FRC | História da Diocese de Macau contada por Beatriz Basto da Silva

A antiga docente em Macau e investigadora Beatriz Basto da Silva protagoniza hoje, por videoconferência, uma palestra na Fundação Rui Cunha centrada na história da Diocese de Macau, que está a celebrar 450 anos de existência. “A Diocese de Macau – Scientia et Virtus” é o nome da sessão, integrada no ciclo “Serões com História”

A Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta hoje, a partir das 18h30, uma sessão dedicada à história da Diocese de Macau que conta com a presença online de Beatriz Basto da Silva, ex-residente no território, docente e investigadora na área da história de Macau.

A sessão, integrada no ciclo “Serões com História”, que acontece desde 2024, intitula-se “A Diocese de Macau – Scientia et Virtus: Corolário de um impulso com História” e é co-organizada pela Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco (AAAEC). A moderação está a cargo de José Basto da Silva, presidente desta entidade.

Segundo uma nota da FRC, Beatriz Basto da Silva irá falar sobre a criação da Diocese de Macau, há 450 anos, pela mão do Papa Gregório XIII, o 226.º sumo pontífice da Igreja Católica. “A legitimação outorgada pela Bula de Gregório XIII, em 1576, consagra em seus termos a criação da Diocese em Macau. Ao novo Bispo é conferida a necessária jurisdição para actuar no Extremo-Oriente”, refere Beatriz Basto da Silva, citada pela mesma nota.

Segundo esta, a decisão “teve as raízes nas bulas papais do Século XV, conducentes ao documento ‘Inter Cætere’ do Papa Calisto III (1456)”, tendo sido criado depois o chamado “Padroado Português”, que foi responsável pela “propagação da Fé Cristã”.

Um papel importante

Nascia, assim, a 23 de Janeiro de 1576, a Diocese de Macau, “inicialmente com jurisdição eclesiástica sobre a China, o Japão e as ilhas adjacentes”, tendo a sua criação confirmado, à época, “o papel que a então colónia portuguesa de Macau desempenhava, como centro de formação e de partida de missionários católicos, nomeadamente jesuítas, para os diferentes países da Ásia”, explica a mesma nota.

Para a docente e investigadora, “não consideramos que tal instrumento apostólico seja, na conjuntura, um ponto de chegada, nem se revelará só um ponto de partida”, mas será “talvez que, à luz dessa nova energia, eclode em Macau um fecundo viveiro de rápido crescimento”.

Beatriz Amélia Alves de Sousa Oliveira Basto da Silva nasceu na Anadia, Portugal, em 1944, e licenciou-se em História pela Universidade de Coimbra. Chegou em 1970 a Macau, onde foi professora de História no ensino secundário e também professora da cadeira de História de Macau no Centro de Formação de Magistrados. Desempenhou outros cargos de relevo locais, tais como os de Directora da Escola do Magistério Primário e Directora do Arquivo Histórico de Macau, desde a sua criação, em 1979, até 1984.

Foi deputada nomeada da V Legislatura da Assembleia Legislativa de Macau, de 1992 a 1996, e integrou o Conselho de Gestão da Fundação Macau, quando se reformou da Função Pública.

Pertenceu ainda diversas associações, nomeadamente a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), a Santa Casa da Misericórdia e a Asianostra/Estudo de Culturas. Além disso, é Membro Académico Correspondente da Sociedade Portuguesa de História, Membro do Conselho Internacional de Arquivos e sócia efectiva da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Tem várias obras publicadas e conferências proferidas, nomeadamente um livro dedicado ao comércio dos cules em Macau, intitulado “Emigração de cules: Dossier Macau 1851-1894”, além de ter vasta colaboração dispersa por revistas culturais de Macau e de Portugal. A investigadora regeu ainda cursos na área da sua especialidade, tendo feito parte de diversas Comissões, criadas pelo Governo e pela Diocese de Macau.

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