Diplomacia | Pequim quer diálogo económico com Reino Unido

A China está disposta a retomar o diálogo económico com o Reino Unido, afirmou o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, segundo um meio de comunicação estatal, após um longo período de afastamento entre os dois países. Pequim e Londres renovaram os contactos de alto nível em Agosto, durante uma chamada telefónica entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

Foi a primeira vez que o chefe de Estado chinês conversou com um primeiro-ministro britânico desde 2022.
Numa nova chamada telefónica na quarta-feira, com a ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves, He Lifeng disse-lhe que a China estava “disposta a trabalhar com o Reino Unido” para “relançar o diálogo económico e financeiro bilateral”, segundo a agência de notícias Xinhua. O vice-primeiro-ministro garantiu ainda que o gigante asiático pretende “ampliar a cooperação nos domínios das finanças, da economia verde, da biomedicina e da inteligência artificial”.

Depois da “era dourada” centrada nas relações comerciais, muito elogiada pelo primeiro-ministro britânico David Cameron no início da década de 2010, as tensões bilaterais aumentaram entre os dois países. Uma das principais áreas de atrito diz respeito ao reforço do controlo de Pequim sobre Hong Kong.

Londres acusou ainda Pequim de ataques informáticos contra autoridades eleitas, de espionagem tecnológica e de violação dos direitos humanos, especialmente os da minoria uigur na região de Xinjiang, para não falar das tensões comerciais.

Os dois países acusaram-se também mutuamente de espionagem. Além disso, Pequim critica regularmente Londres por seguir a política hostil de Washington em relação ao Governo chinês.

Morreu estudante esfaqueado perto de escola japonesa em Shenzhen

O Japão disse ontem que morreu um estudante de uma escola japonesa no sul da China, esfaqueado na terça-feira, e pediu a Pequim que forneça pormenores sobre o ataque e tome medidas preventivas.

A ministra dos Negócios Estrangeiros do Japão expressou condolências e afirmou ser “extremamente lamentável” que o estudante, de dez anos, tenha morrido. Isto apesar dos pedidos de precaução e de reforço da segurança por altura do aniversário do início da invasão da China pelo Japão, em 18 de Setembro de 1931.

Yoko Kamikawa disse que também deu instruções às escolas japonesas na China para reverem as medidas de segurança e solicitou à China que forneça pormenores sobre o ataque e faça tudo o que estiver ao seu alcance para evitar a repetição de ataques semelhantes contra cidadãos japoneses.

O estudante foi esfaqueado por um homem a cerca de 200 metros do portão da Escola Japonesa de Shenzhen, disse na quarta-feira o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. “O agressor foi detido no local. O caso ainda está a ser investigado”, acrescentou Lin Jian, em conferência de imprensa. O motivo do ataque não foi imediatamente divulgado.

Todo o cuidado

Numa mensagem enviada aos cidadãos japoneses que vivem na China, a embaixada do Japão pediu que estivessem atentos e tomem precauções, citando vários ataques com facas nos últimos meses. O consulado japonês em Cantão, que é responsável por Shenzhen, apelou à adopção de medidas para evitar este tipo de incidentes.

Em 24 de Junho, um ataque com faca numa paragem de autocarro escolar de uma escola japonesa na cidade de Suzhou, no leste do país, resultou na morte de uma cidadã chinesa que tentava deter o atacante e feriu uma mãe japonesa e o filho.

No início de Junho, um chinês esfaqueou quatro professores universitários norte-americanos num parque público em Jilin, no nordeste do país, e um cidadão chinês que tentou intervir. Os quatro professores do Cornell College estavam a dar aulas na Universidade de Beihua. Nenhum deles ficou em estado crítico.

EUA | Congresso diz está a ficar para trás na preparação para guerra

Dois comités do parlamento norte-americano advertiram que os Estados Unidos estão a ficar rapidamente para trás em relação à China na preparação para uma eventual guerra, que pode ocorrer a “qualquer momento”

 

Os comités do Congresso acusaram na quarta-feira o Pentágono, responsável pela defesa dos Estados Unidos da América (EUA), de excesso de burocracia e lentidão em adoptar novas tecnologias. Os comités culparam ainda a população, que descreveram como só respondendo a crises, pelo alegado atraso, que deixa desprotegidos aliados como o Reino Unido, Austrália, Japão e Coreia do Sul.

Republicanos e democratas em ambos os comités enalteceram o trabalho da administração do Presidente Joe Biden para estabelecer novas alianças, como a parceria de tecnologia militar entre os EUA, Reino Unido e Austrália, conhecida como Aukus, e a cooperação de segurança recentemente formalizada entre os EUA, Japão e Coreia do Sul.

No entanto, os procedimentos desactualizados do Departamento de Defesa em matéria de segurança e de aquisições foram apontados como obstáculo, em especial no que respeita à Aukus. O presidente do comité para os Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes (câmara baixa do parlamento) disse que os burocratas do Pentágono ainda não autorizaram as transferências de tecnologia dos EUA para os dois membros da aliança, quase um ano após a aprovação de uma isenção.

“A administração mantém uma longa lista de tecnologias excluídas que limita a sua eficácia”, disse Michael McCaul durante uma audição, citando redes de comunicações, acústica naval e motores a jacto como estando entre as tecnologias avançadas que estão a ser retidas. “Estes são os nossos aliados mais próximos, com quem partilhamos as nossas informações mais sensíveis”, acrescentou o republicano do Texas.

As armas do futuro

As audições decorreram no meio de divergências entre os legisladores sobre o orçamento federal e o orçamento anual da Defesa, à medida que se aproximam as eleições presidenciais de 5 de Novembro nos EUA.

A inflexibilidade das aquisições militares foi mencionada de forma mais ampla pelos membros do comité para a Estratégia de Defesa Nacional autorizado pelo Congresso, em 2022 e 2024, a avaliar o estado de prontidão da segurança nacional dos EUA.

O relatório mais recente advertiu que os EUA precisam de um exército significativamente maior para lidar com as ameaças simultâneas da China, Rússia, Irão e Coreia do Norte. O documento apelou também a uma força mais integrada, a uma revisão radical da base industrial dos EUA, a laços mais estreitos com os aliados e a uma abordagem da defesa que alcance “todo o governo”.

“Acreditamos unanimemente que a estratégia de defesa nacional está lamentavelmente desactualizada”, declarou Jane Harman, uma antiga congressista de longa data que representou a Califórnia e coautora do relatório. “Durante anos, o nosso governo não conseguiu manter-se actualizado. Todo o nosso sistema e o Pentágono em particular são avessos ao risco”, explicou.

Eric Edelman, que foi subsecretário da Defesa do antigo presidente George W. Bush, foi mais directo. “Há um potencial real para guerra a curto prazo, que seria difícil imaginar que não fosse uma guerra global”, disse Edelman, que também foi embaixador dos EUA na Turquia e na Finlândia. “E há a possibilidade de perdermos esse conflito. A parceria entre a China, Rússia, Irão e a Coreia do Norte representa uma grande mudança no ambiente estratégico”, apontou.

Perante todas estas ameaças, o número dois da diplomacia dos EUA, Kurt Campbell, disse que “a Guerra Fria não tem comparação” e defendeu que o Pentágono e outros departamentos precisam de mais pessoal que compreenda a tecnologia avançada. “Precisamos de mais pessoas no governo que saibam o que é a Inteligência Artificial, que saibam o que é a computação quântica, que saibam como criar incentivos para as nossas próprias indústrias, mas que também impeçam que algumas das capacidades críticas cheguem aos países que estão a competir intensamente connosco”, disse.

Cinema | Extensão do DocLisboa começa na próxima semana

O DocLisboa – Extensão a Macau começa na próxima terça-feira. O cartaz inclui cinco curtas-metragens locais e a presença de alguns realizadores que vão partilhar com o público ideias e experiências. O festival termina a 28 de Setembro e todas as sessões têm entrada livre

 

Macau volta a receber, como é habitual, o festival DocLisboa – Extensão a Macau, que está marcado para a próxima semana entre os dias 24 e 28 de Setembro com exibições no auditório Dr. Stanley Ho, no Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong. Segundo um comunicado divulgado pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), serão exibidas nove obras de realizadores portugueses e estrangeiros apresentadas no âmbito do XXI Festival Internacional de Cinema DocLisboa, bem como cinco produções de realizadores locais.

A sessão inaugural, marcada para a próxima terça-feira às 18h30 no auditório do consulado-geral, contará com a presença de alguns realizadores dos filmes do dia. Serão apresentadas no primeiro dia cinco curtas-metragens com realização local, nomeadamente “Those Who Paved the Way” de Bryan Garcia, “The Lost Eden of Birds” de Sou Teng Chan, “Light on, Light off” de Weng Ian Lei, “Flores para a Minha Mãe” de Vitória Santos e “I am here” de Elsie, Zhang Xiwen e Mike, Xu Haonan. De referir que alguns destes filmes já foram premiados no Festival Internacional de Curtas de Macau.

No caso de “Flores para a Minha Mãe”, de Vitória Santos, a curta-metragem foi distinguida em 2021 com o prémio “Identidade Cultural de Macau” no Festival Internacional de Curtas de Macau. O filme centra-se na comunidade de empregadas domésticas de Macau, que é “muitas vezes esquecida”, refere-se na sinopse.

“A minha experiência de ter crescido com uma ajudante inspirou-me a dar a conhecer os trabalhadores domésticos migrantes e a sua contribuição para um lar. Este documentário relata diversas histórias a partir da perspectiva de três empregadas domésticas diferentes. Cada uma partilhou as suas experiências de trabalho e a sua dedicação para proporcionar um futuro de esperança àua família”, revela a autora, numa descrição do filme.

Com uma distinção atribuída no ano passado, “Those Who Paved the Way”, de Bryan Gragas Garcia, ganhou o “Prémio Escolha da Audiência”. A obra foca-se nos “indivíduos em Macau que estão a tentar ou tiveram impacto na cultura de rua”. São pessoas que lutam “para ultrapassar os limites da cultura, apesar de viverem numa cidade rica”, refere a sinopse.

Entre curtas e longas

No dia 28, o último dia da extensão local do festival, irão exibir-se as curtas “By Division and Differentiation”, de Carolina Grilo Santos e “Memories of a Perfect Day”, de Davina-Maria El Khoury. O público poderá também ver a longa-metragem “As Melusinas àargem do Rio”, de Melanie Pereira, que venceu vários prémios na última edição do DocLisboa, nomeadamente o prémio HBO Max para “Melhor Filme da Competição Portuguesa”; o prémio Fernando Lopes – Midas Filmes e Doclisboa para “Melhor Primeiro Filme Português”; e ainda o prémio Escolas ETIC para “Melhor Filme da Competição Portuguesa”.

Melanie Pereira estará presente em Macau para falar com o público, participar em masterclasses com alunos do ensino superior dos cursos de Comunicação e Média, assim como marcar presença em encontros com alunos da Escola Portuguesa de Macau e de outras escolas luso-chinesas.

A extensão a Macau do DocLisboa é uma iniciativa do IPOR que tem contado, desde a primeira edição, com o apoio do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e do Instituto Cultural da RAEM, presentemente através do Fundo de Desenvolvimento da Cultura. Destaque também para a colaboração de outras entidades como a Creative Macau.

A extensão a Macau do DocLisboa pretende “proporcionar ao público um conhecimento dinâmico sobre as propostas e as linguagens mais recentes que marcam o cinema documental contemporâneo, em Portugal e em Macau, colocando em diálogo expressões artísticas oriundas destes dois contextos”, refere-se em comunicado. Todos os filmes e sessões com realizadores têm entrada livre, começando às 18h30, com excepção de dia 28 de Setembro que terá início à 17h, no auditório Dr. Stanley Ho, no Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

Cantora Mimicat edita “Peito”, álbum pleno de versatilidade

A cantora Mimicat editou na quarta-feira “Peito”, álbum no qual mostra a versatilidade e criatividade da música que tem vindo a criar ao longo dos últimos dez anos, e o primeiro em que canta quase todos os temas em português. “Peito” é, antes de mais, “uma espécie de fecho de ciclo”, disse a cantora em entrevista à agência Lusa.

No terceiro álbum que edita, Mimicat decidiu trabalhar com pessoas que já a tinham acompanhado na criação
do primeiro disco, editado há dez anos.

“O álbum no fundo representa essa viagem. Como tenho experimentado muita coisa ao longo da minha carreira, até porque gosto de fazer géneros diferentes, o álbum é mesmo essa mostra de versatilidade também, mas acima de tudo de criatividade, daquilo que têm sido dez anos de Mimicat, por onde já andei, de onde é que vim e para onde estou a ir”, referiu.

A decisão de editar um novo álbum foi tomada há três anos. “Tinha zero expectativas para ele, mas tinha a certeza que queria fazer um álbum, mostrá-lo às pessoas e fazer o melhor que conseguisse. E já sabia que queria fazer esta viagem”, contou.

Na mesma altura decidiu que o álbum sairia em edição de autor, terminando assim a relação com a editora Sony Music Portugal. “Fui artista da Sony durante dois discos. Decidi fazer o resto do meu caminho como artista independente, por muitos motivos, mas principalmente por não haver qualquer tipo de condicionamento ao que eu quisesse fazer”, explicou.

12 canções diversas

Composto por 12 temas, “Peito” tem ‘soul’, fado, música popular portuguesa, swing e jazz, mas, “apesar de passar por muitos géneros, é sempre a Mimicat em cada qualquer uma das canções”. “Além de sonoramente e a nível de estética haver muitas coisas que unem os temas, é mesmo a forma como eu escrevo. Este disco foi o primeiro em que escrevi quase todo em português, portanto acaba por ser também a minha mostra do que é a minha estética em português”, disse.

No ano passado Mimicat representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção com um tema cantado em português, “Ai Coração”, que escreveu há dez anos. Depois disso, tudo o que escrevia na língua materna não lhe agradava. Até há cinco anos, quando começou a escrever canções que achou “que estavam decentes”.
“A partir daí comecei sempre a querer escrever em português. Eu achava que a minha estética não funcionava em português, mas quando descobri que sim fiquei entusiasmada com o português, e confesso que ultimamente já componho muito pouco em inglês”, partilhou.

Ainda assim, quis que o inglês estivesse presente em “Peito”. “Quis fazer uma homenagem a essa fase da minha carreira. Componho músicas todas as semanas, e há músicas que vão ficando. E essas duas em inglês [que encerram o álbum] foram ficando sempre. Quando decidi há três anos fazer o álbum, essas duas eram obrigatórias”, contou.

A participação na Eurovisão “sem dúvida abriu muitas portas e criou muitas oportunidades” à cantora, a quem já passou pela cabeça “desistir da música 500 vezes”.

“Trouxe-me um público que eu não tinha, uma notoriedade que eu ainda não tinha conseguido”, disse, partilhando que ao longo da carreira chegou a tentar fazer algumas pausas, “mas não passavam disso mesmo, porque nunca” conseguiu desistir.

“A urgência de desistir era grande, mas a necessidade da música era maior, portanto acabei sempre por continuar. No fundo por necessidade, por paixão, por amor à arte”, explicou.
“Peito”, que já está disponível nas plataformas digitais e estará à venda através da página de Mimicat no Instagram e nos concertos, é apresentado ao vivo no dia 1 de Outubro no Teatro Maria Matos, em Lisboa.

Fim dos junkets e pouco impacto da redução de juros explicam crise no imobiliário

O desemprego e o fim dos ordenados elevados associados ao desaparecimento da indústria junket é um dos principais factores que está a levar à redução do preço das casas e do número de vendas. O cenário foi traçado por Lok Wai Tak, presidente da Associação Comercial de Fomento Predial de Macau, em declarações ao jornal Ou Mun.
Segundo o dirigente associativo e empresário, com o fim das grandes empresas de junkets “uma parte considerável das pessoas com rendimentos médios e elevados ficou desempregada ou mudou de emprego”, o que levou à diminuição “significativa” dos seus rendimentos. Com a população mais pobre, perderam-se “alguns dos grupos dos consumidores com rendimentos médios e elevados”, que conseguiam adquirir casas a preços mais caros.
Lok Wai Tak indicou ainda que o desaparecimento não foi compensado pela diversificação da economia, dado que as pessoas estão a consumir fora do território e porque os turistas gastam menos do que passado. “A recuperação económica global não está a progredir tão bem como deveria”, vincou.
Lok Wai Tak fez uma antevisão da redução das taxas de juro, quando ainda não tinha sido revelado a proporção da diminuição. No entender do empresário, o mercado só vai sentir os efeitos mais fortes, quando a redução acumulada chegar aos 100 pontos base, qualquer valor abaixo dos 100 pontos apenas poderá contribuir para evitar uma redução maior dos preços. Horas depois, a redução anunciada foi de 50 pontos de base.

Medidas “digeridas”
Por sua vez, Chong Sio Kin, presidente da Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau, defendeu que o levantamento das restrições fiscais aplicado em Abril deixou de produzir efeito, porque foi “digerido” pelo mercado.
Chong explicou também que as transacções de novos imóveis estão em quebra, com pouca procura e que por esse motivo os preços vão continuar a diminuir, independentemente dos juros serem mais baixos.
Sobre a descida dos juros, o dirigente afirmou não ter expectativas sobre um impacto positivo para o mercado imobiliário local. Para o empresário, o cenário só vai sofrer alterações caso os juros continuem a ser reduzidos no próximo ano.

Habitação | Preço médio atingiu valor mais baixo desde Junho de 2016

Apesar do preço médio do metro quadrado na habitação ter caído para 79.568 patacas, nem tudo são más notícias para quem quer vender ou comprar uma casa. Ontem, a AMCM confirmou a redução da taxa de juros, o que pode tornar os créditos mais baratos

O preço médio por metro quadrado do imobiliário para habitação atingiu em Agosto o valor mais baixo desde Junho de 2016, de acordo com os dados disponibilizados no portal da Direcção de Serviços Financeiros (DSF). No mês passado, o metro quadrado foi negociado por 79.568 patacas, em média, enquanto em Junho de 2016 tinha sido transaccionado a 78.416 patacas.
Como é normal no mercado imobiliário de Macau, o metro quadrado é mais caro em Coloane, onde foi transaccionado a uma média de 87.453 patacas, enquanto na Península a média do preço foi de 77.565 patacas. Na Taipa o custo foi de 82.996 patacas por metro quadrado.
Estes valores só encontram paralelo com Junho de 2016, quando houve um total de 794 transacções a um preço médio de 78.416 patacas por metro quadrado. Coloane foi o local onde o metro quadrado foi mais caro, com uma média de 99.629 patacas. No pólo oposto, na Península o metro quadrado custou 75.516 patacas e na Taipa 84.064 patacas.
O oitavo mês do ano representou também o preço médio mais barato a nível do imobiliário desde o início do ano, apesar de desde Abril a Assembleia Legislativa ter aprovado um pacote de medidas, proposto pelo Governo, para eliminar impostos que visavam aumentar a procura.
Até Agosto, o valor médio mais baixo do mercado imobiliário tinha sido registado em Março, quando foi de 82.734 patacas, superior em 4.318 patacas em comparação com o registo mais recente.

Sinal de luz
Apesar da redução do preço a nível das transacções, nem tudo são más notícias para quem pretende vender casa ou para os agentes imobiliários. Ontem, a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) confirmou que a taxa de juro básica foi reduzida em 50 pontos base, para 5,25 por cento.
Como consequência destas medidas, o custo dos novos créditos para a habitação podem ter um custo menor, o que poderá contribuir para uma maior procura pela compra de casa em Macau.
A medida de redução do valor dos juros era esperada, depois de na quarta-feira a Reserva Federal dos Estados Unidos da América (EUA) ter anunciado um corte de 50 pontos base na taxa de juro básica. A taxa de juro básica de Macau segue a tendência dos EUA, dado que está indexada à taxa de Hong Kong, que por sua vez está indexada à Reserva Federal.
Desde o início do ano foram transaccionadas 2.122 habitações Macau, com o preço médio do metro quadrado a ser de 88.417 patacas.

Ensino | Criada associação de estudantes de Macau no Porto

Uma associação que quer unir os estudantes de Macau no Porto para promover o “espírito do patriotismo” e o “amor por Macau”. É este um dos objectivos da recém-criada Associação dos Estudantes de Macau no Porto, de acordo com os estatutos que foram publicados ontem no Boletim Oficial.

A associação é aberta aos “residentes de Macau” que estudaram, fizeram intercâmbios, formações, estágios ou se licenciaram em instituições de ensino superior da cidade portuguesa. A sede da associação fica localizada no Edifício Garden Federation, na Rua de Ferreira do Amaral, junto ao Jardim Vasco da Gama.

Além disso, a associação espera reunir os estudantes para promover um maior intercâmbio ao nível dos residentes que frequentam instituições de ensino superior.

Restauração | Negócios com queda anual de 13,3% em Julho

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que o volume de negócios dos restaurantes em Julho aumentou 7,4 por cento em relação ao mês anterior, com destaque para “os estabelecimentos de comidas e lojas de sopas de fitas e canja e restaurantes chineses”, com aumentos de 7,8 e 7,3 por cento, respectivamente.

Porém, em termos anuais, o sector da restauração teve um menor volume de negócios em 13,3 por cento, face a Julho de 2023.

Segundo a DSEC, “o volume de negócios dos proprietários entrevistados de todos os tipos de restauração desceu em termos anuais, salientando-se que o volume de negócios dos restaurantes chineses, o dos restaurantes japoneses e coreanos, assim como o dos restaurantes ocidentais caíram 18,3, 17 e 14,2 por cento, respectivamente”.

No que diz respeito ao comércio a retalho, a subida mensal foi menor, de 5,4 por cento, com o maior aumento a registar-se no sector automóvel, entre Julho e Junho, de 38,4 por cento. Em termos anuais, ou seja, face a Julho do ano passado, o sector do retalho registou uma quebra no volume de negócios de 26,4 por cento, com destaque para a quebra de 39,1 por cento na venda de relógios e jóias. Porém, em termos anuais, o volume de negócio do sector automóvel subiu 80,8 por cento.

Jogo | Associação negoceia com casinos equilíbrio de mercado VIP

A Associação de Promotores Profissionais do Jogo de Macau espera que as concessionárias mostrem abertura para moderar as suas promoções para que os junkets possam recuperar espaço na indústria

A Associação de Promotores Profissionais do Jogo de Macau está em conversações com as concessionárias para obter condições mais favoráveis para o exercício da actividade. A revelação foi feita por U Io Hung, presidente da associação em declarações ao portal GGR Asia.
Desde Janeiro de 2023, com o início das novas concessões de jogo, que as empresas de promoção de jogo, conhecidas como junkets, perderam grande parte da capacidade de operar no mercado, devido à proibição de oferecer crédito aos jogadores. As maiores empresas do sector foram ainda alvo de investigações e condenações em tribunal, tanto em Macau como no Interior da China.
No entanto, U Io Hung acredita que as promotoras têm um papel a desempenhar na indústria, que passa por utilizarem as suas redes de contactos e atrair para Macau jogadores que de outra forma não viriam ao território.
Contudo, para que as promotoras de jogo possam assumir um papel, U Io Hung defende que é necessário mudar os moldes da relação com as concessionárias. Um dos problemas que tem de ser resolvido, explicou U, é o facto de as concessionárias conseguirem oferecer aos jogadores melhores promoções do que os junkets, o que advém do facto das receitas dos junkets estarem limitadas a uma comissão de 1,5 por cento sobre, ao contrário do que acontece com as concessionárias, e sobre a qual ainda incide um imposto.
Neste sentido, o presidente da associação espera que as concessionárias moderem as suas promoções, para se criar um espaço onde as promotoras também podem operar no mercado, em condições de igualdade.

Caça aos agentes ilegais

Apesar do cenário difícil, o presidente da Associação de Promotores Profissionais do Jogo de Macau elogiou o trabalho recente da Direcção de Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), na caça aos “agentes de promoção ilegais”.
Segundo o responsável, desde 2023 que se tinha tornado comum ver alguns jogadores inscritos nos programas de descontos das concessionárias venderem as fichas de jogo oferecidas no âmbito de promoções das concessionárias. Estas fichas não podem ser trocadas por dinheiro, e têm de ser apostadas. No entanto, como acabavam por ser vendidas a outro jogadores, a actividade era encarada como concorrência aos junkets.
Sobre este fenómeno, U Io Hung reconhece que durante o Verão houve uma campanha contra estes agentes. “Agora, basicamente, não se vê mais estes agentes nos casinos das seis concessionárias”, reconheceu.

Luís Gomes é oficialmente presidente do Instituto do Desporto

Luís Gomes é, a partir de hoje, o presidente do Instituto do Desporto (ID) oficialmente, sendo a sua comissão de serviço de apenas um ano. De frisar que Luís Gomes vinha, desde Agosto, exercendo funções interinamente, como presidente em regime de substituição.

Segundo o despacho publicado em Boletim Oficial (BO), Luís Gomes foi o escolhido pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura por possuir “competência profissional e aptidão para o exercício do cargo”, uma vez que é licenciado em Educação Física e Desporto pelo antigo Instituto Politécnico de Macau. Além disso, é mestrado em Ciências da Educação, variante de Educação Física e Desporto, pela Universidade de Macau.

Luís Gomes começou por ser técnico superior da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, entre Setembro de 2011 e Março de 2019, desempenhando funções de gestão na área do desporto juvenil e escolar. Luís Gomes tornou-se vice-presidente do ID em Novembro de 2023.

Zona A | Nova ponte para a Ilha Artificial abre sábado

A partir de sábado vai abrir ao trânsito uma nova ponte que liga a Zona A dos Novos Aterros à Ilha Artificial da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, de acordo com a informação divulgada ontem pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). Esta é a segunda ponte a ligar a Zona A à Ilha Artificial, e fica no encalço da denominada Avenida de Bonança.

A outra ponte, a única aberta ao trânsito até agora, está situada mais a norte, junto da Avenida Central da Zona Este. Para aumentar “a eficiência de circulação”, a DSAT recomenda aos condutores que se desloquem da Península para Hong Kong ou Zhuhai, com os próprios veículos, ou ainda que tenham como destino o átrio de chegadas da fronteira, no rés-do-chão da fronteira, que utilizem a ponte “antiga”.

No caso de terem como destino o auto-silo oeste ou o átrio de partidas, no primeiro andar da fronteira, devem entrar na ilha artificial através da Rua Cinco da Zona Este e utilizar a ponte nova. Também para os veículos que vêm da ilha artificial para a Península é recomendada a utilização da ponte mais recente, e depois a circulação pela Rua Seis da Zona Este e Avenida Hou Kong.

Bolo Lunar | Mais de 492,1 mil turistas durante período festivo

Em dois dos cinco dias que coincidiram com os feriados chineses, a média diária de entradas foi superior a 120 mil. Durante estes dias, a fronteira das Portas do Cerco foi a mais movimentada, seguida pelo posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau

 

Macau recebeu mais de 492,1 mil turistas, nos cinco dias entre sábado e quarta-feira, que coincidiram com a celebração do Festival do Bolo Lunar, de acordo com os dados revelados ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). Este período abrangeu os dias de feriados no Interior da China entre 15 e 17 de Setembro, o principal mercado do turismo para o território.

Segundo os dados preliminares apresentados, por dia houve uma média de 98,4 mil turistas a entrar em Macau. O dia com maior número de entrada de visitantes foi 15 de Setembro, domingo, quando 125,3 mil turistas atravessaram as fronteiras. O dia de 16 de Setembro, segunda-feira, foi também muito popular, com 124,3 mil visitantes a entrarem no território.

Nos restantes dias, o número de entradas nunca ultrapassou a fasquia dos 100 mil turistas. No sábado, 14 de Setembro, foram registadas 95,5 mil entradas, a 17 de Setembro houve 74,6 mil entradas, dia que coincidiu com o Festival do Bolo Lunar, e finalmente, a 18 de Setembro, o território registou 75,4 mil entradas.

Como tradicionalmente acontece, a fronteira mais utilizada voltou a ser a das Portas do Cerco, com 195,8 mil entradas, ainda assim, menos de metade do total das 492,1 mil entradas. A fronteira da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau foi a segunda mais frequentada, com 102,1 mil entradas, seguida pelo posto fronteiriço da Ilha da Montanha, que teve 72,7 mil entradas.

Se entra, também sai

Em sentido contrário, nos cinco dias foram registadas cerca de 508 mil saídas, o que correspondeu a uma média diária de 101,6 mil saídas.

O dia como mais turistas a deixar o território aconteceu na segunda-feira, quando 133,4 mil turistas regressaram ao local de origem. O segundo dia com mais turistas a sair do território foi o domingo, com 122,7 mil saídas. Ainda assim, nesse dia houve 125,3 mil entradas.

Além dos dias mais movimentados, 17 de Setembro teve 93,7 mil saídas, 14 de Setembro registou 84,0 mil saídas, e quinta-feira, dia em que se regressava ao trabalho no Interior, 74,3 mil turistas deixaram Macau.

Na hora de sair de Macau, a fronteira mais popular voltou a ser a das Portas do Cerco, com 211,7 mil deslocações ao longo dos cinco dias, seguida pelo posto fronteiriço do Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, que registou 101,0 mil saídas. Tal como aconteceu com as entradas, a fronteira da Ilha da Montanha foi o terceiro posto mais movimento, com 76,9 mil saídas de turistas.

CEM | Governo iniciou negociações para renovar concessão

O Governo iniciou as negociações sobre o contrato de concessão com a Companhia de Electricidade de Macau (CEM), que termina a 31 de Dezembro deste ano. Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), é referido que se pretende que o novo contrato “possa satisfazer as necessidades de desenvolvimento a longo prazo de Macau”.

Até à data foi proposto à CEM que reforce “as obrigações por si assumidas no novo contrato de concessão, nomeadamente a necessidade de cooperar com a implementação da dupla meta de carbono”, além de “ponderar a introdução de outras energias amigas do ambiente, quando seja necessário substituir as unidades geradoras a gás natural, entre outras”. Na mesma nota, a DSPA aponta que vai continuar a “acompanhar os trabalhos relativos à renovação do contrato de concessão”.

Entretanto, Un Iok Meng, antigo membro da Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo (CAECE), defende que o Governo deve avançar para a renovação, em tempo útil, tendo em conta que o novo Chefe do Executivo, e uma nova equipa governativa, tomarão posse no dia 20 de Dezembro, aquando do aniversário da RAEM.

Segundo o Jornal do Cidadão, o responsável, que é funcionário sénior da CEM, alertou para o facto de o Executivo nada ter dito até à data sobre o assunto, lembrando que o desenvolvimento e investimento da CEM é um projecto a longo prazo, necessitando a empresa de garantias para investir.

Chefe do Executivo | Ron Lam não assinou apoio a Sam Hou Fai

Ron Lam foi um dos 17 membros da comissão eleitoral, entre 400, que não apoiou a candidatura de Sam Hou Fai. O deputado explicou a posição com falta de concorrência na corrida a líder do Governo e pelo facto de a recolha de apoios ser feita antes de o programa político do candidato ser conhecido

 

O deputado Ron Lam foi um dos 17 membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, num total 400, que não assinou a declaração de apoio à propositura de candidatura de Sam Hou Fai às eleições para Chefe do Executivo. Ao jornal Cheng Pou, o deputado disse esperar que existam mais candidatos em eleições futuras.

Ron Lam recordou que foi um dos participantes na visita que Sam Hou Fai fez aos deputados, no dia 2 de Setembro, tendo exposto os assuntos que, na sua óptica, carecem de rápida resolução, como a melhoria do relacionamento entre a Assembleia Legislativa (AL) e o Governo, para que o sistema governativo possa estar mais de acordo com as opiniões da população. O deputado revelou ter recebido uma resposta positiva do candidato, que admitiu serem necessárias melhorias.

Ron Lam lembrou que Sam Hou Fai entregou, no dia 10 de Setembro, o apoio escrito de 383 dos 400 membros que fazem parte da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo, pelo que decidiu não assinar o apoio à propositura. No dia 2 de Setembro, o deputado prometeu a Sam Hou Fai, pensar de forma prudente sobre o assunto.

Porém, confessou ter dúvidas sobre a concretização do modelo de candidatura apresentado por Sam Hou Fai, por considerar que o actual sistema não é razoável. Isto porque, quando o candidato recolhe apoios sem ser conhecido o seu programa político, nem sequer pelos membros da Comissão Eleitoral. Ron Lam disse ter recebido um pedido para assinar a propositura de outro candidato, mas o conteúdo também não o convenceu e, por isso, não assinou.

Mudanças na rua

Ron Lam sugeriu ontem mudanças no modelo de zona pedonal na Rua da Felicidade, tendo acompanhado comerciantes da zona numa reunião com o Instituto Cultural (IC). O projecto piloto em vigor prevê a circulação pedonal apenas entre as 11h e a 01h, mas Ron Lam entende que é um período demasiado longo. Segundo o deputado, os comerciantes defendem que, depois das 20h, já não existem muitas pessoas a circular no local. Os representantes do IC prometeram estudar as opiniões apresentadas.

“A ideia inicial do projecto é boa, mas os limites aos transportes originaram menos visitantes na zona. Por isso, esperamos o regresso da circulação de veículos. Foi dito que será considerado, de forma prudente, as opiniões apresentadas. O IC prometeu responder dentro de uma semana”, disse Ron Lam.

O deputado explicou ainda que as autoridades pretendem que a Rua da Felicidade seja uma grande zona pedonal, tendo sido proposta uma zona sem carros desde a entrada do Beco da Felicidade até ao restaurante Fat Siu Lau. Ficou ainda a promessa de que voltaria a circulação “em breve” entre a Travessa do Aterro Novo e a Travessa do Mastro.

Do lado dos comerciantes que participaram na reunião ficou uma opinião positiva de Deland Leong, presidente do IC. “Não esperava que o IC pudesse analisar os planos imediatamente. É difícil a entrada dos transportes na zona e penso que o regresso da circulação automóvel nas duas travessas pode reduzir a pressão de trânsito, mas espero a plena recuperação do trânsito. A Wynn costuma organizar eventos às sextas-feiras, sábados e domingos, então o Governo pode pensar no regresso total da circulação de veículos nos dias comuns”, defendeu a responsável do Restaurante Sai Nam, de apelido Tong. O projeto piloto da zona pedonal numa das mais antigas ruas de Macau começou a 29 de Setembro do ano passado.

Fotografia | Criada campanha para apoiar bombeiros em Portugal

O fotojornalista português Gonçalo Lobo Pinheiro, radicado em Macau desde 2010, vai doar a receita da venda de fotografias à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Góis (AHBVG). Segundo um comunicado, o fotógrafo considera que esta é uma “humilde ajuda” para que os bombeiros possam comprar uma ambulância.

“Neste momento tão difícil para Portugal e para os bombeiros portugueses em particular, não posso (nem quero) ficar indiferente. Sempre que puder ajudar com o meu trabalho, ajudarei. Por isso, decidi fazer uma venda aberta de três fotografias minhas em tamanho aproximado A4, sem limite de impressões em papel mate, assinadas e datadas”. Assim, por 500 patacas, valor de cada fotografia, 75 por cento do valor das vendas irá reverter para a AHBVG, sendo que 25 por cento do valor servirá para custear as impressões das imagens.

Gonçalo Lobo Pinheiro escolheu ajudar os bombeiros de Góis por ser a terra da sua família paterna. Os bombeiros dessa região “estão a precisar adquirir uma ambulância que custa mais de 60 mil euros e, até ao momento, apenas conseguiram angariar pouco mais que cinco mil euros”.

A campanha de solidariedade está a decorrer até ao dia 15 de Outubro e o fotojornalista pode ser contactado através de diversos canais de comunicação como o seu website, em www.goncalolobopinheiro.com, mas também através das suas redes sociais, ou email: goncalo.lobo.pinheiro@gmail.com. As fotografias serão impressas e enviadas aos solidários durante as duas últimas semanas de Outubro.

UNICEF | Seis milhões de crianças foram afectadas pelo tufão Yagi

As inundações e derrocadas provocadas pela passagem do tufão Yagi no sudeste asiático, nomeadamente no Vietname e no Myanmar, afectaram quase seis milhões de crianças, alertou ontem a UNICEF.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) sublinha ainda que se verificam sérios riscos no acesso a água potável e alimentos, tal como perturbações nos vários sistemas escolares.

“As crianças mais vulneráveis, assim como os familiares, enfrentam consequências devastadoras após a destruição provocada pelo (tufão) Yagi”, disse June Kunugi, directora regional da UNICEF para a Ásia Oriental e Pacífico.

Milhões de pessoas no sudeste asiático foram afectadas pela passagem do tufão, o mais forte registado desde o princípio do ano, sobretudo no Vietname onde provocou 290 mortes no passado dia 7 de Setembro.
Em Myanmar o balanço provisório indica a morte de 226 pessoas que residiam nas zonas atingidas. A Tailândia, o Laos, as Filipinas e a República Popular da China também registaram vítimas.

“A prioridade imediata deve ser o restabelecimento dos serviços essenciais de que as crianças dependem, como água potável, a educação e o funcionamento do saneamento. O aumento dos fenómenos meteorológicos extremos no sudeste asiático afectam as crianças (…), são as crianças que pagam o preço mais elevado”, acrescentou Kunugi.

A UNICEF salienta que o Yagi provocou também chuvas torrenciais, transbordando rios e provocando deslizamentos de terras. Mais de 850 escolas e 550 clínicas foram danificadas pela passagem do tufão, a maioria no Vietname, embora a contagem ainda esteja em curso. No Vietname, cerca de três milhões de pessoas, incluindo muitas crianças, não têm acesso a água potável e ao saneamento e dois milhões de crianças não podem ir à escola.

O Museu dos Corações Partidos

Em Zagreb, na Croácia, tive a oportunidade de visitar o “Museum of Broken Relationships”. A ideia é extraordinariamente simples: trata-se de uma exposição de vários objetos que estiveram de algum modo relacionados com o fim de relacionamentos. O nome sugere relacionamentos românticos, e de facto, a maioria das peças refere-se a eles. Mas não são os únicos retratados.

A ideia para este museu surgiu durante o processo de separação do seu criador. No momento da habitual divisão de bens, ele rapidamente percebeu como os objetos carregam memórias e apegos, e foi essa constatação que o inspirou. Foi assim que convidou várias pessoas a submeterem os seus objetos e histórias de separação, reunindo-os todos numa exposição. Quem entra no museu sem muito contexto sobre o que se passa ali, depara-se com uma sala cheia de objetos mundanos — alguns mais interessantes, outros mais bizarros. Só com as narrativas dos seus doadores é que estes objetos ganham uma forma emocional. É esse contexto que transforma o espaço num repositório de dores.

Chorei e ri-me. Também senti angústia. Quanto mais simples e curtas eram as histórias, mais profundamente se cravavam no coração. Aquele espaço tornou-se uma porta de entrada para as dores dos outros, reverberando nos seus visitantes. O simbolismo construído em torno de cada objeto concretizava-se na experiência do visitante, porque existia, real e simbolicamente, em todas as dimensões. Em alguns casos, percebi que doar o objeto do seu relacionamento poderia ser um ato catártico, um desfecho. Como se dissessem ao mundo: “Já não preciso de me agarrar à memória desta pessoa, aqui vos ofereço o nosso fim.” Algo que que muitos visitantes provavelmente quiseram fazer no passado. Alguns destes objetos eram do corpo, como as rastas que ele deixou para trás, ou o enxerto de pele que ele teve de fazer após um grave acidente. Ou as botas de mota da Maria, que, apesar de terem tido várias donas ao longo dos anos, à medida que as relações mudavam, nunca deixaram de ser as botas dela.

Outros objetos também eram mais criativos. Um marido, antes de se separar da sua mulher, pediu-lhe que lhe fizesse uma camisola em tricot. A indecisão era tanta que, a cada semana, mudava de ideias quanto à cor, ao modelo ou ao tipo de ponto. Quando se separaram, a camisola ainda não estava feita. Mas, como forma de resolução, a mulher terminou a camisola incorporando todos os pontos de indecisão. Com as amigas, criaram uma camisola irregular, monstruosa, feia, indecisa. Agora está em exposição em Zagreb, como um ato de despedida.

Também estava em exibição uma cassete, uma gravação caseira com a voz de um homem a falar japonês. O pai, que morreu pouco depois do filho nascer, deixou-lhe algumas gravações para que ele pudesse ouvir a sua voz. No entanto, a mãe agarrou-se de tal forma a esse vínculo que nunca as pôs a tocar, com medo de perder aquele momento outra vez. O filho quis fazer as pazes com essa história. Doou a cassete para que os visitantes pudessem ouvir a voz do homem que outrora existiu e que, de certa forma, ainda existe nos corações de quem sente a sua falta.

Dei por mim a recordar as minhas próprias histórias de despedida e os seus objetos. Alguns foram fáceis de abandonar, outros andaram comigo durante anos. É normal que os nossos afetos encontrem refúgio na materialidade do mundo. A sensação de abandono, a dor, o sofrimento ou a solidão encontram conforto nos objetos mais insignificantes, porque eles fizeram parte da história, vibraram com a energia do passado. Todas as emoções que tendemos a sentir sozinhos, que estão no cerne da sensação de perda e abandono, o museu mostra-nos que são, na verdade, emoções partilhadas. Ninguém está sozinho com o seu coração partido.

Mar do Sul da China | Austrália aumenta presença com Filipinas

As autoridades australianas estão a aumentar a presença no Mar do Sul da China, juntando-se a patrulhas da Marinha das Filipinas para enfrentar a ameaça da China e garantir acesso a rotas comerciais.

O embaixador australiano nas Filipinas, Hae Kyong Yu, disse que o país está a aumentar as suas actividades em coordenação com Manila, numa iniciativa que poderá intensificar-se no futuro. “É isto que fazemos quando mantemos uma relação de cooperação de defesa muito estreita”, destacou Yu, citado pela agência de notícias filipina PNA.

O Governo filipino confirmou que pretende realizar actividades para normalizar a situação na região e salientou que já está a trabalhar num cronograma para realizar operações conjuntas de patrulha marítima.

A Austrália – que tem interesses relevantes na região Ásia-Pacífico – realizou a sua primeira patrulha conjunta com as Filipinas no Mar do Sul da China em Novembro do ano passado. O Mar do Sul da China é uma rota comercial global de vital importância, com cerca de um terço do comércio marítimo global a passar anualmente pelas suas águas, em operações avaliadas em mais de três mil milhões de euros.

Incêndios | Governo de Timor-Leste solidário com Portugal

O Governo de Timor-Leste manifestou ontem solidariedade com Portugal devido aos incêndios nas regiões do Norte e Centro, que já provocaram a morte a sete pessoas e 40 feridos.

“Neste momento de crise, reafirmamos o nosso compromisso de amizade e cooperação com Portugal”, afirmou, em comunicado, o ministro da Presidência do Conselho de Ministros e porta-voz do Governo, Agio Pereira.

“O nosso pensamento está com todas as pessoas afectadas por esta tragédia, em especial com os familiares das vítimas e os bravos operacionais que se dedicam a proteger vidas e património. Estamos confiantes que Portugal irá com resiliência e união ultrapassar mais este desafio”, salientou o ministro timorense.

Sete pessoas morreram e 40 ficaram feridas, duas com gravidade, nos incêndios que atingem desde domingo as regiões Norte e Centro do país, nos distritos de Aveiro, Porto, Vila Real e Viseu, e que destruíram dezenas de casas e obrigaram a cortar estradas e autoestradas.

A área ardida em Portugal continental desde domingo ultrapassa os 62 mil hectares, segundo o sistema europeu Copernicus, que mostra que nas regiões Norte e Centro, atingidas pelos incêndios desde o fim-de-semana, já arderam 47.376 hectares. O Governo declarou situação de calamidade em todos os municípios afectados pelos incêndios nos últimos dias.

PM timorense em Nova Iorque para Cimeira e Assembleia-Geral da ONU

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, viajou para Nova Iorque para participar na Cimeira do Futuro e na Assembleia-Geral das Nações Unidas e lançar o livro “O Meu Mar, o Meu Timor”.

A Cimeira do Futuro vai decorrer entre domingo e segunda-feira e visa produzir um pacto intergovernamental para a acção sobre desenvolvimento sustentável e financiamento para o desenvolvimento, paz e segurança, ciência, tecnologia e inovação, cooperação digital, juventude e gerações futuras, e transformação da governação global.

Xanana Gusmão tem defendido em discursos feitos em fóruns internacionais novos modelos de parceria e cooperação para apoiar os países menos desenvolvidos, que garantam também a soberania daqueles estados.

Ainda na segunda-feira, o chefe do executivo timorense participa na Cimeira dos Líderes da Aliança dos Pequenos Estados Insulares e apresentará o livro “O Meu Mar, o Meu Timor”, num evento sobre a economia azul de Timor-Leste, que vai contar com a participação da oceanógrafa, Sylvia Earle.

Da agenda do primeiro-ministro consta igualmente, na terça-feira, um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que no final de Agosto realizou uma visita a Timor-Leste, no âmbito das celebrações dos 25 anos da realização do referendo pela autodeterminação do país e que pôs fim à ocupação indonésia.

Mar e saúde

No dia seguinte, o primeiro-ministro vai intervir na Cimeira de Alto Nível do g7+ sobre “Paz no Mundo e Paz nos países do g7+ – desafios e soluções partilhadas”.

O g7+ é uma organização intergovernamental, criada em 2010 por iniciativa timorense, e, além de Timor-Leste, é composta por mais 19 países: Afeganistão, Burundi, Chade, Comores, Costa do Marfim, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Haiti, Iémen, Ilhas Salomão, Libéria, Papua Nova Guiné, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, São Tomé e Príncipe, Serra Leoa, Somália, Sudão do Sul, e Togo.

Xanana Gusmão vai participar igualmente em eventos paralelos sobre questões de saúde pública e as ameaças colocadas pela subida do nível do mar e em reuniões bilaterais com chefes de Estado e de Governo à margem da 79ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, onde fará um discurso, em 27 de Setembro.

Coreia do Norte | Disparados mísseis pela segunda vez numa semana

A Coreia do Norte disparou ontem vários mísseis balísticos em direcção às águas do leste da península, disseram os militares sul-coreanos e japoneses, no segundo teste no espaço de uma semana

 

O Comando Conjunto dos Chefes de Estado-Maior (JCS, na sigla em inglês) da Coreia do Sul disse ter detectado que o Norte disparou vários mísseis balísticos de curto alcance a partir do norte da capital, Pyongyang, por volta das 06h50 (05h50 de Macau) e disse que os projécteis voaram para nordeste.

Os responsáveis do JCS disseram que estavam a comunicar estreitamente com os Estados Unidos e o Japão sobre os lançamentos, mas não forneceram mais detalhes até ao momento. O Ministério da Defesa do Japão disse ter detectado pelo menos dois lançamentos, mas não disse ainda que tipos de mísseis eram e que distância percorreram.

A guarda costeira japonesa disse acreditar que os mísseis tenham caído nas águas entre a península coreana e o Japão, mas instou os navios a estarem atentos à possível queda de objectos. A televisão pública japonesa NHK disse os mísseis deverão ter caído fora da zona económica exclusiva do Japão.

Núcleo da questão

A Coreia do Norte anunciou ter testado, na quinta-feira da semana passada, lançadores múltiplos de foguetes de 600 milímetros, que o regime descreve como capazes de lançar ogivas nucleares tácticas. No dia seguinte, o regime de Pyongyang divulgou imagens de instalações de enriquecimento de urânio, durante uma visita do líder Kim Jong–un, que pediu um aumento do número de armas nucleares.

Kim Jong-un “sublinhou a necessidade de aumentar ainda mais o número de centrifugadoras, de forma a aumentar exponencialmente as armas nucleares para autodefesa”, avançou a agência de notícias estatal norte-coreana KCNA.

Foi a primeira vez que Pyongyang divulgou imagens de uma instalação de enriquecimento de urânio desde 2010.
Há duas semanas, a Coreia do Norte retomou a prática de lançar balões com lixo para a Coreia do Sul. Pyongyang já enviou quase cinco mil balões para o Sul desde Maio. Desde 2022 que a Coreia do Norte tem acelerado de forma significativa as suas actividades de teste de armas. Os EUA e a Coreia do Sul responderam com a expansão das manobras militares conjuntas, que a Coreia do Norte considera serem ensaios para ser invadida.

Mais de 600 milhões deslocaram-se durante Festival do Meio do Outono

A China registou mais de 600 milhões de viajantes durante os três dias do Festival do Meio Outono, que decorreu entre domingo e terça-feira, de acordo com as estimativas oficiais.

Segundo os dados oficiais, o volume diário de viagens inter-regionais aumentou 28,2 por cento, em termos homólogos, atingindo uma média diária de mais de 205 milhões de pessoas. O tráfego ferroviário transportou quase 43 milhões de passageiros, enquanto a aviação registou 5,11 milhões de viajantes durante este período.

Este ano, ao contrário do que aconteceu em 2023, o festival não coincidiu com o feriado do Dia Nacional da China, também conhecido como “Semana Dourada”, marcando a primeira vez desde o fim da pandemia da covid-19 em que este feriado tradicional chinês recuperou a sua singularidade.

O aeroporto de Guangzhou registou mais de 10 milhões de pessoas, o que representa um aumento de 19 por cento em relação ao ano anterior.

A Administração Nacional de Imigração estimou que 5,2 milhões de pessoas atravessaram as fronteiras da China durante as férias, com uma média diária de 1,7 milhões de indivíduos, o que representa um aumento de 18,6 por cento em relação ao feriado do ano anterior.

Os residentes da China continental a atravessar a fronteira ascenderam a 2,6 milhões, enquanto os de Hong Kong, Macau e Taiwan representaram pouco mais de dois milhões.

Via eléctrica

Os viajantes estrangeiros atingiram 554 mil, o que representa um aumento de 62,2 por cento. O transporte ferroviário foi reforçado na terça-feira, com uma estimativa de 15,2 milhões de passageiros transportados, com serviços alargados para destinos turísticos como Chengdu e Chongqing (ambos no centro), Guangzhou e Beihai (norte).

O Ministério dos Transportes do país estimou que aproximadamente 50 por cento das viagens rodoviárias foram de curta e média distância, concentradas em cidades como Guangzhou, Pequim, Chengdu e Xi’an (centro). Metade dos veículos utilizados foram eléctricos, com picos de procura de carregamento entre as 10 e as 21 horas, segundo o ministério. Entre os destinos mais visitados estão a capital, Pequim, Guangzhou, Shenzhen, Chengdu e Xi’an.

Automóveis | BYD planeia controlar subsidiária que mantém com Mercedes

O grupo BYD quer adquirir a restante participação na Denza, a subsidiária de veículos eléctricos da Mercedes-Benz. A indústria automóvel chegou à campanha presidencial norte-americana, com Donald Trump a prometer aumentar tarifas sobre veículos chineses fabricados em unidades que não existem

 

O grupo chinês BYD, maior fabricante mundial de veículos eléctricos, planeia adquirir os 10 por cento que ainda não controla da Denza, subsidiária de eléctricos topo de gama a Daimler, atual Mercedes-Benz, segundo a imprensa chinesa.

De acordo com o portal de notícias económicas Yicai, que cita fontes da BYD, a empresa chinesa está a aguardar a aprovação dos reguladores e espera que a operação seja realizada durante o segundo semestre do ano.

A plataforma de informação corporativa Tianyancha mostra a Denza como subsidiária integral da BYD desde o dia 14 de Setembro, e indica também que o executivo da Mercedes-Benz Hans Georg Engel deixou já a direcção da subsidiária.

A empresa chinesa não exclui a possibilidade de a Denza colaborar com a Mercedes-Benz noutros sectores no futuro, e o grupo poderá também procurar novas oportunidades de cooperação com o construtor automóvel alemão no segmento eléctrico.

A BYD e a Daimler fundaram a Denza em 2010 como uma subsidiária 50-50, com a empresa chinesa a fornecer baterias, motores e tecnologias de controlo eléctrico, e a empresa alemã a ficar encarregue do fabrico dos automóveis. O primeiro modelo da empresa, o Denza 300, chegou ao mercado em 2014, mas as suas vendas anuais não ultrapassaram as três mil unidades entre 2015 e 2018.

Em meados de 2022, a BYD concluiu a compra de uma participação de 40 por cento, assumindo o controlo da filial e deixando a Mercedes-Benz com 10 por cento. Depois de lançar o MPV de luxo D9 e os SUV N7 e N8, as vendas do Denza ultrapassaram as 127 mil unidades em 2023 e totalizam quase 80 mil unidades nos primeiros oito meses deste ano.

Na Terra do Oz

O candidato presidencial norte-americano Donald Trump repetiu falsas alegações de que fabricantes chineses estão a construir grandes fábricas no México e prometeu aplicar tarifas alfandegárias de 200 por cento sobre automóveis produzidos por estas supostas fábricas.

Trump também afirmou, na terça-feira, durante um evento no estado de Michigan, que concentra grande parte da indústria automóvel dos EUA, que se a vice-presidente democrata Kamala Harris for eleita em Novembro, deixará de haver esta indústria no país, porque a montagem de veículos eléctricos será deslocada para a China.

A declaração surge após dados oficiais mostrarem que o emprego na indústria automóvel cresceu desde que o Presidente Joe Biden assumiu o cargo, em Janeiro de 2021, após cair durante o primeiro mandato de Trump.

“Se eu não ganhar, vocês não terão indústria automóvel dentro de dois a três anos”, disse Trump. “Não vai haver fábricas de produção. A China vai apoderar-se de toda a produção por causa dos carros eléctricos”, acrescentou.

O candidato disse que faria com que as fabricantes estrangeiras construíssem fábricas nos EUA, impondo taxas punitivas sobre automóveis importados. “Vai ser como tirar um doce a um bebé”, disse Trump.

Os empregos no sector automóvel caíram 0,8 por cento durante o mandato de Trump para pouco mais de 949 mil, em Janeiro de 2021, quando deixou o cargo, de acordo com dados oficiais. Desde que Biden assumiu o cargo naquele mês, os empregos no sector aumentaram 13,6 por cento, para 1,07 milhões, em agosto.