Ciberataques | Governo alvo de quatro milhões de acções por mês

Segundo o Executivo, o “rigoroso regime de gestão de segurança” e a “equipa de monitorização dedicada” têm evitado que os ataques frequentes sejam bem-sucedidos

O Governo apontou que o seu centro de computação em nuvem repele, em média, mais de quatro milhões de ciberataques todos os meses.

Numa resposta a perguntas do deputado Vong Hou Piu sobre o actual uso de inteligência artificial (IA) na melhoria da eficiência da administração pública, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) confirmou que, apesar do elevado volume de ataques cibernéticos registado ao longo de 2025, não ocorreu até à data qualquer incidente de segurança.

As autoridades atribuíram este registo de defesa a uma “equipa de monitorização dedicada” e a um “rigoroso regime de gestão de segurança”, concebido para proteger a infra-estrutura electrónica e os dados sensíveis da cidade.

O Governo de Macau tem acelerado a integração da IA nas operações internas, com a SAFP a iniciar testes de uma plataforma em grande escala para agilizar tarefas administrativas como a análise de dados, o processamento de documentos e a redacção de atas de reuniões.

Para mitigar os riscos associados a esta nova tecnologia, o SAFP sublinhou que a plataforma de IA está alojada no Centro de Computação em Nuvem do Governo e é de uso exclusivamente interno.

“O SAFP continuará a monitorizar os riscos de ciberataques, respondendo atempadamente e reforçando as capacidades de detecção e bloqueio de intrusões”, afirmaram os serviços, salientando que a cibersegurança continua a ser um pilar da estratégia de governação electrónica do Executivo.

IA como exigência

As autoridades do território acrescentaram que o impulso para a modernização deverá também transformar o pessoal da função pública, com os futuros processos de recrutamento poderão ser actualizados para incluir a proficiência em IA como critério de selecção.

“No âmbito do regime actual, os júris de concurso têm a discricionariedade de ponderar conhecimentos de tecnologia de IA em provas e entrevistas, garantindo que os novos recrutas estão preparados para a transição digital”, indicaram.

O Governo defende que as actualizações tecnológicas são essenciais para melhorar a qualidade do serviço prestado e a eficiência do trabalho em todos os departamentos públicos.

21 Abr 2026

China considera “infundadas” acusações sobre ciberataques

A China qualificou hoje como “infundadas” as acusações de vários países e instituições internacionais sobre a alegada ligação de Pequim ao ciberataque global contra a Microsoft, que afetou sistemas de computadores em todo o mundo.

“As acusações feitas pela UE [União Europeia] e OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] não têm como base factos ou evidências, mas antes especulações e acusações infundadas”, afirmou a embaixada da China na UE. “Opomo-nos firmemente e de forma alguma aprovamos estas declarações”, acrescentou.

Os Estados Unidos, Canadá, União Europeia, Reino Unido, Japão, Austrália e Nova Zelândia uniram-se, na segunda-feira, para denunciar ciberataques de grande amplitude realizados a partir da China.

Enquanto a administração norte-americana culpou diretamente o Ministério de Segurança do Estado da China pela execução dos ciberataques, a União Europeia limitou-se a exortar Pequim a não permitir que o seu território seja utilizado para ataques informáticos.

A embaixada da China em Camberra acusou a Austrália de “seguir os passos e repetir a retórica norte-americana”.

A mesma fonte disse que o país é “cúmplice das atividades de escuta no âmbito da Aliança dos Cinco Olhos [reúne também Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia]”.

“O que o governo australiano tem feito é extremamente hipócrita, como um ladrão a acusar os outros de roubo”, descreveu.

A missão diplomática chinesa na Nova Zelândia exprimiu-se em termos semelhantes, acrescentando que se trata de uma acusação “irresponsável”, e assinalou que apresentou queixa formal às autoridades.

No Canadá, os diplomatas chineses qualificaram a acusação como uma “difamação maliciosa”.

A China afirmou, nos diferentes comunicados, ser também “vítima de ciberataques”, e defendeu o seu fim, “de acordo com a lei”.

As embaixadas chinesas nos Estados Unidos, Japão e Reino Unido não reagiram ainda àquelas acusações.

As delegações chinesas acusaram, em particular, os Estados Unidos, de serem “a maior ‘matriz’ do mundo”, no que toca a ciberataques.

O ataque de março passado afetou até 250.000 sistemas de computador em todo o mundo, incluindo a Autoridade Bancária Europeia, o Parlamento norueguês e a Comissão do Mercado Financeiro do Chile.

Ao apresentar as acusações na segunda-feira, os países e instituições envolvidos evitaram para já impor sanções ao país asiático.

As relações entre a China e os Estados Unidos deterioraram-se rapidamente, nos últimos anos, face a uma prolongada guerra comercial e tecnológica e divergências sobre questões dos direitos humanos ou o estatuto de Hong Kong, Taiwan e a soberania do Mar do Sul da China.

20 Jul 2021