China apresenta proposta para restaurar paz no Golfo

O Presidente chinês, Xi Jinping, apresentou ontem ao homólogo dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed al Nahyan, uma proposta de quatro pontos para restaurar a paz no Golfo, em plena tensão no estreito de Ormuz. A iniciativa foi apresentada durante a visita de Al Nahyan a Pequim, visando impulsionar o processo diplomático no Médio Oriente e no Golfo, face à crise desencadeada pela ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel a 28 de Fevereiro.

Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, a proposta define princípios para retomar a estabilidade na região, incluindo a adesão à coexistência pacífica, o respeito pela soberania nacional, pelo direito internacional e a coordenação em matéria de segurança.

A iniciativa surge num momento em que a China rejeitou o bloqueio do estreito de Ormuz anunciado pela administração norte-americana, tendo classificado a decisão do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como “perigosa e irresponsável” e alertou que a medida pode agravar a tensão e pôr em risco o cessar-fogo na região.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que o reforço do dispositivo militar norte-americano e as acções de bloqueio vão aumentar a tensão e “minar o já frágil cessar-fogo”.

Guo sublinhou que a situação se encontra numa “fase crítica” e frisou que a prioridade deve ser evitar a retoma das hostilidades e preservar a actual trégua, instando todas as partes a respeitar os compromissos assumidos e a avançar pelo diálogo. O responsável acrescentou que apenas um “cessar-fogo abrangente” poderá criar condições para aliviar a situação no estreito e garantir a segurança da navegação, reiterando o apelo à via do diálogo e da negociação.

Sem comentários

Questionado sobre informações relativas a um petroleiro ligado à China que estará a operar na zona, Guo evitou comentar o caso concreto e limitou-se a defender a necessidade de assegurar a segurança e a fluidez do tráfego marítimo.

O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, atravessa um período de elevada tensão, após semanas de restrições impostas pelo Irão ao tráfego marítimo, em resposta ao conflito com os Estados Unidos e Israel, a que se juntou o anúncio de Washington de bloquear e intercetar determinados navios após o fracasso das negociações com Teerão no Paquistão.

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