Ponte Macau | Desviado 10 a 15% do trânsito da Ponte da Amizade

Aberta à população desde 1 de Outubro, nos primeiros dias de operação a Ponte Macau desviou entre 10 e 15 por cento do trânsito da Ponte da Amizade, durante as horas de ponta

 

Nos primeiros dias de funcionamento, a Ponte Macau levou a uma redução de cerca de 10 por cento do trânsito na Ponte da Amizade, durante as horas de ponta da parte da tarde. Segundo o jornal Cheng Pou, os dados foram revelados por representantes da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), durante uma reunião com o Conselho Consultivo de Trânsito.

De acordo com os dados apresentados, nos dias da semana o volume médio de tráfego na Ponte da Amizade durante as horas de ponta da tarde, no sentidos Macau-Taipa e Taipa-Macau, teve uma redução de 10 por cento em Outubro, face a Setembro. Quando a análise é limitada às horas de ponta da tarde no sentido Macau-Taipa, a DSAT indicou aos conselheiros que a redução atingiu os 15 por cento, em comparação com Setembro.

Os números citados referem que o volume do trânsito da Ponte Macau na hora de ponta matinal foi de 1.200 carros de passageiro por hora, mas que nas horas de ponta da tarde se verifica um aumento, com uma circulação média de 1.500 carros de passageiros por hora.

A Ponte Macau abriu ao trânsito a 1 de Outubro, no âmbito das celebrações do estabelecimento da República Popular da China, e faz a ligação entre Macau e a Taipa, através da Zona A dos Novos Aterros. Face à utilização dos primeiros dias, a DSAT indicou ao Conselho Consultivo de Trânsito que houve uma redução de 93 por cento dos veículos a circular na Ponte da Amizade que se deslocavam da Zona A para a Taipa.

Ao mesmo tempo, a DSAT terá associada a circulação na nova ponte a uma redução da sinistralidade na Ponte da Amizade, mas não terá adiantado números sobre o sucedido.

Rotunda congestionada

Apesar da redução do número de veículos na Ponte da Amizade, as autoridades reconheceram que a abertura da Ponte Macau levou a um aumento do trânsito na Rotunda da Amizade.

Esta é considerada uma zona crítica, com vários congestionamentos, dado que actualmente é a única ligação directa da Península com a Zona A dos Novos Aterros e com a Ilha Artificial da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, além de absorver muito do trânsito proveniente das Portas do Cerco, principalmente ao nível dos autocarros de turismo.

No entanto, as autoridades têm a esperança que a situação vá melhorar brevemente com a abertura do Viaduto A2, que vai ligar a Avenida 1.º de Maio, junto da Estação de Tratamento de Águas Residuais, e o lado oeste da Zona A dos Novos Aterros Urbanos. O fim das obras deste viaduto está previsto para este mês.

Assinados primeiros contratos de arrendamento na Residência para Idosos

Foram ontem assinados os primeiros 26 contratos de arrendamento dos apartamentos da Residência para Idosos, um tipo de habitação pública, construído a pensar nas pessoas independentes com mais de 65 anos. As assinaturas dos contratos começaram ontem a ser formalizadas, promovidas pelo Instituto de Acção Social (IAS).

Ao jornal Ou Mun, o presidente do IAS, Hon Wai, considerou que as primeiras assinaturas de contratos correram “bem” e que está previsto que todas as terças, quartas e quintas-feiras se concretizem mais assinaturas de contratos.

Hon explicou também que, actualmente, cerca de 900 agregados familiares escolheram os apartamentos que desejam ocupar na Residência para Idosos, e que, entre estes, 600 devem mudar-se para a nova casa até ao final deste ano. Os restantes 300 só deverão mudar-se a partir de Janeiro.

Obras a decorrer

Em relação aos trabalhos nos diferentes apartamentos, Hon Wai indicou que a decoração de todos os apartamentos residenciais está praticamente acabada. As supervisões dos equipamentos vão ser feitas de forma gradual, de acordo com o responsável, e só depois estarão reunidas as condições para os espaços serem ocupados.

Além disso, o presidente do IAS explicou que as instalações do Clubhouse já entram em funcionamento e que foi atribuído um espaço aos Serviços de Saúde, para poderes disponibilizar consultas neste tipo de habitação.

Sobre o restaurante previsto para o edifício, ainda faltam terminar as obras de decoração, o que deverá acontecer no início de Novembro.

Hon Wai observou ainda ao jornal Ou Mun que alguns idosos têm medo de se esquecer como utilizar os equipamentos do apartamento. Por esse motivo, vão ser organizadas todas as segundas e sextas-feiras sessões de apresentação e esclarecimento de dúvidas para os idosos.

Segundo a apresentação do IAS, a Residência para Idosos, que se situa no lote P, na Areia Preta, tem 37 andares e oferece 1.815 apartamentos residenciais, em forma de apartamento estúdio.

Eleição CE | TUI proclamou Sam Hou Fai

Uma vez que não houve contestação do acto eleitoral nem dos resultados junto dos tribunais, o TUI confirmou ontem a condição de Sam como vencedor e “candidato a aguardar a nomeação para o cargo do Chefe do Executivo”

 

O Tribunal de Última Instância (TUI) reconheceu ontem os resultados da eleição de Sam Hou Fai como Chefe do Executivo, depois de não ter sido interposto qualquer recurso contencioso no prazo legal. O reconhecimento foi anunciado na manhã de ontem, através de um comunicado emitido pelo gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância, que até há meses era dirigido precisamente por Sam Hou Fai.

“O Tribunal de Última Instância reconheceu, no dia 15 de Outubro de 2024, o resultado de apuramento geral, enviado pela Assembleia de Apuramento Geral, da Eleição para o cargo do Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau, que foi realizada no dia 13 de Outubro de 2024, e proclamou o Sr. Sam Hou Fai como candidato a aguardar a nomeação para o cargo do Chefe do Executivo”, pode ler-se na decisão do TUI.

O comunicado do GPTUI esclarece também que a confirmação dos resultados das eleições foi feita pelo juiz Choi Mou Pan, em substituição das funções do presidente do TUI. O TUI está sem juiz presidente desde que Sam Hou Fai anunciou a intenção de se candidatar a Chefe do Executivo.

Dos impedimentos

Face à saída de Sam Hou Fai, as funções de presidente têm sido desempenhadas pela juíza Song Man Lei, que estava impedida de desempenhar as funções de presidente do TUI neste caso concreto, dado que é igualmente a presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo, o organismo responsável pelo acto eleitoral. O comunicado do GPTUI esclarece que foi a própria juíza a pedir escusa do processo.

Com Song Man Lei afastada do processo, restava entre os dois juízes do TUI o macaense José Maria Dias Azedo. Contudo, o comunicado indica que o magistrado está “em missão oficial de serviço fora de Macau”, embora não seja esclarecida qual o tipo de missão.

O comunicado indica ainda que “a proclamação do resultado da eleição” vai ser publicada, na próxima segunda-feira no Boletim Oficial.

Sam Hou Fai foi eleito futuro Chefe do Executivo no domingo, tendo sido o único candidato admitido às eleições. O ex-presidente do TUI obteve 394 dos 400 votos da comissão eleitoral, num acto que durou cerca de uma hora. Além dos votantes em Sam, registaram-se quatro abstenções e dois eleitores que optaram por não comparecer na eleição.

A tomada de posse do futuro Chefe do Executivo deve acontecer a 20 de Dezembro, dia em que se assinala o 25.º aniversário do estabelecimento da RAEM.

Orçamento de ping-pong

Há meses que não se fala em outra coisa que não seja sobre o Orçamento de Estado para 2025. Um Orçamento definido pelo governo da AD sob a batuta do primeiro-ministro Luís Montenegro.

Um Orçamento de Estado que tem merecido as críticas do Chega, da IL, do PS, do PCP, do Livre, do Bloco de Esquerda e até do PAN. Ou seja, toda a oposição ao Governo entende que este Orçamento de Estado não favorece a vida dos portugueses. Trata-se de um documento que tem sido alvo das maiores discórdias, especialmente nas áreas da saúde, educação, economia e habitação.

O primeiro-ministro começou por afirmar que estava aberto a negociações com os partidos da oposição no sentido de se viabilizar a aprovação das pretensões direitistas da AD. E as negociações começaram e as mais mediáticas foram, sem dúvida, as que decorreram entre Montenegro e o líder dos socialistas, Pedro Nuno Santos. Proposta para lá, proposta para cá, contra- proposta para lá, contra-proposta para cá e assim sucessivamente. Um autêntico jogo de ping-pong sem resultado final porque as raquetas têm-se partido…

Até ao dia de hoje não existe entendimento. O Governo cedeu um pouco às propostas dos socialistas, mas o insuficiente para haver um acordo. Os socialistas entendem que existem decisões orçamentais, tal como a descida do IRC para as empresas, que não têm qualquer lógica que possa melhorar a situação das empresas e dos trabalhadores. No entanto, entre os socialistas há uma divisão de opinião.

Alguns nomes sonantes do Partido Socialista, incluindo o próprio presidente Carlos César, entendem que o partido deve viabilizar o Orçamento para que o país não entre em crise política e não se vá para eleições legislativas antecipadas. E o núcleo duro de Pedro Nuno Santos entende que o partido deve votar contra o Orçamento. Em breve a Comissão Política socialista definirá uma decisão final em simultaneidade com a decisão do grupo parlamentar.

Vários políticos afectos ao Governo têm afirmado que estamos perante um bom Orçamento que baixa impostos e aumenta a qualidade de vida dos portugueses. A oposição responde que a baixa de impostos está bem à vista, quando o Orçamento insere uma subida na taxa de carbono dos combustíveis e consequentemente o aumento do preço dos combustíveis.

Isto, quando o preço do barril de petróleo tem vindo paulatinamente a baixar. Outra incongruência, anunciada na conferência de imprensa do ministro das Finanças para explicar as particularidades do Orçamento, prende-se com o facto de o governante ter anunciado que os pensionistas iriam ser aumentados. Qual aumento? O que se lê no Orçamento neste aspecto é desolador para todos os pensionistas. O aumento governamental não ultrapassa os 3 por cento, sendo assim vejam que um reformado com uma pensão de 300 euros irá ser aumentado em 9 euros. Nove euros que dão para comer, uma vez, uma tosta mista e um galão…

Por seu turno, temos assistido a outro ping-pong muito mais desolador, o que tem acontecido entre o Governo e o Chega. Montenegro salientou que André Ventura é um “catavento” e que nada quer com o Chega. Os radicais de direita mudam de opinião quase de dia para dia. Não têm credibilidade nem confiança de ninguém, excepto daqueles fascistas que agora se disfarçam de democratas. O Chega já chegou a dizer que pretende um novo Orçamento e assim aprovaria o documento na votação parlamentar. Depois afirmou que votaria contra o Orçamento.

No dia seguinte apareceu André Ventura a dizer que enviou uma carta ao primeiro-ministro a mostrar a disponibilidade do Chega em aprovar o Orçamento, caso o documento na discussão da especialidade no parlamento introduzisse as pretensões do partido radical de extrema direita. E o pior foi surpreendente. André Ventura veio a público divulgar encontros secretos com o primeiro-ministro e sublinhando que Montenegro é um “mentiroso” porque lhe propôs um acordo com o Chega. Montenegro desmentiu de imediato Ventura.

Ao referirmos a conferência de imprensa do ministro das Finanças há que realçar que ficou bem patente que o primeiro-ministro e os seus ministros evitam de todo o modo as perguntas incómodas dos jornalistas. O ministro das Finanças decidiu surpreendentemente pela negativa que apenas 10 órgãos de comunicação social podiam efectuar perguntas e cada jornalista somente duas perguntas. A polémica entre os profissionais da rádio, televisão e imprensa instalou-se. No entanto, mais uma vez os jornalistas mostraram uma falta de coragem incrível. No tempo de Raul Rego, Ruella Ramos, Assis Pacheco, Cáceres Monteiro e Baptista-Bastos a conferência de imprensa terminava ali e ninguém faria perguntas. Bons tempos do jornalismo com dignidade. De salientar, que nenhuma estação de rádio conseguiu confrontar o ministro com qualquer pergunta.

O Orçamento aguarda agora a decisão global dos deputados da Assembleia da República. Estamos na expectativa de saber se o Orçamento de Estado será aprovado ou chumbado. No caso de ser inviabilizado, Luís Montenegro já afirmou que não governará em duodécimos. Então, restará a solução de Montenegro se demitir e o Presidente da República marcar eleições legislativas antecipadas.

Sobre eleições antecipadas muitos políticos têm mentido descaradamente ao afirmarem que os portugueses não desejam ir para eleições. Algo de mais errado depois de ter sido divulgada uma sondagem nesse vector que deu 52 por cento dos portugueses a desejar eleições antecipadas, caso o Orçamento seja inviabilizado.

Por fim, dizer-vos que, infelizmente, o ping-pong vai continuar e que as divergências entre o Governo e a oposição será um circo triste de assistir, porquanto ninguém parece interessado na estabilidade do país e que o Governo se compenetre que o país não é só o TGV, o novo aeroporto de Lisboa e a privatização da TAP e da RTP.

China | Dívida oculta regional resgatada em títulos do Tesouro

O plano da China para trocar “dívida oculta” dos governos locais e regionais por títulos do Tesouro ultrapassará os 2,2 biliões de yuan, segundo estimativas divulgadas pela agência noticiosa oficial Xinhua.

O ministro das Finanças chinês, Lan Fo’an, anunciou no fim de semana o aumento extraordinário “numa escala relativamente grande” do limite máximo da dívida, com o objectivo de trocar estes passivos ocultos para ajudar as administrações locais a reduzir os riscos de endividamento e a limpar os seus balanços.

Enquanto Lan se limitou a referir que os pormenores do plano seriam conhecidos quando os respectivos procedimentos legais estivessem resolvidos, a Xinhua detalhou que o ministro também garantiu que seria “o mais forte dos últimos anos”, e recorda que o montante do ano passado foi de 2,2 biliões de yuan, pelo que as novas medidas “vão definitivamente ultrapassar” esse valor.

Há anos que “dívida oculta” dos governos regionais preocupa Pequim: em 2018, já tinha apelado às administrações locais para que deixassem de acumular dívida através de canais de financiamento informais conhecidos como “veículos financeiros da administração local” (LGFV).

Os LGFV são entidades semipúblicas que foram criadas para contornar as restrições ao endividamento das autoridades regionais e que se espalharam por toda a China após a crise financeira de 2008, acumulando uma dívida total de cerca de 66 biliões de yuans, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional. Até 2024, o ministério das Finanças atribuiu cerca de 1,2 biliões de yuan para apoiar os governos locais na resolução da “dívida oculta”.

O académico He Daxin, citado pela Xinhua, afirmou que o plano de redução da dívida visa não só reduzir os riscos, mas também libertar as administrações locais para aumentarem novamente as despesas públicas, expandindo o investimento e promovendo o consumo. “Isto encorajará os governos locais a desempenhar um papel mais activo no desenvolvimento económico e ajudará a melhorar ainda mais o ambiente empresarial local, aumentando a confiança nos mercados e produzindo um efeito de amplificação”, disse He.

O plano envolverá a troca de dívida extraorçamental com taxas de juro elevadas por obrigações do Tesouro a mais longo prazo e de baixo custo.

Wang Tao, da UBS, escreveu numa nota que este novo programa será muito maior do que o realizado em 2023 e 2024, e será mais comparável ao realizado entre 2015 e 2018, que totalizou cerca de 12 biliões de yuans.

De acordo com Julian Evans-Pritchard, da Capital Economics, embora “os esforços para fazer face aos riscos da dívida da administração local (…) sejam positivos para a estabilidade financeira a longo prazo, envolvem principalmente a transferência de dívida de uma bolsa do Estado para outra, pelo que terão relativamente pouco impacto na procura a curto prazo”.

Taiwan | Tropas chinesas cercam ilha em exercício militar

Na sequência do discurso do líder de Taiwan, no dia 10 de Outubro, entendido como uma provocação, Pequim lançou um exercício militar abrangente destinado a provar que exerce controlo sobre a ilha, entre outros objectivos.

Na segunda-feira, o Comando do Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular (PLA) enviou as suas tropas do exército, da marinha, da força aérea e da força de foguetões para realizar exercícios militares conjuntos com o nome de código Joint Sword-2024B no Estreito de Taiwan e nas áreas a norte, sul e leste da ilha de Taiwan. “O exercício serve como um aviso severo aos actos separatistas das forças da ‘independência de Taiwan’. É uma operação legítima e necessária para salvaguardar a soberania do Estado e a unidade nacional”, afirmou o capitão Li Xi, porta-voz do Comando do Teatro Oriental do PLA, num comunicado divulgado na manhã de segunda-feira.

Com navios e aviões a aproximarem-se de Taiwan a partir de diferentes direcções, “as tropas de vários serviços participam em exercícios conjuntos, centrados em temas como a patrulha de prontidão de combate marítimo e aéreo, o bloqueio de portos e áreas importantes, o assalto a alvos marítimos e terrestres, bem como a tomada conjunta de superioridade abrangente, de modo a testar as capacidades de operações conjuntas das tropas do comando do teatro”, disse Li.

O âmbito da dissuasão no exercício de segunda-feira expandiu-se, e o exercício está a aproximar-se de Taiwan em comparação com os anteriores, especialmente com os navios da Guarda Costeira da China a realizar operações de patrulha e controlo em torno da ilha, alcançando novos avanços sucessivos, disse Zhang Chi, professor da Universidade de Defesa Nacional do PLA, na segunda-feira.

Zhang disse que o exercício de segunda-feira, “com força avassaladora e profundidade estratégica”, reduziu significativamente o “espaço operacional e de defesa” das forças armadas de Taiwan. As forças navais e aéreas do ELP, juntamente com o CCG, estão a avançar em direção a Taiwan a partir de várias direcções, impondo um bloqueio total à ilha. “É como se uma espada afiada estivesse a atravessar o chamado espaço de defesa das autoridades de Taiwan, aproximando-se cada vez mais da ilha, demonstrando plenamente as capacidades operacionais conjuntas do ELP em vários domínios operacionais em torno da ilha de Taiwan”, disse Zhang.

Após uma análise mais aprofundada das áreas designadas para este exercício, Zhang disse que o ELP estabeleceu seis zonas: duas no Estreito de Taiwan, duas a leste da ilha, uma no norte e uma no sul. Zhang referiu que os exercícios no mar e no espaço aéreo do norte servem de aviso directo às principais figuras da ‘independência de Taiwan’. Em comparação com os exercícios anteriores do ELP em torno da ilha de Taiwan nos últimos anos, o âmbito de dissuasão do atual exercício aumentou significativamente e a localização do exercício está a aproximar-se da ilha. “Em resposta às provocações das forças separatistas em conluio com potências externas, o ELP desenvolveu uma postura proactiva de combate para lidar com estes desafios”, disse Zhang.

Provocações e respostas

“Quanto mais agressivamente os separatistas fizerem avançar a sua agenda, maiores serão as contramedidas que terão de enfrentar. O exercício também transmite um forte sinal de oposição firme à ‘independência de Taiwan’ e um compromisso inabalável de salvaguardar a reunificação nacional, dissipando a ilusão entre as forças separatistas de que o continente se absterá de tomar medidas militares”, disse Wang Wenjuan, um especialista da Academia de Ciências Militares do PLA.

Wang disse que o exercício também mostra o espírito inabalável dos militares chineses, a preparação de alto nível e as fortes capacidades de combate. “Como uma espada pendurada no alto ou um martelo pronto para atacar a qualquer momento, ele força Lai a sentir a dissuasão da guerra em primeira mão, transmitindo uma mensagem clara em uma linguagem que elas entendem – que secessão significa guerra”, disse Wang.

Wang observou que este exercício mostrará a Lai e às forças separatistas da “independência de Taiwan” a determinação e a confiança do continente em defender a unidade nacional e a integridade territorial. “Quanto maior for a provocação, mais forte será a resposta”.

Taipé | Lidar com o assunto

O Gabinete Presidencial de Taiwan apelou à China para “cessar as provocações militares que prejudicam a paz e a estabilidade regionais e deixar de ameaçar a democracia e a liberdade de Taiwan”. “As nossas forças armadas irão definitivamente lidar com a ameaça da China de forma adequada”, disse Joseph Wu, secretário-geral do conselho de segurança de Taiwan, num fórum em Taipé, a capital de Taiwan. O ministério da Defesa de Taiwan informou que enviou navios de guerra para pontos designados, para efectuar a vigilância. Também colocou grupos móveis de mísseis e radares em terra para seguir os navios no mar.

A ação de hoje é a quinta vez que a China recorre a este tipo de manobras desde 2022, altura em que levou a cabo a primeira deste calibre em resposta à visita da então Presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan, que elevou as tensões entre os dois lados do estreito a níveis nunca vistos em décadas.

Japão e EUA acompanham situação

O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, assegurou que Tóquio está a acompanhar as manobras militares chinesas em torno de Taiwan e que o Japão está preparado para “qualquer evolução”. “A paz e a segurança no Estreito de Taiwan e nas suas imediações são extremamente importantes para a região. O Japão está a acompanhar de perto a situação”, declarou Ishiba aos meios de comunicação locais. “Estaremos preparados para qualquer evolução”, acrescentou, citado pela agência espanhola EFE.

O ministro da Defesa japonês, general Nakatani, também disse que Tóquio está a observar as manobras com grande atenção. Nakatani referiu que as tropas japonesas tomaram as precauções necessárias para o caso de um míssil utilizado pela China durante as manobras cair em águas territoriais do Japão.

Os Estados Unidos, o principal fornecedor de armas a Taiwan, descreveu os exercícios como uma reação “militarmente provocadora” de Pequim a um “discurso anual de rotina” de Lai.

“Apelamos à República Popular da China para que actue com moderação e evite qualquer acção que possa prejudicar a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan e em toda a região, o que é essencial para a paz e a prosperidade regionais e uma preocupação internacional”, advertiu o Departamento de Estado.

Em resposta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros reiterou que a independência de Taiwan é incompatível com a paz. “Se os EUA estão interessados na paz entre os dois lados do Estreito de Taiwan, devem respeitar o princípio ‘uma só China’, não enviar sinais errados às forças pró-independência e deixar de fornecer armamento a Taiwan”, declarou a porta-voz da diplomacia de Pequim Mao Ning.

D. Pedro V | “Fado Nosso”, o espectáculo que celebra Amália

“Fado Nosso” já tem alguns anos de existência no leque de produções da companhia de dança Amálgama, mas chega agora a Macau apresentando-se amanhã no Teatro D. Pedro V. Alexandra Battaglia, criadora e directora artística, fala de uma produção que celebra a voz maior do Fado, Amália Rodrigues

 

Desde 2003 que a companhia de dança Amálgama sobe aos palcos para dançar o Fado, a música portuguesa por excelência. “Fado Nosso” não é excepção – nasceu primeiro para ser apresentado no Panteão Nacional, onde repousa o corpo de Amália Rodrigues, considerada a maior fadista portuguesa, mas depois deixou de ser apresentado.

No ano em que se celebra o 25.º aniversário da sua morte, que ocorreu a 6 de Outubro de 1999, o Instituto Português do Oriente (IPOR) decidiu reavivar esta produção da Amálgama, trazendo-a de Portugal para o Teatro D. Pedro V. Alexandra Battaglia, directora artística da companhia e criativa do espectáculo, disse ao HM estar muito satisfeita com esta oportunidade.

“Desde o ano 2000, quando fomos criados, que a fusão entre o Oriente e Ocidente, a espiritualidade natural, o património físico e imaterial são os nossos princípios. Em 2003 começámos a trabalhar o Fado e fomos talvez a primeira companhia de dança a mergulhar numa casa de fados”, contou.

Para a criadora de “Fado Nosso”, o Fado “é um património não só de Portugal, pois quando o sentimos de forma diferente é um património universal da alma, e é já nesse estado que o sentimos e criamos”.

“Temos um percurso de quase 15 anos a dançar o Fado em várias criações. A última criação, pioneira, partiu do convite para criarmos, no Panteão Nacional, um espectáculo focado no tributo à voz do Fado, a Amália. Tem sido um sucesso enorme e só parou com a mudança na direcção do Panteão, e depois apareceu a pandemia. Tudo ficou em suspenso. Era um espectáculo que poderia ficar no Panteão eternamente, que seria sempre um sucesso certamente.”

Agora, em Macau, “Fado Nosso” apresenta-se com diferentes fados que vão contando o percurso de Amália Rodrigues, artista que nasceu pobre, mas que acabou por ter uma carreira de sucesso, também a nível internacional.

“No espectáculo do Panteão tínhamos a música ‘Fado Meu’, mas fizemos a mudança para ‘Fado Nosso’ dada a adaptação a outros espaços. Fazemos um percurso pelas diferentes etapas de Amália. Começa com um fado que é ícone nela, e que para nós permite olhar para a fase mais conhecida da fadista, e vamos depois entrando numa espiral de diferentes fases, que passa pelas paixões, os fados mais sensíveis.”

Depois é a vez de se ouvir e dança “os fados mais populares, como o ‘Barco Negro’, ‘Uma Casa Portuguesa’, entrando depois noutra fase com ‘Foi Deus’ ou ‘Com que Voz’. Temos depois fados que representam a fase da carreira dela mais internacional.”

Acima de tudo, “Fado Nosso” surge “do percurso das criações da Amálgama e dos seus cruzamentos com o património material e imaterial português e da humanidade, nomeadamente com o Fado”. Foi um projecto nascido “da vontade de criar um espaço mais informal, numa espécie de desgarrada e improvisos sobre o Fado que ofereça um encontro entre artistas de diferentes percursos e estéticas no dançar e sentir o Fado”, lê-se na descrição oficial do espectáculo.

Influências orientais

Na Amálgama não se começa a dançar com base num conceito ou numa mera ideia, procurando-se estabelecer uma conexão com o corpo, o espírito, o mundo que rodeia os criadores e os bailarinos. Dentro dos princípios da companhia reside uma conexão com o Oriente, e importa lembrar que a companhia nasceu na Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa.

“Passámos cerca de nove anos a partilhar metodologias entre a nossa formação em dança, com foco na dança contemporânea, com práticas energéticas e criativas que cruzavam o nosso conceito de dança e identidade artística, numa ligação com princípios taoístas e a relação com a natureza.”

Para Alexandra Battaglia, já aí se denotava que a Amálgama, como companhia de dança, “era muito diferente”. “Procurávamos identidade onde a alma estivesse envolvida, para não serem apenas corpos virtuosos com domínio técnico que executavam coisas. Primeiro fazemos uma busca sobre nós, quem somos e onde está a nossa raiz cultural, aquilo que nos toca como seres humanos e portugueses. Esse conhecimento geral partilhado numa companhia de dança vai depois para a essência do que é ser português. Tínhamos bailarinos a cantar Fado e íamos ao sentir o que era isso, o que era essa ‘coisa portuguesa’.”

Mas Alexandra Battaglia tem também uma forte ligação ao território, quando foi convidada em 2011, pelo Instituto Cultural, para criar a Parada Internacional de Macau. “Precisavam de alguém que soubesse trabalhar com a multiculturalidade e que conseguisse juntar o que está em Macau em caixinhas, desde brasileiros, portugueses, macaenses e chineses. Achava que esta miscelânea cultural e magia que Macau me parecia ter estava fundida, mas não. Procuravam então alguém que criasse identidade e desenhasse a parada.”

Primeiro foi realizado um espectáculo para o Festival das Artes em conjugação com todas as associações artísticas do território, num total de 700 artistas, e depois foi criada a parada. “Com isso quis colocar em cada rua de Macau a arte que se faz, o que o grupo tinha para oferecer, para que olhassem para a arte de uma outra maneira, saída do espaço tradicional e colocar na rua, nos jardins, nas esquinas. Queria criar uma viagem em que o público entrava e se encantava por momentos da arte que iam emergindo.”

A Amálgama esteve também ligada à plataforma UnityGate “que visava fazer fluir, a partir de 2011, artistas entre Macau e Portugal”, projecto que tem estado suspenso.

PJ | Dois homens detidos por roubo e sequestro

A Polícia Judiciária (PJ) deteve dois homens, cidadãos chineses, suspeitos de roubar, sequestrar e violar uma mulher, num caso ligado a um esquema de câmbio de dinheiro.

Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a mulher terá conhecido os dois suspeitos em Setembro numa troca de dinheiro, embora a notícia não especifique se a mulher se dedicava a essa actividade. No sábado passado, os homens abordaram a mulher dizendo que lhe queriam oferecer um presente, pelo que esta foi ao quarto de hotel onde estavam hospedados. Aí foi amarrada com o cinto de um robe e foram-lhe roubados 11 mil dólares de Hong Kong e fichas de jogo. Além disso, a mulher viu-se obrigada a transferir, pelo telemóvel, 24 mil renminbis. Um dos homens terá violado a vítima quando o seu parceiro do crime saiu do quarto. A mulher só conseguiu escapar do quarto no dia seguinte, quando os homens estavam a dormir, e denunciou então o caso às autoridades.

Os suspeitos negaram colaborar com a PJ, que está ainda a investigar o paradeiro do dinheiro e se existem mais pessoas envolvidas no crime.

Bairros Comunitários | Governo recusa promoções de casinos

O alargamento dos programas de descontos dos casinos ao comércio local e à zona norte é visto como uma forma de promover a recuperação económica. No entanto, o Governo afasta, por agora, a possibilidade de aoi iniciativa por temer os efeitos negativos para a sociedade

 

O Governo afastou a possibilidade de os programas de descontos e promoções dos casinos poderem ser utilizados nos bairros comunitários, como forma de promover o comércio local. A posição, ainda que temporária, foi comunicada por Adriano Marques Ho, dirigente da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), na resposta a uma interpelação escrita.

Com o comércio local a sofrer com a competição do Interior, a deputada Lo Chio In questionou o Executivo sobre a possibilidade de os pontos acumulados pelos jogadores para obterem descontos nas lojas dos casinos poderem ser gastos em outros locais, como a zona norte.

Segundo a legisladora ligada à comunidade Jiangmen, esta seria uma forma de revitalizar o comércio e promover um maior consumo pelos turistas, em zonas que actualmente atravessam dificuldades.

No entanto, o Governo teme que a opção leve a uma “promoção excessiva” do jogo. “Quanto ao assunto de pontos ganhos pelos jogadores nos casinos poderem ser utilizados nos bairros comunitários, a medida pode resultar numa divulgação ou promoção excessiva, sendo por isso fácil prever que tenha um impacto negativo. Por isso, é preciso tratarmos o assunto de forma prudente,” realçou o director da DICJ, Adriano Marques Ho.

Apesar da nega às pretensões da deputada, Adriano Ho garantiu que o Governo vai continuar a incentivar as concessionárias do jogo a cooperar com as pequenas e médias empresas.

Outras alternativas

Como forma de promover a economia dos bairros comunitários, o director da DICJ acredita que o melhor caminho passa pela aposta nos “elementos não jogo”, com o apoio das concessionárias, e pela atracção de mais turistas para essas zonas, como está previsto nos contratos de concessão do jogo.

“Devemos frisar que as concessionárias do jogo estão a lançar, de forma ordenada, os projectos de investimento e a cumprir as suas promessas segundo os contratos de concessão,” respondeu o responsável.

Marques Ho adiantou também que a DICJ vai cumprir o seu papel e supervisionar rigorosamente as concessionárias do jogo, para assegurar que concretizam as promessas dos contratos de concessão.

Na interpelação, foi ainda abordada a possibilidade de os promotores de jogo operarem nas zonas do mercado de massas e slot machines. Sobre este aspecto, o responsável da DICJ afirmou que tal depende das negociações entre os promotores as concessionárias.

“Actualmente a lei tem definido o papel dos promotores de jogo, esclarecendo que só podem cobrar comissão quando fazem actividades de promoção do jogo para as concessionárias. Contudo, a lei não regula claramente o espaço de operação nos casinos”, justificou o dirigente. “Desde que assegurem um nível de vigilância adequado, as concessionárias e os promotores de jogo podem negociar as condições de colaboração e as zonas nos casinos onde exercem as actividades”, acrescentou.

GIF | Registadas mais transacções suspeitas

Dados do Gabinete de Informação Financeira (GIF) revelam que se registaram mais transacções suspeitas no espaço de um ano, nomeadamente entre os meses de Janeiro a Setembro.

Em primeiro lugar, surgem as transacções suspeitas ligadas às instituições financeiras e companhias de seguros, que este ano foram 843, representando 20,5 por cento do total, quando no ano passado tinham sido 617.

Em segundo lugar, aparecem as transacções suspeitas associadas às operadoras de jogo, que neste ano foram 3,041, 73,8 por cento do total, enquanto no ano passado foram 2,335, representando uma percentagem semelhante, 73,5 por cento.

Segundo informação oficial do GIF, o total de transacções financeiras, cujos dados foram fornecidos pelos Serviços de Polícia Unitários, foi de 4,118 nos três primeiros trimestres do ano, “o que significa um aumento de 29,6 por cento em relação ao mesmo período de 2023”. O GIF justifica este cenário com “o aumento do número de STR [transacções financeiras suspeitas] reportados pelo sector financeiro e do jogo”.

AL | Orçamento vai crescer 7 milhões

A mesa da Assembleia Legislativa pretende que o orçamento do hemiciclo para o próximo ano tenha um crescimento de 7 milhões de patacas, face ao que aconteceu este ano.

A proposta do orçamento foi divulgada ontem no portal da AL e ainda vai ter de ser votada amanhã no Plenário, onde se espera que seja aprovada. Segundo a proposta de Kou Hoi In, Chui Sai Cheong, Ho Ion Sang e Si Ka Long, o hemiciclo vai ter gastos na ordem dos 217,87 milhões de patacas, um crescimento de 3,58 por cento face ao valor orçamentado de 210,35 milhões de patacas deste ano.

A maior parte das despesas prendem-se com os gastos com pessoal, que vão crescer 5,66 milhões de patacas, passando dos actuais 180,98 milhões para 186,65 milhões de patacas. O aumento foi justificado com a “contratação, promoção, acesso e progressão do pessoal”. As despesas com o funcionamento vão custar 24,28 milhões, enquanto os gastos com as instalações e equipamentos vão ser reduzidos de 1,12 milhões para cerca de 900 mil patacas, depois de terem ficado acima do previsto ao longo deste ano.

Estudo | Residentes pedem mais certificações profissionais

Um inquérito realizado pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) sobre formação profissional, apresentado ontem, conclui que existe uma grande procura por certificação de cursos.

Isto porque cerca de 70 por cento dos entrevistados disse esperar pela criação de plataformas oficiais que certifiquem formações profissionais, tendo estes números sido apresentados por Fong Ka Fai, vice-presidente da FAOM.

Além disso, mais de 20 por cento dos entrevistados considera que as actuais plataformas e mecanismos de certificação são insuficientes. Fong Ka Fai sugeriu que o Governo crie um sítio de base para a formação profissional que concentre todos os dados e informações sobre cursos. Esta base deve ter critérios uniformes estabelecidos a fim de dar resposta à procura pela certificação profissional existente no contexto da região da Grande Baía.

Leong Sun Iok, também vice-presidente da FAOM e deputado à Assembleia Legislativa, apontou que 72 por cento dos entrevistados confirmaram que os cursos trazem um impacto positivo no desenvolvimento da carreira, enquanto 55 por cento dos inquiridos pretende obter um certificado depois de terminar essas mesmas formações. O inquérito foi realizado entre Abril e Setembro deste ano, tendo sido realizados 1.100 questionários válidos.

Contas Públicas | Excedente de 13,04 mil milhões até Setembro

Com as receitas do jogo a subirem, os impostos da principal indústria do território ganham maior relevância no âmbito do orçamento da RAEM. Por cada 10 patacas de receitas, mais de 8 vêm dos casinos

 

Nos primeiros nove meses do ano, o orçamento da RAEM apresentou um resultado positivo de 13,04 mil milhões de patacas, de acordo com os dados publicados pela Direcção de Serviços de Finanças (DSF). Para este registo, contribuíram as receitas de 80,35 mil milhões de patacas, face às despesas de 53,79 mil milhões de patacas.

A maior fonte de receitas da RAEM foram os impostos com os jogos de fortuna ou azar que contribuíram com um encaixe de aproximadamente 66,40 mil milhões de patacas, ou seja, uma proporção de 82,6 por cento do total dos 80,35 mil milhões em receitas. Esta percentagem significa que por cada 10 patacas que a RAEM arrecada em receitas, mais de 8 patacas são provenientes do jogo.

Apesar dos esforços de diversificação da economia, as contas mostram que em termos do financiamento da Administração, e em comparação com o ano passado, o jogo está a assumir uma importância maior. Nos primeiros nove meses de 2023, as receitas com os jogos de fortuna e azar tinham chegado aos 45,78 mil milhões de patacas, num total de receitas 58,96 mil milhões de patacas da RAEM, o que representava uma proporção de 77,6 por cento.

Entre Janeiro e Setembro deste ano, as receitas com o jogo foram de 169,36 mil milhões de patacas, em comparação com os 128,94 mil milhões arrecadados pelos casinos em 2023.

A segunda maior fonte de receita até Setembro foram os impostos directos na ordem dos 6,64 mil milhões de patacas. Este número não deixa de representar uma redução em comparação com o ano passado, quando os impostos directos tinham gerado receitas de 7,15 mil milhões de patacas. Os impostos directos são constituídos pelo imposto profissional, contribuição predial urbana, imposto complementar e imposto de circulação de veículos.

Menos investimento

Em termos das despesas, os apoios sociais representam os maiores gastos da Administração, com um valor de 37,94 mil milhões de patacas, um aumento de 4,61 mil milhões, face aos gastos de 33,33 mil milhões de patacas do período homólogo.

As despesas com o pessoal estão igualmente a subir, o que também resulta da actualização salarial implementada no início do ano. Até Setembro, a Administração gastou 11,69 mil milhões com os trabalhadores, quando no ano passado o número era de 11,20 mil milhões de patacas, um diferença de cerca de 490 milhões de patacas.

No entanto, o investimento em instalações e equipamentos, onde se inclui a execução do Plano de Investimentos e de Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA), mostra uma tendência de redução. Até Setembro deste ano, foram gastos 12,91 mil milhões de patacas, entre os quais 12,81 mil milhões no âmbito do PIDDA. No ano passado, os gastos até Setembro eram de 14,00 mil milhões de patacas, dos quais 13,88 mil milhões de patacas estavam ligados ao PIDDA.

Governo | Sam Hou Fai deverá mexer em toda a equipa de secretários

As hipóteses de nomes para integrar o novo Executivo liderado por Sam Hou Fai, eleito Chefe do Executivo no domingo, começam a surgir. Sonny Lo acredita que poderá ir buscar figuras ao sector privado, enquanto Jorge Fão defende que apenas Wong Sio Chak se irá manter na pasta da Segurança

 

Que rostos farão parte do novo Executivo liderado por Sam Hou Fai, candidato eleito para o cargo de Chefe do Executivo e que tomará posse no dia 20 de Dezembro? Dois analistas fazem as suas previsões para uma equipa que, à partida, deverá ser totalmente renovada.

“Acredito que irá substituir toda a equipa, com a excepção, talvez, do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak”, começou por dizer Jorge Fão, dirigente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), e antigo deputado.

Relativamente à área da Economia e Finanças, Fão estima que seja uma personalidade do sector empresarial, “que esteja fora do circuito da Função Pública e que consiga criar riqueza em Macau”, pois o dirigente associativo entende que será necessário alguém que “entenda de economia” para um sector primordial para o território.

“Trata-se do ponto essencial neste momento, não só em Macau, mas também em Hong Kong e na China. A economia chinesa não está num bom momento e em Hong Kong também não. Em Macau, a economia está bem e não está, pois temos os casinos, mas como existe a ideia de diversificar a indústria, as receitas vão baixar, tendo em conta essa diversificação”, explicou.

Jorge Fão estima que haverá mais desemprego com o encerramento dos casinos-satélite, pelo que o novo secretário terá de dar resposta a essa questão sócio-económica. “O Governo vai ter de assegurar novos postos de trabalho, pelo que serão importantes as áreas do emprego e das receitas públicas”, declarou.

Equipa dá o sinal

No caso do analista político Sonny Lo, Sam Hou Fai deverá trazer para a equipa governativa “profissionais do sector privado, a julgar pelos gestores da sua equipa de campanha”.

O deputado Ip Sio Kai, ligado ao sector bancário, foi chefe da sede de candidatura de Sam Hou Fai. Eleito pela via indirecta, através do sector profissional, Ip Sio Kai é, actualmente, vice-director-geral da sucursal de Macau do Banco da China, sendo ainda administrador dos bancos Tai Fung e China Internacional. Lei Wun Kong, que representou Sam Hou Fai, é advogado no escritório Lektou, co-fundado por Frederico Rato.

Acima de tudo, espera-se dos novos secretários “competência e que possam implementar o plano [do futuro Chefe do Executivo] com medidas e mecanismos concretos”, acrescentou Sonny Lo.

O analista entende que não existe no sistema político um problema de liderança pelo facto de muitos nomes oriundos da China continental nos anos 90, e formados na RAEM, ocuparem cargos de funcionalismo público há algum tempo, como é o caso de André Cheong, entre outros.

“Há talentos em Macau que se podem preparar assim que forem identificados como secretários escolhidos”, frisou.

O mesmo não entende Jorge Fão, que considera que ser chefe de direcção é hoje uma tarefa bastante desafiante. “As pessoas que transitaram dos anos 90 para os anos 2000 estão na Administração há mais de 25 anos, alguns saíram e estou convencido de que muitos estão para sair ou não vão ficar muito mais tempo. Hoje em dia estar na Função Pública não é fácil, porque as exigências são muitas e as lideranças são fracas, pelo que as chefias intermédias têm uma responsabilidade acrescida.”

O dirigente da APOMAC destaca que como Sam Hou Fai foi presidente do Tribunal de Última Instância (TUI) nos últimos 25 anos, conhece bem os meandros da Administração, sendo factor preponderante na hora de decidir nomes para governar consigo. “Já viu muita coisa nestes anos e sabe a situação em que se encontra toda a máquina administrativa, que não está oleada.”

Raimundo de saída

Um dos nomes que deverá deixar o Governo será Raimundo do Rosário, que entrou para a equipa de Chui Sai On em 2014, quando este assumiu um segundo mandato. O macaense, formado em engenharia, vinha da Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa e Bruxelas e tinha nos ombros a responsabilidade de re-organizar os projectos de obras públicas, nomeadamente o do metro ligeiro e habitação pública.

Há quatro anos, o governante admitiu, em pleno hemiciclo, que nunca quis ser secretário por uma segunda vez, já no período de Ho Iat Seng. “Não queria ser secretário há cinco anos e não queria continuar agora, mas em tudo o que faço dou o meu máximo e é o que vou fazer”, assegurou.

Jorge Fão defende que este “vai sair” do Executivo, não conseguindo afirmar se o sector das obras públicas registou uma verdadeira melhoria. “Parece que ele tem dificuldades. Começou bem no Governo, mas agora vejo a área com problemas, pois há projectos que estão fora daquilo que esperávamos. O metro ligeiro é um elefante branco, mas a sorte é termos dinheiro para darmos dinheiro a esse elefante.”

Na área social, Jorge Fão espera um novo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura que dê respostas ao envelhecimento populacional, com o aumento das pensões, defendendo a criação de um modelo de habitação intergeracional.

“Ao invés de se construírem apenas casas para idosos, devem construir casas maiores, sejam sociais ou económicas para várias gerações de uma família, devido à cultura chinesa. As famílias ocidentais não vivem juntas, mas as dos chineses sim.”

Além disso, Jorge Fão diz que essa medida poderia ajudar muitos dos idosos que vivem sozinhos.

Taiwan | Duas pessoas proibidas de entrar em Macau

Duas pessoas de Taiwan estão proibidas de entrar em Macau, no Interior da China e em Hong Kong, por decisão do Gabinete dos Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado. Trata-se de Puma Shen, deputado do Partido Democrático Progressista de Taiwan, e Robert Tsao, empresário, a quem foram aplicadas sanções, bem como a organização “Academia Kuma”.

Segundo o porta-voz do Gabinete, Chen Binhua, as autoridades da China continental apontaram que a Academia Kuma tem apoio do Partido Democrático Progressista, dedicando-se a analisar questões como a independência de Taiwan face à China pela via da organização de palestras, cursos de formação, prática desportiva e actividades para as famílias.

Por sua vez, Puma Shen é o responsável pela organização, enquanto Robert Tsao disponibilizará apoios financeiros. Além das sanções e proibições de entrada, estes homens não podem cooperar com entidades ou indivíduos do Interior da China.

Tribunais | Kan Cheng Ha e Seng Ioi Man sobem ao TSI

Os juízes Kan Cheng Ha e Seng Ioi Man foram promovidos para o Tribunal de Segunda Instância (TSI), de acordo com a proposta da Comissão Independente para a Indigitação de Juízes, que entra hoje em vigor.

Esta comissão é liderada pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa, Lau Cheok Va, e tem como membros a irmã do Chefe do Executivo, Tina Ho, a ex-deputada Chan Hong, ligada aos Moradores, o advogado Philip Xavier, o membro do Conselho Executivo e economista Ieong Tou Hong e ainda o académico Wang Yu.

Kan Cheng Ha e Seng Ioi Man desempenhavam até agora as funções de juízes presidentes do Tribunal Colectivo dos Tribunais de Primeira Instância., e apesar de apenas terem sido deixadas em abertas duas vagas, a comissão optou por nomear três juízes como juízes presidentes dos Tribunais de Primeira Instância. Os escolhidos foram Leong Sio Kun, Chiang I Man e Chan Chi Weng.

O Boletim Oficial de ontem revela também a nomeação de mais nove juízes para o TJB, que são Wong Weng Han, Wang Huating, Liang Tsai Ni, Lou In Leng, Wu Un Tat, Lok Ka Long, Vitor Tang Chon In, Chan Cheok Kei, Lam Sok Cheng e Sio Wai Fong.

As alterações ao nível das nomeações de magistrados não se ficaram pelos tribunais, também o Ministério Público vai ser reforçado, com mais oito delegados. Por indigitação de Ip Son Sang, Procuradora da RAEM, foram nomeados: Lei Lei, Leong Choi Man, Celina Ling Lee, Chiang Pak Seng, Wong Heng Ut, Chou Sin Teng, Wong Fai e Kong I Teng.

Governo | Ho Iat Seng e Sam Hou Fai reunidos para discutir transição

O actual Chefe do Executivo prometeu disponibilizar os meios necessários a Sam Hou Fai, para assegurar a transição do poder. Ho Iat Seng disse ainda estar focado nos trabalhos a realizar até ao final do mandato, que incluem as celebrações do 25.º aniversário da RAEM e o orçamento para o próximo ano

 

O futuro Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, e o actual, Ho Iat Seng, estiveram ontem reunidos para começar a trabalhar na transição do poder, que vai acontecer a 20 de Dezembro. O encontro que aconteceu na Sede do Governo, decorreu à porta fechada, foi comunicado pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS), e teve como objectivo “garantir uma transição [de Governo] bem-sucedida”.

Durante a reunião, Ho Iat Seng deu os parabéns a Sam por “ter sido eleito com um elevado número de votos” e prometeu “submeter o relatório ao Governo Popular Central a propor a nomeação do novo Chefe do Executivo”, após serem tratados “uma série de procedimentos jurídicos necessários”.

Sam Hou Fai era o único candidato admitido nas eleições e foi eleito com 394 dos 400 votos da comissão eleitoral. Registaram-se quatro abstenções e dois eleitores que optaram por não participar na eleição.

Segundo a versão oficial, o ainda líder da RAEM também se comprometeu a “emitir um despacho que permite ao Governo proporcionar todos os recursos necessários para apoiar e colaborar com Sam Hou Fai na formação e nos trabalhos preparatórios do novo Governo”.

Últimos cartuchos

Ho Iat Seng abordou ainda o tempo restante do seu mandato, comprometendo-se a trabalhar para assegurar o sucesso das celebrações do 25.º Aniversário da Transferência da Soberania. “O actual Governo continuará a promover activamente os actuais planos de acção governativa assim como a consolidar o alicerce já existente, a salvaguardar a estabilidade e o desenvolvimento da sociedade em geral, contribuindo para um ambiente social bom, seguro e harmonioso em prol do 25.º aniversário do estabelecimento da RAEM e da transição para o novo Governo”, prometeu o Chefe do Executivo.

Apesar de não apresentar as Linhas de Acção Governativa para o próximo ano, Ho Iat Seng ainda tem de apresentar na Assembleia Legislativa uma proposta de orçamento, que depois poderá ser revista pelo Executivo de Sam Hou Fai. A apresentação deverá ocorrer até ao final de Novembro.

Por sua vez, Sam Hou Fai agradeceu a Ho Iat Seng “o planeamento e a série de trabalhos preparatórios feitos pelo actual Governo na salvaguarda de uma transição bem-sucedida”.

Sam prometeu também, em conjunto com a sua equipa, “manter uma estreita comunicação com o Gabinete do Chefe do Executivo, a fim de garantir uma transição ordenada e bem concretizada”.

Sam Hou Fai: Gabinete de ligação deu os parabéns

O Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM felicitou, em comunicado, a eleição de Sam Hou Fai para o Chefe do Executivo, destacando a “elevada percentagem de votos” obtidos. Na mesma nota é ainda referido que estas eleições decorreram depois da revisão à Lei Eleitoral para o Chefe do Executivo, que entrou em vigor a 1 de Janeiro, implementando o princípio de “Macau governada por patriotas”.

O Gabinete destacou ainda que todos os membros da Comissão Eleitoral, os sectores sociais e a população participaram na eleição, o que é representativo da “execução dos direitos democráticos conforme a lei”, num procedimento eleitoral “aberto, justo, equitativo, legal, estável e ordenado”.

Mimicat actua na Semana Cultural da China e PLP

Dois concertos da cantora portuguesa Mimicat são o destaque do programa da 16.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, que foi ontem anunciado e arranca esta quinta-feira. Mimicat, que representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção em 2023 e lançou o terceiro álbum, “Peito”, em Setembro, vai actuar na sexta-feira e no domingo na Doca dos Pescadores.

O primeiro dia de espectáculos, 18 de Outubro, inclui ainda actuações da cantora angolana ‘Noite e Dia’, da cantora cabo-verdiana Paulinha, do ‘rapper’ da Guiné Equatorial Negro Bey, do grupo timorense Nabilan e da China Broadcasting Performing Arts Troupe. A companhia chinesa irá tocar o tema popular português ‘Canção do Mar’, celebrizado por Dulce Pontes, revelou numa conferência de imprensa a secretária-adjunta do Fórum de Macau, Xie Ying.

A Semana Cultural é organizada pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau), com apoio das associações das comunidades lusófonas na região. No segundo dia sobem também ao palco o duo local Winnie Lam x Ten, o grupo Tuna Macaense, o grupo de percussão brasileiro Trio Manari, a orquestra da Guiné-Bissau Unidos por uma Causa, a cantora moçambicana Neyma e o cantor são-tomense Ibaguay.

Comida para todos

Além de três dias de música e dança, o programa inclui, entre 18 e 22 de Outubro, uma mostra gastronómica com os ‘chefs’ Nário Tala (Angola), Martinho Moniz (Portugal), Maria das Dores (São Tomé e Príncipe), Delfina Maria Baptista Guterres (Timor-Leste) e a macaense Ana Manhão, que irão ainda dar workshops de culinária.

Haverá uma feira de artesanato com artistas de todos os países de língua portuguesa, entre 17 e 20 de Outubro, e tendas com produtos lusófonos. Xie Ying disse que na sexta-feira vão ser exibidos na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau cinco documentários, incluindo o moçambicano ‘A Natureza dos Homens e dos Animais’ e o português ‘Minha Terra Minha Gente’. Os documentários serão depois mostrados em outras escolas da região.

“Adicionámos novos elementos, como a mostra de cinema, para atrair mais jovens para participar no evento e aumentar a nossa visibilidade”, disse o secretário-geral do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, sobre o programa que inclui ainda duas ‘flash mobs’.

Entre 21 de outubro e 24 de novembro, vai estar patente no edifício do Fórum Macau uma exposição de obras do fotógrafo brasileiro Luiz Bhering, do artista local Wilson Chi Ian Lam e de Maria Madeira, que está a representar Timor-Leste na Bienal de Veneza.

A este evento vai seguir-se o 6.º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que inclui o Festival da Lusofonia, onde vão actuar o português Fernando Daniel e o angolano Yuri Cunha. A Semana Cultural terá um orçamento de 11,5 milhões de patacas, “semelhante ao do ano passado”, disse o coordenador do Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum Macau, Vincent U U Sang.

USJ | Assinado protocolo com Marinha Grande

A Universidade de São José (USJ) quer ajudar as empresas do concelho da Marinha Grande a entrar no mercado da China, disse à Lusa O chefe da delegação da USJ em Portugal, Francisco Peixoto. A USJ assinou um acordo com a Câmara Municipal da Marinha Grande que prevê a realização de workshops de empreendedorismo e a organização de missões comerciais à China para as empresas locais.

O objectivo é “apoiar as empresas do concelho [da Marinha Grande] na internacionalização, através do sistema de incubação [da USJ], (…) que está neste momento a ligar Portugal, Macau e a ilha de Hengqin”, afirmou o representante da USJ.

No caso das missões comerciais, a USJ quer “criar condições para que as micro, pequenas e médias empresas” da Marinha Grande “consigam uma internacionalização mais forte”, acrescentou. O representante da universidade sublinhou que o protocolo com a Marinha Grande é “um projecto-piloto”, acrescentando que outros acordos semelhantes se podem suceder com outros concelhos portugueses.

Este protocolo, envolve também o Agrupamento de Escolas da Marinha Grande, Poente, tendo, neste caso, como alvo os alunos finalistas do ensino secundário do concelho do distrito de Leiria. Francisco Peixoto afirmou que a USJ vai disponibilizar bolsas de estudo para estes alunos, no âmbito do “número considerável” de bolsas abertas anualmente para estudantes dos países de língua portuguesa.

Óbito | Macau com bandeiras a meia haste pela morte de Wu Bangguo

Ao longo do dia de hoje as bandeiras na Sede do Governo, Palacete de Santa Sancha, e em todos os postos fronteiriços, terminais marítimos e aéreo vão estar içadas a meia-haste, devido à morte de Wu Bangguo, ex-presidente do Comité Permanente da 10.ª e 11.ª Assembleia Popular Nacional (APN).

“Em conformidade com as instruções do Governo Central, aplicadas em todo o território nacional, serão colocadas as bandeiras nacional e regional a meia-haste, no dia 14 de Outubro”, foi explicado pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS), através de um comunicado.

Wu Bangguo morreu na terça-feira passada, aos 84 anos, devido a doença prolongada, que não foi revelada. Os restos mortais do ex-presidente do Comité Permanente da APN vão ser cremados hoje, em Pequim, de acordo com a informação divulgada pela agência Xinhua.

Wu nasceu em 1941 e em 1964 aderiu ao Partido Comunista Chinês. Ao longo da carreira foi ganhando predominância principalmente na zona de Xangai, onde trabalhou de perto com o ex-presidente da República Popular da China, Jiang Zemin. Entre os cargos desempenhados consta o de secretário do partido na capital financeira da China, onde supervisionou o desenvolvimento da Nova Área de Pudong, vice-primeiro-ministro, membro do Comité Permanente da APN e membro do Comité Permanente do Politburo, entre 2002 e 2012.

Nota de pesar

Além das mensagens das várias autoridades chinesas sobre a morte de Wu Bangguo, também o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, se pronunciou sobre o assunto e recordou o ex-dirigente como um “excepcional revolucionário proletário”.

De acordo com o GCS, Ho Iat Seng “sublinhou que o presidente Wu Bangguo foi um excepcional revolucionário proletário, estadista e líder notável do Partido e do Estado, tendo contribuído de forma significativa para a reforma e a abertura do País, bem como o desenvolvimento económico, a democracia e o sistema jurídico”. O líder do Governo indicou também que “ao longo da sua vida, [Wu] dedicou-se de corpo e alma a servir o povo, e a trabalhar incansavelmente pelo ideal comunista e a causa do Partido e do Estado”.

Segundo Ho Iat Seng, “Wu Bangguo prestou desde sempre atenção e apoio ao desenvolvimento do princípio um país, dois sistemas e da RAEM, tendo em consideração o bem-estar dos compatriotas de Macau”.

O Chefe do Executivo recordou igualmente a visita de 2013 de Wu a Macau, no âmbito das comemorações do 20.º aniversário da promulgação da Lei Básica.

A ver vamos que frutos dão estes ramos

O Mestre disse: “Estudar para aplicar na altura certa aquilo que se aprendeu – não será isto uma fonte de prazer? Ter amigos que chegam de partes distantes – não será isto uma fonte de alegria?

Analectos I.1

Foi um recentíssimo Chefe do Executivo (indigitado) que ontem respondeu a perguntas de jornalistas, momentos depois de ter sido eleito pela Comissão. Havia alguma expectativa para ver como se comportaria, na medida em que não se trata de alguém com conhecida experiência política. Pelo contrário, Sam Hou Fai distinguiu-se no papel de presidente do Tribunal de Última Instância, cujo desempenho implica distanciamento dos meandros político-sociais e ainda mais dos económicos. Além disso, mostrou sempre ser uma pessoa reservada, portanto com eventuais dificuldades na comunicação política. Mas não foi bem assim.

Uma das notas positivas que imediatamente se deve registar é que, nas suas respostas, Sam Hou Fai não se limitou a repetir “palavras de ordem”, vulgo slogans, algo que ultimamente nos faz desligar o receptor. Pelo contrário, tendo passado rapidamente pelo “um país, dois sistemas” e toda a parafernália de conceitos adjacentes, pareceu improvisar as respostas, demonstrando que encontrou alguns axiomas para as suas exposições, nomeadamente um eixo político que consiste na necessidade de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos de Macau. A economia, sim; mas também o entendimento de que a economia são as pessoas e não os números astronómicos dos casinos.

A ver vamos que frutos dão estes ramos.

Mas o aspecto para mim mais saliente da conferência de imprensa foi o facto de Sam Hou Fai não ter apresentado soluções, mas intenções. Para decidir sobre o que fazer, disse, temos primeiro de estudar as situações (carentes, dizemos nós). Estas são a Habitação, a Saúde, o Trânsito, a Educação, a Ecologia, o Turismo, a Diversificação Económica, o Entretenimento, a Cultura… ufff!

Ele há muito para estudar. Bem podem começar a tirar os calhamaços das prateleiras, espalhá-los em larga mesa, limpar com afinco os óculos, para garantir que nada os embaciou e ala ao trabalho que se faz tarde. Rapidamente se descobrirá que, afinal, isto anda tudo misturado.

Mas estudar não só é bonito como é fundamental. É um esteio do ser, uma âncora do respeito, uma chama na escura noite da ignorância. Contudo, não chega.

Poderia dizer que de centenas de estudos está Macau cheio, tantos quanto o inferno de boas intenções. E parece que o resultado tem sido mais ou menos idêntico: tanto os estudos em Macau como as boas intenções no inferno de pouco têm servido.

E isto porque: ou os nossos governantes se têm esquecido de aplicar os estudos encomendados ou esses estudos não estudaram o suficiente ou entendeu-se que era melhor ter mais estudos para ter uma visão tão abrangente dos problemas que deixamos de os ver.

Já a meu ver, esqueceram-se de um importante ditame de Confúcio, a saber: “Estudar para aplicar na altura certa aquilo que se aprendeu – não será isto uma fonte de prazer?” Aqui o Mestre sublinha que ter conhecimento não basta, é preciso aplicá-lo. E mais: que quando isso é bem feito, na altura certa, transforma-se numa fonte de prazer.

Ora bem. Está visto. Um governo mais hedonista é o que precisamos. Oiça bem, senhor Chefe do Executivo indigitado, e aprenda com o Mestre. Governemos, mas com saber, eficácia e alegria. Não com avareza, soberba ou tristeza.

E por falar em Mestre Confúcio não nos escapou a frase seguinte, que reza: “Ter amigos que chegam de partes distantes – não será isto uma fonte de alegria?” Pode ser, se soubermos fazer as coisas, acrescentamos, ao dar uma interpretação muito própria à sentença. Mas não apenas uma fonte de alegria, neste caso, mas uma fonte de comércio, diplomacia, entendimento e amizade.

Sam Hou Fai encontra-se muito bem posicionado para dar um grande impulso ao desígnio de Macau enquanto ponte para os países lusófonos e, se realmente assistirmos nos próximos anos a uma real intensificação de relações, isso deixar-nos-ia, como diz o Mestre, cheios de alegria.

Nesse sentido, é bom que o novo Chefe do Executivo conte com a comunidade lusófona residente para implementar esse desiderato, não desperdiçando as óbvias condições e características excelentes da nossa comunidade para participar e levar a bom porto os desafios que este projecto nacional encerra.

Ainda segundo Confúcio, um bom governante depende e muito de quem escolhe para consigo governar. Daí que exista alguma expectativa de conhecer as escolhas de Sam Hou Fai para o seu governo. Esse será o próximo passo no qual o Chefe do Executivo, de algum modo, dirá ao que vem, como e com quem. Só então começaremos a descortinar como se irá posicionar nos próximos quatro anos, que nos parecem decisivos para entender no que irão dar as metamorfoses de Macau no futuro.

A ver vamos que frutos dão estes ramos.

Grande Prémio | Tiago Rodrigues na Taça do Mundo de Fórmula Regional

No final da pretérita semana, a Evans GP confirmou, através de um comunicado de imprensa, que contará com o piloto de Macau Tiago Rodrigues, o campeão da Fórmula 4 Chinesa de 2023, na primeira edição da Taça do Mundo de Fórmula Regional da FIA do 71º Grande Prémio de Macau

 

O jovem piloto da RAEM já competiu no Circuito da Guia, tendo-se estreado entre nós na prova de Fórmula 4 do ano passado. Aos comandos de um monolugar da Asia Racing Team, Tiago Rodrigues terminou em oitavo e sexto nas duas corridas, que foram provas não pontuáveis para o campeonato da Fórmula 4 do Sudeste Asiático. Já antes, o jovem talento tinha alinhado na prova de abertura da F4 SEA em Zhuzhou, onde subiu ao pódio em todas as três corridas, o que foi suficiente para o colocar em quinto lugar na classificação do campeonato

Na sua campanha na Fórmula 4 Chinesa, ao serviço da Champ Motorsport, o piloto de Macau conquistou sete vitórias, oito outros pódios, duas pole positions e seis voltas mais rápidas. No início deste ano, Tiago Rodrigues ficou em 22º na Fórmula 4 dos Emirados Árabes Unidos, e no mês passado, esteve em destaque ao alcançar uma vitória na Fórmula 4 Australiana, já com a Evans GP, em Sepang. Também participou no Programa de Selecção Ásia-Pacífico e Oceânia da Ferrari Driver Academy, cujos resultados ainda não foram publicamente revelados.

Entusiasmo natural

Para um piloto da casa, correr no Grande Prémio tem sempre um significado especial. Na sua segunda participação no evento, Tiago Rodrigues vai disputar pela primeira vez a corrida de monolugares mais importante do evento e muito provavelmente será o único piloto da RAEM a alinhar na corrida.

“Estou muito entusiasmado por voltar a competir com a Evans GP no Grande Prémio de Macau na Taça do Mundo de Fórmula Regional. Depois de ter corrido em Macau no ano passado na Fórmula 4, sei o quão desafiante é o circuito”, disse o piloto de 17 anos que deu os primeiros passos no automobilismo no Kartódromo de Coloane em 2021.

Ao contrário da concorrência que se deverá apresentar em Macau com várias corridas de experiência, Tiago Rodrigues sabe que não tem uma missão fácil pela frente. “Subir para a Fórmula Regional será difícil, especialmente com o nível de competição, mas estou pronto para me desafiar e aprender o máximo que puder”, reconhece o piloto do território, que deixou claro que “competir diante do público da minha terra torna esta corrida ainda mais especial, e mal posso esperar para representar Macau novamente.”

Apoio da equipa

Neste momento, dos vinte e sete pilotos esperados nesta Taça do Mundo no mês de Novembro, apenas Tiago Rodrigues e o seu colega de equipa Cooper Webster estão até hoje oficialmente confirmados para aquela que será a primeira edição a utilizar monolugares de Fórmula Regional.

O chefe de equipa da Evans GP, Joshua Evans, referiu que estão “muito satisfeitos por receber o Tiago de volta à equipa para o Grande Prémio de Macau na Taça do Mundo de Fórmula Regional. A sua performance [na Fórmula 4 Australiana] em Sepang, onde garantiu a pole position e uma vitória, mostrou o potencial que traz consigo. Passar para a Fórmula Regional será um grande passo, especialmente com os pilotos experientes contra os quais vai competir, mas a experiência anterior do Tiago em Macau certamente que o ajudará. É sempre especial correr diante dos fãs da sua terra, e estamos confiantes de que ele dará o seu melhor.”

O 71° Grande Prémio de Macau terá lugar de 14 a 17 de Novembro, sendo que as listas oficiais de inscritos deverão ser divulgadas ainda durante este mês, como é aliás tradição.

Japão | PM destaca significado do Nobel da Paz

O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, congratulou-se sexta-feira com a atribuição do Prémio Nobel da Paz à Nihon Hidankyo, a organização que representa os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, qualificando-a de “extremamente significativa”.

“O facto de o Prémio Nobel da Paz ter sido atribuído a esta organização, que trabalhou durante muitos anos para a abolição das armas nucleares, é extremamente significativo”, declarou Ishiba à imprensa, segundo a agência francesa AFP.

O Comité Nobel norueguês atribuiu sexta-feira o Prémio Nobel da Paz à Nihon Hidankyo, uma organização formada por sobreviventes às radiações atómicas (conhecidos por ‘hibakusha’) das bombas lançadas há 79 anos pelos Estados Unidos em Hiroshima e Nagasaki.

Fundada em 10 de Agosto de 1956, a Nihon Hidankyo defende “a assinatura de um acordo internacional para a proibição total e a eliminação das armas nucleares”, segundo a página da organização na Internet.

Um dos líderes da organização galardoada, Toshiyuki Mimaki, disse que “gostaria de ver a abolição das armas nucleares” e lembrou as ameaças actuais com os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente.

Trançando um paralelo, Mimaki disse que situação em Gaza é “como a do Japão há 80 anos”, devastado pelas bombas no final da Segunda Guerra Mundial, referindo-se às imagens das “crianças a sangrar” do território palestiniano. O Prémio Nobel, que consiste num diploma, numa medalha de ouro e num cheque de 11 milhões de coroas suecas (cerca de 970 mil euros), será entregue formalmente em 10 de Dezembro, em Oslo.

Em 2023, o comité norueguês atribuiu o Prémio Nobel da Paz à activista iraniana Narges Mohammadi, presa no Irão, pela sua luta contra o uso obrigatório do véu pelas mulheres e a pena de morte.

Pyongyang adverte Seul sobre “desastre” se voltar a enviar ‘drones’ para o Norte

A Coreia do Norte advertiu ontem a Coreia do Sul de que enfrentará um “horrível desastre” se voltar a enviar ‘drones’ para sobrevoar Pyongyang.

“A próxima vez que um ‘drone’ da República da Coreia [nome oficial da Coreia do Sul] for avistado no céu sobre a nossa capital irá certamente desencadear um desastre horrível”, avisou a irmã do líder norte-coreano, Kim Yo-jong, num comunicado divulgado pela agência de notícias estatal norte-coreana.

Na sexta-feira, Pyonyang afirmou que o Sul tinha enviado ‘drones’ que sobrevoaram a capital norte-coreana pelo menos três vezes na última semana, numa grave violação militar da soberanía. A KCNA afirmou que os ‘drones’ transportavam panfletos de propaganda contra o regime de Kim Jong-un.

“Desencadearemos uma forte retaliação, independentemente dos factores envolvidos nos ‘drones’ que transportam propaganda política da República da Coreia e que se infiltram no nosso território”, afirmou a também vice-directora do Departamento de Propaganda e Agitação da Coreia do Norte.

“Não estamos preocupados em saber quem é a principal força provocadora por trás do recente incidente com o ‘drone'”, acrescentou Kim, na mesma nota.

Trocas aéreas

A KCNA publicou também uma imagem em que alegadamente mostra um dos ‘drones’ e um pacote de panfletos a sobrevoar o céu nocturno, classificando a acção como uma “violação flagrante” da soberania e segurança norte-coreanas e uma “violação violenta do direito internacional”.

O Ministro da Defesa sul-coreano, Kim Yong-hyun, negou estas afirmações no mesmo dia e disse “desconhecer a situação” quando questionado pelos deputados, na sequência da publicação da KCNA.

Por seu lado, o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul indicou que “não pode confirmar a veracidade das alegações da Coreia do Norte”, estando a investigar se organizações civis podem ter enviado panfletos por ‘drone’.

Nos últimos meses, a Coreia do Norte enviou mais de 5.000 balões de lixo para o Sul, em resposta aos balões de propaganda antirregime enviados regularmente por activistas do Sul. Estes grupos de activistas dos direitos humanos afirmaram que, por vezes, também conseguiram enviar ‘drones’ carregados de panfletos para a Coreia do Norte.