IA | Universidade de Évora desenvolve modelo português de baixo custo Hoje Macau - 21 Abr 202621 Abr 2026 A Universidade de Évora (UÉ) conseguiu desenvolver modelos de linguagem de Inteligência Artificial (IA) em português, que atingem níveis de desempenho comparáveis aos das grandes tecnológicas globais, indicou ontem à Lusa o Professor Catedrático Paulo Quaresma. O investigador, que se encontra em Macau para um seminário na Universidade de São José (USJ), explicou que a estratégia da instituição alentejana passa pela criação de modelos mais pequenos e eficientes, focados especificamente na língua portuguesa e nas suas variantes. Um modelo de linguagem é um sistema de inteligência artificial treinado para entender, processar e gerar linguagem humana. “Temos conseguido mostrar que modelos bem mais pequenos do que os das grandes empresas norte-americanas, que têm custos enormes para serem produzidos, conseguem obter resultados ao mesmo nível em determinadas tarefas”, afirmou Paulo Quaresma à Lusa. Segundo o docente do Departamento de Informática da UÉ, os resultados desta investigação são disponibilizados em modelos abertos, podendo ser utilizados por outras universidades e empresas. Relativamente aos desafios técnicos, o especialista apontou a curadoria de dados como o principal obstáculo. Para o investigador, não basta recolher grandes volumes de texto da internet; é imperativo filtrar e garantir a qualidade linguística e a correção dos conteúdos que servem de base ao treino dos modelos. A presença de Paulo Quaresma em Macau visa também o reforço da cooperação académica com a USJ, instituição com a qual a Universidade de Évora já mantém protocolos de colaboração. O docente adiantou que o objectivo passa por estender esta parceria à área dos modelos de linguagem e à captação de alunos de doutoramento para projetos de investigação conjunta entre Portugal e a Região Administrativa Especial chinesa. “Temos já uma cooperação na orientação de alunos de doutoramento com a USJ, mas esta é uma oportunidade para estender o trabalho à área dos modelos de linguagem e captar novos investigadores que queiram trabalhar connosco”, destacou.
Japão | Onda de tsunami após sismo de magnitude 7,7 Hoje Macau - 21 Abr 2026 Uma onda de tsunami de 80 centímetros atingiu ontem um porto no norte do Japão, após um sismo de magnitude 7,7 ter abalado o norte do país, anunciou a Agência Meteorológica Japonesa (JMA). A onda foi observada às 17:34 no porto de Kuji, na prefeitura de Iwate, dois minutos após uma primeira vaga de 70 centímetros e 41 minutos depois do sismo, precisou a JMA. “Por favor, saiam imediatamente das zonas” assinaladas, pediu a primeira-ministra, Sanae Takaichi, numa mensagem em vídeo divulgada pela televisão NHK. O sismo ocorreu nas águas do Pacífico, ao largo da costa norte da prefeitura de Iwate, a cerca de 100 quilómetros do porto de Kuji, na costa de Sanriku, a uma profundidade de 10 quilómetros, segundo dados preliminares. A JMA emitiu alertas de tsunami para as zonas costeiras desde Hokkaido até à prefeitura de Fukushima, com ondas que poderiam atingir os três metros. Takaichi informou em declarações à imprensa que o seu gabinete estava a “confirmar a extensão dos danos humanos e materiais”. A JMA alertou que eram de esperar danos causados pelas ondas do tsunami. “Abandonem imediatamente as regiões costeiras e as zonas ribeirinhas para um local mais seguro, como um terreno elevado ou um edifício de evacuação”, declarou a agência. “Prevê-se que as ondas do maremoto atinjam a costa repetidamente. Não abandonem os locais seguros enquanto o alerta não for levantado”, acrescentou. A NHK, que interrompeu de imediato a programação normal para dar informações sobre o sismo e o tsunami, divulgou imagens da zona afectada, sem que se vissem estragos significativos. “Vão para locais seguros, não arrisquem a vida”, pediu diversas vezes uma locutora de serviço de acordo com o serviço em inglês da NHK, enquanto se viam imagens em directo das ondas de tsunami em zonas portuárias. Outros perigos As autoridades alertaram que ondas superiores às já observadas poderão atingir a costa japonesa. O centro de avisos de Honolulu alertou para a possibilidade de ondas de tsunami atingirem países e territórios como Rússia, Coreia do Norte, Guam, Ilhas Marshall, Marinas do Norte e Filipinas. O diretor da Divisão de Observação de Terremotos e Tsunamis da JMA, Shinji Kiyomoto, alertou para a possibilidade de ocorrerem sismos de escala semelhante na mesma zona nos próximos dias, como aconteceu em ocasiões anteriores. Os operadores nucleares não detectaram anomalias nem níveis invulgares de radioactividade em torno das centrais nucleares, noticiou a NHK, citada pela agência de notícias espanhola EFE. A empresa de energia TEPCO anunciou que “não foi confirmado qualquer impacto” nas instalações nem na infraestrutura das suas centrais nucleares, mas confirmou que ordenou a saída dos trabalhadores em Fukushima Daiichi e Fukushima Daini. Devido aos cortes de electricidade e à activação do sistema de prevenção, o serviço de comboios, incluindo o comboio de alta velocidade, foi suspenso em vários pontos do país, como no trajecto entre Tóquio e Shizuoka. No início de dezembro de 2025, um sismo de 7,5 ao largo da costa da prefeitura de Aomori causou mais de trinta feridos e provocou ondas de até 70 centímetros, mas não foram reportados danos maiores. O Japão situa-se sobre o chamado Anel de Fogo, uma das zonas sísmicas mais activas do mundo, e sofre sismos com relativa frequência, pelo que as infraestruturas do país estão especialmente desenhadas para resistir aos abalos. Possibilidades catastróficas O Japão emitiu um alerta de um sismo de magnitude superior a 8,0, depois de um violento abalo ter atingido o norte do arquipélago e desencadeado um aviso de tsunami. “Embora não seja certo que um sismo de grandes proporções venha efectivamente a ocorrer, pedimos que tomem medidas de preparação para catástrofes”, declarou um representante do Governo perante a imprensa. O abalo ocorrido ontem foi reavaliado para 7,7, depois de inicialmente ter sido avaliado com uma magnitude 7,4. Os abalos foram tão violentos que fizeram tremer, durante mais de um minuto, grandes edifícios até Tóquio, a várias centenas de quilómetros de distância.
De volta ao Titanic (II) David Chan - 21 Abr 2026 A semana passada mencionámos que The History Press, uma editora britânica, tinha publicado a 26 de Março o livro “The Aristocrat and the Able Seaman” (A Aristocrata e o Marinheiro). A protagonista é Noël, Condessa de Rothes, e a autora é a sua bisneta, Angela Young. Quando arrumava os pertences da bisavó, Angela descobriu inesperadamente muitos documentos relacionados com o Titanic, incluindo o testemunho juramentado de Noël em Los Angeles, provas suficientes de ela ter sido uma das sobreviventes do naufrágio. A sua correspondência de décadas com o marinheiro Thomas Jones revelou detalhes desconhecidos e factos sobre os botes salva-vidas durante a noite da tragédia. Thomas, então com 34 anos, tinha sido destacado pelo Capitão Smith para pilotar o salva-vidas nº 8. Devido à falta de experiência e de força das pessoas a bordo (quase todas mulheres e crianças), não conseguiam remar eficazmente. Noël, a sua parente Gladys Cherry e a criada Roberta Maioni, pegaram nos remos. Noel ficou ao leme, porque estava familiarizada com a condução de barcos. No mar frio e escuro, Noël confortou calma e gentilmente as mulheres e crianças aterrorizadas, demonstrando uma coragem notável e uma mente forte. Depois do Titanic ter afundado, Thomas e Noël foram dos poucos a bordo do salva-vidas que quiseram voltar atrás para salvar pessoas caídas na água. No entanto, a maioria dos passageiros estava aterrorizada, temendo que as pessoas que se estavam a afogar virassem o bote ou que este fosse ao fundo devido à sucção provocada pelo afundamento do Titanic e opuseram-se ao regresso. Por fim, os dois ouviram impotentes os pedidos de socorro desvanecidos na escuridão, um arrependimento que Thomas e Noël nunca conseguiram ultrapassar para o resto das suas vidas. Inicialmente, Angela pretendia escrever um romance com este material, mas a sua pesquisa aprofundou-se e ela sentiu que a história da sobrevivência de Noël e de Thomas, e da amizade entre duas pessoas de classes tão diferentes que aí se forjou, não deveria ser ficcionada. A autora espera usar estes relatos para reconstruir a verdade sobre o naufrágio do Titanic e aumentar a segurança marítima e as normas relativas aos botes salva-vidas. Deseja demonstrar como dois sobreviventes oriundos de meios completamente diferentes, colocaram em segurança pessoas aterrorizadas, com a sua coragem e cooperação. Além disso, quer celebrar a amizade de 44 anos entre a bisavó e Thomas, uma amizade que ultrapassou as barreiras de classe. Na sua opinião, esta nobreza de espírito que desabrochou face a uma catástrofe merece ser registada e divulgada. O encontro entre Noël e Thomas é em si mesmo lendário. Na Grã-Bretanha Eduardina de 1912, o sistema de classes era rígido e difícil de ser quebrado. Noël uma aristocrata e Thomas um marinheiro com apenas 1,55 m, nunca se teriam cruzado em circunstâncias normais. No entanto, uma catástrofe juntou-os, fazendo nascer uma amizade e um laço profundo. O destino ligou estas duas almas muito diferentes. Numa época em que se defendia o salvamento de mulheres e crianças em primeiro lugar, via-se frequentemente as mulheres como seres vulneráveis que precisavam de protecção. No entanto, Noël tomou a iniciativa de ir ao leme e de remar com vigor, demonstrando uma independência e uma responsabilidade que transcendiam o seu tempo. Thomas salientou que ela era “muito mais homem do qualquer um dos outros a bordo,” precisamente porque numa situação de vida ou morte, o que verdadeiramente importa não é o género ou o estatuto, mas uma mente calma, vontade inabalável e coragem para assumir essa responsabilidade. A nobreza de Noël não residia no seu título de Condessa, mas na sua determinação de esquecer esta condição e remar durante horas ao lado dos marinheiros plebeus, carregando a responsabilidade com a sua força física e com o poder da sua vontade. Esta é a verdadeira demonstração de que “uma posição alta implica uma grande responsabilidade” face ao infortúnio, a responsabilidade supera sempre o privilégio. Nasceu desta responsabilidade uma amizade profunda que transcendeu a vida. O aspecto mais comovente da relação de Noël e de Thomas foi o contacto nunca se ter perdido ao longo da vida e ter durado 44 anos. A placa de bronze com o número “8” gravado, oferecida por Thomas a Noel e o relógio de bolso em prata que ela lhe deu são símbolos da ligação forjada no oceano gelado. A correspondência que trocaram durante anos não se limitava a formalidades, era sim uma fonte de apoio emocional. Eram dos poucos que podiam compreender os arrependimentos e os traumas um do outro, nascidos naquela noite. Esta amizade transcendeu as barreiras da fortuna, de classe e do estatuto, erguida a partir de um respeito mútuo profundo. No filme “Titanic”, o rico homem de negócios Caledon Hockley e o seu assistente Spicer Lovejoy escondem o colar “Heart of the Ocean” no bolso de Jack, com intenção de o incriminar. Então a tripulação prende Jack num convés inferior, quase provocando o seu afogamento. Rose arrisca a vida para o salvar, mas os dois são perseguidos por Spicer, envolvendo-se numa perseguição feroz no convés inclinado. Se Jack, Rose, Caledon e Spicer tivessem estado mesmo no Titanic, e se a incriminação, a traição e a perseguição mostradas no filme tivessem realmente acontecido, Thomas e Noël tê-los-iam salvado? Isto é apenas um cenário hipotético e, naturalmente, não existe uma resposta. No entanto, temos razões para crer que Thomas e Noël não teriam hesitado em ajudá-los. Não conseguiram voltar atrás para salvar vidas devido à oposição dos outros passageiros, um arrependimento que carregaram toda a vida porque sentiam essa obrigação – a forma mais verdadeira do amor. Não ficariam de braços cruzados por causa das acções de Caledon e Spicer, e isto porque o amor não conhece fronteiras e todo aquele que é amado acaba vir a suportar as consequências das suas acções. O amor é universal, sem preconceitos, género, idade ou rancores – assim é o amor verdadeiro. Thomas e Noël são respeitados devido ao seu enorme amor aos outros. Que este grande amor continue a espalhar-se pelo mundo, trazendo calor e conforto a todos. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnica de Macau cbchan@mpu.edu.mo
As guerras que não são nossas – Uma vez mais (2.0) Hoje Macau - 21 Abr 2026 Por Manuel Silvério Há conflitos que nascem de grandes ideias. Outros, de grandes egos. E há ainda os mais inquietantes: os que nascem de pequenos desencontros e crescem, por falta de forma, até parecer inevitáveis. Nas comunidades, como na vida, é verdade que ninguém trabalha “para aquecer”. Todos têm objetivos, ambições e visões. Ainda assim, convém não generalizar. Há quem trabalhe com horizontes mais abrangentes, a pensar no todo, e não apenas no imediato ou no espaço que ocupa. O problema nunca foi a ambição. O problema começa quando diferentes legitimidades — umas construídas no terreno, outras afirmadas nas instituições — deixam de ser complementares e passam a disputar o mesmo espaço. Durante muito tempo, esse equilíbrio existe. Funciona até bem. Uns agregam, outros estruturam. Uns falam com muitos, outros pensam para muitos. E, enquanto cada um permanece no seu lugar, tudo parece natural. Até deixar de ser. O que era entendimento passa a expectativa. O que era expectativa passa a direito. E o que nunca chegou a ser formal passa a ser lembrado como se tivesse sido. É nesse momento que o informal colide com o institucional. E, curiosamente, é também nesse momento que todos descobrem — um pouco tarde — que os estatutos existem. Depois vem a fase mais moderna do conflito: a sua versão pública. Com textos, metáforas, leituras profundas sobre a natureza humana, a fragilidade da vida e a injustiça do mundo. Tudo muito legítimo. Tudo muito bem escrito, mas raramente suficiente para resolver o essencial. E, do outro lado, instala-se também a reação — por vezes em tom semi-público, entre insinuações, sinais de ressentimento e até acusações de traição, alimentando um galhardete aéreo que, curiosamente, dispensa o confronto direto e se sustenta à distância. Pelo meio, não faltou sequer quem apontasse a via mais elementar e mais digna: um encontro franco, direto e sem plateia, capaz de pôr termo a uma guerra aberta que há muito deixou de honrar quem nela persiste. Porque, no fim, os conflitos reais não se resolvem em parábolas — nem em campanhas verbais. Resolvem-se com clareza, com responsabilidade e, sobretudo, com a capacidade — hoje cada vez mais rara — de conversar diretamente sem plateia. Talvez o maior equívoco destes episódios seja a necessidade de transformar desacordos em narrativas épicas, como se cada decisão tivesse de carregar um simbolismo maior do que a própria realidade, como se tudo tivesse de ser uma travessia, uma luta ou uma metáfora. Nem tudo precisa de ser tão grande. Às vezes, trata-se apenas de reconhecer que houve caminhos que divergiram, decisões que alteraram equilíbrios e expectativas que não foram acauteladas. Um lê o lugar como continuidade do que foi construído; o outro, como exercício legítimo do cargo que assumiu. E quando estes dois planos não coincidem, o conflito torna-se quase inevitável. Mas inevitável não é o mesmo que interminável. Talvez ainda vá a tempo de prevalecer o bom senso sobre o ruído, a contenção sobre o impulso e a responsabilidade sobre a vaidade. Nenhum estatuto se dignifica no desgaste público, nenhuma causa se fortalece na troca de acusações, e nenhuma comunidade ganha quando os seus acabam por se consumir uns aos outros. Há momentos em que insistir deixa de ser firmeza e passa apenas a prolongar o erro. E há silêncios, recuos e conversas francas que valem mais do que muitas proclamações. Há guerras que mobilizam. Outras apenas desgastam. Há conflitos que pertencem a quem os vive. E há outros que, mesmo quando expostos, pouco acrescentam ao que verdadeiramente importa à nossa terra. E depois há aquelas que, vistas com alguma distância, nunca chegaram verdadeiramente a ser nossas — embora, de ambos os lados, haja sempre quem procure recrutar participantes. Nessas, talvez a maior prova de maturidade não seja escolher um lado. É, simplesmente, não entrar. E, quando já se entrou, saber sair a tempo.
Air China | Retomada rota directa entre Pequim e Nova Deli após seis anos Hoje Macau - 21 Abr 2026 A Air China retoma na terça-feira a rota directa entre Pequim e Nova Deli, reforçando a recuperação das ligações aéreas entre China e Índia, interrompidas durante anos por tensões bilaterais e pela pandemia da covid-19. A ligação, que volta a unir directamente as capitais dos dois países mais populosos do mundo, será operada três vezes por semana – às terças, sextas e domingos – com aviões Airbus A330, informou o jornal oficial Global Times. A retoma desta rota insere-se no restabelecimento dos voos directos entre os dois países, retomados em Outubro de 2025 após cinco anos de suspensão, na sequência da crise bilateral desencadeada pelo confronto militar de 2020 no vale de Galwan e pela pandemia. O restabelecimento da conectividade aérea marcou um dos principais sinais de distensão entre Pequim e Nova Deli, traduzido nos meses seguintes na reabertura do comércio fronteiriço, na retoma da emissão de vistos e na reactivação de contactos diplomáticos e militares. Até agora, esta normalização tem avançado com outras rotas, como a retomada no sábado pela China Eastern Airlines entre Kunming, capital da província chinesa de Yunnan, e a cidade indiana de Calcutá.
Hong Kong | Sobreviventes voltam a casas destruídas após incêndio Hoje Macau - 21 Abr 2026 Os habitantes do complexo em Tai Po começaram a regressar aos antigos apartamentos na esperança de recuperar alguns dos bens que ficaram para trás Milhares de habitantes de Hong Kong que perderam as suas casas num gigantesco incêndio no ano passado começaram ontem a regressar ao local, pela primeira vez, para recuperar o que resta dos seus pertences. O incêndio, que deflagrou em Novembro no complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, fez 168 mortos e afectou sete dos oito edifícios, obrigando milhares de pessoas a abandonar as suas casas. Cerca de seis mil residentes vão poder entrar nas habitações em períodos de até três horas, com o processo a prolongar-se até ao início de Maio, enquanto as autoridades procuram avaliar cerca de 1.700 apartamentos. Imagens divulgadas pelas autoridades mostram tectos e paredes colapsados ou enegrecidos pelas chamas, com interiores cobertos de destroços, após um incêndio que danificou mais de 920 apartamentos, alguns completamente destruídos. As zonas mais afectadas foram classificadas como “áreas perigosas”, tendo sido realizados trabalhos de reforço estrutural em edifícios fragilizados. Entre os residentes, o regresso é marcado por sentimentos contraditórios. “Penso que há na realidade muitas pessoas que não querem aceitar [a proposta do Governo], mas não têm outra escolha. Foram forçadas a aceitá-la”, disse Harry Leung, citado pela agência de notícias France Presse, referindo-se à oferta das autoridades para compra dos apartamentos a preços próximos do valor de mercado anterior ao incêndio. “Se tivesse escolha, não queria mesmo sair” do complexo, acrescentou. Betty Ho, que viveu mais de 30 anos no local, disse à AFP que espera recuperar sobretudo álbuns de fotografias de infância, sublinhando que os “bens de toda uma vida” da família ficaram no apartamento. Após o incêndio, Ho foi realojada em habitação temporária, onde poderá permanecer até ao final do ano, mas confessou sentir-se “ansiosa” face à incerteza sobre o futuro: “Seremos expulsos? Onde vou encontrar um lugar para viver?”, questionou. Outros residentes antecipam um impacto emocional significativo ao regressar. “Tenho o coração pesado, estou muito desapontado. Não esperava que o primeiro andar tivesse ficado assim”, disse Keung Mak, de 78 anos, citado pela agência de notícias Associated Press (AP), após ver imagens do apartamento onde viveu mais de 40 anos. Segundo a AP, o tecto da habitação ficou tão danificado que deixou visível a estrutura metálica, enquanto o chão está coberto de detritos e partes do edifício necessitam de reforço para evitar colapso. A mulher de Mak, Kit Chan, afirmou à AP que “muitas coisas com valor comemorativo desapareceram”, acrescentando: “Nem uma única folha de papel terá ficado”. Dificuldades acrescidas Entre os residentes mais idosos, que representavam mais de um terço dos cerca de 4.600 habitantes do complexo, o regresso é particularmente exigente, com alguns a prepararem-se fisicamente para subir escadas até aos 31 andares, devido à inoperacionalidade dos elevadores. As autoridades indicaram que mais de 1.400 pessoas com 65 ou mais anos se registaram para regressar aos edifícios. Enquanto decorre a investigação às causas do incêndio, sobreviventes continuam dispersos pela cidade, muitos em alojamento temporário. O Governo de Hong Kong considerou inviável reconstruir o complexo no mesmo local e propôs a recompra dos direitos de propriedade, embora alguns residentes contestem a decisão, defendendo que parte dos edifícios poderia ser recuperada. “Sabemos que há questões suspeitas por detrás disto. Espero que possamos realmente encontrar a verdade”, disse Cyrus Ng à AP, referindo-se à investigação em curso. Segundo um advogado envolvido no inquérito, citado pela AP, quase todos os sistemas de segurança contra incêndios falharam no dia da tragédia devido a erro humano.
Médio Oriente | Pequim critica “intercepção forçada” de navios pelos EUA Hoje Macau - 21 Abr 2026 O ataque norte-americano a um navio iraniano põe em causa o cessar-fogo em vigor O Governo chinês criticou ontem a “intercepção forçada” de navios pelos Estados Unidos, após um ataque a um porta-contentores iraniano perto do Estreito de Ormuz, e apelou ao respeito pelo cessar-fogo. Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou que a situação no Estreito de Ormuz é “sensível e complexa” e instou as partes envolvidas a “criar as condições necessárias para que o trânsito volte à normalidade”. Segundo o responsável, a região encontra-se numa “fase crítica” de transição entre a guerra e a paz, sendo necessário estabelecer as bases para pôr fim ao conflito o mais rapidamente possível. Guo reiterou ainda a importância do Estreito de Ormuz como via internacional de transporte, sublinhando que garantir a livre circulação “corresponde aos interesses comuns dos países da região e da comunidade internacional”. “A China continuará a promover a distensão da situação e a desempenhar um papel construtivo para alcançar uma paz duradoura e a estabilidade no Médio Oriente”, acrescentou. Ataques e violações O incidente surge depois de o Exército iraniano ter denunciado um ataque dos Estados Unidos a um navio iraniano nas proximidades do estreito, um porta-contentores que seguia da China para o Irão, classificando-o como uma violação do cessar-fogo acordado entre Teerão e Washington. O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20 por cento do petróleo mundial, continua sujeito a bloqueios intermitentes no contexto do conflito, tanto por parte do Irão, que mantém um “controlo rigoroso” da passagem, como dos Estados Unidos, que impuseram um cerco naval para limitar as exportações e importações iranianas. O episódio ocorre à porta de uma segunda ronda de negociações de paz entre Washington e Teerão, nas quais o Irão se tem recusado a participar enquanto os Estados Unidos não levantarem o bloqueio marítimo. Pequim tem condenado repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que sublinha a necessidade de “respeitar a soberania” dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas e que têm sido alvo de represálias iranianas.
Taiwan | Líder da oposição planeia visitar os Estados Unidos em junho Hoje Macau - 21 Abr 2026 A líder da oposição de Taiwan, Cheng Li-wun, anunciou ontem que planeia visitar os Estados Unidos em Junho, dois meses após o encontro com o Presidente chinês, Xi Jinping, e antes de uma cimeira prevista entre este e Donald Trump. Citada pela agência Central News Agency, a presidente do Kuomintang (KMT), principal partido da oposição em Taiwan, afirmou que Junho é a “opção mais viável” para a deslocação, embora reconheça ser ainda necessário organizar bem o itinerário. A responsável indicou que pretende reunir-se com autoridades norte-americanas e que fará “tudo o possível” para encontrar dirigentes do mais alto nível, incluindo “influentes congressistas” que já manifestaram interesse na visita. Cheng acrescentou que irá transmitir a mensagem de que o mundo “não deve regressar à Guerra Fria, mas apostar na reconciliação e no intercâmbio, respeitar e valorizar as diferentes civilizações e coexistir”, em vez de encarar as relações internacionais como um “jogo de tudo ou nada”. As declarações surgem cerca de uma semana e meia após o encontro entre Cheng e Xi Jinping em Pequim, o primeiro entre líderes do KMT e do Partido Comunista Chinês em quase uma década. A dirigente opositora tem-se destacado como uma das vozes críticas de um aumento excessivo da despesa em Defesa em Taiwan, defendendo que o diálogo, e não a dissuasão militar, é a via para evitar um conflito no estreito.
1 de Maio | Prevista normalidade nas rotas aéreas apesar do preço do petróleo Hoje Macau - 21 Abr 2026 A Associação de Transporte Aéreo da China afirmou ontem que as rotas internacionais do país vão operar com normalidade durante o feriado de 1.º de Maio, apesar do aumento dos custos do combustível devido à guerra no Médio Oriente. Segundo dados da entidade, citados pela China Central Television, a programação semanal de voos internacionais de passageiros mantém-se, em termos gerais, em níveis semelhantes aos do ano passado, estando previsto um aumento de 5,5 por cento durante o período festivo, entre 01 e 05 de Maio. No Sudeste Asiático, um dos destinos mais procurados pelos viajantes chineses nesta altura, as companhias aéreas vão disponibilizar 487.000 lugares, mais 48.000 do que no mesmo período do ano passado, dos quais 248.000 já foram vendidos, uma oferta que “satisfaz plenamente a procura”, segundo a associação. As principais rotas para cidades como Banguecoque, Singapura, Kuala Lumpur ou Phnom Penh mantêm a operação habitual, enquanto os ajustes se concentram em destinos turísticos menos procurados ou ligações secundárias de menor densidade. No caso da Oceânia, as frequências a partir de Pequim, Xangai e Cantão para Sydney, Melbourne ou Brisbane também não registam alterações relevantes. Várias companhias aéreas chinesas indicaram ainda que o número de voos programados para o feriado aumentou face ao ano passado. As transportadoras prometeram igualmente activar mecanismos de emergência em caso de cancelamentos em larga escala, incluindo a recolocação prioritária de passageiros noutros voos e alterações ou reembolsos gratuitos.
Pacífico Oriental | China envia navios para manobras de treino em alto mar Hoje Macau - 21 Abr 2026 Navios do Exército Popular de Libertação (EPL) da China partiram domingo, através do canal de Yokoate, para manobras de treino em alto mar no Pacífico Oriental, informou o Ministério da Defesa do país asiático. Em comunicado, o porta-voz do Comando do Teatro Oriental de Operações do EPL, Xu Chenghua, adiantou que a armada 133 vai realizar exercícios para provar as suas capacidades operacionais em alto mar, tratando-se de um treino de rotina previsto no plano anual das forças armadas. O responsável acrescentou que as manobras enquadram-se nas leis e na prática internacionais e que a sua execução não tem como objectivo específico nenhum país ou entidade. Os exercícios foram anunciados depois de, no sábado, o Comando do Teatro Oriental de Operações do EPL ter realizado manobras aéreas e marítimas conjuntas de preparação para o combate no Mar da China Meridional, onde o país asiático disputa territórios com várias nações vizinhas. Pequim não forneceu detalhes sobre o número de efectivos, barcos e aviões envolvidos nas manobras. As movimentações ocorrem dois dias depois de Pequim protestar junto da Nova Zelândia pela presença de um avião de guerra P-8A deste país no espaço aéreo e zonas costeiras do Mar da China Meridional e do Mar Amarelo, que, segundo a diplomacia chinesa, realizou patrulhas “de proximidade e assédio” que produziram riscos para o tráfico aéreo civil. A China reclama a soberania sobre praticamente a totalidade do Mar da China Meridional, chocando com as reivindicações territoriais de países como Filipinas, Vietname, Malásia e Brunei sobre esta região estratégica, através da qual transitam cerca de 30 por cento do comércio marítimo global e que tem potenciais reservas de petróleo e gás.
Irão | China defende direito ao uso pacífico da energia nuclear Hoje Macau - 21 Abr 2026 A China defendeu ontem o direito dos países em desenvolvimento ao uso pacífico da energia nuclear, um dos pontos que continuam a dificultar as negociações entre Estados Unidos e Irão. Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun referiu-se ao relatório apresentado por Pequim à XI Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que decorrerá entre 27 de Abril e 22 de Maio. No documento, a China apela à prevenção efectiva de uma guerra nuclear e à resolução de conflitos regionais por vias políticas e diplomáticas, defendendo simultaneamente o direito dos países em desenvolvimento à utilização pacífica da energia nuclear. Segundo Guo, Pequim manifestou “grande preocupação” com os desafios enfrentados pelo tratado e considerou que a conferência deve instar os Estados Unidos a cumprir a sua “responsabilidade prioritária” em matéria de desarmamento nuclear. O porta-voz acrescentou que Washington deve “corrigir os ataques com recurso à força contra instalações nucleares pacíficas de Estados não detentores de armas nucleares”. Defendeu ainda que os Estados Unidos devem pôr termo a acordos de “dissuasão alargada” e de partilha nuclear no âmbito de alianças, bem como adoptar medidas para travar tendências consideradas negativas de países como o Japão no sentido de desenvolver capacidades nucleares próprias. Guo indicou que a China participará na conferência com uma postura construtiva, trabalhando com todas as partes para salvaguardar a autoridade e eficácia do regime internacional de não proliferação nuclear, manter a paz mundial e promover a estabilidade global. A questão do enriquecimento de urânio continua a ser um dos principais pontos de fricção entre Washington e Teerão: os Estados Unidos exigem “enriquecimento zero”, enquanto o Irão defende o direito de o manter para fins civis.
CCM | Obras de Xian Xinghai em concerto do Colégio Batista de Macau Andreia Sofia Silva - 21 Abr 2026 É hoje que o grande auditório do Centro Cultural de Macau acolhe o espectáculo “Remando em Frente, Pelo Amor à Pátria”, que não só dá destaque às composições de Xian Xinghai, nascido em Macau, como celebra os 70 anos do Colégio Batista de Macau. Um dos destaques será a apresentação de uma versão mais internacional de “Cantata do Rio Amarelo” O grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) recebe hoje, dia 21, a partir das 20h, o espectáculo “Remando em Frente, Pelo Amor à Pátria”, com foco nas composições de Xian Xinghai, compositor ligado a Macau. O concerto serve também para celebrar os 70 anos do Colégio Batista de Macau, contando com músicos locais, nomeadamente dois solistas, uma orquestra sinfónica de 60 músicos e o Coro Xinghai de Panuy, de Cantão, com cerca de uma centena de vozes. O maestro brasileiro Oswaldo Veiga Jardim, ligado à organização do espectáculo e ao currículo musical da escola, contou ao HM que alguns dos destaques musicais da noite são a “Cantata do Rio Amarelo”, apresentada na versão inglesa e chinesa, e ainda a “Sinfonia nº1”, composta por Xian Xinghai entre os anos de 1935 e 1941. O público pode assistir a “um concerto inteiramente dedicado à música de Xian Xinghai”, apresentando “o primeiro andamento da Sinfonia nº1 ‘Libertação Nacional’ Op.5”, disse Veiga Jardim. “Em 2025, quando o projecto ainda estava na fase inicial, pensámos em apresentar uma selecção de obras sinfónicas chinesas, incluindo a Rapsódia Chinesa, Op. 26, uma peça bastante interessante. Da minha parte, sonhava secretamente em apresentar a Cantata do Rio Amarelo, obra composta em 1939 durante a invasão japonesa, cuja versão para piano e orquestra tive a oportunidade de dirigir diversas vezes”, confessou. Porém, “as dificuldades inerentes à apresentação da cantata são enormes e desencorajadoras, sobretudo porque é uma obra longa que exige um grande coro, uma grande orquestra, actores, dois solistas de alto nível e um narrador, mais de 200 pessoas”, pelo que “Cantata do Rio Amarelo quase ficou de fora do programa. No entanto, quando Oswaldo Veiga Jardim descobriu a tese de doutoramento de Hong Xiang-tang, de 2009, intitulada “Performing the Yellow River Cantata”, percebeu que podia, afinal, incluir esta composição no programa. “O facto de Xian Xinghai, na sua correspondência com colegas e amigos, ter manifestado o desejo de ver suas obras executadas nos palcos internacionais, foi a faísca que acendeu o nosso entusiasmo para ultrapassar as dificuldades e pensar concretamente na apresentação desta obra em inglês, tendo em conta o público cosmopolita de Macau. A partir daí, tudo foi se encaixando de uma forma que beira o sobrenatural”, referiu. Sobre o grupo coral de Cantão que participa no concerto, Oswaldo Veiga Jardim diz ser composto “por entusiastas com vasta experiência na apresentação das obras corais de Xin Xinghai”, e que acompanha outro grupo coral ligado ao Colégio Batista de Macau. Sobre a apresentação de “Sinfonia nº1”, o maestro diz que “informações fidedignas sobre esta obra são bastante escassas”, não existindo, segundo o seu conhecimento, “qualquer gravação comercial da obra”. Desta forma, “o material de orquestra que vamos usar no concerto foi totalmente preparado por nós e é baseado na única versão da partitura disponível ao público: uma edição soviética de 1955, publicada pela Muzgiz, a editora estatal de música soviética que, na sequência da Revolução Russa de 1917, assumiu o controlo da antiga editora Jurgenson”. Oswaldo Veiga Jardim destaca, portanto, o “sentimento de orgulho” no facto de ser “um grupo de Macau a apresentar uma obra inédita de um compositor chinês nascido em Macau”. Para a História A realização deste concerto em homenagem a Xian Xinghai não surge por acaso, dado que no ano passado se celebraram os 80 anos da vitória na guerra de resistência contra a agressão japonesa e o fim da II Grande Guerra Mundial, destaca Oswaldo Veiga Jardim, que acrescenta o assinalar dos 80 anos da morte deste compositor, nascido em 1905 e falecido em 1945. Xian Xinghai foi “o mais célebre compositor chinês que deixou uma vasta obra que inclui sinfonias, bandas sonoras de filmes, centenas de canções patrióticas e a Cantata do Rio Amarelo, certamente a sua obra mais conhecida”. “Parece brincadeira dizer isso, mas como ele nasceu e morreu em anos terminados em cinco, Xian é um daqueles compositores que sempre merecem duplas homenagens, tanto pelo aniversário da morte quanto pelo do nascimento”, disse o consultor do currículo musical do Colégio Batista de Macau. “Cantata” internacional Oswaldo Veiga Jardim considera que a “Cantata do Rio Amarelo” é uma composição de “grande beleza e monumentalidade” que, no entanto, “nunca conseguiu se estabelecer na tradição coral ocidental devido principalmente às barreiras linguísticas impostas pelo texto em mandarim, que exige cantores que dominem o idioma, e aos desafios técnicos de incorporar elementos étnicos tradicionais às apresentações ocidentais”. Houve apenas uma apresentação americana em 1943 “com Paul Robeson e uma produção russa de meados da década de 1950 no Conservatório Tchaikovsky de Moscovo”, recorda o maestro, mas é uma obra que “permanece amplamente associada à sua tradição em língua chinesa”. Desta forma, a apresentação de “Cantata do Rio Amarelo” no território “faz todo o sentido”, por Macau ser uma “cidade de vocação cosmopolita e local de nascimento de Xian Xinghai”. O que se fez com este concerto foi “tomar a dianteira na apresentação de uma versão ‘mais internacional’ da cantata e, atendendo às aspirações do próprio compositor, torná-la mais acessível ao grande público”. Também “Sinfonia nº1” nunca “mereceu a devida atenção”, aponta Oswaldo Veiga Jardim. “A mensagem mais importante [deste concerto] é a de reconectar, sob o ponto de vista musical, Xian Xinghai, o homem, às suas origens cosmopolitas de Macau”, nomeadamente na sua ligação “à colónia piscatória da Rua da Praia do Manduco, onde sua família vivia, valorizando uma ligação que certamente teve importância decisiva no futuro do pequeno Xian”. A escolha do repertório focou-se no “desejo de apresentar ao público de Macau dois lados distintos da personalidade musical do compositor”, nomeadamente “a cantata, de inspiração folclórica, como instrumento popular de resistência durante um período trágico da história da China”, e também a sinfonia. Esta última “como uma tentativa mais complexa e estruturalmente ambiciosa de reconciliar o ‘universo folclórico chinês’ com o academismo musical ocidental que Xian absorveu em Paris, tendo como pano de fundo a luta pela libertação nacional”. Numa nota biográfica divulgada pela organização do concerto, lê-se que Xian Xinghai viveu uma vida “marcada pela pobreza e dificuldades”, tendo nascido pobre numa família de Tanka, nome dado a habitantes em barcos, em Macau. O seu pai, Xian Xitai, morreu no mar antes do filho nascer, tendo este sido criado pela mãe, Huang Suyin, “cujas canções folclóricas e canções de embalar influenciaram, sem dúvida, a sua obra posterior”. Xian cresceu em Guangzhou, em Panyu, onde foi criado pelo avô materno, tendo a família ido depois para Singapura, em 1912, aquando da morte do avô e em busca de melhores condições de vida, tendo voltado depois a Guangzhou. Foi nessa altura que Xian teve os primeiros contactos com a música ocidental, nomeadamente no Lingnan College, onde aprendeu violino e clarinete e começou a estudar as obras de mestres como Bach e Beethoven. Depois de uma passagem por França onde estudou música, Xian regressou à China em 1935, tendo escrito canções para cinema, rádio e para o Movimento Nacional de Salvação da Canção, num “esforço patriótico que surgiu no final da década de 1930 para fomentar uma frente unida contra a invasão japonesa e pôr fim à guerra civil”. Foi assim que Xian Xinghai se envolveu no movimento comunista, “compondo ‘canções de massas’ e oferecendo aulas de música gratuitas a cadetes do Partido Comunista”. Em Maio de 1940 o Comité Central do Partido Comunista enviou Xian para a União Soviética numa missão de trabalho. Na sequência do início da II Guerra Mundial e da invasão alemã da URSS, o equipamento e o pessoal do estúdio foram evacuados para Almaty, no Cazaquistão. Xian passou lá os últimos anos de vida, a ensinar e a compor, vivendo na casa do colega e compositor Bakhytzhan Baikadamov. Após um período de saúde debilitada, Xian foi transferido para Moscovo, onde faleceu em 1945, aos 40 anos.
Parque Industrial | Concepção adjudicada por 197,8 milhões João Santos Filipe e Nunu Wu - 21 Abr 202621 Abr 2026 O futuro Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau vai ficar localizado na Avenida Wai Leong e na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros. Os planos de concepção foram adjudicados à empresa estatal Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co. Os dois planos de concepção do Plano Concepcional para o Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau foram adjudicadas por 197,8 milhões de patacas à Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co., Ltd.. As instalações que vão ser construídas para se transformarem no grande centro de investigação industrial e científico na RAEM vão ficar localizadas na Avenida Wai Leong e na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros. De acordo com a informação divulgada pela Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), o plano de concepção para a parcela do parque na Avenida Wai Leong foi entregue à empresa de estatal por cerca de 49,3 milhões de patacas. O pagamento previsto vai ser feito em renminbis, totalizando 42,9 milhões. No caso do lote na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros, o plano de concepção vai custar 148,5 milhões de patacas, ou 129,1 milhões de renminbi. Os planos, apesar dos montantes envolvidos, foram adjudicados directamente à empresa estatal, depois de terem sido apresentadas duas propostas por escrito, uma para cada um dos lotes. Os dois projectos têm de ser apresentados pela empresa até ao final do próximo ano, para depois se dar início às obras. No terreno da Avenida Wai Long, a área bruta de construção vai ser de 150 mil metros quadrados, incluindo as encostas e o Túnel da Colina da Taipa Grande, e na Zona E1 dos Novos Aterros Urbanos a área bruta de construção totaliza cerca de 500 mil metros quadrados. A empresa Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co. foi fundada em 1961, é uma das principais empresas de tecnologia nacional, ao fazer parte do grupo Zhongguancun Development Group. Diversificação da Economia O parque foi apresentado durante a consulta pública, que decorreu no final do ano passado, como uma forma de dar “uma boa resposta à questão inadiável do desenvolvimento da diversificação adequada da economia”. O documento da consulta apontava que a pandemia da Covid-19 mostrou “a urgência de desenvolvimento da diversificação da estrutura industrial” da RAEM, dado que o produto interno bruto (PIB) apresentou uma redução a 50 por cento. No documento da consulta era ainda garantido que o parque faz parte do caminho para o futuro, porque “a promoção do desenvolvimento da indústria científica e tecnológica” vai desenvolver “uma nova força para Macau cultivar novos motores de crescimento económico e apoiar o desenvolvimento da diversificação adequada da economia”. “A construção do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau é, assim, um projecto de grande relevância para a implementação das orientações estratégicas do Estado, o apoio ao desenvolvimento da indústria científica”, foi acrescentado.
Leitura | Loi I Weng quer maior promoção entre jovens Hoje Macau - 21 Abr 2026 A deputada Loi I Weng sugeriu ao Governo que envide mais esforços para promover a leitura entre as crianças e adolescentes. A posição foi tomada através de um comunicado, ontem, dia em que se iniciou a semana nacional da leitura, em Macau, que se prolonga até domingo. Loi pediu igualmente que seja criado um ambiente “positivo” de leitura na sociedade. O facto de considerar importante uma maior promoção da leitura, foi justificado com os dados mais recentes. Em 2025, os números oficiais apontam que o número de visitas a bibliotecas diminuiu. A tendência negativa acontece ao mesmo tempo que desde 2023 o Governo tem implementado o programa de leitura para bebés e crianças, em que os pais podem pedir para receber um conjunto de cinco livros para crianças com diferentes idades. Loi I Weng espera que o Governo possa continuar a melhorar e explorar este programa, e que estude a possibilidade de incluir as crianças com idades entre os 3 e 5 anos.
Função Pública | Leong Weng In garante que mecanismo de mobilidade é suficiente Hoje Macau - 21 Abr 2026 A directora dos Serviços de Administração e Função Pública, Leong Weng In, afasta a criação de uma plataforma para a transferência de funcionários públicos entre serviços, mas garante que os mecanismos de mobilidade horizontal estão a ser simplificados e mais eficientes. A posição foi tomada na resposta a uma interpelação da deputada Wong Kit Cheng. Segundo a responsável, actualmente não está prevista a criação de uma plataforma com informação sobre as carências de serviços, porque existe um mecanismo que responde às necessidades. “Desde a entrada em vigor do regime actual, em Março de 2023, até ao final de Fevereiro de 2026, 353 casos (trabalhadores) foram tratados como transferência e destacamento, envolvendo 59 serviços em diversas áreas”, revelou. A responsável explicou também que a “mobilidade do pessoal é efectuada de acordo com as necessidades de trabalho dos serviços, podendo ser efectuada entre os serviços gerais e os serviços com estatutos privativos de pessoal, bem como a mobilidade recíproca de pessoal entre as diferentes carreiras”. A legisladora ligada à Associação das Mulheres pretendia também saber se vai haver uma revisão do sistema de prémios para os funcionários públicos. O cenário foi igualmente afastado. “O regime dos prémios e incentivos em vigor está interligado com a remuneração, as carreiras, a avaliação de desempenho, o acesso e outros regimes de gestão de pessoal, e qualquer alteração terá inevitavelmente impacto na coordenação global do regime da função pública”, justificou.
Ciberataques | Governo alvo de quatro milhões de acções por mês Hoje Macau - 21 Abr 202621 Abr 2026 Segundo o Executivo, o “rigoroso regime de gestão de segurança” e a “equipa de monitorização dedicada” têm evitado que os ataques frequentes sejam bem-sucedidos O Governo apontou que o seu centro de computação em nuvem repele, em média, mais de quatro milhões de ciberataques todos os meses. Numa resposta a perguntas do deputado Vong Hou Piu sobre o actual uso de inteligência artificial (IA) na melhoria da eficiência da administração pública, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) confirmou que, apesar do elevado volume de ataques cibernéticos registado ao longo de 2025, não ocorreu até à data qualquer incidente de segurança. As autoridades atribuíram este registo de defesa a uma “equipa de monitorização dedicada” e a um “rigoroso regime de gestão de segurança”, concebido para proteger a infra-estrutura electrónica e os dados sensíveis da cidade. O Governo de Macau tem acelerado a integração da IA nas operações internas, com a SAFP a iniciar testes de uma plataforma em grande escala para agilizar tarefas administrativas como a análise de dados, o processamento de documentos e a redacção de atas de reuniões. Para mitigar os riscos associados a esta nova tecnologia, o SAFP sublinhou que a plataforma de IA está alojada no Centro de Computação em Nuvem do Governo e é de uso exclusivamente interno. “O SAFP continuará a monitorizar os riscos de ciberataques, respondendo atempadamente e reforçando as capacidades de detecção e bloqueio de intrusões”, afirmaram os serviços, salientando que a cibersegurança continua a ser um pilar da estratégia de governação electrónica do Executivo. IA como exigência As autoridades do território acrescentaram que o impulso para a modernização deverá também transformar o pessoal da função pública, com os futuros processos de recrutamento poderão ser actualizados para incluir a proficiência em IA como critério de selecção. “No âmbito do regime actual, os júris de concurso têm a discricionariedade de ponderar conhecimentos de tecnologia de IA em provas e entrevistas, garantindo que os novos recrutas estão preparados para a transição digital”, indicaram. O Governo defende que as actualizações tecnológicas são essenciais para melhorar a qualidade do serviço prestado e a eficiência do trabalho em todos os departamentos públicos.
Diplomacia | Sam Hou Fai recebido por embaixador chinês João Santos Filipe - 21 Abr 2026 Sam Hou Fai foi recebido pelo embaixador da República Popular da China em Portugal, Yang Yirui, e, segundo a versão oficial do Governo de Macau, falaram sobre as relações entre Portugal, Macau e a China. Durante o encontro, o Chefe do Executivo afirmou que o facto de a primeira vista oficial ter começado por Portugal “reveste-se de grande significado, e o objectivo é implementar o espírito dos discursos importantes do Presidente Xi Jinping”. Além disso, o dirigente do Governo de Macau indicou que o objectivo da visita também passa por “pôr em prática a relevância do consenso de cooperação entre os líderes da China e de Portugal, demostrando à sociedade internacional o resultado da concretização bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’”. Sam Hou Fai terá ainda destacado ao embaixador que a delegação de Macau conta com “representantes das empresas de alta qualidade do Interior da China”, o que indicou ser a adopção do modelo “partilhar um barco para navegar em conjunto”. Por sua vez, o embaixador Yang Yirui terá dito que “a primeira visita oficial do actual Governo da RAEM é de grande dimensão e de alto padrão”, e que se previam “resultados frutíferos”. Os resultados esperados não foram indicados, no comunicado do Governo de Macau. Yang Yirui destacou também que “Macau e Portugal possuem um laço histórico singular e uma boa base de cooperação”.
BNU assina acordo com Manteigaria, do grupo Portugália Andreia Sofia Silva - 21 Abr 2026 O Banco Nacional Ultramarino (BNU) vai assinar um protocolo com o grupo Portugália, que detém a marca “Manteigaria”, de produção de pastéis de nata. Recorde-se que a Manteigaria já está em Macau, onde a empresa fez um investimento de dois milhões de euros, e deverá chegar este ano a Hong Kong. “Vamos celebrar um protocolo entre o BNU e a Manteigaria numa lógica de desenvolvimento das suas operações em Macau, Hong Kong e outras cidades da Grande Baía, em que se utiliza Macau como plataforma”, disse Carlos Cid Álvares, CEO do BNU, aos jornalistas. O BNU faz parte do grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), banco público português, e Carlos Cid Álvares explicou que, no contexto destes negócios portugueses que procuram a sua expansão, “a CGD estará aí para os apoiar”. “Que venham mais manteigarias, temos todo o gosto em fazer isso”, referindo-se a apoios bancários na expansão da marca. Em relação à visita de Sam Hou Fai a Lisboa e Madrid, Cid Álvares falou na existência de “uma vontade política enorme” para que haja um reforço de relações comerciais. “Esta comitiva de 120 pessoas demonstra isso. Há pessoas do sector público, privado, e acredito que com tantos protocolos a serem assinados, com uma comitiva desta dimensão e com a vinda do Chefe do Executivo, que visita as três principais figuras do Estado português, há uma vontade para que este intercâmbio aconteça, quer em termos de investimento, quer em termos de trading e volume de negócios.” Vistos a melhorar Carlos Cid Álvares defendeu ainda que “empresas dos países de língua portuguesa e latino-americanos terão todo o interesse em vir para Macau, que é completamente ‘friendly’ para os estrangeiros, sendo um dos sítios mais seguros do mundo, com a Ásia para se viajar e um bom sistema de ensino”. Porém, “há coisas a melhorar” para que os negócios floresçam, nomeadamente ao nível “do sistema de vistos de trabalho”. “Tem havido tentativas de melhoria por parte do Governo, para que [o sistema] possa ser menos burocrático e incerto e permita que as famílias dos CEO e CFO se juntem”, rematou. O CEO do BNU lembrou que os negócios de Portugal com Macau não passam apenas pelo vinho. Aliás, “o vinho ocupa uma percentagem ridícula das exportações portuguesas”. “Portugal tem empresas de primeira linha a competir no mercado internacional, sendo os melhores em seis ou sete sectores de actividade. Lembro-me do tomate, azeite, cortiça, café e dos moldes, ou até a pasta de papel. Estão habituadas a competir no mercado internacional e podem acrescentar valor com parcerias com empresas de Macau, num mercado como é o chinês, ou da Grande Baía, com cerca de 80 milhões de consumidores”, exemplificou.
Sam Hou Fai em Lisboa | Empresas e Governo, um modelo de “alto nível” Andreia Sofia Silva - 21 Abr 2026 Decorreu esta segunda-feira, em Lisboa, uma sessão de apresentação dos serviços profissionais de Macau como plataforma sino-lusófona, no âmbito da visita oficial de Sam Hou Fai a Portugal. O presidente do IPIM destacou que o modelo de juntar empresas e Governo nestas missões tem agora uma maior dimensão, “de alto nível”. O olhar está na lusofonia, mas também nas oportunidades que o mundo hispânico pode trazer É uma delegação com mais trabalho de casa feito aquela que está em Lisboa por estes dias – são 120 empresários de Macau ou do interior da China que acompanham o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, naquela que é a primeira viagem oficial à Europa no seu mandato. Esta segunda-feira decorreu, em Lisboa, a “Sessão de apresentação dos serviços profissionais de Macau como plataforma sino-lusófona e jantar de intercâmbio”, onde estiveram presentes alguns empresários de Macau, como Jorge Neto Valente ou Eduardo Ambrósio, presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos. Não faltaram ainda, na lista de oradores, Oriana Pun, secretária-geral da Associação dos Advogados de Macau, ou Tsui Wai Kwan, presidente do Centro de Arbitragem do World Trade Center de Macau. Discursos proferidos em mandarim foram palavra de ordem. À margem da sessão, que decorreu no Tivoli Oriente, Che Weng Keong, presidente do conselho administrativo do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento (IPIM), falou precisamente da maior preparação da delegação de empresários da RAEM e dos benefícios da conexão com as autoridades governamentais. Questionado sobre o modelo de associar várias empresas ao Governo, o responsável classificou-o como sendo, ao nível da sua dimensão, “de alto nível”. “Desta vez contamos com 120 pessoas e é um grupo muito grande, com representantes de empresas de Macau, interior da China e Hengqin. Há empresas [integrantes da comitiva] que fazem parte do ranking das 500 maiores do interior da China. Gostaríamos de, através desta missão, conseguir promover mais oportunidades para a criação de mais negócios”, declarou. Em relação às áreas de negócio inclui-se a “Big Health”, ou área da saúde, “tecnologia de ponta, negócios online e transfronteiriços, “bem como outros negócios e assuntos comerciais”. “Em relação ao mercado do interior da China, esta missão [a Lisboa] representa 40 por cento da área de ‘Big Health’ e tecnologias de ponta”, frisou. Destaca-se ainda o facto de este ano, do rol de empresas constarem “empresas de maior dimensão do interior da China, bem como muitas empresas cotadas em Bolsa”. Em relação a visitas oficiais realizadas anteriormente, Che Weng Keong destacou o plano de “maximizar a sua eficiência”, sendo que, desta vez, foi feito “muito trabalho” prévio. “Recolhemos projectos desenvolvidos por empresas do interior da China, para que empresas portuguesas e espanholas consigam antecipar os trabalhos preparativos” no que diz respeito ao intercâmbio e conhecimento do tipo de negócios. Desta forma, “podemos ver que para Portugal e Espanha já estamos preparados com dezenas de acordos para serem assinados durante esta missão”, disse o presidente do IPIM. Esta segunda-feira decorreu, por exemplo, uma cerimónia de assinatura de 17 acordos no MEO Arena, zona da Expo. Objectivos definidos Che Weng Keong não deixou de frisar que os mercados de língua portuguesa são importantes, mas também os de língua espanhola. Sempre que há questões sobre planos de futuro ou objectivos a cumprir com este tipo de missões empresariais, a resposta contém Espanha no horizonte. “Todos sabem que, por razões históricas, Macau tem um laço muito estreito com vários países de língua portuguesa. Também gostaríamos de ter alguma extensão até Espanha nesta visita. O nosso objectivo é desenvolver o mercado do interior da China com os países de língua portuguesa e espanhola, para que Macau sirva de plataforma para que estas regiões e países tenham oportunidade de encontrar parceiros de negócios.” Muitos desafios Nem tudo são rosas nesta história de fazer negócios. Ng In Cheong, directora-adjunta dos Serviços de Assuntos Jurídicos da Zona de Cooperação Guangdong e Macau em Hengqin, e uma das responsáveis pelo Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola (CECPS), falou de alguns desafios que é preciso enfrentar para que as empresas dos dois lados se conheçam. “A formação sobre línguas ou outros temas é algo complexo, porque a língua é o problema principal para a saída das empresas da China, causando obstáculos, o que não deveria acontecer. Por isso cooperamos com universidades para que se realizem formações, e procuramos também estudantes de espanhol e português. Mas além de falarem português, também têm de dominar outros conhecimentos”, declarou. Admitindo que o CECPS existe há menos de um ano e que ainda não há muito trabalho a mostrar, a verdade é que “já se alcançaram alguns resultados” deste serviço “one-stop” existente em Hengqin. “Ajudamos empresas que querem sair de Macau e que não sabem como o fazer, e ajudamos aquelas que querem sair da China. Damos formação às empresas para que formem os seus trabalhadores. Temos uma empresa que presta serviços como o E-bay e que já está a fazer negócios em Portugal”, adiantou Ng In Cheong. Nesta fase, o Centro já estabeleceu contactos “com mais de 200 empresas”, tendo sido “celebrados acordos de cooperação com muitas entidades”. “Só que o nosso centro ainda é muito recente”, frisou. Apesar do pouco tempo de existência, este centro de serviços deverá expandir-se a outros países. “O nosso centro tem uma presença em Hengqin, mas temos também centros situados em Xangai, Pequim e Shenzhen. Também vamos criar escritórios no Brasil, México e Espanha”, explicou Ng In Cheong. Frederico Ma, presidente da direcção da Associação Comercial de Macau e empresário, também demonstrou ter grandes expectativas com esta visita a Lisboa. “No ano passado realizamos um fórum para o nosso sector e gostaríamos de continuar a reforçar os laços com vários países. Esperamos que, com esta visita, possamos assinar mais acordos com países de língua espanhola. Visitei Portugal várias vezes e agradeço que o Governo da RAEM organize estas visitas, para que nós e empresas do interior da China possamos, em conjunto, ter esta visita a Portugal e Espanha.” Admitindo que a área da engenharia ou gestão de infra-estruturas constitui “uma das vantagens das empresas do interior da China”, Frederico Ma disse que o “ambiente de investimento em Portugal é muito positivo, não tendo sido gravemente afectado pela crise económica actual”. “Temos [em Macau] alguns centros de empreendedorismo para ajudar os jovens a criar negócios. O mercado de Portugal é bom, e há várias vantagens em se investir em Portugal através da plataforma de Macau”, acrescentou o também empresário.
Seul | Coreia do Norte lançou vários mísseis balísticos Hoje Macau - 20 Abr 2026 A Coreia do Norte realizou ontem testes de lançamento de vários mísseis balísticos, os últimos de uma série de exercícios efectuados nas últimas semanas, anunciou o exército sul-coreano. “As nossas forças armadas detectaram vários mísseis balísticos não identificados lançados em direcção ao mar do Leste a partir da região de Sinpo, na Coreia do Norte, por volta das 06:10 locais “, indicou o Estado-Maior Conjunto sul-coreano, referindo-se à zona marítima também conhecida como mar do Japão. “Reforçámos o nosso dispositivo de vigilância e alerta em antecipação a eventuais disparos adicionais”, acrescentou. Horas antes, a agência de notícias sul-coreana Yonhap tinha dado conta do teste de lançamento de pelo menos um míssil balístico. O lançamento eleva para seis o número de testes de mísseis balísticos conhecidos da Coreia do Norte desde o início do ano. Em 14 de Abril, os meios de comunicação estatais norte-coreanos noticiaram um teste de mísseis de cruzeiro a partir de um contratorpedeiro no mar Amarelo, na presença do líder Kim Jong-un. Preocupações gerais Estes últimos testes ocorrem num momento em que a Coreia do Norte continua a ignorar os gestos do Presidente sul-coreano de centro-esquerda, Lee Jae-myung, para tentar melhorar as relações, que se deterioraram sob o governo do antecessor de direita, Yoon Suk-yeol. Seul manifestou pesar após a incursão de ‘drones’ civis na Coreia do Norte em Janeiro, um gesto inicialmente qualificado como um “comportamento muito feliz e sensato” por Kim Yo-jong, a poderosa irmã do líder norte-coreano. No entanto, um alto responsável norte-coreano descreveu posteriormente, em Abril, a Coreia do Sul como “o Estado inimigo mais hostil” a Pyongyang. A Coreia do Norte considera o programa de armas nucleares e mísseis balísticos como um seguro de vida face às intenções de invasão que atribui à Coreia do Sul e aos Estados Unidos. .Na quarta-feira, o chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, referiu um “aumento muito preocupante” das capacidades nucleares da Coreia do Norte, que estimou em “algumas dezenas de ogivas”.
Malásia | Incêndio deixa cerca de mil casas calcinadas Hoje Macau - 20 Abr 2026 Cerca de mil casas ficaram calcinadas e mais de 9.000 pessoas foram afectadas ontem na Malásia, após incendiar-se, de madrugada, a vila flutuante de Kampung Bahagia, sem que tenham sido reportadas vítimas mortais até ao momento. A zona afectada (este) “compreende umas 1.200 casas, das quais cerca de mil foram afectadas, o que significa 9.007 residentes”, disse o chefe da polícia do distrito de Sandakan, George Abd Rakman, em declarações recolhidas pela agência de notícias Bernama. As chamas arrasaram uma superfície de mais de quatro hectares, assegurou o chefe dos bombeiros de Sandakan, Jimmy Lagung, citado pela mesma fonte. Imagens difundidas por media e autoridades locais mostram chamas intensas a devorar casas, assim como estruturas calcinadas e reduzidas a escombros. A corporação local de bombeiros recebeu o alerta para o incêndio pelas 01:30 (17:30 TMG), após o que 35 efectivos, tanto de Sandakan, declarado situação de desastre, como do distrito vizinho de Kinabatangan, acorreram ao local. A maré baixa dificultou os trabalhos para assegurar uma fonte aberta de água para a extinção das chamas, afirmou Lagung, embora as autoridades já tenham dado o incêndio por controlado. De momento, não há informação de vítimas mortais. Após constatarem que a zona não era segura, foram instalados dois centros de evacuação para acolher as vítimas. Segundo “informação oficial” citada pela Bernama, o Comité Estatal de Gestão de Desastres de Sabah – o Estado malaio oriental onde se localiza a vila – o primeiro centro acolhia de manhã um total de 661 pessoas afectadas. “A prioridade actual é a segurança das vítimas e a assitência imediata no local. O Governo Federal está a coordenar-se com o Governo do Estado de Sabah para oferecer ajuda básica e realojamento temporário o quanto antes”, escreveu o primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, nas redes sociais.
Arrendar a explorar André Namora - 20 Abr 2026 O mercado imobiliário em Portugal está a destruir o tecido social da classe média. Os pobres já se habituaram a viver num quarto ou numa espécie de barraca de madeira em bairros ilegais. A situação vivida por uma grande parte da população começa a roçar o trágico. A chamada classe média não consegue viver com casa própria. Regressa para casa dos pais quando os têm. Os jovens nem pensam em possuir uma casa que lhes dê o mínimo de dignidade. Que possam casar e ter filhos. A maioria arrenda um quarto. E que quarto. A grande maioria entra no mundo existente da exploração. Hoje em dia em Portugal não se arrenda uma casa. Explora-se o arrendatário. De formas diferentes. Por um lado, um inquilino recebe uma carta do senhorio. Paga 300 euros mensalmente. O senhorio transmite que ou passa a pagar 600 ou sai. Isto, não é mercado. É sugar até ao osso. Quem aufere 900 euros de salário, vive de quê? Paga renda, água, luz, gás… e come o quê? E ainda há imbecis que batem palmas e que afirmam “é o mercado!”. Não. Isto não é mercado, mas sim abuso mascarado de negócio. Se o inquilino não aceita o aumento da renda tem de sair. A lei permite tudo aos novos exploradores. Sair para onde? Quando um quarto com uma cama, uma mesinha e um armário, sem casa de banho, já custa 500 euros. E o circo dos novos exploradores é infame e permitido pelas autoridades: retiram uma família da habitação, com três quartos por exemplo e colocam em cada quarto quatro beliches arrendando cada colchão a 250 euros por mês. Ou seja, o explorador passa a receber 2.000 euros por quarto. Com três quartos recebe 6.000 euros. Chocante e revoltante. E não nos referimos a Lisboa, porque na capital é o impossível. Já é difícil encontrar uma casa com dois quartos por menos de 1100 euros e um quarto com casa de banho em Odivelas pedem de renda 600 euros. Não estamos perante arrendamento, mas de explorar ao máximo o desespero. Rentabilizar não pode ser esmagar o próximo. O lucro não pode existir à custa da falta de dignidade humana. E o nosso Estado? Continua a ver tudo isto acontecer como se fosse algo normal. O problema é que o Estado não quer analisar o verdadeiro problema. No caso de arrendar a explorar começa a atirar com muitos portugueses para o limite. Uma senhora funcionária da Cáritas portuguesa transmitiu-nos que o limite que referimos é o desespero em último grau denominado suicídio. A situação é grave e o Governo não entende que a solução imediata seria a construção de habitações a rendas acessíveis. O primeiro-ministro Luís Montenegro vai ao Parlamento e afirma que o país está melhor e os portugueses igualmente. Quem está melhor são os ricos que vêem a construção de condomínios de luxo com rendas insuportáveis para a maioria da população portuguesa. No entanto, temos de abrir um parêntesis justo para muitos senhorios que não entram no jogo da exploração. Antes pelo contrário, são pessoas compreensivas que vão aceitando o atraso no pagamento das rendas porque sabem que os seus inquilinos vão sempre pagando como podem. Para eles, os maiores encómios, porque no mundo de hoje justiça e solidariedade são palavras vãs. O arrendamento a nível nacional é efectivamente uma exploração. Ainda há dias, em Castelo Branco, um proprietário de um apartamento com três quartos teve o desplante de pedir um aumento na renda do imóvel de 500 para 2000 euros. É o reino da prepotência que não deixa saída para quem está dependente de um contrato de arrendamento que termina. Vai terminar? Então, ou aceitas o aumento ou vais para a rua. É isto socialização de uma comunidade? Não é. Estamos perante um tipo de exploração sem rei nem roque onde cada proprietário faz o que entende. Conclusão: inquilino sofre…
PR Chapo quer empresários chineses a investirem em Moçambique Hoje Macau - 20 Abr 2026 O Presidente moçambicano convidou, na China, os empresários daquele país asiático a investirem em Moçambique para ajudar no desenvolvimento e industrialização através da transformação local das matérias-primas, afirmando que é preciso investir agora porque “o comboio não espera”. “Quero convidar os meus irmãos a investir em Moçambique, porque quanto mais cedo possível melhor, porque o comboio já está a andar e geralmente o comboio não espera, pode passar e chegar tarde, enquanto os outros já apanharam o comboio”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo. O Presidente moçambicano falava na província de Hunan, na China, durante um encontro com cerca de 350 empresários no quadro da visita de Estado que efetua àquele país asiático, em que lembrou que Moçambique está agora a atravessar uma fase de desenvolvimento de vários projectos, sobretudo os ligados à exploração de gás, indicando que é preciso aproveitar o momento para investir. Além do sector de gás, Chapo quer os empresários chineses a investirem em tecnologia, agricultura, indústria, infraestruturas, inovação, corredores logísticos que causam maior impacto económico e social. Perante os empresários, o Presidente de Moçambique esclareceu que o país está a construir as bases para a sua independência económica “com foco, resiliência e determinação”, através de uma transformação estrutural da economia que pretende alcançar a industrialização e o desenvolvimento da cadeia de valor, pedindo investimentos dos empresários de Hunan, província considerada “capital das máquinas agrícolas, máquinas industriais, camiões, máquinas para a indústria mineira”. “Queremos convidar aos empresários do Hunan para juntos aos empresários virem investir em Moçambique na industrialização (…) A nossa visão como Governo é que os nossos recursos minerais sejam transformados em Moçambique e já começamos esse trabalho (…) essa é a nossa visão, gerar renda em Moçambique, pagar-se impostos e desenvolvermos o nosso país”, disse Chapo. Portas abertas Ao apresentar as potencialidades de Moçambique, Chapo referiu-se aos projectos de desenvolvimento dos corredores logísticos e dos portos, incluindo a construção de fronteiras de paragem única juntos dos países vizinhos, indicando que estas decisões colocam o país numa posição estratégica para receber investidores. Neste sentido, o chefe do Estado moçambicano mostrou também abertura do país para concessões de diversas infraestruturas como estradas, em períodos de 20 a 30 anos, indicando que é para as empresas chinesas recuperarem os investimentos que eventualmente poderão fazer. “Estamos dispostos a receber irmãos empresários da China da província de Hunan e de outras províncias para podermos desenvolver juntos Moçambique”, disse Chapo. O Presidente moçambicano pediu ainda a estes empresários aposta na formação do capital humano, indicando que a China é um parceiro estratégico de “primeira linha” não apenas para financiamento, mas para a troca de conhecimentos. Chapo quer também estes empresários a investirem no sector de energia para exportar para os países da região austral de África que “enfrentam desafios”, indicando que o país também tem agora potencial para a construção de centrais eléctricos, além das potencialidades que surgem com a exploração do gás. Chapo chegou a Pequim na quinta-feira para uma visita de Estado num contexto em que os dois países assinalam meio século de relações diplomáticas e procuram aprofundar a parceria estratégica.
Pequim | Robô humanoide vence meia-maratona e supera recorde mundial humano Hoje Macau - 20 Abr 2026 Um robô humanoide venceu ontem uma meia-maratona para robôs em Pequim, superando o recorde mundial humano, numa demonstração dos avanços tecnológicos da China. O vencedor da Honor – fabricante chinês de smartphones – completou a corrida de 21 quilómetros em 50 minutos e 26 segundos, de acordo com uma publicação na rede social chinesa WeChat da Área de Desenvolvimento Económico e Tecnológico de Pequim, também conhecida como Beijing E-Town, onde a corrida começou. O robô foi mais rápido do que o ugandês Jacob Kiplimo, detentor do recorde mundial humano, que percorreu a mesma distância em cerca de 57 minutos em Março. O desempenho marcou um avanço significativo em relação à corrida inaugural do ano passado, quando o robô vencedor terminou em duas horas, 40 minutos e 42 segundos. A escala do evento deste ano foi quase cinco vezes maior do que a de 2025, com mais de 100 equipas a participar na competição, incluindo cinco do estrangeiro. No entanto, a corrida não decorreu sem percalços — um robô caiu na linha de partida, outro colidiu com uma barreira. A Beijing E-Town afirmou que cerca de 40 por cento dos robôs percorreram o percurso de forma autónoma, enquanto os restantes foram controlados remotamente. A emissora estatal chinesa CCTV informou que um robô actuou como agente de trânsito, para orientar os participantes com gestos de braços e voz. O mais recente plano quinquenal de Pequim promete “visar as fronteiras da ciência e da tecnologia”. Acelerar o desenvolvimento de produtos como robôs humanoides faz parte do plano para 2026-2030 da segunda maior economia do mundo.