Concertos | Burla com bilhetes desfalca cinco mulheres

Cinco mulheres oriundas do interior da China terão sido burladas em mais de 18 mil patacas num esquema relacionado com bilhetes para concertos. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, o esquema de burla era semelhante a todas as vítimas e começava com um comentário do alegado burlão em publicações nas redes sociais feitas pelas mulheres que desejavam ir a concertos e tinham dificuldades em adquirir ingressos.

Uma das vítimas perdeu um total de 10.438 patacas, tendo começado por transferir seis mil patacas como pagamento de dois bilhetes que o burlão teria arranjado. Depois, o suspeito disse que os ingressos já estavam esgotados, prometendo um reembolso que nunca aconteceu. O burlão enviou ainda códigos QR para que as vítimas contactassem um falso funcionário de um departamento financeiro que iria ajudar ao reembolso, levando as vítimas a transferir mais dinheiro.

No caso desta mulher, foram transferidas mais três mil patacas, tendo o suspeito alegado que a operação não tinha sido bem-sucedida, exigindo mais pagamentos. Só então a mulher percebeu que poderia estar a ser vítima de burla, queixando-se à polícia. A Polícia Judiciária (PJ) diz ter recebido denúncias relativamente a cinco casos de burla entre os dias 6 e 8 de Fevereiro, estando todos a ser alvo de investigação. Ainda não houve detenções.

Investigação | Empresário Ng Lap Seng nos ficheiros Epstein

O empresário local Ng Lap Seng, condenado no processo das Obras Públicas, surge em cinco ficheiros Epstein devido ao julgamento em Nova Iorque em que foi condenado a três anos de prisão. As referências aparecem em newsletters de análise a tendências de investigação a crimes de “colarinho branco” e em trocas de e-mails entre departamentos do FBI

O empresário de Macau Ng Lap Seng, que saiu da prisão de Coloane no ano passado depois de ter cumprido dois anos e meio de pena no processo das Obras Públicas, também surge nos ficheiros Epstein, analisados pelo HM. Recorde-se que Ng Lap Seng foi condenado em 2018 nos Estados Unidos a três anos de prisão por ter subornado o presidente da Assembleia-geral das Nações Unidas, John Ashe, para garantir o apoio à construção de um centro de conferências da organização internacional em Macau.

Num e-mail enviado por uma firma de analistas jurídicos, com o receptor rasurado, em que é feita uma compilação notícias e análises a casos de corrupção financeira, surge uma notícia sobre o caso Ng Lap Seng e a forma como uma cúmplice do empresário, encarregue de entregar o suborno, escapou a uma pena de prisão por ter colaborado com a justiça.

A outra referência a Ng Lap Seng surge num e-mail enviado pelo próprio Departamento de Justiça, cerca de uma semana antes da morte de Jeffrey Epstein, com uma newsletter sobre tendências de investigações em casos de corrupção internacional.

O empresário de Macau é mencionado num artigo onde se refere ter pago a uma firma de segurança, constituída em parte por ex-agentes do FBI, para tratar da sua segurança num apartamento em Nova Iorque (mid-town), enquanto aguardava o início do julgamento.

Os outros três documentos em que surge o nome de Ng Lap Seng, são trocas de e-mails entre departamentos do FBI, datados entre o fim de Maio e o início de Junho de 2019, cerca de dois meses antes de Jeffrey Epstein ter sido encontrado morto numa cela do Centro Metropolitano Correccional de Nova Iorque. O assunto dos e-mails indicado é a gestão dos documentos apurados na investigação.

No fim dos e-mails são enumerados os casos tratados pelo Ministério Público do distrito sul de Nova Iorque, em colaboração com o FBI, incluindo o caso de Ng Lap Seng.

A vida é uma festa

Um outro detalhe lúbrico onde surgem referências a Macau na “Biblioteca Epstein”, como designa o Departamento de Justiça norte-americano”, é no processo que Hanna Bouveng moveu contra o dono do New York Global Group, o magnata Benjamin Wey, num processo que culminou em 2015 com uma indeminização de 18 milhões de dólares, que viria a ser reduzida para 5,6 milhões de dólares.

O empresário, nascido em Tianjin, foi acusado de difamação, num de muitos processos judiciais que enfrentou. Na “carreira” judicial de Benjamin Wey desponta a acusação de oito crimes de conspiração, fraude financeira e electrónica e lavagem de dinheiro, por suspeitas de uso de contas offshore para ocultar transacções entre empresas chinesas e empresas de fachada americanas. O caso acabaria por ruir devido à obtenção ilegal de provas.

Não são claras as razões para os ficheiros Epstein conterem documentos do processo judicial entre Hanna Bouveng e Benjamin Wey, algo recorrente na “biblioteca” documental, onde a falta de contexto é a norma.

Porém, no processo aparece a acusação de que dois arguidos, incluindo Wey, terão publicado um artigo numa revista com o título: “Quer atrair mulheres suecas?”. Hanna Bouveng, de nacionalidade sueca, é caracterizada no artigo como “uma rapariga que gosta de festas e que acabou de chegar às discotecas de Nova Iorque após um ano a proporcionar ‘entretenimento’ em discotecas de Hong Kong e casinos de Macau”, aludindo a actividades de prostituição.

Economia | Pedidas medidas concretas para promover NAPE

Com as pequenas e médias empresas a lidarem com a realidade do encerramento dos casinos-satélite, o deputado ligado à comunidade de Jiangme, Lee Koi Ian, pede ao Executivo um plano com medidas concretas para promover a economia no NAPE

Com o NAPE a enfrentar o fim dos casinos-satélite e o respectivo impacto na economia local, o deputado Lee Koi Ian pede ao Governo que apresente medidas para lidar com os novos problemas. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa.

“À medida que os casinos-satélites cessaram gradualmente as suas operações no NAPE, os distritos comerciais circundantes enfrentam um declínio acentuado no número de visitantes, mergulhando toda a zona numa situação difícil, caracterizada pelo desequilíbrio entre sectores e pela perda de clientes”, começa por traçar como cenário o deputado apoiado pela comunidade de Jiangmen.

Lee Koi Ian reconhece igualmente que as Linhas de Acção Governativa para este ano prometem promover “uma série de eventos ao estilo de carnaval” no NAPE, com experiências que se espera que atraiam um maior “consumo cultural e turístico” de forma a “revitalizar a imagem da comunidade e aumentar a vitalidade da zona comercial”.

Todavia, o legislador vem agora pedir ao Executivo planos mais concretos. “Dado o valor da localização e a base comercial dos distritos circundantes do NAPE, é crucial estabelecer um mecanismo de revitalização a longo prazo. Esta é a abordagem central para evitar a dependência de políticas de curto prazo, quebrar o impasse da concorrência homogeneizada e cultivar um ecossistema comercial sustentável”, atirou. “O Governo tem um plano especializado para revitalizar as zonas comerciais à volta do NAPE?”, questiona.

Mudanças profundas

Lee Koi Ian alerta também para as dificuldades não só de atrair os turistas para aquela zona da cidade, mas fazer com que queiram ficar e consumir no local, tendo em conta a existência de outros locais mais atractivos.

“A transição nas zonas comerciais de destino de passagem para destino de consumo não é apenas central para o desenvolvimento sustentável. É também uma medida crucial para criar um ecossistema comercial local”, defende Lee Koi Ian. “Neste contexto, que medidas específicas irá o Governo introduzir para nas zonas comerciais do ZAPE, para ajudar as pequenas e médias empresas a modernizarem-se, ao mesmo tempo que se cultivam formatos de negócio distintos?”, interroga.

O deputado pede ainda que se optimizem as infra-estruturas do NAPE, expandam as instalações pedestres e se organizem “diversos eventos para aumentar a circulação de pessoas e estimular a vitalidade do consumo local”. O pedido é feito apesar das medidas serem encaradas apenas como cuidados paliativos para facilitar a transição.

Turismo | Associações querem actividades nos bairros para atrair visitantes

O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, acha que o Governo pode melhorar os planos para atrair turistas para os bairros residenciais, que ficam à margem em termos de comércio dos muitos visitantes que chegam a Macau.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o também empresário defendeu que apesar de no ano passado o Governo ter lançado várias actividades em bairros residenciais, a curta duração das iniciativas não permitiu criar entre os turistas impressões duradouras. Sem pedir uma programação diária nestas zonas da cidade, Andy Wu gostaria de ver actividades regulares todos os fins-de-semana, de forma a meter “no mapa” dos turistas lugares que normalmente não são visitados. Além disso, o responsável entende que os transportes para os bairros comunitários devem ser melhorados para facilitar o acesso de turistas.

Com os feriados do Ano Novo Chinês na próxima semana, também o empresário de agências de viagens Paul Wong indicou que o Governo deve continuar a fechar zonas da cidade ao trânsito para desviar visitantes dos pontos turísticos mais concorridos.

Segurança alimentar | Pedidas melhorias na supervisão

O deputado ligado à comunidade de Fujian está preocupado com o transporte dos alimentos no caso das plataformas de comida e também com as recolhas mais recentes de produtos para bebés

Após os casos de produtos para bebés retirados do mercado e do registo de intoxicações alimentares em restaurantes luxo locais, o deputado Chan Lai Kei quer que o Governo reforce a supervisão alimentar. O pedido consta de uma interpelação escrita, divulgada ontem.

De acordo com o deputado ligado à comunidade de Fujian, apesar de o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) ter anunciado que no ano passado a taxa geral de aprovação das inspecções realizadas por amostragem de alimentos foi de 99 por cento, a segurança alimentar enfrenta mais e novos desafios.

Em relação aos produtos para bebés, tendo em conta os casos recentes de recolha de alimentos, como leite em pó, o deputado quer saber se as autoridades vão ser mais exigentes na disponibilização da informação sobre a origem e percurso dos artigos.

“As regiões vizinhas já estabeleceram um ‘sistema de rotulagem para rastrear os alimentos infantis’, exigindo que os importadores forneçam informações completas sobre a cadeia de produção para que os pais possam verificar o percurso dos alimentos através de um código QR”, escreveu Chan. “Será que o IAM vai avançar com o estabelecimento de um ‘plano especial de supervisão para alimentos infantis’, implementando testes mais frequentes para o leite em pó e alimentos complementares infantis, bem como publicar regularmente os níveis de segurança das marcas?”, questionou.

Perigos do take-away

Outros desafios surgem associados ao aumento progressivo do número de visitantes e a uma nova cultura de take-away não só de comidas, mas também de bebidas.

De acordo com Chan, o número de pedidos pelas plataformas take-away não pára de subir todos os anos. No entanto, durante o transporte e os tempos de espera, o deputado indica que não há qualquer controlo de temperatura nem regulamentação face à higiene, devido a “lacunas regulatórias”. Este é um aspecto que o deputado espera ver alterado: “Como é que as autoridades vão reforçar a cooperação interdepartamental, e formular normas obrigatórias para a higiene das caixas de take-away, limites de tempo para a entrega e separação de embalagens no transporte de alimentos quentes e frios […]?” pergunta.

Chan Lai Kei sugere ainda que sejam utilizadas formas digitais para fazer um controlo à distância dos alimentos, com inspecções aleatórias.

No documento, o legislador aponta também que Macau acolhe mais de 40 milhões de visitantes anualmente, e que os banquetes e festivais são frequentes, o que faz crescer os riscos alimentares. Por esta razão, Chan Lai Kei sugere ao Governo a elaboração de um plano de resposta à segurança alimentar durante a época alta do turismo para que possa rastrear rapidamente a origem de uma eventual intoxicação.

Presidenciais | Seguro ganha eleições em Macau e a nível nacional

O ex-líder do Partido Socialista vai ser o futuro Presidente da República de Portugal, sucedendo a Marcelo Rebelo de Sousa. Quando ainda faltavam apurar 20 freguesias, onde as eleições foram adiadas devido ao mau tempo, Seguro recolhia 66,82 por cento dos votos

António José Seguro foi o vencedor das eleições e vai ser o futuro Presidente da República de Portugal, depois de ter alcançado 66,82 por cento dos votos (3,4 milhões de votos), contra os 33,18 por cento (1,7 milhões de votos) de André Ventura. O candidato ligado ao Partido Socialista também venceu em Macau, onde conseguiu 68,53 por cento dos votos, contra os 31,47 por cento do candidato apoiado pelo Chega.

Em relação ao território, foram contabilizados um total de 1.403 votantes, com Seguro a recolher 934 votos e Ventura 429 votos. Houve ainda 32 votos em branco (2,28 por cento) e oito nulos (0,57 por cento).

Os resultados mostram que houve menos 971 pessoas a votar na segunda volta em Macau do que na primeira, quando tinham sido registados 2.374 votos. A taxa de abstenção da segunda volta entre os 57.748 votantes atingiu os 97,45 por cento, com os votantes a serem 2,43 por cento.

Na primeira volta, Luís Marques Mendes, candidato apoiado pelo Partido Social Democrata, foi o mais votado e conseguiu 1.073 votos, um valor acima daquele que agora contribuiu para garantir a presidência a António José Seguro. Na primeira votação a taxa de participação foi de 4,11 por cento, o que representou uma abstenção de 95,98 por cento. Nessa ronda da votação, António José Seguro ficou em segundo lugar, com 477 votos e André Ventura em terceiro, com 282 votos.

China foi seguro

Os resultados de ontem eram provisórios, uma vez que ainda faltavam contabilizar 20 freguesias em Portugal e sete “consulados” no estrangeiro.

Entre os chamados “consulados” pela Comissão Nacional de Eleições faltava apurar os resultados de Pequim. No entanto, os votos de Macau somados com os de Xangai davam vitória a Seguro, com 944 votos, contra os 432 de Ventura. Em Xangai, Seguro obteve 10 votos, contra três de Ventura, não se tendo registado qualquer voto em branco ou nulo.

Apesar dos resultados na China, Ventura conseguiu ser o mais votado no estrangeiro com 51,88 por cento dos votos (42.265) contra os 48,12 por cento de Seguro (39.208), enquanto os votos em branco ficaram em 1,21 por cento e os nulos em 0,65 por cento.

“Trabalhar por Portugal”

No discurso de vitória, António José Seguro prometeu trabalhar para desenvolver o país e apresentou-se como o “presidente de todos os portugueses”, mesmo os que não votaram nele. “Como futuro Presidente da República, acrescento que a partir desta noite deixámos de ser adversários e temos agora o dever partilhado de trabalhar por um Portugal mais desenvolvido e mais justo”, afirmou o vencedor da noite, num discurso proferido nas Caldas da Rainha. “A maioria que me elegeu extingue-se esta noite [domingo]”, acrescentou.

2ª volta das eleições presidenciais em Macau

Candidato Percentagem de Votos Total de Votos

António José Seguro 68,53% 934 votos

André Ventura 31,47% 429 votos

Votantes 2,43%

Abstenção 97,57%

1.403 votantes

57.748 inscritos

UTM | Criada empresa de consultadoria e promoção cultural

A Universidade de Turismo de Macau (UTM) criou uma nova empresa que vai dedicar-se ao exercício de consultadoria em áreas como turismo, cultura, investigação, cursos de formação e ainda gestão de investimentos comerciais.

A empresa foi baptizada Desenvolvimento de Cultura e Turismo da Universidade de Turismo de Macau e a informação consta no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos. A UTM é a única accionista, com uma quota de 500 mil patacas.

O Conselho de Administração é constituído, por escolha de Sam Hou Fai, por Diamantina Luíza do Rosário Sá Coimbra, como presidente, Fátima Henrique Boyol Ngan e Cindia Lam, que desempenham as funções em regime de cumulação de funções. Lau Vai Lan é a fiscal única e vai receber 56.400 patacas por ano. Os restantes membros do conselho de administração não têm prevista remuneração fixa.

Cooperação | Relações entre China e Timor-Leste pautadas por cautela, indica estudo

É certo que, ao integrar a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, Timor-Leste pode tornar-se num ponto estratégico nas relações comerciais deste lado do globo, apesar do “pragmatismo cauteloso” nas relações com a China. A conclusão é de um estudo sobre a política externa timorense no âmbito da iniciativa chinesa, da autoria de três académicos portugueses

Timor-Leste, um jovem país, tem vindo a cimentar as suas relações com a China, nomeadamente através da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, mas há ainda alguma cautela em torno deste relacionamento. Esta é uma das conclusões do estudo “As opções de política externa de Timor-Leste no âmbito da Iniciativa Faixa e Rota 2.0 da China: uma perspectiva de pequeno Estado”, da autoria dos académicos Tiago Botelho dos Santos, Diogo Borges e Paulo Afonso Duarte. O trabalho foi publicado na The Pacific Review, revista académica editada pela Taylor & Francis.

O trabalho de investigação parte da adesão de Timor-Leste à iniciativa chinesa, algo que aconteceu em 2017, para analisar como tem corrido o relacionamento com a China, tendo em conta o facto de Timor-Leste ter “a condição de pequeno Estado”.

Conclui-se, assim, que “o envolvimento de Timor-Leste com a Iniciativa Faixa e Rota da China, particularmente no período pós-2023, pode ser entendido como uma tentativa estratégica e calculada de maximizar a sua condição de pequeno Estado num ambiente regional e global complexo”. Descreve-se que, neste período, a política externa timorense tem-se caracterizado “por uma abordagem multivectorial, estrategicamente ancorada no multilateralismo”, procurando “diversificar parcerias internacionais para reforçar a segurança nacional, promover o desenvolvimento económico e ampliar a sua voz no sistema internacional”.

O estudo aponta que as relações entre Timor-Leste e China, no contexto da iniciativa Faixa e Rota, é um “movimento deliberado para alavancar oportunidades de desenvolvimento” no país, sendo uma estratégia alinhada com o Plano Estratégico de Desenvolvimento de Timor-Leste 2011-2030.

O plano visa “promover a diversificação económica e o desenvolvimento de infraestruturas críticas, num contexto em que a Iniciativa Faixa e Rota 2.0 enfatiza infraestruturas digitais, energia verde e cooperação na área da saúde”.

O potencial timorense

Os três académicos destacam ainda que Timor-Leste, ao pertencer à iniciativa geopolítica chinesa, tem potencial para se destacar economicamente, e também em termos comerciais, na região. O país tem “o potencial para se afirmar como centro logístico numa rota que liga o Sul do Oceano Índico ao Pacífico Sul”, pelo que a iniciativa chinesa “oferece uma oportunidade relevante para elevar significativamente a sua proeminência regional e facilitar, de forma decisiva” a integração na ASEAN [Associação de Nações do Sudeste Asiático], a que Timor-Leste aderiu recentemente.

Apesar de todos estes sinais positivos, o estudo conclui que “embora a relação de Timor-Leste com a China se tenha aprofundado, culminando numa parceria estratégica abrangente em 2024, o seu envolvimento continua a ser marcado por um pragmatismo cauteloso”.

Neste contexto, “pondera-se cuidadosamente os benefícios de uma maior conectividade e investimento face a preocupações relativas à sustentabilidade da dívida, à transparência e a possíveis dependências estratégicas”. Esta cautela do lado de Timor-Leste demonstra a sua “capacidade de acção ao envolver-se selectivamente em projectos alinhados com os seus interesses nacionais”, deambulando pelas “complexidades da competição entre grandes potências no Indo-Pacífico, ao mesmo tempo que mantém o seu compromisso com uma política externa equilibrada e diversificada”.

O pragmatismo timorense denota-se ainda, segundo o estudo, no facto de o país “não apenas optimizar oportunidades de desenvolvimento, como também reforçar a sua posição regional ao analisar meticulosamente os benefícios económicos face aos potenciais riscos”. O que se fortalece, “em última instância”, é a “capacidade de acção enquanto pequeno Estado”, destacam os autores.

Uma capacidade “notável”

O estudo em questão destaca como Timor-Leste tem tido “uma notável capacidade de acção” no contexto da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” tendo como ponto de comparação outros pequenos Estados, como o Sri Lanka.

Citando outros estudos, os três académicos destacam como “Timor-Leste tem demonstrado uma abordagem mais cautelosa do que países como o Sri Lanka, que enfrentaram preocupações significativas quanto à sustentabilidade da dívida associada a projectos da BRI [Belt and Road Initiative] ou Estados sem litoral como o Laos e nações costeiras como o Camboja”.

No caso destes países do Sudeste Asiático, “os empréstimos chineses para projectos emblemáticos, como caminhos-de-ferro e autoestradas, aumentaram drasticamente a dívida externa e a dependência em relação a Pequim”.

O que se procurou fazer nesta investigação foi “examinar a posição singular de Timor-Leste, não como financiador, mas também não como vítima de uma ‘armadilha da dívida'”, destacando-se “a forma distinta e valiosa de capacidade de acção de um pequeno Estado no âmbito da BRI”.

Os autores destacam que, na última década, a China “expandiu significativamente a sua presença no Sudeste Asiático” através da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, tendo, com isso, “ampliado a sua influência regional nas esferas económica, de segurança e política”. Neste relacionamento, Timor-Leste tem estado “longe de ser um observador passivo”, procurando “envolver-se activamente com a China para assegurar benefícios de desenvolvimento”.

Timor-Leste procurado “identificar uma oportunidade para alinhar-se com os objectivos de longo prazo” do seu Plano Estratégico de Desenvolvimento 2011-2030, indicam os analistas.

“Estrategicamente, o país também pretende capitalizar a sua posição geográfica nas rotas marítimas comerciais emergentes, particularmente através do estabelecimento de um polo logístico no Sul do Oceano Índico e no Pacífico Sul, potencialmente reforçando o seu papel regional como novo Estado-membro integrado da ASEAN”, apontam os autores.

Timor-Leste procura “equilibrar ganhos económicos e potenciais dependências”, num contexto geopolítico que “inclui a competição entre grandes potências no Indo-Pacífico, onde as políticas dos Estados Unidos, sob sucessivas administrações, visam conter a influência regional da China”.

Em termos metodológicos, os autores realizaram esta investigação com base na leitura de relatórios oficiais, documentos que servem de base a acordos bilaterais assinados e documentação governamental. Além disso, foram realizadas entrevistas a “especialistas sediados tanto na Europa como na Ásia”.

Os autores referem que procuraram entrevistar académicos e diplomatas “devido ao facto de os cidadãos comuns, em geral, não estarem familiarizados com as iniciativas multilaterais globais da China, enquanto os diplomatas tendem a ser excessivamente cautelosos nas suas declarações, dado que representam a posição oficial do seu Estado, e não necessariamente as suas opiniões pessoais”.

Entende-se, assim, que os académicos “tendem a oferecer análises mais equilibradas e rigorosas”. As questões versaram a forma como Timor-Leste, na qualidade de pequeno Estado, tem beneficiado da iniciativa chinesa, se esta iniciativa é compatível com o Plano Estratégico de Desenvolvimento de Timor-Leste 2011-2030, ou se “existem perigos visíveis de criação de dependência” entre os dois países, entre outras questões.

Pearl Horizon | Só 338 residentes compraram fracções de substituição

Apenas 338 residentes dos 1.923 lesados com a não construção do Pearl Horizon avançaram para a compra dos apartamentos de substituição, disponibilizados pela Macau Renovação Urbana. Os dados foram divulgados ontem pelo canal chinês da Rádio Macau.

Os apartamentos de substituição visavam auxiliar os residentes que ficaram sem as fracções que estavam a pagar quando o Governo recuperou o terreno onde iria ser construído o empreendimento de luxo Pearl Horizon.

O prazo para a compra terminou no final de Janeiro, de acordo com o despacho do Chefe do Executivo publicado em Novembro do ano passado. O número, representa 17,6 por cento dos residentes lesados. Os apartamentos de substituição ficam localizados no edifício Pearl Metropolitan, composto por seis blocos de apartamentos com 50 andares, fornecendo 2.064 fracções autónomas.

Segurança nacional | Calvin Chui defende nova lei

Calvin Chui, advogado e presidente da Federação de Juventude de Macau, defendeu a proposta de lei do Governo que vai permitir afastar os mandatários judiciais de qualquer processo que tenha elementos entendidos como relevantes para a segurança nacional.

“A transformação [do diploma] num sistema jurídico concreto e o aperfeiçoamento da ‘arquitectura’ de alto nível da estrutura de funcionamento da segurança nacional estão em consonância com os requisitos fundamentais da governação de Macau, de acordo com a lei”, afirmou Chui, filho do deputado Chu Sai Peng e sobrinho do ex-Chefe do Executivo Chui Sai ON, em declarações citadas pelo Canal Macau. “Esta abordagem promove também o estado de direito e a institucionalização e a normalização do trabalho de segurança nacional, com o objectivo último de estabelecer uma salvaguarda jurídica mais robusta e estável para a estabilidade a longo prazo e a prosperidade sustentada da RAEM”, acrescentou.

Segundo as exigências futuras do diploma que ainda vai ser votado na Assembleia Legislativa, a comissão vai ter todos os poderes para vetar a participação dos advogados de processos. Além disso, os mandatários judiciais têm de apresentar informação detalhada sobre as suas vidas, ligações com o exterior e também do agregado familiar.

Paternidade | Governo rejeita apelos a reforço da licença

O Governo de Macau rejeitou ontem apelos ao aumento da licença de paternidade, apesar da região pretender reforçar a licença de maternidade e das férias anuais, para inverter a mais baixa natalidade do mundo.

Na primeira sessão de uma consulta pública, representantes de duas das mais importantes associações tradicionais do território defenderam a extensão da licença de paternidade, actualmente fixada em apenas cinco dias úteis.

Um dirigente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau disse que a licença de paternidade deveria ser prolongada até 15 dias ou, em alternativa, parte da licença poderia ser gozada pelo pai.

O representante, de apelido Sit, defendeu que a medida poderia ajudar o pai a ter um papel mais activo, nomeadamente nos primeiros meses de vida do bebé, sobretudo se a mãe ainda estiver a recuperar de parto por cesariana.

Também uma representante da Associação Geral das Mulheres de Macau apelou ao reforço da licença de paternidade, para encorajar os pais a tomar conta dos filhos e “promover a igualdade de género”.

Mas Maria Chu Pui Man, dirigente da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), rejeitou os apelos e disse apenas que o pai poderá, como já acontece actualmente, tirar dias para apoiar a família após o nascimento.

A consulta pública, a decorrer até 16 de Março, tem como base uma proposta da DSAL para estender a licença de maternidade no sector privado de 70 para 90 dias – um valor já aplicado aos funcionários da administração pública – com os custos a serem divididos entre o Governo e os empregadores.

Férias na agenda

As autoridades querem também aumentar as férias anuais no sector privado, por antiguidade. Há 40 anos que os residentes permanentes de Macau têm direito a apenas seis dias remunerados de descanso anual. Os funcionários públicos têm direito a 22 dias úteis.

O Executivo do território propõe que os trabalhadores tenham direito a mais um dia útil de férias por cada dois anos que passam na mesma empresa, até um máximo de 12 dias úteis por ano.

Um dos objectivos das alterações, disse em 30 de Janeiro o director da DSAL, Chan Un Tong, é permitir à população de Macau “obter um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar”.

O Governo encomendou em 2025 um estudo “a uma terceira entidade” – cuja identidade não foi revelada – sobre o eventual aumento da licença de maternidade e de férias anuais, que foi concluído no final de ano. O estudo incluiu um inquérito, segundo o qual os trabalhadores consideram tanto a actual licença de maternidade como o período de férias anuais “insuficiente para atender às necessidades familiares”.

Líderes do mundo

Questionado pela Lusa sobre o potencial impacto das alterações na taxa de natalidade em Macau, que em 2024 foi a mais baixa do mundo, Chan Un Tong respondeu que o objectivo é “aperfeiçoar o direito dos trabalhadores ao descanso”.

Em 2025, Macau registou 2.871 recém-nascidos, uma queda de 20,4 por cento e o menor número de nascimentos em quase 50 anos, disse em 01 de Janeiro o director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou.

Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais.

Este valor é ainda mais baixo do que a estimativa feita num relatório divulgado em Julho pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA, na sigla em inglês): 0,68 nascimentos por mulher.

Apesar de mais optimista, a estimativa da UNDESA já indicava que Macau teria tido em 2024 a mais baixa natalidade do mundo, a uma grande distância da segunda jurisdição na lista, Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher.

Calamidade

“Não vou votar nem que me prendam”

Fomos até Portalegre ajudar alguns amigos que estavam desesperados com a destruição das suas casas, à semelhança de milhares de portugueses de Norte a Sul. Kristin, Leonardo e no passado sábado a Marta, tempestades que já provocaram 15 mortos. Três tempestades de muita chuva e vento que deixaram Portugal em estado de calamidade. Vendo bem, foram umas chuvadas idênticas a tantas que acontecem em Inglaterra e que não deixam milhares de pessoas no desespero e sem tudo o que conseguiram amealhar ao longo de uma vida de trabalho. Com uma diferença, é que em Portugal as autoridades governamentais nunca souberam o que é o planeamento.

Planear o que fazer em caso de catástrofe, em caso de inundações, em caso de terramoto, em caso de cair um avião em Lisboa, em caso de adquirir e armazenar um lote de geradores se se registar um apagão energético. Planeamento é palavra desconhecida de quem governa. Preocupam-se com o dia a dia e com o anúncio de um aeroporto em Alcochete, que deverá estar a funcionar lá para o ano de 2045 e com um TGV de Lisboa a Badajoz.

Neste último caso do TGV, mais valia que o Governo se tivesse decidido por um TGV entre Beja e Lisboa e já estivesse o aeroporto de Beja a funcionar como o aeroporto internacional de Lisboa. Mas voltemos a Portalegre e onde vários alentejanos nos disseram, como acto de revolta e desespero, à semelhança de Leiria, Marinha Grande, Alcácer do Sal, Ourém, Coimbra ou Régua, que “Não vou votar nem que me prendam”. Na verdade, a segunda volta das eleições presidenciais teve lugar ontem na maior parte do território nacional, apesar de alguns municípios terem decidido o seu adiamento por falta de condições mínimas para abrir mesas de voto.

A calamidade que se instalou em Portugal, há quem refira sem precedentes, tem sido algo horrível. Aldeias isoladas, campos agrícolas que desapareceram, casas que voaram, centenas de telhados que desapareceram, fábricas onde tudo ficou destruído e os trabalhadores no desemprego para muitos meses, milhares de árvores caídas, centenas de carros destruídos, caudais de água que invadiram casas, hotéis e restaurantes – alguns até ao tecto, lares desalojados, bombeiros exaustos, uma senhora a cozinhar num cubículo para 300 famílias de um agregado habitacional, barcos dos fuzileiros navais sem parar a transportar pessoas que já tinham a casa inundada, animais que ficaram sem estábulos ou casotas, alimentos que não chegavam a certas populações.

Ainda há milhares de portugueses sem energia, água e telecomunicações. Uma tragédia que atingiu um povo que nunca imaginou ser possível tal dimensão de catástrofe. No entanto, há que salientar um aspecto muito importante: a solidariedade. Recordamos, por exemplo, a atitude do povo transmontano, particularmente em Mirandela, onde as Juntas de Freguesia se juntaram e adquiriram toneladas de telhas que foram levadas para a Marinha Grande num camião de 16 rodas facilitado pela proprietária do mesmo. A solidariedade de uns para os outros tem sido infindável e tem constituído a grande montra de humanismo escarrapachada na cara dos governantes que se limitam a visitar as desgraças vividas pelas populações e que amanhã já estão a planear as férias de Verão no Algarve ou em Punta Cana.

A primeira tempestade Kristin registou-se há quase duas semanas, mas possivelmente os apoios estatais a quantos ficaram sem nada, talvez só cheguem esta semana. As seguradoras começam a “patinar” no que concerne a colocar o preto no branco quanto ao pagamento dos prejuízos que cada cidadão sofreu com as intempéries. As seguradoras deviam ser alvo de coimas avultadas quando não cumprem com o estipulado a favor dos prejudicados. Só pensam no lucro anual…

E agora? Perguntam os especialistas sobre o futuro, no caso de continuarem a aparecer novos Leonardos ou Martas? O Governo tem de dar uma resposta rápida sobre o futuro e o que pensa reformar para que algo mude com decisões de positivismo. E a começar pela instituição ‘Proteção Civil’, a qual não tem a humildade de assumir que o seu sistema está cheio de insuficiências.

Foram duas semanas de horror, pânico, sofrimento e prejuízo. Houve mulheres e homens que estiveram mais de quatro dias sem dormir uma hora. Olhar à sua volta e apenas ver água a subir e a destruir-lhe o frigorífico, a máquina de lavar roupa, o fogão, as alcatifas e todos os valores materiais que decoram uma casa foi algo de muito triste. As televisões mostraram as lágrimas de homens e mulheres que ficaram absolutamente sem nada. O país não pode continuar assim, porque o país não é pobre, o que existe são ladrões a mais.

Lamborghini | Estreia asiática do Temerario GT3 poderá ser em Macau

A Lamborghini despediu-se do Huracán GT3 no Grande Prémio de Macau de 2025 e aponta agora à estreia asiática do recém-lançado Temerario GT3, prevista para o mês de Novembro, nas ruas da nossa cidade

A nona edição da Taça do Mundo FIA GT, agendada para os dias 19 a 22 de Novembro no Circuito da Guia, surge como o palco provável para a estreia no continente asiático do mais recente carro de competição da marca de Sant’Agata Bolognese, numa temporada em que o novo modelo de motor V8 biturbo estará sobretudo em fase de consolidação competitiva na Europa e nos Estados Unidos da América.

Devido às limitações inerentes à produção e entrega dos novos carros, a Lamborghini Squadra Corse nunca equacionou seriamente a introdução do Temerario GT3 no mercado Ásia-Pacífico no seu ano de lançamento, apesar do interesse manifestado por várias equipas, incluindo a JLOC, formação do campeonato japonês Super GT que o piloto local André Couto chegou a representar. Ainda assim, existe uma clara vontade por parte do departamento de competição da Automobili Lamborghini em colocar o seu novo GT3 em pista na Ásia já este ano, precisamente no contexto do Grande Prémio de Macau.

“Posso confirmar que nenhum Temerario será inscrito no GT World Challenge Asia ou noutros campeonatos regionais”, explicou um porta-voz da marca italiana ao portal português SportMotores.com. “No entanto, estamos a trabalhar na Taça do Mundo FIA GT, em Macau, uma prova de enorme importância para nós, onde pretendemos marcar presença da melhor forma possível. Nesta fase, não podemos adiantar mais pormenores.”

A possibilidade de a Lamborghini alinhar este ano na prova da RAEM com o antigo Huracán GT3 está afastada. O modelo enfrentou dificuldades em 2024 relacionadas com a introdução dos obrigatórios e polémicos sensores de binário. Edoardo Mortara viveu um fim-de-semana particularmente ingrato, ao ver o seu terceiro melhor tempo na Super Pole anulado por exceder o limite máximo de potência, acabando mais tarde por abandonar a corrida principal quando o seu carro se desligou.

Limitações de produção

Ao contrário de outros departamentos de competição de grandes construtores, a Lamborghini Squadra Corse é uma estrutura relativamente reduzida. O principal factor limitativo na implementação do Temerario GT3 esta temporada, especialmente fora da Europa, prende-se não só com a disponibilidade de unidades, mas sobretudo com a prioridade dada a um apoio técnico adequado por parte da fábrica.

Os Estados Unidos da América, onde o carro fará a sua estreia em competição nas 12 Horas de Sebring, em Março, continuam a assumir um papel estratégico para a Lamborghini, daí a presença a tempo inteiro da marca no IMSA SportsCar Championship através da equipa Pfaff Motorsports. Para a presente época, a Lamborghini Squadra Corse alocou sete exemplares do Temerario GT3 à competição na Europa, repartidos entre o GT World Challenge Europe e o DTM. O construtor italiano planeia alinhar com três carros no GT World Challenge Europe e quatro no DTM.

Mercedes-AMG avalia regresso

A ausência da Mercedes-AMG na edição do ano passado foi um dos temas mais comentados no paddock. Tal decisão foi justificada pela falta de oportunidades para as equipas clientes asiáticas testarem os complexos sensores de binário, numa fase em que a marca de Estugarda atravessa um exigente processo de transição das suas actividades desportivas da HWA para a nova subsidiária Affalterbach Racing.

“Nesta fase, não é possível afirmar se um Mercedes-AMG GT3 irá competir na Taça do Mundo FIA GT em Macau, em 2026”, afirmou ao Hoje Macau uma fonte oficial do construtor alemão, que mantém elevado interesse no evento da RAEM. “A prova é extremamente apelativa, tanto do ponto de vista desportivo como estratégico. Iremos analisar cuidadosamente as condições no momento oportuno e avaliá-las em conjunto com as equipas interessadas.”

Refira-se ainda que o Grande Prémio de Macau poderá simbolizar o adeus definitivo do actual Mercedes-AMG GT3, uma vez que a marca da estrela está já a desenvolver a próxima geração do seu carro para a categoria, cuja estreia em competição poderá ocorrer em 2027.

CNRS | Descoberto dinossauro com 125 milhões de anos e picos idênticos ao porco-espinho

Uma nova espécie de dinossauro herbívoro, que viveu há 125 milhões de anos e possuía espinhos comparáveis aos de um porco-espinho moderno, foi descoberta na China, anunciou na sexta-feira o Centro Nacional Francês de Investigação Científica (CNRS).

Em comunicado, o CNRS afirmou que “até então, não existiam provas que comprovassem a existência de tais espinhos nos dinossauros” e explicou que os cientistas baptizaram a nova espécie de ‘Haolong dongi’ em homenagem a Dong Zhiming, pioneiro da paleontologia chinesa.

A investigação sobre a descoberta foi publicada na sexta-feira na revista Nature Ecology & Evolution, noticiou a agência Efe.

A descoberta na China da pele fossilizada excepcionalmente bem preservada de um jovem iguanodonte do Cretácico levou os cientistas do CNRS e os seus parceiros internacionais a utilizarem tomografias de raios X de alta resolução e cortes histológicos.

Os investigadores conseguiram então observar células da pele preservadas durante 125 milhões de anos, que indicaram a presença de espinhos ocos e córneos em grande parte do corpo, comparáveis aos dos porcos-espinhos modernos na sua função de defesa.

Estas protuberâncias demonstram também um mecanismo de defesa evolutivo até então desconhecido nos iguanodontes, um grupo de dinossauros que, dependendo da espécie, podiam medir entre 6 e 10 metros de comprimento e pesar várias toneladas.

O estudo sugere que os espinhos desempenhavam um papel na termorregulação (por serem ocos, poderiam ter ajudado a dissipar ou absorver calor) ou na percepção sensorial (para detectar movimentos ou alterações no ambiente).

“Como o espécime ‘Haolong dongi’ é um juvenil, ainda não se sabe se estes espinhos também estavam presentes nos adultos”, observou ainda o CNRS.

Mar do Sul | Pequim realiza patrulhas aéreas e navais

Pequim revelou ontem que realizou patrulhas aéreas e navais no disputado mar do Sul da China, em resposta aos exercícios conjuntos realizados em Janeiro pelas Filipinas e pelos Estados Unidos nestas águas disputadas.

O porta-voz do Comando do Teatro Sul do Exército de Libertação Popular (PLA, na sigla em inglês) disse que as patrulhas decorreram entre 02 e 6 de Fevereiro, sem fornecer mais detalhes sobre os meios aéreos e navais envolvidos.

“Numa tentativa de provocar instabilidade no mar do Sul da China, o lado filipino aliou-se a países de fora da região e realizou as chamadas ‘patrulhas aéreas bilaterais’, o que mina a paz e a estabilidade regional”, lamentou Zhai Shichen.

Em comunicado, o porta-voz realçou que as forças chinesas “permanecerão em alerta máximo” e “defenderão firmemente a soberania territorial e os direitos e interesses marítimos da China”. As manobras seguiram-se às realizadas por Pequim, nas mesmas águas, em 25 e 26 de Janeiro, depois de as Filipinas e os Estados Unidos terem organizado um exercício conjunto de navegação no Atol de Scarborough.

Este atol é conhecido como Huangyan na China e como Bajo de Masinloc, nas Filipinas, que garantem que a zona se encontra dentro da zona económica exclusiva de Manila.

A China reivindica a soberania sobre praticamente todo o mar do Sul da China, uma região estratégica por onde passa aproximadamente 30 por cento do comércio marítimo global e que contém importantes áreas de pesca e potenciais reservas de hidrocarbonetos.

Justiça | Anulada pena de morte de um canadiano num caso de droga

A aproximação entre a China e o Canadá, reflectida na recente viagem do primeiro-ministro Mark Carney a Pequim, parece ter impactado no cancelamento da sentença de morte aplicada ao cidadão canadiano

A China cancelou a pena de morte de um canadiano acusado de tráfico de droga por Pequim, disse sexta-feira uma fonte governamental canadiana, marcando um novo sinal de redução da tensão diplomática entre os dois países.

Detido por tráfico de droga, Robert Lloyd Schellenberg tinha sido condenado à morte em Janeiro de 2019, altura em que as tensões eram muito fortes entre Pequim e Ottawa, após a detenção, em Vancouver (oeste do Canadá), de Meng Wanzhou, directora financeira da Huawei, a pedido dos Estados Unidos.

Mas as relações desde então têm-se acalmado com a libertação de Meng Wanzhou e porque as políticas proteccionistas do Presidente americano Donald Trump e a sua diplomacia por vezes errática levaram o Canadá a aproximar-se da China.

Em meados de Janeiro, o Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, discutiram em Pequim uma nova parceria, após anos de desentendimentos.

Uma porta-voz do Ministério canadiano dos Negócios Estrangeiros precisou que Ottawa tinha sido informado da “decisão do Supremo Tribunal Popular da República Popular da China no caso de Robert Schellenberg”.
“O Canadá defendeu clemência neste caso, como faz para todos os canadianos condenados à pena de morte”, acrescentou.

Detido em 2014 por tráfico de droga e condenado em primeira instância a 15 anos de prisão, Robert Lloyd Schellenberg foi novamente julgado e condenado à morte em 2019. Na altura, a justiça tinha considerado a pena inicial demasiado “branda”.

O tribunal tinha-o acusado de ter desempenhado um “papel chave” num tráfico de droga destinado a enviar cerca de 222 quilos de metanfetamina para a Austrália. Já condenado no passado no Canadá por tráfico de estupefacientes, Schellenberg afirmava, por sua vez, ser apenas um turista que teria sido apanhado.

A confirmação da sua pena ocorreu no momento em que Meng Wanzhou se encontrava perante um tribunal canadiano para audiências dedicadas à sua possível extradição para os Estados Unidos.

A directora financeira da Huawei e filha do fundador do gigante chinês das telecomunicações era acusada de ter mentido para contornar as sanções americanas contra o Irão. Ao mesmo tempo, a China tinha também colocado atrás das grades dois cidadãos canadianos, Michael Kovrig e Michael Spavor, acusados de espionagem.

Embora os três tenham sido, entretanto, libertados, as tensões persistiram, com Pequim a culpar Ottawa pelo seu suposto alinhamento com a política chinesa de Washington, até ao regresso de Donald Trump ao poder e sua ingerência nas eleições canadianas.

Virar a página

Ao deslocar-se a Pequim em meados de Janeiro, o primeiro-ministro Mark Carney quis virar a página de anos de atrito entre os dois países. Esta foi a primeira visita de um chefe de governo canadiano a Pequim desde a de Justin Trudeau, em Dezembro de 2017.

Embora o Canadá tenha, historicamente, económica e politicamente, laços muito mais fortes com o seu vizinho americano, o Canadá e a China têm em comum sofrer, directa ou indirectamente, nos últimos anos, os efeitos das políticas agressivas do Presidente Donald Trump, tanto contra os seus rivais como contra os seus aliados.

Carney assumiu o compromisso de ver o Canadá duplicar as suas exportações para países além dos Estados Unidos até 2035. E destacou o peso da China: segunda potência económica representando um terço do crescimento global e com a qual o comércio sustenta centenas de milhares de canadianos.

A China é o segundo parceiro comercial do Canadá, atrás dos Estados Unidos. O volume de trocas de bens entre o Canadá e a China atingiu 89,62 mil milhões de dólares americanos em 2025.

Arquivo em Lisboa ajuda brasileiros a confirmar posse de terras

O Arquivo Histórico Ultramarino (AHU) de Portugal ainda hoje é consultado por brasileiros que procuram provas de que são os donos das suas terras no Brasil, distribuídas pelos portugueses há cinco séculos, indica a responsável por esta instituição.

“De tempos a tempos, recebemos pedidos de cedência de um documento autenticado para um tribunal, ou para dirimir um litígio ou um conflito a esse nível, apesar de ser documentação histórica”, disse à agência Lusa Ana Canas, investigadora do Centro de História da Universidade de Lisboa e que tem desempenhado funções de direcção do AHU.

Esta documentação, fisicamente presente no AHU, mas já disponível nos meios digitais, inclui documentos da concessão de sesmarias no Brasil, um sistema de distribuição de terras adoptado pela Coroa portuguesa, no século XVI, em que eram doadas terras aos sesmeiros, para que estes as ocupassem e nelas produzissem.

E é esta prova de concessão da terra que os seus proprietários ainda hoje procuram no AHU, pois é lá que reside a documentação resultante do relacionamento entre o Brasil e a administração portuguesa, durante o período colonial.

Quilómetros de papéis

O AHU, criado em 1931 com o objectivo de salvaguardar os repositórios da administração colonial portuguesa, guarda cerca de 17 quilómetros de documentação, a qual retrata o relacionamento entre os vários territórios (antigas colónias portuguesas) e os organismos sediados em Lisboa.

Documentos que se têm revelado fontes de informação sobre estes territórios e as suas vivências: Índia, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau.

O acervo do Brasil, localizado nas instalações do AHU, que fica no Palácio do Ega, em Lisboa, foi objecto do “Projecto Resgate Barão do Rio Branco”, um programa de cooperação arquivística internacional, que tem por missão catalogar e reproduzir a documentação histórica manuscrita referente a este país, até à independência, em 1822.

Os portugueses chegaram ao Brasil em 1500 e a ocupação das terras arrancou em 1530. É a história desta presença e o relacionamento com a Coroa, em Portugal, até à independência, que a documentação relata. Durante mais de 10 anos, cerca de 120 investigadores envolvidos neste projecto trabalharam os 300.000 documentos que se encontram no AHU e que envolvem o Brasil, os quais estão agora devidamente identificados e distribuídos em mais de 2.000 caixas, além de disponíveis nos meios digitais.

Concerto | OneRepublic actuam em Hong Kong este mês

A banda norte-americana OneRepublic está de regresso à Ásia para uma série de concertos, destacando-se a ida ao palco da AsiaWorld-Expo já no dia 17 para o espectáculo da digressão “OneRepublic – From Asia, With Love in Hong Kong”. Seguem-se actuações na China, Coreia e Japão

Os fãs asiáticos dos norte-americanos OneRepublic têm em breve a oportunidade de os ver novamente de perto. Depois de uma visita a Macau em 2024, o grupo vem novamente à Ásia, mas desta vez à vizinha Hong Kong, para actuar no contexto da digressão “OneRepublic – From Asia, With Love in Hong Kong”. Este espectáculo está agendado para o dia 17 deste mês na AsiaWorld-Expo.

Com organização da LiveNation, o concerto acontece a partir das 20h e promete trazer os grandes êxitos da banda que já esteve nomeada para um Grammy, nomeadamente “Counting Stars”, “Apologize”, “I Ain’t Worried” e “Run”.

Na sinopse do espectáculo, divulgada no portal da AsiaWorld-Expo, lê-se que a banda “continua a cativar milhões de fãs em todo o mundo com o seu som característico e narrativas sinceras”, sendo que, na sua passagem por Hong Kong, os fãs podem esperar “uma noite electrizante de música, energia e conexão”, numa celebração colectiva “dos maiores sucessos e novos trabalhos” do grupo.

A digressão “From Asia, With Love” visa ser “uma celebração especial da forte ligação da OneRepublic com os seus fãs asiáticos, destacando a região como um dos públicos mais apaixonados da banda”, sendo que Hong Kong “será uma das paragens principais desta digressão exclusiva”.

Depois da ida à região vizinha, a banda segue viagem, no dia 23, para Seul, na Coreia do Sul; seguindo-se actuações em Tóquio, dia 25, e Kobe, no dia 27. Em Março, é a vez dos OneRepublic viajarem para mais um espectáculo a acontecer em Singapura, dia 2; seguindo-se Taipei, Taiwan, dia 4 de Março. Seguem-se os concertos na China dias 17, 19 e 25 de Abril nas cidades de Shenzhen, Wuhan e Xangai, respectivamente.

Os OneRepublic continuam em digressão pelo resto do mundo, nomeadamente com concertos no México e na Europa, em países como Itália, Luxemburgo, Espanha e Escócia.

Sucessos desde 2000

Os OneRepublic surgiram em 2002 no Colorado Springs apresentando-se como um grupo de canções pop rock e rock alternativo, começando por fazer sucesso na rede social MySpace, entretanto desaparecida. Em 2006 os A banda conseguiu assinar contrato com a editora discográfica Mosley Music Group, lançando então o seu álbum de estreia, “Dreaming Out Loud”.

Nessa altura atingiram o sucesso internacional, graças ao single “Apologize”, que contou com a contribuição do rapper e produtor Timbaland; e ainda o single “Stop and Stare”. Este disco vendeu mais de três milhões de cópias em todo o mundo.

Depois de vários anos de discos e de estrada, os OneRepublic participaram, em 2022, na banda sonora do filme que reviveu o clássico do cinema “Top Gun”, protagonizado por Tom Cruise. No disco que contém todas as músicas de “Top Gun: Maverick” a banda participa com “I Ain’t Worried”, ao lado de nomes como Lady Gaga ou Lorne Balfe. Depois do lançamento, em 2024, de “Artificial Paradise”, o grupo regressou às novas canções em Dezembro do ano passado com o single “Give Me Something”, feito para o jogo “Arknights Endfield”. Esta música foi produzida pelos membros da banda Ryan Tedder, Brent Kutzle e Simon Oscroft.

Timor-Leste | ONG ajuda médicos a realizarem internatos em Macau

A Fundação GX tem apoiado estudantes de Timor-Leste a realizarem internatos médicos em Hong Kong e Macau, disse ontem o presidente da organização não governamental (ONG).

Leung Chun-ying explicou que a GX, com sede em Hong Kong, tem dado apoio financeiro para permitir que estudantes de medicina da Universidade Nacional Timor Lorosa’e se desloquem a uma das duas regiões chinesas.

Numa entrevista à emissora pública de Hong Kong RTHK, o antigo líder do Governo do território disse que a fundação expandiu o trabalho para dez países em quatro continentes, oferecendo oito tipos diferentes de assistência.

Leung disse que a GX assinou acordos com três instituições locais de ensino superior: a Universidade de Hong Kong, a Universidade Chinesa e a Universidade Politécnica. O objectivo, explicou o ex-chefe do Executivo de HK, é ajudar os estudantes a participarem em trabalhos humanitários, para que possam aprender “benevolência” em Hong Kong e “compaixão” no estrangeiro.

Leung defendeu que, face às grandes mudanças no panorama internacional, a China precisa não só de consolidar as amizades existentes com outros países, mas também de fazer novas.

Em Outubro de 2024, a directora executiva da GX, Emily Chan Ying-yang, disse à Lusa que a fundação queria aplicar em outros países, a começar pelas Honduras, um projecto que inverteu em Timor-Leste o rápido crescimento da dengue.

Entre Janeiro e Julho, a GX instalou mais de 1.670 lâmpadas anti-mosquitos e distribuiu quase 30 mil fitas adesivas para apanhar insectos, perto de 18 mil testes rápidos de detecção da dengue e cerca de 500 redes anti-mosquitos, nos 14 municípios timorenses.

Cooperação | Coimbra e Macau com programa de investigação

O programa de colaboração académica entre universidades das duas cidades vai centrar-se na promoção de estudos sino-portugueses e contempla a digitalização de arquivos históricos

A Universidade de Coimbra e a Universidade Politécnica de Macau lançaram um programa de investigação em Humanidades Digitais, centrado na promoção de estudos sino-portugueses, que passa pela digitalização de arquivos históricos, anunciou a instituição chinesa.

A iniciativa tem como objectivo “desenvolver ainda mais o papel de Macau como ponte de intercâmbio académico entre a China e os países de língua portuguesa e aprofundar a cooperação internacional na investigação científica interdisciplinar”, lê-se num comunicado da Universidade Politécnica de Macau (UPM).

O novo programa, lançado oficialmente esta semana, vai reunir “as vantagens das duas universidades” para “desenvolver inovações de investigação multidimensionais”, centrando-se na “promoção de estudos de humanidades sino-portugueses, incluindo a digitalização dos arquivos históricos, a investigação e o desenvolvimento em modelos de linguagem portuguesa de grande escala e inteligência artificial, a revitalização digital do património cultural, bem como a comunicação digital contemporânea”.

Ainda de acordo com o comunicado, o vice-reitor da Universidade de Coimbra (UC), Nuno Mendonça, referiu na ocasião que, com a inteligência artificial a alterar profundamente a investigação e o ensino, “a ascensão das humanidades digitais não é apenas um desafio técnico, mas também um diálogo profundo que envolve ética e cultura”.

“Com os séculos de experiência nos estudos da cultura chinesa, a UC serve de ponte académica entre o Oriente e o Ocidente, com o objectivo de integrar as tecnologias linguísticas, as indústrias criativas e a investigação em património cultural através deste programa”, disse Mendonça, citado na nota.

Laboratórios académicos

No futuro, as duas universidades vão cooperar para criar laboratórios académicos que “serão pioneiros na inovação tecnológica no campus em Hengqin, um espaço que simboliza a fusão entre tradição e inovação”, reforçou.

As duas instituições de ensino assinaram um acordo “para estabelecer uma base de cooperação no domínio do ensino superior na ‘Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin’, a fim de construir um ‘campus internacional’ orientado para a comunidade mundial”, lembrou, por seu turno, o reitor da UPM.

Neste sentido, disse Marcus Im, o novo programa assume uma missão significativa. Com foco “nas tecnologias da linguagem e dos textos e nas aplicações digitais”, e através da “construção de uma base de dados de textos interlinguísticos, promove a inovação de dados nas ciências humanas e sociais”.

Por outro lado, através de exposições digitais e experiências interactivas, “estimula a divulgação e a partilha de recursos multiculturais”, constatou o reitor da UPM, também citado na nota. O novo campus da Universidade Politécnica de Macau estará integrado numa cidade universitária, que vai abranger também o novo campus da Universidade de Macau, cujas obras arrancaram em Dezembro do ano passado.

Na apresentação das Linhas de Acção Governativa para 2026, no final do ano passado, o Governo local referiu que, numa primeira fase, Universidade de Macau, Universidade Politécnica de Macau e Universidade de Turismo de Macau vão estabelecer-se no local, “prevendo-se que iniciem as actividades lectivas a partir de Setembro de 2026, com o número de estudantes fixado em 1.200, no primeiro ano, e com predominância ao nível de pós-graduação”.

Turismo | Aumentam gastos em elementos não jogo

No quarto trimestre de 2025, a despesa total dos visitantes não relacionada com o jogo cifrou-se em 21,87 mil milhões de patacas, mais 14,2 por cento, em termos anuais. O número foi revelado na sexta-feira pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

O aumento foi justificado com a despesa total dos excursionistas (5,34 mil milhões de patacas) que subiu 85,9 por cento. A despesa total dos turistas (16,54 mil milhões de patacas) cresceu 1,6 por cento. Contudo, os números mostram que as pessoas estão a gastar menos. A despesa per capita dos visitantes não relacionada com o jogo (2.104 patacas) diminuiu 1,0 por cento, em termos anuais, o que significa que o aumento é conseguido à custa do crescimento de o número de turistas, que individualmente estão a gastar menos.

Analisando a despesa per capita dos visitantes por principais origens, os gastos dos visitantes do Interior da China (2.245 patacas), de Hong Kong (988 patacas) e a dos visitantes internacionais (2.064 patacas) desceram 10,3 por cento, 2,1 por cento, e 3,5 por cento face a 2024. A despesa per capita dos visitantes de Taiwan (2.083 patacas) cresceu 6,7 por cento.

Fronteiras | Novo recorde de passagens a dez dias do Novo Ano Lunar

Macau registou um novo máximo histórico de entradas e saídas nas fronteiras, quando faltam dez dias para o Ano Novo Lunar, a maior migração anual do mundo, foi ontem anunciado.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) de Macau indicou que as fronteiras do território registaram a passagem de cerca de 867 mil pessoas no sábado, o número mais elevado desde que os registos diários começaram.

Num comunicado, a PSP referiu que a maior fatia dos movimentos (39,1 por cento) deveu-se aos turistas. Macau, capital mundial dos casinos, recebeu cerca de 174 mil visitantes no sábado, ainda assim longe do recorde diário, fixado em 2 de Janeiro: 188 mil.

Por outro lado, os residentes de Macau foram responsáveis por 36,7 por cento das entradas e saídas nas fronteiras da região, enquanto os trabalhadores migrantes representaram 21,6 por cento.

De acordo com os dados da PSP, a maior fronteira do território, as Portas do Cerco, foi também a mais movimentada, com quase 463 mil passagens, o valor diário mais elevado dos últimos cinco anos, desde o início da pandemia de covid-19.

Concertos | Grupo sul-coreano sobe ao palco sem cantor japonês

O cantor japonês Shotaro ficou de fora dos dois concertos do grupo Riize em Macau, o que foi justificado com “circunstâncias imprevisíveis”. As autoridades de Macau não se pronunciaram oficialmente, mas na Coreia do Sul as notícias indicam a existência de um boicote a artistas do país nipónico

A organização dos dois concertos dos Riize em Macau, que decorreram no fim-de-semana, confirmou que o grupo masculino sul-coreano actuou sem o cantor japonês Shotaro, numa altura de tensões entre Pequim e Tóquio.

Os Riize, que actualmente têm seis elementos, subiram ao palco da Galaxy Arena, no hotel-casino Galaxy Macau, com apenas cinco artistas, disse a empresa IME Macau. Num comunicado publicado nas redes sociais e citado pelo canal em língua portuguesa da televisão pública TDM – Teledifusão de Macau, a empresa justificou a decisão com “circunstâncias imprevisíveis”, sem mais detalhes.

Questionada na terça-feira sobre o cancelamento de espectáculos com artistas japonesas, a directora dos Serviços de Turismo de Macau disse não ter “informação concreta sobre a situação”.

Maria Helena de Senna Fernandes falava à margem da apresentação do desfile do Ano Novo Lunar, que celebra o ano do Cavalo. Ao contrário de anos anteriores, não haverá grupos do Japão.

Em 28 de Janeiro, a emissora sul-coreana MBC, que estava a organizar o ‘Show! Music Core in Macau’, um festival de música da Coreia do Sul, que incluía bandas que integram artistas japoneses, cancelou o evento.

O festival estava marcado igualmente para o passado fim-de-semana, no Local de Espectáculos ao Ar Livre, na zona do Cotai, criado pelo Governo da RAEM. A MBC não deu qualquer explicação para a decisão, dizendo apenas que foi tomada “após uma análise completa das circunstâncias locais e das condições logísticas gerais”.

Pelos vistos

Ainda antes do anúncio oficial por parte da MBC, a imprensa da Coreia do Sul já tinha avançado com o possível cancelamento devido à alegada dificuldade dos artistas japoneses em obter vistos para actuar em Macau.

A Lusa tentou confirmar esta informação junto dos Serviços de Imigração da Polícia de Segurança Pública, o Instituto Cultural (IC) de Macau e a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, mas não obteve qualquer resposta.

Em 12 de Dezembro, a presidente do IC negou qualquer interferência no cancelamento de concertos com artistas japoneses marcados para a região e garantiu que se trata apenas de decisões comerciais dos organizadores.

“Acho que diferentes partes têm os seus factores de ponderação”, disse Leong Wai Man, numa conferência de imprensa. “É normal ter ajustamentos sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, acrescentou.

Questionada pela Lusa sobre se havia indicações do Governo para a não realização de eventos culturais com artistas do Japão, Leong Wai Man garantiu que “esta é uma questão do sector comercial, é uma decisão do organizador” “Não tenho mais nada a acrescentar”, sublinhou a dirigente.

Em Dezembro, tinham sido cancelados espectáculos com artistas japoneses em pelo menos três diferentes hotéis-casinos de Macau. Em Novembro, a primeira-ministra do Japão falou no parlamento nipónico sobre uma eventual intervenção militar japonesa num conflito entre a China continental e Taiwan.

Sanae Takaichi afirmou que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”. Dias depois, Pequim desaconselhou deslocações ao Japão, exemplo seguido mais tarde pelas regiões semiautónomas de Macau e Hong Kong.

Ao contrário do habitual, o Governo de Hong Kong não enviou qualquer representante a um evento organizado pelo consulado do Japão na quinta-feira, para assinalar o aniversário do imperador nipónico Naruhito, avançou o portal de notícias Hong Kong Free Press.

Construção | Salários perderam valor em 2025

O salário real médio dos trabalhadores da construção civil teve uma quebra de 1,9 por cento no ano passado, de acordo com os dados apresentados pelos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Apesar disso, o índice do salário real do pintor aumentou 5,8 por cento, face a 2024, ao passo que o do assentador de tijolo e estucador desceu 3 por cento.

O índice médio de preços dos materiais de construção dos edifícios de habitação correspondeu a 122,3 no ano de referência, menos 1,1 por cento, face a 2024. O índice de preços da madeira e o do betão pronto desceram 1,8 por cento e 1,4 por cento, respectivamente, em termos anuais, enquanto o do cabo eléctrico aumentou 2,1 por cento.