sete tem apoio de partidos políticos. Concorrem ao cargo Luís Marques Mendes, apoiado pelo Partido Social-Democrata (PSD), e que nomeou António Bessa Almeida para seu mandatário na RAEM. Segue-se António José Seguro, com apoio do Partido Socialista (PS), que tem Jorge Neto Valente, presidente da Fundação da Escola Portuguesa de Macau e advogado, como seu mandatário. São os únicos candidatos à Presidência da República que escolheram figuras para mandatários da RAEM. Os restantes candidatos são Henrique Gouveia e Melo, João Cotrim de Figueiredo, Catarina Martins, António Filipe, André Ventura Jorge Pinto, Manuel João Vieira, André Pestana e Humberto Correia. Ao HM, António Bessa Almeida, militante do PSD e explicou as razões para apoiar Marques Mendes. “Na altura que Portugal atravessa, o país necessita de um candidato como Marques Mendes, profundo conhecedor das diversas políticas”, começou por apontar. Questionado sobre o tipo de acções desenvolvidas em Macau para captar o eleitorado para o voto em Marques Mendes, Bessa Almeida apenas referiu que “a campanha em Macau é totalmente diferente da de Portugal”, sendo que as acções desenvolvidas passam por “aquilo que o candidato vai procedendo na proximidade com o povo, passando informação”. Para Bessa Almeida, “o eleitorado em Macau, do lado chinês, também é constituído por portugueses”, e que “tem acompanhado estas eleições como qualquer outro português acompanha, com visões seguras para o futuro de Portugal”. No passado dia 6 de Janeiro, o mandatário divulgou uma nota a realçar a importância da candidatura de Marques Mendes, que neste momento está longe dos lugares cimeiros nas sondagens. “Sempre nos preocupamos com tudo o que está relacionado com Portugal e neste momento, a nível mundial, as mudanças políticas são bruscas e inesperadas. Por isso precisamos de um presidente visionário, experiente e ponderado na condução dos destinos de Portugal e dos portugueses nascidos e radicados fora do país.” Uma volta segura Em Portugal as sondagens relativas às eleições presidenciais têm sido quase diárias, e mostram um volte face na escolha dos candidatos. Se inicialmente António José Seguro estava algo afastado dos lugares cimeiros, uma sondagem realizada pela Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e jornal Público, entre os dias 6 e 9 de Janeiro e divulgada esta semana, mostra como Seguro está em empate técnico com André Ventura, candidato do Chega, garantindo 23 por cento das intenções de voto, quando Ventura arrecada 24 por cento. João Cotrim de Figueiredo surge em terceiro lugar, com 19 por cento, havendo possibilidade de ir à segunda volta de eleições, seguindo-se Marques Mendes e Gouveia e Melo com 14 por cento. Outra sondagem, desta vez para a TVI, CNN, TSF e Jornal de Notícias, com dados recolhidos nos dias 10, 11 e 12 de Janeiro, mostram Seguro com 23,9 por cento das intenções de voto, seguindo-se Cotrim de Figueiredo com 20,8 por cento e Ventura com 20,5 por cento. Marques Mendes cai para quinto lugar, com 13,2 por cento. Seguro escolheu, na RAEM, Jorge Neto Valente para seu mandatário, que não atendeu a chamada do HM. Num comunicado divulgado nos jornais esta quarta-feira, o ex-presidente da Associação dos Advogados de Macau declarou que Seguro “propõe uma visão de futuro assente na modernização do país, na valorização da educação e aposta na inovação”. Referindo-se especificamente às relações Portugal-China, Neto Valente destaca que “diferentemente de outros candidatos, Seguro não alinha em provocações à China no que respeita ao estatuto de Taiwan, sendo também um candidato que “conhece Portugal, a Europa e o mundo”. Neto Valente afirmou também que Seguro “é um homem decente”. “Participou em todos os debates, revelou educação, defendeu as suas ideias com firmeza, nunca foi excessivo na linguagem e, ao contrário dos outros, não insultou adversários, nem lhes fez insinuações maliciosas.” Um “percurso consistente” Paulo Pisco, mandatário da campanha de Seguro para a emigração, recordou ao HM que o candidato “chegou a exprimir a opinião que, dado tratar-se de um voto presencial [para as eleições presidenciais], o Governo poderia ter feito muito mais, designadamente cumprindo aquilo que diz a lei eleitoral para a Presidência da República, que é a possibilidade de serem abertas mais mesas de voto”. Seguro defendeu ainda, segundo Paulo Pisco, “que poderia ter sido também aplicado o voto em mobilidade, tendo por base a experiência anteriormente realizada nas últimas eleições para o Parlamento Europeu”. Paulo Pisco refere que António José Seguro tem feito um “percurso muito consistente, sólido e objectivo”, que o permitiu chegar aos primeiros lugares das sondagens. Relativamente ao eleitorado que está emigrado, o deputado destaca que Seguro “não se desviou dos propósitos, forma e valores com que pretende exercer a Presidência da República”. Além disso, é “um garante da estabilidade do sistema político e também da democracia”. “Esta imagem que o candidato António José Seguro tem passado neste seu percurso tem-lhe valido uma maior receptividade por parte dos eleitores”, destacou Paulo Pisco. O mandatário não esquece que “Seguro é o candidato que tem mais mandatários por país na nossa diáspora”. “São 18, dez na Europa e oito fora da Europa. Julgo que isto consubstancia um compromisso muito firme do candidato para com o exercício de funções como Presidente da República, e na relação que pretende ter com a diáspora”, frisou. Olhando para os candidatos nos lugares mais abaixo nas sondagens, temos muitos rostos da esquerda. A mesma sondagem com dados recolhidos nos dias 10, 11 e 12 de Janeiro coloca Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, com 2,5 por cento; seguindo-se António Filipe, do PCP, com 1,4 por cento, taco a taco com Jorge Pinto, do Livre, que tem 1,3 por cento. Manuel João Vieira, artista plástico e músico, obtém 1 por cento das intenções de voto.
Tailândia | Novo colapso de guindaste faz dois mortos e um ferido Hoje Macau - 17 Jan 2026 Duas pessoas morreram e uma ficou ferida após um guindaste ter caído sobre uma estrada, nos arredores da capital da Tailândia, um dia depois de um incidente semelhante que fez pelo menos 32 mortos. “Duas pessoas morreram e uma ficou ferida”, disse o polícia Saranyapong Aonsingh à agência de notícias EFE, acrescentando que os agentes de segurança estavam no local do acidente, onde estava a ser construído um viaduto. De acordo com relatos dos serviços de resgate e bombeiros tailandeses na rede social Facebook, o guindaste colapsou por volta das 09:15, por razões ainda desconhecidas, num estaleiro de construção na autoestrada Rama II, na província de Samut Sakhon, nos arredores de Banguecoque, atingindo dois automóveis. Este acidente aconteceu um dia depois de um outro guindaste ter caído sobre um comboio de passageiros, com 171 pessoas a bordo, no nordeste da Tailândia, causando pelo menos 32 mortos e mais de 50 feridos. Em ambos os casos, os projectos estavam ligados à empresa local Italian-Thai Development, de acordo com o ministro dos Transportes tailandês, Phiphat Ratchakitprakarn, numa entrevista concedida hoje a uma televisão. “Não sabemos exactamente o que aconteceu à empresa (…). Se a situação se mantiver, poderemos ter de anunciar uma paragem temporária de todas as suas operações em todo o país”, acrescentou.
Depois da casa roubada, trancas à porta Paul Chan Wai Chi - 17 Jan 2026 Existe um velho ditado chinês que diz, “Não é tarde de demais para arranjar a cerca depois das ovelhas terem fugido”, que tem o mesmo sentido do nosso provérbio “Depois da casa roubada, trancas à porta”. Só depois de termos ficado sem os nossos bens, é que percebemos que temos de tomar medidas que possam impedir prejuízos futuros, mas que não permitem recuperar o que se perdeu. O incêndio no Wang Fuk Court, um grande complexo habitacional no distrito de Tai Po, em Hong Kong, destruiu muitas vidas e muitas casas. O Governo de Hong Kong prestou imediatamente ajuda às vítimas, mandou inspeccionar rapidamente as redes que cobrem os andaimes de todos os edifícios que estão em manutenção na cidade e criou um Comité Independente para investigar as causas do incêndio no Wang Fuk Court. A Comissão Independente contra a Corrupção (ICAC sigla em inglês) e a Polícia também agiram prontamente, prendendo e acusando os responsáveis pelo fogo. As medidas que foram tomadas depois do acidente demonstram a grande preocupação das autoridades pelo sucedido. No entanto, se os diversos problemas originados pelos trabalhos de manutenção tivessem sido detectados mais cedo, ter-se-ia podido evitar o fogo? Embora apagar os incêndios seja necessário, preveni-los é mais importante. Enquanto vizinha de Hong Kong, Macau, embora não tenha sofrido nenhum incêndio devastador em 2025, tem muitos aspectos que precisam de ser melhorados. A estabilidade e o desenvolvimento de uma sociedade são inseparáveis dos seus sistemas políticos e económicos. Depois da mudança do Chefe do Executivo da RAEM em 2024, a eleição para a Assembleia Legislativa em 2025 testemunhou pela segunda vez a desqualificação de candidatos, juntamente com a remodelação de dirigentes-chave. De acordo com a emenda à Lei “Eleitoral para a Assembleia Legislativa da Região Administrativa Especial de Macau”, “da decisão da CAEAL de que um candidato não possui a capacidade para ser candidato……, não cabe reclamação nem recurso contencioso”, os candidatos desqualificados não ficaram a saber as razões para ser considerado que “não defendem a Lei Básica ou que não são fiéis à Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China”. Além disso, o facto de Cheong Weng Chon ter passado de Secretário para a Administração e Justiça a Presidente da VIII Assembleia Legislativa, estabeleceu um precedente para esta Assembleia. Estas acções tomadas pelo Governo da RAEM estabeleceram um precedente absoluto da predominância do poder executivo estabelecida pela Lei Básica para os próximos anos. A ausência de vozes dissidentes e a coordenação estreita entre os ramos executivo e legislativo têm a vantagem de unificar o pensamento e a acção, o que conduz a uma implementação mais fluida e eficiente das políticas e medidas adoptadas. Contudo, é preocupante que quando surgem problemas durante o processo de implementação, não existam vozes de oposição. E a melhoria da eficiência não garante bons resultados. Não devemos esperar pelos problemas para os resolver, pelo contrário, devemos perceber as causas dos problemas antes que ocorram. Depois de ver o relatório sobre o fogo em Hong Kong, torna-se óbvio que a tragédia podia ter sido evitada. Os desafios que a diversificação da economia de Macau enfrenta são mais complexos do que as dificuldades com que se deparou durante a transformação ocorrida nos primeiros tempos após o regresso à soberania chinesa. Se apenas olharmos par o escalar do número de turistas, para o RNB per capita situado em 572.614 patacas e o PIB per capita em 579.533 patacas, em 2024, pensaremos que a economia de Macau deve estar florescente, sem lojas encerradas, com os residentes a desfrutarem de altos rendimentos e os restaurantes a abarrotar de clientes. É mesmo este o caso? Os responsáveis pela economia sabem a verdade, e os cidadãos conseguem ver a realidade claramente. O encerramento dos casinos- satélite era previsível, ao passo que a criação de distritos comerciais e cafés ao ar livre são apenas acontecimentos recentes. Tendências de consumo como as compras do lado de lá da fronteira e as compras online estão a ganhar grande popularidade, embora o Governo tenha tomado medidas de emergência como o “Grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias” e os “Descontos para comer nos estabelecimentos de restauração em celebração do Regresso de Macau à Pátria”. Mas o que vem a seguir? Quando o planeamento prévio fica muito aquém do curso dos acontecimentos, e quando todas as críticas são silenciadas, o que resta é um profundo arrependimento. Um bom pastor não permite que uma só ovelha se extravie e a chave para impedir que se percam tem-na o pastor.
FAM | IC acolhe propostas para nova edição do festival Hoje Macau - 17 Jan 2026 O Instituto Cultural (IC) está a acolher propostas de espectáculos e iniciativas que possam ser integradas na 36ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM), que se realiza entre os meses de Maio e Junho deste ano. Segundo um comunicado, a ideia é proporcionar oportunidades a personalidades artísticas e organizações locais. “Ao longo dos anos, o FAM tem procurado incentivar o desenvolvimento das artes locais e disponibilizar uma plataforma de qualidade para a apresentação e o intercâmbio das artes performativas em Macau”, descreve o IC numa nota. Pretende-se, com o FAM, “expandir a plataforma de exibição das artes performativas locais e incorporar mais trabalhos criativos com características locais”. Para a edição deste ano, o tema é “Encontro Cultural na Rota Marítima da Seda”, convidando-se os participantes a “inspirarem-se no património cultural único de Macau”, para apresentar obras centradas no território ou “que incorporem elementos específicos da cidade, como a arquitectura histórica, figuras notáveis, locais e contos populares, explorando o encanto distinto da cidade”. As propostas a concurso devem integrar-se em duas categorias, nomeadamente “Programas Individuais”, que incorpora “todos os géneros de espectáculos, como teatro, ópera cantonense, dança, espectáculos infantis e artes performativas multimédia”. Nesta categoria, o IC encoraja “a inovação e avanços criativos na criação artística”. Por sua vez, a segunda categoria, “Mostra de Espectáculos ao Ar Livre” consiste num “programa comunitário popular que procura apresentações ao ar livre para toda a família e em formatos variados”. Os programas seleccionados pelo IC irão receber apoio financeiro para suportar os custos de produção. As associações locais e indivíduos interessados devem inscrever-se até ao dia 10 de Fevereiro. Os candidatos aprovados na primeira fase de selecção deverão comparecer a uma entrevista com o júri nesse mesmo mês.
CCM | Musical “Operação Oops!” apresentado no final do mês Hoje Macau - 17 Jan 2026 O pequeno auditório do Centro Cultural de Macau acolhe, entre os dias 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro, o musical “Operação Oops!”, baseado no romance homónimo do dramaturgo Lawrence Lei I Leong, natural de Macau. O elenco tem como protagonista Jordan Cheng, que venceu o galardão de “Melhor Actor” na 31.ª edição dos Prémios de Teatro de Hong Kong Macau recebe no final do mês um novo espectáculo que decorre no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) e que nasce de uma encomenda do Instituto Cultural (IC) no contexto do programa “Comissionamento de Produções de Artes Performativas 2024-2026”. Trata-se do musical “Operação Oops!”, que sobe ao palco entre os dias 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro. Segundo uma nota do IC, trata-se de uma adaptação do romance homónimo do dramaturgo local Lawrence Lei I Leong, e conta com diversas figuras do teatro já premiadas e com provas dadas no mundo do espectáculo. A música do espectáculo, por exemplo, foi composta por Leon Ko, que já venceu um Cavalo Dourado nos prémios de cinema de Taiwan em 2005, pela banda sonora do filme “Perhaps Love”. Além disso, o público poderá ver de perto o trabalho de interpretação de Jordan Cheng, protagonista do “dinâmico elenco”, natural de Macau e que foi homenageado como “Melhor Actor” nos 31.º Prémios de Teatro de Hong Kong. Por sua vez, o espectáculo será dirigido por Fong Chun Kit, uma das mentes criativas do Teatro Repertório de Hong Kong, enquanto a coreografia é concebida pela criadora de dança local Florence Cheong. “Subir na vida” “Operação Oops!” conta a história de um grupo de pessoas que não consegue orientar-se na vida nem ter estabilidade, e que, “desapontados com os preços exorbitantes das rendas, decidem raptar um promotor imobiliário”, descreve a sinopse do espectáculo. Porém, nem tudo corre como planeado, e “frustrados pela ocorrência de uma série de infelizes peripécias, o grupo vê o seu plano de rapto sem orçamento entrar numa espiral caótica”. Assim, “entre discussões e picardias constantes”, o público é levado a perceber como é que toda essa confusão irá acabar. “Ilustrando uma história deliciosamente absurda ao som de cativantes melodias, num constante tom satírico e humorístico, ‘Operação Oops!’ envolve o público de forma surpreendentemente profunda”, como “descobrir sabedoria num divertido biscoito da sorte”, lê-se ainda na sinopse. A par das apresentações do espectáculo, o IC “irá convidar representantes de várias entidades de produção teatral, companhias e festivais de arte do Interior da China e regiões vizinhas para se deslocarem a Macau a fim de promover intercâmbios e realizar uma ‘Sessão de Apresentação do Programa Local'”, descreve-se em comunicado. O objectivo é “criar uma plataforma de promoção de obras originais do sector das artes performativas de Macau e explorar oportunidades de colaboração”. Esta sessão tem lugar dia 1 de Fevereiro, às 15h15, no Estúdio I do CCM e decorre em mandarim sem tradução, estando aberta a associações ou companhias ligadas às artes performativas, legalmente registadas em Macau, ou a indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos que sejam residentes do território. As inscrições abrem hoje e decorrem até ao dia 27 de Janeiro.
GP | Rui Valente questiona permanência no automobilismo Sérgio Fonseca - 17 Jan 2026 Rui Valente viveu um 72.º Grande Prémio de Macau para esquecer. A tal ponto que o piloto com mais anos de actividade no automobilismo do território admite seriamente a hipótese de pendurar o capacete e arrumar as luvas, ou, pelo menos, deixar de alinhar na prova rainha de Macau, seja na Macau Roadsport Challenge ou mesmo em todo o evento “Há um conjunto de factores que me levam a questionar se faz sentido continuar”, afirmou Rui Valente ao HM. O experiente piloto de carros de Turismo aponta várias razões para essa reflexão, nomeadamente “o facto de as corridas do Grande Prémio terem hoje muito menos interesse, por serem disputadas quase sempre atrás do Safety-Car, o actual sistema de pontuação para a qualificação de Macau e a atitude de alguns pilotos em pista”. A mais recente edição do Grande Prémio não deixou boas recordações a quem se estreou no Circuito da Guia em 1988. O fim de semana da Macau Roadsport Challenge começou de forma negativa para o piloto português, que não evitou um toque nos rails na zona do Paiol durante o treino livre de quinta-feira, um incidente que condicionou toda a sua prestação. Depois de alcançar o 25.º tempo na sessão de qualificação, o infortúnio voltou a manifestar-se na corrida, quando a tentativa de recuperação aos comandos do Subaru BRZ n.º 16 terminou prematuramente na abordagem à Curva de São Francisco. No recomeço após o primeiro Safety-Car, Rui Valente foi abalroado por Li Kwok Chuen, numa manobra em que o piloto de Hong Kong tentou uma ultrapassagem pelo interior, num local onde não existia espaço disponível. “Ainda hoje não consigo perceber o que lhe passou pela cabeça. Não sei como é que viu um espaço que simplesmente não existia. Talvez tenha pensado que eu iria levantar o pé para o deixar passar”, recordou o piloto, que soma trinta e seis participações no Grande Prémio de Macau e foi um dos nove representantes da RAEM na edição de 2025 da Macau Roadsport Challenge. Lotaria do apuramento Rui Valente tem sido uma das vozes mais críticas do actual modelo de qualificação para o Grande Prémio, que beneficia sobretudo quem termina uma das corridas entre os dez primeiros classificados. A utilização de viaturas idênticas por todos os concorrentes, Toyota GR86 (ZN8) ou Subaru BRZ (ZD8), acentua o equilíbrio de andamento em pista. A este factor junta-se o facto de apenas quatro provas contarem para o apuramento e de as grelhas ultrapassarem frequentemente as três dezenas de participantes, transformando cada corrida numa autêntica “batalha campal”, em que o objectivo passa por alcançar um resultado de topo numa única prova para garantir os pontos necessários à presença na grelha de partida do evento do mês de Novembro. “Com tantos carros em pista ao mesmo tempo, há muitos pilotos sob enorme pressão para pontuar, o que acaba por provocar um número elevado de incidentes”, admite o piloto português. “Desta forma, o apuramento aproxima-se mais de uma lotaria do que de um processo verdadeiramente assente no mérito”, acrescenta o representante da Premium Racing Team. Por outro lado, Rui Valente reconhece que os mais jovens são os principais prejudicados. Com uma experiência claramente superior à dos estreantes, que dispõem de menos quilómetros de pista e menor bagagem competitiva, o piloto sublinha, ainda assim, que a dificuldade não se restringe aos novatos. “Mesmo para quem tem muitos anos de corridas, como eu, a qualificação é extremamente complicada. Se assim é para os mais experientes, torna-se evidente que os jovens acabam por ser os mais penalizados por este modelo”, concluiu. Próximo passo Quanto ao futuro, Rui Valente – que recebeu o prémio de terceiro classificado entre os pilotos de Macau no Grupo A do MTCS Macau Roadsport Challenge, na Cerimónia de Entrega de Prémios de 2025 da Associação Geral Automóvel de Macau-China – ainda não tomou uma decisão definitiva. As alternativas em cima da mesa passam por manter-se em competição nos mesmos moldes, equacionar uma mudança de categoria, opção condicionada por limitações orçamentais, ou, em última instância, colocar um ponto final nas suas participações no Grande Prémio, ou mesmo na carreira. O segundo piloto com mais participações na história do Grande Prémio de Macau, apenas atrás de Albert Poon, confessa que não perdeu o gosto pelo automobilismo, actividade que o mantém em excelente forma física aos 64 anos. No entanto, admite que “se calhar está a chegar a altura de deixar Macau. É uma pena, porque gosto mesmo muito disto. Aliás, o problema é que gosto muito disto”.
Canadá | Primeiro-ministro Mark Carney de visita a Pequim Hoje Macau - 17 Jan 2026 Depois de anos marcados por incidentes diplomáticos e divergências, a viagem do primeiro-ministro canadiano à China é encarada como um novo capítulo nas relações entre as duas nações A visita do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, à China, a primeira de um chefe de Governo do Canadá em oito anos, é vista por ambos os países como o início de uma nova fase nas relações bilaterais. Segundo um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, o chefe da diplomacia Wang Yi considerou a visita de Carney como “ponto de viragem” com potencial para abrir “novas perspectivas” na relação entre Pequim e Otava. A ministra dos Negócios Estrangeiros canadiana, Anita Anand, que se reuniu ontem com Wang, afirmou que Carney pretende “definir o rumo para o desenvolvimento das relações” e retomar o diálogo em múltiplos domínios, segundo a mesma nota. Carney, que assumiu funções há 10 meses, tenta restabelecer laços com Pequim depois de um período marcado por divergências, que inclui a detenção, em 2018, da directora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, a pedido dos EUA, e a imposição de tarifas mútuas sobre produtos estratégicos como veículos eléctricos, aço, alumínio, canola e produtos do mar. O primeiro-ministro canadiano reuniu-se ontem com o homólogo chinês, Li Qiang, e deverá encontrar-se com o Presidente Xi Jinping amanhã. Factor Trump A missão ganha urgência num momento em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, agravou as tarifas sobre exportações canadianas. Actualmente, mais de 75 por cento das exportações do Canadá têm como destino os Estados Unidos. Carney definiu como meta duplicar as exportações canadianas para fora do mercado norte-americano na próxima década. “Estamos prontos para construir uma nova parceria, assente no melhor do nosso passado e preparada para os desafios do presente”, escreveu Carney na rede X após a chegada a Pequim, na quarta-feira à noite. As tarifas aplicadas pelo Canadá em 2024, sob o Governo de Justin Trudeau, seguiram o exemplo dos EUA e impuseram taxas de 100 por cento sobre veículos eléctricos chineses e 25 por cento sobre aço e alumínio. Em resposta, Pequim aplicou tarifas de 100 por cento ao óleo e farelo de canola canadianos, 75,8 por cento às sementes de canola e 25 por cento à carne de porco e aos produtos do mar, praticamente encerrando o mercado chinês a estas exportações, segundo fontes do sector. A China tem expressado esperança de que a pressão económica exercida por Trump leve aliados dos EUA, como o Canadá, a adoptar uma política externa mais autónoma. Pequim acusa frequentemente Washington de formar alianças para isolar a China, uma linha de crítica comum sob as administrações de Joe Biden e de Trump. As relações entre os dois países deterioraram-se gravemente em 2018, quando Meng Wanzhou foi detida no Canadá a pedido dos EUA. A China retaliou com a detenção de dois cidadãos canadianos por alegada espionagem, num episódio que congelou o diálogo diplomático durante mais de dois anos.
Poemas de Meng Haoran 孟浩然 (689-740) Hoje Macau - 17 Jan 202617 Jan 2026 孟浩然 (689-740) (五言古體詩) 春初漢中漾舟 羊公峴山下 神女漢皋曲 雪罷冰復開 春潭千丈綠 輕舟恣來往 探翫無厭足 波影搖妓釵 沙光逐人目 傾杯魚鳥醉 聯句鶯花續 良會難再逢 日入須秉燭 MENG HAORAN (689–740) (Pentâmetros ao Estilo Antigo) Tradução Rui Cascais Vogando no Rio Han ao Começar a Primavera À ilharga do Monte Xian de Lorde Yang Hu, [1] Num meandro do Han, dito das donzelas celestes,[2] Agora que a neve cessou e o gelo se abre de novo, Por águas de Primavera verdes e longas, O meu barco vai onde quer, Buscando prazer sem fadiga ou tédio. Há reflexos de ondas no cabelo da concubina E o brilho das areias queima-nos a visão. Inclinamos as taças – estão ébrios os peixes e as aves; Encadeamos versos – papa-figos e flores imitam-nos. Encontros destes são difíceis de repetir; Quando o sol se retira, devemos pegar numa vela.[3] [1] Yang Hu foi governador militar da cidade de Xiangyang em meados do século III. No Monte Xian, alguns quilómetros a sul da cidade, e sobranceira ao Rio Han, existia uma estela em sua homenagem. [2] Diz-se que um tal Zheng Jiaofu teria encontrado aqui duas donzelas que se banhavam e lhe ofereceram os seus pendentes quando se despediram. Voltando-se para trás, Zheng reparou, com sobressalto, que haviam desaparecido sem rasto, concluindo que se tratavam de seres sobrenaturais. [3] Referência a uma copla da dinastia Han tardia: “Curto é o dia, longa a noite amarga. /Melhor pegar numa vela e irmos folgar”. 孟浩然 (689-740) (五言古體詩) 宿來公山房期丁大不至 夕陽度西嶺 群壑倏已暝 松月生夜凉 風泉滿清聽 樵人歸欲盡 煙鳥棲初定 之子期宿來 孤琴候蘿逕 MENG HAORAN (689–740) (Pentâmetros ao Estilo Antigo) Tradução Rui Cascais Pernoito e Espero na Casa de Montanha de Lai, mas o Velho Ding Não Chega[1] A incandescência do sol já só lambe a cumeeira a ocidente; As inúmeras ravinas de súbito cinzeladas a negro. Atrás de um pinheiro a lua traz o fresco da noite; Soa uma nascente batida pelo vento, derramando limpidez. Regressando a casa, já quase se foram os lenhadores; Pássaros nevoentos pousam agora nos galhos. Vim ter contigo nesta noite combinada – Uma cítara solitária, vigiando a vereda que as trepadeiras tolhem. [1] Há aqui um jogo óbvio, mas delicioso, entre lái (來, o verbo “vir”, neste caso feito nome do proprietário da casa na montanha) e zhì (至, o verbo “chegar”).
Administração | Obras para escritórios no segundo trimestre João Luz - 17 Jan 2026 Foram ontem abertas as propostas do concurso público para a obra da superestrutura de um edifício de escritórios para a administração no ZAPE. Foram recebidas 28 candidaturas e os trabalhos devem arrancar no segundo trimestre deste ano, após as obras para fundações e caves, que devem terminar em Março Foi ontem dado mais um passo para a construção do edifício de escritórios para a Administração Pública no lote Q-1 no ZAPE, com a abertura das propostas apresentadas ao concurso público para a construção da superestrutura. A Direcção dos Serviços de Obras Públicas revelou que foram apresentadas 28 propostas e que as obras devem começar no segundo trimestre deste ano, depois de terminados os trabalhos de fundações e caves. Das 28 propostas apresentadas, apenas uma foi excluída. Os preços propostos variam entre cerca de 309 milhões de patacas e cerca de 351 milhões de patacas, enquanto os prazos oscilam entre 618 e 625 dias de trabalho. As autoridades adiantaram que o andamento da construção de fundações e caves está a decorrer como previsto e deve terminar em Março. O prédio será construído num terreno na esquina da Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues e a Rua do Terminal Marítimo, nas imediações do Hotel Jai Alai, e faz parte de um conjunto de cinco projectos pensados para acrescentar uma área superior a 130 mil metros quadrados para os serviços públicos da RAEM. A ideia é reduzir as despesas públicas em arrendamentos. Produto final O edifício ficará localizado num terreno com uma área de implantação de cerca de 2.770 metros quadrados, terá 12 pisos de altura e três pisos em cave e o prazo máximo de execução da superestrutura é de 650 dias de trabalho. As obras anteriores, de fundação de caves, foram adjudicadas à Companhia de Fomento Predial Sam Yau por cerca de 79,3 milhões de patacas., enquanto os trabalhos de projectista ficaram a cargo da Luís Sá Machado, Conceição Perry e Isabel Bragança Arquitectos, por 10 milhões de patacas. O controlo de qualidade foi adjudicado ao Laboratório de Engenharia Civil de Macau por 1,1 milhões de patacas, enquanto a fiscalização ficou a cargo de Fernando Cardoso Botelho -Fcb – Gabinete de Engenharia por 5,8 milhões de patacas. O Laboratório de Engenharia Civil de Macau foi mais uma vez a entidade escolhida para a monitorização das estruturas periféricas, por mais de 1,7 milhões de patacas. Finalmente, a apreciação e verificação do projecto no âmbito de engenharia electromecânica foi entregue ao Instituto Para o Desenvolvimento e Qualidade, Macau por 1,1 milhões de patacas. No total, a fase de construção de fundações e caves custou 99 milhões de patacas.
SMG | Alerta para frio na próxima semana e tufão nas Filipinas Hoje Macau - 17 Jan 2026 Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) avisaram ontem que na próxima semana Macau irá ficar novamente sob a influência de uma monção de Inverno, a partir de quarta-feira, que vai arrefecer o território com as temperaturas mínimas a cair para, pelo menos, 12º celsius. O mesmo fenómeno vai resultar em dias de sol, fazendo com que os dias sejam quentes, e as noites frias, com as diferenças térmicas a serem “bastante significativas”. As autoridades indicaram também que uma área de baixa pressão, situada a leste das Filipinas, evoluiu para uma tempestade tropical, “com potencial para se tornar na primeira tempestade tropical, deste ano”. A tempestade, baptizada como “Nokaen” tem probabilidades “bastante baixas” de entrar no Mar do Sul da China e afectar Macau. Os SMG referem que, embora Janeiro seja um mês de Inverno no hemisfério Norte, as temperaturas da superfície do mar no noroeste do Oceano Pacífico permanecem relativamente altas (iguais ou superiores a 28º). De acordo os SMG, desde o início dos registos em 1968, o mês mais precoce em que foram emitidos sinais de ciclones tropicais em Macau foi Abril.
Alertas para confusão à saída de parque de estacionamento em Mong Há João Santos Filipe - 17 Jan 2026 O deputado Lee Koi Ian pediu às autoridades para melhorar os acessos de saída do estacionamento do Edifício Mong Son em Mong Há. O pedido faz parte de uma interpelação escrita divulgada ontem pelo legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Segundo o deputado, o parque de estacionamento no Edifício Mong Son entrou em funcionamento a 1 de Abril do ano passado e tem sido uma infraestrutura bem recebida, principalmente porque serviu para testar a cobrança do pagamento por períodos de meia-hora. No entanto, logo num primeiro momento, a proximidade da saída com passadeiras e semáforos geraram congestionamentos. Os problemas foram resolvidos com uma primeira intervenção das autoridades. Mas, segundo Lee Koi Ian, muitos condutores ainda se confundem e seguem vias erradas: após a inversão das entradas e saídas do parque de estacionamento público do Mong Sin Lou, as condições de trânsito melhoraram significativamente. No entanto, ainda se observa que alguns proprietários de veículos particulares utilizam erroneamente a saída como entrada, enquanto outros fazem curvas à esquerda não autorizadas na saída”, descreveu. “As autoridades irão optimizar ainda mais as instalações auxiliares do parque de estacionamento e aperfeiçoar os outros aspectos em resposta aos ajustes nas entradas/saídas?”, pergunta Lee. O deputado da Assembleia Legislativa sugere assim alterações a nível da passadeiras, barreiras e sinalização adicional. Mais comunicação Lee Koi Ian indica que a situação do parque de estacionamento reflecte ainda “uma comunicação e coordenação inadequadas entre os departamentos governamentais” que fazem com que posteriormente tenham de ser adoptadas “medidas correctivas”, quando surgem os problemas. Face a esta tendência, o deputado quer saber como vão ser implementadas mudanças no modelo de comunicação: “Como é que o governo irá reforçar a comunicação interdepartamental durante futuros projectos de obras públicas de grande escala, a fim de evitar erros semelhantes e reduzir o desperdício administrativo?”, questionou.
Shuttle Bus | Governo quer condomínios a contratar à TCM ou Transmac João Santos Filipe - 17 Jan 202617 Jan 2026 Face à proibição dos condomínios contratarem agências de viagem para disponibilizarem shuttle bus, o Governo quer ver os condomínios a comprarem os próprios veículos ou a delegarem o serviço na TCM ou na Transmac A partir do próximo mês, entra em vigor a nova lei da actividade das agências de viagens e da profissão de guia turístico e como consequência vários edifícios residenciais estão em risco de deixar de disponibilizar o serviço de shuttle bus. Em causa, está o facto de o serviço ser contratado pelos condomínios a agências de viagens, o que segundo a nova lei vai deixar de ser possível. A nova política foi aprovada em Junho de 2025 pela Assembleia Legislativa, dando seguimento a uma proposta apresentada pelo Governo, em Março de 2024. Contudo, a polémica instalou-se nos últimos dias, quando os condomínios e residentes locais se começaram a queixar à imprensa em língua chinesa da nova medida, porque vão ficar privados de um serviço que tinham como garantido. A resposta às queixas chegou ontem através da Direcção de Serviços de Turismo (DST), com a garantia de que nada mudou face à situação actual, porque a proibição já se encontrava em vigor: “No que diz respeito ao âmbito das operações das agências de viagens, o actual Decreto-Lei n.º 48/98/M estipula explicitamente que os serviços de recepção e trânsito prestados pelas agências de viagens devem ter uma ‘natureza turística’”, foi indicado. A DST justificou também a opções dos deputados na Assembleia Legislativa: “Durante o processo de alteração da nova legislação (nomeadamente a Lei n.º 5/2025, que entra em vigor a 1 de Fevereiro), foi decidido, após deliberação aprofundada, manter este princípio fundamental: a actividade principal das agências de viagens não deve desviar-se da esfera do turismo”, foi apontado. A proposta foi aprovada na Assembleia Legislativa anterior por unanimidade, à excepção de Kou Hoi In, presidente da Assembleia Legislativa, que apesar de estar presente preferiu não votar de todo. O Governo alertou também que vai continuar a multar as agências de viagem que forneçam os serviços de transporte dos moradores dos condomínios. Além disso, indicou que entre 2015 e 2025 foram iniciados mais de 140 processos contra agências de viagens por violação de regulamentos relacionados com a utilização de veículos, incluindo a disponibilização não autorizada de autocarros turísticos para transporte de trabalhadores ou para edifícios residenciais. Duas soluções Em relação ao problema dos edifícios agora detectado, a DST indica que “Macau interveio proactivamente” no assunto “através da colaboração interdepartamental para prestar assistência”. A DST explicou também que a postura proactiva passa por pedir às empresas de autocarros públicos que disponibilizem o serviço para os condomínios para “prever as necessidades da comunidade”. O facto de o serviço ser agora prestado por apenas duas empresas não é indicado, nem como uma eventual necessidade de controlar os preços praticados, dada a falta de concorrência. Como alternativa a estabelecer contratos com a TCM e Transmac, a DST indica aos complexos habitacionais que comprem os próprios autocarros.
Economia | Associação Económica alerta para dificuldades em bairros Hoje Macau - 17 Jan 202617 Jan 2026 Casinos com mais receitas e bairros residenciais em que as pequenas e médias empresas enfrentam cada vez mais dificuldades. É este o estado esperado da economia local até Março, de acordo com a previsão mais recente da Associação Económica de Macau Até Março, a economia do território deverá manter-se estável, de acordo com o Índice de Prosperidade mais recente da Associação Económica de Macau, publicado ontem. De acordo com um comunicado da associação, que teve como autor o deputado Joey Lao, a estabilidade não impede que os bairros residenciais atravessem mudanças complicadas. Segundo a previsão, espera-se um desenvolvimento económico desequilibrado, com o ambiente de negócios nos bairros comunitários a sofrer uma mudança “complicada”. Neste contexto, prevê-se que o crescimento da economia se deva quase exclusivamente ao sector do jogo e aos grandes empreendimentos turísticos, enquanto as pequenas e médias empresas (PME) deverão continuar a atravessar um período de sofrimento. Ao mesmo tempo, Lao apontou como riscos para as PME a incerteza económica no exterior, principalmente no Interior da China, e os novos modelos de consumo, mais virados para as compras online. Com os rendimentos dos residentes sob pressão, assim como as PME, não se espera grande disponibilidade para o investimento. Também no Interior da China estima-se que o Índice de Confiança dos Consumidores se mantenha num nível baixo durante algum tempo. Pico de turistas Se para as PME a situação deverá permanecer difícil, para os grandes empreendimentos espera-se a continuidade do crescimento moderado, motivado por novos recordes de visitantes. O deputado recordou que, apesar de os últimos dois meses do ano passado terem trazido alguma estabilidade face ao período homólogo, a indústria do jogo apresentou uma expansão anual das receitas. Por outro lado, é destacado o número de turistas que visitaram Macau em 2025, um novo recorde de 40,06 milhões, que ultrapassou o registo de 2019. Em comparação com a 2024, o número de turistas aumentou 14,7 por cento. Joey Lao apontou que o volume de hóspedes e a taxa de ocupação média hoteleira também se mantiveram num nível elevado, fazendo com que os resorts continuem a ser o principal motor da economia. Em relação à taxa de desemprego, a associação espera que mantenha o nível de 1,7 por cento, por considerar que há muitas vagas por preencher. Nunu Wu (com J.S.F.)
Habitação | Empréstimos por pagar em crescimento Hoje Macau - 17 Jan 2026 No final de Novembro de 2025, o rácio das dívidas não pagas relativas aos empréstimos hipotecários para habitação (EHHs) aumentaram para 3,9 por cento, quando no mês anterior o rácio tinha sido de 3,8 por cento. Os dados foram revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), com a publicação das “Estatísticas relativas aos empréstimos hipotecários – Novembro de 2025”. Quando a comparação é feita entre Novembro de 2025 e Novembro de 2024 houve um crescimento do rácio das dívidas não pagas de 0,4 pontos percentuais. O rácio das dívidas não pagas de empréstimos comerciais para actividades imobiliárias (ECAIs) ficou estável entre Outubro e Novembro de 2025, mas quando comparação é feita com Novembro de 2024 houve um aumento de 0,8 pontos percentuais. Em Novembro de 2025, os novos EHHs aprovados pelos bancos de Macau cresceram 6,3 por cento em relação ao mês transacto, até 1,25 mil milhões de patacas. Entre os novos EHHs aprovados, os pedidos de residentes locais, que representavam 98,7 por cento dos empréstimos, cresceram 7,7 por cento e atingiram 1,24 mil milhões de patacas. O componente não-residente decresceu 48,2 por cento para 15,80 milhões de patacas. Os novos ECAIs aprovados caíram 52 por cento relativamente ao mês anterior para um total de 406,17 milhões de patacas. Destes, 97,5 por cento foram concedidos a residentes e decresceram 52,6 por cento para 395,87 milhões de patacas. Os empréstimos de não-residentes mantiveram-se em 10,30 milhões de patacas.
Finanças | Reservas Cambiais atingiram 245,6 mil milhões Hoje Macau - 17 Jan 2026 As reservas cambiais da RAEM cifraram-se em 245,6 mil milhões de patacas, o equivalente a 30,64 mil milhões de dólares americanos, no final de Dezembro, de acordo com a informação mais recente da Autoridade Monetária de Macau (AMCM). Os números foram divulgados ontem e fazem parte das estimativas preliminares. O valor de 245,6 mil milhões de patacas representa um aumento de 2 por cento relativamente aos dados rectificados do mês anterior, que atingiram 240,8 mil milhões de patacas, ou 30,05 mil milhões dólares americanos. No final de Dezembro de 2025, as reservas cambiais da RAEM correspondiam a cerca de 11 vezes a circulação monetária, ou 91,8 por cento do agregado monetário M2 em patacas, conforme os dados do final de Novembro de 2025. A taxa de câmbio efectiva da pataca de Macau, ponderada pelas suas quotas do comércio, foi de 101,1 em Dezembro de 2025, registando decréscimos de 0,81 pontos e 5,47 pontos, em comparação com os dados registados no mês anterior e com os reportados a Dezembro de 2024. Esta variação significa que a pataca caiu face às moedas dos principais parceiros comerciais de Macau.
Parque Industrial | DSEDT quer que projecto acompanhe realidade local Hoje Macau - 17 Jan 202617 Jan 2026 A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) diz estar a trabalhar em torno da criação do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau, esperando que este projecto “acompanhe as necessidades reais do desenvolvimento de Macau”. Numa resposta à interpelação escrita do deputado Ngan Iek Hang, a DSEDT considera que se trata “de um projecto importante para impulsionar o desenvolvimento da indústria tecnológica de Macau”, tendo sido reaqlizada uma consulta pública entre os dias 27 de Novembro e 26 de Dezembro de 2025. Além disso, foi criado um grupo de trabalho interdepartamental “para efeitos de coordenação e concertação” do projecto, tendo sido encomendados “estudos e análises aprofundados” a uma “equipa de estudo profissional”. Tudo para que as autoridades compreendam “o posicionamento, plano de construção e as instalações complementares do Parque”. Foi ainda encomendado outro estudo a uma “equipa de investigação” para “elaborar o planeamento do desenvolvimento da indústria tecnológica de Macau, tomando como referência as experiências de sucesso internacionais e regionais”.
Saúde | Governo quer ligação permanente com comissão nacional João Luz - 17 Jan 2026 O Chefe do Executivo reuniu com dirigentes da Comissão Nacional de Saúde e defendeu a criação de um mecanismo de colaboração permanente com a entidade nacional. A formação profissional e a promoção da big health como uma das indústrias nucleares de Macau foram alguns dos temas discutidos O Chefe do Executivo reuniu na quarta-feira com o director e secretário do Grupo de Liderança do Partido da Comissão Nacional de Saúde, Lei Haichao, com a agenda marcada pela vontade de aprofundar a cooperação, promover o desenvolvimento da indústria de big health, e a formação integrada de quadros qualificados. Sam Hou Fai defendeu a criação de um mecanismo de colaboração permanente entre o Governo da RAEM e a Comissão Nacional de Saúde para “desenvolver ainda mais a indústria de cuidados de saúde e de big health, tanto no Interior da China e como em Macau”, um sector caracterizado como nuclear para a economia do território. A ligação entre negócios e saúde foi um dos fios condutores da reunião, com Sam Hou Fai a destacar a necessidade de “promover a diversificação adequada da economia e aproveitar plenamente as vantagens regionais e políticas de Macau”. Outra das vertentes que o líder do Governo de Macau gostaria de ver desenvolvida com a comissão nacional, é o reforço da prevenção e o controlo de doenças transmissíveis, sem que, no entanto, tenham sido dados detalhes sobre o assunto. Conversas a três O “cultivo” de quadros qualificados interdisciplinares na área de saúde foi mais um objectivo que Sam Hou Fai enfatizou, afirmando “esperar que a comissão preste um forte apoio a Macau para que a cidade aproveite plenamente o seu papel enquanto plataforma sino-lusófona”. O objectivo será elevar o nível de profissionalismo da equipa médica e de enfermagem através da formação de quadros “capazes de servir organizações internacionais”. Perante o director do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, Liu Zhengyin, que também participou na reunião, o Chefe do Executivo sublinhou o simbolismo que a unidade representa para o “projecto de cooperação marcante entre a RAEM e o Interior da China no domínio da saúde, sob o princípio de ‘um país, dois sistemas’”. Os dirigentes da Comissão Nacional de Saúde viajaram até Macau para participar na 20.ª Reunião Conjunta das Cúpulas da Administração de Saúde do Interior da China, Hong Kong e Macau. Estiveram ainda presentes no encontro, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, a chefe do Gabinete do Chefe do Executivo, Chan Kak, o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, além de vários dirigentes de entidades do Interior da China.
Corrupção | Filipinas quer repatriação de ex-deputado Hoje Macau - 15 Jan 2026 O Presidente filipino ordenou ao Governo do país que explore todas as opções para que Elizaldy Salcedo Co seja repatriado de Portugal, onde se acredita que o ex-deputado esteja a viver, de acordo com a imprensa filipina. Mais conhecido por Zaldy Co, o antigo deputado do partido Ako Bicol é alvo de um mandado de detenção por alegado envolvimento no escândalo dos “projectos-fantasma” de infraestruturas para o controlo de cheias. Dezenas de proprietários de empresas de construção, funcionários do Governo e representantes eleitos em todo o arquipélago são acusados de desvio de fundos ou de execução de projectos de baixa qualidade. Além de enfrentar três processos criminais decorrentes do escândalo de corrupção, Zaldy Co também fez alegações explosivas numa série de vídeos a acusar Marcos Jr. e um primo deste, o ex-presidente da Câmara dos Representantes das Filipinas Martin Romualdez, de receber milhares de milhões de pesos em subornos, de acordo com o jornal filipino Inquirer. O secretário do Interior, Jonvic Remulla, disse na terça-feira que a directiva do Presidente Ferdinand Marcos Jr. ordena que seja verificado se Zaldy Co pode ser extraditado de Portugal, onde se acredita que esteja localizado. “Ainda estamos a estudar o caso porque a situação é complicada. Não temos um tratado de extradição [com Portugal], mas há outras vias que podemos seguir e que ele quer investigar”, disse Remulla, de acordo com o jornal filipino em língua inglesa. Outras vias O Governo, continuou o responsável, está a ponderar outras opções, incluindo a coordenação com a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), a ONU e outras agências internacionais, acrescentou. “Um tratado [de extradição] demoraria demasiado tempo. Um tratado leva anos e anos a ser concluído. Por isso, as outras vias possíveis, conforme instruído pelo Presidente, são sobre como podemos levar a cabo a sua extradição sem passar por um tratado”, referiu ainda na terça-feira. Através da repatriação, refere-se ainda no Inquirer, uma pessoa pode ser devolvida ao país de origem por escolha própria ou à força. No caso da extradição, “trata-se de um processo legal em que um país entrega uma pessoa acusada ou condenada por um crime a outro país para enfrentar um julgamento ou punição”. O jornal lembra ainda que o departamento dos Negócios Estrangeiros (DFA) cancelou o passaporte filipino de Co em 10 de Dezembro do ano passado, por ordem de um tribunal anti-corrupção. Remulla, no entanto, frisou que Co também pode estar a usar um passaporte português obtido há muitos anos. Sem notícias De acordo com o DFA, a Embaixada das Filipinas em Lisboa ainda não recebeu informações sobre o paradeiro de Co nem qualquer confirmação do Governo português de que realmente concedeu um passaporte ao antigo deputado. Também Leila de Lima, deputada do partido Mamamayang Liberal, disse na terça-feira que o Governo de Marcos deveria negociar com Portugal a deportação de Co para as Filipinas, em vez de trabalhar num tratado de extradição “que exige muito mais esforço e mais tempo”. “A deportação pode ser negociada diplomaticamente de imediato, mesmo sem a formalidade de celebrar um tratado de extradição”, indicou Leila de Lima, notando que “um tratado de extradição não é indispensável para o regresso de um fugitivo ao país”. Entre os suspeitos estão aliados e opositores de Marcos Jr. Estão em causa 9.855 projectos de controlo de drenagem, avaliados em mais de 545 mil milhões de pesos filipinos (oito mil milhões de euros), que deveriam ter sido construídos desde que Marcos assumiu o poder, em meados de 2022. Em Setembro, o ministro das Finanças das Filipinas, Ralph Recto, admitiu que, desde 2023, podem ter sido desviados 118,5 mil milhões de pesos (cerca de 1,75 mil milhões de euros).
Portugal e o Cenário Presidencial de 2026 Jorge Rodrigues Simão - 15 Jan 202615 Jan 2026 “When societies feel unheard, they do not fall silent – they change the way they speak.” – Zygmunt Bauman A 18 de Janeiro, Portugal encontra-se perante um dos momentos mais significativos da sua história democrática recente. O ciclo presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, iniciado em 2016 e concluído este ano, encerra-se com a impossibilidade constitucional de recandidatura, abrindo espaço a uma disputa plural e inédita. A eleição presidencial, marcada para 18 de Janeiro, com eventual segunda volta prevista para 8 de Fevereiro, não é apenas um exercício democrático rotineiro; é um teste à maturidade institucional do país, à capacidade de renovação das elites políticas e à resiliência da sociedade portuguesa perante os desafios globais. O sistema semipresidencialista português, consagrado na Constituição de 1976, atribui ao Presidente da República funções moderadoras, mas com poderes relevantes em momentos de crise, como a dissolução da Assembleia da República ou a nomeação do Primeiro-Ministro. Desde a Revolução de 25 Abril de 1974, todos os presidentes cumpriram dois mandatos consecutivos, e a impossibilidade de Marcelo Rebelo de Sousa se recandidatar abre espaço a uma competição original. A presidência portuguesa tem sido marcada por figuras que simbolizam diferentes fases da democracia com Ramalho Eanes como militar fundador da estabilidade pós-revolucionária, Mário Soares como europeísta e defensor da integração, Jorge Sampaio como moderador social, Cavaco Silva como economista liberal e Marcelo como comunicador empático. A sucessão de 2026 insere-se nesta linha histórica, mas com características próprias, como a ausência de incumbente, a fragmentação partidária e a emergência de novos actores políticos. Entre os candidatos destacam-se figuras de diferentes quadrantes políticos e sociais. Luís Marques Mendes, pelo PSD, representa a continuidade institucional e a ligação ao centro-direita tradicional. António José Seguro, pelo PS, aposta na coesão social e na defesa dos valores de Abril. Henrique Gouveia e Melo, independente, surge como candidato com forte apelo popular e imagem de competência técnica, fruto da liderança na campanha de vacinação contra a COVID-19. André Ventura, pelo Chega, aposta num discurso securitário e nacionalista, procurando capitalizar o descontentamento social. João Cotrim de Figueiredo, pela Iniciativa Liberal, defende a redução do peso do Estado e a liberalização económica. Catarina Martins, pelo Bloco de Esquerda, centra-se na justiça social e nos direitos humanos. Esta pluralidade reflecte uma sociedade mais diversificada, mas também mais polarizada. As sondagens sugerem que nenhum candidato deverá alcançar maioria absoluta na primeira volta, tornando provável uma segunda volta entre dois candidatos de blocos distintos. Portugal entra em 2026 com uma economia marcada pela recuperação pós-pandemia, mas também por desafios estruturais, como a baixa produtividade, o envelhecimento demográfico e a dependência energética. O turismo continua a ser o motor económico, mas enfrenta pressões de sustentabilidade e necessidade de diversificação. A transição digital e ecológica é imperativa, exigindo políticas públicas consistentes e investimento em inovação. Socialmente, o país vive tensões entre a valorização dos serviços públicos e a pressão fiscal, entre a integração europeia e o ressurgimento de discursos nacionalistas. O envelhecimento da população coloca desafios à sustentabilidade da segurança social e à coesão intergeracional. A desigualdade social, embora mitigada por políticas redistributivas, continua a ser preocupação central. A presidência, embora não detenha competências executivas, pode desempenhar um papel simbólico e mobilizador, influenciando agendas e promovendo consensos. A cultura portuguesa, profundamente enraizada na memória histórica e na projecção lusófona, desempenha um papel central na afirmação internacional. A presidência simboliza a continuidade de valores republicanos e democráticos, sendo o Presidente visto como garante da estabilidade e da unidade nacional. A pluralidade de candidatos reflecte diferentes visões sobre identidade nacional, desde a defesa de Abril à retórica securitária, da empatia social à tecnocracia institucional. A diversidade cultural portuguesa, marcada pela coexistência de tradições locais e pela abertura ao mundo, encontra na presidência um espaço de representação simbólica. A eleição de 2026 será também um momento de afirmação identitária, em que se debatem valores como solidariedade, liberdade e pertença europeia. Portugal mantém-se como membro activo da União Europeia, participando nos debates sobre integração económica, transição energética e defesa comum. A presidência de 2026 será crucial para garantir estabilidade diplomática num contexto global de tensões geopolíticas. A escolha de um presidente com perfil conciliador ou mais interventivo poderá influenciar a percepção externa do país. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa continua a ser espaço privilegiado de afirmação internacional, reforçando laços históricos e culturais. A pertença à NATO garante segurança estratégica, mas também implica responsabilidades em contextos de tensão geopolítica. Portugal, pela sua posição atlântica e lusófona, desempenha papel de ponte entre continentes e culturas, e a presidência simboliza essa vocação internacional. O Presidente é visto como garante do equilíbrio e da unidade nacional, sobretudo em momentos de crise. Para além das competências formais, a presidência possui uma dimensão simbólica, representando valores e identidades colectivas. A filosofia da presidência portuguesa assenta na ideia de que o Presidente deve ser árbitro e moderador, mas também inspirador e mobilizador. A eleição de 2026 coloca em debate diferentes concepções do cargo com uma presidência mais interventiva, centrada na autoridade moral, ou uma presidência mais discreta, focada na mediação institucional. Esta reflexão filosófica é essencial para compreender o significado da eleição. As sondagens disponíveis até 13 de Janeiro de 2026 continuam a mostrar uma corrida presidencial portuguesa extremamente competitiva e fragmentada, marcada pela ausência de um favorito claro e pela persistência de um elevado número de indecisos. O panorama mais recente revela uma recomposição significativa no grupo da frente em que António José Seguro e João Cotrim de Figueiredo surgem agora como os candidatos com maior dinamismo, enquanto André Ventura e Henrique Gouveia e Melo registam ligeiras quebras e Luís Marques Mendes desce para o quinto lugar, com valores que oscilam entre cerca de 15% e 17%, afastandose da disputa imediata pela passagem à segunda volta. António José Seguro beneficia de uma tendência de crescimento contínuo desde o final de 2025, apoiado por um perfil percebido como estável e institucional. João Cotrim de Figueiredo, por sua vez, consolidou uma trajectória ascendente que o aproximou do núcleo dos principais candidatos, reforçando o seu apelo entre eleitores jovens, urbanos e liberais. André Ventura mantém um núcleo duro de apoio expressivo, mas continua a enfrentar dificuldades em alargar a sua base eleitoral, surgindo sistematicamente fragilizado nos cenários de segunda volta. Henrique Gouveia e Melo preserva um capital relevante de confiança pública, embora tenha perdido algum fôlego nas últimas semanas, reflectindo um ambiente político mais volátil e competitivo. Luís Marques Mendes, que chegou a liderar intenções de voto no final de 2025, enfrenta agora uma quebra consistente que o coloca fora do grupo mais competitivo, ilustrando a sensibilidade do eleitorado a movimentos de última hora e a reposicionamentos estratégicos. O quadro geral permanece marcado pela coexistência de perfis muito distintos com candidatos independentes com forte reputação pública, figuras com longa experiência partidária e protagonistas de discursos mais populistas e securitários. Esta diversidade reflecte um eleitorado dividido entre a procura de estabilidade institucional, a valorização da competência técnica e o desejo de renovação política. A presença continuada de Ventura no grupo da frente, mesmo com fracas hipóteses de vitória numa segunda volta, confirma a consolidação de um discurso contestatário que encontrou espaço na sociedade portuguesa. Em paralelo, o crescimento de Cotrim de Figueiredo evidencia a procura de alternativas liberais e reformistas, enquanto a recuperação parcial de Seguro demonstra a relevância de perfis moderados num contexto de incerteza. As candidaturas com menor probabilidade de alcançar a segunda volta como Catarina Martins, António Filipe, Jorge Pinto ou Manuel João Vieira continuam a desempenhar um papel importante na pluralidade do debate, representando agendas específicas e contribuindo para a vitalidade democrática do processo. No seu conjunto, as tendências até 13 de Janeiro de 2026 revelam um país em reflexão profunda sobre o tipo de liderança que deseja para a próxima década. Entre tradição e inovação, continuidade e mudança, integração europeia e afirmação nacional, o futuro Presidente será chamado a preservar os valores republicanos e democráticos, interpretar as expectativas de uma sociedade em transformação e oferecer uma visão capaz de unir diferentes sensibilidades num contexto global cada vez mais exigente. Estas sondagens colocam André Ventura num intervalo aproximado entre 19,5% e 20% das intenções de voto na primeira volta das eleições presidenciais. A partir destes valores, é possível projectar o número de votos que poderá alcançar em diferentes cenários de participação eleitoral. Se a afluência às urnas for semelhante à das últimas presidenciais, com cerca de 4,2 milhões de votantes, Ventura deverá situarse entre aproximadamente 820 mil e 840 mil votos, permanecendo abaixo da fasquia simbólica de um milhão de votos neste cenário de participação mais reduzida. Caso a participação se aproxime da registada nas legislativas de 2024, em torno de 6,5 milhões de votantes, o mesmo intervalo percentual traduzirseia num total entre cerca de 1,26 milhões e 1,30 milhões de votos, valor ainda assim inferior ao patamar alcançado pela AD nas legislativas. Nos cenários de segunda volta, as sondagens colocam Ventura num intervalo entre 25% e 29%. Aplicando estes valores a uma participação semelhante à das presidenciais, o candidato poderá obter entre cerca de 1,05 milhões e 1,22 milhões de votos. Se a afluência for comparável à das legislativas, o intervalo projectado sobe para valores entre aproximadamente 1,62 milhões e 1,88 milhões de votos. Uma votação tão expressiva num candidato com este perfil é frequentemente entendida como o reflexo de tensões sociais acumuladas ao longo do tempo. Revela um sentimento de insatisfação com o funcionamento das instituições, a percepção de desigualdades persistentes e a ideia de que questões como segurança, justiça, custo de vida, imigração ou a qualidade dos serviços públicos não têm recebido respostas eficazes. Ao mesmo tempo, o crescimento de discursos mais directos e confrontacionais mostra que uma parte significativa do eleitorado procura linguagem simples, posições firmes e uma atitude de desafio perante o sistema político tradicional, mesmo que isso acentue divisões. Este fenómeno também evidencia a fragmentação do sistema partidário, com menos fidelidade aos partidos tradicionais e maior abertura a alternativas que rompem com o padrão habitual. Tal dinâmica altera equilíbrios, estratégias e até a forma como as campanhas são conduzidas. Contudo, mesmo com uma votação elevada, subsistem limites claros à capacidade de transformar notoriedade em maioria, o que indica resistência noutros sectores da sociedade e contribui para um ambiente político mais polarizado, mas não necessariamente dominado por um único bloco. Para o sistema político, um resultado deste tipo funciona como um aviso. Mostra que há grupos que se sentem excluídos, políticas que não estão a corresponder às expectativas e percepções de injustiça ou insegurança que permanecem sem resposta convincente. Este sinal obriga os partidos tradicionais a repensar prioridades, a ajustar a forma como comunicam e a reforçar a proximidade com diferentes segmentos da população. Por fim, este movimento inserese numa tendência mais ampla observada em vários países europeus, onde candidatos com discursos semelhantes têm ganho espaço. Muitos analistas interpretam este fenómeno como consequência de transformações culturais, económicas e tecnológicas que estão a alterar profundamente a relação das pessoas com a política e com as instituições democráticas.
Pelo menos 25 mortos após guindaste cair sobre comboio na Tailândia Hoje Macau - 15 Jan 202615 Jan 2026 Pelo menos 25 pessoas morreram ontem na sequência da queda de um guindaste de construção sobre um comboio de passageiros no nordeste da Tailândia, disseram as autoridades. O guindaste caiu numa altura em que o comboio viajava da capital Banguecoque para a província de Ubon Ratchathani, causando o descarrilamento e um incêndio, de acordo com o Departamento de Relações Públicas da província de Nakhon Ratchasima. O acidente ocorreu por volta das 09:00, envolvendo um guindaste que estava a ser utilizado na construção de uma ferrovia elevada de alta velocidade. O departamento informou numa publicação nas redes sociais que o incêndio estava controlado e que as equipas de resgate estavam agora a procurar pessoas dentro do comboio, muitas das quais estavam presas em vagões de comboio tombados. As operações de resgate tinham sido temporariamente suspensas devido a uma “fuga química”, informou a polícia local, sem especificar a origem. “Mais de 80” pessoas ficaram feridas, disse à agência de notícias France-Presse Thatchapon Chinnawong, responsável de uma esquadra de polícia de Nakhon Ratchasima, a nordeste de Banguecoque. O ministro dos Transportes, Piphat Ratchakitprakan, disse que estavam 195 pessoas a bordo do comboio e afirmou ter ordenado uma investigação sobre o acidente, que ocorreu em Ban Thanon Kho, a 32 quilómetros de Banguecoque. Os meios de comunicação da Tailândia e os cibernaturas publicaram nas redes sociais inúmeras imagens do desastre, mostrando parte do incêndio e dezenas de socorristas no local. “Ouvi um barulho forte (…) seguido de duas explosões”, disse Mitr Intrpanya, de 54 anos, um habitante que estava no local. “Quando fui ver o que tinha acontecido, encontrei o guindaste apoiado num comboio de passageiros de três vagões. O metal do guindaste parecia ter partido o segundo vagão ao meio”, acrescentou. Pouca fiscalização O guindaste fazia parte de um vasto projecto de construção de comboios de alta velocidade na Tailândia, iniciado em 2017, com uma década de atraso. O projecto de 5,4 mil milhões de dólares tem como objectivo ligar Banguecoque a Kunming, no sul da China, passando pelo Laos. O primeiro troço está previsto ser inaugurado em 2028 e o segundo em 2032. A linha é apoiada pela China como parte da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, lançada para impulsionar o comércio na região. Os acidentes industriais, de construção e de transporte são relativamente frequentes na Tailândia devido à fiscalização, por vezes pouco rigorosa, das normas de segurança. Em 2020, 18 pessoas morreram na Tailândia quando um comboio de mercadorias colidiu com um autocarro que transportava passageiros para uma cerimónia religiosa. Oito pessoas morreram também em 2023, numa colisão entre um comboio de mercadorias e uma carrinha que atravessava uma ferrovia no leste do país.
Hong Kong | John Lee promete “ir ao fundo” de incêndio Tai Po Hoje Macau - 15 Jan 2026 O líder da antiga colónia britânica reiterou a intenção de punir os responsáveis pela tragédia que fez mais de 160 mortos no bairro social de Tai Po e encontrar soluções adequadas para os desalojados O Chefe do Executivo de Hong Kong prometeu ontem “ir ao fundo” do incêndio mortal em Tai Po, responsabilizar os culpados e encontrar soluções a longo prazo para alojar os afectados, informou a emissora pública. De acordo com a RTHK, John Lee Ka-chiu indicou no Conselho Legislativo (LegCo, na sigla em inglês) que os trabalhos de recuperação pós-desastre são uma “tarefa urgente”, tendo o Executivo apresentado uma moção de apoio na primeira reunião do parlamento. O Governo, indicou o responsável aos deputados, “vai finalizar o plano de alojamento a longo prazo para as famílias afectadas o mais rápido possível, para que se possam estabelecer nas suas novas casas em breve”. Lee garantiu que os culpados pela tragédia de 26 de Novembro vão ser responsabilizados. “As autoridades policiais e o comité independente não deixarão pedra sobre pedra”, disse, prometendo “ir ao fundo desta questão”. “Aqueles que devem ser responsabilizados, sejam eles funcionários públicos ou não e independentemente do seu nível, serão responsabilizados de acordo com os factos”, completou. O incêndio no complexo residencial Wang Fuk Court, alvo de obras de reparação, começou quando a rede que cobria as estruturas de bambu entre o rés-do-chão e o primeiro andar do bloco Wang Cheong House se incendiou. O fogo propagou-se com uma rapidez invulgar ao resto do complexo, atingindo seis outras torres e matando um total de 161 pessoas. Ontem, também, o Chefe do Executivo revelou as expectativas que tem em relação aos deputados do LegCo, eleitos em 07 de Dezembro, pouco depois do incêndio. “Terei todo o prazer em ouvir as vossas opiniões, concordem ou não com o Governo”, disse. Estas foram as segundas eleições desde a reforma eleitoral introduzida em 2021 por imposição de Pequim, que reduziu de 35 para 20 os assentos eleitos por sufrágio universal, ampliou o peso dos mecanismos não directos e transformou o escrutínio numa votação na qual “apenas (candidatos) patriotas” podem concorrer. A votação decorreu sem os dois principais partidos pró-democracia: o Partido Cívico, dissolvido em 2023, e o Partido Democrata, em declínio. Siga para LegCo Embora inicialmente o Executivo tenha ponderado a possibilidade de adiar as eleições depois do incêndio e dos três dias de luto e suspensão das atividades de campanha que se seguiram, acabou por decidir mantê-las na data prevista. As autoridades argumentaram que realizar o sufrágio demonstra maturidade institucional e que o processo pode coexistir com o respeito pelas vítimas e a gestão da emergência. No total, 161 candidatos disputaram 90 lugares: 51 em circunscrições territoriais, 60 em circunscrições funcionais e 50 designados pela Comissão Eleitoral, dominada por perfis próximos ao Governo central chinês. Os círculos funcionais representam grupos profissionais, sectores comerciais ou interesses especiais específicos e apenas os eleitores registados nestes sectores podem votar neles, o que tem suscitado críticas pela representatividade limitada a favor dos interesses corporativos e das elites. “Quando discordarem das políticas governamentais, por favor, apontem os problemas e apresentem recomendações e sugestões. Consideraremos as vossas sugestões com seriedade. Quando estivermos a agir correctamente, por favor, sejam justos connosco”, disse Lee, citado pela RTHK. O Chefe do Executivo indicou ainda que os legisladores devem falar com base nos factos e filtrar as informações erradas quando se dirigem ao público.