Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePreços | Prevista estabilidade em produtos vindos da China Ip Sio Man, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, prevê a estabilidade de preços dos produtos a curto prazo tendo em conta que a maioria é importada da China. Porém, nos produtos oriundos do estrangeiro poderá haver aumentos dentro de meses O dirigente da Associação da União de Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, declarou ao jornal Ou Mun que não deverá haver um grande aumento de preços nos próximos meses nos produtos importados da China, tendo em conta que a taxa de câmbio continua a ser forte. Ip Sio Man explicou que o preço médio do câmbio atingiu o ponto mais alto do mercado em três anos, com 6,85 renminbis para um dólar americano. Tendo em conta que Macau importa mais produtos do interior da China, a associação defende que é limitado o impacto da taxa de câmbio. Na lista de exportadores de Macau surge, em segundo lugar, a região do Sudeste Asiático, enquanto mercadorias de média e alta qualidade são oriundas da Europa e EUA. Ip Sio Man afirmou que os preços dos produtos fabricados na China têm-se mantido estáveis, com a maioria dos importadores a optar por suportar os custos ao invés de aumentar os preços junto dos consumidores para aumentar as margens de lucro. O responsável defendeu ser cedo apresentar expectativas quanto a eventuais aumentos de preços, dizendo que a China tem reservas suficientes de petróleo, sendo generalizado o uso de transporte ferroviário e de veículos eléctricos. Além disso, os produtos frescos são oriundos de Guangdong e regiões próximas, pelo que Ip Sio Man acredita que é ainda possível controlar custos e evitar eventuais subidas de preços. No entanto, os produtos oriundos de fora da província de Guangdong poderão ficar mais caros por acarretar maiores distâncias no transporte. Depois de se fazerem os inventários dos produtos oriundos da Europa, dentro de dois a três meses, poderá haver um aumento de preços, acredita Ip Sio Man. Contentores mais caros No que diz respeito ao mercado internacional e preços praticados, em comparação com a valorização do renminbi, Ip Sio Man destacou que os preços internacionais dos combustíveis subiram, provocando o aumento de custos associados ao transporte e entrega, com maior impacto nos preços das mercadorias. Ip Sio Man falou do caso do transporte marítimo, cujo valor da tarifa por contentor, nas rotas do Sudeste Asiático, nomeadamente no caso da Tailândia, aumentou em cerca de 500 patacas. No caso das rotas europeias a situação é mais grave devido às tensões no Médio Oriente, tendo aumentado o tempo de trânsito de um mês para mais de três meses. Tal resulta num aumento significativo de custos financeiros e também de mais tempo gasto no transporte.
Hoje Macau Manchete SociedadeSupermercados admitem falta de produtos e aumento de preços devido à guerra A presidente da Associação dos Merceeiros e Quinquilheiros de Macau, Leong Weng Sao, admitiu haver escassez de fornecimento de alguns produtos nos supermercados de Macau e que, em cima da mesa, está a possibilidade de os preços dos bens continuarem a aumentar até ao final do ano, devido à pandemia e à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Isto, tendo em conta que devido ao conflito e aos constrangimentos gerados pela pandemia de covid-19, os fornecedores continuam a aumentar os preços das mercadorias, sobretudo devido aos custos associados às operações logísticas, que podem subir entre 15 e 20 por cento a cada trimestre. Ao jornal Ou Mun, Leong Weng Sao mostrou-se pouco optimista em relação ao futuro a curto prazo, apontando não ser possível excluir a possibilidade de os preços continuarem a aumentar até ao final de 2022, caso os efeitos do conflito e da pandemia continuem a ser sentidos. “É impossível vendermos produtos a preços inferiores aos custos. Não há alternativa ao aumento dos preços”, explicou. Com o aproximar de uma nova ronda de cartões de consumo, e a possibilidade de alguns supermercados e outros estabelecimentos aproveitarem a ocasião para aumentarem intencionalmente os preços de venda ao público, Leong Weng Sao admitiu o problema, mas garantiu que a associação tudo fará para “estabilizar os preços” dos bens essenciais. Além disso, a responsável alertou ainda que o facto de muitos supermercados serem inconstantes no que toca ao lançamento de promoções, poder induzir os clientes a pensar que os preços dos bens essenciais aumentaram, após deixarem de estar sujeitos a qualquer desconto. Caso suspeitem de práticas abusivas por parte dos supermercados, Leong Weng Sao sugere que os residentes verifiquem os preços dos bens através da aplicação do Conselho dos Consumidores (CC), denominada por “Posto de Informações de Preços de Macau”. Perdas e desafios Falando de forma abrangente sobre os efeitos da pandemia, a presidente da Associação dos Merceeiros e Quinquilheiros de Macau vincou que o sector continuou a operar sem que houvesse necessidade de despedir funcionários ou reduzir salários. No entanto, aponta, para além de o negócio ter caído 10 por cento em termos anuais no primeiro trimestre de 2022 e 30 por cento nos meses de Março e Abril, o sector tem estado debaixo de “stress” durante a pandemia. Sobretudo, tendo em conta que, a tempos, os supermercados têm vindo a suportar custos associados à desinfecção de mercadorias provenientes de Hong Kong e ao pagamento dos testes de ácido nucleico dos seus funcionários.
João Santos Filipe Manchete PolíticaEconomia | Si Ka Lon alerta para escalada irracional de preços O deputado ligado à comunidade de Fujian recebeu várias denúncias sobre comerciantes que aumentaram os preços depois da distribuição do “cheque”. Agora, alerta o Governo para a necessidade de fiscalizar o comércio face ao cartão de consumo O deputado Si Ka Lon denunciou a existência de comerciantes que aumentaram os preços a pensar no Programa de Comparticipação Pecuniária e no cartão de consumo, denominado “Plano de Benefícios do Consumo Por Meio Electrónico”. A denúncia foi feita através de uma interpelação, em que o membro da Assembleia Legislativa pergunta o que vai ser feito para controlar os aumentos irracionais dos preços. De acordo com o relato do legislador ligado à comunidade de Fujian, e ao empresário Chan Meng Kam, os aumentos surgiram principalmente após a distribuição do cheque com 10 mil patacas para os residentes permanentes e 6 mil patacas para os residentes não-permanentes. “A nossa equipa recebeu denúncias de vários membros da população a indicar que desde Abril, altura em que foi anunciado o plano de comparticipação pecuniária, que os preços de vários bens aumentaram imediatamente”, revelou Si Ka Lon. “Com o Plano de Benefícios do Consumo Por Meio Electrónico a ser lançado brevemente, e o mercado numa situação de depressão, a população está preocupada que os comerciantes vão fazer novos aumentos dos preços sem qualquer racionalidade”, alertou. “Esperamos que o Governo faça um bom trabalho na supervisão da matéria”, acrescentou. No mesmo sentido, o deputado pergunta qual é a eficácia do Governo “na luta” contra os comerciantes sem escrúpulos e se as punições aplicadas a quem pratica aumentos irracionais, e outras práticas comerciais questionáveis, são eficientes. Que andam a fazer? No âmbito da supervisão dos preços, o deputado questionou igualmente o Conselho de Consumidores sobre a forma como tem utilizado a nova lei de protecção do consumo, que entrou em vigor no início do ano. A lei veio dotar o Governo de poderes para poder recolher informações sobre os custos dos produtos até chegarem à venda ao consumidor. Na interpelação, Si Ka Lon questiona se, além dos combustíveis, os novos poderes foram utilizados para os bens dos supermercados e outros produtos à venda em Macau. Por outro lado, em relação à plataforma online em que o Conselho de Consumidores apresenta os preços dos bens em diferentes espaços comerciais, Si Ka Lon pergunta que medida são aplicadas quando se detecta um aumento superior a 50 por cento.